terça-feira, 17 de março de 2026

Drones e rockets


Eficazes no modus vivendi de uma actualidade por enquanto de nós, lusos, afastada. Até ver.

 

Em directoEmbaixada norte-americana no Iraque atingida por rockets e drones iranianos

A embaixada dos EUA e um hotel foram atingidos em Baghdad pelo Irão. Emirados Árabes Unidos dizem que uma pessoa morreu devido à queda de destroços de um míssil. Irão anuncia detenção de 10 espiões.

ABEDIN TAHERKENAREH/EPA

Momentos-chave

Há 8mNovo embaixador de Portugal apresentou cartas de acreditação ao MRE venezuelano

Há 11mObjectivo de Estados Unidos e Israel com guerra contra Irão não é claro

Há 18mIrão anuncia detenção de dez espiões

Há 24mQueda de destroços de míssil provoca um morto em Abu Dhabi

Há 28mEmbaixada norte-americana no Iraque atingida por rockets e drones iranianos

Actualizações em directo

Há 8m07:2 Agência Lusa 

Novo embaixador de Portugal apresentou cartas de acreditação ao MRE venezuelano

A Venezuela recebeu, segunda-feira, as cartas de acreditação do novo embaixador de Portugal em Caracas, Manuel Frederico Pinheiro da Silva.

A recepção das cartas de acreditação foi confirmada pelo ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, numa mensagem nas redes sociais, na qual sublinha estar em curso uma nova etapa nas relações diplomáticas entre Portugal e a Venezuela.

“Recebemos as cartas credenciais de Manuel Frederico Pinheiro da Silva, o novo embaixador de Portugal na Venezuela, a quem demos as boas-vindas oficiais ao nosso país e desejámos-lhe um mandato bem-sucedido”, anunciou o ministro nas redes sociais X e Instagram.

Há 9m07:23 Agência Lusa 

Washington pressiona Tóquio e Seul para ajuda militar no Estreito de Ormuz

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, insistiu junto dos seus homólogos do Japão e da Coreia do Sul para que contribuam para a segurança do Estreito de Ormuz.

Em chamadas realizadas na noite de segunda-feira com Rubio, os ministros dos Negócios Estrangeiros japonês e sul-coreano, Toshimitsu Motegi e Cho Hyun, sublinharam a importância de ser garantida uma navegação segura naquela passagem estratégica, onde as tensões estão a afectar o fornecimento global de combustível, contudo não esclareceram a posição dos respectivos governos relativamente ao apoio solicitado por Washington.

Há 11m07:21 Agência Lusa 

Objectivo de Estados Unidos e Israel com guerra contra Irão não é claro

O presidente do Conselho Europeu considera que o objectivo dos Estados Unidos e de Israel com a guerra contra o Irão, que “não é claro”, vai ditar a duração do conflito, e admite “profunda preocupação” com as consequências.

“Penso que tudo [tempo que durará a guerra] depende de qual é o objectivo final desta missão e isso não é claro”, afirmou António Costa, em entrevista à Lusa e a outras agências noticiosas no âmbito do projecto Redacção Europeia (European Newsroom) nas vésperas de uma cimeira europeia marcada para quinta e sexta-feira e na qual será abordada a situação no Médio Oriente.

Trata-se de uma iniciativa adoptada pelos Estados Unidos e por Israel sem qualquer informação prévia aos aliados europeus. Expressamos a nossa profunda preocupação com as consequências desta guerra para a ordem internacional baseada em regras, com as consequências humanitárias e também com o impacto nos custos da energia na economia global”, acrescentou o antigo primeiro-ministro português.

 

HÁ 18M07:14 Adriana Alves

Irão anuncia detenção de dez espiões

A Guarda Revolucionária do Irão disse que as suas forças detiveram dez espiões, sem identificar as suas nacionalidades.

Dez mercenários, elementos traiçoeiros foram identificados e detidos”, disse a Guarda Revolucionária do Irão, citada pela AFP.

Há 24m07:07 Adriana Alves 

Queda de destroços de míssil provoca um morto em Abu Dhabi

Uma pessoa morreu em Abu Dhabi devido à queda de destroços de um míssil balístico interceptado pelas autoridades. A informação foi divulgada na rede social X pelo gabinete de comunicação de Abu Dhabi.

A vítima, revelaram as autoridades, tinha nacionalidade paquistanesa.

