domingo, 23 de agosto de 2026

O factor épico

 

De longa data transposto numa historicidade nem sempre de exactidão, na sua reprodução humana, mais chamariz da atenção alheia sobre aquele que relata do que na autenticidade dos factos - forma, talvez, de acentuar a qualidade expositiva do seu relator, como já as epopeias clássicas tão bem o manifestaram. Pese, embora, a fugacidade do relato oral actual, apesar das técnicas modernas de “armazenamento”  oficial.  Só, de resto, um analista de muito saber, como Miguel Tamen, se lembraria de fazer ironia sobre a transmissão das notícias mundanais – que, melhor ou pior, vão ilustrando os saberes dos ouvintes menos ilustrados pelas leituras dos jornais. É o meu caso. Por isso estou grata aos telejornais permissivos de uma aprendizagem visual e auditiva, no recosto do sofá, a mesa e a cadeira mais utilizadas aquando das palavras cruzadas e outras regalias de escrita propiciada pelos jornais.

O POEMA DA FORÇA

É a combinação de leviandade, violência, pompa e comentário que mantém o telejornal na tradição da épica grega.

MIGUEL TAMEN, Colunista do Observador, Professor (e director do Programa em Teoria da Literatura) na Universidade de Lisboa

OBSERVADOR, 22 ago. 2026, 00:20

Hi, dad,’ observou Telémaco.  Para quem se sente culpado por não saber grego e não quer estar na bicha para os filmes de peplo, o telejornal é uma fonte  uma historicidade alternativa e barata de poesia épica. Como os grandes poemas de antigamente, é longo, heterogéneo e repetitivo; e como eles terá evoluído a partir da linguagem oral, ou pelo menos é recitado por rapsodos (como lhes chamavam na Grécia) que têm o cuidado de nos assegurar que o mundo se move pela força, a qual escraviza e arrasta as cabeças no ar em estado de fúria.

Algumas pessoas preferem outros tipos de ficção ao telejornal; mas esses tipos de ficção não conseguem dar uma ideia clara da Grécia arcaica:  do pitoresco das linguagens, do disparatado das opiniões, da noção de que tudo está relacionado, e sobretudo de que há uma força nas coisas.   Os espectáculos da ira dos heróis são encorajados; e não lhes são estranhas as principais emoções helénicas, em especial a imitação do sentimento da dignidade ofendida.  Os rapsodos que recitam o telejornal chamam quase sempre tragédia à épica; mas essa imprecisão terminológica não afecta a sua intenção mais profunda.

Ao telejornal não basta com efeito pôr em verso uma história fatal.  É necessário que o metro encantatório se possa prolongar durante muito tempo em muitas histórias desirmanadas; e depois que elas se repitam aos bocados e se repitam os seus melhores bocados em palavras soltas, de acordo com a vontade presumida do freguês.   Os telejornais são literatura oral sem questão homérica: a ninguém ocorreria vir a escrever mais tarde aquelas coisas.  São improvisados por pessoas dotadas de uma memória tão opulenta que as impede de pensar no que estão a dizer.

Há em cada noite o eco das proezas atléticas dos tempos antigos, quando os profissionais bem pagos eram capazes de recitar dezasseis mil versos em apneia, sem raciocinar uma única vez.   Os espectadores desses recitais estavam muito habituados às expressões que não queriam dizer nada, e não se importavam: sabiam que elas estavam lá para ajudar à memória e dar um ar da sua Grécia.  É por isso que entre as personagens épicas antigas tantos heróis tinham o pé leve, e que a aurora e as rosas tinham dedos.

Ao público do telejornal também não importam os rastos de destruição, a vizinha Espanha, ou a velhinha lei da gravidade: são auxiliares da memória que se esquecem depressa.   O que quer assegurar é que em qualquer noite lavrem os maiores incêndios desde a Antiguidade; que haja banquete; e que a seguir se represente a comédia do Ciclope Transatlântico, a quem a Europa das mil manhas engana sempre com sucesso (pensar que foi na península de Setúbal que nasceu o cavalo de Tróia!)  É essa combinação de leviandade, violência, pompa e comentário que mantém o telejornal na tradição da épica grega.

COMENTÁRIOS:

José B Dias: Muito bom!

Manuel Matos: Excelente!

Américo Silva: Esta crónica é de se lhe tirar o chapéu, aplaudo de pé.

