quinta-feira, 23 de junho de 2016

Talvez, porventura, todavia, a não ser que



«Não há nacionalismo soft”, informa Teresa de Sousa na sua crónica de domingo passado, distribuindo os seus considerandos por três temas: o primeiro, sobre o  discurso de Mota Soares no Parlamento, em paralelo de eloquência fútil com o de Paulo Portas; o segundo, de contestação dos referendos como expressão “sui generis” de democracia; o terceiro, a constatação de que os extremismos nacionalistas vinculados à direita são de uma dimensão de violência em nada inferior aos dos vinculados a outros extremismos onde o radicalismo e o fanatismo imperem.
Penso que os argumentos de Teresa de Sousa são marcados pelo habitual bom senso, de uma reflexão que ela pretende isenta de parcialidade ou de sofisma.
E todavia, ao pretender assumir esse equilíbrio reflexivo, sinto quanto, numa fímbria do seu fato, os mesmos sinais de dependência ideológica pró-esquerdina o mancham, com idênticos sentimentos de repulsa que assaca a esses que descreve, sobretudo no 1º e 3º temas. De facto, embora, como ela, eu condene os floreados vazios de muita da argumentação peca de políticos, no jogo de acusações recíprocas, não posso deixar de sentir quanta consciência defensora das normas e dos sentimentos  pátrios preside aos discursos da direita, a começar pelos de Paulo  Portas, impecável de composição binária,  rebuscada e altissonante, de facto, mas indiscutivelmente certeira de conceito ético e político. O mesmo direi de Lobo Xavier, e alguns mais, mesmo Mota Soares, que me encanta sempre ouvir, honestos e corajosos e bem educados, coisa inexistente nas sacudidelas peixeirosas dos e das militantes da esquerda, que assim deseducam o povo que doridamente defendem, ultimamente defendendo também os vitimados migrantes, contra os que se assustam com as invasões afro-asiáticas engolindo uma Europa que todos esses ditames democráticos vão lançando no abismo do esmagamento previsível, para mais com o Islão implicado.
Quanto ao segundo tema admira que Teresa de Sousa conteste os referendos, como parte do ideário democrático, mas é um risco que se deve correr, mesmo que contenha parâmetros de modernidade que possam ser destruídos por um povo não preparado para  os entender, caso da homossexualidade ou dos casamentos gay. Por isso se dispensaram os referendos, na altura, Teresa de Sousa, bem o sabe.

Não há nacionalismo soft
Público, 19/06/2016
1. Um dia destes, num táxi a caminho do jornal, comecei a ouvir na rádio uma intervenção de Pedro Mota Soares no Parlamento que me obrigou a pedir ao condutor que aumentasse o volume. O antigo ministro e dirigente do CDS levou um dicionário consigo para o debate com o ministro da Economia e estava a ler os vários significados da palavra “tímido”. Nunca mais se calava, maravilhado consigo próprio.
O seu objectivo era provar que nem António Costa gostava de Manuel Caldeira Cabral, ao notar publicamente a sua timidez. Talvez Mota Soares estivesse apenas a tentar substituir Paulo Portas com as suas frases destinadas a fazer manchetes, sabendo de antemão que os jornalistas não resistiriam a glosar longamente a sua “habilidade”, mesmo que numa matéria tão séria como as medidas destinadas a estimular o tecido empresarial português.
Mota Soares foi longe de mais, mesmo num país onde o debate político se resume cada vez mais a frases feitas e de efeito fácil na maioria dos casos sem qualquer significado, alimentadas pelo imediatismo da comunicação, as redes sociais (com o seu estilo tantas vezes alarve), e as falsas ideias sobre o que é e como devia funcionar uma democracia liberal. O mal é geral.
Em Portugal, talvez se sinta mais porque o jornalismo propriamente dito começa a não ter meios suficientes para resistir ao populismo e ir um pouco mais longe do que as gracinhas de um deputado. Toda a gente sabe que as democracias liberais enfrentam hoje o desafio dessa comunicação imediata e sem limites, que acaba por esgotar qualquer assunto em menos de 24 horas.
