sexta-feira, 1 de março de 2019

Origens históricas



Um trabalho criterioso, este de Salles da Fonseca, sobre o sucessivo povoamento do terreno que nos forjou como povo, trabalho enriquecido com fotos ou mapas que apenas nomeio, incapaz de os transpor para o meu blog, mas disponíveis sempre, no “A Bem da Nação”. Um trabalho sério, de quem se preocupa com os descaminhos que vamos levando, apelativo, talvez, de mais cordura nos destinos que vamos forjando, impassíveis e esquecidos.
 HENRIQUE SALLES DA FONSECA
A BEM DA NAÇÃO
 (24.02.19)
Os livros de História, quando mencionam os antepassados dos portugueses, fazem referência sobretudo aos Lusitanos, à presença Romana e aos Mouros. No entanto, os povos que deram origem aos portugueses estão longe de ser apenas esses.
Ainda antes dos Lusitanos, muitos povos habitaram o território que hoje corresponde a Portugal. Alguns desses povos não deixaram vestígios e tudo o que sabemos sobre eles provém da leitura das crónicas históricas dos gregos e dos romanos. É o caso, por exemplo, dos Estrimníos, dos Sefes ou dos Cempsos, cuja história apenas pode ser conhecida através das crónicas do escritor latino Avieno, no século IV.
Note-se ainda que muitos povos são catalogados como pertencendo a tribos celtas e falar de todos eles é uma tarefa complicada. Exemplo disso são os Tamagani, na zona de Chaves, ou os Gróvios, na zona do Minho. E há ainda algumas surpresas, como os escravos negros que foram usados para povoar a zona do Sado ou os Franceses que vieram povoar algumas partes do Alentejo no século XII.
São 17, os povos antepassados dos portugueses que deram origem à Nação que somos hoje.
1 - Estrimnios
Os Estrimnios (em latim: Oestremni) são dados como o primeiro povo nativo conhecido de Portugal. Oestremni significaria (povo do) extremo ocidente. Estendiam o seu território da Galiza até ao Algarve. Este povo de hábitos rudes dormia no chão, alimentava-se de carne de bode, de pão feito a partir de farinha de bolotas e praticava sacrifícios humanos durante os quais examinavam as vísceras das vítimas para predizer o futuro.
Foto: Castros
Vindos de leste, chegaram os Sefes, guiados pela sua deusa-serpente, Ofiusa. Estes eram menos numerosos que os Estrimnios. No entanto, os Estrímnios eram um povo de agricultores pacíficos e os Sefes, além de bons guerreiros, possuíam uma religião mais desenvolvida e quase exterminaram os Estrímnios, tendo sobrevivido apenas alguns povoados dispersos pelo território que antigamente dominavam.
Recebido por e-mail, Autor não identificado
Gentileza de António Benoliel de Carvalho
(COMENTÁRIO DE ADRIANO LIMA 24.02.2019: Já conhecia. É uma informação que convém divulgar, porque normalmente cai-se na simplificação quando se fala nas origens do povo português - os lusitanos. A realidade da origem dos povos é muito mais complexa.)
2- Ofis ou Sefes  ( 24.02.19)
A passagem dos Sefes como força invasora pelas planícies do Alentejo encontra-se arqueologicamente documentada, seja pelo desaparecimento súbito e inexplicável de povoados na Serra de Huelva e nas duas margens do Guadiana (o povoado de Passo Alto, na margem direita do Chança, é um caso paradigmático), seja pela alteração do modelo de povoamento no Alentejo Central, com as populações abandonando as suas quintas na planície, sem preocupações defensivas e recuperando ou construindo grandes povoados fortificados no cimo dos montes como se pode comprovar nos povoados da Serra d’ Ossa.
Foto: Cromeleque dos Almendres
Fundam uma primeira cidade, Dipo, que sobrevive até à época romana e que muitos acreditam estar no subsolo de Évora Monte. E avançando para oeste e para noroeste fundam sucessivamente Beuipo (Alcácer do Sal), Olisipo (Lisboa) e Colipo (Leiria), avançando até às margens do Mondego. A terminação em “-ipo” das povoações que fundaram (os topónimos que o tempo não devorou), não nos ilude quanto à sua proveniência, pois a esmagadora maioria dos povoados em “-ipo” encontra-se a sul do Guadalquivir.
3 – Cempsos (25.02.19)
Os Cempsos foram uma tribo que habitou o sudoeste da Península Ibérica na Antiguidade. Habitavam a região do Cinético, nome dado na Antiguidade ao Algarve (?) e faziam parte dos cinetes, motivo pelo qual, mais tarde, Avieno deu o nome de lugum cempsicum ao actual cabo Espichel. Os cempsos viveram na região conhecida como Cuneum Ager (“Campo Cónio”), sendo assim uma variante étnica dos cónios, talvez com fortes influências lígures ou célticas.
