sábado, 25 de julho de 2026

Políticas interesseiras

 

As de cada novo proponente a um comando. Sempre, está visto.

90 anos depois da Guerra de Espanha

Com um frente-populismo socialmente moderado e entre escândalos de corrupção, em Madrid, a divisão nasce hoje sobretudo dos separatismos necessários para fazer maiorias.

JAIME NOGUEIRA PINTO , Colunista do Observador

OBSERVADOR, 23 jul. 2026, 00:25

As mais lidas: (Menina morre esquecida dentro de carrinha da creche. Beatriz morreu na carrinha que a devia levar à escola. Sanções à Rússia avançam após UE ceder a Portugal e à Grécia. Advogados questionam validade da prova do atrelado de droga. O soldado ucraniano que passou 346 dias numa trincheira. Meghan e Harry de férias com os filhos na Comporta)

A Guerra Civil de Espanha começou há 90 anos.  Foi no dia 18 de Julho, ou, mais precisamente, no dia 17, em Melilla, no Marrocos espanhol, precipitada por um evento fortuito e inesperado que até teve por protagonista um compatriota nosso, sargento do Tercio.

Por cá, na efeméride, confundiu-se o fundador e chefe da Falange, JOSÉ ANTÓNIO PRIMO DE RIVERA, com o pai, o general MIGUEL PRIMO DE RIVERA.  E chamou-se ditador a JOSÉ ANTÓNIO, que não ditou coisa nenhuma, até porque esteve preso desde Março e foi fuzilado em Alicante em 20 de Novembro de 1936.

Mas já se sabe que, tanto na inteligência artificial como na estupidez natural, a ideologia e a paixão partidária cegam, e em todas as histórias, e notoriamente nestas da Guerra de Espanha, há “maus” muito maus – as direitase “bons” muito bons – as esquerdas.  E, claro, há, de um lado, violência admissível, romântica, compreensível, e, do outro, violência inadmissível, desumana, crua, produto de pura maldade.

Na Guerra Civil de Espanha, a violência começou por ser da “romântica e compreensível”; e começou bem antes do levantamento militar de 18 de Julho, quando as esquerdas, logo a seguir à hoje discutível e discutida vitória eleitoral de Fevereiro-Março de 1936, começaram a ocupar “latifúndios”, a queimar igrejas e a matar padres.

ALIANÇAS RADICAIS

Ora, na versão “correcta”, a violência generosa, humanitária e progressista da Esquerda acordou o tradicional egoísmo puramente malévolo das resistências à Direita.

A unidade da Esquerda resultava de uma convergência de forças políticas várias – um grande partido socialista radicalizado, os também numerosos anarquistas, um pequeno, mas disciplinado partido comunista, separatistas catalães e bascos e republicanos burgueses de esquerda.

Na Direita, havia igualmente uma colecção de tendências e movimentos: católicos da CEDA, monárquicos, divididos entre carlistas tradicionalistas (com o forte feudo de Navarra) e borbónicos liberais; e falangistas, nacional-sindicalistas que encarnavam o que de mais próximo havia do fascismo italianoembora Mussolini e a Itália tivessem uma relação privilegiada com os carlistas, e não com os falangistas. E, claro, o núcleo militar conspiratório, a funcionar há algum tempo, também com diversas sensibilidades e facções.

A revolta falhada de Sanjurjo, em 1932, levara o general para o exílio em Portugal. OS CONSPIRADORES MAIS ACTIVOS ESTAVAM LIGADOS AOS “AFRICANOS”, OS OFICIAIS QUE TINHAM FEITO SERVIÇO MILITAR ACTIVO NAS CAMPANHAS DE MARROCOS, ATÉ À PACIFICAÇÃO EM 1926, NO TEMPO DO CONSULADO DE MIGUEL PRIMO DE RIVERA. O principal organizador da conspiração era o general EMILIO MOLA Y VIDAL, que fora director da inteligência militar e era um patriota conservador.

Assim, entre Fevereiro e Julho de 1936, reuniam-se as condições em Espanha para uma guerra civil de baixa intensidade, em que as milícias radicais de ambos os bandos se enfrentavam e se liquidavam mutuamente. Foi neste quadro que, NA NOITE DE 13 DE JULHO, em MADRID, um grupo de milicianos socialistas e guardas de assalto foi a casa do líder parlamentar da Renovación Española, José Calvo Sotelo, na Calle Velásquez, 89, e o raptou e assassinou. Era a modalidade do “paseo”, depois muito praticada pelos frente-populistas.