Há 28m07:04 Adriana Alves 

Embaixada norte-americana no Iraque atingida por rockets e drones iranianos

A embaixada norte-americana em Baghdad foi atingida pelas forças do Irão. Por enquanto não é claro o tipo de danos infligidos. Uma fonte de segurança disse à AFP que o edifício foi atingido por quatro rockets e três drones. Já a Reuters noticiou, citando fontes de segurança do Iraque, que foram lançados rockets e pelo menos cinco drones.

Uma milícia pró-iraniana publicou, entretanto, um vídeo de quase dois minutos que mostra um drone a aproximar-se da embaixada norte-americana, noticiou a CNN. Nas imagens é possível ver o aparelho a voar pelo complexo fortificado.

A embaixada dos EUA fica na chamada zona verde de Baghdad, que também abriga o parlamento e os serviços do governo iraquiano. Também foi relatado um outro ataque na zona verde, que atingiu o hotel Al‑Rasheed.

O Ministério do Interior confirmou a queda de um drone no hotel Al-Rasheed. “O Ministério deseja esclarecer que, após equipas forenses especializadas realizarem uma inspecção técnica no local, constatou-se que um drone atingiu a cerca superior do hotel, sem resultar na perda de vidas ou danos materiais significativos”, indicou.

 

Curiosidade catita


Os poderosos do mundo… Primeiro Putin… Agora Trump… A seguir, o que será? E o mundo deixa… Para ver como é… Como sempre foi… Com as variantes naturais do progresso…

O mar minado, os riscos das escoltas navais e o cenário da escalada da guerra. Que soluções tem Trump para Ormuz?

Donald Trump enfrenta um desafio difícil com actual bloqueio no Estreito de Ormuz - Francis Chung / POOL/EPA

JOÃO PAULO GODINHO

Texto

Trump fez apelo para mobilizar meios para garantir a segurança da passagem dos petroleiros na passagem entre Omã e Irão. Aliados europeus, Japão e Coreia do Sul disseram não.

16 mar. 2026, 23:062

Índice

Os riscos militares de prolongar o conflito

Uma ameaça de 5.000 minas marítimas

Meios não testados em tempo de guerra

Como poderia uma escolta naval ocorrer e qual a razão para o ‘não’ dos aliados a Trump?

Os 39 quilómetros de água que separam as duas margens das costas de Irão e Omã no Estreito de Ormuz tornaram-se a pior dor de cabeça de Donald Trump na última semana. O bloqueio imposto por Teerão à passagem de embarcações de EUA, Israel e seus aliados praticamente anulou a circulação marítima da qual depende entre 20 a 25% do petróleo mundial. O preço do barril disparou acima dos 100 dólares, o custo de vida das pessoas começa a sofrer os primeiros impactos negativos e a ausência de soluções do Presidente norte-americano coloca em causa a sua operação “Fúria Épica”.

Se é certo que Washington e Telavive conseguiram eliminar o líder supremo Ali Khamenei e uma parte significativa dos comandos de topo do regime iraniano desde 28 de fevereiro, o garrote instalado por Teerão no Estreito de Ormuz parece ter apanhado de surpresa os EUA. E, agora, não há nenhuma solução ideal para resolver o problema, que está a sair caro à economia mundial, ainda que o líder da Casa Branca anuncie num dia que a “guerra vai terminar em breve” e no outro garanta que o Irão quer um acordo, mas que “os termos não são suficientemente bons” para parar já o conflito.

Donald Trump lançou na última semana a ideia de a Marinha norte-americana poder avançar com escoltas navais à circulação dos petroleiros. Sem grande convicção, acabaria por recuar para já nesse plano. Acto contínuo, começou a pressionar vários países para deslocarem meios navais militares para a zona que separa o Golfo Pérsico do Mar Arábico. Primeiro, visou China, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e França; depois, alargou a mensagem a “todos os países do mundo que recebem petróleo através do Estreito de Ormuz”; por último, ameaçou os aliados da NATO com um “futuro muito mau”, caso não venham em auxílio dos EUA. Em diferentes idiomas, o Presidente norte-americano só tem recebido uma resposta ao envio de meios militares: não. Alguns países assumem estar a estudar opções de normalização da circulação naval, outros apontam para a diplomacia, nenhum se compromete face aos riscos. Da colocação de embarcações nacionais ao alcance de mísseis e drones do Irão à navegação por águas potencialmente minadas ao longo dos últimos dias, passando pela lentidão da tarefa de desminagem ou a aplicação de meios nunca antes testados em contexto de guerra, os EUA enfrentam agora águas desconhecidas. Os riscos militares de prolongar o conflito

Declarar uma vitória ‘limitada’ e retirar ou continuar o conflito em nome dos objectivos que tinha traçado para o Irão? O dilema coloca-se agora perante Donald Trump com o estrangulamento do Estreito de Ormuz. EUA e Israel queriam eliminar a ameaça regional (e mundial), anular quaisquer planos de desenvolvimento de uma arma nuclear e forçar o fim do regime em Teerão. Porém, a morte de Ali Khamenei não se traduziu no fim da República Islâmica, com o filho Mojtaba Khamenei a subir ao cargo de Líder Supremo.

