quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Uma descoberta de encantar


Na sequência de um programa francês sobre Madagáscar, na TV5, que finalizou com uma engraçada dança dos seus lémures, que se deslocam aos pulos, depois de ter passado por paisagens de estranhas rochas e de plantas, pelo tratamento do sisal, pelas mulheres malgaches, sisal enviado para França, substituindo os plásticos, e o tudo  acompanhado pela música dos nativos, bem mais desenvolta do que a dos nativos de África, fiquei curiosa da sua história, que logo a Internet me forneceu, ficando a saber que a ilha foi primitivamente povoada por povos de África e da Indonésia, em texto que transcrevo, de sabor brasileiro. Mas a curiosidade foi mais longe e foi assim que encontrei um vasto artigo em tópicos sobre os vários descobrimentos portugueses, que foram realmente projecto de um povo extraordinariamente empreendedor e corajoso, dando razão à expressão camoniana “E se mais mundo houvera lá chegara”, por esses “mares nunca dantes (/d’outrem)navegados”.
Deste modo, transcrevo os dois textos que a abençoada Internet me faculta, visando sobretudo o segundo, que bem mostra ao mundo “o peito ilustre lusitano / A quem Neptuno e Marte obedeceram”, em tempos idos.

I Texto:

«Os primeiros humanos chegaram em Madagáscar há mais ou menos 2 mil anos atrás vindos da Indonésia e da África. Mercadores africanos chegaram na ilha em meados de 800-900 A.C., quando começou o comércio na costa norte.
O primeiro europeu a chegar na ilha foi o capitão português Diogo Dias, que viu Madagascar no dia 19 de agosto de 1500. O navio do capitão Dias estava a caminho da Índia mas acabou em Madagascar por engano. O capitão deu à ilha o nome de St. Lawrence. Nos anos 1500 os portugueses, os franceses, os holandeses e os ingleses, todos, tentaram estabelecer pontos de comércio em Madagascar. Mas todas essas tentativas falharam por causa das condições hostis e da luta dos guerreiros Malagasy.
No final do século XVII, os europeus finalmente conseguiram entrar em Madagascar, enquanto os piratas dominavam o lado leste da ilha. Esses piratas usavam a ilha como base para seus ataques contra navios levando mercadorias da ĺndia para a Europa. Durante o século XVIII os franceses continuaram tentando se estabelecer na costa leste, sem nunca conseguir fazê-lo.
Enquanto isso, do outro lado da ilha, os Sakalavas fundaram o primeiro reino de Madagascar. Em 1810, seus rivais, os Merina, dominavam quase toda a ilha. O rei dos Merina, Radama I, estabeleceu relações comerciais com os britânicos e permitiu que missionários ingleses entrassem no país e espalhassem o cristianismo pela ilha. No reinado de Radama Madagascar viveu uma espécie de mini revolução industrial. Com a morte do rei, sua esposa, Ranavalona I, assumiu poder e aterrorizou a ilha de Madagascar durante 33 anos perseguindo cristãos, expulsando estrangeiros, executando rivais políticos e revivendo a tradição de sacrificar crianças nascidas em dias de má sorte. As relações com a Europa só foram reabertas depois da morte da rainha.
Em 1883 a França invadiu Madagascar e em 1896 seu controle sobre a ilha era total e Madagascar se tornou uma colônia francesa. A França usava Madagascar como fonte de madeira e de produtos exóticos como a baunilha. O povo Malagasy tentou se rebelar contra a presença francesa, especialmente em 1918 e 1947, mas a independência só veio em 26 de Junho de 1960.
Em 1975, Didier Ratsiraka assumiu o poder em Madagascar. Ele governou como ditador até 1991, quando foi deposto em meio a uma crise econômica. Ele reassumiu a presidência logo em seguida e governou até perder a eleição de 2001. O novo presidente, Marc Ravalomanana, prometeu trazer democracia ao país.»

II estudo:
Data
Descobrimento
Oceano/Mar
Continente /Arquipélago
Rei[1]
Provável primeira expedição às ilhas Canárias, a que se seguiram expedições adicionais em 1340 e 1341, embora tal seja disputado.[2]
Atlântico
Canárias
Afonso IV
(1325-1357)
Tropas portuguesas sob o comando de João I de Portugal conquistam Ceuta.[3]Este acontecimento é geralmente referido como o início da expansão ou descobrimentos Portugueses[4]
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África do Norte
João I
(1385-1433)
Atlântico
Os mesmos navegadores, com Bartolomeu Perestrelo, descobrem a Ilha da Madeira, que foi de imediato colonizada.
Atlântico
Arquipélago da Madeira
Após sucessivas viagens, o cabo Não, considerado o limite navegável a sul por árabes e europeus,[5] é ultrapassado, alcançando-se o Bojador.
Atlântico
África
Diogo de Silves descobre (ou redescobre) as ilhas açorianas[3] ocidentais e centrais, que seriam colonizadas em 1431 por Gonçalo Velho Cabral.
Atlântico
Gil Eanes dobra o Cabo Bojador,[3][4] dissipando o terror que este promontório inspirava.
Atlântico
África (Saara Ocidental)
Duarte I
(1433-38)
Gil Eanes e Afonso Gonçalves Baldaia descobrem Angra de Ruivos e este último chegou ao Rio de Ouro,[3] no Saara Ocidental.

