segunda-feira, 9 de março de 2026

ONDE


E QUANDO já víramos isto, que se descreve aqui, em TEMPOS que por nós passaram com o horror da surpresa e do inútil repúdio, os revolucionários sendo da mesma cepa pedante destes aqui focados, que “destituíram” o Xá?… Mundo bem igual a si próprio, prova de que somos, de facto, descendentes de um comum barro quebradiço…

 

O QUE É UM AIATOLA?

Então um aiatola é um líder religioso ou um líder político?

Mas o que é, afinal, o Xiismo?

Como é que Khomeini transformou a liderança religiosa em poder político?

E o sucessor Khamenei foi um líder religioso ou um político profissional?

Khalid Jamal recorda que é necessário compreender as “causas da revolução” no Irão, sublinhando que a “impopularidade do regime dos xás” pode ser lida a partir de vários prismas. Por um lado, “promoveu a revolução branca, impulsionado pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido” e, com isso, “a cultura ocidental estava a penetrar no Irão”. Tudo isto, acrescenta Jamal, acompanhado de uma “repressão organizada pela polícia secreta iraniana, que recorria a prisões e a torturas”.

Mas, continua Jamal, “as pessoas não mudam de regime se não enfrentarem fenómenos como a pobreza e a inflação; a impopularidade do regime era consequência da pobreza e da inflação”.

Para Khalid Jamal, também conselheiro da Comunidade Islâmica de Lisboa, no contexto deste descontentamento, “cria-se uma rivalidade islâmica” ao programa do Xá e “começa a crescer esse fenómeno de oposição à ocidentalização do Irão”. Para os iranianos, estas duas realidades (ocidentalização e aumento da pobreza) passam a estar associadas — e o apego à identidade tradicional do Irão, marcada pelo Islão xiita, ganha valor como bandeira de resistência ao xá. “É nessa altura que o aiatola Khomeini surge como promotor da revolução”, explica Jamal.

Mas a vontade de revolução transcendeu as fronteiras da classe clerical iraniana: este contexto alimentou o nascimento de uma grande frente de oposição ao regime do Xá, que uniu a classe clerical conservadora do Islão xiita, partidos de esquerda, intelectuais seculares, grupos nacionalistas e até movimentos pró-soviéticos. Esta frente unida encontrou o seu principal rosto no aiatola Ruhollah Khomeini, um estudioso muçulmano que vivia no exílio desde a década de 60 por ser um forte crítico do regime do Xá. Khomeini, antigo professor de filosofia que havia escrito em abundância sobre as suas ideias políticas para a formação de um estado de natureza islâmica, regido pela lei muçulmana, apresentou-se como um líder populista, prometendo liderar uma revolução em defesa de um Estado moderno e democrático.

“Houve uma subvalorização do aiatola Khomeini por parte do Xá, pensando que não ia dar em nada”, diz Jamal. “Obviamente isto tem por base a religião, porque se entende que é mais sedutor convencer as pessoas por via da religião do que por via de uma ideologia. Houve uma instrumentalização da religião para a obtenção de um fim.”

No início de 1978, jovens estudantes iranianos foram para as ruas de Teerão protestar contra o Xá, espoletando uma revolta que se prolongou por meses. A revolução foi violentamente reprimida, o que levou a uma escalada da violência, a greves na indústria do petróleo, a manifestações de centenas de milhares de pessoas nas ruas da capital e, por fim, à fuga do Xá em janeiro de 1979. Em fevereiro, as forças armadas declararam neutralidade e a população iraniana acorreu às ruas em massa para aclamar Khomeini como líder. O aiatola regressou do exílio e assumiu o poder — e rapidamente as promessas de um país moderno e secular caíram por terra.

Ser um forte crítico do regime do Xá.

Este contexto alimentou o nascimento de uma grande frente de oposição ao regime do Xá, que uniu a classe clerical conservadora do Islão xiita, partidos de esquerda, intelectuais seculares, grupos nacionalistas e até movimentos pró-soviéticos. Esta frente unida encontrou o seu principal rosto no aiatola Ruhollah Khomeini, um estudioso muçulmano que vivia no exílio desde a década de 60

Índice

O que é um aiatola?

