É o que se pretende, quando se quer bem servir a Nação.
Passos exige a Montenegro que esteja "à altura da
tradição do PSD" e rejeita "aventuras" de criar novo
partido
Antigo primeiro-ministro
reitera que gostava que o Governo "ousasse mais" no sentido de
avançar com reformas. Responde a Leonor Beleza e afasta possibilidade de
promover outro partido: "Sou do PSD".
Rui Pedro
Antunes: TEXTO
(Hugo
Fortunato de Oliveira: SOM)
OBSERVADOR: 19 set. 2026, 12:58
JOÃO
PORFÍRIO/OBSERVADOR
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Pedro Passos Coelho tinha saído de um diálogo sobre a fé, no
sentido religioso, no Lumiar, quando foi desafiado por jornalistas a falar
sobre a fé, no sentido mais térreo, que tem no actual Governo. O
antigo primeiro-ministro voltou a enviar recados a Luís Montenegro ao criticar
de forma velada que o Governo se concentre mais nas medidas do “dia a dia” —
como a descida do IRS ou o bónus aos pensionistas — e “pense pouco” no futuro.
Passos Coelho gostava
que o Governo “ousasse mais” em reformas e que Montenegro “estivesse à altura
da tradição do PSD” nessa matéria. O antigo primeiro-ministro
afasta ainda promover ou vir a fazer política noutro partido: “Eu sou do PSD”.
Passos Coelho — nessas declarações à
saída do evento a três órgãos de comunicação, um deles o Observador — não
quis avaliar especificamente as medidas anunciadas por Luís Montenegro numa
comunicação ao País na quinta-feira, mas lembrou que “o primeiro-ministro
anunciou um conjunto de medidas que já tinha anunciado antes, que não teriam
uma grande novidade”. Sobre o mérito das mesmas, o antigo governante começa
por dizer: “Não sou
comentador”. Puxa, no entanto, da legitimidade de ter liderado
o partido e o País para dizer algo mais: “Sou do PSD e fico sempre muito
contente quando o PSD faz bom serviço e as coisas correm bem e preocupado
quando, às vezes, nem tanto.”
O antigo
primeiro-ministro faz questão de manter a pressão alta a Montenegro, ao
dizer que o PSD
tem a “responsabilidade maior” de resolver os problemas do País por estar no
Governo. Passos Coelho adverte que o Governo tem de ir “dando razões
aos portugueses para que eles acreditem que o Governo gere não apenas bem o dia-a-dia, isso
é sempre importante, mas, sobretudo, o futuro.”
a.
O antigo governante admite que
é preciso fazer um” equilíbrio” entre o que é do dia-a-dia, mas avisa que “o futuro sempre chega e, quando
pensamos pouco nele, depois, às vezes, não gostamos daquilo que temos e já é
tarde para alterar.” É neste contexto que o antigo primeiro-ministro
enquadra as suas “observações
para estimular e incentivar a ambição do PSD em ter uma atitude reformadora,
reformista, mais forte”. O antigo primeiro-ministro compreende que
“as condições no Parlamento não são as melhores, porque o Governo não tem uma
maioria, mas, pensando naquilo que pode ser a avaliação dos portugueses e nas
condições que possa vir a adquirir no futuro, era importante que ousasse mais
nessa matéria e, portanto, oferecesse às pessoas boas razões para acreditar que
se hoje não têm as condições que são necessárias para fazer as reformas que são
precisas, então, se calhar, vamos ter de lhes dar no futuro.”
Passos lamenta que “na comunicação ou na acção do
Governo” este caminho não esteja “no centro das atenções”, daí que se sinta
obrigado a fazer “essas chamadas de atenção”. O antigo primeiro-ministro é
depois desafiado a comentar o trabalho do próprio chefe de Governo e confessa que
sempre achou que o homem que escolheu para líder parlamentar durante o sua
governação “iria ser” um dia líder do partido e primeiro-ministro. Coisa diferente é se tem gostado de
ver o Luís trabalhar. Sobre essa avaliação, deixa um desejo em forma de pressão e
crítica: “Espero
que ele possa desempenhar a sua função à altura daquilo que é a tradição do PSD
e, portanto, só posso desejar-lhe que encontre o caminho para que as pessoas o
possam valorizar e possa estar nessa tradição, que é a tradição do PSD.”
