<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434</id><updated>2012-01-28T07:51:32.622Z</updated><category term='-'/><title type='text'>Por AmaisB</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>729</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-4066765965453792910</id><published>2012-01-28T07:48:00.001Z</published><updated>2012-01-28T07:51:32.851Z</updated><title type='text'>Babel sem Sião</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Enviei um comentário ao texto que segue, publicado no “A Bem da Nação”, com dúvidas sobre se o Dr. Salles da Fonseca o iria publicar, já que o tema do “A. O.”, fazendo-me “perder a tramontana”, talvez ele o não quisesse postar. Respondeu-me o Dr. Salles, figura de blogueur temerário, que, em vez de o publicar nessa qualidade de comentário, o iria colocar como texto principal e que me não preocupasse com o tamanho “pois o que interessa é a dimensão”.&lt;br /&gt;Resolvi, pois, publicá-lo também no meu blogue, mas com relevo para o texto que o motivou, que, ao que sei, se passeia anonimamente pela Internet, o que me penaliza, pois o seu autor não tem que se esconder mas que assumir a sua preocupação e a sua veia humorística.&lt;br /&gt;É, pois, com orgulho por um compatriota sagaz que transcrevo o seu texto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«E VIVÓ ACORDO»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Quando eu escrevo a palavra acção, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o C na pretensão de me ensinar a nova grafia. De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as onsoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa.&lt;br /&gt;Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim. São muitos anos de convívio.Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes CCC's e PPP's me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância.&lt;br /&gt;Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora: - não te esqueças de mim! Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí. E agora as palavras já nem parecem as mesmas.&lt;br /&gt;O que é ser proativo? Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.&lt;br /&gt;Depois há os intrusos, sobretudo o R, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato. Caíram hifenes e entraram RRR's que andavam errantes. É uma união de facto, e para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família.&lt;br /&gt;Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem. Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os EEE's passaram a ser gémeos, nenhum usa (^^^) chapéu. E os meses perderam importância e dignidade; não havia motivo para terem privilégios. Assim, temos janeiro, fevereiro, março, são tão importantes como peixe, flor, avião.&lt;br /&gt;Não sei se estou a ser suscetível, mas sem P, algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham. As palavras transformam-nos.&lt;br /&gt;Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos. Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do C não me faça perder a direção, nem me fracione, e nem quero tropeçar em algum objeto. Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um C a atrapalhar. Só não percebo porque é que temos que ser NÓS a alterar a escrita, se a LÍNGUA É NOSS...?!?! ?&lt;br /&gt;Os ingleses não o fizeram, os franceses desde 1700 que não mexem na sua língua e porquê nós?&lt;br /&gt;Ou atão deichemos que os 35 por cento de anal fabetos afroamaricanos fassão com que a nova ortografia imponha se bué depréça! »&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Recebido por e-mail, Autor não identificado&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Segue-se o comentário que o Dr. Salles elegeu como texto, apesar do pequeno tamanho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Já pela minha vida passaram várias reformas ortográficas, os êstes e as estrêlas acentuados, creio que já escrevi mãi com i. Mãe passou a escrever-se com e na sequência de outros ditongos nasais de idêntica forma - (em cães, pães) - resultantes de uma etimologia latina (-anes). O que estava mal era o ãi, que não existe. No novo acordo, pelo contrário, a etimologia latina deixou de interessar, escreve-se como se quiser, afinal, conforme se pronunciam ou não determinados sons, não há uma uniformidade de critérios, não sei como será para se ensinar ortografia, num caldo linguístico de puro desrespeito até por uma Europa novilatina que não se dá a esses afãs de renegar a sua escrita, como nós. Uma bandalheira própria de um povo abandalhado, muito justamente na cauda.” &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Mas, tal como aquele extraordinário poeta que se sentou à beira do Tigre e do Eufrates, “&lt;em&gt;sobollos rios que vão por Babilónia&lt;/em&gt;” em recordações penosas, vejo-nos a nós, aqui neste canto ocidental, também com rios diversos vistos comodamente na Internet, que, por razões prosaicas e de menor engenho, espalhamos, &lt;em&gt;miserabile dictu&lt;/em&gt;, “&lt;em&gt;Tristes palavras ao vento&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-4066765965453792910?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/4066765965453792910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=4066765965453792910&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/4066765965453792910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/4066765965453792910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2012/01/babel-sem-siao.html' title='Babel sem Sião'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-1146784686421773185</id><published>2012-01-24T20:49:00.003Z</published><updated>2012-01-25T07:40:46.837Z</updated><title type='text'>Lição policial</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Foi La Fontaine um fabulista&lt;br /&gt;Que às fábulas de Fedro ou de Esopo&lt;br /&gt;Soube acrescentar traços de poeta&lt;br /&gt;E de romancista.&lt;br /&gt;Assim, acrescentou, para sua glória,&lt;br /&gt;Nesta nova história, que não é da treta,&lt;br /&gt;Mas dum Lobo que de gente se disfarçou&lt;br /&gt;Para melhor alcançar o que a sua fome pedia,&lt;br /&gt;Traços de humor, numa caracterização&lt;br /&gt;Feita de sabedoria,&lt;br /&gt;E de muita certeza&lt;br /&gt;A respeito da humana natureza:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;«O Lobo tornado Pastor»&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;É como se chama a fábula de mais uma ladinice&lt;br /&gt;De grande qualidade,&lt;br /&gt;Com que La Fontaine brindou a humanidade: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Um Lobo, que começava a colher parte escassa&lt;br /&gt;Das ovelhas da vizinhança&lt;br /&gt;Achou que, para sua bonança,&lt;br /&gt;Devia com a pele da raposa se prover&lt;br /&gt;E gizar uma nova personagem&lt;br /&gt;Para se dar sorte.&lt;br /&gt;Veste-se de pastor, enfia uma farda&lt;br /&gt;Faz o cajado dum pau bem forte&lt;br /&gt;Sem a gaita-de-foles esquecer.&lt;br /&gt;Para o embuste levar até ao fim,&lt;br /&gt;Gostaria de ter escrito no chapéu:&lt;br /&gt;“Sou eu que sou Guillot, pastor deste rebanho”.&lt;br /&gt;Construída a figura assim,&lt;br /&gt;Os pés da frente pousados no cajado,&lt;br /&gt;Guillot, o sicofanta, aproxima-se devagar.&lt;br /&gt;Guillot, o verdadeiro, na erva estendido,&lt;br /&gt;Dormia profundamente;&lt;br /&gt;Também o seu cão estava adormecido&lt;br /&gt;E a gaita igualmente;&lt;br /&gt;Das ovelhas a maioria&lt;br /&gt;Dormia, dormia.&lt;br /&gt;O hipócrita deixou-os dormir;&lt;br /&gt;E para poder&lt;br /&gt;Para o seu forte as ovelhas conduzir&lt;br /&gt;Quis acrescentar&lt;br /&gt;A palavra à acção&lt;br /&gt;Isto é, ao vestuário,&lt;br /&gt;Coisa que ele achava necessário.&lt;br /&gt;Mas o que se passou&lt;br /&gt;Foi que esse embuste o primeiro estragou,&lt;br /&gt;Por não conseguir&lt;br /&gt;A voz do pastor reproduzir.&lt;br /&gt;O tom que usou&lt;br /&gt;Fez o bosque troar&lt;br /&gt;E toda a sua farsa denunciar&lt;br /&gt;Mesmo sem um detective a ajudar.&lt;br /&gt;Cada um a esse som despertou,&lt;br /&gt;As ovelhas, o cão, o rapaz.&lt;br /&gt;O pobre Lobo, com todo este escândalo,&lt;br /&gt;Impedido pelo vestuário,&lt;br /&gt;Não pôde nem defender-se nem fugir. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Sempre por qualquer indício&lt;br /&gt;Os embusteiros se deixam apanhar.&lt;br /&gt;Quem for lobo deve como tal agir:&lt;br /&gt;É o mais certo, por ser menos fictício.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Quanto a mim, esta fábula prova&lt;br /&gt;Uma vez mais,&lt;br /&gt;Que o silêncio é de oiro&lt;br /&gt;E a palavra de prata.&lt;br /&gt;Direi mesmo de lata.&lt;br /&gt;Às vezes o maior pecado&lt;br /&gt;Está no excesso de explicação&lt;br /&gt;Que por simpatia ou até compaixão&lt;br /&gt;Pelo povo que se diz maltratado,&lt;br /&gt;Um poderoso pretende denunciar&lt;br /&gt;Um paralelismo ou sequer uma igualdade&lt;br /&gt;Bem longe da realidade.&lt;br /&gt;Mas os pastores são horríveis a vingar-se,&lt;br /&gt;Autênticos lobos ferozes a rebelar-se,&lt;br /&gt;Contra o pobre lobinho definhado. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-1146784686421773185?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/1146784686421773185/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=1146784686421773185&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/1146784686421773185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/1146784686421773185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2012/01/licao-policial.html' title='Lição policial'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-1286885694586372733</id><published>2012-01-23T02:22:00.003Z</published><updated>2012-01-23T02:38:23.251Z</updated><title type='text'>A ambiguidade na Eternidade</title><content type='html'>A duplicidade é uma característica&lt;br /&gt;Tão usual no homem&lt;br /&gt;Que, sem perceber de Estatística,&lt;br /&gt;O próprio Esopo,&lt;br /&gt;Do mundo observador,&lt;br /&gt;Com ela enfeitou&lt;br /&gt;Uma hiena e a pintou&lt;br /&gt;Transportando, traidora,&lt;br /&gt;Ora um sexo ora outro,&lt;br /&gt;Segundo lhe apetecesse,&lt;br /&gt;Ou no bestunto lhe desse,&lt;br /&gt;Para melhor conviver&lt;br /&gt;A enganar, a torpedear,&lt;br /&gt;A limpar velhas carcaças&lt;br /&gt;Dos animais mortos na selva&lt;br /&gt;E em seguida gargalhar&lt;br /&gt;No banquete do seu apetite,&lt;br /&gt;Mesmo sem doces passas,&lt;br /&gt;A festejar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;«A hiena e a raposa»&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;«Diz-se que as hienas,&lt;br /&gt;Cuja natureza&lt;br /&gt;Todos os anos muda,&lt;br /&gt;Num hibridismo de fraca beleza,&lt;br /&gt;Ora são machos ora são fêmeas.&lt;br /&gt;Uma Hiena, encantada&lt;br /&gt;À vista duma formosa Raposa,&lt;br /&gt;Censurava-a por não ceder&lt;br /&gt;Às suas tentativas para a seduzir,&lt;br /&gt;Quando ela, Hiena, só desejava&lt;br /&gt;Ser sua amiga dilecta.&lt;br /&gt;“Não me censures tu a mim,&lt;br /&gt;- A Raposa lhe respondeu,&lt;br /&gt;Que não era nada pateta -&lt;br /&gt;Mas sim,&lt;br /&gt;À tua natureza dúbia&lt;br /&gt;Que não me permite esclarecer&lt;br /&gt;Se minha amiga ou meu amigo&lt;br /&gt;Quererás ser!”&lt;br /&gt;É a pessoa ambígua&lt;br /&gt;Que a fábula pretende atingir.&lt;/em&gt;»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora aqui está como se pode tão bem descrever&lt;br /&gt;Uma sociedade de grande capacidade&lt;br /&gt;Para a ambiguidade,&lt;br /&gt;Sem citar nomes próprios,&lt;br /&gt;Coisa que é mais da Justiça,&lt;br /&gt;Ou dos Jornais, recolher!&lt;br /&gt;Bem se diz, para resumir,&lt;br /&gt;E isto sem contradições,&lt;br /&gt;Que quem vê caras não vê corações.&lt;br /&gt;Mas por isso mesmo vivemos&lt;br /&gt;Numa época de muitas discussões,&lt;br /&gt;As mais das vezes sem apelações.&lt;br /&gt;Porque na pátria amada&lt;br /&gt;A ambiguidade é protegida&lt;br /&gt;Sobretudo se bem engravatada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria já assim também&lt;br /&gt;No tempo de Esopo,&lt;br /&gt;Um homem tão de lá d’além,&lt;br /&gt;De tempos tão recuados&lt;br /&gt;Quando ainda não se haviam&lt;br /&gt;Formado antepassados?&lt;br /&gt;Mas estou em erro: Porque afinal&lt;br /&gt;As sereias do Ulisses&lt;br /&gt;Também estavam prontas&lt;br /&gt;Para causar-lhe mal!&lt;br /&gt;E a serpente bíblica&lt;br /&gt;Fez-nos sair do Éden&lt;br /&gt;Para o desterro terreal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ambiguidade, é verdade,&lt;br /&gt;Nasceu&lt;br /&gt;Sob a capa da suavidade&lt;br /&gt;E nunca morreu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-1286885694586372733?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/1286885694586372733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=1286885694586372733&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/1286885694586372733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/1286885694586372733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2012/01/ambiguidade-na-eternidade.html' title='A ambiguidade na Eternidade'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-4969911967536681584</id><published>2012-01-21T18:40:00.000Z</published><updated>2012-01-21T18:43:14.705Z</updated><title type='text'>“Ele e a sua Maria”</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“&lt;em&gt;Pouparam!”&lt;/em&gt; - disse a minha amiga, presa de admiração.&lt;br /&gt;Eu também manifestei a minha. Os nossos vencimentos não têm dado para isso, devido a factores adversos diversos, que existem em todas as famílias dependentes dos diversos factores adversos, geralmente sem reversos, mas por isso mais propensas à admiração e quem sabe se a um resquício de inveja pelos que, ao inverso, fizeram poupanças, como o nosso presidente que afirmou desde sempre ter feito poupanças, juntamente com a sua mulher, por serem ambos poupados, o que foi uma lição para os esbanjadores, que somos todos os do adverso.&lt;br /&gt;Até nos pegámos, a minha amiga e eu, pois eu não aceitei bem os lamentos do nosso presidente e desta vez fui eu que o achei zezinho, que era uma designação muito dela, já eu lha criticara, pela simples razão da necessidade de deferência para com os nossos superiores, mas a minha amiga, não sei por que carga de água - talvez porque as provações incitam aos receios dos castigos divinos, embora ela ache que estamos mais dependentes dos castigos humanos, resultantes de factores controversos entre os quais uma calçada adversa, avessa aos pés calçados e muito mais aos descalços – a minha amiga, digo, embandeirou numa de generosidade e abertura, frisando que o nosso presidente pretendeu essencialmente mostrar que estava com os portugueses mal vistos em questão de finanças, irmanando-se com eles, por um dos vencimentos não lhe dar para as suas despesas familiares, omitindo, contudo, os restantes vencimentos que se diz que tem.&lt;br /&gt;Ainda nos perguntámos se porventura o novo governo iria interceder junto das finanças no sentido de resolver o problema do nosso presidente, aumentando-lhe a reforma referente a esse vencimento, ou aconselhando-o antes a um menor despesismo em virtude da situação precária do nosso país esbanjador, contrariamente às atitudes poupadas do nosso presidente e da esposa, que se vê bem que é sua alma gémea nas poupanças e na reciprocidade da estima.&lt;br /&gt;Na realidade, eu não me admirei muito da saída queixosa do nosso presidente. Somos um povo dado ao queixume e os nossos jornalistas bem fazem os possíveis por demonstrar isso, interrogando as pessoas sobre isso e as pessoas dando dados disso. Até me lembrei de uma observação do meu pai, nos meus tempos da infância, quando se encontrava em momentos de euforia, definindo o povo português através de uma expressão de expressivo chorinho: &lt;em&gt;“Chora a mãe trabeculosa junt’à filha qu’agoniza”.&lt;/em&gt; Assim éramos, segundo o maroto do meu pai, que não gostava do fado gemido. Ainda somos, mas com o fado alcandorado agora a património da humanidade, por muito imaterial que se apresente. Mas o nosso choradinho dá sempre matéria a sempre ouvido canto – elegíaco - até mesmo em prosa, como fez Samuel Usque a respeito das tribulações do povo israelita, o que prova que não somos só nós a prantear-nos.&lt;br /&gt;Ora porque havia o nosso presidente de ter um canto diferente? Eu própria acabei de exprimir um queixumezinho de desengano – ou de engano, nem destrinço bem - neste meu texto que pretendia ser de sentido humor!&lt;br /&gt;Ninguém deve lançar pedras sem antes fazer exame de consciência, bolas, já Jesus disse!&lt;br /&gt;Não há nada como a reflexão para nos compreendermos melhor.&lt;br /&gt;E a consciência de que as poupanças do nosso presidente e da esposa lhes podem proporcionar uma velhice tranquila, encheu-nos, finalmente, as medidas. Até lhes dirigimos o canto dos aniversários, do íntimo dos nossos seres:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Parabéns a você&lt;br /&gt;Pela poupança obtida.&lt;br /&gt;Muitas felicidades,&lt;br /&gt;Muitos anos de vida.” &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-4969911967536681584?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/4969911967536681584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=4969911967536681584&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/4969911967536681584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/4969911967536681584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2012/01/ele-e-sua-maria.html' title='“Ele e a sua Maria”'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-2232952492409703835</id><published>2012-01-18T21:40:00.003Z</published><updated>2012-01-18T22:36:17.725Z</updated><title type='text'>TERCEIRA GUERRA MUNDIAL?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Recebi um e-mail com um esquema mais ou menos bem articulado, e com imagens expressivas sobre a época que todos sentimos que estamos a viver, num mundo de ataque e opressão, e de reduzida defesa do número dos oprimidos em progressão contínua. Um mundo assustado num presente iníquo, de futuro incerto. Tem por título: “III GUERRA MUNDIAL”. Naturalmente que o esquema foi transformado, mantendo a forma esquemática, substituídas as setas por alíneas com outro formato e a ortografia segundo o modelo anterior ao Acordo Ortográfico, com as minhas desculpas para o autor do trabalho, que o não assinou.&lt;br /&gt;Trata-se de um documento curioso, não sei se orientado segundo uma visão demasiado unilateral e negativa. Talvez que a hora seja antes de luta corajosa, mas este alerta serve para a criação de uma consciência clara dos factos. Ainda que o achemos incompleto nos seus parâmetros, que omitiram as palavras Pátrias e respectivas Histórias nacionais, nos objectivos gerais das intenções de destruição dos povos e organismos a ela votados. Serve de alerta para uma resistência possível, através das soluções pelo trabalho, a obediência, a fidelidade àqueles que se comprometeram a eliminar a crise. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;«III GUERRA MUNDIAL» &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;«Criar uma nova ordem mundial&lt;br /&gt;VALORES:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Eliminar: &lt;em&gt;Bem-Estar e Qualidade de vida&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Substituir por: &lt;em&gt;Ganhar Dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;POLÍTICA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Eliminar: &lt;em&gt;Democracia do povo.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Substituir por:&lt;em&gt; Ditadura dos mercados.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;MEIOS&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Eliminar: &lt;em&gt;Educação; Saúde.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Substituir por: &lt;em&gt;Bancos; Bolsa.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;ORGANIZAÇÃO:&lt;br /&gt;ESTADO MAIOR:&lt;/strong&gt; Grupos Financeiros Mundiais:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MERCADOS --&amp;gt; EXÉRCITOS&lt;/strong&gt;:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Exército Financeiro: &lt;/strong&gt;WALL STREET&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Exército Especulativo&lt;br /&gt;Exércitos: &lt;/strong&gt;IFC (International Finance Corporation); FMI&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Exércitos Mundiais&lt;/strong&gt;: Bank of America; Banco Central Europeu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Primeiras frentes de batalha na Europa:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;National Bank of Greece; Banco de Portugal; Bank of Ireland; Banca d’Italia; Banco de España&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PLANO ESTRATÉGICO&lt;br /&gt;OBJECTIVOS: &lt;/strong&gt;Conquista de todos os capitais, bens e fontes económicas .&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MERCADOS:&lt;/strong&gt; Estado Maior: Coordenação das diferentes batalhas: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;LOGÍSTICA&lt;br /&gt;Objectivos:&lt;/strong&gt; Proporcionar os meios para custear todas as despesas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;GUERRA PSICOLÓGICA&lt;br /&gt;Objectivos:&lt;/strong&gt; Mentalizar o povo para a inevitabilidade de pagarem cada vez mais.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ESTRATÉGIA&lt;br /&gt;Objectivos:&lt;/strong&gt; Conquistar todos os capitais, bens e fontes de produção.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;TÁCTICAS&lt;br /&gt;Objectivos: &lt;/strong&gt;Dominar todos os sectores da economia do país-alvo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SABOTAGEM&lt;br /&gt;Objectivos:&lt;/strong&gt; Sabotar toda a economia do país-alvo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;OPERAÇÕES ESPECIAIS:&lt;br /&gt;Objectivos:&lt;/strong&gt; Conquista do poder político, económico e financeiro do país-alvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1. LOGÍSTICA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Adquirir receitas a partir das seguintes fontes:&lt;br /&gt;1 – Negócio mundial da droga&lt;br /&gt;2 – Negócio de venda de armas&lt;br /&gt;3 – Juros dos empréstimos sobre a dívida soberana dos diferentes países sob ataque&lt;br /&gt;4 – Venda de influências&lt;br /&gt;5 – Vendas de apoio ao mundo do crime&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. GUERRA PSICOLÓGICA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;1- Mentalizar o povo para a inevitabilidade de pagar cada vez mais.&lt;br /&gt;2- Aproveitar a vaidade e a inveja das pessoas e enaltecer o despesismo e os pedidos de empréstimo aos bancos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Centros de mentalização:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Rádios, Jornais, Revistas, Sondagens, Agências de Ratings. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Militares da Guerra Psicológica: &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Políticos, Realizadores, Economistas, Comentadores, Jornalistas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Bases da actuação da guerra psicológica:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;1 – NÃO FALAR em:&lt;br /&gt;- Desemprego, Fome;&lt;br /&gt;- Despedimentos, Falências;&lt;br /&gt;- Aumentos de impostos e baixa de ordenados;&lt;br /&gt;-Dívidas, Incumprimentos, Mentiras do Governo;&lt;br /&gt;- Juros, pedidos de empréstimo dos órgãos do Estado ( são “Oferta Pública” e “Apoio Financeiro”;&lt;br /&gt;- Produtividade, Agricultura, Pecuária, Pescas, Indústria, Comércio;&lt;br /&gt;-Importações, despesismo do Estado, vencimentos dos políticos;&lt;br /&gt;-Manifestações, Greves, Off-shores, Corrupção, Justiça;&lt;br /&gt;- Povo, País, Pátria, Federação Europeia (só “União” monetária), Democracia;&lt;br /&gt;- Partidos e políticos que não são Neo-Liberais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2 – DESVIAR AS ATENÇÕES para:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;- Futebol;&lt;br /&gt;- Figuras públicas da “Socialite”&lt;br /&gt;- Pequena criminalidade;&lt;br /&gt;- Modelos e Desfiles de Modas;&lt;br /&gt;- Controvérsias, Mesas Redondas;&lt;br /&gt;- Telenovelas e Concursos da TV;&lt;br /&gt;- Programas de culinária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3 – ULTRA-PUBLICITAR:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;- Cotações da Bolsa, Lucros bancários, FMI, BCE;&lt;br /&gt;- Economistas e políticos Neo-Liberais;&lt;br /&gt;- Presidentes de Bancos;&lt;br /&gt;- Vida e obra dos mais ricos;&lt;br /&gt;- “Maravilhas” da liberdade dos mercados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3. ESTRATÉGIA de CONQUISTA:&lt;/strong&gt; Conquistar todos os capitais, bens e fontes de produção.&lt;br /&gt;1 – Conquistar (comprar acções) todos os bancos, e grandes empresas, para manipular o aumento progressivo das taxas de juros;&lt;br /&gt;2 – Conquistar (comprar) ou destruir todas as fontes estratégicas (água, electricidade, gás, petróleos, agricultura, pecuária, pescas, indústria, comércio), aumentando progressivamente os preços, para que se peçam empréstimos aos bancos para se poder sobreviver;&lt;br /&gt;3 – Contratar mercenários (políticos, governos) para criarem legislação favorecedora do capitalismo, criarem dívida pública, aumentando os impostos e baixando os salários para pagar os juros desta e para que as pessoas recorram ainda mais ao crédito bancário, até ficarem sem nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4- ESTRATÉGIA DA TERRA QUEIMADA:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;1 – DESTRUIÇÃO DOS BENS PRIMÁRIOS DE PRODUÇÃO (agricultura, pecuária, pescas, indústria, comércio): Porque eles podem ganhar dinheiro, não necessitando de contrair dívidas bancárias, ou para pagar os juros e amortizações das dívidas contraídas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Utilizar os governos mercenários para:&lt;br /&gt;-Legislar, levantando dificuldades à criação de empresas;&lt;br /&gt;-Desenvolver burocracias com demoras, autorizações camarárias e ambientais, planos municipais, vistos, licenças, taxas, etc.;&lt;br /&gt;- Aumentos sucessivos dos preços de matéria-prima, combustíveis, electricidade, água, gás, etc.&lt;br /&gt;- Aumentos dos preços dos meios de transporte (rodoviários, ferroviários, marítimos, aéreos), portagens;&lt;br /&gt;- Liberalização da acção dos intermediários, para os preços irem aumentando, a procura reduzindo-se e as empresas de bens primários falirem;&lt;br /&gt;- Criação de monopólios e empresas subsidiadas para levarem a concorrência à falência;&lt;br /&gt;- Aumentos sucessivos nos impostos e taxas; Inexistência de seguros adequados às necessidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ESTRATÉGIA DA TERRA QUEIMADA:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;2 – LIBERALIZAÇÃO DO MERCADO DE EMPREGO: Reduzir ao máximo as capacidades de sobrevivência para que as pessoas empregadas tenham que pedir empréstimos aos bancos.&lt;br /&gt;O patrão pode despedir quando quiser.&lt;br /&gt;O empregado tem medo de ser despedido. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O empregado aceita tudo: Escravatura laboral, baixo salário, assédio sexual, 12 horas trabalho por dia, etc.&lt;br /&gt;O empregado não aceita:&lt;br /&gt;DESEMPREGO&lt;br /&gt;MÃO-DE-OBRA BARATA (Falta de dinheiro Para sobreviver) --&amp;gt; PEDIDO DE EMPRÉSTIMO AO BANCO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ESTRATÉGIA DA TERRA QUEIMADA:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;3 – ELIMINAÇÃO DOS MEIOS DE ASSISTÊNCIA PÚBLICA: Retirando às pessoas tudo o que seja serviços gratuitos, são obrigadas a pagá-los e para isso têm que recorrer aos empréstimos bancários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A - FUNÇÃO PÚBLICA, Ministérios, Serviços Municipais, Empresas Público-Privadas, Empresas com Participação do Estado, Empresas com Aval do Estado, etc:&lt;br /&gt;Nomear ou fazer eleger governantes e administradores neo-liberais e incompetentes, para levar estas instituições à beira da falência, para pedirem empréstimos aos bancos e, posteriormente, serem penhoradas por eles.&lt;br /&gt;B – EDUCAÇÃO:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1º Objectivo&lt;/strong&gt;: A formação do cidadão consumidor, acreditando em toda a propaganda dos meios de informação e sequioso de empréstimos bancários;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2º Objectivo:&lt;/strong&gt; Baixar progressivamente a qualidade do ensino, para se obter mão-de-obra barata;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3º Objectivo:&lt;/strong&gt; aumentar progressivamente as propinas para levar os pais a contraírem empréstimos nos bancos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ESTRATÉGIA DA TERRA QUEIMADA:&lt;br /&gt;C – SAÚDE:&lt;/strong&gt; Aumentar progressivamente os preços de consultas, medicamentos e hospitalizações, das taxas e descontos para os Serviços de Saúde, ao mesmo tempo que se vão fechando hospitais e Centros de Saúde, obrigando as pessoas a fazer seguros de saúde e a recorrer a empréstimos bancários para se poderem tratar.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;D – REFORMAS:&lt;/strong&gt; Atribuir subsídios e pensões a quem nunca contribuiu e pensões elevadas aos políticos, para retirar dinheiro dos fundos de pensões, ao mesmo tempo que se vai aumentando a idade para a reforma (“Esperança de Vida”) e baixando progressivamente as pensões, até não haver dinheiro, obrigando as pessoas a fazer seguros de reforma junto dos bancos ou companhias de seguros.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E – TRANSPORTES:&lt;/strong&gt; Ir destruindo progressivamente tudo o que sejam transportes públicos, aumentando os preços, portagens, taxas de estacionamento, eliminação de carreiras, etc., obrigando as pessoas a contrair empréstimos bancários para adquirir viatura própria.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;D – MULTAS:&lt;/strong&gt; Aumentar progressivamente as multas, coimas, juros de mora, custos e demoras na justiça, para criar nas pessoas sentimentos de culpa e as obrigar a recorrer a empréstimos bancários para poder satisfazer aqueles pagamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estratégia da “Autodestruição”&lt;br /&gt;4 – FOMENTO DA ESPIRAL DE ENDIVIDAMENTO: &lt;/strong&gt;Levando as pessoas, empresas e governos ao despesismo exagerado, aos pedidos de empréstimos bancários para pagar o despesismo, a contrair novos empréstimos para pagar os juros dos primeiros e assim sucessivamente até ao escoamento final de qualquer mais-valia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estratégia Defensiva:&lt;br /&gt;5. PREVER E ANULAR A REACÇÃO E O CONTRA-ATAQUE DO INIMIGO:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;1º – Prevenir contra a UNIÃO DO POVO (dos partidos, dos sindicatos, do País, da União Europeia). - “A união faz a força”, podendo-se estabelecer uma frente que resista ao ataque da exploração e especulação capitalista.&lt;br /&gt;2º – Prevenir contra a DEMOCRACIA (nos partidos, no País, na União Europeia). - A democracia pode levar ao poder políticos competentes e incorruptíveis, fazendo frente ao ataque capitalista; - A renovação democrática, elegendo sempre novos governantes, dificulta muito a sua corrupção.&lt;br /&gt;3º – Prevenir contra a HONESTIDADE (de todas as pessoas, empresas, políticos e governantes). - O que impossibilita por completo a sua corrupção e proporciona uma justiça isenta no combate à corrupção, à exploração, à extorsão, ao roubo, à falsificação, a incumprimentos e mentiras.&lt;br /&gt;3º – Prevenir contra a COMPETÊNCIA (de todos os políticos, governantes e outros actores do Estado). - A competência leva os responsáveis a prever, precaverem-se e actuar de imediato, sempre que se defrontam com a especulação capitalista.&lt;br /&gt;Nestas situações, actuar com:&lt;br /&gt;INFILTRAÇÃO, CORRUPÇÃO, SABOTAGEM e OPERAÇÕES ESPECIAIS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4. TÁCTICAS&lt;br /&gt;TÁCTICAS DE TERRORISMO,&lt;/strong&gt; para dominar todos os sectores da economia do país-alvo.&lt;br /&gt;1 – RIVALIDADES E CONFLITOS: Colocar todos os grupos sociais uns contra os outros (patrões/empregados, classe média/classes baixas, governos/oposições, Benfiquistas/Sportinguistas, funcionários públicos/trabalhadores de empreses particulares, etc.),&lt;br /&gt;2 – CONTRATOS RUINOSOS: Colocar todos os grupos económicos (bancos, empresas privadas, público-privadas, municípios e outros) estabelecendo contratos, escrituras e acordos com o Estado, subornando os governantes para que sejam ruinosos para o país-alvo.&lt;br /&gt;3 – SUBIDA PROGRESSIVA DOS JUROS: Ordenar aos bancos para fazerem empréstimos com juros não especificados, aumentando-os progressivamente, de modo a fazer acelerar a espiral de endividamento.&lt;br /&gt;4 – MANIPULAÇÃO DOS RATINGS: Ordenar às agências de rating (Moodys, Fitch, etc.) para irem baixando progressivamente o nível de Creditação do país-alvo e dos seus principais bancos e empreses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;TÁCTICAS&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;5 – SUBORNOS: Subornar políticos e governantes para que façam regredir e destruir toda a economia, para que o Estado peça cada vez mais empréstimos (dívida soberana).&lt;br /&gt;6 – SUBIDA DE PREÇOS: Formar monopólios e cartéis, para fazer subir progressivamente a carestia de vida (sobretudo os preços dos bens essenciais para a produção e para a alimentação (obrigando o endividamento).&lt;br /&gt;7 – DESPEDIMENTOS E BAIXA DE VENCIMENTO: Subornar os políticos e governantes para fazerem leis que facilitem os despedimentos e, ao mesmo tempo, ordenar às empresas que despeçam trabalhadores e promovam uma situação de baixa progressiva dos vencimentos, de modo a terem mão-de-obra barata e fazendo deste modo acelerar a espiral de endividamento.&lt;br /&gt;8 – SUBIDA DE IMPOSTOS: Subornar políticos e governantes para fazerem subir progressivamente o nível de impostos (IRS, IRC, etc.), para tornar incomportável a sobrevivência, levando as pessoas e empresas a endividarem-se cada vez mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5. SABOTAGEM&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sabotar toda a economia do país-alvo.&lt;br /&gt;1 – Sabotar todas as fontes de produção: Comprando, destruindo, deitando fogo, levando à ruína todos os meios de produção da auto-suficiência: agricultura, pecuária, pescas, indústrias, comércio, etc.&lt;br /&gt;2 – Sabotar todas as formas de controle de preços: Criando monopólios, intermediários, e outras formas de fazer subir sistematicamente os preços do que for produzido ou importado.&lt;br /&gt;3 – Sabotar a Economia: Facturação falsa, aldrabar a contabilidade, desfalques, roubos, desvios para off-shores, etc.&lt;br /&gt;4 – Sabotar as Finanças: Contabilidade fraudulenta, mentiras ao Fisco, recibos forjados etc.&lt;br /&gt;5 – Sabotar todos os organismos do Estado: Contratos, acordos, escrituras, burlas, intrujices, e tudo o que seja lesivo do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6- SABOTAGEM&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;6- Sabotar todos os planos governamentais: Corrompendo, ameaçando, prometendo, os políticos para que não criem planos de desenvolvimento económico.&lt;br /&gt;7 – Sabotar todos os planos de equilíbrio da economia: Corrompendo e ameaçando os políticos para que criem planos ruinosos: Parcerias público privadas, TGV, aeroportos, super auto-estradas, pontes, submarinos, perdão de dívidas fiscais, subsídios a bancos, a fundações, etc. Fomentar a vaidade, ostentação e inveja dos políticos, (através dos meios de informação), para que eles entrem em despesismos incomportáveis.&lt;br /&gt;8 – Sabotar todos os planos de contenção de despesas - Corrompendo, ameaçando, prometendo, para que os políticos não criem planos de desenvolvimento económico.&lt;br /&gt;9 – Sabotar todas as empresas: Fazendo o Governo legislar em aumentos de IRC, IVA, e todas as outras taxas, de modo a levá-las à falência.&lt;br /&gt;10 – Sabotar os preços dos bens essenciais produção: Tomar conta das grandes empresas e monopólios (água, electricidade, gás, gasolinas, transportes) para aumentar incomportavelmente os seus preços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7. OPERAÇÕES ESPECIAIS&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Utilização de operações especiais secretas, RECORRENDO A TODOS OS MEIOS, para se conseguir o controle de todo o poder político, económico e financeiro do país-alvo.&lt;br /&gt;1º Nível: Suborno dos políticos&lt;br /&gt;2º Nível: Falsificação de resultados eleitorais&lt;br /&gt;3º Nível: Atentados aos governantes&lt;br /&gt;4º Nível: Terrorismo&lt;br /&gt;5º Nível: Insurreição&lt;br /&gt;6º Nível: Revolução&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;QUADRO ACTUAL DA III GUERRA NA EUROPA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;- &lt;strong&gt;VITÓRIAS CONSEGUIDAS:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Aumento imparável da espiral das dívidas de cada país-alvo: Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha e Itália. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- OBJECTIVOS SEGUINTES:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;1º - Levar estes países-alvo à espiral de pedir mais empréstimos para pagar os juros das dívidas actuais e assim sucessivamente;&lt;br /&gt;2 – Estender a frente de batalha, progressivamente, aos outros países europeus.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;FIM&lt;br /&gt;… o nosso» &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-2232952492409703835?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/2232952492409703835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=2232952492409703835&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/2232952492409703835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/2232952492409703835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2012/01/terceira-guerra-mundial.html' title='TERCEIRA GUERRA MUNDIAL?'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-4398634281649379464</id><published>2012-01-16T07:55:00.001Z</published><updated>2012-01-16T07:59:36.612Z</updated><title type='text'>“O que vale é que o nosso lixo é biológico”</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vendo o meu desassossego ao expor-lhe a questão do lixo segundo classificação de mais uma agência de rating, a minha amiga quis acalmar-me, soltando a frase do título em crónica: “&lt;em&gt;O que vale é que o nosso lixo é biológico”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Fiquei mais tranquila, pensando em reciclagem e na nossa conversão utilitária, segundo os parâmetros de Lavoisier a respeito da transformação que tudo sofre, sem nada se criar nem perder na natureza, embora os cinco filhos que eu criei me levassem sempre a duvidar da viabilidade de tal frase, retirando-me a consciência da minha importância criadora e da dos que vejo à minha volta que também criam, às vezes até em berço dourado, o que é muito exaltante para a auto-estima.&lt;br /&gt;Mas apesar de reciclável, segundo o comentário da minha amiga, embirro com a transformação em lixo com que designaram o nosso &lt;em&gt;rating&lt;/em&gt; bancário, sem respeito por aquilo que fomos e que ainda somos, todo um passado que nem sempre foi remendão e que produziu gente capaz de façanhas e artes a que se devia ser mais sensível, tanto cá como na Grécia, como em outros povos que as tais agências rebaixam sem qualquer resquício de respeito, provavelmente bem remuneradas pelos que lhes encomendam os estudos sobre os valores económicos de cada país.&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Que raio de desplante este das tais agências! Não significarão elas o lixo, a escória de uma sociedade moderna que destrói carreiras e funções, com um à vontade assustador, comandadas pelos povos que dantes destruíram corpos e nações pela força do seu poderio bélico?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Mas a minha amiga não se sentia abatida hoje, não quis alinhar em raivas de impotência. Até porque lemos no DN de sexta, 12, a expressiva frase “&lt;em&gt;Como vender Portugal lá fora!”&lt;/em&gt; que a mim, inicialmente causara engulhos, eliminados estes com as referências fotografadas aos empresários portugueses bem sucedidos cá como no estrangeiro.&lt;br /&gt;A minha amiga até deu pormenores sobre empresas portuguesas com êxito na Holanda e concluiu com ternura:&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Jerónimo Martins não está sozinho. Para mais é um homem de categoria. Dá emprego a muitos portugueses. O problema é que os ricos estão a pôr o dinheiro lá fora.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;E eu não pude dizer mais que “&lt;em&gt;Pois!”,&lt;/em&gt; porque a minha amiga continuou a dar pormenores e sobretudo a lançar uma vez mais a sua velha teoria sobre o sol português que se devia vender ao grama, mas nem isso se fizera, pois que a auto-estrada para o Algarve fora a última a construir-se. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-4398634281649379464?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/4398634281649379464/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=4398634281649379464&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/4398634281649379464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/4398634281649379464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2012/01/o-que-vale-e-que-o-nosso-lixo-e.html' title='“O que vale é que o nosso lixo é biológico”'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-705260745024771493</id><published>2012-01-11T17:06:00.002Z</published><updated>2012-01-11T17:25:45.589Z</updated><title type='text'>“Ociosidade” remunerada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Entre os vários temas abordados pelo sociólogo Alberto Gonçalves, que assina, no Diário de Notícias a rubrica “&lt;em&gt;Dias Contados&lt;/em&gt;”, neste domingo, 8/1, intitulada “&lt;em&gt;A Grande loja irregular&lt;/em&gt;”, conta-se o intitulado “&lt;em&gt;Adeus Português&lt;/em&gt;”, que não resisto a transcrever, uma vez mais inutilmente, mas admirando a coragem de quem ousa esgrimir contra aqueles homenzinhos que, na sombra das suas banquinhas de estudiosos de duvidosa dimensão, com a conivência dos patrõezinhos ambiciosos que são – ou foram - os nossos governantezinhos subservientes aos países potentes – talvez prepotentes também, mas cuido que sobretudo agradados das vénias dos descendentes dos que em tempos os descobriram com só as curvaturas dos esforços espinais para neles se fixarem e transmitirem a língua e a cultura da universalidade dos clássicos da sua ancestralidade – se dispuseram a desrespeitar a sua própria língua, ajavardando-a com as regras da sua deformação moral e intelectual.&lt;br /&gt;Segue o texto, datado de Segunda-feira, 2 de Janeiro: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;«Adeus, português»&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«É fascinante que um pequenino bando de ociosos tenha decidido corromper a língua de milhões. O fascínio esvai-se quando se percebe que os ociosos atingiram os intentos. O Acordo Ortográfico, criação de arrogantes com uma missão, é oficial e está aí, perante a complacência dos poderes públicos em princípio eleitos para defender o país e não para o enxovalhar deliberadamente.&lt;br /&gt;Até hoje não se percebe a serventia do dito Acordo. A partir de hoje, também não se irá perceber. Ao que consta, a ideia seria “unificar” a escrita de todos os países de expressão portuguesa. Naturalmente, ficou muito longe disso. Ainda que não ficasse, onde estaria o ganho? Por mim, os brasileiros e os moçambicanos são livres de adoptar o húngaro sem que eu os censure ou sequer note a diferença. Não sou brasileiro nem moçambicano. Sou português e, não fosse pedir demasiado, dava-me jeito redigir na língua em que cresci. À revelia da proclamação gratuita de Fernando Pessoa, "a minha pátria não é a língua portuguesa". Mas a minha língua é.&lt;br /&gt;Em abono dos Malacas Casteleiros e restantes conspiradores do Acordo, é verdade que semelhante aberração não caiu do céu. A repugnância que esses senhores dedicam às palavras, e que os leva a esventrá-las sem escrúpulos, encontra um ambiente hospitaleiro na sociedade em geral, a começar pelos políticos que avalizaram a vergonha lexical em curso. Dificilmente os sujeitos cuja retórica é um amontoado de “alavancagens” e “empoderamentos” travariam a degradação do vocabulário.&lt;br /&gt;E o resto não melhora. Da televisão às SMS, do Facebook à escola, pouco, quase nada, nos lembra que comunicamos no mesmo idioma do referido Pessoa. Assistir a um “telejornal”, ler um texto produzido pelo universitário médio ou espreitar os padrões do romance contemporâneo indígena é descer a jargões e graus de analfabetismo abjectos, com ou sem “c”. Porém, se os maus-tratos à língua já eram habituais, não eram obrigatórios. E essa é a diferença entre temer pela vida de um moribundo e assinar, oficial e urgentemente, o respectivo óbito.»&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;O que é fascinante é o texto de Alberto Gonçalves, na sua frontalidade desafiante e na clara expressão dos seus argumentos críticos. Apenas julgo que o tal bando de ociosos &lt;em&gt;&lt;strong&gt;vendeu&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; a sua ociosidade a quem de direito, indiferentes aqueles à traição de que haviam sido incumbidos e com a qual, aliás, o país pouco se ralou, justificado o motivo com as razões de incultura que o sociólogo apresentou, às quais outras se poderiam acrescentar. Também do foro espiritual. De carência, está visto. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-705260745024771493?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/705260745024771493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=705260745024771493&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/705260745024771493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/705260745024771493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2012/01/ociosidade-remunerada.html' title='“Ociosidade” remunerada'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-3855442154158269625</id><published>2012-01-10T23:28:00.002Z</published><updated>2012-01-10T23:38:05.346Z</updated><title type='text'>“Eu não me interessa que usem avental”</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- &lt;em&gt;Isso é lá com eles! Que sejam ridículos à vontade deles. Isto não sou eu que digo, tenho lido.&lt;br /&gt;- E ouvido! &lt;/em&gt;- Acudi eu muito depressa, a mostrar que também estou a par do assunto, actualmente na berra. Mas a minha amiga não me deu ouvidos, fez questão de continuar a ser ela a contar:&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Isso do avental não faz diferença a ninguém. O pior é o resto. Está-se a descobrir que o resto é escandaloso. Ou os metem na política ou os levam para os mações. É tudo secreto, com o avental imprescindível. Afinal, fazem parte da família, gente muito rica que manda nos outros. Os ricos querem assim, faz-se assim.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Achei o monólogo da minha amiga também algo eivado de secretismo, não sei se por simpatia com o que sempre acompanhou os mistérios ligados à maçonaria, mas fui respondendo que antigamente a maçonaria tinha a ver com os bons sentimentos, com o respeito pelas virtudes e pela igualdade e fraternidade entre os homens, como o rei Artur, aliás, também já tinha tentado estabelecer, embora só entre os seus pares da mesa redonda, por não haver mações na altura, que têm a ver com os construtores das catedrais medievais, segundo leio na Internet, embora os secretismos sibilinos, ligados às práticas místicas do ocultismo sejam velhos como o mundo.&lt;br /&gt;Parece que a maçonaria actual está mais ligada ao capital, ao contrário da maçonaria anterior, mais ligada ao espiritual, ao intelectual, e a prova é que Garrett também lhe pertenceu com todo o seu coração de liberal progressista, no final da vida não resistindo, contudo, a fazer-se intitular visconde, o que sempre consistiu, para mim, uma mancha à sua aura de escritor modernista que sempre admirei.&lt;br /&gt;O poder do ouro ou das honras exerce indiscutivelmente uma atracção fabulosa sobre os homens, os mais imunes, e é por isso que acontecem essas coisas obscuras, feitas pela calada, nessas sociedades do avental, mas também de colar e luvas, que até têm Lojas, o que as torna sensíveis ao comércio e aos lucros.&lt;br /&gt;A sociedade cruel quer que os mações declarem as suas ligações secretas por conta da transparência, mas tudo isso não passa de &lt;em&gt;faits divers&lt;/em&gt; sem consequência.&lt;br /&gt;Lembro o “&lt;em&gt;Clube dos Poetas Mortos&lt;/em&gt;”, em que os alunos do professor amigo da liberdade humana mandava destruir os livros de aprendizagem seguidos pelo sistema educativo do colégio - (o que sempre achei uma acção pedante e idiota, por muita aura que desse ao professor destruidor, junto dos alunos naturalmente receptivos à rebeldia "genial") - para que os alunos adquirissem a sua autonomia de pensamento, e os alunos até formaram o seu grupo secreto, com rituais e leituras secretas. A sociedade repressora do colégio e não só, sacrificou o professor liberal e um dos alunos, que se suicidou, devido à incompreensão familiar.&lt;br /&gt;Não vamos nós agora condenar os nossos mações, só porque têm rituais de que não dão conta a ninguém. A verdade é que se sabe que eles trepam na vida por conta desses jeitos piedosos dos seus rituais secretos e isso é importante. A vida está complicada na questão do emprego, e pelo menos esses podem safar-se. Que os aventais deles até são bonitinhos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-3855442154158269625?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/3855442154158269625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=3855442154158269625&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/3855442154158269625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/3855442154158269625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2012/01/eu-nao-me-interessa-que-usem-avental.html' title='“Eu não me interessa que usem avental”'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-3812986673895210171</id><published>2012-01-05T03:09:00.006Z</published><updated>2012-01-09T00:27:37.161Z</updated><title type='text'>2012 em euforia, na nossa mitologia</title><content type='html'>O mito das duas irmãs amicíssimas&lt;br /&gt;– Procne e Filomela –&lt;br /&gt;E de Tereu, casado com aquela,&lt;br /&gt;Mas que violou esta por amor dela,&lt;br /&gt;E lhe arrancou a língua para que ela,&lt;br /&gt;Tagarela,&lt;br /&gt;Não contasse àquela a esparrela&lt;br /&gt;Com que este a desgraçara&lt;br /&gt;- Pobrezinha dela! -&lt;br /&gt;E que afinal redundaria na transformação&lt;br /&gt;- E Deus nos livre de tal mistificação! -&lt;br /&gt;Das duas irmãzinhas&lt;br /&gt;Tão amiguinhas,&lt;br /&gt;Em avezinhas&lt;br /&gt;- Um rouxinol e uma andorinha –,&lt;br /&gt;Está sugerido na fábula que segue,&lt;br /&gt;Do La Fontaine,&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“O Milhafre e o Rouxinol”.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Mas também se suspeita que Tereu&lt;br /&gt;Foi feito poupa, por culpa sua,&lt;br /&gt;Da incontida paixão,&lt;br /&gt;Pela bela Filomela,&lt;br /&gt;Já anteriormente, aliás,&lt;br /&gt;Castigado pela esposa Procne&lt;br /&gt;Que lhe cozinhou o filho&lt;br /&gt;E o fez comê-lo,&lt;br /&gt;- Pobre rapaz! -&lt;br /&gt;Num horroroso acto de canibalismo&lt;br /&gt;Ou talvez antes por ancestral&lt;br /&gt;Desumano e vingativo&lt;br /&gt;Maquiavelismo&lt;br /&gt;Próprio do homem&lt;br /&gt;Seja velho ou jovem,&lt;br /&gt;O que já Medeia,&lt;br /&gt;Em vingança rude e feia,&lt;br /&gt;Fizera ao seu Jasão,&lt;br /&gt;E como Santo António atacara&lt;br /&gt;Nos seus peixes comilões,&lt;br /&gt;De repugnante piscifagia,&lt;br /&gt;Que é como quem diz antropofagia,&lt;br /&gt;Segundo Vieira bem lembrou&lt;br /&gt;Naquele tal seu Sermão&lt;br /&gt;Barroco de construção&lt;br /&gt;E, se não, de concepção&lt;br /&gt;Como é nossa condição.&lt;br /&gt;Vejamos a alegoria:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;«O Milhafre e o Rouxinol»&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;«Depois que um Milhafre, ladrão de forte presença&lt;br /&gt;Espalhou o alarme em toda a vizinhança,&lt;br /&gt;Fazendo gritar contra ele os meninos da aldeia,&lt;br /&gt;Um Rouxinol caiu desgraçadamente&lt;br /&gt;Nas amarras das suas garras.&lt;br /&gt;Suplicou-lhe a vida, o arauto da primavera:&lt;br /&gt;“- Pois bem, comer o quê em quem não tem&lt;br /&gt;Senão o trinado som? Quimera bem bera!&lt;br /&gt;Para não lhe chamar burra.&lt;br /&gt;Escutai antes a minha canção:&lt;br /&gt;Contar-vos-ei de Tereu e da sua ciumeira.”&lt;br /&gt;“- Quem é esse Tereu? Será uma iguaria,&lt;br /&gt;Dos milhafres fantasia?”&lt;br /&gt;“- Nada disso; foi um rei cujo violento amor&lt;br /&gt;Me fez sofrer o seu criminoso ardor.&lt;br /&gt;Vou cantar-vos uma canção tão bela&lt;br /&gt;Que vos enleará. O meu canto de truz&lt;br /&gt;A todos apraz.»&lt;br /&gt;Então, lhe replica o Milhafre, sem pejo nenhum:&lt;br /&gt;“- Na verdade, chegámos ao ponto do conto:&lt;br /&gt;Quando estou em jejum,&lt;br /&gt;Vens falar-me em música, pobre Filomela?!&lt;br /&gt;“- Assim falo eu aos reis!”&lt;br /&gt;“- Quando um rei te apanhar, maravilhas lhe recitarás.&lt;br /&gt;De um milhafre, só risos receberás.&lt;br /&gt;Ventre esfomeado não tem orelhas,&lt;br /&gt;Dizem as velhas.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;E assim foi&lt;br /&gt;Que o milhafre previdente&lt;br /&gt;O papou como soe:&lt;br /&gt;Gostosamente.&lt;br /&gt;Mas os nossos milhafres roazes&lt;br /&gt;São bons rapazes.&lt;br /&gt;Não comem rouxinóis&lt;br /&gt;Nem andorinhas de arribação&lt;br /&gt;Porque são&lt;br /&gt;Estômagos exigentes,&lt;br /&gt;Em almas sensíveis e crentes:&lt;br /&gt;Não comem tudo o que lhes vem à mão.&lt;br /&gt;Escolhem os pratos&lt;br /&gt;Como escolhem os fatos:&lt;br /&gt;Com requinte e muita atenção,&lt;br /&gt;Discrição, perversão,&lt;br /&gt;Merecendo de todos&lt;br /&gt;A consideração&lt;br /&gt;Que dá o saber fazer,&lt;br /&gt;Com o saber dizer,&lt;br /&gt;Dissimular, esconder,&lt;br /&gt;Subtrair para somar,&lt;br /&gt;E até mesmo guardar&lt;br /&gt;Em paraísos fiscais&lt;br /&gt;O que lhes sobra dos restos mortais&lt;br /&gt;Dos animais&lt;br /&gt;Que comeram por cá.&lt;br /&gt;Espertos como não há&lt;br /&gt;Que é outra a música deles!&lt;br /&gt;E brutais,&lt;br /&gt;Tais os nossos Imortais.&lt;br /&gt;Afinal, normais,&lt;br /&gt;No carnaval,&lt;br /&gt;Deste nosso ancestral&lt;br /&gt;Paul.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-3812986673895210171?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/3812986673895210171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=3812986673895210171&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/3812986673895210171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/3812986673895210171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2012/01/2012-em-euforia-na-nossa-mitologia.html' title='2012 em euforia, na nossa mitologia'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-3674904216194190734</id><published>2012-01-02T11:55:00.003Z</published><updated>2012-01-02T16:32:29.245Z</updated><title type='text'>“Ninguém enche o Pavilhão Atlântico”</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;1ºde Janeiro de 2012: O encantamento da música de Johann Strauss, em mais um Concerto de Ano Novo pela Orquestra Filarmónica de Viena, de manhã na RTP, revisitado à tarde no 2º Canal pela Eurovisão, em ondas de beleza, elegância, euforia e competência dos músicos, cantores, bailarinos, tão expressivamente dirigido pelo maestro – Mariss Janson, - para o mundo inteiro.&lt;br /&gt;Em simultâneo, a íntima decepção de que nenhum dos canais, que tão principescamente pagam aos seus apresentadores e animadores de televisão, alguns bem à custa do erário público, apresente programas não direi de idêntica dimensão feérica, índice de uma cultura estratificada por séculos de real humanismo, mas que contribuíssem para elevar o nível dos interesses culturais de um povo como o nosso, educado na desordem disciplinar e na apatia intelectual dela consequente. E o desejo de que a apresentação de espectáculos de música clássica, de peças de teatro clássicas retirados dos palcos nacionais também fizesse parte dos objectivos de ilustração, dos directores das programações televisivas.