sábado, 15 de agosto de 2026

RECORDAR É PRECISO

 

Reescrita de tempos idos, que se deseja para nunca mais.


"O 13 DE AGOSTO ABRIU-ME OS OLHOS. JÁ NÃO QUERIA PACTUAR COM AQUILO." O DIA EM QUE BERLIM ACORDOU COM UM MURO

HÁ 65 ANOS, A RDA CONSTRUÍA UMA BARREIRA PARA SEPARAR BERLIM NUMA SÓ NOITE. O OBSERVADOR FALOU COM QUEM CRESCEU AO LADO DO MURO, QUEM FUGIU E QUEM AJUDOU OUTROS A ESCAPAR.

CÁTIA BRUNO: Texto

OBSERVADOR15 ago. 2026, 19:04

ÍNDICE

“Sabem qual é a missão. Marchem”     A “ratoeira” das primeiras horas     A inacção do Ocidente: “Um muro é infinitamente melhor do que uma guerra”     As fugas pelas janelas e a ordem para matar     Um passaporte diplomático português, um esconderijo num tablier e túneis. Os alemães que ajudaram outros a fugir     A vigilância da Stasi, que prendia e torturava os que tentavam fugir     A queda da “parede mágica”     A infância de Detlef Jablonski podia ser um romance de Charles Dickens.

Nasceu em 1955 na prisão de Jerichow, na República Democrática Alemã (RDA), onde a sua mãe estava a cumprir pena. Aos dois meses, foi entregue aos cuidados da família da tia, onde os maus-tratos eram diários. “Eu era tratado como um criado. Fazia as compras, ia buscar carvão, cortava madeira, polia sapatos, fazia as limpezas”, conta ao Observador o alemão, agora com 71 anos. “Se não fizesse o que ela dizia, era açoitado.”

Durante esses tempos, a família recebia habitualmente a visita de uma mulher. O que Detlef não sabia ao início é que se tratava da sua mãe, que entretanto se tinha mudado para Berlim Ocidental, o lado da capital alemã que pertencia à República Federal Alemã (RFA).

Detlef Jablonski

A MÃE DE DETLEF NÃO ERA CASO ÚNICO. AO LONGO DAS PRIMEIRAS DÉCADAS DESDE QUE BERLIM FORA PARTIDA EM DUAS, FICANDO DIVIDIDA NUMA RDA COMUNISTA (SOB A ESFERA DE INFLUÊNCIA DA UNIÃO SOVIÉTICA) E NUMA RFA OCIDENTAL (SOB A ESFERA DE INFLUÊNCIA DE NORTE-AMERICANOS, BRITÂNICOS E FRANCESES), ERA COMUM MUITOS BERLINENSES TROCAREM BERLIM ORIENTAL PELA OCIDENTAL.

O fenómeno intensificava-se e a Alemanha de Leste ia sofrendo uma hemorragia de trabalhadores: entre 1949 e 1961, dois milhões e meio de pessoas atravessaram a linha de demarcação, 80% delas através da fronteira que dividia Berlim. Eram sobretudo trabalhadores qualificados: 7.500 médicos, 1.200 dentistas, centenas de milhares de trabalhadores técnicos, de acordo com os números da historiadora Katja Hoyer.

PROCURAVAM SOBRETUDO UMA VIDA MELHOR NO OCIDENTE CAPITALISTA. À altura, circulava uma anedota que ilustrava as dificuldades na RDA: “Sabiam que Adão e Eva eram na verdade alemães de Leste? Não tinham roupa, tiveram de partilhar uma maçã e faziam-nos acreditar que viviam no Paraíso.”

O contraste entre as duas Berlim não podia ser maior, como testemunhou Burkhart Veigel, que chegou a Berlim Ocidental vindo da Turíngia em abril de 1961 para estudar Medicina. “IA AO TEATRO EM BERLIM ORIENTAL DUAS OU TRÊS VEZES POR SEMANA. DURANTE AS MINHAS VISITAS, NUNCA CONHECI NINGUÉM NO LESTE — PARECIA-ME QUE ALI TODA A GENTE TINHA ‘FECHADO AS PERSIANAS’”, RECORDA AGORA AO OBSERVADOR O MÉDICO DE 88 ANOS. “O FACTO DE TUDO SER MAIS ESCURO DO QUE EM BERLIM OCIDENTAL E DE AS PESSOAS DESVIAREM TIMIDAMENTE O OLHAR QUANDO ME CRUZAVA COM ELAS ERA ESTRANHO. SENTIA-ME SEMPRE ALIVIADO QUANDO ENTRAVA NO S-BAHN DE VOLTA A BERLIM OCIDENTAL.”

