sábado, 3 de outubro de 2026

CONTINUAÇÃO

 

Do texto “Ódio Antigo”, de José António Rodrigues do Carmo - em «Pântanos, genocídios e 74 chibatadas»


…Tudo isto é elementar, mas também é elementar que Gaza é uma guerra urbana travada num território densamente povoado, contra uma organização terrorista que combate deliberadamente por detrás da população, com o objectivo de se proteger das respostas israelitas, pelo tabu do dano a civis.

Isto não torna legais todos os ataques israelitas, mas muito menos transforma em crime de guerra cada edifício civil atingido. Um hospital é um alvo militar legítimo se estiver a ser utilizado, fora da sua função médica, para actos de guerra, e a sua neutralização oferecer uma vantagem militar concreta e directa.

Depois há factos curiosos para quem pretende fingir que a guerra é um “genocídio”.

Em Setembro de 2024, em plena guerra, 558.963 crianças de Gaza foram vacinadas contra a poliomielite, com pausas humanitárias diárias de nove horas, concedidas por Israel.

Numa discussão em que a intenção de genocídio é o elemento fundamental, talvez não seja despropositado incluir na análise o facto de a força acusada dessa intenção suspender operações para permitir que mais de meio milhão de crianças do grupo supostamente a genocidar, sejam vacinadas.

Também a questão da comida, da água e da electricidade é pouco adequada a slogans. Israel deixou entrar, pelas suas fronteiras, milhões de toneladas de comida, e forneceu água e electricidade. Faz-se isso a um grupo que se quer eliminar? Algo semelhante ocorreu nos genocídios que a História documenta?

A Espanha é, a par da Irlanda, um dos países europeus onde o antissemitismo mais medra. Que faria Madrid se, num destes dias, homens armados entrassem em Ceuta e Melilla, assassinassem centenas de pessoas, sequestrassem famílias inteiras e anunciassem que repetiriam a operação? Guterres viria dizer que as coisas não aconteceram num vácuo? Durante quanto tempo teria a Espanha o direito de legítima defesa? Quantos soldados Espanha aceitaria perder para diminuir o risco imposto aos civis marroquinos? Onde colocaria o Governo espanhol a fronteira entre precaução razoável e suicídio táctico?

Não sei, mas admiro quem sabe, sobretudo porque costuma descobrir a resposta a três mil quilómetros do inimigo, sentado numa esplanada, com a chávena numa mão, o keffieh ao pescoço e uma melancia a pingar sobre o Direito Internacional.

Os militares, israelitas ou de qualquer outro país, não são santos. São pessoas.

Alguns heróicos, outros medíocres. Alguns cumprirão escrupulosamente as regras, outros poderão violá-las. Os segundos devem ser investigados e, existindo provas, punidos.

É assim que funciona uma democracia.

Mas há uma diferença gigantesca entre investigar um soldado, uma unidade ou uma decisão e transformar milhões de israelitas numa personagem colectiva chamada “o genocida”.

A desculpa das críticas “às políticas” de Israel, fede a coisa antiga e rançosa.

Durante séculos, cada judeu era um recipiente de culpa colectiva. Após milhões de judeus exterminados, a Europa declarou que esse hábito era inaceitável.

Depois apareceu Israel e alguns descobriram logo o truque para ressuscitar o velho ódio sem pronunciar a palavra “judeu”. Basta chamar-lhe “sionista”, “colono”, “genocida” e, naturalmente, jurar que não há absolutamente nada contra judeus. A máscara é tão fina que se desfaz à primeira exsudação de ódio.

Israel pode ser criticado, nem mais, nem menos do que qualquer outro dos quase duzentos países do mundo. Nenhum deles está acima do escrutínio, mas também não deve estar abaixo das garantias intelectuais que se concedem aos restantes países.

O Hamas deve ser aniquilado pela intenção declarada de genocídio, pelo massacre de 7 de Outubro, pela tomada de reféns, pelos ataques deliberados a civis e pela forma terrorista como combate.

Israel deve ser julgado pelas suas próprias acções, mas os judeus não devem voltar a ser julgados colectivamente apenas porque alguns antissemitas descobriram palavras novas para vocalizar um ódio velho.

A Europa já experimentou isso e, na última vez, também havia criaturas a explicar que era por uma boa causa.

A coisa não acabou bem!

Israel      Médio      Oriente      Mundo

COMENTÁRIOS

Sr Leão

Já várias vezes comentei aqui o que pensava dos artigos do nosso Coronel. Praticamente disse tudo o que pensava acerca da excelência da escrita e da translucidez das opiniões dele.

Só posso acrescentar que há muitos anos (muitos mesmo) passei um tempo em Lamego e observei "in loco" os ingredientes com que se molda um comando. Daí que a minha surpresa já não se manifeste tão festivamente.

isabel ferreira

Os ocidentais, perdidos e assolados pela culpa inculcada pela loucura dos progressistas globalistas, movem-se no lodo espalhado pela hipocrisia da ONU e de elites cobardes que se sentam à mesa dos maiores torcidários dos direitos humanos, para em coro condenarem os judeus pelo falso genocídio. A intenção deixou de contar, do rio até ao mar, é uma intenção genocida, mas isso não interessa nada, os judeus nunca poderão dizer que o combate em Gaza não aconteceu no vácuo. Lá está, o ódio ao judeu é difícil de lavar, a nódoa vem sempre ao de cima, por muito que a tentem esconder. A esquerda do amor, dos direitos humanos e do DI apoia terroristas, os fins justificam sempre os meios, principalmente se for para combater  judeus e supostos fascistas.

Cúpida Stunt

👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻 Nem mais, nem menos.

Ódio antigo Não cansa.

 

Ódio antigo

Não cansa. Sobretudo quando ditado por recalcamentos de muito tempo já. José António Rodrigues do Carmo - Coronel "Comando" historia, com humor e saber, os tempos modernos, a respeito  do “anti semitismo” de uma constância perversa.

Pântanos, genocídios e 74 chibatadas

Há três anos que assistimos à interpretação tortuosa de supostos especialistas em Direito Internacional Humanitário, provavelmente formados nos intervalos vínicos da Queima das Fitas

José António Rodrigues do Carmo - Coronel "Comando"

OBSERVADOR, 02 out. 2026, 00:24

Em Gaza há ruínas, e uma população que, naquele dia, rejubilou e participou na invasão de Israel e hoje enfrenta as dramáticas consequências.