&lt;br /&gt;Mas lembramos positivamente o último programa &lt;em&gt;“Reencontros”&lt;/em&gt; de João Maria Tudela, (transmitido em retrospectiva por Júlio Isidro, no TV Memória no final de ano 2011) de entrevista a duas figuras nacionais de alto gabarito vocal – Carlos Guilherme e Luís Andrade, este último também responsável por programas de qualidade na RTP - e que contaram sobre alguns dos seus êxitos no estrangeiro, e mesmo cá, os três revelando uma severa consciência crítica sobre a fisionomia cultural de uma nação como a nossa, madrasta dos artistas a quem a idade vai arrumando na prateleira do esquecimento, excepção feita ao excelente animador cultural Júlio Isidro que por si só, e à imitação do que se faz nas televisões do mundo, vai não só chamando a atenção para esses, quer em entrevistas quer trazendo-os novamente à ribalta, desenterrando os programas em que se revelavam, como comentando comparativamente as deficiências e os êxitos dos espectáculos televisivos portugueses, num revivalismo de bom recorte comunicativo.&lt;br /&gt;Falei à minha amiga hoje no maravilhoso programa austríaco e ela concordou a respeito das nossas carências clássicas. E logo referiu um outro programa nosso, que meteu uma orquestrazinha bem aprumada de um cantor nosso bem sucedido:&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Ninguém enche o Pavilhão Atlântico como o Tony Carreira. Tem uma família bonita, de gente que se ama, que serve de exemplo. Um espectáculo bem organizado, admiro aquela organização. Raparigas bonitas a tocar violino. Ele deve pagar bem à sua orquestra, deve gastar muito dinheiro. Aquilo é muita gente. Aquelas vozes fabulosas que a gente conhece não têm a mínima hipótese.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;E congratulámo-nos com os êxitos de Tony Carreira, de orquestra bem à nossa medida. No Pavilhão Atlântico, sem espelhos nem tectos pintados. Sem as tais ondas de beleza disciplinada, mas com ondas de uma ternura piegas à nossa medida também, que somos sensíveis.&lt;br /&gt;Para o ano, se lá chegarmos, esperemos que sim, somos confiantes, teremos mais Strauss pela Orquestra Filarmónica de Viena de Áustria. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-3674904216194190734?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/3674904216194190734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=3674904216194190734&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/3674904216194190734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/3674904216194190734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2012/01/ninguem-enche-o-pavilhao-atlantico.html' title='“Ninguém enche o Pavilhão Atlântico”'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-92008572640730787</id><published>2012-01-01T05:56:00.001Z</published><updated>2012-01-01T06:04:39.055Z</updated><title type='text'>Tempo de Aquilino</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;(Como resposta ao comentário do Tenente Coronel Adriano Miranda Lima sobre o nosso “status” de corrupção impune)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Aquilino Ribeiro, um escritor de forte estilo, de fortes palavras, de fortes experiências vividas, no seu combate literário de acusador de um regime que o acusou a ele. E as suas personagens populares são podadas à sua maneira, gente forte que se não verga, lobos que uivam na sua luta em medo mas em liberdade, simbolizados pelo velho pai de Manuel Louvadeus, Teotónio Louvadeus, de rija têmpera, vivendo num casebre da Rochambana, na serra dos Milhafres onde uivam os lobos com quem ele se entende e se confunde, quando manobrado por sentimentos de ódio e de vingança.&lt;br /&gt;É o assunto de “&lt;em&gt;Quando os Lobos Uivam&lt;/em&gt;”, gente da terra serrana que vai opor-se aos representantes do Governo que lhe expropria os terrenos baldios para plantar pinhais, terrenos donde esse povo de miséria conseguira extrair o seu sustento, cavando-o, fertilizando-o, semeando-o.&lt;br /&gt;Vale a pena relê-lo, conquanto a história em si revele antes uma intencionalidade crítica de ataque ao mísero primitivismo de um povo e à ditadura vigente, no esquematismo do seu enredo em torno de Manuel Louvadeus, de regresso do Brasil, para onde emigrara, para a sua aldeia na serra dos Milhafres, em breve feito prisioneiro ao participar, embora cordatamente – o que não abonaria a seu favor, num tribunal de subserviência aos ferozes ditames políticos e policiais de então - na luta dos serranos contra as tropas do Governo, pretexto para um desfiar analítico de vários representantes de uma justiça cavilosa, facilmente vulnerável e ditatorialmente impondo as normas de uma jurisprudência pervertida pela unilateralidade política – &lt;em&gt;“o poder sempre a tiritar as maleitas da autoridade, distribuindo, às cegas, pancadaria do cobarde. Ora, tratava-se de meia dúzia de parranas, arrebanhados a esmo na sarrafusca da serra dos Milhafres, para o Moloch da justiça ter seu pábulo ou iludir a fome, pouco se importando que pagasse o justo pelo pecador. E, modo de completarem o ramalhete subversivo, haviam-lhes adjungido um feixe de operários de Riba do Pisco, acusados pelos patrões multimilionários de terem, à ordem de Moscovo, pregado a rebelião, tomando como pretexto um bacalhau podre que lhes fora servido na cantina obrigatória e de que morreram envenenados uns tantos deles.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;(E não é que - ressalvando as importâncias da actualidade enriquecida - parece um excerto premonitório das discursatas acusadoras do presidente Chaves da Venezuela, sobre lúgubres tentativas norte americanas de disseminar o cancro por alguns nobres presidentes do vasto mundo terráqueo, que dele sofreram ou sofrem?)&lt;br /&gt;São espantosos de descritivo sarcástico os retratos dos vários representantes da estrutura judicial desde os corregedores e o desembargador &lt;em&gt;“homens no pendor da vida, fartos de roçar as calças nas cadeiras curuis, julgadores mecanizados à força de baldear processos para trás das costas”, sendo, embora, bons chefes de família, a um dos adjuntos que “reunia em si o tipo do magarefe, alto, membrudo, encarniçado de tez, e até no manejo do cutelo quando se tratava de aplicar a lei…” ou o outro assessor que “passava por ser o zero absoluto. Escorregadio e silencioso como o congro. Chegara à corregedoria pela insignificância, à parte a zumbaia. Pálido, seco, e de olhos gelatinosos. Solteirão e misógino. Prezava a disciplina na secretaria e a compostura na audiência. Réu que se mostrasse incivil ou cuja atitude não fosse de cortesia plena, avaliada pela maneira como se sentava, como abria a boca ou bocejava, como falava, como ria, apanhava a grossa talhada…. Em contrapartida, réu que lhe aparecesse com submissão de penitente, embora com a humildade do velhaco, só não seria absolvido se tivesse violado alguma freira ou fosse apanhado a surripiar algum bolo para matar a fome. Porque se, por um lado, era um catolicão até à medula, por outro, não admitia que se fosse pelintra. A propriedade para ele, homem com uma pequena reserva nos bancos e uma quintalória em Óis, representava a primeira instituição humana, criadora e dignificadora da personalidade, frase que lera algures e invocava a cada passo.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Segue-se o Juiz em comissão: &lt;em&gt;“De alta categoria, estrela e beta e pé calçado. Nascera para aterrador. Os advogados temiam-no quanto o detestavam. Igualmente os colegas, que davam jeitos do estimar e no fundo do peito tinham-lhe azar de morte...”&lt;/em&gt; E o retrato agressivo do juiz prossegue, à imagem – (exceptuada a leveza da ironia queirosiana) - do de um conde de Abranhos oportunista, que casa por conveniência e se move nos bastidores da alta sociedade, maneira comum das ascensões no Portugal de sempre.&lt;br /&gt;Recordo este livro de Aquilino, que comprei para oferecer, no dia em que saiu, em 1958, e que seria retirado das bancas no mesmo dia, tendo-me acompanhado sempre a mágoa de o não ter comprado para mim.&lt;br /&gt;Lembra-me “&lt;em&gt;Le Silence de la Mer&lt;/em&gt;” de Vercors, como protesto contra a opressão. Mas enquanto este se lê dum fôlego, na densidade dos seus caracteres e na trama linear de uma acção com o desfecho trágico das histórias de amor contrariado pela oposição familiar ou política, &lt;em&gt;“Quando os Lobos uivam”&lt;/em&gt; é um romance sem grande dimensão psicológica, num discurso riquíssimo manipulado com mão de mestre por um narrador omnisciente que move os cordelinhos da acção pelos vários lugares da acção – quer ela se passe na aldeia, quer no sertão brasileiro, quer na audiência em tribunal, quer na serra, ponto fulcral dos crimes de fogo posto e de morte de um traidor pelo velho Teotónio, serra onde, como epílogo da luta popular, “&lt;em&gt;Nasceram menos anhos e cabritos (na serra dos Milhafres) e alargaram-se mais nos cotovelos e rótulas os rasgões da miséria ancestral, mas o Estado todo-poderoso, absoluto, levou a sua avante”…&lt;/em&gt; e onde &lt;em&gt;“os povos tiritavam encardidos de pobreza e barbárie, incrustados nas suas orlas. Mas que importavam as vicissitudes dos velhos aglomerados e que fossem dignos de lástima os netos dos iberos e dos turdetanos?”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;A intencionalidade crítica do regime ditatorial impõe-se, de um escritor amante da liberdade, cuja experiência de vida, aliada ao conhecimento da linguagem vernácula e da alma popular, transformam a acção épica em assombrosa denúncia de um país desde sempre atrasado, quer entre as classes populares, quer entre as classes mais desenvoltas economicamente, país cuja mediocridade de desajustamentos sociais e sórdida incultura cobre de manto infelizmente sem fantasia, a nudez forte dessa sua verdade eterna.&lt;br /&gt;O comentário do Tenente-Coronel Adriano Lima a um texto do Dr. Salles da Fonseca &lt;em&gt;“Ano Novo, Vida Nova”,&lt;/em&gt; ao lembrar a necessidade da luta contra a adversidade ou contra a corrupção instalada no nosso país, lembra a necessidade da Justiça para um combate eficaz contra essa corrupção:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«…Prefiro pensar que melhor será fincarmos os pés na terra chã e endurecer o coração para exigir justiça para com os autores dos desmandos de que todos estamos a sofrer as consequências. Fazer sentar no banco dos réus todos esses que se pactuaram para delapidar o tesouro público e deixar-nos de mãos estendidas como autênticos deserdados da sorte. Neste país, fazem-se manifestações para tudo e mais alguma coisa, menos para aquilo que, em nossa opinião, mais justifica uma forte e empenhada reivindicação nacional. Justiça, pedir Justiça. O povo deve vir para a rua em massa para simplesmente pedir Justiça. Justiça para os criminosos que metem as mãos nos nossos bolsos mercê das manigâncias da economia paralela. Justiça para todos esses salafrários que ainda ontem eram pouco mais que uns zés-ninguéns e hoje guardam em cofres inacessíveis os milhões que jorram neste país desde há mais de 20 anos. É preciso desmantelar de uma vez por todas as redes ardilosamente montadas entre políticos, escritórios de advogados e empresários sem escrúpulos para se apropriarem dos recursos que nos foram destinados para melhorarmos a vida colectiva. Sim, os sacrifícios e as privações que vamos sofrer são absolutamente necessários. Mas serão inúteis se continuarmos a viver nesta triste e lamentável passividade, em que, quais carneiros, recusamos a reivindicar Justiça. De facto, mesmo que venhamos a acertar as contas do orçamento e o controlo da dívida, nada, mas rigorosamente nada, fará progredir as nossas vidinhas se não houver uma atitude séria e enérgica pautada pela constância e continuidade, e não pelo imediatismo, e pautada por um alto critério de responsabilidade individual e colectiva, e não pelo porreirismo desculpabilizante que parece ser a nossa sina desde há séculos.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Há muito que sabemos quanto a Justiça portuguesa está manietada, no volume e morosidade dos processos judiciais, na tortuosidade das suas ligações aos poderes económico e governativo.&lt;br /&gt;Foi este apelo do Tenente-Coronel Adriano Lima a manifestações de rua pedindo o julgamento de tantos “&lt;em&gt;salafrários&lt;/em&gt;” destruidores da Nação que me recordou o livro de Aquilino, não só pela parte da intervenção popular defendendo os seus direitos, como pelas tortuosidades nele referidas de julgamentos e julgadores.&lt;br /&gt;Hoje em dia as manifestações de rua já não surtem efeito, dada a nossa dependência económica que o Dr. Salles da Fonseca tão bem esquematiza no seu texto. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quanto a julgadores ou a julgamentos, a evolução em nada desmerece o passado aquiliniano, já não pelo defeito da omnipotência governativa, mas anquilosada a Justiça nos torpores da burocracia e no inextricável de uma rede de corrupção poderosa, que as liberalidades democráticas favoreceram, tendo como ponto de partida o súbito caudal de dinheiros concedidos como empréstimo, e por nenhum governo acautelados em gestão de decência.&lt;br /&gt;Teremos que confiar nos propósitos reformadores dos novos governantes. Confiemos. Ou, parafraseando Salles da Fonseca, “&lt;em&gt;Continuemos&lt;/em&gt;”. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-92008572640730787?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/92008572640730787/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=92008572640730787&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/92008572640730787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/92008572640730787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2012/01/tempo-de-aquilino.html' title='Tempo de Aquilino'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-3022844162296714604</id><published>2011-12-27T03:55:00.003Z</published><updated>2011-12-27T08:30:09.394Z</updated><title type='text'>Final de ano</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Às vezes falamos dos programas televisivos, mas eu deixo escapar muitos de diversão, que a minha amiga descreve com a volubilidade e o visualismo suficientes para deles ficar inteirada. O meu estado de espírito de pânico e stress fazem-me optar por programas mais elucidativos sobre a evolução do nosso mundo em que a ameaça do aquecimento não é a menos despicienda neste afundamento gradual.&lt;br /&gt;Mais uma vez, a &lt;em&gt;Quadratura do Círculo&lt;/em&gt; – um programa de gente portuguesa que nos enche as medidas, por ser erudito e com a malícia educada de quem sabe escutar, embora discorde, por motivos ideológicos, partidários, ou de sensibilidade. Pacheco Pereira inegavelmente o mais letrado, fundamentando as suas asserções com um rigor não isento de subjectividade, num pensamento cujo desenvolvimento escorre maravilhando os leigos, mas cujas capciosidades não escapam à argúcia dos companheiros, como, aliás, sucede com cada um dos intervenientes aquando da sua própria participação, em que são habilmente interpretados e por vezes desmascarados pelos opositores. Lobo Xavier encanta, pela justeza de princípios aliada a uma experiência de vida em que são perceptíveis o estudo e o trabalho. Também António Costa se revela como uma personalidade firme e enérgica, a quem os anos de acção governativa contribuíram para um saber de dificuldades e de impasses, mantendo uma estimável lealdade pelo antigo chefe de fila. Três bons argumentadores, numa hora de antologia que nos eleva o sentimento pátrio, num programa perfeitamente moderado por Carlos Andrade, que nele se apaga para fazer sobressair os seus três comentadores, sem, contudo, deixar de intervir com o propósito pertinente das suas questões.&lt;br /&gt;Também escutamos &lt;em&gt;O Eixo do Mal&lt;/em&gt;, um programa arejado pela graça e irreverência, embora por vezes nos deixe um amargo de boca pela parcialidade nítida dos intelectuais de esquerda nos seus pontos de vista agressivos, um Pedro Marques Lopes balançando-se incomodamente entre a pretensão de defender o partido governativo e a de seguir subservientemente os seus parceiros intelectuais, Luís Pedro Nunes o único que parece isento, mau grado a desconexão dos seus comentários jocosos que o tornam o bufão da corte, mas o de sentimentos mais justos e adequados à tragédia destes tempos, considerando o aperto de um governo que se vê forçado a propor reformas de escândalo por motivos óbvios de uma conjuntura por outros criada, o que os comparsas intelectuais preferem ignorar. Uma mulher nele sobressai – Clara Ferreira Alves - pela manipulação elegante do discurso sábio e aparentemente sensível, mas prejudicado pela demasiada presunção, no seu pedestal de unilateral desdém.&lt;br /&gt;Outros programas políticos nos acodem, de Marcelo Rebelo de Sousa, programa corrido, de quem tem sempre a última palavra, uma palavra chã, simpática e sem contestatários, o de Nuno Rogeiro querendo brilhar nas entrevistas a personalidades gradas do mundo, outros sobre as políticas económicas com comentaristas manipulando os seus discursos de acordo com as suas ideologias políticas ou as suas sensibilidades, que nos fazem aderir ou repudiar, estes últimos quando soam a disco partido de pseudo defesa dos desprotegidos, quais cavaleiros andantes, sem os ademanes aristocráticos, contudo, dos Dom Quixotes de antanho, porque seguidores virtuosos das democracias igualitárias.&lt;br /&gt;São personagens que nos acompanham, que merecem que os evoquemos no réveillon que se aproxima, pelos esclarecimentos que transmitem, companheiros do dia-a-dia das angústias que vamos vivendo, como nunca sonháramos possível.&lt;br /&gt;Mas também queremos acreditar num Governo que parece sério e trabalhador. E nas suas promessas de solução do pesadelo. Assim o quisessem todos e não trabalhassem insensatamente para a completa paralisia.&lt;br /&gt;Falta-nos uma “&lt;em&gt;Edelweiss&lt;/em&gt;” simbólica que nos despertasse cada dia para o pensamento de uma alma pátria &lt;em&gt;forever&lt;/em&gt;. Entre nós, já nem o rosmaninho abunda, destruído pela auto-estrada. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-3022844162296714604?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/3022844162296714604/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=3022844162296714604&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/3022844162296714604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/3022844162296714604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/12/final-de-ano.html' title='Final de ano'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-1808316639501213673</id><published>2011-12-21T12:06:00.003Z</published><updated>2011-12-21T15:33:12.202Z</updated><title type='text'>Homenagem sentida</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Falámos, a minha amiga e eu, naquele capitão do partido socialista que olha triste e compostinho, numa vista à miss Piggy, pálpebras descaídas sobre umas pupilas que reflectem a compaixão pelo mundo – o mundo português, esmagado pela onda drástica de extirpações sem dó nem piedade nas finanças de cada um - e que deglute com verdadeiro prazer os seus próprios discursos exaltados contra tais ignomínias, que uma próxima subida ao poder faria imediatamente esquecer, já de olho aceso.&lt;br /&gt;A minha amiga, embora concorde com o discurso da exaltação anti-esburgadora, que é como quem diz esbulhadora, dos novos governantes, explicita preferencialmente a matreirice de quem fala para ganhar eleições e que por isso se assume como o salvador da nação, mastigando os discursos da piedade e da condenação, a uma plateia que o vai escutando cremos que sem grande convicção.&lt;br /&gt;Seguro é mais um menino, bem vestidinho e aprumado. E triste, naturalmente. Não que lhe falte o alimento a ele, mas sofre por todos aqueles a quem o alimento falta. Sobretudo se por culpa de um Governo tão diabolicamente indiferente ao esmagamento do povo. Governo, é certo, assustado pela dimensão de uma dívida que, todavia, nem os sacrifícios impostos vão solucionar, por muito prolongados no tempo que forem. E Seguro sabe-o bem, mas olha triste, num olhar filtrante e compenetrado, enquanto expende os argumentos da exaltação contra a injustiça social que o demarcam do partido do Governo.&lt;br /&gt;Mas há dias ouvi a um comentarista que, apesar da dureza das medidas governativas, as sondagens apontam para nova vitória dos partidos do Governo, e comentámos sobre o crescimento de um povo que, apesar dos discursos dos dirigentes políticos contrários, prefere o discurso honesto, embora duro, dos governantes, sentindo quanto se aplicam, nas suas tentativas de desemaranhar a teia, para lhe encontrar um fio condutor aceitável.&lt;br /&gt;Já lá vai o tempo das largas multidões vociferantes. Embora manipuladas hoje pelos mesmos, ou outros idênticos, cabecilhas, que jogam preferencialmente na destruição e na confusão, num inegável espírito virtuoso de compaixão, não só aquelas reduziram de tamanho, como as suas vozes baixaram, dentro do esquema educado que o novo Governo criou.&lt;br /&gt;Por isso nós nos congratulámos sentidamente ao prestarmos homenagem ao povo de que somos parte empenhada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-1808316639501213673?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/1808316639501213673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=1808316639501213673&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/1808316639501213673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/1808316639501213673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/12/homenagem-sentida.html' title='Homenagem sentida'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-4957596210664475168</id><published>2011-12-17T06:14:00.001Z</published><updated>2011-12-17T06:21:04.959Z</updated><title type='text'>Discos partidos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Disse a minha amiga a respeito daquele risonho jovem da bancada socialista, Pedro Santos, que afirmou estar-se marimbando para a dívida à Europa, e que não a devíamos pagar, no rasto do pai Sócrates. Certamente, todavia, sem os estudos que este se esforça por adquirir nas universidades por onde passa, com o conforto preciso.&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Quando estes fazem parte do conjunto, que gente é esta? Que qualidades é que esta gente tem para fazer parte dum partido? E os partidos também estão entregues a gente assim!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Eu embirro com a displicência contida no colectivo depreciativo “&lt;em&gt;esta gente&lt;/em&gt;”, que suponho foi buscar ao salero megalómano da Clara do Eixo, e assim lho expressei. Mas ela estava encolerizada, lançada nas suas memórias de véspera:&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Eu digo uma coisa: entreguem os governos às mulheres.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Não cheguei a soltar um “Credo!” assustado, na antevisão da inflação de sensibilidades, ao lembrar-me das vozes apaixonadas e esganiçadas das nossas parlamentares de esquerda, e logo me recompus pensando nas vozes serenamente inteligentes das nossas parlamentares de direita e o trabalho consciencioso de algumas ministras. E fiquei na dúvida, pois também confio no Passos Coelho e os seus homens, que se estão a revelar com inteligência, honestidade, serenidade e firmeza, na actual conjuntura, mas, de resto, a minha amiga nem me deu tempo a abrir a boca:&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Eu ontem ouvi uma advogada, uma rapariguinha nova, num caso de crianças e de pais separados, no programa da Fátima Lopes. Um caso alarmante! Um pai que começa por difamar o novo companheiro da mãe no espírito das filhitas, aquando das suas visitas ao pai, e acaba escondendo-as, impedindo-as de irem à escola, de comunicarem com a mãe, acusando o sujeito, com quem as crianças se davam bem, de intenções pedófilas, sujeitando as crianças a observações médicas para provar a honra do homem e o direito à posse das crianças pela mãe. E depois disso voltaram para o pai, e nem a polícia acode à pobre mãe, e a nossa Justiça não anda, nem desanda.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;A minha amiga estava indignada:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- E é isto no século XXI! Aquelas crianças ficam traumatizadas para o resto das suas vidas!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Lembrei-me de um texto que escrevera nos idos de setenta, a respeito da Justiça protectora dos homens, vá-se lá saber porquê, e discriminatória relativamente às mulheres, apesar dos direitos de protecção social destas e das crianças, consignados na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, e desenvolvidos sucessivamente em outros organismos legislativos.&lt;br /&gt;Foi este o texto, extraído de “&lt;strong&gt;Prosas Alegres e Não&lt;/strong&gt;”:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«PERGUNTAS MINUCIOSAS»&lt;br /&gt;«Quando se põe uma pergunta com brilho, os espíritos das pessoas em geral deslumbram-se. As casas onde se fazem mais perguntas deste género, além das escolas, onde a maior parte das vezes, por natural timidez, elas ficam sem resposta, são os tribunais onde, pelo contrário, cada pergunta recebe duas e mais respostas, todas demonstrativas da infinita variedade das interpretações humanas.&lt;br /&gt;É por esse facto, certamente, que em alguns casos onde a maioria preferiria reserva, se usa de uma desmedida prolixidade, para que se admire a argúcia nos interrogatórios a que se expõem as pessoas visadas.&lt;br /&gt;É, por exemplo, o caso da legitimação dos filhos a que determinados papás de facto, pretendem furtar-se por direito. As felizes mães – felizes porque em muito destaque então – são sujeitas a um interrogatório em forma, em sala onde entra quem quer, ouve e observa quem quer e mesmo quem não quer, embora estes últimos em minoria, dada a natural e sempre fecunda curiosidade humana.&lt;br /&gt;Certas mães recusam-se a responder, entendendo que para se provar a legitimidade de um filho há pormenores escusáveis.&lt;br /&gt;Mas essas mães estão erradas. Porque tudo interessa a quem interroga. Para formar a tese sobre a possível filiação da criança, factos, detalhes, atitudes, caracteres, romance naturalista em suma, tem um interesse infinito.&lt;br /&gt;Quantos mais argumentos encadeados sabiamente, mais o caso terá probabilidades de êxito, e a criança em questão terá então o seu pai, após a perfeita humilhação da sua mãe.&lt;br /&gt;Chama-se dialéctica a esta arte feliz dos argumentos e para isso não houve outro como o nosso Padre Vieira – embora sobre outros motivos que também deram que falar. Mudam-se os tempos, e como já não temos índios nem cristãos-novos a defender, usamos a dialéctica a defender as crianças, o que é sempre uma atitude de enternecer, conquanto os meios usados o sejam menos, segundo alguns pensadores severos.&lt;br /&gt;Cristo mandou que as criancinhas se chegassem a Ele, é certo, mas também obstou a que a Madalena levasse pedradas. Possivelmente só o primeiro gesto de Cristo é conhecido, ignorando-se o das pedradas.&lt;br /&gt;É por se ignorar isso, com certeza, que alguns interrogatórios se fazem tão minuciosamente.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;A mulher conquistou direitos e as crianças também. Aparentemente. Porque, talvez por falta de meios mediáticos, talvez por convencionalismos inibitórios, talvez porque, apesar de tudo a Justiça funcionasse melhor, em todo o caso dantes não se punham tanto estes graves problemas de violência doméstica, de pedofilia, de monstruosidades incestuosas, como actualmente.&lt;br /&gt;Mas o que se espanta é que neste ano 2011, a terminar, a Justiça não acorra célere, para salvar estas duas crianças raptadas pelo pai vingativo, entregando-as à mãe, permitindo os traumas hediondos que estão a sofrer, longe da mãe, da escola, da luz. Resta-nos pedir um milagre do Menino Jesus neste seu Natal. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-4957596210664475168?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/4957596210664475168/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=4957596210664475168&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/4957596210664475168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/4957596210664475168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/12/discos-partidos.html' title='Discos partidos'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-1302939396691389863</id><published>2011-12-15T18:33:00.005Z</published><updated>2011-12-16T02:42:14.000Z</updated><title type='text'>Trocos para a Troika</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É La Fontaine que nos vem contar,&lt;br /&gt;Nada contente,&lt;br /&gt;A fábula do Veado doente&lt;br /&gt;A quem acudiram os veados salvadores,&lt;br /&gt;Grandes impostores,&lt;br /&gt;Mais para o depenar&lt;br /&gt;Do que para o defender.&lt;br /&gt;Isso é coisa tão comum&lt;br /&gt;Que até se passa entre nós,&lt;br /&gt;Dantes, orgulhosamente sós,&lt;br /&gt;Que, porque estamos moribundos,&lt;br /&gt;Agora humildemente acompanhados,&lt;br /&gt;Pedimos auxílio aos doutores&lt;br /&gt;De outros mundos&lt;br /&gt;Mais competentes e preocupados,&lt;br /&gt;Aparentemente,&lt;br /&gt;Que nos acudiram&lt;br /&gt;Decentemente,&lt;br /&gt;Mas exigiram&lt;br /&gt;Paga avultada,&lt;br /&gt;Antecipada,&lt;br /&gt;Dos pastos magros&lt;br /&gt;Da pátria amada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;«O Veado doente»&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;«Numa terra cheia de veados, um Veado caiu doente.&lt;br /&gt;Imediatamente&lt;br /&gt;Muitos camaradas, para o verem,&lt;br /&gt;E o socorrerem&lt;br /&gt;Ou, sequer, consolarem,&lt;br /&gt;Ao seu catre acorreram&lt;br /&gt;Que se desunharam:&lt;br /&gt;Multidão importuna!&lt;br /&gt;“Eh! Senhores, deixai-me morrer.&lt;br /&gt;Permiti que seja a Parca a despachar-me&lt;br /&gt;Da forma que lhe é costumeira;&lt;br /&gt;E acabai com a choradeira.”&lt;br /&gt;De forma alguma: os consoladores&lt;br /&gt;Este triste dever desempenharam,&lt;br /&gt;Só quando Deus quis, o abandonaram:&lt;br /&gt;Não sem que primeiro&lt;br /&gt;Um copo bebessem, por inteiro.&lt;br /&gt;Isto é, sem que deixassem de reconhecer,&lt;br /&gt;Pelo trabalho que estavam a ter,&lt;br /&gt;O seu direito a uma boa festança.&lt;br /&gt;Todos se puseram a rapar os ramos da vizinhança.&lt;br /&gt;A ração do Veado enormemente decaiu.&lt;br /&gt;Ele não encontrou nada mais para roer&lt;br /&gt;Dali em diante:&lt;br /&gt;De um mal que teve, num pior caiu,&lt;br /&gt;E se viu&lt;br /&gt;Reduzido, finalmente,&lt;br /&gt;A jejuar e a morrer&lt;br /&gt;De fome acutilante.&lt;br /&gt;Fica muito caro a quem por vós chama,&lt;br /&gt;Ó médicos do corpo e da alma!&lt;br /&gt;Ó tempos! Ó costumes!&lt;br /&gt;Por mais que me farte de contra isso bradar,&lt;br /&gt;Todos se fazem ostensivamente pagar.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;La Fontaine já bradava,&lt;br /&gt;Prova de que se preocupava&lt;br /&gt;Com o que no seu tempo acontecia.&lt;br /&gt;Mas afinal,&lt;br /&gt;Nada vem a ser diferente&lt;br /&gt;Neste nosso Portugal&lt;br /&gt;De hoje em dia:&lt;br /&gt;É ou não verdade&lt;br /&gt;Que a ocasião que vivemos&lt;br /&gt;De tanta aleivosia,&lt;br /&gt;Se assemelha bastante&lt;br /&gt;À do veado doente&lt;br /&gt;A quem os veados salvadores&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Os impostores! -&lt;br /&gt;Se apressaram a cobrar&lt;br /&gt;Para mais depressa o matar?&lt;br /&gt;Nem é preciso esclarecer!&lt;br /&gt;Afinal os nossos pastos&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não passam de trocos&lt;br /&gt;Para uma Troika exigente,&lt;br /&gt;Que não permite a estes lorpas&lt;br /&gt;Um recomeço decente.&lt;br /&gt;É pior do que antigamente,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No tempo do La Fontaine!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-1302939396691389863?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/1302939396691389863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=1302939396691389863&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/1302939396691389863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/1302939396691389863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/12/trocos-para-troika.html' title='Trocos para a Troika'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-7878998984964639225</id><published>2011-12-09T17:26:00.004Z</published><updated>2011-12-13T16:27:22.829Z</updated><title type='text'>Vésperas de Natal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há dias foi o meu filho João que contou uma da avó. Ele disse-lhe que dava explicações de matemática e logo ela comentou:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- É da maneira que não fazes descontos para o Estado.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;O João espantou-se. Como tem estado longe, não tem acompanhado as reacções da avó nas suas respostas prontas. Há pouco tempo, decifrou logo a charada armada pelo João sobre o número de bebés – três – que se encontravam ao pé da bisavó. Afirmou o João que ali estavam quatro bebés e logo a avó se denunciou como sendo o quarto.&lt;br /&gt;Quando tinha a sua própria independência - ou com o meu pai, ou nos anos em que viveu sozinha, após enviuvar - raramente os netos tinham ocasião de lhe admirar o garbo, entregues eles próprios à suas próprias vivências, mas todos lhe reconheciam a força de alma e até a ginástica, contando episódios burlescos ou graciosos que os marcaram, como quando duma assentada apagou as minhas sessenta e tantas velas de aniversário, adiantando-se à minha hesitação de consciência de incapacidade.&lt;br /&gt;Hoje, a minha mãe mostra-se uma pessoa muito exagerada no que toca à exigência de atenção. Creio que é por esse motivo que atravessa fases de diferente dimensão psicológica, alternadamente rindo, cantando, chorando, rezando, falando com os antepassados ligados à sua infância ou mais recentes, criticando, quando nos apanha a jeito. Percebo que é para chamar a atenção e desculpo isso, agarrada que estou ao computador que me dá a minha própria libertação daquilo a que ingratamente nem sempre dou apreço – uma vida limitada ao espaço caseiro, o que me deveria alegrar, porque, afinal, o mundo exterior chega-me a casa, através de imagens magníficas que a internet ou a televisão proporcionam, ou as leituras trazem, sem a carga de incomodidades das deslocações, para além de que o meu altruísmo não tem suficiente arcaboiço para enfrentar in loco o panorama das agruras mundiais. Também por isso admiro o arcaboiço dos repórteres mediáticos, que as enfrentam.&lt;br /&gt;Nem sempre a minha paciência é de doçura, como a da minha irmã, mas julgo que é por isso que a minha mãe rejuvenesce – fisicamente porque come razoavelmente, mentalmente porque expende argumentos, às vezes altissonantes, para corresponder, sobretudo, aos meus, de cariz idêntico, quando o riso não consegue aflorar, no stress quotidiano. Quando os nossos argumentos não lhe convêm afirma que não ouve, e assim ganha sempre a partida.&lt;br /&gt;Neste momento está no trenó do menino que o Zeca Afonso leva. Passou agora para o rouxinol de Bernardim, mas a tarde ainda vai no início, pois acabou de acordar, os fados de Coimbra, as canções da nossa mocidade, as canções da sua infância, tudo isso vai ser percorrido, que a tarde está soalheira, antes do lanche: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ai, ceguinha, só tu és o meu pensar&lt;br /&gt;Vem comigo, pobrezinha,&lt;br /&gt;Ai que lá por seres ceguinha&lt;br /&gt;Tens aqui com quem brincar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde então todos os dias&lt;br /&gt;Ao chegar pela tardinha&lt;br /&gt;Vinha logo pró pé dela&lt;br /&gt;E eu brincava co’a ceguinha…&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Parece que a ceguinha morreu, a minha mãe não soube cantar o resto, que metia um terceiro comparsa na brincadeira.&lt;br /&gt;Mas já passou para a Santa Combinha, que mistura com as suas recordações da passagem por Cambarinho, o grupo cantando ali uma espécie de Janeiras, com menos resultados práticos do que na altura própria destas:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Senhora Santa Combinha&lt;br /&gt;Para lá vou caminhando.&lt;br /&gt;Minha boca se vai rindo,&lt;br /&gt;Meu coração vai chorando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De lá venho eu agora,&lt;br /&gt;Senhora Santa Combinha,&lt;br /&gt;De lá venho eu agora,&lt;br /&gt;Em manguinhas de camisa&lt;br /&gt;Tocando numa viola. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;- Quando vínhamos da Santa Combinha, ao passarmos por Cambarinho, a gente cantava, mas ninguém vinha às portas para não terem que oferecer nada. As pessoas de Cambarinho devem ser muito forretas: &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Estas casas são caiadas,&lt;br /&gt;Forradas de papelão,&lt;br /&gt;Aos senhores que vivem nelas&lt;br /&gt;Não faltam vinho nem pão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À entrada desta rua&lt;br /&gt;Logo por ti perguntei:&lt;br /&gt;Não me deram novas tuas,&lt;br /&gt;Com vergonha não chorei. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Nem sempre parece notar as atenções que a rodeiam, mas por vezes manda uma sentença, como piropo escondido.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Mãe cuidadosa faz a filha preguiçosa! Mas aqui foi ao contrário: foi a filha que tornou a mãe preguiçosa.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;E logo a vangloriar-se, que não deixa os seus créditos por mãos alheias, embora a gente troce do exagero:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Mas eu comecei a trabalhar desde os cinco anos. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Outras canções lhe acodem, que nós nunca ouvíramos: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Papagaio, pena verde,&lt;br /&gt;Empresta-me o teu vestido&lt;br /&gt;- O meu vestido são penas&lt;br /&gt;Em penas ando metido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou vendedeira de rendas&lt;br /&gt;Ai, cada metro um tostão&lt;br /&gt;Tenho saias de entremeios&lt;br /&gt;Também tenho o meu cordão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou vendedeira de rendas&lt;br /&gt;Ai cada metro dez réis&lt;br /&gt;Tenho saias de entremeios&lt;br /&gt;Também tenho os meus anéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já despejei o meu reportório. Tinha estas cantigas para cantar.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas outras lhe acodem, mais do meu conhecimento:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Vai tu, vai tu vai tu, vai ela,&lt;br /&gt;Vai tu pr’à casa dela… &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Neste momento está no jardim com que Max define a Madeira: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;… É filha de Portugal! &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não creio que o Jardim concorde com tal asserção de patriotismo, nem do Max, nem de uma pessoa que airosamente vai a caminho de mais um Natal, como todos vamos, e dos seus 105, o que é mais difícil. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-7878998984964639225?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/7878998984964639225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=7878998984964639225&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/7878998984964639225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/7878998984964639225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/12/vesperas-de-natal.html' title='Vésperas de Natal'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-370660412149158585</id><published>2011-12-05T23:15:00.000Z</published><updated>2011-12-05T23:19:04.022Z</updated><title type='text'>Biblioteca de Verão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Na colectânea de livrinhos – Biblioteca de Verão - contendo pequenos contos sob uma epígrafe que lhes sintetiza a temática, publicada pelo Diário de Notícias, na benemérita intenção de actualizarmos leituras rápidas de clássicos que algum dia nos maravilharam – ou não - conta-se um livrinho com quatro “&lt;em&gt;Contos ESPANTOSOS&lt;/em&gt;” – de &lt;em&gt;Dumas, Maupassant, Balzac &lt;/em&gt;e&lt;em&gt; Poe&lt;/em&gt; – que nos levam ao mundo da ficção centrada no sobrenatural, com inclusão da profecia, caso do conto de Alexandre Dumas “&lt;em&gt;As Tumbas de Saint-Denis&lt;/em&gt;”. Uma história sobre a profanação dos túmulos reais franceses, a quando da decapitação de Luís XVI em 1793, de que transcrevo o passo seguinte:&lt;br /&gt;«&lt;em&gt;O ódio que Luís XVI tinha inspirado ao povo, e que não fora saciado no cadafalso a 21 de Janeiro, tinha atingido também os antecessores da sua estirpe: quiseram perseguir a monarquia até às origens, até na tumba, e lançar ao vento as cinzas de sessenta reis. Depois, talvez tivessem também curiosidade por ver se os grandes tesouros que se supunham encerrados em algumas dessas tumbas se tinham conservado intactos como se dizia. O povo lançou-se, pois, para Saint-Denis. De 6 a 8 de Agosto, destruíram-se cinquenta e uma sepulturas, doze séculos de história.&lt;br /&gt;Então, o governo resolveu regularizar a desordem; registar por conta própria as tumbas e herdar da monarquia finda com Luís XVI, seu último representante. Tratava-se mesmo de aniquilar o nome, a recordação, os esqueletos dos reis. Procurava-se apagar da história catorze séculos de monarquia. Pobres loucos que não compreendiam que os homens às vezes podem mudar o futuro…mas nunca o passado.&lt;br /&gt;Tinham preparado no cemitério uma grande vala comum, como a dos pobres. Nessa vala, sobre um leito de cal, seriam atirados, como a um monturo, os ossos dos que tinham tornado a França a primeira das nações, desde Dagoberto até Luís XV. Assim satisfariam não só o povo, mas sobretudo os legisladores, os advogados, os jornalistas invejosos, aves de rapina das revoluções, cujo olhar se sente ferido por todo o esplendor, como o de seus irmãos, os pássaros nocturnos, se sentem feridos pela luz. O orgulho dos que não podem construir é destruir.»&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Um texto do século XIX, com perfeita actualidade neste nosso século XXI.&lt;br /&gt;Lembrei-me dele a propósito duma entrevista que ouvi ontem, por Manuel Luís Goucha, feita a Clara Ferreira Alves, sobre as opiniões desta a respeito das políticas e dos políticos de agora e de ontem, que ela expõe com o arreganho de sempre.&lt;br /&gt;CFA foi uma jovem intelectual dos tempos da rebelião juvenil contra o salazarismo. As opiniões que tinha a respeito da ditadura – o tal charco de águas estagnadas que refere, onde todos eram batráquios, creio que repulsivos para a sensibilidade delicada da promissora intelectual de então, fortalecida agora creio que material e culturalmente – mantêm-se hoje, com o desprezo que a gentinha lhe merece – quer seja a gente poderosa por meios ilícitos no charco de agora, quer a gentalha do mesmo charco destituída de bens materiais ou espirituais ou ambos, como expressão definitiva da nossa nacionalidade que apenas dela exclui as Claras arrogantes do designativo diminutivo, que é o mesmo que dizer destitutivo.&lt;br /&gt;Creio que os familiares ligados à sua infância, todos eles pertenceram ao charco antigo, pertencerão ainda ao charco de agora. Suponho que os amplos conhecimentos da rebelde Clara, favorecidos, certamente, pela transmissão de idênticos conhecimentos desses seus familiares esclarecidos, não deixarão honestamente de reconhecer que a maior diferença entre os charcos é a de que no charco actual se pode praticar o nudismo, coisa ainda não existente no charco salazarento, motivo, talvez, da sua repulsa por esses tempos de maior resguardo.&lt;br /&gt;Mas também existe neste charco um Mário Soares dos seus amores, e um Cunhal igualmente dos seus apetites, como expoentes maiores da coragem, coerência e defesa de qualquer coisa que ela gostaria que se chamasse democracia – governo do povo, pelo povo e para o povo – e já constatou que afinal não é. Se fosse, é claro que não gostaria, como demonstra nesse seu nobre desprezo pela gentinha, embora genérica.&lt;br /&gt;No charco antigo, onde um ilustre amigo e igualmente admirador de Soares – Almeida Santos - lançou uma pedrada libertadora, não sei se com o conhecimento da culta Clara, em todo o caso, havia estações agronómicas para o desenvolvimento da agricultura, segundo os textos de Miguel Mota, que lemos no blogue “A Bem da Nação”, como havia um plano integrado de transportes, segundo texto de Gonçalves Viana, no mesmo blogue, que deixou de haver no charco moderno.&lt;br /&gt;O tema dos charcos poderia ser vasto, dada a fauna batraciana neles proliferante. Só estranho como a evolução de alguns dos espécimes lhes não possibilite uma visão mais clarividente, mais assente na sensatez, e num estudo menos faccioso sobre um período da história a que a história portuguesa saberá dar o devido valor, em termos comparativos com o período seguinte, de charco bem mais pútrido.&lt;br /&gt;Como escreveu Alexandre Dumas, “&lt;em&gt;O orgulho dos que não podem construir é destruir&lt;/em&gt;”. E assim, o charco actual pauta-se pela destruição progressiva, como exemplificaram Miguel Mota e Gonçalves Viana, do que fora construído equilibradamente e inteligentemente durante o charco primeiro. Ou mesmo antes.&lt;br /&gt;De resto, como o citado texto exemplifica, pouco importa o apagão da história, na profanação dos cadáveres dos que a representaram, quando se prefere o coaxar melodioso – outros chamar-lhe-iam melífluo - dos que a continuam a profanar, por paradoxal que se nos afigure, em figuras frágeis que se julgam de relevo no charco de que se excluem, e que aparentemente defendem a justiça e atacam a estupidez. Ainda que também só aparentemente. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-370660412149158585?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/370660412149158585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=370660412149158585&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/370660412149158585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/370660412149158585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/12/biblioteca-de-verao.html' title='Biblioteca de Verão'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-8681362729078438699</id><published>2011-11-28T00:02:00.001Z</published><updated>2011-11-28T00:04:42.191Z</updated><title type='text'>Uma radiografia antiga - Nos 48 anos do João</title><content type='html'>A mania das grandezas&lt;br /&gt;Que faz que desejemos imitar&lt;br /&gt;Os que sabemos poderosos,&lt;br /&gt;Já Esopo a tratou,&lt;br /&gt;La Fontaine o imitou&lt;br /&gt;Embora, em vez dum gaio,&lt;br /&gt;Tivesse escolhido um corvo,&lt;br /&gt;Como émulo da águia&lt;br /&gt;Que o cordeiro roubou.&lt;br /&gt;A fábula primeira,&lt;br /&gt;A de Esopo, a verdadeira,&lt;br /&gt;Que as outras originou,&lt;br /&gt;Já em tempos a li&lt;br /&gt;E traduzi.&lt;br /&gt;Vejamos o que disse La Fontaine&lt;br /&gt;Muitos séculos depois, o dezassete:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;«O corvo querendo imitar a águia»&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;«A ave de Júpiter, símbolo pois de poder altaneiro,&lt;br /&gt;Apanhando nas presas um cordeiro,&lt;br /&gt;Foi avistada por um corvo pretensioso,&lt;br /&gt;Que, embora mais frágil dos rins, não era menos guloso,&lt;br /&gt;E decidiu imediatamente imitá-la,&lt;br /&gt;Por ser tolo. Outros diriam brioso.&lt;br /&gt;Girando à volta do rebanho,&lt;br /&gt;Entre cem carneiros escolhe o anho&lt;br /&gt;Mais gordo e bonito,&lt;br /&gt;Um verdadeiro cordeiro de sacrifício&lt;br /&gt;Destinado à boca dos deuses,&lt;br /&gt;Que disso tinham o vício.&lt;br /&gt;O espertalhão do corvo dizia,&lt;br /&gt;Olhando-o com meiguice,&lt;br /&gt;Sem se aperceber da tolice:&lt;br /&gt;“Não sei quem foi tua ama,&lt;br /&gt;Mas o teu corpo me chama:&lt;br /&gt;Servir-me-ás lindamente&lt;br /&gt;De alimento providente.”&lt;br /&gt;Sobre o anho, que ao ouvi-lo baliu,&lt;br /&gt;Se lançou com arreganho:&lt;br /&gt;A lãzuda criatura&lt;br /&gt;Pesava mais do que um queijo&lt;br /&gt;Bem contra o seu desejo,&lt;br /&gt;Além de que o seu velo&lt;br /&gt;Era duma extrema espessura,&lt;br /&gt;Não muito belo,&lt;br /&gt;Porque emaranhado como a barba&lt;br /&gt;Do “bruto” Polifemo.&lt;br /&gt;Nele se enfiaram as garras do Corvo tão tortuosamente&lt;br /&gt;Que o pobrezinho não pôde dele safar-se.&lt;br /&gt;O pastor chegou, que o apanhou e o enfiou à pressa&lt;br /&gt;Na gaiola, para divertimento dos filhos,&lt;br /&gt;Encantados com a surpresa.&lt;br /&gt;É preciso sabermos medir as nossas forças;&lt;br /&gt;A consequência é nítida:&lt;br /&gt;Mal fazem os ladrõezinhos em querer&lt;br /&gt;Os ladrões autênticos imitar:&lt;br /&gt;A fábula é exemplo de perigoso engodo:&lt;br /&gt;Nem todos os comedores de gentes são grandes senhores.&lt;br /&gt;Onde passou a Vespa&lt;br /&gt;Apenas o Mosquito resta.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Mas La Fontaine estava muito longe do que se passa por cá&lt;br /&gt;E até lá por fora, agora,&lt;br /&gt;Em sítios de maiores responsabilidades&lt;br /&gt;Porque de maiores potencialidades.&lt;br /&gt;Aquilo a que temos diariamente assistido&lt;br /&gt;É uma insólita formação vigarística,&lt;br /&gt;Que ao invés de partir das águias superiores,&lt;br /&gt;Parte muitas vezes&lt;br /&gt;Dos pardais de estatutos inferiores,&lt;br /&gt;Que vão crescendo, à medida que vão aprendendo&lt;br /&gt;Com águias ou com outros pardais iguais,&lt;br /&gt;E a dada altura, atingindo os estatutos convenientes,&lt;br /&gt;Com as suas corrupções mais que repelentes,&lt;br /&gt;Mosquitos inicialmente,&lt;br /&gt;Vespas desleais, depois,&lt;br /&gt;Espalham uma rede tão sombria de vilania&lt;br /&gt;Que ninguém mais poderá eliminar algum dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-8681362729078438699?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/8681362729078438699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=8681362729078438699&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/8681362729078438699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/8681362729078438699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/11/uma-radiografia-antiga-nos-48-anos-do_28.html' title='Uma radiografia antiga - Nos 48 anos do João'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-7218164929549595557</id><published>2011-11-25T20:12:00.002Z</published><updated>2011-11-25T20:37:29.436Z</updated><title type='text'>Os ventos da (des)graça</title><content type='html'>Uma fábula de Esopo&lt;br /&gt;Que vem a propósito&lt;br /&gt;Dos nossos costumes&lt;br /&gt;De eternos acusadores&lt;br /&gt;Dos causadores&lt;br /&gt;Dos nossos queixumes,&lt;br /&gt;Como infractores&lt;br /&gt;Das regras, das leis,&lt;br /&gt;Sem problemas maiores,&lt;br /&gt;Pois que a elas são&lt;br /&gt;Por condição&lt;br /&gt;Superiores:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;«O mar e o náufrago»&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;«Sobre a costa largado, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um náufrago fatigado&lt;br /&gt;Depois de tanto se ter esforçado&lt;br /&gt;A nado,&lt;br /&gt;Tinha adormecido&lt;br /&gt;Esmorecido.&lt;br /&gt;Pouco depois voltou a si e, olhando o mar,&lt;br /&gt;Censurou-o por os homens atrair&lt;br /&gt;Com o seu ar amigo,&lt;br /&gt;Quando, seguidamente,&lt;br /&gt;Depois de os ter acolhido,&lt;br /&gt;Contra eles se lançar&lt;br /&gt;E os exterminar&lt;br /&gt;Furiosamente.&lt;br /&gt;Então o mar&lt;br /&gt;Sem se alterar,&lt;br /&gt;Tomou a forma duma mulher,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que nem sequer era sereia,&lt;br /&gt;E respondeu-lhe a sorrir:&lt;br /&gt;“Homem, não me culpes tu a mim&lt;br /&gt;Mas sim&lt;br /&gt;Os ventos peneirentos.&lt;br /&gt;Porque quanto a mim&lt;br /&gt;Eu sou assim,&lt;br /&gt;Como me viste e me vês.&lt;br /&gt;São eles que me atacam&lt;br /&gt;De surpresa,&lt;br /&gt;Pela frente ou por detrás&lt;br /&gt;Seguindo as orientações&lt;br /&gt;Dos pontos cardeais e mais&lt;br /&gt;De toda a rosa-dos-ventos.&lt;br /&gt;E me agitam e enfurecem&lt;br /&gt;Sem qualquer delicadeza&lt;br /&gt;Por mim, mulher de grande beleza.”&lt;br /&gt;Da mesma maneira nós&lt;br /&gt;Não devemos logo responsabilizar&lt;br /&gt;Os executores dum crime&lt;br /&gt;Sabendo que eles não são senão&lt;br /&gt;Simples subordinados&lt;br /&gt;Dos chefes de quem eles são&lt;br /&gt;Apenas paus mandados.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Isto disse Esopo outrora,&lt;br /&gt;E hoje é tão verdadeiro&lt;br /&gt;Como foi no tempo dele&lt;br /&gt;Porque como clássico que foi,&lt;br /&gt;Primeiro,&lt;br /&gt;Conheceu bem o homem&lt;br /&gt;Useiro e vezeiro&lt;br /&gt;Nos seus malabarismos,&lt;br /&gt;Mas também&lt;br /&gt;Nos seus dinamismos,&lt;br /&gt;Vento revoltoso&lt;br /&gt;Empurrando, atacando,&lt;br /&gt;E redes organizando,&lt;br /&gt;Os não amigos excluindo,&lt;br /&gt;Destruindo,&lt;br /&gt;Afastando, num segundo,&lt;br /&gt;Desse seu mundo bem fundo&lt;br /&gt;E até, por vezes, imundo.&lt;br /&gt;Nós, os governantes acusamos&lt;br /&gt;De serem ventos danosos.&lt;br /&gt;Mas realmente eles não são mais que mar&lt;br /&gt;Que é empurrado sem parar&lt;br /&gt;Pelos ventos furiosos&lt;br /&gt;Que sopram do centro e do norte&lt;br /&gt;E do leste e do oeste&lt;br /&gt;Piores do que a peste.&lt;br /&gt;É preciso sabermos lutar,&lt;br /&gt;Mas colaborar&lt;br /&gt;Com o mar&lt;br /&gt;Para os ventos apaziguarmos&lt;br /&gt;Da rosa-dos-ventos.&lt;br /&gt;Ventos e marés venceremos&lt;br /&gt;Se quisermos.&lt;br /&gt;Cada um de nós esforçando-se,&lt;br /&gt;Confiantes,&lt;br /&gt;Competentes,&lt;br /&gt;Em vez de só criticarmos,&lt;br /&gt;Sem jamais nos responsabilizarmos,&lt;br /&gt;Impecáveis que somos. Sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-7218164929549595557?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/7218164929549595557/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=7218164929549595557&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/7218164929549595557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/7218164929549595557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/11/os-ventos-da-desgraca.html' title='Os ventos da (des)graça'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-7214250636129675692</id><published>2011-11-24T04:01:00.002Z</published><updated>2011-11-24T08:44:47.898Z</updated><title type='text'>Não havia Gisele</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A minha amiga começou por se negar a contar as suas impressões do país em cujos cafés de bairro gastamos os três quartos da nossa hora matinal diária, antecedente da outra meia hora no Pingo Doce, a pretexto de que queria acabar o ano “&lt;em&gt;já não digo tão bem como os ladrões&lt;/em&gt; – frisou com autoridade – &lt;em&gt;que esses vivem na fartazana e na consideração pública, mas pelo menos sem estatelanços na calçada&lt;/em&gt;."&lt;br /&gt;Trata-se, como já tenho explicado, da calçada de que os nossos passeios portugueses largamente usufruem, com as covas e as pedras soltas a permitir a topada distraída que já nos fez malhar por mais que uma vez, pelo que agora cautelosamente andamos por elas olhando para baixo, sem cumprimentarmos os conhecidos, que imaginam motivos de oculta zanga nas nossas poses de resguardo cabisbaixo. Por isso é com sobressalto que às vezes os ergo, com uma frase que me transporta aos tempos juvenis da descompostura risonha das nossas distracções: “&lt;em&gt;Fala à gente e guarda o teu dinheiro&lt;/em&gt;”, dizem-me, coisa que no momento actual, nenhuma de nós ambas se pode gabar de fazer, pelo menos no que concerne a segunda imposição da frase duplamente apelativa.&lt;br /&gt;Mas, apesar da sua recusa em expor, a minha amiga imediatamente se pôs a desbobinar sobre o caso Duarte Lima, com muitas referências à Rosalina e à filha do Feteira, e às tramóias de Duarte Lima que se propõe devolver as acusações contra ele, acusando a Feteira filha de assassínio da Rosalina herdeira.&lt;br /&gt;-“&lt;em&gt;Eu queria a Rosalina viva”, defende-se a Feteira filha. A Rosalina queria tudo para ela e esta Feteira filha pôs o pai Feteira em tribunal. “O que é que eu ganho com a Rosalina morta?”, pergunta a Feteira filha, “eu queria que ela prestasse contas”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;E a minha amiga conta de uma sua vizinha de baixo, que já trabalhou com Duarte Lima e acha que não foi ele: &lt;em&gt;“Pode ter a certeza, não foi ele, ouça isto que eu lhe digo.