quinta-feira, 8 de outubro de 2026

CONTINUAÇÃO

 

Do texto precedente – “Israel, onde o Ocidente começa” -   de JOÃO MARQUES ALMEIDA,

Em “Valores morais…”

COMENTÁRIOS (Conclusão):

Joao Moreno

Os meus parabéns pela lucidez.

José Tomás > Lidia Ricardo

Quem, por um lado, aceita como bom o que dizem vozes não identificadas num "documentário" com fins propagandísticos, produzido por cineastas da extrema-esquerda israelita e financiado pela esquerda woke europeia, e, por outro acha que há "muito por explicar em torno" do ataque de 07.10 - que foi escrutinado pela imprensa livre e pela oposição livre da sociedade israelita, padece de grave desonestidade intelectual.

João Floriano > João Pimentel Ferreira

É o Irão que está a comandar os ataques  a Israel. Não me consta que o Irão queira falar de paz com Estado de Israel. Bem pelo contrário. Israel tem de defender o seu território e os seus cidadãos. Ou o faz ou desaparece. Não tem alternativa. Por aquilo que conheço de si através dos seus comentários, que leio sempre, pode ficar sossegado que está longe de ser um idiota útil. Mas de certo modo fomos levados a um extremo de termos de escolher trincheiras. E para mim a culpa é da esquerda tanto a que ainda se apresenta como moderada e tolerante, mas sobretudo devido aos extremismos e radicalismos.

Ana Rodrigues

É isso mesmo!

Ana Rodrigues > graça Dias

Concordo em pleno. Obrigada

Pedromi

Muito bem... Obrigado pela sua coragem!

Carminda Damiao

Excelente artigo.

Maria Cordes > Observador

Sr. Observador, não tenho a certeza que todas as iniciativas pela Palestina não defendam o Hamas. Alguma vez viu ou viu algo sobre as atrocidades do Hamas contra os palestinianos. Quem depois do 7 de Outubro, na Palestina, discordou do ataque,  foi torturado e enforcado às centenas, vimos algumas poucas imagens do ocorrido. Alguma vez ouviu os camaradas das flotilhas e os do lenço ao pescoço mencionar a barbaridade de arrumar arsenais e fazer túneis em hospitais pediátricos e maternidades cheias de recém-nascidos, em escolas e mesquitas. Sabe que o Hamas recebe biliões de petrodólares e que as suas castas superiores vivem como nababos no Catar. Imagina-os a partilhar aquelas ruas cheias de pó e detritos e aqueles prédios tristes e horrorosos. Conhece o que aquelas pobres crianças, cujo destino mais ansiado pelos pais é serem mártires, estudam e decoram naquelas escolas com métodos pedagógicos de nível, o Corão, o ódio ao Ocidente e a Israel. Os biliões alguma vez serviram para melhorar infra estruturas ou fazer estradas, espaços verdes? Pode ter a certeza de que nesses seus amigos, que mencionou, nenhuma mente reconhece Israel como um espaço civilizado, de onde surgem descobertas boas para a humanidade e onde vivem árabes e cristãos como qq pessoa decente. Quando Israel rebenta um túnel onde foram torturados prisioneiros, debaixo de um hospital, qual seria outra escolha? O ódio a Israel está associado ao ódio á nossa civilização, que querem ver substituída pela deles, segundo Maomé. Quando isso acontecer, os seus amigos serão os primeiros a ser pendurados pelo pescoço. Eu irei, mas muito depois. Tenha um bom dia.

António Alberto Barbosa Pinho

Muito bem.

Manuel Magalhaes

A esquerda é o fim da credibilidade moral e intelectual!!! É o cancro para qualquer sociedade!!!

Marco Gomes

Subscrevo na íntegra!

Francisco Almeida

Muito bom e muito corajoso. Israel, aí onde o Ocidente começa é uma esplêndida referência cultural.

Por analogia, lembrei  as saudosas aulas do prof. Adriano Moreira - quando se regressa do Médio Oriente, aí onde vires um campanário, começa a Europa.

João Floriano > graça Dias

Excelente graça! Só duvido se ainda haverá consciência em muita gente que tem nas mãos a condução do nosso destino.

Pedra Nussapato

O título da crónica devia ser "Israel, o sítio onde pensávamos que começava o Ocidente". Como o cronista diz, o ataque terrorista hediondo do Hamas matou cerca de 1200 pessoas, entre as quais crianças, mulheres e idosos. Como é óbvio, Israel tinha toda a legitimidade para se defender e responder, mas essa resposta, lá está, não deveria colidir com o estatuto de representante do ocidente naquelas paragens. Um estudo de campo muito recente indica que de 7 de outubro de 2023 a 5 de janeiro de 2025, os ataques das IDF causaram cerca de 75000 mortes violentas, 56,2% das quais mulheres, crianças ou idosos. Acrescem mais 8500 mortes não violentas (fome, doenças, falta de cuidados médicos). É isto que esperávamos de um representante dos ditos valores do ocidente? Não me parece. Para termos um termo de comparação, os ataques vis e sem critério de Putin à Ucrânia resultaram em cerca de 17000 mortes de civis em quase 5 anos de guerra, segundo o OHCHR, o que já consideramos criminoso. Fonte dos números que indico acima: Violent and non-violent death tolls for the Gaza conflict: new primary evidence from a population-representative field survey

Michael Spagat et al. Lancet Glob Health. 2026 Apr.