Foi o assassínio deste homem que liderava a direita nacional-conservadora que decidiu chefes militares ainda hesitantes, como o general Francisco Franco, comandante-geral das Canárias, a avançar para a rebelião.

A partir de 18 de Julho, os militares tentaram a sorte nas várias cidades importantes de Espanha: Madrid, Barcelona, Valência, Sevilha, Santander, Valladolid, Burgos, Pamplona. Em Madrid e em Barcelona o golpe falhou, também porque a Guarda Civil apoiou o governo, bem como a maioria dos generais e altos comandos. Assim, a revolta foi esmagada em Madrid, em Barcelona, em Valência e em Santander; mas triunfou na Corunha, em Valladolid, em Sevilha, em Marrocos e nas Canárias.

De um modo geral, pode dizer-se que o triunfo ou derrota do movimento rebelde dependeram da afinidade existente com as populações civis. Em zonas rurais, como a Galiza, Navarra ou Castela, onde o catolicismo e o conservadorismo eram dominantes, ganharam as direitas. Em grandes cidades, como MADRID e BARCELONA, com populações industrializadas e sindicalizadas, mobilizáveis pelos dirigentes da esquerda laboral, as direitas civis e militares perderam. E quem perde paga, isto é, na retaguarda, os perdedores foram encostados à parede.

A guerra dos mortos

Durante muitos anos, o número de mortos na Guerra Civil Espanhola foi fixado em um milhão. Era um número que convinha a vencidos e vencedores: uns exaltavam o peso e o sacrifício da derrota e da opressão, outros engrandeciam a vitória.

Em 1977, um historiador militar, Ramón Salas Larrazábal, no seu livro Perdas de la Guerra, fazia a revisão – e a redução –  do mítico “milhão de mortos”. Hoje, o número total de mortos nos mil dias da guerra (entre 18-7-1936 e 1-4-1939), fixado pelos estudiosos por comparação entre o número de mortos habitual e os números da guerra, é de 330.000. Desses, cerca de 220.000 morreram em combate e 110.000 foram executados na rectaguarda. Segundo Martin Rubio (Paz, piedad, perdón y verdade: la represión en la guerra civil, una sínteses definitiva, 1997; Los mitos de la repressión en la guerra civil, 2005), os rebeldes militares executaram entre 47.000 e 48.000 pessoas durante a Guerra Civil; e quanto à repressão exercida pelos vencedores no pós-guerra, Miguel Platón, em La represión de la posguerra, situa entre 15.000 a 20.000 o número de dirigentes e militantes esquerdistas julgados e condenados por “delitos de sangue”. Quanto aos direitistas executados nas zonas governamentais, Martin Rubio estima que tenham sido entre 57.000 e 59.000.

Assim, não há uma grande diferença entre as vítimas de um e outro lado, cujo total andará pelos 110.000, isto é, um terço das baixas mortais totais, e  bem longe do número de mortos na guerra civil entre Vermelhos e Brancos, na Rússia, entre 1918 e 1922.

INTERNACIONALIZAÇÃO IDEOLÓGICA

À partida, a FRENTE POPULAR ocupava mais território e tinha, nesse território, com as grandes cidades, mais população do que os “nacionais” de FRANCO (16 milhões vs 9 milhões).

Era um conflito marcadamente ideológico, como ficaria claro com a intervenção dos estrangeiros. Ou seja, sendo, essencialmente, uma guerra entre espanhóis, os contingentes estrangeiros foram decisivos no início – italianos e alemães para o transporte do grosso das tropas de Franco de Marrocos para a península; as Brigadas Internacionais para defender Madrid, quando Franco ali chegou no Outono de 1936, depois de uma fulgurante campanha a partir de Sevilha e Badajoz.

No Verão de 1936, MUSSOLINI e HITLER enviaram meios para os “nacionais” – sobretudo para que as tropas de Marrocos atravessarem o estreito de Gibraltar, já que a revolta dos marinheiros da República que tinham matado os oficiais e tomado conta dos navios desequilibrara a arma naval contra a Direita. Além dessa facilitação de transporte, Mussolini mandou para Espanha o Corpo de Truppe Voluntarie e Hitler a Legião Condor.

À ESQUERDA, OS APOIOS VIRIAM DA UNIÃO SOVIÉTICA DE ESTALINE QUE, PELA INTERNACIONAL COMUNISTA, ACCIONOU AS BRIGADAS INTERNACIONAIS QUE SALVARAM MADRID NO OUTONO DE 36. O MÉXICO ANTI-CLERICAL DO PARTIDO REVOLUCIONÁRIO INSTITUCIONAL TAMBÉM APOIOU MADRID.