E sobre a capacidade de Teerão continuar a ameaçar Israel — e a própria estabilidade no Médio Oriente — ou o desenvolvimento das suas potencialidades nucleares, talvez ainda seja cedo para ter uma resposta inequívoca. Afinal, mesmo fortemente atingido e debilitado, o regime iraniano conseguiu alargar os ataques a vários países com bases ou posições aliadas dos EUA.

Reforçar os meios norte-americanos imediatamente no Estreito de Ormuz, com vista à segurança e protecção dos petroleiros e de outras embarcações, colocará esses mesmos meios ao alcance dos mísseis antinavio iranianos. Ou seja, irá acrescentar uma nova dimensão a um conflito essencialmente travado nos céus e que já fez mais de dois mil mortos na região.

 ROYAL THAI NAVY / HANDOUT/EPA

Segundo a Bloomberg, e embora não seja conhecida a extensão do arsenal iraniano, Teerão terá pelo menos seis tipos destes mísseis, de acordo com dados do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos. Fora do Estreito de Ormuz, as embarcações da Marinha norte-americana deverão estar a salvo, já que a maioria destes mísseis iranianos têm um alcance máximo de cerca de 120 quilómetros (75 milhas). Contudo, tal raio de acção é mais do que suficiente para ser uma ameaça efectiva na curta passagem entre Irão e Omã.

Em paralelo, a concentração de mais recursos humanos, quando já estão cerca de 50 mil elementos no Médio Oriente, arrisca colocar em perigo mais vidas norte-americanas. Já morreram 13 membros das forças armadas dos EUA e em Teerão acredita-se que o tempo joga a seu favor. Quanto mais tempo durar o conflito, mais dispendiosa e impopular se tornará a operação de Washington, até entre a facção de apoio MAGA (fortemente leal a Trump) e os republicanos.

Por outro lado, uma tentativa de Washington forçar a retoma da circulação das embarcações sem garantias de segurança é uma ideia de execução altamente improvável. Não só pelos riscos económicos associados, mas porque nenhuma companhia quer colocar em causa a segurança das tripulações, lançando as embarcações com os mísseis ou drones iranianos preparados para disparar. Mesmo que Trump tenha já declarado que os EUA dizimaram a capacidade ofensiva iraniana.

“O Irão possui um arsenal de mísseis antinavio bastante robusto. Se o tráfego marítimo fosse retomado, estes mísseis tornar-se-iam um desafio ainda maior”, garante Sid Kaushal, um investigador sénior do Royal United Services Institute, do Reino Unido, citado pela Bloomberg. E esse não é o único risco nas águas do Estreito de Ormuz.

Uma ameaça de 5.000 minas marítimas

Os ataques dos EUA e de Israel desde 28 de fevereiro terão destruído grande parte da Marinha da República Islâmica, mas a Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária, cujo funcionamento é autónomo, terá ainda capacidades para ser uma ameaça. Há muito que esta área da Guarda Revolucionária tem desenvolvido esforços e uma preparação para um cenário de bloqueio no Estreito de Ormuz.

De acordo com revista Foreign Affairs, a aposta iraniana passa por uma combinação de mísseis, drones, submersíveis, lanchas rápidas, embarcações de superfície não tripuladas e minas. Alegadamente, 5.000 minas marítimas, segundo dados citados na imprensa internacional. Isoladamente, os mísseis ou os drones já foram suficientes para criar um clima de medo e efectivamente travar a circulação pelo Estreito de Ormuz; a sua associação às restantes valências e, sobretudo, às minas pode arrastar no tempo o actual bloqueio.

Esses riscos estarão, aliás, na base das reticências da Casa Branca em avançar com escoltas navais norte-americanas à passagem das embarcações, após uma sinalização inicial nesse sentido. Com efeito, Washington procura agora por todos os meios envolver os meios de outros países e, assim, mitigar os riscos. Não é preciso recuar muito no tempo para se encontrar uma operação similar; entre dezembro de 2023 e meados de 2025, EUA, Reino Unido e França empenharam-se na protecção da passagem de embarcações no Mar Vermelho face à ameaça dos houthis. Todavia, os aliados iranianos do Iémen não tinham os meios que Teerão tem ao seu dispor para ser uma ameaça maior.

