terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Mais panorama sombrio

 

Se prepara no mundo. Valha-nos… Trump?


Trump, Irão e a arte de negociar com porta-aviões

Trump aposta que a pressão levará Teerão a concessões; Teerão aposta que a resistência prolongada levará Washington a aceitar compromissos imperfeitos; o resto do mundo observa, ansioso, a coreografia

JOSÉ ANTÓNIO RODRIGUES DO CARMO Coronel "Comando"

OBSERVADOR, 09 fev. 2026, 00:1711

 

A propósito das actuais negociações entre os EUA e o Irão a pergunta que se repete nos corredores diplomáticos, nos estúdios televisivos e nas redacções é inescapável: Trump prepara-se para atacar o Irão ou está apenas a encenar a ameaça como instrumento negocial?

A dúvida nasce de uma estratégia que mistura sinais militares, retórica excessiva, fugas selectivas de informação e uma ambiguidade diplomática que já se tornou a marca desta administração americana.

Caos ou aparência de caos?

Observadas com alguma distância, as peças encaixam-se num padrão de coerção negocial, típico da  história recente da política externa americana:  Trump ameaça, amplifica o tom, exige tudo, desloca meios militares, cria a sensação de iminência e, no exacto momento em que se começa a acreditar que a escalada é inevitável, regressa à mesa das negociações proclamando vitória antes mesmo de a negociação começar. A força não surge como destino, mas como argumento.

A retórica pública do presidente norte-americano aponta nesse sentido. Insiste que Teerão “tem de voltar à mesa”, promete que qualquer ataque futuro será “muito pior” do que os anteriores e fala de “armadas” em deslocação para a região com grande exuberância verbal. Mas, na prática, não há ainda nenhum compromisso operacional inequívoco. Apenas a linguagem e a gesticulação de quem quer intimidar, não a de quem já decidiu avançar. Os grandes primatas fazem isso e nós compreendemos esse tipo de sinais, estão nos nossos arquétipos.

Os objectivos declarados dos EUA são os mesmos de sempre: travar o programa nuclear iraniano, limitar o desenvolvimento de mísseis balísticos, conter a rede de proxies regionais que permite a Teerão projectar poder sem consequências e, eventualmente, derrubar o regime. Os do Irão são exactamente os opostos, todos ao serviço do grande objectivo de hegemonia regional.

É revelador que não exista uma declaração formal de mudança de regime como objectivo oficial, nem um plano anunciado para desmantelar a Guarda Revolucionária, o verdadeiro núcleo do poder político, económico e militar da República Islâmica.

Nos bastidores, é verdade, circulam cenários mais musculados. Fala-se de ataques selectivos a infra-estruturas nucleares, de operações cirúrgicas contra elementos-chave da Guarda Revolucionária, até de tentativas indirectas de reacender protestos internos. Mas a história recente e o “modelo venezuelano” aconselham cautela perante este tipo de teorias. Derrubar sistemas entrincheirados e evitar o caos que se segue, exige muito mais do que bombardeamentos e muito mais do ir e vir.

É aqui que os actores regionais introduzem uma dose de realismo. Israel, Arábia Saudita, Emirados e Turquia sabem que o poder aéreo, por si só, raramente derruba estruturas políticas profundamente ideologizadas e militarizadas. O Irão não é um Estado frágil sustentado apenas por uma elite isolada; é um sistema com profundidade territorial, vastos recursos humanos e uma estrutura de poder (Guarda Revolucionária), desenhada para sobreviver a choques externos e internos. Um ataque limitado dificilmente produziria a implosão desejada por alguns em Washington. Mais provavelmente, consolidaria a coesão interna do regime sob a narrativa clássica da agressão estrangeira.

Teerão, aliás, joga o seu próprio jogo assente no velho cinismo persa de mostrar os dentes enquanto se estende a mão. Multiplica declarações públicas de desafio e ensaia demonstrações militares destinadas ao consumo interno, mas mantém discretamente abertos os canais diplomáticos. Não ignora a ameaça americana, mas comporta-se como quem calcula que essa ameaça é, acima de tudo, um instrumento negocial.

Existe ainda um factor frequentemente subestimado nas análises mais alarmistas: a opinião pública americana.

As sondagens mostram de forma consistente que o apoio a uma intervenção militar de larga escala contra o Irão é frágil e condicionado. Falar em impedir o acesso iraniano a armas nucleares, é comestível; aventar uma guerra prolongada, escalada regional ou botas no terreno, é indigesto, especialmente para o povo MAGA.

E, com Trump ou sem Trump, nenhuma administração americana sustenta um conflito sério sem apoio sólido doméstico que, aliás, evapora rapidamente ao primeiro aumento do preço do combustível ou à visão de ataúdes cobertos com a Stars and Stripes.

A análise operacional reforça a mesma conclusão. Muitos dos alvos estratégicos iranianos encontram-se profundamente enterrados, protegidos por sistemas de defesa dispersos e integrados em redes de comando redundantes. Neutralizá-los exige campanhas prolongadas, operações combinadas e um nível de compromisso político e militar que, neste momento, não parece existir. E abriria muito provavelmente a porta a retaliações regionais: ataques contra bases americanas, contra infra-estruturas energéticas do Golfo, contra aliados de Washington e, naturalmente, contra Israel. A guerra deixaria de ser um golpe cirúrgico ao estilo de Caracas, e passaria a ser um processo longo, caro e penoso, porque o Irão tem de facto muitos dentes para morder durante muito tempo.

