quarta-feira, 25 de maio de 2016

“A defesa do outro”



Já a nossa amiga, naquele domingo, explicara que se tratava de encenação já não sei a respeito de que caso que eu vira em um qualquer canal, sobre a participação pública nas supostas questões de gravidade social, com repercussões - ou não - sobre a sensibilidade dos passantes, e a sua participação – ou não – na resolução desses casos de rua.
Falávamos no clima fofoqueiro, de bisbilhotice soez que as televisões assumem, com esses casos em que, uma vez mais, se pretende incriminar a indiferença dos transeuntes ou o seu convencionalismo tacanho - no caso, por exemplo, de manifestações de despudor amoroso e provocatório entre homossexuais, que merecerão o repúdio filmado da dama, na paragem do autocarro. Mas a dama não era real, soube-o depois, tratava-se de mais uma cena de farsa televisiva de intervenientes contratados para a representar. Alberto Gonçalves cita outros sketches que compara aos apanhados de Joaquim Letria, outrora, feitos com propósitos maquiavélicos de pôr a ridículo os “parolos” caídos na patranha. Também nunca achei graça aos apanhados de Letria. Outros me fizeram rir, com intenções menos sobranceiras, condenatórias da parlapatice social, porque desportivamente aceitando que qualquer um, incluindo os da rábula, poderia cair nessas esparrelas. Alberto Gonçalves dá pormenores e exemplos, em que uma das figuras da generosidade de encomenda é Catarina do Bloco de Esquerda, pretexto para ironizar sobre uma suposta bondade que a ninguém convence.
Um artigo de alguém sério e com o dom de desmontar os trejeitos e as intenções das mentes pobres desses programas pobres, da nossa parlapatice rústica.
Quanto ao segundo artigo – “Zeitgeist”- o “espírito da época” informa a Internet - conceito romântico alemão, revela bem quanto as consciências são pouco isentas ou rigorosas na interpretação dos factos e atribuição de responsabilidades, segundo a sua orientação partidária.
Mais um artigo de “encher as medidas”, na satisfação de uma clarividência crítica magistral que se constata em cada seu artigo.

E se fosse connosco?
DN, 22/5/16
Alberto Gonçalves
Parece que a SIC exibe regularmente um programa chamado E Se Fosse Consigo?, que segundo os autores "testa a capacidade de intervenção dos portugueses na defesa do outro, a partir de situações ficcionadas". O problema é que nem todas as situações até agora ficcionadas exigem intervenção alheia, de portugueses ou de quem calha. Que eu visse - e não vi tudo dado passar imenso tempo à procura do "outro" para defender - não há simulação de terramotos, guerras, terrorismo islâmico, Rock in Rio ou calamidades afins. Há, ao que pude espreitar no site da estação, o tipo de comportamentos patetas que inspiram as almas sensíveis a fomentar a denúncia ao Estado, o Estado a produzir leis, as leis a legitimar um observatório e duas comissões de protecção (ou metade de um ministério).
Trata-se, claro, da "agenda" própria da época, que segrega bem segregadinhos os "oprimidos" (mulheres, gays, minorias étnicas, pobres, obesos, etc.) e os "opressores" (machos brancos, de preferência endinheirados) por categorias rígidas, num processo de simplificação que oscila entre o atraso mental e o puro preconceito. E, algures no meio, os tiros nos pés: parafraseando a Helena Matos, quantas apresentadoras da SIC são gordas, aborígenes, lésbicas e habitam um T2 de renda técnica em Chelas?
Num dos "casos" transmitidos, sobre o (atenção: aproximação de linguagem "especializada") bullying, três crianças aliviam a mochila de uma quarta e, enquanto lhe chamam "princesa", atiram-lhe os cadernos ao chão. Desde Treblinka que não se via semelhante drama humano. A SIC, porém, entende que tamanha irrelevância é de uma gravidade extrema, ou pelo menos a suficiente para que cada transeunte "consciente" (os restantes são uns bandalhos) ajude a vítima, a qual, se não for completamente choninhas, acabará ainda mais enxovalhada. Noutro "caso", uma senhora reclama, sem grande convicção (os "actores" não foram exactamente recrutados na Julliard), das intimidades de um casal homossexual na paragem de autocarro.
Mas o episódio de que se fala tenta exemplificar, evidentemente sem o conseguir, a violência no namoro. Num parque, um casal heterossexual (os homossexuais não têm desavenças) discute a propósito de um telemóvel. O rapaz encarrega-se do berreiro (as raparigas nunca levantam a voz) e das agressões, cujo alvo é um banco de jardim. A cena é tão ridícula e mal interpretada (?) que, naturalmente, leva quase todos os transeuntes a passar ao largo, com receio de interferirem nas filmagens de Morangos com Açúcar. Uma senhora, porém, atira-se de cabeça para o vórtice da discussão: coincidência das coincidências, é a dona Catarina do Bloco de Esquerda, que oferece ajuda à rapariga (o banco só se salvaria pela nacionalização imediata) e descarrega um sermão em cima do rapaz. O rapaz, com auricular e vontade de rir, olha para a dona Catarina. A dona Catarina olha para a câmara e dá o aval à coisa. A SIC exibe-a. O país descobre uma heroína.
Não pretendo insinuar que a SIC manipula o entretenimento de modo a favorecer políticos da sua simpatia, e que a dona Catarina participou na encenação. Pela seriedade com que engole as cabeludas patranhas que lhe põem à frente, apenas verifico que a credulidade dela em matérias políticas, económicas e sociais se estende aos pormenores do quotidiano. Subiu na minha consideração, perdão, comiseração.
De resto, na melhor das hipóteses, E Se Fosse Consigo? é uma alternativa particularmente infantil aos velhos "apanhados" de Joaquim Letria, e uma promoção da bisbilhotice, virtude que dispensaria incentivos. Na pior, procura consagrar o rol de "causas" admissíveis, e assim depreciar problemas autênticos ou complexos ou inconvenientes. Duvido, por exemplo, que venha a haver um episódio dedicado às vítimas do socialismo, os infelizes que, espezinhados pela prepotência dos poderes públicos, começam a ver o caso (sem aspas) malparado. São muitos, esperam alguém que os ajude e sabem que não será a dona Catarina. E se fosse consigo? É connosco.