O PORTUGAL DE SALAZAR APOIOU FRANCO, QUANDO GRANDE PARTE DOS OPOSICIONISTAS AO ESTADO NOVO, EUFÓRICOS COM A VITÓRIA DA FRENTE POPULAR, SE JUNTARAM EM ESPANHA. O atentado contra Salazar do anarquista Emídio Santana, em 4 de Julho de 1937, terá sido uma encomenda do governo espanhol. O Reino Unido e a França foram pela “não intervenção”.

O APOIO PORTUGUÊS A FRANCO FOI SOBRETUDO DIPLOMÁTICO E ECONÓMICO, JÁ QUE, COMO DEMONSTROU JOSÉ LUÍS ANDRADE (PORTUGAL AND THE SPANISH WAR (1936-1939): NOT WANTING TO FALL SHORT AND NOT BEING ABLE TO GO FURTHER, VOL.III, KDP, 2023), O NÚMERO DOS “VIRIATOS” TEM SIDO TRADICIONALMENTE EXAGERADO. ALGUNS DOS PORTUGUESES QUE LUTARAM EM ESPANHA FIZERAM-NO, PARADOXALMENTE, DO LADO CONTRÁRIO ÀS SUAS CONVICÇÕES, JÁ QUE ERAM REFUGIADOS POLÍTICOS ANTI-DITADURA MILITAR QUE FUGIRAM PARA ESPANHA E SE ALISTARAM NA LEGIÃO. E NA LEGIÃO COMBATERAM.

A Guerra de Espanha reflectia a radicalidade ideológica da Europa de então – o frente-populismo antifascista adoptado por Estaline e a III Internacional depois da vitória hitleriana na Alemanha em 1933 – e também de uma Espanha com grandes contrastes sociais e reivindicações separatistas.

Hoje, noventa anos passados, com um frente-populismo socialmente moderado e grandes escândalos de corrupção, o radicalismo ideológico fascismo-comunismo desapareceu. Nos anos 1960-1970, o franquismo criou uma classe média que domina socialmente a Espanha, diluindo os abismos sociais de 1936. O PROBLEMA E A DIVISÃO HOJE NASCEM SOBRETUDO DOS SEPARATISMOS VASCO E CATALÃO, QUE CRESCERAM DEPOIS DA TRANSIÇÃO PARA A MONARQUIA PARLAMENTAR E QUE ACABAM POR SER NECESSÁRIOS, EM MADRID, PARA FAZER MAIORIAS.

ESPANHA       EUROPA       MUNDO

COMENTÁRIOS (de 2º):

…90 anos depois da Guerra de Espanha_: Há um parágrafo que destaco, no meio de uma "aula" de história objectiva e m90 anos depois da Guerra de Espanhauito interessante. : " MAS JÁ SE SABE QUE, TANTO NA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL COMO NA ESTUPIDEZ NATURAL, A IDEOLOGIA E A PAIXÃO PARTIDÁRIA CEGAM, E EM TODAS AS HISTÓRIAS, E NOTORIAMENTE NESTAS DA GUERRA DE ESPANHA, HÁ “MAUS” MUITO MAUS – AS DIREITAS – E “BONS” MUITO BONS – AS ESQUERDAS.  E, CLARO, HÁ, DE UM LADO, VIOLÊNCIA ADMISSÍVEL, ROMÂNTICA, COMPREENSÍVEL, E, DO OUTRO, VIOLÊNCIA INADMISSÍVEL, DESUMANA, CRUA, PRODUTO DE PURA MALDADE. "  Como habitualmente, os textos de Jaime Nogueira Pinto são escritos de uma forma objetiva e inteligente, apresentado a sua visão, suportada por factos  ...  e não por "achismos", como, infelizmente, vai sendo cada vez mais habitual.

João Diogo: Excelente artigo, mais uma lição de história brilhante.

Helena Lopez: Brilhante. Sugiro uma continuação do excelente artigo.

