sábado, 21 de março de 2026

Papel

 

Um produto valioso mesmo para os Trumps da coragem enriquecida pela esperteza megalómana (igualmente saloia), própria de outro animal qualquer – mas poderá ser o mesmo tigre - com que ele próprio se pretenda definir na sua escrita, após a conquista ardilosa do seu importante mundo governativo...

 

Em directo/

 "Cobardes". Trump diz que "sem os EUA, a NATO é um tigre de papel"

Irão avisa que não haverá "parques, zonas de lazer e destinos turísticos" dos inimigos de Teerão seguros em todo o mundo. Trump chama cobardes aos aliados da NATO.

JOANA MOREIRA: Texto

MANUEL NOBRE MONTEIRO: Texto

Actualizado Há 3h

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Getty Images

Momentos-chave

Há 8mSeguro convoca Conselho Superior de Defesa Nacional

Há 1hEstados Unidos vão enviar mais três navios e 2500 fuzileiros para o Médio Oriente

Há 2hKremlin ofereceu-se para parar de fornecer informações militares ao Irão se os EUA fizessem o mesmo com a Ucrânia

Há 2h"O inimigo foi derrotado". Líder Supremo do Irão proclama vitória sobre EUA e Israel

Há 3hPortugal está "perto dos critérios" para declarar crise energética, diz ministra do Ambiente

Há 4hPelo menos sete mortos em ataques russos em todo o território ucraniano nas últimas 24 horas

Há 4h"Cobardes". Trump diz que "sem os EUA, a NATO é um tigre de papel"

Há 4hIsrael diz que também matou chefe dos serviços secretos da milícia Basij nos ataques de segunda-feira

Há 5hIrão avisa que "parques, zonas de lazer e destinos turísticos" dos inimigos de Teerão em todo o mundo já não serão seguros

Há 5hGoverno espanhol reduz de 21% para 10% o IVA sobre os combustíveis e a electricidade, confirma Sánchez

Há 5hEspanha prorroga congelamento do valor das rendas

Há 6hSánchez anuncia "redução drástica" dos impostos sobre a energia

Há 6hEspanha "está mais bem preparada do que qualquer outro país da região para enfrentar choque energético", diz Sánchez

Há 6hSánchez reitera o "não à guerra" e anuncia investimento de 5 mil milhões de euros para atenuar consequências do conflito no país

Há 6hGasóleo vai subir 12 cêntimos por litro, mesmo com travão fiscal. Gasolina aumenta 7,4 cêntimos

Há 6hMacron confirma apreensão de petroleiro da frota fantasma russa pela Marinha francesa

Há 6hUcrânia envia unidades de intercepção para proteger infraestruturas críticas em cinco países no Médio Oriente

Há 7hSuíça anuncia suspensão de exportações de armas para os Estados Unidos

Há 7hRússia convoca embaixador israelita para apresentar protesto formal após jornalistas russos terem sido atacados no sul do Líbano

Há 7hBahrein já interceptou mais de 140 mísseis e 240 drones desde o início da guerra

Há 7hIrão está sem internet há quase 500 horas

Há 7hOrbán defende oposição a empréstimo da UE à Ucrânia e apela à retoma das importações de petróleo russo

Há 8hGoverno espanhol deverá reduzir de 21% para 10% o IVA sobre os combustíveis

Há 8hEUA estarão a ponderar acção militar na ilha iraniana de Kharg para pressionar reabertura do Estreito de Ormuz

Há 8hIrão avisa Reino Unido que disponibilização de bases militares aos EUA será considerada como "participação numa agressão"

Há 9hPreço do petróleo recua quase 2% após declarações de Netanyahu sobre a guerra

Há 9hPorta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica morto em ataques aéreos dos EUA e de Israel, reporta imprensa iraniana

Há 9hIsrael admite a possibilidade de ter tropas no terreno no Irão

Há 9hExército israelita afirma ter atacado alvos do governo sírio após ataques a civis

Há 10hIsrael lança nova onda de ataques "no coração" de Teerão

Há 10hVon der Leyen condena ataques energéticos ao Qatar e fala em riscos de abastecimento

Há 10hPorta-aviões francês localizado em tempo real devido a um marinheiro que utilizava app de corrida

Há 11hTaiwan afirma que a China constitui ameaça e apela ao reforço das suas defesas

Há 11hGoverno interino da Venezuela substitui chefe operacional das Forças Armadas

Há 11hEstados do Golfo anunciam estar a responder a novos ataques iranianos

Actualizações em directo

 Entrada em destaque

15:28 Observador 

O que se passou até agora?

No rescaldo da guerra no Irão, Donald Trump, presidente dos EUA, afirmou que a NATO sem os Estados Unidos é “um tigre de papel”, criticando os países da Aliança Atlântica por não se juntarem à luta para travar um Irão nuclear. No mesmo tom, Trump criticou os países aliados por se queixarem dos preços elevados do petróleo sem contribuírem para a solução, chamando-os de “cobardes”.

No contexto das tensões no Médio Oriente, Pedro Sánchez, Presidente do Governo espanhol, anunciou medidas económicas significativas para enfrentar os aumentos dos preços da energia devido à guerra, incluindo a redução do IVA sobre combustíveis de 21% para 10% e cortes em impostos sobre hidrocarbonetos, electricidade e gás. Esta abordagem visa mitigar o impacto económico da guerra e proteger a economia espanhola.

