terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

CONTINUAÇÃO

 

Do Texto anterior, de JOÃO MARQUES DE ALMEIDA “Não, Seguro não ajudou o governo de Passos Coelho” , em “Apelidos reconfortantes” .

 

COMENTÁRIOS (Conclusão)

victor guerra: Claro, Seguro ´é "honesto", tem um ar lavado e não usa a palavra "bandalheira" para qualificar o estado das coisas. Por isso liga Cavaco e Eanes a Catarina Martins e Rui Tavares. Não sei se o Vieira também entrou para a nova União Nacional. Estão a precisar de "um das Caldas"!                    AndradeBG: Sim, é estranho a militância da direita a favor da esquerda contra a direita quando já é  sabido que a esquerda vai ganhar. Algum interesse haverá nesta urgência de que Seguro arrase. Pelo meu lado farei o inverso, taparei os olhos e votarei em Ventura.                 josé cortes > Nuno Abreu: O governo não governa, não por falta de condições, mas por falta de jeito.                Maria Manuela: Caro JMA, mas é isso que a esquerda sempre faz ! Desvirtua (adultera) a realidade, em ordem a narrativas convenientes; denigre-se Passos Coelho fazendo de conta de que não houve José Sócrates e a falência a que, por ele, fomos conduzidos e exalta-se o tempo seguinte (de António Costa, o hábil) como se não tivesse ocorrido o saneamento financeiro e a recuperação encetada por Passos Coelho. Não espantará que as narrativas convenientes do costume tentem secundarizar o facto de o dr. Seguro vir a ser eleito com a contribuição decisiva do eleitorado AD.                     GateKeeper: Top 20.                   Alexandre Arriaga e Cunha: Muito bem lembrado! Oportuno e assertivo 👌  AJS é uma pessoa decente mas vacila em alturas em que seria crucial não vacilar, além de estar muito mal rodeado…                    Jorge Tavares: Falam muito do "povo que trabalha" mas nunca se vê alguém falar dos "empreendedores que correm riscos". É só um sinal mas permite-nos perceber a razão pela qual Portugal é relativamente pobre.                    Paulo Almeida: Boa partilha JMA, bem recordado com o Seguro ao votar contra os orçamentos mostrou que não ajudou em nada o país. E se não fosse o Passos a segurar o leme, o Seguro iria desgraçar ainda mais Portugal. Não teve, nem nunca terá pulso. É fraco como líder. E arriscamo-nos a ter um líder fraco como PR. Estabilidade é o que mais repete. Estabilidade? Ele deu estabilidade ao país na troika? Não. E podia ter provocado um 2º resgate. Ele não pensou no país em 2014, foi fraco. Se entretanto pode ter mudado e reconhecido o erro e ser melhor? Não acredito. Para isso teria que ter feito esse mea culpa, mas ele quer varrer o seu passado socialista, porque sabe que é mau. E o povo vai eleger alguém que não reconheceu que foi mau líder, logo continua a sê-lo. Se há algo que ele não transmitiu foi estabilidade, transmitiu fraqueza de liderança. E isso ficou bem claro no debate a semana passada. Confrontado com a ideia hipotética de legalizar milhares de ilegais diz "que pode um Presidente fazer?". Pode ter opinião, visão e actuar. Pode promulgar ou vetar, mas tem de saber o que quer e ter pulso para dizê-lo. Aquele momento era concreto e objectivo, legalizava ou não? Não soube responder porque não tem fibra. Teria mais valor se dissesse logo "sim, legalizaria, promulgava, pois precisamos de mão-de-obra, tínhamos era de acertar bem os detalhes". Não concordo nada, mas ao menos afirmava-se. Pior que decidir mal, é não decidir nada. Um PR ou um PM não pode ser um líder fraco. Pode decidir mal, como muitos fizeram. E isso aceita-se, depois elege-se outro, é a beleza da democracia. Mas não liderar e não decidir é péssimo. E é isso que o povo vai eleger domingo, um fraco líder.                      Paradigmas Há Muitos! > Pedro D: E também não é preciso ser economista, basta ter tido Economia no secundário, para perceber que políticas económicas expansionistas têm limites de impacto e de duração. O Kosta para as continuar enquanto exibia "contas certas" ao BCE e enganava os parceiros na geringonça usou o truque das cativações e sem investimento nem reformas eficientes conduziu os serviços públicos à desgraça que são actualmente! E sabendo que o seu truque iria ser descoberto pirou-se a tempo para a UE! Mal ele sabia que iria aparecer um Pedro D no OBS para o defender, o que lhe deve restabelecer a esperança de vir a ser um dia PR!                    Rui Martinho: Muito bem, é necessário repor o que se passou e não ficcionar sobre factos para justificar alinhamentos políticos como muitos a que temos assistido nestas eleições. Abraço, João.                      João Floriano: A principal característica destacada em Seguro, o político, é  a sua fraqueza e fragilidade perante a insistência do PS. Esqueçam todas essas tretas de independência, moderação, objectividade. Seguro é agora ainda mais fraco do que em 2014 quando foi escorraçado humilhantemente do PS. Agora vem desejoso de agradar, de ser o salvador da esquerda e esta saberá muito bem manobrá-lo nesse sentido. E é ver como na TV as críticas e a agressividade contra Montenegro subiram de tom por parte de figuras do PS como Ascenso Simões e João Torres coadjuvados por uma tropa fandanga de comentadores que já metem o governo de Montenegro de rastos. Entretanto idiotas úteis do PSD e da direita dita moderada correm alarvemente a prestar vassalagem a Seguro e a abrir as portas de par em par ao socialismo. Não consigo pensar em nada menos obtuso e totalmente desprovido de inteligência.                      Marco Rodrigues > Alexandre Arriaga e Cunha: O homem é socialista. Como é que poderia estar bem rodeado?                  