DR Burkhart Veigel

QUATRO MESES DEPOIS, TUDO MUDARIA. O LÍDER DA RDA, WALTER ULBRICHT, CONCLUIU QUE A HEMORRAGIA DE HABITANTES NÃO PODIA CONTINUAR. A “OPERAÇÃO ROSA” FOI COLOCADA EM MARCHA, COM O BENEPLÁCITO DO LÍDER SOVIÉTICO, NIKITA KRUSCHEV. TUDO ACONTECERIA NA NOITE DE 13 PARA 14 DE AGOSTO DE 1961, O DIA QUE FICARIA MARCADO NA HISTÓRIA COM UM NOME: STACHELDRAHTSONNTAG, O “DOMINGO DO ARAME FARPADO”.

“Sabem qual é a missão. Marchem”

Apenas dois meses antes, Ulbricht tinha negado qualquer intenção de separar as duas Berlim. “Primeiro-secretário, a criação de uma Berlim neutral, na sua opinião, significa que vai haver uma fronteira no Portão de Brandemburgo?”, questionou uma correspondente de Berlim Ocidental na conferência de imprensa convocada pelo líder, para a qual foram convidados jornalistas da RFA — eram mais de 300 os presentes. “Ninguém tenciona construir um muro”, respondeu Ulbricht.

NÃO ERA VERDADE. À ALTURA, JÁ O PRIMEIRO-SECRETÁRIO ESTAVA ENVOLVIDO EM LONGAS CONVERSAS COM KRUSCHEV SOBRE COMO ESTANCAR A FUGA DE BERLINENSES DA RDA. E já tinha nomeado um homem para tratar dos preparativos: ERICH HONECKER, secretário de segurança do Partido que viria a substituir Ulbricht dali a menos de dez anos.

GettyImages-170985578 Nikita Kruschev e Walter Ulbricht Universal Images Group via Getty

Foi escolhida a noite de 13 para 14 de agosto porque domingo era dia do Kreuzberg Kinderfest, a feira anual para crianças da cidade. “Bandeiras e fitas decoravam a rua estreita, onde crianças de todos os sectores de Berlim riam, brincavam e pediam gelados e bolo aos pais. Das janelas dos apartamentos, adultos babados atiravam rebuçados às crianças no meio da rua”, recorda o jornalista Frederick Kempe no seu livro Berlin 1961: Kennedy, Khrushchev, and the Most Dangerous Place on Earth (sem edição em português).

“DE FORMA A PREVENIR AS ACTIVIDADES INIMIGAS DOS PODERES VINGATIVOS E MILITARISTAS DA ALEMANHA OCIDENTAL E DE BERLIM OCIDENTAL, SERÃO INTRODUZIDOS CONTROLOS NAS FRONTEIRAS DA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA ALEMÃ, INCLUINDO NA FRONTEIRA DO SECTOR OCIDENTAL DA GRANDE BERLIM.”

Documento de Erich Honecker com as ordens para os soldados

ÍNDICE      “SABEM QUAL É A MISSÃO. MARCHEM”      A “RATOEIRA” DAS PRIMEIRAS HORAS      A INAÇÃO DO OCIDENTE: “UM MURO É INFINITAMENTE MELHOR DO QUE UMA GUERRA”      AS FUGAS PELAS JANELAS E A ORDEM PARA MATAR      UM PASSAPORTE DIPLOMÁTICO PORTUGUÊS, UM ESCONDERIJO NUM TABLIER E TÚNEIS.       OS ALEMÃES QUE AJUDARAM OUTROS A FUGIR      A VIGILÂNCIA DA STASI, QUE PRENDIA E TORTURAVA OS QUE TENTAVAM FUGIR      A QUEDA DA “PAREDE MÁGICA”

O primeiro-secretário também fez uma noite de festa. No jardim da sede do Partido, reuniu os mais altos responsáveis políticos e militares da RDA para um buffet que incluía salmão fumado e caviar. Por volta das 22h, pediu aos convidados que se juntassem a ele para “uma pequena reunião”. Entregou-lhes envelopes com instruções escritas sobre a operação que iria transformar o rosto de Berlim, rematadas com “cumprimentos socialistas” por parte de Honecker. “Todos concordam?”, perguntou Ulbricht. NINGUÉM CONTESTOU A DECISÃO.

A ESSA HORA, OS MILITARES REUNIDOS NOS QUARTÉIS JÁ TINHAM TAMBÉM RECEBIDO ENVELOPES COM O MESMO CONTEÚDO E SIDO INFORMADOS DOS DETALHES DA SUA MISSÃO. “DE FORMA A PREVENIR AS ACTIVIDADES INIMIGAS DOS PODERES VINGATIVOS E MILITARISTAS DA ALEMANHA OCIDENTAL E DE BERLIM OCIDENTAL, SERÃO INTRODUZIDOS CONTROLOS NAS FRONTEIRAS DA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA ALEMÃ, INCLUINDO NA FRONTEIRA DO SECTOR OCIDENTAL DA GRANDE BERLIM”, PODIA LER-SE NO DOCUMENTO. À MEIA-NOITE, HONECKER DEU A ORDEM POR TELEFONE: “SABEM QUAL É A MISSÃO. MARCHEM.”

