quinta-feira, 23 de julho de 2026

Reatando temas

 

Sempre actuais, no oportunismo das vivências, e das convivências, como Salazar bem detectava e que o Dr. Salles retoma. Sem medos.…

APELO URGENTE

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SALLESFONSECA@SAPO.PT

segunda, 20/07, 14:38 (há 3 dias)

HENRIQUE SALLES DA FONSECA

CITANDO…

Das entrevistas de Salazar a António Ferro (1932/1933):

"O parlamentarismo é um sistema esgotado que divide os homens em vez de os unir. Sob a ilusão da liberdade parlamentar, cria-se a ditadura dos partidos e paralisa-se a acção do Executivo, impedindo que se governe com eficácia para o bem comum."

      * * *

O tom «lepéniano-melanchónico» que as televisões transmitem faz do nosso hemiciclo beneditino o patíbulo da serena razão em favor da ira permanente como se nas bancadas alheias pululassem os bandidos.

* * *

Senhores Deputados da Nação Portuguesa:

Peço-vos que não dêem razão ao Doutor Salazar.

Julho de 2026

HENRIQUE SALLES DA FONSECA

 

 

 

HENRIQUE SALLES DA FONSECA

COMENTÁRIOS

Anónimo20 de julho de 2026 às 16:08

Oportuno apelo pois tornaram-se em grande parte prova do que Salazar dizia.

ANTÓNIO DA CUNHA DUARTE JUSTO

Anónimo 21 de julho de 2026 às 18:33: Fantástico e muito oportuno, passados tantos anos da história e a necessidade de alertar torna se oportuna e na ordem do dia.

[1]20 de julho de 2026 às 19:08

Caro Doutor Henrique Salles da Fonseca, Acho que o Doutor Salazar tinha razão, porque a impressão que um observador do sistema Parlamentar, pelo mundo fora, retém, é a de dois blocos em permanente oposição, começando com a designação - Situação e Oposição. Para começar, podiam concordar em uma nomenclatura menos conflituosa, seguida da abolição de sessões parlamentares televisivas. Quem quiser assistir que se desloque aos locais. Para os parlamentares, o tempo de antena e o alcance das transmissões ao vivo servem como palco, incentivando posturas dramáticas, discursos inflamados e comportamentos de prima donna focados na auto-promoção em vez do consenso.

 

ANÓNIMO20 DE JULHO DE 2026 ÀS 22:39: O nosso regime é semiparlamentarista. Prefiro uma democracia, que é sempre imperfeita, a uma ditadura seja ela qual for. Benilde Tomaz da Fonseca

 

ANÓNIMO 20 DE JULHO DE 2026 ÀS 22:48

Melhor dizendo, o nosso regime é semipresidencialista

ANÓNIMO, 21 DE JULHO DE 2026 ÀS 12:54

A prédica de Salazar resulta da história do Parlamentarismo português, inaugurado com a revolução liberal do Porto e q dividiu para sempre os portugueses com constituições, várias revoluções e muita divisão ideológica, uma guerra civil sanguinária,3 invasões francesas, um assassinato real e finalmente ,como se fosse pouco, uma república de boa vontade, mas completamente ineficaz para travar os "entusiasmos" enquanto a Pátria se afundava na miséria e na dívida. Portanto, sim, Salazar aceitou o cargo, contrariado, e impôs condições para conseguir governar. Quem pode condená--lo visto o pântano em que estávamos mergulhados? Salvou a economia endireitou as contas e a seguir apanhou com a guerra mundial e com os movimentos de "libertação ! É barra bem pesada para qualquer um! Claro q acabou mal, veio o pior das ditaduras ao de cima e agora vivemos em liberdade mas outra vez na M....! É o temos, mas sim, viva a democracia !!!