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;E a minha amiga contesta:&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Mas a cabeça não serve para pensar? O gajo apanhado em milhares de mentiras comprovadas! E depois vêm dizer que a polícia do Brasil não presta, é corrupta! Tinha um processo em 2004. Até hoje estava tudo caladinho que nem ratos, para não ser condenado por um crime antes deste. Espera aí! Aquele homem engana Deus e o Papa. Mas a minha vizinha garante que não foi ele. Porque não pararam? Um fulano que era só advogado, não era mais nada! Dá-me a impressão de que era burro. Não tinha medo? Rodeia-se de peças de arte, tem casas de preços incalculáveis, mete o filho nas negociatas… Era pobre quando começou…&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Toca os clássicos no órgão&lt;/em&gt; – interrompi timidamente. &lt;em&gt;Uma vez foi a um programa do Herman José onde tocou órgão - ou seria piano? -e contou de forma comedida os seus infortúnios da doença que venceu. Passei a olhá-lo com mais simpatia, pois não gostava da figura, não sei se pela crueza do seu discurso sério.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;-&lt;em&gt;Só diz mentiras, parece um pateta,&lt;/em&gt; continuou a minha amiga imparável, momentaneamente esquecida do Nosso Senhor castigador. &lt;em&gt;Só há uma coisa que a gente pode pensar dele como de pessoa inteligente: ele sabia que não há extradição. Mas há uma coisa que ele não sabia, quando foi ao encontro da Rosalina no Brasil: passa numa estrada com a Rosalina, estrada com controle de velocidade e apanhou várias multas por excesso de velocidade. Disse que levou a Rosalina a um hotel: “Não, aqui não entrou ninguém”, foi o que disseram. A Rosalina ia ter com uma amiga. Descreveu a amiga, Gisele de nome, fez-se o retrato robô. Não havia amiga Gisele. Só mentiras. Então é esperto ou burro?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Pobres dos burros tão meigos, que servem para apodos rebaixantes e imerecidos para eles, nas nossas fábulas de trazer por casa!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-7214250636129675692?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/7214250636129675692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=7214250636129675692&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/7214250636129675692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/7214250636129675692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/11/nao-havia-gisele.html' title='Não havia Gisele'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-495520194334353710</id><published>2011-11-20T19:50:00.001Z</published><updated>2011-11-20T19:56:30.386Z</updated><title type='text'>Histórias dos mil e um dias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É de Fernando Dacosta o texto que segue, com o título &lt;strong&gt;«Seres decentes»&lt;/strong&gt;, e em epígrafe a informação &lt;em&gt;&lt;strong&gt;«Quando cumpria o seu segundo mandato, Ramalho Eanes viu ser-lhe apresentada pelo Governo uma lei especialmente congeminada contra si.»&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«O texto impedia que o vencimento do Chefe do Estado fosse «acumulado com quaisquer pensões de reforma ou de sobrevivência» públicas que viesse a receber.&lt;br /&gt;Sem hesitar, o visado promulgou-o, impedindo-se de auferir a aposentação de militar para a qual descontara durante toda a carreira. O desconforto de tamanha injustiça levou-o, mais tarde, a entregar o caso aos tribunais que, há pouco, se pronunciaram a seu favor. Como consequência, foram-lhe disponibilizadas as importâncias não pagas durante catorze anos, com retroactivos, num total de um milhão e trezentos mil euros.&lt;br /&gt;Sem de novo hesitar, o beneficiado decidiu, porém, prescindir do benefício, que o não era pois tratava-se do cumprimento de direitos escamoteados - e não aceitou o dinheiro. Num país dobrado à pedincha, ao suborno, à corrupção, ao embuste, à traficância, à ganância, Ramalho Eanes ergueu-se e, altivo, desferiu uma esplendorosa bofetada de luva branca no videirismo, no arranjismo que o imergem, nos imergem por todos os lados.&lt;br /&gt;As pessoas de bem logo o olharam empolgadas: o seu gesto era-lhes uma luz de conforto, de ânimo em altura de extrema pungência cívica, de dolorosíssimo abandono social. Antes dele só Natália Correia havia tido comportamento afim, quando se negou a subscrever um pedido de pensão por mérito intelectual que a secretaria da Cultura (sob a responsabilidade de Pedro Santana Lopes) acordara, ante a difícil situação económica da escritora, atribuir-lhe. «Não, não peço. Se o Estado português entender que a mereço», justificar-se-ia, «agradeço-a e aceito-a. Mas pedi-la, não. Nunca!»&lt;br /&gt;O silêncio caído sobre o gesto de Eanes (deveria, pelo seu simbolismo, ter aberto telejornais e primeiras páginas de periódicos) explica-se pela nossa recalcada má consciência que não suporta, de tão hipócrita, o espelho de semelhantes comportamentos.&lt;br /&gt;“A política tem de ser feita respeitando uma moral, a moral da responsabilidade e, se possível, a moral da convicção”, dirá. Torna-se indispensável “preservar alguns dos valores de outrora, das utopias de outrora”. Quem o conhece não se surpreende com a sua decisão, pois as questões da honra, da integridade, foram-lhe sempre inamovíveis. Por elas, solitário e inteiro, se empenha, se joga, se acrescenta - acrescentando os outros.&lt;br /&gt;“Senti a marginalização e tentei viver”, confidenciará, “fora dela. Reagi como tímido, liderando”.&lt;br /&gt;O acto do antigo Presidente (« cujo carácter e probidade sobrelevam a calamidade moral que por aí se tornou comum», como escreveu numa das suas notáveis crónicas Baptista-Bastos) ganha repercussões salvíficas da nossa corrompida, pervertida ética. Com a sua atitude, Eanes (que recusara já o bastão de Marechal) preservou um nível de dignidade decisivo para continuarmos a respeitar-nos, a acreditar-nos - condição imprescindível ao futuro dos que persistem em ser decentes.»&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;Fernando Dacosta&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O texto de Fernando Dacosta não necessita de comentário. Também julgo o General Eanes uma figura de assinalar, pela seriedade e inteireza que revelou durante as suas chefias. Outros referem ainda hoje Sá Carneiro, como figura de igual hombridade, sendo ambos, para mais, amantes do seu país.&lt;br /&gt;O certo é que tiveram a sorte de viver num período de malogros económicos e afundamento social, causados pelos estouvamentos de quem se julgava no direito de governar, sem para isso ter luzes, apesar de terem cravos. Como inteligentes e dignos, lançaram-se na tentativa de endireitar o que fora entortado pelos estouvados da botoeira colorida.&lt;br /&gt;Entretanto, outros ventos de apetecível aparente bonança nos chegaram, com o abraço messiânico das novas políticas europeias. O deslumbramento foi geral, o mergulho sôfrego nos sacos azuis e quem sabe de quantas mais cores, a ninguém isentou de quantos a ele tiveram acesso – e foi o povo todo, que foi convidado a poisar os instrumentos da sua sobrevivência, além de outras classes sociais que receberam aumentos com maior ou menor critério, como chantagem para encobrir o escoamento que se ia fazendo em obras públicas, sim, e sociais também, mas igualmente nos bolsos das muitas tramas que se iam urdindo abjectamente pela posse de dinheiros que não obtivéramos pelo nosso próprio esforço.&lt;br /&gt;E assim se criaram leis para proteger os “&lt;em&gt;copains&lt;/em&gt;”, assim se criou uma Justiça também flexível aos valores da sofreguidão em curso.&lt;br /&gt;E um ministro veio que, na necessidade de adquirir auxílio financeiro de um país grande e rico a quem amoravelmente chamava irmão, se não importou de ajavardar a sua língua, em nota de desprezo pelos próprios filhos desse seu país, nesse gesto de cobardia secundado pelo presidente do mesmo país.&lt;br /&gt;O ministro de agora também anda em transacções, para saldar as contas, com desprezo igual pelos filhos do seu país, que nunca contaram para nada, a não ser para pagar as contas dos débitos permanentes da má governação. Entre os saldos, conta-se a RTP que vai ser privatizada.&lt;br /&gt;Essa privatização significará talvez a extinção das coisas boas que a RTP fez, entre as quais o seu Canal 11, de &lt;em&gt;Memórias&lt;/em&gt;. Por isso aproveito este dia escutando os fados do Canal 11, já na saudade de os não voltar a ver e a escutar.&lt;br /&gt;Só sei que não sei como procederiam Francisco Sá Carneiro ou o General Ramalho Eanes, caso tivessem pertencido a este escol dos sortudos pós-1986.&lt;br /&gt;Será que sairiam incólumes da atracção dos cantos dessas sereias promissoras que tão insinuantemente envolveram os seus continuadores? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-495520194334353710?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/495520194334353710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=495520194334353710&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/495520194334353710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/495520194334353710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/11/historias-dos-mil-e-um-dias.html' title='Histórias dos mil e um dias'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-8912608574792596044</id><published>2011-11-18T04:03:00.002Z</published><updated>2011-11-18T04:11:56.753Z</updated><title type='text'>A importância de se ter quiromante</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Óscar Wilde não se limitou a escrever delicadas peças de teatro ou um romance – “&lt;em&gt;O Retrato de Dorian Gray&lt;/em&gt;” - que, a par de uma humorística denúncia de caracteres colhidos na aristocrática e convencional sociedade vitoriana, nos dão igualmente retrato de ambições e mesmo perversões de comportamentos, embora sempre dentro de uma atmosfera de requinte, que cabe na preocupação estética, segundo lema do escritor dandy que foi Óscar Wilde.&lt;br /&gt;Uma das originalidades que nele se colhe é um certo carácter de suspense que preside quer à acção narrativa quer mesmo à acção dramática, envoltas em progressiva atmosfera de mistério, em cenas por vezes de grande picardia, apesar do sentimento de tragédia que lhes está inerente.&lt;br /&gt;O conto “&lt;em&gt;O Crime de Lorde Arthur Savile&lt;/em&gt;” gira à volta de um crime previsto, durante uma recepção elegante de Lady Windermere - com ministros condecorados e damas bem vestidas e outros requisitos sociais e culturais - por um quiromante – o senhor Podgers – presente na assistência, como amigo da lady Windermere - o qual, depois de empalidecer ao pegar na mão de Lorde Arthur Savile, se recusa inicialmente a declarar-lhe o futuro visionado, produzindo naquele uma tempestade de receosas emoções. Instado posteriormente, e sob o efeito deslumbrado de ampla oferta de dinheiro, informa o seu consulente horrorizado de que se trata da prática de um homicídio, o futuro para ele previsto.&lt;br /&gt;A trama do conto é breve, embora bem condimentada de pormenores, inicialmente centrada no descritivo dos pensamentos aterrorizados de Lorde Arthur pelas ruas sombrias de Londres, durante o seu nocturno passeio nervoso, ao sair do palacete de Lady Windermere.&lt;br /&gt;O terceiro capítulo mostra-nos um Arthur amante apaixonado da jovem e doce Sybil Merton, consciente dos seus deveres de a não sujeitar ao vilipêndio de se casar com um assassino em potência. É necessário preparar de imediato o seu homicídio, e protelar o casamento até se esfumarem os resíduos de suspeitas possíveis sobre a sua participação nele. Após a lista cuidadosamente preparada sobre as aptidões de amigos e familiares para vítimas de homicídio, tomba a sua escolha sobre uma bondosa velhinha sua prima – Lady Clementina. a quem oferece, em visita protocolar, após prévio estudo consciencioso sobre venenos, uma linda caixa com uma cápsula envenenada, remédio americano de efeito seguro no tratamento das crises de estômago que frequentemente a atacavam. Falam de banalidades sociais, a velhinha deslumbra-se com a pílula em forma de gentil bombom, e com a delicadeza da oferta, Arthur impede-a de a tomar de imediato mas insta para que se não esqueça de o fazer na próxima crise de azia. Procura amoravelmente Sybil, amontoando razões de obstáculo a um casamento imediato. Parte para Veneza no dia seguinte.&lt;br /&gt;É em Veneza, onde se diverte em caçadas e passeios de Gôndola com um irmão, que recebe a notícia da morte de Lady Clementina. Volta ao hotel onde três cartas o esperam, a de Sybil descrevendo a morte da Lady Clem, e a da mãe e do advogado, explicando a herança da casa, que lhe deixara a senhora. Regressa para junto de Sybil, reatam a promessa de casamento, e em visita à casa herdada, Sybil encontra a caixinha com o bombom. Lorde Arthur empalidece de desespero, e atira para o fogo o bombom. A morte da Lady Clem não resultara, pois, do seu homicídio, tudo tinha que ser refeito.&lt;br /&gt;Capítulo V, novo adiamento do casamento, com as naturais consequências da cólera da mãe de Sybil, que já mandara fazer o vestido de noiva e aconselha a filha a desfazer o noivado, imposição a que a filha não obedece. Abatimento inicial de Lorde Arthur, cujo bom senso afinal se impõe, na busca de novo homicídio, por amor de Sybil.&lt;br /&gt;Nova procura de vítima, é escolhido um seu tio, deão de Chichester, coleccionador de relógios, bom pretexto para a hipótese de um explosivo telecomandado já que o veneno se mostrara inócuo. Busca de personagens para lhe resolver secretamente o problema, novas cenas caricatas, nova tentativa abortada.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Tinha dado o seu melhor para cometer o homicídio mas falhara em ambas as ocasiões, apesar de não ter culpa por estes falhanços. Tentou cumprir o seu dever, mas parecia-lhe que o destino o traía. Estava esmagado pelo sentimento da esterilidade das boas intenções, da inutilidade dos esforços por uma boa acção.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Jantou no clube, com outros jovens elegantes, que abandonou impaciente, alta noite. Passeio desesperado pelo cais do Tamisa, numa das pontes encontra um homem debruçado que reconheceu como o seu quiromante, o senhor Podgers. Sem hesitar, agarra-o pelas pernas e atira-o ao rio.&lt;br /&gt;A informação dos jornais dá conta dum suicídio, o corpo do sinistrado aparecera em Greenwich, o casamento de Lorde Arthur Savile com Sybil Merton não se fez esperar com pompa e circunstância, Arthur Savile merecera a sua felicidade.&lt;br /&gt;Vem o conto a propósito dos crimes que por cá se cometem, decerto que programados pelos destinos dos criminosos, com consulta prévia de quiromantes, ou bruxas, ou astrólogos, já que as pitonisas e os Tirésias há muito que desapareceram do nosso convívio. Também o estudo ajuda, nesses casos, de mistura com alguns amigos.&lt;br /&gt;Na sociedade actual, são mesmo esses os felizes, pois que o coro das lamentações cabe mais aos sem destino prometido, por falta de posses para consultar os visionários e proceder de acordo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-8912608574792596044?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/8912608574792596044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=8912608574792596044&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/8912608574792596044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/8912608574792596044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/11/importancia-de-se-ter-quiromante.html' title='A importância de se ter quiromante'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-7985172661529974692</id><published>2011-11-15T21:05:00.005Z</published><updated>2011-11-19T07:46:26.673Z</updated><title type='text'>“O Soldado Prático”, retrato das nossas práticas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Já o Soldado de “&lt;strong&gt;O Soldado Prático&lt;/strong&gt;” de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Diogo de Couto&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; se queixava de desmandos que aconteciam no Reino e na Índia, tal como os militares de hoje, que fizeram o 25 de Abril, se queixam dos desmandos que neste Reino lhes acontecem, ignorados os seus feitos de defesa territorial anterior. De modo que podemos dizer que sempre o nosso país foi palco de queixas, de furtos, de sonegações, e que sempre existiu cá quem apontasse isso.&lt;br /&gt;O próprio original de “&lt;strong&gt;O Soldado Prático&lt;/strong&gt;” de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Diogo de Couto&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; lhe fora furtado e, por cópias que dele tinha, pôde refazê-lo, por alturas de 1610.&lt;br /&gt;Trata-se de um diálogo entre um S&lt;em&gt;oldado&lt;/em&gt; sexagenário, experiente, (como significado de “prático”), um &lt;em&gt;Fidalgo&lt;/em&gt;, ex-governador da Índia e um &lt;em&gt;Despachador&lt;/em&gt;, (ou secretário do Rei).&lt;br /&gt;Segundo Rodrigo Lapa, “&lt;em&gt;A experiência dos negócios, as amarguras pessoais, a visão pavorosa da decadência dão um calor, uma violência patética à narração&lt;/em&gt;”, tornando a obra “&lt;strong&gt;O Soldado Prático&lt;/strong&gt;” “&lt;em&gt;dos livros mais honrados da literatura portuguesa&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não sei se as reivindicações dos militares grevistas de hoje assentam em idênticas razões que as deste Soldado rezingão. Transcrevo alguns dos seus conceitos que apontam as particularidades milenares de um povo sôfrego mas espezinhado sempre nos seus direitos, e cujos “&lt;em&gt;responsáveis pela espantosa decadência do Império&lt;/em&gt;”, ainda segundo expressão de Rodrigues Lapa, têm à cabeça o próprio Rei.&lt;br /&gt;É da&lt;strong&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;Cena I&lt;/strong&gt; da &lt;strong&gt;I Parte&lt;/strong&gt; que extraio alguns passos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresenta-se o Soldado diante do Fidalgo e do Despachador:&lt;br /&gt;…&lt;em&gt; “Sou tão só neste Reino que não tenho coisa a que me possa arrimar que a estes papéis que aqui trago dos muitos e muitos serviços que nas partes da Índia tenho feitos, ornamentados e esmaltados com o sangue deste corpo, que espargi pela lei e pelo rei, de que me não tenho arrependido…”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;O Fidalgo o acolhe com simpatia e promessas na boa vontade do Rei, o Desembargador o aponta como diferente de outros queixosos que “&lt;em&gt;representam suas coisas com aquele ímpeto e furor, como se estivesse pelejando com os inimigos; e eu, em vez de os ouvir e responder, estou com os olhos buscando algum lugar onde me esconda de suas cóleras&lt;/em&gt;.”&lt;br /&gt;Na realidade, o Soldado, com sendo crítico, não deixa de ser letrado, socorrendo-se mesmo de vastidão de autores clássicos para ilustrar as suas duras experiências, o que faz dele a voz do narrador Diogo de Couto, que foi companheiro e amigo de Camões nas suas andanças pela Índia.&lt;br /&gt;Trata-se, assim, de um livro – «&lt;strong&gt;Diálogo do Soldado Prático que trata dos enganos e desenganos da Índia»&lt;/strong&gt; - dividido em três partes, cada uma seguida de um argumento em síntese, sobre a localização espácio-temporal dos diálogos entre os três intervenientes (&lt;em&gt;casa do Despachador, três dias sucessivos)&lt;/em&gt; e com número variável de cenas, respectivamente &lt;em&gt;10, 6&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;4. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Conta o Soldado a sua revolta contra os despachadores, lentos nos despachos:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;“… Porque assaz de bem remediado parte um soldado da Índia, que pode sustentar-se nesta corte de umas naus a outras, para se poder tornar; e se vir que lhe respondem devagar, não sente mor desesperação que lembrar-se que está em terra onde não há remédio; e que o que ajuntou por seus amigos para vir requerer, parte se lhe foi na Casa da Índia, pelos excessos dos contratadores, que até das camisas que levam vestidas lhe tomam direitos…” “e que não vê donde se possa valer, e que ou será forçado morrer de fome neste Reino, ou deixar tudo e tornar-se para a Índia sem ser respondido: o que se tem por tamanha infâmia …..”&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Hoje culpamos a burocracia como responsável por tantos desses atrasos na resolução dos despachos ou outros quaisquer ofícios, acrescentando-lhe a falta de competência, em paralelo, em certos casos, com o recurso à cunha e a luvas, que nos distinguem, na mediania das nossas aspirações e brio profissionais, no exercício das várias funções, condenando o país à ignomínia do seu contínuo atraso. Um olhar sobre os outros países europeus dá-nos uma constante imagem da nossa pobreza, que é sobretudo do foro espiritual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da ambição das riquezas – da Índia, neste caso – tão do nosso quotidiano, embora de diferente proveniência, dá igualmente conta o Soldado:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“… Estando eu um dia em um convento de religiosos, veio um fidalgo, que ia entrar em uma das melhores fortalezas da Índia, a despedir-se deles; e na conversação, em que eu me achei, lhe disse um religioso daqueles, estas palavras: -Senhor, lembre-vos que ides entrar na mercê que el-rei vos fez por vossos serviços, e que nela podeis ganhar o Céu, como eu neste hábito, com estas coisas. Contentai-vos com o que é vosso, deixai viver os pobres, e fazei justiça. Ao que lhe respondeu o fidalgo: -Padre meu, eu hei-de fazer o que os outros capitães fizeram; se eles foram ao Inferno, lá lhes hei-de ir ser companheiro; porque eu não vou à minha fortaleza, senão para vir rico …”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Quando vemos a que subtileza de crimes pode conduzir a ambição nestes nossos tempos de escândalos contínuos, e quão longe se está igualmente hoje do receio do Inferno, só que com a exteriorização de uma virtude imaculada, só podemos admirar a argúcia de Diogo de Couto no desvendar de caracteres de tão ampla projecção intemporal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também da &lt;em&gt;Justiça &lt;/em&gt;nos dá um parecer de uma actualidade firme. Limito-me a esclarecer com esta simples frase da longa diatribe do Soldado:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“… Nunca se procede contra os criminosos, e sempre se livram, e Deus sabe como."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Deus sabe como, mas a maioria de nós fica a ver navios, ainda que não da Índia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-7985172661529974692?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/7985172661529974692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=7985172661529974692&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/7985172661529974692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/7985172661529974692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/11/o-soldado-pratico-retrato-das-nossas.html' title='“O Soldado Prático”, retrato das nossas práticas'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-7915271729205551423</id><published>2011-11-10T22:08:00.000Z</published><updated>2011-11-10T22:22:41.656Z</updated><title type='text'>Um grande golpista</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ouviu-se hoje o Otelo Saraiva de Carvalho afirmar da forma desenxovalhada muito sua – de uma insensatez atropelada - que as manifestações dos militares não devem ser colectivas, por isso ele não vai à do próximo sábado, acha que o que pode verdadeiramente realçar a importância dos militares são os golpes de Estado para derrubar Governo, mesmo que, como já não estamos no tempo dos cravos vermelhos, mas sim pouco distantes do dia de finados, os militares tenham que levar outras flores na botoeira, ou mesmo nos canos das armas, crisântemos que sejam.&lt;br /&gt;Só não percebi bem a exclusão da designação de colectivos para o caso dos golpes de Estado, que implicam sempre, acho eu, acompanhamento suficiente para não abortarem, embora os abortos até já sejam despenalizados nos dias de hoje, e isso se deve às aquisições libertárias da nossa revolução de 74, feita nas ruas com tropas e cravos e povo radiosamente exaltado. Julgo mesmo que o Otelo se esqueceu dessa característica de ajuntamento e por isso reclama outra revolução de tipo golpista, talvez para alcançar uma graduação mais concomitante com a sua acção primeira, que segundo se disse, partiu do seu cérebro.&lt;br /&gt;O que é de supor é que ele se encontre meio frustrado por não o chamarem para o núcleo dos governantes, pois para todos os efeitos até foi chamado então “o cérebro do 25 de Abril” e ficou-se apenas pelo cargo de major, por muito cérebro que tivesse sido, sem poder comer à mesma mesa dos outros que ascenderam ao generalato, injustiças e ofensas que jamais se podem perdoar e por isso o major Otelo quer executar outro golpe, por muito que a hemorragia dele – do golpe – proveniente, já não seja tão visível como foi no primeiro, por o país se encontrar agora exangue, como provam os diversos cortes nas economias nacionais.&lt;br /&gt;Mas vejo, com tudo isto, que afinal os povos são muito parecidos. Assim, os líbios, que tendo feito a revolução lá na Líbia, sem sequer poupar o Kadhafi, vão todos recolher às suas terras, por ordem dos novos dirigentes desagradecidos.&lt;br /&gt;É por isso que o nosso Otelo, escamado com a ingratidão do seu povo, anda a idealizar outro golpe, para ver se lhe dão o relevo governativo que merece, pois nem se lhe daria furar cabeças – as dos inimigos da revolução e as dos seus próprios inimigos, por muito poucos que ele tenha, como provam as entrevistas que ainda lhe fazem os jornalistas televisivos, encantados com o seu ar desenxovalhado de idiota impune. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-7915271729205551423?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/7915271729205551423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=7915271729205551423&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/7915271729205551423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/7915271729205551423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/11/um-grande-golpista.html' title='Um grande golpista'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-7453403731502909921</id><published>2011-11-08T17:29:00.000Z</published><updated>2011-11-08T17:31:40.421Z</updated><title type='text'>O quarto Reich</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Por e-mail me chegou o texto de esclarecimento sobre a panorâmica europeia, de poderio centrado uma vez mais numa Alemanha ponderosa, como já o fizera antes, desta vez não com armas de guerra, mas igualmente mortíferas, pela destruição de povos, com base numa prévia liberalidade para com eles, chamariz de atropelos e desequilíbrios económicos, morais e sociais, seguindo uma astuciosa estratégia de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;“descapitalizar os Estados periféricos, provocando o seu endividamento, atacando-os, depois, pela asfixia dos juros da dívida, de forma a passar a controlar, por preços de saldo, empresas estatais estratégicas, através de privatizações forçadas.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;É o que estamos a passar, cordeiros bebendo a água do curso inferior do rio, contra os ditames ponderosos das maquinações do lobo, que avidamente nos irá esfolando e desfazendo com as suas dentuças afiadas, chamando momentaneamente para o seu banquete outros bichos do seu compadrio interesseiro, raposas calculistas e falsamente humanizadas, aparentemente ledoras da cartilha humanista, em sorrisos de conivência com uns, de ironia com outros, de perfídia com todos.&lt;br /&gt;Um texto para reflectirmos. Para ponderarmos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;«A inflamada declaração de Angela Merkel, numa entrevista à televisão pública alemã, ARD, em que sugere a perda de soberania para os países incumpridores das metas orçamentais, bem como a revelação sobre o papel da célebre família alemã Quandt, durante o Terceiro Reich, ligam-se, como peças de puzzle, a uma cadeia de coincidências inquietantes. Gunther Quandt foi, nos anos 40, o patriarca de uma família que ainda hoje controla a BMW e gere uma fortuna de 20 mil milhões de euros. Compagnon de route de Hitler, filiado no partido Nazi, relacionado com Joseph Goebbels, Quandt beneficiou, como quase todos os barões da pesada indústria alemã, de mão-de-obra escrava, recrutada entre judeus, polacos, checos, húngaros, russos, mas também franceses e belgas. Depois da guerra, um seu filho, Herbert, também envolvido com Hitler, salvou a BMW da insolvência, tornando-se, no final dos anos 50, uma das grandes figuras do milagre económico alemão. Esta investigação, que iliba a BMW mas não o antigo chefe do clã Quandt, pode ser a abertura de uma verdadeira caixa de Pandora. Afinal, o poderio da indústria alemã assentaria directamente num sistema bélico baseado na escravatura, na pilhagem e no massacre. E os seus beneficiários nunca teriam sido punidos, nem os seus empórios desmantelados. As discussões do pós-Guerra, incluíam, para alguns estrategas, a desindustrialização pura e simples da Alemanha - algo que o Plano Marshal, as necessidades da Guerra Fria e os fundadores da Comunidade Económica Europeia evitaram. Assim, o poderio teutónico manteve-se como motor da Europa. Gunther e Herbert Quandt foram protagonistas deste desfecho.&lt;br /&gt;Esta história invoca um romance recente de um jornalista e escritor de origem britânica, a viver na Hungria, intitulado "O protocolo Budapeste". No livro, Adam Lebor ficciona sobre um suposto directório alemão, que teria como missão restabelecer o domínio da Alemanha, não pela força das armas, mas da economia. Um dos passos fulcrais seria o da criação de uma moeda única que obrigasse os países a submeterem-se a uma ditadura orçamental imposta desde Berlim. O outro, descapitalizar os Estados periféricos, provocar o seu endividamento, atacando-os, depois, pela asfixia dos juros da dívida, de forma a passar a controlar, por preços de saldo, empresas estatais estratégicas, através de privatizações forçadas. Para isso, o directório faria eleger governos dóceis em toda a Europa, munindo-se de políticos-fantoche em cargos decisivos em Bruxelas - presidência da Comissão e, finalmente, presidência da União Europeia. Adam Lebor não é português - nem a narração da sua trama se desenvolve cá. Mas os pontos de contacto com a realidade, tão eloquentemente avivada pelas declarações de Merkel, são irresistíveis. Aliás, "não é muito inteligente imaginar que numa casa tão apinhada como a Europa, uma comunidade de povos seja capaz de manter diferentes sistemas legais e diferentes conceitos legais durante muito tempo." Quem disse isto foi Adolf Hitler. A pax germânica seria o destino de "um continente em paz, livre das suas barreiras e obstáculos, onde a história e a geografia se encontram, finalmente, reconciliadas " - palavras de Giscard d'Estaing, redactor do projecto de Constituição europeia. É um facto que a Europa aparenta estar em paz. Mas a guerra pode ter já recomeçado.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;Temos que pagar a dívida, acham os governantes cumpridores. Embora os sindicatos recusem, adeptos do regabofe, raposas astuciosas no nosso deserto de cordeirinhos, fingindo o seu amor por estes, guiando-os amoravelmente para a bocarra do lobo ponderoso.&lt;br /&gt;Porque a terceira guerra já começou. Por meio de abraços cínicos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-7453403731502909921?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/7453403731502909921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=7453403731502909921&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/7453403731502909921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/7453403731502909921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/11/o-quarto-reich.html' title='O quarto Reich'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-5249959356308634110</id><published>2011-11-08T07:51:00.004Z</published><updated>2011-11-08T22:18:15.761Z</updated><title type='text'>Um texto com nota vinte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Mais um que me chegou por e-mail, com o seguinte comentário: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;«Sabes que Jesus deixou de ensinar? Vê porquê.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Naquele tempo, Jesus subiu ao monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Depois, tomando a palavra, ensinou-os, dizendo:&lt;br /&gt;Em verdade vos digo,&lt;br /&gt;-Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. -Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. -Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles...&lt;br /&gt;Pedro interrompeu: - Temos que aprender isso de cor?&lt;br /&gt;André disse: - Temos que copiá-lo para o papiro?&lt;br /&gt;Simão perguntou: - Vamos ter teste sobre isso?&lt;br /&gt;Tiago, o Menor queixou-se: - O Tiago, o Maior está sentado à minha frente, não vejo nada!&lt;br /&gt;Tiago, o Maior gritou: - Cala-te queixinhas!&lt;br /&gt;Filipe lamentou-se: - Esqueci-me do papiro-diário.&lt;br /&gt;Bartolomeu quis saber: - Temos de tirar apontamentos?&lt;br /&gt;João levantou a mão: - Posso ir à casa de banho?&lt;br /&gt;Judas Iscariotes exclamou: (Judas Iscariotes era mesmo malvado, com retenção repetida e vindo de outro Mestre) - Para que é que serve isto tudo?&lt;br /&gt;Tomé inquietou-se: - Há fórmulas? Vamos resolver problemas?&lt;br /&gt;Judas Tadeu reclamou: - Podemos ao menos usar o ábaco?&lt;br /&gt;Mateus queixou-se: - Eu não entendi nada... ninguém entendeu nada!&lt;br /&gt;Um dos fariseus presentes, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada, tomou a palavra e dirigiu-se a Ele, dizendo:&lt;br /&gt;Onde está a tua planificação? Qual é a nomenclatura do teu plano de aula nesta intervenção didáctica mediatizada? E a avaliação diagnóstica? E a avaliação institucional? Quais são as tuas expectativas de sucesso? Tens a abordagem da área em forma globalizada, de modo a permitir o acesso à significação dos contextos, tendo em conta a bipolaridade da transmissão? Quais são as tuas estratégias conducentes à recuperação dos conhecimentos prévios? Respondem estes aos interesses e necessidades do grupo de modo a assegurar a significatividade do processo de ensino-aprendizagem? Incluíste actividades integradoras com fundamento epistemológico produtivo? E os espaços alternativos das problemáticas curriculares gerais? Propiciaste espaços de encontro para a coordenação de acções transversais e longitudinais que fomentem os vínculos operativos e cooperativos das áreas concomitantes? Quais são os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinais que respondem aos fundamentos lógico, praxeológico e metodológico constituídos pelos núcleos generativos disciplinares, transdisciplinares, interdisciplinares e metadisciplinares?&lt;br /&gt;Caifás, o pior de todos os fariseus, disse a Jesus:&lt;br /&gt;- Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos e reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos teus discípulos, para que ao Rei não lhe falhem as previsões de um ensino de qualidade e não se lhe estraguem as estatísticas do sucesso. Serás notificado em devido tempo pela via mais adequada. E vê lá se reprovas alguém! Lembra-te que ainda não és titular e não há quadros de nomeação definitiva!&lt;br /&gt;... E Jesus pediu a reforma antecipada aos trinta e três anos...&lt;br /&gt;A continuação DE BOM ANO LECTIVO»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;O texto vale por si, em toda a sua explosão de humor e graça, bem documentado nos discursos bíblicos do Novo Testamento com aplicação ao contexto actual, com os discípulos protestando quais criancinhas desleixadas, os fariseus com a sua carga verbal tão empolada como vazia, bem expressiva da arrogância intimidatória das ocas imposições ministeriais, que sempre julgáramos que um &lt;strong&gt;Nuno Crato&lt;/strong&gt;, perspicaz e tão impaciente contra os absurdos pretensiosismos retóricos como os professores alvo dessas imbecilidades linguísticas de uma falsidade demente, iria imediatamente destruir, a favor do bom senso e da sanidade mental de um país onde, por este texto, se vê que nem todos somos idiotas.&lt;br /&gt;Um texto que apoio, com um&lt;em&gt; &lt;strong&gt;Bravo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; ao professor que o escreveu, aos professores cujos protestos mereceram o engraçado e corajoso texto, a todos esses que, ao rirem da desgraça, no afundamento de propostas de avaliação que implicam nota zero para os forjadores de tais propostas obtusas e do ministério que as impôs, poderão contribuir para, pelo menos, chamar a atenção para tão violenta esquizofrenia nacional de pobreza espiritual irremediável.&lt;br /&gt;Um texto que merece ser difundido em todos os jornais do nosso país, e afixado em todas as escolas, para ser lido por todos os professores e alunos.&lt;br /&gt;No Ministério da Educação igualmente afixado. Em letras maiúsculas, por conta da cegueira.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-5249959356308634110?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/5249959356308634110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=5249959356308634110&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/5249959356308634110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/5249959356308634110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/11/um-texto-com-nota-vinte.html' title='Um texto com nota vinte'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-4901283929503425214</id><published>2011-11-04T16:25:00.002Z</published><updated>2011-11-04T16:41:35.926Z</updated><title type='text'>Quem ensinou quem?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um e-mail, parece que já não muito recente, significativo de um poderoso retrato de um país a saque.&lt;br /&gt;Resta perguntar: Quem nasceu primeiro: a galinha ou o ovo? Foram os governantes que iniciaram o processo ou aqueles provieram de uma “massa” fraudulenta uniforme que permitiu o seu surgimento, em círculo vicioso para sempre inultrapassável por razões temperamentais específicas?&lt;br /&gt;É certo que o Tribunal de Contas só teve dúvidas e apontou-as, segundo o e-mail, mas será que já foi esclarecido? Será que foram lapsos por malandrice? Será que pertencem à rede da corrupção que nos envolve?&lt;br /&gt;Será que o novo Governo vai deixar no silêncio tais casos gritantes? Será que não vai incitar a magistratura a seguir a via da verdadeira Justiça, que implica isenção, eficiência, honestidade?&lt;br /&gt;Será que é essa a estrada cheia de desvios que desejamos para os nossos sucessores?&lt;br /&gt;Será que o sangue da vergonha já só acode às faces dos embriagados?&lt;br /&gt;Dizem que a esperança é a última coisa a desaparecer em nós.&lt;br /&gt;Assim seja! Amen!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eis o e-mail recebido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;«Agora com o FMI é que vamos ver os "podres" a aparecer e a exalar mau cheiro...Isto foi tirado do Tribunal de Contas... Será por isso que nos estão a obrigar a apertar o cinto? Fica-se sem palavras! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;AQUI ESTÃO ALGUNS EXEMPLOS DE DÚVIDAS QUE O TRIBUNAL DE CONTAS ENCONTROU NAS DESPESAS PÚBLICAS... &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1. ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DE SAÚDE DO ALENTEJO, I. P.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Aquisição de 1 armário persiana; 2 mesas de computador; 3 cadeiras c/rodízios, braços e costas altas: 97.560,00 €&lt;/em&gt; &lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Eu não sei a quanto está o metro cúbico de material de escritório mas ou estes armários/mesas/cadeiras são de ouro sólido ou então não estou a ver onde é que 6 peças de mobiliário de escritório custam quase 100 000€. Alguém me elucida sobre esta questão? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. MATOSINHOS HABIT - MH&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Reparação de porta de entrada do edifício: 142.320,00 €&lt;br /&gt;Alguém sabe de que é feita esta porta que custa mais do que uma casa?&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;3. UNIVERSIDADE DO ALGARVE&lt;/strong&gt; - ESC. SUP. TECNOLOGIA - PROJECTO TEMPUS&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Viagem aérea Faro/Zagreb e regresso a Faro, para 1 pessoa no período de 3 a 6 de Dezembro de 2008: 33.745,00 €&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Segundo o site da TAP a viagem mais cara que se encontra entre Faro-Zagreb-Faro em classe executiva é de cerca de 1700€. Dá uma pequena diferença de 32 000 €. Como é que é possível??? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4. MUNICÍPIO DE LAGOA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;6 Kit de mala Piaggio Fly para as motorizadas do sector de águas: 106.596,00 €&lt;br /&gt;Pelo vistos fazer uma "Reforma de Montada" nas motorizadas do Município de Lagoa fica algo para o caro! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5. MUNICÍPIO DE ÍLHAVO&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Fornecimento de 3 Computadores, 1 impressora de talões, 9 auscultadores, 2 leitores ópticos: 380.666,00 €&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Estes computadores devem ser mesmo especiais para terem custado cerca de 100 000€ cada... Já para não falar nos restantes acessórios. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6. MUNICÍPIO DE LAGOA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Aquisição de fardamento para a fiscalização municipal: 391.970,00 €&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Eu não sei o que a Polícia Municipal de Lagoa veste, mas pelos vistos deve ser Alta Costura.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7. CÂMARA MUNICIPAL DE LOURES&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;VINHO TINTO E BRANCO: 652.300,00 €&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Alguém me explica porque é que a Câmara Municipal de Loures precisa de mais de meio milhão de Euros em Vinho Tinto e Branco???? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;8. MUNICIPIO DE VALE DE CAMBRA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;AQUISIÇÃO DE VIATURA LIGEIRO DE MERCADORIAS: 1.236.000,00 €&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Neste contrato ficamos a saber que uma viatura ligeira de mercadorias da Renault custa cerca de 1 milhão de Euros. Impressionante... &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;9. CÂMARA MUNICIPAL DE SINES&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Aluguer de tenda para inauguração do Museu do Castelo de Sines: 1.236.500,00 €&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;É interessante perceber que uma tenda custa mais ou menos o mesmo que um ligeiro de mercadorias da Renault e muito mais que uma boa casa...&lt;br /&gt;E eu que estava a ser tão injusto com o município de Vale de Cambra... &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;10. MUNICÍPIO DE VALE DE CAMBRA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;AQUISIÇÃO DE VIATURA DE 16 LUGARES PARA TRANSPORTE DE CRIANÇAS: 2.922.000,00 €&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;E mais uma pérola do Município de Vale de Cambra: uma viatura de 16 lugares para transportar crianças custa cerca de 3 milhões de Euros. Upsss, outra vez o município de Vale de Cambra...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;11. MUNICÍPIO DE BEJA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Fornecimento de 1 fotocopiadora, "Multifuncional do tipo IRC3080I", para a Divisão de Obras&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Municipais: 6.572.983,00 €&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Este contrato público é um dos mais vergonhosos que se encontra neste site. Uma fotocopiadora que custa normalmente 7,698.42€ foi comprada por mais de 6,5 milhões de Euros. E ninguém vai preso por porcarias como esta?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;COMO É POSSÍVEL NÃO ESTARMOS EM CRISE? COMO DIZ PASSOS COELHO, É DIFÍCIL CORTAR NAS DESPESAS PÚBLICAS... NOTA-SE... ACABÁMOS DE VER ALGUNS EXEMPLOS...» &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-4901283929503425214?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/4901283929503425214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=4901283929503425214&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/4901283929503425214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/4901283929503425214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/11/quem-ensinou-quem.html' title='Quem ensinou quem?'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-1141101306773274027</id><published>2011-11-04T05:02:00.001Z</published><updated>2011-11-04T05:06:48.127Z</updated><title type='text'>As parvoiçadas da nossa deseducação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os dois artigos que seguem, de dois professores, chegaram-me por e-mail. Traduzem experiências vividas, gritos de alma de quem se afunda e vê afundar-se toda uma nação, com as deficientes e mal esclarecidas políticas de Educação que, acrescentadas de uma há muito acentuada deficiência de educação familiar, tornam o ensino português uma pobre forja de indisciplina, desatenção, desvairamento na inadaptação a princípios de exigência e responsabilização, desinteresse pelo saber, apesar dos meios que as tecnologias poderiam proporcionar com o mundo de informação de que dispõem, mas que são causa, a maior parte das vezes, da fuga, pelo excesso de lúdico que proporcionam, à concentração do espírito, à inapetência pelo trabalho mental, à dispersão por campos de futilidade, quando não de desvio, de violência, de desregramento de que as nossas escolas são palco.&lt;br /&gt;Escolas que já não são escolas mas agrupamentos escolares, mistura desordenada de criaturas de idade vária, espaços de ruído, de violência, de agressão, onde, definitivamente, não é possível um ensino eficaz, em “contentores”, forjados à pressa, a fazer de salas, onde a água da chuva obriga ao afastamento das mesas e cadeiras e o frio do inverno vai penetrar em tradição do nosso envilecimento.&lt;br /&gt;O Governo fecha os olhos, incapaz de soluções, num ensino cada vez mais farfalhudo de monstruosas reuniões e burocracias forjadas no governo anterior, destruidor de energias, protelando as esperadas regras de imposição de disciplina, fundamentais dentro de honestos princípios de trabalho eficaz.&lt;br /&gt;O artigo de Manuel António Pina – «O “essencial” e é um pau» - não me parece, todavia, tão fidedigno assim, quando ouço, por exemplo, que o estudo da gramática se faz por um chorrilho monstruoso de designações lembrando a velha escolástica com os seus silogismos ostentatórios de um rebuscamento mental parolo, a exigir consulta psiquiátrica. Aí, sim, vejo a pretensão idiota de transformar os alunos e os professores em cobaias de experiências governativas ditadas pelo pretensiosismo desses “bichos-caretas” fazedores de vaidosos programas só “para inglês ver”. Com tais preciosismos, dificilmente os alunos passarão da fase do “ler, escrever e contar”, nisso estou de acordo com Manuel Pina.&lt;br /&gt;O artigo de Luís Moura traduz os problemas económicos causados pela difusão dos tais Magalhães do nosso ensino de sucata, com repercussões sobre as carreiras docentes “congeladas” na sua progressão. Vê-se que a mágoa é grande, mas o efeito sobre os nossos jovens, de embrutecimento e inércia, pela obsessão lúdica e desmotivação pela aprendizagem, é superior em perversão, quanto a mim, à “paragem” temporária na carreira docente, porque com reflexos sociais de vastíssima amplitude.&lt;br /&gt;Mas a não haver rápida reforma que ponha definitivamente cobro a tanta “parvoiçada”, como já diria Verney, não sairemos desta cepa torta da nossa mediocridade cada vez mais triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os textos de “Opinião”:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O "essencial" e é um pau -&lt;em&gt;Artigo de Manuel António Pina&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;«A afirmação do actual ministro da Educação de que o "princípio geral" que presidirá à "sua" reforma curricular do ensino básico e secundário é o de que "é necessário concentrar nas disciplinas essenciais" constitui todo um programa ideológico.&lt;br /&gt;Deixando de lado o obsessão de todo o bicho-careta que chega a ministro da Educação em Portugal em "reformar" mais uma vez os curricula escolares, tornando o ensino num laboratório de experiências educativas e os alunos em cobaias que se usam e deitam fora na próxima "reforma", tudo com os resultados que se conhecem, a opção por um ensino público limitado a "disciplinas essenciais" segue fielmente a rota ideológica do "saber ler, escrever e contar" de Salazar.&lt;br /&gt;Falta apurar o que o ministro entenderá por "essencial", mas outras medidas que tem tomado, como triplicar o valor dos cortes na Educação pública previsto no acordo com a "troika" enquanto financiava generosamente os colégios privados, levam a crer que o programa de empobrecimento anunciado por Passos Coelho é mais vasto do que parece. E que, além do empobrecimento económico das classes médias e mais desfavorecidas, está simultaneamente em curso o seu empobrecimento educativo.&lt;br /&gt;Para a imensa maioria que não tem meios para pôr os filhos em colégios privados (que, no entanto, financia com os seus impostos), o "essencial" basta. Mão-de-obra menos instruída é mão-de-obra mais barata. E menos problemática.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;«E é só a Parque Escolar?» - &lt;em&gt;Artigo de Luís Moura&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;«No consulado de Maria de Lurdes Rodrigues adjudicaram-se centenas de milhares de computadores portáteis em mais um negócio ruinoso para o estado e milionário para os operadores de telecomunicações móveis com os programas “e-escolas” e “e-escolinhas”, vulgo Magalhães. Quem pagou a factura? Coincidência ou não, imediatamente antes, os professores viram congeladas as suas progressões. Não é lícito perguntar se o dinheiro poupado em remunerações foi desviado para os Magalhães?&lt;br /&gt;Garantido o direito a um computador portátil grátis, ou a preço simbólico, a cada aluno e professor, era a vez das escolas. De norte a sul, os estabelecimentos de ensino de todo o país ficaram, de repente, a abarrotar com material informático e periféricos novinhos em folha com dezenas, se não centenas de milhar de computadores, milhares de quadros interactivos e projectores de vídeo, muitos dos quais nunca foram usados e alguns nem sequer instalados até hoje. Tudo isto, mais uma parafernália de routers, cabos, ligações sem fios e quejandos.&lt;br /&gt;Mau grado a torrente tecnológica, os professores tentam aceder à internet na sala de aula e a maior parte das vezes não conseguem porque o acesso é ‘wireless’ e funciona muito mal. Sabendo nós que o material informático fica obsoleto rapidamente, bem podemos concluir que, em muitos casos, o último grito da tecnologia não passa de tralha que vai acabar na sucata sem nunca ter sido usada.&lt;br /&gt;Na escola onde presto serviço, uma secundária, só as casas de banho não têm projector de vídeo, tal a quantidade fornecida pelo ME. Mesmo assim, há uns quantos de reserva, uma vez que já não há salas disponíveis para os aplicar. Não sei se o mesmo se passa nas outras escolas, mas imagino.&lt;br /&gt;Se em média o custo de cada computador de secretária for de 250 €, o de cada monitor 100 €, o de cada projector de vídeo for de 250 € e o de cada quadro interactivo for de 500 €, é só fazer as contas, como dizia o primeiro ministro Guterres. Este foi o (não resisto a usar um vocábulo todo modernaço) paradigma do governo ps, e não só para a educação. Onde é que poderíamos estar agora se não na bancarrota?&lt;br /&gt;Por fim, cito uma frase da Ilíada de Homero, que se aplica ao primeiro ministro Passos Coelho a propósito do que ele tem dito e do que ele tem feito: «…assim falou Aquiles de pés velozes: “(…) Como os portões do Hades me é odioso aquele homem que esconde uma coisa na mente, mas diz outra.” (...)». São precisos sacrifícios para sair deste chiqueiro? Façamo-los. Mas que se diga a verdade e que ninguém fique de fora.» &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-1141101306773274027?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/1141101306773274027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=1141101306773274027&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/1141101306773274027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/1141101306773274027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/11/as-parvoicadas-da-nossa-deseducacao.html' title='As parvoiçadas da nossa deseducação'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-3960888015804989906</id><published>2011-11-02T15:15:00.003Z</published><updated>2011-11-03T06:47:51.091Z</updated><title type='text'>Uma página de “O Barbeiro de Sevilha”</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Conde Almaviva está postado numa rua de Sevilha, à espreita de uma rapariga – Rosina - que costuma aparecer não à janela como a nossa carochinha mas atrás da gelosia daqueles discretos tempos de predomínio masculino. Encontra Fígaro, seu antigo criado, e interroga-o sobre a sua vida, ao que Fígaro responde sobre as suas experiências de letrado, num mundo fértil em intriga – Madrid no século XVIII – em nada diferente dos espaços de intriga destes tempos, diz-se que até por cá, entre os nossos, mesmo sem corte:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fígaro:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;«- Vendo em Madrid que a república das letras era a dos lobos, sempre armados uns contra os outros, e que, entregues ao desprezo aonde este risível encarniçamento os conduz, todos os insectos, os mosquitos, os primos, os críticos, os “maringouins”, os invejosos, os jornalistas, os livreiros, os censores, e tudo o que se atira à pele dos infelizes homens de letras, acabavam de destroçar e de sugar a pouca substância que lhes restava; cansado de escrever, aborrecido comigo, desgostoso dos homens, cravado de dívidas e com pouco dinheiro; por fim convencido de que o útil provento colhido na barbearia é preferível às honras vãs da caneta, deixei Madrid; e, com a minha bagagem a tiracolo, percorrendo filosoficamente as duas Castelas, a Mancha, a Estremadura, a Serra Morena, a Andaluzia; acolhido numa cidade, prisioneiro noutra, e em toda a parte superior aos acontecimentos; louvado por estes, criticado por aqueles; optimista na maré boa, suportando a maré baixa; troçando dos parvos, arrostando os maus; rindo da minha miséria e fazendo a barba a toda a gente; vedes-me enfim estabelecido em Sevilha, e prestes a servir de novo Vossa Excelência em tudo o que for do seu agrado ordenar-me.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;O Conde:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Quem te deu uma filosofia tão alegre?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Fígaro:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;O hábito da desgraça. Apresso-me a rir de tudo, com medo de ser forçado a chorar.»&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vem o texto mal a propósito de um texto de Vasco Graça Moura – “&lt;strong&gt;Andrajosamente Sós”,&lt;/strong&gt; colhido no DN deste Dia dos Mortos, apelidados de &lt;em&gt;Fiéis Defuntos&lt;/em&gt;, provavelmente os únicos a guardarem fidelidade nesta época de hipocrisias – como sugestão para um maior optimismo que cubra a visão quase direi obscena que VGM se encarrega de nos transpor, indiferente aos que vão lutando por quebrar tal malefício, aliás, de longa data previsto, até mesmo pela minha amiga e por mim que a vou carinhosamente acompanhando nas discussões sobre as desgraças nacionais, embora ultimamente nos abstenhamos mais disso, por mero derrotismo.&lt;br /&gt;Alguns passos desse decisivo texto de VGM:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;«&lt;em&gt;Portugal deixou de ter condições morais, sociais, culturais, económicas e políticas para ser independente. É compelido a ir a reboque, a acatar o que lhe é imposto de fora, a dar o corpo ao manifesto, a arquejar sob a carga fiscal.&lt;br /&gt;A população vai ficar agrupada em magotes de macambúzias criaturas à deriva. É uma gente desgovernada que perdeu toda e qualquer noção dos valores e da sua própria história, cuja ligação à língua que fala e à sua própria tradição cultural se tornou um desconchavo inqualificável, cujas qualificações não prestam para nada, cuja economia está destruída, cuja qualidade de vida, já de si escassa, se foi para não voltar. O Estado sustentava-lhe a maior parte dos vícios e agora deixa de poder fazê-lo.&lt;br /&gt;« … Se as coisas chegarem a um certo extremo, o Governo não terá força para fazer acatar as medidas que anuncia.» &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;E depois de pontuar a falta de convicção governativa na actuação contra as forças armadas e as policiais, conclui:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«…E se houver muitas fitas nestas áreas, que ninguém tenha dúvidas: A Europa fechará a torneira de vez.» &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Aponta seguidamente a pantominice de um PS dividido entre enjeitar as suas responsabilidades na crise e o seu dever de cooperação com o Governo no cumprimento das responsabilidades que partilhou relativamente às imposições da troika. