terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Um artigo absurdo



De Luís Rosa. De facto, ao parecer defender a pertinência da escolha, pelo Presidente da República, de João Miguel Tavares para apresentador do 10 de Junho, com argumentos de relevância, que ora atacam o snobismo dos contestatários de esquerda ao rejeitar essa escolha, ora defendem a pertinência da eleição de Tavares – embora com argumentos enviesados, de aparência fútil - a naturalidade portalegrense de Tavares, a sua profissão de jornalista, e finalmente a defesa do pluralismo – concorda, Luís Rosa,  que «Tavares não presta» e «Marcelo também não», permitindo-se ainda fazer ironia acerca do saber falar francês de Marcelo. É, no mínimo, desconcertante, para não dizer pouco educado, num jogo finório “a dois carrinhos”, de bem com Deus e o Diabo. Não lhe gabo o jeito, no mínimo, de subserviência à esquerda, pretendendo demonstrar isenção.
João Miguel Tavares e os snobes do 10 de junho /premium
LUÍS ROSA          OBSERVADOR, 28/1/2019
Escolhido por ser natural do local das comemorações, JMT foi criticado por falta de "densidade"- uma acusação delirante vinda de quem andou a lamber as botas do provinciano José Sócrates durante anos.
1. Parece que a esquerda bem-pensante, a dos salões e do champagne, e a extrema-esquerda, a soviética do Gulag e a do caviar do Lux, ficou muito incomodada com o convite que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa dirigiu ao jornalista João Miguel Tavares (JMT) para liderar as próximas comemorações do 10 de junho. A acreditar no musicólogo Rui Vieira Nery, no embaixador Seixas da Costa, na pianista Gabriela Canavilhas, no comunista Vítor Dias e no bloquista José Manuel Pureza, Marcelo praticou vários ‘crimes’ de gosto e de bom tom. A saber:
Tavares não é académico nem tem uma profissão de bem: médico, advogado, engenheiro, arquitecto ou qualquer profissão que deixe orgulhosa qualquer família educada durante o Estado Novo;
Tavares é uma espécie de iletrado sem “obra” — deduzo que seja académica mas também pode ser musical, literária, teatral ou cinematográfica. Tavares ‘só’ é um colunista e, cúmulo dos cúmulos, aparece na televisão como a Cristina Ferreira;
Tavares não tem “trajecto intelectual”. Ou seja, não pensa por aí além e não escreve de forma hermética, fechada e codificada para que os amigos de Nery, Seixas da Costa e Canavilhas se deliciem com os signos semióticos que só eles sabem interpretar.
Confesso-vos que concordo com aqueles camaradas: Tavares não presta! E Marcelo, que até sabe falar francês quando condecora um político europeu, também não!
Mas há só dois problemas na argumentação que tão nobres figuras da sociedade portuguesa apresentaram nesta peça do Público:
JMT foi convidado por ser natural de Portalegre — terra onde uma parte das comemorações do 10 de Junho decorrerão por decisão de Marcelo Rebelo de Sousa;
JMT foi igualmente convidado por ser jornalista. Ou seja, Marcelo quer dar destaque institucional à comunicação social por entender, como já disse várias vezes, que é fundamental para o sistema democrático que os media vençam a crise económica e financeira em que estão mergulhados desde há mais de 10 anos.
Apesar de serem estas as razões que levaram o Presidente a convidar o malandro do JMT, não foram nelas que a nossa esquerda bem-pensante se concentrou. Teria sido difícil, aliás, a não ser que Portalegre fosse uma espécie de Silicon Valley do jornalismo que tivesse criado a Monocle, alimentado o New York Times e revolucionado o The Guardian — publicações suficientemente progressistas para os nossos ‘camarados’.
Assim, tiveram de atacar a suposta falta de curriculum, de obra e, imagine-se, de “densidade” — uma acusação delirante vinda de quem andou a lamber as botas ao provinciano José Sócrates durante muitos e longos anos.
2. Na realidade, o que estes ataques estapafúrdios demonstram são características compreensivelmente humanas mas igualmente básicas:
O snobismo puro e duro. Uma espécie de sentimento de casta que entende que a representação do Estado (e respectivas cerimónias, como as do 10 de junho) não está aberta a “qualquer um”. É um sentimento antigo que já se tinha manifestado quando um determinado cidadão de Boliqueime chegou a primeiro-ministro e a Chefe de Estado ou um político com direito a morar na residência oficial de São Bento não desistiu do seu apartamento em Massamá;