E por cá há uma verborreia de dislates acerca disso, de um tal grau de indigência que nenhuma pessoa normal consegue ler e ouvir em silêncio.

A primeira tragédia é humana, a segunda é intelectual e moral.

Há três anos que assistimos à interpretação tortuosa de supostos especialistas em Direito Internacional Humanitário, provavelmente formados nos intervalos vínicos da Queima das Fitas, e de peritos que acham que combate urbano é uma acesa discussão com o empregado a propósito da temperatura do cappuccino.

Todos falam de proporcionalidade, todos identificam um crime de guerra pelo cheiro e todos, naturalmente, sabem instantaneamente distinguir um genocídio de uma guerra, sobretudo quando há judeus envolvidos.

Em tempos mais dados à parcimónia e ao senso comum, estes conceitos eram jurídicos e filosóficos. Hoje são palpites, interjeições e insultos.

Mariana Mortágua, nos auges da febre das flotilhas, acusou o Governo português de transformar Portugal em “cúmplice directo” do genocídio, Alexandra Leitão votou resoluções pelo “fim do genocídio” e, de um modo geral, a fauna palestinianista debita a palavra com a autoritas de quem chama gatuno ao arbitro, ou “fassista” ao vizinho.

Azeredo Lopes, especialista em paióis e em DI, vem debitando publicamente a acusação, primeiro como insinuação manhosa e ultimamente como imputação desbragada.  Toda esta gente sabe muito bem que não há genocídio nenhum, mas algo tenebroso e antigo leva-os, neste assunto, a desleixar as mais elementares regras de prudência jurídica e a descartar por completo a honestidade intelectual.

Todos eles deviam saber que a Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio exige, além de certos actos, uma intenção. Esta palavra é crucial. Não é “morreram muitos” ou “as fotografias são horríveis”, ou “vi uma criança nos escombros”.

É “intenção”!

Sim, pode-se acusar Israel dessa intenção, da mesma maneira que é possível acusar o Papa de tencionar assaltar ourivesarias em Fátima. O que não é sério é apresentar palpites como factos, instalados entre a astrologia e as profecias do Bruxo de Fafe.

António Guterres, “O Pantanoso”, é mais melífluo.

Uns dias depois da carnificina, declarou que os ataques do Hamas “não aconteceram num vácuo”, forma viscosa de insinuar que alguma coisa os judeus devem ter feito para aquilo lhes acontecer.

Desde então, a escorregadia criatura apurou a linguagem canalha sobre Israel. Falou em punição colectiva e, há poucos dias, no crepúsculo de uma carreira lodosa, descreveu o exercício da legítima defesa israelita como uma ofensiva contra os palestinianos, com uma escala de morte e destruição sem paralelo durante o seu mandato. No mesmo dia em que proferia esta mentira desbragada, confraternizava, sorridente com o representante de um regime que, ainda no ano passado, matou dezenas de milhares de cidadãos iranianos em 3 ou 4 dias sangrentos.

Quando lhe perguntaram directamente se aquilo era genocídio, Guterres respondeu, gelatinoso, que não lhe competia determinar juridicamente a existência de genocídio.

Por que motivo esta contorção jurídica convive com uma retórica que deixa a acusação montada, mobilada e com a luz acesa, faltando apenas pendurar a placa “genocídio” na porta, é algo que Guterres tem de explicar a si mesmo, quando se olha ao espelho.

Paulo Rangel, o nosso MNE, navega numa maionese mais light.

Há um ano, o Governo português reconheceu o Estado da Palestina, premiando de facto o morticínio desencadeado pelo “Eixo da Resistência”. A hipocrisia é que tal Estado não existe, e algumas das condições anunciadas para o reconhecimento (desarmamento efectivo do Hamas, a libertação de todos os reféns, eleições, o controlo de Gaza por uma autoridade palestiniana distinta do Hamas, etc.) eram apenas promessas e a maioria continua a ser.

Há dias apresentava-se sorridente, em amena cavaqueira com o MNE iraniano, no dia em que uma cantora iraniana foi condenada a 74 chibatadas por andar sem um pano na cabeça, e não podendo deixar de saber que, se fosse iraniano, estaria há muito pendurado num guindaste.

Mas por que razão a acusação de genocídio, que já andava a burilar na Conferência de Durban há 25 anos, encontra uma receptividade tão entusiasta quando o acusado é o judeu? Porque não a Rússia, a China, o Irão, a Turquia, o Hamas, o Sudão, e inúmeros outros corações das trevas do planeta?

Israel, como todos os países democráticos, tem governos que acertam e erram, ministros bons e maus, políticos responsáveis e irresponsáveis, e militares capazes do melhor e do pior. Os israelitas não são uma espécie moral diferente do resto da humanidade. Mas então, o que justifica a sua omnipresença nos radares do ódio, nas comissões da ONU e em certas ONG? Por que razão é julgado segundo regras especiais?

A resposta é cristalina: Antissemitismo!

É disso que se trata, porque é manifestamente antissemita a aplicação a Israel de critérios que não são exigidos a outros países, a negação do direito de autodeterminação dos judeus, a negação do direito de legítima defesa, e a responsabilização colectiva dos judeus pelos actos de um estado.

Há dias a equipa de futebol da Irlanda, fez uma coreografia ignóbil num jogo da Liga das Nações com Israel, recusando-se mesmo a cumprimentar os jogadores israelitas. No mês passado, a sua selecção de cricket jogou 5 vezes com o Afeganistão e, apesar de o regime talibã ser terrorista, e tratar as mulheres como animais, proibidas até de praticar desporto, não houve qualquer coreografia do género.

Isto é antissemitismo da velha cepa.

O truque moderno é que o judeu deixou, em certos ambientes “educados”, de poder ser odiado explicitamente, porque fica mal. Já os “sionistas” podem ser odiados à vontade, e qualquer pretexto serve para libertar o velho ódio.

A variante lexical é engenhosa. Troca-se o rótulo, conserva-se o conteúdo e ainda se acrescenta a extraordinária vantagem de o antissemita poder explicar que combate pelo “bem” pela “justiça” e pela “causa”, enquanto liberta o mesmo fel de sempre.

Voltando ao aniversário que se aproxima, o Hamas invadiu Israel a 7 de Outubro de 2023. Cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 levadas como reféns.  Não havia “ocupação” nenhuma, há 20 anos que não havia judeus em Gaza.