Cromeleque do Xerez
Estas hipóteses, no entanto, permanecem em aberto, na falta de qualquer indício significativo que permita elucidar melhor esta questão. Nicolae Densusianu, na sua obra Dacia Pré-histórica, localiza a tribo dos cempsos nas proximidades do Cănicea, numa aldeia da Roménia habitada nessa época pelos coniscos. Os cempsos terão fundado Sesimbra.
4 - Lusitanos (25.02.19)
Os lusitanos são normalmente vistos como uns dos antepassados dos portugueses do centro e sul do país e dos extremenhos. Eram um povo celtibérico que viveu na parte ocidental da Península Ibérica. Primeiramente, uma única tribo que vivia entre os rios Douro e Tejo ou Tejo e Guadiana. Ao norte do Douro limitavam com os galaicos e astures – que constituem a maior parte dos habitantes do norte de Portugal – na província romana de Galécia, ao sul com os béticos e ao oeste com os celtiberos na área mais central da Hispânia Tarraconense.
Foto:Lusitanos
A figura mais notável entre os lusitanos foi Viriato, um dos seus líderes no combate aos romanos. Apesar de as fronteiras da Lusitânia não coincidirem perfeitamente com as de Portugal de hoje, os povos que aqui habitaram são uma das bases etnológicas dos portugueses do centro e sul e também dos extremenhos (da Extremadura espanhola).
5 -  Fenícios (26.02.19)
Os Fenícios eram um povo de navegadores e comerciantes originário do actual Líbano e da zona costeira da moderna Síria. A abundância de peixe das nossas costas interessou os Fenícios na pesca e na salga de peixe, mas também na procura de metais, como a prata, o cobre e o estanho.
Civilização Fenícia (MAPA)
Traziam produtos, como tecidos, vidros, porcelanas, armas e objectos de adorno para fazerem trocas comerciais. Fundaram Feitorias, isto é, postos comerciais, no litoral. Criaram o alfabeto constituído por 22 consoantes e utilizaram o papiro para escreverem. Infelizmente, em termos arquitectónicos temos poucos vestígios sobre este povo (o subsolo do claustro da Sé de Lisboa é um dos poucos exemplos) mas há oliveiras em Tavira e em Santa Iria de Azóia que, devidamente datadas, se concluiu terem sido plantadas pelos fenícios.
6 Cartagineses (6.02.19)
Os Cartagineses descendiam dos Fenícios. Estes dedicavam-se ao comércio de metais e à salga de peixe. Atribui-se-lhes a fundação de Portimão e outras colónias de pescadores na costa algarvia. Além de grandes comerciantes, os cartagineses eram também grandes exploradores. Algures entre o ano 500 aC e 420 aC, o almirante cartaginês Hanão organizou uma expedição para efectuar comércio marítimo em torno da costa africana, possivelmente para fundar colónias a sul.
1 -Mapa (da Europa e do Norte de África).Com Cartago assinalada
2 - Cartagineses
7 – Gregos (26.02.19)
Depois, os Gregos chegaram à Península. Concorrentes comerciais dos Fenícios, fundaram várias colónias, tais como Alcácer do Sal. Introduziram a civilização helénica no Sul e Leste da Península. Como vestígios da sua presença deixaram a ânfora (uma das primeiras peças para armazenar mantimentos), vasos e moedas. Embora se considerem lendas, diz-se que Ulisses fundou Lisboa e o filho deste, Abidis, que fundou Santarém.
Navio Grego (Foto)
A maior contribuição grega na cultura das populações que já se encontravam no nosso território foi sem dúvida a noção de moeda que começou a ser cunhada localmente em Emporion no século V a.C. e em Rodes no século seguinte. Esta prática, porém, só se tornou corrente nos restantes territórios da Península Ibérica nos anos posteriores e sob a influência de Cartago.
8 - Celtiberos  (27.02.19)
Os celtiberos são o povo que resultou, segundo alguns autores, da fusão da cultura do povo Céltico e da do povo Ibero. Habitavam nas regiões montanhosas onde nascem os rios Douro, Tejo e Guadiana desde o século VI a.C. Não há, contudo, unanimidade entre os historiadores quanto à origem destes povos.
Celtiberos (Foto)
Tratar-se-ia, talvez, de um povo Celta que adoptou costumes e tradições iberas. Estavam organizados em gens, clãs familiares que ligavam as tribos, embora cada uma destas fosse autónoma, numa espécie de federação. Esta organização social e a sua belicosidade permitiram a estes povos resistir tenazmente aos invasores Romanos até cerca de 133 a.C., com a Queda de Numância.
Localização no mapa
Deste povo desenvolveram-se, na parte ocidental da Península, os Lusitanos, considerados pelos historiadores como os antecessores dos portugueses, que viriam a ser subjugados ao Império Romano no séc. II a. C.
9 – Suevos (27.02.19)
De origem germânica, os Suevos começaram por ser lavradores mas tornaram-se conquistadores e alargaram o seu reino até ao rio Tejo. Converteram-se ao catolicismo por influência de S. Martinho de Dume.