EUA, Reino Unido e França empenharam-se na proteção da passagem de embarcações no Mar Vermelho face à ameaça dos houthis entre dezembro de 2023 e meados de 2025. Todavia, os aliados iranianos do Iémen não tinham os meios que Teerão tem para colocar em causa a segurança no Estreito de Ormuz

ÍNDICE: Os riscos militares de prolongar o conflito Uma ameaça de 5.000 minas marítimas Meios não testados em tempo de guerra

Como poderia uma escolta naval ocorrer e qual a razão para o ‘não’ dos aliados a Trump?

Desconhece-se se o Irão conseguiu colocar minas marítimas durante as últimas duas semanas na passagem entre o Golfo Pérsico e o Mar Arábico, bem como os meios de lançamento destes dispositivos na água. O Pentágono anunciou já a destruição de 16 navios iranianos de colocação de minas desde o início da guerra, embora Teerão continue a ter alguns meios para levar a cabo uma eventual missão de colocação de minas. Telegraph revela também que o Irão terá pré-posicionado os seus arsenais de minas, a fim de serem lançadas através de lanchas rápidas ou por intermédio de mísseis.

A seu favor o Irão tem ainda a experiência do passado, já que no final dos anos 80, durante a guerra com o Iraque, colocou muitas minas nas águas do Golfo Pérsico para atacar navios iraquianos. Os EUA até já sabem os riscos e os custos de enfrentar um mar minado. Foi assim da guerra da Coreia até à Guerra no Vietname, passando pela Guerra do Golfo, em que o Iraque lançou cerca de 1.000 minas ao largo da costa do Kuwait para dissuadir uma aproximação das tropas norte-americanas.

Duas dessas minas explodiram mesmo, atingindo navios de guerra norte-americanos, mas sem provocar o seu naufrágio. Em 1987, os EUA mobilizaram embarcações militares para proteger os petroleiros, mas não estavam então envolvidos no conflito.

A solução para contrapor a este desafio traz também novos riscos: mobilizar meios para uma eventual desminagem implica a sua vulnerabilidade por um longo período de tempo. A remoção de minas marítimas (ou submarinas) é considerada uma tarefa morosa e perigosa, pois acarreta enviar embarcações de guerra e helicópteros para o Estreito de Ormuz e essa possibilidade constitui uma armadilha que Teerão estará a lançar aos EUA.

Meios não testados em tempo de guerra

No final do ano passado, a Marinha dos EUA retirou do Golfo Pérsico as embarcações Avenger, especializadas na remoção de minas, com vista à sua substituição por novos e mais modernos meios. Entre estes contam-se veículos subaquáticos não tripulados e navios de combate litoral, aliados a novos sistemas de detecção e radar e a helicópteros especializados, mas a sua mobilização significa um problema: nunca foram testados em pleno período de combate.

Estão já no Médio Oriente três destas novas embarcações militares: o USS Canberra, o USS Tulsa e o USS Santa Barbara. Contudo, a sua colocação no Estreito de Ormuz para executar uma missão de desminagem poderia levar a perdas maiores entre os EUA.

Consequentemente, Washington e Telavive poderiam responder com um intensificar dos bombardeamentos e ataques aéreos, com vista a garantir a segurança. No entanto, ao fim de duas semanas e já com a mudança na liderança do regime e um ataque pesado à Ilha de Kharg — coração da indústria petrolífera iraniana —, poderão começar a escassear os alvos sobre os quais os EUA possam colocar Teerão sob pressão. Pelo menos ao ponto de “rendição incondicional”, como chegou a pedir Donald Trump.

 MASS COMMUNICATION SPECIALIST SEAMAN ZOE SIMPSON/US NAVY HANDOUT/USS Abraham Lincoln (CVN 72)

O envio destes meios pode, paradoxalmente, ser mais arriscado do que para os próprios petroleiros, já que estes estão compartimentados e podem resistir mais eficazmente ao impacto de uma mina marítima do que os navios militares.

A remoção de minas é sempre um processo lento e difícil; fazê-lo durante uma guerra em pleno andamento, enquanto se enfrentam ameaças de mísseis de cruzeiro antinavio lançados a partir de terra, drones e outros meios navais iranianos, seria extremamente perigoso”, refere Caitlin Talmadge, professora de ciências políticas e especialista em segurança no MIT, citada pelo Telegraph.

