segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Este país perdeu o tino


Eles o disseram, Ivone Silva e Camilo de Oliveira, em rábula inesquecível, de dois bêbados inconformados, como máscaras estridentes e impunes de acusação merecida, no seu propósito de troça para fazer rir alvarmente e prosseguir no dislate, caso igualmente das rábulas de Solnado. Tratava-se de ataques à direita, todos nos desfazíamos em gargalhada inofensiva, já que a direita tinha costas largas. «- Este país perdeu o tino a armar ao fino, este país é um colosso. Está tudo grosso».
Mas a bebedeira generalizou-se, no descontrolo do desacato, com a abertura à esquerda, e a falsa virtude da desmesurada compreensão e aceitação de todos os desvios. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, creio que acima de tudo preservava os direitos cívicos, o direito à igualdade e à liberdade dos povos e dos sexos mas foi como uma enxurrada de imundície o exibicionismo que se fez dos desvios sexuais, os dos desvios não se importando de os alardear provocadoramente, apesar da contenção digna de tantos. Mas a maldade e maledicência nunca desarmam, e pessoas sem escrúpulos resolvem intrometer-se na vida íntima de gente conhecida, denunciando vícios.
Transcrevo, a propósito, o artigo 12º da “Declaração Universal dos Direitos Humanos
Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a protecção da lei.
É claro que um livro de devassa da vida privada é algo de fétido, como o pus das pústulas ou, em imagem mais ampla de efeito, a estação de tratamento das águas residuais de que fala o artigo de Alberto Gonçalves. Não se trata de obra literária e expressivamente sorridente e educada, como, por exemplo, “A Vida Privada de Helena de Tróia” de John Erskine, adaptando a um século XX, no seu primeiro quartel, conceitos desmistificadores dos sagrados tempos míticos. Trata-se de um livro de um jornalista que sordidamente achou na sua ementa processo para angariar dinheiro, já que literatura dessa deve ser manjar apetecido a habitualmente não leitores da outra. Só tenho pena que Passos Coelho tenha caído na esparrela de apresentar tal obra. Claro que não se safa do desprezo dos virtuosos, de que o Eixo do Mal são borbulhante amostra. De resto, como Alberto Gonçalves conclui, na sua crítica desassombrada, «No meio da desagregação geral, a opinião publicada aflige-se com a entrevista de um juiz (pretexto  para exaltar o eng. Sócrates), as memórias de um antigo assessor (pretexto para exaltar o eng. Sócrates), as memórias de um antigo assessor  (pretexto para criticar Cavaco) e os mexericos do arq. Saraiva (pretexto para demolir Passos Coelho). Portugal é uma casa em chamas onde os moradores só se preocupam com a fechadura que range. Não tarda, estamos a olear a porta reduzida a cinzas. E a culpar a "direita", a "Europa" e a Via Láctea pelos estragos. A Via Láctea não é nossa amiga.»

