terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Apelidos reconfortantes

 

Ambos - Ventura e Seguro - para uma Presidência da República que se preze em difundir bons princípios, para que se chegue sempre a bons fins. A seriedade de Seguro impôs-se, contudo, pelos seus discursos que todos esperamos sinceros, e parece que vai ganhar. Passos Coelho preferiu baldar-se, respeitemos isso, mas em muitos de nós permanece a desilusão.

Não, Seguro não ajudou o governo de Passos Coelho

É legítimo que pessoas de direita, do PSD, do CDS e da IL queiram votar em Seguro. Mas não é aceitável que contribuam para a falsificação da história, tentando construir um “Seguro” que não existiu.

JOÃO MARQUES DE ALMEIDA Colunista do Observador

OBSERVADOR, 02 fev. 2026, 00:20122

Para se fazer escrutínio democrático a António José Seguro, é necessário voltar a 2013 e 2014. Desde então abandonou a política (não é uma crítica), por isso 2014 é ontem, politicamente, para Seguro.

Está a construir-se a “narrativa” de que Seguro foi responsável e apoiou o governo de Passos Coelho durante um período crucial da história recente de Portugal. Vejamos o que aconteceu. Em Março de 2011, o governo socialista de José Sócrates pediu resgate às instituições europeias e ao FMI para salvar Portugal da falência. Em Junho de 2011, houve eleições e a AD de Passos e Portas ganhou com maioria absoluta. Depois da derrota eleitoral, Sócrates pediu a demissão da liderança do PS, e Seguro foi eleito líder socialista.

Os termos do orçamento para 2012 foram basicamente negociados pelo demissionário ministro socialista Teixeira dos Santos e pela troika. O governo da AD teve pouquíssima margem para introduzir alterações orçamentais. Em Novembro de 2011, o PS absteve-se na votação do orçamento para 2012. Era o mínimo, um orçamento que resultou do pedido de um governo do seu partido para evitar a falência do país. Esse voto não foi ajuda alguma. Foi o mínimo dos mínimos. Além disso, o governo de direita tinha maioria absoluta. Não precisava da abstenção do PS para aprovar os orçamentos. Aliás, em 2012 e em 2013, o PS de Seguro votou contra os orçamentos, e eles foram aprovados. Os votos do PS a favor de políticas públicas do governo também não foram uma ajuda porque seriam sempre aprovadas com a maioria absoluta.

Em Julho de 2013, Paulo Portas demitiu-se do governo. Isso significaria automaticamente o fim da maioria parlamentar que apoiava o governo da AD. Portugal entrou em crise política. Se não fosse possível votar o orçamento para 2014, Portugal precisaria de um segundo resgate. Durante a crise, houve uma tentativa de Cavaco, na altura PR, para o PS deixar passar o orçamento para 2014 (para evitar um segundo resgate) e em troca haveria eleições antecipadas em 2014.

Inicialmente, Seguro mostrou abertura para esse acordo, mas depois recuou não tendo sido capaz de resistir às pressões do seu partido. Não tenho dúvidas sobre as boas intenções de Seguro, mas o que me preocupa foi a sua fraqueza. De resto, essa fraqueza política foi evidente durante todo o mandato de Seguro na liderança do PS. Nunca foi capaz de resistir ao seu partido na fuga à responsabilidade do governo socialista de Sócrates na vinda da troika para Portugal. Alinhou nos ataques à “falta de sensibilidade social” do governo”, nas acusações de “ultra-liberalismo”, e decretou o “falhanço do governo e do programa de austeridade.” Até hoje, nunca ouvi Seguro dizer que estava enganado e que o governo de Passos alcançou um enorme sucesso e salvou Portugal, restituindo ao país o crescimento económico.

É legítimo que pessoas de direita, dirigentes e militantes do PSD, do CDS e da IL queiram votar em Seguro (ao contrário de outros muito preocupados com a democracia, nunca critico o voto de alguém). Mas não é aceitável que contribuam para a falsificação da história, tentando construir um “Seguro” que não existiu. Seguro só se revoltou contra Sócrates e contra António Costa quando foi atraiçoado pelos socialistas, em 2014 (depois de vencer as eleições europeias), e perdeu a liderança. Também me lembro disso, e distingo muito bem Seguro de Sócrates e de Costa. Mas, numa altura muito crítica para Portugal, e quando Seguro desempenhou funções políticas de liderança, falhou. A sua fraqueza perante o PS teria levado Portugal para um segundo resgate. Foi a determinação de Passos Coelho que evitou o que teria sido uma tragédia financeira, económica e social para Portugal. Não foi a “ajuda” de Seguro.

