sábado, 7 de março de 2026

Em suma

 

Trump vai por este Mundo, dominador e destemido como ele só, admirado pelos seus, que o aceitam e premeiam, nos seus silêncios por vezes agrestes, ou nas suas exuberâncias de satisfação pessoal, mas tem o direito por conta própria, poderoso que é - o que não nos cabe contestar. Mas não deixa de ser estranho que tenha surgido um Trump, neste século XXI, - depois de um Hitler no século anterior - tão seu avesso, todavia, no tamanho como no fácies, embora ambos dominadores e justiceiros num mundo com precisão de chefões auto-designados, ou da escolha alheia, pelos séculos fora, como se viu sempre, com os Alexandres da Antiguidade e os Bonapartes da Modernidade, excluindo os nossos – portugueses, digo - do cômputo geral, modestos que fomos e continuamos, com o céu por objectivo, como bem o provara a nossa Alma vicentina, pesem embora, em tods os tempos, os nossos próprios desígnios de penetração

Enfim, bem diverso do reservado Hitler do século XX, este Trump, com a sua aparência bonacheirona vai-se inserindo nesses espaços da sua autoridade sorridente e de aparência por vezes generosa, como personagem dum século mais evoluído na questão das igualdades fraternas e mais livres – de escrúpulos, sem dúvida – no caso dos Putins, pelo menos; dos Trumps assim-assim. Mas também há os que se perfilam ou agacham para o mesmo efeito amplificador, quantas vezes, dos seus próprios espaços.

O pior dos dois mundos

Trump enfrenta, portanto, muito poucos constrangimentos institucionais para continuar a usar força militar pelo mundo fora.

MAFALDA PRATAS, Investigadora universitária. Doutorada em Ciência Política pela Universidade de Harvard (EUA)

OBSERVADOR, 06 mar. 2026, 00:2323

1Durante décadas, a política externa dos Estados Unidos foi criticada por um paradoxo conhecido: em nome da ordem internacional liberal, Washington mostrou-se repetidamente disposto a intervir militarmente noutros países para derrubar regimes ou moldar equilíbrios regionais. Essas intervenções, principalmente no Afeganistão, no Iraque e na Líbia, mostraram os limites e as contradições dessa ordem. Na última década, em resposta aos custos dessas intervenções, grande parte da opinião pública norte-americana tornou-se mais reticente em relação a novas intervenções externas.

Mas o que começa agora a emergir pode ser algo bastante pior. É o pior dos dois mundos. Por um lado, temos as intervenções que associamos à ordem liberal hegemónica do passado, mas sem os compromissos e responsabilidades que essa ordem impunha. Por outro lado, temos uma política internacional dominada pela hierarquia de poder sem normas, mas sem a retracção isolacionista e a prudência do realismo como doutrina e como política coerente. Continuamos a ter intervenções externas, mas elas abdicaram quase por completo dos princípios liberais e institucionais que antes as enquadravam.

Em menos de oito semanas, a administração de Donald Trump levou a cabo a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro numa operação militar em Caracas e o assassinato do aiatola iraniano Ali Khamenei, durante o bombardeamento continuado do Irão. Em ambos os casos, a natureza dos regimes foi invocada como justificação para a intervenção e a possibilidade de mudança política apresentada como objetivo. A novidade não está, evidentemente, no recurso à força. No entanto, olhando para ambos os casos, é difícil identificar qualquer planeamento sério para o dia seguinte, ou uma definição clara da lógica e dos objectivos estratégicos destas intervenções. A novidade está na combinação entre intervenções externas e o abandono dos compromissos institucionais, das alianças e das responsabilidades que antes enquadravam e legitimavam (ainda que parcialmente) essas mesmas intervenções.

Compromissos de reconstrução, estabilização e até democratização no pós-conflito. Apresentação de evidência e deliberação em instituições internacionais ou domésticas. Procura de coligações internacionais e aliados antes de acções tão disruptivas – não apenas para legitimar a intervenção, mas também para aumentar a sua probabilidade de sucesso e limitar as suas facetas mais irresponsáveis. Nada disso parece hoje minimamente relevante, especialmente num contexto em que a administração norte-americana passou os últimos meses a intimidar e alienar os seus aliados atlânticos, desde as tarifas até à Gronelândia. É hoje quase inevitável concluir que Donald Trump quis desfazer os laços entre os EUA e os seus aliados ocidentais tradicionais para poder levar a cabo a sua visão do mundo: domínio e hierarquia por coerção, força e intimidação em vez de autoridade legítima e reconhecida pelos Estados mais fracos. Não é realismo nem isolacionismo; é intervencionismo sem regras e sem arquitectura.

O problema do intervencionismo e do poder sem regras, sem freios e sem arquitectura institucional não é apenas moral: um mundo mais arbitrário é um mundo menos seguro, com mais riscos, mais erros de cálculo, mais escaladas militares perigosas, e onde todos tentarão maximizar a sua autonomia – a sua capacidade de agir e reagir unilateralmente – mesmo que para tal tenham de diversificar alianças. No final das contas, todos estarão por conta própria e duvido que alguém saia a ganhar. Pelo contrário, o ressentimento, o afastamento e o anti-americanismo sairão a ganhar.

