quinta-feira, 19 de março de 2026

Está visto


Que somos todos nós os maus da fita, gemendo e chorando neste vale de lágrimas… Ámen.

O fracasso de Marcelo e a nossa responsabilidade

Marcelo foi um mau Presidente e um fracasso político mas o verdadeiro problema não é Marcelo: somos nós

ANDRÉ AZEVEDO ALVES Professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa

OBSERVADOR, 18 mar. 2026, 00:2557

Como o título indicia, este não será um artigo simpático para o legado político de Marcelo Rebelo de Sousa. Parece pois justo e equilibrado começar por destacar o que pode ser realçado como positivo em Marcelo. Em primeiro lugar – e como lhe é amplamente reconhecido – Marcelo destaca-se pela sua inteligência. É fácil para um observador informado desvalorizar a endogamia extrema (mas também infelizmente típica em Portugal, em especial na área do Direito) da sua trajectória académica, mas seria um erro ainda assim desvalorizar a sua inteligência. Em segundo lugar, acredito que a empatia demonstrada por Marcelo no contacto pessoal é, pelo menos em parte, genuína. Sendo certo que a propalada “sensibilidade social” do Presidente foi quase sempre politicamente inconsequente e que a abordagem privilegiada foi muitas vezes casuística (e por isso dada a arbitrariedades e potenciais injustiças), creio que Marcelo foi tendencialmente genuíno nas suas expressões públicas de empatia. Por fim, estou também convencido de que Marcelo acreditou nas suas decisões estar a fazer o melhor segundo a sua ideia do que o país deveria ser, ainda que tenha estado com frequência profundamente errado.

Reconhecidos os aspectos positivos, importa deixar claro que os dez anos de Marcelo na Presidência foram um fracasso claro, com claras implicações para a degradação do regime. Pela forma como exerceu os poderes presidenciais nos seus dois mandatos, Marcelo fica para a história como o verdadeiro campeão da instabilidade política em Portugal. Ironicamente – considerando que o próprio Marcelo elencou a estabilidade como uma prioridade – Marcelo foi quase sempre um factor de instabilidade. Mais: Marcelo foi mesmo em momentos cruciais um verdadeiro agente do caos, incapaz de conter a sua vontade de interferir, manipular e influenciar tudo e todos à sua volta. Como bem salientou José Paulo Soares, Marcelo escolheu no fundo ser o que sempre foi:

 Marcelo foi vítima de si próprio, da sua própria ambição, dos seus próprios vícios e das suas próprias palavras. A sua hubris impediu-o de ser apenas árbitro, quis sempre mais: poder agir, poder sentir que tinha o poder nas suas mãos. Habilmente, Costa soube jogar com este fraquinho presidencial, deixando o desgaste acontecer, enquanto Marcelo achava que influenciava. Para além disto, Marcelo, viciado na intriga, na criação de factos noticiosos, no comentário, na efabulação política, criou sempre mais cenários do que aqueles que, alguma vez, o país seria capaz de concretizar. Foram o vício e a ambição os geradores ou, pelo menos, catalisadores da instabilidade que vivemos. (…) No currículo de Marcelo fica a aliança nefasta para o país com Costa e ainda 3 dissoluções da Assembleia da República, às quais temos de somar as das Assembleias Regionais. Entre atropelos constitucionais, a interpretação que Marcelo fez das suas funções foi peregrina, achando sempre que era o número ‘10’ do regime. (…) Num sistema parlamentar, os partidos têm responsabilidade de se entenderem, porque a consequência da demora será cara nas eleições seguintes. No regime de Marcelo, quando os partidos não se entenderam ou ficaram órfãos de líder, nunca houve responsabilidade. A responsabilidade demora tempo a apurar e o penso rápido das eleições acabou por cristalizar a divisão do país.”