No seguimento dos recentes ataques iranianos às infraestruturas energéticas no Golfo, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, condenou os ataques do Irão ao Qatar, alertando para os “riscos futuros” no fornecimento de energia à União Europeia. Estes ataques têm causado preocupações sobre a segurança do abastecimento energético na Europa e os consequentes aumentos de preços.

O Exército de Israel lançou uma nova onda de ataques no “coração de Teerão” como parte de uma ofensiva contínua contra a infraestrutura do regime iraniano. Desde o início da guerra, as hostilidades entre Israel, EUA e Irão têm sido marcadas por bombardeamentos cruzados, com um impacto significativo no Irão.

Ler mais

Há 8m17:57 MIGUEL PEREIRA SANTOS

Seguro convoca Conselho Superior de Defesa Nacional

António José Seguro convocou o Conselho Superior de Defesa Nacional para uma reunião no Palácio de Belém, para dia 31 de março, às 16h. O anúncio foi feito no site da Presidência da República, sem informação sobre a motivação para a reunião.

O Conselho Superior de Defesa Nacional é um órgão colegial específico de consulta do Presidente para assuntos relativos à defesa nacional e à organização, funcionamento e disciplina das Forças Armadas. É composto por vários membros do Governo, nomeadamente o primeiro-ministro, o ministro dos Negócios Estrangeiros, o ministro da Defesa, o ministro das Finanças, o ministro da Economia, o ministro da Administração Interna, o ministro das Infraestruturas e a ministra do Ambiente e Energia.

Além disso, também nele têm assento o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas e os Chefes do Estado-Maior do Exército, da Armada e da Força Aérea. Também estarão presentes nesta reunião os Representantes da República para as regiões autónomas assim como os Presidentes dos Governos das mesmas. Por fim, também tem lugar no Conselho Superior de Defesa Nacional o presidente da comissão parlamentar de Defesa Nacional, Pedro Pessanha

Há 10m17:55 Madalena Moreira

Número de mortos no Líbano sobe para 1.021

Os ataques israelitas contra o Líbano mataram 1.021 pessoas em menos de três semanas de conflito, relatou o Ministério da Defesa do Líbano, citado pela Associated Press. Os números mais recentes dão ainda conta de 2.641 feridos e mais de um milhão de deslocados.

Há 33m17:33 Madalena Moreira 

Londres insiste que só fez operações defensivas e apresenta detalhes operacionais

O Ministério da Defesa do Reino Unido detalhou hoje que aeronaves Typhoon e F-35, acompanhadas por aviões de reabastecimento Voyager, realizaram ontem à noite patrulhas defensivas sobre a Jordânia, o Qatar, os Emirados Árabes Unidos e o Bahrain, segundo uma actualização operacional citada pelo The Guardian.

Os detalhes surgem em resposta aos avisos do Irão desta manhã de que a utilização de bases militares do Reino Unido seria encarada como “participação numa agressão”. Além disso, a ministra dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Yvette Cooper também sublinhou que as operações são meramente defensivas e que surgiram em “resposta à agressão iraniana contra os parceiros do Golfo”.

Há 1h17:20 Madalena Moreira 

Ataque com drones causam incêndio em refinaria no Kuwait

Uma refinaria no Kuwait esteve a arder depois de ter sido alvo de um ataque com dois drones, relatou a empresa petrolífera estatal. O incêndio já está, neste momento, controlado, sem terem sido registados feridos, detalhou o Exército do país.

Há 1h17:16 Madalena Moreira 

Drones voltam a atingir instalações norte-americanas em Bagdade

As instalações diplomáticas dos Estados Unidos da América junto do aeroporto de Bagdade, no Iraque, voltaram a ser alvo de um ataque com drones. A informação foi avançada pela Reuters, que cita fontes de segurança.

Há 1h17:12 Madalena Moreira 

NATO retira funcionários da missão do Iraque para a Europa

O Comandante da NATO na Europa anunciou hoje que todos funcionários da Aliança no Iraque foram retirados do país. A missão do Iraque continuará a funcionar a partir do Comando de Nápoles, detalhou em comunicado. Esta missão não entra em combates activos e funciona como órgão de aconselhamento das forças iraquianas.

Há 1h17:03 Madalena Moreira 

Fragmento de míssil balístico iraniano atinge Cidade Velha de Jerusalém

A polícia israelita partilhou hoje um vídeo de um ataque iraniano desta manhã. No vídeo, é possível ver fragmentos de um míssil balístico a atingir uma zona amuralhada da cidade. Apesar dos danos visíveis, não foram registadas vítimas.

A zona visível no vídeo é uma das sete portas da Cidade Velha de Jerusalém, a apenas 500 metros da mesquita Al-Aqsa, um dos locais sagrados do Islão, e do Muro das Lamentações, um dos locais sagrados do Judaísmo.

Há 1h16:56 Rádio Observador

NATO sem EUA é "tigre de papel"? "Absolutamente patético"

Discurso de Trump é “inaceitável” e baseia-se numa “contradição lógica fundamental”. Líderes europeus devem entrar numa aventura militar sem objectivos e fim à vista? A análise de Bruno Cardoso Reis.

