quarta-feira, 24 de junho de 2026

Radicalismos

 

Perversos.

A ameaça do islamismo radical na Europa

Na Europa, à arrogância de recusar como possível tudo o que foge das nossas categorias intelectuais, segue-se a fraqueza de ser incapaz de combater uma das maiores ameaças.

João Marques de Almeida, Colunista do Observador

OBSERVADOR, 24 jun. 2026, 00:24

Após os ataques do 11 de Setembro de 2001, analisei a Al-Qaeda e percebi rapidamente que as ameaças terroristas aos Estados Unidos e à Europa tinham anos. Mas no ocidente ninguém levou a sério. A Al-Qaeda foi desvalorizada como “um grupo de fanáticos medievais.”

Em 2022, depois da agressão militar da Rússia, também se observou rapidamente que Putin havia defendido durante anos a conquista da Ucrânia. Foi igualmente desvalorizado como defendendo “ideias bélicas do século XIX” que não se aplicavam à “Europa do século XXI.

Estes dois exemplos mostram uma arrogância extrema por parte dos europeus: os não-ocidentais que não pensam como nós, não são levados a sério. Muitos europeus têm a mesma atitude perante o islamismo radical, que cresce na Europa a uma velocidade impressionante.

Existem muitos estudos e relatórios de governos europeus sobre o crescimento e a ameaça do islamismo radical, há livros publicados sobre o assunto, mas mesmo assim o tema tornou-se um tabu na maioria das discussões na Europa. Devíamos levá-lo muito a sério. O objectivo final do islamismo radical na Europa é converter os países europeus ao islamismo. Já sei que muitos leitores estão a reagir como se reagiu à Al Qaeda ou às ameaças de Putin. Mas não sou eu que o escrevo. São os líderes do islamismo radical na Europa, e em particular da Irmandade Muçulmana.

Observo bem o que se passa no Reino Unido. Há uma estratégia clara para radicalizar imigrantes muçulmanos, especialmente de segunda geração. Esses esforços começaram com a ida de Imãs radicais para as mesquitas britânicas. A maioria desses Imãs foi expulsa do Egipto, da Arábia Saudita e do Paquistão. Ou seja, países muçulmanos expulsaram líderes religiosos para defender as suas populações do radicalismo islâmico, os quais vieram promover as mesmas ideias para o Reino Unido e outros países europeus. Mas os governos britânicos permitiram a radicalização de muitos jovens muçulmanos no Reino Unido. Muitas mesquitas continuam a ser centros de radicalização islâmica.

Simultaneamente, em nome da defesa contra o racismo e contra a Islamofobia, tornou-se proibido defender certas posições contra o islamismo radical no Reino Unido (não deixa de ser irónico, dado o profundo racismo dos islâmicos radicais). Hoje, a liberdade de expressão está sob ameaça no Reino Unido. Pior, os oficiais da polícia britânica vivem em pânico de serem acusados de racistas, e deixaram de garantir a segurança dos britânicos em muitas localidades do país. Hoje, a polícia britânica tem instruções para dar mais importância a discursos de Islamofobia do que a perseguir crimes cometidos por islâmicos radicais.

A estratégia de radicalização de populações muçulmanas é bem pensada, executada e financiada de fora do Reino Unido. Há três fontes principais de financiamento: a Irmandade Muçulmana, muitas vezes através da Turquia, o Paquistão e o Irão. As autoridades britânicas, para evitar confrontos diplomáticos, pouco fazem para travar estes financiamentos.

O sucesso da radicalização islâmica no Reino Unido já tem implicações políticas. No poder local, há municípios onde os radicais islâmicos fazem parte das maiorias políticas, com consequências graves para a educação, a segurança e a igualdade de géneros (por exemplo, nas escolas). Aliás, os locais que mais praticam a discriminação entre homens e mulheres no Reino Unido são as mesquitas e os centros islâmicos. Os trabalhistas e os verdes sabem muito bem disso, mas nada dizem, e atacam quem o diz. É assim que a liberdade política começa a morrer.