victor guerra > Pedro D: O Passos aplicou um plano dos credores ASSINADO ENTRE O SÓCRATES  do  PS E ESSES CREDORES. Não agridam a nossa inteligência!                    Carlos Ferreira: É sempre positivo recordar os factos que para muitos são desconhecidos, para outros estão esquecidos e que são alvo de alguma reescrita.                      António Soares: Seguro é socialista desde pequenino e comeu na mesma manjedoura que Sócrates e Costa. Não leva o meu voto. Ventura é um ser asqueroso, mentiroso e reles.  É socialista na economia e fariseu nos costumes. Não leva o meu voto. É a vida... Melhores dias virão.                  Marco RodriguesMaria Da Veiga: Que Deus a escute. Muito bem.                   Francisco Almeida: Ler o artigo e os comentários (não todos) foi deprimente. Chegámos ao ponto da mera reposição da verdade de acontecimentos de há pouco mais de 10 anos, causar surpresa porque já estavam esquecidos e, pior, substituídos por uma narrativa começando pelos 3 "d" Descolonização, Democracia e Desenvolvimento, isto é o regime das verdades reconstruídas.                      Manuel Lisboa: Exacto: foi assim que se passou. De facto, o ex líder socialista e actual candidato presidencial não resistiu às pressões demagógicas dos vários notáveis socialistas, aos quais o presidente do conselho europeu em exercício se colou. Esse mesmo ex secretário-geral do ps mostrou fraqueza política confrangedora e falta de visão; desse modo, não aproveitou a possibilidade oferecida pelo então presidente da república para formar governo de coligação ou de apoio pontual a um governo do psd. Aliás, a estúpida bizarria política  do "irrevogável" revelou alguém francamente pusilânime e, sobretudo, anti-patriótico. Tempos difíceis que a persistência e a sagacidade política do primeiro ministro de há pouco mais de dez anos conseguiu evitar o pior para o país. As hesitações do chefe do maior partido da oposição dessa época só complicaram a situação. Portanto, em nada contribuiu para Portugal conseguir ultrapassar a espinhosa conjuntura por que passou entre 2011 e 2013/14, consequência da incompetência  e irresponsabilidade políticas de sucessivos governos do partido socialista português.                           Jacinto Leite > Lucia Amador: Seguro é um safado sem escrúpulos.                        António Fernandes: Excelente artigo - repor a verdade dos factos !                    Antonio Sennfelt: Depois de muita hesitação, finalmente determinei qual irá ser o sentido do meu voto! Votarei seguríssimo, riscando os nomes dos dois contendores e, sobre eles, escrevendo o nome de Pedro Passos Coelho!                  Tristão: Se há coisa que ainda tenho é memória. E o texto começa logo mal ao afirmar que a AD ganhou as eleições. Não ganhou, porque nem sequer concorreu. Quem venceu as eleições foi o PSD, que só posteriormente se aliou ao CDS. Não havia aqui nenhuma AD. Convém ser rigoroso.  Segundo: não me quero armar de defensor de Seguro. Os atributos que lhe reconheço, honestidade, saber estar, sentido institucional, ausência de fanatismo ideológico, não fazem dele um grande líder político, mas fazem dele alguém palatável para a direita democrática. Não é um homem que encha a boca com retórica esquerdista nem com moralismos fáceis. É verdade que Seguro se absteve no primeiro Orçamento do Estado. E sim, eu também acho que era o mínimo de decência. Importa lembrar que, dentro do PS, figuras como Pedro Nuno Santos ou Isabel Moreira e mais, consideravam essa abstenção uma vergonha e estavam disponíveis para votar logo contra. Seguro não o fez. Mostrou uma decência mínima, mínima, mas real. Nos orçamentos seguintes votou contra, como era natural. Nenhum líder da oposição poderia passar uma legislatura inteira a abster-se ou a votar a favor, ainda por cima com uma maioria absoluta do PSD/CDS. Isso não faria sentido político nem seria saudável para o país. Um bloco central informal nessas circunstâncias seria profundamente negativo. Dizem que foi fraco no episódio da demissão de Paulo Portas. Concordo em parte. Mas o contexto era altamente conturbado, e Seguro acabou por sucumbir à pressão interna de um PS que, nessa altura, funcionava muito na lógica do quanto pior, melhor.  Infelizmente, era assim. Quanto à ideia de que Seguro nunca foi crítico de José Sócrates, isso também não é verdade. Foi crítico por omissão, o que é politicamente diferente de defender. Não podia ser ingénuo ao ponto de alienar de forma explícita um eleitorado numeroso que ainda via Sócrates como um activo político. Aliás, o próprio Costa, quando se candidatou, sublinhou várias vezes que a herança socrática não era defendida por Seguro. Essa foi sempre a clivagem.  Em suma: Seguro tem defeitos claros, sobretudo falta de firmeza política. Não era o meu candidato. Mas não é preciso acumular falsidades para o criticar. É um homem com carácter e honorabilidade, e isso, na política portuguesa, já não é pouco dada a triste escolha a que estamos confrontados                      Xico Nhoca: Assim que tiver informação de que o PS está em vantagem numa eventual eleição antecipada, Seguro deita o parlamento abaixo e convoca eleições para pagar a quem do PS, não o tendo querido inicialmente, acabou a apoiá-lo. E se o PS ganhar com maioria relativa juntar-se-á ao Chega. "Não é não" é só para quem nunca se juntou a extremistas e o PS já não é virgem. Num bordel ninguém pergunta se o parceiro é extremista de esquerda ou extremistas de direita                   Alberico Lopes > victor guerra: No que respeita ao Cavaco e ao Eanes, até nem me admirei! São dois caquéticos a defender os seus tachos!               