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«… Os partidos radicais vociferam a torto e a direito….»&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não se lhes dá a destruição do país, nunca se lhes deu, por isso propõem greves. Com autoridade e seriedade hipócrita. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«… Entretanto, na Europa prepara-se um escanzelado federalismo financeiro da zona euro, comandado pela Alemanha, sem atender aos outros aspectos estruturantes de um sistema federal…» &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Estes têm a ver com as divergências culturais, económicas, sociais, muitas vezes conflituais entre os Estados vizinhos, e, apesar da matriz cristã comum, tal não impedirá o desastre final da zona euro:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«… Será a alavanca alemã a comandar as operações, a ditar a política financeira, a política económica e a política externa, a sobrepor-se às veleidades nacionais dos Estados membros. A França voltará a encolher-se. A Inglaterra assobia para o lado. A Espanha e a Itália ficam a olhar. Até a Grécia dirá que não é… a Grécia. A história repete-se. Ficaremos andrajosamente sós. Quando a Europa puxa o autoclismo, a independência e a soberania de Portugal vão pelo cano abaixo.» &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Lembrei-me do texto d’ «&lt;em&gt;O Barbeiro de Sevilha&lt;/em&gt;» para aconselhar alegremente a todos os que atravessam crises económicas, como o Fígaro atravessou, a tornarem-se barbeiros como ele, mesmo nas nossas terras portuguesas, para colherem alguns proventos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas como as navalhas de barba já não são tão necessárias hoje, ultrapassadas pelas giletes de uso individual, adopto, todavia, idêntica filosofia do Fígaro, que é talvez, a filosofia da nobre Alemanha, mandando-nos a todos, antes, cavar batatas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-3960888015804989906?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/3960888015804989906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=3960888015804989906&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/3960888015804989906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/3960888015804989906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/11/uma-pagina-de-o-barbeiro-de-sevilha.html' title='Uma página de “O Barbeiro de Sevilha”'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-2568100454743849795</id><published>2011-10-31T18:52:00.002Z</published><updated>2011-10-31T18:56:59.376Z</updated><title type='text'>A “Competividade” do Ministro da Economia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ouvi há pouco Álvaro dos Santos Pereira a explicar o seu plano de austeridade com a rapidez e a seriedade necessárias para se não entender nada, pelo menos as pessoas leigas ou pouco habituadas às maroscas das explicações rápidas dos inteligentes eruditos para os mais habituados à erudição. E às maroscas.&lt;br /&gt;Despachou-se o ministro, deixando no ar a última pergunta do jornalista, como é hábito já ancestral entre os nossos governantes que, com esse desprezo, demonstram a distanciação do seu posicionamento governativo relativamente às bases, que simpaticamente atendiam durante as eleições. Mas frisou por várias vezes a “competividade” do meu repúdio linguístico, que o jornalista repudiou também, ao resumir o discurso do sr. Ministro, usando correctamente a palavra “competitividade”, como resultante do adjectivo “competitivo” e não “competivo”. Sem haplologia, que é uma palavra também erudita, mas de um nível que já a ninguém interessa, nem a nenhum Governo, que todos eles concordam com as síncopes do novo acordo ortográfico.&lt;br /&gt;O sr. Ministro usou competividade com haplologia, suprimindo a sílaba repetida, como já se fez outrora em bon(da)doso, ido(lo)latria, habili(da)doso, o Sr. Ministro que me desculpe a lição que ele não vai ler, que tem mais que cortar, e por isso lição inútil mesmo para muitos outros, deputados, ministros, etc, que não há meio de corrigirem a sua desprezada língua, nem mesmo por “acordos” com os povos de expressão lusófona que talvez usem correctamente a pronúncia da palavra plural, mantendo o o tónico fechado, sabedores do processo de metafonia justificativo de outros oo abertos, como em ovos, jogos, fogos, povos, o que não acontece em piolhos. Nem em acordos, maçadoramente o repito, que já o disse mesmo antes da assinatura do acordo ortográfico, omisso nestes casos, não exceptuando os acordos fechados das suas novas regras, mais fincadas nos cc ou pp não pronunciáveis e por isso suprimíveis, na nossa euforia modernística adepta dos cortes. Mesmo nas pobrezinhas das “amídalas” sofredoras.&lt;br /&gt;Mas hoje enviaram-me mais um e-mail sobre o corte do subsídio de Natal que, segundo o texto, é apenas uma extorsão, pois há muito representava apenas uma reposição do que pertencia a cada trabalhador, se recebesse à semana, como os ingleses. Diz o e-mail:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;«Os trabalhadores ingleses recebem os salários semanalmente! Mas há sempre uma razão para as coisas e os trabalhadores ingleses, membros de uma sociedade MAIS crítica do que a nossa, não fazem nada por acaso! &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;… "Fala-se agora que o governo pode vir a não pagar aos funcionários públicos o 13º mês ou subsídio de natal. Se o fizerem, é uma roubalheira sobre outra roubalheira.&lt;br /&gt;O 13º mês é uma das mais escandalosas de todas as mentiras dos donos do poder, quer se intitulem "capitalistas" ou "socialistas", e é justamente aquela em que os trabalhadores mais acreditam. Eis aqui uma modesta demonstração aritmética de como foi fácil enganar os trabalhadores.&lt;br /&gt;Suponhamos que você ganha €700,00 por mês. Multiplicando-se esse salário por 12 meses, você recebe um total de €8.400,00 por um ano de doze meses. €700,00 X 12 = € 8.400,00&lt;br /&gt;Em Dezembro, o generoso governo manda então pagar-lhe o conhecido 13º Mês: € 8.400,00 (Salário anual) + €700,00 (13º salário) = € 9.100,00 (Salário anual + o 13ºMês).»&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Na realidade, o ano não tem 48 semanas exactas mas 52 semanas, diferença de quatro semanas que perfaz um mês, o tal 13º que nos é dado como generoso subsídio e não representa senão a reposição do que nos é tirado durante o ano.&lt;br /&gt;E agora vai ser extorquido a favor da “competividade” das nossas empresas.&lt;br /&gt;Mas não é assim que se remodelam as empresas, Sr. Ministro! Destruindo a língua da pátria onde as empresas desejam competir.&lt;br /&gt;A língua é fundamental, numa sociedade que se preze.&lt;br /&gt;Só que me parece que o desprezo governativo pela língua é paralelo ao desprezo governativo pela sociedade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-2568100454743849795?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/2568100454743849795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=2568100454743849795&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/2568100454743849795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/2568100454743849795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/10/competividade-do-ministro-da-economia.html' title='A “Competividade” do Ministro da Economia'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-6326846064351034980</id><published>2011-10-29T19:40:00.000+01:00</published><updated>2011-10-29T19:42:47.716+01:00</updated><title type='text'>No primeiro aninho do Sebastião</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Mandou-me o meu filho Ricardo um e-mail com imagens de uma Lourenço Marques airosa, de um antigamente que deixou saudades, ao som da canção de Tudela &lt;em&gt;“Adeus, cidade, é tanta a mágoa que eu tenho, que já em mim não contenho a chama desta saudade…”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Era uma bela cidade, a cidade onde nasci, onde nasceram três dos meus filhos, - o João, o Artur, o Luís - os dois mais velhos – o Ricardo e a Paula - nascidos cá, mas enraizados lá, na liberdade de um viver de harmonia, não traído ainda pelo pesadelo de vícios e violências que a destruição da ordem viria executar.&lt;br /&gt;Uma cidade bonita, esquadriada, esta que tanta saudade deixou no Ricardo, cidade que os portugueses construíram, juntamente com as outras terras desse Moçambique, dessas outras terras dos descobrimentos antigos, que portugueses modernos desaproveitaram e dispensaram sem cerimónia.&lt;br /&gt;Tudela descreve-a em várias outras bonitas canções, como no refrão desta: &lt;em&gt;“Lourenço Marques, minha flor, meu derriço, o teu nome não sei que faz, só sei que traz feitiço.” “Lourenço Marques, meu amor, meu enlevo, boa sorte a que tu me dás, é a que traz o trevo”. “Lourenço Marques, quem te deixa, cidade, que veneno não sei que dá, só sei que traz saudade”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Trata-se de poesia, é certo. A verdade é que Tudela preferiu sempre o continente, mau grado as lindas canções do seu repertório referentes a Moçambique, e que a Internet acompanha com imagens bonitas desse agora país livre.&lt;br /&gt;Mas recebi um outro e-mail de João Sena, com imagens mais sombrias de uma terra por nós abandonada, com o seguinte comentário: &lt;em&gt;“Recordando Moçambique - É triste a degradação daquilo que foi um Paraíso !!!”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Também João Sena sente saudade, como outros muitos portugueses que por lá viveram. Uma vida intensa de trabalho, seja em que sítio for, não permite recuos no tempo embrenhados em sentimentos de perda. Em mim, a saudade foi substituída pela rejeição do que considerei vileza inenarrável, pela inadaptação ao brutal radicalismo de uma afronta à pátria que me habituei a amar.&lt;br /&gt;Os meus filhos Artur e Luís eram meninos de quatro e dois anos, em 74, não sentem apego à terra natal, embora a lisura de princípios os leve a considerar talvez, que não valia a pena tanto desmando traiçoeiro.&lt;br /&gt;Na escola já não estudaram a história da exaltação e glória dos antepassados.&lt;br /&gt;O meu netinho mais novo – Sebastião, que passa hoje o seu primeiro aninho – menos ainda sentirá curiosidade pela terra do seu papá, que também só a recorda por tradição.&lt;br /&gt;Mas num contexto de globalização e sobretudo num de destruição pátria como esta que atravessamos, não será de admirar que uma nova História pátria apresente os surtos de emigração, de fuga, em busca de lugares que os bisavós povoaram.&lt;br /&gt;Não é, para mim, uma visão radiosa. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-6326846064351034980?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/6326846064351034980/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=6326846064351034980&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/6326846064351034980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/6326846064351034980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/10/no-primeiro-aninho-do-sebastiao.html' title='No primeiro aninho do Sebastião'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-7493360429422991981</id><published>2011-10-27T11:59:00.001+01:00</published><updated>2011-10-27T12:03:44.475+01:00</updated><title type='text'>Faz parte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;«"NINGUÉM ESTÁ IMUNE AOS SACRIFÍCIOS», disse ele. SE ASSIM NÃO FOSSE, COMO SERIA O SÉQUITO ESCOLHIDO!!!!! “ (notícia do Público de 23/09/11) O Cavaco na sua visita discreta aos Açores de 5 dias levou 30 acompanhantes, entre os quais:&lt;br /&gt;- sua esposa&lt;br /&gt;- o chefe da casa civil e sua esposa&lt;br /&gt;- 4 assessores&lt;br /&gt;- 2 consultores&lt;br /&gt;- 1 médico pessoal&lt;br /&gt;- 1 enfermeira&lt;br /&gt;- 2 bagageiros???&lt;br /&gt;- 2 fotógrafos oficiais&lt;br /&gt;- 1 mordomo&lt;br /&gt;- 12 agentes de segurança e à chegada disse "Ninguém está imune aos sacrifícios". Convém lembrar que quando o príncipe Carlos e a sua mulher Camila visitaram oficialmente Portugal, chovia e seguravam nos seus próprios guarda-chuvas. O nosso Presidente e mulher - na mesma ocasião tinham alguém que lhes segurava o guarda-chuva...&lt;br /&gt;(Esta lista foi dada aos jornalistas, não pensem que isto é gozo!)»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Nós já tínhamos comentado, quando vimos Cavaco acompanhado pela sua camarilha, numa das ilhas – talvez das Flores - sem povo a aplaudir, ou sequer só a assistir, em passeio que nos pareceu humilhante, pelo menos a mim que me prezo de sentimentos de compaixão, inexistentes na minha amiga quando se trata do nosso Presidente, plácido e flácido joguete dos seus oportunismos assaloiados.&lt;br /&gt;Mas também pusemos na mesa – do nosso café - a hipótese de ele, como está escamado com o César dos Açores, desejar aparecer-lhe assim, com a sua camarilha, para impressionar e mostrar que ele ainda manda ali, rivalidades que quadram muito bem à nossa musculatura de fragilidades.&lt;br /&gt;Mas o texto acima chegou-me por e-mail e eu vejo aí toda a extensão dessa nossa firmeza de propósitos, damazozinhos que a ninguém admitem desconsiderações e o demonstram soberbamente, como no caso presente, de palanque, para ofuscar.&lt;br /&gt;Carlos e a esposa não se coíbem de segurar no guarda-chuva? É que a democracia deles já estava delineada na Magna Carta. A nossa cartilha está na infância, tem atrás de si séculos de distinções sociais. Não íamos mudar do pé para a mão. A César – não o dos Açores – o que é de César. A chuva de César… outros que a aparem. De preferência com reverência. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-7493360429422991981?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/7493360429422991981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=7493360429422991981&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/7493360429422991981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/7493360429422991981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/10/faz-parte.html' title='Faz parte'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-6882299945454647652</id><published>2011-10-25T20:55:00.003+01:00</published><updated>2011-10-25T21:55:42.552+01:00</updated><title type='text'>Perseguições</title><content type='html'>&lt;em&gt;«&lt;strong&gt;O Atum e o Golfinho&lt;/strong&gt;»&lt;br /&gt;«Um Atum que um Golfinho perseguia&lt;br /&gt;As ondas do mar fendia&lt;br /&gt;Em grande alarido;&lt;br /&gt;Prestes a ser apanhado,&lt;br /&gt;Viu-se caído&lt;br /&gt;Na orla da praia&lt;br /&gt;Por causa da maré cheia&lt;br /&gt;Que o empurrou para a areia.&lt;br /&gt;Ora o Golfinho&lt;br /&gt;Que um forte impulso de avidez impelia&lt;br /&gt;Sobre aquele,&lt;br /&gt;Veio esparramar-se junto dele.&lt;br /&gt;Voltou-se o Atum,&lt;br /&gt;E vendo-o a agonizar&lt;br /&gt;Exclamou com prazer&lt;br /&gt;Sem rebuço algum:&lt;br /&gt;“Já não sinto tão amarga a minha sorte&lt;br /&gt;Quando vejo perecer&lt;br /&gt;Aquele que causou a minha morte!”&lt;br /&gt;A fábula mostra que os males&lt;br /&gt;Se suportam com menos celeuma&lt;br /&gt;Quando são partilhados por aqueles&lt;br /&gt;Que os provocaram na calma.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Por aqui se vê que o Esopo&lt;br /&gt;É muito anterior a Jesus Cristo&lt;br /&gt;Que sempre advogou a bondade&lt;br /&gt;Mandando apresentar a outra face&lt;br /&gt;Quando uma estalada era dada&lt;br /&gt;Com muita maldade&lt;br /&gt;Na face&lt;br /&gt;De qualquer incauto&lt;br /&gt;Que inesperadamente&lt;br /&gt;A recebesse&lt;br /&gt;Com surpresa indignada,&lt;br /&gt;Mas retraidamente&lt;br /&gt;Porque cristãmente.&lt;br /&gt;Por isso nós não nos rimos,&lt;br /&gt;Quando de dores morremos,&lt;br /&gt;Se ficarmos certos&lt;br /&gt;Que os que de dor nos matam&lt;br /&gt;Connosco de dor são mortos&lt;br /&gt;Em idênticos apertos.&lt;br /&gt;Os do Médio Oriente&lt;br /&gt;Andam à pedrada.&lt;br /&gt;Nós à estalada,&lt;br /&gt;Tão só porque estendemos&lt;br /&gt;A face à bofetada&lt;br /&gt;Muito cristãmente,&lt;br /&gt;Fora da entifada.&lt;br /&gt;Também não imitamos&lt;br /&gt;O risonho Atum,&lt;br /&gt;Sem respeito nenhum&lt;br /&gt;Pelo pobrezinho&lt;br /&gt;Do Golfinho&lt;br /&gt;Que a avidez perdeu&lt;br /&gt;E assim morreu,&lt;br /&gt;Como aliás também&lt;br /&gt;O Atum morreria.&lt;br /&gt;Mas é o destino de cada um,&lt;br /&gt;A morte sombria.&lt;br /&gt;Só não se deve nunca&lt;br /&gt;Pôr a Pátria em risco&lt;br /&gt;Por razões de fisco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-6882299945454647652?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/6882299945454647652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=6882299945454647652&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/6882299945454647652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/6882299945454647652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/10/perseguicoes.html' title='Perseguições'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-3123153124354088381</id><published>2011-10-24T23:52:00.000+01:00</published><updated>2011-10-24T23:55:58.043+01:00</updated><title type='text'>Alternativa zero</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O texto de Octávio Teixeira “Brutalidade, Irresponsabilidade e falácias”, saído na revista Visão de20/26 de Outubro pondo em causa toda a acção governativa, apela para a luta, como fazem os chefes sindicais, os chefes dos partidos mais virados à esquerda, que, aliás, desde há muito que o fazem, chamando não ao trabalho mas à destruição do país pela inércia, pela vozearia, pela greve, pelo aumento salarial e o boicote às forças do poder, que, aparentemente, pretendem levar a bom termo a solução para a crise monstruosa em que nos afundamos há 37 anos, por má cabeça de todos, que nos lançámos vorazmente sobre um osso alheio, maná no nosso deserto de mediocridade, inépcia, incompetência, ambição, vaidade, orgia, insensatez, ignorância, desonestidade, bestialidade.&lt;br /&gt;E não saímos desta roda-viva, os governantes com maus governos, os governados repudiando-os na desordem e na rebeldia, ninguém se esforçando por progredir, no tempo das vacas gordas comprando, gastando os bens imóveis e os móveis, mais do que aplicando os dinheiros distribuídos segundo uma orientação de previdência e de prudência, antes curtindo o dia horaciano segundo o lema “viaje agora e pague depois”.&lt;br /&gt;Chegámos ao tempo das vacas magras, e o actual governo quer sair bem na foto, pagando a dívida, acima de tudo pagando a dívida, centrado preferencialmente naqueles que não podem recusar a participação no pagamento. Os grandes responsáveis por ela mal são chamados a terreiro, protegidos pelas leis de uma Constituição há muito feita sob ideais de defesa de direitos próprios, mais do que sobre imposição de deveres segundo um ideal pátrio que mais nenhuma nação se lembraria de desprezar, como nós há muito fazemos, salvo por alturas dos jogos futebolísticos ou outros, internacionais, em que defendemos galhardamente, as mais das vezes grotescamente, as nossas cores.&lt;br /&gt;O bispo Januário condena as medidas drásticas, tal como o faz Cavaco Silva, seguindo os acicatadores da desordem, sem respeito por uma orientação governativa assente, é certo, sobre um critério de força desumana, mas com um Primeiro-Ministro crente que é esse o caminho a seguir, lembrando outros países como Finlândia e Suécia que venceram idênticas fragilidades económicas.&lt;br /&gt;Estranham-se, contudo, as referências de Passos Coelho a esses países de exemplo, porque não nos parece que tenhamos qualquer possibilidade de paralelismo com outros povos, pois desde sempre carentes de massa humana intelectualmente apta e responsável para que, paga que seja a dívida, nos lancemos sobre revolução económica salvadora, assente numa política de trabalho que leve à exportação e elimine a importação. Dos limões, dos alhos, das nossas comodidades gastronómicas e de prazer.&lt;br /&gt;As nossas revoluções são de folclore, ruidosas e com flores. E essas, que já destruíram, vão continuar a destruir, desresponsabilizando todos, a lisura para sempre arredada das contas e do respeito humano. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-3123153124354088381?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/3123153124354088381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=3123153124354088381&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/3123153124354088381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/3123153124354088381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/10/alternativa-zero.html' title='Alternativa zero'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-1194368616583908646</id><published>2011-10-20T20:45:00.000+01:00</published><updated>2011-10-20T20:47:02.710+01:00</updated><title type='text'>Um conto premiado da minha neta Ana</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Menina vivaça foi sempre a Ana, que sobressaiu como estudante, e foi conduzindo a sua vida sem aparente dificuldade, com uma alegria sadia, que não excluiu nunca uma sensibilidade atenta ao mundo da injustiça ou do risível. Como todos os estudantes favorecidos nos estudos universitários, ganhou o complemento dos seus estudos em Paris, com o estágio que a catapultou, via Internet, para o primeiro emprego cá, que alcançou mediante resposta efectuada em Paris, a anúncio, por via telefónica, perante o sentir deslumbrado de uma avó educada na desconfiança das modernidades. A ambição não se esgotou aí, foi concorrendo a outros empregos de acordo com o sentimento de mérito que a sua consciência apontava e no novo emprego já lhe foi reconhecido esse mérito que a favoreceu com uma visita de trabalho a Angola.&lt;br /&gt;E a Ana vai prosseguindo, na sua senda de interesse pelo mundo dos outros e o seu próprio, criando blogues de grande originalidade, onde esse mundo não escapa ao seu olhar arguto, simpaticamente comentados pelos seus muitos amigos que sinceramente a admiram. Na alegria da sua escrita maliciosa, discretamente atrevida, observadora e artista. Muitas vezes complementada por fotografia a condizer.&lt;br /&gt;Os blogues pararam, nos excessos do trabalho que hoje em dia mal poupa os trabalhadores. Mas na Internet encontrou um concurso literário, com oferta de edição dos contos premiados.&lt;br /&gt;E a Ana concorreu e esperou. Acreditámos nela e na originalidade do seu conto. “&lt;strong&gt;O Engraxador de Sapatos&lt;/strong&gt;”, uma história colhida na sua observação, retocada com a graça da sua expressão, simultaneamente leve e profunda, e largamente assente na observação do real, em que perpassa toda uma sensibilidade pela “dor humana”, a que não são alheios certos laivos do grotesco de situações descritas de miséria e destruição dos sonhos próprios da condição humana, sujeita aos desvios da Fortuna. Uma prosa concisa e poética, no retomar constante dos seus elementos, em circularidade e progressão, para um clímax de efeito dramático.&lt;br /&gt;26 anos, uma vida de bela expectativa literária.&lt;br /&gt;Parabéns, Ana, pelo teu prémio. O lançamento do livro de Contos será no próximo sábado, 22 de Outubro, na &lt;em&gt;Biblioteca Municipal de São Lázaro, Rua do Saco, 1. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-1194368616583908646?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/1194368616583908646/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=1194368616583908646&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/1194368616583908646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/1194368616583908646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/10/um-conto-premiado-da-minha-neta-ana.html' title='Um conto premiado da minha neta Ana'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-8803898425024874618</id><published>2011-10-17T18:34:00.001+01:00</published><updated>2011-10-17T18:38:53.372+01:00</updated><title type='text'>Visões</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Leio um texto de &lt;em&gt;Opinião&lt;/em&gt; na &lt;strong&gt;Visão&lt;/strong&gt; de 13/19 de Outubro, uma &lt;strong&gt;Crónica&lt;/strong&gt; de &lt;em&gt;José Luís Peixoto&lt;/em&gt;, cuja fotografia indica alguém relativamente jovem. De bons sentimentos, o que me dá esperança em nós. De elegância de pensamento, o que me causa prazer, coisa que a prosa de &lt;em&gt;Lobo Antunes&lt;/em&gt;, rebuscadamente piegas, como a que leio em “&lt;strong&gt;Amorzade&lt;/strong&gt;” no mesmo sítio, na mesma revista de 21/27 de Julho, não conseguiu fazer. Lobo Antunes vê-se que estrebucha de gozo íntimo, ao penetrar-se de referências vaidosas ou de circunstâncias vividas com chiste, de quem tudo põe superiormente em causa, em que a timidez é só aparente, tal como a que demonstra nas entrevistas, massajando o lóbulo da sua orelha, o dorso contorcido de recusa a dar-se, mais hábil a construir-se pelas vozes ou gestos da gente grada com que se realça na crónica.&lt;br /&gt;Chama-se “&lt;strong&gt;Os professores&lt;/strong&gt;” a crónica de &lt;em&gt;José Luís Peixoto&lt;/em&gt;, cujo primeiro parágrafo não resisto a transcrever na íntegra, tão amplo de conteúdo humano e de elegância expressiva, apesar da aparente linearidade frásica, sem torções inchadas de patusco egocentrismo, mas fortalecida por um pensamento honesto e lúcido, que se não põe de parte no enquadramento das vaidades humanas que vão crescendo com a idade, ou, pelo contrário, diminuindo, na abertura para a racionalidade e a informação:&lt;br /&gt;«&lt;em&gt;O mundo não nasceu connosco. Essa ligeira ilusão é mais um sinal da imperfeição que nos cobre os sentidos. Chegámos num dia que não recordamos, mas que celebramos anualmente; depois, pouco a pouco, a neblina foi-se desfazendo nos objectos até que, por fim, conseguimos reconhecer-nos ao espelho. Nessa idade, não sabíamos o suficiente para percebermos que não sabíamos nada. Foi então que chegaram os professores. Traziam todo o conhecimento do mundo que nos antecedeu. Lançaram-se na tarefa de nos actualizar com o presente da nossa espécie e da nossa civilização. Essa tarefa, sabemo-lo hoje, é infinita.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;E o texto segue, em frases lapidares de precisão e delicadeza:&lt;br /&gt;… &lt;em&gt;«Os professores não vendem o material que trabalham, oferecem-no. Nós, com o tempo, com os anos, com a distância entre nós e nós, somos levados a acreditar que aquilo que os professores nos deram nos pertenceu desde sempre. … O trabalho dos professores é a generosidade.»&lt;br /&gt;«Basta um esforço mínimo de memória, basta um plim pequenino de gratidão para nos apercebermos do quanto devemos aos professores. Devemos muito daquilo que somos, devemos-lhes muito de tudo. Há algo de definitivamente definitivo e eterno nessa missão, nesse verbo que é transmitido de geração em geração, ensinado.»&lt;br /&gt;…«Um ataque contra os professores é sempre um ataque contra nós próprios, contra o nosso futuro. Resistindo, os professores, pela sua prática, são os guardiões da esperança. ….»&lt;br /&gt;…«Envergonhem-se aqueles que dizem ter perdido a esperança. Envergonhem-se aqueles que dizem que não vale a pena lutar……&lt;br /&gt;«Recusar a educação é recusar o desenvolvimento. ….»&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Um texto a guardar, na sua íntegra, proveniente de alguém educado num espírito de compreensão e generosidade, contrastando com uma natureza de mesquinhez, mediocridade e rancor, que tanto aflige uma população impreparada, que o Governo anterior açulou poderosamente contra a dita classe.&lt;br /&gt;Um texto honesto que nos dá esperança ainda, apesar dos literatos de falsa modéstia, e de banal egocentrismo, apesar dos Antónios Barretos que se pretendem sociólogos e visionários pessimistas sobre a continuidade de uma nação que tão clamorosamente um desses Barretos ajudou a destruir.&lt;br /&gt;Enjoados destes, voltemo-nos, com fé, sobre os jovens construtivos, como &lt;strong&gt;&lt;em&gt;José Luís Peixoto&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, obreiros da nação futura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-8803898425024874618?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/8803898425024874618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=8803898425024874618&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/8803898425024874618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/8803898425024874618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/10/visoes.html' title='Visões'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-6821676685645175930</id><published>2011-10-14T17:53:00.001+01:00</published><updated>2011-10-15T08:07:27.158+01:00</updated><title type='text'>Não faltava mais nada! Porquê eu?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Conversávamos sobre o Isaltino:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Só falta o Isaltino ficar cá fora e a Juíza presa!&lt;/em&gt; – exclamou a minha amiga, lembrando a figura impavidamente risonha do Isaltino para o jornalista maçadoramente questionador, no exercício, aliás, do seu ofício, o que lhe deve render alguns sapos humilhantes para engolir, dado o desprezo altivo dos questionados importantes.&lt;br /&gt;E continuou:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- A lata do gajo é de tal ordem! É como se estes tipos não fossem ladrões! Dizem aquelas frases muito bem estudadas de estarem na maior porque intimamente pensam: “Porque é que hei-de ir eu?”. E chega-se à conclusão de que a Justiça está preparada para que os crimes prescrevam, toda ela feita ao pormenor para a prescrição. E tem conseguido que isso suceda! Isto é um escândalo dum país sem leis.&lt;br /&gt;- Parece um crime de lesa Justiça essa tal regra do boicote ao crime por ela imposta. Devia-se pensar em criar uma legislação condenatória da Justiça, quando ela falha nas suas obrigações de julgar, retardando as decisões, desprezando o zeloso provérbio “Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”, mais afeita a este outro da nossa mândria: “Não é por muito madrugar que amanhece mais cedo”, deixando acumular e retardar os processos da nossa conflituosidade. Ou até, quando a Justiça cumpre e incrimina, mas a legislação tem cláusulas que permitem a descriminação “sine die”. É necessário condenar a legislação.&lt;br /&gt;- E assim se vai estabelecendo a tessitura da nossa corrupta textura social, com a aderência dos Paços para que Justiça cega não haja.&lt;br /&gt;- Resta a balança, indispensável por cá. A balança dos Isaltinos.&lt;br /&gt;- Dos Sócrates, dos Jardins, dos… &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-6821676685645175930?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/6821676685645175930/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=6821676685645175930&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/6821676685645175930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/6821676685645175930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/10/nao-faltava-mais-nada-porque-eu.html' title='Não faltava mais nada! Porquê eu?'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-8248247047553769631</id><published>2011-10-14T01:06:00.001+01:00</published><updated>2011-10-14T02:32:25.856+01:00</updated><title type='text'>Il y en a partout</title><content type='html'>Tenho andado a ler Du Bellay&lt;br /&gt;E outros poetas franceses do Renascimento,&lt;br /&gt;Relembrando estudos feitos outrora&lt;br /&gt;Que hoje foram varridos da escola&lt;br /&gt;Do nosso país sem alma nem alento&lt;br /&gt;Agora.&lt;br /&gt;Como Du Bellay chorou amargamente,&lt;br /&gt;Exilado em Roma, a sua pátria distante,&lt;br /&gt;A sua “&lt;em&gt;França, mãe das artes, das armas e das leis&lt;/em&gt;”&lt;br /&gt;Também eu sinto a dor da nossa amorfa escola,&lt;br /&gt;Que tudo mistura, numa confusão,&lt;br /&gt;E abandonou, com ingratidão,&lt;br /&gt;A língua do país das Luzes&lt;br /&gt;A que nós fazemos cruzes,&lt;br /&gt;Renegando a orientação&lt;br /&gt;Que poderíamos colher dos seus maiores,&lt;br /&gt;Autores que o mundo inteiro ilustraram&lt;br /&gt;Com o espírito das obras que escreveram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre tantos dos seus sonetos e outras obras&lt;br /&gt;Fez Du Bellay um, sobre o retrato dos cortesãos,&lt;br /&gt;Que nós não temos por não termos rei nem corte,&lt;br /&gt;Mas que cabe perfeitamente&lt;br /&gt;Em qualquer lugar onde haja um que mande&lt;br /&gt;Com governados a lutar pela sua sorte,&lt;br /&gt;Bajulando, rindo, denunciando,&lt;br /&gt;Com uma lata enorme&lt;br /&gt;Com astúcia grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O soneto de Du Bellay foi desmontado&lt;br /&gt;Em prosa por vezes rimada,&lt;br /&gt;Que pretendeu traduzir, naturalmente,&lt;br /&gt;A ideia nele assinalada,&lt;br /&gt;Mais do que o estilo inefável,&lt;br /&gt;Por falta de engenho, claramente,&lt;br /&gt;Para, devidamente, traduzir o intraduzível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Soneto de Du Bellay&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Os velhos “Macacos de Corte”»,&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Transposto, com desgosto,&lt;br /&gt;Para estrofes de vária sorte&lt;br /&gt;E não com as quadras e os tercetos&lt;br /&gt;Que estruturam os sonetos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Senhor, eu não poderia com bons olhos olhar&lt;br /&gt;Esses velhos “Macacos de Corte”&lt;br /&gt;Que nada sabem fazer a não ser&lt;br /&gt;O rasto dos Príncipes seguir&lt;br /&gt;De igual sorte,&lt;br /&gt;E pomposamente como eles trajar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se o seu Amo troça de alguém&lt;br /&gt;Eles o mesmo farão, porém,&lt;br /&gt;Se ele está a mentir, não serão eles quem&lt;br /&gt;0 vai contrariar.&lt;br /&gt;Muito pelo contrário, vão dizer,&lt;br /&gt;Com euforia,&lt;br /&gt;A fim de o comprazer,&lt;br /&gt;Terem visto, sem constrangimento,&lt;br /&gt;A lua, em pleno dia,&lt;br /&gt;Ou à meia-noite, o Sol bento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se alguém, diante deles, do Rei recebe&lt;br /&gt;Um franco olhar,&lt;br /&gt;Logo o vão elogiar,&lt;br /&gt;E mesmo acarinhar,&lt;br /&gt;Mau grado a raiva da sua inveja;&lt;br /&gt;Se o olhar real contra esse for&lt;br /&gt;Duro que nem penedo,&lt;br /&gt;Apontam-no a dedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que mais contra eles me enfastia&lt;br /&gt;É quando, diante do Rei, sem mais nem quê,&lt;br /&gt;Com um rosto de pura hipocrisia&lt;br /&gt;Eles desatam a rir sem saberem porquê.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;A coisa passa-se aqui da mesma forma,&lt;br /&gt;Em qualquer lugar&lt;br /&gt;Em que o patrão é rei e o trabalhador lacaio.&lt;br /&gt;Não é só norma&lt;br /&gt;Em Belém ou no S. Bento do Parlamento.&lt;br /&gt;Insinuar-se, eis o &lt;em&gt;savoir faire&lt;/em&gt; indispensável&lt;br /&gt;Para se poder singrar.&lt;br /&gt;E isso implica não só os gestos que Du Bellay focou&lt;br /&gt;No retrato do seu cortesão,&lt;br /&gt;Mas outros muitos, ou mesmo só mais um,&lt;br /&gt;Que a experiência de cada um&lt;br /&gt;Foi aprendendo a reconhecer&lt;br /&gt;Naquele que os aplicou,&lt;br /&gt;Todos eles reduzidos a insegurança,&lt;br /&gt;Mesquinhez e subserviência.&lt;br /&gt;Não há paciência!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-8248247047553769631?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/8248247047553769631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=8248247047553769631&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/8248247047553769631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/8248247047553769631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/10/il-y-en-partout.html' title='Il y en a partout'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-6924162583489214276</id><published>2011-10-12T03:40:00.003+01:00</published><updated>2011-10-12T07:19:29.173+01:00</updated><title type='text'>Lavoisier estava errado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um e-mail que me foi enviado com excertos de Eça fez-me adoptar alguns passos, no mesmo espanto maravilhado que levou o autor dele a transcrevê-los da obra queirosiana, ao verificar a imutabilidade de situações entre a época dele e a nossa época.&lt;br /&gt;De resto, toda a obra de Eça nos leva a idênticas constatações de análise inteligente das idiossincrasias do seu povo, integrado numa época de análise pretensamente realista e naturalista que outros comparsas das letras fizeram dos seus próprios povos ou da realidade humana, Zola, Flaubert, Wilde, com Molière e La Fontaine e outros muitos servindo de pioneiros, o próprio Du Bellay do século XVI, perito na arte de descrever o cortesão da sua época, que revemos no de hoje, também muito nosso, como retrato a que os humanistas naturalmente conferiram dimensão e universalidade.&lt;br /&gt;Não, afinal, a teoria de conservação das massas segundo o químico Lavoisier não é cem por cento exacta. Nada se perde, certo, nada se cria, também. Tudo se transforma?&lt;br /&gt;E aqui vamos nós, imutáveis nos nossos genes, o que deve ter a ver antes com o sol libertador. Desresponsabilizador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;«José Maria de Eça de Queirós »&lt;br /&gt;Povoa de Varzim - 25 de Novembro de 1845 Paris - 16 de Agosto de 1900&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"!!! … 139 anos depois … !!! "&lt;br /&gt;"1872 Portugal e a Grécia 2011"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nós estamos num estado comparável apenas à Grécia: a mesma pobreza, a mesma indignidade política, a mesma trapalhada económica, a mesmo baixeza de carácter, a mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se em paralelo, a Grécia e Portugal" (in As Farpas) 1972 "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Portugal e a crise"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ … somos um povo sem poderes iniciadores, bons para ser tutelados …"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Diz-se geralmente que, em Portugal, o público tem ideia de que o Governo deve fazer tudo, pensar em tudo, iniciar tudo: tira-se daqui a conclusão que somos um povo sem poderes iniciadores, bons para ser tutelados, indignos de uma larga liberdade, e inaptos para a independência. A nossa pobreza relativa é atribuída a este hábito político e social de depender para tudo do Governo, e de volver constantemente as mãos e os olhos para ele como para uma Providência sempre presente.”&lt;br /&gt;In “Citações e Pensamentos” de Eça de Queirós».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ordinariamente todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os regimes políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e por corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?”&lt;br /&gt;(Eça de Queiroz, 1867 in “Distrito de Évora”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Assim é. “&lt;em&gt;Política de acaso, política de compadrio, política de expediente.”&lt;/em&gt; E tudo o mais que Eça disse e se mantém.&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Conservar a sua independência&lt;/em&gt;”? Já vimos quanto é falaz essa ilusão. Outros comparsas na governação vão tentando manter o país à tona. Mas o mundo inteiro descrê disso.&lt;br /&gt;E a juventude que boicota as aulas não nos deixa margem para crer numa evolução positiva.&lt;br /&gt;Os ideais democráticos são avessos ao rigor, fixados que foram nas artimanhas da sensibilidade. Mas também da argúcia. Egocêntrica. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-6924162583489214276?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/6924162583489214276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=6924162583489214276&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/6924162583489214276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/6924162583489214276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/10/lavoisier-estava-errado.html' title='Lavoisier estava errado'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-5161812381877888853</id><published>2011-10-10T19:22:00.000+01:00</published><updated>2011-10-10T19:26:37.077+01:00</updated><title type='text'>O mundo não tem tempo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Contei à minha amiga sobre o programa que vi dos horrores em Mogadíscio, de gente fugindo, deslocando-se, as mães com os filhos débeis no colo, no terror de uma guerra sem fim e sem solução, guerra de tribos e ambições do poder, numa desordem de ódios animalesca, que o mundo dos racionais deixa praticar, cada um entregue às suas próprias desordens materiais e morais.&lt;br /&gt;A minha amiga acrescentou:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Realmente é verdade. O mundo não tem tempo. A gente sabe que existe e parece inventado. E quando aqueles desgraçados se metem no barco, para matar a fome e morrem no Mar! Eu acho isso das coisas mais duras da vida. Simplesmente, o barqueiro leva gente demais. A não ser que o Deus deles pense e lhes diga: “Vocês estão melhor mortos do que vivos.” E a gente queixa-se dos nossos males! E eles atravessam o mar não para matar ninguém, é para matar a fome. A crueldade disso! Aquilo é gente!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Retornámos aos tempos da África em que o Continente era mais sóbrio nos horrores, progredindo sob o domínio do branco, que o educara e respeitara mais do que vemos hoje, com tiranos por governantes dos da sua raça, de ambição desmedida e ultrajante, o que ninguém quer comentar, para não reconhecer a falácia das doutrinas socialistas, que ao reconhecerem hipocritamente os direitos dos povos aos seus territórios, pretendem ignorar que quase todos os territórios ao longo da História foram obtidos por efeitos de invasões e usurpações, geralmente de efeitos positivos, no desenvolvimento cultural e material dos povos.&lt;br /&gt;Mas o mundo ocidental quer mostrar a sua cultura ocidental, feita de complacência – unilateral, quando se trata de demonstrar bons sentimentos para com os pseudo oprimidos – agressiva quando entende dever defender produtos úteis à sua estabilidade económica. Na realidade, indiferente aos graves problemas do terrorismo, africano ou asiático, este feito também de extremismos religiosos condenatórios de uma condição humana que se preze, sem uma lei que proteja os condenados da ira popular ou outra, caso da mulher do Paquistão de culto cristão, condenada à morte pelo povo de culto islâmico, ou tantas outras condenações à morte devidas aos fundamentalismos extremistas dos povos bárbaros do mundo.&lt;br /&gt;E a minha amiga conclui, numa suavidade de ironia esmorecida:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- É. O ser humano tem a receita. O que é que falta na receita?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-5161812381877888853?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/5161812381877888853/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=5161812381877888853&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/5161812381877888853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/5161812381877888853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/10/o-mundo-nao-tem-tempo.html' title='O mundo não tem tempo'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-4170938732986020140</id><published>2011-10-06T17:59:00.004+01:00</published><updated>2011-10-06T18:09:20.989+01:00</updated><title type='text'>Não levou a mal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- &lt;em&gt;Eu acho que ele devia ter sido demitido, desde que tratou o Cavaco por “Sr. Silva”. Mas afinal o Sr. Silva não levou a mal.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Era sobre a extraordinária má educação do chefe do governo da Madeira que ultimamente chamara “moço de recados” a Paulo Portas. Achava eu que só um país deficitário em valores morais e cívicos poderia encaixar, com paciência de boi manso, tais imundícies de uma boca descontrolada de palhaço grotesco como governante. Lembrei mesmo o conto infantil da viúva que tinha uma filha feia e má e uma enteada linda e boa. Esta, por ter sido generosa para com uma fada, disfarçada em velhinha pobre e sedenta, passou a deitar rosas e pedras preciosas pela boca quando falava, ao passo que a irmã, por não ter sido boa, foi fadada para deitar sapos e répteis repelentes quando falava. Comparei Jardim à filha feia e de boca suja, pois da dele também saem a cada passo batráquios e répteis e outras viscosidades, enquanto vai trabalhando na sombra do seu governo infindável, trocando a lisura nas contas pela ordinarice nos ditos.&lt;br /&gt;Logo a minha amiga disparou com a garra da sua indignação a frase citada sobre o Sr. Silva, mas acrescentou que os madeirenses achavam que mais ninguém se lhe equiparara em obra feita e era isso que contava para eles. E acrescentou:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Também verdade seja dita, antes de ele ir para o buraco, deviam ir todos os que sabiam das falcatruas e as calaram. E eram muitos os que sabiam, de todos os quadrantes, embora finjam que não, não se sabe se para calar outras trafulhices. Então esta gente não leva com um grandessíssimo processo em cima?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Contei então à minha amiga que ontem, no "&lt;em&gt;5 de Outubro"&lt;/em&gt;, num programa sobre o Eduardo Lourenço, na TV Memória, ouvira António José Saraiva a referir com muito chiste, para amigos, que, quando voltara a Portugal, no 1º de Maio de 74, a Revolução se lhe assemelhara antes a uma romaria, tão destituídos de cultura política ou outra qualquer lhe pareceram os lorpas que se exaltavam nas ruas.&lt;br /&gt;Eduardo Lourenço, entrevistado, comentou que agora estavam pior. E isso justificou, segundo comentámos, uns chefes como o Jardim, cada vez mais fanfarrão, despudorado, prepotente e perene, e um Cavaco cada vez mais lamechas e vago, inócuo e também perene, oculto numa penumbra de pseudo-educação e de pseudofortaleza, na forma conformista como conduz os destinos da Nação, que vai sucumbindo, ao contrário dele, reconfortada a sua alma nos avisos que diz que fez aos governantes responsáveis, sobre o desastre do país, atido ao que leu na Bíblia sobre o Verbo, identificado com Deus…&lt;br /&gt;O Verbo é que é. Verbosidade, verborreia. E os sinónimos do nosso divinal carisma. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-4170938732986020140?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/4170938732986020140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=4170938732986020140&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/4170938732986020140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/4170938732986020140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/10/nao-levou-mal.html' title='Não levou a mal'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-1481515191336306482</id><published>2011-10-03T18:49:00.002+01:00</published><updated>2011-10-03T19:08:58.850+01:00</updated><title type='text'>Mudança “como soía”</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando o novo governo nasceu, há uns três ou quatro meses, previmos, a minha amiga e eu, que a turbulência vivida no país pelos anos 70 e 80, ia ser amplamente retomada pelas forças de esquerda, que não descansariam enquanto não acabassem de destruir este tal país, já com tanto afinco desfeito, em termos de distribuição de benesses por cada uma delas, a pretexto de distribuição solidária pelos outros, os oprimidos antes, logo após a revolução salvadora, que esplendidamente catapultou tantos deles e os seguintes, nos anos seguintes.&lt;br /&gt;Não tardou muito que a previsão se verificasse. A esquerda, novamente altissonante nos seus protestos, com sindicatos a marcar o compasso das reivindicações, vai indiferentemente pondo o país a arder, sem fazer caso dos compromissos inadiáveis para tentar pagar os débitos dos gastos que a esquerda iniciara e que todos os outros, a montante e a jusante dos partidos, mais sem eles do que com, amplamente fizeram nos entrementes.&lt;br /&gt;Mas concordámos, a minha amiga e eu, em que, enquanto se tratara do partido socialista, os sindicatos acalmavam, por se considerarem familiares mais chegados aos governantes. Agora que um Governo mais próximo da direita se propunha fazer erguer honestamente o País, pela satisfação do débito gigantesco, ponto de partida para um possível desenvolvimento futuro, o povo voltava a aderir às greves em barda, comandadas pelas vozes impantes dos seus instigadores.&lt;br /&gt;É assim Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP, que surge nas manifestações grevistas de agora, por ele manipuladas, num estilo de exaltação semelhante ao de Carlos de Brito, antigo deputado do PCP, que é recordado no texto seguinte, extraído de “&lt;strong&gt;Anuário – Memórias Soltas&lt;/strong&gt;”, do capítulo “&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Tempos, Costumes&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;”. Chama-se “&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Viva Carlos Brito! Viva&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;!”&lt;br /&gt;Bastaria mudar o título para “&lt;em&gt;Viva Carvalho da Silva! Viva&lt;/em&gt;!”, tanta é a satisfação e o potencial da sua voz apelativa e vingadora, sereia tentadora a que o povo se não furta, por não usar, como os marinheiros de Ulisses a cera anti-acústica, ou como Ulisses, as amarras impeditivas da obediência à tentação: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;«&lt;em&gt;Carlos Brito está feliz, Carlos Brito tem sensações, Carlos Brito está inspirado. Face ao espectáculo do seu país parado por conta dos trabalhadores, Carlos Brito extasia-se, qual Nero outrora defronte de Roma a arder por sua ordem. O país contempla o êxtase incendiário de Carlos Brito e pára de trabalhar. O país apoia os seus poetas, mesmo incendiários, venera os seus oradores, mesmo atrabiliários, ama os que o esclarecem, mesmo com “parti pris”. O país merece Carlos Brito. Viva Carlos Brito!&lt;br /&gt;Por isso Carlos Brito está feliz e faz parar o país. Como poeta, como orador, como esclarecedor, mesmo com “parti pris”.&lt;br /&gt;A notícia vem referida no “Diário Popular” de 1 de Março, informando que Carlos Brito, aludindo à greve geral, expôs, na sessão de esclarecimento de Vila Real, que “o Governo se empenhou em dizer que ela foi um fracasso, mas foi um sucesso e teve-se a sensação que o país pode ser parado pelos trabalhadores.”&lt;br /&gt;Daí o regozijo de Carlos Brito, daí o apuramento das suas íntimas sensações certamente num sentido de criatividade poética, qual Nero forjando estrofes sobre o incêndio romano por ele ateado, daí o estar de parabéns o País que promove as sensações de Carlos Brito, daí que o Governo procedeu mal informando inexactamente sobre o fracasso da greve.&lt;br /&gt;Mas… bem-haja o Governo por ter mentido, porque com a mentira fomentou ad sensações e o poder criador de Carlos Brito.&lt;br /&gt;Bem hajam os trabalhadores que promoveram o êxito da greve geral e os êxtases de Carlos Brito. Bem-haja Carlos Brito, por tanto amar o País e o exprimir num português cuja gramática se irmana com a retórica. Bem-haja o P.C.P. pelos líderes que apresenta à nação e cujo nível a nação reconhece, pois pára para os escutar. Um país que pára para escutar Carlos Brito é um país que merece Carlos Brito.&lt;br /&gt;Bem-aventurados, pois, nós, os Portugueses, com tal Governo que fomenta as musas mentindo, tais trabalhadores que as fomentam parando, tais líderes cuja chama criativa é ateada pelas paragens do país, tal país que pára para escutar Carlos Brito. Viva Carlos Brito! Viva!»&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Um texto, pois, sobre épocas passadas há três décadas, com analogias profundas com a época presente.&lt;br /&gt;Apenas mudou o contexto – o povo aderente já não é o povo trabalhador, mas o sem trabalho.&lt;br /&gt;Mas, ao contrário da "&lt;em&gt;mudança&lt;/em&gt;" camoniana que “&lt;em&gt;não se muda já como soía&lt;/em&gt;”, a mudança mantém-se na actualidade, repetitivamente, idêntica a si mesma, indefinidamente, mesmissimamente, imutavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-1481515191336306482?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/1481515191336306482/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=1481515191336306482&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/1481515191336306482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/1481515191336306482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/10/mudanca-como-soia.html' title='Mudança “como soía”'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-2161432702218027774</id><published>2011-09-30T03:20:00.004+01:00</published><updated>2011-09-30T14:31:06.528+01:00</updated><title type='text'>O bolsão</title><content type='html'>É tempo de relembrar&lt;br /&gt;O &lt;strong&gt;Auto da Barca do Inferno&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Que entre os vários passageiros&lt;br /&gt;Para o Inferno&lt;br /&gt;Conta com um &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Onzeneiro&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- Agiota ou usurário –&lt;br /&gt;A quem Saturno deu quebranto&lt;br /&gt;Na safra do apanhar,&lt;br /&gt;Nem tempo tendo sequer&lt;br /&gt;Para o corromper com dinheiro&lt;br /&gt;Ou mesmo só o barqueiro&lt;br /&gt;Da Glória, que por ser sério,&lt;br /&gt;Achou ironicamente&lt;br /&gt;Que o bolsão do Onzeneiro&lt;br /&gt;Não cabia no navio&lt;br /&gt;Embora fosse vazio,&lt;br /&gt;- Tristemente replicou&lt;br /&gt;O pobre do Onzeneiro&lt;br /&gt;Que à Terra quis voltar&lt;br /&gt;Para ir buscar&lt;br /&gt;Dinheiro com que fartar&lt;br /&gt;O infernal barqueiro&lt;br /&gt;Para que este lhe não batesse&lt;br /&gt;Ou gritasse&lt;br /&gt;Como um arrais do Barreiro&lt;br /&gt;Sem qualquer ronha ou vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Auto da Barca Do Inferno”&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;De &lt;em&gt;Gil Vicente:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«…………..«&lt;strong&gt;Onz.&lt;/strong&gt; Pêra onde caminhais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dia.&lt;/strong&gt; Oh! que má-hora venhais,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Onzeneiro, meu parente!&lt;br /&gt;Como tardastes vós tanto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Onz.&lt;/strong&gt; Mais quisera eu lá tardar...&lt;br /&gt;Na safra do apanhar&lt;br /&gt;me deu Saturno quebranto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dia.&lt;/strong&gt; Ora mui muito m'espanto&lt;br /&gt;nom vos livrar o dinheiro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Onz.&lt;/strong&gt; Solamente pêra o barqueiro&lt;br /&gt;nom me leixaram nem tanto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dia.&lt;/strong&gt; Ora entrai, entrai aqui!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Onz.&lt;/strong&gt; Não hei eu i d'embarcar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dia.&lt;/strong&gt; Oh! que gentil recear,&lt;br /&gt;e que cousas pêra mi!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Onz.&lt;/strong&gt; Ainda agora faleci,&lt;br /&gt;Leixa-me buscar batel!&lt;br /&gt;Pesar de São Pimentel,&lt;br /&gt;Nunca tanta pressa vi!&lt;br /&gt;Pêra onde é a viagem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dia.&lt;/strong&gt; Pêra onde tu hás-de ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Onz.&lt;/strong&gt; Havemos logo de partir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dia.&lt;/strong&gt; Não cures de mais linguagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Onz.&lt;/strong&gt; Pêra onde é a passagem &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dia.&lt;/strong&gt; Pêra a infernal comarca. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Onz.&lt;/strong&gt; Dix! Nom vou eu em tal barca.&lt;br /&gt;Estoutra tem avantagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Vai-se à barca do Anjo e diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Hou da barca! Houlá! Hou!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Havês logo de partir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anjo &lt;/strong&gt;E onde queres tu ir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Onz.&lt;/strong&gt; Eu pêra o Paraíso vou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anjo&lt;/strong&gt; Pois cant’eu mui fora estou&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De te levar para lá.&lt;br /&gt;Essa barca que lá está&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vai pêra quem te enganou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Onz.