sexta-feira, 19 de junho de 2026

Previsão bélica

 


Uma constante num mundo belicista, num Ocidente meio inerte contra o terrorismo iraniano.

Não perguntem quem perdeu se a guerra no Irão acabar mal

Deixemo-nos de ilusões. Se a guerra acabar mal, não é porque tenha sido um delírio de Trump, ou porque os generais americanos e israelitas a não tivessem planeado como deviam.

RUI RAMOS: Colunista do Observador

12 jun. 2026, 00:25

A guerra contra a ditadura iraniana pode não acabar bem. Não acabar bem significa a tirania dos Khamenei sobreviver, e os EUA enredarem-se outra vez no xadrez das negociações e sanções, onde os ayatollahs os têm toureado nas últimas décadas. Mas se a guerra acabar mal, há duas conclusões erradas que, por mais consoladoras que sejam, convém evitar.

A primeira é esta: a guerra acabou mal por ser uma guerra desnecessária. Errado. As guerras são sempre uma opção tremenda e arriscada. Se os EUA recorreram às armas, foi porque os outros meios falharam. Em 1979, a teocracia iraniana declarou-se inimiga do Ocidente e do que o Ocidente representava. Fundou e financiou organizações terroristas, tentou desenvolver armas nucleares, adquiriu mísseis capazes de atingir a Europa. Durante anos, americanos e europeus usaram negociações e sanções para dissuadir os teocratas de Teerão. Sem resultado. Da parte dos EUA, a operação militar foi um último recurso. Se a guerra acabar mal, não quer dizer que não devesse ter sido tentada.

A segunda é esta: a guerra acabou mal porque Trump não tinha um plano ou o seu plano era mau. Errado outra vez. Os EUA têm os meios militares para vencer um conflito armado, incluindo generais aptos para os usar da maneira mais eficiente. O problema não está nas armas, ou nos planos. Está em sistemas políticos e em economias que não parecem suportar uma campanha militar prolongada: governos que temem perder eleições, e economias minadas pelo endividamento, por impostos altos e pela inflação, e por isso impedidas de qualquer esforço mais espartano. Bastou aos mullahs fecharem Ormuz. Se a guerra acabar mal, não correrá melhor da próxima vez.

Dizer que a guerra foi apenas um capricho de Trump ou que um eventual insucesso se deveu somente à sua má planificação é muito confortável. Permite que acreditemos novamente que as valsas diplomáticas são a melhor solução para conter a ditadura iraniana, embora nunca tenham funcionado antes, ou que, sem Trump, venceremos da próxima vez, apesar de não se constatar, no Ocidente, qualquer movimento para ultrapassar as debilidades que agora espartilharam a sua força militar.

Deixemo-nos de ilusões. Se a guerra acabar mal, não é porque tenha sido um delírio de Trump, ou porque os generais americanos e israelitas a não tivessem planeado como deviam. Será por duas razões muito menos convenientes: porque a teocracia iraniana, fanática e sanguinária, é resiliente, e porque o Ocidente, dividido e endividado, não tem força para a derrubar. E isso justificará alguma inquietação, na medida em que a ditadura iraniana não é um problema local do Médio Oriente. O Irão, com 12% do petróleo mundial, quase 100 milhões de habitantes, e aliados como a Rússia e a China, dispõe do que é necessário para ser um problema global. Mais: o Irão dos Khamenei não é um Estado normal, susceptível de compromisso e moderação. É um projecto apocalíptico, que se alimenta de vertigem e ousadia. Funciona, desde 1979, como o principal foco do islamismo político, uma ideologia que subverteu o Médio Oriente, e que agora apela às comunidades muçulmanas que o caos migratório deixou instalarem-se na Europa. Derrotar a teocracia iraniana é a maneira de desacreditar o radicalismo político associado ao Islão, e prevenir que os muçulmanos na Europa se convertam em massa de manobra dos movimentos inspirados pela revolução islâmica iraniana.

É preciso que esta guerra não acabe mal. Mas se acabar, não perguntem quem perdeu. Não será Trump: seremos nós todos. Porque se esta guerra acabar mal, isso apenas significará que a guerra continua.

IRÃO      MÉDIO ORIENTE      MUNDO      ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA      AMÉRICA      EUROPA      ISRAEL      ISLÃO      RELIGIÃO      SOCIEDADE      TERRORISMO      MIGRAÇÕES

Reforço literário

 

Pela via política.