Na cama com os pulhas
Alberto Gonçalves,
DN, 18/9/16

É ridículo ter de o lembrar, ainda por cima num país ocidental e hoje distante da barbárie que regulamenta a matéria por exemplo no exótico islão, mas o que cada um faz na cama, sozinho ou com o consentimento do parceiro ou parceira, no singular e no plural, só aos próprios respeita. Fora da cama (ou do balcão da cozinha, do banco do carro, do jacúzi, dos lavabos nos aviões, etc. - as opções são inúmeras), cabe aos próprios escolher se mantêm o recato ou se caem no mau gosto de gritar intimidades ao mundo. Não cabe a terceiros, incluindo, sobretudo, a alguém que se diz jornalista.
E se alguém que se diz jornalista revelar em livro os hábitos sexuais de pessoas sem a respectiva aprovação? No mínimo, a proeza é um nojo. E um nojo que diz muito mais sobre quem comete a indiscrição do que sobre as suas vítimas. Não é particularmente relevante que a inclinação em causa seja a homossexualidade, embora seja notável que o outing, o processo em que gays expõem à bruta gays que preferiam omitir o pormenor, se assemelhe frequentemente a um castigo, uma humilhação pela orientação "desviante", e não a uma condecoração simbólica (que de resto seria igualmente cretina).
Pois bem, em Portugal alguém que se diz jornalista cometeu e publicou uma coisa assim. Sob o "estatuto", pessimamente amanhado, do estudo historiográfico, a coisa não passa de uma devassa da privacidade alheia. Repleta de fontes protegidas e de nomes escancarados pelas fontes, esse monumento ao voyeurismo e à falta de escrúpulos dedica-se a inventariar - ou talvez a inventar - dezenas ou centenas de homossexuais que nunca o "assumiram" (para usar um termo em voga entre os profissionais da delação). Não sei se se trata de um crime, ou sequer de algo inédito em Portugal. Sei que ajuda à consagração da canalhice como modo de vida.
Para registo futuro, e prevenção sanitária, a criatura que se diz jornalista chama-se São José Almeida e, quando não se encontra a farejar sodomitas do "fascismo", assina textos ilegíveis no Público. A obra, no sentido escatológico da palavra, chama-se Homossexuais no Estado Novo e foi lançada em 2010 sem qualquer escândalo e perante a ocasional crítica entusiástica - o título e as simpatias ideológicas da autora explicam as reacções. Em 2016, o escândalo, até agora em repouso, irrompeu por causa do recente livrinho de José António Saraiva.
A acreditar na imprensa, e descontadas intrigazinhas menores, o livrinho "desvenda" a homossexualidade de uma única "figura pública", aliás já insinuada por gente do calibre de Ana Gomes e Francisco Louçã. Repito, para fintar eventuais gralhas: uma. O livro é uma porcaria? Não li e não duvido, mesmo que no verdadeiro esterco estejam aqueles que louvaram a ETAR da dra. São José para se horrorizarem imenso com o baldinho de lixo do arq. Saraiva. A propósito das diferenças, convém acrescentar que a ETAR mereceu apresentação de duas valentes "activistas" LGBT, enquanto o baldinho pode vir a ser apresentado (porquê, Deus meu?) por Pedro Passos Coelho. Nestas "temáticas", no fundo pretexto para servir outras, o direito à diferença é fundamental. E do dever da pulhice nem se fala.

Sexta-feira, 16 de Setembro
Uma semana em Portugal
Uma das gémeas Mortágua, família cuja notoriedade define o país, mostrou quem realmente governa isto e anunciou um novo imposto sobre o património imobiliário ("para apanhar quem escapa ao IRS"). O PCP, que em matéria de assaltos não gosta de ficar à porta e invade furioso a horta, quer alargar o imposto ao património mobiliário, ou seja colocar a mão literalmente na massa. A CGTP, que lutou pela "escola pública" (?), luta agora pelos trabalhadores despedidos dos colégios privados que se empenhou em fechar. O secretário de Estado que viajou à conta da GALP não se demite do cargo mas demite-se de tutelar a GALP. O Presidente dos "afectos" ouviu um par de "homólogos" estrangeiros jurarem-lhe pela pujança da economia indígena e não percebeu o sarcasmo. O - passe a expressão - primeiro-ministro exibiu o imaginário que lhe habita a cabecinha e, em momento de típica erudição, sugeriu a Pedro Passos Coelho que vá caçar Pokémons. O - desculpem o termo - ministro das Finanças, que cá dentro compete em boa disposição com o dr. Costa, andou lá fora a jurar que trabalha imenso para evitar um segundo "resgate", que na verdade seria o quarto. Os portugueses que ainda não enlouqueceram já nem duvidam da necessidade do resgate, mas duvidam que o tenhamos quando precisarmos dele.

O problema é que os portugueses que ainda não enlouqueceram são uma minoria de resistentes. E um problema maior é que, aos poucos, a resistência perde razão de ser: a cada semana, o ambiente em curso convida à resignação e ao abandono. De acordo com as sondagens, cinquenta e tal por cento dos cidadãos registam os sinais e acham que a coisa vai no bom caminho. No meio da desagregação geral, a opinião publicada aflige-se com a entrevista de um juiz (pretexto para exaltar o eng. Sócrates), as memórias de um antigo assessor (pretexto para criticar Cavaco) e os mexericos do arq. Saraiva (pretexto para demolir Passos Coelho). Portugal é uma casa em chamas onde os moradores só se preocupam com a fechadura que range. Não tarda, estamos a olear a porta reduzida a cinzas. E a culpar a "direita", a "Europa" e a Via Láctea pelos estragos. A Via Láctea não é nossa amiga.