João Floriano: Leio sempre com muito interesse tudo o que tem  a ver com a Guerra Civil de Espanha. Sendo a minha família tanto do lado materno como paterno de um vila no Alto Alentejo, perto da fronteira, Castelo de Vide na vizinhança de Badajoz, Cáceres e Valência de Alcântara, falava-se muito da guerra  e dos que fugiam, sobretudo da Legião Estrangeira. O meu avô contava que quando aparecia algum era corrido com o aviso: «Renipatagent!». Que quer isto dizer? «Rien! Pas d'argent!». E o desertor seguia o seu caminho com os miúdos a correr e a atirar pedras e tinha sorte se lhe dessem um pão para o caminho. Sobre o conflito, julgo que do lado das esquerdas, os anarquistas contribuíram e muito para  a divisão do lado republicano. O atentado no casamento de Afonso XIII com Vitória Eugénia em 1906 é obra de anarquistas, assim como o assassinato de Canalejas em 1912. Participando na guerra, os anarquistas não se distinguiram pela disciplina que foi necessária quando os combates substituíram as marchas libertadoras em que se matavam autoridades locais, simpatizantes da Falange, o que até podia nem ser verdade e claro os padres e as freiras. Noventa anos após a guerra, à beira de fazer um século, a Espanha ainda tem feridas abertas e muitas divisões que são devidamente exploradas pelos socialistas actualmente no governo e que se aguentam com o apoio de separatistas bascos e catalães. Em Portugal não deixam o Salazar repousar em paz; em Espanha é o Franco que não tem sossego. Muito conveniente para agitar o papão do fascismo.

_: Esclarecedor, e de leitura obrigatória para os “antifascistas tugas”.

SDC Cruz: Caro Jaime Nogueira Pinto, a excelente aula de História sobre a Guerra Civil de Espanha é mais uma crónica que vou guardar em lugar de destaque. Tenho pena de, em algumas vezes, por força da disponibilidade (ou falta dela), não poder comentar as suas aulas em tempo útil. Mas, permita-me um sugestão que muito provavelmente já foi aferida neste espaço e que reforço: publique as suas crónicas de "Aulas de História" em livro. Sempre fui um apaixonado pela História e serei o primeiro da fila para o comprar. Obrigado e até para a semana.

Sr Leão: Só espero que o Jaime Nogueira Pinto continue durante muitos anos a ilustrar este jornal com a sua erudição.

Rodrigo Lourenço: Belo artigo, sobre uma época com muitas semelhanças com a que vivemos agora. Os primeiros parágrafos são esclarecedores: a principal consequência da polarização política é forçar convivências pouco saudáveis, como entre católicos moderados e falangistas, do lado Nacional, e entre moderados de esquerda, anarquistas e comunistas, do lado Republicano. As guerras internas do lado Republicano foram em si uma gerra civil, com muitos mortos e batalhas. Ganhou quem soube unir-se mais. Gostaria de ler aqui uma série de textos sobre este conflito tão marcante; fica a sugestão. 

Maria Nunes: Excelente artigo. Obrigada.

Jorge Barbosa: Excelente artigo. Muito obrigado ao Jaime Nogueira Pinto, pela sua licão de História, livre de agendas inconfessáveis, e muito obrigado, também, ao OBSERVADOR pela qualidade do serviço público que sustenta, livre de agendas inconfessáveis

Manuel Magalhaes: Muito bom, Jaime, sempre muito interessante e pedagógico!!!

Henrique Pinto: Obrigado pela aula. Falou da guerra dos mortos. Só um que fosse já teria sido um desastre mas um milhão sempre foi difícil de digerir. Finalmente parece haver quem queira repor números com maior rigor. Não sei porquê lembrei-me dos seis milhões do holocausto.

 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Reatando temas

 

Sempre actuais, no oportunismo das vivências, e das convivências, como Salazar bem detectava e que o Dr. Salles retoma. Sem medos.…

APELO URGENTE

Caixa de entrada

SALLESFONSECA@SAPO.PT

segunda, 20/07, 14:38 (há 3 dias)

HENRIQUE SALLES DA FONSECA

CITANDO…

Das entrevistas de Salazar a António Ferro (1932/1933):

"O parlamentarismo é um sistema esgotado que divide os homens em vez de os unir. Sob a ilusão da liberdade parlamentar, cria-se a ditadura dos partidos e paralisa-se a acção do Executivo, impedindo que se governe com eficácia para o bem comum."

      * * *

O tom «lepéniano-melanchónico» que as televisões transmitem faz do nosso hemiciclo beneditino o patíbulo da serena razão em favor da ira permanente como se nas bancadas alheias pululassem os bandidos.

* * *

Senhores Deputados da Nação Portuguesa:

Peço-vos que não dêem razão ao Doutor Salazar.

Julho de 2026

HENRIQUE SALLES DA FONSECA

 

 

 

HENRIQUE SALLES DA FONSECA

COMENTÁRIOS

Anónimo20 de julho de 2026 às 16:08

Oportuno apelo pois tornaram-se em grande parte prova do que Salazar dizia.