A política externa britânica no Médio Oriente, particularmente em relação a Israel e ao Irão, também já está altamente condicionada pela presença de islamistas radicais no seu território.

Há um ponto central: não se pode confundir islamismo radical com o Islão ou a religião muçulmana. Aliás, os muçulmanos são as primeiras vítimas da radicalização islâmica. Ouçam os depoimentos de raparigas britânicas muçulmanas que se revoltaram contra os casamentos forçados pelas suas famílias. Do mesmo modo, os responsáveis políticos de muitos países árabes afirmam claramente que o islamismo radical deve ser combatido e que hoje é um problema maior na Europa. Por exemplo, os Emirados Árabes Unidos deixaram de dar bolsas para estudar nas universidades britânicas para os seus jovens não regressarem ao país radicalizados. Para combater o islamismo radical, os países europeus devem cooperar com países árabes e muçulmanos.

Na Europa, à arrogância de recusar como possível tudo o que foge das nossas categorias intelectuais, segue-se a fraqueza de ser incapaz de combater uma das maiores ameaças aos valores, à liberdade, à segurança e até à democracia na Europa. O islamismo radical é o terceiro grande movimento totalitário que a Europa livre enfrenta, depois do comunismo soviético e do nazismo.

terça-feira, 23 de junho de 2026

Petróleo

 

O promotor da paz…

Em directo/ Irão diz que negociações técnicas com EUA foram concluídas

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano avançou que as negociações realizadas na Suíça entre delegações do Irão e dos EUA foram concluídas com a criação de quatro grupos de trabalho.

CÁTIA ROCHA: Texto

JOANA MOREIRA: Texto

Momentos-chave

Há 8m: Ministro dos Negócios Estrangeiros chinês pede manutenção das conversações de paz entre EUA e Irão

Há 38m: Hezbollah tem "dedo no gatilho" para enfrentar violações de Israel a cessar-fogo

Há 1h: Presidente do Irão refere que "eficácia das conversações depende de compromisso total com o que foi acordado"

Há 1h: Irão diz que negociações técnicas com EUA foram concluídas

Actualizações em directo

08:01: Agência Lusa

Ministro dos Negócios Estrangeiros chinês pede manutenção das conversações de paz entre EUA e Irão

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, apelou à continuação das negociações de paz entre Estados Unidos e Irão, durante um encontro com o conselheiro de segurança nacional egípcio, Youssef Alaa El-Deen, na Índia.

“O memorando de entendimento assinado entre os Estados Unidos e o Irão — no qual se comprometeram a respeitar mutuamente a soberania e a integridade territorial, a abster-se de acções militares e a evitar interferências nos assuntos internos um do outroenviou um sinal positivo ao mundo que deve ser preservado e aplicado conjuntamente”, afirmou Wang, na segunda-feira, citado num comunicado do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

O chefe da diplomacia chinesa defendeu a manutenção do diálogo para pôr fim à guerra no Médio Oriente, apesar de considerar “pouco provável” que o processo decorra sem recuos ou dificuldades.

Durante a reunião, realizada na segunda-feira à margem de um encontro de responsáveis de segurança nacional do bloco de economias emergentes BRICS, em Nova Deli, Wang afirmou também que a China está disposta a “defender conjuntamente a independência e o fortalecimento do Sul Global”.

Cátia Rocha

Quinta ronda de conversações entre Líbano e Israel arranca hoje em Washington

Começa hoje a quinta ronda de conversações entre Líbano e Israel, escreve a Reuters.

O encontro decorre em Washington e deverá decorrer ao longo de três dias. A delegação libanesa insiste em negociações cara a cara, considerando que são a única forma de assegurar um fim para um confronto que dura desde março.

Um dos responsáveis libaneseses mostrou-se céptico de que seja possível alcançar desenvolvimentos relevantes após quatro rondas sem sucesso. “Continua a existir um problema fundamental de confiança entre nós e os israelitas nestas negociações. Não podemos satisfazer as suas exigências e rejeitam todas as nossas”, disse à Reuters.