África (Saara ocidental)
Nuno Tristão chega ao Cabo Branco[3] com Gonçalo Afonso.
Atlântico
África (Mauritânia)
Afonso V
(1438-81)
Nuno Tristão entrou no golfo de Arguim.[3]
Atlântico
África (Mauritânia)
O regente D. Pedro decreta o monopólio da navegação na costa oeste Africana, reconhecido pela bula Rex regum, que atribui ao irmão Infante D. Henrique "o Navegador".[6]
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Atlântico
África (Senegal)
Álvaro Fernandes passou além do Cabo Verde (cabo), Goreia e chegou ao "Cabo dos Mastros"[7] (Cabo Roxo? provavelmente entre o Cabo Verde e o rio Gâmbia).[3]
Atlântico
África (Senegal, Gâmbia)
Álvaro Fernandes chegou ao norte da Guiné-Bissau.
Atlântico
África (Guiné-Bissau)
Diogo de Teive descobriu as ilhas Flores e Corvo nos Açores.[3]
Atlântico
Arquipélago dos Açores
Bula Romanus Pontifex do Papa Nicolau V confirma as explorações portuguesas e declara que todas as terras e mares a sul do Cabo Bojador e do Cabo Não são pertença dos reis de Portugal.[4]
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Alvise Cadamosto explora do Rio Gâmbia ao Rio Geba (Guiné-Bissau) e o arquipélago dos Bijagós [3]. Na foz do Gâmbia, ao notar o quase desaparecimento da estrela polar no horizonte, esboçou a primeira representação da constelação Cruzeiro do Sul.[8]
Atlântico
África (Gâmbia, Guiné-Bissau)
Viagens de Alvise Cadamosto, Diogo Gomes e António da Noli descobriram as primeiras ilhas do arquipélago de Cabo Verde (Boavista, Santiago, Maio e Sal) [3].
Atlântico
Afonso V encomenda o mapa-múndi que reúne o conhecimento geográfico da época aos venezianos Fra Mauro e Andrea Bianco.[3]
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Morte do Infante D. Henrique.[4] A sua exploração sistemática do Atlântico alcançou em vida os 8º N na costa africana, com a chegada de Pêro de Sintra à que chama Serra Leoa, e os 40º O no oceano Atlântico (Mar dos Sargaços).
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Diogo Gomes e Antonio da Noli descobrem mais ilhas de Cabo Verde.
Atlântico
Arquipélago de Cabo Verde
Diogo Afonso descobre as cinco ilhas mais ocidentais do arquipélago de Cabo Verde (Brava, São Nicolau, São Vicente, Santo Antão e os ilhéus Branco e Raso).[9]
Atlântico
Arquipélago de Cabo Verde
Contrato de Fernão Gomes para a exploração da costa da Guiné a sul da Serra Leoa e comércio de Pimenta-da-Guiné que duraria até 1475.
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João de Santarém e Pêro Escobar encontram a costa da Mina, chegam região do Cabo Três Pontos (Gana) e ao delta do Níger.[3]
Atlântico
África (Gana, Nigéria)
Rui de Sequeira chega a Benim nomeando a área Lagoa de Lagos (actual Lagos (Nigéria)).
Atlântico
África (Benim, Nigéria)
Fernão Pó explora o rio Wouri que nomeia "dos Camarões"[10] e as ilhas Formosa (Bioko) e Ano Bom.
Atlântico
África (Golfo da Guiné)
João Vaz Corte-Real e Álvaro Martins Homem poderão ter atingido a Terra Nova. Descoberta não comprovada[3]
Atlântico
América do Norte (Canadá)
Lopo Gonçalves descobre o Cabo Lopez[11], na boca do rio Ogooué e é creditado como o primeiro a cruzar a linha do equador. [12] e chegar ao Hemisfério Sul[3]
Atlântico Sul
África (Gabão)
Antes do contrato de Fernão Gomes terminar, Rui de Sequeira e Lopo Gonçalves chegam ao cabo de St. Catarina, 2º latitude Sul[3]
Atlântico Sul
África (Gabão)
Afonso V consulta o geógrafo Toscanelli, que aconselha a navegação para oeste, para chegar à Índia[3]
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O Tratado das Alcáçovas estabelece o controlo português dos Açores, Guiné, Elmina, Madeira e Cabo Verde e o controlo castelhano das ilhas Canárias[3]
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Diogo Cão chegou ao estuário do Rio Congo (Congo)[3] onde deixou um Padrão de pedra, substituindo as habituais cruzes de madeira; subiu 150Km a montante do rio até às cataratas de Ielala.
Atlântico
África (Angola)
João II
(1481-95)
Afonso de Paiva, Duarte Pacheco Pereira e José Vizinho contactam o Reino de Benim onde a presença de pimenta indicia a proximidade da Índia.[3][13]
Atlântico
África (Nigéria)
Segunda viagem de Diogo Cão leva Martin Behaim como cosmógrafo, passa o Cabo Padrão (Cape Cross) e terá chegado a Walvis Bay, na Namíbia.[3]
Atlântico
África (Namíbia)
Gonçalo Eanes e Pêro de Évora sobem o rio Senegal numa expedição ao interior africano até Tucurol e Timbuctu.[14]
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África (Mauritânia, Senegal)
Afonso de Paiva e Pêro da Covilhã partiram de Lisboa, viajando por terra em busca do reino do Preste João, na Etiópia.