Enquanto notório grande arquitecto de um caos de onde nunca resultou qualquer ordem, Marcelo degradou o cargo de Presidente da República e muito contribuiu para o actual estado de agonia do regime. Uma degradação que foi acentuada pela forma como exerceu as suas funções: o abuso da palavra, a banalização das intervenções do Presidente-comentador sobre tudo e sobre nada e a voragem de estar constantemente nos media deixaram um longo rasto de declarações e compromissos inconsequentes e por vezes até contraditórios. Um exemplo notório, bem recordado por Rui Rocha, foi o vergonhoso desempenho de Marcelo por altura da tragédia de Pedrogão Grande.

Com a sua actuação errática, Marcelo foi também um dos principais padrinhos (ainda que provavelmente involuntário) do crescimento meteórico da direita radical em Portugal. O extraordinário sucesso eleitoral do Chega tem certamente várias outras causas – desde as tendências internacionais até à crise do PSD, sem esquecer o talento político de André Ventura – mas o papel de Marcelo não pode ser esquecido. A instabilidade que propiciou, a banalização do discurso presidencial que provocou e o tacticismo que Ventura foi capaz de aproveitar exemplarmente – todos contribuíram para potenciar o crescimento do Chega.

A eleição de António José Seguro com a maior votação popular de sempre (algo que Marcelo ambicionou mas nunca conseguiu) será para muitos dos eleitores a eleição de um anti-Marcelo. É aliás sintomático que os quatros principais candidatos nas recentes eleições presidenciais (Seguro, Ventura, Cotrim e Gouveia e Melo) se tenham todos distanciado explicitamente da forma como Marcelo exerceu o cargo e do seu legado político.

Seguro que avisou na tomada de posse contra o “frenesim eleitoral” visando – e bem – corrigir o perigoso e erróneo caminho de interpretação constitucional adoptado por Marcelo Rebelo de Sousa no sentido de que uma queda de Governo implica necessariamente eleições. O estilo contrastante de Seguro, com maior contenção pública e dando maior peso à palavra do Presidente, poderá ajudar a restaurar a credibilidade do cargo, mas o caminho não será fácil depois dos danos institucionais causados por Marcelo.

Uma das melhores descrições de Marcelo foi a feita já há muitos anos por Paulo Portas (entretanto ele próprio plenamente reconciliado com o regime e com o marcelismo), quando afirmou: “Marcelo é filho de deus e do diabo. Deus deu-lhe a inteligência e o diabo deu-lhe a maldade”. Importa no entanto não ser demasiado duro com Marcelo, até para evitar uma indevida desculpabilização colectiva do eleitorado que o elegeu. Ainda que tenha obtido menos um milhão de votos do que Seguro, Marcelo foi eleito por duas vezes com amplas maiorias. Mais: Marcelo teve os resultados que teve apesar de a sua personalidade e modo de actuação serem amplamente conhecidos do país (desde os tempos do Expresso até ao longo período de comentariado televisivo, sem esquecer o período em que liderou o PSD).

Marcelo foi um mau Presidente e um fracasso político mas o verdadeiro problema não é Marcelo: somos nós. O facilitismo, a inclinação para demagogos com discurso vazio mas enérgico e empático, a desculpabilização das redes de interesses e compadrios instaladas no Estado e nas instituições que dele dependem, a falta de exigência e a colagem ao poder na expectativa de colher benefícios e colocações pessoais – todo esse caldo cultural em que Marcelo foi um político de sucesso transcende em muito a sua figura. E aí reside uma parte importante da explicação do nosso atraso e dos nossos problemas estruturais.

PRESIDENTE MARCELO        POLÍTICA

COMENTÁRIOS (de 57)

