segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Filosofices da vida

 

Viver em paz, em suma, desde que sejamos acompanhados dos meios antipacifistas, necessários para induzir a essa…

Uma Europa livre sem armas não trará a paz

A história ensina muito, mas não dá respostas simples. Uma das coisas que mostra é que pensar que se pode viver sem riscos ou defender a liberdade sem armas nunca foi realista.

BRUNO CARDOSO REIS Historiador e especialista em segurança internacional

OBSERVADOR, 19 out. 2026, 00:23

Os europeus ocidentais desabituaram-se da guerra. Em certo sentido é normal: vivemos, desde 1945, sem grandes guerras convencionais na Europa Ocidental. O problema é que nos convencemos de que a paz é natural, não tem custos, não exige meios de defesa e dissuasão de ameaças. Um texto de opinião recente ajuda a ilustrar o ponto a que chegou o nosso desarmamento intelectual e os disparates a que isso conduz.

Vão combater, malandros

Há um sofisma muito popular nas redes sociais: o de que só tem legitimidade para analisar e defender algum envolvimento num conflito armado quem estiver no terreno a combater. Lamento desapontar os muitos anónimos das redes, mas não preciso da licença deles para analisar ou opinar sobre guerras. Tirei essa licença quando me doutorei em estudos de guerra pelo King’s College. A ideia de que só um combatente pode analisar guerras apenas faz sentido para quem desconhece o básico desse tipo de estudo. Teremos de parar de escrever sobre a eficácia de desembarques anfíbios na Segunda Guerra Mundial porque não temos uma máquina do tempo para ir combater na Normandia? No presente, existem 66 conflitos armados em todo o mundo; temos de combater em todos eles, e ao lado de que beligerante? Esta espécie de machismo analítico – “não és homem para ires lá dar uns tiros” – é especialmente risível porque estes autonomeados especialistas naturalmente não praticam o que defendem. Uma variante que pode parecer mais razoável deste argumento é a ideia de que quem defende algum tipo de apoio a um país invadido devia ir lá combater. No entanto, seguindo a mesma lógica, se defendermos a ajuda ao combate aos incêndios em Espanha, às vítimas das cheias em Moçambique ou do Ébola no Quénia – situações que envolvem algum risco de vida – em vez de mandarmos bombeiros ou médicos qualificados, deveríamos ir em pessoa? Ridículo.

Os nossos filhos não

O cronista citado mostra-se muito preocupado com a falta de rigor alheio. É verdade que é preciso cuidado com a desinformação e a propaganda numa guerra. Resolve então apostar num processo de intenções abusivo, numa manipulação grosseira, ou, na demonstração superpoderes psíquicos na leitura de mentes alheias. Afirma que o verdadeiro objectivo dos analistas ou governos que defendem que a Europa tem de se rearmar e ajudar a Ucrânia a defender-se é preparar o terreno para arrancar os jovens europeus dos seus lares pacíficos – com base num serviço militar obrigatório que nem sequer existe na maioria dos países – para os forçar a ir combater na frente ucraniana.

A ideia de que enviar armas e dinheiro para a Ucrânia conduz inevitavelmente ao envio de tropas é desmentida pelos últimos cinco anos e pela história. Temos centenas de conflitos desde 1945 em que um dos lados foi armado por potências externas sem envolvimento de tropas próprias. Mais, na maioria dos casos em que forças expedicionárias foram enviadas, tratou-se de tropas profissionais, de soldados voluntários. Os EUA no Vietname e a União Soviética no Afeganistão são excepções, tal como as guerras coloniais tardias, mas tornaram-se casos exemplares do que se quer evitar.