Há 1h16:51 Madalena Moreira 

Israel estará a tentar abrir nova frente em ofensiva terrestre no Líbano

O Exército israelita está a tentar abrir uma nova frente na ofensiva militar no Líbano, avançou a agência noticiosa estatal libanesa. A operação decorre junto à fronteira em Labbouneh, uma zona costeira do Líbano, mas está a enfrentar resistência de militantes do grupo armado Hezbollah.

Há 1h16:47  Madalena Moreira 

Estados Unidos vão enviar mais três navios e 2500 fuzileiros para o Médio Oriente

Os Estados Unidos vão enviar mais tropas para o Médio Oriente, que devem partir da Califórnia esta semana, avançaram dois responsáveis norte-americanos à CBS News. Trata-se de 2500 fuzileiros da segunda unidade expedicionária desta força militar e três navios militares.

Há 2h16:23 Madalena Moreira 

Guerra no Médio Oriente pode causar nova crise migratória e ressuscitar o "pior pesadelo" da Europa — e acção da UE pode não ser suficiente

Mais de 4 milhões de pessoas já estão deslocadas no Irão e no Líbano. Crise migratória como a de 2015 pode nunca chegar à Europa, mas melhor prevenção seria ajuda no terreno, alertam especialistas.

Há 2h16:18 Miguel Pereira Santos 

Kremlin ofereceu-se para parar de fornecer informações militares ao Irão se os EUA fizessem o mesmo com a Ucrânia

O Kremlin ofereceu-se para deixar de partilhar informações militares com o Irão, mediante a condição de que os EUA fizessem o mesmo com a Ucrânia. A proposta foi feita por Kirill Dmitriev durante as negociações em Miami, na semana passada, e foi rejeitada por Steve Witkoff e Jared Kushner.

Em causa estavam dados obtidos pelos serviços de informações russos tais como as coordenadas exactas de posições militares dos EUA no Médio Oriente. A informação é avançada pelo jornal Politico com base em fontes anónimas e terá criado preocupação entre dirigentes políticos europeus que receiam que Moscovo esteja a procurar contribuir para o momento difícil das relações transatlânticas.

Há 2h16:03 Agência Lusa 

Cuba deverá enfrentar cortes de energia que deixarão 61% da ilha sem electricidade

Cuba enfrentará esta quinta-feira longos cortes de electricidade em todo o território, cortes que deixarão até 61% da ilha sem energia durante o período de maior procura energética, segundo dados da agência de notícias espanhola EFE.

O país caribenho vive, desde meados de 2024, uma grave crise que se agravou com o bloqueio petrolífero imposto pelo Governo dos Estados Unidos desde janeiro, quando Washington bloqueou a comercialização de petróleo venezuelano para a ilha.

As medidas do país norte-americano foram classificadas pelas Nações Unidas como “ações que violam os direitos humanos”.

Neste momento, metade das 16 unidades de produção termoelétrica do país não estão operacionais devido a avarias ou trabalhos de manutenção.

Há 2h16:02 Miguel Pereira Santos

"O inimigo foi derrotado". Líder Supremo do Irão proclama vitória sobre EUA e Israel

O Líder Supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, proclamou a vitória sobre os EUA e Israel esta sexta-feira, numa mensagem escrita para o Ano Novo Persa, Nowruz, de acordo com a Associated Press.

“Neste momento, devido à união especial que se forjou entre vós, nossos compatriotas, apesar de todas as vossas diferenças religiosas, intelectuais, culturais e políticas, o inimigo foi derrotado”, declarou o Ayatollah. Mojtaba Khamenei ainda não apareceu em público desde que assumiu o poder, após a morte do seu pai e antecessor à frente do regime, Ali.

Há 3h15:24 Carolina Sobral 

Líder Supremo afirma que o Irão não atacou a Turquia nem Omã

O novo líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, afirmou que os recentes ataques contra a Turquia e Omã “não foram, de forma alguma, levados a cabo pelas forças armadas do Irão” nem por grupos aliados.

Citado na Al Jazeera, Khamenei garantiu que se tratou de incidentes de “bandeira falsa”, utilizados pelos inimigos do Irão para “semear a discórdia entre vizinhos, e que poderão ocorrer também noutros países”.

Há 3h14:55 Agência Lusa 

Portugal está "perto dos critérios" para declarar crise energética, diz ministra do Ambiente

O Governo está a analisar medidas para mitigar a subida dos preços da energia, estando Portugal “perto dos critérios” para declarar uma crise energética, afirmou hoje a ministra do Ambiente.

“Estamos a ficar perto dos critérios que podemos declarar crise energética”, disse Maria da Graça Carvalho em declarações aos jornalistas, em Lisboa, referindo que o executivo está a “analisar e quantificar” diferentes medidas de apoio.

Segundo a ministra, essas decisões estão a ser preparadas em conjunto com vários ministérios, com o objectivo de “proteger as famílias, os consumidores e também as empresas”. “Os critérios estão muito bem definidos”, explicou, lembrando que seguem uma directiva europeia [Diretiva (UE) 2024/1711], que se aplica quando há aumentos dos preços de 70%, por exemplo.

Quando atingir esse patamar, “depois tem que se fazer uma resolução do Conselho de Ministros e informar a Comissão Europeia”, salientando que é necessária uma decisão do Conselho Europeu.

