segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Natureza

 

O nosso mundo começa cá dentro da nossa porta, diz o cantor.

Mas temos de contar sempre com os imprevistos causados pelas ambições alheias, nós próprios também já tendo dado provas disso.

 

Mais de um mês depois, EUA voltam a atacar Irão que já retaliou

Os Estados Unidos atacaram o Irão, na ilha Larak, para impedir o lançamento de rockets que pretendiam voltar a colocar minas no Estreito de Ormuz. O Irão já retaliou com ataques a bases na Jordânia.

Agência Lusa

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Observador

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31 ago. 2026, 00:39

epa13125319 Cargo vessels are seen at one end of the Strait of Hormuz near the coast of Dibba Al Fujairah, United Arab Emirates, 21 July 2026.  EPA/STRINGER

STRINGER/EPA

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A última vez que os Estados Unidos tinham atacado o Irão foi a 29 de julho. Um mês depois voltam a atacar. Atingiram lançadores de ‘rockets’ que se preparavam para lançar minas no Estreito de Ormuz, segundo foi noticiado.

Meios de comunicação semioficiais iranianos noticiaram sons de explosões nas proximidades da ilha iraniana de Larak, que se situa nas imediações do estratégico estreito, no golfo Pérsico. As forças militares norte-americanas tinham indicado ter concluído a desminação das rotas de navegação internacional no estreito.

O Irão já retaliou. A Guarda Revolucionária do Irão fez saber que tinha lançado vários ataques a bases militares dos Estados Unidos na Jordânia. E se fontes norte-americanas dizem que o ataque terá sido interceptado, o corpo militar assegura que infligiu danos.

A televisão Al Jazeera noticiou, citando um responsável norte-americano sob condição de anonimato, que os Estados Unidos (EUA) atacaram dois lançadores de foguetes da Guarda Revolucionária localizados em Larak. Forças do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica foram observadas a preparar-se para lançar foguetes com minas navais para o estreito, segundo o responsável norte-americano, que falou sob anonimato para poder divulgar informações sobre estas movimentações militares de contornos sensíveis.

“Posso confirmar que, hoje de manhã, as forças norte-americanas atacaram dois lançadores iranianos na ilha de Larak. Foram observadas forças do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica a prepararem-se para lançar rockets com minas marítimas para o Estreito de Ormuz”, afirmou o porta-voz do Comando Central dos EUA, o capitão Tim Hawkins, ao Axios. O porta-voz adianta que as forças norte-americanas estão a “acompanhar de perto a zona”, continuando “preparadas para proteger o livre trânsito do comércio” através do estreito.

Segundo a agência noticiosa espanhola EuropaPress, pelo menos duas pessoas morreram e outras duas ficaram feridas neste ataque em Larak. A Guarda Revolucionária, numa declaração divulgada pela televisão estatal iraniana, referiu, por sua vez, “o martírio e ferimentos de vários combatentes e compatriotas”.

O Irão garantiu ainda que o ataque irá “resultar na punição do agressor”. E foi mesmo assim que a Guarda Revolucionária chamou ao ataque.

A guerra entre os Estados Unidos e o Irão completou na sexta-feira seis meses. Este ataque acontece poucos dias depois de Donald Trump ter anunciado que concentraria os esforços na pressão económica.

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domingo, 23 de agosto de 2026

O factor épico

 

De longa data transposto numa historicidade nem sempre de exactidão, na sua reprodução humana, mais chamariz da atenção alheia sobre aquele que relata do que na autenticidade dos factos - forma, talvez, de acentuar a qualidade expositiva do seu relator, como já as epopeias clássicas tão bem o manifestaram. Pese, embora, a fugacidade do relato oral actual, apesar das técnicas modernas de “armazenamento”  oficial.  Só, de resto, um analista de muito saber, como Miguel Tamen, se lembraria de fazer ironia sobre a transmissão das notícias mundanais – que, melhor ou pior, vão ilustrando os saberes dos ouvintes menos ilustrados pelas leituras dos jornais. É o meu caso. Por isso estou grata aos telejornais permissivos de uma aprendizagem visual e auditiva, no recosto do sofá, a mesa e a cadeira mais utilizadas aquando das palavras cruzadas e outras regalias de escrita propiciada pelos jornais.

O POEMA DA FORÇA

É a combinação de leviandade, violência, pompa e comentário que mantém o telejornal na tradição da épica grega.

MIGUEL TAMEN, Colunista do Observador, Professor (e director do Programa em Teoria da Literatura) na Universidade de Lisboa

OBSERVADOR, 22 ago. 2026, 00:20

Hi, dad,’ observou Telémaco.  Para quem se sente culpado por não saber grego e não quer estar na bicha para os filmes de peplo, o telejornal é uma fonte  uma historicidade alternativa e barata de poesia épica. Como os grandes poemas de antigamente, é longo, heterogéneo e repetitivo; e como eles terá evoluído a partir da linguagem oral, ou pelo menos é recitado por rapsodos (como lhes chamavam na Grécia) que têm o cuidado de nos assegurar que o mundo se move pela força, a qual escraviza e arrasta as cabeças no ar em estado de fúria.