ANTÓNIO DA CUNHA DUARTE JUSTO

Anónimo 21 de julho de 2026 às 18:33: Fantástico e muito oportuno, passados tantos anos da história e a necessidade de alertar torna se oportuna e na ordem do dia.

[1]20 de julho de 2026 às 19:08

Caro Doutor Henrique Salles da Fonseca, Acho que o Doutor Salazar tinha razão, porque a impressão que um observador do sistema Parlamentar, pelo mundo fora, retém, é a de dois blocos em permanente oposição, começando com a designação - Situação e Oposição. Para começar, podiam concordar em uma nomenclatura menos conflituosa, seguida da abolição de sessões parlamentares televisivas. Quem quiser assistir que se desloque aos locais. Para os parlamentares, o tempo de antena e o alcance das transmissões ao vivo servem como palco, incentivando posturas dramáticas, discursos inflamados e comportamentos de prima donna focados na auto-promoção em vez do consenso.

 

ANÓNIMO20 DE JULHO DE 2026 ÀS 22:39: O nosso regime é semiparlamentarista. Prefiro uma democracia, que é sempre imperfeita, a uma ditadura seja ela qual for. Benilde Tomaz da Fonseca

 

ANÓNIMO 20 DE JULHO DE 2026 ÀS 22:48

Melhor dizendo, o nosso regime é semipresidencialista

ANÓNIMO, 21 DE JULHO DE 2026 ÀS 12:54

A prédica de Salazar resulta da história do Parlamentarismo português, inaugurado com a revolução liberal do Porto e q dividiu para sempre os portugueses com constituições, várias revoluções e muita divisão ideológica, uma guerra civil sanguinária,3 invasões francesas, um assassinato real e finalmente ,como se fosse pouco, uma república de boa vontade, mas completamente ineficaz para travar os "entusiasmos" enquanto a Pátria se afundava na miséria e na dívida. Portanto, sim, Salazar aceitou o cargo, contrariado, e impôs condições para conseguir governar. Quem pode condená--lo visto o pântano em que estávamos mergulhados? Salvou a economia endireitou as contas e a seguir apanhou com a guerra mundial e com os movimentos de "libertação ! É barra bem pesada para qualquer um! Claro q acabou mal, veio o pior das ditaduras ao de cima e agora vivemos em liberdade mas outra vez na M....! É o temos, mas sim, viva a democracia !!!

HENRIQUE SALLES DA FONSECA21 DE JULHO DE 2026 ÀS 14:13

O nosso regime é semipresidencialista. Prefiro uma democracia, que contém defeitos, a qualquer tipo de ditadura. Abraço BENILDE TOMÁS FONSECA

HENRIQUE SALLES DA FONSECA21 DE JULHO DE 2026 ÀS 14:15: Subscrevo por inteiro

ANTÓNIO PALHINHA MACHADO: Henrique Salles da Fonseca21 de julho de 2026 às 14:16 Agradeço o regular de temas que muito aprecio. Desejo que me inclua sempre nos seus pensamentos traduzidos em escrito! Cumprimentos com amizade RUI BRAVO MARTINS

Henrique Salles da Fonseca22 de julho de 2026 às 14:18:

Fantástico. Passados tantos anos, torna -se real e necessário o alerta a registar. ISABEL FERNANDES HOMEM

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ÁGUA

 


O bem maior.

Culpar o país pelo falhanço do PS em Almada? Não, obrigado

A falta de água em Almada não é um exemplo do falhanço do país. O país fez progressos visíveis no abastecimento de água potável. O que falhou em Almada foi um poder municipal abaixo de medíocre

HELENA MATOS Colunista do Observador

OBSERVADOR, 12 jul. 2026, 00:25

As mais lidas: Marcelo deixa Belém com metade do património com que entrou. Morreu Luís Represas com 69 anos. Quem é Drapatyi, o novo chefe das Forças Armadas da Ucrânia? Shuttle a cada meia hora para novo aeroporto. ANA pede mais Como Seguro exerceu um soft power na crise dos exames. Irmão de Maddie McCann vai nadar nos Jogos da Commonwealth.

É ponto assente: quando o PS está no governo e falha, a culpa é do mundo. Já quando o PS falha à escala local a culpa é do país. E assim, nos últimos dias e perante o espectáculo AdisAbebiano de Almada sem água, lá surgiu a explicação do falhanço do país no seu todo para explicar o falhanço particular do PS em Almada. Ora o que falhou em Almada foi um poder municipal abaixo de medíocre mas exímio no domínio da linguagem do bondadismo progressista. (Não quero dizer que à direita sejam mais competentes, simplesmente não podem falhar tanto e por tanto tempo porque, felizmente para o país, não estão abençoados pelo diáfano manto do porreirismo progressista de que beneficia a esquerda ex-caviar agora woke).