Mas a pressão americana sobre o dossier nuclear, destapa uma curiosa contradição. Há poucos meses, Trump proclamava que os bombardeamentos anteriores tinham “obliterado” as capacidades nucleares iranianas. A explicação mais plausível é que os ataques degradaram capacidades, mas não eliminaram o programa, e Teerão reconstruiu parte do que foi destruído com maior rapidez do que se esperava. A retórica de vitória total terá sido, pois, mais uma dança de vitória de Trump, para evitar ter de ir até ao fim.

As peças do puzzle são estas:

Trump gesticula e ameaça como negociador coercivo; alguns cenarizam rupturas históricas; outros amplificam as fragilidades do regime iraniano; aliados regionais pedem prudência; o público americano permanece reticente; os custos potenciais de uma guerra aberta são avassaladores; o desfecho é incerto.

Quando colocadas lado a lado, o quadro torna-se consistente: Não se trata de uma guerra iminente, mas a de uma negociação conduzida sob pressão máxima.

Há 6 anos, Trump escreveu que “os iranianos nunca ganharam uma guerra, mas nunca perderam uma negociação”. A frase, à época recebida como mais uma das suas provocações retóricas, paira hoje como um comentário involuntariamente irónico sobre a situação actual. Porque, se é verdadeira, a pergunta é óbvia:  por que razão regressar à mesa negocial precisamente quando o regime iraniano parece atravessar um dos seus momentos de maior fragilidade interna e externa?

A única diferença para agora é realmente a pressão militar

O que significa que o risco de incidentes militares está lá. A história mostra que a combinação de forças armadas em prontidão, retórica agressiva e canais diplomáticos frágeis, pode gerar choques inesperados. Golpes limitados, acções calibradas ou demonstrações de força destinadas a reforçar a credibilidade das ameaças permanecem perfeitamente plausíveis e a escalada também.

Mas nenhum dos actores quer isso e confundir essa possibilidade com a preparação de uma guerra regional de larga escala é, pelo menos por agora, um erro de análise. O que vemos é menos a marcha inevitável para o conflito e mais um clássico exercício de negociação à sombra do poder militar. Trump aposta que a pressão levará Teerão a concessões; Teerão aposta que a resistência prolongada levará Washington a aceitar compromissos imperfeitos; e o resto do mundo observa, ansioso, esta coreografia de ameaças e sinais.

Se a “normalidade” prevalecer, o desfecho será provavelmente menos dramático, no curto prazo, do que muitos pensamos: negociações arrastadas, episódios ocasionais de tensão militar cuidadosamente controlada, compromissos ambíguos apresentados como vitórias históricas e uma instabilidade regional que continuará a avançar por ciclos até chegar ao momento em que o Irão obtenha uma arma nuclear. Nesse dia abre-se a Caixa de Pandora. Alguns países da região já estão a contar com isso e a preparar-se também para ir às compras de artefactos feitos com material físsil de grau militar.

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COMENTÁRIOS (de 11)

lvaro Venâncio: Claro, profundo e elucidativo, como sempre. Obrigado.                graça Dias: Mais um artigo excelente, em que o Senhor Coronel José António do Carmo através da sua lente, submete os factos irrefutáveis a uma análise tão funesta, brilhante, actual e reveladora.  Manifesto o meu obrigada, pois interpretar o tão complexo xadrez político numa região de tantos perigos,  em que se cruzam interesses políticos com fundamentalismos religiosos, não é para todos. ps. muito lamento todo o sofrimento do povo iraniano, onde milhões sofrem às mãos de um regime de terroriiisstaaas tiranos e sanguinários.         Paradigmas Há Muitos!: Só digo que se eu fosse Trump ao ler declarações hiper provocadoras que o Khamenei e o PM do Irão fazem constantemente contra o Grande Satã eu teria dito ao Pentágono, "Por mim basta. Fogo à vontade. Tratem-lhes da saúde!". Quanto às divergências "irreconciliáveis" entre muçulmanos sunitas e chiitas e quem são aliados ou não e quem corre riscos ou não, o grande princípio em geo política da minha santa mãe é: "podem ter muitas diferenças entre eles mas quando é contra nós estão todos de acordo". Talvez alguém devesse alertar Trump para isto!                  Df: Muito boa análise. Se os aiatolas ultrapassarem esta crise ilesos, é certo que chegam à bomba atómica. Lá terão os israelitas de continuar a tentar atrasar o desfecho (quase) inevitável.                 drumond freitas: Brilhante exposição sobre o tema! Adorei a imagem do Sr Trump associada à dança dos grandes primatas...perfeitos-