&lt;/strong&gt; Porquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anjo &lt;/strong&gt;Porque esse bolsão &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tomará todo o navio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Onz.&lt;/strong&gt; Juro a Deos que vai vazio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anjo &lt;/strong&gt;Não já no teu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Onz.&lt;/strong&gt; Lá me fica de rodão&lt;br /&gt;Minha fazenda e alhea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anjo &lt;/strong&gt;Ó onzena, como es fea&lt;br /&gt;E filha de maldição!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;(Torna o Onzeneiro à barca do Inferno e diz:)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Onz.&lt;/strong&gt; Hou lá! Hou demo barqueiro!&lt;br /&gt;Sabeis vós no que me fundo?&lt;br /&gt;Quero lá tornar ao mundo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E trarei o meu dinheiro.&lt;br /&gt;Aqueloutro marinheiro, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Porque me vê vir sem nada,&lt;br /&gt;Dá-me tanta borregada &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como arrais lá do Barreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dia.&lt;/strong&gt; Entra, entra! Remarás!&lt;br /&gt;Nom percamos mais maré! &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Onz.&lt;/strong&gt; Todavia...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dia.&lt;/strong&gt; Per forç'é!&lt;br /&gt;Que te pês, cá entrarás! &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dia.&lt;/strong&gt; Irás servir Satanás&lt;br /&gt;Porque sempre te ajudou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Onz.&lt;/strong&gt; Ó triste, quem me cegou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dia.&lt;/strong&gt; Cal-te, que cá chorarás. ……………»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;E afinal&lt;br /&gt;Porque digo eu que é crucial&lt;br /&gt;Lembrar o nosso Onzeneiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque este tempo europeu&lt;br /&gt;Apanhou com gana infernal&lt;br /&gt;Os povos que não quiseram&lt;br /&gt;Nem souberam&lt;br /&gt;Usar o dinheiro emprestado&lt;br /&gt;De modo mais adequado.&lt;br /&gt;Uma Europa que largou&lt;br /&gt;O seu dinheiro europeu&lt;br /&gt;Com usura e falcatrua,&lt;br /&gt;E sobretudo a Alemanha,&lt;br /&gt;A qual sem nenhuma manha&lt;br /&gt;Mas com a força do seu poder&lt;br /&gt;Faz que abre os cordões à bolsa&lt;br /&gt;Para melhor enganar&lt;br /&gt;Os povos a quem empresta&lt;br /&gt;Dinheiro abundantemente.&lt;br /&gt;E os juros que pagarão&lt;br /&gt;São de tal forma excessivos&lt;br /&gt;Que aqueles não mais erguerão&lt;br /&gt;A cabeça nem os pés&lt;br /&gt;No atoleiro da dívida&lt;br /&gt;A uma chanceler bêbada&lt;br /&gt;Do seu poder ilimitado&lt;br /&gt;Tresloucado,&lt;br /&gt;Que não se importa de esmagar,&lt;br /&gt;Como já fizera&lt;br /&gt;Em tempo de guerra, Hitler,&lt;br /&gt;Com ditadura e bestialidade,&lt;br /&gt;Agora, em tempo de união aparente,&lt;br /&gt;Merkel, tranquilamente,&lt;br /&gt;Carregando o seu bolsão&lt;br /&gt;Feito de usura e a mesma ferocidade,&lt;br /&gt;Por muitos beijos que distribua&lt;br /&gt;Angelicalmente&lt;br /&gt;Pelos deputados da sua União.&lt;br /&gt;Também Hitler tinha predilecção&lt;br /&gt;Por um cão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Ó onzena como és feia&lt;br /&gt;E filha de maldição!” &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-2161432702218027774?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/2161432702218027774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=2161432702218027774&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/2161432702218027774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/2161432702218027774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/09/o-bolsao.html' title='O bolsão'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-4802534835198675426</id><published>2011-09-29T00:04:00.002+01:00</published><updated>2011-09-29T00:09:25.824+01:00</updated><title type='text'>Quadras saturnianas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Ainda me lembro quando eu fiz de anjo, era eu e a Maria Silva. Gostava de voltar ao Carregal, para ver a Maria Silva.&lt;br /&gt;- Ó mamã, mas a Maria Silva já não existe!&lt;br /&gt;Admirou-se, presa às suas evocações da festa em que ia vestida de anjinho ao colo do pai. A Maria Silva também ia ao colo do pai dela, mas ela foi a primeira a ser içada para o colo do seu pai, explicou com a satisfação de quem se habituou a reivindicar prioridades e importâncias, o pai tendo herdado a maior parte dos seus bens de morgado de casa abastada, com fartura de terras, juntas de bois, rebanhos, e a égua que o transportava.&lt;br /&gt;E a reza do “Padre-Nosso pequenino” seguiu-se à descrição de quando era muito pequena, mas maior que o filho do Artur, o Sebastião, pois já falava, embora não localizasse a reza nas alturas da procissão: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Já os galos cantam, cantam&lt;br /&gt;Já os anjos se levantam,&lt;br /&gt;Já Nosso Senhor vai na Cruz&lt;br /&gt;Para sempre ámen, Jesus.” &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Eu fui duas vezes vestida de anjo, os meus irmãos iam comungar. Nós éramos para passar ao pé das velas e das imagens no camarim, era muito lindo.&lt;br /&gt;E as recordações deslumbradas acodem, da vez em que, para imitar os homens que estavam a matar o porco, a prima dela, Gracinda, e o seu irmão Carlos foram buscar uma faca e uma galinha que mataram para treino de vida futura.&lt;br /&gt;Lembra ainda o casamento do irmão Manuel com a Rosinda, no qual se ajustou o noivado do irmão Américo com a Maria José, irmã daquela, os quais depois partiriam para Moçambique, já casados:&lt;br /&gt;- O meu irmão Manuel era um artista muito grande. No casamento dele matou-se uma vitela muito grande, encheram-se várias padelas …&lt;br /&gt;Assim como vive presa ao seu passado no lar paterno, também os sabores lhe vêm, numa revivescência de quem preza ainda a comida saborosa, talvez avivada pelos programas televisivos sobre a cozinha portuguesa.&lt;br /&gt;Mas a consciência das realidades frustrantes ou enganadoras lhe acodem nos cantares seguintes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quando eu era rapaz novo&lt;br /&gt;Trazia sapato branco.&lt;br /&gt;Agora que sou velhinho&lt;br /&gt;Nem sapato nem tamanco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a vida fui pastor&lt;br /&gt;Toda a vida guardei gado&lt;br /&gt;Tenho uma chaga no peito&lt;br /&gt;De me encostar ao cajado. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;- Esta é alentejana. Agora já não se ouve ninguém cantar nas terras.&lt;br /&gt;- Como sabes, se não estás lá?&lt;br /&gt;Mas a minha mãe não está completamente alheia às questões da desertificação dos campos, e fala com consciência nas mudanças. E seguiu-se a referência aos cantares ao serão, imagem dos trabalhos finais do dia, ou as cantiguinhas maliciosas sobre os amores no recato da noite escura:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ai ciranda, ai cirandinha,&lt;br /&gt;Nós vamos a cirandar&lt;br /&gt;Com esta estriguinha e outra&lt;br /&gt;Depois vamo-nos deitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai ciranda, ai cirandinha&lt;br /&gt;Eu hei-de ir ao teu serão&lt;br /&gt;Fiando uma maçaroca&lt;br /&gt;Do mais fino algodão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sete-estrelos vai alto&lt;br /&gt;Mais alto vai o luar&lt;br /&gt;Mais alta vai a ventura&lt;br /&gt;Que deus tem para nos dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ó luar da meia-noite&lt;br /&gt;Quando hás-de cá voltar?&lt;br /&gt;- Agora não, que faz escuro,&lt;br /&gt;Deixa dormir o luar. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;E a minha mãe conclui amplamente, como que apanhada pelos desfalques na sua memória, a caminho dos 105, única que resta já dessas figuras do seu passado familiar, com quem fala diariamente, nos reencontros da sua ternura.&lt;br /&gt;- Havia muitas cantigas, mas estou desactualizada. Eu sabia, mas varreu-se-me da memória.&lt;br /&gt;E hoje que são os 41 anos do Artur e os 6 da Beatriz, tio e sobrinha, meu filho e minha neta, neto e bisneta da minha mãe, lembrei-me de lhes contar estas histórias simples de um viver de outrora agora, histórias de uma vida e de uma saudade, largamente em relevo, para nosso espanto.&lt;br /&gt;Como bênção protectora, um pai-nosso pequenino que se derramasse sobre o filho e a neta hoje aniversariantes, e sucessivamente sobre os meus filhos e cônjuges e netos, na estrada que Saturno vai desenrolando.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-4802534835198675426?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/4802534835198675426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=4802534835198675426&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/4802534835198675426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/4802534835198675426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/09/quadras-saturnianas.html' title='Quadras saturnianas'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-8448237308435449549</id><published>2011-09-25T18:25:00.002+01:00</published><updated>2011-09-25T18:30:22.226+01:00</updated><title type='text'>Na cola</title><content type='html'>Alberto João Jardim&lt;br /&gt;No seu papel de comediante&lt;br /&gt;Lembra-me vagamente&lt;br /&gt;Uma fábula de Esopo&lt;br /&gt;Que acabo de ler e traduzir&lt;br /&gt;Para melhor se perceber.&lt;br /&gt;É a fábula d’ “&lt;strong&gt;O cão atrás do leão&lt;/strong&gt;”:&lt;br /&gt;Tal como a Madeira&lt;br /&gt;Brejeira, estrangeira,&lt;br /&gt;Atrás do “Continente”&lt;br /&gt;Português e valente,&lt;br /&gt;Como antigamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«&lt;em&gt;Ao avistar um leão, um cão de caça,&lt;br /&gt;Ambicionando a peça,&lt;br /&gt;Pôs-se a correr atrás dele.&lt;br /&gt;Mas bastou que o leão se voltasse&lt;br /&gt;E rugisse,&lt;br /&gt;O cão, com medo da mossa,&lt;br /&gt;Deu logo&lt;br /&gt;Às de vila Diogo.&lt;br /&gt;Uma raposa atrevida,&lt;br /&gt;Sem papas na língua&lt;br /&gt;Disse-lhe, ao vê-lo&lt;br /&gt;Em atitude indigna&lt;br /&gt;Dum cão de caça de raça:&lt;br /&gt;“Pobre cãozinho atrevido,&lt;br /&gt;Que diz que faz!&lt;br /&gt;E querias tu caçar o leão&lt;br /&gt;Quando nem sequer foste capaz&lt;br /&gt;De lhe suportar o rugido!”&lt;br /&gt;Esta fábula poder-se-ia aplicar&lt;br /&gt;A qualquer arrogante&lt;br /&gt;Que arma questões&lt;br /&gt;De forma fremente&lt;br /&gt;Com outro mais valente,&lt;br /&gt;E logo vira a casaca&lt;br /&gt;Quando este lhe faz frente.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Foi exactamente&lt;br /&gt;O que me lembrou a expressão de Jardim,&lt;br /&gt;Que, para evitar&lt;br /&gt;Entrar em esclarecimentos&lt;br /&gt;Sobre as suas dívidas multimilionárias,&lt;br /&gt;Anda na cola&lt;br /&gt;Da rapaziada do Continente,&lt;br /&gt;Não a pedir esmola&lt;br /&gt;Mas a exigir altivamente&lt;br /&gt;A sua ilha independente,&lt;br /&gt;Achando que dela fizera&lt;br /&gt;Uma ilha auto-suficiente,&lt;br /&gt;Quando sabemos que aquilo que lá foi feito&lt;br /&gt;Foi à custa do Continente&lt;br /&gt;Embora também&lt;br /&gt;Do despotismo falsamente esclarecido&lt;br /&gt;Embora bastante prolongado&lt;br /&gt;Do arrogante Jardim insulado.&lt;br /&gt;É certo que a exigência&lt;br /&gt;Da independência&lt;br /&gt;Foi feita por brincadeira,&lt;br /&gt;Logo recuando na asneira&lt;br /&gt;Ao lembrar que o tal Leão,&lt;br /&gt;De quem ele anda na cola,&lt;br /&gt;É quem lhe dá provisão,&lt;br /&gt;Para as suas patuscadas&lt;br /&gt;E as do seu povo agradado&lt;br /&gt;De entrar nas comezainas,&lt;br /&gt;Sem pensar que o seu patrão&lt;br /&gt;Devia ser mais educado&lt;br /&gt;Mais patriota e eficaz,&lt;br /&gt;Nas contas a bem da Ilha&lt;br /&gt;Segundo ele diz que faz.&lt;br /&gt;Mas não passam de armadilha&lt;br /&gt;Ou de patranha tamanha&lt;br /&gt;Os gastos feitos na Ilha,&lt;br /&gt;Ó minha filha!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-8448237308435449549?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/8448237308435449549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=8448237308435449549&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/8448237308435449549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/8448237308435449549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/09/na-cola.html' title='Na cola'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-5349191365817948073</id><published>2011-09-23T16:49:00.002+01:00</published><updated>2011-09-23T16:55:06.157+01:00</updated><title type='text'>“Agora fecha tudo. Não abre nada”</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Falava-se em doentes com Alzheimer necessitados de uma casa de repouso para passarem o dia e deixarem os familiares descansar para os poderem acompanhar melhor durante a noite.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- O mal dos centros de dia é que não servem para doentes de Alzheimer. Têm a porta aberta. Ninguém se pode responsabilizar por eles &lt;/em&gt;– explicou a minha amiga.&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Mas não há centros específicos para esses doentes?&lt;/em&gt; – pergunto, inexperiente ainda destas mazelas tão comuns às tendências bafientas da nossa nacionalidade.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Aqui perto há um, em Alapraia. Está fechado. Custou uma barbaridade. Com tudo do melhor. Mas não abre. Agora fecha tudo&lt;/em&gt; – conclui, melancólica.&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Então e os doentes?&lt;br /&gt;- Ficam em lista de espera.&lt;br /&gt;- Mas não se podem tentar outros centros?&lt;br /&gt;- Os centros têm que ser da zona do doente. E os doentes de Alzheimer aumentaram tanto, tanto, neste país! … Mas não há nada para ajudar as famílias com menos proventos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Mas a lúgubre conversa de repente esbate-se, ante os roncos do motor do camião do lixo parado a poucos metros, roncos prolongados no tempo de içar, despejar e voltar a colocar os enormes contentores subterrâneos do lixo ecológico.&lt;br /&gt;A minha amiga, que há muito vem estranhando o extraordinário dispêndio que tal lixo ecológico deve custar ao nosso país, estabelece imediata conversa com a dona do café.&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Lixo de luxo! Tiram todos os dias?&lt;/em&gt; – pergunta, incrédula.&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Todos os dias!&lt;/em&gt; – responde a dona do café, de natural sorridente e meigo.&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Mas aquilo enche-se assim?&lt;br /&gt;- Julgo que não. São quatro ou cinco rectângulos, cobrindo os contentores de uns três metros de fundura. Não vejo que se possam encher diariamente!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Mas acho que a senhora se enganou, a respeito das nossas realidades de luxos e de lixos, merecedoras de despesa colossal e de trabalho árduo diário. Trabalho de Hércules.&lt;br /&gt;Felizmente que encontramos sempre paralelo nos clássicos. Mesmo que sejam míticos, o que lhes dá mítica universalidade. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-5349191365817948073?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/5349191365817948073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=5349191365817948073&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/5349191365817948073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/5349191365817948073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/09/agora-fecha-tudo-nao-abre-nada.html' title='“Agora fecha tudo. Não abre nada”'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-5031573357855271265</id><published>2011-09-21T01:47:00.003+01:00</published><updated>2011-09-21T02:16:52.696+01:00</updated><title type='text'>Paul</title><content type='html'>O exemplo da fábula abaixo,&lt;br /&gt;Do poeta La Fontaine,&lt;br /&gt;Aplica-se perfeitamente,&lt;br /&gt;Acho,&lt;br /&gt;Ao Jardim da nossa Madeira,&lt;br /&gt;Ou vice-versa&lt;br /&gt;À Madeira do nosso Jardim,&lt;br /&gt;Este, da Raposa afim,&lt;br /&gt;Em subtileza e matreirice,&lt;br /&gt;Com sua cauda protectora&lt;br /&gt;Contra qualquer varejeira,&lt;br /&gt;Que o sangue lhe cobice&lt;br /&gt;O que é grande vigarice.&lt;br /&gt;Quanto ao Ouriço dos picos,&lt;br /&gt;Que se propõe ajudar&lt;br /&gt;Os meneios ricos&lt;br /&gt;Do Jardim sem escrúpulos,&lt;br /&gt;Esse é qualquer um,&lt;br /&gt;Cem mil, nenhum,&lt;br /&gt;Dos bons samaritanos&lt;br /&gt;Que os há sempre, nestes casos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;«A Raposa, as Moscas e o Ouriço»&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;«No rasto do seu sangue, dos bosques hóspede antigo,&lt;br /&gt;Raposa esperta, subtil e manhosa,&lt;br /&gt;Por caçadores ferida, e caída na lama&lt;br /&gt;Pegajosa,&lt;br /&gt;Atraiu outrora o parasita alado&lt;br /&gt;Que por nós foi Mosca chamado,&lt;br /&gt;O qual logo a foi sugar&lt;br /&gt;Sem se fazer rogar,&lt;br /&gt;E lhe chamou um figo.&lt;br /&gt;Ela acusava os Deuses, e achava indecoroso&lt;br /&gt;Que a Sorte a tal ponto a quisesse afligir,&lt;br /&gt;E a fizesse de pasto às Moscas servir.&lt;br /&gt;“O quê! Lançar-se sobre mim, o mais hábil,&lt;br /&gt;O mais asqueroso,&lt;br /&gt;De todos os hóspedes da floresta mesta!&lt;br /&gt;Desde quando as raposas são um tão bom repasto?&lt;br /&gt;E de que me serve a cauda? Será um peso inútil? &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ou fútil?&lt;br /&gt;Vamos, que o Céu te confunda, importuno animal!&lt;br /&gt;Porque não te lanças tu sobre o trivial?”&lt;br /&gt;Um Ouriço da vizinhança,&lt;br /&gt;Nos meus versos personagem inédita,&lt;br /&gt;Quis libertá-la da malvadez&lt;br /&gt;De um povo tão cheio de avidez:&lt;br /&gt;“Eu vou com os meus dardos enfiá-las às centenas,&lt;br /&gt;Vizinha Raposa, e acabar com as tuas penas”.&lt;br /&gt;“Livra-te, respondeu esta, amigo, de o fazer:&lt;br /&gt;Deixa-as, suplico-te, acabar de comer.&lt;br /&gt;Estes animais estão bêbados: um novo batalhão&lt;br /&gt;Sobre mim se abateria, mais áspero e comilão.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demasiados comilões topamos cá na Terra:&lt;br /&gt;Uns são cortesãos, outros magistrados.&lt;br /&gt;Aristóteles aos homens este apólogo explicaria&lt;br /&gt;Sem fantasia:&lt;br /&gt;Os exemplos são vulgares,&lt;br /&gt;Sobretudo num país como o nosso.&lt;br /&gt;Quanto mais cheios os homens estão,&lt;br /&gt;Menos importunos são.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;É ou não verdade, sim,&lt;br /&gt;Que o alegre Jardim&lt;br /&gt;Anda mordido actualmente&lt;br /&gt;Pelas Moscas impertinentes,&lt;br /&gt;Absorventes,&lt;br /&gt;Que o querem sugar avidamente&lt;br /&gt;Zelosas dos bons costumes?&lt;br /&gt;Ó Numes!&lt;br /&gt;Pois não são também assim&lt;br /&gt;Como o Jardim&lt;br /&gt;As Moscas castigadoras,&lt;br /&gt;Sugadoras,&lt;br /&gt;Mistificadoras,&lt;br /&gt;Com rabos-de-palha&lt;br /&gt;Por onde calha?&lt;br /&gt;E os Ouriços prestimosos&lt;br /&gt;Querendo ajudar,&lt;br /&gt;E apenas ajudando&lt;br /&gt;A chafurdar,&lt;br /&gt;A levantar mais poeira,&lt;br /&gt;Rosnando, lembrando,&lt;br /&gt;Qual curral de Augias a necessitar&lt;br /&gt;De uma força hercúlea para o limpar…&lt;br /&gt;Mas não há maneira.&lt;br /&gt;Que quanto mais se chafurda na lama&lt;br /&gt;Mais mal ela cheira,&lt;br /&gt;Segundo a fama.&lt;br /&gt;E segundo o fabulista francês,&lt;br /&gt;Na sua moral de artista,&lt;br /&gt;- De fadista, se for português -&lt;br /&gt;É melhor ignorar,&lt;br /&gt;Deixar assentar,&lt;br /&gt;Para assim impedir&lt;br /&gt;Que os grandes comilões&lt;br /&gt;Renovem os stocks das suas provisões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas só para rir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-5031573357855271265?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/5031573357855271265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=5031573357855271265&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/5031573357855271265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/5031573357855271265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/09/paul.html' title='Paul'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-6604051577433471114</id><published>2011-09-18T08:57:00.008+01:00</published><updated>2011-09-19T16:15:58.922+01:00</updated><title type='text'>Perenidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há dias, foi uma nossa amiga, das que falam em voz alta e profusa, com a autoridade de um poder económico lisonjeiro, que, regressada do seu passeio à Madeira, falou no buraco:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Não sei se há buraco, mas que aquilo está um espanto de beleza e eficiência, não tenho dúvidas!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;E contou das coisas boas que a Madeira tem, os túneis para as travessias, o bom gosto nos gastos…&lt;br /&gt;Ontem de manhã foi a minha amiga que, a propósito do buraco de que se fala, mesmo a imprensa estrangeira, não se sabe se com repercussões sobre as relações do Governo com a troika, lembrou a personagem Jardim, o discurso de Jardim, sempre achincalhante para “&lt;em&gt;os de Lisboa&lt;/em&gt;” – &lt;em&gt;“Era melhor ir p’r’ós de Lisboa p’r’a ser gasto à tripa forra! …”&lt;/em&gt; afirmara ele. E concluiu:&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Mas isto é uma anedota daquelas que sendo trágica, dá vontade de rir… “Agora venham os de Lisboa dizer que têm gente capaz de governar como aqui se fez, criando condições e escolas…”&lt;/em&gt; &lt;em&gt;– disse ele, entre outras coisas.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Eu então lembrei que ele não embarcara na reforma educativa como cá, protegendo os professores dos enxovalhos socráticos.&lt;br /&gt;Também a Ana Paula, outra nossa amiga matinal, se referiu ao buraco do Jardim, ou ao Jardim no buraco, reconhecendo que o dinheiro fora gasto nas obras sociais:&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Ninguém lhe tira o valor. Mas a forma como se refere aos do Continente é muito acintosa.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;A minha amiga insistia na questão do buraco:&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Agora pergunta-se: Será que os governantes não deram por nada?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Eu achei que sim, que podiam ter dado, mas que lhes convinha fingir que não davam, na safra em que viviam de esconder os seus próprios buracos.&lt;br /&gt;Mas a Ana Paula deu precisões:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Nem sei o que haverá mais. Este dos mil milhões foi ao nível da CGD. Se houver uma auditoria aos outros bancos podem-se descobrir mais buracos. Ainda não apareceu tudo.&lt;br /&gt;- Vamos sabendo aos poucos&lt;/em&gt; - concluiu a minha amiga – &lt;em&gt;para a gente ir aguentando. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Uma espécie de soro na veia -&lt;/em&gt;apoiei eu, que tenho muita fé no soro para a recuperação dos organismos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E a Ana Paula, que é filha de médico, falou então nos abusos de cá, ao nível dos hospitais:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- 20% de desperdício. Ele eram Tacs em vez de raios X, ressonâncias magnéticas caríssimas… Agora estamos nos extremos: se não forem os familiares a ajudar, a darem a comida…&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Falou-se na gordura do Estado que este Governo pretende limpar, com os cortes ao despesismo e referimos Mário Soares, que também os apoia, mas que vai falando em aumento de impostos e redução nos salários como fizeram em Espanha, julgamos que para que se não toque na sua Fundação.&lt;br /&gt;A minha amiga há muito que pergunta sobre a utilidade da Fundação Soares e pensa que agora é que ela vai ao ar.&lt;br /&gt;Mas está enganada. Pois Soares continua na berra, a dizer dos seus ditames. Vazios. Cairemos todos antes da Fundação. A Fundação não cairá, bom esteio do que somos. Como um estigma. Tal como a Abóbada da Casa do Capítulo do Mosteiro da Batalha que Mestre Afonso Domingos ergueu, sobre a ruína da de Mestre Ouguet. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas esta não foi estigma, foi glória. Mudaram os contextos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-6604051577433471114?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/6604051577433471114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=6604051577433471114&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/6604051577433471114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/6604051577433471114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/09/estigma.html' title='Perenidade'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-4849777122625848247</id><published>2011-09-15T15:27:00.000+01:00</published><updated>2011-09-15T15:29:51.295+01:00</updated><title type='text'>Leucemia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Chegou-me por e-mail o estudo que transcrevo, pleno de informação (in)conveniente, reconhecida e profusamente já expendida por tantos dos nossos cérebros esclarecidos ou menos alienáveis pelas razões que impelem tantos outros a segui-las - de oportunismo, de cobardia, de interesse - os tais da transumância, na erudita expressão de Pacheco Pereira.&lt;br /&gt;Um texto que poderia esclarecer melhor todo um povo, pouco preocupado, todavia, com esclarecimentos que ultrapassem a defesa dos hábitos alimentares das nossas gorduras, ou os hábitos consumistas das nossas misérias espirituais ou afectivas.&lt;br /&gt;Todo ele é importante, e até mesmo os nossos ex-lavradores e os nossos ex-pescadores o poderiam reconhecer na sua exactidão. Se o lessem. Se soubessem ler. Apenas faltou a referência aos Magalhães do nosso ensino de brinquedo, como uma das aplicações dos empréstimos obtidos. Talvez seja um texto antigo, nada perdendo, contudo em actualidade.&lt;br /&gt;Ei-lo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«O conhecido sociólogo e filosofo francês Jaques Amaury, professor na Universidade de Estrasburgo, publicou recentemente um estudo sobre “A crise Portuguesa”, onde elenca alguns caminhos tendentes a solucioná-la.&lt;br /&gt;“Portugal atravessa um dos momentos mais difíceis da sua história que terá que resolver com urgência, sob o perigo de deflagrar crescentes tensões e consequentes convulsões sociais.Importa em primeiro lugar averiguar as causas. Devem-se sobretudo à má aplicação dos dinheiros emprestados pela CE para o esforço de adesão e adaptação às exigências da união.Foi o país onde mais a CE investiu “per capita” e o que menos proveito retirou. Não se actualizou, não melhorou as classes laborais, regrediu na qualidade da educação, vendeu ou privatizou a esmo actividades primordiais e património que poderiam hoje ser um sustentáculo.Os dinheiros foram encaminhados para auto estradas, estádios de futebol, constituição de centenas de instituições público-privadas, fundações e institutos, de duvidosa utilidade, auxílios financeiros a empresas que os reverteram em seu exclusivo benefício, pagamento a agricultores para deixarem os campos e aos pescadores para venderem as embarcações, apoios estrategicamente endereçados a elementos ou a próximos deles, nos principais partidos, elevados vencimentos nas classes superiores da administração publica, o tácito desinteresse da Justiça, frente à corrupção galopante e um desinteresse quase total das Finanças no que respeita à cobrança na riqueza, na Banca, na especulação, nos grandes negócios, desenvolvendo, em contrário, uma atenção especialmente persecutória junto dos pequenos comerciantes e população mais pobre.A política lusa é um campo escorregadio onde os mais hábeis e corajosos penetram, já que os partidos cada vez mais desacreditados, funcionam essencialmente como agências de emprego que admitem os mais corruptos e incapazes, permitindo que com as alterações governativas permaneçam, transformando-se num enorme peso bruto e parasitário. Assim, a monstruosa Função Publica, ao lado da classe dos professores, assessoradas por sindicatos aguerridos, de umas Forças Armadas dispendiosas e caducas, tornaram-se não uma solução, mas um factor de peso nos problemas do país.[Não existe partido de centro já que as diferenças são apenas de retórica, entre o PS (Partido Socialista) que está no Governo e o PSD (Partido Social Democrata), de direita, agora mais conservador ainda, com a inclusão de um novo líder, que tem um suporte estratégico no PR e no tecido empresarial abastado. Mais à direita, o CDS (Partido Popular), com uma actividade assinalável, mas com telhados de vidro e linguagem publica, diametralmente oposta ao que os seus princípios recomendam e praticarão na primeira oportunidade. À esquerda, o BE (Bloco de Esquerda), com tantos adeptos como o anterior, mas igualmente com uma linguagem difícil de se encaixar nas recomendações ao Governo, que manifesta um horror atávico à esquerda, tal como a população em geral, laboriosamente formatada para o mesmo receio. Mais à esquerda, o PC (Partido comunista) vilipendiado pela comunicação social, que o coloca sempre como um perigo latente e uma extensão inspirada na União Soviética, oportunamente extinta, e portanto longe das realidades actuais.]Assim, não se encontrando forças capazes de alterar o status, parece que a democracia pré-fabricada não encontra novos instrumentos. Contudo, na génese deste beco sem aparente saída, está a impreparação, ou melhor, a ignorância de uma população deixada ao abandono, nesse fulcral e determinante aspecto. Mal preparada nos bancos das escolas, no secundário e nas faculdades, não tem capacidade de decisão, a não ser a que lhe é oferecida pelos órgãos de Comunicação. Ora e aqui está o grande problema deste pequeno país; as TVs as Rádios e os Jornais, são na sua totalidade, pertença de privados ligados à alta finança, à industria e comercio, à banca e com infiltrações accionistas de vários países. Ora, é bem de ver que com este caldo, não se pode cozinhar uma alimentação saudável, mas apenas os pratos que o “chefe” recomenda.Daí a estagnação que tem sido cómoda para a crescente distância entre ricos e pobres. A RTP, a estação que agora engloba a Rádio e Tv oficiais, está dominada por elementos dos dois partidos principais, com notório assento dos sociais democratas, especialistas em silenciar posições esclarecedoras e calar quem levanta o mínimo problema ou dúvida. A selecção dos gestores, dos directores e dos principais jornalistas é feita exclusivamente por via partidária. Os jovens jornalistas, são condicionados pelos problemas já descritos e ainda pelos contratos a prazo determinantes para o posto de trabalho enquanto, o afastamento dos jornalistas seniores, a quem é mais difícil formatar o processo a pôr em prática, está a chegar ao fim. A deserção destes, foi notória. Não há um único meio ao alcance das pessoas mais esclarecidas e por isso, “non gratas” pelo establishment, onde possam dar luz a novas ideias e à realidade do seu país, envolto no conveniente manto diáfano que apenas deixa ver os vendedores de ideias já feitas e as cenas recomendáveis para a manutenção da sensação de liberdade e da prática da apregoada democracia.Só uma comunicação não vendida e alienante, pode ajudar a população, a fugir da banca, o cancro endémico de que padece, a exigir uma justiça mais célere e justa, umas finanças atentas e cumpridoras, enfim, a ganhar consciência e lucidez sobre os seus desígnios.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Um texto para meditar. Como muitos outros que outros escreveram. Aponta caminhos, na sua crítica sagaz. Inutilmente. Um país que não progride e pelo contrário, regride na educação, é um país definitivamente arrumado.&lt;br /&gt;Um país estagnado. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-4849777122625848247?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/4849777122625848247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=4849777122625848247&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/4849777122625848247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/4849777122625848247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/09/leucemia.html' title='Leucemia'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-7453866252335810462</id><published>2011-09-12T22:37:00.002+01:00</published><updated>2011-09-12T22:47:23.545+01:00</updated><title type='text'>“Eu quero ser Primeiro-Ministro”</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;- O Rebelo de Sousa diz que é igualzinho. Não mudou nada.&lt;br /&gt;- Nada!&lt;br /&gt;-Ele, o Seguro, diz que quando for Primeiro-Ministro fará assim, fará assado. Eu quero ser Primeiro-Ministro, é o que o Seguro diz, é o que todos os Seguros querem.&lt;br /&gt;- E até os menos Seguros. Pois! O déjà entendu, o déjà vu de sempre. “Le style c’est l’homme”, disse um tal Buffon. No nosso caso, “c’est la nation-même”. Qualquer um que queira ir para lá, para o Governo, é assim que dirá: “Eu quero ser Primeiro-Ministro”. E logo os do Governo ironizam contra as pretensões dos tais, esquecidos do que com eles se passara, os da oposição aliam-se, prontos para atacar quando estes lá chegarem. De momento, atacam os que lá estão.&lt;br /&gt;- Só conversa! -&lt;/em&gt; proclama a minha amiga, completamente céptica. -&lt;em&gt; Ninguém tem soluções. Ninguém, ninguém, ninguém! Se houvesse solução, estava o País salvo!&lt;br /&gt;- O que é um facto, é que eu acreditava na seriedade deles. Mas já vi que o discurso do Vítor Gaspar, que aliás nada teve nunca de vitorioso nem de generoso, mas que inicialmente se me afigurou competente, de uma subtileza de seriedade contrastante com a volubilidade farfalhuda dos habituais, não se tem mostrado nada esclarecedor, feito de promessas adiadas, sem explicitação dos motivos sobre o prometido início da nossa ascensão lá para os anos 13 ou 14, em absurdo contraste com o peso brutal sobre as bolsas – as habituais – dos menos dotados, economicamente falando, e as desgraças ascensionais dos que perdem empregos ou os não conseguem adquirir…&lt;br /&gt;- E ninguém conseguiria fazer melhor.&lt;br /&gt;- Não! Mau grado as promessas dos Seguros, candidatos ministeriais que gingam na sua seriedade matreira, a chamar amigos… E tem amigos. Todos os que, esquecendo a situação vilipendiosa a que fomos reduzidos por efeitos, também, da muita desgovernação corrupta anterior, criticam acerrimamente a governação actual, ignorando as contingências internas e as pressões exteriores resultantes de tudo isso e do facto de sermos como somos – dum modo geral pouco escrupulosos.&lt;br /&gt;- Muita sorte ainda se o FMI não nos abandonar…&lt;br /&gt;- Parece que ainda não abandonou.&lt;br /&gt;- Rezemos para que não abandone.&lt;br /&gt;- Oremus!&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-7453866252335810462?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/7453866252335810462/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=7453866252335810462&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/7453866252335810462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/7453866252335810462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/09/eu-quero-ser-primeiro-ministro.html' title='“Eu quero ser Primeiro-Ministro”'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-8956369594383284124</id><published>2011-09-05T08:37:00.000+01:00</published><updated>2011-09-05T08:38:32.302+01:00</updated><title type='text'>A fome</title><content type='html'>«&lt;em&gt;Esfomeado, um lobo, ao descobrir&lt;br /&gt;Uma ovelha no campo estendida,&lt;br /&gt;Com terror do lobo desfalecida,&lt;br /&gt;Aproximou-se para a tranquilizar.&lt;br /&gt;Bastava que ela apresentasse&lt;br /&gt;Três razões verdadeiras&lt;br /&gt;Para que ele a não comesse&lt;br /&gt;Deixá-la-ia partir&lt;br /&gt;Com boas maneiras,&lt;br /&gt;Sem a molestar.&lt;br /&gt;A ovelha, confiante,&lt;br /&gt;E sem nenhum carinho,&lt;br /&gt;Afirmou primeiramente&lt;br /&gt;Que teria dispensado perfeitamente&lt;br /&gt;Encontrar o lobo no seu caminho.&lt;br /&gt;Em segundo lugar,&lt;br /&gt;No caso de isso se verificar,&lt;br /&gt;Alegria sentiria&lt;br /&gt;Se o encontrasse ceguinho;&lt;br /&gt;Em terceiro lugar, já enfastiada&lt;br /&gt;Por ser obrigada a pensar,&lt;br /&gt;Exclamou muito zangada:&lt;br /&gt;- “Pudésseis vós rebentar,&lt;br /&gt;Lobos abomináveis,&lt;br /&gt;Que nos fazeis guerra tramada,&lt;br /&gt;A nós, gente inocente,&lt;br /&gt;Que contra vós não fizemos nada&lt;br /&gt;De inconveniente!”&lt;br /&gt;O Lobo admitiu nobremente&lt;br /&gt;Que a ovelha não mentira&lt;br /&gt;Na sua argumentação&lt;br /&gt;Feita tão singelamente,&lt;br /&gt;Com cabeça e coração,&lt;br /&gt;E deixou-a, com honestidade,&lt;br /&gt;Partir em liberdade.&lt;br /&gt;A fábula mostra quanto a verdade&lt;br /&gt;Até sobre o inimigo tem efeito.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Passaram muitos anos, todavia,&lt;br /&gt;Desde que Esopo escreveu&lt;br /&gt;Esta fábula tão velha&lt;br /&gt;D’ “O Lobo e a Ovelha”&lt;br /&gt;Em que a verdade era garantia&lt;br /&gt;Mesmo que não houvesse filantropia.&lt;br /&gt;Hoje em dia,&lt;br /&gt;Os lobos estão cada vez mais distantes&lt;br /&gt;Da verdadeira cortesia&lt;br /&gt;Cada vez mais uivantes&lt;br /&gt;Como os da fábula aquiliniana,&lt;br /&gt;Fazendo orelhas moucas&lt;br /&gt;Às verdades das ovelhas&lt;br /&gt;Cada vez mais loucas,&lt;br /&gt;Servindo de pasto aos lobos,&lt;br /&gt;Que vão impondo, esfolando sem perdão,&lt;br /&gt;Enquanto elas vão balindo em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-8956369594383284124?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/8956369594383284124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=8956369594383284124&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/8956369594383284124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/8956369594383284124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/09/fome.html' title='A fome'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-5694228596218202982</id><published>2011-08-30T22:16:00.003+01:00</published><updated>2011-09-01T22:03:10.365+01:00</updated><title type='text'>Missal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Foi a minha neta Ana que me ofereceu o livro pelos anos, com recomendações: era indispensável o conhecimento d’ Os Lusíadas, da Ilíada, Odisseia, Eneida, da Bíblia e do Santo Graal da busca de Deus, e mais uns quantos famosos, em que perpassava o Paraíso Perdido de Milton - que eu docilmente procurei na Internet - para se poder penetrar na floresta densa do livro e do seu autor, tão vastamente premiado e tão universalmente já traduzido.&lt;br /&gt;“&lt;strong&gt;Uma Viagem à Índia”,&lt;/strong&gt; de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Gonçalo M. Tavares&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, jovem de 41 anos, de admiráveis qualidades de pensamento, como fio condutor de uma intriga sem intriga, que vai ziguezagueando, em busca da Índia, ou do sentido da vida, ora em reflexão sardónica, ora em reflexão de uma sensibilidade vivida que nos deixam boquiabertos pela inteligência da percepção revelada, aparentemente incompatível com tão juvenil idade, lembrando Rimbaud, lembrando Mozart, o nosso Cesário, embora mais velho do que todos eles, provocador como eles, genial em destreza mental, implicando multiplicidade de leituras e de vivências.&lt;br /&gt;“&lt;strong&gt;Uma Viagem à Índia&lt;/strong&gt;”, um livro para ler e reler. Pela sabedoria que emana, os conceitos disseminados sem tréguas, da aventura simbólica, de uma simbólica personagem – Bloom – português de Lisboa, viajante de avião, por Londres, onde sofre uma aventura policial, Paris, onde Bloom &lt;em&gt;“passeia e vê coisas que o fazem pensar noutras coisas”&lt;/em&gt; e onde pousa para contar a sua aventura a um &lt;em&gt;Jean M.,&lt;/em&gt; cuja identificação poderemos extrapolar, em confronto com &lt;em&gt;“Os Lusíadas&lt;/em&gt;”, como sendo o &lt;em&gt;Rei de Melinde&lt;/em&gt;, como narratário directo do &lt;em&gt;Gama/Bloom&lt;/em&gt;, este, por seu turno, narratário muitas vezes do próprio narrador, num complexo entrecruzar de intervenientes directos e de pistas de acção ou de excursos.&lt;br /&gt;Porque se trata de uma epopeia, arbitrariamente e ludicamente assim designada, estruturalmente imitando “&lt;em&gt;Os Lusíadas&lt;/em&gt;”, em igual número de cantos, repartidos em igual número de estrofes, também arbitrariamente assim designadas, na sua sequência prosística ora narrativa ora conceptual, sem ritmo nem rima, quebra-cabeças de astúcia argumentativa, com imagens e paradoxos de uma extraordinária densidade e engenho criativo, caixinha de surpresas a cada passo revelada, lâmpada de Aladino ou “abre-te Sésamo” propiciadores de riquezas de maravilha, no emaranhado de informações da modernidade contemporânea, ocidental e indiana, em que, na concisão do pensamento, o elo de ligação preferencial da acção sem intriga, no simbolismo dos dados verbais, foram os dados narrativos d’ &lt;em&gt;Os Lusíadas&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Mas, contrariamente ao sentido da epopeia clássica, que narra feitos de heróis individuais, ou da epopeia camoniana, que narra feitos heróicos de um povo - o Gama figurando como personagem sem mola interior, manipulada pelas intrigas dos deuses oponentes ou defensores da sua chegada à Índia - “&lt;strong&gt;Uma Viagem à Índia&lt;/strong&gt;” apresenta antes, como personagem central, um ser comum, (simbólico embora), apanhado nas malhas da vida moderna, de sofisticação e corrupção e ansiedades e aspirações, em busca de um sentido existencial em que não crê, procurando uma Índia de fuga e esquecimento de um crime que aparentemente cometeu – &lt;em&gt;“Tem agora pressa, um morto atrás de si / e na sua cabeça uma linha imaginária / para a qual se deve dirigir. / Sabe que deve correr sempre, sem parar, / mas não o suficiente para alcançar o objectivo. / Eis a história. Acabou.”&lt;/em&gt; (I-14).&lt;br /&gt;A viagem marítima lusíada que se inicia “&lt;em&gt;in media res&lt;/em&gt;” na estrofe 19 do canto I, - “&lt;em&gt;Já no largo oceano navegavam / As inquietas ondas apartando; / Os ventos brandamente respiravam…”&lt;/em&gt; - é referida, na estrofe 15 do livro de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Gonçalo Tavares&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, em relação aos ventos: &lt;em&gt;“Mas a natureza também aparece, e muito, / nesta viagem. / O vento, por exemplo, que poderá parecer elemento neutro, / que distribui os ligeiros incómodos por ricos / e pobres, / mas na verdade é apenas hábil: / nos fracos provoca frio e nos fortes é leve brisa que / acalma o calor excessivo.&lt;/em&gt;” e, na estrofe 16: “&lt;em&gt;Aos palácios chega pela ventoinha domesticada, / enquanto sobre casas frágeis / se abate robusto como a tempestade. / O vento (de certos países) / maltrata a cabeça de quem acabou de cair e / massaja os pezinhos de quem está no topo. / O vento, meu caro Bloom, não é um elemento da natureza / em que possas sonhar.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Quanto à referência ao mar, eis a estrofe 20: “&lt;em&gt;Atravessa as águas também, excelente amigo Bloom, / quebra o mar em dois. / O mar é um mamífero, / o barco, o punhal do sacrifício. / Porque como todos os animais / o mar só é arrogante / até encontrar o seu dono. / Falamos do mar, mas talvez / seja a terra e o céu que exigem ser descritos. / Bloom, Bloom, Bloom.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;E o consílio dos deuses das estrofes 20-41 é, em “&lt;strong&gt;Uma Viagem à Índia”,&lt;/strong&gt; transposto para um discurso aparentemente corriqueiro, cheio de advertência política e cívica: “&lt;em&gt;Poderás acusar os deuses de serem possuidores / de uma técnica de governo muito particular, / que no fundo se poderá resumir dizendo: / Tudo deixa acontecer até ao fim. / Não poderás, pois, Bloom, / atribuir demasiada complexidade a este modo alto / de fechar os olhos, baixar os braços / e repousar as pernas. São os deuses, Bloom, / não são o teu assunto.”&lt;/em&gt; (estr., 21).&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Os deuses actuam / como se não existissem, e assim / não existem de facto, com extrema eficácia. / É verdade que entre os deuses / existe uma hierarquia, / exactamente como entre os brutos / numa carpintaria / ou entre os carregadores de mercadorias de certos portos da Europa,&lt;/em&gt; "(estr. 22)&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;e o mais forte de entre os deuses, / sendo dextro, necessita pelo menos / dessa mão livre para agir. / Hierarquias existem, pois, nas flores, / nas ervas daninhas e no divino. / Da bondade ou da maldade poderás fazer / gráficos de competência, atribuir medalhas; / disparar mais balas a um que a outro.”&lt;/em&gt; (estr. 23)&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“No fundo, a organização do universo / é um assunto de galões militares, / e o informe assusta (precisamente) / porque não sabemos se havemos de lhe dar ordens / ou obedecer. / Mas falemos ainda, Bloom, da ironia que muito / aplicaremos. / De que forma a catástrofe/ traz perturbações ao velho método / de aplicar uma distância ao mundo?” (&lt;/em&gt;estr. 24) …&lt;br /&gt;E a leitura prossegue, no espanto de uma sucessividade de conceitos, em que a ironia desmistificadora na aparente banalidade dos dizeres compactua com uma sabedoria que desliza do princípio ao fim, e os temas da viagem do Gama são “virados do avesso” de uma forma extremamente irreverente e original.&lt;br /&gt;Dificilmente num texto que se pretende breve, caberiam mais amplas referências a um livro de tão grande riqueza conceptual .&lt;br /&gt;Finalizamos com a tradução, no canto III d’ Os Lusíadas, da apresentação do Gama ao Rei de Melinde, do seu país, após o percurso europeu: “&lt;em&gt;Eis aqui, quase cume da cabeça / Da Europa toda, o Reino Lusitano / Onde a terra se acaba e o mar começa / E onde Febo repousa no Oceano&lt;/em&gt; (III 20) &lt;em&gt;… e “Esta é a ditosa pátria minha amada / À qual se o céu me dá que eu sem perigo / Torne, com esta empresa já acabada / Acabe-se esta luz ali comigo”&lt;/em&gt; (III, 21), com o respectivo paralelo em Gonçalo Tavares, e o sentido ironicamente desmistificador e crítico da sua mensagem, até mesmo chocarreiro, contrastando com o sentido exaltante do discurso heróico camoniano:&lt;br /&gt;Estrofe 20: &lt;em&gt;“Chego, pois, ou a minha voz em meu nome, / chego, dizia, finalmente, ao sítio de onde parti: / Portugal, Lisboa, Rua Actor Isidoro, nº 31, 1º direito. / É um bairro simpático, / com uma mercearia em cada esquina. / Mesmo estando no centro da cidade, barulhenta / e com fumos de carros, / se tens maçãs e laranjas na tua rua / então estás praticamente no campo.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Estrofe 21: Estrofe 22: &lt;em&gt;“Ausência de indústrias e de fábricas significativas, / Eis a higiene de um país como o nosso. / E quando não há chaminés importantes / até o fumo do cigarro conta para efeitos estatísticos. / Não é grande nem é enorme mas é simpático, este país. Dois lados dão para a terra, dois lados para o mar. / E a coisa assim quase dá certo.” &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Gostava de um dia regressar a Lisboa, claro, / mas já com a alegria reencontrada / e com uma mulher. (…)”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Um amplo livro, missal que se pode ir estudando, vagarosamente, e saboreando, em cada partícula do seu discurso caricatural, dissonante, à maneira de certas composições musicais atonais contemporâneas, ou da própria pintura modernista de vários quadrantes - expressionismo, cubismo, simbolismo, o próprio impressionismo nele se impondo, na sua explosão de luz e cor. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-5694228596218202982?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/5694228596218202982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=5694228596218202982&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/5694228596218202982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/5694228596218202982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/08/missal.html' title='Missal'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-4009819938421410706</id><published>2011-08-27T19:30:00.000+01:00</published><updated>2011-08-27T19:36:03.415+01:00</updated><title type='text'>“Querido, mudei a casa”</title><content type='html'>Basílio Horta admirei&lt;br /&gt;Quando parecia defender&lt;br /&gt;Políticas que eu amei.&lt;br /&gt;Mas Basílio Horta mudou,&lt;br /&gt;E eu não consigo entender&lt;br /&gt;O seu actual arreganho&lt;br /&gt;De não querer&lt;br /&gt;Ver o esforço tamanho&lt;br /&gt;De um Governo de um Partido&lt;br /&gt;A que ele já pertenceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de facto,&lt;br /&gt;Ao longo da minha vida&lt;br /&gt;Pude admirar a perícia&lt;br /&gt;Com que muitos sem malícia&lt;br /&gt;E antes com devoção -&lt;br /&gt;Outros dirão&lt;br /&gt;Por comodismo ou esperteza -&lt;br /&gt;Praticam a vileza&lt;br /&gt;De mudar&lt;br /&gt;De política posição&lt;br /&gt;Conforme lhes venha à cabeça&lt;br /&gt;A distinção&lt;br /&gt;Entre o melhor e o pior&lt;br /&gt;Para a sua própria defesa.&lt;br /&gt;Já La Fontaine o informou,&lt;br /&gt;Que também ele vibrou&lt;br /&gt;Com desmandos tais&lt;br /&gt;Dos mortais,&lt;br /&gt;E por isso o descreveu&lt;br /&gt;Nos seus animais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;«O morcego e as duas doninhas»&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;«Um morcego de cabeça abaixada&lt;br /&gt;Foi dar&lt;br /&gt;Ao ninho duma doninha;&lt;br /&gt;Quando esta ali chegou e o viu,&lt;br /&gt;Encolerizada,&lt;br /&gt;Correu para o devorar&lt;br /&gt;Com toda a gana que tinha.&lt;br /&gt;“O quê? Você ousa – disse ela -&lt;br /&gt;Aos meus olhos aparecer&lt;br /&gt;Desse jeito&lt;br /&gt;E sem mais aquela,&lt;br /&gt;Quando a sua raça mais não tem feito&lt;br /&gt;Do que me prejudicar!&lt;br /&gt;Não é você um rato? Diga-o sem ficção!&lt;br /&gt;Sim, é, ou não serei eu doninha!”&lt;br /&gt;“ Perdoe-me, rogou o pobre,&lt;br /&gt;Não é a minha profissão,&lt;br /&gt;Por vida minha!&lt;br /&gt;Rato, eu! Os vilões ter-me-ão&lt;br /&gt;Descrito assim, ai de mim!&lt;br /&gt;Graças ao autor do universo,&lt;br /&gt;A quem rezo sempre o terço,&lt;br /&gt;Sou um pássaro; veja as minhas asas:&lt;br /&gt;Vivam os seres singulares&lt;br /&gt;Que fendem os ares!”&lt;br /&gt;Valeu o seu argumento&lt;br /&gt;Como de muito tento,&lt;br /&gt;E a liberdade lhe foi dada&lt;br /&gt;Pela doninha amansada.&lt;br /&gt;Dois dias depois, o nosso morcego&lt;br /&gt;Estouvado,&lt;br /&gt;Cegamente vai cair&lt;br /&gt;Na casa doutra Doninha&lt;br /&gt;Dos pássaros, inimiga.&lt;br /&gt;Ei-lo novamente em perigo grado,&lt;br /&gt;Porque a Dama,&lt;br /&gt;“De focinho pontiagudo&lt;br /&gt;Que fossa através de tudo&lt;br /&gt;Num perpétuo movimento”,&lt;br /&gt;De espanto,&lt;br /&gt;Estava disposta a comê-lo,&lt;br /&gt;Por de pássaro se tratar&lt;br /&gt;Segundo o seu entendimento.&lt;br /&gt;Mais uma vez ofendido,&lt;br /&gt;O morcego protestou&lt;br /&gt;Contra o ultraje imerecido:&lt;br /&gt;“Eu? Passar por tal? Que bobagem!&lt;br /&gt;O que define o pássaro? É a plumagem.&lt;br /&gt;Eu sou um rato: Vivam os ratos!&lt;br /&gt;Que Júpiter confunda os gatos!”&lt;br /&gt;Com mais este hábil argumento&lt;br /&gt;Duas vezes salvou a sua vida&lt;br /&gt;O morcego bento!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vários se acham que, dando de barato&lt;br /&gt;Mudar de texto,&lt;br /&gt;Mudar de fato,&lt;br /&gt;Aos perigos, tal como ele, fazem frente.&lt;br /&gt;Diz o prudente, segundo o contexto:&lt;br /&gt;Viva o Rei! Viva o Presidente!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;É esta a moralidade&lt;br /&gt;Da fábula de La Fontaine,&lt;br /&gt;Como da nossa realidade.&lt;br /&gt;Nem é preciso explicar&lt;br /&gt;Ou aprofundar.&lt;br /&gt;O “Salve-se quem puder”&lt;br /&gt;Tem sempre actualidade.&lt;br /&gt;E assim vamos vivendo,&lt;br /&gt;Admirando.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-4009819938421410706?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/4009819938421410706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=4009819938421410706&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/4009819938421410706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/4009819938421410706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/08/querido-mudei-casa.html' title='“Querido, mudei a casa”'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-1075186709107063886</id><published>2011-08-23T18:52:00.000+01:00</published><updated>2011-08-23T18:57:24.466+01:00</updated><title type='text'>“Pessoas de bem”</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vê-se que a minha amiga anda imensamente céptica a respeito dos valores humanos, embora nenhuma de nós tenha sido tão fustigada assim pela falta de solidariedade humana. Muito menos ela, que recebe e faz contínuos telefonemas às suas amigas do outrora zambeziano da sua saudade. A verdade é que constantemente a ouço exclamar que os cães são as melhores pessoas de bem.&lt;br /&gt;E hoje resolvi contar-lhe uma história de grandeza de alma de cães, que uma vizinha minha me contou dos seus. Tivera dois – o BartoK e o Shubert – dois cães que foram envelhecendo, ora livres, na estrada aberta, ora presos nas grades do jardim. E um dia veio o Sebastião, um bonito e grande cão branco, que, inicialmente, fez rejuvenescer Shubert, no seu carinho brincalhão pelo cão velho. Mas este foi perdendo forças, foi cegando, e o final chegou. Pois o Bartok e o Sebastião, acompanharam o amigo na sua decrepitude, lambendo-lhe os olhos, o pequeno Bartok dormindo encostado a ele, como sempre fizera, jamais os dois mais novos comendo ou bebendo da gamela comum, sem darem respeitosa prioridade a Shubert.&lt;br /&gt;E mais uma vez a minha amiga largou o comentário sobre as melhores pessoas de bem que são os cães. Todas nós, de resto, temos histórias de gestos de amor desse grande amigo, e também de gatos.&lt;br /&gt;Lembro a minha Blacky, que morreu há uns dois meses. Eu não me atrevia a ir vê-la, mas disseram-me que já tinha morrido e algum tempo depois fui levar-lhe as minhas lágrimas, chamando-a baixinho: Blackinha! E a Blacky miou o seu adeus de despedida, que esperara a visita da dona cobarde para finalmente sossegar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-1075186709107063886?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/1075186709107063886/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=1075186709107063886&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/1075186709107063886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/1075186709107063886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/08/pessoas-de-bem.html' title='“Pessoas de bem”'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-307593869642262219</id><published>2011-08-22T05:03:00.001+01:00</published><updated>2011-08-22T11:32:36.312+01:00</updated><title type='text'>Confiteor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O que me espantou sobremaneira foram os duzentos confessionários lá postos na praça e os padres, entre os quais o Papa, disponibilizados para atender e perdoar os pecadores. Sempre me espantou o acto da confissão, desde a primeira e única que me foi imposta na vida, aos doze anos, para a primeira comunhão, sem vestido branco, como costume das aulas de moral, com as colegas da bicha atrás de mim, na galeria do lado direito na bonita Catedral de Lourenço Marques, recuando discretamente, pois a minha voz, com os nervos, inventava os pecados banais da mentira ou do incumprimento em voz audível, em vez de os bichanar em sussurros de comprometido e usual arrependimento, desculpado com o número de pai nossos e ave-marias da penitência imposta logo ali.&lt;br /&gt;Julgava eu que a Igreja Católica já não fazia confissões, desde que os media se encarregaram de topar os pecados alheios e os difundir, e espantei-me com tanto confessionário na praça espanhola, que não recordava nas visitas papais cá, mas a minha amiga não se impressionou, mais sensível ao aparato do milhão de peregrinos, com os reis e príncipes discretos e educados, como sempre, e a organização impecável dos espanhóis, para uma visita de tal envergadura.