Rui Lima > João Pimentel Ferreira

Sem dúvida Hitler e Estaline foram irmãos no ódio aos judeus hoje é a esquerda quase no seu todo que assume esse papel , também veio da Rússia essa enorme falsidade os “Protocolos dos Sábios de Sião”

João Pimentel Ferreira > Rui Lima

Há um longo historial antisemitisma na Esquerda, mas diria que o motivo é acima de tudo Freudiano e psicanalítico: o motor subconsciente e psicoevolutivo para a popularidade da Esquerda reside na Inveja, e os judeus sempre foram uma minoria muito bem sucedida.

Repare no paradoxo que para Hitler a URSS era uma criação de judeus intelectuais (Marx e Lenine, por exemplo), já para Estaline a URSS seria a força que combateria o judeismo capitalista ocidental.

Jose Carmo > Lidia Ricardo

Sim, ódio aos judeus. Antissemitismo. É isso que a move, embora necessite, a todo o custo, acreditar que não. O transtorno é milenar e regressa em ciclos, sob pretextos que, em cada época se renovam. Ai, na viela iluminada da sua consciência, onde não se consegue esconder de si mesma, responda, para si mesma: por que razão, entre quase 200 estados do mundo e inúmeros conflitos de magna dimensão, com centenas de milhares de mortos, o sangue só lhe ferve se estiver Israel na equação? Trata-se de um país de areia, do tamanho do Alentejo. Que há nele que a faz obcecar, investigar, ler, pontificar? Não me responda a mim, responda a si mesma qual a razão pela qual sabe todas a minudencias da política de Israel e, aposto, nem sequer sabe quem manda no Iraque, na Jordânia, na Arábia, no Nepal, na Nigéria, etc. Enfim, não tenho esperança que o faça, o ódio é antigo e ronrona aí, a um nível pré -racional. Faça uma coisa, se tiver coragem moral: veja o documentário produzido em Israel, com pessoas reais e identificadas, exactamente para rebater o filme que cita. Veja e compare, se tiver coragem moral e honestidade intelectual.

graça Dias > Antonio Sennfelt

Excelente comentário. É assustador o que se está a passar na Grã-Bretanha, tanto nas políticas como nos discursos de ódiooo contra o povo judeu, e os seus Incendiários são o partido Trabalhista e os Verdes, com uma submissão total ao islamismo. Como se isso por si só não fosse suficientemente horribilis, receberam e atribuíram cidadania a dois líderes do Hamas, que mudaram a sua residência de Istambul para Londres.

Miguel Macedo

Muito bem!

João Diogo

Excelente como sempre.

Joana Quintela

Bravo!

Uiros Ueramos

Muito bem!

Observador

Queria realçar um ponto que há muito me faz alguma confusão. Evidentemente que haverá pessoas na Europa que apoiam o Hamas. Mas eu, confesso desde já, que não conheço nenhuma. O que vejo habitualmente são pessoas de esquerda a defender os palestinianos, ou a dizer que os defendem. E defender os palestinianos não é defender o Hamas. Esta distinção tem de ser feita, por uma questão de honestidade. João Marques fê-lo, mas en passant.

Há uma tendência, em certos sectores da direita, para meter tudo no mesmo saco, aqui no Observador é mesmo regra. Quem denuncia o sofrimento dos palestinianos é logo apresentado como defensor do Hamas. Haverá pessoas da extrema-esquerda que apoiam o Hamas? Acredito que sim, desde logo pelo seu anti-semitismo. Mas, em Portugal, não conheço ninguém do Bloco de Esquerda, do Partido Comunista ou do Livre que tenha declarado esse apoio. Se alguém conhece, que diga quem e o que disse. Podemos criticar posições, ambiguidades ou silêncios, mas isso é diferente de atribuir um apoio que tem de ser demonstrado.

E não vale vir falar da Mariana Mortágua. Vamos ser sérios. A participação de Mariana Mortágua na flotilha não demonstra que seja defensora do Hamas. Defender os palestinianos e dar visibilidade à causa, não equivale a apoiar quem os governa. Aliás, alguém acredita que Mortágua, sendo lésbica e defendendo os direitos dos homossexuais, se identifica com o projecto de uma organização de fanáticos religiosos que condena a homossexualidade e pretende impor a sua interpretação da charia? São posições profundamente incompatíveis. Seria o mesmo que um judeu apoiar Hitler. Não sou defensor de Mortágua e sempre fui crítico da extrema-esquerda. Mas isso não me obriga a aceitar qualquer acusação contra ela. Podemos criticar as suas posições e a sua participação na flotilha. Agora, apresentá-la como apoiante do Hamas exige provas. Sem elas, é uma acusação gratuita, baseada numa associação que não demonstra coisa nenhuma. Há que ser sérios, mesmo quando falamos de quem discordamos.