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Desde


O “Timeo Danaos et dona ferentes”, (pronunciadas por um tal Lacoonte a respeito do cavalo urdido pelos gregos que os anjinhos dos troianos levaram para dentro das suas muralhas - mau grado o aviso do tal Lacoonte, sacerdote - de Apolo, leio na Internet – e por o ser, naturalmente esperto, dono de estudos, mesmo sem serem em latim – e cavalo esse que foi causa da destruição de Tróia, pois no seu ventre - digo, do cavalo em madeira, julgo que não discriminada esta - se escondiam os guerreiros gregos que destruiriam Tróia - dez anos passados desde o começo da guerra – esta forjada pelo rapto, pelo troiano Páris, da belíssima Helena esposa de Menelau, rei de Esparta … Desde essas alturas, pois, comprovado o sentido da frase latina, julgo que lida em algum trecho da Eneida nos tempos recuados do liceu, como um dos casos das mundanais notícias ainda que só livrescas – que ganhei admiração pelas capacidades humanas sobretudo viris, já que as mulheres eram reconhecidamente distinguidas pela sua beleza, mau grado outras figuras femininas enternecedoras como uma tal Antígona e o seu amor fraterno, ou mesmo a tal Penélope, espertalhona a urdir a teia – que desfazia à noite – para evitar comprometer-se com algum dos seus pretendentes, vinte anos passados sem ver Ulisses, mas conservando-se casta e esperta para escapar àqueles tais pretendentes, ajudada ainda pelo filho Telémaco que partiu em busca do pai Ulisses que por essas alturas já devia andar por aqui, por Lisboa cujo nome deriva do seu… Ulissipone… 

Todo este arrazoado evocativo para confirmar o apreço pelo de PATRÍCIA FERNANDES, de argumentação e referência que nos estimula e por isso lhe estou grata. Sim, o homem branco é evoluído qb., e desde sempre inventor de mitos, para explicar o mundo, mas sempre construindo objectos e artifícios para o elevar – quando não destruir, segundo conveniências próprias. Sem grandes escrúpulos por vezes, hoje - e sempre - bem reais e não mitológicos, e a Mulher o acompanha já, conquistadas as suas competências, não a ferro e fogo, mas com as suas próprias argúcias e maneirismos. Sim, tudo isto de criatividade é belo, só o não é tanto da maldade que também se fabrica e que se vai tentando remediar, Homem e Mulher seres que, afinal, se completam naquilo que é possível e divergem naquilo que é necessário… para melhor, talvez, se completarem…

A culpa do homem branco

Apesar de parecer atraente, a culpa do homem branco é perversa: senti-la (e manifestá-la) cria a ilusão de que nos tornamos moralmente melhor; na prática, estimulamos os piores instintos do ser humano

PATRÍCIA FERNANDES Professora na Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho

OBSERVADOR, 09 fev. 2026, 00:18

1Recontar os mitos

Regressemos a Odisseia. Lembramo-nos com facilidade das aventuras e provações de Ulisses durante a viagem e, provavelmente, do modo como ele matou os pretendentes que, em Ítaca, abusavam da hospitalidade, ocupando o seu palácio enquanto aguardavam a decisão de Penélope. Até nos podemos lembrar daquele que é considerado o momento mais emotivo do texto: que o seu velho cão foi o único a reconhecê-lo quando chegou a Ítaca e que esperava o dono para morrer. Mas nunca nos lembramos das escravas.

Aquelas doze escravas que terão desonrado Ulisses envolvendo-se com os pretendentes. Essas sobre as quais Ulisses diz a Telémaco:

devereis abater as escravas com as longas espadas, até que a vida as abandone e se esqueçam dos prazeres de Afrodite, que provaram, deitadas em segredo com os pretendentes.”

Essas que Telémaco, em vez de matar com a espada, colocou em fila com uma corda à volta do pescoço:

Espernearam um pouco, mas não durante muito tempo.”

É sobre esta imagem que Margaret Atwood escreve a sua Odisseia de Penélope. Sobre as escravas que foram julgadas por Ulisses como se fossem livres de resistir ao poder dos homens. Como se tivessem outra hipótese. do céu, trono e rua com donas andaste, teus zelos calmaste nós menos pecados tínhamos do que tu e mal nos julgaste”.

Também nos lembramos com facilidade de Circe como a feiticeira que transforma os homens em porcos, magia que encerra a condição humana num corpo degradante como um escafandro do qual não conseguem escapar. E Ulisses aparece, assim, na nossa memória como aquele que é capaz de dominar a feiticeira e restabelecer a ordem.

Briton Riviere, Circe and the Companions of Ulysses (1871)

Mas quando lemos Madeline Miller, podemos olhar para Circe de outro modo. Como uma mulher que vive sozinha numa ilha, onde por vezes atracam barcos cheios de homens dispostos a deixar claro quem é a parte frágil daquela história. A magia de Circe aparece, agora, como uma defesa, a única defesa possível de quem é fisicamente mais fraco. E isso permite-nos compreender melhor Circe. A verdade é que,

 Quando passava pela pocilga, os seus amigos fitavam-me com expressões suplicantes. Gemiam e guinchavam, enterrando os focinhos na terra. Lamentamos muito, lamentamos muito. Lamentam terem sido apanhados, dizia-lhes. Lamentam terem pensado que eu era fraca, e terem-se enganado.

Afinal, os mitos foram sempre contados pelos homens.

2A culpa como arquétipo

Não é por isso surpreendente que o universo da literatura mitológica tenha sido invadido, nos últimos anos, por autoras mulheres que escrevem a partir da perspectiva de BriseidaClitemnestraAriadneMedusaElectraCircePenélope. São perspectivas distintas sobre as mesmas histórias que enriquecem o caleidoscópio pelo qual vemos o mundo, mas que não devem servir para promover aquilo que Bradley Campbell e Jason Manning designaram como “cultura de vitimização”.