(Foto): Túmulo de S. Martinho de Dume, Braga
Fundaram o Reino dos Suevos, com a capital em Braga. Esta, tornou-se um grande centro de fé e de cultura. Com a expansão do reino para sul, os Suevos instalaram-se em Portucale, na foz do rio Douro.
Suevos (Foto)
O norte de Portugal tem ainda fortes influências dos suevos. As características mais evidentes são o arado quadrado e o espigueiro. Na toponímia, nomes como Freamunde ou Guilhofrei evocam origens germânicas.
10 – Visigodos (27/2/19)
Os Visigodos chegaram à Península Ibérica no ano de 416. Aqui fundaram um reino, submeteram os Suevos e ficaram a dominar longos anos em todo o território. O reino dos Visigodos estava organizado numa monarquia absoluta com a capital em Toledo. Publicaram o Código Visigótico e estabeleceram uma sociedade formada pelo clero, nobreza e povo. Eram grandes artistas, em especial na fabricação de jóias. A pouca arte visigótica que ainda podemos admirar em Portugal está na ourivesaria e na arquitectura.
Visigodos (Foto)
No que diz respeito a edifícios, temos a Capela de S. Frutuoso de Montélios, perto de Braga, aIgreja de S. Pedro de Balsemão, nos arredores de Lamego, e a Igreja de S. Gião da Nazaré.
Claros traços visigóticos presentes em alguns espaços são o arco de ferradura e a planta em forma de cruz das igrejas.
Igreja de São Pedro de Balsemão (Foto)
Também deixaram um importante trabalho na área jurídica. Escreveram Liber judiciorum, uma obra que forneceu as bases do pensamento jurídico na era medieval na Península Ibérica. Também relevantes foram o Código de Eurico, a Lex romana visigothorum.
11 –Romanos (28/2/19)
É dos povos que mais heranças nos deixaram: o latim, a numeração romana, pontes, estradas, aquedutos e cidades.
O mais famoso centro urbano romano é perto de Condeixa onde se localiza Conímbriga mas existem também outros tais como Miróbriga, perto de Santiago do Cacém e a mais sumptuosa, Balsa, vizinha de Tavira, exemplos claros do desleixo cultural de que estamos penosamente afectados nestes tempos que vivemos.
Templo Romano de Évora (Foto)
A calçada portuguesa é também uma criação dos romanos. A lei do mundo ocidental ainda hoje tem uma notória influência romana.
12 – Judeus (28/2/19)
Até à época da Inquisição existiam muitos judeus em Portugal com grande influência na sociedade. Muitos judeus desempenharam um trabalho relevante para o sucesso das descobertas portuguesas nos séculos XV e XVI, trabalhando na áreas da matemática, de astronomia e de cartografia.
Judeus Sefarditas (Foto)
Nesse sentido, desenvolveram grandes instrumentos científicos.
Tomar e Coimbra são ainda cidades que apresentam alguns traços da arquitectura judaica do passado (como fontes).
Já em plena época de perseguição, deixaram marca na gastronomia, com a famosa alheira de Mirandela, a farinheira e outras ocultações gastronómicas.
Uma curiosidade sobre outro tipo de ocultação: os judeus de Belmonte que se diz estarem religiosamente autorizados a não serem circuncisados como forma de dissimulação da sua fé.
Mas deixaram também vestígios em costumes e crenças como, por exemplo, o temor de duas facas cruzadas (o símbolo da cruz).
13 – Muçulmanos 28.02.19)
A presença muçulmana em Portugal durou 500 anos, sendo assim natural que tenha deixado uma forte herança. Temos alguns bairros em Portugal que preservam o mesmo aspecto do tempo dos muçulmanos (como a Mouraria e Alfama), e a casa tradicional do Alentejo e Algarve (chaminés e açoteias) com o estilo muçulmano.
Na agricultura, o tanque, anorae os canais de rega foram invenções islâmicas. Trouxeram árvores/alimentos como o limoeiro, a laranjeira, abóbora, cenoura, arroz e a figueira. Também nos doces há intervenção muçulmana: arroz doce, aletria, açúcar. No nosso actual vocabulário, quase todas as palavras que começam por «Al» têm origem muçulmana.
Nora (Foto)
14 – Africanos (01.03.19)
Embora seja um pormenor desconhecido pela maioria dos portugueses, a zona do vale do Sado foi povoada por escravos negros.
É frequente atribuir-se ao Marquês de Pombal a iniciativa de promover a fixação de populações negras no vale do Rio Sado mas não é verdade. Existem registos paroquiais e do Santo Ofício que referem a existência de uma elevada percentagem de negros e de mestiços em épocas muito anteriores a Pombal. Segundo tais registos, já no séc. XVI havia pessoas de cor negra vivendo nas terras de Alcácer.