Mas, pior ainda do que isso, é a deturpação da própria ideia de democracia liberal, até agora a melhor que se conseguiu inventar, reduzindo-a ao alegado valor supremo da “democracia directa” ou “participativa”, como se chamava antigamente (este mal sempre existiu mas, sem a internet, nunca se conseguiu afirmar) e da transparência total, transformadas em verdades absolutas. Um referendo é sempre mais “democrático” do que umas eleições legislativas. Uma comissão parlamentar de inquérito é o cúmulo da transparência. E quem disser o contrário, sobretudo se for um político, está a cometar um atentado à democracia. Mesmo exagerando, este clima que ninguém contesta, políticos ou jornalistas, com medo de ficarem mal vistos, cria mais males do que bens e arrisca-se a dar um forte contributo para a vaga de populismo que hoje varre as democracias europeias, como todos os dias constatamos. Vá lá que ainda houve vozes ponderadas como a de Ferreira Leite e Lobo Xavier (outras houve que não ouvi) para explicar que uma comissão de inquérito à Caixa nesta altura não era propriamente uma boa ideia, como qualquer plebeu consegue perceber rapidamente. Mas lá virão os defensores da transparência dizer que são os políticos que querem esconder as suas manigâncias. Não há clima mais propício ao populismo do que este. Em vez de haver debate, agarramo-nos a chavões e reagimos em manada.
2. A mania dos referendos como expoente máximo das democracias liberais também pode ter efeitos nefastos, desvirtuando a responsabilidade de quem decide e colocando as democracias à mercê de emoções muitas vezes irracionais, que reflectem tudo menos aquilo que está à escolha dos eleitores. Há casos, certamente poucos, em que o referendo até se pode justificar. Mas é com certeza por alguma razão que a Constituição alemã os proíbe.
Colocar tratados internacionais (no caso europeu, constitucionais) à mercê de um plebiscito nunca foi uma boa ideia. Correspondem a opções de fundo sobre a inserção internacional das democracias que não podem variar ao sabor do vento. E traduzem um amplo consenso político que lhes dá legitimidade. O caso português é evidente.
A Europa só muito dificilmente teria sobrevivido se todos os governos em todas as circunstâncias tivessem sujeitado os sucessivos tratados a um referendo popular. Mesmo assim, já sobreviveu a muitos, mesmo que de forma um tanto ou quanto enviesada. António Goucha Soares lembrava num recente debate sobre o Brexit que, desde a sua fundação, a União já sobrevivera a 50, sobre as coisas mais diversas mas, sobretudo, sobre os tratados.
Sabemos que a Constituição europeia foi morta e enterrada num referendo em França (a Holanda rejeitou-a logo a seguir) e que, de uma forma mais ou menos hipócrita, os líderes europeus negociaram em seu lugar o Tratado de Lisboa, mais modesto, pelo menos na forma, para justificar a sua ratificação parlamentar. Desde Maastricht que a Irlanda e a Dinamarca (que não são a França, como agora está na moda dizer) fazem sempre referendos aos tratados. E sempre dois: um referendo para rejeitar e outro para aprovar, depois de negociarem alguma questão sensível.
O risco é sempre grande até porque, como sabemos, estes referendos acabam por se deixar aprisionar facilmente por uma qualquer questão interna que pouco tem a ver com o que está em causa. O exemplo britânico é apenas o mais recente.