De acordo com esta forma de pensar, que apresenta a realidade como uma luta permanente entre opressores e oprimidos, “a vítima” adquire, por si só, um valor moral – simplesmente por ser percepcionada como “oprimida”. Os incentivos sociais tornam-se evidentes: todos aqueles que puderem, de alguma forma, reivindicar “o lugar de vítima” adquirem um valor especial e moralmente melhor, pelo que a multiplicação da “vitimização” se torna inevitável.

Este mecanismo perverso tem vindo a ser estudado nos últimos anos e é particularmente incentivado pela dinâmica das redes sociais. Mas o fenómeno conexo mais curioso é o modo como tantos homens interiorizaram, e tão facilmente, “a culpa do homem branco”.

É a lógica identitária em funcionamento: assumimos a nossa pertença a um determinado grupo (i.e., aos homens brancos), passando a decorrer dessa assunção uma culpa colectiva (i.e., independente dos nossos actos individuais) por possíveis injustiças passadas (i.é., sobre as quais não temos qualquer responsabilidade). Analiticamente, este raciocínio parece absurdo. Porque tem sido, então, tão eficaz?

Por um lado, os estudos mais recentes de psicologia evolutiva ajudariam a explicar por que razão a culpa desempenha um papel tão importante em termos sociais: se evoluímos para nos tornarmos seres morais, a culpa serviria para promover comportamentos socialmente exigidos. Outros levantam a hipótese de a eficácia resultar da cultura cristã que dá forma ao Ocidente: a culpa seria uma espécie de arquétipo cultural que facilitaria o desencadear do argumento identitário.

A verdade é que o sentimento de culpa acompanha muitos fenómenos da vida humana – mesmo sem existir uma relação causal lógica. Pensemos no muito conhecido livro de Elisabeth Kübler-Ross, Sobre a Morte e Morrer, que nos ensina que o sentimento de culpa é um dos sentimentos mais comuns entre os familiares daqueles que morrem de cancro (i.e., que morrem de uma doença em que não há… culpados). A mente humana é, de facto, uma coisa estranha – tal como é enigmática a culpa do homem branco. Mas os seus efeitos são muito mais perversos.

3A culpa do homem branco

Lembrei-me da força deste mecanismo depois de ouvir o maestro Martim Sousa Tavares repetir de modo fastidioso nos últimos episódios do seu Encontro com a Beleza como as mulheres tinham sido prejudicadas no passado (não me interpretem mal: o meu coração ainda dói pelo fim do programa). É realmente surpreendente como, mesmo quando não fizeram nada de errado, tantos homens se sentem movidos por um sentimento de culpa que os leva ao desconforto com o seu “lugar de privilégio” e, consequentemente, a sentirem necessidade de assumir publicamente algum tipo de punição social.

A sinalização de virtude, que nos últimos anos invadiu o espaço público, visa cumprir precisamente essa função: se reconhecermos publicamente a nossa condição de privilégio poderíamos redimir a nossa culpa. E seria por essa razão que as pessoas se sentem tão bem quando “sinalizam virtude”: sentem-se menos culpados.

Mas será este comportamento socialmente vantajoso? Vale realmente a pena entrar na toca do coelho do argumento identitário? Ou, por outras palavras, a culpa do homem branco torna o mundo realmente melhor?

Arrisco, em três pontos, uma resposta negativa.

Por um lado, a culpa do homem branco incentiva os “oprimidos” a adoptar uma atitude de permanente vitimização, que os leva a interpretar todos os insucessos como resultado de “injustiça” ou “discriminação”, sem considerar a possibilidade de erros pessoais, fragilidades próprias ou mera casualidade. A consequência é sermos levados a entrar numa espiral de ressentimento que perpetua os problemas em vez de sermos incentivados a realizar o processo de aperfeiçoamento pessoal de que todos precisamos.

Por outro lado, a culpa do homem branco leva os homens a adoptar um comportamento de condescendência e paternalismo que, ao contrário do desejado, menoriza as outras identidades como se as mulheres e os negros fossem coitadinhos com necessidade de um salvador. Em sentido contrário, é possível falar sobre mulheres autoras sem cair no discurso da vitimização e menorização.

Por fim, a narrativa identitáriacom todo aquele vocabulário atraente do “género”, do “Sul Global”, do “privilégio”, da “opressão”, da “vitimização” – tem efeitos socialmente destrutivos: por um lado, activa o lado mais tribal do nosso cérebro, encerrando-nos em identidades, o que dificulta o pensamento universalista; por outro lado, impõem-nos uma visão do mundo que é de luta permanente entre essas identidades, o que impossibilita a cooperação social. Ao invés de resolver o problema, a narrativa identitária agrava-o.

Apesar de parecer atraente, a culpa do homem branco é perversa: senti-la (e manifestá-la) cria a ilusão de que nos tornamos moralmente melhor; na prática, estimulamos os piores instintos do ser humano. No final, as ferramentas que o velho liberalismo moral nos deixou acabam por se revelar muito mais úteis.

 

IGUALDADE       SOCIEDADE       HOMEM        WOKISMO       CULTURA       LITERATURA

Acontecimentos históricos


(Ou outros), do nosso foro luso: As eleições presidenciais, cerca de cinquenta anos após as primeiras, da reviravolta inesperada por muitos, apetecida por muitos mais.