HENRIQUE SALLES DA FONSECA21 DE JULHO DE 2026 ÀS 14:13

O nosso regime é semipresidencialista. Prefiro uma democracia, que contém defeitos, a qualquer tipo de ditadura. Abraço BENILDE TOMÁS FONSECA

HENRIQUE SALLES DA FONSECA21 DE JULHO DE 2026 ÀS 14:15: Subscrevo por inteiro

ANTÓNIO PALHINHA MACHADO: Henrique Salles da Fonseca21 de julho de 2026 às 14:16 Agradeço o regular de temas que muito aprecio. Desejo que me inclua sempre nos seus pensamentos traduzidos em escrito! Cumprimentos com amizade RUI BRAVO MARTINS

Henrique Salles da Fonseca22 de julho de 2026 às 14:18:

Fantástico. Passados tantos anos, torna -se real e necessário o alerta a registar. ISABEL FERNANDES HOMEM

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ÁGUA

 


O bem maior.

Culpar o país pelo falhanço do PS em Almada? Não, obrigado

A falta de água em Almada não é um exemplo do falhanço do país. O país fez progressos visíveis no abastecimento de água potável. O que falhou em Almada foi um poder municipal abaixo de medíocre

HELENA MATOS Colunista do Observador

OBSERVADOR, 12 jul. 2026, 00:25

As mais lidas: Marcelo deixa Belém com metade do património com que entrou. Morreu Luís Represas com 69 anos. Quem é Drapatyi, o novo chefe das Forças Armadas da Ucrânia? Shuttle a cada meia hora para novo aeroporto. ANA pede mais Como Seguro exerceu um soft power na crise dos exames. Irmão de Maddie McCann vai nadar nos Jogos da Commonwealth.

É ponto assente: quando o PS está no governo e falha, a culpa é do mundo. Já quando o PS falha à escala local a culpa é do país. E assim, nos últimos dias e perante o espectáculo AdisAbebiano de Almada sem água, lá surgiu a explicação do falhanço do país no seu todo para explicar o falhanço particular do PS em Almada. Ora o que falhou em Almada foi um poder municipal abaixo de medíocre mas exímio no domínio da linguagem do bondadismo progressista. (Não quero dizer que à direita sejam mais competentes, simplesmente não podem falhar tanto e por tanto tempo porque, felizmente para o país, não estão abençoados pelo diáfano manto do porreirismo progressista de que beneficia a esquerda ex-caviar agora woke).

O que é o bondadismo progressista? Veja-se a capa da última revista editada pelo município de Almada cuja directora é Inês de Medeiros. Data de Abril deste ano e nela a presidente, directora e entrevistada Inês de Medeiros declara numa espécie de megalomania planetária “Almada é um foco de humanidade num mundo cada vez mais desumano”.

Por essa altura, a direcção do município não ignorava que era responsável pela baixíssima renovação da rede (uma das baixas, senão a mais baixa do país); pelas perdas da rede que se contam entre as mais altas do país; pelo laxismo em relação às captações ilegais das piscinas e das explorações agroindustriais; pela proliferação das habitações clandestinas; pela desatenção aos problemas com os furos que ficam em Corroios e que motivaram uma querela em tribunal com o Seixal. Mas acompanhando as declarações do incrível executivo almadense de que esta publicação é um exemplo, o abastecimento de água não era de modo algum uma preocupação ou sequer uma prioridade. Também não desconhecia o executivo almadense que o número de habitantes aumentara ao longo dos anos; que desde há mais de sessenta anos os portugueses procuram as praias da Caparica e que é no Verão que os portugueses vão para a praia.

Na página em que se detalham as prioridades orçamentais para este ano de 2026 (e note-se que no município de Almada, tal como acontece nos restantes, dinheiro não falta), constam a habitação, acessos às praias, uma loja do cidadão e até um centro de recolha animal. Mas sobre água nada. Na longa entrevista feita a Inês de Medeiros não há referências à água e o próprio vereador Luís Palma, que detém a presidência do Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Almada (SMAS), prefere falar da “ofensiva em curso de destruição do Serviço Nacional de Saúde” em vez de informar sobre aquilo que os SMAS iriam fazer para melhorar o seu serviço em Almada. Aliás as únicas referências a água e aos SMAS nesta publicação encontram-se numa pequena notícia que dá conta da contratação de mais 16 trabalhadores para esse serviço em Janeiro deste ano. A água é um assunto praticamente omisso nestas comunicações, à excepção da revista de Outubro de 2022 onde Inês de Medeiros, depois de citar uma daquelas platitudes de Guterres — “O valor da água é profundo e complexo. Não há nenhum aspecto do desenvolvimento sustentável que não dependa fundamentalmente dela —, afirma que Almada é um “concelho assente sobre uma reserva quase inesgotável de água de grande qualidade. Seguem-se páginas e páginas com explicações de um sistema perfeito com ilustrações de reservatórios, torneiras de seccionamento, colectores e ramais, tudo inevitavelmente com muito azul.