Mulatos (Foto)
No séc. XVI, muitos portugueses embarcavam nas naus, o que agravava ainda mais o défice demográfico existente. Terá também sido esta a razão por que, naquela época, os proprietários das férteis terras banhadas pelo Sado terão resolvido povoá-las com negros, comprados nos mercados de escravos; a outra razão por que optaram por negros foi a de essas pessoas já estarem de algum modo imunizadas contra as sezões (paludismo).
Os mulatos do Sado dos nossos dias são, portanto, descendentes desses antigos escravos negros.
15 – Ciganos (01.03.19)
Segundo alguns documentos, os ciganos estão em Portugal há cerca de 500 anos, tendo chegado à Europa vindos do Nordeste da Índia. Um movimento migratório feito através de longas caminhadas e que levou alguns grupos a ficar pelos países que estavam nas suas rotas de passagem. Esses movimentos originaram a apropriação de culturas e línguas diferentes, mas com raízes comuns. A história dos ciganos em Portugal nunca foi fácil.
Ciganos (Foto)
O primeiro grupo que chegou a Portugal em meados do século XV terá causado alguma estranheza devido ao facto de ser um povo com uma língua estranha e que se vestia de forma exótica, com hábitos e culturas diferentes. Factores que tanto atraem o interesse da sociedade como a afastam - antigamente e na actualidade.
16 – Franceses (01.03.19               )
Em 1199, D. Sancho I doa a Herdade da Açafa à Ordem do Templo. Este território era delimitado, de modo muito sumário, a norte pelo Rio Tejo e a sul detinha parte do território dos actuais concelhos de Nisa, Castelo de Vide e parte do território espanhol junto à actual fronteira.
Territórios Templários de Idanha e de Azafa (Mapa)
Estas doações tinham como objectivo fixar moradores em zonas ermas e despovoadas e consequentemente defender o território. Os Templários edificaram uma fortaleza que os defendesse dos infiéis e sinalizava a posse desses territórios.
Nisa (Foto)
Ao mesmo tempo, o monarca anuncia a vinda de colonos franceses que chegaram de forma faseada, sendo o último grupo destinado ao povoamento do território da Açafa. Instalaram-se junto das fortalezas construídas pelos monges guerreiros e aí ergueram habitações, fundaram aglomerados populacionais a que deram o nome das suas terras de origem. É neste sentido que surge possivelmente o de Nisa, ou seja, sendo os primeiros habitantes oriundos de Nice, ergueram aqui a sua “Nova Nice” ou, melhor dizendo, “Nisa a Nova” que encontramos nos documentos e quando surge o termo “Nisa a Velha”, este refere-se à sua antiga terra de origem, a Nice francesa.
17 – Cónios (01.03.19)
Os cónios (em francês – Occitano; piemontês – Coni; italiano – Cuneo; Latim - Conii) eram os habitantes das actuais regiões do Algarve e Baixo Alentejo em data anterior ao séc. VIII a.C., até serem integrados na Província Romana da Lusitânia. Inicialmente foram aliados dos Romanos quando estes últimos pretendiam dominar a Península Ibérica.
A origem étnica dos cónios permanece uma incógnita. Para os defensores das teorias linguísticas actualmente aceites, a origem comum na Anatólia ou no Cáucaso das línguas europeias e indianas, ou seja, línguas indo-europeias, os cónios teriam uma origem celta, proto-celta, ou pré-céltica ibérica. Estas teorias, relativamente recentes, foram facilmente aceites, principalmente por aqueles que registavam qualquer ligação dos europeus a África. Antes da teoria da origem caucasiana, muitos europeus julgavam-se descendentes de Jafé, conforme escrito na Bíblia, no livro de Génesis 10:5. Cronistas da antiguidade greco-romana, enumeram mais de 40 tribos ibéricas, entre elas a tribo cónia, como sendo a dos descendentes de Jafé, terceiro filho de Noé e pai dos europeus.

O mapa estilizado "T e O" (de Guntherus Ziner, de 1472) faz alusão à Europa como o lar dos descendentes de Jafé, a África sendo dos de Cam (segundo filho de Noé) e a Ásia dos descendentes de Sem (primogénito de Noé).

FIM
Adaptação de texto recebido por e-mail, Autor não identificado
Gentileza de António Benoliel de Carvalho

Imutabilidade



Uma análise que bate em cheio em facetas imutáveis das arrogâncias humanas, de pretensão intelectual – pelo menos nos seus inícios, da explosão das leituras da moda contestatária (agora mais comedida nesses trabalhos de busca intelectual árdua), mas que ontem como hoje são fruto de ódio compulsivo contra os que, mais ou menos pelo seu esforço, foram conquistando um lugar repudiado pelos filhos dessa burguesia a abater – ontem, visto que hoje, a igualdade se impõe, excepto para os que trepam a ocultas, dando lugar a um fedor diário de processos judiciais, mas isso não consta do excelente texto de Paulo Tunhas, todo ele sobre os extremismos e incongruências da nossa extrema-esquerda, alguma já favorecida pelos topos, com a bênção de todos, na incompreensão, é certo, de alguns, pela desconexão entre o ser e o parecer nos seus combates de ódio às classes, como no apoio a Maduro, justificativo de repúdio contra a USA capitalista.