Israel respondeu legitimamente (legítima defesa, segundo o Artº 51º da Carta das Nações Unidas) mas, de súbito, brotou a exótica teoria segundo a qual a proporcionalidade é uma espécie de contabilidade funerária: morreram 1.200 israelitas pelo que, atingido esse número de palestinianos, o árbitro apita e termina o jogo.

Por sorte o Direito Internacional não foi escrito pelo Dr. Azeredo Lopes.

Proporcionalidade significa que um ataque concreto não é legítimo quando se prevê que cause perdas civis excessivas relativamente à vantagem militar concreta e directa antecipada. Quem ataca avalia o alvo, a vantagem militar, o dano previsível e as precauções possíveis. Não se trata de contar cadáveres de ambos os lados no fim da guerra, caso contrário descobriríamos retrospectivamente que numerosas guerras justas foram “desproporcionais” porque o lado derrotado sofreu mais mortos, o que seria uma contribuição revolucionária para a estratégia militar.

É verdade que a legítima defesa não permite tudo. Os civis não podem ser deliberadamente atacados, os ataques indiscriminados são proibidos, as precauções são obrigatórias e o facto de o Hamas violar alegremente todas estas as regras, não dá às IDF licença para (fazerem o mesmo.

(CONTINUA)



Súplica

 

 

Hoje esqueci-me de trazer um livro para ler, e, enquanto o Vitorino dorme na sua cama do Hospital, vou velando, rezando, e decididamente rabiscando razões, neste papel encontrado no fundo da carteira, - e que aqui, no computador,  vou alinhando - pedindo a um Deus Maior, pela saúde dele, e pensando na futilidade de discussões havidas entre os casais – como o nosso, afinal, - ao longo das suas vidas, e que, tantas vezes, a impertinência de acontecimentos inesperados, ou razões ocasionalmente julgadas certeiras – provocaram irracionalmente.

 A doença, trazendo as aflições que ela causa, bem o traduz, nas lágrimas causadas pelo receio da perda, nas orações íntimas de súplica para que a fatalidade não aconteça.

Mas envergonho-me, é certo, simultaneamente, por esta submissão a uma crença não praticada objectivamente, mas acontecida quando a aflição surge, no terror da perda de um companheiro que nunca imaginámos fora da nossa vida.

Meu Deus! Não!

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

CONTINUAÇÃO

Do Texto anterior, “A nazificação do passado europeu”, de  RUI RAMOS, em

COMENTÁRIOS:

MaJorge Carvalho

Um poder de síntese argumentativa e factual excelente. Obrigado Rui Ramos

Ana Luis da Silva

“Oligarquias moral e intelectualmente desarmadas”…

Esta tirada de Rui Ramos deve ter doído ao PM e ao Ministro dos Negócios Estrangeiros…

Ainda para mais é “injusta”: veja-se a importante atenção que o chefe do Governo dá às questiúnculas dentro da Seleção Nacional de Futebol a ponto de suscitar um telefonema seu (para acalmar os ânimos?).

Uma verdadeira postura de Estado, moral e intelectualmente elevada!

Não tem comparação com a defesa da imagem internacional de Portugal na ONU, nem com a defesa da sua História de 900 anos e da sua presença na Europa e no Mundo que, como sabemos são balelas diante das desavenças entre o selecionador Jesus e Cristiano Ronaldo… Afinal qual a importância de deixarmos que outros assassinem a História reduzindo a nossa presença portuguesa no mundo ao comércio de escravos e os nossos “egrégios avós” a odiosos esclavagistas?

Ironias à parte, mais uma vez Rui Ramos põe o dedo na ferida: o governo não contraria a narrativa da Extrema-esquerda, pelo contrário, alinha nela, desvalorizando o que mais nos importa, desconsiderando a  nossa identidade, a identidade de cada povo europeu.

Comete-se o mesmo erro de sempre ao desvalorizar as investidas desta gente que tem uma agenda assassina que quer desmontar as bases da identidade europeia, gente esta amplamente remunerada por lobbys, sustentada por gente colocada em lugares de topo por influência desses lobbys, e que quer destruir o Ocidente e os seus valores milenares!

António Duarte

O Montenegro é um cobardolas woke e só espero que o povo acorde e o mande para o lugar de onde nunca deveria ter saído. O caixote do lixo da História.

graça Dias

Caríssimo Rui Ramos

Um artigo de excelência e bem oportuno, que evidencia a traição à nossa História e aos portugueses, protagonizada pelo nosso 1ºMinistro Luís Montenegro e certificada pelo seu ministro progressista doutorado nos corredores de Bruxelas, Paulo Rangel, e  com  as  falácias  argumentativas   no início desta semana, quando ambos actuaram secretamente nas costas dos portugueses!...

Os portugueses continuam perplexos, como foi possível, em presença de tão hedionda proposta do Ganda  "o mais grave crime contra a humanidade” na história do mundo ", em que o seu mentor foi o « líder espiritual » Mr. A. Guterres,  fez da ONU, um centro de ideologia política, onde se constroem narrativas, através de argumentos enviesados, perversos, selectivos e de muitas omissões, com o objectivo de reescrever a história, contra a  civilização  Ocidental  e contra  o  Homem   Branco, e ir em auxílio de um bando de malfeitores, que desde há muitas e muitas décadas, têm espoliado os seus povos através da corrupção contínua e reiterada !...como foi possível o nosso 1º Ministro se ter abstido, quando sem quaisquer hesitações se deveria ter votado contra.

Notas:

a)  Livro -Cataclismo Atlântico: Repensar o Tráfico Atlântico de Escravos muda o paradigma das discussões sobre a escravatura, rebatendo ideais há muito estabelecidos e falsos consensos históricos.

b)  David Eltis, historiador canadiano especializado na história da escravidão nas Américas, apresenta uma análise profunda e inovadora sobre o tráfico transatlântico de escravos, desafiando interpretações tradicionais e expondo a complexidade deste fenómeno.

c) David Eltis é professor emérito de História Robert W. Woodruff da Emory University e da University of British Columbia. Os seus interesses de investigação centram-se no mundo atlântico do início da era moderna, na escravatura e na migração – tanto forçada quanto voluntária. Nenhum debate sobre a escravatura pode, agora, ser feito sem considerar este livro.

Manifesto o meu obrigada a RR por este brilhante lembrete sobre factos históricos.