África (Etiópia)
Bartolomeu Dias dobra o Cabo das Tormentas[3], futuro Cabo da Boa Esperança, coroando 50 anos de esforço e numerosas expedições, entrando pela primeira vez no Oceano Índico. Afonso de Paiva e Pêro da Covilhã chegam a Adém.[4]
Atlântico/Índico

Foram feitas várias expedições ao Atlântico Sul para mapear os ventos.
Atlântico

Assinado o Tratado de Tordesilhas "dividindo" o mundo por descobrir entre Portugal e o recém-formado Reino da Espanha,[15] na sequência da contestação de D. João II às pretensões espanholas após a viagem de Cristovão Colombo.[4][16]
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Viagem de João Fernandes Lavrador e Pêro de Barcelos à Gronelândia (Terra do Bacalhau)[3]. Nesta viagem avistaram a terra que nomearam Labrador (lavrador).
Atlântico
América do Norte (Gronelândia)
Manuel I
(1495-1521)
Vasco da Gama comandou a primeira frota a contornar África e chegar a Calecute na Índia, e regressou.[3]
Índico
Ásia (Índia)
Duarte Pacheco Pereira terá explorado o Atlântico Sul (e terá alcançado a foz do rio Amazonas e a ilha do Marajó no que terá sido uma expedição secreta-não existem provas)[3]
Atlântico
América do Sul
A segunda frota para a Índia comandada por Pedro Álvares Cabral atinge o Brasil[3], aportando em Porto Seguro.
Atlântico
América do Sul (Brasil)
Gaspar Corte Real e Miguel Corte Real atingiram a Terra Nova[3], que nomeou Terras de Corte Real (Canadá).
Atlântico
América do Norte (Canadá)
A 10 de Agosto Diogo Dias, navegador da frota de Pedro Álvares Cabral na segunda armada à Índia, descobriu uma ilha a que deu o nome de São Lourenço, mais tarde designada Madagáscar.
Índico
África Oriental (Madagáscar)
Vasco da Gama vindo da Índia avistou as então chamadas Ilhas do Almirante (Seychelles).
Índico
África Oriental
Miguel Corte-Real partiu para a Nova Inglaterra em busca do seu irmão Gaspar. João da Nova descobriu a Ilha de Ascensão. Fernão de Noronha descobriu as ilhas que mantêm o seu nome, Fernando Noronha, em Pernambuco.
Atlântico

De regresso do Oriente Estêvão da Gama descobriu a Ilha de Santa Helena.
Atlântico

A caminho da Índia António de Saldanha foi o primeiro europeu a ancorar na Baía de Saldanha e a ascender à Montanha da Mesa, que nomeou, na atual África do Sul[17].
Atlântico
África do Sul
Gonçalo Álvares, da frota do primeiro vice-rei, ruma a sul, onde "a água e até o vinho gelavam" descobrindo a Ilha de Gonçalo Álvares (Gough Island)
Atlântico

