E o farnel da poupança fascista nas
tortuosidades políticas dos secretismos decisivos, um Agostinho Lourenço valioso, e
outros contos. Salles da Fonseca traduz.
HENRIQUE SALLES DA
FONSECA A BEM DA
NAÇÃO, 24.05.20
Comecemos pelo
princípio…
…
quando um correspondente – cuja identidade não estou proibido nem expressamente
autorizado a revelar – me pediu ajuda na identificação de um tal «Jimmy» na
fotografia de Salazar e Franco em Sevilha aquando do encontro secreto de 1942. (falta
incluir fotografia do Google Drive)
Da
esquerda para a direita: Serrano
Súñer, «o homem do bigode», Franco, Doutor Salazar, Embaixador Pedro Theotónio
Pereira
Perguntava
ele se «este Jimmy seria um homem de mão do Wild Bill Donovan (CIA)»
À
pergunta do meu correspondente sobre o Wild Bill Donovan respondi como segue:
«Caro
Dr. (…)
No
encontro de Sevilha, custa-me muito a crer que na reunião só tenham estado
Salazar, Franco e Suñer. Não acredito minimamente que o nosso Embaixador Pedro
Theotónio Pereira tenha ficado
do lado de fora da porta como um lacaio. Esteve seguramente lá dentro e só ele
poderá ter dado aos nossos Arquivos Diplomáticos tanta da informação constante
do texto que publiquei.
Como se depreende da descrição do encontro, tudo se resolveu com o
Doutor Salazar a garantir a Franco que o embargo se aligeiraria e que os
abastecimentos a Espanha não corriam risco. Ou seja, o Doutor Salazar falou em nome de terceiros, os Aliados.Estou,
pois, em crer que na pacata Lisboa ninguém saberia do encontro secreto em
Sevilha mas os Aliados saberiam tudo e talvez tenham mesmo mandatado o Doutor
Salazar para falar em nome deles. Se esta minha presunção estiver minimamente
correcta, acho plenamente plausível que da comitiva do Doutor Salazar pudesse
participar alguém com sotaque inglês-americano. E, relativamente à foto,
seria totalmente improvável que alguém
não autorizado nela pudesse figurar. Neste tipo de circunstâncias, os
espontâneos não são tolerados. Quanto à identificação de Jimmy, nada
posso adiantar para além de poder admitir que seja um dos figurantes na foto.
Não posso identificar porque estou amblíope e porque, mesmo que visse
claramente, não tenho qualquer referência fisionómica desse personagem. Pode
(ou não) ser um desses figurantes. Melhores
cumprimentos,
Henrique Salles da Fonseca
Passado um ou dois dias, o meu correspondente escreve: Consegui resolver a charada, é o homem do bigode – e
faz-me chegar em inglês o que a Wikipédia diz de Agostinho Lourenço,
«o homem do bigode» e cuja
tradução para português é da minha responsabilidade:
Agostinho Lourenço da
Conceição Pereira (5 de
Setembro de 1886 - 2 de Agosto de 1964) foi um militar português mais conhecido
por fundar e dirigir a Polícia Política Portuguesa sob o
Estado Novo.
Integrou
a Força Expedicionária Portuguesa - por sua vez enquadrada no Sector Britânico
- na Primeira Guerra Mundial. Durante o Consulado de Sidónio Paes, foi
Governador Civil de Leiria (greves operárias na Marinha Grande?[i]).
Mais
tarde, foi agraciado com o grau de Comandante da Ordem da Rainha Victória por
serviços prestados ao futuro Eduardo VIII, na época Príncipe de Gales, quando o
Príncipe visitou Lisboa em 1931. Em
1933, nos primeiros tempos do regime de Salazar, Agostinho
Lourenço fundou a PVDE, a
polícia de segurança e imigração de Portugal. Segundo o professor Douglas Wheeler, analista da
carreira de Lourenço, sugere fortemente que a influência dos
Serviços de Inteligência Britânicos teve um impacto decisivo na estrutura e na
actividade da PVDE".Lourenço
ganhou reputação junto de observadores britânicos, registada num documento
confidencial produzido na Embaixada Britânica em Lisboa, que sugere uma opção "pró-britânica"
da sua parte.
Agostinho Lourenço sempre
manteve um bom relacionamento com o MI6, o que lhe permitiu, já reformado do
Estado Português, tornar-se Presidente da Interpol de 1956 a 1961.
Faleceu
em Lisboa em 1964, um mês antes de perfazer 78 anos.
Mais
fez o meu correspondente chegar-me o texto da VISÃO referido na Bibliografia cuja leitura recomendo
vivamente e de que retiro duas informações que chamaram a minha atenção:
No Consulado de
Sidónio Paes, foi Agostinho Lourenço que organizou a Polícia Preventiva;
Agostinho
Lourtenço esteve desaparecido de 1918 a 1933.
(continua) Henrique Salles da Fonseca
BIBLIOGRAFIA: Wikipédia –
Agostinho Lourenço
Ana
Margarida de Carvalho - «O ANJO NEGRO DE SALAZAR» - “VISÃO” – 2016-07-17
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