Antonio Castanheira: Nunca achei Marcelo inteligente, apenas um "fala barato"                      Jorge Barbosa: Excelente artigo a acabar com chave de ouro                     José B Dias: O parágrafo final deixa bem claro o que somos e fazemos ... a culpa é mesmo nossa e só nossa!                       Maria Gomes: Durante os anos da geringonça de acordo com a CS fomos bafejados com um presidente inteligentíssimo e empático, um primeiro ministro que era um génio da política, capaz de tais piruetas que deixavam o país surpreendido. Os portugueses adoraram a geringonça e deram a maioria ao PS com medo do Chega. Assim temos vivido nestas fantasias. Agora esperamos ansiosamente a reforma da administração pública, enquanto aceitamos pacificamente que a mesma esteja em auto gestão. Os centros de saúde e as repartições nem sequer atendem telefones, estão vazios e exigem que voltemos só depois de ter uma marcação. Nem sequer se exige que o governo tome medidas para pôr os serviços a funcionar. Estamos à espera da tal reforma apesar de, segundo a CS, ela ser impossível porque o governo coitado é minoritário e não tem meios para tal.                      Maria Cordes: Profundamente verdadeiro, mas o pior pecado, foi transformar a maior instituição do país, num teatro de vaudeville de chinelos. Imperdoável.                  Lourenço de Almeida: "O mal somos nós" é um bom princípio de conversa! Aí concordamos. O que me espanta é que o crescimento do CHEGA seja sempre atribuído a outros e não "a nós", como eleitores responsáveis de uma democracia adulta. Até quando é que se tentará esconder que os votos no CHEGA valem tanto como os outros e derivam da vontade explícita e esclarecida de um milhão e tal de eleitores?!                         João Floriano > Maria Cordes: E já agora troca de calções na praia.                       João Floriano: « .........redes de interesses e compadrios instaladas no Estado e nas instituições que dele dependem,...........» Agora nem as luzes pisca pisca do Natal escapam.                      Miguel Macedo: Marcelo é realmente patético e inqualificável! É sinistro e uma vergonha nacional! E essa ideia de que é uma inteligência suprema é realmente idiota!                     João Floriano > Ruço Cascais: Já eu não sofro com estas dúvidas intelectuais. Nunca votei em Marcelo (o que prova que o meu problema são as articulações e não a capacidade crítica. Nunca o achei excepcionalmente inteligente. Acho que percebi perfeitamente o que andou a fazer  com os portugueses durante 10 anos, sendo que o balanço é negativo. Mas compreende-se que num país que não lê, pensa muito pouco, viaja até Benidorm , quem sai fora deste círculo e ainda por cima tem capacidade de expressão é considerado muito inteligente.                    Antonio Rodrigues: Nunca vou perceber as análises que começam por afirmar que Marcelo é muito inteligente e que depois, durante 10 anos só fez coisas ..... muito pouco inteligentes. Enfim.           Paulo Silva > António Silva: Dois génios tivemos na política portuguesa... Um goza a bandeiras despregadas com a justiça portuguesa, e outro goza as suas merecidas férias em Bruxelas. Levados no andor por uma procissão de acéfalos...                       Manuel Magalhaes: Marcelo não passa de um flop e uma pessoa muito inteligente devia de ter percebido as asneiras que andou a fazer repetidamente, portanto está tudo dito!                João Floriano > Ruço Cascais: Bom dia, Ruço De modo algum. Quem tem jardins e quintais sabe muito bem  a luta que pode ser a recolha de resíduos ou de trastes velhos. Aqui na minha rua percebe-se perfeitamente quem alinha ou não no «bolo rei» de final de ano. Os trastes velhos, os resíduos o jardim, os ramos podados das árvores podem ficar semanas no passeio até que o morador desiste, pega neles e vai despejá-los algures por aí.                         