Entretanto no subsolo de Almada a água perdia-se numa rede que não se renovava e pontos de acesso não contabilizados que proliferavam. Acreditando na propaganda, Almada vivia no melhor dos mundos possíveis no que à rede de distribuição de água potável dizia respeito. Estava-se em 2022. A realidade era bem diferente e piorou desde então.

O que está a acontecer neste Verão de 2026 é precisamente um choque entre a realidade e a propaganda naquele município e também entre o argumentário da esquerda e a realidade no país: como bem sabem aqueles que não vivem em Almada, e que quando abrem a torneira vêem água correr, é mentira que Portugal não tenha sido capaz de fazer o necessário neste assunto. Em 2026, os portugueses têm, na sua esmagadora maioria, acesso a água de qualidade e em quantidade. Não são assim tão longínquos os tempos em que nas casas portuguesas existiam sempre uns garrafões de reserva para aqueles dias em que a água faltava ou uns recipientes para a ir buscar ao chafariz mais próximo. Ou em que beber água da torneira não era opção no Algarve. Existem obviamente falhas pontuais provocadas por cheias, rupturas na rede, obras… mas são isso mesmo: pontuais.

O que agora está a acontecer em Almada nada tem a ver com o Portugal de 2026 mas sim com esse país de há algumas décadas, em que nem sequer fomos poupados à discussão paleolítica sobre a “água de Almada” e “a água do Seixal” (como se o aquífero tivesse muros a separá-las!) entre dois autarcas, Inês de Medeiros e Paulo Silva, que nunca foram capazes de avançar para uma gestão integrada do aquífero, quer entre eles, quer com os outros autarcas que dependem deste aquífero para o abastecimento dos seus munícipes.

A falta de água em Almada não é um exemplo do falhanço do país, como alguns socialistas nos querem fazer acreditar. O país fez progressos visíveis no abastecimento de água potável. O que falhou em Almada foi o pensamento mágico socialista.

ÁGUA      NATUREZA      AMBIENTE      CIÊNCIA      ALMADA      PAÍS      SOCIEDADE      PS      POLÍTICA

COMENTÁRIOS (de 179):

Maria Paula Silva: Excelente! a última frase é linda: "O que falhou em Almada foi o pensamento mágico socialista."

GABRIEL MADEIRA > MARIAPAULA SILVA: Precisam de uns cogumelos dos bons, para o pensamento mágico.

GRAÇA DIAS: A socialista Inês Medeiros desde que assumiu a presidência de Almada tem vivido entre a propaganda e o ilusionismo, e neste caso a Presidente tropeçou na sua inoperância, incompetência e laxismo, mas o seu ADN leva-a  à "criatividade linguística  - o bondaísmo progressista "Almada é um foco de humanidade num mundo cada vez mais desumano".  Esta esquerda Woke é brilhante na corrupção da linguagem e na corrupção do carácter.

MIGUEL SEABRA: A culpa é do Passos Coelho!

VITOR BATISTA: Portugal já não é o país de 1975, mas Almada em muitos aspectos ainda é! Esta actriz vai no seu terceiro mandato se não estou em erro, mas o problema é mais antigo, vem do tempo dos camaradas comunas que implantaram o socialismo em Almada, e o povo gostou tanto que os manteve no poder até chegar a actriz. O socialismo é a personificação da miséria, Cuba que o diga, e os Almadenses têm aquilo que merecem, porque sempre votaram nos amanhãs que cantam, ora se é assim que gostam de ser governados, por que raio tenho eu de contribuir com os meus impostos para financiar a mediocridade? Vão buscar água ao Tejo, também tive de ir buscar muita água no tempo logo a seguir à outra sra. Os meus impostos não devem servir para premiar medíocres.