Ao contrário, pois, do que afirmam os clássicos, com Camões à cabeça, os tempos nem as vontades não mudam assim, na pertinácia de uma aparente fraternidade, afinal redundando em “desprezo pela plebe”, na expressão de PT, plebe generalizada, de gente caminhando no medo e na fome, que não comove, contudo, a nossa extrema-esquerda tão sensível e altruísta.
O desprezo pela plebe /premium
OBSERVADOR, 28/2/2019
Face ao ditador Maduro, que empreendeu uma guerra contra o seu próprio povo, obrigando quase três milhões e meio de venezuelanos a abandonarem o país nos últimos anos, gente simpática como Dilma Rousseff, Gleisi Hoffmann, Francisco Louçã ou Joana Mortágua é tomada por um horror sagrado face ao imperialismo americano. Trump arranjará maneira, por um método qualquer, de pôr a mão na Venezuela e de impor um seu fantoche, tendencialmente sanguinário. Nada de surpreendente, é claro. Os velhos ódios, como os velhos amores, morrem dificilmente. Mas o facto de não ser surpreendente, muito exactamente, convida a alguma reflexão.
A facilidade em saltar para os hipotéticos males futuros, desvalorizando alegremente os reais males presentes, é ajudada por duas características salientes: a incapacidade de olhar os factos com um mínimo de desprendimento relativamente a um quadro teórico geral no qual cresceram e de que nunca se afastaram por um milímetro – e um profundo desprezo pela plebe. Estas duas características encontram-se, de resto, ligadas uma à outra.
Convém não esquecer que uma boa parte da esquerda (incluindo uma grossa fatia do PS) vive no interior de um mito. O mito generosamente garante sentido a tudo. Ou melhor, garante o sentido todo àquilo que permite pensar e, simultaneamente, cria uma fronteira intransponível entre o sentido e o sem-sentido, que pertence às trevas exteriores. O que é que o mito, genericamente, diz? Diz que há uma direcção bem determinada da história, na qual, sabendo-o ou não, caminhamos, e que essa direcção conduz ao socialismo e ao comunismo. Quem segue nessa direcção está no bom caminho, quem marcha em sentido contrário está no caminho errado. Não ver isto é laborar no sem-sentido, que só pode resultar de uma resistência voluntária ao sentido da história ou da pura e simples ignorância.
Toda a gente está a par desta doutrina, que outrora recebeu desenvolvimentos filosóficos apreciáveis, bem como elaborações de uma rusticidade extraordinária. O que se tende a ignorar é a que ponto ela continua a trabalhar os espíritos e a fornecer o mobiliário mental fundamental de gente que aparenta alguma sofisticação intelectual. O núcleo essencial do mito permanece intacto naquelas cabeças, aconteça o que acontecer, e se, por um instante ou outro, a crença se torna menos aparente, é para reaparecer logo a seguir, magicamente intacta e não menos poderosa. Não há desmentidos de qualquer espécie, empíricos ou teóricos, que a possam pôr em causa, como nada há que consiga tornar mais porosa a fronteira entre sentido e sem-sentido. Isso manifesta-se tanto nas mais gerais como nas mais ínfimas e ridículas questões. O mito perdura, eternamente fechado em si mesmo.
Percebe-se assim que Joana Mortágua ou Francisco Louçã, em artigos publicados no esquerda.net, não vejam o que qualquer pessoa que não viva no interior do mito vê com toda a nitidez possível. Por exemplo, que o regime “bolivariano” é um regime que, desde o primeiro momento (desde Chávez), estava condenado a tornar-se numa ditadura e que Guaidó, valha ele o que valer, representa efectivamente a voz possível de uma sociedade humilhada e miserável, submetida à crueldade de uma casta corrupta. Aí onde o ridículo e o grotesco anunciavam com razoável antecipação o horror, nada viam. O ridículo e o grotesco escaparam-lhes por inteiro, e tal colossal falta de sensibilidade diz muito daquelas cabeças. Certamente que agora se distanciam parcialmente de Maduro, que manifestamente não pode já encarnar o sentido da história. Maduro tornou-se incómodo, de mau gosto. Mas essa sensibilidade de superfície – que os distingue do PC, que tem a pele mais dura — não chega, é claro, para olhar a realidade de frente e medir o real sofrimento das pessoas. Cada milímetro de distância de Maduro é compensado com metros de repúdio dos Estados Unidos, finalmente os únicos efectivos fautores da desgraça dos venezualanos. Sempre foi assim. É um ritual que o mito ordena.