&lt;br /&gt;A minha amiga expunha, em gestos amplos de pasmo:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- A gente olha p’r’ali, a gente tem ali um milhão, o rei e a rainha estão ali os dois e mais a corte, tudo sem um desvio… Aquela organização! … Veja-me o tamanho daquela praça! …&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Eu lembrei que onde havia rei era outra coisa, sobretudo este, do país das touradas com morte do touro na arena, ainda por cima arrastado sem glória, depois de morto, para o destino final. Um país de altivez, bem demonstrada há uns anos, quando o rei, questionadoramente, impôs silêncio ao palrador visitante venezuelano, Chavez.&lt;br /&gt;A minha amiga continuou em profusão de dados, excitada:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Mais de um milhão de pessoas! A polícia está a correr com os ateus e as “atuas”… Espanha e arredores é tudo católico. Sempre que fui a Espanha fiquei de boca aberta! E Barcelona! O avanço daquela cidade!&lt;br /&gt;- Esquece-se dos nossos estádios de futebol… Também demos provas!&lt;br /&gt;- Mas está tudo a ir-se abaixo!&lt;br /&gt;- Nada é eterno! As civilizações desmoronam-se! E os estádios vendem-se.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Entretanto, chegou uma nossa amiga que também assistira pela televisão ao evento e debruçámo-nos sobre os grupos em quadrados, com uma cruz vermelha, que tinham intrigado a minha amiga.&lt;br /&gt;Sugeri que talvez fossem da Cruz Vermelha, a nossa amiga achou que seriam acólitos do Papa, e como é muito crítica criticou os jovens deitados no chão de pernas ao léu, sem o mínimo respeito. Mas a minha amiga desculpou-os, por conta do calor que fizera.&lt;br /&gt;Voltei aos confessionários. E aos discursos do Papa à juventude, cancelados pelo temporal. E à magreza do Papa, para a qual estas jornadas extenuantes devem contribuir. E ao equilíbrio que talvez tragam a um mundo de violência. E aos muitos jovens nossos que também lá foram, provando a sua seriedade e a nossa abastança.&lt;br /&gt;Foi mais um evento que passou, no dia-a-dia do nosso cansaço. Ou da nossa indiferença, com que ninguém se importa.&lt;br /&gt;E a continuação. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-307593869642262219?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/307593869642262219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=307593869642262219&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/307593869642262219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/307593869642262219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/08/confiteor.html' title='Confiteor'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-201095665532996641</id><published>2011-08-18T18:50:00.003+01:00</published><updated>2011-08-19T08:10:37.341+01:00</updated><title type='text'>“Fiat Lux”</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A propósito de um sacrossanto &lt;strong&gt;Acordo Ortográfico&lt;/strong&gt; que pessoas da nossa praça e doutras praças acordaram entre si, apresenta &lt;em&gt;Vasco Graça Moura&lt;/em&gt; mais um artigo no &lt;em&gt;DN&lt;/em&gt; de ontem, 17/8 – &lt;em&gt;DN Forum&lt;/em&gt; – que tomou um título caricato – &lt;strong&gt;“Acordo, epistememas e cairologia&lt;/strong&gt;”, no qual, com uma ironia tão inútil como merecida, condena um artigo de &lt;em&gt;Fernando dos Santos Neves&lt;/em&gt; saído no “Público” em 9 de Agosto, intitulado “&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Onze teses contra os inimigos do Acordo Ortográfico&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;”. Ilustra-se Fernando Neves de uma orgia de títulos mais ou menos académicos e actuações “&lt;em&gt;tão famosamente retumbantes quanto esmagadoras”&lt;/em&gt; na designação de V.G.M., entre as quais o lançamento “&lt;em&gt;do epistemema (sim, leitores, o epistemema) &lt;strong&gt;“Ruptura Epistemológica Primordial” (REP)&lt;/strong&gt; como “&lt;strong&gt;a passagem de uma concepção monoparadigmática e reducionista a uma concepção pluriparadigmática e aberta do próprio conceito de ciência.”&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;Não resistimos a continuar transcrevendo pedaços desta prosa – paradigmática &lt;em&gt;"tout court&lt;/em&gt;" - de V.G.M., sobre os pedaços sintagmáticos assustadoramente e promissoramente asnáticos, de F.S.N.:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Acresce que o número de “&lt;strong&gt;onze teses&lt;/strong&gt;” configura já um autêntico estribilho curricular, uma vez que ele também é autor de mais “&lt;strong&gt;Onze Teses sobre o Ensino Superior em Portugal e no Espaço Lusófono&lt;/strong&gt;”.&lt;br /&gt;“Com tanta artilharia pluriparadigmática, os “&lt;strong&gt;inimigos do Acordo Ortográfico&lt;/strong&gt;” não ganharam para o susto e ainda se arrepiaram mais ao lerem que, na nona tese, o autor propõe para a CPLP “&lt;strong&gt;o nome mais cairológico e menos restritivo de Comunidade Lusófona&lt;/strong&gt;” implicando assim que a referência à língua portuguesa na sigla é afinal redutora.” ….&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;E V. G. M. conclui, depois de atenta análise deste, ao que parece, atentado ao bom senso, no grotesco de imbecilidades de um preciosismo ignaro, sintomático da parolice apática de quem o aprova:&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Mas faça-se justiça. Há pelo menos duas das onze gloriosas que podemos reputar de verdadeiramente epistemémicas e inovadoras. Trata-se da terceira e da décima primeira: o autor, depois de reconhecer que &lt;strong&gt;“do ponto de vista técnico-linguístico&lt;/strong&gt;” o Acordo Ortográfico &lt;strong&gt;“padece de muitos defeitos e carece de muitos aperfeiçoamentos&lt;/strong&gt;”, sustenta que “&lt;strong&gt;a sua principal virtude é existir”&lt;/strong&gt; (3ª) e ainda que “&lt;strong&gt;o que importa, agora, é, efectivamente, começar a praticá-lo” &lt;/strong&gt;(11ª).”&lt;br /&gt;“Da conjugação destas duas teses decorre, do enfático ponto de vista do criador do epistemema “&lt;strong&gt;Ruptura Epistemológica Primordial&lt;/strong&gt;”, que um chorrilho de asneiras deve ser o factor de aproximação da maneira de escrever a língua portuguesa nos vários espaços em que é falada.” &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Aqui está a razão do meu título que remonta aos primórdios edénicos: “&lt;em&gt;Fiat Lux&lt;/em&gt;”, a partir de um pensamento fernandino amplo de santificado e nevado conceito, no seu jogo antitético que não se importa de pôr em risco a coerência dos enunciados: a existência do Acordo como sua principal virtude, já que se apresenta pleno de lacunas, a necessidade do seu arranque, maugrado estas, dê por onde der.&lt;br /&gt;Faça-se luz a um novo modelo de língua padronizado por novos modelos de fabricadores dela, de uma argumentação apoiada em floresta de títulos de autopromoção, em floresta de asneiras provindas da nova educação, onde por um fenómeno de epêntese sinuosamente erótica, os epistemas passaram a &lt;em&gt;epistememas&lt;/em&gt; por deturpação malandra de apetecíveis epistemamas dos novos estudos linguísticos e a &lt;em&gt;cairologia&lt;/em&gt; resultou de tal outra provável confusão hieroglífica proveniente das muitas viagens da nossa internacionalidade actual, detidas nos calores arenosos das confusas Pirâmides.&lt;br /&gt;O mal, nisto, é que nem Nuno Crato, Ministro da Educação, nem os demais governantes – suprimido o Presidente Cavaco que o ratificara, detido noutros desertos - parecem importar-se com tal sinistro Acordo, derrubando-o a uma nova luz de maior consciência, linguística e pátria.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Fiat Lux”, “Fiat Lux”, Senhores! Em vós que mandais, e que prometestes. Em vós confiámos, não nos enganeis. A vossa língua não a abastardeis, o vosso País não desrespeiteis. Os caboucos da reconstrução começam por isso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-201095665532996641?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/201095665532996641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=201095665532996641&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/201095665532996641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/201095665532996641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/08/fiat-lux_18.html' title='“Fiat Lux”'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-7378755770886565258</id><published>2011-08-16T18:42:00.002+01:00</published><updated>2011-08-16T19:34:10.833+01:00</updated><title type='text'>Invisibilidade</title><content type='html'>A seguinte fábula de Esopo&lt;br /&gt;É expressiva dos distanciamentos&lt;br /&gt;Existentes&lt;br /&gt;Entre os habitantes&lt;br /&gt;Dos vários continentes,&lt;br /&gt;Os grandes e os pequenos.&lt;br /&gt;Mas também Pascal&lt;br /&gt;E Voltaire, apreciaram&lt;br /&gt;Fenómeno tal,&lt;br /&gt;Inteligentes que foram,&lt;br /&gt;Que assim descobriram&lt;br /&gt;As anomalias&lt;br /&gt;E as relatividades&lt;br /&gt;Das humanas disparidades.&lt;br /&gt;E até Swift o apontou&lt;br /&gt;Com o seu famoso Gulliver&lt;br /&gt;Que os de Liliput ataram&lt;br /&gt;Julgando que o venciam.&lt;br /&gt;Mas a invisibilidade&lt;br /&gt;Dos pequenos seres&lt;br /&gt;Para os seres superiores&lt;br /&gt;É o que sentidamente&lt;br /&gt;Esopo atesta&lt;br /&gt;Na fábula da sua gesta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;«O mosquito e o touro»&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;“Tinha-se um mosquito longo tempo&lt;br /&gt;Postado entre os cornos dum touro&lt;br /&gt;Onde viveu bem acomodado,&lt;br /&gt;Preguiçosamente instalado.&lt;br /&gt;Antes de partir,&lt;br /&gt;Delicadamente&lt;br /&gt;- Ou sequer humildemente -&lt;br /&gt;Ao touro perguntou&lt;br /&gt;Se ele desejava&lt;br /&gt;Ou lhe convinha&lt;br /&gt;Que partisse.&lt;br /&gt;Eis a resposta do touro,&lt;br /&gt;Em taurina postura:&lt;br /&gt;“Na tua vinda não reparei,&lt;br /&gt;A tua ida tão pouco&lt;br /&gt;Notarei,&lt;br /&gt;Ínfima criatura.”&lt;br /&gt;A fábula aplica-se&lt;br /&gt;Ao homem sem poder,&lt;br /&gt;Cuja ausência ou presença&lt;br /&gt;Nem é útil, nem sequer&lt;br /&gt;Inútil pode parecer.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Poderá assim ser&lt;br /&gt;Efectivamente.&lt;br /&gt;Mas o desdém da gente superior&lt;br /&gt;Às vezes, provoca reacções crescentes&lt;br /&gt;Entre a gente inferior.&lt;br /&gt;Fala-se hoje em dia&lt;br /&gt;Em racismo,&lt;br /&gt;Ou em segregacionismo,&lt;br /&gt;Discriminação&lt;br /&gt;Apartheid, xenofobia,&lt;br /&gt;E mais o que&lt;br /&gt;Também ao diabo lembraria.&lt;br /&gt;Tem a ver com a importância&lt;br /&gt;Dos que têm a cor da pele&lt;br /&gt;Como sinónima do somatório&lt;br /&gt;De todas as cores,&lt;br /&gt;Contra os que a têm como sinónima&lt;br /&gt;Da ausência de todas elas.&lt;br /&gt;O tudo e o nada&lt;br /&gt;Também na cor da pele apercebidos,&lt;br /&gt;Base dessas querelas&lt;br /&gt;Que pelo mundo vão estalando&lt;br /&gt;E a que vamos assistindo&lt;br /&gt;Aturdidos e ofendidos.&lt;br /&gt;Existe por todo o lado,&lt;br /&gt;Na Noruega como na Inglaterra, como na França, como na Germânia …&lt;br /&gt;Entre nós cá&lt;br /&gt;Também se diz que o há&lt;br /&gt;Pois não somos imunes&lt;br /&gt;Ao esplendor da cor,&lt;br /&gt;E muito menos&lt;br /&gt;Ao brilho vil do metal,&lt;br /&gt;Igualmente responsável&lt;br /&gt;Pela diferença racial,&lt;br /&gt;Ou apenas social.&lt;br /&gt;E até mesmo se diz&lt;br /&gt;Que a diferença social&lt;br /&gt;Cá entre nós&lt;br /&gt;É pouco razoável&lt;br /&gt;E muito condenável.&lt;br /&gt;Como na Índia.&lt;br /&gt;Mesmo que não se ponha&lt;br /&gt;Com a costumeira ronha,&lt;br /&gt;O problema da cor,&lt;br /&gt;E só o do económico valor.&lt;br /&gt;Só que um dia,&lt;br /&gt;- Vivemos em democracia -&lt;br /&gt;O pequeno ser poderá,&lt;br /&gt;Como acontece já,&lt;br /&gt;Mostrar a sua revolta&lt;br /&gt;A sua indignação,&lt;br /&gt;Pela humilhação.&lt;br /&gt;Mas há quem nisso não creia,&lt;br /&gt;Como acção muito feia.&lt;br /&gt;Ou como excesso de areia&lt;br /&gt;Para as camionetas&lt;br /&gt;Das nossas metas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-7378755770886565258?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/7378755770886565258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=7378755770886565258&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/7378755770886565258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/7378755770886565258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/08/invisibilidade.html' title='Invisibilidade'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-3543119248254326171</id><published>2011-08-14T20:54:00.003+01:00</published><updated>2011-08-15T07:37:15.166+01:00</updated><title type='text'>“Também não fazem bem a ninguém”</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eis uma pronta expressão da minha amiga, assim que lhe contei de um programa que escutei esta manhã de domingo, num dos canais televisivos, sobre os monges que vivem em ascese em mosteiros do monte Athos, de que mostraram belas imagens de arquitectura, trabalho agrícola, pintura e reparação de ícones e imagens antigas, conversa de monges com o entrevistador americano… Monges que vivem em oração permanente, mesmo quando trabalham, salvo talvez nas horas de sono, procurando identificar-se com Cristo, imitando-o segundo a leitura bíblica no rito ortodoxo, numa grande frugalidade e isolamento, mesmo noticiarístico, embora se não coíbam de receber fartura de visitantes, distinguindo os do rito ortodoxo dos do rito cristão.&lt;br /&gt;Já os santos eremitas da Tebaida viviam em ascese e solidão, mas estes alimentavam-se de produtos menos bem talhados, alguns de bichos e de plantas silvestres, como bem explica Eça de Queirós na sua “Lenda de Santo Onofre” e na de “S. Cristóvão”, e como, de resto, Santo Antão, narrado por Flaubert, sujeitos, na sequência desses martírios sofridos, na busca da perfeição, a visões de concupiscências e banquetes, provocadas pelo tentador demónio que sempre se riu desses fastios voluntários, como já o fizera com Cristo.&lt;br /&gt;Creio que os monges ortodoxos dos mosteiros do monte Athos se alimentam e rezam sem delíquios de vis tentações da carne, embora a minha amiga tenha fungado entre dentes, afeita aos despautérios do consumismo e da libertinagem hodiernos.&lt;br /&gt;E a minha amiga concluiu mansamente:&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; São aqueles que se fartam da vida e pronto. Têm aí uma solução, nas muitas horas de devoção. Não interessam nem ao menino Jesus.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Mas, sempre irrequieta, acrescentou, embora a medo, que a vida nos sai por vezes adversa:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Só espero que esses convidem a filha do Raul Solnado, porque ela fala todos os dias com Jesus. Para lhes dar umas dicas. Nós, que já temos uma Fátima, e ainda temos uma Solnada, o que é que a gente quer mais? Para quem não tem nem petróleo, nem ouro… É um fartote de bênçãos, mesmo sem os produtos de extracção.&lt;br /&gt;- Não tenho sentido o efeito bênção&lt;/em&gt;, exclamei com certa indignação.&lt;br /&gt;Desprezou o remoque.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Eu só fico pasmada como é que não aparece ninguém a contestar! Se não fosse filha do Solnado, nem se atreveria a propalar as suas vidências. E vende os livros todos. Nunca vi ninguém criticar. Normalmente é entrevistada quando sai um livro, como se fosse a coisa mais natural deste mundo. Mas ela é que vive bem, e o resto é treta.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Retorqui eruditamente:&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; O resto é silêncio, foi o Hamlet que disse, é o que nos espera a todos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;A minha amiga fugiu do assunto macabro, criticando mais um feriado, o de amanhã, dia da Assunção:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Somos os campeões dos feriados. Houve alguém que falou em corte de feriados. Mas não devem ter coragem. A Igreja não deixa. Embora a Merkel tenha dito que é preciso trabalhar mais.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Mas, na sequência do sentido crítico e conceito antidogmático que encontramos em Eça, a respeito do que a busca da santidade pelo ascetismo e a penitência podem traduzir de vaidade pelo desejo de equiparação com Cristo, e de vacuidade e egoísmo no desligar do mundo, cito, de Machado de Assis em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, o seguinte passo:&lt;br /&gt;«&lt;em&gt;Disse-me ele&lt;/em&gt; (Quincas Borba) &lt;em&gt;que a frugalidade não era necessária para entender o Humanitismo e menos ainda praticá-lo; que esta filosofia acomodava-se facilmente com os prazeres da vida, inclusive a mesa, o espectáculo e os amores; e que, ao contrário, a fragilidade poderia indicar certa tendência para o ascetismo, o qual era a expressão acabada da tolice humana. “- Veja S. João, continuou ele – mantinha-se de gafanhotos, no deserto, em vez de engordar tranquilamente na cidade, e fazer emagrecer o farisaísmo na sinagoga”.»&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Por mim, defendo democraticamente o viver que cada um entenda para si, desde que não ofenda a integridade alheia.&lt;br /&gt;E também gostaria de peregrinar até àqueles mosteiros dos monges bizantinos da “Santa Montanha do Athos”, e outros sítios, percorridos outrora por gentes e barcos e cujos enredos de fantasia ou de mito assente no real, para sempre permaneceriam no imaginário dos povos ocidentais, por eles enfeitiçados. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-3543119248254326171?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/3543119248254326171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=3543119248254326171&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/3543119248254326171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/3543119248254326171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/08/tambem-nao-fazem-bem-ninguem.html' title='“Também não fazem bem a ninguém”'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-852068468816089273</id><published>2011-08-09T23:09:00.002+01:00</published><updated>2011-08-09T23:23:31.312+01:00</updated><title type='text'>Corvo negro do pecado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Leio o livro “&lt;strong&gt;Os Portugueses&lt;/strong&gt;” de Barry Hatton que, vivendo há 25 anos em Portugal, como jornalista e escritor, traça um retrato, que consegue ser simpático, do povo português, em toda a parte ironizado, ao longo dos tempos, pelos povos mentalmente mais desenvoltos, como povo timorato, fechado na sua timidez de incultura, e que em várias épocas da sua história conseguiu ultrapassar economicamente esses outros, por, mau grado o seu atraso espiritual, ter contribuído para o alargar dos espaços da esfera terrestre, nos altos e baixos da sua condição humana, ora selvagem e brutal, ora no proselitismo da fé que espalhou, ora na ambição do enriquecimento pela conquista e domínio de outros povos.&lt;br /&gt;Hoje em dia, os povos cultos não lembram esses factos passados desse povo hispânico, sorrindo das suas inépcias resultantes, acima de tudo de um índice de analfabetismo superior, resultado da luta constante pela conquista da terra da sua lavra, ou do mar da sua ambição, obtidos na sujeição sempre aos senhores que muito os exploravam, e pouco lhes davam em troca, ao contrário de outros povos europeus mais conscientes, criados numa ideologia que foi igualando servos e senhores, obtida pelos muitos letrados que uma governação mais equilibrada possibilitara, pela criação das estruturas culturais necessárias.&lt;br /&gt;Mais tarde, esses outros povos, já traçados os caminhos marítimos de longínqua escala, lançar-se-iam igualmente na descoberta e ocupação de terras, com mais capacidades técnicas e saberes das gentes superiores donde provinham.&lt;br /&gt;O livro de Barry Hatton vai-nos dando conta, através da História, da Literatura e da Política actual, dessas características de um povo “&lt;em&gt;único, fascinante e contraditório&lt;/em&gt;”, no seu dom de simpatia e afabilidade ao estrangeiro e servilismo ao poderoso, no seu esbanjamento do tempo, por um “&lt;em&gt;dolce far niente&lt;/em&gt;” na cavaqueira sem consequência, na indisciplina e irracionalidade de adepto, não da ordem mas do improviso, não do esforço metódico mas da preguiça mental, e da anedota e das tiradas revisteiras mais ou menos grosseiras, dum convencionalismo parolo que a imposição dos dogmatismos católicos mais acentuou, povo cuja mediocridade favorece a ostentação, a inveja e o não reconhecimento da competência, tendo Camões como paradigma do génio não reconhecido na sua época, mas povo que simultaneamente é capaz da gargalhada sadia, ao estilo de Eça, do gesto grotesco à Zé Povinho, ou das graças de um Solnado dos bons velhos tempos e de tantos outros bons humoristas antigos e actuais nos seus papéis de humor, onde Victor Espadinha sobressai, contra a tal indiferença da mesquinhez que nos corrói. Um povo “&lt;em&gt;sui generis&lt;/em&gt;” que construiu uma nação “&lt;em&gt;sui generis&lt;/em&gt;”, com uma história “&lt;em&gt;sui generis&lt;/em&gt;”, imortalizada por nomes que mereciam maior atenção universal, tal como o fado e os alegres ranchos folclóricos, que metem velhos e crianças, numa despretensão de gente saloia mas carinhosa, que, por outro lado, é capaz de matar, por um desvio de água das suas terras, e se lança corajosamente aos cornos dos touros nas pegas pelos forcados.&lt;br /&gt;Mostrou Barry Hatton a forma pouco judiciosa de aproveitamento dos dinheiros europeus, dando azo ao desperdício e às extorsões, como já dantes fora, da parte dos que comandam os destinos da nação, contou a nossa história segundo algumas boas leituras, entre as quais Antero e as três “&lt;em&gt;Causas da Decadência dos Povos Peninsulares&lt;/em&gt;” – governos absolutos prepotentes e narcisísticos, educação jesuítica obsoleta e desligada da ciência moderna, exploração económica colonialística que habituou o país à mândria – a que se acrescentaria o desastre de 1755, as invasões francesas, a perda temporária da corte portuguesa, mas onde um liberalismo de empréstimo possibilitou a implantação de reformas mais humanas. E tudo o que seguiu de reformas tecnológicas na Regeneração, com o Fontismo e a dívida ao estrangeiro, e uma primeira República desordeira, uma segunda economicamente e socialmente estabilizadora mas mesquinha e amordaçante, seguida das mudanças trazidas pela romântica Revolução dos Cravos, de uma democracia mais fútil do que real.&lt;br /&gt;Um belo livro, que cita aversões e amores de gente estrangeira, que, odiando o povo na sua situação de miséria e atraso, admirou, como Lord Byron, as paisagens naturais, de uma beleza edénica não merecida por seres tais embrutecidos.&lt;br /&gt;Mas ouço as histórias da minha portuguesa mãe, que uns dias canta outros dias chora. Esta tarde cantou fados de Coimbra, cuja letra eu já esquecera. Creio que foi em minha homenagem, que amanhã faço anos e vou fazer doces, e fiquei feliz a ouvi-la, alargando a homenagem, generosamente – característica nossa - a Rui Knopfli e a Jorge Amado, que em igual dia viram a luz:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Do Choupal até à Lapa&lt;br /&gt;Foi Coimbra os meus amores,&lt;br /&gt;A sombra da minha capa&lt;br /&gt;Deu no chão, abriu em flores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó Coimbra, que mais queres&lt;br /&gt;Que mais podes desejar,&lt;br /&gt;Se tens cá lindas mulheres&lt;br /&gt;E bons corações para amar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Coimbra fosse nossa,&lt;br /&gt;Como são os estudantes,&lt;br /&gt;Mandava-lhe pôr no centro&lt;br /&gt;Uma coroa de brilhantes. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Não sei onde foi buscar tais quadras, pois a letra do Zeca Afonso nem todas essas abrange, mas os 104 anos da minha mãe dão-lhe uma clarividência de memórias que definitivamente admiro.&lt;br /&gt;Hoje de manhã contara as histórias dos seus tempos de doeira, a guardar cabras pelos montes, seguidas dos corvos que no alto iam crocitando em grasnidos ruidosos, e as doeiras, para os afastar, recitavam:&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Corvo negro do pecado / Não me azangues o meu gado, / Nem o branco, nem o negro / Nem o que anda misturado. / Se queres carne vai ao Porto / Que lá está um burro morto. / Come a carne e deixa o osso / P’r’ amanhã p’r´ó teu almoço."&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Esta lengalenga me fez elevar o espírito em oração fervorosa contra as ameaças dos corvos negros da nossa perdição.&lt;br /&gt;Será que uma vez mais o povo valente, capaz dos heroísmos marítimos de outrora, vai conseguir arredar o mal que sobre ele paira, tal como ainda hoje fazem os toureiros em faenas dengosas, que faz Barry Hatton escrever, na Introdução do seu livro: &lt;em&gt;“E uma coisa é certa: qualquer país que luta com touros para se divertir nunca poderá desaparecer&lt;/em&gt;”?&lt;br /&gt;Oxalá tenha razão. Sigo o meu pai, que não aceitava a barbárie da tourada como espectáculo.&lt;br /&gt;Mas desejo que o novo governo se mantenha firme e criterioso nos seus compromissos com o país. E que, tal como promete, em breve levantemos cabeça, pagando as dívidas, desenvolvendo as produções, aumentando o emprego e a exportação. Sem lengalenga. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-852068468816089273?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/852068468816089273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=852068468816089273&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/852068468816089273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/852068468816089273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/08/corvo-negro-do-pecado.html' title='Corvo negro do pecado'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-1208041030846535760</id><published>2011-08-05T02:42:00.002+01:00</published><updated>2011-08-05T22:12:25.177+01:00</updated><title type='text'>Uma fábula de Florian</title><content type='html'>Esta fábula de como se pode ser feliz&lt;br /&gt;Vem a propósito&lt;br /&gt;De um livro sobre « Os Portugueses »&lt;br /&gt;De um escritor inglês&lt;br /&gt;Chamado Barry Hatton&lt;br /&gt;Que de um modo geral&lt;br /&gt;Considera os portugueses&lt;br /&gt;Contraditórios -&lt;br /&gt;Na sua simpatia&lt;br /&gt;Na sua imprevidência&lt;br /&gt;Por excelência -&lt;br /&gt;Que o remete para a cauda&lt;br /&gt;Do povo europeu&lt;br /&gt;Seja ou não da União&lt;br /&gt;Sempre troçado&lt;br /&gt;Sempre ignorado,&lt;br /&gt;Vilipendiado,&lt;br /&gt;Apesar de ser capaz,&lt;br /&gt;Apesar de bom rapaz.&lt;br /&gt;Talvez que o nosso futuro,&lt;br /&gt;Como o do grilo,&lt;br /&gt;Seja o de viver obscuro&lt;br /&gt;Mesmo sendo inconformado,&lt;br /&gt;Como a fábula diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«&lt;em&gt; Um grilinho pobrezinho&lt;br /&gt;Escondidinho&lt;br /&gt;Na erva florida&lt;br /&gt;Olhava uma borboletinha&lt;br /&gt;Atrevidinha&lt;br /&gt;No prado a volitar.&lt;br /&gt;Via o insecto alado brilhar&lt;br /&gt;Com as mais vivas cores&lt;br /&gt;Das suas asinhas multicores,&lt;br /&gt;A resplandecer&lt;br /&gt;De azul, púrpura e dourado,&lt;br /&gt;Sobre o prado,&lt;br /&gt;Jovem, belo, senhor de si,&lt;br /&gt;A esvoaçar,&lt;br /&gt;Pegando e largando, a curvetear,&lt;br /&gt;As mais belas flores&lt;br /&gt;Das mais frescas cores&lt;br /&gt;E odores.&lt;br /&gt;« Ah ! dizia o grilo, como são diferentes&lt;br /&gt;A sorte da borboleta e a minha !&lt;br /&gt;Dama natura,&lt;br /&gt;Como uma má fada,&lt;br /&gt;Por ela tudo fez e por mim nada.&lt;br /&gt;Não tenho talento, menos ainda figura,&lt;br /&gt;Assim,&lt;br /&gt;Ninguém tem medo de mim,&lt;br /&gt;De todos sou ignorado&lt;br /&gt;Coitado !&lt;br /&gt;Mais me valera não ser,&lt;br /&gt;Ou até morrer! »&lt;br /&gt;Estava ele a carpir-se,&lt;br /&gt;Chega um bando de petizes,&lt;br /&gt;Muito felizes,&lt;br /&gt;Atrás da borboleta a correr.&lt;br /&gt;Chapéus, lenços, e bonés,&lt;br /&gt;Tudo serve para a apanhar&lt;br /&gt;Sem grandes rapapés&lt;br /&gt;Mas também sem pontapés.&lt;br /&gt;Em vão o belo insecto tenta escapar,&lt;br /&gt;Em breve será presa deles.&lt;br /&gt;Um pelas asas, outro pelo corpo,&lt;br /&gt;Um terceiro pela cabeça&lt;br /&gt;Sem pressa&lt;br /&gt;E sem hesitar&lt;br /&gt;A hão-de agarrar.&lt;br /&gt;Nem tanto esforço era preciso&lt;br /&gt;Para despedaçar&lt;br /&gt;O pobre animal, afinal.&lt;br /&gt;« Oh! oh! - disse o grilo espantado&lt;br /&gt;Já não estou nada zangado;&lt;br /&gt;Custa muito caro neste mundo brilhar.&lt;br /&gt;Como o meu viver apagado vou estimar!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Escondidos vivamos&lt;br /&gt;Para felizes vivermos&lt;/strong&gt;.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Infelizmente,&lt;br /&gt;Tal não é verdade.&lt;br /&gt;Porque a nossa obscuridade&lt;br /&gt;Não é sinónima&lt;br /&gt;De felicidade&lt;br /&gt;Mas de insipiência,&lt;br /&gt;De ruindade,&lt;br /&gt;De incompetência&lt;br /&gt;De insolvência,&lt;br /&gt;De um desrespeito&lt;br /&gt;Tão sem jeito,&lt;br /&gt;Pelos princípios&lt;br /&gt;Pelos valores&lt;br /&gt;De um real Direito,&lt;br /&gt;De preguiça mental&lt;br /&gt;Por sinal,&lt;br /&gt;E atropelamento feroz&lt;br /&gt;Do vós&lt;br /&gt;Porque primeiramente&lt;br /&gt;Estamos nós.&lt;br /&gt;Definitivamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-1208041030846535760?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/1208041030846535760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=1208041030846535760&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/1208041030846535760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/1208041030846535760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/08/uma-fabula-de-florian.html' title='Uma fábula de Florian'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-7572271683060237895</id><published>2011-08-03T18:07:00.003+01:00</published><updated>2011-08-03T22:12:07.391+01:00</updated><title type='text'>Exportamos pedra</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Aproveitei o ar prazenteiro da minha amiga para solicitar as referências às derrapagens nacionais e mesmo às internacionais, caso lhe tivessem interessado algumas delas nem que fossem só os buracos nas vendas dos BPNs das nossas liberalidades de rígida urgência e de subserviência à amplidão do poder económico, mesmo que obtido por meios reconhecidamente pouco lícitos:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Diga lá coisas!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Mas a minha amiga encolheu-se, num “&lt;em&gt;Deus me livre!”&lt;/em&gt; de fastio, e então eu referi um dos programas de José Hermano Saraiva, que nos levara às pedreiras das Serras de Aire e Candeeiros, com a informação sobre as nossas exportações de pedra numa quantidade inconcebível, que me deixaram esperançada na solução para a nossa crise, embora o Dr. Hermano Saraiva tivesse achado que a furar tão fundo para a extracção da pedra nacional, qualquer dia o buraco em que nos encontrávamos já em 1997, data do programa, seria alagado numa espécie de Mar Morto da nossa lavra, e eu recuei nas minhas aspirações à solução financeira por meio das pedras, quer estas sejam ornamentais, calcárias, graníticas, de ardósia ou de mármore, estendidas por esse país fora. Temos que poupar a pedra nacional, pelo menos para termos sempre à mão as ancestrais catapultas das nossas tensões bélicas.&lt;br /&gt;Mas também achámos que a nossa acção outrora dilatadora de espaços e conhecimentos das mais variadas dimensões, neste momento em situação de compressão por falta de credibilidade nossa nesses espaços, poderia vir a renovar-se, pelo menos momentaneamente, graças à pedra, cuja exportação, se derrapara para a Espanha, aumentara para a China, embora eu me espante com a falta de pedra neste último enorme país, que até fez ao longo de tempo vário uma muralha que se avista do espaço, ouvi mesmo dizer que da lua, mas considerámos que a nossa pedra pode muito bem servir actualmente para tapar alguns buracos da muralha chinesa, caso ela esteja já a meter água, pois não consta que essa tal pretenda ir abaixo, como a da cortina berlinense, já que passou a ser património da humanidade, que convém acarinhar.&lt;br /&gt;E foi assim que a minha amiga e eu expandimos as nossas ambições de contributo para a construção ou mesmo só reconstrução dos outros países com mais escassez de pedregulho, que é o que sobra neste nosso, segundo vontade de Deus, juntamente com o sol, que, este poderia servir, contrariamente à pedra da nossa exportação, para a importação de turistas ricos, e equilibrarmos a nossa balança económica.&lt;br /&gt;De toda a maneira, mesmo que esgotemos as nossas pedreiras com a excessiva exportação, sempre nos ficarão, como recordação do passado petrífero, alguma pedra no sapato como fidelidade à nossa idiossincrasia saudosista, e até duas pedras na mão de reserva, para as entifadas da nossa valentia. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-7572271683060237895?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/7572271683060237895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=7572271683060237895&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/7572271683060237895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/7572271683060237895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/08/exportamos-pedra.html' title='Exportamos pedra'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-2698823260809461028</id><published>2011-07-31T08:11:00.003+01:00</published><updated>2011-07-31T21:24:14.426+01:00</updated><title type='text'>Pequena casa lusitana</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;José Hermano Saraiva é alguém a quem os portugueses devem muito estimar, pela paixão que põe nas suas histórias sobre as terras e as gentes portuguesas, complementadas com um pensamento são e claro que os seus gestos comedidamente oratórios vão pontuando. Um pensamento que não se perde, no seu à-vontade discursivo, enquanto vai revelando os segredos e as maravilhas das terras do seu país, ou chamando a atenção para a incúria a que vão sendo votados tantos marcos históricos que nos deveriam ser sagrados, elogiando iniciativas daqueles que amam o trabalho e reconstroem do que a incúria estragou, ou puramente constroem, apegados ao seu país soalheiro.&lt;br /&gt;Já António José Saraiva, seu irmão, fora outro alguém de quem eu igualmente pensava que a pátria lhe deveria ser especialmente reconhecida, pelos estudos que sobre os seus homens e a sua história sobretudo literária e política praticou, com uma argúcia de interpretação e clareza e riqueza de estilo e de dados que revolucionaram os nossos estudos literários, em novas pistas de uma interpretação corajosamente desassombrada.&lt;br /&gt;Dois homens, dois marcos, que apontam caminhos e nos revelam quanto temos de nos orgulhar do pequeno país que somos, que, tão maltratado tantas vezes, por nós próprios, que gostaríamos de o ver mentalmente superior, não deixamos de nos abismar sempre, perante o descomunal que representou a epopeia marítima portuguesa, que Camões sintetiza nesses maravilhosos versos do Canto VII d’Os Lusíadas:&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Não faltarão cristãos atrevimentos&lt;br /&gt;Nesta pequena casa lusitana:&lt;br /&gt;De África tem marítimos assentos,&lt;br /&gt;É na Ásia mais que todas soberana,&lt;br /&gt;Na quarta parte nova os campos ara&lt;br /&gt;E se mais mundo houvera, lá chegara.” &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;Por isso, quando vamos calcorreando um pouco do nosso país com a RTP e José Hermano Saraiva, em quadros histórico-geográficos e etnográficos, que nos seduzem, revelando-nos facetas de um povo que, apesar de pequeno e tantas vezes troçado, nas suas discrepâncias sociais e culturais, construiu este seu mundo alegre e vistoso, de gente simpática, agora reduzido ao seu rectângulo e às suas ínsulas, lamentamos que a visão, que delas nos dão a RTP e José Hermano Saraiva, não se possa dilatar às terras que os portugueses construíram, "&lt;em&gt;na África, na Ásia,&lt;/em&gt; &lt;em&gt;na quarta parte nova”, &lt;/em&gt;mau grado as contingências da sua pequenez.&lt;br /&gt;Talvez que esse conhecimento mais amplo do passado nos fizesse reponderar sobre o valor duma pátria, cujo passado temos a obrigação de respeitar, pelo que nos deu, cujo futuro temos a obrigação de precaver. Para os nossos filhos.&lt;br /&gt;Porque o sentimento pátrio não pode nunca ser um valor ultrapassado, mesmo quando não tivesse existido um Camões a lembrar, tão entusiasticamente, desse seu povo, que &lt;em&gt;“se mais mundo houvera, lá chegara.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-2698823260809461028?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/2698823260809461028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=2698823260809461028&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/2698823260809461028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/2698823260809461028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/07/pequena-casa-lusitana.html' title='Pequena casa lusitana'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-1444380263261284150</id><published>2011-07-29T08:41:00.000+01:00</published><updated>2011-07-29T08:48:16.632+01:00</updated><title type='text'>No pasarán!</title><content type='html'>La Fontaine tem lições&lt;br /&gt;Para todas as ocasiões.&lt;br /&gt;Eis um exemplo na berra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;«O Leão, partindo para a guerra»&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Rei Leão matutava com discernimento&lt;br /&gt;Num certo empreendimento&lt;br /&gt;Do seu entendimento.&lt;br /&gt;Decretou um conselho de guerra&lt;br /&gt;Lá na terra,&lt;br /&gt;Enviou os seus chefes mores&lt;br /&gt;Para avisar os demais animais&lt;br /&gt;Da sua decisão,&lt;br /&gt;Sem comiseração&lt;br /&gt;Mas com modos sabedores.&lt;br /&gt;E todos foram parte do projecto,&lt;br /&gt;Cada um segundo os seus valores:&lt;br /&gt;O Elefante devia no seu amplo dorso de paquiderme&lt;br /&gt;Os aprestos guerreiros transportar&lt;br /&gt;E ainda, conforme o seu costume,&lt;br /&gt;Sem charme,&lt;br /&gt;Pesadamente combater;&lt;br /&gt;O Urso, os assaltos deveria preparar;&lt;br /&gt;A Raposa, os serviços secretos organizar;&lt;br /&gt;E o Macaco, com as suas macaquices,&lt;br /&gt;O inimigo, sem chatices, distrair.&lt;br /&gt;-“Despedi, disse um dos intervenientes,&lt;br /&gt;Desses mais insinuantes&lt;br /&gt;Na governação,&lt;br /&gt;Que os há sempre,&lt;br /&gt;Queiramos ou não -&lt;br /&gt;Os Burros, que são bem broncos,&lt;br /&gt;E as Lebres, sujeitas a pânicos.”&lt;br /&gt;-“Nada disso, disse o Rei; eu quero-os a todos empregar:&lt;br /&gt;A nossa tropa, sem eles, completa não iria estar.&lt;br /&gt;O Burro assustará as gentes, servindo-nos de trombeta;&lt;br /&gt;E a Lebre servir-nos-á de correio&lt;br /&gt;Como estafeta.”&lt;br /&gt;Um monarca prudente e sensato&lt;br /&gt;Dos seus menores vassalos sabe tirar proveito,&lt;br /&gt;E sabe reconhecer o talento e o jeito.&lt;br /&gt;Não há ninguém inútil&lt;br /&gt;Nem fútil&lt;br /&gt;Para um governante experiente&lt;br /&gt;E envolvente.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Assim disse La Fontaine,&lt;br /&gt;Assim acha a minha amiga confiante,&lt;br /&gt;E também eu, crente&lt;br /&gt;Na verdadeira democracia,&lt;br /&gt;Ao ouvir nas sessões do Parlamento,&lt;br /&gt;Os novos ministros com muito tento&lt;br /&gt;E galhardia,&lt;br /&gt;Falando e dando&lt;br /&gt;Lições de delicadeza&lt;br /&gt;E de subtileza,&lt;br /&gt;E de comedimento&lt;br /&gt;Sem aquele arreganho&lt;br /&gt;De antanho,&lt;br /&gt;A todos amando&lt;br /&gt;E respeitando,&lt;br /&gt;Embora protelando&lt;br /&gt;Algumas decisões,&lt;br /&gt;Sem precipitações,&lt;br /&gt;Para tratarem de tudo&lt;br /&gt;Com muito estudo&lt;br /&gt;Transmitindo confiança&lt;br /&gt;Na sua promessa&lt;br /&gt;De mudança.&lt;br /&gt;O mal é que a maioria,&lt;br /&gt;Impaciente,&lt;br /&gt;E impertinente,&lt;br /&gt;Sem cortesia,&lt;br /&gt;Sempre com pressa,&lt;br /&gt;Injecta, injecta&lt;br /&gt;O discurso da treta,&lt;br /&gt;Habituada que está&lt;br /&gt;Ao improviso,&lt;br /&gt;À imprevidência&lt;br /&gt;À impaciência&lt;br /&gt;À berraria,&lt;br /&gt;À falta de estudo&lt;br /&gt;Ignorando, afinal,&lt;br /&gt;Que trabalho e estudo&lt;br /&gt;São tudo,&lt;br /&gt;Ou o principal,&lt;br /&gt;Mais a hombridade,&lt;br /&gt;E que é preciso saber esperar&lt;br /&gt;Para poder observar&lt;br /&gt;Resultados de qualidade&lt;br /&gt;E talvez mesmo em quantidade&lt;br /&gt;Como já mais que uma vez nos sucedeu,&lt;br /&gt;Sei eu.&lt;br /&gt;Por isso, talvez que o nosso rei&lt;br /&gt;Mesmo tentando fazer o melhor,&lt;br /&gt;Se fique no degrau inferior,&lt;br /&gt;Porque ele deseja, sim, erguer a Nação,&lt;br /&gt;Mas a sua Grei, não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-1444380263261284150?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/1444380263261284150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=1444380263261284150&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/1444380263261284150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/1444380263261284150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/07/no-pasaran.html' title='No pasarán!'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-6974965370460783311</id><published>2011-07-26T23:11:00.003+01:00</published><updated>2011-07-27T00:03:10.917+01:00</updated><title type='text'>A esperança possível</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;- Isto a partir daqui tudo é possível&lt;/em&gt; – começou a minha amiga, depois de contar que mal dormiu, de horrorizada que tem andado com a história do norueguês. –&lt;em&gt; A pessoa mais simpática pode ter uma mente criminosa do mais sofisticado.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Falei então em Lúcifer, o condutor de Luz, segundo a etimologia latina, o belo arcanjo que gradualmente se foi tornando a personificação do Mal, até se confundir com o Satanás, Satã, o Diabo, eufemisticamente tratado por dialho, diacho, não vá ele tecê-las, Demónio, Demo, Inimigo, que Deus nos livre…&lt;br /&gt;Indiferente a esses esclarecimentos da minha vetusta embora tímida erudição, a minha amiga continuou com desembaraço:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Este homem vivia cheio de raiva, toda a gente esperava que ele se matasse, até o pai. É o que fazem todos os fundamentalistas criados na escola do terrorismo. Matam mas morrem pela causa. Este não. Quer explicar, está contente e orgulhoso com o que fez. Já viu o que é viver com um homem destes? Ser pai ou mãe de um homem destes?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Eu achei que era sempre difícil conviver com um criminoso, e citei, entre outros mais ou menos célebres, aqueles exemplos sórdidos de incesto consciente que têm aparecido por esse mundo – de preferência na Europa Central, conquanto também nos possamos gabar de sordidezes parecidas – mas achei que o rapaz, abandonado pelo pai, deve ter acumulado ódios em quantidade comparável à dos fertilizantes que comprou para construir as suas bombas.&lt;br /&gt;E para sacudir o pesadume que um tal acontecimento necessariamente pôs nos nossos espíritos já esmorecidos com os pesadumes diários, lembrei as recentes notícias sobre a possibilidade de descoberta de ouro em Portugal, que constituiria o milagre necessário para a nossa salvação presente e futura e para a redenção do nosso passado mal gerido.&lt;br /&gt;Mas a minha amiga, como sempre, cortou-me a satisfação da primeira mão noticiarística:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Há anos que estão com as máquinas a trabalhar. Mas depois pára. Pode demorar décadas a encontrar. Se fosse verdade e se houvesse ouro, era bom para o país. Ou mesmo p’rá próxima geração.&lt;br /&gt;- Pois! P’ra substituir as toneladas que o Salazar nos legou e que se devem ter evaporado, mas ninguém fala nisso!&lt;br /&gt;- Eu acho que o petróleo é que era bom!&lt;br /&gt;- O ouro negro! &lt;/em&gt;– suspirei.&lt;br /&gt;O diabo é que nos lembrámos dos nossos hábitos de mândria, além de outros costumes dissidentes facilmente obtidos no fascínio do dinheiro fácil, sobre nós injectado por uma Europa camarada, que desviariam o milagre do ouro achado não para refazer ou criar estruturas nacionais tão precisas, mas para preencher mais uns bolsos pessoais, segundo os usos da nossa condição humana.&lt;br /&gt;E a esperança varreu-se-nos da fantasia momentânea.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-6974965370460783311?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/6974965370460783311/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=6974965370460783311&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/6974965370460783311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/6974965370460783311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/07/esperanca-possivel.html' title='A esperança possível'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-8928540955365085318</id><published>2011-07-25T23:45:00.003+01:00</published><updated>2011-07-28T15:37:39.395+01:00</updated><title type='text'>Desiludido com a bomba</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A minha amiga só falava na beleza do rapaz:&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Já viu? O rapaz é um príncipe. Ouvi um colega dele a dizer que era uma pessoa calma e educada. Ninguém imaginaria tal monstruosidade.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Entretanto, outra amiga nossa concordava com a beleza do príncipe.&lt;br /&gt;Eu lembrei ferozmente os princípios da pureza racial ariana, como estando na origem de um atentado deste género, comparei a atitude do belo rapaz norueguês às de Hitler e seus compères, matando por esse mundo além, a título de preservação da raça (entre outros títulos de motivação para os milhões de mortes perpetradas), e desejei-lhe uma morte a fogo lento.&lt;br /&gt;A outra nossa amiga falou no nosso português também bonito e mais jovem, Renato Seabra, a sofrer horrores na horrorosa prisão americana, por ter livrado o solo terráqueo de um ser imundo, (Carlos Castro, de sua graça) enquanto o príncipe norueguês será tratado provavelmente com comedimento, durante os anunciados 21 anos, pena máxima pela sua prática terrorista, talvez até amortizáveis, defendido democraticamente, com o pretexto de ter sido um acto tresloucado. Embora longamente planeado. Já há mesmo quem lhe chame tendência psicopática, para melhor o desculpabilizar.&lt;br /&gt;A minha amiga lembrou que se tratava de um “lobo com pele de cordeiro”, um indivíduo não conflituoso, que não se deu a conhecer a ninguém, inteligente, bom aluno… E acrescentou suspirando:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Deve estar desiludido com a sua bomba, que só matou sete pessoas…&lt;br /&gt;- Mas isso foi em Oslo. Na ilha, foram largas dezenas.&lt;br /&gt;- Mas tantos anos a tratar da bomba, dois anos a escrever sobre os seus propósitos, e tanta tonelada de produto químico perdida!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Mas ouvíramos nessa manhã anunciar que Portugal estava entre os países que ele se propunha atacar, ocupando o 17º lugar na sua lista, e que Durão Barroso também era seu alvo. Contava matar uns largos milhares, mesmo no nosso país de sol, que nos torna morenos, à maneira islâmica, além de que aceitamos muitos outros morenos que não são conformes à ideologia defendida pelos da pureza e daí os projectos de extermínio. Falámos nos produtos bioquímicos, muito eficazes no envio de cartas, exemplificámos com o antraz e a minha amiga, que decididamente vai muito atrás do Belo, concluiu, pesarosa e fascinada:&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; O que ele é, é muito infeliz.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Eu, então, falei num livro que acabei de ler - “&lt;strong&gt;Com os Holandeses&lt;/strong&gt;” de &lt;em&gt;J. Rentes de Carvalho&lt;/em&gt; – muito bem escrito, sobre um povo extraordinário de capacidade técnica e racional, mas pintado com cores sombrias, por quem por ele fora humilhado, povo extremamente xenófobo, apesar dos seus pólderes, das suas tulipas, dos seus tamancos, do seu queijo Gouda, de Erasmo e o seu “Elogio da Loucura”, e van Gogh e Vermeer, e Brueghel, e Rembrandt, e Bosch...&lt;br /&gt;Também Rentes de Carvalho aponta o lado frio de um povo de uma esfera superior, desprezando os tais morenos desmiolados que, se sorriem descontraidamente, são apodados de interesseiros que se insinuam para obter ajuda sem esforço.&lt;br /&gt;O tal príncipe de olhos cortantemente azuis, não queria islâmicos lá na sua terra, e empreendera sozinho – ou talvez acompanhado, ainda não sabemos – a ingente e hábil tarefa de fabricar bombas a partir de toneladas de fertilizantes, sem que ninguém fosse ver nunca o que ele andava a tramar, com tanto esterco.&lt;br /&gt;A minha amiga tem razão. Anders Behring Breivik, 32 anos de um norueguês sem mácula, deve estar muito desiludido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-8928540955365085318?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/8928540955365085318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=8928540955365085318&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/8928540955365085318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/8928540955365085318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/07/desiludido-com-bomba.html' title='Desiludido com a bomba'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-928401584715254790</id><published>2011-07-22T08:16:00.002+01:00</published><updated>2011-07-22T08:28:39.756+01:00</updated><title type='text'>“O saber não ocupa lugar”. Ditado antigo para uma Escola Nova</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Do blogue “&lt;em&gt;A Bem da Nação&lt;/em&gt;” de Henrique Salles da Fonseca extraio o texto seguinte que, pela sua actualidade, e pelo desejo de tornar minhas as palavras escritas pelo seu jovem autor – Henrique Raposo – aliado ao forte interesse por que as famílias portuguesas comecem, de facto, a ponderar mais na importância do seu papel como principais obreiras da sua nação, pela imposição aos seus descendentes de regras de conduta e defesa de valores que garantam a estabilidade dessa nação, transcrevo, embora, também, no seguimento de um pensamento pessimista, parafraseando Camões, e tal como ele na sua “Babel e Sião”, eu me veja “&lt;em&gt;a mim que espalho / tristes palavras ao vento&lt;/em&gt;”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Nuno Crato: “O problema das famílias começa … em casa”&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;«Nos últimos anos, quando a conversa chegava à educação eu tinha sempre a mesma resposta: "o meu ministro da educação é Nuno Crato". Razão? O livro que está aqui à direita, que é uma espécie de sistematização das ideias certeiras de Crato para a educação. Que ideias são essas? De forma clara, Crato defende uma revolução pedagógica e cultural, criticando - sem piedade - o eduquês reinante. Crato quer exigência, e não facilitismo. No fundo, Crato acaba por defender que os desejos do aluno não devem ser o centro da escola. O centro da escola deve ser, isso sim, o conhecimento transmitido pelo professor. Porque a escola não é um recreio, não é um passatempo, e os professores não são babysitters.&lt;br /&gt;Porque os adolescentes não vão ser sempre adolescentes. Porque é preciso preparar esses jovens para a vida adulta, para a cidadania e para o mundo do trabalho.&lt;br /&gt;Portanto, mais do que o - esperado - trabalho técnico de reorganização das escolas e demais blá blá burocrático do ministério, espera-se de Nuno Crato uma mudança cultural de fundo. E esta mudança cultural começa em casa, com os pais.&lt;br /&gt;É por isso que digo que este livro devia ser lido pelos pais antes de ser lido pelos professores. Em Portugal, o problema da escola não se resolve enquanto os pais não forem exigentes com os filhos. Tal como defende Crato, "O que precisamos é de perceber que a autoridade dos pais deve ser exercida não criticando os professores por serem exigentes, mas ajudando os professores a serem exigentes. É raríssimo um pai entrar numa escola por o aluno ter boas notas. Em contrapartida, aparecem muito frequentemente pais a queixar-se das fracas notas dos filhos, sem estarem preocupados com saber se eles de facto sabem ou não sabem o correspondente às notas".&lt;br /&gt;Este é o grande problema da nossa escola. Mas, apesar de ser da escola, este problema começa em casa. Se uma criança é ensinada no facilitismo pelos próprios pais, como é que um estranho - o professor - pode pedir exigência à dita criança? É impossível. Tudo o resto (avaliação dos professores, as direcções regionais, os exames nacionais, etc.) está situado a jusante desta questão central: os pais portugueses querem ser pais exigentes ou amiguinhos complacentes dos filhos? Se conseguir impor esta discussão cultural à sociedade portuguesa, o consulado de Nuno Crato ficará na história da 5 de Outubro.» &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Para o texto de Henrique Raposo enviei o comentário seguinte, como apoio aos ditames nele inclusos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Em nós, o conceito de liberdade contra a opressão da chamada ditadura, conduziu a todos os excessos libertários, que o Maio de 68 em França ajudara a despoletar, dentro de um conceito de democracia igualitária que em nós, povo pouco esclarecido, assumiu foros de idiotia, pela ofuscação que a palavra liberdade lhe impôs, sem bom senso nem bom gosto. Nada a fazer. Os pais de então que se deixaram ofuscar, por conveniência ou a tal idiotia, foram os educadores de novas gerações... talvez já se esteja em 3ª geração. As políticas educacionais ajudaram à festa, atingindo o seu auge no Governo anterior, com o convite despudorado ao desrespeito pelo professor, de governantes, de pais e de alunos, desde o 25 de Abril, de resto, insinuando-se gradativamente num ensino que começou por desrespeitar o saber. Gostaria que fosse efectiva a proposta da acção da família como principal motor de arranque de um ensino que respeitasse o saber acima de outros considerandos infantilizadores e por isso atrofiadores da nossa juventude. Só um governo forte poderia exercer algum efeito sobre esse status... se a família educada na indisciplina dos últimos anos, o aceitasse, sem as reacções sindicais habituais.» &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Muitas vezes, em breves escritos de apelo à sensatez, eu escrevera textos que denunciavam o panorama vivido no nosso ensino pós-revolucionário, muitos dos quais contidos no livro “&lt;em&gt;Anuário. Memórias Soltas&lt;/em&gt;”. É dele que transcrevo o texto seguinte, de 1982, em apoio ao tema sobre a necessidade premente da mudança:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;“Estratégias de ensino: Não à coisificação do aluno?”&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;«&lt;em&gt;Todo o ensino, por muito liberal que pretenda ser, centrado no professor, no método ou no aluno, ao encaminhar este num sentido de descoberta, de abertura para o saber, seja qual for o método usado, sejam quais forem as estratégias empregues, tenta modelá-lo, servindo-se dele como objecto, que uma varinha mágica transformará com maior ou menor eficácia.&lt;br /&gt;Qualquer estratégia de ensino exige técnicas de repetição, memorização e outras, necessárias no ensino da matemática como do francês ou da história. Pretender negá-lo é falsear a realidade, para melhor nos inscrevermos no rol dos pedagogos actualizados – na realidade indiferentes à formação dos nossos alunos. E uma das grandes deficiências do nosso ensino foi, creio, o ter-se minimizado, ao nível do ensino básico, a aquisição de automatismos, a pretexto de que eles não só despersonalizam como alienam a criança em atitudes rígidas de psitacismo, de verbalismo reprodutor de chavões, sem originalidade nem espírito crítico.&lt;br /&gt;A verdade é que o desenvolvimento da inteligência passa pelo desenvolvimento da memória, a que a criança recorrerá – como o adulto, afinal – sempre que necessite de esclarecer melhor os seus raciocínios.&lt;br /&gt;As modernas pedagogias, assentes como pilares sobre o mundo da afectividade da criança, privilegiam o que nela há de subjectivo, de espontâneo, de criativo, procurando o lúdico como estratégia constante, sem objectivo nem grandeza, por não terem em conta a sua capacidade intelectual, esquecidas de que os estudos posteriores exigirão um tipo de participação mais racional e mais sério, a que elas não foram habituadas à partida.