José B Dias > Clara Viana: Já foi verificar o percurso académico do aqui cronista que em outro desabafo de alma militante questiona quem será?                         Paulo Silva: À falta de melhor na 1ª eleição foi Prof. Martelo contra o candidato da geringonça, o da Nódoa. Mas só nos deixamos enganar uma vez...                     Francisco Almeida: A minha leitura é a oposta de Jorge Barbosa, que já obteve enorme apoio em "likes". A conclusão final do artigo é apenas parva. Nós, público, eleitores somos o que somos, somos a realidade. Culpar a realidade é tão parvo como culpar a meteorologia. Entre muitas outras, Marcelo teve a culpa de fomentar a instabilidade e agora Seguro garante a estabilidade. Só que fomentar instabilidade quando a estabilidade era possível será um erro se calhar menor do que defender a estabilidade quando ela se anuncia nociva e danosa. Mais três anos de Montenegro, enfraquecido pelas actividades profissionais passadas e pela péssima escolha na eleição presidencial, sem qualquer vislumbre de possíveis reformas, será nocivo e danoso.                        Tim do A: Concordo com o artigo.  Marcelo, o narcisista, foi um péssimo presidente. Mas o problema somos nós, que nos deixamos enganar por qualquer actor. E já agora, em quem votou? Eu nunca votei em Marcelo. Vi logo o que era. Aliás,  Passos Coelho, antes da primeira eleição de Marcelo, disse logo que este era um caravento. Só se enganou quem quis. Portugal merece ser  o pais pobre e corrupto que tem.                  fonseca 07 > Maria Gomes: Esperar reformas com este governo não acredito. Dois anos de governação e nada de nada. E ainda querem mais três anos para continuar no mesmo tom? Diz muito bem, infelizmente,  dos serviços públicos nem um telefone atendem. Quanto mais executar o que quer que seja.                     João Floriano > Ruço Cascais: Deus meu! Voltou com a auto estima em baixo, para se incluir no grupo do asneirentos. Parabéns pelo Sporting ontem à noite. Talvez o Marcelo tenha razão e quando nos esforçamos somos capazes de grandes coisas. Se os lagartos tivessem ganho por 1/0 na Noruega, provavelmnete teriam perdido cá ou acabariam por se apurar por uma unha negra. Assim foram obrigados  a trabalhar  a sério e foi uma beleza. Talvez seja esse o nosso karma: ser levados ao limite para fazer alguma coisa de valor. E subitamente o treinador passou de besta  a bestial o que também é muito típico da nossa alma lusitana.  E agora venha o Arsenal                        klaus muller > Antonio Castanheira: Eu também.                     Ludovicus Jorge Barbosa: Em absoluto. E, em democracia a culpa não é dos eleitos. É dos eleitores. E estes sempre a criticar tudo e todos mas, votaram nestes últimos 50 anos sempre nos mesmos. Apesar de por 3 vezes termos ido à falência (em 1978, 1983/84 e em 2011) e nada de vergonha. Sempre quisemos 2 deuses: um no céu a cuidar da alma e outro na Terra (Estado) a impedir o darwinismo. E vamos continuar assim. Está no ADN.                            Ruço Cascais > João Floriano: Caro Floriano, eu tenho que oferecer uma cervejitta ou 5 euros de gratificação ao técnico de limpeza aqui do bairro (antigo varredor) para ele passar aqui pela rua e dar uma varredela de vez em quando em frente à minha porta.  Creio que não sou apenas eu a fazer este procedimento. Num domingo destes encontrei-o no café. Não trazia o carrinho da limpeza, vinha num bom Mercedes. 😅                 Kindu: Ora bem, é isso mesmo. Somos nós, os portugueses são assim.                Manuel Ferreira21: Excelente artigo.