Em directo: Ventura assume derrota mas quer ser líder da direita. Seguro diz que vitória "não é ajuste de contas", mas é especial. Mas promete honesta colaboração e parece sincero, gostei de o ouvir.

Ventura falara numa "subida significativa" no número dos seus votos e quer assumir-se como líder da direita. Também gostei do seu discurso e hoje até votei nele, porque foi o único, ontem, a referenciar os retornados, de tempos idos, entre os quais me incluí, de cambulhada para cá, no avião, com os cinco filhos entre os dois e os dezasseis anos - os quais retornados se perderam ou ganharam, então, por aí. Mas eu tive sorte, com a família que inicialmente me acolheu, e posteriormente com o trabalho que me ajudou a aligeirar os pesos da existência, o marido continuando ainda por lá, na nossa ainda colónia, no seu trabalho e nas arrumações das bagagens possíveis, a enviar para cá. Marido que hoje está doente e em tratamento, com a ajuda nossa e a minha gratidão pelo Quim, meu genro, que regularmente o conduz ao Hospital, para a injecção salvadora. Sinto-me piegas a falar nisto tudo, mas é com lágrimas que o faço. Enquanto evoco, uma vez mais, tudo o que passou à história.

Cinquenta anos são muitos, governantes vários nos dirigiram, outros estão hoje disputando-se, outros mais virão, que poderei não vir a conhecer. A televisão, além do Público – do fim-de-semana - que a minha irmã me fornece – dão-me a conhecer – ligeiramente, contudo, mais entretida com as crónicas do António Barreto, do José Pacheco Pereira, da Teresa de Sousa e tantos outros colaboradores desse Público de fim-de-semana, o que vai acontecendo por aí, com as suas opiniões de escrita ricamente distinta e esclarecedora. Não sei por que motivo enveredei pelas confissões que a ninguém interessam, de uma vida como tantas outras ou apenas diferente, mas da mesma matéria humana. Julgo que é o medo por motivos de saúde, pese embora a consciência da ínfima importância das vidas, sobretudo quando assisto televisivamente às imagens de gente que a guerra matou, ou de crianças, a caminhar, lá pelas partes do oriente, em busca de comida…

Que Seguro governe o melhor possível, isso sim! Sem batota.

Pedro Raínho

Texto

Momentos-chave

Há 4mMontenegro acredita que colaboração e "parceria" com Seguro vai garantir "estabilidade política"

Há 6mViseu: Seguro também sai vencedor com 64% dos votos

Há 7mSeguro diz que "esta vitória tem sabor muito especial" mas não é "nenhum ajuste de contas"

Há 8mDistrito da Guarda: Seguro vence com 66% dos votos

Há 8mMontenegro já falou com Seguro e promete "cooperação" construtiva e "positiva"

Há 9mSeguro ganha o distrito de Viana do Castelo com 65% dos votos

Há 11mFesta na terra do futuro Presidente da República. "Não tivemos rei de Penamacor, mas temos Presidente!"

Há 11mSeguro vence Bragança com 61% dos votos

Há 17mVentura assume que quer "liderar do espaço da direita" em Portugal "a partir de hoje"

Há 19mCarneiro: "É a vitória de um socialista de sempre, mas sobretudo de um Presidente de todos"

Há 19mSeguro: "O povo português é o melhor povo do mundo"

Há 20mVentura avisa Governo: se ficar com um resultado superior à AD em 2025, haverá uma "reconfiguração do espaço de direita"

Há 22mViana do Castelo é o primeiro distrito a fechar e dá vitória a Seguro com 64,7%

Há 24mVentura deseja a Seguro um "mandato muito bom em prol de Portugal"

Há 26mVentura fala numa "subida significativa" no número de votos, mas admite: "Não consegui vencer as eleições"

Há 27mVentura vence no concelho madeirense de São Vicente, onde Chega ganhou câmara em outubro

Há 30mAlbufeira: Seguro vence concelho com autarca do Chega com 51% dos votos contra 49% de Ventura

Há 36mVentura ganha Elvas por 159 votos

Há 40mVentura perde o Entroncamento (onde o presidente da Câmara é do Chega) para Seguro

Há 1hSeguro vence Penamacor — a terra natal — com 82% dos votos

Há 1hPedro Pinto: "Não ganhámos, na vida é assim, umas vezes ganha-se, outras perde-se"

Há 1hProjecções dão vitória a António José Seguro entre 67 a 73%. Ventura fica-se pelos 27 a 33%

Há 1hSilêncio profundo na sede do Chega em reação às primeiras projeções

Há 1hGritos de vitória na sede de candidatura de Seguro

Há 1hProjecção da Now: António José Seguro obtém vitória entre 67 a 72%

Há 1hProjecção RTP: Seguro eleito Presidente com votação entre 68% e 73%

Há 1hProjecção da SIC/TVI dá vitória a Seguro entre 67% e 71,4%

Há 1hLuís Montenegro vai reagir ao resultado das eleições enquanto primeiro-ministro, a partir das 20h30

Há 1hCarneiro vai às Caldas para cumprimentar Seguro

Há 1hResultado da abstenção é "positivo perante as circunstâncias", diz Ventura

Há 2hDirector de campanha de Seguro diz que portugueses mostraram "resiliência" e "disseram sim à democracia"