&lt;br /&gt;Aliás, é extremamente grave o fosso existente entre os programas bastante sobrecarregados que provêm do Ministério e os resultados obtidos, de um insucesso cada vez mais acentuado, entre outros motivos porque, no fundo, pretendemos aplicar a adolescentes princípios pedagógicos feitos para a criança em idade pré-escolar, continuando a pôr a tónica na afectividade e na participação activa da criança, por meio de estratégias tantas vezes rebuscadas, quando uma clarificação a nível racional abre muito mais caminhos à inteligência da criança que, de posse de conhecimentos de gradual exigência conceptual, poderá desabrochar em produção e criatividade, menos espontâneas e mais conscientes.&lt;br /&gt;Penso que, ao desejarmos que as crianças desenvolvam a sua criatividade, tirando do nada ou das nossas manipulações as suas produções mais ou menos originais, escamoteamos o papel formativo da escola, que não deve só valorizar a diversão, o ensinar brincando, mas deve ensinar o aluno a respeitar aquilo que aprende, que outros construíram ou desenvolveram e que, como ser racional que é, deve procurar obter também.&lt;br /&gt;De toda a maneira, como já disse, quer se ensine brincando, quer explicitando noções, quer o aluno aprenda de forma passiva (e sabemos quanta passividade intelectual se esconde sob a camada de pseudo-actividade ruidosa e desorientada da juventude actual), quer o faça de forma activa, julgo que o objectivo do ensino é sempre o mesmo – o de conduzir o aluno para uma meta de desenvolvimento pessoal, ainda quando se siga o não-directivismo e a autonomização que, no fundo, pré-existe em todos os métodos, em prazos de maior ou menor extensão.&lt;br /&gt;Dessa forma, o aluno será sempre matéria moldável – sem que o ensino traduza necessariamente uma “coisificação” da pessoa manipulada. Que ele é, pelo menos à partida, se não quisermos transformar a escola num festival de anarquia, desrespeito e insegurança.&lt;br /&gt;A sua autonomia reforçar-se-á com o desenvolvimento da sua capacidade de resposta, da sua capacidade e espírito crítico, que um ensino não demagógico, de um dirigismo racional e sensato, ajudará a concretizar.&lt;br /&gt;Lançando um olhar sobre o meu passado de estudante num ensino tradicional, devo confessar honestamente que nunca me senti objecto ou “coisa”, mas sujeito participante, e sinto reconhecimento pelos professores que, com maior ou menor capacidade docente, com maior ou menor abertura de comunicação, todos me ajudaram a abrir os meus interesses espirituais, que as leituras naturalmente contribuiriam para alargar.&lt;br /&gt;Por esse motivo, creio que pomos demasiado em causa, um tanto sofisticadamente por ser moda, o nosso papel de pedagogos, o que também contribui para criar instabilidade no ensino.» &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Li o texto acima numa reunião de orientação de estágios para formadores, nesse ano de 1982, e recordo a imediata reacção de uma das colegas assistentes, que vomitou impropérios sobre os professores que tão negativamente a marcaram nos seus tempos de estudante, a nenhum reconhecendo competência, a todos acusando de autoritarismo e dirigismo, narcisismo, desumanidade. É pecha antiga. Não vamos mudar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-928401584715254790?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/928401584715254790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=928401584715254790&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/928401584715254790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/928401584715254790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/07/o-saber-nao-ocupa-lugar-ditado-antigo.html' title='“O saber não ocupa lugar”. Ditado antigo para uma Escola Nova'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-2854426249528479635</id><published>2011-07-19T17:47:00.001+01:00</published><updated>2011-07-20T14:18:07.825+01:00</updated><title type='text'>Ainda os velhos “sofistas” dos “maus caminhos por direitos…”</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Bastou a minha amiga ler o texto anterior, que, para restabelecer os seus créditos nas mãos alheias e nas próprias, logo se ergueu do marasmo que tem sido o seu, ultimamente, na questão dos comentários provocantes, para lançar com o donaire habitual:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Olha lá, e aquele que tem sido tão gozado, o Ministro das Finanças?&lt;br /&gt;- Vítor Gaspar, como se chama. Tem muitos estudos e também é ministro de Estado.&lt;br /&gt;- Mas parece o Cavaco a falar. Está a ser gozado com a imagem do “desvio colossal” que não é brincadeira. Parece uma coisinha que está ali e não sabe o que está a fazer, a fazer uma figurinha tão coisinha!&lt;br /&gt;- Naturalmente o desvio é mesmo colossal, pois Passos Coelho confessou isso ao seu grupo político, dizendo que ultrapassa os dois mil milhões de euros. E a justificação que o Ministro das Finanças deu, na reposição da frase do chefe, em tom exteriormente muito soturno, a desmistificar a questão, pareceu-me, antes, muito inteligente e maliciosa: retirados os morfemas, os lexemas e os fonemas respectivos, dos variados sintagmas de permeio, entre os citados sintagmas nominais, sobressaíam apenas os semantemas “desvio financeiro” e “trabalho colossal”. Quem gozou foi ele, em voz dorida, apoiando o extraordinário das asserções, que toda a gente sabe quão verdadeiras são, pois a desvios é que nos temos habituado, além de outros que a gente desconhece.&lt;br /&gt;- Dois mil milhões! E nem um milharzinho veio parar ao nosso bolso! Nossa!&lt;br /&gt;- Se tivesse vindo, não estaríamos nós aqui a falar disto, que o silêncio é imprescindível nesta coisa de fundos.&lt;br /&gt;- Então e aquela frase do Cavaco que vai dar para a semana toda, a dizer que era melhor que o euro fosse fraco!&lt;br /&gt;- Eu também ouvi e estranhei, pois ele larga essas bombazitas fruto do seu pensamento grave, e não as justifica. Explicou-me o meu marido que deve ser para aumentar as exportações em relação ao resto do mundo, que ele quer enfraquecer o euro, mas, sendo as nossas exportações mais voltadas para a Europa, o câmbio deixa de ter significado, e a frase transforma-se em parolice sem sentido, para ele ir merecendo a atenção geral, dentro do seu critério de aparente modéstia. A verdade é que dá sempre que falar.&lt;br /&gt;- Ah! E olhe lá! O país de norte a sul em festa! Os troikos devem estar encantados! Aqueles três dias de espectáculo na praia do Meco… três dias! Sabe quanto custam três dias? 150 euros cada pessoa, eles, os rapazinhos… as famílias pagam. O genro do Cavaco, o marido da Patrícia, que é doutora, é que promoveu. Sabe quantas pessoas estavam lá? Noventa mil. Aquilo é um terreno na praia do Meco… três espectáculos ao mesmo tempo. Muitos são estrangeiros. Mas o genro do Cavaco deve ter dinheiro, pois ele organiza aquilo, que dá muito trabalho. Não conhece? Não está cá! Olhe que ele aparece na televisão!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;A minha amiga tem o condão de me deprimir.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- E já viu os motards?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Esses eu tinha visto nessa manhã, e ouvido as pessoas que mostravam a sua muita satisfação a assistir ao espectáculo do roncar das motas, desejando que no próximo ano se repetisse a festa.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Vem uma barbaridade de gente. As comissões ganham com isso. Aparecem tantos portugueses! ... Não há crise. Porque se a gente dissesse assim: Coitados! Não apareceu ninguém! Mas não cabe mais um! É um espanto! Ainda não ouvi nenhuma crítica! A justificação é de que isso traz dinheiro para a terra. Só não compreendo é como é que há tanto! E vamos ver o que se segue…&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Uma bica de facúndia, na manhã de ontem, na expectativa de uma acção governativa eficiente e limpa. E discreta também. Sem os tais velhos sofismas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-2854426249528479635?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/2854426249528479635/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=2854426249528479635&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/2854426249528479635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/2854426249528479635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/07/ainda-os-velhos-sofistas-dos-maus.html' title='Ainda os velhos “sofistas” dos “maus caminhos por direitos…”'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-7422861612791029467</id><published>2011-07-17T17:47:00.002+01:00</published><updated>2011-07-17T18:00:58.144+01:00</updated><title type='text'>Os sorrisos excessivos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Andamos em atritos, a minha amiga e eu. Ela, porque, atribuindo aos fados maléficos os pontapés que leva ou receia levar nas pedras da calçada à portuguesa, que difere bastante da estrada em macadame, porque dá lugar a mais estatelanços, resolveu fechar-se em copas, para equilíbrio pessoal. Eu, porque puxando por ela, para me dizer o que lhe vai na alma, para em seguida explanar o que me vai na minha, levo sempre com negas que me desinspiram e esmorecem.&lt;br /&gt;De almas fechadas aos ventos das notícias, falamos mais nos que morrem ou morreram, nos que adoecem ou adoeceram, e de caminho vamos ouvindo histórias de sofrimento ou zangas familiares das amigas que por nós passam. Tudo gente antiga, antigas colegas, antigas companheiras que o tempo ainda conserva, a comprovar que a população está, de facto, a envelhecer, e a trazer à memória velhas frases de pessoas mais velhas, já desaparecidas, caso do meu amigo juiz Brite Ribas, que lembrava telefonicamente e melancolicamente, há uns vinte anos, isto que estamos sentindo agora: “&lt;em&gt;Sinto-me muito só, porque os colegas da minha idade vão desaparecendo, e estou doente&lt;/em&gt;”. Não é bem o nosso caso ainda, mas chego a pensar que, até ao fim da vida, o nosso discurso da bica matinal não se vai erguer deste embrutecimento causado pelos problemas pessoais e alheios, mas causado também pela sensação de um genérico aplicado ao país doente e triste, por muito que – ou talvez por isso – os actuais programas televisivos matutinos ou vespertinos nos levem a conviver com o nosso povo de folguedos e de comidas. Embora às vezes também de arte, ao levarem-nos pelos caminhos do património cultural nacional, sem grande zelo de esclarecimento, é certo.&lt;br /&gt;Por todos esses motivos de recusa em partilhar os meus breves contactos noticiarísticos, exponho sozinha o que me causa engulhos, e tal foi, há dias, o discurso muito amaneirado e dolicodoce de Assunção Esteves referindo-se a Cavaco Silva, desejando-lhe, no final, boa sorte, e falando, como Presidente da Assembleia da República, em trabalho e reuniões frequentes com ele.&lt;br /&gt;Talvez ela não tivesse culpa de ter que justificar esse primeiro encontro, perante uma imprensa ávida de fofocas e de discursos vazios, de desejos vazios. Quando se pretende realmente trabalhar, não é necessário tanto badalar. Afinal, nunca eu tinha dado importância ao segundo lugar da nação, limitando-me a registar um ou outro dito espirituoso de outros Presidentes da Assembleia da República que passei a ouvir nas reuniões parlamentares e que abrangeram apenas Almeida Santos, Mota Amaral ou Jaime Gama, por serem contemporâneos da minha reforma.&lt;br /&gt;Assunção Esteves é ainda jovem, é mulher – a primeira com esse cargo cá – dizem que competente. Não precisa de sorrir tanto, nem de explicitar tanto as suas funções, pois não têm que ser funções de charme, mas apenas de competência. Como os seus colegas ministros, que desejam desenvencilhar-se o melhor possível das suas funções, com seriedade e empenhamento, segundo afirmam.&lt;br /&gt;Nada de extraordinário. Em todas as profissões são necessários a seriedade e o empenhamento. Mas “minister” significa no velho latim, servidor, criado, e embora a palavra tenha evoluído semanticamente, e de que maneira, convém que os actuais servidores da nação se não esqueçam das funções de bem servir, regressando à base etimológica, mau grado a sua permissividade a um Acordo Ortográfico defeituoso.&lt;br /&gt;Se o muito riso é sinal de pouco siso, o sorriso excessivo pode ser sintoma de uma subserviência ao primeiro Presidente, que, dado o carácter untuoso que assumiu, de molusco enfiado na sua concha, fechada a qualquer trepidação, que não seja o seu mundo próprio, não precisa de tanta exteriorização de charme alheio.&lt;br /&gt;Andamos fartos disso, de subserviências e de agressões. Precisamos de seriedade, não de sorrisos, de ocos blá blá blás. Precisamos de trabalho e competência. De honestidade para pagar o que devemos e para corrigir tantos erros que fizemos.&lt;br /&gt;Faltou a graça da minha amiga neste arrazoado. Mas o tempo ameaçador não dá para sorrirmos.&lt;br /&gt;Esperamos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-7422861612791029467?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/7422861612791029467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=7422861612791029467&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/7422861612791029467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/7422861612791029467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/07/os-sorrisos-excessivos.html' title='Os sorrisos excessivos'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-5566775704352850167</id><published>2011-07-12T08:58:00.002+01:00</published><updated>2011-07-12T09:05:20.682+01:00</updated><title type='text'>A propósito de uma frase</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma frase já antiga, da revista Única do Expresso de 10/6, extraída da “Pluma Caprichosa” de Clara Ferreira Alves: “&lt;em&gt;É preciso odiar muito um partido e no que ele se tornou para eleger Passos Coelho&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;Mais de um mês passou sobre as asserções de Clara Ferreira Alves que incluíram as opiniões dos canais reputados de língua inglesa – CNN e BBC – a respeito das escolhas portuguesas do novo leader, o significado do termo socialismo, os concorrentes à liderança do PS que requerem um carisma superior ao de Coelho para de novo se instalarem na banca do poder fazer e, finalmente, o inimigo público número um, Passos Coelho, entre os diversos inimigos públicos referidos por CFA, que incluem os socialistas, concorrentes ou não, cujo ego ofusca os nobres ideais do socialismo de antanho, como fora – certamente que na opinião de Clara - o de Mário Soares, cuja nobreza de ideais ainda hoje o trazem à tona noticiarística para dizer o mesmo que sempre disse, resumido, se bem me lembro, aos conceitos badalados de liberdade e democracia e apimentado com as informações sobre os seus conhecidos e as suas amizades como o fizera sempre. De resto, fazendo o que todos fizeram, no contributo para a redução do Estado e do povo portugueses à situação de mendicidade sem tréguas, e provavelmente sem conserto.&lt;br /&gt;Porque o fazer, com poder, tem uma maleabilidade de superior alcance, que nos levou, de há longa data, mau grado os ideais benfazejos do socialismo, que Clara Ferreira Alves recorda dos seus tempos idealistas da jovem bem-intencionada que fora, a esta situação degradada, materialmente e espiritualmente.&lt;br /&gt;De resto, concordo com ela nas afirmações sobre António José Seguro, que só um partido “tosco” pode apoiar.&lt;br /&gt;Tudo isto vem à baila, apesar do texto “&lt;em&gt;Inimigos Públicos&lt;/em&gt;” ser já antigo, porque me chocou a frase referida, das doutorais CNN e na BBC, citadas por Ferreira Alves, de que “&lt;em&gt;os portugueses apearam José Sócrates porque as medidas de austeridade que este tentou impor foram consideradas insuficientes”, e escolheram “Passos Coelho porque este prometeu medidas mais duras”,&lt;/em&gt; o que me parece ser desprezível falsidade, aproveitada constantemente ainda, pelos vários opositores, para ocultarem os motivos reais da escolha – o regime de fraude e de dolo permanente instituído por José Sócrates, de contínuo empenhamento ao estrangeiro seguido de falsas promessas de pagamento da dívida, e de insistência em medidas ruinosas, deixando recair sobre o novo governo a responsabilidade e o odioso de medidas ainda mais drásticas, antes que o lixo dos julgamentos fizessem afundar de vez o país.&lt;br /&gt;E assim nos vamos entretendo, neste país de galhofa, onde a superioridade consiste não em ajudar à construção, mas em atirar pedras sobre o moribundo, coveiros que somos, por falta de ideais. Reais. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que me parecem contudo, existir, no Governo de Passos Coelho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-5566775704352850167?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/5566775704352850167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=5566775704352850167&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/5566775704352850167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/5566775704352850167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/07/proposito-de-uma-frase.html' title='A propósito de uma frase'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-7061187273461809803</id><published>2011-07-10T23:58:00.000+01:00</published><updated>2011-07-11T00:03:48.863+01:00</updated><title type='text'>O corno do Custódio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ambas comentámos a notícia, ouvida neste domingo, de que Portugal estava entre os cinco primeiros países europeus que mais maltrata os seus velhos. Os números assustam.&lt;br /&gt;Há muito que lemos sobre as mortes solitárias, olhamos os velhos dos bancos dos jardins, silenciosos ou jogando cartas, conhecemos casos, entre a nossa população idosa, de pessoas doentes, que se arrastam entre o café e a farmácia, contando dos seus achaques, provavelmente no susto da casa solitária, para o enfarte ou a dor súbita, embora vão gabando a filha que, coitadinha, tem muito trabalho e pouco pode aparecer… E lemos sobre a violência doméstica, e sobre os velhos que a família abandonou nos hospitais… Tudo confrangedor. Coroado pelo conceito chocante da eutanásia libertadora.&lt;br /&gt;E, por antecipação, vemo-nos daqui a uns anos, talvez em situação idêntica, forçadas a deixar o nosso mundo familiar, tudo o que preencheu as nossas vidas de alegrias e tristezas, atiradas para um lar de idosos, se tivermos essa sorte, onde teremos que iniciar uma existência desligada de tudo o que teve significado para nós, esperando a visita da família amante, não o duvidamos, mas com os seus próprios condicionalismos de limitação de espaços e de tempo.&lt;br /&gt;O envelhecimento da população, concomitante com a diminuição da natalidade, torna-nos mais sensíveis ao problema, cujo tema já Simone de Beauvoir, no seu livro “La Vieillesse”, de 1970, focara, destacando a condição dos velhos como párias que a sociedade marginalizava, retirando-lhes não só os direitos mas a própria condição humana, que a fragilização gradual das faculdades mentais e físicas propiciava.&lt;br /&gt;Ficámos chocadas com o que se passa no nosso país, mas eu lembrei um livro da actriz norueguesa Liv Ullmann, “Mutações”, onde, entre as suas evocações autobiográficas, conta a relação de amor com a avó, que acabou num centro para idosos, bonito, acolhedor, com empregadas pacientes, mas obedecendo aos toques das regras do convívio e onde nenhuma empatia se apercebia entre as cinquenta criaturas fêmeas que o habitavam. “Lá como cá”, pensei eu na altura, com a estranheza da convicção de que a superioridade cultural dos povos impediria equiparações connosco.&lt;br /&gt;É Alçada Baptista quem igualmente foca o problema, na sua “Peregrinação Interior”, como algo que a sociedade despersonalizou, indecorosamente, retirando o idoso doente do seio da família, que se socorre da casa de saúde ou do hospital para não atravessar o horror do sofrimento e do passamento do seu familiar, querido ou não, despegando-o de si, talvez por egoísmo, talvez por amor, no apelo à salvação ou a uma provável recusa do sofrimento próprio.&lt;br /&gt;Mas, porque somos dos mais favorecidos nas equiparações negativas com os outros povos, não significa que todos nós tratemos mal os nossos velhos, e por vezes a televisão leva-nos a centros de diversão para idosos que nos encantam, embora quisesse que entre as diversões houvesse espaço para leituras e convívios mais do foro intelectual.&lt;br /&gt;E uma vez mais, lembro a minha mãe como pessoa de sorte, a sorte que não teve o meu pai, sujeito a um final de muito sofrimento, com um passamento longe da família, no hospital.&lt;br /&gt;A minha mãe beneficia da presença das duas filhas, a mais velha rodeando-a de cuidados e companhia, trazendo-lhe revistas baladeiras, com direito a explicação sobre as personagens desse mundo real que consola e faz sonhar, passando, junto da mãe, horas da sua vida diária, conversando sobre os temas repetidos. Ao domingo, traz o almoço feito em sua casa, e a minha mãe, no seu trono real que é a cadeira de rodas, goza da nossa presença e recorda uma vez mais, o seu passado mais recuado ou mais recente, com que consegue ainda surpreender-nos, por vezes.&lt;br /&gt;Foi o caso de hoje. Contou a história do seu tio Custódio, um dos seis ou sete irmãos da sua mãe, que um dia recebeu um corno enviado por um dos seus irmãos que fora para o Brasil. Era um corno competente, que comportava uns vinte litros do bom vinho que ele ia buscar à sua quinta do Casal Bom, junto do Vouga, para o levar para Ribeiradio, a pé, pois naquele tempo andava-se muito a pé. E à chegada apregoava, generosamente: “Quem quiser beber vinho do bom, venha ao corno do Custódio!” E a minha mãe ria-se, a contar, pela primeira vez, essa história, que nos divertiu também.&lt;br /&gt;A minha mãe vive um presente de mimo, mas exige sempre mais. Nos espaços de mais solidão – ela sabe que eu estou perto – reza, chora, chama os seus queridos do passado, conversa com eles.&lt;br /&gt;Nunca um lar lhe poderia servir. Felizmente que estamos disponíveis.&lt;br /&gt;Que o corno do tio Custódio, lembrado hoje, verta sobre nós umas gotas de vinho benfazejo que abençoe o percurso final de uma mãe centenária, com a presença, constante e capaz, das filhas, nos anos que seguem, também a caminho. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-7061187273461809803?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/7061187273461809803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=7061187273461809803&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/7061187273461809803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/7061187273461809803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/07/o-corno-do-custodio.html' title='O corno do Custódio'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-1724097420493004782</id><published>2011-07-09T00:21:00.002+01:00</published><updated>2011-07-09T00:30:55.589+01:00</updated><title type='text'>O poço</title><content type='html'>A fábula seguinte&lt;br /&gt;Da Raposa e o Bode&lt;br /&gt;É de La Fontaine&lt;br /&gt;Que, sempre actual,&lt;br /&gt;Põe o dedo na ferida&lt;br /&gt;Na questão nacional&lt;br /&gt;Sem saída:&lt;br /&gt;A do nosso endividamento estridente&lt;br /&gt;Resultante&lt;br /&gt;Do mergulho no poço&lt;br /&gt;Em busca do caroço&lt;br /&gt;Para satisfazermos&lt;br /&gt;A sede de termos&lt;br /&gt;Recursos, riquezas,&lt;br /&gt;Poderes, vilezas,&lt;br /&gt;E as muitas lérias&lt;br /&gt;Das nossas misérias.&lt;br /&gt;É assim a fábula:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;«A raposa e o bode»&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Comadre Raposa ia de companhia&lt;br /&gt;Com um seu amigo Bode dos mais encornados:&lt;br /&gt;Este não via, pobre infeliz,&lt;br /&gt;Mais que dois palmos à frente do nariz,&lt;br /&gt;E dos mais diminutos;&lt;br /&gt;O outro, em enganos e velhacaria,&lt;br /&gt;Era mestre, dos mais esclarecidos.&lt;br /&gt;A sede obrigou-os a descer a um poço:&lt;br /&gt;Ali, cada um deles bebe até fartar.&lt;br /&gt;Depois que ambos se dessedentaram&lt;br /&gt;Diz a Raposa ao Bode&lt;br /&gt;Como quem lhe acode:&lt;br /&gt;“Compadre, que vamos fazer agora?&lt;br /&gt;Não basta beber, é preciso&lt;br /&gt;Sairmos daqui para fora.&lt;br /&gt;Levanta os pés pelas paredes acima&lt;br /&gt;E os cornos também, para que eu suba&lt;br /&gt;Pela tua espinha primeiro, pelos teus cornos depois.&lt;br /&gt;Com uma tal máquina, deste lugar sairei,&lt;br /&gt;Depois por ti puxarei,&lt;br /&gt;E sairemos os dois.&lt;br /&gt;-“Pela minha barba, disse o outro, acho bem;&lt;br /&gt;Eu sempre louvarei&lt;br /&gt;Gentes espertas como tu&lt;br /&gt;Que não enganam ninguém.&lt;br /&gt;Eu por mim jamais teria&lt;br /&gt;Achado tal solução.”&lt;br /&gt;A Raposa sai do poço,&lt;br /&gt;Num alvoroço,&lt;br /&gt;E abandona o companheiro&lt;br /&gt;Não sem primeiro&lt;br /&gt;Lhe pregar belo sermão,&lt;br /&gt;Exortando-o a ter paciência&lt;br /&gt;Em abundância:&lt;br /&gt;“Se te tivesse um Céu propício&lt;br /&gt;Dado em benefício&lt;br /&gt;Tanta inteligência&lt;br /&gt;Como barba no queixo&lt;br /&gt;Tu jamais terias ousado&lt;br /&gt;Tão levianamente,&lt;br /&gt;Descer ao poço. Aqui te deixo&lt;br /&gt;Prudentemente.&lt;br /&gt;Estou fora.&lt;br /&gt;Adeus, que me vou embora&lt;br /&gt;Urgentemente.&lt;br /&gt;Trata de sair daí, como puderes.&lt;br /&gt;Quanto a mim, tenho um assunto a tratar&lt;br /&gt;Que me não permite parar.”&lt;br /&gt;Em qualquer empreendimento que tomemos,&lt;br /&gt;Antes de nos precipitarmos,&lt;br /&gt;É preciso ter em atenção o fim,&lt;br /&gt;Com discernimento.&lt;br /&gt;Só assim&lt;br /&gt;Nos safamos.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Aqui está a fábula atrevida&lt;br /&gt;Que põe o dedo na nossa ferida.&lt;br /&gt;Nós somos o carneiro ramalhudo&lt;br /&gt;E peco&lt;br /&gt;Que mal aconselhado pela raposa ditosa&lt;br /&gt;Semelhante a outra qualquer raposa manhosa&lt;br /&gt;De dentro ou de fora,&lt;br /&gt;Salta para o poço com rapidez&lt;br /&gt;No seu deslumbramento e avidez,&lt;br /&gt;Sem pensar nas consequências&lt;br /&gt;De tais extravagâncias.&lt;br /&gt;Lixou-se o carneiro,&lt;br /&gt;No lixo do poço.&lt;br /&gt;De lá não saiu,&lt;br /&gt;Atolado&lt;br /&gt;Até ao pescoço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-1724097420493004782?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/1724097420493004782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=1724097420493004782&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/1724097420493004782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/1724097420493004782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/07/o-poco.html' title='O poço'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-5174566489404278758</id><published>2011-07-07T05:52:00.001+01:00</published><updated>2011-07-07T08:21:30.005+01:00</updated><title type='text'>A pata</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Se antes nos sentíramos felizes com um Governo que parecia iniciar uma nova era de actuação, na promessa de um rigor e transparência que faltara antes, e na seriedade e educação de um discurso inteligente, a notícia que ouvíramos ontem sobre a redução a lixo na classificação económica de Portugal pela Moody’s, deixara-nos indignadas, apanhadas na surpresa do que nos parecia um golpe baixo, que não dera a oportunidade de verificação das anunciadas reformas, atribuindo a nota antes das provas prestadas.&lt;br /&gt;É certo que há muito que pairava entre nós, como véu soturno de vergonha e preocupação, esse conceito negativo de sermos lixo, resultante da indignidade com que fôramos convivendo durante décadas da redução da consciência nacional, concomitante com a redução do território nacional, e transformada gradativamente em consciência de classe, pela elevação a novos estatutos sociais dos que se souberam insinuar nas malhas tecidas pelo dinheiro fácil que sobre nós choveu, dos empréstimos não da nossa integração mas da nossa dependência preguiçosa de que grande parte de nós se aproveitou, sofregamente, obscenamente.&lt;br /&gt;Sim, fizeram-se obras, bastantes obras, excessivas e inúteis por vezes, na megalomania de povo que fora sempre mísero e que, no desejo de se equiparar àqueles povos mentalmente e socialmente defendidos, se locupletava no esbanjamento consumista, num fartote materialista sem prevenção, nem receio de consequências, indiferente ao futuro, desprezador do passado.&lt;br /&gt;E os Governos foram-se sucedendo, no deslumbramento do dinheiro fácil que levaria à corrupção, à defesa do interesse próprio, ao descalabro económico pela omissão de obras propícias à criação de riqueza, ao trabalho, ao emprego. Que levaria às discrepâncias sociais cada vez mais gritantes.&lt;br /&gt;Lixo. Foi a classificação da Moody’s.&lt;br /&gt;Mas o meu filho João explicou que, além de uma infâmia, se tratava de uma manobra americana desestabilizadora, para destruir o euro, começando pelos países da periferia… Porque também os Estados Unidos estão grandemente empenhados, embora com recursos para colmatar o défice. Não lhes convém a coesão europeia.&lt;br /&gt;Poderá ser. Eu vejo-a como um acto desprezivelmente traiçoeiro. Porque reduziu antes de analisar, classificou sem ter em conta as promessas de um novo Governo que parece empenhado. E sério, talvez pela primeira vez.&lt;br /&gt;Mas a Moody’s não deve saber desses dados ínfimos de um novo Governo de um país sem préstimo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma agência pondo a pata, indiferente à miséria que cria.&lt;br /&gt;Um dia apoiará canções beneméritas do estilo “We are the world”. Ou apoiará o envio de agasalhos e géneros alimentícios para sobrevivermos.&lt;br /&gt;Porque os Estados Unidos são cimeiros na caridade. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-5174566489404278758?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/5174566489404278758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=5174566489404278758&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/5174566489404278758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/5174566489404278758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/07/pata.html' title='A pata'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-6353978355330704047</id><published>2011-07-05T11:20:00.002+01:00</published><updated>2011-07-05T11:26:45.511+01:00</updated><title type='text'>As línguas. A Língua.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Éramos quatro no café a comentar com satisfação sobre a boa ordem, correcção, educação, serenidade, elegância, com que decorrera o primeiro dia do Parlamento, sob a égide do novo Governo. Todas ficáramos seduzidas com a clareza de Passos Coelho, com a lucidez e ponderação dos demais ministros, que se apresentavam como pessoas empenhadas e dispostas a dar no duro para tentar resolver aquilo que muitos consideram insolúvel.&lt;br /&gt;Todas estávamos fartas das touradas parlamentares anteriores, com um Primeiro-Ministro useiro e vezeiro no contra-ataque, na omissão de respostas, nas desculpabilizações por conta da conjuntura internacional, e nacional devida ao governo anterior que Jorge Sampaio demitira – o de Santana Lopes – feito de muitas trapalhices, é certo, mas menos do que o de Sócrates que Sampaio apadrinhou, sem que ninguém o responsabilize hoje por este caos que o seu neófito criou. Fartas do discurso de Sócrates, simultaneamente enfático de realizações e promessas, em artimanhas linguísticas de que se verificava posteriormente a falsidade. Fartas da ocultação da verdade, da falta de resposta às acusações sobre as diversas fraudes, da oratória de convicção, semeando, sem pudor, falsa esperança, mesmo após a constatação progressiva do estado calamitoso das finanças nacionais.&lt;br /&gt;As eleições provaram, contra as minhas expectativas, que a maioria dos portugueses se não deixara iludir. Apesar da rede socialista bem montada, com empregos e espórtulas para os familiares e amigos, com os poderosos impunes nos seus desmandos, que tanto contribuíram para o desabar do país.&lt;br /&gt;Realmente, eu não contava que um povo, educado no servilismo e na grosseria do à-vontade familiar com que se dirigia ao leader ministerial, escolhesse outro, pessoa mais sóbria, ainda sem a rede poderosa que os continuadores de Sócrates, sérios e ameaçadores, prometem implicitamente manter, assim que os actuais percam o poiso. Porque o vão perder – os novos profetas da desgraça, que são os da rede poderosa, bem se esforçam por os fazer cair, em chufas e previsões sérias, que lhes dão as suas muitas leituras dos jornais e estudos estrangeiros, sobre os europeus periféricos, em vias de sair do euro.&lt;br /&gt;Não, os novos profetas da desgraça não vão em dizeres como estes sensatos de um singrar por caminhos mais responsáveis, de escolhas por concurso e por mérito, independentemente de partidos, de mudanças num sentido de uma ponderação mais honrada, de promessas de trabalho e empenhamento. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas os outros, os que ainda acreditam na possibilidade de emenda, continuam a confiar, e a lembrar erros passados, no empenhamento do seu amor pátrio.&lt;br /&gt;Vem isto a propósito do &lt;strong&gt;Acordo Ortográfico&lt;/strong&gt; que deveria ser banido, como prioridade primeira, entre as muitas medidas primeiras de salvação nacional:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um artigo do sociólogo &lt;em&gt;Alberto Gonçalves&lt;/em&gt;, saído no Diário de Notícias, em 3 de Julho, extraio o seguinte passo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Ainda por cima, às vezes sai mais caro, em esforço e em dinheiro, aceitar as desgraças ditas inevitáveis do que impedi-las. Na questão do AO, por exemplo, parece-me menos complicado deixar as coisas como estão do que proceder à inutilização de toneladas de papel e à revisão de gigabytes de informação “virtual” em nome de um compromisso pateta e de enigmática serventia. Vasco Graça Moura, aqui no DN, já aludiu ao prejuízo material que o AO implica, ao tornar obsoletos manuais escolares, dicionários e livros em geral. Se o objectivo do Governo eleito fosse torrar fortunas em disparates a “implementação” do AO viria a calhar. Sucede que o momento é, ou assim nos garantem, de austeridade, por isso dói ver aumentos de impostos contrabalançados por desperdícios quantitativamente e simbolicamente desmesurados. Pior que tudo, além de tonto nos princípios e dispendioso nos meios, o AO é horroroso nos fins.” &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Lembrei-me de um texto de &lt;em&gt;Pedro Passos Coelho&lt;/em&gt;, publicado há pouco tempo, no blogue de Henrique Salles da Fonseca – “A Bem da Nação” – com a opinião de Passos Coelho sobre o mesmo AO, que julguei recente, e que por isso comentei com entusiasmo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Já tenho afirmado, em resposta a essa questão colocada por jornalistas, que o acordo que Portugal assinou há vários anos atrás (porque tal acordo já foi assinado) não representa nenhum benefício para a língua e cultura portuguesa, pelo que não traria qualquer prejuízo que não entrasse em vigor. De resto, não vejo qualquer problema em que o português escrito possa ter grafias um pouco diferentes conforme seja de origem portuguesa ou brasileira. Antes pelo contrário, ajuda a mostrar a diversidade das expressões e acentua os factores de diferenciação que nos distinguem realmente e que reforçam a nossa identidade. Aliás, considero míope a visão de que o mercado brasileiro de cultura passará a estar aberto aos autores portugueses em razão da homogeneidade da grafia, pois que o interesse desse mercado pela nossa produção só pode depender do real interesse pelas nossas especificidades e aí a suposta barreira do grafismo não chega a ser uma barreira, pode ser um factor de distinção que acentua o interesse pela diferença.&lt;br /&gt;Pedro Passos Coelho”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Eis o meu comentário: (De Henrique Salles da Fonseca a 25 de Junho de 2011 às 16:48. Recebido por e-mail.):&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Deus abençoe este homem que, com estes dizeres, semeou esperança nos corações daqueles que pensam exactamente o mesmo. Será que podemos manter a ilusão de que é possível o recuo num processo transformacional da nossa língua segundo um documento que muitos provaram que provém de idiotas para idiotas?&lt;br /&gt;Berta Brás”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;É de 2008, o texto de Passos Coelho. Será que pode manter as suas convicções? Será que pode fazer inverter um processo de esbulhamento primário à própria alma de um povo que tem uma língua antiga, língua mãe de outras línguas e que se deixa afundar na vileza de um AO subserviente e inútil, por imposição de factores económicos que aparentemente servem apenas para rebaixar, desprezando nexos ideológicos de parentescos antigos que os outros países de origem clássica altivamente mantêm?&lt;br /&gt;Mas, sim, Deus abençoe estes novos governantes, num caminho iluminado. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-6353978355330704047?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/6353978355330704047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=6353978355330704047&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/6353978355330704047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/6353978355330704047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/07/as-linguas-lingua.html' title='As línguas. A Língua.'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-3216155272571493300</id><published>2011-07-01T08:42:00.003+01:00</published><updated>2011-07-01T16:56:10.192+01:00</updated><title type='text'>Joanna: “Memória do «Livro do Desassossego»”</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Joanna tem 24 anos, 80 menos do que a sua bisavó materna, nascida no mesmo dia, há 104 anos, minha ilustre mãe, da qual a minha sobrinha (segunda) parece ter herdado traços de coragem e vivacidade mental, como já eu o notara na sua mãe, minha sobrinha (primeira), ao compará-la com uma foto de moçoila decidida, que tenho da sua avó.&lt;br /&gt;Joanna foi uma bonita criança, nascida nos Estados Unidos, excelente aluna sempre, transformou-se numa figura esbelta e brilhante, olhos claros e cabelos compridos e louros a condizer, duma suavidade de fala escondendo muito da ironia que ela encontrou naquele escritor sobre o qual fez o seu “&lt;strong&gt;Mémoire de Master I”,&lt;/strong&gt; numa Escola Superior em Paris – &lt;strong&gt;Fernando Pessoa e o seu “Livro do Desassossego” – “La mise en scène, l’Ironie, Le Jeu dans Le Livre de l’Intranqullité de Fernando Pessoa”.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Um livro que se lê e se relê devagar, saboreando a clareza e elegância do seu discurso e simultaneamente a expressividade de uma organização interna que se distribui por vários núcleos temáticos:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Introduction.&lt;br /&gt;Intranquillité: Um Livre Iconoclaste – Le Livre – Le Personnage: Bernardo Soares – Le Livre inachevé: un lieu de liberté.&lt;br /&gt;L’Ironie: L’ironie ou le chemin du dédoublement de la conscience: un programme esthétique. À qui s’adresse-t-il? Mise en scène du soi, de la constellation hétéronymique et des autres.&lt;br /&gt;L’écriture – une mise à distance?&lt;br /&gt;L’Empire du Rêve – Les effets d’humour. Renversement de la conscience tragique. L’art de rêver.&lt;br /&gt;Conclusion.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Pelo conjunto dos tópicos de análise, detectamos uma orientação segundo parâmetros que todos eles convergem em dados de clivagens do mundo pessoano que já observáramos nos vários “Pessoas” – ortónimo e heterónimos – e que este “&lt;strong&gt;Livro do Desassossego&lt;/strong&gt;”, de uma composição prolongada ao longo dos 22 anos da sua vida literária – de 1913 a 1935 – escrita em variados papéis guardados na arca pela família, acentua, nas suas frases soltas que, partindo das inspirações do momento, se dispersa por núcleos de mundos do eu e do não eu, como refracções de luz que se multiplicam ao sabor do instante, em risos de mutabilidade. Daí que sejam a ironia, o humor, as características que mais se põem em evidência, no desassossego do seu jogo de escrita, mau grado o sentimento também acentuado de um profundo sofrimento que resulta das suas lutas íntimas de uma personalidade pessoana que, ele próprio, a cada passo se desdobra, se constrói e desconstrói, sempre desafiante, numa exacerbada provocação, fruto de uma inteligência que se reconhece orgulhosamente superior, numa época de niilismo nietzshiano, de não reconhecimento de Deus, ele próprio, Pessoa, se assumindo como criador, ou, pelo menos como mediador (cf. Pessoa, &lt;em&gt;“Emissário de um rei desconhecido / Eu cumpro informes instruções de além… Já viram Deus as minhas sensações”).&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Assim, a &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Introduction&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; que se inicia por uma citação: O começo das “&lt;em&gt;Viagens na minha Terra&lt;/em&gt;” de Garrett, no qual este faz a apologia d’ “&lt;em&gt;este clima, este ar que Deus nos deu&lt;/em&gt;” apelativo de um passeio, ao menos até ao quintal, do próprio Xavier de Maistre que se limitou, no seu livro, a uma viagem à volta do seu quarto. (Garrett, contrariamente, alargaria o seu trajecto até Santarém e de passagem narrando, entre variadíssimos assuntos do seu muito saber, uma romanesca história cujo protagonista Carlos, alter ego de Garrett, desempenhará um papel de destroçador de corações, entre os quais o da frágil Joaninha, sua prima reencontrada).&lt;br /&gt;Mas não se trata de qualquer paralelo caracterológico daquele com um Bernardo Soares incapaz de sentir sem racionalizar – (cf. Pessoa “&lt;em&gt;O que em mim sente está pensando&lt;/em&gt;”) - (o que Joanna apontará no momento próprio da sua tese), que pretende esta escolha do excerto garrettiano introdutório. Ele serve, de facto, para fazer contrastar um clima português visto através de duas sensibilidades dimensionadas segundo vectores de oposição: uma mais realista e extrovertida que aprecia objectivamente cores e cheiros e sabores, “&lt;em&gt;este ar que Deus nos deu, onde a laranjeira cresce na horta, e o mato é de murta”;&lt;/em&gt; outra dentro da sua percepção fragmentada de uma realidade simultaneamente física e psicológica, de um discurso de “&lt;em&gt;impressões sem nexo, nem desejo de nexo”,&lt;/em&gt; que, por consequência traça de Lisboa uma imagem cinzenta e fria, à maneira de Baudelaire:&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Le ciel couvert, qui difracte la lumière, place Pessoa près de Baudelaire, qui, lui aussi, décrit dans son Paris en mutation, un ciel laiteux le jour et dépourvu d’étoiles la nuit. Les deux poètes préfèrent, chacun dans leur ville respective, le moment du crépuscule, celui auquel s’identifient le plus leurs réalités intérieures – le desassossego et le spleen.”&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Uma estética, em ambos, governada pela imaginação, pelo sonho em Pessoa:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“L’univers de Bernardo Soares est fait d’images réduites et de signes parfois microscopiques, car son contact avec l’extérieur est restreint. Mais dans chaque infime détail il peut voir l’infini, grâce à l’intense analyse des sensations et à un grand pouvoir d’imagination.”&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Daí que o próprio título – &lt;strong&gt;“Livro do Desassossego”&lt;/strong&gt; – seja também ele marcado pela ironia – um “desassossego” (neologismo de Pessoa), que levando à descontinuidade, à dispersão, ao inacabado, dificilmente poderá caber na denominação geralmente adoptada de “livro”, como obra ordenada e encadernada com fins precisos.&lt;br /&gt;Todavia, no seu próprio contra-senso, esse título contém todo um programa de escola – a escola do primeiro modernismo, marcada pela ruptura, pela contestação dos valores literários e plásticos tradicionais dos inícios do século XX, pela subversão – “&lt;em&gt;le livre de l’Intranquillité est un concept qui parvient à capter et à concentrer les forces de la modernité esthétique du XXème siècle naissant: l’inachevé, l’insignifiant, le fragmentaire.”&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;E é na consciência de uma “&lt;em&gt;grandeza infinita&lt;/em&gt;” e de uma “&lt;em&gt;miséria infinita&lt;/em&gt;”, como contingências da condição humana, que nasce o sentimento do Absurdo e o sentido do humor na perspectiva do escritor, que criará o seu estilo “&lt;em&gt;immense et multiple, propre à quelqu’un qui entrevoit l’infini de sa fenêtre sur la rue”.&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Segue-se o capítulo “&lt;strong&gt;&lt;em&gt;L’Intranquillité: Um Livre Iconoclaste”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; iniciado por excerto do poema de Pessoa &lt;strong&gt;&lt;em&gt;“Liberdade”:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; “&lt;em&gt;Ai que prazer / não cumprir um dever. / Ter um livro para ler / E não o fazer! … O sol doira sem literatura”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;E, sobre o “&lt;strong&gt;Livro&lt;/strong&gt;” se apontam o estado depressivo, a melancolia, a tristeza, como sentimentos expressos pelo narrador Bernardo Soares e que são fruto da sua natureza hipersensível, “&lt;em&gt;dont les regards lucides sur lui-même se multiplient par des effets de miroir”&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;("Mémoire").&lt;/strong&gt; E do sentimento do absurdo, comum a outros heterónimos, com especial relevo para Ricardo Reis no sentido do efémero, absurdo resultante também do sentimento da banalidade quotidiana, surgem o cansaço, o tédio que levam ao sonho e à inacção e à convicção do falhanço, como em Pessoa, em Álvaro de Campos (p. ex. “&lt;em&gt;Tabacaria&lt;/em&gt;”), em Caeiro (“&lt;em&gt;Quem me dera que eu fosse o pó da estrada&lt;/em&gt;”), ou o próprio poema “&lt;em&gt;Liberdade&lt;/em&gt;”, encimando estes conceitos de cansaço perante a inutilidade da acção.&lt;br /&gt;Um livro cujo conteúdo remete muitas vezes para a sua própria correspondência &lt;strong&gt;&lt;em&gt;(“Correspondência&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;”) onde se define como vivendo em estado depressivo:&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;O meu estado de espírito actual é de uma depressão profunda e calma. Estou há dias, ao nível do Livro do Desassossego” &lt;strong&gt;Carta&lt;/strong&gt; de 14/10/1914), O meu estado de espírito obriga-me agora a trabalhar bastante, sem querer, no Livro do Desassossego. Mas tudo fragmentos, fragmentos, fragmentos.” (&lt;strong&gt;Carta&lt;/strong&gt; de 19/11/1914 )”…&lt;/em&gt;&lt;strong&gt; (“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sendo, pois, em parte, um livro autobiográfico, embora sem uma sucessão temporal linear visto que se trata de uma autobiografia sem acontecimentos, ele está centrado no jogo de uma escrita de paradoxo acompanhando o jogo de um pensamento de ironia.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;“Como há quem trabalhe de tédio, escrevo, por vezes, de não ter que dizer”.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(L. D.)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;E o confronto com textos do mundo pessoano, facilmente detectáveis, provoca a seguinte conclusão, sobre este livro de “bastidores” justificativo das suas diferentes “máscaras”:&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Le Livre de l’Intranquillité serait ainsi une sorte de coulisse de toute la dramaturgie pessoenne, retranscrite en prose. Cela nous amène à formuler deux hypothèses, non totalement contradictoires: ou bien ce texte se situe à un degré moins élevé de fiction,&lt;/em&gt; (aproximando-se das "&lt;em&gt;Confissões"&lt;/em&gt; de Rousseau) &lt;em&gt;ou bien il est issu d’un dédoublement du sujet qui va encore plus loin”,&lt;/em&gt; numa prosa verdadeiramente irónica, alimentada pela “&lt;em&gt;ironie amère de Pessoa, qui nous livrerait des confessions totalement fictives.”&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;“Au contraire de Rousseau, Soares n’a aucun ideal de sincérité, bien au contraire, il nous entretient dans son goût (ou peut-être une fatalité à laquelle il ne peut pas échapper) du paradoxe, de l’illogique, du trompeur. De plus, il n’a rien à avouer de sa vie, banale comme celle de n’importe qui. Ce qu’il nous raconte enfin, c’est l’histoire de sa propre écriture, cette création qui, finalement, est la seule expression, la seule concrétisation de sa vie personnelle.&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Le Personnage – Bernardo Soares&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;A publicação do Livro do Desassossego, numa primeira edição de 1982, veio desestabilizar conceitos já conclusivos sobre a interpretação do universo pessoano na sua multiplicidade, com a criação de uma obra em prosa como “&lt;em&gt;une découverte posthume de sa modernité, et une des plus vives manifestations de son génie”,&lt;/em&gt; o seu narrador Bernardo Soares ocupando o estatuto de semi-heterónimo, segundo Pessoa, na Carta a Adolfo Casais Monteiro de 13 de Janeiro de 1935 sobre, entre outros motivos, a génese dos seus heterónimos: “&lt;em&gt;É um semi-heterónimo porque, não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela”:&lt;br /&gt;“Cet aide-comptable qui vit et travaille dans la seule rue de la Baixa, au centre de Lisbonne – rua dos Douradores – est un individu anonyme, banal, effacé … ayant un nom assez commun, Bernardo Soares, qui exerce le modeste métier d’aide-comptable à Lisbonne…”&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;E prossegue uma longa análise entremeada de excertos do &lt;strong&gt;Livro&lt;/strong&gt; sobre esta personalidade banal, solitária e apagada, que um retrato conjunto com os empregados da firma mais contribui para se anular, fisicamente: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;“A minha cara é inexpressiva nem tem inteligência, nem intensidade, nem qualquer outra coisa, seja o que for, que a alce da maré morta das outras caras.”&lt;/em&gt; ("L. D.")&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;“&lt;em&gt;Bernardo Soares est un des personnages qui ont opéré le basculement du modèle du héros tragique dans la modernité: il traverse la vie plus ou moins indifféremment, son existence au-delà de l’entreprise dans laquelle il travaille n’est qu’intérieure, et même plongé dans son intériorité la plupart du temps, il s’échappe à lui-même. Il se place hors de la vie parce qu’il est toujours en train de s’analyser minutieusement, en devenant étranger à tout ce qui l’entoure. Il est un spectateur de lui-même, et, par analogie et généralisation de sa démarche, de la vie intérieure des hommes:&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«A vida prejudica a expressão da vida. Se eu vivesse um grande amor nunca o poderia contar.»&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;(L. D.)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Uma identidade flácida, mutável, contraditória, que reivindica uma alteridade absoluta, o poder ser outro, num mundo de evasão, de fuga à prisão do ser que lhe permitem a recusa do acabado, da finitude, justificando o seu estilo fragmentário.&lt;br /&gt;E assim, oscilando entre a consciência da sua nulidade como pertencendo aos anónimos que povoam o seu Livro – &lt;em&gt;a costureira, o barbeiro, o homem da tabacaria, os passantes&lt;/em&gt; - e o orgulho de pertencer aos génios da humanidade – &lt;em&gt;Milton, Shakespeare, Dante&lt;/em&gt; – torna-se uma personagem “intervalar”:&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;C’est un personnage intervallaire, un homme-crépuscule: il se situe entre le quotidien et le rêve, la conscience et l’inconscience, entre le corps et l’esprit, entre la sensation et la pensée, entre un “narcissisme démésuré” (&lt;/em&gt;Françoise Laye) &lt;em&gt;et la dépersonnalisation, entre l’éternité de l’écriture et la hantise de se voir disparaître dans le passage du temps, entre l’immanence et la contingence”.&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Daí que seja o humor que, permitindo-lhe assumir uma tal multiplicidade de facetas, constitua a característica fundamental neste seu jogo de máscaras, que simultaneamente o situam no vanguardismo iconoclasta do primeiro modernismo português, para além da sua integração no universo nietzshiano, abolidor de Deus, que lhe permite assumir um papel de livre criador:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Il ne cesse de se dissoudre, dans les autres, dans le temps, dans la pensée et le rêve, dans les possibles. Après “la misère infinie” d’un monde sans Dieu tel que l’éprouvé par Soares dès le début du Livre, vient le triomphe du génie individuel sur les règles de grammaire et de syntaxe (les anciennes divinités de la littérature…):&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;“&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Os Deuses são uma função do estilo&lt;/em&gt;”.("&lt;/strong&gt;L. D.")&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Le livre inachevé: un lieu de liberté&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;“Cette oeuvre manifestement incomplète n’est jamais limitée par sa finitude. Elle reste un lieu de liberté pour son auteur, un lieu où il peut trouver une place pour chaque nouveau texte, chaque nouvelle idée, le lieu où il pouvait recommencer lécriture sans jamais l’achever.”…&lt;br /&gt;“D’une certaine manière nous pouvons dire que “Le Livre de l’Intranquillité” est une polyphonie, concept opposé à celui de monologue – non à travers plusieurs voix mais une seule qui adopte plusieurs points de vue, qui dialoguent entre eux.”&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;E é este ajudante de guarda-livros que, na sua alternância de estados psíquicos, elege Lisboa como o espaço vital do seu mundo de escrita sensacionista, de diversão lúdica da linguagem, no seu jogo humorístico já citado:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;«Se houvesse de inscrever, no lugar sem letras de resposta a um questionário, a que influências literárias estava grata a formação do meu espírito, abriria o espaço ponteado com o nome de Cesário Verde, mas não o fecharia nele sem inscrever os nomes do patrão Vasques, do guarda-livros Moreira, do Vieira caixeiro de praça e do António moço do escritório. E a todos poria, em letras magnas, o endereço chave LISBOA.»&lt;/em&gt; ("L. D.")&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;L’IRONIE&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;L’ironie ou le chemin du dédoublement de la conscience:&lt;br /&gt;Un programme esthétique&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Tão intensa e labiríntica é a rede de vias de um percurso a cada passo interrompido em todos os sentidos, no seu jogo de desdobramento da consciência e pondo em causa as noções de realidade e de verdade, que dir-se-ia ela consiste numa constante busca do absoluto.&lt;br /&gt;E o desdobramento da consciência – a que escreve e a que se vê escrever – é, juntamente com a ironia, a capacidade que distingue o homem superior do homem vulgar, que, este, não se questiona:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;«Da nascença à morte, o homem vive servo da mesma exterioridade de si mesmo que têm os animais. Toda a vida não vive, mas vegeta em maior grau e com mais complexidade. Guia-se por normas que não sabe que existem, nem que por elas se guia, e as suas ideias, os seus sentimentos, os seus actos são todos inconscientes – não porque neles falte a consciência, mas porque neles não há duas consciências.»&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;("L. D.")&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;“&lt;em&gt;L’intranquillité est la critique des certitudes, ou le constat de la fin des croyances, en Dieu, dans l’humanité, dans les idéaux enfin, laisse un espace vide de manque ou d’incertitude”:&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Tenho as opiniões mais desencontradas, as crenças mais diversas… Vou a falar e falo eu-outro. De meus só sinto uma incapacidade enorme, um vácuo imenso, uma incompetência ante tudo quanto é a vida.&lt;/em&gt; (L.D.)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;“&lt;em&gt;Comment trouver une unité, et donc une identité, dans des consciences éparpillées parmi plusieurs, souvent contradictoires, parfois incompatibles? Où il n’y a plus de distinction entre vérité et mensonge, le sens des concepts et des termes est secoué par cette tempête qui brise le príncipe de l’identité, qui finit par sombrer dans l’angoisse existentielle éprouvée et exprimée par Soares.”&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A ironia é a sua tábua de salvação, ao fazer vacilar as certezas da verdade pelo efeito de uma contradição entre o sentido implícito e o sentido explícito dum enunciado, fazendo compreender ao interlocutor o contrário do que se afirma.