Agência Lusa

MNE chinês pede manutenção das conversações de paz entre EUA e Irão

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, apelou à continuação das negociações de paz entre Estados Unidos e Irão, durante um encontro com o conselheiro de segurança nacional egípcio, Youssef Alaa El-Deen, na Índia.

O memorando de entendimento assinado entre os Estados Unidos e o Irão — no qual se comprometeram a respeitar mutuamente a soberania e a integridade territorial, a abster-se de acções militares e a evitar interferências nos assuntos internos um do outroenviou um sinal positivo ao mundo que deve ser preservado e aplicado conjuntamente”, afirmou Wang, na segunda-feira, citado num comunicado do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

O chefe da diplomacia chinesa defendeu a manutenção do diálogo para pôr fim à guerra no Médio Oriente, apesar de considerar “pouco provável” que o processo decorra sem recuos ou dificuldades.

Rádio Observador

"Cobrar no estreito de Ormuz é uma violação do direito internacional"

Francisco Pereira Coutinho, especialista em Direito Internacional, alerta que o Irão quer cobrar para passar no Estreito de Ormuz, o que viola as leis e vai fazer o preço do petróleo disparar.

Agência Lusa

Meloni garante que desentendimento com Trump não deve afectar relações com EUA

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, garantiu esta terça-feira que o desentendimento com o Presidente norte-americano, Donald Trump, que tem criticado a governante em diversas ocasiões, não deverá afectar as relações entre os dois países.

Meloni deixou esta garantia durante uma reunião do conselho de ministros, onde rebateu também a alegação de Trump de que precisava dele para impulsionar a sua alegada queda de popularidade, dizendo-lhe para se concentrar nas suas próprias sondagens.

No sábado, Trump voltou a criticar a primeira-ministra italiana por ter recusado ceder bases italianas no conflito com o Irão.

Numa mensagem na sua rede social, a Truth Social, Trump insistiu ainda que a líder italiana lhe pediu “vezes sem conta, para tirar uma fotografia” com ele durante a reunião do G7 em França, no início da semana, algo que Giorgia Meloni já tinha negado.

“Agora, depois de os Estados Unidos terem derrotado o Irão militarmente, ela quer voltar a ser amiga para ‘aumentar os seus números’. Não, obrigado!!!”, acrescentou Trump.

Cátia Rocha

Hezbollah tem "dedo no gatilho" para enfrentar violações de Israel a cessar-fogo

Mahmoud Qamati, líder-adjunto do conselho político do Hezbollah, alerta que o grupo libanês está preparado para responder “a qualquer tipo” de violação do cessar-fogo por parte de Israel. A afirmação foi avançadaa pela Press TV e citada pela Al Jazeera.

O Hezbollah mantém-se em alerta máximo, com o dedo no gatilho, pronto para enfrentar qualquer violação por parte do regime israelita”, diz este responsável do Hezbollah.

Cátia Rocha

Presidente do Irão refere que "eficácia das conversações depende de compromisso total com o que foi acordado"

Masoud Pezeshkian, Presidente do Irão, afirma que “a eficácia das negociações depende do compromisso total no cumprimento das obrigações que foram acordadas e da sua aplicação rigorosa”. A afirmação é feita na rede social X, esta manhã.

“O progresso neste caminho será avaliado com base no cumprimento efectivo das responsabilidades assumidas”, diz o governante.

O Presidente iraniano refere ainda que “afirmações feitas fora do texto acordado não ajudam a avançar nas negociações”, sem especificar a que afirmações se refere.

Agência Lusa

ONU denuncia aumento de vítimas civis na Ucrânia e Federação Russa

O sub-secretário-geral da Organização das Nações Unidas para a Europa, a Ásia Central e as Américas, Khaled Khiari, denunciou hoje o recorde de vítimas civis registado na Ucrânia e o seu aumento recente na Federação Russa.