Mesmo assim… Como se pode ser tão imune à informação amplamente disponível sobre a miséria venezuelana? Bom, a imunidade à informação sobre o terror tem uma larga história e também aqui não se pode falar propriamente de novidade. Mas, sobretudo, é preciso ter em conta que o mito obriga a uma extraordinária selectividade no uso da compaixão. Se as criaturas humanas não encaixarem bem no esquema que o mito oferece, não gozarão sem dúvida da mesma piedade que merecem aquelas que nele encaixam. Formam uma plebe indistinta que não comove. Não se anda longe do desprezo.
É este desprezo, mais explícito ou mais implícito, que essencialmente fere. É o desprezo a que o mito obriga em relação a tudo o que escapa ao seu fechamento, a tudo o que não cabe no seu sentido. Aquela gente que foge da Venezuela ou que por lá se deixa morrer, pura e simplesmente não faz sentido. Joana Mortágua e Francisco Louçã preferem falar dos Estados Unidos e dos sinistros planos do Império. Conhecendo um pouco aquela maneira de pensar, faz todo o sentido: um sentido que tem uma triste e longa história.


Gratas surpresas


Gratas surpresas
Hoje, no nosso café da manhã, escrupulosamente seguido às quintas, tal como aos domingos, amigas que se revêem, de longa data, tão depressa assentes no dia-a-dia das coisas familiares, como no confronto com o passado de referências, ou no frisar de notícias dos tempos que correm, com a preocupação assente no pessimismo da idade. Mas de repente a minha irmã lembrou a alegria que sentiu ao ouvir na rádio a canção “Kiss of fire”, cujo título trazia escrito num papel, para eu procurar na internet, avessa que é às maçadas de trilhar ela própria os caminhos desse meio de aquisição extraordinário. Eu também me lembrava, entoámo-la as duas, a nossa amiga mais esquecida, porque mais virada para o “Ai quem me dera ter outra vez vinte anos”, com a voz que sempre admirei, de profundeza retorcida. Pude ouvir a canção, não só pela voz de Georgia Gibbs, mas por outras vozes, em traduções várias, e entre elas a de Ray Charles. Um festival. Por isso a transcrevo, com a letra fornecida pela Internet:
KISS OF FIRE
Georgia Gibbs - 1952
I touch your lips and all at once the sparks go flying
Those devil lips that know so well the art of lying
And though I see the danger, still the flame grows higher
I know I must surrender to your kiss of fire
Just like a torch, you set the soul within me burning
I must go on, I'm on this road of no returning
And though it burns me and it turns me into ashes
My whole world crashes without your kiss of fire
I can't resist you, what good is there in trying?
What good is there denying you're all that I desire?
Since first I kissed you my heart was yours completely
If I'm a slave, then it's a slave I want to be
Don't pity me, don't pity me (x2)
Give me your lips, the lips you only let me borrow
Love me tonight and let the devil take tomorrow
I know that I must have your kiss although it dooms me
Though it consumes me, the kiss of fire!
Mas outras mais coisas se passaram na tarde deste dia que me trouxe a recordação do belo tango e uma delas foi a leitura de uma crónica de Pavlo Klimki, Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, sobre o seu país cristão, ao contrário da Rússia ortodoxa, e que historia a longa caminhada independente do seu país, que exalta na sua cultura, justificando a sua aproximação à Europa ocidental. Um texto enriquecedor, quer do ponto de vista histórico, quer do ponto de vista da sua nobreza nacionalista independentista, que mereceu iracúndia em alguns comentadores, naturalmente dos favorecedores da coesão imperialista russa, mas provocou também comentários de seriedade crítica. Um texto de apelo à responsabilidade dos valores cristãos europeus, que comove pelo desejo de libertação do jugo russo. Um bravo! ao Observador por o ter publicado.

A Ucrânia e os valores cristãos da Europa
PAVLO KLIMKIN, Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia
OBSERVADOR,  28/2/2019
Na Rússia ortodoxa nunca houve liberdade, democracia, abertura, nem tolerância como valores. Portanto, a Rússia não pertence à civilização da Europa, apesar de todas as semelhanças externas.
Em janeiro de 2019, a Ucrânia viveu um acontecimento histórico: a Igreja Ortodoxa da Ucrânia recebeu o Tomo de Autocefalia de Constantinopla e pôde renovar a sua igreja independente canónica, da qual foi desprovida por mais de 300 anos.
A Ucrânia é essencialmente um país cristão. Em 988 d.C, o Príncipe de Kyiv, Volodymyr, baptizou todos os habitantes de Kyiv no Rio Potchayna, trazendo-os para a luz da fé cristã. O baptismo iniciou a verdadeira vida da nossa nação e do nosso país. Como cristão fiel, estou convencido de que a adopção do cristianismo, antes de mais, trouxe a salvação ao nosso povo, mas a acção de Volodymyr, além de uma escolha de fé, foi a escolha de um caminho histórico, civilizacional, de valores morais e culturais, ou seja, de tudo o que realmente forma uma nação.