Jacinto Leite > m s: Seguro é o mal maior.                       Jacinto Leite: Tozero é um safado socialista poucochinho.  Nem os xuxas o querem. Estão é com medo que o Ventura lhes tire o tacho.                    J. Gabriel: A verdade acima de tudo, lembro me muito bem das críticas feitas a Seguro e a Mário Soares. Apesar de eles SEREM OS RESPONSÁVEIS PELA SITUAÇÃO. Obrigado pela coragem de divulgação como enfrentar o Sr. Sérgio, é um dos poucos a remar contra esta esquerda, DESTRUTIVA, OBRIGADO                      Paradigmas Há Muitos!  > Pedro D: Então não foi você que escreveu "também não é preciso ser um cientista político para perceber por que razão o PSD esteve vários anos em penúria de poder, o CDS foi varrido do mapa e o PS de Costa/Esquerda conseguiram duas legislaturas seguidas, uma delas com maioria absoluta"? Ora, eu entendi isto como um elogio ao Kosta, em contraponto ao detestável PPC. Peço-lhe encarecidamente desculpa se me enganei! Realmente confesso que pouco sei de Ciência Política! 🤣🤣🤣                   Paradigmas Há Muitos! > Mario Figueiredo: O que vale é que a "sua" direita não padece de nenhum desses males que tão brilhantemente aponta. É a vantagem de ela não existir, de ser só uma ferramenta teórica que você usa para atacar a direita real. Para que se cansa tanto? Acha que algum dos "deploráveis" que vota no Chega olha sequer para as suas tretas?                   David Pinheiro: Sabe tão bem ler a verdade.  Por muito bonita que seja uma mentira.                    João Diogo: Excelente artigo, factual e verdadeiro, o que anda aí na Praça é que Seguro salvou Portugal, quando é falso.                   Fernando Costa > Lucia Amador: A decência vem da corja xuxalista que se anda a governar há 50 anos? Se é, guarde-a para si !!!                      António Salazar Nóbrega Lume: Muito bom. Parabéns.                 Jose PiresTristão: Um texto tão longo para dizer tanto disparate!                     Paradigmas Há Muitos! > Mario Figueiredo: Considere-me ignorante. Para uma "lapa" é um elogio! 🤣🤣🤣               Mario Figueiredo: Post Scriptum: Eu estava errado. Pensava que se ia ver mais, mas afinal só mesmo o Rui Ramos teve a coragem de assumir o voto em André Ventura e proporcionar aos seus leitores um contexto sobre o qual possam interpretar o seu comentário político. Continuamos portanto num país onde o Chega só encontra verdadeiramente lealdade e coragem junto do povo. Um partido, que está a ser usado por uma certa direita, fraca e sem meios próprios, para fazer o trabalho sujo por si: limpar à bruta o espaço à esquerda do PSD. Denunciam o que chamam de "direita fofinha", que declara publicamente o seu apoio a uma figura da esquerda. O que é verdadeiramente extraordinário, vindo de quem não declara o seu apoio a coisa nenhuma. Até mesmo quando fazem crítica de uma sociedade civil que, da esquerda à direita, decide se afirmar em bloco em redor de um candidato (o que é, por si só, algo inusitado de se criticar), são incapazes de se unirem eles próprios pelo outro candidato. Normalizam e relativizam toda e qualquer acção política do partido Chega e do seu líder, mas sem nunca se comprometerem publicamente com o partido. Quando confrontados na sua opinião, têm inclusivamente a real lata de dizer numa tentativa mercenária de distanciamento, que "não concordo com muitas coisas do partido". E por aí se ficam: nunca e em momento algum essas "coisas" farão qualquer parte da sua opinião publicada. Esta direita instrumentalista e sem espinha usa o Chega para fazer o seu combate politico à esquerda. O Chega provavelmente sabe-o e tolera-o porque acredita que o ajudará a crescer. Existe uma simbiose aqui entre uma direita que não se importa de conviver com a extrema-direita desde que não tenha que sujar as mãos, e uma extrema-direita que acha tudo isto muito divertido e, com toda a razão na sua forma de ver as coisas, considera-se a única e legítima representante da direita combativa e popular.                       m s > drumond freitas: Considerar um PR um mal menor deve ser um problema para quem o elege!                  JR Fonseca: O JMA é o maior.  Herdeiro do Saraiva.                   graça Dias > António Alberto Barbosa Pinho: Em branco não. Votos em branco são a tentação de muitos!.. que rapidamente os consideram um desperdício, pelo que lhes colocam uma X de acordo com o seu gosto.            Alberico Lopes > Manuel Lourenço: Puros? Só conheço três: Ferro Rodrigues, Paulo Pedroso e Sócrates! Ou melhor: mais dois: Costa e e Nuninho santos!                     Paradigmas Há Muitos!  > José Tomás: O artigo desmonta a primeira ideia. O PSD-CDS tinha maioria absoluta, o PS absteve-se, era indiferente. Quando Cavaco quis que Seguro fosse parte mais activa, o Seguro amedrontou-se e não o foi. O resto, não entendo. Se o PS não tem essa cultura de seita e se o Seguro foi excepção quer dizer que ele têm-na. É bom isso?                  Xico Nhoca > Ricardo Ferreira: O líder frouxo, assim que tiver oportunidade (ou seja, informação de que o PS está em vantagem numa eventual eleição antecipada) deita o parlamento abaixo e convida eleições para pagar a quem do PS, não o tendo querido, acabou a apoiá-lo. E se o PS ganhar com maioria relativa juntar-se-á ao Chega. "Não é não" é para quem nunca se juntou a extremistas e o PS já o fez.                  Gabriel Madeira > Nuno Abreu: Quer um Vallium, portanto. Há na farmácia, sob receita. Não precisamos na PR.