Então um aiatola é um líder religioso ou um líder político?

Mas o que é, afinal, o Xiismo?

Como é que Khomeini transformou a liderança religiosa em poder político?

E o sucessor Khamenei foi um líder religioso ou um político profissional?

 

A nova constituição do Irão foi desenhada a partir das ideias de Khomeini para uma nação islâmica, a sharia foi implementada, os parceiros revolucionários de esquerda e seculares foram abandonados e o aiatola proclamou a fundação da República Islâmica do Irão, liderada pelos clérigos xiitas, impondo uma perseguição aos opositores ainda mais violenta do que havia ocorrido no tempo do Xá, revertendo a legislação que garantia mais direitos às mulheres e mobilizando para as ruas iranianas milícias fundamentalistas para garantir o cumprimento estrito da lei islâmica.

Khomeini, que escondeu as suas ambições políticas assumindo-se sempre como um líder religioso e um estudioso do Islão, deixou os seus parceiros revolucionários — incluindo os intelectuais seculares, os partidos de esquerda, as mulheres e as minorias étnicas e religiosas — com um forte sentimento de traição, depois de terem visto no Islão xiita uma bandeira da identidade iraniana capaz de unir o país na revolta contra o regime anterior

 

Mas o que é, afinal, o Xiismo?

O Islão, a religião fundada no século VII pelo profeta Maomé, considerado pelos muçulmanos o último de uma série de profetas da tradição abraâmica (incluindo, entre outros, Abraão, Moisés e Jesus) e o consumador da revelação divina iniciada por esses profetas anteriores, divide-se em duas grandes correntes: o Islão sunita, que é a corrente maioritária, seguida por cerca de 85% dos muçulmanos do mundo, e o Islão xiita, a corrente minoritária, seguida por cerca de 15% dos muçulmanos.

A grande divisão do mundo muçulmano aconteceu logo no início, após a morte do profeta Maomé, e prendeu-se justamente com os diferendos em relação à sua sucessão.

Como o Observador explica neste pormenorizado artigo, Maomé foi capaz de unir o mundo árabe, anteriormente composto por tribos beduínas dispersas que prestavam culto a diferentes deuses. Contudo, Maomé morreu em 632 sem ter um filho e sem deixar indicações claras sobre a sucessão, o que reacendeu antigas divergências nas comunidades. Rapidamente, surgiram duas fortes hipóteses para suceder a Maomé como líder dos muçulmanos: Abu Bakr, um dos mais próximos companheiros de Maomé, e Ali Ibn Abi Talib, primo e genro de Maomé (casado com a sua filha Fatima). Abu Bakr acabaria por assumir o poder como califa.

Aqueles primeiros tempos foram particularmente turbulentos, com califados curtos, assassinatos, intrigas familiares e cisões — mas a cisão inicial entre os partidários de Abu Bakr e os de Ali nunca mais foi curada. Os sunitas, partidários de Abu Bakr, entendem que Maomé não designou um sucessor, para que fosse a comunidade muçulmana a escolher o líder apropriado a cada momento; os xiitas, partidários de Ali, consideram que o genro e primo de Maomé foi explicitamente nomeado como líder da comunidade muçulmana e que só os descendentes directos do profeta podem assumir a liderança. Dentro destas correntes, há também subgrupos teológicos importantes, sendo que, no caso do Islão xiita, a esmagadora maioria dos fiéis integra a já mencionada corrente dos Doze Imãs.

Khalid Jamal, que é um muçulmano sunita (como a maioria dos muçulmanos portugueses e residentes em Portugal), destaca que esta divisão entre xiitas e sunitas traduz também uma visão muito diferente em relação à hierarquia. “Os sunitas são uma espécie de protestantes do mundo islâmico”, compara Jamal, referindo-se à corrente protestante do Cristianismo, na qual, ao contrário de correntes como a Igreja Católica ou a Igreja Ortodoxa, não existe uma hierarquia eclesiástica particularmente vincada. “Repare: quando o profeta faleceu, disse que a pessoa mais próxima dele seria o próximo líder. Nós, sunitas, acreditamos que Abu Bakr foi nomeado pelos seus pares por mérito, pela consciência de que os pares tinham de que ele era um homem merecedor. Os xiitas acreditam que o primeiro foi Ali, que era primo do profeta e depois se tornou seu genro. Portanto, acreditam que seria uma questão de hereditariedade, quase de dinastia.”