Questionada sobre as recomendações de hoje da Agência Internacional de Energia (AIE), entre as quais três dias de teletrabalho, menos 40% de voos comerciais e a gratuitidade dos transportes públicos para reduzir a procura de petróleo face à guerra no Médio Oriente, a ministra explicou que “há um conjunto de medidas que o Governo também já listou” para a redução do consumo e eficiência energética.

Há 4h14:20 Manuel Conceição Carvalho

Pelo menos sete mortos em ataques russos em todo o território ucraniano nas últimas 24 horas

Pelo menos sete pessoas morreram e 32 ficaram feridas na sequência de ataques das forças armadas russas em todo o território ucraniano nas últimas 24 horas, refere o Kyiv Independent.

Durante esse período, Moscovo lançou contra a Ucrânia 156 drones, dos quais 133 foram interceptados pelas defesas antiaéreas ucranianas, refere o mesmo jornal.

Há 4h14:14 Manuel Conceição Carvalho 

"Cobardes". Trump diz que "sem os EUA, a NATO é um tigre de papel"

Donald Trump escreveu esta tarde na sua rede social, Truth Social, que a NATO sem os Estados Unidos da América (EUA) é “um tigre de papel”.

Na publicação, o Presidente dos EUA acusa os países da Aliança Atlântica de nunca terem desejado “juntar-se à luta para travar um Irão com armas nucleares”.

“Agora que esta guerra foi GANHA militarmente, com muito pouco risco para eles, queixam-se dos elevados preços do petróleo que são obrigados a pagar, mas recusam-se a ajudar a abrir o Estreito de Ormuz — uma simples manobra militar que é a única razão para esses preços elevados do petróleo. Seria tão fácil para eles fazê-lo, com tão pouco risco. COBARDES — e nós BAMOS LEMBRAR-NOS DISSO!”, lê-se ainda na mesma publicação.

Há 4h14:09 Agência Lusa

Mundo enfrenta maior ameaça energética da História, diz AIE

O director da AIE advertiu esta sexta-feira que o mundo enfrenta a maior ameaça energética da História devido à guerra no Irão, e avisou que pode levar seis meses para restabelecer os fluxos de petróleo e gás do golfo Pérsico.

Numa entrevista ao ‘Financial Times’ (FT) publicada esta sexta-feira, o director da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, afirmou que os políticos e os mercados subestimam a magnitude da interrupção nos fluxos energéticos, dado que aproximadamente um quinto das reservas está paralisado na região.

“Algumas instalações levarão seis meses para estarem operacionais, outras muito mais”, acrescentou.

“As pessoas entendem que isso representa um grande desafio, mas não tenho a certeza de que se compreenda bem a magnitude e as consequências da situação”, destacou Birol, e acrescentou que a crise também afectou o fornecimento mundial de fertilizantes para culturas, produtos petroquímicos para plásticos, roupas e manufatura.

 

sexta-feira, 20 de março de 2026

Notícias do meu País


Positivas, desta vez. A importância da IA, na base disso, ao que parece.

 

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Data centers: Portugal afirma-se como hub europeu

Até 2030, a capacidade de data centers existentes no mundo deverá duplicar, atingindo cerca de 200 GW. A previsão é da JLL, que destaca como Portugal se tem consolidado como hub europeu do sector.

OBSERVADOR LAB: Texto

OBSERVADOR, 20/3/26

Portugal continua a afirmar-se como um importante hub europeu emergente no sector de data centers. Isto acontece numa altura em que, a nível mundial, a área atravessa uma fase de expansão inédita, graças ao impulso dado pela Inteligência Artificial (IA), segundo dados do mais recente relatório “Global Data Centers Outlook 2026”, realizado pela JLL.

No documento, estima-se que, até 2030, a capacidade global instalada passe de 103 GW para cerca de 200 GW, o que corresponde a uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 14%. Para que este incremento se verifique, haverá necessidade de um superciclo de investimento, que poderá chegar aos 3 biliões de dólares em 2030. Deste valor, cerca de 1,2 biliões corresponderão à criação de valor imobiliário, e 1 a 2 biliões dirão respeito a investimento para equipar os espaços com infraestrutura de tecnologias de informação.

Energia como principal factor diferenciador

Entre os factores que colocam Portugal no pelotão da frente dos mercados europeus que começam a afirmar-se no sector de data centers, destacam-se a estabilidade energética nacional e o crescente investimento em energias renováveis. Este contexto tem criado um ambiente favorável ao desenvolvimento de projectos de grande escala, tal como reforça Andreia Almeida, Head of Research da JLL Portugal, segundo a qual, “Portugal reúne condições únicas para o desenvolvimento de centros de dados, combinando estabilidade energética, elevada produção de energia renovável e proximidade aos principais polos empresariais de Lisboa e do Porto”.

Incorporação de energias renováveis

De acordo com dados da Redes Energéticas Nacionais (REN), em 2024, cerca de 71% do consumo eléctrico em Portugal foi assegurado por produção renovável, com um mix assente em energia hidroeléctrica (28%), eólica (27%), solar (10%) e biomassa (6%). Esta distribuição permitiu que, já em 2023, o país fosse, pelo quinto ano consecutivo, o quarto Estado-Membro da União Europeia com maior incorporação de fontes de energia renovável na produção de electricidade, segundo o Relatório do Estado do Ambiente 2025, da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

De igual forma, dados da Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e da Agência Nacional de Energia (ADENE), revelam que, em 2023, a dependência energética de Portugal era de 66,7%, sendo este o segundo valor mais baixo dos últimos 20 anos, aproximando-se da meta dos 65%, definida para 2030 no Plano Nacional de Energia e Clima.

