A fé (apesar
da descrença ironicamente crítica, de AG, na juventude pateticamente amiga
dos prazeres – na maturidade humana, trazida pelo avanço na idade, que alterará
as ambições e os comportamentos próprios do ser humano. Podemos, pois,
continuar a crer na evolução populacional, o clima proporcionando momentos de
lazer e de prazer sadios e propícios ao bem-estar. E mesmo que assim não seja…
Haverá alegria maior do que essa de gerar filhos?
Alterações climáticas: um debate estéril
Fora do “wishful thinking” de determinadas comunidades “científicas”
e da redacção do “Expresso”, não deve haver praticamente uma alminha que evite
ter filhos por se afligir com a temperatura
ALBERTO GONÇALVES Colunista do
Observador
OBSERVADOR, 02
mai. 2026, 00:24
A partir de um estudo estrangeiro de 2021 e de um estudo nacional
ainda não publicado, o “Expresso” concluiu que “Quatro
em cada dez jovens hesitam ter filhos [sic] por causa das alterações climáticas”.
Os resultados são assustadores: assusta assistir na nossa época tão
informada e esclarecida à repetição do exacto “milenarismo” de há mil anos. E “exacto” é força de expressão. Por regra, as crenças medievais no iminente fim dos tempos tinham
alguma razão de ser, e aconteciam em períodos de crise ligados a guerras, fome
e epidemias – ou seja, às trivialidades quotidianas daqueles
tempos. Hoje, os “jovens”, que prolongam a juventude até à meia-idade e
beneficiam de um conforto que os senhores feudais nem sequer podiam imaginar,
deixam-se tolher face a uma ameaça vaga, discutível e, salvo na retórica apocalíptica do eng. Guterres,
remota. Além disso, os medos justificados de antigamente,
aliados à escassez de anticoncepcionais eficazes, não impediam as pessoas de se
reproduzirem, imprudência sem a qual não estaríamos aqui, eu, o leitor, os
jornalistas do “Expresso” e as jovens que padecem de “ecoansiedade”
entrevistadas pelo “Expresso”. Já os medos comparativamente
injustificados de agora parecem implicar uma apetência para a extinção da espécie. Antes
que o clima trate do assunto, a própria espécie despacha-o mediante suicídio
programado.
Isto tudo, note-se, se levarmos a sério os referidos estudos e o artigo
do “Expresso”.
No artigo, se o espremermos bem, o
vetusto semanário limita-se a falar com duas “jovens” portuguesas.
Uma,
Catarina, 25 anos, teme procriar por não encontrar “respostas claras” a duas
perguntas “difíceis”: “Até que idade
poderá viver um filho que tenha nos dias de hoje? Será que a zona onde vivemos
continuará habitável daqui a algumas décadas?”. Não são perguntas
difíceis. Eis as respostas: 1)
até aos oitenta, oitenta e dois, se atendermos à esperança de vida actual; 2) à
conta das proezas do “poder local” e dos efeitos da “arquitectura”
contemporânea, inúmeras “zonas” do país já não são habitáveis há muito.
A segunda “jovem” a falar com o “Expresso” chama-se Mourana, tem 29
anos e pertenceu à Greve Climática Estudantil, uns moços e moças que, a fim de
prevenir o degelo, lançam tinta em cima de políticos, vandalizam montras
e bloqueiam estradas. Após ter
cortado nos banhos e na carne, vencido as insónias e experimentado “diferenças
nas capacidades cognitivas”, Mourana licenciou-se em psicologia, arranjou
emprego (?) no grupo EcoPsi, “focado na promoção da saúde mental no cenário de
alterações climáticas”, e “recuperou o sonho de ser mãe”. Que bom. Ou não.
É que há duas questões fundamentais em que o artigo do
“Expresso” não toca. Por um
lado, é positivo não só que os “ecoansiosos” tenham reservas em produzir
descendentes como é sobretudo aconselhável que não o façam de todo.
A julgar pelo alegado desarranjo mental dos hipotéticos pais, nada indica
que os filhos, alimentados a caldos de imaturidade, ilusões de grandeza, visões
do Juízo Final e paranóia, possam sair menos avariados. O provável é saírem
mais avariados, mesmo que convenha apurar se tal é possível.
A outra questão de que o “Expresso” foge
é a seguinte: em vez de debater se as alterações climáticas de
influência antropogénica existem na dimensão propagada e com as consequências
anunciadas, não seria preferível aceitar que existem, desejar que existam e
rogar aos santinhos que cumpram o seu papel com rapidez? Dito de maneira diferente, vale a pena ambicionar a
continuação de sociedades em que uma parte significativa da população não
regula bem? Se as percentagens de “ecoansiosos” forem autênticas,
é altura de começar a ponderar não os riscos das alterações climáticas, e sim a
respectiva necessidade. Os perigos
decorrentes de gente que, sem reparar no absurdo, recorre a tecnologia avançada
para organizar manifestações em que se exige a devolução da humanidade ao
Paleolítico são muito maiores. Entre ver a Terra arrasada por ondas
de calor e inundações ou entregue a multidões de tontos, o meu coração não
balançaria.
A
nossa sorte é que estes dilemas épicos não se colocam. De regresso à realidade,
fora do “wishful thinking” de determinadas (e financiadas) comunidades
“científicas” e da redacção do “Expresso”, não deve haver praticamente uma
alminha que evite ter filhos por se afligir com a temperatura a longo prazo. As
novas gerações evitam ter filhos, e na verdade têm pouquíssimos, porque as
casas são caras, porque os salários são baixos, porque tendem ao egoísmo,
porque não apreciam obrigações, porque simplesmente não calhou e porque dispõem
da pílula, ora essa.
A invocação, neste contexto, das
“alterações climáticas” apenas visa conceder uma dignidade postiça a motivos
prosaicos. É um tique contagioso, uma forma infantil de
legitimação, uma “causa” que à semelhança da adesão a “causas” similares
convence os meninos e as meninas de que têm relevância nos destinos do mundo.
Depois, na maioria dos casos, os meninos e as meninas
crescem. E uns tantos multiplicam-se.
ALTERAÇÕES
CLIMÁTICAS CLIMA AMBIENTE CIÊNCIA
COMENTÁRIOS (de 17)
Glorioso SLB: Algum dos entrevistados é imigrante
paquistanês? É q esses têm filhos à brava. 1/3 das crianças q nascem em
Portugal já são filhos de estrangeiros. A grande substituição está em marcha.
Orquestrada ou ñ. Mas se é para substituir malucos eco ansiosos q recebem
subsídios para colóquios, exposições e manifestações ou imigrantes q, para já,
vergam a mola, e são anti-homossexualismo, ñ sei se os segundos ñ são bem
melhores. A minha dúvida é: qd é q o Expresso decidiu ser wokista? Foi o
Sócrates? Foi qd o Balsemão adoeceu? De PSD a BE em 20 anos!
José Paulo Castro: Estou espantado por ninguém
ter ansiedade com o aumento da carga fiscal que é pretendido pelos promotores
das teses climáticas. A minha carteira fica muito ansiosa. Será ecoansiedade?
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