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“C’est le contraire de la littéralité, et en ce sens elle s’approche de la littérature.”&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;("Mémoire")&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Mas a ironia resulta igualmente da cumplicidade criada entre o narrador Soares e os seus interlocutores; ou do afastamento entre a dimensão do sonho – infinitamente grande – e o infinitamente medíocre do quotidiano.&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;C’est la sensation de l’échec, très présente dans ses écrits, qui dans le caractère pluriel de notre personnage, est associée à la gloire de pouvoir tout rêver”.&lt;br /&gt;“Néanmoins, la conscience de l’écart entre les mots et les choses constitue pour Bernardo Soares un véritable champ de possibles esthétiques, imprégné qu’il est à la fois d’une sensibilité moderne et d’une vision critique de la modernité.”&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Critica uma concepção da arte – da escrita – como cópia da realidade interior ou exterior. Adepto da arte aristocrática, e no seguimento da filosofia de Nietzsche, condenatória da democracia, condena a democratização da arte trazida pela escola romântica, no seu sentimentalismo sincero mas inferior, fechado no casulo de uma só consciência.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;«&lt;em&gt;A ruína dos ideais clássicos fez de todos os artistas possíveis, e portanto maus artistas. Quando o critério da arte era a construção sólida, a observância cuidada de regras – poucos podiam tentar ser artistas, e grande parte desses são muito bons. Mas quando a arte passou de ser tida como criação, para passar a ser tida como expressão de sentimentos, cada qual podia ser artista, porque todos têm sentimentos.»&lt;/em&gt; ("L. D.")&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Condena, assim, a imagem do espelho no seu significado de meio visual de definição da realidade, abolindo a imaginação, e defende a dualidade ou mesmo a multiplicidade da verdade, segundo os ideais clássicos gregos, na sua arte de fingir com que Bernardo Soares se identifica.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;«A mais vil de todas as necessidades – a da confidência, a da confissão. É a necessidade da alma de ser exterior. Confessa, sim; mas confessa o que não sentes. Livra a tua alma, sim, do peso dos seus segredos, dizendo-os; mas ainda bem que os segredos que digas nunca os tenhas tido. Mente a ti próprio antes de dizeres essa verdade. Exprimir é sempre errar. Sê consciente: exprimir seja, para ti, mentir.»&lt;/em&gt; ("L. D.").&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;(O poema de Pessoa “&lt;em&gt;Autopsicografia&lt;/em&gt;” - “&lt;em&gt;O poeta é um fingidor&lt;/em&gt;….”, enquadra-se, naturalmente, nestes conceitos de fingimento subjacentes à criação artística, expressos no “Livro do Desconcerto”).&lt;br /&gt;Ao destruir constantemente os seus postulados, novos postulados cria, toda a expressão comportando sempre a mentira, até mesmo a que constata a verdade:&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Nous nous confrontons donc à une multiplication de dédoublements qui nous conduit à une aporie insoluble, et nous laisse finalement face au vide.”&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;("Mémoire")&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;À qui s’adresse-t-il?&lt;br /&gt;Mise en scène de soi, de la constellation hétéronymique et des autres&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;As suas ideias sendo múltiplas, como o é ele próprio, a sua escrita cria uma cumplicidade com os seus leitores, com os seus heterónimos, em diálogo permanente, consigo próprio também que constantemente pretende ser outro, e num jogo de ironia “&lt;em&gt;qui ne pourrait subsister dans la pure solitude”.&lt;/em&gt; Daí que utilize a interrogação, o imperativo, escrevendo muitas vezes como se respondesse a perguntas:&lt;br /&gt;«&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Que é viajar, e para que serve viajar? Qualquer poente é o poente; não é mister ir vê-lo a Constantinopla. A sensação de libertação que nasce das viagens? Posso tê-la saindo de Lisboa até Benfica, e tê-la mais intensamente do que quem vá de Lisboa à China, porque se a libertação não está em mim, não está para mim, em parte alguma.»&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;("L.D.")&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;E o paralelo com o poema de Álvaro de Campos ilustra a análise feita em prosa por Soares: "&lt;em&gt;Afinal a melhor maneira de viajar é sentir. / Sentir tudo de todas as maneiras&lt;/em&gt;” que, embora preceito de escola – o sensacionismo – é bem expressão de uma personalidade absurdamente dividida, numa hiperestesia de extraordinária dimensão.&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;La forme dialectique adoptée par Pessoa représente une sensibilité qui tient compte des autres sensibilités. La mise en scène permise par un langage souvent “emphatique” inclue aussi le lecteur, le public, qu’il met à l’épreuve par la mise en question du sens commun, de la bonne pensée, et même, pourrait-t-on dire, de la Vie (telle qu’il l’écrit avec majuscule) qui n’est que la Réalité regardée par chaque individu avec les yeux de sa propre expérience. Ces idées sont clairement dirigées vers quelqu’un, comme un personnage du théâtre qui s’adresse et s’affirme devant un public: il parle de manière exclamative, ou en soufflant, ou avec réticence, ou plein de certitude… Ce jeu théâtral se déroule dans l’univers de Pessoa, traversé par l’opposition de la pensée et de l’écriture, représentées chacune par un ou plusieurs hétéronymes, qui sont subtilement utilisés dans le Livre. Sa démarche faite de questions et de réponses séparées par des passages n’ayant rien à voir constitue une intelligente provocation.”&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Um público, pois, constituído pelos próprios heterónimos (V. &lt;strong&gt;carta&lt;/strong&gt; a Adolfo Casais Monteiro sobre a génese dos seus heterónimos: &lt;em&gt;«Se algum dia eu puder publicar a discussão estética entre R. Reis e Á. De Campos, verá como eles são diferentes, e como eu não sou nada na matéria).&lt;/em&gt;»&lt;br /&gt;Público constituído também pela sua ideia de leitor, onde ele situa as convenções e os preconceitos, - o “vulgo” – que poderia identificar-se com as personagens quotidianas do Livro: o empregado da tabacaria, a lavadeira, o barbeiro, o criado do café, a costureira, na ambiguidade da sua descrição, partilhando humildemente a sua condição, idêntica à do gato e do cão, na satisfação inconsciente que rege as suas vidas, mas por vezes irmanados aos grandes génios: «do outro lado estamos nós – o moço de fretes da esquina, o dramaturgo atabalhoado William Shakespeare, o barbeiro das anedotas, o mestre-escola John Milton, o marçano da tenda, o vadio Dante Alighieri (…)» (L. D.). Uma fraternidade que inclui as pessoas com quem trabalha, “patrão Vasques”, ou “o Moreira”, talvez como ironia ou como provocação. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Provocation élargie par l’ironie mise au service d’un renversement du sens commun, des idées reçues, de l’orthodoxie comme manière unique de bien penser, donc forcément limitée et incomplète, vu qu’elle se fonde sur l’unicité de l’être et de la pensée. La déconstruction de la bonne pensée est partie integrante, sur le fond comme sur la forme, de son écriture qui adopte le paradoxe, la contradiction, l’antithèse, et tous ces outils de l’intellect étrangers à la pensée orthodoxe.”&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A ironia como marca de superioridade de homem de cultura, detentor de duas consciências e de um complexo de inferioridade, pois que, ao contrário destes seres felizes, ele não o é.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Dans un autre passage, très parlant et drôle, qui évoque ces hommes “inconscients”, l’ironie révèle un humour moqueur, mais fraternel, presque teinté d’admiration (puisqu’il compare ses semblables aux dieux), à la fois:”&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Mas como a sua verdadeira vida é vegetativa, o que sofrem passa por eles sem lhes tocar na alma, e vivem uma vida que se pode comparar somente à de um homem com dor de dentes que houvesse recebido uma fortuna – a fortuna autêntica de estar vivendo sem dar por isso, o maior dom que os deuses concedem, porque é o dom de lhes ser semelhante, superior como eles (ainda que de outro modo) à alegria e à dor.&lt;br /&gt;Por isto, contudo, os amo a todos. Meus queridos vegetais!»&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;("L. D.")&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Mas, como a “ceifeira” de Pessoa, estes seres, desprovidos duma verdadeira sensibilidade, não podem tomar consciência da sua infelicidade, ao contrário de Soares, de Pessoa, limitando-se a ser simplesmente felizes, como os deuses.&lt;br /&gt;Na sua “estética do fingimento”, os sentimentos mais poderosos como a dor e o sofrimento sofrem uma metamorfose através de uma recriação dramática que espera a análise do leitor:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;«Em mim todas as afeições se passam à superfície, mas sinceramente. Tenho sido actor sempre e a valer. Sempre que amei, fingi que amei, e para mim mesmo o finjo.»&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;("L. D.")&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Um eu estilhaçado, dramaticamente, teatralmente, na origem dos seus heterónimos.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“C’est pour ça que nous retrouvons la dramaturgie chez Soares, bien qu’elle ait une place un peu à part dans la constellatin pessoenne, étant plus subtile et profonde: on y entrevoit les causes, les processus, comme dans des coulisses où courent les acteurs, les auteurs et les maquilleuses, mais où chaque élément n’est compréhensible qu’à la vision du tout, du spectacle qui a lieu devant le public, devant les lecteurs de l’oeuvre complète.”&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;L’écriture – une mise à distance?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Numa alternância de estados psíquicos, que vão da inacção epicurista à inquietação, para concluir no vazio, no non-sens de tudo, vazio é também o lugar dos afectos, concluindo Soares na sua “incapacidade de amar” na sua “secura de coração”: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;«Vale mais para mim um adjectivo do que um pranto real da alma». &lt;/em&gt;("L. D.")&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;“&lt;em&gt;L’amour comme comblement de la distance par la contemplation de l’objet aimé est inconcevable pour Bernardo Soares. Et c’est peut-être le mouvement par excellence de la prose de Bernardo Soares: revenir à une distance qu’il maintient toujours vis-à-vis de la vie. La distance imposée par son fameux dédoublement de la conscience. Il ne peut pas s’arrêter d’analyser le moindre événement, la plus petite sensation, vivant comme un étranger ethnographe dans la rue même où il habite -&lt;/em&gt; «&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Estou só no mundo. Ver é estar distante. Ver claro é parar. Analisar é ser estrangeiro»&lt;/em&gt; ("L. D.").&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;La nature de Soares lui fait analyser la vie à la place de la vivre. Sa vie, c’est la distance créée par l’analyse de la myriade d’impressions que son esprit sensible recueille du monde:&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;«&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Em mim foi sempre menor a intensidade das sensações que a intensidade da consciência delas. Sofri sempre mais com a consciência de estar sofrendo que com o sofrimento de que tinha consciência.»&lt;/em&gt; ("L. D.")&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O distanciamento efectua-se por intermédio do humor, contrário a uma relação trágica com a vida. A sua capacidade de despersonalização dramática permite-lhe transformar o absurdo em obra de arte, dar uma forma ao caos, através da escrita, que para ele substitui a vida.&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Il vit dans la discontinuité: être autre et écrire autrement à chaque jour. Dans un monde de personnalités changeantes, les concepts changent aussi, sans cesse, selon les points de vue et les postures. L’ironie correspond à une position épistémologique basée plus que dans le scepticisme, dans la relativité de la connaissance. L’ironie dissout les significations des concepts et de leus correspondances dans le langage”.&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A ironia, como essência da literatura, no seu distanciamento, funcionando como definição de literatura, com autores e leitores como personagens de ideologias diversas povoando o seu universo de ficção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;L’Empire du Rêve&lt;br /&gt;Les effets d’humour&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Entre os dois títulos acima, precedendo a análise que segue, a transcrição de um passo do &lt;strong&gt;“Livro do Desassossego”&lt;/strong&gt;, que, no seu discurso de alegoria retrata um ser repartido entre o sentido das suas misérias e da sua genialidade:&lt;br /&gt;«&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Afinal quem sou eu quando não brinco? Um pobre órfão abandonado nas ruas das Sensações, tiritando de frio às esquinas da Realidade, tendo que dormir nos degraus da Tristeza e comer o pão dado da Fantasia»&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;E é novamente do humor que trata este capítulo, como marca relevante da personalidade múltipla pessoana, resultante do facto de nenhuma das suas criações levar a sério nem a vida nem a obra, sendo que a vida é a obra.&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;C’est pourquoi nous nous prenons si souvent à sourire devant son ironie, et à rire parfois de l’absurdité de ses propos, ou même d’un franc humour noir. Plus nous passons de temps avec Pessoa, plus nous devenons sensibles aux composantes humoristiques de son “monde imaginaire”… “Faire dissoner, et ainsi dissoudre les certitudes d’une pensée unique, en survolant tous les points de vue à la hauteur d’un sourire ou d’un éclat de rire. La mise en scène comme dédoublement perpétuel, le théâtre dans le théâtre, dégage de vrais effets du comique.”&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Seguem-se exemplos:&lt;br /&gt;- De humor absurdo: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;«Querer ir morrer a Pequim e não poder é das coisas que pesam sobre mim como a ideia dum cataclismo próximo»&lt;/em&gt; ("L. D."):&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;“Cette déclaration semble absurde, mais nous pouvons aussi la comprendre comme une moquerie supplémentaire de Pessoa à l’encontre de la croissante société de consommation qui crée des envies et des frustations insensées. Mais sitôt après, nous voyons, non sans une certaine ironie, qu’acheter des choses inutiles a aussi l’avantage d’être une manière d’acquérir des petits rêves et de revenir ainsi à l’enfance.”&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;E o efeito cómico resulta, pois, não só do exagero da afirmação feita, mas também do contraste entre o sensato e o absurdo conjuntos, dos seus postulados.&lt;br /&gt;A linguagem torna-se, assim, a verdadeira manifestação não só do génio inventivo como da existência de Bernardo Soares, única distracção da sua vida, mesmo sentindo-se em estado depressivo ou melancólico, defendendo uma estética do fingimento, da ficção, jogando com os vários efeitos do discurso, ao nível do significante, dos sons, ou do significado, como jogo metafórico, como jogo humorístico.&lt;br /&gt;Na sequência da afirmação tão brutalmente pessimista de Nietzsche &lt;em&gt;“L’homme souffre si profondément qu’il a dû inventer le rire”…&lt;/em&gt; “&lt;em&gt;l’ “humour dans cette oeuvre est surtout négatif, même s’il n’est pas partout de l’humour “noir”. Ainsi, il déclare vouloir tout subordonner à l’art, qui est ce qui demeure dans le temps, alors que la vie matérielle finit très vite:”&lt;/em&gt;&lt;strong&gt; (“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;«&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O ter tocado nos pés de Cristo não é desculpa para defeitos de pontuação. Se um homem escreve bem só quando está bêbado, dir-lhe-ei: embebede-se”&lt;/em&gt; ("L. D.")»&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Avesso à ideia de metafísica, na sequência do Mestre Caeiro, (ou, como Álvaro de Campos em “&lt;em&gt;Tabacaria&lt;/em&gt;”: (“&lt;em&gt;A metafísica é uma consequência de estar mal disposto&lt;/em&gt;”), dentro da doutrina Nietzshiana de abolição de Deus, Soares erigiu o poder da escrita como ditadura a que é necessário submeter-se:&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Le dire instaure une Vérité (qui, en termes pessoens, est paradoxalement une “vérité fictionnelle”). En quelques mots, nous passons du sacré, les pieds du Christ, au profane, l’enivrement, si nécessaire pour bien écrire.” &lt;strong&gt;(“&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Uma escrita assente, por vezes, na valorização do significante, como um discurso humoristicamente construído em jogo de sons, destituídas as palavras de um nexo significativo (de que o poema de Pessoa “&lt;em&gt;Saudade Dada”&lt;/em&gt; é exemplo expressivo: “&lt;em&gt;Em horas inda louras, lindas / Clorindas e Belindas, brandas, / Brincam no tempo das berlindas, / As vindas vendo das varandas, / De onde ouvem vir a rir as vindas / Fitam a frio as frias bandas….”)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Por outro lado, segundo o conceito freudiano da dissemelhança, como técnica do cómico, surge, por vezes, a justaposição de dois universos diferentes numa só percepção:&lt;br /&gt;“&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Escrevo como quem dorme, e toda a minha vida é um recibo por assinar.” ("L. D.")&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Escrita - acção - associada ao sono – inacção: a escrita de Soares, próxima do sonho, da inacção; e a vida não moedável, comparada a um papel que confirma uma compra, embora sem valor por falta de assinatura: eis a sua vida sem sentido - quase sem identidade.&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Ces contrastes extrêmes entre matérialité et abstraction, entre vide et infini, entre le plus grand et le plus mesquin, sont encore une facette de la volonté de Pessoa de renverser les postulats de certitude, de voir toujours au-delà. Parfois dans l’invraisemblance totale, donc comique”.&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;É exemplo disso o passo do Livro de atribuição de uma alma às figuras artificiais – caso de uma chávena de porcelana que uma criada quebrou – para ele tão dotadas de existência e de vida como as figuras com quem se cruza na rua.&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Un sens invraisemblable et plein d’absurdité, mais qui enrichit la vie d’un nouveau territoire: la nouvelle science de la psychologie des porcelaines. À nouveau deux univers dans une seule perception – il confond délibérément la vie avec la littérature. Si la vie est quotidiennement banale, la littérature est universelle et elle a de place pour l’infini. Pourquoi pas le contraire, si la vie réelle est la littérature? Cet infini est concrétisé par les dédoublements de fictions en série dans lesquels nous entraîne Soares: sa collection de tasses japonaises est imaginaire, ainsi que la domestique, ainsi que le salon où il converse avec des interlocuteurs imaginaires lorsque ce petit événement a lieu. Ce n’est pas seulement le sens et l’absurdité qui dégagent un effet humoristique, c’est aussi l’élévation de l’imagination à des degrés extraordinaires que n’atteignent d’habitude que les jeux des enfants, qui se perdent souvent dans le déploiement de l’imagination et de la feinte."&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Eis o passo de Soares: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;«Quando se quebrou uma chávena da minha colecção japonesa, eu soube que mais que um descuido das mãos de uma criada tinha sido a causa. Eu tinha estudado os anseios das figuras que habitam as curvas daquele serviço de louça; a resolução tenebrosa de suicídio que as tomou não me causou espanto. Serviram-se da criada, como um de nós de um revólver. Saber isto é estar além da ciência hodierna, e com que precisão eu sei isto!»&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;E nestes jogos de absurdo e de contradição, em que vive, Bernardo Soares se afasta da Realidade que exige, ao contrário, a ponderação, o sensato o pragmático:&lt;br /&gt;«&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O absurdo salva de chegar apesar do tédio, àquele estado de alma que começa por se sentir a doce fúria de sonhar. (…) Absurdemos a vida.»&lt;/em&gt; ("L.D.")&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;E neste afastamento da moral comum, troça dos valores por ela aceites:&lt;br /&gt;«&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Mas os termos “dever cívico”, “solidariedade”, “humanitarismo”, e outros da mesma estirpe, repugnam-me como porcarias que despejassem sobre mim das janelas. (…) Não posso considerar a humanidade senão como uma das últimas escolas na pintura decorativa da natureza.» ("L. D.")&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;(Compare-se com idêntica ironia, sem tanto desprezo implícito, todavia, no poema de Caeiro “&lt;em&gt;Ontem à tarde o homem das cidades…”:&lt;/em&gt; “&lt;em&gt;Todo o mal do mundo vem de nos importarmos uns com os outros, /Quer para fazer bem, quer para fazer mal.”)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;É a secura de coração (de &lt;em&gt;Soares / Pessoa&lt;/em&gt;), pela incapacidade de amar com o sentimento, que dá lugar à via satânica do riso, no rastro da filosofia de &lt;em&gt;Henri Bergson&lt;/em&gt;: &lt;em&gt;“A insensibilidade acompanha geralmente o riso. O riso não tem maior inimigo que a emoção” tornando aquele que ri um “espectador indiferente” de “dramas que se tornam em comédia”… “O cómico exige uma anestesia momentânea do coração. Dirige-se à inteligência pura&lt;/em&gt;”.(“&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Le Rire”).&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Já &lt;em&gt;Baudelaire&lt;/em&gt; o dissera:&lt;em&gt; “Le rire humain est intimement lié à l’accident d’une chute ancienne, d’une dégradation physique et morale” (“&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;De l’essence du rire”).&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Esta tomada de consciência da indiferença entre os homens, que em Pessoa é sempre uma dupla consciência, revela-nos um dos melhores exemplos de humor negro no Livro do Desassossego:&lt;br /&gt;«&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Quando ontem me disseram que o empregado da tabacaria se tinha suicidado, tive uma impressão de mentira. Coitado, também existia! Tínhamos esquecido isso, nós todos, nós todos que o conhecíamos do mesmo modo que todos os que o não conheceram. Amanhã esquecê-lo-emos melhor. Mas que havia alma, havia, para que se matasse. Paixões? Angústias? Sem dúvida… Mas a mim, como à humanidade inteira, há só a memória de um sorriso parvo por cima de um casaco de mescla, sujo, e desigual nos ombros (…) Pensei uma vez, ao comprar-lhe cigarros, que encalveceria cedo. Afinal não teve tempo para encalvecer. É uma das memórias que me restam dele. Que outra me haveria de restar se esta, afinal, não é dele mas de um pensamento meu?»&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;("L. D.")&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A tragédia convertida em riso, de um suicídio de alguém de quem se não suspeitara que tinha alma e cuja recordação ficara circunscrita, para o narrador, a um casaco sujo e mal talhado ou a um pensamento irrisório sobre uma calvície precoce que não chegaria a verificar-se, pontua bem o exemplo da via satânica na escrita do narrador Soares, na junção obscena do trágico com o grotesco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Renversement de la conscience tragique &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Desta forma, pela ironia, Bernardo Soares vai demonstrando a sua ausência de empatia e a sua incomunicabilidade com os outros, espectador dos gestos e destruidor dos mitos que poderiam dignificar o homem, como o humanitarismo, que não é senão uma embriaguez enganadora:&lt;br /&gt;«&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Vi ali grandes movimentos de ternura, que me pareceram revelar o fundo de pobres almas tristes; descobri que esses movimentos não duravam mais que a hora em que eram palavras, e que tinham raiz – quantas vezes o notei com a sagacidade dos silenciosos – na analogia de qualquer coisa com o piedoso, perdida com a rapidez da novidade da notação, e, outras vezes, no vinho do jantar do enternecido. Havia sempre uma relação sistematizada entre os humanitarismos e a aguardente de bagaço, e foram muitos os grandes gestos que sofreram do copo supérfluo ou do pleonasmo da sede.» ("&lt;/em&gt;L. D.")&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;«&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Achei sempre fútil considerar a vida como um vale de lágrimas: é um vale de lágrimas sim, mas onde raras vezes se chora. Disse Heine que, depois das grandes tragédias, acabamos sempre por nos assoar. Como judeu, e portanto universal, viu com clareza a natureza universal da humanidade.» ("&lt;/em&gt;L.D.")&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Encarando a vida como um espectáculo, ele próprio também em palco, à distância de todos, na secura dos seus sentimentos, na insensibilidade perante o sofrimento, tudo desconstrói até chegar ao nada, pela constatação de que “tudo é absurdo”.&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Le vide intérieur du personnage est preuve d’un vide infiniment plus grand: l’absence de Dieu et la conscience intime de l’absence de sens. Un Cosmos renversé.&lt;br /&gt;Que nous reste-t-il alors?”&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;L’art de rêver&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O vazio dos afectos, a ausência de toda a divindade, a ausência de si, a irrealidade dos outros, o sentimento da solidão e de ser diferente, a abolição do mistério com o desenvolvimento da ciência e da técnica, tudo isso que o situa no modernismo e se traduz em descrença e desencanto, justifica uma arte fragmentada, cujo inacabado lhe dá perspectivas para um sentimento de infinitude, que a janela de Soares, aberta no seu quarto da Rua dos Douradores simboliza, funcionando como alavanca entre a exterioridade do mundo e a interioridade das suas várias consciências, nas contradições que capta, numa imaginação que se desdobra.&lt;br /&gt;«&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Sim, esta Rua dos Douradores compreende para mim todo o sentido das coisas, a solução de todos os enigmas, salvo o existirem enigmas, que é o que não pode ter solução. (…) Se eu tivesse o mundo nas mãos, trocava-o, estou certo, por um bilhete para a Rua dos Douradores. (…) O Ganges passa também pela Rua dos Douradores. (…) Do meu quarto andar sobre o infinito, no plausível íntimo da tarde que acontece, à janela para o começo das estrelas, meus sonhos vão, por acordo de ritmo com a distância exposta, para as viagens aos países incógnitos, ou supostos, ou somente impossíveis. Mas enfim, também há um universo na Rua dos Douradores. Também aqui Deus concede que não falte o enigma de viver.»&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;("L. D.")&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;“&lt;em&gt;L’imagination, qui dans le sens littéral désigne la capacité à former des images, permet d’affronter le temps, elle atténue et adoucit l’angoisse du passage du temps. C’est l’imagination qui ouvre la pensée vers les innombrables possibilités de création de quelque chose qui, au premier regard, peut paraître n’être qu’un rien.”&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;("Mémoire)"&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Qualquer coisa, conforme se considera, é um assombro ou um estorvo, um tudo ou um nada, um caminho ou uma preocupação. Considerá-la cada vez de um modo diferente é renová-la, multiplicá-la por si mesma. É por isso que o espírito contemplativo que nunca saiu da sua aldeia tem contudo à sua ordem o universo inteiro. Numa cela ou num deserto está o infinito&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;»&lt;em&gt;&lt;strong&gt; ("L. D.")&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;“C’est dans le passage à l’écrit qui s’effectue cette alchimie: la transformation des miettes du vécu en absolu.” ("&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Mémoire")&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;De uma vida real apagada, é pelo sonho, pela imaginação que ele se engrandece, partindo da desconstrução para uma reconstrução, que, jamais acabada, no seu todo fragmentado, mostra as infinitas possibilidades de um universo situado entre a consciência e a inconsciência do sujeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Conclusion&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Um livro em movimento: uma obra aberta, de leituras diferentes, conforme as sensibilidades dos leitores.&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;C’est un livre fascinant pour la jeunesse, presque un livre initiatique. Par sa forme, proche du journal intime si souvent rédigé par les adolescents, et par sa démarche de mise en question généralisée à travers paradoxes et contradictions, il nous apprend à penser, à être critique et savoir aller au-delà de l’orthodoxie, il nous apprend ce qu’est l’ironie, et comment nous pouvons l’utiliser pour garder parfois la distance vis-à-vis de la vie.”&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(“Mémoire”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Um livro que Joanna considera das mais belas prosas que alguma vez se escreveram em língua portuguesa.&lt;br /&gt;…………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um trabalho cuidado, esta “&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Memória”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; sobre o livro de &lt;em&gt;Bernardo Soares&lt;/em&gt;, que vai semeando autores e referências, e conclui, naturalmente, com bibliografia adequada – as obras de Pessoa (&lt;em&gt;bibliografia primária&lt;/em&gt;), estudos sobre Pessoa (&lt;em&gt;bibliografia secundária&lt;/em&gt;), entre os quais os de &lt;em&gt;Eduardo Lourenço&lt;/em&gt; e a tradução por &lt;em&gt;Françoise Laye&lt;/em&gt;, de “&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Le Livre de l’Intranquillité&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;” seguida por Joana, na tradução dos excertos de Bernardo Soares, outros autores complementares, como &lt;em&gt;bibliografia terciária&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Um livro – mais um, mas quão diferente! – este “&lt;strong&gt;Livro do Desassossego&lt;/strong&gt;”, que tão rebuscadamente se apoia no velho conceito socrático do autoconhecimento como forma de alargamento do saber: “&lt;em&gt;&lt;strong&gt;conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses”.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-3216155272571493300?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/3216155272571493300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=3216155272571493300&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/3216155272571493300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/3216155272571493300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/07/joanna-memoria-do-livro-do-desassossego.html' title='Joanna: “Memória do «Livro do Desassossego»”'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-8101075986095423531</id><published>2011-06-24T19:03:00.002+01:00</published><updated>2011-06-24T19:14:03.326+01:00</updated><title type='text'>O Susto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;- E aqueles papéis cortados à tesourada? Quem é que os vai decifrar agora?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Julguei que se referisse a alguma telenovela das minhas infidelidades, tendo começado por ser adepta fervorosa da brasileira nos tempos da sua introdução cá, e acabado numa indiferença de enfastiamento:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Não dei por nada.&lt;br /&gt;- Do Sócrates. Os incriminatórios. Como é que uma pessoa vai acreditar nas gentes por cá, e na Justiça? E descobrir os enigmas das trapaças governativas? Às tantas, estes homens como o Passos Coelho apanham um susto tão grande que fogem a sete pés às responsabilidades que assumiram.&lt;br /&gt;- Credo! Então para que concorreu? Ele está bem lançado! Vai pôr as coisas nos eixos. Não viu ontem em Bruxelas? No grupo da Senhora Merkel, até talvez seu novo protegido, como a Esfinge protegeu o Édipo, dando-lhe conta do segredo do seu enigma... Que a gente precisa de ser bem vista pela senhora Merkel, nossa esfinge preferida… Ainda bem que ele é jovem e bem-apessoado. Sempre é uma forma de ultrapassar os vexames da pedincha, com um exterior agradável, à falta de uma autoridade mais prestigiante.&lt;br /&gt;- Acredita que ele vai conseguir?&lt;br /&gt;- Ele prometeu seriedade nas contas, trabalho no Verão, rigor nas medidas… Sangue, suor e lágrimas. As lágrimas para a gente. E os feriados para ficarmos mais felizes.&lt;br /&gt;- Viu aquela medida de extinção dos governadores civis? Mas são esses que têm reformas milionárias!&lt;br /&gt;- Ah! Mas não são os únicos!&lt;/em&gt; – declarei com experimentada convicção.&lt;br /&gt;Antes que a minha amiga se alargasse em exaltações desnecessárias, chegou outra nossa amiga, que se lançou nos costumados queixumes sobre a sua saúde.&lt;br /&gt;E retomámos as tristezas dos considerandos sobre o tempo que galopa. Num susto. Porque para o enigma do Além não há esfinge que valha à criatura que de manhã se move com quatro pés, ao meio dia com dois e à tarde com três. E que até às vezes se extingue sozinha em casa, abraçada à sua vida vazia. Mas não de susto. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-8101075986095423531?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/8101075986095423531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=8101075986095423531&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/8101075986095423531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/8101075986095423531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/06/o-susto.html' title='O Susto'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-2612819377745619601</id><published>2011-06-22T17:00:00.004+01:00</published><updated>2011-06-23T00:43:07.689+01:00</updated><title type='text'>O estado da Justiça</title><content type='html'>É de Esopo a fábula seguinte&lt;br /&gt;Que tem como lugar de acção&lt;br /&gt;Um Tribunal&lt;br /&gt;O qual,&lt;br /&gt;Embora fosse destinado&lt;br /&gt;A cumprir a Justiça,&lt;br /&gt;Como premissa universal&lt;br /&gt;Do seu ideal,&lt;br /&gt;Se mostrou desleixado&lt;br /&gt;Permitindo&lt;br /&gt;A crueldade e a injustiça&lt;br /&gt;Como premissa&lt;br /&gt;Realmente impertinente&lt;br /&gt;Da sua presença:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;«A andorinha e a serpente»&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;«&lt;em&gt;Uma andorinha o seu ninho deixara,&lt;br /&gt;Momentaneamente,&lt;br /&gt;O qual ela fabricara&lt;br /&gt;No beiral dum Tribunal.&lt;br /&gt;Uma serpente até aí rastejando&lt;br /&gt;Logo engolira&lt;br /&gt;Os passarinhos&lt;br /&gt;Que no seu lar dormiam&lt;br /&gt;Muito quentinhos.&lt;br /&gt;Quando voltou&lt;br /&gt;A andorinha,&lt;br /&gt;E encontrou&lt;br /&gt;Vazio o ninho&lt;br /&gt;Pôs-se a soluçar&lt;br /&gt;Perdidamente,&lt;br /&gt;Como quem&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Muita dor sente.&lt;br /&gt;Uma outra andorinha,&lt;br /&gt;Sua vizinha,&lt;br /&gt;Com muito amor&lt;br /&gt;E amargura,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Foi consolá-la&lt;br /&gt;E adverti-la&lt;br /&gt;De que não só ela fora &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que seus filhos perdera.&lt;br /&gt;-“Sem dúvida - respondeu esta -&lt;br /&gt;Mas eu não estou a deplorar&lt;br /&gt;Só dos meus filhos a morte, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sua triste sorte,&lt;br /&gt;Mas por ver espezinhar a Justiça,&lt;br /&gt;No próprio lugar&lt;br /&gt;Onde ela se devera&lt;br /&gt;Praticar!” &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A fábula mostra que a desgraça&lt;br /&gt;Ataca as suas vítimas com mais rudeza,&lt;br /&gt;Quando provém de quem&lt;br /&gt;Não se esperaria tal crueza.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;É assim também,&lt;br /&gt;Ao que se diz,&lt;br /&gt;Com a nossa Justiça&lt;br /&gt;À portuguesa:&lt;br /&gt;Espera-se, espera-se,&lt;br /&gt;E desespera-se&lt;br /&gt;Porque ela falha&lt;br /&gt;As mais das vezes,&lt;br /&gt;Aos portugueses,&lt;br /&gt;Em demoras, vícios,&lt;br /&gt;Em atropelamentos&lt;br /&gt;Em artifícios,&lt;br /&gt;Adiamentos,&lt;br /&gt;Protelamentos,&lt;br /&gt;Em custas malucas,&lt;br /&gt;Tão excessivas,&lt;br /&gt;Em corrupção, em danação,&lt;br /&gt;Em indiferença&lt;br /&gt;Cruel e rude&lt;br /&gt;Pela Justiça&lt;br /&gt;Ideal, real,&lt;br /&gt;Como deve ser&lt;br /&gt;A do Tribunal.&lt;br /&gt;Esperemos que mude.&lt;br /&gt;Com a mudança.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-2612819377745619601?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/2612819377745619601/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=2612819377745619601&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/2612819377745619601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/2612819377745619601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/06/o-estado-da-justica.html' title='O estado da Justiça'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-6153638396936693686</id><published>2011-06-21T01:53:00.002+01:00</published><updated>2011-06-21T01:58:55.484+01:00</updated><title type='text'>Zaratustra falava assim</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Já tínhamos comentado o escândalo do sangue colhido para salvar vidas humanas, metade do qual desperdiçado, incinerado, por falhas no armazenamento, e a minha amiga exaltou-se ao seu jeito exacerbado, comentando sobre os milhões que representava a importação de sangue. Também se falou nos copianços dos candidatos a juízes, nos seus exames de cruzes. E no alcance negativo das greves na Tap sobre a economia da nação…&lt;br /&gt;E falou-se no texto de Pezarat Correia, que, no rastro de Ana Gomes, que ele muito admira, ao que afirmou, acusa Paulo Portas porque mentiu deliberadamente há uns anos, sobre o pretenso armamento iraquiano, após uma sua visita aos Estados Unidos. Ana Gomes limitara-se a referir os submarinos, e mais umas observações de delírio provocatório comparativo, sobre Strauss-Kahn, Correia acrescentou a questão do armamento no Iraque, inquestionável segundo Portas, que provocara a guerra que destruiria o ditador Hussein. Um mentiroso deliberado não podia, pois, ser eleito ministro, segundo Correia, indignado e esquecido.&lt;br /&gt;Esquecido de que também ele mentira ao jurar defender a pátria antes dos cravos de Abril, atraiçoando as suas juras anteriores com os tais cravos. Esquecido igualmente de que o governo do Ex-Primeiro Ministro fora assente sobre alicerces de mentira e dolo e assim vivera, seis longos anos. Matando, é certo, princípios e sobrevivência, mas Pezarat fora dos que se safara, que ganhara com a sua acção de incumprimento, fora dos que sobrevivera, protegido pelo sistema, como muitos dos companheiros da destruição, convinha-lhe continuar.&lt;br /&gt;Não, não lhe convinha mesmo mudar de rumo, esquecido da multiplicação dos sem abrigo, do aumento dos desempregados, do débito pátrio crescente. Um novo governo nascera, mas era preciso deitá-lo abaixo à partida, com a saliência das Gomes e dos Correias deste nosso mundo ilimitado, na pequenez de princípios.&lt;br /&gt;Ia começar tudo de novo, mau grado as promessas de Passos Coelho de que não iria contra-atacar. Mas são muitos os Pezarats, são muitas as Anas das nossas pequenas saliências.&lt;br /&gt;E nós assim falámos dessas e doutras coisas neste país de coisinhas. Como Zaratustra - Zoroastro nos meus tempos do liceu - falámos do Bem e do Mal, mais visível, todavia, o Mal, por cá.&lt;br /&gt;Transcrevo, da Internet, princípios piedosos do Zend-Avesta que ainda hoje nos serviriam, se quiséssemos segui-los:&lt;br /&gt;«&lt;em&gt;Zaratustra propõe que o homem encontre o seu lugar no planeta de forma harmoniosa, buscando o equilíbrio com o meio (natural e social), respeitando e protegendo terra, água, ar, fogo e a comunidade. O cultivo de mente, palavras e acções boas é de livre escolha: o indivíduo deve decidir perante as circunstâncias que se apresentam em determinado facto. A boa deliberação, ou seja, uma boa reflexão a respeito de cada acção faz surgir uma responsabilidade social para colaborar com o projecto que Deus propôs ao mundo. Os seres humanos, portanto, possuem livre-arbítrio e são livres para pecar ou para praticar boas acções. Mas serão recompensados ou punidos na vida futura conforme a sua conduta.&lt;br /&gt;Os principais mandamentos são: falar a verdade, cumprir com o prometido e não contrair dívidas. O homem deve tratar o outro da mesma forma que deseja ser tratado. Por isso, a regra de ouro do Mazdeísmo é: "Age como gostarias que agissem contigo".&lt;br /&gt;Entre as condutas proibidas destacavam-se a gula, o orgulho, a indolência, a cobiça, a ira, a luxúria, o adultério, o aborto, a calúnia e a dissipação. Cobrar juros a um integrante da religião era considerado o pior dos pecados. Reprovava-se duramente o acúmulo de riquezas.&lt;br /&gt;As virtudes como justiça, rectidão, cooperação, verdade e bondade, surgem com o princípio organizador de Deus Ascha, que só se pode manifestar com o esforço individual de cultivar a Tríplice Bondade. Esta prática do Bem leva ao bem-estar individual e, consequentemente, colectivo. A comunidade somente pode surgir quando o indivíduo se vê como autónomo, e desse modo pode descobrir o outro como pessoa. O ego é valorizado como fonte para o reconhecimento do próximo. Cultivado de forma sadia, o ego torna-se forte e poderoso para o homem observar a si próprio como membro da comunidade e capaz de contribuir para o bom relacionamento harmonioso com os outros seres.&lt;br /&gt;Por isso, eram incentivadas as virtudes económicas e políticas, entre elas a diligência, o respeito aos contratos, a obediência aos governantes, a procriação de uma prole numerosa e o cultivo da terra, como está expresso na frase: "Aquele que semeia o grão, semeia santidade". Havia também outras virtudes ou recomendações de Ahura Mazda: os homens devem ser fiéis, amar e auxiliar uns aos outros, amparar o pobre e ser hospitaleiros.&lt;br /&gt;A doutrina original de Zaratustra opunha-se ao ascetismo. Era proibido infligir sofrimento a si, jejuar e mesmo suportar dores excessivas, visto o facto de essas práticas prejudicarem a alma e o corpo, e impedirem os seres humanos de exercerem os deveres de cultivar a terra e de procriar. Essas prescrições fomentavam a temperança e não a abstinência. Assim, as exortações e interdições destinavam-se a proporcionar aos homens uma boa conduta, além de reprimir os maus impulsos.&lt;br /&gt;As revelações e profecias de Zaratustra estão contidas nos Gathas, cinco hinos que formam a mais antiga parte do livro do Mazdeísmo, o Avesta. Os Gathas datam do final do segundo milénio a.C….. Originalmente, esses hinos eram transmitidos oralmente. Grande parte do Avesta original foi destruída, com a invasão de Alexandre Magno e com o domínio posterior do Islamismo. As escrituras sagradas do Mazdeísmo, o Avesta ou Zend-Avesta, como se tornaram mais conhecidas no ocidente, significam "comentário sobre o conhecimento".&lt;br /&gt;O Zoroastrismo é uma das religiões mais antigas e de mais longa duração da humanidade. O seu monoteísmo influenciou as doutrinas judaica, Cristãs e Islâmicas... Como já mencionado, a base da doutrina de Zaratustra é o dualismo Bem-Mal. O cerne da religião consiste em evitar o mal por intermédio de uma distinção rigorosa entre Bem e Mal. Além disso, é necessário cultivar a sabedoria e a virtude…»&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Abençoada Internet! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-6153638396936693686?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/6153638396936693686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=6153638396936693686&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/6153638396936693686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/6153638396936693686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/06/zaratustra-falava-assim.html' title='Zaratustra falava assim'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-1244447043988533536</id><published>2011-06-17T07:00:00.004+01:00</published><updated>2011-06-17T11:24:36.252+01:00</updated><title type='text'>“Por este mundo acima”, de Patrícia Reis</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um livro que o meu filho Ricardo exigiu que lesse, condenando as minhas inércias, as minhas fixações no leque dos clássicos, com gosto relidos, ao que ele diz ostracizando a modernidade, fechando os olhos ao progresso das técnicas narrativas trazidas pelos novos valores literários, presa ainda a conceitos que valorizam a ficção, a imaginação, os enredos bem concebidos, com o seu quê de suspense, sem mastigarem obsessivamente a psicanálise e os mundos dos conceitos, das vivências, da intelectualidade, da modernidade, com os condimentos necessários condenatórios das monstruosidades sociais, tal a pedofilia incestuosa no livro de Patrícia Reis, ou a liberdade das relações entre os amigos, sem os conceitos moralistas que presidiam, dum modo geral, à ficção tradicional.&lt;br /&gt;Trata-se de uma mistura de realidade e ficção. Ficção imaginada sobre uma realidade hipotética: um cataclismo arrasador, semelhante aos muitos cataclismos que hoje em dia sucedem, quer trazidos pelas mãos dos homens, quer lançados pelas fúrias da natureza, como há milhões de anos já acontecia na Terra, ponto minúsculo na imensidão do universo em movimento. O livro não se fixa em descritivos aterradores, vai-os apontando superficialmente através das necessidades pessoais que se vão impondo, no mundo do caos estabelecido, deixando transparecer o pesadelo das monstruosidades vividas, na ausência quase total das condições para sobreviver.&lt;br /&gt;E, na trama ficcional, o recomeço previsível em desconforto, de carências e memórias, listas de carências, destacadas na dinâmica narrativa, dos primeiros socorros, dos alimentos escassos, das qualidades e defeitos das pessoas mortas, bem ou mal amadas.&lt;br /&gt;E as personagens vão surgindo, em farrapos de frases antigas, em evocações do narrador Eduardo, ligado ao seu universo de amizades anteriores à destruição e o clarear dos comportamentos, através dos escritos encontrados. A busca, pelos escombros, do narrador Eduardo dos seus amigos de outrora, Sofia, Jaime, Lourenço, as relações daquela com Rui, com Duarte, um retomar constante de apelos da memória, de farrapos de frases ou gestos, em técnica circular, que vão caracterizando as várias personagens desse mundo focalizado, no outrora mais ordeiro, ressalvando o relato aterrador na sua simplicidade, da relação de Sofia criança com o pai perverso, justificativa da sua rebeldia, posterior, a preconceitos…&lt;br /&gt;O reaparecimento – numa técnica de estruturação circular – do texto inicial sobre Pedro menino, encontrado vivo nos escombros, morta a mãe, que sempre zelara pela sua educação, texto que indicia a importância deste na ficção, mortos os amigos de Eduardo, que em vão os procura, nos destroços da cidade arrasada.&lt;br /&gt;O número 7, segundo a estrutura externa – &lt;em&gt;A última caixa secreta&lt;/em&gt; – é em discurso directo, o diálogo com os amigos mortos, novos traços caracterizando-os de confrontações anteriores, sobre os seus conceitos, os seus trabalhos, as suas relações familiares, Sofia a confidente principal, aquela a quem todos amavam, os fantasmas dos seus mortos que o obsediam, as caminhadas em busca dos lugares passados, dos amigos mortos, as descobertas do segredo do cancro de Sofia nos cartões encontrados na sua casa, a descoberta do livro do miúdo do Lourenço – “&lt;em&gt;a única esperança&lt;/em&gt;”, a decisão de ficar com o miúdo Pedro, que diz ter oito anos.&lt;br /&gt;O número 8 da estrutura externa, como segunda parte – &lt;em&gt;A vida de Pedro&lt;/em&gt; – inicia-se com a informação, pelo narrador omnisciente, sobre o livro que Pedro começara a escrever, sobre o cadáver de Eduardo que Pedro conduzira ao local das cremações, e, em analepse, sobre a relação de ternura e de cumplicidade entre ambos, sobre as histórias de Eduardo, sobre os gangs a que Pedro poderia ter pertencido, não fora o ter sido salvo por Eduardo, a descoberta do manancial de leitura da biblioteca pública, além da biblioteca da avó de Eduardo, os seus gostos itinerantes, e o seu olhar sobre o novo mundo, o novo apego à vida de Eduardo, pela mão de Pedro, um novo mundo em formação, o recontar de um mundo antigo de ditadura que uma revolução eliminara, a transformação de Eduardo num ser de bondade, porque “&lt;em&gt;as crianças não precisam de maldade&lt;/em&gt;”, o pontificado deste com o seu saber, a sua memória, novo Édipo numa nova Colona em formação, que gradualmente se vai povoando com novas personagens, várias personagens, numa técnica quase diria pontilhista. Como as histórias bíblicas do Génesis.&lt;br /&gt;Um livro elegante, com o charme da leveza do seu discurso saltitante, o livro do olhar, um novo olhar sobre as coisas, que vai focalizando, num renascer imperioso para um mundo novo, após o apocalipse, no primitivismo do recomeçar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O poema do Ricardo que tenho no meu blogue – "&lt;strong&gt;Elevador da Glória"&lt;/strong&gt; – será uma forma de homenagear o livro de que ele gostou, como fruto da sua sensibilidade e ternura por esse velho elevador dos seus passos diários pelos Restauradores, revelador das suas qualidades desde menino indiciadas, e que se desvaneceram (segundo as perspectivas dos que o amam), nos condicionalismos de outras aventuras libertárias, condizentes com as realidades sociais e políticas também bastante caóticas que ele atravessou na sua adolescência.&lt;br /&gt;É que o Ricardo deu vida a uma personagem da vida lisboeta num poema que merece destaque - pelo descritivo sintético e conceituoso, que tanto traduz o dom de captação visualista de um real sonoro e dinâmico, como a interpretação sensível do mundo humano, no deserto das suas solidões, na simpatia das suas afeições, na eficácia da sua missão, no ranger empenhado da sua arrastada velhice. Um símbolo. Sintético.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Elevador da Glória&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Sobe, lento, soa, cheio.&lt;br /&gt;Guincha em seus suaves rodados.&lt;br /&gt;Sobe, lento até ao meio&lt;br /&gt;cruza-se, chega ao outro lado.&lt;br /&gt;Une a cidade baixa pelo esforço,&lt;br /&gt;até à alta.&lt;br /&gt;É a glória a subir:&lt;br /&gt;segue, cheio, velho, cansado.&lt;br /&gt;Não esmorece um segundo,&lt;br /&gt;trepa, lento; é ousado.&lt;br /&gt;Sobe e sabe que, do outro lado,&lt;br /&gt;espera tempo de real descanso.&lt;br /&gt;Quando desce até à foz,&lt;br /&gt;bem mais leve, chova ou não,&lt;br /&gt;segue, lento, chama, chia,&lt;br /&gt;reencontra o seu irmão,&lt;br /&gt;cumprimenta, passa, desce,&lt;br /&gt;traz estampada a solidão,&lt;br /&gt;continua em seu rodado.&lt;br /&gt;Pára, ronceiro, de supetão. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Também o livro de Patrícia Reis igualmente parece simbólico de um novo tempo que ela acha imprescindível implementar – o tempo da abertura para a consciência dos valores do intelecto e do amor. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-1244447043988533536?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/1244447043988533536/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=1244447043988533536&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/1244447043988533536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/1244447043988533536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/06/por-este-mundo-acima-de-patricia-reis.html' title='“Por este mundo acima”, de Patrícia Reis'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-863998023781880726</id><published>2011-06-14T00:59:00.001+01:00</published><updated>2011-06-14T01:03:34.140+01:00</updated><title type='text'>Mesmice</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- &lt;em&gt;Eu só gostava de saber o que os troikas estão a comentar nesta semana de feriados e casamentos. Mas aquela câmara é rica, por ventura? Sempre foi.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Formalizei-me, no meu orgulho nacional, que não aceita peias impostas lá de fora, mas perguntei com curiosidade se os homossexuais já se viam nos casamentos do Santo António, abençoados por António Costa, já que a minha amiga está sempre a par dos acontecimentos importantes que implicam gastos vultosos dos dinheiros do nosso empréstimo e das fofocas da nossa vida social.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- O Santo António acho que não autoriza. Lá irão. Não vi as marchas. Hoje é feriado, não se trabalha. Uma semana de férias para os que partiram na véspera.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Achei que a minha amiga exagerava, é seu costume exagerar. As férias foram de quinta ao fim do dia a segunda, durante o dia. Dois dias reais, de facto, o dia de Camões e o de Santo António. Além de que tínhamos mesmo que distinguir o dia de Santo António, que se tivesse vindo morrer a Lisboa, no seu naufrágio marroquino, e não em Itália para onde foi desviado, não teria tido a projecção que teve, pregando em Pádua, o que lhe deu mais prestígio do que se tivesse vindo pregar ao seu país natal, que não vai em pregações de espécie alguma, nem nunca foi.&lt;br /&gt;Foi até por esse motivo que a minha amiga falou do professor Cavaco, a propósito das nossas actuais licenciaturas:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Licenciados aos molhinhos não arranjam emprego. Toda a gente vai para Direito, não sei se sabe. Têm que tirar doutoramento para terem alguma utilidade. O coiso já os distribuiu p’rà terra, p’ra terem alguma utilidade. Parece que agora já não precisamos do mar para nada. O gajo calou-se com o mar de repente, porque seria?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Eu também não sabia. Tudo tão utópico naquele discurso orientador, mas no improviso costumeiro, sem apontar estruturações implicando mais gastos… Da outra vez falou da necessidade do mar, desta vez da necessidade da terra, para nos safarmos… Será que ele não se lembra de como tudo fora feito, no seu tempo de ministro, de canalização de massas alheias, mal paradas muitas delas, para sabotar as nossas fontes de economia, mesquinhas que fossem, mas nossas… Temos um país de supermercados cheios de produtos estrangeiros, mas os troikas vão exigir travão no regabofe, embora disso nada se veja ainda, e só as ajudas das Misericórdias, com os usuais peditórios, revelam o caos em que estamos transformados.&lt;br /&gt;De gente a viver da caridade. Destituída de autonomia provinda do seu trabalho, sem direito a participar em actividades do seu país, desrespeitada na sua condição humana.&lt;br /&gt;País sem alma? A alma de sempre. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1637689004216870434-863998023781880726?l=poramaisb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://poramaisb.blogspot.com/feeds/863998023781880726/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1637689004216870434&amp;postID=863998023781880726&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/863998023781880726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1637689004216870434/posts/default/863998023781880726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://poramaisb.blogspot.com/2011/06/mesmice.html' title='Mesmice'/><author><name>Por AmaisB</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1637689004216870434.post-419670820194814645</id><published>2011-06-12T15:36:00.000+01:00</published><updated>2011-06-12T15:38:19.286+01:00</updated><title type='text'>Rendimento social de Inserção</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A Bianca é uma moça romena que traba