ANA RITA: Mas não se canse muito, porque os portugueses continuam a marrar na velha máxima comunista: antes não ter água socialista a ter água capitalista.

JOSE MIGUEL PEREIRA: Em vez dos amanhãs que cantam, os hojes que secam.

JOAQUIM DUARTE: Mas não votaram Socialista? E nos anos anteriores não votaram comunista? Agora queixam-se mas só têm o que merecem. Nas sondagens o PS está subir depois não venham queixar-se. Esta Medeiros representa bem o PS. O Carneiro é totalmente amnésico, ontem dizia sem se rir que se fosse ministro da Educação se demitiria de imediato, esqueceu-se do descalabro da AIMA.

PERTINAZ: Mais uma bomba-relógio da dupla ordinária Costa/Centeno…

MANUEL JESUS: Os eleitores entregaram a Câmara de Almada ao PS e à CDU, quiçá iludidos pelos amanhãs que cantam. Não é só o problema da água que está em causa, mas sim uma total incapacidade para gerir o território em todos os níveis. O voto deve ser racional, porque quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga...

RUÇO CASCAIS: Quando a realidade bate de frente nos socialistas, estes normalmente metem água. Havia uma senhora, também artista, escritora, também socialista, que participava num programa de comentário político na RTP3, que eu até gostava de ver para alimentar o meu lado masoquista, e que nesse programa de debate político, que já acabou, recusava-se a dizer o nome de André Ventura. A ideia é simples, se não dissermos o nome de uma pessoa ou de um problema, este deixa de existir. Está a acontecer este fenômeno com Mariana Mortágua. Também acontece com Mário Soares de quem não se tem falado muito.  Com a Inês Medeiros, perdão, De Medeiros, freguesia de Medeiros em Vila Real, a realidade ganha contornos mais complexos devido à carreira de actriz. Como sabemos, no cinema a realidade é construída a pedido. O Concelho de Almada nunca teria um problema de falta de água no grande ecrã ou numa plataforma de streaming. Só que a história saltou do grande ecrã para a plateia e os tiros de pólvora seca que matavam actores em fingimento transformaram-se em canos secos de onde não sai uma pinga de água revoltando moradores a sério. Inês nunca falou da água na esperança de o problema desaparecer. Mesmo quando ia almoçar a um restaurante nunca pedia água para não acordar o problema. Até na medicação optou por supositórios para evitar a água. As garrafinhas de água foram proibidas nas reuniões na câmara. Medeiros fez tudo o que os procedimentos socialistas recomendam para lidar com este tipo de problema, mas, mesmo assim o problema não desapareceu, desapareceu sim, mas foi a água. A Inês do comentário na RTP3 que se negava a dizer o nome de André Ventura acabou por chocar com a realidade do CHEGA. A Inês da Câmara que evitava o problema da água, acabou por levar com um grande balde de água fria que a acordou para a realidade fora das câmaras.

 NOTA: a Noruega perdeu, mas, na minha opinião, foi roubada naquele golo limpo. Se em vez do Halland a empurrar o central para se livrar dele tivesse sido o Bernardo Silva nunca teria sido falta. O homem é grande e quando empurra os defesas caem. Também o empurram a ele, só que ele não cai. Além disso o árbitro não viu nada, senão tinha logo chamado a atenção. Foi o VAR que mandou repetir o canto. Nunca tal se viu. Ou era falta ou era golo.

JOSÉ GÓIS CHILÃO: Só em Portugal é possível um partido com o currículo do PS — bancarrota em 1977, 1983 e 2011, e agora um município sem água há semanas — apresentar-se novamente como solução. Se isto não é resiliência política, é amnésia colectiva.

JOSÉ PAULO CASTRO: Como qualquer comunista sabe, a falta de água em Almada deve-se ao bloqueio americano a Cuba. A autora estava à espera que a culpa fosse de quem ?

PEDRO CORREIA: Que esperar do xuxialismo, a pior coisa que abril pariu?!