Luís Pombo

Brilhante. parabéns

Guardado está

 

(O bocado para quem o há-de comer), costuma-se dizer. Provavelmente serão muitos desses atacantes desse passado prioritário – conquanto não exclusivo – português, os que hoje mais e melhor saboreiam os extractos desse passado descoberto por gente valente. E curiosa. Que sempre admiraremos, enquanto vivos formos.

A nazificação do passado europeu

Para a ONU, o infante D. Henrique teria sido um Himmler, Vasco da Gama um Goering, Camões um Goebbels, e o ultramar português um campo de extermínio como Auschwitz.

RUI RAMOS, Colunista do Observador

OBSERVADOR, 02 out. 2026, 00:25

O tráfico de escravos e a escravidão não singularizam as nações europeias na história da humanidade: o que as singularizou foi terem sido elas, antes de qualquer outra civilização, a proibir o tráfico e a abolir a escravidão. Poderiam, por isso, esperar algum reconhecimento. Mas não. É ao contrário: a assembleia geral da ONU, a 25 de Março, identificou os europeus como os únicos culpados do tráfico de escravos, e exige-lhes, duzentos anos depois, “reparações”.

Tudo isto é absurdo, e desde logo o princípio de litigar o que aconteceu há séculos. Mas mesmo aceitando esse anacronismo, a incongruência persiste. As potências muçulmanas do Médio Oriente tiraram tantos escravos de África como os europeus. Porque é que a Turquia ou o Omã não são interpelados? E porque é que, além dos descendentes dos compradores europeus de escravos, não são convocados os descendentes dos vendedores africanos de escravos, como a rainha Nzinga de Angola, sem os quais não teria havido tráfico?

O objectivo é político e muito claro: culpar o Ocidente. O método também é óbvio. A resolução da ONU classifica o tráfico de escravos africanos no Atlântico pelos europeus como “o mais grave crime contra a humanidade” na história do mundo. É fácil de ver onde se quer chegar, ao usar termos outrora reservados ao extermínio dos judeus pela Alemanha nazi: tratar os europeus como se todos tivessem sido sempre nazis e tudo o que fizeram no mundo equivalesse ao holocausto. O infante D. Henrique teria sido um Himmler, Vasco da Gama um Goering, Camões um Goebbels, e o ultramar português um campo de extermínio como Auschwitz. Aos europeus, restaria uma maneira de se redimirem: renegarem o seu passado, e aceitarem que são os únicos povos que no mundo não têm direito à continuidade histórica nem à soberania política.

Quando percebemos isto, percebemos que o problema não são as ditaduras africanas. É a esquerda revolucionária ocidental, e o ascendente que adquiriu através do wokismo: a linguagem da resolução da ONU é sua. Para a extrema-esquerda, a criminalização do passado ocidental serve dois fins: levar os ocidentais a desligarem-se das identidades e instituições que assentam nesse passado, e que são factores de resistência às revoluções que a extrema-esquerda gostaria de promover; e dissuadir os imigrantes do Terceiro Mundo de se integrarem em sociedades assim expostas como as mais abjectas da história. Num Ocidente reduzido a um aglomerado de populações sem nada de comum entre si, umas cheias de culpas e outras de ressentimentos, as revoluções voltariam a ser possíveis.

Mas não é só a esquerda revolucionária. Ao seu lado, estão os idiotas úteis de um eurocentrismo às avessas, convencidos de que o destino da Europa é agora expiar todos os pecados do mundo, e uma velha oligarquia cobarde e oportunista, que trata as “reparações” como uma simples e manhosa concessão ao “ar do tempo”, para facilitar traficâncias com ditadores. De facto, não nos devemos indignar com quem exige desculpas e reparações, mas com quem não é capaz de as recusar, como os Estados europeus que se abstiveram na votação da ONU e agora andarão a negociar com o Gana. O governo português já negou estar a negociar. Mas Portugal foi um dos Estados que se absteve na ONU, isto é, que não teve a sabedoria e a coragem de defender o seu passado e os seus valores. Nada ameaça tanto a democracia e o Estado de direito no Ocidente como estas oligarquias moral e intelectualmente desarmadas, e por isso incapazes de guardar e valorizar a história das nações ocidentais.

Escravatura Sociedade      Indemnizações   Justiça      Ocidente      Mundo      Wokismo      Cultura      Extrema Esquerda      Política

(CONTINUA)

 

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

CONTINUAÇÃO

 

CONTINUAÇÃO

Do texto anterior: “O insubstituível lugar do passado”

Por Maria João Avillez

Em:

“Tudo são recordações”

5 Ia o jantar no seu fim quando o passado insistiu em abrir um outro leque, falava já Filipe Gonzalez. O tempo deu uma brusca reviravolta e parou em Viana do Castelo, num dia quente de verão de 1980. Gonzalez era então um jovem andaluz, cabelo despenteado e colete preto, que estava ali para participar na campanha legislativa de Mário Soares e da sua Frente Republicana e Socialista.

Ambicioso e intrépido, Filipe queria um país e eu queria uma entrevista. Ambos ganhámos: Filipe veio a ter a Espanha durante 14 anos (1982/96) como Presidente do Governo, eu obtive a entrevista.

E pude, ao longo do tempo, cruzar-me de novo com ele, em diversas ocasiões, todas superlativas: três entrevistas – duas na oposição, a terceira no governo; um jantar histórico numa tasca em Vilamoura, antes de um comício de Mário Soares em Portimão onde ele reuniria vários líderes socialistas europeus, entre eles Mitterrand, Bettino Craxi, o próprio Filipe. Soares queria comer peixe fresco e, sorte minha, o facto de sermos apenas meia dúzia de pessoas – entre elas sua filha Isabel – permitiu que pudesse conversar largamente com o líder espanhol. Quase no final dos anos noventa o então já ex-Presidente do Governo espanhol apresentou no Palace de Madrid a versão espanhola dos livros que fiz com Soares, num discurso absolutamente extraordinário: tal a minúcia da leitura, a profundidade da análise do homem e do livro; a admiração pelo seu amigo, a rendição ao político. Já neste milénio tentei um reencontro profissional que não aconteceu, Filipe, vice-presidente da Internacional Socialista e muito requisitado internacionalmente, viajava constantemente, eram grandes as ausências de Espanha. Não foi possível.

