terça-feira, 26 de maio de 2026

TREJEITOS

 

De um estar permanentemente assediado por caprichos. E ambições, obviamente. Por contradições também, como “roseau pensant” que se preza, o sujeito mandador do momento, no sítio do costume.

Um novo Orbán?

Bulgária vai a votos e deve eleger primeiro-ministro pró-russo que já acusou a Ucrânia de prolongar a guerra

 

Índice

Rússia e Bulgária. A independência, o bom aluno do Pacto de Varsóvia e a entrada na UE

GERB. O partido que liderou a Bulgária após a entrada na União Europeia

Rumen Radev. O antigo piloto que sempre se opôs ao centro-direita

As incógnitas do que defende Rumen Radev

A Bulgária pode ser o novo cavalo de Tróia da Rússia na Europa?

Radev promete acabar com a instabilidade. Mas é improvável que o faça

 

A candidatura foi bem‑sucedida: o ex‑comandante que abandonou a Força Aérea venceu a primeira e a segunda volta das presidenciais, sendo reeleito em 2021. Já na presidência, passou a ser um contrapeso ao domínio do GERB na política búlgara. Não raras vezes tornou a vida difícil a Boyko Borisov, com quem manteve sempre uma relação profissional e pessoal tensa e marcada por escândalos e confrontos públicos.

Nos últimos meses, após testar o terreno e ter chegado à conclusão de que não havia mais nenhuma “alternativa” na política búlgara, Rumen Radev anunciou que abandonaria a presidência da Bulgária para se candidatar às legislativas. Fundou o Bulgária Progressista, reuniu o apoio de outros partidos e tornou-se — desde que entrou na corrida — o preferido nas sondagens para ser primeiro-ministro.

Numa altura em que o domínio de Boyko Borisov é cada vez mais contestado dentro da Bulgária, a candidatura de Rumen Radev apresenta‑se como uma ruptura com o passado recente de compadrio e desgaste associado ao GERB. O antigo Presidente tem, afinal, credenciais para isso: desde que entrou na vida política, posicionou-se como adversário do partido de centro‑direita, é tradicionalmente conotado com o campo socialista e traz consigo um historial de confrontos abertos com os governos do GERB.

 Comício do Bulgária Progressista com Rumen Radev - NurPhoto via Getty Images

 

ÍNDICE

 

Enquanto ex‑Presidente e antigo comandante da Força Aérea, Rumen Radev nunca definiu de forma clara a sua ideologia. Usa um discurso nacionalista e defende um equilíbrio entre os compromissos com Bruxelas e Moscovo. Está associado também ao campo socialista e à defesa de políticas de bem‑estar social, mas combina essa agenda com posições socialmente conservadoras e uma linha dura no controlo de fronteiras e da imigração.

Essa será mesmo uma táctica deliberadaAo jornal Político, Boriana Dimitrova, analista que trabalha para a empresa de sondagens Alpha Research, explica quea sua estratégia é manter as suas declarações o mais vagas possíveis para permitir que os eleitores ouçam o que querem ouvir dele”. Ele está a angariar uma rede política ampla e tentar ganhar o apoio de eleitores de esquerda e de direita no espectro político. Está a tentar jogar com toda a gente.”

Em todo o caso, o antigo comandante sempre defendeu uma aproximação a Moscovo, criticando as sanções do Ocidente e condenando o envio de armas para a guerra na Ucrânia, alimentando o papão de uma possível guerra entre a Rússia e a União Europeia. Entre todos os assuntos que podem fragilizar a candidatura de Rumen Radev, o seu discurso pró-russo é provavelmente o mais controverso e o activo mais tóxico. Mas nem isso está a preocupar os búlgaros.