Apelidos reconfortantes

 

Ambos - Ventura e Seguro - para uma Presidência da República que se preze em difundir bons princípios, para que se chegue sempre a bons fins. A seriedade de Seguro impôs-se, contudo, pelos seus discursos que todos esperamos sinceros, e parece que vai ganhar. Passos Coelho preferiu baldar-se, respeitemos isso, mas em muitos de nós permanece a desilusão.

Não, Seguro não ajudou o governo de Passos Coelho

É legítimo que pessoas de direita, do PSD, do CDS e da IL queiram votar em Seguro. Mas não é aceitável que contribuam para a falsificação da história, tentando construir um “Seguro” que não existiu.

JOÃO MARQUES DE ALMEIDA Colunista do Observador

OBSERVADOR, 02 fev. 2026, 00:20122

Para se fazer escrutínio democrático a António José Seguro, é necessário voltar a 2013 e 2014. Desde então abandonou a política (não é uma crítica), por isso 2014 é ontem, politicamente, para Seguro.

Está a construir-se a “narrativa” de que Seguro foi responsável e apoiou o governo de Passos Coelho durante um período crucial da história recente de Portugal. Vejamos o que aconteceu. Em Março de 2011, o governo socialista de José Sócrates pediu resgate às instituições europeias e ao FMI para salvar Portugal da falência. Em Junho de 2011, houve eleições e a AD de Passos e Portas ganhou com maioria absoluta. Depois da derrota eleitoral, Sócrates pediu a demissão da liderança do PS, e Seguro foi eleito líder socialista.

Os termos do orçamento para 2012 foram basicamente negociados pelo demissionário ministro socialista Teixeira dos Santos e pela troika. O governo da AD teve pouquíssima margem para introduzir alterações orçamentais. Em Novembro de 2011, o PS absteve-se na votação do orçamento para 2012. Era o mínimo, um orçamento que resultou do pedido de um governo do seu partido para evitar a falência do país. Esse voto não foi ajuda alguma. Foi o mínimo dos mínimos. Além disso, o governo de direita tinha maioria absoluta. Não precisava da abstenção do PS para aprovar os orçamentos. Aliás, em 2012 e em 2013, o PS de Seguro votou contra os orçamentos, e eles foram aprovados. Os votos do PS a favor de políticas públicas do governo também não foram uma ajuda porque seriam sempre aprovadas com a maioria absoluta.

Em Julho de 2013, Paulo Portas demitiu-se do governo. Isso significaria automaticamente o fim da maioria parlamentar que apoiava o governo da AD. Portugal entrou em crise política. Se não fosse possível votar o orçamento para 2014, Portugal precisaria de um segundo resgate. Durante a crise, houve uma tentativa de Cavaco, na altura PR, para o PS deixar passar o orçamento para 2014 (para evitar um segundo resgate) e em troca haveria eleições antecipadas em 2014.