O futuro do Reino Unido e da Europa está hoje refém de uma única questão: a imigração. As motivações dos defensores do Brexit também não são sempre as melhores. Boris Johnson, que há bem pouco tempo defendia a mesma posição de Cameron, mudou de ideias porque encontrou uma oportunidade de desalojar o actual primeiro-ministro. É difícil ouvi-lo dizer sem nos rirmos que os pró-europeus estão ao serviço dos interesses da City e das multinacionais. As consequências serão tremendas para eles e para nós, caso de verifique uma saída. Dizer que isto é o cúmulo da democracia é, de facto, uma enorme distorção, sobretudo num país que se honra de dizer que a sua democracia, a mais velha do mundo, reside em Westminster para tudo, menos para um referendo destinado a apaziguar o Partido Conservador e a tentar calar Farage. Como se vê, saiu tudo ao contrário a David Cameron.
3. Mas há uma outra reflexão que a tragédia que se abateu sobre o Reino Unido me trouxe ao espírito. E, essa sim, é verdadeiramente perigosa. Habituámo-nos a falar dos partidos nacionalistas, populistas e xenófobos como se estivéssemos em presença de uma versão soft desses três radicalismos que várias vezes destruíram as sociedades europeias. Ora, se há uma coisa que a tragédia britânica de Jo Cox nos traz à mente é que há ideologias que matam e que o nacionalismo, o fanatismo, o racismo, em versão soft ou hard, trazem no seu ADN o ódio ao outro e a vontade de destrui-lo.
Habituámo-nos a dizer que estes movimentos crescem em toda a Europa porque, no fundo, vão ao encontro daquilo que as pessoas normais sentem nas suas vidas e que as elites pura e simplesmente ignoram. Na maioria dos casos, esses partidos têm tentado adoptar uma versão menos radical, porque sabem que é a única forma de conseguirem instalar-se no sistema e ascender ao poder. A interpretação benigna é que acabarão por adaptar-se à democracia. Pode ser que sim. Mas também não é isso que a História nos conta.
O que vemos hoje é, mais uma vez, a falta de coragem dos partidos democráticos para denunciar a natureza desse extremismo agressivo que envenenou a primeira metade do século passado. Pelo contrário, o caminho que muitos escolhem é a cedência, para não dizer a capitulação, perante os seus ódios mais perversos. A sua capacidade de emergir do nada, vimo-la nos Balcãs. O nacionalismo é a guerra, não se cansava de dizer Mitterrand. E a Europa é a única forma segura de garantir a paz, dizia Kohl. E nós o que dizemos?

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Exames no violão



Foi um seu colega, compositor de música, que lhe pediu os versos, de preferência em inglês, para o seu violão. E a Paula logo os compôs, mais familiar do francês. Dantes, quando era permitido os professores sentarem-se durante as vigilâncias, também eu conseguia escrever, sobretudo se os testes eram de matemática, do 2º ou 5º anos naqueles tempos, do 6º ou 9º, nos anos mais próximos, palavras cruzadas para me ajudar a passar o tempo discretamente, nesse vácuo da longa espera, de vez em quando olhando em volta, dum modo geral confiando na lisura estudantil. Agora não é permitido sentar-se, nem sequer sussurrar com o colega, quais postes de olhar atento às sinuosidades malandras que as tecnologias fizeram multiplicar.
Julgo que o mesmo sentimento de “seca” motivou o escrito da Paula, para o colega musicar: observar – ou “fingir” - de pé, os pensamentos tantas vezes dispersos na vida própria, os alunos “de joelhos”, na ânsia subentendida do êxito, nessa etapa da vida simbolizada pela caneta traçando o destino de cada um.
Eis o poema da Paula:
Les Examens
Salut, la danse
des surveillances!
Oh! Enfin le silence
de l’existence.
Pouvoir regarder.
Observer (ou feindre) debout…
tout autour de nous:
la salle pleine de gens,
se concentrant
à genoux.
Et c’est là qu’on pense
aussi,
à soi-même,
à sa vie pleine,
De plaisirs,
De souffrances, au jour le jour…
Et des images passent
dans nos yeux qui se ferment
pour mieux voir
ces tableaux de jeunes
écrivant à peine
la marque de leur présence
vers l’avenir.
La persistance
C’est leur chance
à ouvrir.