 

PRESIDENCIAIS 2026       ELEIÇÕES       POLÍTICA       ANTÓNIO JOSÉ SEGURO       PS

 

COMENTÁRIOS (de 135)

Miguel Seabra: Quem quer vender essa mentira histórica? Nada menos do que o Paulinho Irrevogável Portas, esse mesmo, o traidor e covarde que tentou apunhalar Passos Coelho pelas costas. Num País normal esse senhor devia estar escondido, em Portugal tem um tacho na Mota Engil a soldo dos chineses e está todos os domingos na tvi a palrar e a dizer mal do Trump e do André Ventura.                    Alexandra Ferraz: 'Canto III 138/143" Os Lusíadas:

Do justo e duro Pedro nasce o brando,

(Vede da natureza o desconcerto!)

Remisso, e sem cuidado algum, Fernando,

Que todo o Reino pôs em muito aperto:

Que, vindo o Castelhano devastando

As terras sem defesa, esteve perto

De destruir-se o Reino totalmente;

Que um fraco Rei faz fraca a forte gente.'

E assim continuaremos alegremente, até quando??? O povo é sábio mas também é lento! Mas no dia 9 haverá mudança,  seja qual for o resultado. A onda do desencanto cresce e será surfada, contra ventos e marés. A nossa juventude merece mais. Muito mais!!!! Vamos ter fé🙏 Obrigada JMA por mais um belíssimo apontamento. 🙌🙌                     Manuel Lourenço: Do papagaio-mor do reino vamos passar para o banano-mor, só que como este artigo relembra e o da passada sexta feira do Rui Ramos recorda, os efeitos de presidentes socialistas em governos não socialistas (ou seja socialistas 2) é de torpedear e procurar levar ao poder os socialistas puros.                 Paulo Valente: Resumidamente, vamos ter uma lesma na presidência. Antes fosse uma arara, sempre dava continuidade ao papagaio!                    ana rita:  Seguro é um socialista. E está tudo dito. Mas depois não se queixem, ele nunca o escondeu.             Joaquim Silva: Uma coisa é certa - é da esquerda  que nascem os maiores inúteis conhecidos, na generalidade do que vemos na comunicação social é gente sem valores que se acha muito culta mas com muito pouca vontade de trabalhar ou empreender, ostracizam tudo o que seja iniciativa privada, pois passam a vida ligados ao aparelho de estado e instituições públicas a isto ou àquilo que se agarram para poder viver sem fazer grande coisa, o povo, aquele que trabalha anda dormente de tanto trabalhar para pagar impostos, ora este sistema está podre, mas cada vez mais é atacado no seu modo de vida e os costumes  que nos trouxeram a uma sociedade civilizada, pasme-se que chegamos a um ponto onde nos querem impor um presidente da república só por ser bem vestidinho e muito mansinho e bem-mandado, chegamos ao ridículo da falta de ética e de vergonha de quem se passeia nos meios ligados ao sistema, não, não são notáveis, são indivíduos,  os notáveis são as pessoas que todos os dias salvam outras pessoas sejam bombeiros policias médicos enfermeiros e até pessoas comuns, a sociedade tem de se basear em prole do povo e não dos interesses dos (notáveis).Quanto à direita do que eu vejo são gente de trabalho de mãos calejadas que está farta de trabalhar e ser ridiculariza por uma casta de malandragem de esquerda caviar que não sabe apertar um parafuso ou pendurar um quadro numa sala e agarran-se ao adjectivo de (fascista) para chamar a quem trabalha e lhes paga o oxigénio.                  graça Dias:  "A DISTÂNCIA ESBATE OS CONTORNOS E AS CORES DA MEMÓRIA " Caríssimo João Pedro Marques, obrigada pelo excelente lembrete.                    Ana Luís da Silva: Muito obrigada a João Marques de Almeida, por repor a verdade histórica. Mas contrariamente ao seu posicionamento de “não criticar o voto de ninguém”, eu critico e sinto-me legitimada para o fazer, por várias razões: -porque é uma cedência à hegemonia ideológico-moralista da Esquerda e da Extrema-esquerda e portanto uma cobardia; - porque os cidadãos eleitores não reclamaram sentirem-se confusos e precisarem de orientação na decisão de voto, foi antes uma opção assente no pânico dos “sistémicos” que iniciaram a onda de maria-vai-com-as-outras contra o candidato que os desgosta e põe em causa o status quo; - porque traíram o cidadão comum que estes anos todos pensou que esta gente que milita nestes partidos não