Sim, eram bem diferentes as propostas do “25 de Abril”. Tratava-se aí,
de um radicalismo na mudança, que apenas pretendia, pelo menos aparentemente,
pontapear todo um passado salazarista, em pretextos vários que não interessa
mais evocar. Hoje. a coisa é mais pessoal, talvez, visto o apreço que sobressai de uma conquista governativa eficiente. No fundo,
no fundo, os interesses são os mesmos, quer então, quer agora – a eficiência das
espórtulas para os governantes e aderentes, resultantes da governação que
pretenderam e continuam a pretender… Mas, tudo isto é mesquinho. Ficará sempre,
sim, o texto de uma ironia tão sagaz, de JNP. Só isso conta. O resto, trai a
sordidez do costume, que já custa enfrentar.
Uma escolha política
O duelo político, com a tragédia dos anti-fascistas tremendo perante o Dies Irae venturiano, quer agora
transformar-se na escolha aparentemente apolítica do candidato com o perfil
mais presidenciável.
JAIME NOGUEIRA PINTO Colunista do Observador
OBSERVADOR, 31 jan. 2026, 00:1849
No Domingo, 8 de Fevereiro, a
escolha, agora pintalgada como meramente protocolar, não-ideológica e “moral”,
vai ser particularmente consequente e política.
E Ventura, que há meia dúzia de
anos surgiu como “o Perturbador”
daquilo a que começou logo por chamar “o sistema”, está no centro da escolha e
da perturbação, gerando uma coligação negativa, cuja amplitude seria então
difícil de imaginar.
Ora esta polarização não se passa só em Portugal. Depois do fim da União Soviética e do
sonho globalista do comunismo, veio um globalismo
plutocrático alternativo
e, com ele, a deslocalização
e desindustrialização
de muitos países da Euro-América. Na Europa, esse
globalismo tomou a forma de federalismo europeu, um federalismo ideológico e
económico impulsionado a partir de Bruxelas e da Comissão Europeia.
Estes movimentos
globalistas, a par da imigração, ao irem contra as nações e as identidades e ao causarem um empobrecimento relativo
das comunidades atingidas, levantaram fortes reacções populares a que os
partidos do chamado Centrão, da esquerda socialista e social-democrata à
direita social-democrata e democrata-cristã, não foram capazes de responder,
gerando muitos “deixados para trás”. Daí vieram as novas forças
políticas nacionalistas, populares e nacionais-conservadoras que, na Europa e
nas Américas, apareceram como uma “nova direita” essencialmente
nascida do voto popular, em democracia e pela democracia.
Em Portugal, as condições especiais geradas pelo 25 de Abril, que trouxe
uma situação de pré-revolução comunista década e meia antes do fim do comunismo
na Rússia e na Europa Oriental, pesaram muito para que se mantivesse um regime
governado pelo Centrão, com tutela cultural esquerdista.
Quando André Ventura e o Chega
apareceram, ainda que centrados numa dialéctica anti-sistema e num discurso
tribunício e populista, com uma natural nota de generalização e de excesso, foram-se
afirmando casuisticamente valores de orientação esquecidos ou negligenciados:
a nação, a família, o trabalho, a
identidade, o controlo da imigração.
Por ironia do destino, António José Seguro,
que havia de correr contra ele, era
alguém por quem a esquerda do Partido Socialista e a Extrema-Esquerda não
morriam de amores. E por quem
a Direita tinha até alguma simpatia, pela moderação, pelos maus-tratos sofridos
às mãos de camaradas, pela honestidade pessoal.
No entanto, com esta nova moda estalinista do voto público ou de braço
no ar, não deixa de ser desconcertante ver todo o “arco da governação”, de
Cavaco Silva a Catarina Martins, a convergir em Seguro contra Ventura, no que aparenta ser a prova, não apenas de
uma persistente necessidade de sinalização de virtude, mas da existência real
de um “sistema” que, até aqui, muitos viam só como uma inexistência populista
esgrimida por Ventura e pelo Chega.