Sexta-feira, 20 de Maio\
Zeitgeist
Um ministro é acusado de fraude em redor de uma bolsa de estudo? Caso fosse de "direita", seria um trafulha sem princípios, alvo da fúria do Facebook e de rábulas de comediantes - demissão já! Como é de esquerda, foi obviamente vítima de uma conspiração sórdida e de péssimo jornalismo. Um autarca decide escorraçar munícipes e espatifar milhões de euros na construção de um templo religioso? Caso fosse de "direita", seria um inaceitável aviltamento do regime laico, uma prepotência atroz e uma despesa criminosa - demissão já! Como é de esquerda (e a religião é o islão), trata-se de um enorme passo ecuménico e um gesto de inegável coragem. Uma nulidade reformada põe um cidadão em tribunal e consegue uma condenação por delito de opinião? Caso fosse de "direita", seria um inimigo da liberdade de expressão e um rematado fascista - demissão já (ainda que o estatuto de reformado dificultasse a tarefa)! Como é de esquerda, é o proverbial filho da boa gente, que se sente tomado por justíssima indignação. Um primeiro-ministro ri-se imenso enquanto arrasta o país para o abismo e, mediante contas alucinadas, despesas típicas e fezadas primitivas, finge salvá-lo. Caso fosse de "direita", seria um cínico desavergonhado, um incompetente ao serviço de interesses obscuros, uma nódoa enfim - demissão já! Como é de esquerda, é exactamente o que se espera que a esquerda seja.

terça-feira, 24 de maio de 2016

A pequenez das Histórias e das Gentes




O artigo seguinte, de António Barreto, vem complementado com uma foto com contentores que fizeram época em 1974, de gente obrigada a regressar ao país a que pertencia, encimando um comentário  de «As minhas fotografias», que igualmente transcrevo, de um acontecimento que parece recente, tão vincado ficou na nossa memória, mas que recua quarenta e dois anos na realidade da História:

«Retornados e seus caixotes à chegada a Lisboa»: «Durante os meses de 19474, chegavam os últimos vapores das colónias. Uns traziam soldados, outros repatriados, refugiados ou retornados que abandonavam definitivamente África. Com eles, ou em cargueiros, vinham caixotes e contentores. Muitos dos que regressavam não eram retornados, isto é, não tinham nascido em Portugal. Eram angolanos e moçambicanos. Não foi assim que os quiseram cá, queriam-nos retornados. Não era assim que os queriam lá, eram colonos. Parecia que ninguém os queria. Mas foi um dos acontecimentos mais importantes dos últimos séculos: num só ano, chegaram perto de 700 000 pessoas, naquela que foi uma das maiores deslocações humanas da história da Europa em condições de paz. Mal ou bem, integraram-se e recomeçaram tudo. E muito fizeram pela recuperação económica dos anos 80. Sem nada ou com pouco, traziam uma energia infinita, não perderam tempo com lamúrias nem acreditaram em revoluções idiotas: fizeram-se à vida.