Les chemins se tracent
à partir de feuilles écrites
à stylo noir ou bleu
d’encre durable :
le seul geste ferme et net
de leur existence
presque parfaite.

Uma mulher de muito peso



Um dia, Hillary Clinton será presidente dos EU, pela primeira vez uma mulher ocupará esse cargo, tal como um presidente negro, Obama, o ocupou pela primeira vez. Parece que bem. E o mundo continuou, e essas datas ficam registadas na História dos Estados Unidos e do Mundo.
Mulheres que governaram – e governam - os seus países, sempre as houve, Cleópatra foi das primeiras bem conhecidas, Golda Meir deu que falar, e Margaret Thatcher foi outra que tal, além das muitas mais que deixaram nome, entre as quais Isabel a Católica, do descobrimento da América e do Tratado de Tordesilhas, e a nossa Rainha Santa do milagre das rosas, das nossas histórias de entretenimento que mais ninguém conhece.
E o tempo se escoará, e Hillary deixará o seu nome ligado ao seu país enorme, país que sempre protagonizou acções de importância no mundo, por simpatia humanitária, talvez, por interesse próprio também. Veremos o que fará Hillary, num mundo cada vez mais de atropelo, em que as monstruosidades se sucedem, exigindo retaliação. Ou outras alternativas, conforme os pareceres ou as sentenças das muitas cabeças.
Hillary tem o estofo das mulheres guerreiras, Teresa de Sousa traça dela um precioso retrato, que coincide com a imagem daquela, nesta como noutras refregas anteriores, em que sempre  revelou força moral e fair play. O tempo o dirá. E passará… como o rio, já o disse Heraclito e seus seguidores sobre a tragédia humana.
Entretanto dela ficará a crónica de Teresa de Sousa, outra mulher com cabeça segura e convicção forte:

Hillary não pode voltar a chorar
Público, 22/5/16
1. Há oito anos, quando acabava de vencer por uma margem mínima as primárias de New Hampshire, Hillary Clinton, então candidata à Casa Branca, deixou cair algumas lágrimas perante uma pergunta perfeitamente ingénua de uma jornalista. Como é que consegue manter-se sempre assim, penteada, bem arranjada, serena? O que é que Hillary poderia dizer? Que era o que as pessoas esperavam dela, pelo facto de ser uma mulher? Os estrategos da sua campanha ficaram preocupados, porque não é suposto que um comandante em chefe chore. Talvez nesse momento, além da sua condição de mulher, lhe tenha passado pela cabeça a história da sua vida: nada nunca lhe foi oferecido de mão beijada. Nesse dia muito frio de Janeiro, já tinha intuído que, ao contrário de todas as expectativas, a sua caminhada em direcção à Convenção Democrata seria afinal um caminho cheio de obstáculos. O fenómeno Obama, que pouca gente vira chegar, acabava de se revelar em toda a sua dimensão. Dois meses antes, no caucus de Iowa, um Estado maioritariamente branco, conservador e gelado, Obama ficou em primeiro lugar. Hillary apresentava-se como a candidata da transição entre os desastres de Bush e o regresso à normalidade. Não percebeu que, naquela altura, os americanos queriam mesmo mudar. Achou que a sua candidatura seria invencível e que a longa história da parceria “Bill e Hillary” seria suficiente para um último capítulo de “Hillary e Bill”. Apostou na “experiência” e na “competência” e no vasto conhecimento do mundo que o seu lugar de primeira-dama lhe reservara. Jonathan Alter escreveu nessa altura na Newsweek que as eleições americanas se jogam sempre entre o medo e a esperança. Ela apostou no medo. Bill tinha apostado na esperança. Tal como Obama. A história de ambos foi sempre assim. Para Bill tudo parecia ser fácil. Para ela, tudo tinha de ser conseguido à custa de um enorme esforço. Quando chegava da escola com uma caderneta só com notas A, ouvia o pai dizer-lhe que a escola devia ser muito pouco exigente. Abdicou de muita coisa para levar Bill ao Governo do Arkansas e, depois, à Casa Branca. O antigo Presidente costumava dizer que os eleitores “compravam dois pelo preço de um”. Mas não abdicou do seu estatuto de mulher independente numa parceria entre iguais. Enfrentou com uma serenidade sobre-humana os escândalos do marido. Alguns verdadeiros e outros falsos, alimentados por uma horda de republicanos que odiavam a geração que representavam, contra guerra do Vietname, pela libertação da mulher, pela igualdade entre sexos.