O cativo que nos tem cativos: as aventuras políticas de Camões

Perante o génio de Camões, a tentação de encontrar no poeta um herói politicamente útil nunca deixou de ser transversal à direita e à esquerda

JAIME NOGUEIRA PINTO Colunista do Observador

OBSERVADOR, 18 jun. 2026, 00:25

Desde que o mundo é mundo que o poder tenta “orientar” os poetas vivos e cativar os poetas mortos, procurando nos grandes artistas, músicos, cineastas, pintores, escritores, legitimidade histórica e ideológica. CAMÕES, como o maior poeta português, sem rival até ao aparecimento, descoberta e reconhecimento de Pessoa, não escapou a estas tentativas de captura.

O uso e abuso da História

Perante o génio de Camões, a tentação de encontrar no poeta um herói útil nunca deixou de ser transversal à direita e à esquerda, mesmo que essa  utilidade pudesse vir a ser a de o elevar como suprema vítima ou supremo culpado de uma História vergonhosa, ou a de o calar como voz do privilégio branco e masculino.

O uso político da História e da cultura está, de resto, generalizado na modernidade europeia, sendo (quase) sempre possível torcer factos e comprimir génios, de modo a acomodá-los na lamparina pretendida para depois os libertar convenientemente.

Assim, escrevendo sobre as ideias políticas de Shakespeare, Noah Berlatsky, por exemplo, pôde sustentar que o Bardo era “conservador” por defender o statu quo da monarquia inglesa da primeira modernidade e a hierarquia estabelecida. Esta defesa da legitimidade monárquica e consequente condenação dos que tentavam combatê-la, como os puritanos, seria clara em Macbeth, mas também em Hamlet e em The Tempest. Por isso também Iago era o “mau” da peça, em Othello, e Lear, com o seu abandono prematuro do poder, o portador do caos. Nada disto impediria que críticos como Andrew Venning advogassem um Shakespeare de esquerda, ou “liberal”, na terminologia anglo-saxónica, pela sua crítica a figuras tirânicas ou iliberais, como Júlio César e Ricardo III. Qualquer das   hipóteses é defensável, até porque, como todos os grandes criadores, Shakespeare não foi um teórico político mas, acima de tudo, um espelho da natureza humana e das sociedades onde ela se revelava, ou talvez até mesmo um “inventor do humano”, como queria Harold Bloom. Mas se os grandes textos permitem múltiplos usos e interpretações nem todos os usos e abusos são legítimos.

Em Ideas Have Consequences (1948), Richard Weaver fixou o princípio da decadência do Ocidente no nominalismo de Guilherme de Ockham, um franciscano inglês, teólogo e filósofo que, pela primeira vez, pôs em causa a existência de verdades absolutas. Defendendo que a realidade era, sobretudo, uma percepção dos sentidos e não da inteligência, Occam teria aberto caminho à transformação do “homem moderno” num “moral idiot”.

Assim, por idiotice moral, por paixão ideológica ou por uma combinação das duas, não faltaram nem faltam tentativas políticas de monopolizar textos, poetas e artistas, ou até de os cancelar. Tal como os Evangelhos, o Dante da Commedia ou o Cervantes do Quijote, o Camões d’Os Lusíadas ou da lírica é passível de ser calado ou manipulado em prol de gregos e troianos, progressistas e conservadores.

Luís de Camões, que era um português, mas também um ocidental da modernidade renascentista, estava consciente de que a liberdade de se contradizer ou de integrar a contradição fazia parte dos valores europeus. Com o “Velho do Restelo” (queira Deus que o não venham a transformar em “Idoso do Restelo”), o poeta não poupou o lado negro do império: o abuso, a corrupção e a cobiça dos poderosos e a inveja inerte dos tacanhos. Também por isso Antero e Oliveira Martins usaram Os Lusíadas na sua crítica amarga ao Portugal oitocentista: o poema, além de cantar a glória e o génio dos portugueses, ficava “gravado na alma nacional como o epitáfio da nação”.

Este pessimismo nacional, muito Geração de Setenta, convertia-se, para os republicanos do tempo, num argumento contra a monarquia dos Bragança, culpados de se afastarem da glória do século de ouro, em que controlávamos o comércio do Índico, tínhamos fortalezas e feitorias nas costas oriental e ocidental africanas, estávamos em Marrocos e começávamos a colonização do Brasil. Assim, no centenário de 1880 e a seguir ao Ultimato, a República pegaria no Camões da exaltação colonial para o arremessar contra a Monarquia.