2Este tipo de intervencionismo sem regras e sem arquitectura institucional tem uma expressão militar muito concreta: os bombardeamentos como substituto da estratégia política. O poderio dos bombardeamentos oferece uma fantasia aos líderes políticos: a ideia de que é possível colher os benefícios geopolíticos de uma vitória militar – e a glória que essas vitórias ocupam no imaginário colectivo – sem incorrer nos custos e incómodos que as guerras inevitavelmente geram. A vulnerabilidade das operações no terreno, o risco humano e político de ter soldados expostos em combate, a possibilidade de o conflito se prolongar muito para além do que foi inicialmente previsto. Os bombardeamentos aéreos parecem permitir evitar tudo isso e ainda assim reclamar sucesso estratégico e colher os louros.

Mas esta fantasia é apenas isso: uma fantasia. Não é possível substituir regimes autoritários institucionalizados por outros regimes melhores a partir do ar. Substituir um regime sem que surja um vácuo de poder implica garantir a sobrevivência de um aparelho de Estado funcional e assegurar que as instituições ficam nas mãos de pessoas com autoridade doméstica e com credibilidade para executar essa transição. Matar um líder não chega para destruir um regime, e muito menos para substituir um regime por outro. Um líder pode simplesmente ser substituído por outro, muitas vezes proveniente dos altos escalões do mesmo regime. A curto prazo (na melhor das hipóteses), até se poderá submeter à vontade do mais forte, mas a médio prazo reajustará a estratégia para alcançar objectivos semelhantes e evitar novas vulnerabilidades na sua segurança. Não é possível atingir grandes objectivos estratégicos duradouros apenas com bombardeamentos, especialmente se eles não são acompanhados por coerência e talento diplomáticos.

3Como já aqui escrevi, os custos financeiros, reputacionais, humanos e militares das guerras que os Estados Unidos levaram a cabo no Médio Oriente nas primeiras duas décadas deste século tornaram grande parte do eleitorado norte-americano avesso a novas aventuras. Donald Trump foi, em parte, eleito precisamente porque representava uma nova atitude mais isolacionista, mais avesso a guerras eternas, menos “polícia do mundo” do que as elites do establishment tradicional norte-americano. A base do movimento MAGA distinguia-se, portanto, de outras correntes do partido republicano tradicional no que toca a política externa. Algumas figuras deste movimento, como Tucker Carlson, continuam a acreditar nestas ideias e declararam oposição à intervenção mais recente no Irão. Sobre Trump, não é claro se acreditou verdadeiramente nesse isolacionismo; acreditou sobretudo que se deveriam desfazer os laços existentes e duradouros com aliados tradicionais, mas o seu desejo de demonstrar força e ficar na história leva-nos a questionar se é assim tão avesso às operações e intervenções pelo mundo fora. O que é certo é que esta clivagem dentro da coligação republicana que elegeu Donald Trump não desaparecerá nos próximos tempos.

E o eleitorado? Numa sondagem recente, apenas 27% dos eleitores norte-americanos apoiavam uma acção militar contra o Irão. Mas a opinião pública, principalmente a opinião do eleitorado mais partidário, pode ser revertida após a intervenção começar. Antes da operação na Venezuela, apenas 44% dos eleitores republicanos apoiava uma acção militar contra Maduro; depois da operação, o número subiu para os 78%. Em termos gerais, os presidentes acabam por ter bastante latitude nas suas decisões sobre política externa e acções militares no estrangeiro porque a opinião pública segue os sinais e declarações das suas elites políticas preferidas, enquanto os conflitos ainda não mostram ter custos materiais concretos e parecem ser de curta duração. A opinião pública raramente impede guerras antes de elas começarem.

O que pode, então, restringir e influenciar as decisões dos presidentes? Como argumenta Elizabeth Saunders, no que toca a decisões sobre guerra e paz, os presidentes norte-americanos respondem essencialmente a outras elites, políticas, diplomáticas, burocráticas e militares. Apesar do seu papel legal, o Congresso deixou de ser um travão à acção presidencial nestas matérias. Restam, portanto, outras elites políticas dentro das próprias administrações, que têm reputação própria e credibilidade, bem como capacidade de resistir em público ou em privado. Na primeira administração Trump, estes mecanismos de contenção interna funcionaram parcialmente (por exemplo, através do general Jim Mattis). Na segunda administração, porém, Trump rodeou-se de pessoas sem grande experiência ou independência próprias e que não parecem dispostas ou capazes de o contestar. Trump enfrenta, portanto, muito poucos constrangimentos institucionais para continuar a usar força militar pelo mundo fora. Durante décadas criticou-se o paradoxo e as hipocrisias da ordem liberal. O que começa agora a emergir pode ser o pior dos dois mundos.