O que é o bondadismo progressista? Veja-se a capa da última revista editada pelo município de Almada cuja directora é Inês de Medeiros. Data de Abril deste ano e nela a presidente, directora e entrevistada Inês de Medeiros declara numa espécie de megalomania planetária “Almada é um foco de humanidade num mundo cada vez mais desumano”.

Por essa altura, a direcção do município não ignorava que era responsável pela baixíssima renovação da rede (uma das baixas, senão a mais baixa do país); pelas perdas da rede que se contam entre as mais altas do país; pelo laxismo em relação às captações ilegais das piscinas e das explorações agroindustriais; pela proliferação das habitações clandestinas; pela desatenção aos problemas com os furos que ficam em Corroios e que motivaram uma querela em tribunal com o Seixal. Mas acompanhando as declarações do incrível executivo almadense de que esta publicação é um exemplo, o abastecimento de água não era de modo algum uma preocupação ou sequer uma prioridade. Também não desconhecia o executivo almadense que o número de habitantes aumentara ao longo dos anos; que desde há mais de sessenta anos os portugueses procuram as praias da Caparica e que é no Verão que os portugueses vão para a praia.

Na página em que se detalham as prioridades orçamentais para este ano de 2026 (e note-se que no município de Almada, tal como acontece nos restantes, dinheiro não falta), constam a habitação, acessos às praias, uma loja do cidadão e até um centro de recolha animal. Mas sobre água nada. Na longa entrevista feita a Inês de Medeiros não há referências à água e o próprio vereador Luís Palma, que detém a presidência do Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Almada (SMAS), prefere falar da “ofensiva em curso de destruição do Serviço Nacional de Saúde” em vez de informar sobre aquilo que os SMAS iriam fazer para melhorar o seu serviço em Almada. Aliás as únicas referências a água e aos SMAS nesta publicação encontram-se numa pequena notícia que dá conta da contratação de mais 16 trabalhadores para esse serviço em Janeiro deste ano. A água é um assunto praticamente omisso nestas comunicações, à excepção da revista de Outubro de 2022 onde Inês de Medeiros, depois de citar uma daquelas platitudes de Guterres — “O valor da água é profundo e complexo. Não há nenhum aspecto do desenvolvimento sustentável que não dependa fundamentalmente dela —, afirma que Almada é um “concelho assente sobre uma reserva quase inesgotável de água de grande qualidade. Seguem-se páginas e páginas com explicações de um sistema perfeito com ilustrações de reservatórios, torneiras de seccionamento, colectores e ramais, tudo inevitavelmente com muito azul.

Entretanto no subsolo de Almada a água perdia-se numa rede que não se renovava e pontos de acesso não contabilizados que proliferavam. Acreditando na propaganda, Almada vivia no melhor dos mundos possíveis no que à rede de distribuição de água potável dizia respeito. Estava-se em 2022. A realidade era bem diferente e piorou desde então.

O que está a acontecer neste Verão de 2026 é precisamente um choque entre a realidade e a propaganda naquele município e também entre o argumentário da esquerda e a realidade no país: como bem sabem aqueles que não vivem em Almada, e que quando abrem a torneira vêem água correr, é mentira que Portugal não tenha sido capaz de fazer o necessário neste assunto. Em 2026, os portugueses têm, na sua esmagadora maioria, acesso a água de qualidade e em quantidade. Não são assim tão longínquos os tempos em que nas casas portuguesas existiam sempre uns garrafões de reserva para aqueles dias em que a água faltava ou uns recipientes para a ir buscar ao chafariz mais próximo. Ou em que beber água da torneira não era opção no Algarve. Existem obviamente falhas pontuais provocadas por cheias, rupturas na rede, obras… mas são isso mesmo: pontuais.

O que agora está a acontecer em Almada nada tem a ver com o Portugal de 2026 mas sim com esse país de há algumas décadas, em que nem sequer fomos poupados à discussão paleolítica sobre a “água de Almada” e “a água do Seixal” (como se o aquífero tivesse muros a separá-las!) entre dois autarcas, Inês de Medeiros e Paulo Silva, que nunca foram capazes de avançar para uma gestão integrada do aquífero, quer entre eles, quer com os outros autarcas que dependem deste aquífero para o abastecimento dos seus munícipes.