Camões e os republicanos

Em 1880, no terceiro centenário da morte do poeta, é uma comissão executiva maioritariamente republicana que exalta o tempo épico do Portugal de Os Lusíadas, para o contrastar com a decadência oitocentista, culpando os Braganças e a monarquia pelo declínio da Nação. Na documentação comemorativa e na História das Ideias Republicanas (1880), Teófilo Braga vai mesmo apelar para que o “10 de junho de 1880”, o terceiro centenário da morte do grande poeta, seja “o começo de uma nova era de grandeza da Pátria”.

Dez anos depois, a humilhação do Ultimato serviria aos republicanos para explorar a “traição da Coroa” que cedera a uma outra coroa – a inglesa – o património ultramarino. E, ironia do destino, atendendo ao futuro da esquerda democrática do século XX, seria em nome da “revivescência da nacionalidade” e com referência à épica camoniana como símbolo da “idade heróica da Nação” (idade a que os seus herdeiros se iriam referir como “de escravatura e colonialismo”) que os republicanos obteriam a sua primeira votação popular significativa. Nesses finais do século XIX, a estátua de Camões na Baixa de Lisboa, erguida em 1867, seria, depois do Ultimato, devidamente enlutada com crepes negros e transformada em lugar de romagem. Isto apesar das ideias de “federalismo ibérico” que alguns destes republicanos perfilhavam.

É à volta desses “lugares da memória” que Teófilo unifica “as três revoluções” – a de 1640, a de 1820 e a de 1910num mesmo nacionalismo popular, em que o culto da pátria e dos heróis se revelam essenciais para “acordar a consciência de solidariedade da civilização ocidental”.

Como parte da sua sobreprodução bibliográfica ao serviço de ideais políticos, Teófilo Braga publica Camões e o Sentimento Nacional (1891), glorificando o poeta e a Idade de Ouro dos Descobrimentos e das Conquistas. Ajudam-no nesta empresa dois grandes da Geração de Setenta, Oliveira Martins e Antero de Quental. Em divergência com Herculano, o historiador apaixonado pelo Portugal medieval e municipal pré-expansão, Oliveira Martins e Antero veem n’Os Lusíadas, além da exaltação do povo português, um manifesto da Europa moderna, a Europa de Quinhentos e dos Estados soberanos como forma superior de comunidade política, contra as antigas fórmulas trans-estatais da Respublica Christiana papal e do Sacro Império Romano-Germânico.

Mal sabiam os republicanos, patriotas e grandes defensores do império colonial – mas ao tempo, identificados com a esquerda progressista – que estariam condenados a retorcer-se nos túmulos, ante a obra dos seus pretensos descendentes ideológicos, motores, por acção ou inércia, da descolonização. Ou perante a esquerda actual e a revisão histórica a que se dedica.

Camões, o Estado Novo e o 25 de Abril

Depois do 28 de Maio e da Ditadura Militar de 1926-1933, o Estado Novo que, graças a António Ferro, se abriu à modernidade estética europeia, casando-a com o nacionalismo portuguêsviu n’Os Lusíadas uma mina de ouro para a consagração e defesa dos seus valores de orientaçãoDeus, Pátria e Família.

É curioso que alguns oposicionistas acusassem o Estado Novo de policiar a Literatura, do Canto IX dos Lusíadas a algumas obras de ficção e de História da Geração de Setenta, como se semelhante controle fosse sequer remotamente comparável ao então exercido nas suas admiradas “democracias populares”. O certo é que a censura que de facto existia nos permitia, ainda assim, estudar uma cadeira eminentemente ideológica, como era a Literatura Portuguesa do 6º e 7º ano do liceu, pelo compêndio, aliás excelente, de dois membros do Partido Comunista: a História da Literatura Portuguesa de António José Saraiva e Óscar Lopes.

Claro está que, frente à ofensiva anticolonial das Nações Unidas, o Estado Novo usou Camões e Os Lusíadas para exaltar o patriotismo ultramarino dos militares e das novas gerações, sem que os poetas e os cantores da oposição repudiassem o poeta ou deixassem de o usar, se não na épica, na lírica. Era então considerado grande demais e rico demais para ser ignorado.

Já depois de 1974, Jorge de Sena falava num “Camões subversivo e revolucionário, em tudo um homem do nosso tempo, que poderia juntar-se ao espírito da revolução de Abril”.