Ativar alertas

COMENTÁRIOS:
Maria Gomes: A Mafalda tem um raciocínio lógico teoricamente correcto. Tal como as preocupações climáticas que a Europa abraçou. O pior foi a realidade que atropelou as boas intenções. É isso que a Mafalda parece ignorar. Ao longo destes anos o Irão utilizou todos estes conceitos de direito internacional para espalhar o terrorismo por todo o mundo, gozando de uma normalização aceite, por falta de instrumentos para o travar.
Sobre isto não é feita qualquer reflexão
.                    José B Dias: Subscrevo quase que na íntegra! PS: particularmente digno de análise política e quiçá mais ainda psicológica o facto de apenas 27% dos norte-americanos apoiarem esta guerra enquanto nesta caixa de comentários os que a louvam devem chegar a números de fazer inveja ao coreano Kim!                       Maria Emília Santos: Trump agiu como um democrata que quer a liberdade de todos os povos! Alguém se tem preocupado com a absoluta repressão exercida pelos regimes dos  ayatollahs? A ONU organização criada para defender os povos de ditaduras severas e do incumprimento dos Direitos Humanos, alguma vez tentou impedir os ayatollahs de torturarem e matarem o povo por apelarem à liberdade?  Nunca ninguém quis saber desse pobre e sofrido povo, para nada! Como podem agora, quando o povo eufórico mostra gratidão a quem o libertou, condenar esse mesmo libertador? Parece que os cérebros dos esquerdistas pararam no tempo e no espaço!                   ana rita: Ai Mafaldinha, tivesses tu vivido um dia de terror como a grande maioria dos iranianos ou dos venezuelanos, e não escreverias uma única linha daquilo que acabaste de escrever. Chama-se a isto desprezo por quem sofre.                  Tim do A: Trump, o unico ocidental com coragem e que os tem no sítio. Para além de Zelenski, que não é um queque bem instalado e também apoiou esta guerra de libertação. A autora parece ser uma elitista de luxo woke que simpatiza com ditaduras horrendas. Não se interessa pelos que mais sofrem. É confrangedor ver a insensibilidade, a indiferença e o egoísmo das elites bem instaladas face aos que mais sofrem. Infelizmente, sempre houve princesas que do povo desgraçado dizem: não têm pão? Comam brioche! Que gente!                 Paulo Almeida > ana rita Claro, vive numa bolha fofinha.  Para ela começou a era pior. Seria melhor o regime iraniano continuar a tratar como cão 40 ou 50 milhões de mulheres cidadãs. Que cobardia e hipocrisia desta senhora. Refugiada atrás da sua teoria política elitista. Como diz e bem Ana, se tivesse vivido um dia no Irão não falava assim.                     António Rocha:Como chegou Harvard aqui? Bem, deixando entrar financiamento duvidoso e sendo permeável a "professores" com agendas

victor guerra: Ainda bem que o mundo ocidental tem um "boss" .Com erros e arrojos              Sr Leão > ana rita: Mafaldinha, Mafaldinha, que terá acontecido em Harvard que te cegou para o sofrimento dos iranianos?                 Rogerio Ramos: esta menina não consegue ver, nem entender o mundo, para além da ponta do seu narizinho. o pior é que não é a única     Kindu: Não é nada disso. O Irão esteve à beira de atingir o potencial necessário para destruir completamente Israel. E para Israel, é uma questão de vencer ou morrer, é agora ou nunca. E Trump ajudou.                     David Pinheiro: Não se preocupe Mafalda. Trump não interveio no Irão nem por si nem por mim.   Está-se pouco nas tintas para os europeus. Podíamos levar com mísseis de longo alcance, até poderíamos levar com uma nuclear iraniana nas trombas, que ele estava-se nas tintas. O Irão não é uma ameaça directa aos EUA. Trump interveio para proteger o seu aliado na região, Israel.nPor isso fique descansada, continue com o seu TDS, que Trump está-se completamente nas tintas para os europeus. Não foi eleito por nós e não tem de nos prestar contas.                        Miguel Macedo: Esta cronista woke é péssima e representa o que de pior há de pensamento enviesado e manipulador!                        Df: A guerra tem riscos. Mas não foi Israel quem iniciou a guerra. A guerra foi iniciada pelo Irão ao lançar mísseis contra Israel há poucos meses. Da parte de Israel a guerra é totalmente justificada e legítima, o que nem se pode discutir.  Da parte dos EUA, pode-se discutir a oportunidade do ataque. Mas o Irão declara-se inimigo dos EUA há 47 anos, o que não é muito prudente da parte do Irão. Ser-se atacado pelo inimigo é tão natural como a sua sede.                    Francisco Almeida: Apetecia-me dar uma aula à Mafalda. Esqueça as populações da Venezuela, as populações do Irão - especialmente mulheres e gays - esqueça a solidariedade com Israel, esqueça que com a tradição de martírio dos radicais xiitas, o Irão com uma ou duas dúzias de pequenas bombas nucleares sujas, ameaçava não só Israel, não só os países sunitas do Médio Oriente, mas quase todo o mundo ocidental. Esqueça tudo isso e lembre-se apenas da China e de petróleo.  A China comprava petróleo abaixo dos preços de mercado à Rússia, ao Irão (80% da produção) e à Venezuela. Agora não compra a preços de saldo e já, com a Índia, aumentou as compras à Rússia pagando mais do que pagava. E olhe para África. Trump enviou 100 conselheiros militares para ajudar o governo da Nigéria com as guerrilhas - a primeira vez que botas americanas pisam o chão em zona de conflito desde o Afeganistão - e lembre-se que a Nigéria é o maior país africano produtor de petróleo. Pois, Mafalda, pense em petróleo e na China e depois já pode escrever sobre Trump e estratégias sem dizer tanto disparate.             Paulo Coelho: Bla bla bla bla Soluções? Nenhuma....                 Albino Mendes: Caríssima dra. Mafalda Pratas, os cães ladram e a caravana passa. A procissão ainda não vai no adro. Irá ter imensas oportunidades de continuar a debitar babuzeiras no observador, a não ser que seja despedida.                JOSE CARMO: Se a articulista vivesse na Europa em 1946,  faria ouvir a sua feroz opinião contra o intervencionismo americano, à revelia do direito internacional. É tão fácil criticar aqueles que garantem a possibilidade de criticar....             VASCO R: Idiota socialista e woke . Não percebo o que está a fazer no observador . Palerma que só vê o que quer . Esta anormal nunca falou com um iraniano subjugado por este regime teocrata.                   MAIS UM: Artigo fraquinho, pior de dois mundos, talvez três....