“No mês passado, pelo menos 274 civis morreram e 1.763 ficaram feridos na Ucrênia. É o número mensal mais alto de mortos e feridos desde abril de 2022″, disse Khiari, durante uma sessão do Conselho de Segurança sobre a guerra.

“Também nos preocupa o crescente impacto da guerra sobre a população civil na Federação Russa”, acrescentou.

Depois de recordar os ataques russos mais recentes contra várias regiões ucranianas que causaram morto e feridos e atingiram património da UNESCO, o subsecretário alertou que se continua “o perigoso ciclo actual de escalada” vai provocar “uma maior devastação na Ucrânia, bem como cada vez mais na Federação Russa”.

Há 1h

06:46

Agência Lusa

Irão diz que negociações técnicas com EUA foram concluídas

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano afirmou hoje que as negociações realizadas na Suíça entre delegações do Irão e dos Estados Unidos foram concluídas com a criação de quatro grupos de trabalho.

“Com base nos acordos alcançados, as futuras negociações serão conduzidas sob a supervisão de um comité de alto nível, com a participação do presidente da Assembleia Consultiva Islâmica e ministro dos Negócios Estrangeiros do nosso país, do primeiro vice-presidente dos Estados Unidos e dos primeiros-ministros do Qatar e do Paquistão”, declarou Kazem Gharibabadi, citado pela agência de notícias estatal iraniana IRNA. O representante iraniano não especificou uma data para as futuras negociações.

“Além disso, foi decidido formar quatro grupos de trabalho: suspensão das sanções, programa nuclear, reconstrução e desenvolvimento económico, e acompanhamento e implementação”, acrescentou.

Gharibabadi, que liderou a equipa técnica de negociação do Irão, afirmou ainda que foi alcançado um acordo para a libertação imediata de 12 mil milhões de dólares (10,5 mil milhões de euros) em fundos iranianos congelados e que os Estados Unidos emitiram uma licença a autorizar o a venda de petróleo produzido no Irão.

Na segunda-feira, o Departamento do Tesouro dos EUA emitiu uma licença a autorizar, por 60 diasaté 21 de agosto —, a produção, venda, transporte e importação de petróleo bruto, produtos petroquímicos e outros derivados de petróleo iranianos.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarou na rede social X que “em consonância com as discussões produtivas que ocorrem na Suíça, o Irão comprometeu-se a garantir o trânsito livre e aberto pelo estreito de Ormuz e a permitir a entrada de inspetores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) no seu território.”

 

Um discurso promissor

 

Ça ira.

Luís Montenegro: "PSD não existe para gerir o curto prazo"

Na intervenção de encerramento do congresso, Luís Montenegro respondeu ao Chega e anunciou novas medidas, entre elas, a criação de um fundo soberano português.

RÁDIO OBSERVADOR: SOM

MIGUEL VITERBO DIAS: TEXTO

OBSERVADOR, 21 JUN. 2026, 15:27

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode cnter erros ou imprecisões.

Muito boa tarde a todas e a todos. Quero, em primeiro lugar, cumprimentar todos os congressistas, delegados e observadores que participaram nos trabalhos deste 43º Congresso Nacional do PSD e cumprimentar, por via deles, todos os militantes de base do Partido Social-Democrata, que são o fundamento, que são a inspiração e que são a alma deste grande partido da democracia portuguesa. Quero saudar todos os companheiros e companheiras que foram eleitos para os órgãos nacionais do partido, desejar-lhes um bom mandato, um mandato ao serviço de Portugal e quero também expressar a nossa gratidão e o nosso reconhecimento àqueles que agora cessaram funções. Quero igualmente dirigir uma palavra de agradecimento pela presença de todos os nossos convidados. Cumprimentar, em primeiro lugar, a chefe da Casa Civil, doutora Cláudia Ribeiro, em quem deposito uma mensagem de total disponibilidade e empenho na colaboração construtiva e estratégica que mantemos com Sua Excelência, o senhor Presidente da República.

Cumprimentos institucionais, a abrir a intervenção, primeiro para a representação da Presidência da República.