Fernando ce

Concordo.

graça Dias >Lídia Ricardo

Quem é que não conhece, quem não leu Hannah Arendt, Hobbes,   Maquiavel,   Kant,   Marx,  Trotsky,   Mussolini, Milan Kundera,   Emmanuel Todd,   Klaus Mann   ou Roger Scruton !...depreendo que a sua consciência estará anestesiada, pelo que, não tem o discernimento e a capacidade analítica exigida, ao ser confrontada com um documentário de propaganda, e daí os seus comentários falaciosos.

Maria Barreiro

Isto mesmo. Obrigada!

João Floriano > João Pimentel Ferreira

O antissemitismo a que hoje assistimos (há quem use antissionismo, mas não muda nada),   cresce proporcionalmente à ligação da extrema-esquerda com o islamismo.

Lidia Ricardo

O propósito de Bibi, da gente escabrosa da extrema-direita, ultra-reaccionária, racista e colonialista que o apoia, está   bem patente na atuação do comando de um   exército sem princípios éticos de qualquer espécie de que o documentário   NAZA é bom exemplo. Fica-se atónito e estarrecido pela forma fria, totalmente psicopata como os   participantes militares  descrevem, displicentemente, acções de matanças de crianças inocentes, bombardeamentos nocturnos para matar mais "nazas", os festejos  pela  matança de famílias inteiras inocentes com o pretexto de matar um militar de terceira linha do Hamas, que às vezes nem estava no local, matança de inocentes por cruzaram uma linha invisível de que não sabem a existência. É demasiado mau. É uma decadência humana, uma descida aos infernos. E não me venham falar dos crimes de   7 de Outubro, que  parece  terem servido o propósito secreto de Bibi.  Há muito por explicar em torno deste crime hediondo  do Hamas. O dito Ocidente que clama das acções criminosas dos russos contra civis tem um silêncio cúmplice com o que se passa em Gaza e Cisjordânia. Chega!

Alexandre Arriaga e Cunha

Excelente análise, é exactamente como escreve!

A esquerda não quer ver o óbvio e essa é a característica dos verdadeiros cegos.

Por alguma razão têm vindo a decair nas intenções de voto em vários países; oxalá assim continuem…

Valores morais…

 

De hoje-em-dia, tantas vezes ditados por amável facciosismo político da chamada esquerda avançada, naturalmente – e orgulhosamente - contrária aos valores morais ditados pela designada direita atrasada. Ou antiquada, se quisermos ser mais comedidos nas falas.

Israel, onde o Ocidente começa

Muitos, na Europa, um dia deveriam perceber as consequências da vulgarização dos termos “fascista” ou “genocídio.”  É, simultaneamente, a vulgarização do mal e a incapacidade de ver o mal absoluto.

JOÃO MARQUES ALMEIDA, Colunista do Observador

OBSERVADOR, 07 out. 2026, 00:24

Faz hoje, 7 de Outubro, três anos que Israel sofreu o ataque terrorista mais trágico da sua história. Para os israelitas, foi mais dramático do que o 11 de Setembro para os norte-americanos. Em termos relativos, um ataque nos EUA com a mesma dimensão, 1200 mortos em Israel, significaria o assassinato de cerca de 40 mil americanos.

Mas o ataque não foi apenas trágico, foi bárbaro. Os militantes do Hamas mataram sem qualquer critério, apenas pelo prazer de matar israelitas. Assassinaram bebés, crianças e velhos. Violaram mulheres, muitas vezes por vários homens, para depois as matarem. Atacaram um festival de música (Festival Nova), e quem viu as imagens, percebe que poderia ser em Vilar de Mouros (ou até numa festa do Avante), e assassinaram indiscriminadamente centenas de jovens.

Além de trágico e de bárbaro, os ataques de 7 de Outubro revelaram uma cultura de celebração da violência e da morte no Hamas. Há relatos de militantes do Hamas a fazerem videochamadas para as suas famílias a relatarem e a filmarem a chacina. E as famílias dos militantes do Hamas, mães, pais e irmãos, a orgulharem-se dos seus filhos e a pedirem  “matem mais, matem o máximo possível.”

Para muitos na Europa que culpam a política de “direita” do governo de Israel, os ataques mostram que para o Hamas não há diferença entre direita e esquerda. Muitos dos participantes no festival de música eram jovens de esquerda, de grupos pró-clima e LGBT (sim, esses movimentos existem em Israel, ao contrário de Gaza). Os militantes do Hamas atacaram kibutzes, maioritariamente socialistas, onde mataram militantes de esquerda que faziam campanhas pela paz entre os palestinianos e os israelitas, que defendiam a solução dos dois Estados. Ainda se admiram por que razão a esquerda está a acabar em Israel?