 

O professor de Português

 

Está sujeito – como os demais professores das outras disciplinas – a um programa que impõe respeito pela matéria superiormente ordenada, não pode alterar caprichosamente os temas propostos pelo Ministério da Educação. Mas é sempre de bom tom arrasar quem se limita honradamente a essa via sem as tergiversações dos que embarcam em fugas que a vastidão literária e dos literatos pode proporcionar, num enriquecimento  que poderá captar ou não o interesse dos alunos. Todavia, é sempre de bom tom denegrir, e o rasteirismo seguidista das aulas de português atrai naturalmente a condenação dos mais exigentes. A verdade é que as demais disciplinas, objectivas e rigorosas que são, sujeitam-se aos programas, as aulas de literaturas permitem facilmente fruições superiores, desde que os professores enveredem por vias de manipulação dos programas – o que parece ser o caso descrito pelo aluno de Lobo Antunes. O certo é que serão esses que sobressaem … e sobretudo se forem referências ilustres, como no caso citado pelo discípulo de Lobo Antunes. Fosse este um vulgar professor, sem nome distinto, não seria, talvez referenciado, pois não traria importância ao autor do texto que segue:

Lobo Antunes foi meu professor de português 

No meio de leituras redondamente moralistas de textos durante as aulas, depois da insipidez das “explicações” das obras obrigatórias, Lobo Antunes mostrava-me que a literatura podia ser outra coisa.

P. JOÃO BASTO: Sacerdote, membro da equipa formadora do Seminário Diocesano de Viana do Castelo

OBSERVADOR, 06 mar. 2026, 00:2410

O primeiro texto que li de António Lobo Antunes terá sido uma crónica nas aulas inaugurais do secundário. Chamava-se “Chopin é um frango”. Na verdade, li-o ainda nas férias, num apartamento grande, ainda em luto pela morte do meu bisavô, quando abri os livros novos, que tinham chegado mais cedo nesse ano. De lá para cá, aquela sensação de ser enganado por um autor, de ele nos perseguir, de, por fim, nos ludibriar, de isso ser imensamente mais prazeroso e bondoso que a evidência, continua a raptar parte da minha imaginação.     Durante os anos que se seguiram, nas imensas tardes livres daqueles três anos, ou nas fugas propositadas às fichas de matemática e aos exercícios de físico-química, que não escolhi voluntariamente, António Lobo Antunes foi a pessoa com quem podia falar de literatura. Fosse, de novo, nas crónicas, nos romances, ou nas entrevistas.

No meio de leituras redondamente moralistas de textos durante as aulas, depois da insipidez das “explicações” das obras obrigatórias, depois de Camões ser esquartejado para servir de alimento às pequenas bocas famintas de análise e classificação de orações, depois de tudo isso, Lobo Antunes mostrava-me que a literatura podia ser outra coisa. O seu efeito só era, então, comparável ao de quando, numa aula do 9.º ano, uma professora veio à aula de ciências apresentar o livro da sua vida e se comoveu tanto a falar de As Velas Ardem até ao Fim, que teve de sair antes do planeado. Quer num, quer noutro caso, nunca imaginei que um livro não servisse para manter a compostura.

Saber mais

Odiei – secretamente ainda odeio – todos os livros que os meus professores recomendavam nas aulas, nomeadamente aqueles que se podem catalogar sob o epíteto “livros para quem não gosta de ler, mas que tem de ler alguma coisa ou porque faz bem, ou porque é preciso fazer uma apresentação oral no final do período”. Mas comovia-me sempre que António Lobo Antunes falava de um novo autor e eu o lia: Faulkner, Borges, Carver, Céline, Proust, Montaigne, Conrad. E, tal como nessa altura, ainda hoje não me interessa se os entendo. A literatura não serve para isso.

