segunda-feira, 16 de março de 2026

Recordar é viver

 

Por isso ficamos gratos a quem se debruça sobre autores que passaram também na nossa formação literária, os autos e as farsas vicentinas dando-nos a conhecer formas literárias e costumes naturalmente inscritas na sua própria época, as personagens não deixando de possuir traços de carácter afinal de todo o sempre. Por isso, Gil Vicente, arcaico na forma, não deixa de apresentar na sua obra características que o imortalizaram, na nossa História Literária.

 

Plano Nocional de Leitura (XLIV)

É no carácter remoto que está a maravilha única das peças de Gil Vicente, misturas de entretém, cerimónia religiosa, feira agrícola, charada, e propaganda.

MIGUEL TAMEN Colunista do Observador, Professor (e director do Programa em Teoria da Literatura) na Universidade de Lisboa.

OBSERVADOR15 mar. 2026, 00:211

O problema principal com o teatro de Gil Vicente (1465? – 1536?) é que praticamente nada do que escreveu é hoje reconhecível como teatro.  Como no caso da música clássica, ou do romance, chamamos teatro a trezentos e cinquenta anos miraculosos, e, com menos razão, a alguns apêndices gregos, aqui e ali; foi esse milagre, que começou cinquenta anos depois de Gil Vicente, que produziu o que para todos os efeitos é hoje reconhecido como teatro pelas pessoas que vão ao teatro.

Quando quase trinta anos depois da sua morte, em 1562, se publicaram as obras de Gil Vicente, chamou-se ao livro simplesmente ‘Compilação’.  Foi dividido em “obras de devoção”, “comédias”, “tragicomédias”, “farsas” e “obras miúdas.” A maioria das peças transcritas no livro tem porém títulos que sugerem animais pré-históricos: ‘auto,’ ‘pranto,’ ‘romagem,’ ‘monólogo,’ ‘diálogo,’ ou ‘exortação.’  São no total quase cinquenta peças, e terão sido escritas em menos de trinta anos; a média é shakespeariana, mas a obra não tem nada a ver com Shakespeare.

Das peças de Gil Vicente haverá menos de dez que são regularmente representadasEntre as mais famosas algumas foram primeiro consideradas obras de devoção.  Embora a maior parte do teatro que ainda se escreve seja também constituído por obras de devoção, as peças de Gil Vicente ocorrem quase só em festas de liceu, associações recreativas e teatros nacionais.   O que o público retém delas são algumas expressões salazes (“samicas de caganeira”), e o ritmo enervante da redondilha maior, que faz lembrar um corridinho do Algarve.  Por vezes, como se diz, “saem” em exames.

Ao procurar trazer Gil Vicente para uma noção reconhecível de teatro, sublinha-se com ansiedade a relevância política e moral daquilo que escreveu.  A Farsa de Inês Pereira anunciaria costumes incertos e adultério serialO Auto da Índia argumentaria contra a expansão portuguesa e a Índia epónima.  E o Auto da Barca do Inferno levantaria objecções sérias a fidalgosMas o esforço para extrair relevância não é compensado pelos proveitos.  A quem interessa ainda a Índia, os fidalgos e o adultério?   Quem, no fundo, terá farelos?  Não é o reconhecimento dos nossos problemas que faz do teatro teatro.  Rei Édipo não é relevante para ninguém, como já não era para o pobre Édipo.

É no carácter remoto que está a maravilha única das peças de Gil Vicente.  Todas são sempre em proporções incompreensíveis misturas de entretém, cerimónia religiosa, feira agrícola, charada, e propagandaNaquele tempo as pessoas não iam ao teatro: não havia bilhetes, arrumadores, encenadores e autarquias; mas no século V também ninguém ia realmente ver o Rei Édipo. É com Sófocles e não com Shakespeare que se deve comparar Gil Vicente. Não obstante, como as missas de requiem nos concertos e os Jogos Olímpicos na televisão, persistimos em imaginar-lhe relevância; e Gil Vicente tornou-se por desleixo o pai fundador do teatro português.

COMENTÁRIOS:

Jorge Casaca. Bom dia escrever sobre redondilhas maiores em redondilhas maiores é muito bom.

domingo, 15 de março de 2026

Sem tréguas


E sem piedade. Digo, naturalmente, o sentido do humor de AG, de uma acuidade crítica ímpar, na análise dos esgares assumidamente sérios de Seguro, dadas as suas novas – e nobres – responsabilidades de encaminhamento de uma nação, por pequena que seja.

 

Caídos no chão comum: o Facebook do presidente Seguro

O dr. Seguro pertence à vasta escola de políticos que, na escassez de substância, trocam as ideias que não possuem por vocábulos soltos e clichés desavergonhados.