Quero igualmente cumprimentar o senhor Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco, nele dirigindo também uma saudação a todos os 230 deputados da Assembleia da República, que representam a vontade política do povo português. Vontade política também expressa através dos partidos políticos, cujos representantes aqui presentes também quero cumprimentar. A sua presença, para nós, significa a maturidade da nossa democracia e o respeito pela liberdade e diversidade de pensamento político. Neste particular, quero saudar de uma forma ainda mais especial o CDS, o nosso parceiro preferencial e permanente, a quem deixo uma palavra de profundo reconhecimento pela cooperação impecável que temos mantido.

Não deixa de ser curiosa a utilização da expressão parceiro preferencial.

Agradeço também a presença do presidente do Conselho Económico e Social e de todos os parceiros sociais, com quem efectivamos de forma permanente o diálogo e a concertação social. Nas delegações da Associação Nacional dos Municípios Portugueses, da Associação Nacional das Assembleias Municipais e da Associação Nacional das Freguesias, dirijo uma calorosa saudação aos autarcas portugueses, eles que também são parceiros preferenciais e permanentes da execução das políticas públicas.

Foi uma das conquistas de Luís Montenegro, a recuperação da presidência da Associação Nacional de Municípios, liderada por Pedro Pimpão, de Pombal.

Aos representantes do sector social, das associações profissionais e ao movimento cooperativo, transmito também a nossa disponibilidade para uma colaboração empenhada e consequente. À Liga dos Bombeiros Portugueses, reitero, em nome do PSD, a nossa gratidão pelo serviço insubstituível e abnegado que prestam ao país e a todos nós.

E numa fase em que a época de incêndios começa a gerar maior preocupação, este cumprimento especial a Luís Montenegro.

E aos diplomatas aqui presentes, deixo uma palavra de amizade e de confiança. A nossa recente eleição para o Conselho de Segurança das Nações Unidas revela a intensidade do nosso compromisso com a paz, com os direitos humanos, com a sustentabilidade e com a promoção do diálogo e da diplomacia como instrumentos pra resolução de conflitos. Obrigado também pela vossa presença.

Foi uma das conquistas mais recentes também do governo, essa eleição de Portugal como membro não permanente.

Portugueses, Portugal vive hoje um momento que exige a todos uma especial confiança. Confiança nas nossas capacidades, confiança nas pessoas, confiança no futuro. Durante demasiado tempo, habituámo-nos a discutir as limitações do país. Habituámo-nos a falar das dificuldades, dos constrangimentos, das oportunidades perdidas. Habituámo-nos a olhar quase exclusivamente para aquilo que nos faltava, em vez de encararmos o muito de bom que Portugal tem para criar e para oferecer Hoje, mais do que nunca, Portugal está perante uma realidade diferente. Temos uma economia robusta, temos empresas mais internacionalizadas, temos universidades que formam talento reconhecido em todo mundo. Temos gerações altamente qualificadas, sobretudo as dos jovens que agora se estão a lançar no mercado de trabalho. Temos capacidade científica, tecnológica e empresarial para competir com os melhores. O grande desafio do nosso tempo consiste em transformar todo este potencial em prosperidade, em bem-estar e qualidade de vida para todos. Consiste em criar condições para que os portugueses possam concretizar, em Portugal, os seus projectos de vida. Consiste em fazer de Portugal um país onde o trabalho é valorizado, onde o mérito é recompensado e onde cada geração pode viver melhor do que a geração anterior. E é esse o nosso projecto. O PSD nunca escolheu o imobilismo. O PSD nunca escolheu o cálculo cínico de esperar pelo melhor momento para agir. O PSD escolheu sempre a responsabilidade da transformação. E essa continua a ser a nossa missão. Ao longo dos últimos meses, fomos confrontados com uma realidade política que todos conhecem. Sempre que surge uma reforma para responder aos desafios do futuro, logo aparecem forças políticas disponíveis para travar, por vezes até obstinadas em fazer com que tudo fique na mesma. Algumas dessas forças políticas continuam presas a modelos que pertencem ao passado e não têm futuro. Outras parecem preferir quase sempre a conveniência do momento à responsabilidade do longo prazo. Nós, no Governo, na AD, fizemos uma escolha diferente.