MARIA EMÍLIA RANHADA SANTOS: Meu Deus! Que falta de caridade para com a governante! Ela que tem feito tudo para que os almadenses vivam em paz, sem que nada lhes falte, vem agora estes ignorantes acusá-la de incompetência! Deixem a Inês governar! Não se metam onde não são chamados! Não percebem como ela tem sido tão inclusiva? Todos os que querem vêm acoitar-se cá, armam uma tenda, fazem uma ligação, e já têm água, luz, e tudo o resto! Mesmo que deixem os moradores sem elas. Estradas arranjadas? isso não interessa para a inclusão!  Segurança? Primeiro está a inclusão! Será que de tão inclusiva que é ainda vai ganhar o quarto mandato? Almada passou de comunista para socialista! Não acham que mudou muito? Agora, com tão extraordinária governação, alguma vez os almadenses pensam em mudar? Viva o socialismo!

MIGUEL SIQUEIRA: Excelente texto. A habitual incompetência socialista, sempre acompanhada por frases bonitas, neste caso exponenciada por terem eleito uma actriz para gerir uma cidade. Nas próximas eleições o PS vai ganhar novamente. Têm o que merecem.

RUI  LIMA: Aqui está um exemplo da população a mais, Portugal estava dimensionado para 10 milhões das estruturas a sua administração do ensino a saúde …este aumento é uma desgraça que nunca terá fim, serão os portugueses a ter de ir embora.

CARLOS JERÓNIMO: Muitos anos de cinema, levaram-na a confundir a realidade com um filme…

FILIPE PAES DE VASCONCELLOS: A debacle almadense é a prova provada que o socialismo é mesmo assim, não tem estratégia, porque isso dá trabalho, mas têm táctica. A táctica da “madame” que vive, vivem todos, de trabalho político é nunca assumir o erro, porque isso seria os incapazes assumirem-se como tal. Quanto à comunicação social continua como sempre a portar-se vergonhosamente, andando com a “madame” ao colo, dando-lhe uma semana de recobro. Uma grande miséria estes “isentos” e “imparciais” jornalistas de pacotilha.

MANUEL RODRIGUES: Caros camaradas: Colocam repetidamente na Vossa Autarquia uma burguesa do mais fino quilate, socialista de aviário e agora queixam-se ?  Que ingratidão  suprema? Olhem para Cuba. Ainda se julgam com direito à distribuição pública  de água? Não exageremos... Avante Kamaradas, e o sol brilhará para todos nós!!!

PEDRO ABREU: Não votaram nela? Vão abastecer-se de água aos festivais de teatro inclusivos. Almada é um espelho do terceiro mundo, com a proliferação de bairros ilegais que mais parece que estamos em favelas de África. É o conselho da grande Lisboa onde mais proliferam barracas. Isto é o espelho da matriz woke bloquista da qual o PS foi tomado desde o fatídico dia em que um indiano tomou conta do partido e que ainda hoje perdura. É destes inúteis "tolerantes inclusivos" bandalhos que o PS está cheio. Não se queixem e aguentem, podem sempre ir ao festival "Sol da Caparica" em versão desidratada.

(CONTINUA)

 

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Estranho clima

 

Num estranho mundo, é certo.

 

O fumo dos incêndios do Canadá já atravessou o Atlântico. Como consegue viajar milhares de quilómetros e esconder o Sol?

Filomena Martins: Texto

Impulsionadas pelos ventos em altitude, as nuvens de fumo já começaram a atravessar o Atlântico e podem percorrer milhares de quilómetros até chegarem à Europa. Nos EUA deixaram cidades sem Sol.

OBSERVADOR, 20 jul. 2026, 21:19

ÍNDICE

O que está a arder no Canadá?

Como é que o fumo deixa cidades sem Sol?

Porque é perigoso o fumo?

Como entra no Atlântico?

Porque ainda não chegou a Portugal?

Durante vários dias, os arranha-céus de Nova Iorque desapareceram parcialmente atrás de uma cortina cinzenta. Em Washington, monumentos habitualmente visíveis a quilómetros de distância ficaram reduzidos a silhuetas. Chicago, Detroit, Minneapolis, Filadélfia e Toronto acordaram sob um céu esbranquiçado ou alaranjado, com o Sol reduzido a um círculo vermelho e baço. A origem estava a centenas ou mesmo a milhares de quilómetros: nas florestas em chamas do Canadá.