ALBERTO GONÇALVES Colunista do Observador

OBSERVADOR,14 mar. 2026, 00:24140

 “Ao contrário de Marcelo, Seguro usa redes sociais para comunicar enquanto presidente”, informa o Público com provável entusiasmo. E depois desenvolve: “Nos últimos dias, o Presidente [a maiúscula é deles] tem recorrido às suas contas no Instagram, TikTok e Facebook (…) para divulgar a agenda presidencial, publicar vídeos e fotografias das visitas oficiais e partilhar momentos de contacto com a população.”

Em princípio, tudo o que seja o “contrário” do prof. Marcelo é bom. O problema surge quando percebemos o significado de “comunicar” para o Público e, pior, para o dr. Seguro. Não investiguei a conta de Sua Excelência no Instagram, cuja mecânica ignoro, nem no TikTok, que nem sei bem o que é. Mas fui à página dele no Facebook. E estou aqui para testemunhar. Ou, como se diz na Internet, se eu vi vocês também têm de ver.

Segunda-feira, 9 de Março (após a tomada de posse)

“Assumo hoje, perante vós e perante o povo português, a honra e a responsabilidade de servir Portugal como Presidente da República. Saúdo todos os portugueses. Fico eternamente agradecido pela confiança que depositaram em mim para vos servir como Presidente: Presidente de Portugal inteiro e Presidente de todos os portugueses, vivam em Portugal ou no estrangeiro.”

A estreia do novo PR é ambígua. Por um lado, num texto pequenino farta-se de repetir palavras (Portugal, portugueses, Presidente – sim, ele é igualmente dado às maiúsculas) e a sugestão de que é nosso serviçal. Em compensação, não recorre ao medonho truque do “portuguesas e portugueses”, o que é um sinal de esperança.

Segunda-feira, 9 de Março (convívio com “populares” [?])

“Que alegria ver estes jardins cheios de vida, de sorrisos e de boa disposição. Uma Presidência próxima e com as portas abertas às pessoas. Vamos repetir estes momentos muitas vezes.”

Mau! As maiúsculas alastram à própria “Presidência”. Por azar, o esforço de solenidade contrasta com o resto, que parece genuína e comoventemente escrito por uma criança. Começa a impor-se a impressão de que o presidente, perdão, Presidente Seguro não é dado a reflexões excessivamente profundas.

Segunda-feira, 9 de Março (imagem com a família)

“Trago-vos uma palavra de esperança. Acreditem em Portugal. Na minha visão de Portugal, todos contam e cada um tem um papel a desempenhar. É urgente recuperarmos o sentido de comunidade e restaurar o nosso chão comum que nos permite viver em harmonia uns com os outros. Onde cada geração acrescente qualidade de vida à geração dos seus pais.”

Avisei há pouco para a profundidade das reflexões. Agora faço notar a frontalidade: o dr. Seguro está falar especificamente de quê? Da pobreza? Da insegurança? Da desigualdade? Do medo? Da imigração? Dos independentistas açorianos? Cada frase vem recheada de uma indulgência tão genérica que se torna aplicável a tudo, o que é o mesmo que não se aplicar a nada.

Segunda-feira, 9 de Março (confraternização com “jovens”)

“A minha geração via o futuro como uma avenida larga. Muitos jovens hoje sentem que têm pela frente uma rua estreita. Isso não pode ser o destino do nosso país. Quero construir uma verdadeira coligação com os jovens. Uma parceria aberta, onde possamos ouvir mais, recolher ideias e pensar juntos o país que queremos para os próximos anos. Portugal tem recursos e tem talento. Mas, acima de tudo, tem a capacidade de definir o seu futuro.”

Ai, ai. A referência ao “chão comum” do “post” anterior já indiciava uma tendência preocupante para o lirismo dos pacotinhos de açúcar. As ruas e as avenidas deste “post” confirmam os maiores receios. A parte divertida é a mistura dos arremedos “poéticos” com a língua de pau da baixa política: a “rua estreita” desagua sem pausa nem escrúpulos em “coligações” e “parcerias” (“abertas”, para distinguir das fechadas). Quanto ao conteúdo, parece que o dr. Seguro tenciona “pensar o país” com a miudagem. Não fica esclarecido como é que isso funcionará, mas os resultados prometem. Acrescento que, já na geração do dr. Seguro, a avenida era bastante mais larga para quem se enfiava cedo nas juventudes partidárias.

Terça-feira, 10 de Março (na aldeia de Mourísia)

“A Mourísia precisa – e o interior exige – de respostas da política. Sobretudo quando se fazem promessas de apoio, é importante que as promessas sejam concretizadas.”

O dr. Seguro promete fazer com que se “concretizem” as promessas. Veremos como estará Mourísia – e o interior – daqui a 5 anos. Ou não veremos, porque não nos lembraremos de tal coisa. Louva-se a brevidade do “post” e a ausência de metáforas.