De salientar ainda que o país é exportador líquido de energia desde 2016 e dispõe de uma potência instalada de 22.813 MW. Além disso, a Rede Nacional de Transporte de electricidade em Portugal é operada em regime de concessão exclusiva pela REN, o que assegura equilíbrio, segurança e abastecimento de energia em todo o território continental.

Para o futuro, as perspectivas são encorajadoras, pois a configuração geográfica do país coloca-o numa posição vantajosa em termos de aproveitamento de recursos naturais e consequente produção de energia solar, eólica e hídrica.

O fornecimento de energia estável e oriunda de fontes renováveis é determinante, não só porque permite ir ao encontro das crescentes necessidades energéticas dos centros de dados, mas também porque responde aos requisitos regulatórios e de sustentabilidade existentes a nível nacional e mundial, que os operadores de data centers devem cumprir.

Localização geográfica privilegiada

Uma questão muito relevante prende-se também com a localização privilegiada do país para as comunicações realizadas através de cabos submarinos, que funcionam como uma porta de entrada para a Europa, o que eleva ainda mais a atractividade de Portugal para este tipo de investimento.

Segundo Andreia Almeida: “O mercado português é composto maioritariamente por data centers on-premise, isto é, concebidos para responder às necessidades específicas das empresas que os detêm. A maior parte localiza-se na área de Lisboa, beneficiando das ligações internacionais e da proximidade aos principais polos empresariais.

Actualmente, estão instalados no território nacional mais de 30 data centers de grandes dimensões, destacando-se sobretudo pelas operações em larga escala ou pelo foco na prestação de serviços.

O maior centro de dados em funcionamento no país localiza-se na Covilhã, abrange uma área de 75.500 m2, e é propriedade da Altice Portugal. Inaugurado em 2023, tem capacidade para 50 mil servidores e possui certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), o sistema de classificação de edifícios sustentáveis mais utilizado mundialmente, criado pelo US Green Building Council. É ainda reconhecido pelo Uptime Institute como um data center Tier III, o que significa que possui total redundância de infraestrutura, garantindo a inexistência de interrupções no serviço.

Pipeline promissor em Portugal

Há vários projectos de centros de dados em desenvolvimento no país, alguns dos quais já em fase de construção. É o caso do Sines Data Campus, em Setúbal, projectado para uma capacidade de 1,2 GW e totalmente alimentado por energia verde. A primeira unidade foi inaugurada no segundo trimestre de 2025 e a expectativa é que venha a constituir o maior data center em hiperescala em Portugal.

Em construção está também o Atlas Edge Lisbon Data Center, localizado em Carnaxide. Espera-se que atinja um total de 30 MW de capacidade instalada e funcione inteiramente com recurso a energias renováveis e sem desperdício de água. A primeira unidade foi inaugurada em outubro de 2025.

Em Vila Franca de Xira, também no distrito de Lisboa, está ainda a ser construído o Merlin Properties Data Center, projectado para uma capacidade de 36 MW. Este será o quarto centro de dados da Merlin Properties na Península Ibérica, a juntar-se aos restantes três situados em Espanha.

IA como importante motor de crescimento

O crescimento esperado em Portugal para os próximos anos está alinhado com as previsões que constam do relatório “Global Data Centers Outlook 2026da JLL. Entre as principais causas do crescimento esperado contam-se o recurso à cloud e à IA. Se, em 2025, a IA representava apenas cerca de um quarto das cargas de trabalho (workloads) globais nos data centers, já a partir de 2027 prevê‑se uma mudança que terá grande impacto. Nessa altura, acredita-se que as cargas de trabalho de inferência ultrapassem o treino como a principal necessidade de IA, passando esta a representar cerca de metade dos workloads globais.

Em 2027, a IA será responsável por 50% dos workloads globais

Prioridades para as empresas e para os investidores

No referido documento, fica claro que os data centers de grande escala continuarão a ser um importante motor de crescimento do sector, através de uma dupla estratégia de arrendamento e construção própria. Para apoiar empresas e investidores, a JLL inclui no relatório aquelas que são as prioridades a ter em conta nesta área.

Data centers no centro da revolução do futuro

Segundo a JLL, o sector dos data centers está a iniciar um dos maiores superciclos de investimento em infraestruturas da era moderna. As características de interconexão destas instalações fazem com que o crescimento, impulsionado pela IA, provoque alterações em diversos sectores, nomeadamente, na energia, tecnologia e imobiliário.

O acesso à energia apresenta-se, pois, como o principal critério de localização e negociação dos centros de dados, com o relatório a destacar a adopção de estratégias híbridas – combinando os diversos tipos de data centers (on-premise, colocation, hiperescaladores e edge) – e a necessidade de assegurar capacidade a longo prazo.

Este artigo foi publicado no âmbito do projecto Rota Imobiliária, em parceria com a JLL: https://observador.pt/seccao/rota-imobiliaria/

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E ainda por cima


Nos queixamos, ingratos – ou invejosos - que somos! Mas enaltecemo-nos com o “há muitas formas de riqueza”… e falamos na “interior”, que é a nossa, está visto, por invisível que seja.