A arrogância social e cultural. Como se os representantes permanentes ou ocasionais do Estado fossem apenas escolhidos a partir do grupo de amigos lá de casa, cujas famílias pertencem ao mesmo grupo social, circulam pelos salões das recepções diplomáticas ou pertencem à mesma facção da universidade. Estes, sim, é que têm “densidade.” Estranhos republicanos estes.
E o espírito sectarista dos ‘democratas’. Neste grupo trata-se mesmo de sectarismo puro e duro, próprio de comunistas e bloquistas. Estes sempre foram os ‘democratas’ — mesmo quando prometiam ditaduras totalitárias e sanguinárias sob a forma de “amanhãs que cantam.” Para estes, só os seus camaradas é que são dignos representantes do povo.
Esta gente não gosta de pessoas independentes. Seja por não pertencerem a um dos partidos políticos de referência ou por nunca terem andado na Maçonaria ou no Opus Dei, seja até mesmo porque simplesmente nunca se cruzaram com eles no cinema, no teatro ou na galeria de arte. É uma espécie de medo do estranho, do desconhecido. E um grande preconceito ideológico.
3. É que uma coisa é o povo ter direito a um elevador social que lhe dê mais euros ao final do mês para pagar as contas via MB Way. Outra coisa completamente diferente é um ‘rapaz de Portalegre’, e ainda por cima um jornalista e logo de direita, liderar as cerimónias do 10 de Junho. Calma lá! — que a democracia não foi feita para todos mas sim para “os nossos”, os que estão do lado esquerdo, e certo!, do campo.
Para esta gente, República que é República só existe enquanto a esquerda mandar na mente, no coração e na cultura do país e a direita tiver juízo para ficar caladinha perante o Portugal de Abril — e manter-se refugiada sob o manto falso da social-democracia e do Centro Democrático Social.
Para esta gente tão democrata, mas tão herdeira do espírito salazarento do ‘manda quem pode, obedece quem tem juízo’, a democracia só é democracia enquanto a direita continuar a pedir licença para dar o seu contributo ao país, ocupada que está em lidar com o sentimento de culpa da Ditadura.
Mais de 40 anos após o 25 de abril, a balança do sistema democrático continua desequilibrada para a esquerda. Seja nas universidades, na comunicação social ou nas diferentes áreas culturais, continua a existir uma grande falta de pluralismo na sociedade portuguesa. Muito por culpa da benevolência que é concedida ao pensamento sectário do PCP e do Bloco de Esquerda, mas também muito por culpa da elite do PS que se julga dona do país e do regime.
Memorizem esta palavra: pluralismo. É o que mais falta faz ao nosso regime para ser, de facto, uma democracia em que as diferentes correntes de ideias têm o mesmo respeito, em que as pessoas são avaliadas pelo seu mérito independentemente do seu posicionamento ideológico e em que ninguém está ‘do lado certo’ como se fosse portador duma superioridade moral, social e política.
É por esse pluralismo que devemos continuar a lutar.
COMENTÁRIOS
William Smith > maria costa: Esta gente é a personificação típica do snobismo. A rainha de Inglaterra, p ex, não é snobe. Tem a sua elevada posição mais do que garantida e não despreza ninguém. Mas estas figurinhas, não. Têm a presunção de que são os mais cultos, os únicos com bom gosto e, principalmente, desprezam todos aqueles que, segundo eles, não têm uma elevada posição social. Mas esgatanham-se para se chegarem aos que consideram ter uma posição social superior.
Resumindo: são alpinistas sociais.
Carlos Luz: Não entendo uma coisa por parte do autor do artigo: se passa o artigo a celebrar a pluralidade e defendendo o convite a um jornalista fora das tais classes, e sendo que esse convite foi feito precisamente por Marcelo (que assim neste caso foi praticamente pioneiro nesta atitude), ler depois que Marcelo "não presta" torna toda a sua argumentação a favor da acção incoerente. Ou seja, parece que a atitude é boa e queremos mais, mas apesar de a ter praticado, o Marcelo não presta. Nada abona a favor do artigo. (e não, não sou nenhum defensor acérrimo do Marcelo, gosto é de coerência) 
Joaquim Moreira: Mais do que lutarmos pelo pluralismo, devemos lutar contra esta nova forma de snobismo, de uma esquerda que se formou na luta contra o fascismo. E não  na defesa do pluralismo”. Mas também devemos dizer, com toda a clareza, que foi o actual Presidente da República que lhes deu todo este protagonismo. De tal maneira o fez que, agora, teve que pedir ajuda a João Miguel Tavares para “à sua maneira”, demonstrar que foi uma grande asneira. Quem nasceu para fazer oposição à direita, nunca pode admitir que esta se confunda com a sua seita.