domingo, 18 de setembro de 2016

O desleixo na ortofonia


Também nas línguas o fenómeno do desleixo na pronúncia das palavras foi causa de evolução linguística e muitos fenómenos fonéticos - assimilações, dissimilações, aféreses, síncopes, apócopes, próteses, palatalizações, nasalizações, assimilações... estão na base da formação das línguas românicas. Para justificar a evolução linguística em função desse fenómeno de desleixo que tem a ver com as características dos povos invasores dos romanos e dos povos de origem nos respectivos territórios, eu costumava explicar, quando leccionei, ao chegar, por exemplo, ao fenómeno da palatalização do cl-, pl- e fl-, (lt. clamare, planu-, flamma), as variantes novilatinas: palatalização em português ch e em espanhol ll, vocalização do l em i no italiano, manutenção erudita dos grupos consonânticos no francês. A dada altura, com o Renascimento, as línguas enriqueceram-se, com a leitura dos clássicos, retomando as formas eruditas de muitas palavras e estruturando a língua através das regras gramaticais. Como curiosidade, data de 1536 a primeira gramática portuguesa, de Fernão de Oliveira, sendo a seguinte, de João de Barros, de 1540.
E assim, as línguas se foram estabilizando, e julgo que mantendo a escrita e a pronúncia, apesar da evolução natural, causada por diversos factores e influências. Julgo que, nessas outras línguas a deformação não se fez tanto sentir como na nossa, e recordo um programa de Bernard Pivot a que costumava assistir na TV5, de campeonato de ortografia de França e até do mundo, com ditado de palavras contextualizadas no discurso, por vezes bem difíceis, e em que havia sempre  excelentes resultados, que me faziam pensar quanto seria eficaz um programe dessas por cá, tão estimulante, e comprovativo de espírito pátrio.
Mas não. Por cá fazem-se acordos achincalhantes da língua, ninguém está interessado em preservá-la, o próprio primeiro ministro, que também pronuncia acórdos e competividade, não pretende destruir o AO 90, já o disse, como pormenor insignificante na sua obra de construção pátria. Como bem diz Bagão Félix, havemos de continuar com os abortos dos “acórdos” na boca de ministros e acompanhantes, ou com as “competividades” também muito ministeriais. Habituados que estão os governantes a comer dos orçamentos, dispondo deles a seu bel-prazer, porque não hão-de comer eles as sílabas nas haplologias, na pressa das justificações dos seus actos?
Divertamo-nos com o humor de Bagão Félix e esqueçamos, uma vez mais, os versos de António Ferreira a Pedro de Andrade Caminha, que enveredava pelo espanhol, já nessa altura, como outros fizeram:
(…) Floresça, fale, cante, ouça-se e viva
A Portuguesa língua, e já onde for.
Senhora vá de si, soberba e altiva.
Se téqui esteve baixa e sem louvor,
Culpa é dos que a mal exercitaram,
Esquecimento nosso e desamor. (…)

Acentos sem assento
Público, 9 de setembro de 2016  
Neste apontamento transcrito do jornal "Público"*, o economista e professor universitário português António Bagão Félix critica o uso de certas formas de pronunciar e escrever, que se instalam à revelia da norma-padrão.
 A relação dos portugueses com os acentos não é pacífica, sejam eles agudos, graves ou circunflexos. E, já agora, também não é boa com alguns assentos, mais os lavrados do que os sentados. Já dizia Machado de Assis que «escrever é uma questão de colocar acentos».
Há dias, a selecção portuguesa jogou com a equipa do rochedo britânico de Gibraltar, certamente para preparar os difíceis jogos de apuramento para o Mundial 2018 em que enfrentará as Ilhas Feroé e Andorra. Pois nesses dias, antes e durante a gloriosa vitória lusa, não houve vivalma nas televisões que tivesse pronunciado bem a palavra Gibraltar. Este nome não tem origem anglófona, antes deriva do árabe (corruptela de Jabal-al-Tariq, que significa monte de Tariq). Em vez de acentuarem a última sílaba, todos a transformaram em palavra grave pronunciando-a como “Gibráltar”. Felizmente que Trafalgar, outra palavra que é de origem árabe e não inglesa, já só faz parte da história, senão lá teríamos que gramar nos noticiários “Trafálgar” em vez de “Trafalgár”.
Estes são erros que, pela insistência, se tornaram “normais”. Já Horácio dizia nas suas Epístolas que “uma vez lançada, a palavra voa irrevogável.” E de tal sorte que, quando certas palavras são bem pronunciadas, é como se fossem mal ditas (e quase malditas…). Outro exemplo bem consolidado é Flórida em vez de Florida. Tal qual – saindo agora da geografia – quando em vez de se dizer acordos com o o fechado (ô) , se prefere erradamente pronunciar com esta vogal aberta (acórdos). Será que a moda vai chegar aos “abórtos”?
Já no domínio da saúde há, entre várias, três palavras que são, amiúde, mal pronunciadas: hepatitebactéria e vacina. Se quanto a esta última, o costume de abrir o a da antepenúltima sílaba  que é átona (cina) é mais regional do que nacional, quanto às outras duas, as televisões e a maioria dos profissionais de saúde preferem o esplendor da “acento tónico” deslocalizado, “hetite”. Caso ainda mais estranho, é ouvir-se “ctéria”, ou seja como se tivesse dois acentos, quem sabe se para melhor eficácia antibiótica…
O velhinho acento circunflexo vem ficando reduzido a uma insignificância e, em alguns casos (dos quais o novo AO está absolvido), simplesmente despedido como nas palavras paroxítonas terminadas em duplo o. No futebol, por exemplo, teria que escrever: abotoo a bota, enjoo com os truques de certos jogadores, roo as unhas em alguns jogos, moo o juízo depois de uma derrota, abençoo a sorte que, por vezes, é preciso ter. Mas não voo como a águia, nem leiloo o meu cartão de sócio.
Enfim, uma plétora de erros ou alterações a despropósito, perdão pletora.