A primeira farpa para Chega e Partido Socialista e a tentativa de colocar o PSD noutro patamar.

Escolhemos apresentar propostas. Escolhemos dialogar. Escolhemos a procura do entendimento. Escolhemos construir soluções. Escolhemos governar, porque governar significa olhar para além do momento mais mediático. Governar significa pensar nas consequências das decisões, a curto, a médio e a longo prazo. Governar significa proteger o interesse nacional, mesmo quando isso exige não tomar decisões simpáticas no presente, até eventualmente capazes de gerar alguma incompreensão, mas que constituem uma opção de futuro pelos interesses de Portugal e pelos interesses dos portugueses. É essa mentalidade e é esse projecto que estamos a executar. Na política de diminuição dos impostos e de valorização dos salários, na opção por apostar nos jovens e na família, na promoção de uma economia dinâmica, produtiva e competitiva, assente na inovação, na tecnologia e na capacidade exportadora, na formação profissional, no conhecimento científico e na investigação, num país moderno, conectado pelas vias digitais, mas também pela ferrovia, pela rodovia e pelas nossas capacidades portuárias e aeroportuárias. Um país seguro, onde a justiça funciona, ligado à Europa e ao mundo e capaz de defender o seu povo, a sua democracia e o seu território. Um país com autonomia estratégica na energia, nas comunicações, nas infraestruturas críticas, mas também na segurança alimentar e na sustentabilidade ambiental. Um país coeso cá dentro e ligado de forma umbilical às suas comunidades espalhadas pelo mundo e unido pela nossa língua e pela nossa cultura, que são a nossa identidade e a essência de ser português. E um país também solidário e justo socialmente, que combate a pobreza e a exclusão e que garante o acesso universal à saúde, à educação e à habitação. Um país com solidariedade entre gerações, cuidando do bem-estar dos que aqui estão, mas também cuidando dos vindouros. Este é mesmo um princípio e um valor inegociáveis. Eu vou repetir: cuidar do bem-estar de quem cá está, mas cuidar também dos vindouros é um princípio que, do nosso ponto de vista, é inegociável.

A referência à proposta do Chega de baixar a idade da reforma e porque que o PSD não a uniu nessa estratégia.

É por isso que para nós, e para mim particularmente, as pensões são sagradas. Não aceito e não deixo, a troco de nada Que se faça o que quer que seja que ponha em causa o pagamento das pensões hoje e no futuro.

E a resposta que vários ministros já foram ensaiando, até em entrevistas aqui ao Observador durante o Congresso, de que a questão das reformas é sagrada para o Primeiro-Ministro.

A esse propósito, quero também dizer aos portugueses que não se deixem enganar. Baixar a idade das reformas hoje significa cortar pensões amanhã.

E a continuar a explicar o porquê desta opção do Governo de não ter chegado a entendimento com o partido Chega na questão da reforma laboral.

Ainda antes de ser investido nas funções de Primeiro-Ministro, declarei, em campanha eleitoral, de forma solene e categórica, que no dia em que, por absurdo, tivesse de cortar pensões, demitir-me-ia. Reassumo aqui e agora este compromisso de honra.

Montenegro que fez este compromisso em campanha para tentar responder ao afastamento dos pensionistas e reformados do PSD, desde o período de Pedro Passos Coelho, durante a troca, em que houve esse corte de pensões, a tentar essa reaproximação e a insistir agora que não o fará.

