sábado, 27 de junho de 2026

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Há 2h 23:44

Ricardo Reis

Divulgados possíveis 14 pontos do acordo-quadro entre o Líbano, Israel e Estados Unidos

Os possíveis 14 pontos do acordo-quadro entre o Líbano, Israel e Estados Unidos foram divulgados por Barak Ravid, correpondente da Axios para os Assuntos Globais, na rede social X.

Em relação ao comunicado do secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, como foi noticiado anteriormente, nota-se que a única diferença é a ausência de um valor para a ajuda humanitária, situada nos 100 milhões de dólares (87,7 milhões de euros), “em coordenação com a ONU”.

Os 14 pontos, segundo a Axios, são os seguintes:

1 – Os dois países afirmam “o direito de cada Estado existir em paz, e o seu desejo mútuo de viver em segurança como Estados vizinhos soberanos”, assim como abordar as causas do conflito, através de contactos bilaterais, “com a mediação e apoio dos Estados Unidos”.

2 – Restauração da “autoridade soberana” das Forças Armadas Libanesas sobre todo o território do Líbano, através do desarmamento de “grupos não-estatais” e das suas infraestruturas, assim como a retirada das tropas israelitas no sul do país. Este ponto será detalhado num Anexo de Segurança.

3 – Assunção gradual da segurança nas chamadas “zonas-piloto”, que vão servir como “mecanismo para a retirada gradual e verificada das IDF [sigla inglesa das Forças de Defesa de Israel] e o destacamento das Forças Armadas Libanesas”. Serão duas zonas iniciais, sendo que podem ser criadas outras “por mútuo acordo”. As Forças Armadas Libanesas irão assumir a segurança total destas zonas após o desmantelamento de grupos armados não-estatais e das suas infraestruturas, para permitir o regresso de civis. A reconstrução do país será feita com apoio internacional, com os Estados Unidos a trabalhar “em estreita colaboração” com o Líbano e Israel para “verificar e apoiar este processo”.

4 – O Líbano compromete-se em “restaurar e exercer total soberania sobre todo o seu território” e em “reconstruir o monopólio do Estado no uso da força”. O Governo do país também se compromete em verificar e efectivar o desarmamento de todos os grupos armados não-estatais e “assegurar que esses grupos não terão nenhum papel militar ou de segurança e nenhuma capacidade militar em nenhum lado do Líbano”. Estes objectivos podem ser alcançados através do pedido de apoio de parceiros internacionais, mais concretamente árabes, “sob a liderança dos Estados Unidos”.

5 – Israel “enfatiza que as suas acções militares no Líbano são exclusivamente uma consequência” da ameaça que grupos como o Hezbollah constitui para o país. O Governo de Israel também sublinha que o fim dessa ameaça “eliminará qualquer necessidade futura” de acções militares ou de presença militar no Líbano, e que “não tem ambições territoriais” no país.

6 – O Líbano, em conformidade com a Carta das Nações Unidas, “reafirma que as suas forças detêm a responsabilidade exclusiva pela segurança e defesa do Líbano”, assim como autoridade plena para fazer a guerra e a paz. O Governo do país “rejeita as reivindicações de qualquer actor estatal ou não-estatal de usar a força em seu nome sem a sua autorização explícita” e que a sua reivindicação será ilegal.

7 – Os governos dos dois países “afirmam que nada neste acordo-quadro os impede de exercer o seu direito inerente de legítima defesa, conforme reconhecido pela Carta das Nações Unidos e em consonância com o direito internacional aplicável” e que só estes podem exercer este direito. Os dois países também se comprometem com o estabelecimento de um grupo de coordenação militar para implementar o acordo-quadro, “com o apoio e participação dos Estados Unidos”.

8 – Os dois países defendem um “Líbano seguro e reconstruído, sob a plena soberania do Estado libanês”, sem grupos armados que possam constituir uma ameaça para ambos os Estados e os seus cidadãos. Ambos reconhecem que a “restauração da segurança no sul do Líbano, através do destacamento das Forças Armadas Libanesas, o regresso seguro da sua população civil e a segurança das comunidades do norte de Israel são essenciais para a estabilidade e a paz a longo prazo”.