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ERICH HONECKER, QUE VIRIA A SER LÍDER DA RDA, FOI O RESPONSÁVEL PELA "OPERAÇÃO ROSA"

UNITED ARCHIVES VIA GETTY IMAGES

ÍNDICE

“SABEM QUAL É A MISSÃO. MARCHEM”      A “RATOEIRA” DAS PRIMEIRAS HORAS      A INACÇÃO DO OCIDENTE: “UM MURO É INFINITAMENTE MELHOR DO QUE UMA GUERRA”      AS FUGAS PELAS JANELAS E A ORDEM PARA MATAR      UM PASSAPORTE DIPLOMÁTICO PORTUGUÊS, UM ESCONDERIJO NUM TABLIER E TÚNEIS. OS ALEMÃES QUE AJUDARAM OUTROS A FUGIR      A VIGILÂNCIA DA STASI, QUE PRENDIA E TORTURAVA OS QUE TENTAVAM FUGIR      A QUEDA DA “PAREDE MÁGICA”

Uma hora depois, os candeeiros das ruas de Berlim eram desligados. Milhares de soldados e membros da guarda fronteiriça, da polícia antimotim, da STASI (polícia política) e das milícias populares do Estado atiraram-se ao trabalho de construir as barreiras de arame farpado — o regime tinha comprado 150 toneladas a fabricantes na Alemanha Ocidental e no Reino Unido ao longo das semanas anteriores, sem levantar suspeitas. AO MESMO TEMPO, O PROGRAMA “MELODIAS DA NOITE” DA RÁDIO ERA INTERROMPIDO PARA SE OUVIR UM AVISO, RECORDADO PELO DIE WELT: SERIA “INTRODUZIDO UM SISTEMA NA FRONTEIRA COM BERLIM

OCIDENTAL PARA BLOQUEAR DE FORMA SEGURA ATIVIDADES SUBVERSIVAS CONTRA OS PAÍSES DO BLOCO SOCIALISTA”.

CINCO HORAS DEPOIS, 193 RUAS, 68 PONTOS DE PASSAGEM E 12 ESTAÇÕES DE COMBOIO TINHAM SIDO FECHADOS. HONECKER RECEBEU A INFORMAÇÃO DE QUE A MISSÃO ESTAVA CONCLUÍDA E DECLAROU À SUA EQUIPA: “AGORA PODEMOS IR PARA CASA”.

A “RATOEIRA” DAS PRIMEIRAS HORAS

OS PRIMEIROS A PERCEBER O QUE ESTAVA A ACONTECER FORAM OS JORNALISTAS.

Robert MacNeil, correspondente da norte-americana NBC, recebeu um telefonema de um colega em Nova Iorque a perguntar-lhe se sabia o que se passava na fronteira. Vestiu-se a correr e saiu porta fora. “OS ALEMÃES DE LESTE TINHAM PEQUENAS GRUAS COM AS QUAIS ESTAVAM A MOVER ENORMES VASOS DE CIMENTO E A COLOCÁ-LOS NAS ESTRADAS POR BAIXO DO PORTÃO DE BRANDEMBURGO. AO INÍCIO PARECIA UMA PIADA: ESTÃO A FECHÁ-LO COM FLORES”, contou anos depois à PBS. “MAS QUANDO SE OLHAVA PARA O LADO DIREITO, NA DIRECÇÃO DA POTSDAMER PLATZ, PODIA VER-SE QUE ESTAVAM A ERGUER UMA BARREIRA DE ARAME FARPADO DO LADO ESQUERDO DO PORTÃO.”

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Soldados erguem as primeiras barreiras

Getty Images

ÍNDICE        SABEM QUAL É A MISSÃO. MARCHEM         A “RATOEIRA” DAS PRIMEIRAS HORAS      A INACÇÃO DO OCIDENTE: “UM MURO É INFINITAMENTE MELHOR DO QUE UMA GUERRA”      AS FUGAS PELAS JANELAS E A ORDEM PARA MATAR        UM PASSAPORTE DIPLOMÁTICO PORTUGUÊS, UM ESCONDERIJO NUM TABLIER E TÚNEIS.          OS ALEMÃES QUE AJUDARAM OUTROS A FUGIR                A VIGILÂNCIA DA STASI, QUE PRENDIA E TORTURAVA OS QUE TENTAVAM FUGIR                      A QUEDA DA “PAREDE MÁGICA”

Outro norte-americano, Robert H. Lochner (da rádio norte-americana da Alemanha Ocidental RIAS), conduziu por toda a cidade. Numa estação de comboios, viu uma mulher de idade perguntar a um guarda qual o próximo comboio para Berlim Ocidental. “ISSO ACABOU. VOCÊS ESTÃO NUMA RATOEIRA”, RESPONDEU O SOLDADO.