 

Humor político


Criticamos a cobardia demonstrada, mas estamos todos nela incluídos. E no caso luso, há muito que a revelamos. Nós todos, sem excepções de monta.

Europa: a avestruz a anos-luz do Estreito de Ormuz

Até ver, não haverá mais barcos naquela região além dos norte-americanos. A não ser que os boatos sobre a orientação sexual do novo aiatola levem à organização de uma flotilha pelos direitos LGBTQIA+.

TIAGO DORES Colunista do Observador

OBSERVADOR, 18 mar. 2026, 00:2331

Além do já normal andar à volta, o mundo anda também agitado. Digamos que o planeta está shaken, and stirred. O James Bond não ia gostar: mandava-o logo para trás. E eu também não sou grande fã deste bombardeamento ininterrupto de megabytes de informação sobre o que se passa em todos os cantos da Terra. É fácil sentirmo-nos assoberbados com tanto estímulo. Por isso, nesses momentos, é essencial parar um pouco. O método que eu adoptei para conseguir o máximo relax é, tomem nota, imaginar-me Mário Centeno.

Ah… Que maravilha… Fico imediatamente todo zen, só de visualizar aquela reforma de Centeno aos 59 anos, com o estatuto de Ronaldo das Finanças e o vencimento quase de Ronaldo Ronaldo. Ainda que o Ronaldo Ronaldo deva a seu prestígio ao facto de, em vários campeonatos, se ter fartado de facturar, ao passo que o Ronaldo das Finanças deve o seu prestígio ao facto de não pagar facturas: ali, no governo, a pulverizar recordes mundiais de cativações uns atrás dos outros. Que campeão!

A propósito de cativações – ou da falta delas – e de saudosos grandes líderes socialistas, José Sócrates já tem um novo muito em breve ex-advogado. Sim que, à hora a que lêem isto, o mais provável é José Sócrates já ter dispensado o seu então agora antigo novo porque já ex-advogado oficioso. Ou qualquer coisa deste género que, sinceramente, neste emaranhado de advogados de Sócrates perdi-me ainda mais depressa do que a ver A Origem, com o DiCaprio.

E já que falo de actores, aproveito para não mencionar os Óscares, uma vez que não tenho grande interesse em acompanhar assembleias do grupo parlamentar norte-americano do Bloco de Esquerda. Além de que o Conan O’Brien, pelo que sei, não foi nenhum Ricky Gervais nos Globo de Ouro de 2020. Falarei, isso sim, de uma grande actriz europeia: URSULA VON DER LEYEN.

Nas últimas semanas, tem estado extraordinária, a Ursula. Merecedora mesmo de um Óscar pelo seu desempenho no papel de uma senhora de meia idade amnésica, que depois de há escassos anos, enquanto ministra e potencial sucessora de Angela Merkel, ter apoiado efusivamente o fim da energia nuclear na Alemanha, andar agora, de forma igualmente convicta, a garantir que a Europa não vai a lado nenhuma sem energia nuclear. E sem Ursula von der Leyen para nos chamar a atenção para a incompetência de Ursula von der Leyen, naturalmente.

Põe os olhos nisto, Meryl Strip, que numa primeira e muito benevolente análise, poderia ser visto como um simples mudar de ideias. Mas que numa segunda e apenas benevolente análise talvez não seja um simples mudar de ideias, mas sim um não ter a mínima ideia sobre coisa nenhuma. Para numa terceira e acintosa análise, ser inevitável cogitar se este ir ao sabor do vento das renováveis, com as velas infladas pelos impostos dos europeus, não terá sido, afinal, uma epopeia repleta de tesouros para a Presidente da Comissão Europeia.

Velas infladas ou não, para onde os barcos europeus não navegarão, de certeza, é para o Golfo Pérsico. Donald Trump lançou o repto a vários países da Europa para juntarem as suas forças às dos EUA no controlo do Estreito de Ormuz e os líderes europeus, com a feminilidade tóxica que os caracteriza, optaram por não tomar partido no conflito que coloca, frente a frente, o maior aliado de história da Europa e um regime que, à primeira oportunidade, apreciaria imenso apagar a Europa da história. Compreende-se, é uma daqueles decisões difíceis, tipo “gostas mais do pai ou da mãe?”, quando o pai só não bate na mãe quando está demasiado ocupado a bater no filho.

Ou então estou a ser injusto e os líderes europeus só não responderam a Trump porque não escutaram o desafio do presidente norte-americano. Ou acham que é fácil ouvir alguma coisa quando se tem a cabeça enfiada na areia movediça das suicidas políticas imigratórias que trouxeram sabe-se lá quantos fundamentalistas islâmicos para o coração da Europa? Hã? Acham ou não? Mau, não me digam que têm a a cabeça enfiada na areia movediça das suicidas políticas imigratórias que trouxeram sabe-se lá quantos fundamentalistas islâmicos para o coração da Europa?