Nele, tudo parecia tão diferente das aulas de português. Quando lia a sua voz interludial, desequilibrada, empalada, sangrada, abria, através dela, mais mundo, mais feridas e mais insónias, do que lendo as habituais convenções de boas maneiras e bom gosto. Quando o ouvia dizer que só vale a pena escrever se for para mudar a história da literatura, sentia que recebia algo que os pedidos de textos expositivo-argumentativos no final dos testes não podiam satisfazer. Quando ouvia repetidamente a sua conversa com George Steiner, frequentava, finalmente, a escola que eu queria. No fim de contas, tudo parecia falar de um Deus que não era o Deus do dono da casa. A mim, no entanto, que tinha passado os verões com pessoas nascidas no início da Primeira Guerra Mundial, que tinham tido como brinquedo de infância um primeiro volume do Dom Quixote, tudo era luminoso.

Ontem, depois da notícia da sua morte, reli uma frase sua: “Eu não quero nem que me compreendam, nem que me discutam, quero que apanhem os livros como quem apanha uma febre.” Devemos fazer-lhe a vontade. Mas sem tomar paracetamol.

ANTÓNIO LOBO ANTUNES       LITERATURA       CULTURA 10

COMENTÁRIOS

Daniel Estudante Protásio: Gostei muito desta crónica, apesar de não ser um apreciador de Lobo Antunes. Mas valorizo muito quem escreve sobre literatura enquanto ferramenta indispensável do lazer e de cultura.                  Maria Paula Silva: Ter tido um bom professor é uma bênção. Ter tido António Lobo Antunes como professor é uma bênção vezes mil.                    FC: Belo texto. Obrigado.             Carlos Nunes: Este padre, é um sucedâneo do imanentismo, do historicismo e da ética de situação, latentes nos artigos da imprensa secularista, que tem "catequizado" os católicos portugueses desde há muitas décadas. Nomes como o do dominicano neo-marxista Bento Domingues, o Cardeal Tolentino, o missionário Anselmo Borges, o capuchinho Ventura, e mais uns quantos avençados da elite liberal, que esporadicamente escrevem sobre o hegeliano aggiornamento eclesial nos jornais politicamente correctos.                 Margarida Almeida: Os professores que contam são os que nos abrem portas. É uma bênção ter pessoas assim, próximo! Abrem-nos para o mundo e nunca mais esquecemos que tal é possível! Bem haja,Antonio Lobo Antunes por ter sido um desses raros seres! RIP.                Idalina Amador: Lembro me q os livros de leitura obrigatória no meu tempo eram isso mesmo. A minha sorte meu pai ter uma pequena e variada biblioteca, com Hemingway, C. Mansfield, Welles, Papini, Axel Munthe, Fitzgerald, Dumas. Lembro me de no entanto ter lido com gosto Camilo, Eça e Ferreira de Castro...                 victor guerra: Sorte sua, já que tem uma profissão castradora                Américo Silva: Sinodalmente, o sinodal sínodo da sinodalidade iniciou a apresentação de conclusões, a conferência episcopal alemã pediu autorização para que os leigos façam homilias, a clerezia não se cansa de lutar contra os fiéis.                  Teresa Henriques: Lobo Antunes é um dos meus favoritos.             Maria Beatriz  > C. C. de Pinho: Gostei!

 

sexta-feira, 6 de março de 2026

The Importance of Being Earnest

 

Preparativos em força para a guerra. Que já começou, claro. E seremos orgulhosamente parte activa, pois fabricaremos parte dos Gripen E, aviões de combate de potencial como se pretende no combate. Alverca é o lugar do fabrico honroso.

Os novos Gripen E, que a Saab descreve como o "o caça mais moderno do mundo”.

Happy Wilder


"Muito potencial". Suecos acenam com produção de novos caças em Portugal para convencer Governo a comprar substitutos dos F-16

Portugal vai ter de substituir os caças F-16, e a sueca Saab está de olho no contrato. Responsáveis admitem que uma parte das aeronaves pode vir a ser produzida pela OGMA, uma "óptima empresa".

ANA SANLEZ: Texto

OBSERVADOR, 05 mar. 2026, 20:084

Não é um leilão, mas a Suécia quer subir a parada. O Governo está prestes a dar início ao processo para a escolha dos aviões de combate que vão substituir os quase obsoletos F-16 da Força Aérea, e nos bastidores já se trava uma guerra de razões. À diplomacia económica dos EUA, interessados em vender os caças F-35 a Portugal, a Suécia responde não só com a promessa de entregar o “avião de combate mais avançado do mundo”, o novo Gripen E, como abre a porta à possibilidade de produzir parte do modelo em Portugal, nas oficinas da OGMA.Tem muito potencial”, diz DANIEL BOESTAD, vice-presidente do departamento de desenvolvimento dos Gripen.

Oficialmente, o Governo português ainda não deu início ao processo e não há conversas a decorrer, garante o responsável. Mas a empresa, que é uma das principais fornecedoras dos sistemas de defesa e segurança aeroespacial e naval da Europa, vai-se posicionando.Achamos que [o novo Gripen] seria um produto excelente para Portugal”, sublinhou o responsável durante uma visita com jornalistas portugueses à sede da Saab em Estocolmo.