Enquanto amanhecia, os berlinenses começavam a assimilar o que se tinha passado na sua cidade durante a noite. A comunicação com os familiares do outro lado do Muro era impossível, porque as linhas telefónicas tinham sido cortadas. Nas ruas, as multidões acumulavam-se para espreitar para o outro lado da barreira; e, do lado de Berlim Ocidental, muitos outros se juntavam a acenar a amigos e familiares.

O estudante de Medicina Burkhart Veigel estava na Grécia quando tudo aconteceu. Quando as notícias lhe chegaram, teve medo de não conseguir regressar a Berlim Ocidental, mas tudo decorreu sem incidentes à chegada. A revolta, porém, começou a borbulhar dentro de si. “Aqueles idiotas estavam a vedar a fronteira. Não conseguia suportar aquilo”, desabafa, 65 anos depois. “Queria que toda a gente crescesse como eu cresci: podendo discutir tudo, sem tabus, com separação de poderes, imprensa livre, etc.”

“FUGI PARA BERLIM OCIDENTAL NA TERÇA-FEIRA, 15 DE AGOSTO, ATRAVESSANDO A INTERSECÇÃO DA FRIEDRICHSTRAßE COM A KOCHSTRAßE. ESTAVA VESTIDO COM ROUPAS DE VERÃO E NÃO TINHA NADA COMIGO APARTE A MINHA IDENTIFICAÇÃO, ESCONDIDA NAS CUECAS.”

Reinhard Spiller

ÍNDICE      “SABEM QUAL É A MISSÃO. MARCHEM      A “RATOEIRA” DAS PRIMEIRAS HORAS      A INAÇÃO DO OCIDENTE: “UM MURO É INFINITAMENTE MELHOR DO QUE UMA GUERRA”      AS FUGAS PELAS JANELAS E A ORDEM PARA MATAR      UM PASSAPORTE DIPLOMÁTICO PORTUGUÊS, UM ESCONDERIJO NUM TABLIER E TÚNEIS. OS ALEMÃES QUE AJUDARAM OUTROS A FUGIR      A VIGILÂNCIA DA STASI, QUE PRENDIA E TORTURAVA OS QUE TENTAVAM FUGIR      A QUEDA DA “PAREDE MÁGICA”

O mecânico de telecomunicações e morador em Berlim Oriental REINHARD SPILLER também não estava em Berlim quando tudo aconteceu, mas, quando chegou à fronteira vindo de uma viagem para acampar na costa do Mar Báltico, não encontrou uma recepção tão calorosa. “A POLÍCIA DITOU O QUE SERIA O MEU FUTURO: PRIMEIRO, UNS TEMPOS A AJUDAR COM AS COLHEITAS; DEPOIS, SERVIÇO MILITAR OBRIGATÓRIO; SÓ DEPOIS DISSO PODIA VOLTAR A TRABALHAR NA MINHA PROFISSÃO.” A atitude que encontrou, garante ao Observador, era clara: “AGORA ELES JÁ NÃO PODEM FUGIR.”

MAS O JOVEM REINHARD, DE 20 ANOS, ESTAVA DECIDIDO A FUGIR, ATÉ PORQUE HÁ MUITO QUE ERA ACOSSADO PELAS AUTORIDADES PELO SEU ENVOLVIMENTO NUM GRUPO DE JOVENS DE UMA IGREJA. PARA ALÉM DISSO, DESEJAVA ENTRAR NA UNIVERSIDADE PARA ESTUDAR ENGENHARIA E, DE IMEDIATO, PERCEBEU QUE NUNCA TERIA ESSA OPORTUNIDADE SE FICASSE NA RDA. “FUGI PARA BERLIM OCIDENTAL NA TERÇA-FEIRA, 15 DE AGOSTO, ATRAVESSANDO A INTERSECÇÃO DA FRIEDRICHSTRAßE COM A KOCHSTRAßE. ESTAVA VESTIDO COM ROUPAS DE VERÃO E NÃO TINHA NADA COMIGO APARTE A MINHA IDENTIFICAÇÃO, ESCONDIDA NAS CUECAS.” ATRAVESSOU SIMPLESMENTE A PÉ UMA DAS ÁREAS POR ONDE SE PODIA ATRAVESSAR. AO SEGUNDO DIA DE MURO, A MÁQUINA DE CONTROLO AINDA NÃO ESTAVA BEM OLEADA, COMO SE VÊ PELAS MAIS DE QUATRO MIL PESSOAS QUE FUGIRAM PARA OESTE NO PRIMEIRO DIA.