Realmente, quando penso num passado em que tinha menos de metade da idade que hoje tenho, na forma como para cá viemos, de cambulhada, para um país autodestruído, que liquidara quinhentos anos de História, sob comando alheio, na liquidação, o qual fizera a construção por conta própria e prolongada no tempo e no espaço, apesar do minúsculo tamanho – a merecer admiração - o sentimento é, apesar de tudo, de gratidão. É certo que tive que me desfazer do carro, pois não raro este me denunciava as origens, com o seu volante à direita que me valou algumas instigações dos condutores, habitualmente interpeladores, para voltar para a minha terra, embora eu me sentisse por essa altura quase apátrida, na frustração e revolta contra o que se me afigurara realidade monstruosa, embalada que fosse ao som da Grândola e de cravo vermelho na botoeira – ou talvez por isso.
Apesar de tudo, a nação portuguesa respeitara compromissos, e abrira as portas aos retornados que se amanharam como puderam e recomeçaram, segundo a lei das transformações de Lavoisier. Mas o comentário de António Barreto, lembrando uma realidade que se opõe à indiferença demagógica dos muitos cérebros, antigos e actuais, satisfeitos e impulsionadores da tropelia, trouxe à baila esse passado, embora por motivos de comparação com o que se está passando numa Venezuela que poderia viver com riqueza e bem-estar e está a passar por uma assustadora crise, provocada pelas ambições desvairadas de alguns líderes desprezíveis na sua ambição, arrogância e saloiice inomináveis – caso de Chávez, caso de Maduro .
O poder, de facto, corrompe, também se viu isso por cá, vê-se no Brasil, e até um Donald Trump, não se contentando com ser rico, quer a omnipotência desse poder, talvez para mais outro trambolhão do mundo, no desajeitamento do seu linguajar atrevido a quem o dinheiro dá o direito de o ter, o linguajar, mas que o poder talvez modere, no âmbito do “politicamente correcto”.  Veremos como se sai do fosso.

A destruição de um país
António Barreto
DN, 22/5/16
Ninguém poderá dizer o que será a Venezuela dentro de um par de anos. Tudo pode acontecer. Assiste-se a uma destruição sistemática das instituições de um país e dos seus equilíbrios básicos. Mais de 75% da população vive em estado de pobreza e destituição. O produto nacional reduziu-se mais de 5% no ano passado e vai diminuir 8% em 2016. A inflação está a quase 200% e será de 400% até Dezembro. As organizações internacionais prevêem que atinja os 700% já para o ano.
Os funcionários públicos são obrigados a trabalhar apenas dois dias por semana. Sem medicamentos, os hospitais fecham e os equipamentos degradam-se. As autoridades alteraram a hora legal a fim de não gastar energia. Sem gestão competente, as barragens, entre as quais uma das maiores do mundo, estão secas ou próximas dos níveis de catástrofe. No país que possui uma das grandes reservas de petróleo do mundo, a energia está racionada. Como racionados estão quase todos os produtos alimentares, o que de nada serve, pois a maior parte dos géneros desapareceu dos mercados. As principais fábricas vão fechando por falta de matéria-prima e de energia. Maduro manda fazer manobras militares e ameaça nacionalizar quem não tiver matéria-prima ou energia!
Na rua, sucedem-se as manifestações, as pilhagens, os raptos, as cargas policiais, os espancamentos, os motins de toda a espécie e as investidas da Guarda Bolivariana. Há presos políticos às centenas, ninguém sabe bem quantos. Com o dinheiro do petróleo, enquanto houve, gastou-se tudo, compraram-se amigos, pagaram-se milícias, organizaram-se forças armadas fiéis. E distribuíram-se benefícios sociais. O dinheiro diminuiu, mas não se pense que acabou. Com o petróleo a metade do preço, há muito dinheiro para pagar a amigos e seguidores. Espere-se pois o pior. Ainda não houve bancarrota porque a China decidiu financiar a Venezuela com milhares de milhões de dólares. Em troca de petróleo barato, já se percebeu.
Maduro decretou o estado de emergência por 60 dias e diz que vai acabar com a assembleia nacional. A revolução bolivariana criou uma das mais elevadas criminalidades do mundo. Nos últimos três meses, foram assassinadas 4800 pessoas. No ano passado, 17 700 tiveram a mesma sorte. Na Venezuela, hoje, mata-se mais do que no Afeganistão! As comunidades de origem estrangeira residentes na Venezuela vivem aflições. Mas muitos, há mais de uma geração, não têm sequer para onde ir.
Apesar da pobreza, da desigualdade e dos barrios miseráveis, piores do que favelas, a Venezuela é uma das nações mais ricas da América Latina. Esta sistemática destruição de um país deve--se à demagogia populista, à corrupção e ao desperdício. Segundo Maduro, a crise deve-se à queda dos preços do petróleo, à seca, ao El Niño, a Barack Obama, aos americanos, aos fascistas, ao patronato, à burguesia venezuelana e à Colômbia.
Este desastre venezuelano poderia passar despercebido em Portugal. A Síria, a nossa crise e a da Europa são suficientes. A verdade todavia é que a Venezuela não nos é assim tão estranha. Vivem lá mais de meio milhão de portugueses. Tem havido, desde os anos 70, relações estreitas entre governos. Já houve mesmo, nos anos 1970, ajudas financeiras a partidos portugueses. Sem falar das amizades intensas do presidente Chávez com os governantes portugueses, em particular José Sócrates.
Sejam quais forem os antecedentes, por que razões as esquerdas portuguesas pouco ou nada dizem sobre o despautério venezuelano? Será que o consideram de esquerda e solidário?
E as autoridades? Existe algum programa oficial de acompanhamento? Há planos de assistência? O que acontecerá às comunidades portuguesas da Venezuela? O que está Portugal pronto a fazer para ajudar? Era bom não assobiar para o lado...