O título da coluna citada afirma que Portugal “não deve filhos à Ucrânia”. Realmente não estamos obrigados a isso por nenhum acordo formal, ao contrário dos EUA e da Rússia que, em 1994, no memorando de Budapeste, se comprometeram a garantir a segurança e integridade territorial da Ucrânia em troca do governo de Kiev ceder a Moscovo as armas nucleares soviéticas que tinha herdado. No entanto, Portugal apoiou esse processo de desnuclearização da Ucrânia, que até se iniciou com negociações em Lisboa. É um excelente exemplo dos riscos do desarmamento unilateral. Isso significa que não devemos nenhum apoio à Ucrânia? E não se combate uma invasão sem armas e dinheiro.

Os “mecânicos” da Oficina da Liberdade acham que a liberdade foi construída e mantida sem luta? Devemos evitar qualquer risco de desagradar a uma Rússia que, dizem-nos, não é sequer uma ameaça séria? Devemos deixar uma grande potência com declarados objetivos expansionistas tentar invadir quem quiser na Europa, desde que não sejamos nós? Vamos esperar até que o alvo seja membro da NATO para fazermos alguma coisa? Já se tentou essa lógica de apaziguamento amoral, na década de 1930, e o resultado não foi grande coisa do ponto de vista da defesa da paz.

Orgulhosamente sós?

É legítimo discutir o que Portugal deve fazer num mundo cada vez mais propenso a conflitos armados, que atingiram um número recorde no ano passado. Por exemplo, devemos voltar a ter um serviço militar obrigatório? Do meu ponto de vista essa opção é cara e militarmente pouco eficaz, mas o que fazemos se deixarmos de ter voluntários suficientes? Também me parece evidente que – tal como já acontece hoje – só devem ser enviados para combater no exterior soldados profissionais e, de preferência, voluntários para essas missões. Aliás, já temos jovens portuguesas em zonas de guerra, por exemplo, na força destacada na missão da ONU na República Centro-Africana.

Num contexto em que um aliado-chave como os EUA se mostra pouco de fiar, devemos ser capazes de pensar fora da caixa estratégica habitual. O que não faz sentido é fingir que a Europa decidiu rearmar-se por capricho, ou que qualquer apoio à Ucrânia levará à Terceira Guerra Mundial, como nos dizem há cinco anos. A Ucrânia está numa situação muito difícil com uma nova aproximação de Trump a Putin. Eu não faço da Rússia uma potência imbatível – isso não existe – mas mesmo um regime muito ineficiente, quando está armado até aos dentes, pode causar grandes estragos na vizinhança. Há sinais de cansaço em sectores importantes na Europa com o apoio à Ucrânia. Não me espanta que haja quem esteja a procurar alibis para se livrar de incómodos. Podemos em breve testar a tese de que uma paz a qualquer preço na Ucrânia irá contribuir para a segurança da Europa livre.

Se não quisermos mandar armas ou tropas para lado nenhum, então estamos a defender que Portugal deve abandonar as suas alianças e adoptar uma estrita neutralidade. É legítimo, mas convém perceber que isso não nos livra dos impactos negativos de conflitos armados ou da necessidade de investimento em defesa. Grande parte do Mundo não está em guerra com o Irão, mas todos pagam o preço na bomba de gasolina. Essa opção também significa que, se formos atacados ou ameaçados, estaremos por nossa conta. É o que querem? Querem ir mais longe e defender o desarmamento unilateral? Digam-no abertamente, e expliquem onde é que isso correu bem. Na Ucrânia não foi certamente. Existem alguns exemplos bem-sucedidos de neutralidade, como a Suíça ou a Suécia, todos casos de neutralidade armada e de forte investimento na indústria de defesa nacional. Também há alguns poucos Estados que, abdicaram de ter Forças Armadas, com isso aceitam ser protectorados de outra potência, limitando as suas opções externas. É isso que defendem e quem seria o protector?

Há também muitos fracassos da aposta na neutralidade como forma de evitar envolvimento em guerras, como a Bélgica, a Dinamarca ou a Noruega na Segunda Guerra Mundial. A história ensina muito, mas não dá respostas simples. Uma das coisas que mostra é que pensar que se pode viver sem riscos ou defender a liberdade sem armas nunca foi realista. Resta-nos escolher que riscos vale a pena correr, que valores queremos defender e como, desde logo, se sozinhos, se com outros.