 “Não há nenhum processo formal em andamento, vamos esperar que o Governo português lhe dê início, mas claro que vamos estar lá, e se nos fizerem questões vamos colaborar”, acrescentou DANIEL BOESTAd, deixando nas mãos do Governo e da Força Aérea a tarefa de pesar os prós e os contras. Mas atira com aquele que espera ser um “pró” para a Suécia. A Saab tem há anos uma parceria com a OGMA e, quando questionado sobre se o modelo mais recente do Gripen pode vir a ter partes fabricadas em Portugal, o responsável não hesita: “Potencialmente, claro que sim”.

A Saab já o faz com o Brasil, o primeiro país, depois da Suécia, ao qual vendeu o novo modelo do caça. Chegaram às forças armadas brasileiras “11 ou 12” aeronaves, das 36 encomendadas, e algumas partes do novo modelo foram fabricadas no Brasil, onde a Saab também tem uma parceria com a Embraer, que é accionista da OGMA. A empresa sueca comprou quatro aviões de transporte à Embraer, os KC-390, que são também em parte produzidos nas oficinas da OGMA em Alverca.Trabalhámos muitos anos com a OGMA” como subcontratada, explica o responsável. “É uma óptima empresa, fazem coisas impressionantes”.

Além do Brasil, o Gripen E já foi encomendado pela Colômbia e pela Tailândia. Também há um princípio de acordo para o fornecimento de 150 caças à Ucrânia ao longo da próxima década. Boestad não desvenda o valor que pode ter um contrato para a aquisição destes novos caças, porque “depende” de muitas variáveis. Mas sublinha que “o importante não é a etiqueta com o preço mas quanto custa operá-lo ao longo dos anos. E nós temos de longe a aeronave com o maior custo benefício ao longo do tempo”. O contrato recente que a Saab assinou com o Governo da Colômbia, por exemplo, prevê a entrega de 17 aeronaves por 3,1 mil milhões de euros.

No processo que vai levar à troca dos F-16, os suecos enfrentam uma concorrência feroz. De um lado estão os EUA. A Lockheed Martin também está interessada no contrato que o Estado português terá de fazer em breve, e tem posto a diplomacia a funcionar. Numa entrevista recente à CNN Portugal, o embaixador dos EUA em Lisboa, John Arrigo, destacou as vantagens da aeronave norte-americana. “O F-35 é o melhor caça. É um caça furtivo de quinta geração, vai levar a Força Aérea Portuguesa à Liga dos Campeões da UE”, defendeu. Questionado sobre se a diplomacia sueca também já começou a mexer-se neste sentido, Daniel Boestad não se alonga: “Só Portugal é que pode decidir o que quer”.

“Os nossos engenheiros costumam dizer ‘criamos o código de manhã e à tarde estamos a voar’. Na prática, talvez seja esticado dizer que é possível introduzir novas funções na aeronave num dia, mas em menos de uma semana é possível. Mais ninguém consegue fazer isso”.

. Daniel Boestad, vice-presidente do departamento de desenvolvimento dos Gripen

Em setembro do ano passado, segundo noticiou o Expresso, o ministro sueco da Defesa visitou Portugal e assinou dois memorandos de entendimento para, de acordo com o jornal, “intensificar a cooperação industrial no âmbito do desenvolvimento do caça Gripen”. Um dos memorandos foi assinado com a OGMA, e visa a produção, manutenção e reparação de aeronaves. O outro foi assinado com a Critical Software para que as duas empresas avaliem projectos de software para a aviação. Também de acordo com o Expresso, em fevereiro o vice-presidente da Saab, Johan Segertoft, esteve em Lisboa para uma visita à tecnológica na sequência desse memorando.

Além da Lockheed Martin, os suecos também têm concorrência europeia na corrida ao contrato para equipar a Força Aérea Portuguesa. A divisão de defesa da Airbus, a Airbus Defence and Space, que faz parte do consórcio Eurofighter e equipa membros da NATO como Alemanha, Espanha ou Itália, já começou a fazer diligências nesse sentido. No final do ano passado, assinou um memorando de entendimento com a AED Cluster Portugal, o Cluster Português para as Indústrias de Aeronáutica, Espaço e Defesa, precisamente para “criar uma proposta industrial valiosa para a substituição” dos F-16 com uma “solução verdadeiramente europeia, o programa Eurofighter”. Tal como os suecos, a Airbus acena com uma ‘moeda de troca’: o centro tecnológico de Coimbra e a fábrica de Santo Tirso, que ainda este ano receberá investimento com vista à expansão, e que poderá crescer mais caso o consórcio seja o escolhido na substituição dos F-16.

O que é que o Gripen E tem?

É, neste momento, “o caça mais moderno do mundo”, além de ser também, a nível global, o modelo de avião desenvolvido mais recentemente. Mas a juventude não é o factor que os suecos destacam no Gripen. “Parece muito semelhante às versões anteriores, mas é completamente diferente. Sobretudo por dentro. O Gripen E dá ao piloto e à Força Aérea algo que é essencial hoje em dia em combate, que é velocidade. E não estou a falar de voar depressa, estou a falar da velocidade com que o modelo pode ser alterado”, começa por explicar.