Rosa Ribeiro: Crítica subtil ou humor apontado aos locutores e comentadores dos Telejornais? Os comentadores multiplicam-se como cogumelos.

Carlos Almeida: simplesmente delicioso .

sábado, 22 de agosto de 2026

CONTINUAÇÃO

 


Do Texto de JOSÉ ANTÓNIO RODRIGUES DO CARMO: "Esquerda e islamismo"

 em "MUNDO DA RAZÃO"


COMENTÁRIOS (Continuação)

PEDRO BELO: Não vejo qualquer problema com o caso que menciona nos últimos parágrafos. Chama-se a isso assumir as escolhas e aceitar as consequências. Houvesse mais hipócritas e fanáticos de esquerda a aceitar refugiados nas suas casas e a sua posição talvez se alterasse rapidamente. Como não o fazem, podem continuar a defender a sua ideologia de forma cega e os outros que sofram as consequências.

António Soares: Excelente crónica. Inestimável serviço público! Bem haja!

João Floriano: «O verdadeiro problema do Ocidente não é apenas a agitação, a violência e a intolerância dos que o querem destruir mas, sobretudo, a bovinidade colaborante com que alguns dos seus filhos, idiotas úteis dotados de ignorância e telemóvel, lhes abrem a porta, carregam as malas e ainda pedem desculpa por existirem.» Este parágrafo diz tudo.

Giovanni Licciardello: Caro José António. Magnífico texto. Uma síntese certeira sobre esquerda folclórica, como diz e Islão radical. Como sempre, temos de ter os dois olhos abertos e não somente o esquerdo (ou o direito).

António Alberto Barbosa Pinho: Triste realidade. E o desesperante é sentir que a luta é tenue contra este movimento contra civizacional em relação ao modo de vida democrático Ocidental. Mas não deixemos de lutar e o Sr. Coronel é um bom exemplo.

Ana Rita: Por que razão António José Seguro (na cerimónia do Prémio Norte-Sul) falou na crueldade de Israel em Gaza (ignorando o 7/10/23) e apontou o dedo a Israel pelos jornalistas mortos? “A resposta é menos misteriosa do que parece.”

miguel cardoso: Dando-lhe os parabéns por esta tão lúcida crónica, a pergunta que se me põe é como organizar e uma frente capaz de combater de forma eficaz todos os próceres islamo-esquerdistas perante uma massa ocidental que usufrui do extraordinário conforto e liberdade, mas se mostra incapaz de os defender. O combate ideológico que o Senhor Coronel tem levado é notável, mas sinto que não chega.

Maria Emília Ranhada Santos: Excelente! Tudo dito, preto no branco, mas, existe ainda mais uma coisinha que acho eu, faz toda a diferença:

é a malfadada comunicação social, que abriga todos estes delírios de loucura, aprovando-os e culpando o inocente!

E, para completar o quadro da destruição do Ocidente e da sua odiada, (ou invejada?) civilização, temos juízes iníquos nos nossos tribunais a julgarem as causas não com justiça, mas segundo a ideologia é de direita ou de esquerda!

Se for de direita, é considerada ocidental, está arrumada!

Se for de esquerda, mesmo que tenha cometido o maior crime, arranja-se sempre uma desculpa para que não existam obstáculos ao mal!

manuel menezes: Senhor Coronel, quero que saiba que tenho por si uma imensa admiração.

Os portugueses dividem-se em dois grandes grupos, os que pertencem à  NAÇÃO portuguesa, que partilham da sua História, dos seus valores e amam a sua Pátria e, um segundo grupo, que são de um sítio a que chamam PAÍS, que é somente uma localização geográfica.

Vasco R: Os esquerdolas são traidores de Portugal e dos portugueses e deverão ser perseguidos e presos . As leis terão de mudar e deverá ser instituída a prisão perpétua ou pena de morte para estes traidores. O Costa deveria ser o primeiro a ser preso e julgado .

Manuel Magalhaes: Grandes e realistas verdades Sr. Coronel, só não vê quem não quer e ao que parece o Ocidente não quer mesmo ver mas o problema é demasiado sério para continuarmos a ser idiotas (in)úteis!!!

Jose Santos: Quem desconhece a história vai acabar por repetir os seus erros. O exemplo do Irão é aquele que melhor exemplifica a aliança actual entre a esquerda woke e o fundamentalismo islâmico. Contra o regime monárquico do Xá, estavam os comunistas e os islâmicos. Após a queda do regime, rapidamente o Ayatollah eliminou os idiotas úteis que tiveram de se exilar ou se converter. Hoje estamos a ver o mesmo a acontecer perante uma passividade alarmante da sociedade ocidental.