Embora tenha rejeitado comentar directamente as sondagens, Passos sugeria
aqui que Montenegro precisa de seguir a tradição reformista do PSD para ser
valorizado.
Passos “não se aborrece” com Beleza e rejeita criar
novo partido
O antigo
primeiro-ministro desvalorizou ainda os reparos que Leonor Beleza lhe deixou
recentemente numa entrevista quando disse não compreender as suas mais recentes
posições públicas. Passos diz que não sabe em que é que a
vice-presidente do PSD “estava
a pensar” quando lhe fez esses reparos, mas lembrou que ela própria tem
“responsabilidades na condução política do PSD também”. Diz que respeita
Beleza, mas que a ex-ministra de Cavaco Silva terá uma “perspetiva” em virtude
de ser “vice” do PSD e acrescenta que o facto de existirem opiniões diferentes “é a coisa mais
natural do mundo” e que “a gente nunca se aborrece por causa disso, era o que
faltava”. Lembrou
que promoveu sempre a “diversidade de pensamento” quando fazia as suas
“equipas”, quer no PSD, quer no Governo.
Pedro Passos Coelho rejeitou ainda comentar a proposta
do presidente da câmara de Oeiras de criar um partido entre o PS e o PSD para
combater o Chega. “O doutor Isaltino que faça o que
entender”, disse. E deixou claro que o seu caminho será sempre dentro do
PSD: “Eu sou do
PSD e, portanto, não ando em aventuras de fazer partidos nem coisas dessas, não
sinto nenhuma necessidade disso, nem de estar a estimular, nem a apoiar
qualquer coisa parecida com essa.” Têm surgido nos últimos
meses rumores de que Passos podia estar interessado em criar um partido, o que
o próprio deixa assim, claro, de forma cristalina que não quer. Se um dia
quiser voltar a ser primeiro-ministro, o que continua a não enjeitar, será sempre
pelas cores do seu PSD.
PSD Política Pedro Passos Coelho Luís Montenegro Governo
José Góis Chilão
Leonor Beleza parece ter
esquecido que a verdadeira tradição do PSD sempre foi o debate, a divergência e
até alguma turbulência saudável— não o unanimismo obediente em torno do chefe.
Passos Coelho limita-se a ser social-democrata à antiga: discorda, critica e
continua no partido. Uma excentricidade imperdoável nos tempos modernos.
Ana Maria Caldeira > Carlos Costa
Este tique de querer que as
pessoas se calem... Muito na moda hoje de novo.
Jorge Garcia
Os melhores estadistas que
tivemos foram todos oriundos de governos AD. Acho muito bem PPC exigir ao PM
que se deixe de discursos de advogado, cheios de tretas e malaguetas. O PSD é
um partido de raiz democrática e não de raiz maçónica. Montenegro e sus muchachos
estão a destruir o que foi construído ao longo de 50 anos.
Ana Luis da Silva
Não é preciso Pedro Passos
Coelho criar um novo partido.
É preciso arranjar uma
equipa que despreze o socialismo com todas as suas implicações, que seja além
disso, leal, competente, corajosa e resiliente, disposta ao sacrifício pelo
país, com políticas de direita na economia e na administração do Estado e conservadora
nos nossos valores civilizacionais… e que não tenha medo de se associar ao
CHEGA.
Jorge Tavares
Pedro Passos Coelho devia
filiar-se na Iniciativa Liberal. É o actualmente partido mais próximo das suas
posições. O PSD limita-se a ser um PS um pouco menos hipócrita e um pouco menos
parasita. Idem para o CDS. O actual governo tem um ou dois ministros
reformistas mas é quase por acidente. Foi sem querer.
graça Dias
Pedro Passos Coelho a ser
Pedro Passos Coelho, ou seja, um Estadista com um pensamento e um desígnio para
o país: reformar e transformar o país a nível económico, cultural e social, com
um olhar no futuro, e não na gestão do <património > herdado do socialismo, que
desde há décadas mergulhou o país no marasmo económico e social, que fez de
Portugal um país subdesenvolvido.