 No Irão dos aiatolas, não há fronteira entre liderança política e liderança religiosa

IRANIAN SUPREME LEADER OFFICE / HANDOUT/EPA

CONTINUA

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 7 de março de 2026

Em suma

 

Trump vai por este Mundo, dominador e destemido como ele só, admirado pelos seus, que o aceitam e premeiam, nos seus silêncios por vezes agrestes, ou nas suas exuberâncias de satisfação pessoal, mas tem o direito por conta própria, poderoso que é - o que não nos cabe contestar. Mas não deixa de ser estranho que tenha surgido um Trump, neste século XXI, - depois de um Hitler no século anterior - tão seu avesso, todavia, no tamanho como no fácies, embora ambos dominadores e justiceiros num mundo com precisão de chefões auto-designados, ou da escolha alheia, pelos séculos fora, como se viu sempre, com os Alexandres da Antiguidade e os Bonapartes da Modernidade, excluindo os nossos – portugueses, digo - do cômputo geral, modestos que fomos e continuamos, com o céu por objectivo, como bem o provara a nossa Alma vicentina, pesem embora, em tods os tempos, os nossos próprios desígnios de penetração

Enfim, bem diverso do reservado Hitler do século XX, este Trump, com a sua aparência bonacheirona vai-se inserindo nesses espaços da sua autoridade sorridente e de aparência por vezes generosa, como personagem dum século mais evoluído na questão das igualdades fraternas e mais livres – de escrúpulos, sem dúvida – no caso dos Putins, pelo menos; dos Trumps assim-assim. Mas também há os que se perfilam ou agacham para o mesmo efeito amplificador, quantas vezes, dos seus próprios espaços.

O pior dos dois mundos

Trump enfrenta, portanto, muito poucos constrangimentos institucionais para continuar a usar força militar pelo mundo fora.

MAFALDA PRATAS, Investigadora universitária. Doutorada em Ciência Política pela Universidade de Harvard (EUA)

OBSERVADOR, 06 mar. 2026, 00:2323

1Durante décadas, a política externa dos Estados Unidos foi criticada por um paradoxo conhecido: em nome da ordem internacional liberal, Washington mostrou-se repetidamente disposto a intervir militarmente noutros países para derrubar regimes ou moldar equilíbrios regionais. Essas intervenções, principalmente no Afeganistão, no Iraque e na Líbia, mostraram os limites e as contradições dessa ordem. Na última década, em resposta aos custos dessas intervenções, grande parte da opinião pública norte-americana tornou-se mais reticente em relação a novas intervenções externas.

Mas o que começa agora a emergir pode ser algo bastante pior. É o pior dos dois mundos. Por um lado, temos as intervenções que associamos à ordem liberal hegemónica do passado, mas sem os compromissos e responsabilidades que essa ordem impunha. Por outro lado, temos uma política internacional dominada pela hierarquia de poder sem normas, mas sem a retracção isolacionista e a prudência do realismo como doutrina e como política coerente. Continuamos a ter intervenções externas, mas elas abdicaram quase por completo dos princípios liberais e institucionais que antes as enquadravam.

Em menos de oito semanas, a administração de Donald Trump levou a cabo a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro numa operação militar em Caracas e o assassinato do aiatola iraniano Ali Khamenei, durante o bombardeamento continuado do Irão. Em ambos os casos, a natureza dos regimes foi invocada como justificação para a intervenção e a possibilidade de mudança política apresentada como objetivo. A novidade não está, evidentemente, no recurso à força. No entanto, olhando para ambos os casos, é difícil identificar qualquer planeamento sério para o dia seguinte, ou uma definição clara da lógica e dos objectivos estratégicos destas intervenções. A novidade está na combinação entre intervenções externas e o abandono dos compromissos institucionais, das alianças e das responsabilidades que antes enquadravam e legitimavam (ainda que parcialmente) essas mesmas intervenções.