Muitos que condenaram a resposta militar israelita em Gaza não defendem o Hamas. Mas muitos outros na Europa e nos Estados Unidos estão ao lado do Hamas. Basta assistir às imagens de manifestações em Londres, Paris, Madrid, Nova Iorque, Berlim, com dezenas de bandeiras do Hamas entre os manifestantes. Podemos, e devemos, recordar as flotilhas para Gaza, com o Hamas a fazer parte da organização. Não nos podemos esquecer das alianças que as extremas esquerdas em França, no Reino Unido, nos Estados Unidos, na Alemanha, em Espanha, em Portugal fazem com o Hamas. Ou o modo como as Nações Unidas foram conquistadas pelos aliados do Hamas, aliança que se estendeu ao território de Gaza.

Essas alianças são imperdoáveis. Nenhum excesso do uso da força militar pelas forças israelitas em Gaza justifica o apoio ao Hamas. Aliás, a população de Gaza é a primeira e a maior vítima do Hamas. Aceito que muitos critiquem o comportamento de Israel em Gaza. Também entendo muitas críticas feitas ao governo de Netanyahu, mas a defesa do Hamas é absolutamente inaceitável para quem defende os valores da democracia e princípios de civilização elementares. Só o ódio aos valores ocidentais justifica a aliança com o Hamas. Com a importação das “intifadas urbanas” que juntam grupos radicais islâmicos e a extrema-esquerda, como se assiste em França, mais tarde ou mais cedo os europeus vão perceber que a luta de Israel é a luta da Europa contra os novos movimentos totalitários.

Mas, na Europa, os ataques a Israel foram mais longe e chegaram às forças moderadas. Muitos chamaram aos ataques israelitas em Gaza um “genocídio.” É um erro. Mas, pior, é uma forma de retirar legitimidade ao Estado de Israel, precisamente o que o Hamas pretende. Poderia desenvolver o modo como o Hamas organiza a defesa de Gaza, expondo hospitais, escolas e populações civis aos ataques israelitas, mas esse não é o ponto mais relevante para negar a acusação de genocídio. Embora valha a pena referir uma diferença fundamental. O Hamas nada faz para proteger a população civil de Gaza, pelo contrário, os túneis são apenas para as milícias militares. Os governos de Israel fazem tudo para defender os civis israelitas.

A definição de genocídio significa o uso da força militar de um modo sistemático para acabar com um grupo nacional, étnico ou religioso. Israel nunca fez isso contra os palestinianos. Cerca de 20% da população de Israel é palestiniana. Nenhum foi morto pelas forças de Israel. Pelo contrário, a população palestiniana de Israel tem aumentado. Em 2015, eram cerca de dois milhões. Em 2024, já depois do início da guerra em Gaza, chegaram a mais de dois milhões e meio. A afirmação de que Israel estaria a cometer “genocídio” em Gaza seria mais ou menos o mesmo que a Alemanha de Hitler, enquanto cometia o Holocausto, permitir o crescimento da população judaica na Alemanha. Esta comparação serve para se perceber o absurdo do uso do termo “genocídio.”

Muitos na Europa, sobretudo entre as esquerdas, um dia deveriam perceber as consequências da vulgarização dos termos “fascista” ou “genocídio.” É, simultaneamente, a vulgarização do mal e a incapacidade de ver o mal absoluto. Mais grave, é o fim da credibilidade intelectual e da honestidade moral.

Israel      Médio Oriente      Mundo

COMENTÁRIOS (de 93)

Jorge Barbosa

Excelente artigo, racional, factual e contundente.

A realidade é que todos aqueles que directa ou indirectamente apoiam a Palestina do Hamas, são na realidade coniventes com os mais bárbaros genocidas, por muito que o escondam mentirosa e cobardemente atrás de um socialismo pseudo humanitário; e designadamente refiro-me concretamente à escabrosa canalha do BE, a todos os "Mortáguas" apoiantes das flotilhas

graça Dias

Caríssimo João Marques de Almeida

Um fascinante e oportuno artigo sobre " a vulgarização do mal e a incapacidade de ver o mal absoluto.", que nos confronta com as memórias perturbadoras do dia 7 de Outubro contra 1.200 judeus inocentes e indefesos, que foram alvo da barbárie dos terroriiistaaas do Hamas e que se fizeram filmar, para que ficasse registada a violência sexual sádica desencadeada por eles, contra homens, mulheres e até crianças. Não se tratava de história ou território, mas de puro ódio e maldade.  Os padrões de tortura sistemática, abuso sexual, assassinatos em massa e outros crimes de guerra tão depravados e bárbaros, que a mente ocidental civilizada simplesmente não consegue concebê-los. A Irmandade Muçulmana o Hamas, o Irão são os inimigos que o Ocidente enfrenta hoje, tanto internos quanto externos. Eles são movidos por uma sede demoníaca  pelo caos, um ódio pela ordem civilizacional, pela beleza, pela verdade e pela liberdade das sociedades ocidentais. Como é possível, países como a Grã-Bretanha,  França,  Espanha e  outros, se terem  submetido  a  uma ideologia  de   fanatismo    religioso   e   ideológico   islâmico    da   era medieval ( séc XIV ) !... Quanto às Nações Unidas lideradas por MR. Guterres dos pântanos,  condena Israel por se defender de terroriiistaaass como o Hamas, o Hezbollah, o Irão e dos terroriiistaaas palestinianos da Cisjordânia da Fatah. São mais as condenações contra Israel do que contra a Coreia do Norte,  o Irão,  a Síria e  a  China  juntas. Isto porque Israel sobrevive e é culpado por isso.