Adelino Oliveira: Parabéns. A verdade dói, continue.

Francisco Almeida: Na listagem dos motivos do ódio ao capitalismo faltou uma que é a inveja. Inveja da prosperidade e da riqueza que, em vez de despertar o desejo de as alcançar, desperta o desejo de as destruir. Infelizmene, de forma moderada e não violenta, é também caraterística dos portugueses, uma das más.

Maria Correia: Gramsci e Deleuze. Há que destruir identidades e pátrias e este novo proletariado serve à medida. Espalha-se mesmo como tubérculos da lógica batata da sua bondade

Ricardo Pereira > Ana Rita: Porque ele é um 1mb3cil, eleito por idem

Antonio Sennfelt: "Islamistas e esquerdistas são mesmo companheiros de estrada?" Ora essa, claro que sim!! E companheiros de braço dado e de ocasional conúbio sempre que as circunstâncias lhes pareçam propícias! O seu insanável ódio ao Ocidente e a tudo o que de melhor que ele representa - liberdade de expressão, de ideologia e primado do Direito, incluindo os direitos humanitários  - constitui a argamassa que os une. Mas - atenção! - mal um parceiro dessa ignóbil união de facto consiga atingir o seu objectivo – i. é, o Poder total e absoluto! - logo o pretérito parceiro passa à categoria de inimigo a abater! Ou seja, estão bem um para o outro! 

David Pinheiro: O exemplo supremo foi a reacção ao atropelamento numa parada gay na Alemanha.

Maria Ramos: Excelente e elucidativo texto.

Victor Goncalves > Paradigmas Há Muitos!: Uma amiga minha Luso-Francesa  casou com um muçulmano marroquino. Enquanto estiveram em França, tudo bem, mas num determinado momento foram viver para Marrocos. Mal chegaram, a família dele logo começou a conspirar acerca dos modos de vestir, de se comportar, enfim, de respirar da ocidental. Começou logo a levar uns correctivos porque teimava em não perceber o óbvio: tinha caído na armadilha. E agora era difícil sair. Felizmente ela tinha uma boa situação financeira e contratou um advogado que a aconselhou a sair dessa situação, já que por várias vezes tinha tido a vida em perigo. Tudo isto se passa num ambiente de classe média alta. Conclusão: Islâmicos têm dificuldade em conviver com ocidentais, a sua cultura, as suas leis. Tirem-se as devidas conclusões

Fernando ce: Muito boa crónica.

Mundo da razão

 

Religiões, dogmatismos, racismos - específicos de um ser nem sempre  racional.

Esquerda e islamismo

Islamistas e esquerdistas são mesmo companheiros de estrada? Por que razão o deputado comunista Miguel Urbano Rodrigues escreveu que o Hamas e o Hezbollah eram movimentos revolucionários?

JOSÉ ANTÓNIO RODRIGUES DO CARMO Coronel "Comando"

OBSERVADOR, 21 ago. 2026, 00:25

O 11 de Setembro de 2001 apanhou-me de férias numa praia, perto de Tavira. Havia sol, mar, tranquilidade e optimismo num mundo que eu julgava decente. Era um tempo ingénuo, levava-se para a praia a toalha e o protector solar, não um manual da jihad para perceber as notícias.

Recordo-me bem desse dia e das discussões que se seguiram. Até então, o Islão não estava sequer no meu horizonte de interesse ou preocupação. Mas nesse dia entrou pelos olhos dentro, com aviões civis transformados em mísseis, arranha-céus reduzidos a poeira e milhares de pessoas imoladas por causa de um argumento teológico apresentado de forma aterradora.

Surpreendeu-me que dezanove homens  “normais”  tivessem decidido suicidar-se para matar desconhecidos. Não por impulso, loucura, desespero, ganância ou ciúme, mas por convicção numa ideia. Ora quando uma ideia convence homens a derrubar os instintos de sobrevivência e os tabus éticos da civilização, para morrer e assassinar pessoas que nunca viram, convém investigá-la, em vez de chamar «contexto» ao fanatismo.

Comecei então a ler o Corão, hadiths, comentários, exegeses, estudos históricos, apologias, críticas e acusações inflamadas. Li autores de vários quadrantes, com diferentes simpatias, intenções opostas e graus variados de honestidade intelectual.