Algumas pessoas preferem outros tipos de ficção ao telejornal; mas esses tipos de ficção não conseguem dar uma ideia clara da Grécia arcaica:  do pitoresco das linguagens, do disparatado das opiniões, da noção de que tudo está relacionado, e sobretudo de que há uma força nas coisas.   Os espectáculos da ira dos heróis são encorajados; e não lhes são estranhas as principais emoções helénicas, em especial a imitação do sentimento da dignidade ofendida.  Os rapsodos que recitam o telejornal chamam quase sempre tragédia à épica; mas essa imprecisão terminológica não afecta a sua intenção mais profunda.

Ao telejornal não basta com efeito pôr em verso uma história fatal.  É necessário que o metro encantatório se possa prolongar durante muito tempo em muitas histórias desirmanadas; e depois que elas se repitam aos bocados e se repitam os seus melhores bocados em palavras soltas, de acordo com a vontade presumida do freguês.   Os telejornais são literatura oral sem questão homérica: a ninguém ocorreria vir a escrever mais tarde aquelas coisas.  São improvisados por pessoas dotadas de uma memória tão opulenta que as impede de pensar no que estão a dizer.

Há em cada noite o eco das proezas atléticas dos tempos antigos, quando os profissionais bem pagos eram capazes de recitar dezasseis mil versos em apneia, sem raciocinar uma única vez.   Os espectadores desses recitais estavam muito habituados às expressões que não queriam dizer nada, e não se importavam: sabiam que elas estavam lá para ajudar à memória e dar um ar da sua Grécia.  É por isso que entre as personagens épicas antigas tantos heróis tinham o pé leve, e que a aurora e as rosas tinham dedos.

Ao público do telejornal também não importam os rastos de destruição, a vizinha Espanha, ou a velhinha lei da gravidade: são auxiliares da memória que se esquecem depressa.   O que quer assegurar é que em qualquer noite lavrem os maiores incêndios desde a Antiguidade; que haja banquete; e que a seguir se represente a comédia do Ciclope Transatlântico, a quem a Europa das mil manhas engana sempre com sucesso (pensar que foi na península de Setúbal que nasceu o cavalo de Tróia!)  É essa combinação de leviandade, violência, pompa e comentário que mantém o telejornal na tradição da épica grega.

COMENTÁRIOS:

José B Dias: Muito bom!

Manuel Matos: Excelente!

Américo Silva: Esta crónica é de se lhe tirar o chapéu, aplaudo de pé.

Rosa Ribeiro: Crítica subtil ou humor apontado aos locutores e comentadores dos Telejornais? Os comentadores multiplicam-se como cogumelos.

Carlos Almeida: simplesmente delicioso .

sábado, 22 de agosto de 2026

CONTINUAÇÃO

 


Do Texto de JOSÉ ANTÓNIO RODRIGUES DO CARMO: "Esquerda e islamismo"

 em "MUNDO DA RAZÃO"


COMENTÁRIOS (Continuação)

PEDRO BELO: Não vejo qualquer problema com o caso que menciona nos últimos parágrafos. Chama-se a isso assumir as escolhas e aceitar as consequências. Houvesse mais hipócritas e fanáticos de esquerda a aceitar refugiados nas suas casas e a sua posição talvez se alterasse rapidamente. Como não o fazem, podem continuar a defender a sua ideologia de forma cega e os outros que sofram as consequências.

António Soares: Excelente crónica. Inestimável serviço público! Bem haja!

João Floriano: «O verdadeiro problema do Ocidente não é apenas a agitação, a violência e a intolerância dos que o querem destruir mas, sobretudo, a bovinidade colaborante com que alguns dos seus filhos, idiotas úteis dotados de ignorância e telemóvel, lhes abrem a porta, carregam as malas e ainda pedem desculpa por existirem.» Este parágrafo diz tudo.

Giovanni Licciardello: Caro José António. Magnífico texto. Uma síntese certeira sobre esquerda folclórica, como diz e Islão radical. Como sempre, temos de ter os dois olhos abertos e não somente o esquerdo (ou o direito).

António Alberto Barbosa Pinho: Triste realidade. E o desesperante é sentir que a luta é tenue contra este movimento contra civizacional em relação ao modo de vida democrático Ocidental. Mas não deixemos de lutar e o Sr. Coronel é um bom exemplo.