9 – O Líbano compromete-se com um “programa rigoroso e baseado no desempenho das Forças Armadas Libanesas a assumirem o controlo militar e de segurança total no Líbano”, e o desarmamento de todos os grupos armados não-estatais. O Governo do país também “saúda a prontidão dos Estados Unidos para apoiar tais esforços” e que a ajuda de Washington irá restringir-se a “metas verificáveis, total transparência, resultados demonstrados e supervisão contínua”.

10 – Os Estados Unidos vão mobilizar parceiros, “separada e simultaneamente”, para apoiar a reconstrução do Líbano, que pode incluir a “mobilização de uma assistência humanitária e de reconstrução substancial para o Líbano, programas de recuperação económica e iniciativas de investimento”.

11 – O Líbano e os Estados Unidos comprometem-se a impedir o financiamento a indivíduos, entidades ou organizações afiliadas a grupos armados e a “tomar as medidas legais disponíveis para proibir a [sua] atividade”. O Líbano também se compromete “explicitamente” a impedir que os fundos de reconstrução sejam canalizados para grupos armados e entidades ligadas a estes grupos.

12 – Estabelecimento de grupos de trabalho entre o Líbano e Israel, após a assinatura do acordo-quadro, “com o objectivo de redigir o acordo de paz e segurança pleno e abrangente”, assim como de “canais complementares de diálogo directo contínuo, facilitados pelos Estados Unidos”. Ambos os países comprometem-se em agir de boa-fé enquanto não for alcançada paz, estabilidade e prosperidade duradouras para o Líbano e Israel.

13 – Líbano e Israel, “alinhados com os seus objectivos partilhados de estabelecer relações estáveis e pacíficas”, comprometem-se em agir de boa-fé, incluindo o fim de “todas as acções hostis ou adversas em fóruns políticos ou jurídicos internacionais”. Ambos os países também comprometem-se a trabalhar juntos na busca e repatriamento de restos mortais e na libertação de detidos.

14 – Líbano e Israel reconhecem o papel dos Estados Unidos “no apoio aos seus esforços para acabar com décadas de conflito” e estabelecer paz e estabilidade duradouras entre ambos os países. Os dois também “expressam o seu profundo apreço pela visão e liderança do Presidente Donald J. Trump”.

CONTINUA

MUNDO


HOJE.

Em directo/ Depois de ameaça de Trump, EUA atacaram armazéns de mísseis e drones iranianos em Ormuz para responder a "agressão injustificada"

Casa Branca acusou o Irão de ter atacado um navio com drones, no Estreito de Ormuz, na quinta-feira. Guarda Revolucionária do Irão ameaça retaliar de forma "rápida e decisiva".

Mariana Lima Cunha: Texto

Actualizado Há 1h

YOAN VALAT/EPA

Momentos-chave

Há 1h

"Violência será respondida com violência": JD Vance avisa que divergências sobre memorando devem ser revolvidas diplomaticamente

Há 2h

Divulgados possíveis 14 pontos do acordo-quadro entre o Líbano, Israel e Estados Unidos

Há 2h

Meios de comunicação social iranianos removeram alegado comunicado da Guarda Revolucionária

Há 2h

Presidente da comissão parlamentar iraniana de Segurança Nacional apelida ataques dos EUA de "violação imprudente do cessar-fogo"

Há 3h

Guarda Revolucionária do Irão ameaça retaliar de forma "rápida e decisiva"

Há 3h

EUA dizem que atacaram armazéns de mísseis e drones iranianos para responder a "agressão injustificada"

Há 4h

Depois de ameaça de Trump, EUA atacam alvos iranianos no Estreito de Ormuz

Há 4h

"Vamos descobrir": Trump não garante se vai retaliar ataque atribuído ao Irão contra navio em Omã

Há 4h

Rubio afirma que acordo entre Israel e Líbano prevê desarmamento do Hezbollah, um grupo de coordenação militar e ajuda humanitária a Beirute

Há 4h

Presidente do Líbano agradece a Trump pelo acordo-quadro assinado com Israel

Há 5h

Trump garante que o Irão ficou com "algumas" capacidades militares

Há 5h

Putin e Lukashenko terminaram reunião em Valdai. Abordaram a cooperação entre os dois países e "questões relacionadas à segurança regional"

Há 5h

Kiev angaria 10 mil milhões de euros para reconstrução em conferência na Polónia

Há 5h

Hezbollah rejeita acordo entre Líbano e Israel, avisando que "arrisca criar divisões internas perigosas"