Terça-feira, 10 de Março (em Guimarães)

“A geração que aqui fundou Portugal lutou pela independência, pela liberdade e pela afirmação de um povo. A nossa geração enfrenta outro desafio, proteger o planeta, responder às alterações climáticas e garantir às novas gerações um futuro sustentável. Guimarães mostra que esse caminho é possível.”

O facto de o dr. Seguro achar que uma guerra pela autonomia dinástica visou a “libertação de um povo” é revelador de dois ou três pormenores, e nenhum abona em favor de Sua Excelência. Saltar daí para as “alterações climáticas” é uma proeza ainda mais espantosa. Se compreendi bem, e de certeza que não, o caso de um fidalgo que bateu na mãe há 900 anos serve de exemplo aos que hoje combatem o degelo dos pólos. Anoto ainda a cautelosa falta de referências às acções de D. Afonso na expulsão dos árabes, que pelos vistos não serve de exemplo à nossa geração.

Terça-feira, 10 de Março (na Casa da Música, no Porto)

“Iluminada no exterior com as cores nacionais; aquecida no interior com os corações dos portuenses; alegrada pela dança e pela música de artistas de excelência; marcada, pelo longo aplauso, em pé. de todas as pessoas que encheram a sala principal; cantada pelo hino nacional à capela. Que noite. Muito obrigado à cidade Invicta.”

Não comento a pontuação, excepto para dizer que é moderna. Quanto ao texto em geral, julgo que já o lera algures: em quatrocentos sites autárquicos, a descrever “certames patentes” nas respectivas “localidades”. Muito bonito, escusado acrescentar.

Quarta-feira, 11 de Março (regresso, julgo que apenas virtual, a Guimarães)

“Ao ser reconhecida como Capital Verde Europeia 2026, Guimarães afirma algo profundamente português. A capacidade de honrar o passado sem deixar de construir o amanhã.”

Estou sem palavras. Infelizmente, o dr. Seguro não está.

Quarta-feira, 11 de Março (talvez em Guimarães, a cronologia desta página de FB é caótica)

“As alterações climáticas, que infelizmente têm devastado Portugal, precisam de ser combatidas. E uma das necessidades que temos é que cada um perceba que tem uma responsabilidade individual, para além de assumir essa responsabilidade colectiva.”

O que devastou algumas regiões de Portugal foram os ventos e a chuva, ou seja o clima. Não foram as “alterações climáticas”. A influência do eng. Guterres, mentor do dr. Seguro, prepara-se para marcar (ia escrever “manchar”) a presidência, caramba, a Presidência do homem. Na obsessão com a meteorologia e na propensão para o vácuo, donde afinal é viável nascer. Não tarda, dedica-se a discorrer acerca de Gaza.

Quarta-feira, 11 de Março (outra vez na câmara do Porto: uma página tão novinha e já tão desorientada)

“O Porto é uma afirmação de carácter, uma forma de estar na história e no mundo. Neste nosso Porto, permitam-me assim, nosso Porto, cidade de pedra firme e coração aberto, cruzam-se tempos, povos e vontades.”

Há mais banalidades sem sentido neste “post” do que letras. Não é fácil produzir um parágrafo assim. Mas comprova-se que não é impossível. O dr. Seguro pertence à vasta escola de políticos que, na escassez de substância, trocam as ideias que não possuem por vocábulos soltos e clichés desavergonhados. A habilidade funciona para quem dispuser de idêntico, digamos, quadro mental. O que Sua Excelência diz sobre o Porto poderia ser dito sem prejuízo ou abalo sobre qualquer cidade de Portugal, quiçá do mundo. E este é o melhor teste à nulidade de um discurso.

A julgar pela amostra, há pelo menos uma promessa que o dr. Seguro vai “concretizar”: um mandato repleto de palavreado oco. Ou dois mandatos, pois tudo indica que, apesar de não prometer despir-se em público, será um presidente popular. Desculpem: um Presidente Popular.

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Alertas activos

ANTÓNIO JOSÉ SEGURO      PS      POLÍTICA

 

COMENTÁRIOS (de 140)

Ricardo Gonçalves: Este cronista é só o melhor cronista português. Vale a assinatura. Por vezes, parece que me rouba os pensamentos. Quem me dera ter um por cento do talento deste escriba. Por outro lado, fiquei a saber que o Seguro tem Tique-toque. Que infantil. Ridículo.                     Miguel Sanches: Já faltava uma crónica para começar o sábado a soltar gargalhadas. Muito bom. O senhor de Belém é mesmo a vacuidade que se previa.             ana rita: É sempre bom não esquecer que 66% dos portugueses votaram e se identificam com esta parolice. Afinal os "portugueses" (a grande maioria) são isto.              Albino Mendes: Elogio a coragem do Alberto Gonçalves, ao ir consultar a previsível "conversa para boi dormir" do dr. Seguro, no fb. Confesso que eu não tenho tamanha coragem. Mais um grande trabalho do Alberto Gonçalves 👍                     José Paulo Castro: A única questão é se o Dr. Seguro combina bem com as cortinas do Palácio de Belém. Combina ? Então, os discursos também. Ninguém esperava mais: é um adereço do regime.                   Tim do A: A via larga que a geração de Seguro via era o governo de Cavaco. A via estreita que a actual geração vê, foi o produto dos governos socialistas de Costa. 