Ricos e mal-agradecidos

Há 250 anos vinha ao mundo a Bíblia do capitalismo, o sistema económico mais filho da mãe que já existiu – parafraseando Churchill, com a excepção de todos os outros. E por falar em Churchill ....

PAULO NOGUEIRA Escritor e jornalista, autor de 14 livros - o mais recente, “O Cancelamento do Ocidente” (Guerra e Paz, 2024)

OBSERVADOR, 19 mar. 2026, 00:2544

Na semana passada fez anos um bebézinho de um quarto de milénio: o capitalismo. Ou pelo menos a sua certidão de nascimento conceitual. Claro que, para alguns, aquela singela palavra é uma asneira obscena, impublicável num jornal decente.

No dia 9 de Março de 1776 foi lançado em dois volumesAn Inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations”, conhecido na intimidade como “A Riqueza das Nações”. Foi um ano com duas revoluções do caneco: a americana e a capitalista, que a obra de Adam Smith ao mesmo tempo fomentou e ungiu. A primeira é o símbolo da liberdade política, e a segunda, da liberdade económica. Para alguns, um annus mirabilis; para outros, horribilis, que não merecia um “Happy Birthday To You” mas uma marcha fúnebre.

Smith foi um dos ases do Iluminismo Escocês, em dueto com o compincha David Hume. Gastava o seu latim em grego, francês, italiano e no latim propriamente dito. Escreveu sobre astronomia, filologia, poesia, lógica e retórica e foi reitor da Universidade de Glasgow. Até então, praticamente não existia a concepção de “economia” como uma entidade autónoma. Nos currículos universitários, centrados em Aristóteles, a gestão dos negócios era considerada um apêndice da ética. Com Smith a teoria fez o pino: a riqueza de uma nação não está em quanto ouro ou terras ela detém, mas no fluxo de bens e serviços que ela cria, através da divisão do trabalho, do investimento, do comércio e do mercado livre, cuja “mão invisível” elimina os ineptos e recompensa os diligentes, aumentando a prosperidade como um todo.

Foi um pontapé no traseiro do Mercantilismo e o seu proteccionismo chauvinista, com miríades de regulamentos, restrições, burocracias e o diabo a quatro. Smith demonstrou que uma sociedade e uma economia livres eram siamesas — uma não podia existir sem a outra.

O paradoxo é que aquele bebé queriducho nunca parou de  gerar ricos mal-agradecidos. Numa pesquisa em 2023 entre 21 países, apenas 5Polónia, EUA, República Checa, Japão e Coreia do Sulvêem o capitalismo positivamente. Para a maioria, “capitalismo” é daquelas palavras-anátema, como, sei lá, pedofilia ou cancro. Coramos um bocadinho quando a proferimos, e depois vamos lavar a boca com lixívia. O próprio termo “capitalismo” só foi criado em meados do século XIX pelo escritor inglês William Thackeray, autor do romance “Feira das Vaidades” e também pai do vocábulo “snob”.

Antes do advento do capitalismo, era como se a maioria dos terráqueos emborcasse Ozempic, de tão magricelas. Ainda em 1800, cerca de 90% dos bípedes implumes vegetavam na penúria – hoje são apenas 9,6%, apesar de a população mundial ter aumentado em dois mil milhões. Em dois séculos e meio, abracadabra! A esperança de vida global saltou de 29 para mais de 70 anos. A alfabetização, a mortalidade infantil e até a altura – porque a desnutrição caiu a pique – melhoraram imenso. Desde 1776, houve um salto de 3.000% na renda real per capita no mundo. Não cuspamos no prato em que nos empanturramos.

Por mil anos, de 550 a 1550 d. C.,  o Oriente prevaleceu sobre o Ocidente. No Renascimento, a Europa ligou o turbo e superou a China, e as revoluções Científica e Industrial fizeram o resto. Por falar em chineses: em 1981, para 88% deles  a vida era uma tortura chinesa – hoje, menos de 1% são tesos. No final da década de 1950, 45 milhões de pessoas morreram devido ao Grande Timoneiro e o seu Grande Salto para a Frente (que deveria chamar-se Grande Salto para Trás). Em 1960, a esperança de vida na China era inferior a 30 anos.  Com a morte de Mao (não há bem que sempre dure nem Mao que nunca acabe), Deng Xiaoping ronronou que «ser rico é glorioso», e criou a primeira “zona económica especial”  na liliputiana aldeia piscatória de  Shenzhen – onde, na outra margem do rio das Pérolas, na capitalista Hong-Kong, os chineses ganhavam 100 vezes mais.

Hoje, Shenzen é conhecida como “o Silicon Valley de olhos em bico” – e há mais multimilionários na China do que em qualquer outro país do mundo, com excepção dos EUA. Só em 2025, a China criou 70 novos bilionários, elevando o total para 470 (os EUA têm 924, mas há mais plutocratas em Pequim do que em Nova Iorque). Desmascarava-se a treta do “jogo de soma zero”, segundo o qual os ricos só são ricos porque espoliam os pobres. Centenas de milhões de pessoas vivem hoje  confortavelmente na China – e  não apesar dos magnatas, mas porque  Deng deu ordens para “que se deixe alguns enriquecerem primeiro”.