Há 2hProjecções das televisões apontam para abstenção entre 37,5% e 48%

Há 2hRui Paulo Sousa em reacção às projecções da abstenção: "A vitória vai ficar decidida hoje sem dúvida nenhuma"

Há 2hProjecção da RTP (Católica) aponta abstenção entre os 42% e os 48%

Há 3hProjecção da CNN e da SIC Notícias coloca abstenção entre 37,5% e 42,5% no território nacional

Há 3hMiguel Albuquerque mostra-se "preocupado" com desafios do futuro Presidente

Há 4hAfluência às urnas até às 16h00 atingiu os 45,50% dos eleitores

Há 8hVentura já votou: “É dia de fazer a democracia acontecer, mas “é um desrespeito mandar as pessoas votar num dia como hoje”

Há 9hMariana Leitão: "é muito importante ter uma democracia saudável"

Há 9hAguiar-Branco: Marcelo "esteve sempre à altura" do cargo

Há 9hCavaco Silva já votou e pediu a união dos portugueses para fazer frente às tempestades

Há 10hAntónio José Seguro já votou: "Não deixem que escolham por vós, saiam de casa e venham votar"

Há 10hAntónio José Seguro vota

Há 11hAutarca de Leiria já votou: a democracia "não pode ser abalada por calamidades"

Há 11hPaulo Raimundo já votou: “Já estava decidido. Foi chegar, cruzar e meter lá dentro”

Há 11hCotrim apela a participação: "Se for possível, venham votar"

Há 12hDistância de menos de oito pontos percentuais na primeira volta

Há 12hAs horas de votação dos dois candidatos

Há 13hOito concelhos com eleição limitada (ou sem poder votar este domingo)

Actualizações em directo

José Carlos Duarte 

Projecções dão vitória a António José Seguro entre 67 a 73%. Ventura fica-se pelos 27 a 33%

As projeções reveladas há momentos mostram uma vitória expressiva de António José Seguro, que deverá obter um resultado entre 67 a 73%. Por sua vez, André Ventura fica-se por um resultado entre os 27 a 33%.

Projeção RTP

António José Seguro — 68 a 73%

André Ventura — 27 a 32%

Projeção SIC/TVI

António José Seguro — 67 a 71,4%

André Ventura — 28,6 a 33%

Projeção Now

António José Seguro — 66,8 a 71,8%

André Ventura — 28,2 a 33,2%

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Há 4m20:55 Mariana Lima Cunha

Montenegro acredita que colaboração e "parceria" com Seguro vai garantir "estabilidade política"

Montenegro continua dizendo que a colaboração será a “nota dominante”, que garantirá estabilidade política em Portugal, conjuntamente com económica e social, neste período que se abre de “três anos e meio sem eleições nacionais” e que assim pode garantir a execução do programa do Governo, “com ele trazendo a resolução de muitos dos problemas que afligem os portugueses”, do acesso à saúde pública à educação.

Reafirma a intenção de reformar o Estado, para atender a solicitações mais rápido e também de forma mais eficiente, e também para deixar às próximas gerações um território “cuidado e com sustentabilidade ambiental”.

Os próximos três anos e meio, diz, serão a altura de todos poderem estar “com o sentido de cumprirem as garantias” que deram ao povo: todos os órgãos de soberania estão legitimados, do Governo que foi duas vezes a votos, ao Presidente e ao Parlamento. Aqui o povo português terá representação e “esperança” de ver os problemas resolvidos, e Governo e Presidente serão “parceiros.

Há 5m20:55 João Paulo Godinho 

Vitória de Seguro com 59,2% no distrito de Portalegre

António José Seguro conquistou o distrito de Portalegre nesta segunda volta das eleições presidenciais com 59,2% (29.900 votos). André Ventura ficou com 40,8% (20.616 votos).

A taxa de abstenção foi de 42,8% nesta segunda volta, mais dois pontos percentuais face à votação de 18 de janeiro. Registaram-se ainda 2,7% de votos brancos e 1,7% de votos nulos.

Há 6m20:54 José Carlos Duarte 

Viseu: Seguro também sai vencedor com 64% dos votos

Em Viseu, os votos também já estão todos contados. António José Seguro saiu vencedor no distrito com 64,05% dos votos, enquanto André Ventura obteve 35,95%.

O número de votos em branco foi de 2,96%, enquanto os nulos foi de 1,66%.

Na primeira volta, António José Seguro já tinha vencido o distrito de Viseu (30,03%) e André Ventura tinha ficado em segundo (25,77%).

Há 7m20:53 Rita Tavares

Seguro diz que "esta vitória tem sabor muito especial" mas não é "nenhum ajuste de contas"

Ainda durante o caminho, em declarações aos jornalistas, António José Seguro vai recusando responder já às perguntas que lhe são feitas, ainda assim reconhece que esta vitória “tem sabor muito especial”.

Confrontado por uma jornalista se este é também um ajuste de contas, depois de ter sido derrotado, há 11 anos, na liderança do PS por António Costa, Seguro diz que não há “nenhum ajuste de conta: eu só olho para o futuro”.

Há 8m20:52 José Carlos Duarte 

Distrito da Guarda: Seguro vence com 66% dos votos

A contabilização dos votos já foi finalizada no distrito da Guarda. António José Seguro ganhou com 65,85% dos votos, ao passo que André Ventura angariou 34,15%.