Ao “espírito” das poéticas intenções revolucionárias ainda vamos, ajudados por algum engenho e arte interpretativos; aos feitos, às “obras valerosas” e ao “novo reino”, entretanto edificado, é que já não.

Mas enfim, antes a manipulação que o cativeiro da ignorância e do silenciamento.

COMENTÁRIOS:

HENRIQUE MOTA: Que magnífica lição - porque não dizê-lo - de história, perdoem HISTÓRIA ( em maiúsculas) . Como é agradável ler este senhor.

JOÃO FLORIANOANTÓNIO ROCHA: Teria  a sua graça: a Ilha dos Amores ser transformada num manifesto LGBTI em que os marinheiros fossem exemplos de masculinidade tóxica violando ninfas, ninfos e ninfes. O Vasco da Gama poderia muito bem falar de multiculturalidade ao Rei de Melinde.

JOÃO FLORIANO: qualquer grande figura da literatura em particular e da arte em geral pode ser aproveitada tanto à esquerda como à direita tal a riqueza das ideias exploradas. mas esquecem-se que figuras como camões e shakespeare também tinham contas para pagar, sobretudo o inglês viveu sempre na corda bamba porque para além da genialidade das suas obras, havia os ordenados dos actores, a conservação do teatro em madeira que podia arder como um fósforo e o humor dos patronos poderosos. ainda sou do tempo em que  a ilha dos amores (canto ix) tinha sido expurgada das edições pelo menos as escolares. quando mais tarde li o que aconteceu nessa ilha entre as ninfas e os marinheiros do gama, achei aquilo de uma sensaboria tamanha , sobretudo porque o grande filme de 1975 era o erótico «emanuelle» .

ANTÓNIO ROCHA: Ainda vamos ver Camões reescrito pelas novas tendências

JOSÉ MIRANDA: O  Jaime Nogueira Pinto desmistifica as ideologias e os seus fanáticos.

terça-feira, 16 de junho de 2026

Atropelo

 

Uma constante - seja físico seja ideológico.

Uma defesa que ataca as minorias

A defesa das minorias é hoje, na realidade, um ataque às minorias e um caminho aberto a quem queira usar a sua diferença para ganhar vantagens.

HELENA GARRIDO,  Colunista

OBSERVADOR, 16 jun. 2026, 00:25

Um incidente num ensaio geral no Centro Cultural de Vila Flor em Guimarães transformou-se num caso de racismo com cancelamento do espetáculo, com a atriz e a criadora Isabél Zuaa, assim como a sua equipa, a considerarem que tinham sido vítimas de um acto com contornos racistas.

E que caso foi esse? De acordo com a descrição da própria actriz, depois de um incidente com o microfone envolvendo uma técnica, que abandonou a sala, o director técnico entra “de uma forma abrupta, pergunta quem é a Isabél, entra no palco, aponta-me o dedo à cara e diz ‘Ou vais pedir desculpa agora à minha técnica ou não vai haver espetáculo, nem vai haver técnico nenhum aqui’”. E daqui conclui, em declarações ao Público, que “mesmo não tendo dito palavras racistas, é racista na sua conduta.” E acrescenta: “Se eu fosse uma pessoa branca, não iam interromper o ensaio geral e fazer ameaças com o dedo apontado na minha cara”.

Claro que desta descrição ficamos sem perceber o que aconteceu para a técnica que manipulava o microfone ter saído da sala. Isabél e a sua equipa resolveram usar o palco para anunciarem o cancelamento do espectáculo com acusações de racismo. E A Oficina, cooperativa responsável pela gestão e programação do Centro Cultural Vila Flor, acabou por divulgar um comunicado anunciando um processo de averiguações e uma participação ao Ministério Público.

Com estes dados, fornecidos fundamentalmente pela actriz e não havendo declarações das outras partes envolvidas, é muito difícil perceber onde está o racismo. O que vemos são momentos de tensão num ensaio geral com pessoas a descontrolarem-se. Mas a actriz e a sua equipa encontraram aqui um motivo para acusarem os outros de racismo. E, com isto, acabam implicitamente a pedir que sejam tratados de forma diferente. Com eles ninguém pode perder a cabeça num momento de tensão, com eles ninguém pode cometer o erro de deixar cair o microfone, com eles ninguém pode apontar o dedo ordenando que se peça desculpa porque, se isso acontecer, não é descontrolo ou um momento de falta de educação, é pura e simplesmente racismo.