O fumo chegou à região de Nova Iorque poucos dias antes da final do Mundial de futebol, disputada no domingo no estádio de East Rutherford, em Nova Jérsia. Na quinta-feira, 16 de julho, as imagens da cidade mostravam a linha de edifícios de Manhattan quase apagada por uma espessa névoa alaranjada. A concentração de partículas atingiu níveis classificados como muito prejudiciais à saúde, e as autoridades distribuíram máscaras KN95.

Este domingo, porém, o pior já tinha passado. A chuva e a alteração da circulação atmosférica ajudaram a limpar parte do fumo sobre Nova Iorque e Nova Jérsia, permitindo que a final se realizasse sem problemas significativos de visibilidade. O ar não estava completamente limpo, mas dizer que Nova Iorque ficou sem ver o Sol durante o jogo seria excessivo. As imagens mais dramáticas são dos dias anteriores.

O que está a arder no Canadá?

O principal foco desta vaga de fumo encontra-se no norte e noroeste do Ontário, uma enorme região de floresta boreal, com pinheiros, abetos, lagos e extensas áreas de solo orgânico. Esta segunda-feira, 20 de julho, Ontário tinha cerca de 190 incêndios activos e a área ardida na província aproximava-se de 735 mil hectares, mais do que sete vezes a área do distrito de Lisboa: cerca de 1.800 pessoas tinham sido retiradas das suas comunidades.

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Ardem árvores, arbustos, folhas, madeira morta e, em algumas zonas, camadas de matéria orgânica acumulada no solo

Anadolu via Getty Images

Índice (O que está a arder no Canadá? Como é que o fumo deixa cidades sem Sol? Porque é perigoso o fumo? Como entra no Atlântico? Porque ainda não chegou a Portugal?)

Um dos maiores incêndios queimava nas proximidades do Parque Provincial de Wabakimi, no noroeste do Ontário, e já se estendia por mais de 300 mil hectares. Muitos destes fogos encontram-se em regiões remotas, sem estradas e com acesso difícil, onde o combate depende sobretudo de aviões, helicópteros e equipas transportadas por via aérea.

Não ardem apenas árvores; o fogo consome arbustos, folhas, madeira morta e, em algumas zonas, camadas de matéria orgânica acumulada no solo. Esses materiais podem arder lentamente durante muito tempo, produzindo grandes quantidades de fumo mesmo quando as chamas não são particularmente altas.

A situação não se limita a Ontário. Há incêndios activos noutras partes do Canadá e também no norte do estado norte-americano do Minnesota. Por isso, algumas das nuvens de fumo sobre os Estados Unidos resultam da mistura de fumo canadiano com emissões de incêndios norte-americanos.

Como é que o fumo deixa cidades sem Sol?

Uma grande coluna de fumo contém milhões de milhões de partículas microscópicas: algumas absorvem a luz; outras desviam-na em diferentes direcções. Quando a concentração é muito elevada, o resultado é uma espécie de filtro colocado entre o Sol e a cidade.

A luz azul é dispersada com maior facilidade, mas as tonalidades vermelhas e alaranjadas conseguem atravessar melhor a atmosfera carregada de partículas, razão pela qual o Sol pode surgir como um disco cor de laranja, mesmo a meio do dia.

O efeito não é igual em todo o lado e em algumas cidades, o fumo permaneceu sobretudo a vários quilómetros de altitude e apenas tornou o céu leitoso. Noutras, desceu até à superfície, reduziu fortemente a visibilidade e transformou-se num problema grave de qualidade do ar. Foi o que aconteceu em Chicago, Detroit, Washington, Nova Iorque e noutras cidades do Midwest e da costa leste. Mais de 100 milhões de pessoas estiveram abrangidas por alertas ou condições perigosas de poluição atmosférica durante a passagem das sucessivas ‘plumas’.