Europa      Mundo      Guerra      Conflitos

COMENTÁRIOS

Paulo Silva

Na guerra psicológica há uma forma de a fazer convencendo o outro que nada tem a temer de nós. Quando este se aperceber do contrário, será tarde demais... A União Soviética foi um dos grandes baluartes da propaganda anti-guerrista, (embora à guerra deva a sua existência). Quando Inglaterra e França declararam guerra ao Terceiro Reich a URSS criticou-a como uma ‘guerra imperialista’, (após ter dividido com Hitler o leste da Europa em esferas de influência), e colocou-se numa posição de falsa neutralidade, (na sombra esteve sempre a apoiar o esforço de guerra nazi). Até que em Junho de 1941, quando Hitler quebrou o pacto de não agressão, o discurso mudou 180 graus...

Espanta-me sempre a paixão ingénua e o dispêndio de energia que algumas alminhas investem na crença do “homem novo” … Um ser virtuosamente perfeito despido de qualquer defeito moral...


domingo, 18 de outubro de 2026

Cá por casa…

 

Não falta coragem…  É certo que… para inglês ver… Nos  nossos improvisos… de imitação alheia.

"É para aguentar!" Com dezenas de tendas, grupos de afinidade e vigias, acampada de Lisboa pela Habitação manteve-se madrugada adentro

Adriana Alves: Texto

Diogo Ventura: Fotografia

Quando as primeiras tendas foram montadas no Rossio ninguém arriscava dizer até quando ficava. No limite de hora legal formava-se um cordão para "aguentar" de forma "pacífica".

18 out. 2026, 04:39

Uma tenda azul, de aspecto frágil, é erguida no ar na praça D. Pedro IV, em Lisboa. Uma multidão aplaude e assobia. Às 17h30 de sábado a manifestação da CGTP ainda está a dispersar no Rossio, misturando-se com as pessoas que chegam para a “acampada” de Lisboa pelo direito à habitação. Junto à estátua da praça forma-se um círculo com os abrigos. Aos primeiros minutos do protesto ainda ninguém quer arriscar dizer se vai passar aqui a noite, mas ao longo da tarde e início da noite os sinais são claros: “É para aguentar”.

Quando o relógio marca a meia-noite e meia — o horário limite definido por lei para uma manifestação — chega o derradeiro aviso: “Pedimos que quem decida ficar na praça que o faça de forma pacífica. E pedimos que os agentes respeitem o nosso protesto”. Ninguém parece disposto a partir. É ao som de Grândola, Vila Morena, de Zeca Afonso, e de cânticos contra o primeiro-ministro, que marcaram todo o protesto, que se forma um cordão humano à volta das tendas. Há de desfazer-se e reagrupar-se ao longo das duas horas seguintes. É só perto das 02h30 que os cânticos abrandam até cessarem quase completamente. Ao microfone sugere-se a criação de “grupos de afinidade” para passar a noite e para se criarem vigias, caso a polícia apareça.

▲ Durante a colocação das tendas foram-se ouvindo inúmeras palavras de ordem e, por várias vezes, o barulho de centenas de chaves a serem agitadas.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

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“Uma vida digna não é só pagar contas”

Às 17h30, ao mesmo tempo que terminam de ser montadas as primeiras tendas, agitam-se centenas de chaves — umas a pender de cordões, outras enfeitadas com bonecos — para lembrar o mote do protesto (e imitar Madrid): Habitação para todos.