6 Aconteceu naquela noite. Sentada àquela mesa, ouvindo conversas que iam rolando em óptimo ambiente, não podia, porém, deixar de pensar no tão misterioso élan – impulso? inspiração? intuição? – que faz ou não acontecer as coisas, surgirem as circunstâncias, produzir momentos “especiais”. Acontecem: no dia seguinte, com trinta e oito graus de calor, estava a entrevistar Filipe Gonzalez em Évora. No jantar da noite anterior mal pudera abordá-lo – era o “super-convidado” – mas na manhã seguinte a conversa fluiu, um rio a correr. Antes tínhamos “brincado” quando lhe mostrei as fotos de cada um dos encontros a que aludi acima: “o tempo passa…” Sorriso meio doce, meio irónico. O tempo trata-o bem, porém: Filipe tem 84 anos, um farto cabelo branco e os ombros algo curvados, sim. Mas a inteligência, a lucidez, a imensíssima experiência da política e do mundo, servidas por uma notável agilidade mental e um raciocínio estruturadíssimo, transmitem a (espantosa) impressão de que nada está fora do seu radar. E não está.

Mostra-se muito pouco “ilusionado” com o mundo que percebe perigosíssimo. Quase tudo o desgosta, indigna ou revolta – é conforme – e por isso se mantém tão activo. Possui o poderoso instrumento da palavra, usa-a com propósito e mestria. Intervém, sobe a palcos, desloca-se ao encontro dos “bons interlocutores” que tem pelo mundo, procura outros. Tudo menos desistir. Nunca lhe ocorreria.

Um grande, grande político.

À despedida, um rasgadíssimo elogio a Mário Soares de quem era profundamente amigo. Nunca deixou de o ver, aparecendo a visitar a família Barroso Soares em Lisboa ou Nafarros e cozinhando “ovos rotos” para o dono da casa que tinha por eles uma “perdição”. E as conversas não tinham fim.

7 Aqui chegados (os textos têm de acabar…) pergunto-me: não fora o passado – bem preservado – e a memória – bem cuidada –, como poderia ter escrito hoje o que aqui deixo?

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COMENTÁRIOS

Filipe Paes de Vasconcellos

É tão bom e inspirador ler esta extraordinária Senhora logo ao começo do dia. É uma prosa-poética. Palmas e obrigado.

Henrique Mota: 

Sublime.

“Tudo são recordações”


“Sim, eu sei”. Das nossas vivências, de racionais que somos, capazes de as traduzir, oralmente, por escrito …

O insubstituível lugar do passado

Gonzalez não está “ilusionado” com o mundo que intui perigosíssimo. Quase tudo o desgosta, indigna ou revolta, por isso se mantém activo. Possui o instrumento da palavra, usa-a com propósito e mestria

“MARIA JOÃO AVILLEZ:  Jornalista, colunista do Observador

OBSERVADOR, 30 set. 2026, 00:27

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1 A memória, indispensável instrumento de vida — nem sempre cuidado como merece – pode até chegar a ser um dom. É assim que o tomo por vezes: o dom de poder dizer: eu lembro-me; estive lá; eu conheço-o; eu vi, eu ouvi.

E de repente, há dias, num (inesquecível) jantar onde fui, era como se sobre a mesa estivesse pousado um ramo de memórias onde presente e passado valsavam sem fronteiras temporais e com desarmante naturalidade. Dirão, é a “idade”. Não é. Será antes o uso da atenção e da maior curiosidade sobre as coisas da vida e da natureza humana e as fantásticas (é a palavra) possibilidades que tive de as aplicar uma e outra.

2 O jantar era oferecido pela Brisa no âmbito do seu já tradicional encontro bienal, “Perspectivas – Reflexão Empresarial e Académica”. Juntou muita gente com boa – ou grande – assinatura no país, o Alentejo resplandecia, a ocasião proporcionava conversas muito interessantes entre os convivas, a guest star chamava-se Filipe Gonzalez (que depois conversaria com Paulo Portas).

Dir-se-á que existem no país diversas outras iniciativas, que há portugueses muito capazes, que o Alentejo é bonito, etc. Não: por detrás da altíssima qualidade e bom gosto daquela noite havia a memória de um passado e a herança duma impressão digital que ficou para todo o sempre impressa no país: a dos Mellos e do grupo que constituíram.

E de mansinho – mas já estou habituada – o passado instalou-se ali ao pé de mim, vinha para ficar. Lembrei-me de como, um bom par de anos antes de 1974, eu olhava para um muito dotado, enérgico e lúcido José Manuel de Mello, dizendo coisas mais à frente que outros e distinguindo-se deles; continuando com persistência e clarividência a formidável obra que era o Grupo CUF, criado pelo avô Alfredo da Silva; batendo-se para que se começasse a olhar melhor e mais fundo para a Europa e tentando convencer Marcelo Caetano a que também olhasse de modo, digamos, um pouco “diferente” dos cinco séculos precedentes, para a nossa então África. Sim, quase toda a gente sabe isso, mas nem toda a gente relaciona ou lembra a formidável importância de se manter uma herança, decidindo estar à altura dela no modo de servir Portugal: o país acima de tudo, a “cultura do saber mandar”, ancorada nos melhores valores e na sua permanente aplicação em qualquer dos ramos que iam constituindo o Grupo CUF, o valor da iniciativa, da inovação. Da não desistência em nenhuma circunstância.

3 Mário Soares percebeu a importância e a herança: fez este verão exactamente 50 anos que o recém-empossado primeiro-ministro do primeiro governo constitucional, ligou um dia para José Manuel de Mello e para seu irmão Jorge – ausentes do país devido à revolução – pedindo-lhes que viessem a Portugal almoçar com ele, a S. Bento: “que era preciso ele fazer para que voltassem ao país?” Voltaram: com a mesma cultura da casa e produzindo os resultados que se sabem. (E eu fiquei extraordinariamente feliz com as duas entrevistas que depois pude fazer a José Manuel de Mello, admirável e admirado cidadão português).

4 Voltando ao presente: aquela noite alentejana era de um dos seus filhos, Vasco, chairman da Brisa, mas (valsando de novo com o passado) podia ser do pai, do avô, do bisavô: tudo ali tinha a ver com a massa de que é feita a herança e por isso a evoquei hoje aqui: do sentido de “serviço” à capacidade de iniciativa, do acerto na escolha dos nomes envolvidos ao interesse para o país de algumas intervenções ouvidas no dia seguinte.