"A estratégia é manter as suas declarações o mais vagas possíveis para permitir que os eleitores ouçam o que querem ouvir dele. Ele está a angariar uma rede política ampla e tentar ganhar o apoio de eleitores de esquerda e de direita no espectro político. Está a tentar jogar com toda a gente." Boriana Dimitrova, analista que trabalha para a empresa de sondagens Alpha Research

Radev promete acabar com a instabilidade. Mas é improvável que o faça

Cansados de anos de instabilidade política e das redes de clientelismo associadas ao GERB, muitos búlgaros estão a focar-se, nestas legislativas, em temas como a corrupção e o elevado custo de vida, relegando a política externa para um segundo plano. Ao mesmo tempo, o peso dos antecedentes históricos faz com que uma parte significativa da população não veja a Rússia como uma potência expansionista na Europa, mas antes como um país culturalmente próximo, que ajudou à libertação da Bulgária do domínio turco.

Mesmo na relação com Bruxelas, muitos búlgaros encaram a União Europeia com desconfiança. A percepção da UE continua a ser positiva, mas a adesão ao euro em janeiro deste ano abalou essa imagem: a introdução da moeda única foi acompanhada de preocupações com o aumento do custo de vida e de protestos. Muitos na Búlgara consideram que o país — um dos mais pobres na Europa — não estava preparado para dar esse passo.

Neste sentido, Rumen Radev tem feito campanha em volta desse tema nos comícios por todo o país, acusando os governos do GERB de terem “introduzido o euro” sem convocarem um referendo. Agora, quando pagam as contas, lembrem-se dos políticos que vos prometeram que pertenceriam ao clube dos ricos”, disse o candidato da Bulgária Progressistacitado pela Reuters.

 Protesto contra a adesão ao euro em Sófia   NurPhoto via Getty Images

 

ÍNDICE

 

A Bulgária pode ser o novo cavalo de Tróia da Rússia na Europa?

A derrota de um líder eurocéptico em Budapeste fez os dirigentes comunitários suspirarem de alívio. É provável que a Hungria chefiada por Péter Magyar — que será o novo primeiro-ministro —, levante o veto ao empréstimo de 90 mil milhões de euros prometido à Ucrânia, assim como é previsível que o Governo húngaro dê luz verde a novos pacotes de sanções contra a Rússia.

O estado de optimismo poderá durar pouco com a vitória de Rumen Radev. Poderá o antigo Presidente da Bulgária funcionar como uma nova força de bloqueio em Bruxelas no que toca ao apoio à Ucrânia? Os sinais são contraditórios. Por um lado, o antigo comandante nunca referiu que quer retirar a Bulgária da União Europeia ou da NATO, tendo condenado as acções militares russas na Ucrânia. Por outro, já deixou várias críticas ao envio de armas ocidentais e não esconde que quer reaproximar Sófia de Moscovo.

“Somos o único Estado‑membro da União Europeia que é simultaneamente eslavo e ortodoxo oriental”, justificou, numa entrevista, Rumen Radev, antevendo que a Bulgáriapoderia ser um canal importante” para a Europa “restaurar as relações com a Rússia”. Esta mensagemno quarto ano de guerra na Ucrânia — colide com a postura defendida por Bruxelas, que não dá sinais de ceder no apoio político e militar a Kiev, nem de levantar as sanções impostas contra Moscovo.

 

“Somos o único Estado‑membro da União Europeia que é simultaneamente eslavo e ortodoxo oriental." Rumen Radev, antigo Presidente e principal candidato do Bulgária Progressista

 

ÍNDICE

As semelhanças com o discurso pró‑russo de Viktor Orbán são bastantes. E não se ficam por aqui. Rumen Radev tem defendido que o país deve comprar gás natural e petróleo da Rússia, argumentando que essa é a opção que defende melhor os interesses soberanos da Bulgária. O ex‑Presidente também deixou claro que se opõe ao envio directo de armas para Kiev; aliás, enquanto chefe de Estado, vetou iniciativas que concediam apoio militar à Ucrânia.

Sobre o que vai fazer na UE quando chegar muito provavelmente a primeiro-ministro, Rumen Radev ainda não aclarou se vai seguir a mesma linha de confronto com as instituições europeias como fez Viktor OrbánMas a Bulgária não é a HungriaComo lembra o Telegraph, o país é o mais pobre na União Europeia e depende fortemente de fundos europeus. Um eventual congelamento de verbas, como o que atingiu Budapeste nos últimos anos, seria potencialmente devastador para a frágil economia búlgara.