Compromissos de reconstrução, estabilização e até democratização no pós-conflito. Apresentação de evidência e deliberação em instituições internacionais ou domésticas. Procura de coligações internacionais e aliados antes de acções tão disruptivas – não apenas para legitimar a intervenção, mas também para aumentar a sua probabilidade de sucesso e limitar as suas facetas mais irresponsáveis. Nada disso parece hoje minimamente relevante, especialmente num contexto em que a administração norte-americana passou os últimos meses a intimidar e alienar os seus aliados atlânticos, desde as tarifas até à Gronelândia. É hoje quase inevitável concluir que Donald Trump quis desfazer os laços entre os EUA e os seus aliados ocidentais tradicionais para poder levar a cabo a sua visão do mundo: domínio e hierarquia por coerção, força e intimidação em vez de autoridade legítima e reconhecida pelos Estados mais fracos. Não é realismo nem isolacionismo; é intervencionismo sem regras e sem arquitectura.

O problema do intervencionismo e do poder sem regras, sem freios e sem arquitectura institucional não é apenas moral: um mundo mais arbitrário é um mundo menos seguro, com mais riscos, mais erros de cálculo, mais escaladas militares perigosas, e onde todos tentarão maximizar a sua autonomia – a sua capacidade de agir e reagir unilateralmente – mesmo que para tal tenham de diversificar alianças. No final das contas, todos estarão por conta própria e duvido que alguém saia a ganhar. Pelo contrário, o ressentimento, o afastamento e o anti-americanismo sairão a ganhar.

2Este tipo de intervencionismo sem regras e sem arquitectura institucional tem uma expressão militar muito concreta: os bombardeamentos como substituto da estratégia política. O poderio dos bombardeamentos oferece uma fantasia aos líderes políticos: a ideia de que é possível colher os benefícios geopolíticos de uma vitória militar – e a glória que essas vitórias ocupam no imaginário colectivo – sem incorrer nos custos e incómodos que as guerras inevitavelmente geram. A vulnerabilidade das operações no terreno, o risco humano e político de ter soldados expostos em combate, a possibilidade de o conflito se prolongar muito para além do que foi inicialmente previsto. Os bombardeamentos aéreos parecem permitir evitar tudo isso e ainda assim reclamar sucesso estratégico e colher os louros.

Mas esta fantasia é apenas isso: uma fantasia. Não é possível substituir regimes autoritários institucionalizados por outros regimes melhores a partir do ar. Substituir um regime sem que surja um vácuo de poder implica garantir a sobrevivência de um aparelho de Estado funcional e assegurar que as instituições ficam nas mãos de pessoas com autoridade doméstica e com credibilidade para executar essa transição. Matar um líder não chega para destruir um regime, e muito menos para substituir um regime por outro. Um líder pode simplesmente ser substituído por outro, muitas vezes proveniente dos altos escalões do mesmo regime. A curto prazo (na melhor das hipóteses), até se poderá submeter à vontade do mais forte, mas a médio prazo reajustará a estratégia para alcançar objectivos semelhantes e evitar novas vulnerabilidades na sua segurança. Não é possível atingir grandes objectivos estratégicos duradouros apenas com bombardeamentos, especialmente se eles não são acompanhados por coerência e talento diplomáticos.

