Do texto “Ódio Antigo”, de José
António Rodrigues do Carmo - em «Pântanos, genocídios e 74 chibatadas»
…Tudo isto é elementar, mas
também é elementar que Gaza é uma guerra urbana travada num território
densamente povoado, contra uma organização terrorista que combate
deliberadamente por detrás da população, com o objectivo de se proteger das
respostas israelitas, pelo tabu do dano a civis.
Isto não torna legais todos
os ataques israelitas, mas muito menos transforma em crime de guerra cada
edifício civil atingido. Um hospital é um alvo militar legítimo se
estiver a ser utilizado, fora da sua função médica, para actos de guerra, e a
sua neutralização oferecer uma vantagem militar concreta e directa.
Depois há factos curiosos
para quem pretende fingir que a guerra é um “genocídio”.
Em Setembro de 2024, em
plena guerra, 558.963 crianças de Gaza foram vacinadas contra a poliomielite,
com pausas humanitárias diárias de nove horas, concedidas por Israel.
Numa discussão em que a
intenção de genocídio é o elemento fundamental, talvez não seja despropositado
incluir na análise o facto de a força acusada dessa intenção suspender
operações para permitir que mais de meio milhão de crianças do grupo
supostamente a genocidar, sejam vacinadas.
Também a questão da
comida, da água e da electricidade é pouco adequada a slogans. Israel
deixou entrar, pelas suas fronteiras, milhões de toneladas de comida, e
forneceu água e electricidade. Faz-se isso a um grupo que se quer eliminar? Algo
semelhante ocorreu nos genocídios que a História documenta?
A Espanha é, a par da
Irlanda, um dos países europeus onde o antissemitismo mais medra. Que
faria Madrid se, num destes dias, homens armados entrassem em Ceuta e Melilla,
assassinassem centenas de pessoas, sequestrassem famílias inteiras e
anunciassem que repetiriam a operação? Guterres viria dizer que as
coisas não aconteceram num vácuo? Durante quanto tempo teria a
Espanha o direito de legítima defesa? Quantos soldados Espanha aceitaria perder
para diminuir o risco imposto aos civis marroquinos? Onde colocaria
o Governo espanhol a fronteira entre precaução razoável e suicídio táctico?
Não sei, mas admiro quem
sabe, sobretudo porque costuma descobrir a resposta a três mil quilómetros do
inimigo, sentado numa esplanada, com a chávena numa mão, o keffieh ao pescoço e
uma melancia a pingar sobre o Direito Internacional.
Os militares, israelitas ou
de qualquer outro país, não são santos. São pessoas.
Alguns heróicos, outros
medíocres. Alguns cumprirão escrupulosamente as regras, outros poderão
violá-las. Os segundos devem ser investigados e, existindo provas, punidos.
É assim que funciona uma
democracia.
Mas há uma diferença
gigantesca entre investigar um soldado, uma unidade ou uma decisão e
transformar milhões de israelitas numa personagem colectiva chamada “o genocida”.
A desculpa das críticas “às
políticas” de Israel, fede a coisa antiga e rançosa.
Durante séculos, cada
judeu era um recipiente de culpa colectiva. Após milhões de judeus
exterminados, a Europa declarou que esse hábito era inaceitável.
Depois apareceu Israel e
alguns descobriram logo o truque para ressuscitar o velho ódio sem pronunciar a
palavra “judeu”. Basta chamar-lhe “sionista”, “colono”, “genocida” e,
naturalmente, jurar que não há absolutamente nada contra judeus. A máscara é tão
fina que se desfaz à primeira exsudação de ódio.
Israel pode ser
criticado, nem mais, nem menos do que qualquer outro dos quase duzentos países
do mundo. Nenhum deles está acima do escrutínio, mas também não deve estar
abaixo das garantias intelectuais que se concedem aos restantes países.
O Hamas deve ser
aniquilado pela intenção declarada de genocídio, pelo massacre de 7 de Outubro,
pela tomada de reféns, pelos ataques deliberados a civis e pela forma
terrorista como combate.
Israel deve ser julgado
pelas suas próprias acções, mas os judeus não devem voltar a ser julgados
colectivamente apenas porque alguns antissemitas descobriram palavras novas
para vocalizar um ódio velho.
A Europa já experimentou
isso e, na última vez, também havia criaturas a explicar que era por uma boa
causa.
A coisa não acabou bem!
Israel Médio Oriente
Mundo
COMENTÁRIOS
Sr Leão
Já várias vezes comentei
aqui o que pensava dos artigos do nosso Coronel. Praticamente disse tudo o que
pensava acerca da excelência da escrita e da translucidez das opiniões dele.
Só posso acrescentar que há
muitos anos (muitos mesmo) passei um tempo em Lamego e observei "in
loco" os ingredientes com que se molda um comando. Daí que a minha
surpresa já não se manifeste tão festivamente.
isabel ferreira
Os ocidentais, perdidos e
assolados pela culpa inculcada pela loucura dos progressistas globalistas,
movem-se no lodo espalhado pela hipocrisia da ONU e de elites cobardes que se
sentam à mesa dos maiores torcidários dos direitos humanos, para em coro
condenarem os judeus pelo falso genocídio. A intenção deixou de contar, do rio
até ao mar, é uma intenção genocida, mas isso não interessa nada, os judeus
nunca poderão dizer que o combate em Gaza não aconteceu no vácuo. Lá está, o
ódio ao judeu é difícil de lavar, a nódoa vem sempre ao de cima, por muito que
a tentem esconder. A esquerda do amor, dos direitos humanos e do DI apoia
terroristas, os fins justificam sempre os meios, principalmente se for para
combater judeus e supostos fascistas.
Cúpida Stunt
👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻
Nem mais, nem menos.