Mas parece que não é nada disso. Parece que não se trata da súbita união
de um qualquer “sistema” em luta pela sobrevivência; trata-se,
isso sim, de uma abrangente cruzada para “salvar a democracia”. Vamos
ver como:
Da luta existencial ao manual de boas
maneiras
Primeiro, era unânime que a luta
se faria contra o perigoso fascista-nazi-racista
André Ventura; agora,
ainda que alguns “democratas” devotos da falecida União Soviética ou do Grande
Timoneiro chinês persistam na táctica, a estratégia é outra: Seguro é bem-educado, manso, moderado, de fino trato,
previsível e presidenciável; Ventura não tem maneiras nem gravitas para o cargo
– é mal-educado, brutal, impetuoso e quer agitar as águas e fazer coisas.
E, bruscamente, da salvação do mundo
e da democracia em solo pátrio, passou-se ao protocolo do MNE, ao manual de
boas maneiras, à arte de saber estar; dos anti-fascistas, passámos aos liberais
chiques; dos Direitos do Homem em perigo ao horror perante a etiqueta
atropelada. Ventura
deixou de encarnar Hitler, Mussolini, Franco e Salazar para vestir a pele de um
Zé Povinho sempre a fazer manguitos que não sabe estar entre os grandes, de um
grunho que promete deixar mal o Estado português “lá fora”, em Bruxelas, no
Buckingham Palace, no Eliseu, onde seja.
Ora esta nova estratégia
oferece-nos um tipo de entretenimento inédito: o
espectáculo do choque, do escândalo, do alarme e da preocupação dos revolucionários de ontem e dos activistas de hoje, dos
herdeiros dos sans-cullotes de Paris e do Proletariado de todo o
mundo, perante a falta de moderação, de decência, de decoro e de pose
institucional de Ventura, a quem
parecem exigir a bonomia discreta e cinzenta de político do antigo regime que
vêem (e apreciam) no outro candidato…
Mas então e o povo, os trabalhadores,
tão queridos à Esquerda, e que fazem muito do eleitorado de Ventura?
poder-se-ia perguntar. Qual
povo, se o candidato da Direita é apoiado, não por formidáveis trabalhadores em
luta ou por operários fabris progressistas, mas por deploráveis “eleitores de
baixa escolaridade”, reaccionários, equivocados e febris? Responder-nos-iam.
Enfim, pouco importa, porque a campanha existencial, o duelo político, ideológico,
com a tragédia dos anti-fascistas tremendo perante o Dies Irae venturiano,
quer agora transformar-se (até para conquistar o centro e a direita que não
saiba resistir à pressão) na escolha aparentemente apolítica, não-ideológica,
do candidato com o perfil cívico, “moral” e até “cristão” mais presidenciável;
daí o apelo transversal à civilidade, à “humanidade”, em nome da preservação da
decência democrática.
Uma escolha política
Convém, no entanto, não esquecer
que, ao contrário do que possamos ser levados a pensar, o que vamos ter no dia 8 não
é um concurso de misses, mas uma escolha política –
ainda que alguns a reduzam à
“escolha fácil” entre um candidato que grita e um outro que não grita.
Acontece que o candidato que não grita é
socialista…
mas, lá está, não grita, e é simpático, cordato, educado, decente,
pacato,
razões mais do que suficientes para ser apoiado por todos os vultos do regime –
da direita consentida, que corre feliz para os braços temporária e
interesseiramente abertos da Esquerda, à extrema-esquerda, subitamente
institucional. Todos juntos em morna, medrosa, “civilizada” e
moderada unanimidade para defender, não o bem-comum, não o país do
presente e do futuro, não o povo, mas a velha “pluralidade democrática”
instituída em que vivem e da qual vivem.
Esta pressão das elites
políticas unidas contra um candidato que, cada vez mais, se vai consolidando como o único candidato alternativo
junto dos “deixados para trás”, pode bem ser a prova viva de que “o sistema”,
afinal, existe.