Erguem-se por toda a praça D. Pedro IV cartazes: “A política é bela, os políticos é que dão cabo dela”, “Casa mobilada com electrodomésticos e dívidas”. Mas o principal alvo é o primeiro-ministro. “Se protesto é egoísmo, ter 55 imóveis é o quê?”, lê-se numa cartolina, uma referência às palavras de Luís Montenegro, quando apelou aos manifestantes para que não fossem egoístas. As críticas ao primeiro-ministro marcam toda a tarde e noite. “Oh Montenegro, presta atenção, a tua casa vai virar ocupação”, ouve-se ao som de tambores. Já numa versão da tradicional música “Laurindinha” cantam também: “Oh Montenegro, vai para o c******”.

“Eu acho que o primeiro-ministro, que é uma pessoa que tem 55 casas, está bastante confortável para nos chamar egoístas quando estamos a lutar pelo nosso direito, começa por dizer Adriana Lima, uma das porta-vozes da acampada de Lisboa. “E também acho muito curioso, quanto mais ele tenta diminuir a nossa luta, mas na verdade ele está a mostrar o medo que tem de nós”, afirma. Sublinha que está em causa “a luta mais importante” em todo o país.

Apesar dos abrigos que vão surgindo, que são já mais de uma dezena, ao início da tarde muitos ainda não arriscavam dizer se iriam dormir na rua. “Vamos ficar aqui enquanto nos deixarem”, vão explicando alguns manifestantes ao Observador.

Dentro do círculo de tendas, onde se torna quase impossível passar sem pisar algum canto, há vários rostos tapados, quer por máscaras cirúrgicas, quer por lenços. Aos megafones gritam-se palavras de ordem — “Habitação é um direito, sem ela nada feito” — enquanto os manifestantes se vão acomodando.

▲ As primeiras tendas começaram a ser montadas por volta das 17h30.

Sentado dentro de uma tenda, de rosto parcialmente tapado, Gabriel, de 22 anos, enumera os motivos que aqui o trouxeram. “Não consigo arrendar uma casa neste momento. Estava a dividir a casa com três pessoas, uma saiu e agora temos todos de sair”, conta. Pagavam dois mil euros pelo apartamento. Agora tem até ao final do mês para encontrar outra opção. “Não temos ideia mesmo [se vamos conseguir arranjar]. Talvez tenhamos de ir para a rua, não sei».

Não faltam exemplos. Adriana Lima tem 26 anos, um contrato efectivo como professora e não antecipa sair da casa que aluga e conseguir comprar casa num futuro próximo. “Apesar de ter feito tudo o que nos mandam fazer — ir para a faculdade, ter mestrado, arranjar trabalho na minha área — não consigo comprar casa em Lisboa. Estou a pagar 600 euros por uma casa que estou a dividir com seis pessoas”, explica.

Há muitos outros que se juntam à manifestação por solidariedade. Ana Loureiro, de 43 anos, há muito que conseguiu comprar casa e veio para se juntar aos muitos que passam dificuldades para conseguir a mesma conquista. “Aquilo que eu estou a fazer, que é um trabalho essencial — eu sou enfermeira —, o ordenado que eu ganho com este modo de vida, com este incremento do custo médio de vida, eu não sei se vou conseguir até ter uma vida digna”, admite. “E uma vida digna não é só pagar contas”.

A enfermeira veio com uma tenda e está pronta para ali ficar enquanto for possível. Quanto tempo? Não sabe dizer. “Acima de tudo estarmos aqui a marcar todos presença. Deixem os bares, deixem os cafés, tragam tudo para aqui, acho que é o lema destes dias”.

Há também quem recorde que o problema não é só em Portugal, aludindo ao país vizinho. O caso de Maricarmen, uma idosa de 87 anos despejada da casa onde vivia há 70 anos, lançou os acampamentos em Puerta del Sol, em Madrid, que já duram há três semanas. “No fundo, houve uma visibilidade maior dessa senhora, mas há montes de gente nesta situação”, diz Liliana (nome fictício), de 26 anos. “Não são só jovens, é uma questão muito etária, mas não são só jovens”, sublinha.