Visão similar tem Charles Kupchan, investigador sénior do Conselho de Relações Externas, em declarações à estação Al Jazeera: “Uma das tarefas navais mais difíceis é a remoção de minas. Os iranianos poderão disparar contra navios a partir da sua costa. Podem utilizar submersíveis, podem utilizar drones navais, do tipo que vimos na Ucrânia, que se revelaram bastante eficazes contra os russos… Esta é uma guerra bastante impopular entre os aliados europeus. Ninguém quer envolver-se.”

Como poderia uma escolta naval ocorrer e qual a razão para o ‘não’ dos aliados a Trump?

A mobilização de navios de guerra para proteger uma embarcação (ou várias) ao longo do Estreito de Ormuz face aos possíveis ataques iranianos poderia, sustenta a ABC News, ser realizada através de contratorpedeiros da classe Arleigh Burke, simultaneamente preparados com meios de defesa aérea e de resposta a mísseis antinavio disparados desde a costa.

Na região do Mar Arábico, ao largo da costa oriental de Omã, encontram-se já oito contratorpedeiros, que acompanham o USS Abraham Lincoln. São o USS Michael Murphy, o USS Mitscher, o USS Pinckney, o USS Delbert D. Black, o USS McFaul, o USS Spruance, o USS Frank E. Petersen e o USS John Finn, que poderiam avançar para assegurar uma passagem tranquila dos petroleiros e outros navios comerciais pelo Estreito de Ormuz.

Desde o início do conflito, no dia 28 de fevereiro, já foram relatados quase duas dezenas de ataques a embarcações junto da costa iraniana. Apesar disso, Teerão garante que o Estreito de Ormuz “não foi bloqueado”, mas, nas palavras de Alireza Tangsiri, comandante naval da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), colocado “apenas sob controlo” iraniano.

"O Estreito de Ormuz está aberto. Está fechado apenas aos petroleiros e navios pertencentes aos nossos inimigos, àqueles que nos atacam e aos seus aliados. Os demais são livres de passar" Abbas Araghachi, MNE do Irão

Índice: Os riscos militares de prolongar o conflito Uma ameaça de 5.000 minas marítimas Meios não testados em tempo de guerra

Como poderia uma escolta naval ocorrer e qual a razão para o ‘não’ dos aliados a Trump?

Por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, destacou que a passagem está aberta à navegação internacional, menos para quaisquer embarcações norte-americanas, israelitas ou dos seus aliados.O Estreito de Ormuz está aberto. Está fechado apenas aos petroleiros e navios pertencentes aos nossos inimigos, àqueles que nos atacam e aos seus aliados. Os demais são livres de passar”, vincou.

O efeito, todavia, estendeu-se a quase todas as embarcações, que não se mostraram disponíveis para fazer a travessia sem dispor de um acordo com Teerão. Foi isso que alguns Estados procuraram acertar-se directamente com o regime iraniano, como foi o caso da Índia, dependente do abastecimento de gás que passa pelo Estreito de Ormuz, que estabeleceu um acordo para a passagem de duas embarcações na última semana.

Diante do actual impasse e condicionado pelo forte impacto negativo na economia, Donald Trump tentou angariar a participação de outros estados: quer aliados, quer até países que não se enquadrariam nesta definição, como a China. Contudo, todos os Estados europeus — incluindo Portugal — que já se pronunciaram fizeram-no apenas para rejeitar o envolvimento. O Reino Unido, por exemplo, já lembrou que “esta não é uma missão da NATO” e que, mesmo sendo um tradicional parceiro dos EUA em missões internacionais, não será arrastado para um conflito alargado no Irão.

A percepção é clara: não só os EUA se desviaram da aliança histórica com a Europa neste segundo mandato de Trump, como um conflito no Irão é associado a mais danos do que benefícios, além de retirar o foco da guerra entre a Ucrânia e a Rússia. E nenhum dos líderes europeus quer ver Vladimir Putin sair a ganhar com uma nova distracção no Irão.

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COMENTÁRIOS (de 9)

Luis Silva: Entretanto continua-se sem saber se Benjamin Netanyahu está vivo ou morto, pois o video em que ele aparece num café a mostrar que está vivo também é gerado por IA.

Luis Silva: Os EUA cobardolas como sempre estão a levar uma tareia monumental e a ser expulsos do Medio Oriente. Os genocidas israelitas estão a masacrar pelos misseis com submunições, que não conseguem ser interceptados.