Com a tecnologia cada vez mais presente no campo de batalha, os equipamentos de defesa “têm de se adaptar depressa” às condições do terreno. “É dessa velocidade que estamos a falar. Essa foi a pedra de toque quando estávamos a decidir desenvolver este modelo. Os sistemas informáticos do novo Gripen podem ser alterados muito depressa”. Nos modelos anteriores, não só do Gripen mas de qualquer caça, “se quisermos fazer alguma alteração temos de falar com as pessoas da indústria, eles levam o avião, demora tempo e custa muito dinheiro. O avião estará de volta talvez num ano ou dois, depende das alterações”.

 Produção dos Gripen na fábrica de Linköping, na Suécia.

Per Kustvik/ Saab

O Gripen, detalha, deu um passo à frente.Os nossos engenheiros costumam dizer ‘criamos o código de manhã e à tarde estamos a voar’. Na prática, talvez seja esticado dizer que é possível introduzir novas funções na aeronave num dia, mas em menos de uma semana é possível. Mais ninguém consegue fazer isso”.

E dá um exemplo. “No ano passado pegámos num avião e introduzimos um agente de IA, que foi treinado para um tipo de batalha. Foram precisas duas ou três semanas para fazer a integração. Depois fomos voar. Isto foi em espaço aéreo civil, muito controlado. O Gripen voou sozinho, o piloto afastou as mãos dos comandos, e estava a voar contra outro avião que tinha piloto”. Ao fim de “algumas” missões, o piloto que estava a voar manualmente “não conseguiu ganhar. Isto mostra sobretudo o quão rápido conseguimos introduzir uma função destas na aeronave e voar no espaço aéreo civil. Mais ninguém está a fazer isso”.

 “Por vezes comparamo-lo ao iPhone”, acrescenta Ingemar Karlsson, responsável da Saab para Portugal e Espanha. “A plataforma é a mesma mas conseguimos fazer um upgrade do software, ter novas aplicações… Qualquer um pode fazer alterações no Gripen através de código, isso não afecta o voo. Os engenheiros separaram o software crítico de missão do software crítico de voo. É possível fazer tudo no que toca a funcionalidades e acrescentar outras novas sem comprometer a segurança dos voos. Caso contrário, as aeronaves teriam de receber novas certificações depois de um upgrade”, como acontece com os restantes modelos de caças.

Na indústria “fala-se muito das gerações de aeronaves, aqui nós podemos mudar de geração todos os dias. Como o combate está cada vez mais tecnológico, não podemos demorar dois anos nem sequer dois meses a adaptar-nos”, resume Daniel Boestad.

Os novos caças não estão incluídos no pacote de 5,8 mil milhões de euros do empréstimo que Portugal garantiu junto da UE no âmbito do mecanismo SAFE para investimento em defesa. Mas a Saab tem outros planos para Portugal além dos caças.

O submarino Ikea e o avião Top Gun

É com submarinos de guerra, torpedos e camuflados que os visitantes são recebidos na sede da Saab na capital sueca. Afinal, a Saab existe por causa da guerra. A empresa nasceu na década de 1930 porque o governo sueco, perante a ameaça de um conflito mundial, quis começar a produzir os seus próprios aviões. O primeiro assento ejectável da história da aviação militar foi inventado pelos suecos. Da história da Saab faz ainda parte a Bofors, especializada em material militar, e cujo dono mais célebre foi Alfred Nobel. E também os carros, que a empresa não produz desde 2011. “Mas todas as semanas recebemos emails de pessoas a perguntar por eles”, confessam os responsáveis.

Os modelos de armas de guerra em exposição em Estocolmo, a mais de 200 quilómetros da fábrica da Saab em Linköping, são à escala reduzida e exibidos num ambiente sombrio, que contrasta com o segundo dia de sol do ano em Estocolmo. No dia em que o Observador visitou as instalações da Saab, o conflito no Médio Oriente escalava depois dos ataques dos EUA e de Israel ao Irão. Três caças norte-americanos tinham sido atingidos por “fogo amigo” no Kuwait, “porque os radares não conseguiram identificar de onde vinham” e as defesas aéreas dispararam, explica Ingemar Karlsson junto a um dos radares fabricados pela Saab. Estes dispositivos, “se não rodarem, conseguem ver mais longe. Se rodarem têm uma visão 360º, mas é mais limitada”, acrescenta.

 Radares, mísseis e camuflagem em exposição na sede da Saab em Estocolmo.

Happy Wilder

Este sábado passam dois anos desde que a Suécia aderiu à NATO. O banco central da Suécia, o Riksbank, emitiu esta semana uma recomendação, “dada a atual situação internacional”, para que os suecos tenham em casa mil coroas suecas (pouco menos de 100 euros) por adulto, para que consigam fazer face a “disrupções temporárias, crises e, no pior cenário, guerra”. E é de guerra que se fala na Saab.