se conformava com o socialismo, aliás que o combatia, e que lutava por um país melhor… mas não. Afinal ninguém quer sair do caldo socialista onde já estão (estamos!) meio-cozidos! Nem a IL, que na hora da verdade é mais do mesmo, pelos vistos! É meia bola e força em direção ao abismo, porque acham que o outro candidato “não tem o perfil adequado” (sic), quando o que esta atitude deplorável revela é cálculo político, uma amostra da queda da natureza humana na mediocridade ou no medo de perder o chão, em vez de se preocuparem com Portugal e os portugueses! P.S. Falo agora para os cristãos: atentem nas leituras deste domingo e reflictam se, em toda a História da Salvação, Deus alguma vez escolheu para liderar uma pessoa pelo que a natureza humana considera ser “o perfil adequado”.  Assim de repente vêm-me logo dois à memória que não encaixam: David para rei, Pedro para primeiro Papa.                       Ricardo Ferreira: O TóZero é um líder frouxo e todos o sabem.                       SDC Cruz: Caro João Marques de Almeida, EXCEPCIONAL!                   Cupid Stunt: Muito bem. Obrigado por desmarcar mais uma narrativa da esquerda. O Tó Zero é um fraco e cederá sempre a quem o pressionar, especialmente se vier da sua famiGlia de esquerda             Humilde Servo: Até me esquecia desse episódio lamentável do Portas a demitir-se "irrevogavelmente". Foi uma traição patética ao país. Valeu o sentido de estado de Passos Coelho e de Cavaco para o país não ir de vez para o beleléu.                     Sr Leão: O meu agradecimento ao autor do artigo por nos ter refrescado a memória. E por representar um exemplo de jornalismo de excelência.                Maria Da Veiga: Muito bem, valham-nos pessoas como o João Marques de Almeida para refrescar as mentes turbadas e acríticas de uma grande maioria do povo português. O povo acomodado, "ajudado" por jornalistas e comentadeiros que proliferam nas TVs que dominam o dito "sistema" como o seu colega Sousa Pinto, armado em intelectual, mas intrinsecamente intelectualmente desonesto. Espero que o PS acabe por desaparecer porque será um bem para o país e justiça para um povo!                     Paulo Nunes: Têm sido semanas de poluição informativa. Vem aí o diabo, e é o Seguro que nos salvará. Não, de todo. Seguro será o coveiro deste governo de AD, o coveiro definitivo do CDS, a armadilha do governo PSD, tentando absorver partidos mansos como o Livre e levando na padiola o seu PS dos barões.  Só para os mais distraídos será surpresa...                  Maria Alva: Excelente e factual reposição da História recente. Obrigada.                      Carlos Chaves: Obrigado, caro João Marques de Almeida, por vir desmascarar os especialistas de serviço em narrativas mentirosas! Pena os idiotas úteis que se diziam de “direita” entrarem nesse jogo mentiroso! PSD e CDS merecem serem riscados do mapa, estão cheios de gente traidora e mentirosa!  Seguro é um cobarde político que baixou as orelhas ao criminoso político Mário Soares! Mário Soares, Guterres, Sócrates, Seguro e Costa, (eu não o distingo como faz o cronista), são uma família socialista em quem os idiotas úteis da “direita” se preparam para votar!                       Alberico Lopes: Marques de Almeida: dou-lhe os meus sinceros parabéns por ter posto os pontos nos iis. Só quem não tenha vivido esses conturbados tempos pode ter alguma ilusão do que é este cavalheiro, natural de Penamacor, que tem como sogro o maçon-mor das Caldas da Rainha, proprietário de várias farmácias naquela zona . Mas que estou mesmo muito surpreendido que alguns - mesmo que poucos - embora muito louvinhados pela c.social do Largo do Rato - "não socialistas" como se afirmam, votem neste coitado! Eu nunca seria capaz de engolir tal sapo!                       Xico Nhoca: Seguro vai ter que pagar a todos os socialistas que, não o querendo apoiar nestas presidenciais, lhe vieram dar apoio mais tarde: assim que as sondagens sugerirem uma maioria relativa para o PS, Seguro vai convocar eleições para satisfazer a tradicional avidez para distribuir jobs entre os boys. 

CONTINUA                 

 

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