“Não se fala com a bófia”

Os cânticos de ordem são interrompidos a meio da tarde para um breve alerta à multidão: “Não se fala com a bófia”. “Se alguém for detido, se alguém perguntar alguma coisa não falem. Toda a gente tem o direito de fechar a boca”, diz uma mulher ao megafone. “A bófia não é nossa amiga”. “Não precisam de saber as nossas informações, como viemos aqui ter, toda a gente que aqui está veio aqui ter por mero acaso”, afirma. Explica que, se alguém for detido, a primeira coisa que deve fazer é pedir um advogado.

As palavras recordam os momentos vividos nas manifestações no Porto, nos últimos dias. Na quinta-feira houve pessoas feridas e sete precisaram de assistência hospitalar após uma operação policial na Praça D. João I. Um agente também ficou ferido.

Os manifestantes e autoridades apresentam versões diferentes do que se passou. De um lado alegou-se que não chegaram ordens claras para dispersar e desmontar o acampamento, mantendo-se por isso um “cordão pacífico” à volta das tendas. Já a PSP recordou que a lei impede manifestações a partir das 00h30 e garante que agiu porque os manifestantes resistiram e tentaram impedir a sua acção.

No Rossio olha-se com desconfiança para os agentes da PSP, das equipas de intervenção e polícia municipal que patrulham na praça. O número de carrinhas das autoridades vai aumentando durante a tarde. Adriana Lima sublinha que os manifestantes não se sentem intimidados: “Ninguém deve ter medo de sair à rua”.

“Optimista”, a enfermeira Ana Loureiro espera que não haja problemas esta noite. Mas para prevenir, e porque vê “muita raiva acumulada daquele lado, sem razão”, trouxe consigo um kit de primeiros socorros. “Como já deu para ver ali atrás, parece que vai haver uma guerra. A pressão visual é muito grande, a quantidade de carros que está aqui para a quantidade de pessoas que aqui está (…). Tenho até pena deles de uma certa forma, porque eles também vivem em casas partilhadas, vêm de aldeias, ganham muito pouco e são instrumentalizados desta maneira”, diz.

A tarde ainda é marcada pela assembleia geral da acampada, com espaço para os manifestantes interessados falarem, dentro de um limite de dez minutos. “O que é que podemos esperar de Luís Montenegro, que tem 55 casas?”, começa logo por dizer o primeiro interveniente. No final são aprovadas as seis reivindicações: a reversão da lei do arrendamento; o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional; um travão à aquisição de habitação por parte de fundos imobiliários; o aumento de habitação pública; a iniciativa pública de recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais; e a aplicação de tectos de renda acessíveis.

▲ A assembleia popular, onde participaram centenas de manifestantes, começou poucos minutos depois das 19h.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

“É para aguentar”

Os cânticos e testemunhos prosseguem noite fora até serem interrompidos para um novo aviso. São 23h e ao microfone alertam que, legalmente, a manifestação não pode continuar para lá das 00h30, que nessa altura a polícia pode intervir para retirar os manifestantes. Apela-se a que, ainda assim, as pessoas não desmobilizem: “É exactamente depois dessa hora que temos de estar aqui, por isso aguenta!”. Garantem que estão preparados para, se necessário, enfrentar a polícia, mas pedem que todos o façam de forma pacífica. Indicam como organizar as tendas, em meia lua, com “espaço suficiente para passar uma pessoa, mas não o suficiente para passar a bófia”.

Às 00h30 o cordão humano está formado. Há muitos manifestantes de cara tapada, alguns com capacetes na cabeça. Durante as próximas duas horas as pessoas vão descontrair, conversando e cantando madrugada fora, retomando o cordão humano apenas quando há algum aviso dos megafones ou há sinais de movimentação das autoridades. Foi o caso quando elementos da Polícia Municipal vieram retirar algumas grades deixadas para trás durante o protesto da CGTP, que tinham sido aproveitadas na acampada para reforçar a corrente à volta das tendas.