Nada disto tem absolutamente nada a ver com nostalgias despropositadas ou saudades de algum “antigamente”. Trata-se apenas – e não é pouco! – de algumas coisas que julgo deverem ser lembradas. O exemplo, a ética, os passos dados no país que quando trata deles está bem entregue.

Falei acima de escolhas, a César o que é de César: uma das melhores decisões do “sucessor” Vasco foi a escolha de António Pires de Lima, para CEO da mesmíssima Brisa. Observem-se os resultados, quem sabe, sabe.

(CONTINUA)

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

JEITOS

 


AO MODO RUSSO, como pretexto de instalação bélica sua, mais alargada, de acordo com os poderes da sua ambição mundana. Ou mundial…

NATO garante que ataques híbridos de Moscovo não enfraquecerão apoio à Ucrânia. Rússia alega "ameaça directa"

Mark Rutte garante que Moscovo está a tentar "minar", sem sucesso, a unidade e o apoio à Ucrânia. Chefe da diplomacia russa afirma que Rússia está a neutralizar uma possível "ameaça direta".

AGÊNCIA  LUSA: TEXTO

OBSERVADOR, 29 set. 2026, 15:13

▲Os europeus estão preocupados com o aumento destes ataques, designados híbridos, por ocorrerem abaixo do limiar do que é considerado um acto de guerra ou uma operação militar

OLIVIER MATTHYS/EPA

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Os ataques híbridos russos contra países da NATO não vão enfraquecer o apoio à Ucrânia, garantiu na terça-feira o secretário-geral da Aliança Atlântica, Mark Rutte, apelando, contudo, à “calma” perante o aumento deste tipo de incidentes.

A Estónia atribuiu esta terça-feira à Rússia um “acto de sabotagem”, na sequência de um incêndio numa fábrica de drones terrestres de que foi alvo em agosto.

Mark Rutte saudou a comunicação das autoridades estónias, sublinhando que a partilha de informações entre aliados é importante para “atribuir responsabilidades” e obter uma “visão completa da situação”.

“[Moscovo] está a tentar enfraquecer a nossa determinação e pôr fim ao nosso apoio à Ucrânia. Mas a Rússia está a ser travada, está a fracassar no campo de batalha, tal como fracassa nas tentativas de minar a nossa unidade e o nosso apoio à Ucrânia”, afirmou Mark Rutte, ao lado do primeiro-ministro lituano, Mindaugas Sinkevicius.

“Somos mais fortes e eles sabem-no”, acrescentou o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), apelando também à “calma” e a que não se ceda ao medo.

Os europeus estão preocupados com o aumento destes ataques, designados híbridos, por ocorrerem abaixo do limiar do que é considerado um acto de guerra ou uma operação militar, como, por exemplo, um incêndio criminoso ou um acto de sabotagem.

“Dispomos de todas as opções de resposta, por vezes visíveis, outras não, nem sempre públicas, e nem sempre numa lógica de olho por olho, dente por dente”, disse.

“Naturalmente, a Rússia procura semear o medo e provocar divisões nas nossas sociedades, mas não o conseguirá. Não trememos, não vacilamos. Fazemos o que é necessário”, declarou, por seu lado, o primeiro-ministro lituano.

Rússia defende-se de acusações de guerra híbrida alegando “ameaça directa”

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, SERGEI LABROV respondeu esta terça-feira às recentes acusações de guerra híbrida feitas por vários países europeus, afirmando que Moscovo está a neutralizar uma possível “ameaça directa”.

“Se se refere à destruição das infraestruturas utilizadas pelo regime nazi, com o apoio do Ocidente, para fazer a guerra contra a Rússia, então estamos a recorrer à força para neutralizar uma ameaça directa contra nós” respondeu o chefe da diplomacia russa, quando questionado sobre o assunto durante uma conversa com jornalistas realizada à margem de um fórum sobre política global, em Moscovo.

Citado pela agência noticiosa espanhola Europa Press, Lavrov acusou a Europa de estar a fazer guerra contra a Rússia e recordou que alguns países reconheceram mesmo que o seu armamento está a ser utilizado para atacar território russo.

“Refere-se à destruição dos drones e mísseis que o Reino Unido e a Europa continental fornecem à Ucrânia? Se admite que nos atacam com as suas armas – chame-lhe o que quiser –, não tenho dúvidas de que esta é uma guerra que a Europa está a travar contra nós”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros russo.

Nas últimas semanas, vários países europeus, incluindo a União Europeia, mas sobretudo os mais próximos da Rússia, têm acusado Moscovo de intensificar uma campanha de guerra híbrida, que inclui actos de sabotagem, ciberataques e pressão migratória, com o objectivo de pôr à prova a unidade do apoio europeu à Ucrânia.

Por seu lado, o Kremlin afirmou que estas acusações não passam de um “exagero deliberado” dos governos europeus para justificar junto das respectivas populações os elevados gastos militares e o apoio à Ucrânia.

 

NATO        MUNDO       GUERRA NA UCRÂNIA        UCRÂNIA        EUROPA       RÚSSIA

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Eu sabia


Que o Ricardo não deixaria

De festejar este dia…

Estava apenas, modestamente,

À espera de um incentivo

- Mesmo retardatário -

De uma admiradora ocupada

Demais

 Com inesperadas desfeitas

Vitais… B.

 

Ricardo Lacerda

14:15 (há 8 horas)

para Berta

 

E cá estamos nós de novo,

Celebrando aniversários.

De festas gosta o bom povo,

Não há cá retardatários.

 

O Artur vai bem lançado,

56 ninguém lhos tira.

Até fico admirado

Da mocidade que respira.

 

A Beatriz segue correndo

A ver se ainda o apanha

Mas logo estaca, dizendo:

 

"Ó Tio, a distância é tamanha!

Vinte e um parece pouco.

Subirei esta montanha?

É que é diferença de louco"...

 

Mas aqui o que importa

Seja lá pelo que for,

É sair da cepa torta

Cantando p´r' afastar a dor,

Os parabéns a você...

 

Em casa da Tia Paula,

Nesta data querida,

A malta junta-se toda,

À volta da mesa da sala,

Para cantar numa roda,

Muitas felicidades...

 

E sob a mesa há quem goze,

Com restos se alambaze,

Pois a Nina faz catorze,

Muitos anos de vida.