Tragédias em mar de lodo



Dois textos com muita pinta:
O do maligno à solta, de Salles da Fonseca, análise despachada e certeira sobre a ascensão e queda possível da China no mundo ocidental, que é uma síntese, apesar de tudo, animadora, no optimismo da possível queda, embrulhados que nos vemos, por agora, nas evidências da sua ascensão, de enxurrada silenciosamente avassaladora.
O da degradação, de cachoeira marulhadora e palpitante de palhaçada, deste nosso país em bolandas pouco interessantes e sem fim à vista, no descritivo de clareza irónica e igualmente certeira, de Helena Matos.
Resta-nos, pois, a diversão espiritual, proveniente destas informações de quem sabe. Não para prevenção, todavia, pois o que tem de ser tem muita força e a esquerda é que está a dar, pedinchões que somos.

I -ANDA O MALIGNO À SOLTA – 4
 HENRIQUE SALLES DA FONSECA
A BEM DA NAÇÃO, 28.01.19

Recapitulando, os temas que mais chocalham o meu equilíbrio são
a ascensão da China,
a invasão muçulmana da Europa e o correspondente «revivalismo» sunita,
a tensão totalitária na Turquia e na Venezuela,
o bitcoin e o narcodólar

* * *
A China tem crescido porque o Ocidente assim o tem determinado.
Xangai.jpg
Na ânsia dos custos baixos, as empresas americanas (foi com os americanos que tudo praticamente começou depois de Nixon ter lá ido encontrar-se com Chu En Lai) pensaram – e conseguiram inundar os mercados mundiais com produtos baratos. Se a deslocalização empresarial levava Detroit e outros centros industriais americanos à falência, isso era questão que não lhes dizia respeito, os políticos que pensassem numa solução. Elas, empresas deslocadas, riam-se dos sindicatos que assim se especializavam no desemprego absoluto.
Comércio livre, sim, bem como livre circulação de capitais mas quanto à livre circulação da mão de obra é que, pelo contrário, nem à mão de Deus Pai: sindicalistas americanos na América; «sindicalistas» chineses na China. E nada de misturas nem trocas de poiso. E os sindicatos concordam com isso pois que, entretanto, se transformaram em forças radicalmente conservadoras e não querem a concorrência barata.
A China propriamente dita ia invadindo o resto do mundo com toda a espécie de quinquilharia vendida nas prolíficas «lojas dos chineses».
Mas a China (a verdadeira, não a minúscula Taiwan) é politicamente comunista e, por paradoxal que isso seja, assenta actualmente numa economia capitalista. Conjugação dos antagónicos ou farsa política?
Como pode um regime ferozmente totalitário conviver com uma economia liberal?
Que perspectivas de desenvolvimento endógeno existem num regime de Partido único?
O que acontecerá quando o proletariado perceber que o crescimento está a abrandar radicalmente, que as diversas «bolhas» estão a rebentar (por exemplo, as cidades fantasma plantadas no meio de nenhures só para que os dirigentes cumpram o plano ditado a partir do centro decisório), que as «grandes» investidoras estatais estão a falir (e a cair no controle directo de Pequim com sérios problemas pessoais para os dirigentes afastados dos cargos que vinham desempenhando) e que ele, proletariado, continua com 5 dias anuais de férias e está a ser silenciado para fingir que tudo continua uma serena maravilha apesar de o desemprego por aquelas bandas corresponder a abandono com 3 meses de subsídio não renováveis?
Quanto custa o funcionamento do Partido único e o das gigantescas Forças Armadas (segredos de Estado) e que política orçamental e monetária financia tudo isso?
A China está certamente muito próxima de perceber que se pode mentir durante algum tempo e enganar algumas pessoas mas que é impossível mentir sempre e tentar enganar toda a gente.
Os castelos de cartas não são eternos nem a diáspora chinesa é estanque em relação aos que lá permanecem e cada vez se saberá mais que cá fora se vive em condições incomparáveis com o que por lá conseguem.
A China vai implodir e não tardará muito.
E depois?
Não tenho uma bola de cristal mas «cheira-me» que ficarão na China as empresas ocidentais cujas produções se destinem ao abastecimento do mercado interno, se esse ainda existir com algum significado depois de uma livre discussão política pluripartidária, depois de a moeda chinesa passar a valer o que deve valer e não o que os decretos determinarem, depois de existir liberdade sindical, depois de haver uma política monetária credível suportada por uma política orçamental transparente e não mais secreta como hoje acontece.
Resta por saber como ficaria tudo a partir do momento em que o Ocidente desistisse da China que, entretanto, se revelara o seu próprio algoz. A pergunta que se impõe é: o que será a China quando o comunismo cair? Eventualmente, uma «molhada de brócolos».
Só que, entretanto, as costas não folgam enquanto o pau não nos sai das costas.
 É que tudo isto, sim, merece ser corrigido condicionando seriamente o maligno que por aí continua à solta.
 (continua)