segunda-feira, 23 de maio de 2016

Trovas dos ventos que passam




«A música é a arte de exprimir os sentimentos e os pensamentos  por meio da combinação dos sons»: Era assim que a definia – e nunca mais esqueci - o Dr. Samuel Miguéns, professor de música nos meus tempos do 1º ciclo no Liceu Salazar, onde aprendíamos as escalas e as notas de música e a solfejar.  Não sei como o fazem os meninos hoje, já no 7º ano, em que o primeiro semestre foi dedicado à Informática e o segundo à Música.
«MusicBox» é o livro de Educação Musical para o 3º Ciclo do Ensino Básico, da Editora Raiz, escrito por Isabel Carneiro, Lina Trindade Santos e Carlos Carlos.
Trata o Capítulo I«Músicas do Mundo» - das músicas da África Subsariana, da música árabe, da América – Estados Unidos e América Latina, e da música da Ásia – China, Japão Indonésia.
É esse I Capítulo que vou tentar resumir ou copiar em notas para o Bruno, que tem teste na próxima semana, e para mim, que acho estes ensinamentos preciosos, quanto mais não seja para percebermos melhor os ritmos e os volteios dos dançarinos destes tempos, tão longe das danças de salão dos tempos passados, que, aliás, conheci mais de vista do que de usufruto e que no You Tube recordo, ou aprendo as novas formas de ritmos que adulteraram as antigas, como sucedeu com as experiências com o Tango, que, todavia, não me parece que venham a impor-se às tradicionais.
As imagens dos instrumentos e esses pormenores musicais poderei sempre, assim, recuperá-los na Internet ou no You Tube, como, de resto, tenho vindo a fazer, em euforia melódica, à medida que vou transcrevendo os dados do estudo, terminando com «Nas Estepes da Asia Central» de Borodine. Só desejaria que o Bruno tivesse mais tempo e gosto para estas cavalgadas, que incluem um saber musical de maravilha.

Músicas do Mundo
Formas e estruturas – Música e movimento
I
Música da África subsariana
1- A Música da África subsariana está ligada às outras artes, às cerimónias religiosas e às tarefas diárias.
2- É, sobretudo, percussiva.
            Instrumentos de percussão: tambores, chocalhos e sinos. Também existem instrumentos de cordas tocados com técnicas de percussão.
3- É constituída por melodias simples que se prestam à improvisação.
4-  Os ritmos são complexos com síncopes e polirritmias.
5-  Execuções em grupo, por vezes com um líder solista e um grupo que responde.

Curiosidade: «Eh Mfulu» é uma canção tradicional da República Democrática do Congo, em dialecto kilongo construída com 4 notas da escala pentatónica de Sol (Sol Lá Si e Mi). Está associada a um jogo infantil que representa o movimento lento da tartaruga.
O texto, seguido da tradução livre:
Bala ba ta ta Mpéringa
Ba kuenda ba vutuka
Eh mfulu nata bala
(As crianças do pai Mpéringa
Vão e voltam
Tartaruga, leva as crianças).
6- Instrumentos musicais da África subsariana
a) Membranofones:  djembé (da região de Mandinga – Mali, Costa do Marfim, Senegal e Guiné); tambor de fricção  (uma cana fixada no centro da pekle é friccionada com as mãos húmidas para produzir som).
            b)- Idiofones: (feitos com pedras, conchas ou cascas de frutos): Conjuntos de Balafon (xilofone, no leste africano), para músicas polifónicas; Quissange, mbirra ou sanza (jogo de lâminas metálicas de diferentes tamanhos sobre uma caixa de ressonância e beliscadas pelos polegares, instrumento bastante singular na música africana).
            c) Aerofones: (de géneros e materiais diversos): flautas, trompas e rombos (=instrumento muito antigo que aparece representado em pinturas pré-históricas em África).
            d) Cordofones (grande variedade): kora ou soron (mistura as características da harpa e do alaúde); sokou  (cordofone de corda friccionada, uma viela do Burkina Faso); arco musical de corda percutida, é antepassado do berimbau brasileiro.

Interculturas:
Há músicas eruditas que integram elementos de carácter africano. Ex: Projecto «Lambarena- Bach to Africa», homenagem a Albert Schweitzer, representa uma combinação entre obras de Bach e elementos de cultura musical do Gabão.
Actualmente, a música tradicional africana coexiste com outras formas de carácter urbano ocidentais. Ex:  Kuduru, Kizomba e Funaná

II
Música Árabe
O mundo árabe abrange países da Ásia ocidental e da África Setentrional, estando a cultura árabe unificada – apesar da variedade étnica – pela difusão do Islão e pelo predomínio da língua árabe.
A música árabe é predominantemente vocal – monofónica, heterofónica, com melodias altamente desenvolvidas e técnicas sofisticadas de improvisação. Tem por base um sistema de modos melódicos, os chamados modos maqamat (o plural de macam), o equivalente às escalas da música ocidental. Utilizam diferentes combinações de tons, meios-tons e quartos de tom.
Apesar da importância da música religiosa, os cânticos do Alcorão ou Corão são independentes dos modos maqamat. As suas características aproximam-se mais do canto gregoriano.