Bom, o facto é que, pelo menos até ver, não haverá mais barcos naquela região do médio oriente além dos navios estado-unidenses. A não ser que os continuados ataques americanos e israelitas à liderança do Irão, associados aos boatos sobre a orientação sexual do novo aiatola, resultem na

organização, urgente, de uma  UNIÃO EUROPEIA     

EUROPA      MUNDO      ENERGIA      ECONOMIA      PRESIDENTE TRUMP  ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA      AMÉRICA      IMIGRAÇÃO      IRÃO      MÉDIO ORIENTE

COMENTÁRIOS:

Carlos F. Marques: Grande Tiago! Artigo Soberbo.                     Uiros Ueramos: Tenho vergonha de ser europeu.  O berço da civilização ocidental, está de rastos e ajoelhou-se perante a ameaça pírrica dos terroristas aiatolas. Perante um regime sanguinário, terrorista e inimigo declarado do Ocidente, a UE preferiu a cobardia, a neutralidade de fachada e os comunicados vazios. Nem sequer teve coragem para um gesto simbólico no Golfo, ao lado dos EUA. Isto não é prudência. É fraqueza. E, pior ainda, é impreparação total. A Europa fala como potência, mas age como um bloco desarmado, indeciso e aterrorizado perante os aiatolas. Perdeu-se mais uma oportunidade para estar do lado certo da História. E os americanos não esquecerão que, quando chegou a hora de defender os valores ocidentais, os europeus escolheram apoiar indirectamente os aiatolas. Em jeito de rodapé, os americanos e israelitas já destruiram 90% da capacidade do Irão de lançar mísseis...E estão a ganhar a guerra, por muito que a CS de esquerda tente esconder.                  João Floriano: Há muito, muito tempo, quase que apetece dizer numa galáxia distante, a Europa era a terra das gaivotas que livres voavam na defesa da democracia e do melhor que esta pode trazer ao mundo. Hoje as coisas mudaram e em vez de gaivotas, os políticos europeus são avestruzes que mergulham as cabeças na areia mas deixam ficar à vista o rabo cheio de plumas que pouca ou nenhuma serventia têm a não ser em espectáculos de travestis. E por falar em travestis e drag queens, eis aqui um exemplo de arte performativa  a que o Irão nunca terá acesso enquanto aiatollas e guardas da revolução  estiverem ocupados no massacre dos que ousam manifestar-se contra o regime. Está portanto explicado o motivo pelo qual a extrema esquerda ocidental e a nossa incluída nunca protestam contra o tratamento «carinhoso» dado aos homossexuais no Irão: não há e se não há não faz sentido falar-se nisso. Lógico! O Irão é certamente um caso de estudo porque em mais de 90 milhões de habitantes são todos hétero .  Desinformação pura insinuar que o novo aiatola que ainda não se mostrou pode segurar a chícara do chá com o dedinho mindinho bem esticado para fora. Mas pode dar-se o caso de ter sido ferido nalguma zona sensível e ser necessário esperar para ver como fica a voz. Outro rumor que por aí circula tem  a ver com a profunda desilusão de Trump causada pelos seus aliados. O presidente norte-americano partiu do pressuposto errado que se a Europa organizou  com facilidade uma flamboiante flotilha que no final do verão de 2025 partiu de Barcelona para leste rumo a Gaza, então seria fácil  fazer o mesmo com navios de guerra muito embora em vez de farinha Maizena com gorgulho e latas de salsichas fora do prazo de validade, a nova flotilha levasse todo o tipo de fogo de artifício para libertar o estreito. A Casa Branca pondera pedir ajuda a Mariana Mortágua para desbloquear o impasse do estreito de Ormuz. Ainda não foi possível aceder à ex dirigente do Bloco porque esta tem a cabeça firmemente enterrada na areia. Há quem duvide que algum dia a venha a desenterrar. Úrsula von der Leyen voltou o bico ao prego e fala agora sobre os benefícios do nuclear. Devia ter pensado melhor lá bem atrás no passado quando Merkel se entregou em termos de energia barata nos braços de Putin. Se Úrsula mudou de opinião, não me admira que Merkel também venha  a reconhecer que a sua política de «Kommt zu Mamma, meine liebe Kinder!» em relação  a sírios  e afins foi uma tragédia para a Europa.                       David Pinheiro: Artigo muito injusto para o Costa.  Nem uma menção... Ele fica triste.  