COMENTÁRIOS
1 - Caro Henrique,  Comungo da análise sobre a China. Obrigado  Um abraço Bartolomeu Costa Cabral
2 - Muito obrigado!  Tenho meditado sobre este cenário e, infelizmente, chego sempre às mesmas conclusões, e digo infelizmente porque vão ser os nossos netos e bisnetos que serão as vitimas desta loucura que o Ocidente consentiu e até ajudou a preparar. Grande abraço do Francisco Atayde

Como se degrada um país /premium
OBSERVADOR 27/1/2019
Junte-se um PM disposto politicamente a tudo a um PR frívolo. Acrescente-se a subordinação à agenda ditada por radicais institucionais na AR e subversivos nas ruas. No final temos um país degradado.
Está a olhar para mim… Deve ser pela cor da minha pele que me pergunta se condeno ou não condeno” – à nossa frente, diante dos nossos olhos, a coisa estava a acontecer: o primeiro-ministro, aquele que foi clareado nos cartazes do seu próprio partido, recorria sem escrúpulos ao argumento racial.
Não é novidade que Costa se porta como um rufia perante a líder do CDS. Novidade ou aviso é que além da compra do eleitorado da função pública, António Costa vai jogar a carta da cor da pele na luta política se tal lhe parecer vantajoso.
Na mesma semana em que Jerónimo de Sousa deixava de ser o “operário metalúrgico” para se tornar “no sogro”, António Costa reivindicou a cor da sua pele para responder a Assunção Cristas. A luta de classes deu lugar à luta das que já foram raças, depois etnias e agora serão aquilo que os donos das palavras determinarem. E António Costa se lhe for útil vai entrar nesse terreno.
Vários carros e caixotes do lixo arderam nos últimos dias em Setúbal. A revolta dos objectos ganhou novos protagonistas: agora são os caixotes do lixo que ardem. E os automóveis. E os ecopontos, coitadinhos, apesar de tanta aula de educação ambiental são os primeiros a marchar nessa espécie de autocombustão indignada. Não deixa de ser irónico que, naquilo que nos é apresentado como protesto pelas más condições de vida, a fúria dos indignados se vire contra um dos serviços que lhes é prestado – a recolha de lixo – serviço esse que contribui para que a sua vida tenha mais condições. Entretanto, os últimos desenvolvimentos da guerra dos objectos diz-nos que os caixotes do lixo desenvolveram uma nova valência pois além de arderam lançam pedras aos bombeiros e aos polícias: Uma equipa dos bombeiros de Sacavém foi apedrejada com violência quando tentava apagar as chamas de dois ecopontos incendiados à entrada do Bairro da Quinta da Fonte, na Apelação. Tiveram de pedir ajuda à PSP, sendo que a patrulha que acorreu ao local também foi apedrejada.” Tudo indica que a guerra dos objectos se vai prolongar. Quem tiver curiosidade sobre os próximos episódios pode recorrer aos canais franceses pois aí esta série já passa há largos anos.
A “bosta da bófia”: na mesma semana em que escreveu “bosta da bófia” a propósito da polícia, Mamadou Ba solicitou protecção à “bosta da bófia” por ter sido “abordado esta sexta-feira quando se dirigia para um debate sobre a crise da democracia, em Lisboa, pelo cabeça de lista do Partido Nacional Renovador (PNR), João Patrocínio, que o confrontou com as suas declarações no Facebook sobre a PSP, enquanto um outro militante gravava a situação para, posteriormente, a partilhar nas redes sociais.” Digamos que Mamadou Ba foi alvo de uma grandolada ao contrário. Só que se os alvos dos arruaceiros forem aqueles que antes grandolavam, então os grandoleiros de ontem de imediato sentem as suas vidas risco e chamam pela mesma polícia que minutos antes insultavam.
Mas deixemos as idiossincrasias do dirigente da SOS Racismo e alarguemos a questão: quais foram os programas de inclusão criados para a comunidade chinesa? Eram ricos os imigrantes ucranianos quando chegaram a Portugal? Não. E os resultados escolares dos seus filhos quais foram?… Felizmente para eles ficaram livres do paternalismo libertador dos activistas. Os seus filhos empenharam-se mais na Matemática que nas dramatizações sobre os abusos de que os seus avós foram vítimas. Mais cedo ou mais tarde teremos de nos interrogar sobre os resultados da actividade dessas associações que ninguém escrutina, dos colectivos de um elemento e dos activistas-empresários da indignação. As políticas do ressentimento engrossam-lhes os curricula, garantem-lhes um modo de vida (em geral confortável) mas pouco ou nada de positivo parecem ter para apresentar como saldo da sua actividade.
PS. O Bloco de Esquerda quer renacionalizar os CTT. E como sempre acontece quando o Bloco quer alguma coisa todos sabemos à partida que mais cedo ou mais tarde o querer do Bloco se há-de impor. Catarina Martins pretende agora que nacionalizar os correios “é defender os serviços públicos, é defender também o Interior” coisa que não quer dizer nada mas faz títulos. No Interior tal como Litoral não se escrevem cartas e aquilo que Catarina Martins defende é sim o crescimento do poder do BE através do crescimento tentacular do Estado. Desde que um serviço seja estatal ele pode degradar-se como está a acontecer ao SNS ou encerrar balcões como faz a CGD que o BE olha para o lado. Enquanto os CTT não são renacionalizados Catarina Martins pode começar a preparar-se para essa grande hora. Como? Proibindo o BE de usar o mail e os SMS, mesmo o fax só em campanha eleitoral. Messenger nem vê-lo. Comunicar só através de carta quiçá manuscrita com caneta de aparo. Vai ser um sucesso.