A SEXTA COLUNA HISTÓRIA CULTURA ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS ELEIÇÕES POLÍTICA PRESIDENCIAIS 2026
COMENTÁRIOS (de 49)
Alexandra Ferraz: Graças a Deus que
ainda há quem seja contra a corrente 🙌🙌 O que vemos são as
'elites' todas juntas a correr para o precipício sem se dar conta... Que bicho
lhes mordeu? Pensando bem até talvez seja a melhor solução para se acabar
de vez com este sistema rançoso com 50 anos, em fim de prazo de validade. Não
há mal que sempre dure e isto é o princípio dum fim anunciado. Depois do dia 8
nada será como dantes. Vamos ter fé 🙏! Que venha a mudança !!! 💪🤞 Obrigada Jaime
Nogueira Pinto pela sua qualidade no meio de tanto bicho careta que polui a
nossa política e que também já enxameiam este jornal que eu ainda assino,
e só, por causa de alguns poucos resistentes onde o incluo. Bem haja!!! José B
Dias: E existe
... Carlos
Almeida: Excelente. Faltou só os
“atrasados mentais”… Jorge
Carvalho: Bravo JNP pela denúncia corajosa das aleivosas e
ridículas criaturas não socialistas que oportunisticamente para defesa dos seus
interesses vão votar socialista para defesa de suas benesses e conezias. Este
espaço manicomial em síndrome neurótico de pânico tem os dias contados. João
Floriano: Nunca tive dúvida que o sistema sempre existiu e
está mais activo do que nunca. Também nunca duvidei que estamos perante uma
escolha política que vai abrir as portas novamente ao socialismo. Também nunca
coloquei em causa o facto de esta corrida a apoiar Seguro e sobretudo a
revelar o sentido do voto (uma obrigação que a não ser cumprida poderá
acarretar dissabores a quem não o fizer), é um verdadeiro tiro no pé que
condiciona e muito a campanha que o PSD/AD poderá vir de ter a fazer num
futuro que agora se afigura bem mais próximo. Se apoiaram Seguro a 8 de
fevereiro de 2026, então o que os distingue do PS? A margem de manobra e a
credibilidade ficam bastante mais condicionados, sobretudo se Seguro for
de facto o Presidente Miss Simpatia que aparenta ser, todo abracinhos, todo
sorrisos, todo mesuras, mas na verdade um inútil nos tempos conturbados que
estamos a viver.
Ana Luís da Silva: Excelente artigo de Jaime Nogueira Pinto, com
uma observação desassombrada, simples e reveladora, ao nível do estrondo
do rei vai nu: “O sistema afinal existe”! Ou seja, perante a
ameaça de a democracia através do voto livre e secreto beneficiar alguém fora
dele, “os sistémicos” ligaram o botão do “pânico” e reagiram da maneira que se
permitiram a si mesmos: ostracizando André Ventura e sinalizando a própria
virtude! GateKeeper: Top 05. Caro JNP, para
quando um livro com todos os seus artigos na Crítica XXI e no Observador? José Costa-Deitado: Excelente desmontagem
da última farsa do regime: depois de anos a chamar tudo e mais alguma coisa a André Ventura — fascista, nazi, racista,
antidemocrata — sobra agora um argumento único, pobre e revelador: não tem boas maneiras. Subitamente, a
salvação da democracia deixou de ser política e passou a ser etiqueta. Do antifascismo
militante ao bom-tom institucional. O critério supremo resume-se a
isto: António José Seguro é “bem-educado”. Como se o país estivesse a escolher um
mestre-de-cerimónias para Bruxelas ou um convidado exemplar para um jantar de
gala — e não um Presidente da República. O mais interessante? Esta
súbita unanimidade “civilizada” diz muito menos sobre Ventura… e tudo sobre
o sistema que se sente ameaçado. João
Santos: Neste artigo, tal como no anterior, Nogueira
Pinto demonstra com a clareza que só um tonto não entende, que qualquer eleitor
que se enquadre numa das Direitas pode e deve optar por Ventura: Nuns casos,
esse voto será convicto; Noutros casos, poderá classificar-se como voto útil; Noutros
ainda, será uma escolha meramente instrumental. Em qualquer das situações,
todos, todos, todos (sejam tradicionais apoiantes ou votantes do CDS ou do PSD
ou novos eleitores do Chega e da IL) podem ficar com a consciência tranquila
de não ter contribuído para o regresso dos socialistas à área do poder. Depois
de dia 8 não adiantará chorar por leite derramado e o mal estará feito, com um
PR que à partida quase ninguém queria, mas com legitimidade e força de
intervenção política sem paralelo numa 1.ª volta... Manuel
Magalhaes: É verdade Jaime, o Sistema existe de facto, é o
sistema da mediocridade e onde os tais 250 “inteligentes” não passam de
idiotas úteis… Paradigmas Há Muitos! Duas notas. Os
eleitores do Chega não são só os "deixados para trás", são também os
que materialmente não precisam da política e que podem votar segundo a sua consciência.