PS: Cada tiro, cada melro. O artigo não só é divertido como é totalmente certeiro. E não vale a pena criticar a Úrsula, já que o nosso contributo para a causa, o Vamoláver, é muuuuito pior                    Komorebi Hi: A Europa e a UE está dividida, mas o Centrão mantém no poder von der Leyen de cada vez que é votada uma moção para que seja investigada, por corrupção ou para que seja substituída. A lógica do centrão da UE, onde se pode incluir para pior o UK de Starmer, hoje um Estado embrião do Islão, é a lógica dos deputados eleitos pelos centrões da Europa como Portugal, Espanha ou França, vivem dos votos dos acomodados, subsidiados e reformados, em Portugal o número desses queridos votantes desta democracia supostamente representativa não anda longe dos 2, 5 milhões número onde se podem incluir grande parte do funcionalismo público parasita do sistema da III República.  Portanto esqueçam reformas na UE, no sistema do Euro, do BCE ou em Portugal. Se Sócrates se candidatasse pelo PS, ou Costa voltasse para se candidatar pelo PS ganhariam as eleições de novo, ou arrisco a dizer que Passos não teria maioria absoluta se fosse candidato a PM pelo PSD.                     Pedro Correia: A falta de coragem da Europa é vergonhosa, mas também sinal de uma fraqueza e incapacidade militar. Andou mais de 50 anos a fazer peito à conta da cobertura dos americanos na NATO. Mas também, convenhamos, que Trump não está a agir correctamente. Julgo que está a pagar, e bem, pelo que tem feito à Ucrânia. Também se pode dizer que tem sido vergonhosa a sua actuação em relação à falta de apoio à Ucrânia, se bem que, lá está, a Europa estava a contar que fossem os americanos, lá do outro lado do oceano e sem qualquer proximidade, a resolver um problema na Europa.                        Luís Rodrigues: Artigo excepcional. Descreve com muito humor a lamentável actualidade. Apontamentos notáveis: o estatuto de Ronaldo das finanças a acompanhar vencimentos de Ronaldo Ronaldo; o Ronaldo que factura vs aquele que não paga facturas; a mudança de ideias das tontas e dos tontos do net zero em contraponto com o facto de não terem a mínima ideia de nada; a introdução da ideia de feminilidade tóxica aplicada à Europa                  Fernando ce: Delicioso. O texto, claro.                        Alexandre Barreira: Pois. Caro Tiago, É verdade  É verdade que a Europa. Está a......"Levar no Estreito". E parece que até......gosta.....!                         Manuel Magalhaes: A Europa é uma avestruz estúpida, tanto tem querido defender a ideia de Ocidente, para além de se ter deixado infiltrar por milhões de muçulmanos que pretendem sobretudo acabar com o tal Ocidente e de o Irão ser sem dúvida o principal patrocinador, resolvemos ter uma birra contra Trump, quando lhe podíamos dar uma bofetada de “luva branca” para lhe fazer ver que os aliados são precisos e lhe demonstrar a sua incrível atitude em relação à Ucrânia e o seu namoro ao nefasto Putin…                       Antonio Castanheira: 👍🏻           José Paulo Castro: Feminilidade tóxica ! É isso. Que grande conceito para explicar esta doença generalizada que assola os políticos europeus.                   Américo Silva: Ao que parece vamos mandar para Ormuz o NRP Mondego, comandado pelo almirante Iglo.            MariaPaula Silva: Muito bom, TD como sempre, o  melhor Gato! adorei a "feminilidade tóxica" dos líderes europeus e quanto à von der Leyen é esperta que nem um alho. Não sei onde ele põe o $$$  mas gostava de saber quanto é q ela meteu ao bolso com as eólicas, com as vacinas e agora com o armamento. Uma sabichona das antigas, consegue ser pior que a sra. Merkel! Quanto ao excesso de imigração islâmica na Europa, e visto que os sinais eram visíveis há muiiiito tempo, continuo sempre com a mesma dúvida: porque deixaram os dirigentes europeus chegar a situação a este ponto? são todos  bu rri nhos  ou   há mesmo alguma razão soturna por detrás disto tudo?                        L Faria: Ora aqui está uma crónica cheia de humor a chamar de pussys todos os europeus que apreciam aguentar uns ataquezitos terroristas a espaços, que maaatam umas dezenas de inocentes civis, só para não pagarem uns cêntimos a mais por litro de combustível e não passarem frio no inverno. Entretanto os ucranianos e o povo iraniano que se fooodam. Afinal de contas o Irão não constitui uma ameaça e os russos têm uma vodka de estalar.                       Miguel Macedo: Muito bem! Como sempre!                        Paula Barbosa: Está de arrasar! Mandem os barquinhos a remos do lago do Campo Grande. Se ainda existem….                          David Pinheiro > Américo Silva: Mas ca grande argumento!!! Parabéns! Vamos já parar a guerra.  