Ana Rita
Esquece Passos. Algum dia
um primeiro ministro do verdadeiro PSD
ia proteger um Neves? Um socialista vigarista! O Montenegro é como ele.
Alexandre Arriaga e Cunha
É importante ouvi-lo, pois
ele sabe melhor que ninguém o que custa fazer reformas em Portugal e o preço a
pagar de não as fazer.
António Cézanne
As coisas são tão simples
de perceber em democracia.
Em democracia quem vota é a
população e essa mesma população disse claramente que queria o País governado
com uma maioria esmagadora da direita. Não disse que queria a esquerda a
governar.
Montenegro só tinha que ter
percebido isso e cumprido aquilo que lhe foi dito claramente nas eleições.
Toda a esquerda,
inclusivamente o PS foi totalmente rejeitada, o que quer dizer que Montenegro
nem os devia sequer ouvir, deveria fazer exactamente aquilo que devia ter
percebido - rejeitá-los todos os dias e de forma bem clara. E não andar com
jogos de cintura e tacticismo político que cheiram a bafio, ora encostando-se a
um lado, ora a outro com a intenção de segurar o lugar, esquecendo-se das
prioridades do País.
Paulo mariano
O verdadeiro inimigo de
Passos é Ventura. Face à patologia narcísica predadora deste último é muito
difícil, para não dizer impossível, a coabitação entre ambos. Para já não falar
que Passos é o oposto do populismo.
Anastácio Rocha
O Passos que eu aprecio
muito deveria candidatar-se a líder do psd .. um passos de recados só ajuda
a Comunicação social e os partidos chega, PS é os comentadores e comentadoras
que perfilam com vaidade, vedetismo, balofices e …
S NLuis > Carlos
Marques
Questionar e criticar,
quando adequadamente fundamentado, como tem feito P Passos Coelho, não é só
positivo e louvável como necessário e muito útil.
Se há quem não o
compreenda, como se verifica, incluindo no governo e no partido que o suporta,
não pode deixar de ser muito preocupante e negativo para o futuro do país
Luis Carlos Marques
Não é comentador, mas
comenta. Não concorda, mas não apresenta alternativa. Basicamente, faz barulho,
ruído! É pena....
paulo mariano
Não é mau
"rapaz", Montenegro. O problema é que estamos perante uma nova
realidade partidária. Já nos bastava o populismo de esquerda, para agora
assistirmos à propagação do populismo de direita — uma espécie que em Portugal
tem a versão patológica na liderança, e na proposta económica uma versão
inconsistente e construída para responder mais às emoções básicas e analfabetas
do que à realidade.
Das duas, uma: ou Passos
Coelho consegue federar e agregar, depois de uma vitória eleitoral interna no
PSD, e vencer as eleições no País, ou teremos um novo bloco central, com
características diferentes do anterior, para continuar a adiar aquilo a que todos
chamam, há demasiado tempo, “o problema”.
Sou adepto da confrontação
total com a teia dos “bloqueios” e de colocar o País no caminho da verdade —
isto é, da realidade.
E há ainda uma pequena
curiosidade nas recentes declarações de Passos que não deixa de ser deliciosa.
Por duas vezes, nas suas parcas intervenções, parece aludir ao Chega e a
Ventura sem nunca os nomear. Primeiro, fala em “aventuras”; depois, diz que “o futuro
(...) sempre chega”. Ora, isto é apenas uma coincidência vocabular... ou será o
inconsciente a falar? Ou, mais interessante ainda, será Passos demasiado
experiente para escolher as palavras por acaso?
Fernando ce > Manuel Gonçalves
Coragem? Mais do que
demonstrou durante os anos de chumbo da Troika? E ainda me lembro quer da
histeria da maioria dos comentadores na CS e da oposição que criaram um
ambiente pré-insurrecional no país. Já sem falar que Passos Coelho enfrentava
pessoalmente manifestantes presentes em locais onde se deslocava. Olhe que era
preciso ter T…..S !