E não são só os iletrados, são também os híper-letrados que sabem o suficiente
para não se deixarem enganar por uns bem falantes do centrão, inclinados à
esquerda. E por isso esses eleitores sabem que o PS mais a geringonça destruiu
em 8 anos Portugal, o tal país da elevada coesão social, provavelmente para
sempre. Oito séculos de História para o lixo, mães nas maternidades com alta %
de não nativos, escolas com mais estrangeiros que nacionais, ruas do Bem
Formoso, montes de imigrantes pelas esquinas, lojecas asiáticas sem negócio por
todo o lado, pedidos para construção de mesquitas sob a ameaça de se não
forem autorizadas a oração será feita na rua e/ou haverá radicalização.
Esses eleitores sabem que Portugal lhes está a ser roubado e que os seus
antepassados nunca teriam aceite isso. Culpados foram também os políticos do
PSD que aceitaram a imposição "moral" da esquerda sobre a imigração
irracional e não a combateram como sendo uma ameaça existencial para Portugal. O
que resta a estes cidadãos? Votar nos políticos que com extrema coragem
alertaram para o perigo e assumiram combatê-lo e desprezar todos os outros, os
que foram ignorantes e/ou cobardes no mínimo e cúmplices e/ou traidores à nação
no máximo. E por isso, para estes cidadãos a revolta que sentem leva-os a
decidir e em toda a convicção, os políticos do "sistema" que se
lixem. Miguel
Seabra: Brilhante crónica de JNP no seu melhor! a Sandra
Felgueiras (ontem na CNN) até fez um penteado novo para tentar humilhar o
grunho AV com uma lista de perguntas num papel que não eram mais do que uma
lista de insultos. E o André com grande educação respondeu a tudo e nem lhe
perguntou se a mãe dela ainda estava fugida no Brasil. SDC Cruz: Caro Jaime Nogueira
Pinto, a sua crónica é de uma lucidez estonteante. A escolha política está
feita: "todos os democratas" do arco da governação estão contra
Ventura! Porque será? Excelente, JNP. Carlos
Chaves > drumond freitas: bancarroteiro e
destruidor da nossa matriz Judaico-Cristã, é melhor! E depois comparar a
situação política em Portugal com a situação política nos EUA só pode ser
brincadeira, certo? Cada voto em Seguro é um voto na perpetuação da miséria!