Lourenço de Almeida é enviado às Maldivas e chegou ao que chamou Ceilão (Sri Lanka),[18] a "Taprobana" dos registos clássicos gregos.
Índico
Ásia
Tristão da Cunha descobriu a Ilha de Tristão da Cunha no Atlântico Sul. Navegadores portugueses aportaram em Madagáscar.
Atlântico
África do Sul
Os portugueses foram os primeiros europeus a aportar nas Ilhas Mascarenhas, no Índico, nomeadas em homenagem a Pedro Mascarenhas
Índico
Diogo Lopes de Sequeira atravessou o golfo de Bengala e chegou a Sumatra e Malaca (Malásia),[19] com ele viajava Fernão de Magalhães, que viria a fazer a primeira viagem de circum-navegação ao globo, ao serviço de Espanha em 1519-22.
Índico
Ásia (Sudeste Asiático)
Duarte Fernandes foi o primeiro europeu a chegar ao Reino do Sião (Tailândia), enviado por Afonso de Albuquerque durante a conquista de Malaca.[20]
Índico
Ásia (Tailândia)
Rui Nunes da Cunha foi o primeiro europeu a chegar a Pegu (Birmânia, Myanmar), enviado por Albuquerque.[21]
Índico
Ásia (Birmânia)
António de Abreu, Francisco Serrão e Simão Afonso Bisagudo são enviados por Albuquerque em busca das "ilhas das especiarias". Serrão naufraga em Ternate nas Molucas (Indonésia).[4]
Índico
Ásia (Sudeste asiático)
António de Abreu chegou à ilha de Timor e às ilhas Banda, Ambão e Seram.
Índico
Ásia (Sudeste asiático)
Pedro Mascarenhas descobriu a ilha Diego Garcia. Chegou também à ilha Maurícia, que poderia já ser conhecida em expedições anteriores de Diogo Dias e Afonso de Albuquerque.
Índico
Ilhas Mascarenhas
João de Lisboa e Estevão Fróis exploram o estuário do Rio da Prata e provavelmente o Golfo de San Matias a 42° Sul na Argentina[22] Cristóvão de Haro, financiador da expedição, testemunha a viagem e as notícias que Lisboa e Fróis recolheram do Rei Branco(o imperador Inca), assim como o machado de prata obtido junto dos nativos e que ofereceram ao rei D. Manuel I.
Atlântico
América do Sul (Uruguai/Argentina)
Afonso de Albuquerque atravessa o estreito de Bab-el-Mandeb no Mar Vermelho liderando a primeira frota europeia a navegar nessas águas.
Mar Vermelho
África/Ásia
Jorge Álvares partindo de Malaca é o primeiro europeu a aportar no sul da China,[4] na Ilha de Lintin, no estuário do Rio das Pérolas.[23]
Índico/Pacífico
Ásia (China)
Portugueses aportam em Da Nang, no Reino de Champa que nomeiam Cochinchina, (actual Vietname).[24][25]
Índico
Ásia (Indochina)
Rafael Perestrelo comandou o primeiro navio comercial a aportar na China continental, em Cantão. Fernão Pires de Andrade e Tomé Pires foram enviados de D. Manuel I para estabelecer relações oficiais entre o Império Português e a Dinastia Ming, no reinado do imperador Zhengde.[4]
Índico/Pacífico
Ásia (China)
Francisco Álvares e uma embaixada portuguesa chegam à Etiópia onde encontram Pêro da Covilhã[3]
Índico
África
(Diogo Pacheco terá visitado Kimberley, na Austrália[26] em busca da "Ilha do Ouro" a sul e a sudeste de Sumatra, Java e Sunda, informado por Malaios e Sumatreses, presentes na sua tripulação.- descoberta não reconhecida oficialmente)
Índico/Pacífico
(Sudeste asiático/Oceania)
(Cristovão de Mendonça terá descoberto a Austrália[27] e Nova Zelândia, partindo de Belém em 1521.[carece de fontes]- descoberta não reconhecida oficialmente)
Índico/Pacífico
(Oceania)
João III
(1521-57)
Gomes de Sequeira e Diogo da Rocha foram enviados pelo governador Jorge de Meneses, à descoberta de territórios a norte das Molucas, foram os primeiros europeus a chegar às Ilhas Carolinas, a nordeste da Nova Guiné, que então nomearam "Ilhas de Sequeira".[28] (A Austrália teria sido descoberta por Cristóvão de Mendonça e Gomes de Sequeira em 1525 - descoberta não reconhecida oficialmente)
Pacífico
Ilhas Carolinas
Aleixo Garcia explora o Rio da Prata ao serviço de Espanha, como membro da expedição de Juan Díaz de Solís e, mais tarde, liderando uma expedição privada de Europeus e indios Guarani, explora o Paraguai e a Bolívia. Aleixo Garcia foi o primeiro europeu a atravessar o Chaco e a conseguir penetrar nas defesas exteriores do Império Inca, já nas colinas dos Andes e na região de Sucre, na atual Bolívia. Aleixo Garcia foi o primeiro europeu a fazê-lo, realizando a façanha oito anos antes de Francisco Pizarro.
América do Sul
Brasil/Paraguai/Bolívia
Jorge de Meneses aportou na ilha Waigeo na Papua Ocidental (Nova Guiné)
Pacífico
Oceania (Melanésia)
Diogo Rodrigues explorou o arquipélago das Mascarenhas, que nomeou em homenagem ao seu companheiro Pedro de Mascarenhas, que compreende a Reunião, Maurícia e Rodrigues.[29]
Índico
Ilhas Mascarenhas
É assinado o Tratado de Saragoça, que estabelece o antimeridiano de Tordesilhas, limite leste das explorações portuguesas e espanholas, para solucionar a chamada "Questão das Molucas".
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João Fogaça chega à Papua-Nova Guiné enviado por António Galvão.[30]
Pacífico
Oceania
Pacífico
Ásia (Japão)
António da Madalena um frade Capuchinho foi um dos primeiros visitantes ocidentais a chegar a Angkor (actual Camboja)

Ásia (Cambodja)
Filipe I
(1581-98)
Bento de Góis, missionário jesuíta, foi o primeiro europeu a percorrer o caminho terrestre da Índia para a China, através da Ásia Central.
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Ásia Central
Filipe II
(1598-1621)
Pedro Fernandes de Queirós alcançou as Novas Hébridas e aportou numa grande ilha que pensou ser parte do procurado continente a sul, a que chamou Ilha do Espírito Santo, actual Vanuatu.[32]
Pacífico
Oceania (Melanésia)

Luís Vaz de Torres (nacionalidade incerta) descobriu o que é hoje chamado Estreito de Torres.[32]
Pacífico
Oceania (Austrália, Nova Guiné)

António de Andrade e Manuel Marques, missionários jesuítas, viajaram de Agra (Índia) a Chaparangue, sendo os primeiros europeus documentados a chegar ao Tibete[33]
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Ásia (Tibete)
Filipe III
(1621-40)

Estêvão Cacella, missionário jesuíta, viajou através dos Himalaias e foi o primeiro europeu a entrar no Butão[34]
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Ásia (Butão)

Pedro Teixeira partiu de Belém do Pará subindo o rio Amazonas e alcançou Quito, no Equador, numa expedição de mais de mil homens.
Rio Amazonas
Brasil (Rio Amazonas)

(David Melgueiro partindo de Tanegashima poderá ter realizado a primeira travessia da passagem do Nordeste. [35] Viagem pouco documentada, ao serviço da marinha holandesa)





terça-feira, 29 de novembro de 2016

«Mas que importa tudo isto?»