OUTROS NÃO TIVERAM A VIDA TÃO FACILITADA. HARTMUT RICHTER VIVIA COM OS PAIS EM BERLIM ORIENTAL, MAS ESTAVA NA RFA NA NOITE EM QUE O MURO FOI CONSTRUÍDO. OS PAIS TRABALHAVAM NA APANHA DE FRUTA TODOS OS VERÕES E ERA HABITUAL O ADOLESCENTE IR PASSAR ESSES DIAS COM A FAMÍLIA DO PAI, QUE VIVIA EM BERLIM OCIDENTAL. “ESTAVA LÁ QUANDO FECHARAM A FRONTEIRA. O 13 DE AGOSTO ABRIU-ME OS OLHOS. JÁ NÃO QUERIA PACTUAR COM AQUILO”, SENTENCIA.

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Hartmut Richter junto ao que resta do Muro de Berli

AFP via Getty Images

ÍNDICE      “SABEM QUAL É A MISSÃO. MARCHEM”      A “RATOEIRA” DAS PRIMEIRAS HORAS      A INAÇÃO DO OCIDENTE: “UM MURO É INFINITAMENTE MELHOR DO QUE UMA GUERRA”      AS FUGAS PELAS JANELAS E A ORDEM PARA MATAR      UM PASSAPORTE DIPLOMÁTICO PORTUGUÊS, UM ESCONDERIJO NUM TABLIER E TÚNEIS. OS ALEMÃES QUE AJUDARAM OUTROS A FUGIR      A VIGILÂNCIA DA STASI, QUE PRENDIA E TORTURAVA OS QUE TENTAVAM FUGIR      A QUEDA DA “PAREDE MÁGICA”

Ao Observador, não relata os pormenores da sua fuga difícil, que aconteceria cinco anos mais tarde. MAS A HISTÓRIA JÁ FOI CONTADA PELO LE MONDE. NA NOITE DE 26 DE AGOSTO DE 1966, HARTMUT ATRAVESSOU A NADO O CANAL DE TELTOW, COM UM SACO DE PLÁSTICO AO PESCOÇO COM OS SEUS DOCUMENTOS. ESTEVE QUATRO HORAS DENTRO DE ÁGUA. AGORA, AOS 78 ANOS, FALA DE FORMA LACÓNICA SOBRE ESSES DIAS: “FIQUEI MUITO TRISTE POR DEIXAR PARA TRÁS AQUELES QUE ME ERAM MAIS QUERIDOS. DURANTE ANOS, A ÚNICA COISA QUE PODIA FAZER ERA ESCREVER CARTAS — QUE, É CLARO, TAMBÉM ERAM LIDAS PELA STASI.”

(CONTINUA)

Trump em forma

 

Quem pode, pode.

Trump diz que pondera declarar Estreito de Ormuz um "território dos Estados Unidos"

O Presidente dos EUA afirma que pondera declarar o Estreito de Ormuz como "um território dos EUA", depois de "derrotar o Irão".

Texto

OBSERVADOR, 15 ago. 2026, 00:16

Donald Trump prestou declarações à Fox News sobre os planos para o Estreito de Ormuz

BONNIE CASH / POOL/EPA

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O PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS, DONALD TRUMP, AFIRMA QUE PONDERA DECLARAR O ESTREITO DE ORMUZ COMO “TERRITÓRIO DOS ESTADOS UNIDOS” APÓS UMA DERROTA MILITAR DO IRÃO.

“DEPOIS DE DERROTARMOS O IRÃO, QUE ESTÁ A SER DERROTADO DE FORMA MUITO SEVERA, EM BREVE DECLARAREI O ESTREITO DE ORMUZ COMO TERRITÓRIO DOS ESTADOS UNIDOS”, AFIRMOU DURANTE UM DISCURSO NUM CENTRO DE TREINO MILITAR EM NOVA IORQUE, CITADO PELA FOX NEWS.

TRUMP VOLTOU A GARANTIR QUE OS ESTADOS UNIDOS CONTROLAM O ESTREITO DE ORMUZ E QUE O BLOQUEIO NORTE-AMERICANO AOS PORTOS IRANIANOS FUNCIONA COMO “UMA MURALHA DE AÇO”. ALÉM DISSO, PROMETEU FORTES RETALIAÇÕES CONTRA UM ATAQUE DE TEERÃO.

“SE ELES ATACAREM, NÓS RESPONDEMOS DE FORMA CEM VEZES MAIS FORTE”, AVISOU.

O IRÃO RESPONDEU A TRUMP, AFIRMANDO QUE O “ESTREITO DE ORMUZ NÃO PODE SER TOMADO ATRAVÉS DE UM TWEET, NEM ATRAVÉS DE UM PORTA-AVIÕES, NEM ATRAVÉS DE UMA ORDEM, NEM ATRAVÉS DE UM DISCURSO ELEITORAL”. GARANTIU NO X O VICE-MINISTRO IRANIANO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS, Kazem Gharibabadi.