3Como já aqui escrevi, os custos financeiros, reputacionais, humanos e militares das guerras que os Estados Unidos levaram a cabo no Médio Oriente nas primeiras duas décadas deste século tornaram grande parte do eleitorado norte-americano avesso a novas aventuras. Donald Trump foi, em parte, eleito precisamente porque representava uma nova atitude mais isolacionista, mais avesso a guerras eternas, menos “polícia do mundo” do que as elites do establishment tradicional norte-americano. A base do movimento MAGA distinguia-se, portanto, de outras correntes do partido republicano tradicional no que toca a política externa. Algumas figuras deste movimento, como Tucker Carlson, continuam a acreditar nestas ideias e declararam oposição à intervenção mais recente no Irão. Sobre Trump, não é claro se acreditou verdadeiramente nesse isolacionismo; acreditou sobretudo que se deveriam desfazer os laços existentes e duradouros com aliados tradicionais, mas o seu desejo de demonstrar força e ficar na história leva-nos a questionar se é assim tão avesso às operações e intervenções pelo mundo fora. O que é certo é que esta clivagem dentro da coligação republicana que elegeu Donald Trump não desaparecerá nos próximos tempos.

E o eleitorado? Numa sondagem recente, apenas 27% dos eleitores norte-americanos apoiavam uma acção militar contra o Irão. Mas a opinião pública, principalmente a opinião do eleitorado mais partidário, pode ser revertida após a intervenção começar. Antes da operação na Venezuela, apenas 44% dos eleitores republicanos apoiava uma acção militar contra Maduro; depois da operação, o número subiu para os 78%. Em termos gerais, os presidentes acabam por ter bastante latitude nas suas decisões sobre política externa e acções militares no estrangeiro porque a opinião pública segue os sinais e declarações das suas elites políticas preferidas, enquanto os conflitos ainda não mostram ter custos materiais concretos e parecem ser de curta duração. A opinião pública raramente impede guerras antes de elas começarem.

O que pode, então, restringir e influenciar as decisões dos presidentes? Como argumenta Elizabeth Saunders, no que toca a decisões sobre guerra e paz, os presidentes norte-americanos respondem essencialmente a outras elites, políticas, diplomáticas, burocráticas e militares. Apesar do seu papel legal, o Congresso deixou de ser um travão à acção presidencial nestas matérias. Restam, portanto, outras elites políticas dentro das próprias administrações, que têm reputação própria e credibilidade, bem como capacidade de resistir em público ou em privado. Na primeira administração Trump, estes mecanismos de contenção interna funcionaram parcialmente (por exemplo, através do general Jim Mattis). Na segunda administração, porém, Trump rodeou-se de pessoas sem grande experiência ou independência próprias e que não parecem dispostas ou capazes de o contestar. Trump enfrenta, portanto, muito poucos constrangimentos institucionais para continuar a usar força militar pelo mundo fora. Durante décadas criticou-se o paradoxo e as hipocrisias da ordem liberal. O que começa agora a emergir pode ser o pior dos dois mundos.

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COMENTÁRIOS:
Maria Gomes: A Mafalda tem um raciocínio lógico teoricamente correcto. Tal como as preocupações climáticas que a Europa abraçou. O pior foi a realidade que atropelou as boas intenções. É isso que a Mafalda parece ignorar. Ao longo destes anos o Irão utilizou todos estes conceitos de direito internacional para espalhar o terrorismo por todo o mundo, gozando de uma normalização aceite, por falta de instrumentos para o travar.
Sobre isto não é feita qualquer reflexão
.                    José B Dias: Subscrevo quase que na íntegra! PS: particularmente digno de análise política e quiçá mais ainda psicológica o facto de apenas 27% dos norte-americanos apoiarem esta guerra enquanto nesta caixa de comentários os que a louvam devem chegar a números de fazer inveja ao coreano Kim!                       Maria Emília Santos: Trump agiu como um democrata que quer a liberdade de todos os povos! Alguém se tem preocupado com a absoluta repressão exercida pelos regimes dos  ayatollahs? A ONU organização criada para defender os povos de ditaduras severas e do incumprimento dos Direitos Humanos, alguma vez tentou impedir os ayatollahs de torturarem e matarem o povo por apelarem à liberdade?  Nunca ninguém quis saber desse pobre e sofrido povo, para nada! Como podem agora, quando o povo eufórico mostra gratidão a quem o libertou, condenar esse mesmo libertador? Parece que os cérebros dos esquerdistas pararam no tempo e no espaço!                   ana rita: Ai Mafaldinha, tivesses tu vivido um dia de terror como a grande maioria dos iranianos ou dos venezuelanos, e não escreverias uma única linha daquilo que acabaste de escrever. Chama-se a isto desprezo por quem sofre.                  Tim do A: Trump, o unico ocidental com coragem e que os tem no sítio. Para além de Zelenski, que não é um queque bem instalado e também apoiou esta guerra de libertação. A autora parece ser uma elitista de luxo woke que simpatiza com ditaduras horrendas. Não se interessa pelos que mais sofrem. É confrangedor ver a insensibilidade, a indiferença e o egoísmo das elites bem instaladas face aos que mais sofrem. Infelizmente, sempre houve princesas que do povo desgraçado dizem: não têm pão? Comam brioche! Que gente!                 Paulo Almeida > ana rita Claro, vive numa bolha fofinha.  Para ela começou a era pior. Seria melhor o regime iraniano continuar a tratar como cão 40 ou 50 milhões de mulheres cidadãs. Que cobardia e hipocrisia desta senhora. Refugiada atrás da sua teoria política elitista. Como diz e bem Ana, se tivesse vivido um dia no Irão não falava assim.                     António Rocha:Como chegou Harvard aqui? Bem, deixando entrar financiamento duvidoso e sendo permeável a "professores" com agendas