2. Em 2008, depois dos dois mandatos de Bush que terminaram com uma brutal crise financeira e com a destruição da imagem da América no mundo, pensou que chegara finalmente o momento de conseguir aquilo que merecia. Já sabemos o resto da história. Ninguém conseguiu resistir a Obama. Ela própria foi, durante o seu primeiro mandato, uma fiel e competente secretária de Estado, ajudando a moldar uma nova política externa, muito mais assente na cooperação com os aliados e no conceito que ela própria criou de smart power. Foi ela que executou a viragem para a Ásia, que reabriu as negociações com Moscovo, que restaurou as relações de familiaridade com a Europa. Algumas vezes, as suas posições divergiram das do Presidente, mas isso nunca foi um problema. Se Obama devolveu à América o seu lado mais luminoso, Hillary completou o trabalho no terreno. Na China, a sua firmeza foi sempre servida com “elegância e sem provocações desnecessárias”, diz Michael O’Hanelon, da Brookings. Contrariou o Presidente talvez pela única vez quando, numa visita a Pequim, conseguiu vencer uma luta difícil pela libertação de um dissidente cego, que pretendia levar com ela. “Alguns dos conselheiros do Presidente preocupavam-se com o facto de estar a destruir a relação com a China. Mas ninguém estava preparado para ficar responsável por o deixar entregue ao seu destino", escreve no seu livro de memórias Hard Choices.
3. Em 2014, decidiu tentar a sua última oportunidade. Quarenta anos de exposição pública e de actividade política deixaram-lhe profundas cicatrizes, alimentando a desconfiança de muitos eleitores americanos, que a acham demasiado arrogante e parte da “realeza política” que domina Washington e da qual estão fartos. Mesmo os seus apoiantes acusam-na de não conseguir dar emoção e calor à sua campanha. Não possui o carisma de Obama, nem o de Bill. Quis reconstruir a sua imagem política com uma campanha de maior proximidade dos eleitores, oferecendo-lhes o protagonismo. O vídeo de três minutos com que iniciou a corrida resume o seu programa: “Os heróis são as famílias de todas as cores e feitio.” A classe média lutadora que ela quer compensar. Mas, mais uma vez, a história foi-lhe adversa, exigindo-lhe um trabalho insano até chegar à convenção. Ninguém alguma vez admitiu que Bernie Sanders, que quer fazer uma “revolução” e ousa declarar-se socialista, chegaria onde chegou, numa constante guerra de desgaste contra a sua candidatura. Tal como ninguém conseguiu prever que Donald Trump se preparava para vencer as primárias dos republicanos. Trump começou por ser um entretenimento, mesmo que desagradável. Jeb Bush, igualmente da realeza política, seria o candidato moderado, com algumas cedências ao Tea Party, como se o movimento populista não dominasse já o partido. Nem ela nem ninguém anteciparam o que aconteceu nos meses seguintes. Há enormes diferenças entre Sanders e Trump, mas também muito em comum: o proteccionismo contra a globalização; o desinvestimento na política externa e nas alianças em que ela assenta, da Ásia à Europa, uma guerra desenfreada ao sistema de Washington. Esta América sempre existiu, mas nunca foi suficientemente forte (pelo menos desde a II Guerra) para determinar a sua relação com o mundo. Hoje, parece ameaçadora. Mesmo que estas sejam as eleições do medo, o medo pode acabar por ajudar Hillary.