IRÃO      MÉDIO ORIENTE      MUNDO      PRESIDENTE TRUMP      ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA      AMÉRICA      GUERRA      CONFLITOS

 

COMENTÁRIOS:

PAULA BARBOSA: Ahhhhhh Tarzan !!!! Agora é que ele vai partir aquilo tudo. A Guerra das Civilizações (livro obrigatório) está em marcha!

MANUEL RODRIGUES: Pondera?

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Relato


Sobre uma História Pátria – ou Africana - de travessia africana. Ao que parece, ignorada, modestos que somos.

A travessia que nunca ninguém fizera

A primeira travessia da África Austral da história euroafricana e a única missão transcontinental documentada de ida-e-volta é uma proeza em linha com os Descobrimentos.

JOSÉ RIBEIRO E CASTRO Advogado e cidadão

OBSERVADOR, 06 ago. 2026, 00:15

(As mais lidas: EUA. Marines tentam lançar-se ao mar após 9 meses a bordo   Médicos querem rastreio cardiovascular a partir dos 35 anos   Coroa saudita cancela viagem à Madeira   Sábado já há trovoadas, granizo e aguaceiros   Marcelo recebe alta hospitalar. "Sinto-me bem"   Jovem de 15 anos suspeito de matar a mãe em Algés)

A história portuguesa guarda maravilhas por descobrir que custa entender como foram desvalorizadas e, durante séculos, geralmente desconhecidas. O caso é a travessia da África Austral, de costa a costa, de Angola a Moçambique, essa grande epopeia do final do nosso século XIX.  Sempre pensei – como quase todos – que os primeiros grandes feitos deste desígnio pertenceram a Serpa Pinto, Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens, nas décadas 1870 e 1880; e, olhando aos ingleses, a David Livingstone, na década 1850. Também pensei que este propósito surgira apenas na segunda metade do século XIX, no quadro das ideias que desaguaram na Conferência de Berlim, de 1884/85. Não foi assim.

Em Outubro de 2025, participei no lançamento do livro “A PRIMEIRA TRAVESSIA DA ÁFRICA AUSTRAL”, de José Bento Duarte (ed. Perfil Criativo – Edições, 2025) autor que me revelou um facto extraordinário e surpreendente: os heróis da primeira travessia de Angola a Moçambique, e volta, foram dois pombeiros portugueses, angolanos, escravos por sinal, Pedro João Baptista e Anastácio Francisco, que realizaram essa proeza ao serviço de Portugal, entre 1802 e 1814: nove anos à ida (1802-1811) e três anos à volta (1811-1814). Formidável! Meio século antes de Livingstone e 70 anos antes de Serpa Pinto, Capelo e Ivens, já aquela missão portuguesa se iniciara para ser concluída, com êxito total. Foram os luso-angolanos Pedro João Baptista e Anastácio Francisco que realizaram, pela primeira vez, a travessia que nunca ninguém fizera.

Confirmei, depois, que MARIA EMÍLIA MADEIRA SANTOS, historiadora que é uma autoridade na área, relatara também estes factos (embora discretamente), no artigoOs países africanos de língua portuguesa na África do século XIX”, que publicou, em 2008, NO VOLUME VI DA “HISTÓRIA DA HUMANIDADE” (DA UNESCO, PUBLICADA EM PORTUGAL PELA VERBO): «A partir dos finais do século XVIII, a exploração científica ultramarina gozou do apoio oficial da Universidade e da Real Academia de Ciências. Em 1797, o matemático Lacerda e Almeida foi o primeiro cientista português a tentar atravessar África, mas, não possuindo quinino, morreu de febre no Cazembe. Nos finais do século XVIII, os portugueses haviam reunido as condições materiais necessárias para empreender a travessia de África com o envolvimento de homens práticos. Perante as dificuldades dos cientistas, recorreu-se à colaboração de dois pombeiros negros do Cassanje, assimilados pela sociedade luso-africana, ambos com grande experiência de viagens a pé e capazes de manter um diário de percurso. Esta travessia de África foi possível graças aos chefes africanos que abriram os caminhos aos seus irmãos negros, que pediam passagem em nome do Muene Puto, rei de Portugal (1802-1814). O diário dos pombeiros, que viu a luz do dia em 1843, permitiu aos geógrafos europeus preencher espaços em branco até à altura desconhecidos no mapa de África. O governo preocupou-se, então, com a proteção da exploração geográfica, deixada à iniciativa privada durante quase três décadas.» A historiadora apresentara já este feito, de modo mais desenvolvido, na sua obra de 1978,Viagens de Exploração Terrestre dos Portugueses em África”.