Caros portugueses, ao muito que estamos a fazer, juntam-se todas as semanas, é que é mesmo todas as semanas, novas decisões e novas transformações estratégicas e estruturantes para o nosso futuro. É também por isso que vai acontecer nos próximos tempos. Partilho convosco alguns exemplos. Em primeiro lugar, vamos criar um fundo soberano de Portugal junto do IGCP, nossa agência de gestão da dívida pública, que será um instrumento de autonomia e intervenção do Estado em sectores estratégicos. Quero, dentro deste projecto, destacar que a intenção é de termos participações accionistas relevantes em empresas estratégicas para o desenvolvimento do país e para a sua resiliência, por forma a garantir um veículo de poupança para as gerações futuras e um instrumento de efetivar a soberania nacional.

Primeira proposta desta intervenção de encerramento do Congresso.

Estamos a falar de participações em áreas como a energia, mas não excluímos a banca, as comunicações ou mesmo a gestão de infraestruturas aeroportuárias, se os concessionários das mesmas não cumprirem as suas obrigações.

São áreas onde o Estado já chegou a ter participações e as quais foram desfazer.

Irá congregar as participações já detidas pelo Estado e ainda outras que venham a ser consideradas estratégicas e com retorno financeiro para a administração pública. Em segundo lugar, porque a incerteza não emerge só da acção humana, mas também de fenómenos naturais, cada vez mais recorrentes e impactantes, vamos executar o fundo de catástrofes já anunciado, que possa permitir às pessoas e às empresas, às comunidades e autoridades locais e ao Estado central, gerir o impacto financeiro no território, nas infraestruturas, na economia destes eventos, através de um mecanismo de seguros e resseguros. Esse fundo será constituído por dois subfundos, um para atender a um risco que pode ser menor, mas de consequências muito gravosas, o risco sísmico, e um outro para eventos climáticos extremos que cada vez mais assolam o nosso país e para os quais tem de haver uma resposta estruturada. Não podemos continuar a correr atrás dos prejuízos. É mesmo a altura de, com planeamento e com ambição, transformarmos a vulnerabilidade numa nova força.

Este fundo das catástrofes já tinha sido anunciado, agora há a intenção de o executar com mais alguns detalhes.

Em terceiro lugar, na ferrovia. Vamos avançar com um modelo que permita aumentar a oferta, melhorar a qualidade do serviço e reforçar a eficiência do sistema sempre com a CP no centro da estratégia nacional. Mas, em complementaridade, a linha de Cascais será a primeira a avançar com uma subconcessão, salvaguardando o interesse público e garantindo que a CP mantenha o seu papel estratégico como operador público nacional. E o modelo será aplicado nas áreas metropolitanas para fomentar a mobilidade, para fomentar o transporte público e para melhorar, do ponto de vista ambiental, a nossa sustentabilidade. O nosso objectivo é simples Mais comboios, melhor serviço e mais mobilidade para quem trabalha, para quem estuda e para quem vive nas áreas metropolitanas. A nossa decisão histórica de adquirir 153 novos comboios, mais 20 comboios de alta velocidade, antecipando o respectivo prazo de entrega, é também um sinal da nossa aposta na ferrovia, onde agora já superamos mais de um milhão de subscrições do Passe Ferroviário Verde, que recordo, permite a todos os portugueses, por 20 € por mês, viajarem em todos os comboios em todo o território, com excepção do alfa pendular.

Vou aproveitar aqui também para recuperar esta ideia, que tem sido um sucesso no Ministério de Miguel Pinto Luz.

Em quarto lugar, a guerra à burocracia vai continuar com o novo Código da Contratação Pública, com vista a acelerar investimentos e a simplificar processos. Em quinto lugar, apresentaremos a reforma da justiça administrativa e fiscal, para que as empresas e os cidadãos não enfrentem as demoras intermináveis com que muitas vezes se defrontam judicialmente com o Estado. Este é um pilar essencial da segurança jurídica entre a relação dos cidadãos e o Estado e é um pilar essencial para atrair e para manter o investimento, dando aos empreendedores as garantias de que os seus conflitos são resolvidos de forma expedita.

A forma do Tribunal de Contas que está em discussão na Assembleia da República.