Instrumentos musicais árabes:
a) Os cordofones têm grande importância na música árabe: Os guimbri, o ud (alaúde dedilhado com cinco ordens de cordas), o rabab (de corda friccionada) e o quanum, (espécie de saltério de corda percutida).
            b) Os aerofones: o nai (flauta de junco), a ghaita (aerofone de palheta dupla).
            c) Membranofones: o bendir (espécie de tamborim de grandes dimensões), o duff  (tambor duma só membrana e frequentemente com guizos), o darbuka, (tambor com forma de garrafa invertida em barro) e o zarb (em forma de cálice de madeira, ambos com uma só membrana).
            d) Idiofones: o qaraqueb (espécie de castanholas de metal) e o zil (pequenos címbalos de cobre).

            Interculturas:
A originalidade da música árabe fascinou vários compositores europeus, como Mozart, Debussy, Rimsky Korsakov, Isaac Albéniz, Enrique Granados, Ketëlbey, entre outros, que integram elementos musicais árabes nas suas obras. Ex: “Mercado Persa” de Albert Ketëlbey, compositor e maestro inglês (1875-1959).

III
Música da América
1- Estados Unidos da América,
1 - As relações entre os índios e os primeiros colonos europeus que no século XVII chegaram aos EUA foram conflituosas, já que aqueles não aceitaram bem o terem sido expulsos das suas terras, de que resultou a sua quase total extinção.  Hoje a população indígena vive, na sua maior parte, em reservas.

Um exemplo de letra da música dos Sioux (sem a pauta):
 Ya  ha   e   hi -   ya   //   ya  ha  e   hi -  ya      //  He   ya    e    yo     e     yo    e     e      e  
He   i   yo    e   yo  -  //   He    i  yo   e     yo  -  // E   yo  i   ya   he    yo  //  E   yo  i  ya  he  yo

2 - Durante os séculos, XVII, XVIII e XIX, mais de 15 milhões de escravos africanos foram levados para esse “Novo Mundo”, onde introduziram novas tradições musicais, adaptadas inicialmente ao seu modo de vida de escravatura, e seguidamente ao da segregação racial. Da sua cultura, os escravos trouxeram o conceito de música comunitária, social e funcional, com um reportório de música de carácter religioso, como os espirituais negros, canções de trabalho, e músicas de dança.

 Exemplos de espirituais negros: «Joshua fit the battle of Jericho»; « Kum ba yah».

Exemplo de letra (sem a pauta) de uma canção de trabalho: «Plantation song» : «Jump down, turn around, pick a bale o’cotton.
«Jump down, turn around, pick a bale a day. pick a bale a day.
Oh,  Lowdy,  pick a bale o’cotton. Oh Lowdy,  pick a bale a day.
pick a bale a day. pick a, pick a, pick a, pick a, pick a bale o’cotton.
pick a, pick a, pick a, pick a, pick a bale a day.  pick a bale a day.

3 - Os afro-americanos desenvolveram práticas religiosas próprias depois de se afastarem da igreja frequentada pelos restantes imigrantes.  Foi neste contexto que surgiu o gospel, originalmente interpretado por um solista, acompanhado de um coro e de um pequeno conjunto instrumental.

Exemplo de letra de um espiritual negro: Go tell it on the mountain  (sem pauta):
Go tell, tell it on the mountain. Go tell, tell it on the mountain
Go, tell it on the mountain over the hills and every where
Go tell, tell it on the mountain.  Go tell, tell it on the mountain.
Go, tell it on the mountain that Jesus Christ is born!
Go tell, tell  it on the mountain Jesus Christ is born!
1- When I was a sinner I prayed both night and day
2- When I was a seeker I sought both night and day
Go, tell it on the mountain Go, tell it on the mountain.
Asked the Lord to help me  and He showed me the way.
Asked the Lord to help me ant He taught me  to pray .

4- Os espirituais e o gospel tiveram um papel fundamental em toda a música negra dos Estados Unidos desenvolvida no século XX, vindo a dar origem ao blues, ao ragtime, ao jazz, ao rhythm and blues, ao rock ‘n’ rol e até mesmo à música pop.
Exemplos:
Hello, San Francisco, Sugar Pie De Santo (blues)
The Entertainer, Scott Joplin (ragtime)
C-Jam blues, DukeEllington (jazz)
Tutti Frutti, Brian Burd and The Black Sabbath (rock ‘n’roll).

Proposta de trabalho: Elaborar um guia de audição para cada excerto musical, referindo aspectos como: andamento, forma, timbre, textura.