 a) Israel nunca teve a paz como opção. Apenas restrições e condenações.

b) Nenhuma outra nação na Terra foi ou é obrigada a justificar seu direito de existir da maneira como Israel é.

c) A China ocupa o Tibete, construiu campos de concentração para muçulmanos e colhe órgãos de prisioneiros.

d)  A Turquia ocupa o norte de Chipre.

 e ) O Paquistão foi criado por meio da partição e do deslocamento em massa de pessoas.

 f ) O Catar financia movimentos islamistas em toda a região.

A ONU do Mr. Guterres não gasta seu tempo a exigir que essas nações justifiquem sua existência ou desmantelam das suas fronteiras.

Mas Israel, uma democracia, onde árabes têm assento no parlamento, onde os muçulmanos têm mais direitos do que em qualquer outro país de maioria muçulmana, onde o Estado de Direito se aplica igualmente, é considerada um Estado  ilegítimo, de  apartheid  e colonial, sem  direito de se defender.

No que concerne à EUROPA : "Uma grande civilização não é conquistada por forças externas até que se destrua internamente", e poderá acontecer com a (UE) no século XXI. As ilusões   pós-modernas   de   um multiculturalismo benigno e justo são uma utopia.

Manifesto o meu obrigada a JMA pelo brilhante testemunho que deveria despertar consciência de tantos: dos Macrons, dos Guterres, dos Sánchez, dos Montenegros e tantos outros.

Jose Carmo > Lidia Ricardo

Adolfo Hitler tinha a cineasta Leni Riefenstahl para lavar cérebros com filmes de propaganda. O método resulta, como o seu comentário demonstra. Btw, todo esse filme se baseia em "fontes anónimas" com alegações escolhidas a dedo.

graça Dias > Lidia Ricardo

O ódio aos judeus é tão antigo quanto a ignorância que o alimenta, o que justifica este seu comentário.

Jose Marques > Lidia Ricardo

Com a devida vénia, mas V. Alteza tá lélé da cuca - virou "NAZADA" pelos realizadores protocomunistas do dito documentário

João Floriano

Excelente. Quem ontem à tarde teve tempo como eu para ver televisão, assistiu ao caos que varreu e poderá continuar a varrer as avenidas das grandes cidades francesas. Assistiu também aos depoimentos de vários idiotas úteis (também por cá existem em largas quantidades) que insistem em nos convencer que aquela barbárie é por causa de melhores condições de ensino. E vai daí destroem-se escolas e equipamentos. Sei que a crónica tem a ver com Israel, mas está tudo ligado e os mesmos que gritam pela Palestina com os lenços axadrezados ao pescoço e desfilam na Europa com bandeiras do Hamas são os mesmos que apoiaram os massacres de 7 de outubro. A merxxxxxxda  que temos de suportar em nome da democracia!

Rui Lima

A esquerda do Sul da Europa detesta judeus e odeia Israel.

Ouço de amigos dessa área política, e algumas coisas fazem-me sentir mal é racismo puro contra um povo. A linguagem usada contra Israel e os judeus faz-me pensar no discurso da Alemanha dos anos 30 , não devia ser muito diferente do que hoje ouvimos em certos sectores da esquerda.

Maria Nunes

Excelente e oportuno artigo de JMA. Hoje é o dia para lembrar todos os que morreram em Israel de uma forma bárbara. DEP.

roberto doria

A paz em que vivemos custou 60 milhões de mortos, arrasamos a Alemanha e o Japão para eliminar a ameaça. Ponham-se no lugar de Israel constantemente ameaçado.

Será que no nosso Parlamento haverá quem assinale a data e haverá quem se retire, ou seja contra? Pelo menos seria uma boa maneira de separar o trigo do joio.

Paulo Silva

A aversão ou o ódio aos judeus, cuja forma mais avançada depois do anti-judaísmo (de cariz religioso), da judeofobia (de cariz económico) e do anti-semitismo (de cariz racial) toma o nome de anti-sionismo (de cariz político), está vivo e de boa saúde entre as esquerdas, das mais ortodoxas às mais ditas progressistas, mas a ironia é que a maioria dos judeus que constituíram as primeiras vagas de regresso à Eretz Yisrael e fundaram o moderno Estado Judaico de Israel eram socialistas (bund, bilu, kibutz, etc). O ódio ao judeu israelita traz apenso outro ódio de fundo, o anti-americanismo primário.