Inicialmente, Seguro mostrou abertura para esse acordo, mas depois recuou não tendo sido capaz de resistir às pressões do seu partido. Não tenho dúvidas sobre as boas intenções de Seguro, mas o que me preocupa foi a sua fraqueza. De resto, essa fraqueza política foi evidente durante todo o mandato de Seguro na liderança do PS. Nunca foi capaz de resistir ao seu partido na fuga à responsabilidade do governo socialista de Sócrates na vinda da troika para Portugal. Alinhou nos ataques à “falta de sensibilidade social” do governo”, nas acusações de “ultra-liberalismo”, e decretou o “falhanço do governo e do programa de austeridade.” Até hoje, nunca ouvi Seguro dizer que estava enganado e que o governo de Passos alcançou um enorme sucesso e salvou Portugal, restituindo ao país o crescimento económico.

É legítimo que pessoas de direita, dirigentes e militantes do PSD, do CDS e da IL queiram votar em Seguro (ao contrário de outros muito preocupados com a democracia, nunca critico o voto de alguém). Mas não é aceitável que contribuam para a falsificação da história, tentando construir um “Seguro” que não existiu. Seguro só se revoltou contra Sócrates e contra António Costa quando foi atraiçoado pelos socialistas, em 2014 (depois de vencer as eleições europeias), e perdeu a liderança. Também me lembro disso, e distingo muito bem Seguro de Sócrates e de Costa. Mas, numa altura muito crítica para Portugal, e quando Seguro desempenhou funções políticas de liderança, falhou. A sua fraqueza perante o PS teria levado Portugal para um segundo resgate. Foi a determinação de Passos Coelho que evitou o que teria sido uma tragédia financeira, económica e social para Portugal. Não foi a “ajuda” de Seguro.

 

PRESIDENCIAIS 2026       ELEIÇÕES       POLÍTICA       ANTÓNIO JOSÉ SEGURO       PS

 

COMENTÁRIOS (de 135)

Miguel Seabra: Quem quer vender essa mentira histórica? Nada menos do que o Paulinho Irrevogável Portas, esse mesmo, o traidor e covarde que tentou apunhalar Passos Coelho pelas costas. Num País normal esse senhor devia estar escondido, em Portugal tem um tacho na Mota Engil a soldo dos chineses e está todos os domingos na tvi a palrar e a dizer mal do Trump e do André Ventura.                    Alexandra Ferraz: 'Canto III 138/143" Os Lusíadas:

Do justo e duro Pedro nasce o brando,

(Vede da natureza o desconcerto!)

Remisso, e sem cuidado algum, Fernando,

Que todo o Reino pôs em muito aperto:

Que, vindo o Castelhano devastando

As terras sem defesa, esteve perto

De destruir-se o Reino totalmente;

Que um fraco Rei faz fraca a forte gente.'