5- Instrumentos utilizados no blues, ragtime, jazz e rock’n’roll:
Guitarra eléctrica, guitarra baixo, bateria, contrabaixo e piano.
6- James Brown:  (Nasceu nos EUA, na Carolina do Sul, numa família pobre. Deu um importante contributo na evolução dos ritmos gospel, blues, funk e soul.
Exemplo citado: “I Feel Good” de James Brown. (Escutar no You Tube)
7-  O country é um estilo de música popular americana, associado à zona rural do sul dos EUA, cujas origens residem na música folk dos povos das Ilhas Britânicas (Grã-Bretanha e Holanda). Sofreu também influências de outros géneros musicais, como a música afro-americana, a música latino-americana e o cajun, estilo de música popular dos imigrantes acádios de língua francesa.
Os instrumentos utilizados inicialmente na música country foram o fiddel (violino) e o banjo de cinco cordas, aos quais se viriam a juntar outros instrumentos por influências de outros géneros musicais.
Exemplo de música country: «The Camptown Races» de Foster (V. Internet)

III- Música da América
2- América Latina
México
1- O México localiza-se na América do Norte e na América Central. Foi berço de várias civilizações avançadas como a Maia, a Azteca e a Inca e foi colonizado pelos espanhóis, tornando-se num estado independente em 1821.

2- O termo mariachi refere-se a um estilo musical com origem entre os trabalhadores rurais, com influências da cultura espanhola, dos africanos e dos povos nativos.  O termo refere-se também a grupos musicais contratados itinerantes que sem formação musical cantavam e tocavam harpa, violino e guitarras.
Mais tarde a harpa foi substituída pelo guitarrón, uma guitarra baixo de 6 cordas e os grupos passaram a incluir trompetes.
A marimba é um idiofone muito popular no México, tocado por três ou mais instrumentistas. A origem do instrumento não é clara Poderá ter aparecido na América Latina numa época pré-colombiana ou então ter sido introduzida por escravos africanos séculos depois. A marimba evoluiu com a adição de um segundo teclado cromático em 1894.
Exemplo de músicas e letras mexicanas, a escutar e ver no You Tube: El Aventurero (Antonio Aguilar), Viva Mexico mariachi, Que siga la fiesta (orquestra de marimbas), LA RASPA.

Curiosidades:
Rimba ou limba significa uma única nota do xilofone para os bantu em África. Marimba ou malimba deriva da adição do prefixo Bantu “ma” que significa “muitas”. Assim, a palavra marimba significa “muitas notas” ou seja, o instrumento na sua totalidade.
Escutar “Os marimbeiros de Zavala” (grupo moçambicano antigo)  no You Tube

ARGENTINA

1 - País da América do Sul, tem por capital Buenos Aires, sendo a língua oficial o espanhol. O tango é a música e dança distintivos da Argentina, que se desenvolveu em Buenos Aires e arredores e Montevideu, capital do Uruguai. É um género musical de origem africana que pode ser cantado. Carlos Gardel (1887-1935) imortalizou o tango na sua forma cantada.

2- Exemplos:
La Cumparsita, Carlos Gardel
            Fuga e Misterio , Astor Piazzola
            A media Luz, Ernesto Franco
3- Quem é? Astor Piazzolla? (1921 – 1992)
É um compositor argentino que inovou a sonoridade e forma de composição musical do bandoneon (aerofone semelhante à concertina) que vieram revolucionar o tango tradicional. (Ver no You Tube)
4- Interculturas
Gotan Project é o nome de um grupo musical formado em 1999 pelo francês Philippe Cohen Solal, pelo argentino Eduardo Makaroff e pelo suíço Christophe Muller. O grupo utiliza elementos electrónicos para dar novas sonoridades ao tango.
V. no You Tube os exemplos: La Gloria; La Revancha del Tango.

 CUBA
1-  A ilha de Cuba (Capital: Havana) localiza-se na América Central, no norte do Mar das Caraíbas. Foi inicialmente colonizada pelos espanhóis.
2- O género musical mais associado a Cuba é a Salsa, apesar da sua origem nova yorkina, com o grupo Lebon Brothers, de origem porto-riquenha, no início dos anos 70.
3- A Salsa é uma mistura de ritmos africanos e das Caraíbas, tais como o son, o mambo, a rumba cubanos e a bomba porto-riquenha. Recebeu ainda influências do merengue da República Dominicana, do calipso da Trindade e Tobago, da cumbia colombiana, do rock norte-americano e do reggae da Jamaica.
4-Tito Puente, Celia Cruz, Johny Pacheco e Compay Segundo são alguns dos grandes nomes da Salsa.

Ver e ouvir no You Tube:
El Adiós de este momento, Ignacio Piñero
Ríe y llora, Celia Cruz.
Compositor Confundido, Ibrahim Ferrer.                                     

 BRASIL
1-  O maior e mais populoso país da América Latina, localizado na parte central nordeste da América do Sul, atravessado por dois paralelos principais, o Equador a Norte, e o Trópico de Capricórnio.
2- Os cantos e danças dos escravos africanos constituíram etapa fundamental na história da música brasileira, influenciando os diversos géneros que deles surgiram: o afoxé, o maracatu, o maxixe ou o lundu ou lundum, uma dança de origem angolana que esteve na origem do samba. As tradições portuguesas levadas pelos colonos deram um bom contributo a alguns géneros musicais brasileiros: a modinha, uma espécie de canção lírica, é uma variação tipicamente brasileira da moda portuguesa.