Não chegam 52 anos? Carlos
Chaves: Só o facto de ver os falsos que se diziam de direita e
que combatiam o socialismo, como Cavaco Silva e Paulo Portas, unidos com a
extrema-esquerda do PS, do PCP, do Livre, e do BE, é razão suficiente para
votar em quem eles dizem ser um papão! Quem é que se julga esta gente? Sem
vergonha são com certeza, democratas não são, são exactamente aquilo de que
acusam o candidato que querem eliminar! E claro que sim, caro Jaime Nogueira
Pinto, este ajuntamento de conveniência, é a prova provada de que o sistema existe
e temos que rebentar com ele. Quando temos um ex-PM e um ex-Presidente da
República a mentir em directo... Não precisamos de grandes exercícios
intelectuais para constatarmos o engodo em que temos vivido! Maria Emília
Santos: Artigo espetacular! Devia ser lido e meditado
por todos os portugueses antes das eleições! O voto deixou de ser secreto e
portanto, democrático, para passar a ser de braço no ar, à Hitler! Mas são as
elites que formam estes grupos apoiantes para elegerem a "misse" no
próximo dia 8. Os "deixados para trás", que levantem as mãos ao
céu, por ter surgido, nesta triste democracia, um político que grita para os
defender! As elites unem-se, sejam de direita ou de esquerda, porque se estão
nas tintas para os mais necessitados! Querem que fique tudo na mesma! O
importante é a aparência! Verem-se ao espelho e terem boa aparência, mesmo que
seja cobertos de botox! Os deserdados da sorte de Ventura, esses que se
tramem! O grupo dos "católicos por Seguro" devem-se ter
esquecido dos mandamentos da lei de Deus! nuno alves: Obrigado pelo seu artigo. Carlos F. Marques: Excelente. João
Floriano > Ana Luís da Silva: Nunca tive dúvidas de que o sistema existe. Alvaro Castro: Excelente análise ! Rosa
Silvestre: Diz
muito de um país em que o argumento mais forte para eleger um presidente da
república é o da boa educação... Mario
Figueiredo: São
extraordinárias as voltas que se dão para tentar explicar o não-voto em André
Ventura da forma mais desonesta e implicadora possível. O não-voto em André
Ventura só pode ser entendido como uma reacção do sistema ou das forças do
socialismo. É uma espécie de revolução ao contrário: em que o grande
revolucionário é o Chega e os reaccionários são o sistema, as elites e o
socialismo. (Isto é Populismo na sua forma mais destilada. Confesso ter tido
momentos nos últimos dois anos em que me fascino por estar a assistir ao vivo,
algo que até há poucos anos eu só lia em livros de história ou ciência
política.) A desonestidade na análise é tal, que nem por um momento que
seja Jaime Nogueira Pinto pretende se debruçar sobre os muitos outros problemas
apontados ao pensamento e acção politica de André Ventura, que o colocam não
somente como uma figura polarizadora da sociedade e politica nacional
(por si só, capazes de gerar apoios contrários), mas também levam muitos
portugueses a questionar a sua moralidade e ética; elementos essenciais na
apreciação de um politico. Nada disso interessa sequer ser avaliado. O não-voto
em Ventura é, isso sim, um movimento reaccionário das elites. Eu sei que não
parece, mas estamos mesmo a falar do Chega, não do PCP. E estamos a falar de
Portugal e não de um movimento reaccionário em Cuba. João
Floriano > Manuel Gonçalves: Não encontro no programa do CHEGA artigos
sobre a saída da UE da NATO. Maria Correia: bruscamente, da salvação do mundo e da
democracia em solo pátrio, passou-se ao protocolo do MNE, ao manual de boas
maneiras, à arte de saber estar; dos anti-fascistas, passámos aos liberais
chiques; dos Direitos do Homem em perigo ao horror perante a etiqueta
atropelada. Que maravilha! Obrigada. Maria Da Veiga: Bem visto, estou de
acordo. Temos uma geringonça alargada sob a égide do Seguro. Acontece que o
Seguro é fraco e impreparado, pelo que o que se prevê é que vai ser
literalmente cancelado pelos actores políticos que tiverem mais força. Seguro é
a porcelana numa sala cheia de elefantes! Elegê-lo é também condenar um sistema
semipresidencialista de jure, a um sistema parlamentar de facto. É tb a oportunidade para o Ventura abanar
mais rapidamente o sistema! A eleição do Seguro não augura nada de bom para o
país futuro. Maria
Aguiar: Exactamente! 🙏🙏🙏🙏 João
Floriano > Manuel Gonçalves: Então o que encontramos
em partidos de extrema-esquerda que ainda têm representação parlamentar? Apoios
a Maduro, Irão, Coreia do Norte, China. Penso que os ideais anti UE têm
mais a ver com o wokismo tão ao gosto de Bruxelas. Filipe
Paes de Vasconcellos: O seu artigo nem parece ser escrito por si
tais as banalidades que invoca. Como
sabemos, o que deve ser importante revelar na análise da extrema-direita que o
“patriota” Ventura representa é o facto de o mesmo pertencer a um movimento
supremacista que o camone Trump quer impor ao mundo livre e democrático. Já nada tem a ver com as boas ou más maneiras,
com fascismo ou anti fascismo, com o “sistema ou antissistema. A “direita” que
Ventura “o patriota“ diz querer liderar é a direita extremista que pretende
fazer o contraponto com a extrema esquerda que, entretanto, já lá foi. Só que
esta extrema- esquerda já não existe e, portanto, Ventura vai perder o
chão à medida que o governo AD continue a resolver os problemas gravíssimos que
o Costismo (extrema esquerda PS+BE+PCP) deixou a Portugal. Assim, Ventura
deixará gradualmente de “ter as cartas” que alimentam o populismo. Deixará de
“ter as cartas” mas, atenção, porque financiamento não lhes faltará.