Radev promete acabar com a instabilidade. Mas é improvável que o faça

A dependência búlgara face às instituições europeias poderá levar Rumen Radev a evitar bloquear iniciativas comunitárias de apoio à Ucrânia. E existem outros factores de política interna que podem funcionar como travão ao pendor pró‑russo do ex‑Presidente. A principal? O facto de existir uma grande probabilidade de ser obrigado a fazer uma coligação ou entendimentos pós-eleitorais com forças pró-europeias.

 Primeiro-ministro húngaro em funções e Rumen Radev AFP via Getty Images

 

ÍNDICE

 

Neste momento, as sondagens indicam que o Bulgária Progressista deverá vencer as legislativas, com um resultado na ordem dos 35% das intenções de voto com cerca de 100 mandatos, longe da maioria absoluta de 121 deputados. Em segundo lugar deverá ficar o GERB com cerca de 20%. Ainda assim, é improvável que o partido de Rumen Radev se coligue com a força política que tanto criticou no passado e cujo legado garante querer terminar.

Num sistema eleitoral em que é preciso obter pelo menos 4% dos votos para entrar no Parlamento, os estudos de opinião apontam que entrará o PP-DB, um partido liberal pró-europeu anticorrupção, que deverá reunir 12% dos votos. Segue-se, com 10%DPS-NN, uma força política centrista pró-europeia que defende os interesses da minoria turca na Bulgária. Com cerca de 7% deverá ficar o Renascimento, a força de extrema-direita pró-russa. Uma coligação de partidos de esquerda (BSP) deverá ficar perto dos 4%.

Os analistas sugerem que o parceiro de coligação mais provável do Bulgária Progressista é o PP-DB, se bem que Rumen Radev tenha para já evitado fazer compromissos com o partido centrista. Ambos os partidos têm a bandeira da luta contra a corrupção e o fim da “oligarquia” que tem governado o país. De fora de eventuais coligações para o ex-Presidente, ficam o GERB e o DPS-NN, cujos líderes são associados por Radev ao sistema de compadrio e de corrupção.

 Cartaz do PP-DB AFP via Getty Images

 

ÍNDICE

 

Para aceitar uma coligação com o Bulgária Progressista, o PP-DB exige que Rumen Radev abandone as suas posições pró-russas e colabore activamente com Bruxelas. Num país em que existe uma instabilidade política crónica, esta poderá ser a solução mais consensual — que faria o antigo Presidente não comprar nenhuma guerra com a União Europeia. Uma aliança com o Renascimento, que aproximaria totalmente Sófia de Moscovo, também é bastante improvável; os dois partidos juntos não deverão atingir a maioria absoluta.

Boriana Dimitrova assinala ao Politico que o antigo Presidente pode ainda tentar governar sem formar uma maioria. Ele pode tentar construir um governo minoritário e tentar forjar diferentes alianças em tópicos distintos”, acredita a especialista, que ressalva que essa missão exige “um considerável talento político”, principalmente num país em que a estabilidade política parece ser uma miragem.

O antigo piloto de caças soviéticos que comprou várias guerras com o partido dominante da Bulgária deverá ser eleito primeiro-ministro no domingo. As expectativas dos búlgaros são elevadas: Rumen Radev surge como o rosto da mudança política há muito ansiada e o nome associado do fim da instabilidade. Assumidamente pró-russo e desejando aproximar-se de Moscovo, reúne alguns ingredientes que alimentam o receio de que possa transformar‑se num novo Viktor Orbán, ainda que enfrente importantes condicionantes internas e externas. A partir de domingo, terá de tomar uma posição e escolher para que rumo quer levar a Bulgária.

BULGÁRIA      EUROPA      MUNDO      RÚSSIA      UNIÃO EUROPEIA

 

COMENTÁRIOS (de 9)

AdOB > João Pimentel Ferreira: Mas o último a mandar dados confidenciais para o Putin, não foi o Medina? E antes disso não era o PCP?  Já não percebo nada          Eduardo Mãos de Tesoura: A Bulgária deveria olhar para o caso Húngaro. Se o novo Governo Búlgaro trilhar o mesmo caminho de Victor Orban, já sabe que Fundos Europeus destinados à Bulgária ficarão congelados em Bruxelas. 