Na Europa e na Ásia, antes do capitalismo, uma família típica vivia à base de pão. Quase ninguém comia carne (toda a gente era vegan involuntária, e não por ser santa). Hoje, um ocidental comum come melhor (em variedade, sabor e nutrição) que Luís XIV em Versalhes.

“Quando se fala em ‘fome’”, diz o sinólogo alemão Felix Wemheuer, “a primeira coisa que as pessoas pensam é em África. No século XX, porém, 80% das vítimas de inanição morreram na China e na URSS.”  Só no chamado “Holodomor”, infligido por Estaline à Ucrânia em 1932-1933, sucumbiram à fome 5 milhões de pessoas. Jang Jing-Sung, um membro da elite norte-coreana que fugiu para o Ocidente, descreve a Coreia do Norte nos anos 1990. Os famintos eram enviados para parques, como mendigos, antes de agonizarem. Havia uma “Divisão de Cadáveres”, cujos membros encarregavam-se de espetar corpos com paus para ver se já estavam mortos. Num mercado, uma viúva tentava vender a sua filha esquelética por 100 won (10 cêntimos). O fim do comunismo foi um factor decisivo para o declínio da fome global em 42% entre 1990 e 2017.

O estrabismo socialista jura que o pobre é pobre porque o rico é rico.  Ou seja: todo o éxito é sempre resultado da derrota de outrem, pois todos os ganhos são pagos pelos perdedores. Foi essa falácia que Smith refutou. O interesse próprio poderia e seria aproveitado em prol do interesse social, desde que cada indivíduo “não viole as leis da justiça”. As linhas icónicas: “Não é da benevolência do talhante, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas da consideração que eles têm pelo seu interesse pessoal. Dirigimo-nos não à sua humanidade, mas ao seu amor-próprio, e nunca lhes falamos de nossas próprias necessidades, mas das suas vantagens” .

Bem antes da Guerra Civil Americana, Smith considerou a escravidão retrógrada, até porque o trabalho livre acaba por ser mais barato do que o compulsório (e o bolso dói mais que o coração). O capitalismo implica consumidores, e não escravos.  Com a industrialização, o «escravo assalariado» também fazia compras – o mais pobre dos proletários tinha agora mais de uma camisa, e aspirava a ter mais de duas (e quem sabe umas calças catitas).

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“A Riqueza das Nações” é de leitura divertida: ficamos a saber que a palavra “salário” deriva do latim “salarius”, de sal, pois as primeiras formas de dinheiro eram moedas-mercadoria: os legionários romanos eram pagos em sal.

Outra aldrabice é comparar a realidade com o idílio da quimera socialista, que nunca existiu em nenhuma parte do mundo. O comunismo, como qualquer religião revelada, é principalmente um conjunto de profecias. Mas beneficia da ignorância generalizada sobre história, e sobre a pobreza abjeta da vida antes do capitalismo. Na escola tão-pouco ensinam a realidade sórdida do socialismo. Ah, mas “isso não foi o verdadeiro socialismo!” – que certamente é uma fofura. Como disse o marxista italiano António Negri, “o comunismo não morreu porque nunca existiu”.

Bem, a realidade tem a mania de só existir no mundo real. Ao longo do século passado, o socialismo/comunismo foi experimentado em numerosos países: URSS, Jugoslávia, Checoslováquia, Coreia do Norte, Hungria, Alemanha Oriental, Cuba, Tanzânia, Albânia, Polónia, Vietname, Bulgária, Roménia, Laos, Iémen do Sul, Somália, Congo, Etiópia, Camboja, Moçambique, Zimbabue, Angola, Venezuela e Nicarágua, etc. Nenhum deles resultou – nem em prosperidade, nem em igualdade nem em liberdade. Será que a verdadeira essência do comunismo reside no que jamais foi? Na ideologia, temos a nirvánica Terra Prometida. Na prática, a utopia sempre descambou em distopia, e o paraíso prometido em inferno dantesco (na Venezuela, o Éden não entrega nem papel higiénico).

Hoje, quando toda a gente é uma vítima oprimida, há criatura mais aviltada do que o burguês, palavra que etimologicamente significa o “morador de um burgo”? Com o marxismo, o termo corresponde a uma cúpida máquina de fazer dinheiro pelo dinheiro (para Freud, o dinheiro é um avatar das fezes), um palerma prosaico e corrupto, com uma inventividade fortuita ou uma rapacidade ignóbil. E depois, se empresários foram também geniais inventores? Thomas Edison (lâmpada elétrica, fonógrafo), Graham Bell (telefone), Elon Musk (tecnologia aeroespacial/elétrica), Steve Jobs (computador pessoal, iphone, ipad), Henry Ford (Ford T e a linha de montagem), etc.