A ‘montra’ de artefactos da empresa sueca começa com o mais recente modelo de submarino, o A26, capaz de permanecer debaixo de água por períodos muito prolongados de tempo. Quanto? “É segredo”, mas “certamente algumas semanas”, explica Ingemar Karlsson. São, por isso, mais difíceis de encontrar, garante o responsável da Saab. Foram também concebidos para não emitirem vibração, o que os torna mais caros que outros modelos. “Foi uma decisão que tomámos para termos hipóteses contra o nosso ‘amigo’ do leste”, resume. É também, acrescenta Ingemar Karlsson, um “submarino Ikea”. Ou seja, é modular e pode ser comprado e montado com mais ou menos módulos. Para já só é utilizado pela Suécia mas está prestes a ser adquirido pela Polónia.

 Produção de submarinos nas oficinas da Saab. Saab

O responsável pela Saab em Portugal e Espanha sabe que a Marinha portuguesa tem dois submarinos, o Tridente e o Arpão, fabricados na Alemanha, até porque estão equipados com componentes da empresa sueca, como sensores e radares de alerta. A compra de A26 não entrará nas contas da Marinha, que estará actualmente “a olhar para a aquisição de mini submarinos”, segundo os responsáveis suecos. No verão do ano passado, a Marinha assinou um memorando na Coreia do Sul com a HD Hyundai Heavy Industries para o desenvolvimento de um pequeno submarino.

A Portugal, a Saab vendeu ainda radares e sistemas de sensores para equipar a fragata Vasco da Gama no processo de modernização que está a decorrer no Alfeite. E também camuflagem para os jipes VAMTAC usados pelo exército. Mas a empresa sueca está atenta ao Plano Nacional de Investimentos em Defesa, e à anunciada lista de compras de Portugal de 5,8 mil milhões de euros. “Vamos ver o que vão comprar. A nova LPM (Lei de Programação Militar) surgirá dentro de alguns meses. Creio que estão à espera de ter dinheiro para comprar coisas novas. Esperamos que tanto a Força Aérea como a Marinha e o Exército recebam dinheiro, mas ainda não sabemos”, confessa o responsável da Saab para Portugal.

O que não deverá chegar a Portugal é o “Top Gun” da Saab, um dos equipamentos mais populares que os suecos fabricam actualmente, devido ao “custo-benefício”. O GlobalEye é um “radar voador”, que originalmente é um avião a jacto da canadiana Bombardier, que é “despido” na fábrica pelos suecos e transformado num radar com equipamento e sistemas capazes de monitorizar áreas de muito grandes dimensões. “Com este avião é possível ver o telescópio de um submarino”, exemplifica Daniel Boestad. “Se Portugal o comprasse, conseguiria cobrir metade do Atlântico”.

A jornalista viajou para Estocolmo a convite da Câmara de Comércio Luso-Sueca

DEFESA      SOCIEDADE      FORÇA AÉREA      INVESTIMENTO      ECONOMIA      SUÉCIA      EUROPA      MUNDO

COMENTÁRIOS

Jacinto Leite: Nenhum destes caças tem a autonomia necessária para defender as colónias.

graça Dias: Com este governo de Luís Montenegro, Portugal irá continuar mergulhado no marasmo económico, cultural e social.  Luís Montenegro  = flope.               Pertinaz: Na Suécia a corrupção é muito menor…                      Uiros Ueramos: 2.º Round das grandes decisões estratégicas de defesa. Portugal está novamente perante uma decisão estratégica de longo prazo. Tal como aconteceu recentemente na escolha das novas fragatas, não se trata apenas de escolher um equipamento: trata-se de definir o posicionamento militar e tecnológico do país durante as próximas décadas. No primeiro “round”, na escolha das fragatas, Portugal tomou uma decisão sensata ao optar por uma plataforma oceânica robusta, próxima em deslocamento e capacidade de um destroyer ligeiro,  em vez de uma fragata mais leve. A lógica foi simples: num país com recursos limitados, mais vale investir em plataformas com maior capacidade e margem de evolução ao longo do tempo do que em soluções mais baratas mas estruturalmente limitadas. Agora chegamos ao segundo round: a substituição dos F-16. Nos últimos meses tem sido visível uma campanha intensa de promoção do Gripen E. No entanto, quando analisamos a questão de forma fria, a comparação com o F-35 revela-se profundamente assimétrica.O Gripen E é um  caça de 4,5 geração, concebido com filosofia de caça ligeiro: menor peso, menor carga útil, menor alcance e persistência em missão, dependência maior de guerra electrónica e de apoio externo em cenários de alta ameaça.O F-35, por outro lado esta noutro nível, pertence à 5.ª geração e foi concebido para um paradigma operacional completamente diferente: furtividade real (Very Low Observable), fusão avançada de sensores, guerra em rede, capacidade de penetração em ambientes altamente contestados. Trata-se de duas gerações tecnológicas diferentes.Para um país como Portugal,  com orçamento de defesa limitado esta diferença é ainda mais importante. Quando os números são reduzidos, a qualidade e a sobrevivência de cada aeronave tornam-se decisivas. Uma frota pequena de aeronaves com elevada capacidade de sobrevivência e consciência situacional pode gerar mais poder militar efectivo do que uma frota maior de plataformas de geração anterior. F-35 é o que a nossa FA precisa.                            Daniel José: Portugal lá tem dinheiro para os F35