O resultado foi a pouco tranquilizadora impressão de que, nos seus fundamentos, enquanto projecto político, o Islão é muito mais do que uma religião no sentido ocidental. É doutrina de poder e visão totalitária  da sociedade. Pretende regular a lei, a moral, a família, a educação, a liberdade, a guerra e a submissão. Não se contenta em salvar almas, quer governar corpos, e colide com a civilização liberal por fundamental incompatibilidade, não por falhas de tradução.

Mas a descoberta mais perturbadora estava aqui mesmo, no Ocidente.

Sempre que se sinalizavam as características intolerantes do fundamentalismo islâmico e dos seus textos, acorriam logo em sua defesa sectores significativos da esquerda ocidental. Não toda, mas uma parte, ruidosa, cínica  e moralmente arrogante, surgia invariavelmente a explicar que tudo era complicado, que era preciso compreender, que o Ocidente, Israel, a América, o colonialismo, e o capitalismo tinham  culpas e, no limite, que era “bem feito”, que as coisas não surgiam no vácuo, e que as vítimas tinham tido o mau gosto de morrer no lugar errado à hora errada, sem consultarem as teoria pós-coloniais.

O espectáculo continua  a ser inacreditável. “Progressistas”, feministas, laicos, libertários e defensores de todos os direitos humanos, incluindo os inventados anteontem, revelam infinita compreensão por regimes, pessoas e doutrinas que subordinam a mulher, perseguem o apóstata e o “infiel”, enforcam o homossexual, odeiam o judeu, calam o dissidente e encaram a liberdade como decadência. É um enviesamento que exige tudo às democracias e nada aos carrascos, desde que estes insultem com boa dicção os americanos e judeus, e os matem com galhardia.

O mesmo estudante do CES/Universidade de Coimbra, da NOVA/FSCH, ou do ISCTE, que detecta fascismo num pronome, numa piada mal calibrada ou numa bacorada do Sr Ben Gvir,  descobre «resistência» no terrorismo puro e duro, e pitoresco cultural na intolerância teocrática.

A pergunta impõe-se: islamistas e esquerdistas são mesmo companheiros de estrada?

Por que razão o comunista francês Roger Garaudy, se converteu ao Islão?

Por que razão o deputado comunista Miguel Urbano Rodrigues, chefe de redacção do Avante, escreveu que o Hamas e o Hezbollah eram movimentos revolucionários  e “representantes de princípios universais”?

Por que razão o “socialismo bolivariano”  encontrou aliados naturais nos teocratas iranianos?

Por que razão Miguel Portas vindo do Partido Comunista para o Bloco de Esquerda, prestava homenagem a Hassan Nasrallah, chefe terrorista às ordens dos aiatolas?

Por que razão o poeta anarquista  Barahona da Fonseca, se converteu ao Islão e adoptou o nome de Muhammad Abdur Rashid?

Por que razão Nova Iorque elegeu Zohran Mamdani, um muçulmano antissemita, que se diz socialista?

A resposta é menos misteriosa do que parece. A esquerda folclórica e o Islão político encaram o Ocidente liberal como o inimigo comum.

Uns odeiam-no por ser capitalista, imperialista, burguês, americano e opressor. Outros por ser decadente, infiel, permissivo, de influência judaico-cristã, secular e livre. Ambos olham para a civilização liberal, com as suas imperfeições, parlamentos, jornais, mulheres livres, minorias protegidas, liberdade de expressão, tribunais independentes e o irritante hábito de permitir que os seus inimigos a insultem, como uma monstruosidade a destruir. Não têm o mesmo destino final, mas viajam alegremente na mesma flotilha.

Esta aliança é a peça central da crise do nosso tempo. Não porque todos os muçulmanos sejam islamistas ou toda a esquerda seja cúmplice da barbárie, mas porque uma parte da esquerda decidiu que o ódio ao Ocidente e à sua própria pertença, é mais importante do que a liberdade. Quando a ocasião se propicia, a máscara cai e fica exposta a preferência real, não pelos fracos, oprimidos, mulheres ou minorias, mas por qualquer força, incluindo terroristas e genocidas, que lhe pareça capaz de atacar a civilização ocidental.

O verdadeiro problema do Ocidente não é apenas a agitação, a violência e a intolerância dos que o querem destruir mas, sobretudo, a bovinidade colaborante com que alguns dos seus filhos, idiotas úteis dotados de ignorância e telemóvel, lhes abrem a porta, carregam as malas e ainda pedem desculpa por existirem.