 

 

 

Estratégias

 

Cliométricas de precisão dos dados históricos por meio de uma análise estatística mais rigorosa.

maio 25, 2026

NOTA INTERCALAR – Por motivo desconhecido, o texto anterior saiu truncado pelo que publico de seguida o que então ficou em falta.

* * *

Clio, a musa grega da História; cliometria, a medição da História, ou seja, o estudo das estatísticas que mediram o passado.

A História é a essência da Cultura e esta é a busca do significado dos acontecimentos, do julgar e das ideias.

Com a cliometria o significado dos acontecimentos históricos passa a ser medido objectivamente.

Nesta obra o Professor Alves-Caetano leva-nos em passeio pela Lisboa dos finais do séc. XIX com informação objectiva sem romantismo nostálgico nem lirismos.

Este é sem dúvida um método importante para que encontremos o significado do passado que fundamenta o nosso presente e nos perspectiva o futuro.

Que o exemplo frutifique!

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segunda-feira, 25 de maio de 2026

Distinções sociais


Tranquilizantes, na questão dos furtos “micro”, acentuando uma vivência humana mais repousante, contrabalançada, é certo, pelos furtos do patronato, naturalmente mais consistentes, porque mais civilizados.

O que é isso de “microlooting”?

A palavra tem uma origem contestada: teria servido para designar, no império britânico, o furto ou a pilhagem feita pelos nativos com o objectivo de a distinguir da “pilhagem” feita pelos ingleses.

PATRÍCIA FERNANDES, Professora na Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho

OBSERVADOR, 25 mai. 2026, 00:20

O termo anda a circular no espaço anglo-americano desde que a editora de cultura do The New York Times, Nadja Spiegelman, convidou a jornalista Jia Tolentino e o comentador político Hasan Piker para conversar sobre uma tendência cada vez mais popular: realizar pequenos furtos como forma de protesto político. (Vale a pena conhecer este Hasan Piker, uma espécie de Joe Rogan da esquerda, aqui em conversa com Ross Douthat.)

A palavra “looting” tem uma origem contestada: com origem no hindi, teria servido para designar, no contexto do império britânico, o furto ou a pilhagem feita pelos nativos com o objectivo de a distinguir da “pilhagem” feita pelos ingleses – naturalmente, muito mais civilizada. O termo ter-se-ia depois normalizado em língua inglesa e passou a ser usado, no século XX, para circunstâncias específicas de pilhagem ou saque em contexto de manifestações ou protestos.

A destruição de bens fez sempre parte da história do protesto político (não foi isso que aconteceu com a Boston Tea Party?), mas a palavra “looting” é mais associada a situações como a dos motins de Londres, no verão de 2011, ou a dos protestos após a morte de George Floyd, no verão de 2020, com situações de “looting” que pareciam tudo menos desorganizadas.

O trabalho de Vicky Osterweil, activista anarquista, publicado precisamente em 2020 mas ainda antes desses protestos, permite-nos compreender porquê. Em In Defense of Looting, encontramos um argumento típico da tradição anarquista e que tem tido uma enorme influência nas acções do movimento Antifa: uma resistência pacífica e legal é aqui entendida como uma forma de manter o status quojá a verdadeira resistência deve admitir formas tumultuosas e violentas de protesto e reconhecer que roubar bens e destruir propriedade privada são estratégias legítimas e adequadas de redistribuição de riqueza. O “looting” torna-se um modo de acção política.

Para Nadja Spiegelman, seria possível encontrar precisamente este espírito na nova tendência que pulula nas redes sociais: mas em vez do “looting” violento e agressivo, estaríamos perantepequenas acções de saque” – i.e., “microlooting”. A conversa abre com alguns exemplos: partilhar a senha da Netflix, usar ferramentas que permitam superar a paywall dos artigos de jornal ou, claro, sair do supermercado sem pagar o que levamos.