Há 6h

Netanyahu afirma que acordo com Líbano é um "golpe" para o Irão

Há 6h

"Início do início": Líbano e Israel assinaram acordo trilateral com os Estados Unidos que prevê retirada parcial das IDF do sul do Líbano

Há 7h

Acordo entre Israel e Líbano pode estar para breve

Há 7h

Putin e Lukashenko estão reunidos em Valdai, na Rússia, após a Bielorrússia ter pedido para não ser arrastada para a guerra na Ucrânia

Há 7h

Dezassete navios atravessaram o Estreito de Ormuz pelas águas de Omã, apesar de avisos do Irão

Há 8h

Agência da ONU regista 115 navios e 2.500 tripulantes retirados de Ormuz

Há 8h

Ataque israelita na Faixa de Gaza provoca três mortos

Há 8h

Trump afirma que ataques iranianos a navios no Estreito de Ormuz são uma "violação insensata" do cessar-fogo

Há 8h

Manifestações pacíficas na Faixa de Gaza estão a ser reprimidas pelo Hamas, denunciam ativistas

Há 9h

Tripulantes de navio iraniano apreendido pelos Estados Unidos chegam ao Paquistão

Há 9h

MNE dos Emirados Árabes Unidos apela a uma "segurança sustentável e estabilidade na região" em chamada com o MNE iraniano

Há 9h

Irão afirma que país tem "direito inerente à legítima autodefesa" e que aliados norte-americanos no Golfo devem ser "responsabilizados"

Há 9h

IDF afirmam ter morto sete combatentes do Hezbollah

Há 9h

"Se o Irão atacar Israel, será o seu maior erro até à data", diz ministro da Defesa de Israel

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Kiev e Moscovo trocam 160 prisioneiros de guerra de cada lado

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Drone israelita lança panfletos com avisos de perigo para população libanesa

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Tensão sobre Líbano. Ministro israelita defende que governo deve "fazer cessar-fogo colapsar"

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Autoridades russas declaram estado de emergência na Crimeia

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Discordância sobre mapa do cessar-fogo leva a impasse entre Israel e Líbano

Há 15h

Irão acusa EUA e Conselho do Golfo de "provocação e intervencionismo"

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Hezbollah pediu a retirada incondicional de Israel do Líbano

Há 16h

Bruxelas prolonga proteção a refugiados ucranianos até 2028 mas limita entradas de militares

Há 18h

EUA ponderam deslocar bases marítimas no Médio Oriente para Israel

Há 18h: EUA acusam Irão de atingir navio no Estreito de Ormuz

Há 18h: Nova Zelândia alerta para incursões militares chinesas persistentes no Pacífico

Há 18h: Pelo menos 28 drones dirigidos a Moscovo foram abatidos

Há 18h: Israel e Líbano decidem prolongar ronda de negociações nos EUA. É o quinto dia de conversações

Atualizações em direto

Há 1h 23:52 RICARDO REIS

"Violência será respondida com violência": JD Vance avisa que divergências sobre memorando devem ser revolvidas diplomaticamente

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou na rede social X que “violência será respondida com violência”, e que as divergências iranianas em relação ao acordo deviam ter sido resolvidas através de conversações.

“O Irão assinou um acordo de cessar-fogo. Nós honrámos. Se eles têm divergências sobre como o memorando de entendimento estava a ser aplicado, eles podem pegar no telefone”, afirmou.

CONTINUA

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Por enquanto


Os  sapatinhos são  de lã…

A Ordem do mundo

JAIME NOGUEIRA PINTO Colunista do Observador

OBSERVADOR, 26/6/26

Procura-se, uma vez mais, disciplinar os fervores ideológicos, tentar perceber o outro e ver aquilo a que é necessário renunciar para ganhar o que se quer. E, sobretudo, para ganhar a paz

A ordem do Mundo é determinada pelas ideias sobre essa ordem dominantes nas grandes potências. O primeiro mundo político de que há notícia histórica, além da narrativa bíblica, foi o das cidades gregas do Peloponeso e respectivas guerras, sobretudo entre Atenas e Esparta.

Roma é uma República aristocrática, que a expansão imperial obriga a evoluir para uma mono-arquia autocrática e centralizada. O Império é um espaço de paz, e por isso os povos acabam por o tolerar.