Dois artigos no DN desta semana que se completam na dimensão crítica, incidindo sobre os portugueses e o governo – um, o de António Barreto, numa argumentação que se pauta pelo incisivo da contundência crítica, resultante do muito amor pelas coisas nacionais que o registo das suas fotografias tantas vezes acompanha, como esta da joia arquitectónica do Mosteiro da Batalha a lembrar façanhas antigas, profanada pelo rapazinho do skate, indiferente ao sentido dir-se-á hierático do local. O artigo seguinte, de Alberto Gonçalves, na virulência faceta sobre os “casos nacionais” e o seu povo deslizando sem preocupação pelos novos caminhos da “bonomia descarada” de um governo tranquilizador e sorridente – “Avozinha, porque tens a boca tão grande?” - a par da abertura grotesca e não exigente de provas ao “refugiado” político, que se revelará angariador jihadista de terroristas nacionais para a sua causa, ou a visita do presidente amador de “visitas ilustres” a um chefe terrorista de outros tempos …
Dois textos ricos, para fazer ponderar, embora não o façam, que somos calaceiros, acomodados na tranquilidade dos jogos de vídeo, nada como a energia contemporânea nos seus inícios, que despertava os prazeres sádicos e masoquistas de Álvaro de Campos…:
Eh-lá grandes desastres de comboios!
Eh-lá desabamentos de galerias de minas!
Eh-lá naufrágios deliciosos dos grandes transatlânticos!
Eh-lá-hô revoluções aqui, ali, acolá,
Alterações de constituições, guerras, tratados, invasões,
Ruído, injustiças, violências, e talvez para breve o fim,
A grande invasão dos bárbaros amarelos pela Europa,
E outro Sol no novo Horizonte!
Que importa tudo isto, mas que importa tudo isto
Ao fúlgido e rubro ruído contemporâneo,
Ao ruído cruel e delicioso da civilização de hoje?
Tudo isso apaga tudo, salvo o Momento,
O Momento de tronco nu e quente como um fogueiro,
O Momento estridentemente ruidoso e mecânico,
O Momento dinâmico passagem de todas as bacantes
Do ferro e do bronze e da bebedeira dos metais.   ODE TRIUNFAL