2 de 233 COMENTÁRIOS
ProtoTypical: Um País degrada-se rigorosamente do mesmo modo que um Sujeito: relativizando a moralidade, postergando a sustentabilidade, minando a credibilidade, rebolando na recompensa imediata; o presente Executivo é, em bom rigor, em tudo semelhante a um psicopata - e um bem perverso!
manel buiça: Como se degrada um país?  Constrói-se numa golpada uma oportunista e parasita Geringonça, mete-se um poucochinho ao leme e um Catavento no topo do Mastro. Rega-se de mentira, manipulação e Socialismos. Convida-se a paralítica e meretriz comunicação social. Junte uma boa dose de anémica e sonolenta oposição. Serve-se a palha a gosto e dá-se a música do costume às crianças cidadãos e aos restantes clientes, crentes e demais rebanhos, e pronto. Simples  pá ! 


segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Um memorial



O comentário de Carlos Bernardo ao texto de Salles da Fonseca, contendo um passo do discurso de John Fitzgerald Kennedy, comprovativo da argumentação do autor de “Anda o Maligno à solta” sobre as causas dessa “malignidade” social de que padecemos hoje, levou-me a considerar quanto a figura simpática e jovem desse 35º Presidente dos EUA foi largamente responsável pelas convulsões que o mundo veio a sofrer posteriormente. Eu estava em África e aí assistíamos às movimentações do presidente democrata que distribuía ideias humanitárias de rejeição segregacionista entre os povos, partindo de um igualitarismo belo mas necessariamente utópico, que não é só rejeitado pelas diferenças de cor da pele, sabem-no bem os hipócritas humanitários, a educação, a riqueza e o posicionamento social encarregando-se de prescrever tais desigualdades, em todas as sociedades.
Da internet colhi o texto do Memorial do túmulo de Kennedy, no cemitério de Arlington e transcrevo-o, como comprovativo da constatação da sua responsabilidade no terrorismo que passou a envolver o mundo, como genérico, pese embora a generosidade dessa determinação ideológica, terrorismo que, concretizadas as aspirações às descolonizações, foi tomando outras facetas, cada vez mais surreais, de uma instabilidade absurda, de que os media são igualmente causa.
Eis o texto do Memorial:
"E assim, meus compatriotas americanos, não perguntem o que seu país pode fazer por você, perguntem-se o que vocês podem fazer por seu país. Meus concidadãos do mundo, não perguntem o que a América pode fazer por você, mas o que juntos podemos fazer pela liberdade do homem." - Memorial perto do túmulo de John F. Kennedy, no cemitério de Arlington.
Mas o texto, de Salles da Fonseca, de um esquematismo enriquecedor, põe problemas vários, sobre os desequilíbrios cada vez mais fundos e sem solução à vista, as disparidades sociais, pelas diferenças económicas, sobretudo, e educacionais sem dúvida, cavando o fosso humano com regozijo do Maligno.
E as actuais marcas que pesam nas políticas, com o alastrar de tantos factores que Salles da Fonseca esquematiza, e em que os novos nacionalismos refractários são distintivo, não nos deixam margem a grandes esperanças de um melhor futuro.