A admissão de Jia Tolentino de que já o fez em certas condições gerou uma reacção indignada, sobretudo porque a jornalista desvaloriza o acto: na sua opinião, não é politicamente significativo como forma de protesto (trata-se de um acto individualista que carece da dimensão pública, simbólica e colectiva da acção direta anarquista), mas também não é significativo como falha moral. “Não me senti nada mal depois de o ter feito”, admitiu, e a razão é política: as grandes superfícies têm demasiados lucros e pagam muito pouco aos trabalhadores. É mais do que justo que sejam “roubados”. A Climáximo, atenta às tendências norte-americanas, não diria melhor.

E é precisamente este aspecto que Nadja Spiegelman pretende discutir: é que não se trata de “roubar por fome”. As pessoas que publicitam o “microlooting” nas redes sociais fazem-no com raiva e uma justificação moral: “se os ricos não cumprem as regras, por que razão eu o devo fazer?” De outra forma: devemos cumprir as regras e respeitar as leis se o sistema parece injusto e desequilibrado?

Reconheçamos que o termo é bem concebido: trata-se, de facto, de uma micro-acção uma vez que pequenos furtos de loja não têm um impacto real significativo (o preço do bem já inclui este risco). Mas as suas implicações não parecem exactamente “micro”: se aceitarmos que é possível quebrar algumas regras por razões políticas, como poderemos evitar a contínua inclinação do plano moral?

Nos Estados Unidos, esse aspecto é particularmente relevante se tivermos em conta os dados recolhidos recentemente nos inquéritos sobre o apoio à violência política. De acordo com o American Political Perspectives Survey 2025, cerca de 1 em cada 3 adultos jovens (geração Z e Millennials) manifesta apoio à violência política. Mais interessante ainda, o inquérito revela que:

 o apoio à violência política é mais elevado entre aqueles que se identificam como politicamente “muito liberais [de esquerda]”;

as mulheres da Geração Z com orientação liberal mostram-se mais favoráveis à violência política do que os homens da Geração X e da geração Baby Boomer; e

 os norte-americanos com o nível de escolaridade mais elevado são cerca de duas vezes mais propensos a apoiar a violência política do que aqueles com menos escolaridade formal.

Os dados são confirmados pela Gallup:

Será, assim, surpreendente o contínuo apoio expresso a Luigi Mangione (Carsie Blanton, mais uma vez)? E que Hasan Piker, quando confrontado com o assunto, prefira falar de como Brian Thompson, na qualidade de director executivo da United Healthcare, estava envolvido em “social murder”?

É verdade que a moralidade, ao contrário do que os racionalistas nos querem fazer crer, é fortemente contextual: em determinadas circunstâncias estamos dispostos a tolerar coisas que, em abstrato, não aceitaríamos. E o contexto não é irrelevante nos Estados Unidos: como Spiegelman faz notar, em 1965 um CEO recebia 21 vezes mais do que um trabalhador médio, mas em 2024 essa diferença era de 281; por outro lado, a confiança no governo tem caído a pique.

No Reino Unido, e a par do gravíssimo problema de habitação, encontramos uma inflação tão elevada que o governo trabalhista sugeriu durante a semana às grandes superfícies que estabelecessem um limite máximo para bens essenciais. A proposta foi timidamente retirada, mas as pessoas parecem facilmente seduzidas por este tipo de promessas.

O custo de vida que, aos poucos, vai destruindo a coesão social na Europa pode acabar por gerar um contexto em que as regras morais se tornam menos claras e as gerações mais novas se tornam mais dispostas a deitar tudo a perder.

Mas desvalorizar os meios usados por desejarmos os fins políticos que eles prometem pode constituir o mais grave deslize dos nossos tempos: como poderemos estabelecer o que é inadmissível se tivermos destruído o tecido moral em que as sociedades se organizam?

FURTO      CRIME      SOCIEDADE

COMENTÁRIOS:

Américo Silva: Na pós-democracia os números são usados segundo o ditado com a verdade me enganas: Portugal é um dos países mais seguros, mas as pessoas sentem-se inseguras com razão, quem percorreu Lisboa a qualquer hora da noite no tempo da outra senhora e agora, nota bem a diferença; o 25 de Abril melhorou o bem-estar social, mas jovens integrados e com emprego não conseguem constituir família, ficam na casa dos pais e não têm filhos