O tempo...
António Barreto
D N, 27/11/16     Sem Emenda
O tempo, esse grande escultor... É um belo livro de ensaios de Marguerite Yourcenar. A autora alude ao tempo que constrói e modifica, que transforma os objectos e as obras de arte e que lhes dá nova vida depois de criados. Muito do seu pensamento é também metáfora. O tempo também constrói carácter e sentimentos. Também pode trazer sabedoria.
Mas não é esta a única maneira de olhar para o tempo e os seus efeitos. Outra ideia é a que faz da passagem do tempo a fonte da amnésia, que tudo faz esquecer e tudo torna relativo, sem importância. Pode haver sageza nesta concepção. Mas oportunista. Pode tratar-se de uma boa solução para evitar ansiedade e que nos ajuda a ver que há muitos problemas que não existem, que são só aparência e que se esfumam com uma breve e judiciosa espera. É um velho princípio: o que esquecemos não existe.
Há mais. Por exemplo, a convicção ou a esperança de que a passagem do tempo tudo arranja e tudo repara. Não faz esquecer, mas ajuda a consertar. O tempo esbate a precipitação, o tempo traz serenidade e sabedoria. O tempo permite pensar e agir com segurança. O tempo ajuda a sobreviver.
Mas não é sempre bem assim. O adiamento é tantas vezes mortal! O que não se faz em seu tempo nunca se fará. Ou far-se-á nas piores condições. Ou faz-se mal... Os últimos anos foram férteis em situações de adiamento desaconselhado, mas inevitável. Os ajustamentos financeiros, por exemplo. Cinco anos antes, tudo teria sido mais fácil, mais eficaz e menos doloroso. Já hoje podíamos estar longe da austeridade dos últimos anos e da aspereza dos próximos. O tempo foi a arma dos covardes.
A Constituição é mais um caso exemplar. A sua revisão, à espera há anos, com tanta matéria que poderia ser examinada serenamente, acabará finalmente por se fazer um dia, ninguém sabe quando, sem a preparação suficiente, sem o tempo necessário ao estudo e ao debate. E possivelmente em más condições. As anteriores, embora atrasadas e sob intensa polémica, fizeram-se em tempo útil. A próxima, há muito uma necessidade, até já foi tentada, sem resultado. Quando chegar a vez, será seguramente tarde. Ou já teremos enveredado definitivamente por caminhos constitucionais que impedirão novas políticas. O tempo é a resposta dos fracos.
Os famosos processos judiciais, "les causes célèbres", que alegadamente envolvem figuras conhecidas da política e da economia e têm a corrupção como actividade criminal, arrastam--se sem decoro, a ponto de se extinguirem, de os crimes prescreverem, de os ânimos arrefecerem e de as influências se exercerem com o intuito de alterar o curso da justiça. Antigos governantes e deputados poderosos, antigos altos funcionários e antigos banqueiros e empresários esperam e receiam que justiça seja feita. E quanto mais esperam, menos justiça há. A justiça precisa de tempo. Mas o tempo mata a justiça.
A Caixa Geral de Depósitos é talvez o exemplo mais actual do modo como o tempo torna tudo mais difícil. Com o tempo, quase todos ficaram a perder. Quase todos ficaram a merecer epítetos e julgamentos severos, sempre adequados. Uns por imperícia. Outros por má fama e reputação. Outros ainda por incompetência. E outros finalmente por calculismo e interesse político. Quaisquer que tenham sido as promessas do governo, as exigências dos gestores, as garantias dadas e não cumpridas, as imposições dos partidos e as contradições entre diplomas legais, as conclusões parecem simples: os gestores têm de cumprir a lei, justa ou injusta; o governo tem de corrigir o que disse e fez; os gestores têm de cumprir ou ser substituídos. O que é certo é que quase toda a gente saiu mal. A administração da Caixa fica ferida de reputação. O ministro e o secretário de Estado ficam feridos de palavra. O Parlamento fica maculado por incompetência e oportunismo. A sabedoria precisa de tempo. Mas o tempo destrói a sabedoria.
Um sucesso com precedentes
DN,27/11/16
Enquanto saía à rua a celebrar o abençoado governo que Deus (e o dr. Costa) nos deu, o pagamento antecipado de dois mil milhões ao FMI e um crescimento de 0,8%, o povo não reparou que o reembolso estipulado no início do ano era de quase sete mil milhões e que a vertiginosa subida do PIB, pouco inferior aos 2 e tal ou 3 e tal previstos pelo dr. Centeno, se deveu: a) ao turismo; b) à retoma de trabalhos na refinaria de Sines, parada no trimestre anterior; c) à venda de uns aviões F-16 à Roménia.
Sobre o turismo, convém rezar para que os apetites em "regulamentá-lo", ou afogá-lo em taxas e proibiçõezinhas, não o estrafeguem de todo. Sobre a petrolífera, julgo que não há hipóteses de reabrir uma refinaria por trimestre a benefício das exportações. Sobra o exemplo dos F-16, que pode substituir com vantagens a falhada aposta no consumo interno enquanto novo paradigma económico: vender pechisbeques usados a países ainda mais pelintras do que o nosso.
Não estou a par das relíquias disponíveis, mas é plausível que haja por aí motorizadas dos anos 1980 para transaccionar com o Níger, frigoríficos e torradeiras em segunda mão para enviar à Albânia, máquinas de fax para impingir à Bolívia e, claro, os computadores Magalhães do eng. Sócrates (Deus o tenha) para quem os quiser. Em matéria de sucata, temos para dar e, de preferência, vender.
O importante não é só manter o crescimento "em alta" (desculpem o jargão): é manter a ilusão de que assim o país é viável. É manter os avençados, perdão, os politólogos a decretar o sucesso da frente de esquerda. É manter os media entusiasmados com o tipo de "boas notícias" que serviam de paródia no tempo de Pedro Passos Coelho. É manter a convicção de que a "teimosia" de Pedro Passos Coelho é o único obstáculo a que o PSD adira à União Nacional dos Afectos. É manter a fezada de que a "Europa" durará sempre. É manter a ilusão de que sem esmolas alheias iremos a algum sítio que não o abismo. É manter o povo a cantar e a rir no caminho. É acreditar como nunca na fraude de sempre.
Quinta-feira, 24 de Novembro
Da ingratidão
Isto assim é difícil. Hicham el Hafani, marroquino de 26 anos, entrou em Portugal em Outubro de 2013 alegando ser perseguido politicamente em Marrocos. Em vez de investigar as alegações, como fariam certas nações metediças, as autoridades daqui concederam-lhe num ápice o estatuto de refugiado. O gesto demonstra uma generosidade invulgar: sei por experiência própria que, mesmo antes da posse de Trump, os EUA não entregam o green card a quem se considera fiscalmente perseguido por cá.
Mas a generosidade lusitana foi mais longe. Um mês depois de chegar o sr. Hafani já beneficiava de um subsídio estatal de 190 euros para gastos miúdos, alojamento gratuito (em Aveiro, cidade aprazível), alimentação idem e, por motivos que me escapam e talvez escapassem ao sujeito, "acompanhamento social". Em Julho de 2014, o sr. Hafani passou ao nível de "autonomizado", desceu para um quarto alugado na Gafanha da Nazaré e - sem arranjar qualquer emprego - subiu para uma subvenção de 250 euros mensais. Em data não especificada, requisitou naturalmente o rendimento mínimo, pedido que, numa absurda excepção ao altruísmo desta história, alguém rejeitou. Finalmente, há dias, suponho que em Marselha, a polícia francesa deteve o sr. Hafani, afinal um profissional da jihad, por suspeita de envolvimento na preparação de um atentado naquelas paragens.
Apesar de a propaganda oficial insinuar o contrário, a capacidade de atracção de Portugal no exterior é uma rematada desgraça. Podemos convidar refugiados muçulmanos com empenho idêntico ao da "historiadora" de extrema-esquerda que se fotografou com um cartaz a dizer "Welcome refugees!" (embora esteja por apurar quantos recebeu em casa). Podemos dar-lhes conforto material. Podemos até providenciar-lhes conforto espiritual através de mesquitas pagas pelo contribuinte. Contas feitas, acabam sempre a exercer as competências noutros lugares e a deixar-nos entre o espanto e o enxovalho.
Entretanto, em Lisboa, espalhou-se uma ameaça de bomba para afagar a nossa "auto-estima". Evidentemente, a coisa era falsa: por muito que nos esforcemos, nem os terroristas querem nada connosco. Excepto subsídios, claro.
Sábado, 26 de Novembro
Peso morto
O prof. Marcelo, especialista em selfies e obituários, chamou a Fidel Castro uma personalidade "marcante", "cujo peso na história não se pode negar". De facto, a criatura marcou sobretudo as suas incontáveis vítimas, executadas, torturadas ou, nos dias em que acordava bem-disposto, apenas presas por delito de opinião. E não serei eu a negar o tal "peso" de Fidel na história, a par de figuras estimáveis como Estaline, Hitler, Mao, Pol Pot, os ditadores argentinos e, numa escala modesta mas comparável na barba, o estrangulador Landru. Por sorte, dele e nossa por osmose, o prof. Marcelo ainda foi a tempo de conhecer o Carniceiro, perdão, o Comandante de Havana. Temos, em suma, um presidente esclarecido. Já os americanos terão o sr. Trump, que considerou Fidel um "ditador brutal". Tamanha ignorância assusta.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Está lá?