O ritmo só abranda cerca das 02h30. Algumas manifestantes de megafone espalham-se pela praça para aconselhar a criação de grupos de afinidade (que, em protestos, servem para impedir que alguém fique sozinho) e apelar ao descanso. Sugerem também que se escolham vigias para estarem atentos às movimentações das forças policiais, mas são poucos os carros das autoridades na praça.

▲ No limite de hora legal formou-se um cordão para "aguentar" de forma "pacífica".

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Depois do anúncio, cessam os cânticos e os tambores. Alguns grupos vão abandonando o local lentamente, mas permanecem ainda algumas centenas de pessoas no Rossio. A maior parte ainda não recolheu às tendas. Para amanhã já estão previstas novas acções. Às 10h está marcado “boxe popular”, seguido de uma “corrida popular solidária” e nova assembleia. O lema mantém-se: “É para aguentar”.

Quando as primeiras tendas foram montadas no Rossio ninguém arriscava dizer até quando ficava. No limite de hora legal formava-se um cordão para "aguentar" de forma "pacífica".

18 out. 2026, 04:39

sábado, 17 de outubro de 2026

CONTINUAÇÃO

 

Do texto anterior – de Rui Pedro Antunes

  Em “Mi Casa”

COMENTÁRIOS

Hoyo de Monterrey

Não percebo porque não emigram para Cuba ou Venezuela, onde há habitação para todos e o nível de vida é muito melhor

Pedro Campos

Obviamente, que estes movimentos que são um verdadeiro "polvo" em torno da habitação são controlados pela extrema-esquerda com uma natureza desordeira e de arruaça, e com a complacência da comunicação social!!

Carlos Carvalho

Não percebo tanto entusiasmo dos jornaleiros com meia dúzia de comunas. O modelo cubano tem as casas todas no chão. Vergonha de jornalismo

jose ferreira

Não esquecer o papel da agência lusa, onde são construídas as associações movimentos etc e logo divulgadas as intervenções.

este órgão de informação/comunicação está controlado por esta gente fechem agência lusa.

Bernardo Gonçalves

A geringonça destes comunas serviu para quê,  para além abolir o SEF, deixar entrar 1,5 milhões de imigrantes sem controlo, agravando o já grave problema da habitação?

A única solução que a esquerda e extrema esquerda se recusam aceitar é a liberalização do mercado, a construção de casas em massa, e claro, a conversão de dezenas, ou centenas, de imóveis abandonados do Estado em habitação de renda controlada?! Deixar o mercado funcionar e ter o Estado a apoiar.

50 anos de partidocracia do PS subsidiada pela UE dá nisto, pobreza e desigualdade. Quanto pior, melhor para estes parasitas do PZP, BE.

David Pinheiro

Quando vi tanto keffiyeh, pensei logo que o Porto devia estar com um frio pouco habitual para esta altura do ano. Alterações climáticas, certamente. A culpa só pode ser dos combustíveis, que ainda não estão suficientemente caros.

Mas depois ocorreu-me outra explicação: talvez sejam aqueles partidos que têm mais facilidade em reunir gente nas ruas do que votos nas urnas.

Hugo Rosado

PCP ainda existir é um atentado à democracia. Tal como qualquer partido nazi.

Let’s Go Brandon

1+3 deputados em 230 lideram o circo da palhaçada e hipocrisia na rua

Joao Goncalves

Perguntem aos angolanos se estão satisfeitos com a habitação depois de 50 anos de comunismo?

Paulo Silva

Às ordens ou não, esta gente é alimentada pela narrativa classista dos partidos de extrema esquerda. Se o fascismo é proibido porque não é o comunismo e afins?... A esquerda está a passar da "guerra de posições" à "guerra de movimentos"...

Vasco Matias

As bloqueiras que falem com o Robles que ele tem solução para a habitação

Paula Barbosa

Grande descoberta !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!  Havia dúvidas nos jornalistas , de que aquilo era tudo rapaziada do CDS !!!!! Tiveram de ir lá perguntar !!!!! Eu , quadro superior, só comprei casa aos quarenta anos e nos arredores de Lisboa. Antes, andei a saltar de andarzeco em andarzeco, nos anos oitenta e noventa !