No seu livro, JOSÉ BENTO DUARTE relata desenvolvidamente, desde o século XV, a chegada dos portugueses a África e como se estabeleceram em vários pontos da costa ocidental e, depois, na contracosta oriental no Índico, instalando-se onde viriam a formar-se Angola e Moçambique.

O interessantíssimo livro de José Bento Duarte.

Também confirma que o desígnio português de fazer a travessia da África Austral já era, em Portugal, um objectivo científico, académico e político na segunda metade do século XVIII. Relata a viagem preparatória em 1755-56 de Manuel Correia Leitão, sargento-mor dos distritos do Dande, em Angola. Correia Leitão, acompanhado pelo piloto António Grizante, fora mandado pelo novo governador de Angola, António Álvares da Cunha, desbravar as terras para leste da feira do Cassanje, na região de Malanje, então o ponto mais oriental conhecido a partir de Luanda, para reunir informações sobre as terras a atravessar na rota para Moçambique.

A seguir, ainda no século XVIII, o livro narra, desde a preparação com envolvimento político directo do governo em Lisboa, a expedição de Francisco José de Lacerda e Almeida, cientista credenciado e cartógrafo, formado em Matemática pela Universidade de Coimbra. Lacerda e Almeida foi enviado pela Coroa para estabelecer a ligação terrestre entre Rios de Sena (Moçambique) e Angola. Era uma expedição com boa organização e propósito ambicioso. Partindo de Tete, em Julho de 1798, atravessou o interior africano até ao Cazembe (na actual Zâmbia), onde esperava prosseguir para Angola, a oeste. Venceu todas as peripécias até conseguir partir e venceu as dificuldades da viagem; mas o desgaste físico e as doenças impediram-no de cumprir a missão. Em Novembro, morreu no Cazembe, tornando-se símbolo dos limites da exploração científica europeia em África.

JOSÉ BENTO DUARTE encerra o livro com a apaixonante narrativa da primeira travessia terrestre de Angola para Moçambique, por PEDRO JOÃO BAPTISTA e ANASTÁCIO FRANCISCO entre 1802 e 1811 – e regresso a Angola em 1814. Eram pombeiros luso-angolanos, na condição de escravos, pertencentes ao tenente-coronel Francisco Honorato da Costa, governador da feira de Cassanje, experientes nas rotas comerciais do interior africano. Apenas quatro anos depois de Lacerda e Almeida morrer no Cazembe, os pombeiros partiram do lado angolano, no sentido inverso, de Cassanje com destino a Rios de Sena, em Novembro de 1802, enfrentando uma viagem de nove anos, marcada por longas permanências intercalares em territórios africanos, complexas negociações com chefes locais e dificuldades de toda a ordem. Estiveram logo dois anos parados nas terras do rei Bumba (actual leste do Moxico, Angola), de onde seriam resgatados por HONORATO DA COSTA. E o momento decisivo ocorreu, já perto de Moçambique, no Cazembe, onde tiveram de permanecer quatro anos antes de obter autorização para prosseguir. Chegaram a Tete, em 2 de Fevereiro de 1811, demonstrando pela primeira vez a viabilidade da ligação terrestre entre as duas possessões portuguesas. Regressaram a Angola em 1814, assim concluindo uma expedição de cerca de doze anos, no total.

A rota da travessia de Pedro João Baptista e Anastácio Francisco, no percurso de Cassanje (Angola) a Rios de Sena (Moçambique) – 1802-1811. Fonte: Portal da História.

Pedro João Baptista e Anastácio Francisco eram pombeiros experientes, muito habituados ao trato com as populações africanas. Pombeiros eram comerciantes no interior de África, que faziam longas viagens, em que consolidavam valiosas competências de relacionamento: negociar preços, resolver conflitos, conhecer costumes, dominar várias línguas africanas, interpretar protocolos, saber quando oferecer presentes, pedir audiências, reconhecer hierarquias locais. Por isso, PEDRO JOÃO BAPTISTA, homem de confiança de HONORATO DA COSTA (ele mesmo rotinado no trato com chefes africanos), tornara-se num “diplomata comercial”, com qualidades pessoais que explicam o êxito alcançado. O chefe da longa missão não era um cientista, nem um militar, nem um político, nem um embaixador, mas um agente intercultural. Sobreviveu a doze anos de negociações contínuas com chefes locais e soberanos africanos. E, no final, a saída diplomática achada para se libertar da última paragem de quatro anos no Cazembe confirma-o como líder dotado de enorme paciência, respeito pelo protocolo local, capacidade e sensibilidade para compreender interesses políticos e total autocontrolo.

Por outro lado, a esta distância e desconhecendo a cultura do tempo e do lugar, não deixa de impressionar que estes dois escravos não fugissem e, pelo contrário, mantivessem, ao longo de todas as contingências e peripécias, a fidelidade e a determinação no cumprimento da missão que lhes fora confiada ao serviço da Coroa (no dizer do tempo e do lugar, o Muene Puto): fazer a travessia que nunca ninguém fizera. Extraordinário!