Maria Tubucci

Nem mais, Sr. JMA. As elites esquerdalhas europeias são tão tapadas, que ainda não conseguiram enxergar que rotularem de fascista, racista ou outros mimos, alguém que elas não gostam, não tem qualquer significado. Aliás, isso só as caracteriza a elas próprias, de hipócritas e dementes, arrasando assim a qualquer credibilidade e honestidade moral, que alguma vez pudessem ter. E digo mais, a insensibilidade aos termos é tal, que se lhe aparecerem verdadeiros fascistas e racistas pela frente, são incapazes de os identificar. Presentemente, os israelitas estão a mostrar aos europeus como se deve proceder perante bárbaros que apenas conhecem a linguagem da guerra, que é fazer guerra até os eliminar. Pois quem não consegue viver numa sociedade civilizada, não merece fazer parte dela, o único caminho para segurança dessa sociedade é remover a barbaridade ...

Df > Rui  Lima

No sul da Europa e não só. Também na vergonhosa Irlanda, na ultra-decadente Berlim, etc.

Carlos Fernandes

Acho incrível como pode haver gente que não subscreva o que é dito neste artigo...

Rosa Graça

Excelente.

Maria Melo

Felicito João Marques de Almeida pela sua clarividência. Excelente análise!

Jose Rodrigues

As esquerdas estão contra Israel? então temos que apoiar Israel, OBVIAMENTE!

Lourenço de Almeida

Os palestinianos em geral não são vítimas do Hamas. São cúmplices e mandantes! Pode ser que haja civis em Gaza, mas para gente que acha aceitável que o seu venerado profeta tenha consumado o casamento com uma "mulher" de 9 anos, é essa a idade em que os habitantes de Gaza passam de crianças endocrinadas para odiar judeus para passarem a ser militantes terroristas! As mães que em vez de chorarem os filhos mortos, aplaudem as suas mortes e orgulham-se dos judeus que eles conseguiram matar, são terroristas, tal como os filhos! Não há 1,4 milhões de fascistas a votar no Chega. Mas há perto de 2 milhões de terroristas em Gaza!

Antonio Sennfelt

Excelente e oportuno artigo! Mas na data do 3º aniversário da chacina do 7 de Outubro parece-me que convirá assinalar que o actual raz-de-maré anti-israelita é ainda mais grave e preocupante do que o descrito no presente texto! Com efeito, o bacilo do anti-semitismo -  depois de uma sua longa e aparente dormência - parece ter despertado com uma acrescida virulência - espalhando o seu pestífero hálito até por entre países e instituições a que o peso

da sua História deveria ter já imunizado contra tal flagelo. E mais não digo, para não escandalizar ninguém!

(CONTINUA)

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Qual cana, o HOMEM!

 

(NOTA PRÉVIA: Canalrodopsinas são uma subfamília de proteínas retinilideno que funcionam como canais iónicos controlados por luz. Eles actuam como fotorreceptores sensoriais em algas verdes unicelulares, controlando a fototaxia: movimento em resposta à luz. Fonte: Wikipédia)

Quem descobre tantas coisas, é um ser fora de série, de uma inteligência superior, naturalmente, por frágil que seja, fisicamente, esse HOMEM DESCONHECIDO, de tal modo criativo… ou antes, criador…

Nobel Medicina. "Esta descoberta afecta a maneira como estudávamos o cérebro"

O investigador Ricardo Henrique explica à Rádio Observador que a técnica permite estudar comportamentos como o medo e pode ajudar a compreender doenças como a depressão e a ansiedade.

Rádio Observador: TEXTO

OBSERVADOR, 05 out. 2026, 14:59

GettyImages-2282561759

07:49

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("Estarei disponível como sempre para competir por Portugal"

Trump ordena morte por fuzilamento a ex-militar

"Ou faz um pedido de desculpas público ou vai cair"

Trump diz que o Estreito de Ormuz pertence aos EUA

A mentalidade Cristiano Ronaldo

PS quis fechar rápido OE. Mas ainda tem "atoleiro" a evitar

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.)

É muito interessante, porque esta descoberta afecta principalmente as neurociências. O que acontece? A maneira como nós classicamente estudávamos o cérebro era através da electrofisiologia, ou seja, utilizávamos pequenas agulhas que eram espetadas no cérebro para estimular algumas redes neuronais, para se perceber de que maneira aquelas redes neuronais modulavam o comportamento do nosso organismo e que levava ao comportamento humano, ou de que maneira algumas doenças podiam ser moduladas por esses estímulos. Acontece que com esta descoberta da channelrhodopsin

Nobel Medicina. "Esta descoberta afecta a maneira como estudávamos o cérebro"

O investigador Ricardo Henrique explica à Rádio Observador que a técnica permite estudar comportamentos como o medo e pode ajudar a compreender doenças como a depressão e a ansiedade.