Em sexto lugar, vamos criar um novo regime de incentivos ao desempenho na administração pública, com o enfoque na valorização do mérito e na obtenção do resultado. E dando também condições de atracção aos jovens altamente qualificados para sentirem a vontade de servir o país também nos serviços públicos. Mudaremos os processos e a gestão do talento na administração pública, enquanto continuaremos as reformas orgânicas dos ministérios. A próxima será a reforma orgânica do Ministério da Saúde, que vai procurar reorientar o quadro institucional para a visão de sistema que temos, conciliando a centralidade no serviço à pessoa, ao cidadão, com o aproveitamento de toda a capacidade instalada, seja no sector público, seja no sector social, seja no sector privado. Em sétimo lugar, vamos completar a estratégia para a habitação que estamos a executar e implementar com a reforma do regime jurídico do arrendamento, porque precisamos de colocar todas as casas disponíveis no mercado, dando à relação entre os proprietários e os inquilinos o equilíbrio que pode precisamente motivar o aumento da oferta para o arrendamento. E quero também aqui lembrar que o vamos fazer já depois de termos diminuído os impostos sobre as rendas dos proprietários e as deduções sobre as rendas pagas pelos inquilinos.

Agora a habitação, depois da saúde, em especial nesta matéria, no mercado de arrendamento.

Finalmente, partilho um oitavo exemplo do que vamos decidir nas próximas semanas. No âmbito da nossa aposta na inovação, na investigação e na necessidade de nos capacitarmos na inteligência artificial, garantindo a nossa autonomia, a nossa competitividade, mas também a nossa identidade, avançaremos no modelo de inteligência artificial em português que anunciamos na Web Summit de 2024, o Amália. É, acima de tudo, uma ferramenta ao serviço dos cidadãos, que está pronta e será apresentada já no próximo mês. Será o coração da cultura portuguesa em visitas virtuais ao nosso património cultural. Vai ser o motor de um novo paradigma pro atendimento público, mais digital, mais proativo e mais eficiente. Vai, entre outras coisas, auxiliar e poupar tempo aos professores no planeamento das suas aulas. E vai até apoiar operações mais críticas, como nas Forças Armadas, na Marinha, em particular, através da análise segura de dados em tempo real. Sendo um modelo aberto e construído na nossa língua, é também um motor de inovação para as empresas e para as universidades E é um instrumento de afirmação no espaço da lusofonia, ao serviço dos mais de 260 milhões de falantes de português em todo o mundo. Falando de língua e da cultura portuguesa, também quero partilhar convosco que, no âmbito da respetiva valorização, vamos lançar em Guimarães, nas próximas semanas, as comemorações dos 900 anos de Portugal, uma das nações mais antigas da Europa e do mundo, que emergiu em 1128 com a Batalha de São Mamede. A estas iniciativas na esfera do Governo, juntam-se outras na esfera do nosso grupo parlamentar, das quais destaco, de uma forma especial, aquelas que visam a regulação da utilização das redes sociais, em particular dos mais novos, e as regras de utilização de equipamentos digitais e telemóveis no processo formativo e na aprendizagem nas escolas. Caros congressistas, convidados e portugueses. Como se percebe, e é inevitável ver, porque só não vê mesmo quem não quer, o PSD não nasceu para administrar apenas as circunstâncias do momento. O PSD nasceu para abrir caminhos novos. O PSD não nasceu para gerir expectativas de curto prazo. Nasceu para preparar e construir o futuro. Essa é a nossa identidade, essa é a nossa responsabilidade. Essa é a confiança que temos e que sentimos dos portugueses. Essa é a missão que assumimos perante o país, com serenidade, mas também com muita firmeza para superar as dificuldades. Com coragem para tomar decisões, com ambição de transformar Portugal, com sentido de Estado para colocar sempre o interesse nacional, o interesse das pessoas, à frente de qualquer interesse individual. Quero assegurar-vos, assegurar ao país: o melhor de Portugal não pertence ao passado. O melhor de Portugal está para chegar. Vamos trabalhar para fazer Portugal maior e vamos fazer Portugal maior.

A intervenção de Luís Montenegro