Na Europa pós-Império Romano, dominam os reinos bárbaros, mas persiste uma nostalgia do poder imperial que foi assumindo formas renovadas – como o Império Carolíngio e o Sacro-Império Romano Germânico.

Mas nesta mesma Europa há um poder espiritual muito forte, que quer ser também poder políticoo papa de Roma, chefe dos cristãos, senhor dos dois gládios, espiritual e temporal. Daí as lutas entre o Papado e o Império, que acabam por se enfraquecer mutuamente e por dar lugar à ascensão e consolidação, como forma dominante de comunidade, ao Estado soberano, corporizado pelos reinos que vão surgindo na Europa.

A mudança tecnológica

São os tempos pós-medievais, o nascimento da Idade Moderna: e há também uma inovação essencial para a mudança, uma nova tecnologia militar, a artilharia, decisiva para os acontecimentos que marcaram essse novo tempo, como a queda de Constantinopla em 1453 e o fim da Guerra dos Cem Anos, nesse mesmo ano. As inexpugnáveis muralhas de Constantinopla caíram, graças ao canhão montado por um cristão renegado e a Guerra dos Cem Anos acabou quando os canhões dos irmãos Bureau, em Castillon, chacinaram os cavaleiros ingleses.

A Reforma luterana trouxe um elemento ideológico e dividiu a Europa, em Estados católicos – como a Espanha dos Áustrias e o Portugal da dinastia de Aviz, onde a Inquisição ao serviço do poder real impediu a dissidência. E Estados protestantes, os nórdicos, como a Dinamarca e Noruega, unidas sob o governo de Cristiano III. Quer ele, quer Gustavo I da Suécia, aproveitam a mudança de religião para confiscar os bens da Igreja. Finalmente há Estados divididos que vão ter guerras civis religiosas – como a França, onde metade da nobreza se converte ao calvinismo.

Este clima leva à Guerra dos Trinta Anos, que é ao mesmo tempo uma guerra entre potências, por interesses de Estado, e uma guerra ideológica, religiosa. E desta guerra resultam os tratados de Vestfália, em 1648, que trazem a secularização da política e da guerra e criam o Jus Publicum Europaeum.

E o panorama dos poderes europeus no século XVIII é a Pentarquia, formada pela França, Grã-Bretanha, Áustria, Prússia e Rússia. Os Estados passam a agir por razões de Estado, estritamente de Estado, interesses territoriais e económicos desse Estado. E assim decorre o século XVIII, em que também estas grandes potências do tempo intensificam a sua expansão imperial e colonial, para a Ásia e as Américas.

Duas revoluções

E é nas Américas, mais precisamente na América do Norte que, em 1776, há 250 anos, uma população colonial branca rompe, em nome dos seus direitos políticos e fiscais, com a tutela do rei Jorge III de Inglaterra e abre caminho, pela guerra, para a independência.

Os líderes deste movimento, os pais fundadores, leram os Antigos gregos e romanos, mas também outros Antigos da Escola de Salamanca que, como Juan de Mariana, proclamavam a soberania da comunidade e a legitimidade da revolta contra o tirano.

Esta revolução americana foi decisivamente apoiada pela França absolutista de Luís XVI, cuja Marinha foi essencial para a vitória final dos patriotas americanos, nas operações militares, quer em batalhas navais, como a batalha de Chesapeake, quer no bloqueio ao exército do general Cornwallis.

Ironia suprema da sorte, neste esforço de guerra a favor dos republicanos americanos, a monarquia francesa endividou-se e arruinou-se ao ponto de Luís XVI, para evitar a bancarrota, ter de convocar os Estados Gerais. Estes acabariam por levar à revolução e à queda da Monarquia, ao Terror e ao Império napoleónico como solução, repetindo, em poucos anos, o longo ciclo político romano.

O século XIX vai ver na Europa um compromisso entre as novas ideias sobre a soberania popular e comunitária e a ascensão da burguesia, face à tradição monárquica e aristocrática: a síntese deste equilíbrio negociado vai ser a monarquia constitucional que, mantendo o estatuto e os privilégios das oligarquias tradicionais, lhes vai retirar o poder de decisão política.

Esta dessacralização do poder e a radicalização trazida por novas ideias, como as do Manifesto Comunista de 1848, que ressuscitou os conceitos de “guerra social” sob a forma de “luta de classes”, vão explodir no século XX, graças à Grande Guerra na Europa de 1914-1918 e à revolução bolchevique de Outubro de 1917 na Rússia.