quarta-feira, 18 de março de 2026

Interiorizar


Pois é sempre útil relembrar: conceitos humanísticos, imprescindíveis a uma verdadeira consciência de cidadania.

março 16, 2026

 D. FRANCISCO DE MASCARENHAS

(n. 8 de Fevereiro de 1927 – f. 8 de Março de 2026)

* * *

D., abreviatura de Dom, a redução de Dominus em latim para Senhor em português, reconhecimento do estatuto de Nobreza.

Ser nobre é questão de estatuto; ter nobreza é questão de condição. O estatuto herda-se; a condição conquista-se.

O nobre é o que consta dos Registos oficiais e históricos. Quanto à nobreza ela divide-se em do espírito e a das atitudes:

·      * A nobreza de espírito é a que consiste na busca do significado das coisas, dos lugares e dos factos, ou seja, resulta da busca, do significado, do espaço e do tempo;

·       *A nobreza de atitudes varia conforme os ambientes da vida mas na maior generalidade, considera sentir-se igual entre os grandes e ser protector dos menores; na lide leal de cara aberta louvar o que ao cite responde com bravura e àquele que ao afago responde com brandura, ajudar a erguer o adversário caído e pedir para este uma ovação, da lide fazendo um festival de coragem e banindo «la carniceria».

 

«Se queres ser nobre, merece-o.»

Friedrich Schiller (1759-1805)

Eis o D. Francisco que ora celebramos.

 

16 de Março de 2026

HENRIQUE SALLES DA FONSECA

 

COMENTÁRIOS

 

Henrique Salles da Fonseca17 de março de 2026 às 14:01

Muito interessante. Schiller, o poeta da dignidade humana.
MENDO CASTRO HENRIQUES

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fevereiro 02, 2026

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SOMOS POUCOS

março 09, 2026

    A área urbana de Londres tem cerca de 9,2 milhões de residentes; na região de Paris moram 11,2 milhões e Berlim alberga cerca de 6,4 milhões. Comparando com os nossos 10,75 milhões a nível nacional, resta a conclusão que somos poucos. Mas, para além de sermos poucos em termos absolutos, somos ainda menos quando «contamos as espingardas» fiéis aos Valores da Europa Ocidental. Ou seja, no actual litígio contra o imperialismo russo, não podemos correr o risco de deixarmos que as nossas Forças Armadas e de Segurança sejam minadas por russófilos ou seus amigos. Eis a cautela que desaconselha a obrigatoriedade do Serviço Militar: nem todos merecem a honra de servir nas Forças Armadas. Não esbanjemos recursos com «tropa fandanga» cujo amadorismo só prejudica a eficácia dos profissionais. Centremo-nos em pequenas Unidades de grande operacionalidade e deixemos as maciças acções de «botas no terreno» para aliados mais populosos que nós. E assim me refiro às forças terrestres...

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