A falta de água em Almada não é um exemplo do falhanço do país, como alguns socialistas nos querem fazer acreditar. O país fez progressos visíveis no abastecimento de água potável. O que falhou em Almada foi o pensamento mágico socialista.

ÁGUA      NATUREZA      AMBIENTE      CIÊNCIA      ALMADA      PAÍS      SOCIEDADE      PS      POLÍTICA

COMENTÁRIOS (de 179):

Maria Paula Silva: Excelente! a última frase é linda: "O que falhou em Almada foi o pensamento mágico socialista."

GABRIEL MADEIRA > MARIAPAULA SILVA: Precisam de uns cogumelos dos bons, para o pensamento mágico.

GRAÇA DIAS: A socialista Inês Medeiros desde que assumiu a presidência de Almada tem vivido entre a propaganda e o ilusionismo, e neste caso a Presidente tropeçou na sua inoperância, incompetência e laxismo, mas o seu ADN leva-a  à "criatividade linguística  - o bondaísmo progressista "Almada é um foco de humanidade num mundo cada vez mais desumano".  Esta esquerda Woke é brilhante na corrupção da linguagem e na corrupção do carácter.

MIGUEL SEABRA: A culpa é do Passos Coelho!

VITOR BATISTA: Portugal já não é o país de 1975, mas Almada em muitos aspectos ainda é! Esta actriz vai no seu terceiro mandato se não estou em erro, mas o problema é mais antigo, vem do tempo dos camaradas comunas que implantaram o socialismo em Almada, e o povo gostou tanto que os manteve no poder até chegar a actriz. O socialismo é a personificação da miséria, Cuba que o diga, e os Almadenses têm aquilo que merecem, porque sempre votaram nos amanhãs que cantam, ora se é assim que gostam de ser governados, por que raio tenho eu de contribuir com os meus impostos para financiar a mediocridade? Vão buscar água ao Tejo, também tive de ir buscar muita água no tempo logo a seguir à outra sra. Os meus impostos não devem servir para premiar medíocres.

ANA RITA: Mas não se canse muito, porque os portugueses continuam a marrar na velha máxima comunista: antes não ter água socialista a ter água capitalista.

JOSE MIGUEL PEREIRA: Em vez dos amanhãs que cantam, os hojes que secam.

JOAQUIM DUARTE: Mas não votaram Socialista? E nos anos anteriores não votaram comunista? Agora queixam-se mas só têm o que merecem. Nas sondagens o PS está subir depois não venham queixar-se. Esta Medeiros representa bem o PS. O Carneiro é totalmente amnésico, ontem dizia sem se rir que se fosse ministro da Educação se demitiria de imediato, esqueceu-se do descalabro da AIMA.

PERTINAZ: Mais uma bomba-relógio da dupla ordinária Costa/Centeno…

MANUEL JESUS: Os eleitores entregaram a Câmara de Almada ao PS e à CDU, quiçá iludidos pelos amanhãs que cantam. Não é só o problema da água que está em causa, mas sim uma total incapacidade para gerir o território em todos os níveis. O voto deve ser racional, porque quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga...

RUÇO CASCAIS: Quando a realidade bate de frente nos socialistas, estes normalmente metem água. Havia uma senhora, também artista, escritora, também socialista, que participava num programa de comentário político na RTP3, que eu até gostava de ver para alimentar o meu lado masoquista, e que nesse programa de debate político, que já acabou, recusava-se a dizer o nome de André Ventura. A ideia é simples, se não dissermos o nome de uma pessoa ou de um problema, este deixa de existir. Está a acontecer este fenômeno com Mariana Mortágua. Também acontece com Mário Soares de quem não se tem falado muito.  Com a Inês Medeiros, perdão, De Medeiros, freguesia de Medeiros em Vila Real, a realidade ganha contornos mais complexos devido à carreira de actriz. Como sabemos, no cinema a realidade é construída a pedido. O Concelho de Almada nunca teria um problema de falta de água no grande ecrã ou numa plataforma de streaming. Só que a história saltou do grande ecrã para a plateia e os tiros de pólvora seca que matavam actores em fingimento transformaram-se em canos secos de onde não sai uma pinga de água revoltando moradores a sério. Inês nunca falou da água na esperança de o problema desaparecer. Mesmo quando ia almoçar a um restaurante nunca pedia água para não acordar o problema. Até na medicação optou por supositórios para evitar a água. As garrafinhas de água foram proibidas nas reuniões na câmara. Medeiros fez tudo o que os procedimentos socialistas recomendam para lidar com este tipo de problema, mas, mesmo assim o problema não desapareceu, desapareceu sim, mas foi a água. A Inês do comentário na RTP3 que se negava a dizer o nome de André Ventura acabou por chocar com a realidade do CHEGA. A Inês da Câmara que evitava o problema da água, acabou por levar com um grande balde de água fria que a acordou para a realidade fora das câmaras.