Julio Pinheiro

Liderados pelo PCP, BE mas patrocinados pela SIC, expresso RTP e TVI, que parecem querer uma repetição do que se passa em França ou Espanha.

JPGSG

PCP e Berloco a caminho da extinção.

Manifestantes , burros, malandros, inúteis, marginais, droga a todos, falta de urbanidade, tudo mau, e apoiados pela esquerdalha.

O povo português não é isto

Manuel Filipe Correia de Araújo

Montenegro não se pode queixar, porque o PS diz 'Sim é Sim' ao PCP e ao Bloco de Esquerda, enquanto a AD diz 'Não é Não' a André Ventura que foi Militante do PSD durante Dezassete anos......!!!!!!

Jose Nunes

Sr Jornalista Rui Pedro Antunes, diga lá alguma coisa que nós não saibamos? Para ser notícia é fundamental que seja novidade!

E o sr é liderado por quem?

Alberto Gonçalves, Helena Matos e Miguel Morgado, são as 3 razões pelas quais ainda vale a pena assinar este (que já foi um) jornal.

pertinaz

A culpa é do ps dois….

Nunca quis chamar os bois pelos nomes…

Escumalha de esquerda ditatorial do caviar…!!!

Gabriel Madeira

Qual é a surpresa? Esta escumalha não sabe fazer mais nada!

Paulo Machado

Engraçado que o partido com mais Património imobiliário,  o PCP,

Juntamente com o partido que apoia a imigração massiva, BE,

Estejam a incitar uma contestação à falta de habitação

Fernando ce

Está escrito nos livros e agendas marxistas leninistas , maoistas e trotskistas: eleições são burguesas, o poder conquista-se na rua. Os comunistas de toda a espécie não perdem nunca a sua verdadeira natureza.

Manu Gue

A extrema esquerda na Europa esta reduzida a insignificância e sem o mínimo de ideias para resolver os problemas da sua massa votante, que está toda a fugir para os partidos populistas de direita. Como o seu discurso contra esses partidos também não está a resultar, decidiram incendiar as ruas para transformar a governação nesses países um inferno. O grande problema disto é o PS e os media ir atrás desta gente. O PS está perdido e extremado e se pensa que vai ganhar votos com isto, que se engane. Os moderados que neless votam vão deixar de o fazer e votar em quem tem mão dura com a violência. Acordem!!

Garcia Moreno

Desistiram de ocupar casas?

António Lamas

Acrescente à lista os "betinhos" do Livre

Luis Ferreira da Fonte > jose ferreira

E ainda são os contribuintes a pagar os salários desses activistas políticos da Lusa.

Luis Silva

Não entendo por que razão nenhum desses movimentos reivindica o Direito a Tomar Banho e a não Cheirar Mal.

Eduardo Russo

Eis mais uma das muitas razões para colocar a extrema-esquerda e a extrema-direita no mesmo patamar! Só servem para destruir, dividir e desorientar a sociedade!

Jose Rodrigues

Para mim "comunistas" e "bloquistas" são o mesmo: comunistas.

José B Dias

Presumo que a conclusão constante do título desta peça tenha sido o resultado de uma aturada investigação efectuada com o auxílio de especialistas russos de guerras híbridas ...

Luis Ferreira da Fonte

Tão fofinhos os desta extrema-esquerda, por isso os portugueses lhes estão a responder com os igualmente fofinhos da extrema direita… com patrocínio da comunicação social, que tem dois deles atrás de cada Bloquista!!!

João Sousa > Eduardo Russo

Queres comparar a destruição causada pela extrema-esquerda com a da extrema- direita?

MVitoria > Pedro Campos

E apoio!  Nalguns casos não escondem a clara simpatia.