O caso de Jamey Carney, ocorrido no mês passado, oferece uma imagem  tristemente ilustrativa.

A americana conheceu Ahmad Al-Saqar, jordano e “refugiado”, numa manifestação “pró-palestiniana”  na Irlanda, o país mais antissemita da Europa (a par da Espanha), e levou-o para casa. Carney foi assassinada em casa e  Ahmad fugiu para a Jordânia.

Este caso não demonstra uma teoria sobre milhões de pessoas, obviamente. Mas é o que é:

-Uma activista “antissionista” ( vocábulo que hoje se usa para dizer o indizível),  de esquerda, abriu a sua porta a um islamista que conheceu na “causa” emblemática da amálgama do nosso tempo. A realidade respondeu da forma mais brutal, sem consultar o manifesto ideológico, como vem acontecendo sistematicamente na Europa, cujos cidadãos são atacados à bomba, a tiro e à facada por fundamentalistas islâmicos, acolhidos por razões humanitárias. Os companheiros de estrada sobreviventes, encolherão os ombros, procurarão o contexto, culparão a civilização que lhes dá o chão, e  talvez acabem, como de costume, a fustigarem-se a si mesmos, em penitência por serem ocidentais.

ISLÃO       RELIGIÃO       SOCIEDADE

COMENTÁRIOS:

graça Dias: O subtítulo questiona:" Islamistas e esquerdistas são mesmo companheiros de estrada? "

 Eu direi que, esta Nova Esquerda Woke em cumplicidades múltiplas com o islamismo simboliza uma nova ordem mundial brutal ,calculada e programada em padrões industriais, em que esta gente é dotada de uma "escolástica fanática" --  " Ódio e maldade ", que nos remete a outras épocas sombrias da historia. Eis a verdade sobre os inimigos que o Ocidente enfrenta hoje, tanto internos quanto externos. Eles são movidos por uma sede demoníaca ( uso esta palavra intencionalmente e literalmente ) pelo caos , um ódio pela ordem civilizacional, pela beleza e pela verdade.

O objectivo:

a)  destruição desenfreada e jubilosa da única civilização verdadeira que o mundo já conheceu;

b) miséria e morte em massa; e uma paisagem de pesadelo, de terror e tormenta, que poderá rivalizar com qualquer visão infernal de Hieronymus Bosch.

Ao Senhor Coronel JAC o meu obrigada pelo excelente artigo.

Eduardo Lourenço: Excelente crónica.  Parabéns.

João Mauricio Abreu Dos Santos: Mais um excelente  artigo da sua parte  Senhor Coronel,assertivo muito actual e expõe um dos grandes perigos da nossa civilização ocidental. Obrigado e um grande bem-haja.

Maximino Moreno: Excelente artigo.

Uiros Ueramos: Artigo de elevadíssimo nível, sobretudo porque expõe, uma das mais grotescas contradições da esquerda ocidental, a sua disponibilidade para romantizar o islão que representa a negação frontal de todos os valores de esquerda que proclama defender. Acrescentaria apenas um capítulo a esta anatomia da incoerência, o de uma parte significativa do ambientalismo político contemporâneo. Numerosas organizações que nasceram para defender ecossistemas, biodiversidade ou qualidade ambiental foram progressivamente convertendo a causa ecológica numa plataforma ideológica muito mais vasta, onde o combate à poluição foi sendo substituído pelo combate ao capitalismo, à indústria, à propriedade privada, ao crescimento económico e, não raras vezes, ao próprio modelo civilizacional ocidental. É precisamente nesse ponto que certas franjas do ambientalismo radical, da esquerda revolucionária e do islamismo político acabam por se encontrar numa curiosa convergência de hostilidades. Porque identificam no modo de vida ocidental e no capitalismo, um inimigo comum.É uma aliança de conveniência intelectualmente paradoxal: movimentos que proclamam defender mulheres, minorias sexuais, liberdade individual e secularismo marcham, literalmente, ao lado de islamitas que rejeitam esses mesmos princípios. Talvez seja essa a grande ironia do nosso tempo, uma parte do Ocidente tornou-se tão sofisticado na crítica à sua própria civilização que acabou incapaz de distinguir entre corrigir os seus defeitos e colaborar intelectualmente com aqueles que desejam suprimi-la.

(CONTINUA)