A crónica está para durar.

 HENRIQUE SALLES DA FONSECA
 A BEM DA NAÇÃO, 27.01.19

Nos dois textos anteriores sob a mesma epígrafe, abordei dois factores que contribuem directamente para a soltura do maligno, a saber, respectivamente, o antiquíssimo conflito de gerações e a actual pós-modernidade à mistura com a toxicodependência e com o inerente narcotráfico. Ambos, numa perspectiva local.
Para sarilho já bastaria, mas há mais…
O meu mundo evoluiu de acordo com a minha vontade:
- Rendição do Japão  (na Europa já não havia guerra quando eu nasci em Junho de 1945).  (Foto da assinatura, que pôs fim à guerra))
- Evolução da guerra fria no sentido da vitória ocidental até ao derrube do muro de Berlim. (Foto do muro, aquando do derrube)
- Prevalência dos valores democráticos com garantida liberdade de opinião, afirmação do empreendedorismo, obtenção de grande segurança social. (Foto da fachada do Palácio de S. Bento – Assembleia Nacional)

Seria hipócrita se dissesse mal do eurocentrismo. Mas, conhecendo muito mundo extra-europeu, não hesito em afirmar que «nem só da Europa vive o mundo». E não me refiro a uma questão geográfica pois tanto a América Latina como a Austrália e a Nova Zelândia são claramente europeias enquanto o Magreb e o Mackresh, aqui bem próximos, pouco ou nada têm a ver connosco.
Mas há equilíbrios a que nos habituamos e as mexidas provocam tonturas. Por exemplo, a tão propalada ascensão da China, a invasão muçulmana da Europa e o correspondente «revivalismo» sunita, a ascensão totalitária na Turquia e na Venezuela, o bitcoin e o narcodólar, etc., etc.
(continua) 

COMENTÁRIOS:
1º (De Carlos Bernardo): - Henrique, este seu post " Ainda sobre o Maligno ", fez lembrar do discurso de John F. Kennedy em 25 de Abril de 1961 , no Waldorf-Astoria Hotel de NY. , que poderá ter ditado o seu destino..., e do seu irmão:
«For we are opposed around the world by a monolithic and ruthless conspiracy that relies primarily on covert means for expanding its sphere of influence--on infiltration instead of invasion, on subversion instead of elections, on intimidation instead of free choice, on guerrillas by night instead of armies by day. It is a system which has conscripted vast human and material resources into the building of a tightly knit, highly efficient machine that combines military, diplomatic, intelligence, economic, scientific and political operations.»
(Tradução via Internet): «O jovem presidente, que seria silenciado por balas de um assassino dois anos e meio depois, advertiu: "Somos combatidos em todo o mundo por uma conspiração monolítica e implacável, baseada principalmente em meios secretos para expandir sua esfera de influência - na infiltração em vez de invasão, em subversão em vez de eleições, em intimidação em vez de livre escolha, em guerrilheiros de noite em vez de exércitos durante o dia. “É um sistema que recrutou vastos recursos humanos e materiais para a construção de uma máquina altamente eficiente e compacta que combina operações militares, diplomáticas, de inteligência, económicas, científicas e políticas. »
Cont.:(“Suas preparações são escondidas, não publicadas. Seus erros são enterrados, não encabeçados. Seus dissidentes são silenciados, não elogiados. Nenhuma despesa é questionada, nenhum boato é impresso, nenhum segredo é revelado". )

2º Comentário: - Obrigado por mais um texto seu de que gostei . Um abraço   Armando Rebelo