A introdução da fé num único Deus na Rus´, como era chamada a Ucrânia naquela época, uniu as tribos eslavas orientais e reafirmou a autoridade do Príncipe de Kyiv. Cerca de meio século depois, durante o principado do seu filho, Yaroslav, o Sábio, a Rus´ tinha um território mais alargado e tornou-se um dos novos estados mais desenvolvidos na Europa. Juntamente com a religião, a Rus´ foi enriquecida pela educação, pela arte e pela cultura de Bizâncio. Kyiv era um centro espiritual e cultural poderoso e influente, logo, em todo o país, construíam-se igrejas, escolas e novas cidades. O apogeu e o poder da então Rus´ de Kyiv continua a ser hoje uma base da nossa consciência estatal e orgulho nacional. A nossa adesão ao mundo cristão representa, ao mesmo tempo, um envolvimento significativo na civilização europeia. Podemos dizer que o primeiro passo rumo a uma família europeia, unida por valores cristãos comuns, foi feito justamente na altura do baptismo, em 988 d.C. Este passo determinou para sempre a essência europeia e o destino europeu da Ucrânia.
A Europa pré-cristã deu à humanidade os ideais da liberdade individual, da democracia grega e da república romana, e o cristianismo deu a determinação fundamental do amor (humanismo). A combinação da liberdade-democracia com o amor-humanismo forma a essência civilizacional da Europa, na qual se baseiam hoje todos os seus valores e princípios. Desta perspectiva, os ucranianos são pronunciadamente uma nação europeia, uma vez que a moralidade cristã e a busca da liberdade se tornaram, há muito, elementos fundamentais da nossa mentalidade.
A Ucrânia-Rus’ não só recebeu benefícios do cristianismo, mas também deu muito à Igreja de Cristo, à Europa e ao mundo inteiro. Após o baptismo de Kyiv, o cristianismo começou a espalhar-se pelas restantes tribos eslavas orientais, a norte e a leste da Rus’ de Kyiv, onde, após alguns séculos, surgiram as atuais Bielorrússia e Rússia. Por fim, a religião cristã espalhou-se pelo vasto território dos Cárpatos a Kamchatka. Concordem, sem isso, o mundo moderno seria completamente diferente.
Foi também a Rus’ de Kyiv, na fronteira da Europa Oriental, que enfrentou, em meados do século XIII, a horda tártaro-mongol, defendendo a Europa da invasão asiática. Mais tarde, os cossacos de Zaporizhzhya foram participantes activos na defesa da Europa e do cristianismo face à invasão do Império Otomano. Recordem-se, pelo menos, as batalhas de Khotyn (1621) e de Viena (1683) que salvaram a Europa Central da escravidão.
Hoje, os cossacos são muitas vezes considerados um fenómeno russo, selvagem e exótico, com um quê de pasquim romântico. Porém, foram os cossacos ucranianos que criaram a primeira república militar na nova Europa com uma liderança democraticamente eleita e proclamaram a fé cristã. Em 1054, depois da divisão entre católicos e ortodoxos, foi também na Ucrânia que se deu a reconciliação entre as duas denominações, com a instauração da Igreja Grego-Católica. Apesar disso, a Europa sabe pouco sobre esta contribuição da Ucrânia para a história da civilização europeia.
Actualmente, em termos de diversidade religiosa, a Ucrânia é um espaço único, reunindo praticamente todas as religiões da Europa Central num só país, as quais operam em paz e diálogo amigável. A tolerância, solidariedade e abertura dos ucranianos é um reflexo da Europa, dos seus valores fundamentais, dos quais nos podemos orgulhar e os quais devemos proteger.
Note-se que a situação religiosa na Ucrânia tem ainda outra característica — esta pós-traumática. A ideologia soviética agressivamente ateísta, esmagou a igreja em todos os sentidos, milhares de padres foram mortos durante a repressão stalinista e a Igreja foi, em geral, proibida. Assim, o renascimento da religião e da liberdade de religião, na consciência do nosso povo, estão intrinsecamente ligados à luta contra o totalitarismo comunista, à democracia e a todos os valores europeus.
A actual Ucrânia é, em grande parte, um país neófito. E a fé dos neófitos é muito mais sincera e apaixonada. Atrevo-me a dizer que, neste momento, o coração apaixonado da Europa bate na Ucrânia. Hoje, a velha Europa atravessa uma crise moral, duvida de si mesma e os seus habitantes já não estão preparados para proteger os valores europeus, se necessário. Os ucranianos não só estão prontos, como são os únicos que estão a defendê-los com armas em punho no campo de batalha. Parece claro que a Rússia de Putin está a travar uma guerra não só contra a Ucrânia, mas também contra a Europa e todo o mundo ocidental, e que esse conflito tem um caráter civilizacional.