O número de votos em branco foi de 2,48%, enquanto os nulos foi de 1,93%.

Na primeira volta, António José Seguro já tinha vencido o distrito (35,71%) e André Ventura tinha ficado em segundo (24,72%).

Há 8m20:52 Mariana Lima Cunha 

Montenegro já falou com Seguro e promete "cooperação" construtiva e "positiva"

Luís Montenegro reage agora no Porto, dizendo que o povo português deu uma grande demonstração de maturidade cívica pelo alto nível de participação das eleições “mesmo nas regiões que vivem grandes adversidades”, apesar do mau tempo. Agradece aos autarcas, que ajudaram a “criar condições” para que tudo acontecesse normalmente.

Dirige “uma palavra de felicitação” a Seguro, com quem já falou (e também com André Ventura, “candidato vencido”). A Seguro garantiu “toda a disponibilidade para trabalharmos em prol do futuro de Portugal, com espírito de convergência”, “cooperação”, “sentido de servir Portugal e o povo português de forma construtiva e positiva, cada um ao nível da responsabilidade que a Constituição atribui”.

Há 9m20:50 José Carlos Duarte 

Seguro ganha o distrito de Viana do Castelo com 65% dos votos

A contabilização dos votos já terminou no distrito de Castelo Branco. António José Seguro venceu com 64,68% dos votos, ao passo que André Ventura angariou 35,32%

O número de votos em branco foi de 3,54%, enquanto os nulos foi de 1,68%.

Na primeira volta, António José Seguro já tinha vencido o distrito (28,73%) e André Ventura tinha ficado em segundo (24,61%).

Há 11m20:49 João Paulo Godinho 

Seguro sai vencedor no distrito de Vila Real com 63,5%

António José Seguro soma nova vitória noutro distrito, ao conseguir 63,5% dos votos em Vila Real, com André Ventura a obter 36,5% nesta segunda volta das eleições presidenciais.

Na votação da primeira volta, Seguro tinha também sido o candidato mais votado, então com 30,8%, ao passo que Ventura tinha registado 26%.

A abstenção na segunda volta foi de 50,5% no distrito, mais 1,8 pontos percentuais do que no primeiro turno. Houve 2,8% de votos brancos e 1,8% de votos nulos.

Há 11m20:49 João Gama 

Festa na terra do futuro Presidente da República. "Não tivemos rei de Penamacor, mas temos Presidente!"

 DIOGO FARIA REIS/OBSERVADOR

20:00 em ponto em Penamacor, olhos colados à televisão até ao relógio bater a hora certa. Uma noite fria lá fora e vidros embaciados do café jardim, onde se montou uma festa entre os apoiantes do filho da terra.

Depois – aplausos, vivas e brindes com um espumante, cuja rolha é disparada assim que são conhecidas as primeiras projeções. Sempre com a memória de que António José Seguro, o presidente eleito da República, é de Penamacor. Um acordeão e um bombo juntam-se à festa, assim como uma tarja onde se pode ler “Penamacor 100% Seguro”.

“Não tivemos o rei de Penamacor, mas temos o presidente de Penamacor!” E os brindes seguem esta ordem: “Viva o Presidente, Viva Portugal, Viva Penamacor”. Seguro venceu no concelho de Penamacor com perto de 82% dos votos. André Ventura não foi além dos 18%. Na freguesia homónima o resultado foi ainda mais equilibrado. Seguro conseguiu 88% dos votos. Ou melhor, o “Tozé” conseguiu, porque em Penamacor não há quem chame António José Seguro pelo nome.

 DIOGO FARIA REIS/OBSERVADOR

Quem nasceu e cresceu em Penamacor celebra uma terra que fica no mapa como “terra presidencial”. E comenta-se, enquanto se brinda, que o “Presidente quando vier à terra pode trazer pastéis (de Belém)” DIOGO FARIA REIS/OBSERVADOR

 

Há 11m20:49

José Carlos Duarte 

Seguro vence Bragança com 61% dos votos

A contabilização dos votos já terminou no distrito de Bragança. António José Seguro venceu com 60,85% dos votos, ao passo que André Ventura angariou 39,15%

O número de votos em branco foi de 2,57%, enquanto os nulos foi de 1,87%.

Na primeira volta, António José Seguro já tinha vencido o distrito (30,79%) e André Ventura tinha ficado em segundo (27,93%).

Há 12m20:48 Rita Tavares 

Seguro já chegou ao centro cultural das Caldas onde fará a declaração de vitória

No centro cultural das Caldas da Rainha grita-se “vitória” e “Portugal” quando António José Seguro entra no edifício. Há muita gente a recebê-lo — tal como a 18 de janeiro, há sobretudo caidadãos anónimos”.

Há 16m20:44 João Paulo Godinho

Ventura deixa fugir concelho de Pombal para Seguro nesta segunda volta

Os eleitores do concelho de Pombal, um dos mais fustigados pelo mau tempo nas últimas semanas, deram este domingo a vitória a António José Seguro, com 62,5% da votação, depois de ter obtido apenas 23,4% na primeira volta.

André Ventura tinha conseguido vencer neste concelho no dia 18 de janeiro, com 25%, mas desta feita ficou com 37,5%.

Há 17m20:43 José Carlos Duarte 

Ventura assume que quer "liderar do espaço da direita" em Portugal "a partir de hoje"

André Ventura assumiu que, “a partir de hoje”, quer ser “o líder da direita”.