victor guerra: Ainda bem que o mundo ocidental tem um "boss" .Com erros e arrojos              Sr Leão > ana rita: Mafaldinha, Mafaldinha, que terá acontecido em Harvard que te cegou para o sofrimento dos iranianos?                 Rogerio Ramos: esta menina não consegue ver, nem entender o mundo, para além da ponta do seu narizinho. o pior é que não é a única     Kindu: Não é nada disso. O Irão esteve à beira de atingir o potencial necessário para destruir completamente Israel. E para Israel, é uma questão de vencer ou morrer, é agora ou nunca. E Trump ajudou.                     David Pinheiro: Não se preocupe Mafalda. Trump não interveio no Irão nem por si nem por mim.   Está-se pouco nas tintas para os europeus. Podíamos levar com mísseis de longo alcance, até poderíamos levar com uma nuclear iraniana nas trombas, que ele estava-se nas tintas. O Irão não é uma ameaça directa aos EUA. Trump interveio para proteger o seu aliado na região, Israel.nPor isso fique descansada, continue com o seu TDS, que Trump está-se completamente nas tintas para os europeus. Não foi eleito por nós e não tem de nos prestar contas.                        Miguel Macedo: Esta cronista woke é péssima e representa o que de pior há de pensamento enviesado e manipulador!                        Df: A guerra tem riscos. Mas não foi Israel quem iniciou a guerra. A guerra foi iniciada pelo Irão ao lançar mísseis contra Israel há poucos meses. Da parte de Israel a guerra é totalmente justificada e legítima, o que nem se pode discutir.  Da parte dos EUA, pode-se discutir a oportunidade do ataque. Mas o Irão declara-se inimigo dos EUA há 47 anos, o que não é muito prudente da parte do Irão. Ser-se atacado pelo inimigo é tão natural como a sua sede.                    Francisco Almeida: Apetecia-me dar uma aula à Mafalda. Esqueça as populações da Venezuela, as populações do Irão - especialmente mulheres e gays - esqueça a solidariedade com Israel, esqueça que com a tradição de martírio dos radicais xiitas, o Irão com uma ou duas dúzias de pequenas bombas nucleares sujas, ameaçava não só Israel, não só os países sunitas do Médio Oriente, mas quase todo o mundo ocidental. Esqueça tudo isso e lembre-se apenas da China e de petróleo.  A China comprava petróleo abaixo dos preços de mercado à Rússia, ao Irão (80% da produção) e à Venezuela. Agora não compra a preços de saldo e já, com a Índia, aumentou as compras à Rússia pagando mais do que pagava. E olhe para África. Trump enviou 100 conselheiros militares para ajudar o governo da Nigéria com as guerrilhas - a primeira vez que botas americanas pisam o chão em zona de conflito desde o Afeganistão - e lembre-se que a Nigéria é o maior país africano produtor de petróleo. Pois, Mafalda, pense em petróleo e na China e depois já pode escrever sobre Trump e estratégias sem dizer tanto disparate.             Paulo Coelho: Bla bla bla bla Soluções? Nenhuma....                 Albino Mendes: Caríssima dra. Mafalda Pratas, os cães ladram e a caravana passa. A procissão ainda não vai no adro. Irá ter imensas oportunidades de continuar a debitar babuzeiras no observador, a não ser que seja despedida.                JOSE CARMO: Se a articulista vivesse na Europa em 1946,  faria ouvir a sua feroz opinião contra o intervencionismo americano, à revelia do direito internacional. É tão fácil criticar aqueles que garantem a possibilidade de criticar....             VASCO R: Idiota socialista e woke . Não percebo o que está a fazer no observador . Palerma que só vê o que quer . Esta anormal nunca falou com um iraniano subjugado por este regime teocrata.                   MAIS UM: Artigo fraquinho, pior de dois mundos, talvez três....