As novas ordens do século XX

E a Europa e o mundo vão voltar, entre 1918 e 1991, às guerras ideológicascomunismo, fascismo, liberalismo, com liberais e comunistas unidos, entre 1939 e 1945, contra o nacional-socialismo alemão, o fascismo italiano e o nacional-imperialismo japonês. De 1948 a 1991, deu-se a Guerra Fria, sob o signo da mudança tecnológica nuclear que tornou a guerra improvável e foi uma aliança anticomunistaformada por Estados de diferentes regimes políticos contra a União Soviética – que a venceu.

E depois das cruzadas dos NeoCons americanos para impor a democracia liberal no mundo, que falharam como tinha falhado a tentativa soviética de impor o comunismo, estamos outra vez num tempo de transição geopolítica, em que se esboça, num realismo algo brutal pela ausência de camuflagem, uma “ordem das grandes potências”. Será mesmo assim?

De qualquer modo, os dois pólos da grande política e das relações políticas entre os Estados continuam a ser a ideologia e a razão de Estado, as determinantes da guerra e da paz.

Regras para o presente

Neste momento procura-se, uma vez mais, disciplinar os fervores ideológicos à mais objectiva razão das razões de Estado, numa negociação na Suíça em que, de parte a parte, tem de haver concessões, análise racional dos interesses em causa, a tentativa de perceber o outro e de, também a partir dele, julgar aquilo a que é necessário renunciar para ganhar o que se quer; e ganhar, sobretudo, a paz.

Isto significa, para uns, renunciar ao roll-back e ao regime change, e criar formas de contenção permanentes e eficazes; para outros, trocar a segurança que vem do medo e da manipulação de instrumentos de agitação e subversão pela aceitação da normalidade na interdependência da região.

Os interlocutores americanos e iranianos e os moderadores paquistaneses têm pela frente uma tarefa difícil, para acomodar medos, percepções, interesses, realidades e propósitos. E têm de descobrir, contando com os possíveis perturbadores, o equilíbrio final. Não vai ser fácil, mas a alternativa é a guerraque acabaria por se estender e por desordenar o mundo outra vez e, quem sabe, de vez.

MUNDO      HISTÓRIA      CULTURA

COMENTÁRIOS (De 20):

Manuel Ferreira; Boa lição de história. Penso que JNP não abordou o principal problema que temos em mãos: o império Americano saído da 2ª guerra está em perda, enquanto  o império Chinês  está em ascensão e a luta é em todos os continentes.(Irão faz parte do mesmo conflito).Dou o exemplo de África onde o neocolonialismo Chinês se impôs de Argélia à África da Sul, mas o diabo era o colonialismo branco europeu.

Rui Lima: Da ordem dos países e dos impérios, mas a desordem das pessoas dentro dos países afecta mais o nosso dia a dia, já que num país na Europa 76% receiam ir de férias porque podem ter a casa assaltada no regresso. Louis, 17 anos, linchado em Narbonne por cinco que filmam a sua morte , os nomes deles não sabemos não podemos saber A esquerda, ao recusar-se a punir de forma rápida e eficaz os actos de delinquência e violência, porque são todos bons rapazes e a culpa é da sociedade tem o voto dessa gente .

Miguel Macedo: Muito bem! Como sempre!

António Pais: Uma síntese magistral!

Im Reader: Escrever bem é difícil, mas escrever sucintamente e de forma apelativa é ainda mais. Os meus parabéns para Jaime Nogueira Pinto. É um colosso nas lições de história e análise geopolítica em bom português. De resto, penso o quão difícil é às democracias ocidentais, investirem na Defesa e desenvolvimento tecnológico para fins militares, com uma população habituada ao Estado-social e estilo de vida materialista a que se habituaram, numa lógica insaciável. E sempre com a ambição de conquistar um nível de vida mais prazeroso que a geração transacta.

João Basílio: Muito interessante este resumo histórico. Obrigado

Francisco Almeida: Três quartas partes do artigo são mais uma notável lição sintética da História. Já o final, uma suposição, é mais discutível. Os EUA não terão - como diz a "estupidenzia" de esquerda - cedido às decisões de Netanyahu. Desde a diminuição da influência chinesa, à  (leitura intransponível)