Na Rússia ortodoxa nunca houve liberdade, democracia, abertura, nem tolerância como valores. Portanto, a Rússia não pertence à civilização da Europa, apesar de todas as semelhanças externas. A falta de liberdade distorce o princípio do amor cristão, muitas vezes transformando-o em ódio em nome da Ortodoxia e do Império Russo. Infelizmente, as diferenças civilizacionais são extrapoladas para a vida religiosa na Ucrânia e, paradoxalmente, com total harmonia inter-religiosa e interconfessional, temos uma divisão dentro da própria fé ortodoxa. A nossa Ortodoxia hoje é dividida entre uma Igreja Ortodoxa Autocéfala da Ucrânia, independente da Rússia, e a Igreja Ortodoxa Russa, que opera no nosso país sob o controlo directo de Moscovo.
Mas o principal é que esta divisão não é de religiosa por natureza, já que os dogmas e cânones das duas igrejas são quase idênticos. Trata-se, sim, do desejo da Rússia de manter o controlo sobre a Ucrânia, sua antiga colónia, a todo custo e por qualquer meio. Talvez seja difícil para os católicos entenderem esta questão, já que podem estar absolutamente certos de que o pontífice não cumpre ordens do presidente da Itália. Com a Igreja Ortodoxa Russa acontece exactamente o oposto: há muito que a igreja está firmemente ligada ao aparato estatal russo, e é hoje um líder activo do conceito imperialista-chauvinista chamado “mundo russo”.
Estou convencido de que a autocefalia, que segue plenamente a tradição ortodoxa (onde praticamente cada país tem a sua Igreja), abriu caminho para unir todos os ortodoxos ucranianos numa mesma família. Estou igualmente convicto da necessidade de reunir os povos da Europa em torno dos seus valores – cristãos e democráticos, que por mais de mil anos determinaram o sucesso da Europa e de toda a civilização ocidental. Hoje assistimos a uma operação especial em grande escala para a sua destruição. O nosso dever comum é protegê-los.
COMENTÁRIOS
Diego Maradona: Como é que deixam estes criminosos escrever artigos de opinião?
Chronos: Valeu a pena viver para assistir ao diálogo entre Milhazes e heterónimo.
José Milhazes: Uma opinião onde se deforma a história e escrita com vista a salvar o actual regime corrupto nas próximas eleições de Março. E, depois de Putin, mais um salvador da Europa. A Ucrânia está a perder mais uma oportunidade de se tornar num país moderno. E mais nada digo.
José Silva > José Milhazes: a leste sempre se fecharam os olhos, desde que se mantivesse a Rússia em problemas. Nada de novo, e sabe que mais ? o que aconteceu na Ucrânia, foi um template já usado noutros lados, quando não se espera que os regimes caiam por si mesmos ... crimes. Há bem pouco tempo um herói dos anos 80, quase 90 foi indiciado. Não passou nas noticias por cá ... pudera! Diga-nos se lhe traz algumas lembranças com o que aconteceu em 2014.
Luis Felipe Trotta: "Valores europeus e cristãos" - resta saber quais valores são esses. Fala-se em amor cristão, mas os homossexuais são perseguidos na Ucrânia e não têm direito a casar e a construírem uma família…
William Smith > Luis Felipe Trotta: Vê lá com o que é que tu te vais preocupar! Vocês realmente são diferentes das pessoas normais.
maria costa > Luis Felipe Trotta:  Amor cristão é agapé e não eros! O grego tem a diferença, o latim e o português não, mas saber isso é fundamental. Quanto aos homossexuais: a homossexualidade masculina é biblicamente abominação; a feminina não é mencionada. Daí que a homossexualidade seja tida como imprópria -e só acredita quem quer. Perseguidos ou contidos? É que alguns homossexuais desvairados querem que todos sejam homossexuais. Outros respeitam a vida dos outros de modo a, naturalmente, serem respeitados. Será que está a confundir Rússia com Ucrânia?
João João: Li o artigo. Mas se está à procura dessa democracia na Europa, prepare-se para receber uns milhões de migrantes do médio oriente e África.
Maria Machado: Uma religião baseada em algumas coisas da Bíblia dizendo que crê em Jesus Cristo, não é Cristianismo. Tal como o catolicismo romano faz, apodera-se do Evangelho em benefício próprio para obter poder e riquezas. A religião é uma praga que apenas afasta as pessoas do Senhor Jesus com os seus falsos credos, falsas teologias e filosofias vãs e enganosas que não se fundamentam em Cristo; muda a aparência das pessoas mas não muda o seu íntimo e é devido a isto que está escrito na Bíblia, várias vezes, que o Senhor conhece os corações das pessoas e não dá importância alguma à aparência delas.
Fly Man: Caro senhor Li atentamente o seu artigo e... tenho dificuldade em reconhecer na Europa (e no ocidente em geral) os tais valores cristãos de que fala. Pode até acontecer que venha do Leste a renovação de que o Ocidente tanto precisa. Mas, podendo ser pessimista, desconfio que a doença que nos atingiu está já demasiado funda para ser curável. Receio que a Europa de Leste se tenha de bastar a si mesma.