 

O professor de Português

 

Está sujeito – como os demais professores das outras disciplinas – a um programa que impõe respeito pela matéria superiormente ordenada, não pode alterar caprichosamente os temas propostos pelo Ministério da Educação. Mas é sempre de bom tom arrasar quem se limita honradamente a essa via sem as tergiversações dos que embarcam em fugas que a vastidão literária e dos literatos pode proporcionar, num enriquecimento  que poderá captar ou não o interesse dos alunos. Todavia, é sempre de bom tom denegrir, e o rasteirismo seguidista das aulas de português atrai naturalmente a condenação dos mais exigentes. A verdade é que as demais disciplinas, objectivas e rigorosas que são, sujeitam-se aos programas, as aulas de literaturas permitem facilmente fruições superiores, desde que os professores enveredem por vias de manipulação dos programas – o que parece ser o caso descrito pelo aluno de Lobo Antunes. O certo é que serão esses que sobressaem … e sobretudo se forem referências ilustres, como no caso citado pelo discípulo de Lobo Antunes. Fosse este um vulgar professor, sem nome distinto, não seria, talvez referenciado, pois não traria importância ao autor do texto que segue:

Lobo Antunes foi meu professor de português 

No meio de leituras redondamente moralistas de textos durante as aulas, depois da insipidez das “explicações” das obras obrigatórias, Lobo Antunes mostrava-me que a literatura podia ser outra coisa.

P. JOÃO BASTO: Sacerdote, membro da equipa formadora do Seminário Diocesano de Viana do Castelo

OBSERVADOR, 06 mar. 2026, 00:2410

O primeiro texto que li de António Lobo Antunes terá sido uma crónica nas aulas inaugurais do secundário. Chamava-se “Chopin é um frango”. Na verdade, li-o ainda nas férias, num apartamento grande, ainda em luto pela morte do meu bisavô, quando abri os livros novos, que tinham chegado mais cedo nesse ano. De lá para cá, aquela sensação de ser enganado por um autor, de ele nos perseguir, de, por fim, nos ludibriar, de isso ser imensamente mais prazeroso e bondoso que a evidência, continua a raptar parte da minha imaginação.     Durante os anos que se seguiram, nas imensas tardes livres daqueles três anos, ou nas fugas propositadas às fichas de matemática e aos exercícios de físico-química, que não escolhi voluntariamente, António Lobo Antunes foi a pessoa com quem podia falar de literatura. Fosse, de novo, nas crónicas, nos romances, ou nas entrevistas.

No meio de leituras redondamente moralistas de textos durante as aulas, depois da insipidez das “explicações” das obras obrigatórias, depois de Camões ser esquartejado para servir de alimento às pequenas bocas famintas de análise e classificação de orações, depois de tudo isso, Lobo Antunes mostrava-me que a literatura podia ser outra coisa. O seu efeito só era, então, comparável ao de quando, numa aula do 9.º ano, uma professora veio à aula de ciências apresentar o livro da sua vida e se comoveu tanto a falar de As Velas Ardem até ao Fim, que teve de sair antes do planeado. Quer num, quer noutro caso, nunca imaginei que um livro não servisse para manter a compostura.