Fonte
Texto publicado na rubrica "Tudo menos Economia" do jornal Público, em 6/09/2016, escrito conforme a norma anterior ao Acordo Ortográfico de 1990.
Sobre o autor
Economista, professor universitário português, várias vezes chamado a exercer funções governativas. Comentador e colunista em diversos órgãos de comunicação portugueses, é autor, entre outros livros, de Do lado de cá ao deus-dará (2002), e O cacto e a rosa (2008), Prefácio sobre a "origem do conto do Vigário" de Fernando Pessoa (2011) e Trinta árvores em discurso directo (2013). Sobre o autor, mais aqui.


sábado, 17 de setembro de 2016

SOS Terra Nostra


Via email:

«Água engarrafada. É necessário?????»
I
Uma garrafa de água mineral custa em média U$ 1,50. Isso é 1,900 vezes o preço de um garrafão de água. O que significa más notícias para todos:

Carteira
Um cidadão gasta em média U$400,00 por ano em água mineral engarrafada.

Saúde
A água ao ser armazenada em garrafas de plástico, acaba contaminada por elementos tóxicos como o Bisphenol-A (BPA).
**O consumo do BPA, pode também causar células cancerígenas no corpo humano.

Meio Ambiente
Pode ser contaminado pela produção, embalagem, transporte e eliminação das garrafas.
II
No ano de 2004 nos EUA, o consumo de água engarrafada foi de: 26.000,000,000 de litros.
26.000.000.000 de litros sâo quase 28.000.000.000 de garrafas plásticas em 1 ano. Das quais 86% acabam no lixo.
*1500 garrafas de plástico são jogadas no lixo a cada segundo!

26.000.000.000 de litros são:
17.000.000 barris de petróleo, que  serão usados para produzir essa quantidade de garrafas plásticas.
Essa quantidade de petróleo seria suficiente para abastecer 100.000 carros por ano.

26.000.000.000 de litros também contribuem para:
A produção de 2.500.000 toneladas de dióxido de carbono, produzido para a fabricação das garrafas plásticas.

E

$100,000,000,000*    Cem bilhões de dólares
São gastos a cada ano pelos consumidores de água engarrafada.
Uma quantia como esta  mostra-nos  como é pequeno o nosso orçamento (federal) anual.

Investigações demonstram que por uma pequena fração desse valor, cada pessoa no Planeta poderia ter água potável e saneamento adequado.

Acreditas que podes AJUDAR?

Tu só bebes  água engarrafada? Conheces o resultado dessa atitude?

PRESTA ATENÇÃO E SURPREENDE-TE:

Gastas Dinheiro…
Contaminas O planeta…
Agravas o risco de contaminação dos Lençóis freáticos.

Tudo isso ocasionado pelas garrafas de plástico!

Estudos apontam que 35% dos consumidores de água engarrafada pensam que é mais saudável.

Guardas garrafas de água mineral no carro?
Achas que isto é bom????
Sabias????
Que o calor do carro pode liberar produtos químicos do plástico das garrafas, e produzir cancro de mama e outros tipos de cancro !!!
Não é necessário deixar a garrafa de plástico exposta ao calor no carro, para correr esses riscos. Por que elas já vêm com as toxinas ao serem submetidas a temperaturas extremas no momento de produção/transporte.
Não importa a tua escolha se tu pensas Verde.
Eliminando a utilização das garrafas de plástico, estarás ajudando a conservar o nosso

Planeta Terra e o Meio Ambiente.

Esta é uma mensagem que não utiliza papel… e reenviá-la não custa nada.


Se uma pessoa, deixar de utilizar água engarrafada, 360 garrafas menos, estarão no lixo esse ano.