Para o Romantismo, só a nobreza era, bem, “nobre”, digna de sentimentos sublimes – o burguês é tacanho e filisteu (afinal, o aristocrata está montado no seu cavalo branco no campo de batalha, e o burguês atrás da máquina registadora). Em “Le Bourgeois Gentilhomme”, de Molière, o comerciante (papel que o próprio Molière interpretou diante de Luís XIV) que anseia ser um cavalheiro é ridicularizado. Na canção “Les Bourgeois”, de Jacques Brel, três jovens zombam da piedade conservadora dos seus pais, mostrando o rabo aos tabeliões de uma vila francesa

Nem sempre foi assim. “O Casal Arnolfini”, pintado em 1434 por Jan van Eyck , é um dos quadros mais tocantes e ternos da história da arte, povoado por um comerciante e a sua esposa grávida (e o célebre espelho de  5,5 centímetros, com toda a composição invertida). A bochechuda Monalisa, de Leonardo da Vinci e quinta-essência do esfíngico “eterno feminino”, era  Lisa Gherardini, mulher de um negociante florentino de lã e seda. No dia 28 de março de 1727, Voltaire assistiu ao funeral de Isaac Newton na Abadia de Westminster, embasbacado por duques e condes carregarem o caixão do filho de um camponês, a quem prestavam uma homenagem digna de um rei.

Hoje o que não falta são capitalistas que odeiam o capitalismomas não o capital. Esses empresários/activistas/hedonistas já foram chamados «burgueses boémios» – com as primeiras letras das duas palavras (bourgeois bohémiens), David Brooks criou o neologismo Bobos. Agora até a nobreza principesca pode ser boémia burguesa, como no caso de Harry e Meghan (os bobos da corte). O Bobo (Thomas Piketty preferiu chamá-lo “a esquerda brâmane”), que desponta na década de 1990, é uma fusão entre o hippie e o yuppie, e finge não ser nem um bocadinho materialista, menos interessado na economia do que na cultura e na identidade. Convém gastar dinheiro mostrando que se despreza o dinheiro: nada de fatos nem de limusinas, credo. É feio comprar um iate, mas é giríssimo gastar 100 mil euros num frigorífico Sub­Zero.

Em “We Have Never Been Woke: The Cultural Contradictions of a New Elite, Musa Al Garb disseca a mais estrambólica mutação do burguês, já no século XXI,  que o autor designa por “capitalista simbólico” (por traficar sobretudo com capital cultural, político, académico e totémico). Porque hoje tantos abastados parecem tão ansiosos por empoderar os marginalizados ? Qual a função do discurso da “justiça social” nas elites contemporâneas? Como os capitalistas simbólicos conciliam a sua retórica igualitária com a evidência de que o seu estilo de vida corresponde a reprodução e a exploração de várias formas de desigualdade? Ao contrário do castiço capitalista de Smith, o simbólico escamoteia o seu interesse e pavoneia triunfalmente a sua virtude.  Bom, como dizia Marx, não se pode julgar uma sociedade pela ideologia que lhe serve de pretexto, assim como não se julga uma pessoa pela ideia que ela faz de si própria.

Esses happy few consideram-se dignos de prestígio e salários sumptuosos porque servem “a um bem maior”. Controlam a riqueza e o poder dos que estão na cobertura para o benefício dos que estão na cave. Já aqueles que são denunciados como racistas, sexistas, homofóbicos ou insuficientemente comprometidos com metas virtuosas são por inerência indignos de status, plataformas ou mãozinhas institucionaisSe você é artista, académico, assistente social, psicólogo — ou, cada vez mais, jornalista, médico, advogado ou funcionário público — provavelmente actua num meio social no qual a gama de opiniões respeitáveis ​​é assustadoramente  restrita.

Basicamente, capitalistas simbólicos são Maria Antonietas brincando de ser Robespierre. Como as vagas de capitalistas simbólicos não são infinitas, o discurso precisa de ser cada vez mais belicoso: as coisas estão sempre a piorar, e os paladinos são cada vez mais imprescindíveis. Moldam o que assistimos na TV, no teatro e no cinema, as notícias que lemos, a maneira como interagimos com os nossos amigos nas redes sociais e com os nossos colegas de trabalho. Ditam a educação dos nossos filhos, as universidades que preparam os licenciados para o local de trabalho, o sistema de justiça que fiscaliza o nosso comportamento e as empresas em que fazemos as nossas compritas. Quanto a nós, reles mortais, podemos continuar a fazer o que nos der na veneta, desde que nos sintamos culpados por tudo.

Adam Smith nunca pretendeu que o capitalismo saciasse o ser humano com a plenitude espiritual e o sentido da vida – isso é função da filosofia, da arte, da religião. Trata-se só do mais eficaz, inclusivo, aperfeiçoável e democrático sistema económico que já surgiu – e não uma receita para o êxtase metafísico, ainda que mundano em vez de transcendente. Sim, nem só de pão vive o homem. Mas, como reconheceu Paul Getty, a criatura mais rica do mundo de 1950 a 1976, “É difícil dizer o que traz a felicidade: tanto a riqueza como a pobreza já fracassaram”.

Por falar em dinheiro e britânicos, o Banco da Inglaterra acaba de informar que a efígie de Winston Churchill será removida das notas de 5 libras, substituída por “temas da natureza”, como o ouriço. Num ensaio famoso, Sir Isaiah Berlin comparou a raposa (que “sabe muitas coisas”) ao ouriço (“que sabe uma só, porém muito importante”). Churchill era uma raposa política, porém sabia que na vida há umas coisas mais importantes que outras, e por isso hoje não somos escravos nazis. Mas, enfim, os animais são nossos amigos, e provavelmente Churchill andava com Adam Smith, aquele capitalista.