Exemplos citados (para ver no You Tube): Lundum; Modinha de Vinícius de Morais
Ver e dançar o samba “Do jeito que o rei mandou” (por Zeca Pagodinho)

3- Um dos géneros criados pelos escravos africanos do Brasil foi a capoeira, uma mistura de luta e dança. A capoeira é executada em sintonia com o ritmo ijexá e o seu movimento base é o gingado. A música determina o ritmo e o estilo do jogo, de acordo com o toque de capoeira.
O instrumento mais importante na roda de capoeira é o berimbau, um cordofone de corda percutida em que um bastão de madeira em forma de arco  sustenta um cabo de aço esticado, com uma cabaça a servir de caixa de ressonância. A variação da altura é produzida pela pressão feita na corda por uma moeda ou por uma pequena pedra. O executante usa ainda, na mão do batente que percute a corda, uma pequena maraca de vime chamada caxixi.
4- Instrumentos musicais da capoeira
            Capoeira; berimbau e caxixi; reco-reco; xequeré ou cabaça; pandeiro: agogô.
(Observar uma roda de capoeira no you tube)
5- Na  música brasileira erudita há a destacar o trabalho de Heitor Villa-Lobos, que incluiu nas suas obras diversos elementos da cultura popular, como os violões e determinados ritmos característicos. Entre as suas obras mais conhecidas destacam-se as Nove Bachianas Brasileiras, escritas entre 1930 e 1945, numa tentativa de recriar os Concertos Brandeburgueses de Bach, utilizando ritmos ou formas musicais de várias regiões do Brasil.
A série de 14 Choros, escritos entre 1920 e 1929, assumem também grande importância na sua obra. O choro é um género de música popular urbana que surgiu no Rio de Janeiro na  segunda metade dio século XIX, com fortes influências de géneros musicais europeus, como a a polKa o schottishe e de géneros africanos trazidos pelos escravos. A improvisação e as temáticas melancólicas caracterizam o choro.
Ver: Prelúdio nº 1 em Mi menor, Villa-Lobos; Choro nº 1, Villa-Lobos.
6- Quem é? Villa-Lobos (1887-1959)
Foi um compositor brasileiro autodidacta. Viajou pelo interior do Brasil, integrando na sua obra vários elementos da música popular brasileira, em conjunto com influências de grandes compositores da música ocidental, desenvolvendo uma linguagem nacional na música erudita brasileira. “Sim, sou brasileiro e bem brasileiro. Na minha música eu deixo cantar os rios e os mares deste grande Brasil. Eu não ponho mordaça na exuberância tropical das nossas florestas e dos nossos céus….»
7- Bongo-Bong, de Manu Chao, é um remake do tema King of the Bongo, dos Mario Negra, grupo ao qual pertenceu. É um dos temas que compõem o álbum Clandestino, cantado em diversas línguas, como o francês, o inglês, o espanhol ou o português e mistura diversas sonoridades latinas – reggae, salsa, samba entre outros – com música electrónica e rock.  A poesia aborda temáticas sociais reais da América latina, como a imigração ilegal ou o êxodo rural.
8- Quem é Manu Chao? (1961)
Manu Chao (José Manuel Thomas Arthur Chao) nasceu em Paris, mas tem origens galegas. Em 1987 fundou o grupo Manu Negra, que fundia ritmos latinos, europeus e africanos com punk e rock. Manu Chao viajou por vários países, onde explorou diversas sonoridades e lançou, em 1998, o seu primeiro álbum a solo, Clandestino. Esta fusão de sonoridades torna Manu Chao num símbolo emblemático da world music.