 

Beijos,

Rii

“COM QUE ENTÃO… “

 


Admira-me que o Ricardo

Não tenha feito uns versinhos

Ao ARTUR e à BEATRIZ

- 56 e 21-

São os anos respectivos

Neste 2026.

Os “PARABÉNS a VOCÊS”

Aqui vão com muito amor

E os votos de realização

Na vida a continuar

Por este MAR…

 


TEXTOS

 Sempre actuais … e necessários ao BEM-COMUM:

PELO BEM-COMUM

EX-A BEM DA NAÇÃO

PARADOXOS

setembro 04, 2026

1.     Paradoxo do Mentiroso-

Epiménides de Creta afirmou que “Todos os cretenses são mentirosos”;

2. O Paradoxo de Enrico Fermi- “Perante a vastidão do Universo e a existência de milhões de estrelas e planetas, não é admissível que não haja seres inteligentes extraterrestres; apenas não os conhecemos porque eles nos observam a distância” (é o bem que fazem para evitarem contactos com Trump e Putin);

3. O Paradoxo do Analfabeto- “Foi um analfabeto que inventou o alfabeto”;

4.   O Paradoxo do Assassino- “O homicídio prescreve com a ressurreição da vítima”.

Setembro de 2026

Henrique Salles da Fonseca

Comentários

 

Anónimo4 de setembro de 2026 às 19:09

Um grande Abraço Henrique

Responder

Adriano Miranda Lima 5 de setembro de 2026 às 14:33

Sr. Dr. Salles da Fonseca, escolheu bem estas exemplificações. Faz-me ver que muitos dos nossos problemas são gerados pelos paradoxos que a nossa mente cria. Fosse a Antítese, que coloca lado a lado os opostos, como o bem e o mal, a nossa vida seria simplificada. Com ela, as opções são mais lineares, em vez de envolverem contradições que se misturam para sugerir uma saída lógica. Os seres supostamente mais evoluídos é que imergem na complexidades das ideias, julgando que ela lhes outorga a felicidade. O resultado é o que vemos: criaturas malignas como Trump e Putin a influenciar as nossas vidas.

Henrique Salles da Fonseca 7 de setembro de 2026 às 14:07

Obrigado

Sempre muito interessante e erudito!

Rui Bravo Martins

Henrique Salles da Fonseca, 7 de setembro de 2026 às 14:09

Abordagem curiosa, Henrique

António Barros

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fevereiro 02, 2026

Ao estilo de Declaração de Princípios, esta é a casa do … humanismo no sentido inequívoco do antropocentrismo em que o Estado serve o cidadão, por ultrapassagem do teocentrismo medieval e em oposição a todos os sistemas que obriguem a pessoa servir o Estado      … da Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU 1948) e contra tudo que a contrarie;      … da sistemática busca da harmonização de interesses nem sempre concomitantes, por oposição a perturbadora luta de classes;      … da liberdade de pensamento e respectiva expressão; …do pluripartidarismo que, abrindo alternativas de doutrina e estratégia, permite ao eleitorado (o verdadeiro «dono» do poder) a opção perene ou flutuante entre doutrinas e circunstâncias;      … da definição doutrinária do bem-comum, na esperança vinculada de que propostas disruptivas da harmonia e da liberdade como conceitos unicitário chumbem nas urna...

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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Discutir, porque sim

 

Talvez por pura saliência pessoal. Talvez para apenas contradizer. Talvez por se ser poupadinho, sobrevalorizando o “metal vil” mais valioso se em papel ensebado.  Talvez…

 

Quando o ruído vale mais do que a obra

Questionem-se os 175 mil euros, naturalmente. Mas reconheça-se também a dimensão do investimento, a capacidade de concretização e, sobretudo, aquilo que ficou para os alunos de Cascais.

Sandra Damas, Especialista em Conformidade e Regulamentação, Câmara Municipal de Cascais

OBSERVADOR, 26 set. 2026, 00:19

Há uma dificuldade cada vez maior em encontrar seriedade naquilo que se publica, comenta e partilha. Não necessariamente porque os factos sejam falsos, mas porque, demasiadas vezes, são apresentados pela metade — e uma verdade pela metade pode ser uma extraordinária ferramenta de manipulação.

Curiosamente, entre tudo o que poderia ser notícia, foram os 175 mil euros associados à inauguração da nova Escola Secundária de Cascais que conquistaram títulos, indignação e partilhas. Afinal, é sempre mais simples fazer manchete com um número isolado do que perder tempo com esse incómodo chamado contexto.

E o contexto, aparentemente menos interessante, é este: mais de 32 milhões de euros de investimento, com cofinanciamento do PRR; o fim de 50 anos de uma escola provisória; e um novo equipamento com capacidade para 1.320 alunos.

Mas, entre 32 milhões, 50 anos e 1.320 alunos, o número verdadeiramente irresistível para alguns foi mesmo o dos 175 mil euros.

O PRR exige, para investimentos desta dimensão, uma comunicação com relevante impacto mediático. E, nisso, convenhamos, o objectivo foi largamente cumprido — talvez até para lá das expectativas. Só há um pequeno detalhe: esse impacto deveria dar visibilidade ao investimento e à escola. Mas conseguiu-se algo bastante mais criativo: 32 milhões transformaram-se em 175 mil, uma escola transformou-se numa festa e 1.320 alunos praticamente desapareceram da notícia.

Impacto mediático? Missão cumprida.

O escrutínio do dinheiro público não está em causa — é indispensável, sobretudo na Capital Europeia da Democracia. Seria, aliás, uma contradição curiosa defender o contrário. O problema começa quando escrutinar deixa de significar esclarecer e passa a significar escolher números, retirar-lhes o contexto e esperar que as letras gordas façam o resto. Fiscalizar é democracia; transformar informação em conveniência política é apenas ruído disfarçado de escrutínio.

É legítimo questionar custos, prioridades e opções. Aliás, é desejável. Mas questionar exige de quem pergunta a mesma seriedade que se exige de quem responde. Reduzir dois momentos de comunicação associados a um investimento desta dimensão à expressão “175 mil euros gastos numa festa” é escolher o que se conta, o que se omite e, sobretudo, aquilo que se espera que o leitor não tenha tempo — ou vontade — de ir descobrir.

Por isso, talvez a pergunta seja muito simples: qual deveria ser, afinal, a notícia?