E assim continuaremos alegremente, até quando??? O povo é sábio mas também é lento! Mas no dia 9 haverá mudança,  seja qual for o resultado. A onda do desencanto cresce e será surfada, contra ventos e marés. A nossa juventude merece mais. Muito mais!!!! Vamos ter fé🙏 Obrigada JMA por mais um belíssimo apontamento. 🙌🙌                     Manuel Lourenço: Do papagaio-mor do reino vamos passar para o banano-mor, só que como este artigo relembra e o da passada sexta feira do Rui Ramos recorda, os efeitos de presidentes socialistas em governos não socialistas (ou seja socialistas 2) é de torpedear e procurar levar ao poder os socialistas puros.                 Paulo Valente: Resumidamente, vamos ter uma lesma na presidência. Antes fosse uma arara, sempre dava continuidade ao papagaio!                    ana rita:  Seguro é um socialista. E está tudo dito. Mas depois não se queixem, ele nunca o escondeu.             Joaquim Silva: Uma coisa é certa - é da esquerda  que nascem os maiores inúteis conhecidos, na generalidade do que vemos na comunicação social é gente sem valores que se acha muito culta mas com muito pouca vontade de trabalhar ou empreender, ostracizam tudo o que seja iniciativa privada, pois passam a vida ligados ao aparelho de estado e instituições públicas a isto ou àquilo que se agarram para poder viver sem fazer grande coisa, o povo, aquele que trabalha anda dormente de tanto trabalhar para pagar impostos, ora este sistema está podre, mas cada vez mais é atacado no seu modo de vida e os costumes  que nos trouxeram a uma sociedade civilizada, pasme-se que chegamos a um ponto onde nos querem impor um presidente da república só por ser bem vestidinho e muito mansinho e bem-mandado, chegamos ao ridículo da falta de ética e de vergonha de quem se passeia nos meios ligados ao sistema, não, não são notáveis, são indivíduos,  os notáveis são as pessoas que todos os dias salvam outras pessoas sejam bombeiros policias médicos enfermeiros e até pessoas comuns, a sociedade tem de se basear em prole do povo e não dos interesses dos (notáveis).Quanto à direita do que eu vejo são gente de trabalho de mãos calejadas que está farta de trabalhar e ser ridiculariza por uma casta de malandragem de esquerda caviar que não sabe apertar um parafuso ou pendurar um quadro numa sala e agarran-se ao adjectivo de (fascista) para chamar a quem trabalha e lhes paga o oxigénio.                  graça Dias:  "A DISTÂNCIA ESBATE OS CONTORNOS E AS CORES DA MEMÓRIA " Caríssimo João Pedro Marques, obrigada pelo excelente lembrete.                    Ana Luís da Silva: Muito obrigada a João Marques de Almeida, por repor a verdade histórica. Mas contrariamente ao seu posicionamento de “não criticar o voto de ninguém”, eu critico e sinto-me legitimada para o fazer, por várias razões: -porque é uma cedência à hegemonia ideológico-moralista da Esquerda e da Extrema-esquerda e portanto uma cobardia; - porque os cidadãos eleitores não reclamaram sentirem-se confusos e precisarem de orientação na decisão de voto, foi antes uma opção assente no pânico dos “sistémicos” que iniciaram a onda de maria-vai-com-as-outras contra o candidato que os desgosta e põe em causa o status quo; - porque traíram o cidadão comum que estes anos todos pensou que esta gente que milita nestes partidos não se conformava com o socialismo, aliás que o combatia, e que lutava por um país melhor… mas não. Afinal ninguém quer sair do caldo socialista onde já estão (estamos!) meio-cozidos! Nem a IL, que na hora da verdade é mais do mesmo, pelos vistos! É meia bola e força em direção ao abismo, porque acham que o outro candidato “não tem o perfil adequado” (sic), quando o que esta atitude deplorável revela é cálculo político, uma amostra da queda da natureza humana na mediocridade ou no medo de perder o chão, em vez de se preocuparem com Portugal e os portugueses! P.S. Falo agora para os cristãos: atentem nas leituras deste domingo e reflictam se, em toda a História da Salvação, Deus alguma vez escolheu para liderar uma pessoa pelo que a natureza humana considera ser “o perfil adequado”.  Assim de repente vêm-me logo dois à memória que não encaixam: David para rei, Pedro para primeiro Papa.                       Ricardo Ferreira: O TóZero é um líder frouxo e todos o sabem.                       SDC Cruz: Caro João Marques de Almeida, EXCEPCIONAL!                   Cupid Stunt: Muito bem. Obrigado por desmarcar mais uma narrativa da esquerda. O Tó Zero é um fraco e cederá sempre a quem o pressionar, especialmente se vier da sua famiGlia de esquerda             Humilde Servo: Até me esquecia desse episódio lamentável do Portas a demitir-se "irrevogavelmente". Foi uma traição patética ao país. Valeu o sentido de estado de Passos Coelho e de Cavaco para o país não ir de vez para o beleléu.                     Sr Leão: O meu agradecimento ao autor do artigo por nos ter refrescado a memória. E por representar um exemplo de jornalismo de excelência.                Maria Da Veiga: Muito bem, valham-nos pessoas como o João Marques de Almeida para refrescar as mentes turbadas e acríticas de uma grande maioria do povo português. O povo acomodado, "ajudado" por jornalistas e comentadeiros que proliferam nas TVs que dominam o dito "sistema" como o seu colega Sousa Pinto, armado em intelectual, mas intrinsecamente intelectualmente desonesto. Espero que o PS acabe por desaparecer porque será um bem para o país e justiça para um povo!                     Paulo Nunes: Têm sido semanas de poluição informativa. Vem aí o diabo, e é o Seguro que nos salvará. Não, de todo. Seguro será o coveiro deste governo de AD, o coveiro definitivo do CDS, a armadilha do governo PSD, tentando absorver partidos mansos como o Livre e levando na padiola o seu PS dos barões.  Só para os mais distraídos será surpresa...                  Maria Alva: Excelente e factual reposição da História recente. Obrigada.                      Carlos Chaves: Obrigado, caro João Marques de Almeida, por vir desmascarar os especialistas de serviço em narrativas mentirosas! Pena os idiotas úteis que se diziam de “direita” entrarem nesse jogo mentiroso! PSD e CDS merecem serem riscados do mapa, estão cheios de gente traidora e mentirosa!  Seguro é um cobarde político que baixou as orelhas ao criminoso político Mário Soares! Mário Soares, Guterres, Sócrates, Seguro e Costa, (eu não o distingo como faz o cronista), são uma família socialista em quem os idiotas úteis da “direita” se preparam para votar!                       Alberico Lopes: Marques de Almeida: dou-lhe os meus sinceros parabéns por ter posto os pontos nos iis. Só quem não tenha vivido esses conturbados tempos pode ter alguma ilusão do que é este cavalheiro, natural de Penamacor, que tem como sogro o maçon-mor das Caldas da Rainha, proprietário de várias farmácias naquela zona . Mas que estou mesmo muito surpreendido que alguns - mesmo que poucos - embora muito louvinhados pela c.social do Largo do Rato - "não socialistas" como se afirmam, votem neste coitado! Eu nunca seria capaz de engolir tal sapo!                       Xico Nhoca: Seguro vai ter que pagar a todos os socialistas que, não o querendo apoiar nestas presidenciais, lhe vieram dar apoio mais tarde: assim que as sondagens sugerirem uma maioria relativa para o PS, Seguro vai convocar eleições para satisfazer a tradicional avidez para distribuir jobs entre os boys. 