BENTO DUARTE relata o remate desta história formidável: o reconhecimento oficial da missão pela Coroa. Depois de regressado a Cassanje, Pedro João Baptista viaja para Luanda, onde é recebido pelo governador como herói. E daqui, em 1815, na fragata “Príncipe Dom Pedro”, foi até ao Rio de Janeiro, onde apresentou os roteiros e documentos da sua formidável viagem. O príncipe regente D. João (pouco depois, rei D. João VI) determinou a criação de uma Companhia de Pedestres, destinada a assegurar a comunicação terrestre entre Angola e Moçambique, nomeando Pedro João Baptista seu Capitão e concedendo-lhe um soldo relevante. Francisco Honorato da Costa foi também recompensado pelos serviços prestados na organização da expedição.

OS FEITOS E ENSINAMENTOS DA VIAGEM DE PEDRO JOÃO BAPTISTA, COMO ANTERIORMENTE DE LACERDA E ALMEIDA (ESTA, NÃO CONCLUÍDA), INFLUENCIARAM DE MODO INSOFISMÁVEL OS FUTUROS EXPLORADORES EUROPEUS, 50 ANOS DEPOIS. Os documentos relativos à missão de Pedro João Baptista foram publicados nos Annaes Marítimos e Coloniaes, publicação mensal da Associação Marítima e Colonial, em 1843 – surge dentro do título geral «Explorações dos Portugueses no Interior da África Meridional», que incluía os «Documentos relativos à viagem de Angola para Rios de Sena». E a documentação da missão incompleta de Francisco Lacerda e Almeida foi publicada nos mesmos Annaes Marítimos e Colonias, em 1844 e 1845. Em Inglaterra, ambas as missões estão publicadas pela Royal Geographical Society, desde 1873, na obra «The Lands of Cazembe. Lacerda’s Journey to Cazembe in 1798… Also Journey of the Pombeiros (…) across Africa from Angola to Tette on the Zambese». Uma atenção internacional que bem merece respeito e comprova a prioridade.

O Portal da História, que publica na internet vários documentos e relatos da viagem dos pombeiros, escreve: «Este relato, traduzido para inglês no ano seguinte à sua publicação, serviu para Livingstone, o missionário escocês que explorou o território entre Angola e Moçambique, preparar as suas viagens.»

Por isso, nesta nossa celebração dos 900 anos de Portugal, não posso deixar de registar e destacar a extraordinária viagem dos luso-angolanos Pedro João Baptista e Anastácio Francisco, entre 1802 e 1814, como a primeira travessia da África Austral da história euroafricana. É também, ao que hoje sabemos, nessa época, a única missão transcontinental documentada de ida-e-volta realizada por uma mesma expedição no interior da África Austral – todas as outras foram só num sentido. É, na verdade, uma grande proeza da História de Portugal – e da História de Angola também.

Uma proeza em linha com os Descobrimentos, “por mares nunca dantes navegados”: eles próprios travessias que nunca ninguém fizera.

[Os artigos da série Portugal 900 Anos são uma colaboração semanal da Sociedade Histórica da Independência de Portugal. As opiniões dos autores representam as suas próprias posições.]

Portugal 900 anos História Cultura

COMENTÁRIOS:

M: m b

Do que aqui se relata é ou não possível inferir que instituições e regimes de escravidão podem ser social e politicamente funcionais e desempenharem um papel positivo?

E que é historicamente factual que tais instituições foram efectivamente social e politicamente funcionais e contribuíram positivamente para o desenvolvimento da espécie humana? E que só isso pode explicar o facto de tais instituições e regimes cedo terem surgido na história da humanidade e persistido universalmente até épocas recentes?

Meio Vazio: Do (para mim) enigmático José Bento Duarte nada soube até 2018 quando uma filha, sabendo-me fascinado  pela Idade Média na Ibéria, me fez chegar às mãos o soberbo "Peregrinos da Eternidade" (Lisboa, Ed. Estampa, 2003) - que releio repetidamente com acrescido proveito e prazer - e de quem não mais tinha tido referência até hoje. Obrigado, José Ribeiro e Castro, pela oportunidade do reencontro.

Francisco Almeida: É mais um triste sintoma do que se passa no ensino em Portugal que esta primeira travessia de África, seja universalmente desconhecida. Para mim foi uma surpresa total e, em conhecimentos históricos do passado português, considero-me um pouco acima da média.

Sr Leão: Muito esclarecedor e oportuno. Ignorava que tivesse havido tentativas anteriores a Serpa Pinto, Capelo e Ivens.

Américo Silva: Bem lembrado, sobretudo num tempo em que ser portuguès, ou francês, ou inglês, e mais, é só circunstância e conveniência.