Saber mais

Odiei – secretamente ainda odeio – todos os livros que os meus professores recomendavam nas aulas, nomeadamente aqueles que se podem catalogar sob o epíteto “livros para quem não gosta de ler, mas que tem de ler alguma coisa ou porque faz bem, ou porque é preciso fazer uma apresentação oral no final do período”. Mas comovia-me sempre que António Lobo Antunes falava de um novo autor e eu o lia: Faulkner, Borges, Carver, Céline, Proust, Montaigne, Conrad. E, tal como nessa altura, ainda hoje não me interessa se os entendo. A literatura não serve para isso.

Nele, tudo parecia tão diferente das aulas de português. Quando lia a sua voz interludial, desequilibrada, empalada, sangrada, abria, através dela, mais mundo, mais feridas e mais insónias, do que lendo as habituais convenções de boas maneiras e bom gosto. Quando o ouvia dizer que só vale a pena escrever se for para mudar a história da literatura, sentia que recebia algo que os pedidos de textos expositivo-argumentativos no final dos testes não podiam satisfazer. Quando ouvia repetidamente a sua conversa com George Steiner, frequentava, finalmente, a escola que eu queria. No fim de contas, tudo parecia falar de um Deus que não era o Deus do dono da casa. A mim, no entanto, que tinha passado os verões com pessoas nascidas no início da Primeira Guerra Mundial, que tinham tido como brinquedo de infância um primeiro volume do Dom Quixote, tudo era luminoso.

Ontem, depois da notícia da sua morte, reli uma frase sua: “Eu não quero nem que me compreendam, nem que me discutam, quero que apanhem os livros como quem apanha uma febre.” Devemos fazer-lhe a vontade. Mas sem tomar paracetamol.

ANTÓNIO LOBO ANTUNES       LITERATURA       CULTURA 10

COMENTÁRIOS

Daniel Estudante Protásio: Gostei muito desta crónica, apesar de não ser um apreciador de Lobo Antunes. Mas valorizo muito quem escreve sobre literatura enquanto ferramenta indispensável do lazer e de cultura.                  Maria Paula Silva: Ter tido um bom professor é uma bênção. Ter tido António Lobo Antunes como professor é uma bênção vezes mil.                    FC: Belo texto. Obrigado.             Carlos Nunes: Este padre, é um sucedâneo do imanentismo, do historicismo e da ética de situação, latentes nos artigos da imprensa secularista, que tem "catequizado" os católicos portugueses desde há muitas décadas. Nomes como o do dominicano neo-marxista Bento Domingues, o Cardeal Tolentino, o missionário Anselmo Borges, o capuchinho Ventura, e mais uns quantos avençados da elite liberal, que esporadicamente escrevem sobre o hegeliano aggiornamento eclesial nos jornais politicamente correctos.                 Margarida Almeida: Os professores que contam são os que nos abrem portas. É uma bênção ter pessoas assim, próximo! Abrem-nos para o mundo e nunca mais esquecemos que tal é possível! Bem haja,Antonio Lobo Antunes por ter sido um desses raros seres! RIP.                Idalina Amador: Lembro me q os livros de leitura obrigatória no meu tempo eram isso mesmo. A minha sorte meu pai ter uma pequena e variada biblioteca, com Hemingway, C. Mansfield, Welles, Papini, Axel Munthe, Fitzgerald, Dumas. Lembro me de no entanto ter lido com gosto Camilo, Eça e Ferreira de Castro...                 victor guerra: Sorte sua, já que tem uma profissão castradora                Américo Silva: Sinodalmente, o sinodal sínodo da sinodalidade iniciou a apresentação de conclusões, a conferência episcopal alemã pediu autorização para que os leigos façam homilias, a clerezia não se cansa de lutar contra os fiéis.                  Teresa Henriques: Lobo Antunes é um dos meus favoritos.             Maria Beatriz  > C. C. de Pinho: Gostei!