IV
MÚSICA DA ÁSIA
CHINA (A Grande Região da China)
1- A cultura chinesa é uma das civilizações mais antigas no que diz respeito às artes e às ciências.
2- Segundo a lenda, no ano de 1697 a.C., Ling Lun dirigiu-se a um local designado Ta-Siá, o chamado Olimpo da China. Ling Lun cortou uma série de canas de bambu, organizou-as consoante a sua dimensão, conseguindo assim uma série de doze sons de alturas diferentes.
Considerou como som fundamental aquele que era emitido pelo primeiro tubo de bambu, chamando-lhe huangchung (sino amarelo).
3 - Os chineses acabariam por adoptar na prática musical apenas as notas dos cinco primeiros tubos, que correspondem à escala pentatónica. Cada uma destas notas tem um nome diferente tal como acontece com os graus da escala ocidental.
 4- Os nomes atribuídos às notas estão ligados a um simbolismo: a primeira, (Kung = palácio) representa o imperador, a segunda (Shang = deliberação), os  ministros, a terceira (Chiaou = Manifestação) o povo, a quarta (Chih = Chifre), os negócios, e a quinta (Yu = Asas), os objectos.
5- Há também uma relação entre os cinco sons da escala e os planetas, e os pontos cardeais, as cores e os elementos (madeira, água, terra, metal e fogo).
6- A música chinesa é essencialmente melódica e geralmente heterofónica. A indicação do ritmo não é precisa e utiliza por princípio uma relação binária.
7- Os instrumentos musicais são considerados pelos chineses como vozes da natureza. Esta terá contribuído com oito materiais – pedra, bambu, metal, barro, cabaça, pele, seda e madeira – sendo estas as formas como foram classificadas as várias famílias instrumentais nos primeiros tempos.
Instrumentos musicais chineses:
1- Erhu com outros cordofones (seda)
2- Pipa e Sanxian (seda)
3- Zheng (seda)
4- Lo (metal)
5- Ku (pele)
6- Suona (madeira), Shi gu (pele) e Bo (metal)
8- Curiosidades:A melodia “A Muralha da China” provém de uma canção que fala sobre uma mulher  que procurava o seu marido, que havia sido obrigado a trabalhar na construção da muralha.
9- Ópera Chinesa:  Há mais de 300 formas de teatro regional na China. A mais famosa é a Ópera de Pequim que se desenvolveu no final do século XVIII. Os argumentos de uma ópera chinesa unem elementos trágicos e cómicos, misturados com canto, dança, narrações poéticas e acrobacias. Trata-se de uma dramatização de feitos históricos e lendas populares. Outra forma de representação é o diálogo com uma linguagem muito próxima da fala comum e pantomimas.

 JAPÃO

1- A música japonesa resulta da troca de influências entre as tradições autóctones e as culturas estrangeiras, inicialmente da China, da Manchúria e da Coreia e, mais tarde, do Ocidente. Caracteriza-se por uma textura monofónica, resultando a sua sonoridade particular da utilização de microtons, da mistura tímbrica e do ritmo livre.
2- A música tradicional japonesa divide-se em 3 categorias:
Música teatral gagaku, com um estilo uniforme, tranquilo, gracioso, sem ornamentos e com um canto próximo do discurso falado, acompanhada por instrumentos musicais tradicionais.
Música teatral nô, uma forma teatral, criada entre os séculos XIV e XV que integra literatura, teatro, música e dança. Do ponto de vista musical, o seu traço mais marcante é o ritmo, medido ou livre, construído sobre uma unidade, geralmente de oito tempos ou, ocasionalmente, de quatro seis ou dois. É também acompanhada por instrumentos musicais tradicionais.
Reportório para o koto, uma cítara longa de treze cordas, para o shamisen, um alaúde de três cordas, e para o shakutachi, uma flauta de bambu, que são os instrumentos musicais japoneses.

Escutar no You Tube a canção Sakura.

INDONÉSIA

1- O Gamelão da ilha de Java é um conjunto musical presente em praticamente todas as comunidades, acompanhando cerimónias religiosas, dança teatral e social, dramas clássicos dançados ou executada como música de concerto. Os grupos podem variar de dimensões, mas tradicionalmente são compostos por cerca de vinte e cinco instrumentos e seis cantores.
2- A música caracteriza-se pelo som dos gongos de vários tamanhos (gong ageng, kenong, bonang). Inclui também metalofones com uma ou várias oitavas (saron, gender), Xilofones (gambang), tambores de vários tamanhos (Kendang), uma ou várias vozes e flauta (suling) ou rebab.
3- A música do gamelão tem por base duas escalas principais: uma escala de cinco notas slendroe uma escala de sete notas – pelog. Cada uma delas tem vários modos, chamados patet, que são executados consoante a hora do dia.
4- As composições javanesas, gending, têm por base uma polifonia e uma forma complexas. Estas composições dividem-se em pequenas secções, separadas pelo toque do gongo maior.
- (Um questionário sobre Gong Gede, obra instrumental presente no You Tube)
5- Interculturas: Alguns compositores europeus deixaram-se fascinar pela música oriental. Podemos destacar, entre eles, Alexandre Borodine com o seu poema sinfónico «Nas Estepes da Ásia Central» (1880) Nesta obra, Borodine evoca uma cena na vasta e árida estepe russa, onde surge uma caravana de homens e camelos que, a pouco e pouco se aproxima. São usados dois temas: o primeiro, essencialmente melancólico, é tocado no princípio pelo clarinete e depois pelas trompas, tornando-se cada vez mais intenso , à medida que a caravana se aproxima; o segundo, tocado inicialmente pelo corne inglês, é muito mais suave e romântico, desenvolvendo-se posteriormente nas cordas e combinando-se depois com o primeiro tema, antes de a caravana desaparecer ao longe.
6- Quem é? BORODINE (1833 – 1887)
Alexandre Borodine foi um compositor russo. Formou-se em medicina e foi professor de Química na Academia de Medicina em 1862. Nos seus tempos livres dedicava-se à música. Na sua obra destacam-se as peças para piano, a música de câmara e a ópera inacabada “Príncipe Igor”.