Este é um caso, ainda que importante, que se limitou ao cancelamento de um espectáculo e, mais grave, a denegrir a imagem de uma pessoa, o director técnico. Mas apesar de menos grave, é impossível não nos recordarmos de casos mais graves, como o da morte, algemado, do jovem de Southampton que foi esfaqueado por um homem que disse à polícia ter sido vítima de racismo.

O que impressiona na actual abordagem ao racismo é a incapacidade de se ver que se está a pedir para que se seja, afinal, racista. E o mesmo se aplica a todas as consideradas minorias, sejam de género ou outras, incluindo as pessoas com deficiência. Qualquer pessoa é hoje, com muita facilidade, considerada racista ou homofóbica se não estiver atenta à sua linguagem. E é difícil perceber em que é que isto contribui para a aceitação da diferença. Ou em que medida hoje aceitamos mais a diferença do que aceitávamos quando não tínhamos este policiamento.

Quando temos de tratar de maneira diferente quem não é da nossa cor ou tem preferências de género que não são as nossas estamos a exacerbar a diferença e não a aceitá-la. Estamos a colocar as pessoas em caixinhas e, na prática, a menorizá-las, a considerar que não são capazes de viver com a sua diferença. É muito difícil perceber como é que quem pertence a minorias – e, na prática, todos nós somos minoria em alguma coisa – não consegue perceber que a forma como hoje se aborda esta questão apenas agrava o fosso entre todos.

Mais grave ainda é tudo isto estar institucionalizado e publicamente aceite. A Oficina viu-se armadilhada, sem margem para rejeitar categoricamente a acusação de racismo, e obrigada a anunciar investigações e participações ao Ministério Público de um incidente de ensaio de um espectáculo.

Repare-se que é difícil imaginar uma outra equipa de artistas a fazer o mesmo que Isabél Zuaa fez. Imagine-se por momentos uma equipa em que todos eram brancos e em que tudo tinha acontecido da mesma maneira. Se calhar o espectáculo não era cancelado nem essa equipa tinha qualquer hipótese de extravasar a sua irritação com o sucedido. Que acusação iria fazer? De má educação? De descontrolo? Não seria notícia.

Temos de começar a perceber que não é por este caminho que combatemos a discriminação. Estamos, isso sim, a aprofundar as diferenças pela irritação que os exageros provocam nas pessoas em geral. Estamos, enfim, a atacar as minorias e a abrir caminho para os que usam a diferença para ganharem vantagens.

RACISMO      DISCRIMINAÇÃO      SOCIEDADE      EXTREMISMO

COMENTÁRIOS: (de29)

Rui Lima: Sou uma pessoa delicada no trato com todos, fui a uma loja para trocar um equipamento e, ao telefone, tinham-me dito que o mesmo deveria ser testado na loja. Quando cheguei, havia três filas de atendimento: duas atendidas por funcionários europeus e uma atendida por uma senhora de origem africana. Dirigi-me a essa fila. Após a troca do equipamento, a funcionária recusou-se a fazer o teste. Insisti de forma educada e pedi para falar com a responsável. A responsável, que também era de origem africana, afirmou que eu tinha tratado mal a funcionária. Foi o maior susto da minha vida pois não teria defesa . A experiência deixou-me apreensivo, hoje vejo que quem me vai atender nao possa beneficiar da sua cor.

José B Dias: Totalmente de acordo ... aliás o racismo vai começando a efectivamente despontar por via do esforço desenvolvido pelo irreal "SOS Racismo" e os seus dirigentes!

Pedromi: Cara Helena Garrido, muitos, muitos parabéns pelo seu excelente artigo de opinião...ainda mais sabendo que, muito provavelmente, algum populista de (extrema) esquerda ou, como bem diz, algum membro de uma minoria qualquer, vai fazer uma berraria num órgão de comunicação social, se não mesmo no MP, coadjuvado por um colega seu, uma vez que também adoram participar nestes festins morais. Obrigado!

Tim do A: Volta Salazar. E acabem com o SOS racismo. Acorda AD woke! Não votem Chega não, que não sei onde isto vai parar.

Luis Miguel: Ataca as minorias e diaboliza a maioria.  Que é o querem fazer para que na base da culpabilização da maioria, introduzir cada vez mais amarras ideológicas, das quais não vamos conseguir escapar.  Veja-se o Reino Unido. Está mais parecido com uma ditadura do que com uma democracia.