Portanto, o que parece ser importante clarificar (desmascarar) é que o projeto
da direita que Ventura, na sua narrativa mentirosa diz representar, é o mesmo
que Trump quer impor para rebentar com a Ordem Internacional que ao longo
dos últimos 80 anos trouxe Paz e Progresso ao mundo livre e democrático. Não
basta rezar e bater no peito para as televisões. Mas que indignidade! A
política nacional e internacional não pode ser dirigida por gente revoltada
armada em “patriotas“ submissos ao
trumpismo. Manuel Gonçalves: O extremão, de esquerda e direita, faz
alianças e blocos frequentes, como se viu no parlamento europeu, contra o
acordo do Mercosul, profundamente paralisantes de quaisquer reformas e melhoria
das condições económicas das nações e de vida dos povos. Nuno Abreu: Um bom texto. Alguém que sendo da direita, não
precisa gritar, de chamar criminosos a todos quantos expõem ideias contrárias
às suas. Os chavismos deviam ter passado à história. Não ajudam em nada a
tentativa de centrar à direita os governos futuros de Portugal.
Américo Silva: Para escolher entre Seguro e Ventura, tenho que saber quem é: Pelo
aborto até quantas semanas? Pela adopção por homossexuais? Pelo suicídio
assistido e eutanásia? Pela mudança de sexo? No BI? No desporto? Pelas barrigas
de aluguer? Maria
Correia: Qual
povo, se o candidato da Direita é apoiado, não por formidáveis trabalhadores em
luta ou por operários fabris progressistas, mas por deploráveis “eleitores de
baixa escolaridade”, reaccionários, equivocados e febris? Responder-nos-iam. Esta
é a mais forte. A esquerda revolucionária do Povo e dos famélicos da terra a
chamar-lhes feios, porcos e maus, porque nós é que somos elite com estudos! Curioso
é que até já nem se arvoram em timoneiros e grandes educadores, porque a
doutrina é agora ideologia de minorias contra o patriarcado e a vergonha de se
poder ser autóctone e "homem branco" Paradigmas Há Muitos!: Numa outra variante da criativa campanha do
sistema em curso, ontem aqui noutro artigo de opinião, José Crespo de
Carvalho, catedrático da área da Gestão tentou colocar a escolha para PR no
mesmo plano duma escolha para CEO duma empresa. E obviamente, pelas condições requeridas,
deduzia-se que Seguro é o mais qualificado. Comentei aí algumas das muitas
diferenças entre gestão empresarial e cargos políticos e não vou repetir-me
aqui, tão evidente me parece a diferença e por isso redutora a mensagem desse
artigo. Paulo
Martins: O sistema com as suas virtudes e defeitos é o
sistema democrático daí a união de toda a diversidade que está dentro do
sistema. Qual o sistema alternativo ao sistema democrático (seja ele democracia
parlamentar, semi-presidencialista ou presidencialista)?
Manuel Gonçalves: Escolha política, sem dúvida - Ventura é
nacional socialista, ou seja integra os nacionalistas que pretendem destruir a UE,
assim enfraquecer e isolar os países europeus, face à agressividade do
nacionalismo trumpista, putinista, xiista e outros; bem como socialista, ao
fazer alianças de voto no parlamento com o PS de Pedro Nuno Santos, PC e BE, em
matéria orçamental e económica, revelando uma permanente concepção estatista em
várias matérias, por ex TAP.
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