CONTINUA                 

 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Um prazer sempre


Estes textos de PATRÍCIA FERNANDES, ricos de referência mitológica, que tanto fez – nos faz ainda – deliciarmo-nos com tais referências, que vieram dos tempos, como prova do legado humano de justificação do mundo.

O legado do Ocidente

Nestas décadas e com os excessos do estado social, fomo-nos esquecendo de que o papel do Estado dificilmente se justifica com financiamento de restaurantes ou promoção de projectos políticos duvidosos.

PATRÍCIA FERNANDES Professora na Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho

OBSERVADOR, 02 fev. 2026, 00:173

1As paixões dos homens

Talvez tenha sido Hollywood a fazer-nos perder o sentido mais antigo da palavra paixão. Associada hoje a amor e felicidade (como se a finalidade da vida fosse estar em constante estado de paixão), estar apaixonado significa, na verdade, estar em sofrimento. Do latim passio (-onis), paixão significa a acção de sofrer ou suportar (e daí falarmos da Paixão de Cristo), contendo também a ideia de estarmos sujeitos aos desejos do corpo e de nos tornarmos, nessa medida, incapazes de tomar decisões calmas e reflectidas.

É esse sentido da palavra que encontramos na Ilíada e na Odisseia sobre as paixões que subjugam tanto os homens como os deuses. A primeira começa com a palavracólera” (a de Aquiles); a segunda com a palavra “homem” (Odisseu ou Ulisses) que se encontra na condição de sofredor. Aquiles, sujeito à cólera, atrai a si o terrível sofrimento pela morte de Pátroclo e a sua própria morte; Odisseu, sujeitando-se tantas vezes a paixões e curiosidades, atrai um caminho de provações.

E que paixões são essas que movem os homens e os deuses e fazem mover a história? O anseio de glória e reconhecimento, claro; mas também o ciúme, a inveja, o ressentimento, a ofensa; e a paixão que quase sempre é despertada por todas as outras: o desejo de vingança. É o desejo de vingança que move os gregos contra os troianos, para vingar o rapto de Helena. É o desejo de vingança que move Aquiles contra Heitor. E é o medo da vingança que move Neoptólemo, filho de Aquiles, contra o pequeno Escamândrio, ou Astíanax, filho de Heitor e Andrómeda.

De acordo com o código moral da altura, caberia a Astíanax vingar a morte de seu pai e é por isso que, de acordo com a versão mais popular, Neoptólemo atira a criança das muralhas de Troia: estava, preventivamente, a defender a sua vida. E é de acordo com a convenção de que os filhos devem vingar a morte dos pais que Orestes, filho de Agamémnon e Clitemnestra, regressa a Micenas para matar Egisto e a própria mãe:

“Mataste quem não devias: sofre agora o que não devias sofrer.”

2As Erínias

Apesar de motivados pela mesma paixão de vingança, o crime de Clitemnestra (de que falámos aqui) e os crimes de Orestes não apresentam a mesma gravidade. O segundo é um crime contra o próprio sangue e é essa particularidade que desperta a fúria das Erínias, e que Apolo descreve deste modo:

“velhas filhas do mundo primitivo, de quem não se aproximam deuses, homens ou feras. Nasceram para o mal, visto que habitam as trevas do mal e o Tártaro subterrâneo, detestadas pelos homens e pelos deuses do Olimpo.”

Representadas, por regra, como três mulheres negras e aladas com serpentes enroscadas nas cabeças (Alecto, Megera e Tisífone), não são, certamente, as figuras mais populares e charmosas da mitologia grega. Afinal, nasceram do solo ensopado com o sangue de Urano, mutilado pelo filho Cronos, pai de Zeus, e como criaturas ctónicas são anteriores aos deuses do Olimpo e por isso não subjugadas a eles.

Mas desempenham um papel fundamental de protectoras da ordem do mundo contra todo o tipo de excessos que ponham em causa a ordem religiosa e cívica da sociedade grega. Personificando a vingança, perseguem e enlouquecem aqueles que cometem crimes, em especial contra o próprio sangue. E não é, por isso, surpreendente que tenham surgido a Orestes, atormentando-o pela morte da mãe.

William-Adolphe Bouguereau, Orestes Pursued by the Furies (1862)

Ésquilo, na sua Oresteia,   como Orestes recebeu de Apolo a profecia de que deveria vingar a morte do pai, o castigo das Erínias desafiaria a ordem de um dos deuses do Olimpo. A Oresteia seria, assim, sobre Justiça, mas em particular sobre a oposição entre os deuses antigos (da velha ordem) e os novos deuses (do Olimpo), conflito que seria vencido pelos últimos, numa espécie de continuação do trabalho dos heróis gregos que foram eliminando os seres monstruosos e tornando o mundo mais seguro para Zeus e para os homens.