GettyImages- O céu em Nova Iorque, Washington e Chigago

Anadolu via Getty

(Índice: O que está a arder no Canadá? Como é que o fumo deixa cidades sem Sol? Porque é perigoso o fumo? Como entra no Atlântico? Porque ainda não chegou a Portugal?)

Porque é perigoso o fumo?

O principal risco vem das chamadas PM2.5, partículas com menos de 2,5 micrómetros de diâmetro — dezenas de vezes mais pequenas do que a espessura de um cabelo humano. Por serem tão pequenas, conseguem penetrar profundamente nos pulmões e algumas podem entrar na circulação sanguínea.

A exposição pode provocar irritação dos olhos e da garganta, tosse, dores de cabeça e falta de ar. Também pode agravar asma e doenças respiratórias ou cardiovasculares. Nos episódios mais severos, está associada a ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais e mortes prematuras. Crianças, idosos, grávidas, pessoas com doenças crónicas e trabalhadores ao ar livre estão entre os grupos mais vulneráveis.

E há um detalhe enganador: o ar pode continuar poluído mesmo quando já não se vê nem se cheira claramente o fumo.

Como entra no Atlântico?

O fumo não atravessa o oceano como uma única nuvem compacta: vai sendo dividido, esticado e transportado por diferentes correntes de ar. O calor dos incêndios faz subir o ar. Nos fogos mais intensos, as colunas podem transportar partículas até vários quilómetros de altitude; algumas colunas atingem 8, 10 ou mais quilómetros. A essa altura, o fumo é apanhado pelos ventos dominantes de oeste, que atravessam a América do Norte e seguem em direcção ao Atlântico: a famosa corrente de jacto, ou jet stream.  É uma viagem comparável à de uma extensa faixa de tinta colocada numa corrente de água: começa concentrada, mas vai sendo esticada, diluída e deformada à medida que avança. Os modelos atmosféricos indicaram que parte do fumo continuaria para leste sobre o Atlântico Norte e poderia aproximar-se da Europa.

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A nuvem de fumo espalha-se e é empurrada pelas correntes, depressões e anticiclones pelo Atlântico

AFP via Getty Images

Índice: O que está a arder no Canadá? Como é que o fumo deixa cidades sem Sol? Porque é perigoso o fumo? Como entra no Atlântico? Porque ainda não chegou a Portugal?

Porque ainda não chegou a Portugal?

Porque estar sobre o Atlântico não é o mesmo que estar a caminho directo de Portugal e a trajectória depende da posição das depressões, dos anticiclones e da corrente de jacto. Nesta fase, a maior parte da nuvem foi conduzida para latitudes mais a norte ou permaneceu sobre a América do Norte e o Atlântico ocidental. O fumo pode dirigir-se para a Gronelândia, Islândia, Ilhas Britânicas ou norte da Europa, sem passar sobre Portugal continental. Em 2023 e 2025 chegou à Escandinávia.

Além disso, durante a travessia, as partículas mais pesadas caem; parte do fumo é removida pela chuva; a nuvem espalha-se por uma área enorme; e diferentes camadas de ar podem conduzi-la em direcções distintas. É possível que partículas muito diluídas acabem por chegar à Europa em altitude mas, nesse caso, o efeito mais provável em Portugal seria um céu ligeiramente esbranquiçado ou pores do Sol mais avermelhados — não necessariamente uma degradação importante da qualidade do ar à superfície.8.

Para provocar em Lisboa ou no Porto um cenário semelhante ao de Nova Iorque, seria necessário que uma nuvem ainda muito concentrada chegasse à Península e, sobretudo, que o fumo descesse das camadas altas da atmosfera até ao ar que respiramos. Neste momento, não há indicação segura de que isso vá acontecer.

O fumo já percorreu uma distância enorme. Mas a atmosfera não é uma estrada em linha recta: é um emaranhado de correntes de ventos, tempestades e zonas de alta pressão que podem levá-lo para norte, empurrá-lo para sul, fazê-lo subir ou simplesmente dispersá-lo antes de chegar à Europa.

CIÊNCIA INCÊNDIOS ACIDENTE SOCIEDADE CANADÁ AMÉRICA MUNDO METEOROLOGIA      +

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