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sábado, 14 de março de 2026

Alerta

 

Um susto, estes tempos nossos, de gozo e apatia relativamente ao mundo a que se sujeita. Por quanto tempo mais?

 

Não é o fim, mas pode ser o princípio do fim

No Reino Unido, criticar o Islão pode agora ser crime. Voltaire teve esta semana a sua maior derrota num país ocidental. Talvez só Trump o possa salvar

RUI RAMOS Colunista do Observador

OBSERVADOR, 13 mar. 2026, 00:25112

Para muita gente, o que está em causa no Irão é apenas a presidência de Donald Trump num ano de eleições legislativas intercalares nos EUA. Os inimigos de Trump, com esperança, mas também alguns dos seus partidários, com apreensão, encaram a guerra como um erro fatal. Por isso, só conseguem ver como os mullahs podem vencer. Por exemplo, prolongando e alargando a guerra, de maneira a provocar uma crise económica que os eleitores de Trump não lhe perdoarão.

É possível que isto aconteça? É. O Irão vive sob uma ditadura apocalíptica que, como o Hamas em Gaza, não terá problemas em sujeitar o país a todas as destruições, à espera que Trump se inquiete com os custos da guerra e desista, ou que os Democratas, vitoriosos nas eleições de Novembro, o obriguem a desistir. Mas tem de ser assim? Não tem. O objectivo dos EUA e de Israel é acabar com o Irão como fonte de ataques de mísseis e de terroristas. Isso pode ser obtido mudando o regime, ou privando-o de meios. Não é impossível. A população iraniana, como se viu em Janeiro, ressente a ditadura de um clero que vê como arabizado. O Irão está sem defesa aérea, o que tem permitido a americanos e israelitas destruir os seus recursos militares sistematicamente. Isolou-se, ao atacar os países vizinhos e bloquear o estreito de Ormuz. Nem a China e a Rússia impediram que fosse condenado no conselho de segurança da ONU.

Trump pode perder, mas também pode ganhar. Porque é que tão pouca gente admite isso? Por duas razões. Primeiro, porque os críticos da economia de mercado e da democracia liberal criaram no Ocidente uma cultura de derrotismo que contrabalança a sua superioridade tecnológica e financeira. Assenta na ideia de que, por mais recursos que o Ocidente tenha, falta-lhe força moral, por exercer uma “opressão” capitalista sobre o mundo. Os “oprimidos” estariam destinados a vencer. Segundo, porque os políticos ocidentais estão habituados a permitir-se tudo, inclusive usar derrotas no exterior para marcarem pontos uns contra os outros nas suas lutas domésticas. Como neste caso: o que interessa é que Trump vá abaixo, e por isso não importa que os mullahs ganhem.

Importa, sim. Essa nonchalance fazia sentido quando o Ocidente era tão predominante que nenhum revés podia abalar esse domínio. Já não é assim. Há outras potências a emergir no mundo. O Ocidente acolheu muitas populações vindas do exterior, e a sua assimilação depende também da força que for capaz de demonstrar. Uma vitória do Irão seria aproveitada pelos radicais islâmicos para assinalar aos muçulmanos no Ocidente que não têm de se integrar em sociedades afinal decadentes, mas subvertê-las. Foi o que já começaram a conseguir no Reino Unido, ao obterem, a pretexto da “islamofobia” e portanto só a favor do Islão, uma potencial proibição da blasfémia. Voltaire teve esta semana a sua maior derrota num país ocidental. Talvez só Trump o possa salvar.

A guerra com o Irão vai definir o resto do século XXI. Uma vitória dos EUA e de Israel confirmará a supremacia do Ocidente e dos seus valores, e uma vitória da ditadura clerical iraniana o seu declínio. Pode não ser o fim, mas talvez seja o princípio do fim. Terá o Ocidente força moral e histórica para lutar e vencer?  É verdade que a civilização ocidental é apenas uma entre outras civilizações. Não quer dizer que não devamos defendê-la como aquilo que valorizamos e nos define. Também é verdade que nenhuma civilização durou sempre, e a das democracias ocidentais talvez acabe um dia. Não quer dizer que não devamos fazer todos os esforços para prolongar o que tem sido e ainda é um dos grandes momentos da humanidade. Temos esse direito – e esse dever.

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