Liberal do Costume: Ao fim de mais de um ano, tenho que admitir que estaríamos provavelmente melhor se "aquela bala" tivesse passado uns centímetros à sua esquerda. Mas sem Kamela, claro!

segunda-feira, 16 de março de 2026

Recordar é viver

 

Por isso ficamos gratos a quem se debruça sobre autores que passaram também na nossa formação literária, os autos e as farsas vicentinas dando-nos a conhecer formas literárias e costumes naturalmente inscritas na sua própria época, as personagens não deixando de possuir traços de carácter afinal de todo o sempre. Por isso, Gil Vicente, arcaico na forma, não deixa de apresentar na sua obra características que o imortalizaram, na nossa História Literária.

 

Plano Nocional de Leitura (XLIV)

É no carácter remoto que está a maravilha única das peças de Gil Vicente, misturas de entretém, cerimónia religiosa, feira agrícola, charada, e propaganda.

MIGUEL TAMEN Colunista do Observador, Professor (e director do Programa em Teoria da Literatura) na Universidade de Lisboa.

OBSERVADOR15 mar. 2026, 00:211

O problema principal com o teatro de Gil Vicente (1465? – 1536?) é que praticamente nada do que escreveu é hoje reconhecível como teatro.  Como no caso da música clássica, ou do romance, chamamos teatro a trezentos e cinquenta anos miraculosos, e, com menos razão, a alguns apêndices gregos, aqui e ali; foi esse milagre, que começou cinquenta anos depois de Gil Vicente, que produziu o que para todos os efeitos é hoje reconhecido como teatro pelas pessoas que vão ao teatro.

Quando quase trinta anos depois da sua morte, em 1562, se publicaram as obras de Gil Vicente, chamou-se ao livro simplesmente ‘Compilação’.  Foi dividido em “obras de devoção”, “comédias”, “tragicomédias”, “farsas” e “obras miúdas.” A maioria das peças transcritas no livro tem porém títulos que sugerem animais pré-históricos: ‘auto,’ ‘pranto,’ ‘romagem,’ ‘monólogo,’ ‘diálogo,’ ou ‘exortação.’  São no total quase cinquenta peças, e terão sido escritas em menos de trinta anos; a média é shakespeariana, mas a obra não tem nada a ver com Shakespeare.

Das peças de Gil Vicente haverá menos de dez que são regularmente representadasEntre as mais famosas algumas foram primeiro consideradas obras de devoção.  Embora a maior parte do teatro que ainda se escreve seja também constituído por obras de devoção, as peças de Gil Vicente ocorrem quase só em festas de liceu, associações recreativas e teatros nacionais.   O que o público retém delas são algumas expressões salazes (“samicas de caganeira”), e o ritmo enervante da redondilha maior, que faz lembrar um corridinho do Algarve.  Por vezes, como se diz, “saem” em exames.

Ao procurar trazer Gil Vicente para uma noção reconhecível de teatro, sublinha-se com ansiedade a relevância política e moral daquilo que escreveu.  A Farsa de Inês Pereira anunciaria costumes incertos e adultério serialO Auto da Índia argumentaria contra a expansão portuguesa e a Índia epónima.  E o Auto da Barca do Inferno levantaria objecções sérias a fidalgosMas o esforço para extrair relevância não é compensado pelos proveitos.  A quem interessa ainda a Índia, os fidalgos e o adultério?   Quem, no fundo, terá farelos?  Não é o reconhecimento dos nossos problemas que faz do teatro teatro.  Rei Édipo não é relevante para ninguém, como já não era para o pobre Édipo.

É no carácter remoto que está a maravilha única das peças de Gil Vicente.  Todas são sempre em proporções incompreensíveis misturas de entretém, cerimónia religiosa, feira agrícola, charada, e propagandaNaquele tempo as pessoas não iam ao teatro: não havia bilhetes, arrumadores, encenadores e autarquias; mas no século V também ninguém ia realmente ver o Rei Édipo. É com Sófocles e não com Shakespeare que se deve comparar Gil Vicente. Não obstante, como as missas de requiem nos concertos e os Jogos Olímpicos na televisão, persistimos em imaginar-lhe relevância; e Gil Vicente tornou-se por desleixo o pai fundador do teatro português.

COMENTÁRIOS:

Jorge Casaca. Bom dia escrever sobre redondilhas maiores em redondilhas maiores é muito bom.