De “cultura” que o Dr. Salles nos transmitiu, p.e. f. de Alexandre Bettencourt, e só nos cabe admitir
que Álvaro
de Campos, o seu autor, foi uma figura chave na demonstração dessa definição:
“Cultura é o efeito da civilização sobre a
sensibilidade” resultante, não só da sua muita leitura, que não se
circunscreveu à em língua portuguesa, mas ao eco dessa leitura sobre a sua
sensibilidade de extraordinários matizes criativos. Já Camões nos favoreceu com
a sua reivindicação de “honesto estudo
com longa experiência misturado” presente na sua vasta obra criativa. Mas eu
admiro todos aqueles que foram forjando a sua personalidade através dessa faceta
da leitura, mesmo sem a tal capacidade criativa, e só desejaria que muitos mais
houvesse de leitores no nosso país, não no propósito demonstrador de engenho
especificamente criativo, mas favorecedor de um estar no mundo segundo modelos
de uma moralidade mais sã, que os livros também ajudam a formar – pese embora
os de intenções deformadoras de alguns deles, que as muitas leituras também
ajudam a distinguir, assim escusando tanta da alarvidade presente em
seguidismos falsamente ideológicos, porque dependentes da alacridade das modas,
de sensibilidades – eu diria sensibilites
– cada vez mais aparatosamente difundidas… O certo é que hoje vivemos sob a
égide da tal cultura “woke” e é essa que conta nos nossos tempos de desprezo
dos feitos e ideologias passados, de que, contudo, algumas figuras cultas dos
nossos dias vão tentando ainda manter a chama heróica para extinção do aborto…
"A
cultura é o efeito da civilização sobre a sensibilidade. É preciso não
confundir a cultura com as causas que a produzem: ler muitos livros pode levar
à cultura, mas ter lido muitos livros não é ser culto, é só ter lido muitos
livros. É assim com certos elementos da cultura. Há viajantes que andam
milhares de milhas, mas nunca saíram de casa porque nunca saíram de si. Há
outros que fizeram só uma viagem aos arredores da vila de onde nunca se
afastaram mais, e trazem nas mãos, ao voltar para casa, flores, novidades e
duas ou três metafísicas." - Álvaro de Campos
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