Rádio Observador: Texto

05 out. 2026, 14:59

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PS quis fechar rápido OE. Mas ainda tem "atoleiro" a evitar

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

É muito interessante, porque esta descoberta afecta principalmente as neurociências. O que acontece? A maneira como nós classicamente estudávamos o cérebro era através da electrofisiologia, ou seja, utilizávamos pequenas agulhas que eram espetadas no cérebro para estimular algumas redes neuronais, para se perceber de que maneira aquelas redes neuronais modulavam o comportamento do nosso organismo e que levava ao comportamento humano, ou de que maneira algumas doenças podiam ser moduladas por esses estímulos. Acontece que com esta descoberta da channelrhodopsin e a sua aplicação nas neurociências, conseguimos controlar agora um canal iónico em neurónios utilizando luz. Isso significa que conseguimos estimular o cérebro através da luz, em vez de utilizar estas agulhas. Ou seja, existe uma maneira menos disruptiva de começarmos a compreender de que maneira é que o cérebro funciona. Ao mesmo tempo, conseguimos perceber que patologias é que podem ser moduladas através da activação de algumas redes neuronais agora utilizando luz em vez de eletrofisiologia, o que nos abre também caminhos para desenhar melhores tratamentos que permitam depois controlar algumas destas redes neurais ou de algum modo mitigar comportamentos ou doenças que não queremos, como por exemplo, a depressão, a ansiedade.

E acha que estamos mais perto de conseguir travar doenças do cérebro?

Desculpa, podes repetir novamente?

Travar doenças ligadas ao cérebro.

Sim, eu acho que há dois pontos aqui que são muito interessantes. Uma é que conseguimos perceber fundamentalmente melhor a maneira como o cérebro é estruturado e que redes neuronais existem. Portanto, fundamentalmente compreendemos melhor os animais, os seres humanos. Atenção, porque existe aqui uma coisa muito interessante: estes canais iónicos só se aplicam a animais neste momento. Porquê? Porque precisam ser modificados geneticamente para incorporar estes canais iónicos que são controlados por luz. Mas ao fazê-lo, conseguimos também ao mesmo tempo compreender que existe alguma homologia entre os cérebros destes animais que nós modificamos em laboratórios com aquilo que acontece no cérebro humano. Portanto, conseguimos fundamentalmente compreender melhor o cérebro. Ao mesmo tempo, também conseguimos compreender de que maneira alguns comportamentos são modulados. Por exemplo, uma experiência muito interessante que está a ser feita neste momento é o estudo do medo nos ratinhos. Em vez de assustá-los, consegue-se começar a compreender que neurónios estão associados ao medo, colocando estes canais iónicos que são sensíveis à luz nestes ratinhos. E o que acontece é que com luz consegue-se efectivamente estimular aquelas redes neuronais, o que significa que com luz vemos uma reacção de medo nestes ratinhos. Portanto, ao fazer essa relação, consegue-se perceber exactamente quais são os neurónios que estão efectivamente associados a este tipo de comportamento. O impacto aqui é, por exemplo, em ratinhos é muito difícil de estudar a ansiosidade ou a depressão, porque são comportamentos muito complexos que é difícil de visualizar em ratinhos. Mas ao estudar o medo, que é algo muito visceral, que se consegue ver muito facilmente em ratinhos, consegue-se aos poucos começar a compreender de que maneira é que ao mesmo tempo conseguimos chegar a outras redes que estão ou super estimuladas ou pouco estimuladas, que podem estar associadas a comportamentos que são mais importantes para nós humanos, que queremos depois aprender a modular.

E o que acha que podemos esperar nos próximos anos graças a esta investigação e também devido a ela?

É muito interessante, porque esta investigação já está a ter um impacto enorme, mesmo a nível de Portugal. Porque, por exemplo, no campo das neurociências existem já muitos cientistas que utilizam este tipo de regiões para estudar o cérebro. Por exemplo, em Portugal, em Moisés, acontece imenso. Mesmo a nível meu pessoal, nós utilizamos a luz para mudar o comportamento de animais, ou mesmo a luz para visualizar esses animais e o comportamento que eles têm. Portanto, já existe a nível científico um impacto imenso. Aquilo que começamos depois a ver ao longo dos próximos anos é a sua tradução para a clínica e a maneira como podemos então criar novos tipos de medicamentos que possam ajudar a lidar com doenças.

Peço desculpa, mas eu não percebi bem. Então, neste caso, ainda não é estudado em humanos, não é? Só ainda relativamente aos animais?

Com animais conseguimos compreender a homologia que existe para humanos. Portanto, o estudo de channelrhodopsin em humanos começa a acontecer em alguns casos muito específicos e muito poucos. Por exemplo, a nível ocular, da estimulação ocular. Porquê? Porque não podemos modificar geneticamente humanos. Ou neste momento a legislação só permite fazer algumas pequenas alterações locais em casos muito excepcionais. Mas aquilo que compreendemos fundamentalmente a acontecer em animais é depois traduzido para aquilo que pode ser utilizado na clínica.

E não sei se me consegues esclarecer: isto é uma descoberta que no fundo também já dura há vários anos, certo?

Sim. É muito interessante. Isto tudo começou com pequenas algas que conseguem virar e nadar em direção à luz. E uma das partes extremamente inteligentes deste prêmio Nobel é que estes cientistas compreenderam como podiam alterar estes canais que as algas utilizavam para nadar em relação à luz e incorporá-los em células, muito especificamente também em neurónios, para modificar a sua activação.

Muito bem, Ricardo. Olha, acho que tenho toda a informação de que preciso. Obrigada por estares aqui mais uma vez. Foi bastante esclarecedor também.