Curioso este artigo “Cunhas públicas” de José Pacheco Pereira, sobretudo no contraditório dos sentimentos expressos: na primeira cunha pública, a costumeira agressividade com Passos Coelho, mesmo que ele continue impávido – ou talvez por isso – a erguer a voz sem desfalecer, ciente do que significou para ele a proeza de gerir uma nação esfarrapada e endividada, que as gentes que apoiam o actual governo tratavam de esgaçar e endividar ainda mais, nas suas marchas gritadas de raivas incontidas, indiferentes ao percurso que nos fizera chegar até aí, todos sofrendo e comendo por tabela com mais ou menos resignação, uns com ódio, outros com compreensão. Pacheco Pereira foi o profeta da desgraça que nunca poupou Passos Coelho, nem mesmo hoje, que está tão diminuído nas sondagens, que todos nós o que desejamos é bom trato sem esforço de maior. E ainda agora, em que um primeiro ministro vai sobrevivendo e conquistando as simpatias retiradas a Passos Coelho, por estar numa de recomposição social aparente - e que nos parece antes de resvalamento pelo desfiladeiro, pois que existe uma dívida que vai aumentando, atamancada em truques e sorrisos de promessas ministeriais, truques que fingimos ignorar por conveniência calaceira e batoteira em que somos peritos - José Pacheco Pereira continua a zurzir em Passos Coelho, ridiculamente preocupado com a documentação referente à participação da Troika por cá, quando parece indiferente aos esquemas participativos de membros governativos passados e presentes de que os Tribunais se têm bastas vezes de ocupar – ou de fingir que o fazem. Não contente com o clima de impostura e falcatrua que percorre, dum modo geral, a nossa governação de compadrios, quer mais um réu para o seu júbilo pregador da justiça – o réu do seu apreço.
Mas a segunda cunha é do âmbito patrioteiro, que nem me parece mais resultar senão do desejo de exibir os seus muitos conhecimentos de ledor profuso e profundo, pois que nunca me pareceu assim tão amante da pátria, a não ser para contrariar todos os temas em que toca para exibir originalidade e, tantas vezes, um vão saber.
Quanto à terceira cunha, com cuja argumentação me identifico, todavia, só me pergunto se, sendo Maria José Moura figura de poder, ainda que com igual papel de difusora de livros para a difusão da cultura – ou apenas para contribuir para a alfabetização de um povo restrito nela – José Pacheco Pereira correria tão gentilmente a propor-lhe o nome para uma biblioteca. E relembro, uma vez mais, como paralelo de atitude generosa, esse que tanto sabia e era modesto na sua autocrítica, de um saber humanista adaptável a todas as situações, tal como a este caso de inesperada bondade:
«Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa
Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara
Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;
E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha
(Excepto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro:
Não sou parvo nem romancista russo, aplicado,
E romantismo, sim, mas devagar...).»   Álvaro de Campos