Ana Rita: Por que razão António José Seguro (na cerimónia do Prémio Norte-Sul) falou na crueldade de Israel em Gaza (ignorando o 7/10/23) e apontou o dedo a Israel pelos jornalistas mortos? “A resposta é menos misteriosa do que parece.”

miguel cardoso: Dando-lhe os parabéns por esta tão lúcida crónica, a pergunta que se me põe é como organizar e uma frente capaz de combater de forma eficaz todos os próceres islamo-esquerdistas perante uma massa ocidental que usufrui do extraordinário conforto e liberdade, mas se mostra incapaz de os defender. O combate ideológico que o Senhor Coronel tem levado é notável, mas sinto que não chega.

Maria Emília Ranhada Santos: Excelente! Tudo dito, preto no branco, mas, existe ainda mais uma coisinha que acho eu, faz toda a diferença:

é a malfadada comunicação social, que abriga todos estes delírios de loucura, aprovando-os e culpando o inocente!

E, para completar o quadro da destruição do Ocidente e da sua odiada, (ou invejada?) civilização, temos juízes iníquos nos nossos tribunais a julgarem as causas não com justiça, mas segundo a ideologia é de direita ou de esquerda!

Se for de direita, é considerada ocidental, está arrumada!

Se for de esquerda, mesmo que tenha cometido o maior crime, arranja-se sempre uma desculpa para que não existam obstáculos ao mal!

manuel menezes: Senhor Coronel, quero que saiba que tenho por si uma imensa admiração.

Os portugueses dividem-se em dois grandes grupos, os que pertencem à  NAÇÃO portuguesa, que partilham da sua História, dos seus valores e amam a sua Pátria e, um segundo grupo, que são de um sítio a que chamam PAÍS, que é somente uma localização geográfica.

Vasco R: Os esquerdolas são traidores de Portugal e dos portugueses e deverão ser perseguidos e presos . As leis terão de mudar e deverá ser instituída a prisão perpétua ou pena de morte para estes traidores. O Costa deveria ser o primeiro a ser preso e julgado .

Manuel Magalhaes: Grandes e realistas verdades Sr. Coronel, só não vê quem não quer e ao que parece o Ocidente não quer mesmo ver mas o problema é demasiado sério para continuarmos a ser idiotas (in)úteis!!!

Jose Santos: Quem desconhece a história vai acabar por repetir os seus erros. O exemplo do Irão é aquele que melhor exemplifica a aliança actual entre a esquerda woke e o fundamentalismo islâmico. Contra o regime monárquico do Xá, estavam os comunistas e os islâmicos. Após a queda do regime, rapidamente o Ayatollah eliminou os idiotas úteis que tiveram de se exilar ou se converter. Hoje estamos a ver o mesmo a acontecer perante uma passividade alarmante da sociedade ocidental.

Adelino Oliveira: Parabéns. A verdade dói, continue.

Francisco Almeida: Na listagem dos motivos do ódio ao capitalismo faltou uma que é a inveja. Inveja da prosperidade e da riqueza que, em vez de despertar o desejo de as alcançar, desperta o desejo de as destruir. Infelizmene, de forma moderada e não violenta, é também caraterística dos portugueses, uma das más.

Maria Correia: Gramsci e Deleuze. Há que destruir identidades e pátrias e este novo proletariado serve à medida. Espalha-se mesmo como tubérculos da lógica batata da sua bondade

Ricardo Pereira > Ana Rita: Porque ele é um 1mb3cil, eleito por idem

Antonio Sennfelt: "Islamistas e esquerdistas são mesmo companheiros de estrada?" Ora essa, claro que sim!! E companheiros de braço dado e de ocasional conúbio sempre que as circunstâncias lhes pareçam propícias! O seu insanável ódio ao Ocidente e a tudo o que de melhor que ele representa - liberdade de expressão, de ideologia e primado do Direito, incluindo os direitos humanitários  - constitui a argamassa que os une. Mas - atenção! - mal um parceiro dessa ignóbil união de facto consiga atingir o seu objectivo – i. é, o Poder total e absoluto! - logo o pretérito parceiro passa à categoria de inimigo a abater! Ou seja, estão bem um para o outro! 

David Pinheiro: O exemplo supremo foi a reacção ao atropelamento numa parada gay na Alemanha.

Maria Ramos: Excelente e elucidativo texto.

Victor Goncalves > Paradigmas Há Muitos!: Uma amiga minha Luso-Francesa  casou com um muçulmano marroquino. Enquanto estiveram em França, tudo bem, mas num determinado momento foram viver para Marrocos. Mal chegaram, a família dele logo começou a conspirar acerca dos modos de vestir, de se comportar, enfim, de respirar da ocidental. Começou logo a levar uns correctivos porque teimava em não perceber o óbvio: tinha caído na armadilha. E agora era difícil sair. Felizmente ela tinha uma boa situação financeira e contratou um advogado que a aconselhou a sair dessa situação, já que por várias vezes tinha tido a vida em perigo. Tudo isto se passa num ambiente de classe média alta. Conclusão: Islâmicos têm dificuldade em conviver com ocidentais, a sua cultura, as suas leis. Tirem-se as devidas conclusões

Fernando ce: Muito boa crónica.