 NOTA: a Noruega perdeu, mas, na minha opinião, foi roubada naquele golo limpo. Se em vez do Halland a empurrar o central para se livrar dele tivesse sido o Bernardo Silva nunca teria sido falta. O homem é grande e quando empurra os defesas caem. Também o empurram a ele, só que ele não cai. Além disso o árbitro não viu nada, senão tinha logo chamado a atenção. Foi o VAR que mandou repetir o canto. Nunca tal se viu. Ou era falta ou era golo.

JOSÉ GÓIS CHILÃO: Só em Portugal é possível um partido com o currículo do PS — bancarrota em 1977, 1983 e 2011, e agora um município sem água há semanas — apresentar-se novamente como solução. Se isto não é resiliência política, é amnésia colectiva.

JOSÉ PAULO CASTRO: Como qualquer comunista sabe, a falta de água em Almada deve-se ao bloqueio americano a Cuba. A autora estava à espera que a culpa fosse de quem ?

PEDRO CORREIA: Que esperar do xuxialismo, a pior coisa que abril pariu?!

MARIA EMÍLIA RANHADA SANTOS: Meu Deus! Que falta de caridade para com a governante! Ela que tem feito tudo para que os almadenses vivam em paz, sem que nada lhes falte, vem agora estes ignorantes acusá-la de incompetência! Deixem a Inês governar! Não se metam onde não são chamados! Não percebem como ela tem sido tão inclusiva? Todos os que querem vêm acoitar-se cá, armam uma tenda, fazem uma ligação, e já têm água, luz, e tudo o resto! Mesmo que deixem os moradores sem elas. Estradas arranjadas? isso não interessa para a inclusão!  Segurança? Primeiro está a inclusão! Será que de tão inclusiva que é ainda vai ganhar o quarto mandato? Almada passou de comunista para socialista! Não acham que mudou muito? Agora, com tão extraordinária governação, alguma vez os almadenses pensam em mudar? Viva o socialismo!

MIGUEL SIQUEIRA: Excelente texto. A habitual incompetência socialista, sempre acompanhada por frases bonitas, neste caso exponenciada por terem eleito uma actriz para gerir uma cidade. Nas próximas eleições o PS vai ganhar novamente. Têm o que merecem.

RUI  LIMA: Aqui está um exemplo da população a mais, Portugal estava dimensionado para 10 milhões das estruturas a sua administração do ensino a saúde …este aumento é uma desgraça que nunca terá fim, serão os portugueses a ter de ir embora.

CARLOS JERÓNIMO: Muitos anos de cinema, levaram-na a confundir a realidade com um filme…

FILIPE PAES DE VASCONCELLOS: A debacle almadense é a prova provada que o socialismo é mesmo assim, não tem estratégia, porque isso dá trabalho, mas têm táctica. A táctica da “madame” que vive, vivem todos, de trabalho político é nunca assumir o erro, porque isso seria os incapazes assumirem-se como tal. Quanto à comunicação social continua como sempre a portar-se vergonhosamente, andando com a “madame” ao colo, dando-lhe uma semana de recobro. Uma grande miséria estes “isentos” e “imparciais” jornalistas de pacotilha.

MANUEL RODRIGUES: Caros camaradas: Colocam repetidamente na Vossa Autarquia uma burguesa do mais fino quilate, socialista de aviário e agora queixam-se ?  Que ingratidão  suprema? Olhem para Cuba. Ainda se julgam com direito à distribuição pública  de água? Não exageremos... Avante Kamaradas, e o sol brilhará para todos nós!!!

PEDRO ABREU: Não votaram nela? Vão abastecer-se de água aos festivais de teatro inclusivos. Almada é um espelho do terceiro mundo, com a proliferação de bairros ilegais que mais parece que estamos em favelas de África. É o conselho da grande Lisboa onde mais proliferam barracas. Isto é o espelho da matriz woke bloquista da qual o PS foi tomado desde o fatídico dia em que um indiano tomou conta do partido e que ainda hoje perdura. É destes inúteis "tolerantes inclusivos" bandalhos que o PS está cheio. Não se queixem e aguentem, podem sempre ir ao festival "Sol da Caparica" em versão desidratada.

(CONTINUA)