Cunhas públicas
José Pacheco Pereira
Público, 26/11/16
Para a história futura é muito relevante saber, por exemplo, quem propôs determinadas medidas na anterior legislatura, o Governo ou a troika?
Primeira cunha: esclarecer-nos sobre as actas e outros documentos relativos às relações do Governo português com a troika.
Já não é a primeira vez que falo disto e não será a última: no que diz respeito ao registo e arquivamento de todos os documentos, e-mails, actas, protocolos, relatórios, resumos de telefonemas, relativos aos quatro anos de relações entre o Governo português e a troika ou as suas componentes, está tudo devidamente conservado como é suposto e a lei obriga, aos documentos do Estado? Está? Tudo?Advertisement
É que se não está, temos um problema de legalidade e mais do que isso, que já não é pouco, temos um problema de escrutínio dos actos do Governo e de transparência. Repare-se que não estou a dizer que tais documentos possam de imediato ser públicos, ou pelo menos parte deles. O que digo é que gostaria de ser esclarecido se eles estão devidamente acautelados. É que para a história futura é muito relevante saber, por exemplo, quem propôs determinadas medidas na anterior legislatura, o Governo ou a troika? Que discussões  existiram sobre a política fiscal, como foram justificados falhanços e elogiados sucessos? O que disse a troika sobre alguns processos de privatizações? É que sabemos muito pouco sobre o nosso processo de “ajustamento”, já sabíamos pouco sobre o que Merkel combinou com Sócrates, como foi feito o memorando, quem disse o quê, quem pediu à troika para incluir esta ou aquela medida, por aí adiante.
Segunda cunha: dar mais nomes portugueses a corpos celestes.
Existem regras internacionais e um instituição tutelar (a União Astronómica Internacional) que define as regras da nomenclatura de corpos celestes, assim como das suas crateras, desfiladeiros, oceanos  lagos, vulcões, etc. Há já em vários corpos celestes como a Lua,  nomes portugueses, mas eles continuam a ser muito escassos. Em Portugal, a Sociedade Portuguesa de Astronomia já animou várias iniciativas no sentido de dar nomes portugueses, junto com outras organizações ligadas à astronomia. Em 2015 houve uma proposta para nomear a estrela Mu Arae, bem próximo de nós, de Lusitânia e os planetas recentemente descobertos nesse sistema, de Caravela, Adamastor, Esperança e Saudade. Como estas propostas foram votadas, os espanhóis com nomes de personagens do D. Quixote de Cervantes, “ganharam”. Os nomes portugueses também não eram brilhantes, nem muito originais, com excepção de Adamastor que é um bom nome para um planeta que sabemos existir, mas nunca “vimos”. Nomes de cientistas, navegadores (alguns já lá estão), ou, como no caso espanhol, autores e personagens de ficção. “Velhos do Restelo”, uma das personagens mais interessantes dos Lusíadas, que todos referem sem saber o que Camões  dele diz, é  um bom nome. E não colhe a eventual dificuldade da pronunciação, como se vê com o cometa com o nome amável de 67P/Churyumov-Gerasimenko.
Não é por qualquer razão de nacionalismo barato que meto esta “cunha” de perseverança na nomenclatura portuguesa, mas porque este aspecto simbólico é muito importante para mobilizar a curiosidade e por ela o interesse pela ciência.
Terceira cunha: uma biblioteca para Maria José Moura
No dia em que sair este artigo a Maria José Moura será a mais surpreendida. Nada lhe disse, nem com ela falei desta matéria, mas há casos em que há uma enorme justiça a fazer e eu posso ajudar a que ela seja feita. É uma oportunidade que não posso falhar, nem me interessa falhar porque se deste artigo resultar aquilo que proponho – uma proposta sem custos, sem prejuízo para ninguém, mas uma proposta que nos melhora a todos, - dou por bem gastas estas linhas do PÚBLICO.
Maria José Moura não é conhecida do grande público, como muita gente de mérito em Portugal, mas é uma figura tutelar, familiar, próxima de todos os que trabalham ou trabalharam nas bibliotecas em Portugal. O que lhe devemos é nem mais nem menos do que centenas de bibliotecas por todo o país, a modernização da formação de centenas de bibliotecários, a internacionalização da sua profissão, a dinamização da BAD, e um esforço constante para que todos os portugueses, nos municípios, nas escolas, um pouco por todo o lado, possam aceder aos livros e ler. Todo este trabalho de décadas teve em Maria José Moura o protótipo do que deve ser uma alta funcionária pública, num país que maltrata os seus funcionários públicos, mesmo quando muito lhes deve.
Já varias vezes falei a quem de direito de que haveria uma simples homenagem a Maria José Moura, que certamente a satisfaria: dar o seu nome a uma biblioteca, modesta e pequena que seja. Mas Portugal é um país com muita inércia e muitas cunhas, e não havendo impulso e movimento,  as coisas não avançam. Retomo de novo esta questão porque vi notícias sobre a inauguração de mais uma nova biblioteca, a de Marvila, sem nome. Seja essa, seja outra, o que era importante era dar o nome de Maria José Moura a uma biblioteca, porque todos nós que gostam de livros, e que entendem que a leitura é um dos principais instrumentos para dar poder às pessoas numa democracia.