Que Cascais concretizou um investimento superior a 32 milhões de euros e pôs fim a 50 anos de uma escola provisória? Ou que, na inauguração dessa escola, havia um DJ, ecrãs e uma passadeira?

Realmente, escolhas difíceis.

A crítica política é legítima e a oposição é indispensável à democracia. Nenhuma delas deveria dispensar seriedade, contexto ou bom senso — embora, pelos vistos, estes três tenham menos capacidade de gerar cliques.

Porque havia uma alternativa: não aproveitar o financiamento, não construir a escola e deixar mais uma geração estudar numa solução “provisória” há meio século.

Provavelmente, daria menos títulos.

Questionem-se os 175 mil euros, naturalmente. Mas reconheça-se também a dimensão do investimento, a capacidade de concretização e, sobretudo, aquilo que ficou para os alunos de Cascais.

E custa acreditar que quem se apresenta como culto, informado e conhecedor da realidade pública não consiga reconhecer a importância deste feito. Talvez fosse mais útil desejar que esta capacidade de investimento e este compromisso com a educação se multiplicassem pelo país, para que melhores condições de ensino deixassem de ser notícia e passassem, simplesmente, a ser a regra.

Porque, retirado todo o ruído político, é apenas disto que estamos a falar: de uma escola, de educação e de dignidade.

Mas admito: “dignidade”, “educação” e “sucesso” são palavras terrivelmente pouco convenientes quando há 175 mil euros para pôr no título – e uns cliques para obter.

Cascais     Lisboa       País       Sociedade

COMENTÁRIOS:

Meio Vazio:  Bolas! Se no fungagá da coisa havia um "DJ" (raispartam!), então está justificado o balbúrdio, seus filisteus! Discutir  porque sim

Talvez por pura saliência pessoal. Talvez para apenas contradizer. Talvez por se ser poupadinho, sobrevalorizando o “vil metal” ou o papel ensebado das notas. Talvez por 

Quando o ruído vale mais do que a obra

Questionem-se os 175 mil euros, naturalmente. Mas reconheça-se também a dimensão do investimento, a capacidade de concretização e, sobretudo, aquilo que ficou para os alunos de Cascais.

Sandra Damas, Especialista em Conformidade e Regulamentação, Câmara Municipal de Cascais

OBSERVADOR, 26 set. 2026, 00:19

Há uma dificuldade cada vez maior em encontrar seriedade naquilo que se publica, comenta e partilha. Não necessariamente porque os factos sejam falsos, mas porque, demasiadas vezes, são apresentados pela metade — e uma verdade pela metade pode ser uma extraordinária ferramenta de manipulação.

Curiosamente, entre tudo o que poderia ser notícia, foram os 175 mil euros associados à inauguração da nova Escola Secundária de Cascais que conquistaram títulos, indignação e partilhas. Afinal, é sempre mais simples fazer manchete com um número isolado do que perder tempo com esse incómodo chamado contexto.

E o contexto, aparentemente menos interessante, é este: mais de 32 milhões de euros de investimento, com cofinanciamento do PRR; o fim de 50 anos de uma escola provisória; e um novo equipamento com capacidade para 1.320 alunos.

Mas, entre 32 milhões, 50 anos e 1.320 alunos, o número verdadeiramente irresistível para alguns foi mesmo o dos 175 mil euros.

O PRR exige, para investimentos desta dimensão, uma comunicação com relevante impacto mediático. E, nisso, convenhamos, o objectivo foi largamente cumprido — talvez até para lá das expectativas. Só há um pequeno detalhe: esse impacto deveria dar visibilidade ao investimento e à escola. Mas conseguiu-se algo bastante mais criativo: 32 milhões transformaram-se em 175 mil, uma escola transformou-se numa festa e 1.320 alunos praticamente desapareceram da notícia.

Impacto mediático? Missão cumprida.

O escrutínio do dinheiro público não está em causa — é indispensável, sobretudo na Capital Europeia da Democracia. Seria, aliás, uma contradição curiosa defender o contrário. O problema começa quando escrutinar deixa de significar esclarecer e passa a significar escolher números, retirar-lhes o contexto e esperar que as letras gordas façam o resto. Fiscalizar é democracia; transformar informação em conveniência política é apenas ruído disfarçado de escrutínio.

É legítimo questionar custos, prioridades e opções. Aliás, é desejável. Mas questionar exige de quem pergunta a mesma seriedade que se exige de quem responde. Reduzir dois momentos de comunicação associados a um investimento desta dimensão à expressão “175 mil euros gastos numa festa” é escolher o que se conta, o que se omite e, sobretudo, aquilo que se espera que o leitor não tenha tempo — ou vontade — de ir descobrir.

Por isso, talvez a pergunta seja muito simples: qual deveria ser, afinal, a notícia?

Que Cascais concretizou um investimento superior a 32 milhões de euros e pôs fim a 50 anos de uma escola provisória? Ou que, na inauguração dessa escola, havia um DJ, ecrãs e uma passadeira?

Realmente, escolhas difíceis.

A crítica política é legítima e a oposição é indispensável à democracia. Nenhuma delas deveria dispensar seriedade, contexto ou bom senso — embora, pelos vistos, estes três tenham menos capacidade de gerar cliques.

Porque havia uma alternativa: não aproveitar o financiamento, não construir a escola e deixar mais uma geração estudar numa solução “provisória” há meio século.

Provavelmente, daria menos títulos.

Questionem-se os 175 mil euros, naturalmente. Mas reconheça-se também a dimensão do investimento, a capacidade de concretização e, sobretudo, aquilo que ficou para os alunos de Cascais.

E custa acreditar que quem se apresenta como culto, informado e conhecedor da realidade pública não consiga reconhecer a importância deste feito. Talvez fosse mais útil desejar que esta capacidade de investimento e este compromisso com a educação se multiplicassem pelo país, para que melhores condições de ensino deixassem de ser notícia e passassem, simplesmente, a ser a regra.

Porque, retirado todo o ruído político, é apenas disto que estamos a falar: de uma escola, de educação e de dignidade.

Mas admito: “dignidade”, “educação” e “sucesso” são palavras terrivelmente pouco convenientes qhá 175 mil euros para pôr no título – e uns cliques para obter.

Cascais       Lisboa       País       Sociedade

 

COMENTÁRIOS:

Meio Vazio:  Bolas! Se no fungagá da coisa havia um "DJ" (raispartam!), então está justificado o balbúrdio, seus filisteus!