No entanto, a obra-prima de Ésquilo vai para além disso. Ela explica os fundamentos da nossa civilização, e Atena será fundamental para esse momento.

O legado de Orestes

Comecemos com uma breve nota biográfica sobre Atena. Ela nasce directamente da cabeça de Zeus (as razões para tal não cabem aqui), que pede a Hefesto, no momento do nascimento, que lhe abra a cabeça com um machado: da fenda surge Atena, já adulta e armada, soltando um terrível grito de guerra. É, nessa medida, não só a deusa da guerra, mas sobretudo a deusa da sabedoria e da razão. É a deusa argumentativa por excelência, aquela que prefere a discussão racional em detrimento da violência das paixões.

Por essa razão, quando Orestes procura Atena como suplicante e a deusa Atena ouve os argumentos das partes – de um lado, as Fúrias que querem castigar o matricida; do outro, Apolo que profetizou a vingança do filho de Agamémnon –, a deusa terá dito a Zeus (sugere Stephen Fry):

 “Não terá chegado o tempo? (…) Tempo de deixar os mortais resolverem os seus problemas. À parte outras considerações, vê como eles… bem, vê como se reproduzem. De início, eram poucos, e isso permitia-nos prestar atenção a cada um deles. Conseguíamos submetê-los às nossas leis e à nossa vontade. Mas agora são tantos. Constroem as suas cidades e praticam o comércio entre eles. Repara naquilo em que a minha Atenas se transformou. (…) Não estou a sugerir que [Orestes] fique impune, pai. Estou a sugerir que seja julgado.”

Talvez seja este o culminar da separação que já invoquei num outro texto: o momento em que os deuses do Olimpo se afastam dos homens e deixam de intervir no mundo, até se perderem nas brumas da memória.

O local que Atena escolhe para o julgamento de Orestes (templo dedicado a Ares) ficará O momento marcante seria este em que entregam o poder e o direito de fazer justiça usando um tribunal, onde as partes podem apresentar os seus argumentos e os juízes deliberar com imparcialidade. O conhecido Areópago, uma instituição ateniense tão antiga que precedeu o regime democrático e continuou para além dele, como se comprova pelo facto de São Paulo ter lá falado aos atenienses na sua passagem por Atenas (Atos 17). Foi, nessa medida, continuamente invocado como espaço de liberdade de expressão (pensemos na obra de John Milton).

Devemos a Ésquilo, ao destacar o papel da sua cidade na criação de uma instituição divinamente inspirada, ter tornado evidente o legado do Ocidente: a instituição de um tribunal como o início da ordem da Polis pode ser assim entendida como o início da passagem do Mythos para o Logos, que culminará com o nascimento da Filosofia, e que se caracteriza pela convenção humana de abandonar as paixões que perpetuam a violência e criar instituições racionais. A história de Orestes e do Areópago é um legado dos gregos, a quem muito devemos, claro, mas é fundamentalmente um legado do Ocidente. Convém não o esquecer.

É também esta herança de racionalidade e justiça imparcial que o filósofo John Locke recupera com o seu contratualismo no século XVII. A legitimidade do Estado estaria directamente ligada à segurança pública e à estabilidade jurídica, oferecendo instituições de mediação que substituíssem a justiça “pelas próprias mãos”. Mas, ao longo das últimas décadas e com os excessos do estado social, fomo-nos esquecendo de que o papel do Estado dificilmente se justifica com o financiamento de restaurantes ou a promoção de projectos políticos duvidosos. A sua função primeira é a de garantir paz e segurança, mas também a de garantir resposta em caso de calamidade: se o Estado não serve para isso, serve para quê?

OCIDENTE       MUNDO       ESTADO       POLÍTICA

COMENTÁRIOS

Ana Luís da Silva: Excelente o último parágrafo! Garantir paz e segurança e intervir de forma eficaz em caso da calamidade seria a primacial razão de ser do Estado como aqui bem sublinha Patrícia Fernandes… mas foi enterrada sob a conveniência de uma classe política rendida a outros objectivos, dos ideais de uma Esquerda desconstrutiva, aos interesses particulares  dos do seu feudo.

Rui Lima: Os Estados ocidentais, presos a um Estado social orientado para a caça ao voto, esquecem muitas vezes a sua missão essencial, garantir a liberdade individual para que cada cidadão possa prosperar. A Suécia foi pioneira nessa visão. No século XVIII, Anders Chydenius defendeu a liberdade de comércio e de iniciativa individual, mostrando que a riqueza colectiva nasce da liberdade, não do controlo estatal. A missão do Estado deve ser simples,  defender os cidadãos e as suas liberdades, não substituir a responsabilidade individual nem interferir excessivamente na vida dos outros.

Maria Helena Oliveira: Brilhante como sempre.