O líder do Chega argumentou que representou, nestas presidenciais, o “espaço não socialista nas presidenciais” e, se obtiver um resultado maior do que a Aliança Democrática em 2025, terá de “liderar esse espaço não socialista”

André Ventura destacou também que a sua candidatura foi “contra o sistema”.

Há 19m20:41 Miguel Pereira Santos 

Carneiro: "É a vitória de um socialista de sempre, mas sobretudo de um Presidente de todos"

José Luís Carneiro disse que a vitória de António José Seguro desta noite é uma “vitória da esperança sobre o ressentimento”. O secretário-geral do PS admitiu que esta “é, em primeiro lugar, uma vitória de António José Seguro” mas também uma vitória de “todos os humanistas”, nomeadamente “dos socialistas”.

“É a vitória de um socialista de sempre, mas sobretudo de um Presidente de todos para todos. Como Mário Soares e Jorge Sampaio será um Presidente para todos os portugueses”, assegurou Carneiro.

Depois, o líder do PS disse que o partido “está disponível para contribuir para alguns consensos fundamentais para a vida do nosso país”, nomeadamente aqueles que “o novo eleito Presidente da República trouxe para a campanha”.

De seguida, enviou um aviso a Luís Montenegro: “O Governo tem sobre si uma grande responsabilidade. Só não responderá aos problemas dos portugueses se continuar a insistir na insensibilidade, na arrogância e no distanciamento.”

Enviou também uma mensagem de agradecimento ao Presidente cessante. “Nem sempre estivemos de acordo, mas seria de uma grande injustiça não deixar uma palavra de reconhecimento ao senhor Marcelo Rebelo de Sousa.” E enviou ainda uma mensagem pessoal ao vencedor desta noite: “Um abraço de um amigo que lhe deseja as melhores felicidades.”

Há 19m20:40 Rita Tavares 

Seguro: "O povo português é o melhor povo do mundo"

“O povo português é o melhor povo do mundo. Excelente”, São as primeiras palavras de António José Seguro depois das projeções que lhe dão a vitória nestas presidenciais.

O candidato diz que os portugueses mostraram “uma responsabilidade cívica enorme” e também “apego aos valores da democracia”. Seguro saiu agora da sua casa, acompanhado da mulher e dos filhos, para ir até ao centro cultura das Caldas da Rainha, mesmo ao lado.

Vai sendo questionado pelos jornalistas, durante o percurso, e vai dizendo que quer falar dentro do centro cultural, mas diz que já recebeu muitas mensagens e telefonemas e que o seu “objetivo é servir o país e os portugueses”.

Pelo caminho, algumas pessoas que o vão cumprimentando referem-se já a Seguro como “senhor Presidente”. O candidato lembra que partiu dos 6%: “É fantástico, é muito bonito”.

Há 20m20:40 José Carlos Duarte 

Ventura avisa Governo: se ficar com um resultado superior à AD em 2025, haverá uma "reconfiguração do espaço de direita"

André Ventura ressalvou que ainda é preciso a “magnitude” da vitória das eleições, assim como a “transferência de votos”. E deixou o aviso ao Governo: “Tudo indica que esta candidatura poderá estar acima do Governo”.

O líder do Chega referia-se à vitória da Aliança Democrática nas eleições legislativas de 2025. “Tudo indica que esta candidatura poderá acima do Governo”.

Isso seria uma “reconfiguração do espaço de direita”. “Temos de ver agora o que vai acontecer com a distribuição exata do número de votos”, disse.

Há 22m20:38 João Paulo Godinho 

Viana do Castelo é o primeiro distrito a fechar e dá vitória a Seguro com 64,7%

distrito de Viana do Castelo é o primeiro a fechar a contagem de votos nesta segunda volta das eleições presidenciais, terminando com a vitória de António José Seguro com 64,7% da votação. André Ventura somou 35,3% dos votos nas 213 freguesias do distrito.

A abstenção no distrito foi de 45,1%, mais 2,3 pontos percentuais do que na primeira volta.

Há 24m20:36  José Carlos Duarte 

Ventura deseja a Seguro um "mandato muito bom em prol de Portugal"

“A confirmar-se estes resultados”, André Ventura afirmou que vai desejar a António José Seguro um “mandato muito bom em prol de Portugal” e desejar-lhe-á “parabéns”.

“Temos diferenças de opiniões, de ideias e de formas de vida, mas quando o povo fala, o povo soberano. Se o povo escolheu Seguro, Seguro será Presidente e que seja um bom Presidente”, afirmou André Ventura.

Há 26m20:34 José Carlos Duarte

Ventura fala numa "subida significativa" no número de votos, mas admite: "Não consegui vencer as eleições"

O presidente do Chega, André Ventura, declarou que “não conseguiu vencer as eleições” a confirmar-se os resultados das projeções.

Em declarações à saída da Igreja de São Nicolau onde assistiu à missa, o líder do Chega disse, no entanto, que é necessário “perceber qual é o equilíbrio da distribuição de votos e da distribuição das opções das pessoas”.

André Ventura reconheceu que houve uma “subida significativa” dos votos face às “legislativas e à primeira volta”.

O líder do Chega frisou que tentou “fazer uma linha de alternativa para mudar o país com um tipo de presidência diferente”.