Não, obrigado a você por me receber aqui e a sua aplicação na neurociência.  Conseguimos controlar agora um canal iónico em neurónios utilizando luz. Isso significa que conseguimos estimular o cérebro através da luz, em vez de utilizar estas agulhas. Ou seja, existe uma maneira menos disruptiva de começarmos a compreender de que maneira é que o cérebro funciona. Ao mesmo tempo, conseguimos perceber que patologias é que podem ser moduladas através da activação de algumas redes neuronais agora utilizando luz em vez de eletrofisiologia, o que nos abre também caminhos para desenhar melhores tratamentos que permitam depois controlar algumas destas redes neurais ou de algum modo mitigar comportamentos ou doenças que não queremos, como por exemplo, a depressão, a ansiedade.

E acha que estamos mais perto de conseguir travar doenças do cérebro?

Desculpa, podes repetir?

Travar doenças ligadas ao cérebro.

Sim, eu acho que há dois pontos aqui que são muito interessantes. Uma é que conseguimos perceber fundamentalmente melhor a maneira como o cérebro é estruturado e que redes neuronais existem. Portanto, fundamentalmente compreendemos melhor os animais, os seres humanos. Atenção, porque existe aqui uma coisa muito interessante: estes canais iónicos só se aplicam a animais neste momento. Porquê? Porque precisam ser modificados geneticamente para incorporar estes canais iónicos que são controlados por luz. Mas ao fazê-lo, conseguimos também ao mesmo tempo compreender que existe alguma homologia entre os cérebros destes animais que nós modificamos em laboratórios com aquilo que acontece no cérebro humano. Portanto, conseguimos fundamentalmente compreender melhor o cérebro. Ao mesmo tempo, também conseguimos compreender de que maneira alguns comportamentos são modulados. Por exemplo, uma experiência muito interessante que está a ser feita neste momento é o estudo do medo nos ratinhos. Em vez de assustá-los, consegue-se começar a compreender que neurónios estão associados ao medo, colocando estes canais iónicos que são sensíveis à luz nestes ratinhos. E o que acontece é que com luz consegue-se efectivamente estimular aquelas redes neuronais, o que significa que com luz vemos uma reacção de medo nestes ratinhos. Portanto, ao fazer essa relação, consegue-se perceber exactamente quais são os neurónios que estão efectivamente associados a este tipo de comportamento. O impacto aqui é, por exemplo, em ratinhos, é muito difícil de estudar a ansiosidade ou a depressão, porque são comportamentos muito complexos que é difícil de visualizar em ratinhos. Mas ao estudar o medo, que é algo muito visceral, que se consegue ver muito facilmente em ratinhos, consegue-se aos poucos começar a compreender de que maneira é que ao mesmo tempo conseguimos chegar a outras redes que estão ou super estimuladas ou pouco estimuladas, que podem estar associadas a comportamentos que são mais importantes para nós humanos, que queremos depois aprender a modular.

E o que acha que podemos esperar nos próximos anos graças a esta investigação e também devido a ela?

É muito interessante, porque esta investigação já está a ter um impacto enorme, mesmo a nível de Portugal. Porque, por exemplo, no campo das neurociências existem já muitos cientistas que utilizam este tipo de regiões para estudar o cérebro. Por exemplo, em Portugal, em Moisés, acontece imenso. Mesmo a nível meu, pessoal, nós utilizamos a luz para mudar o comportamento de animais, ou mesmo a luz para visualizar esses animais e o comportamento que eles têm. Portanto, já existe a nível científico um impacto imenso. Aquilo que começamos depois a ver ao longo dos próximos anos é a sua tradução para a clínica e a maneira como podemos então criar novos tipos de medicamentos que possam ajudar a lidar com doenças.

Peço desculpa, mas eu não percebi bem. Então, neste caso, ainda não é estudado em humanos, não é? Só ainda relativamente aos animais?

Com animais conseguimos compreender a homologia que existe para humanos. Portanto, o estudo de channelrhodopsin em humanos começa a acontecer em alguns casos muito específicos e muito poucos. Por exemplo, a nível ocular, da estimulação ocular. Porquê? Porque não podemos modificar geneticamente humanos. Ou, neste momento, a legislação só permite fazer algumas pequenas alterações locais em casos muito excepcionais. Mas aquilo que compreendemos fundamentalmente a acontecer em animais é depois traduzido para aquilo que pode ser utilizado na clínica.

E não sei se me consegues esclarecer: isto é uma descoberta que no fundo também já dura há vários anos, certo?

Sim. É muito interessante. Isto tudo começou com pequenas algas que conseguem virar e nadar em direcção à luz. E uma das partes extremamente inteligentes deste prémio Nobel é que estes cientistas compreenderam como podiam alterar estes canais que as algas utilizavam para nadar em relação à luz e incorporá-los em células, muito especificamente também em neurónios, para modificar a sua activação.

Muito bem, Ricardo. Olha, acho que tenho toda a informação de que preciso. Obrigada por estares aqui mais uma vez. Foi bastante esclarecedor também.

Não, obrigado a você por me receber aqui.