domingo, 25 de fevereiro de 2024

Ajudas vultosas

 

Dos países com peso e mais os pontos de vista pessoais dos nossos partidos atentos.

MUNDO / GUERRA NA UCRÂNIA

Alertas activos

Em directo/ Zelensky diz que conta com os líderes do G7 para uma “vitória comum”

Volodymyr Zelensky fez uma reflexão sobre os dois anos de guerra, assinalados este sábado, e diz que conta com a ajuda das potências democráticas para proteger o povo ucraniano e derrotar a Rússia.

OBSERVADOR, 25/2/24: Texto

PRESIDENTIAL PRESS SERVICE HANDOUT HANDOUT/EPA

Momentos-chave

Há 12hLivre defende que pequenos países devem unir-se na “defesa do direito internacional”

Há 13hZelensky diz que conta com os líderes do G7 para uma “vitória comum”

Há 13hG7 compromete-se a apoiar na defesa e a aplicar sanções à Rússia

Há 15hAssinado acordo com Itália que prevê apoio militar à Ucrânia

Há 15hUE vai dar 4,5 mil milhões de euros do novo fundo de ajuda à Ucrânia em março

Há 15hPrimeiros-ministros da Bélgica, Itália e Canadá garantem apoio à Ucrânia "pelo tempo que for necessário"

Há 16hCanadá enviará ajuda à Ucrânia de dois mil milhões de euros em 2024

Há 16hPorta-voz de Navalny diz que corpo foi entregue à mãe

Há 17hCarlos III elogia "verdadeira valentia" ucraniana face a "agressão indescritível"

Há 17hMNE alemão adopta oficialmente transliteração ucraniana de "Kiev"

Há 18hZelensky homenageia soldados mortos em cerimónia com líderes da UE, Itália, Canadá e Bélgica

Há 19hJoe Biden: "O corajoso povo ucraniano continua a lutar, inflexível na determinação para defender a liberdade e o futuro"

Há 19hLondres anuncia ajuda de 287 ME a Kiev e promete apoio até à vitória

Há 19h"A vossa coragem manteve-se no caminho de Putin", declara von der Leyen. "Salvaram o vosso país, salvaram toda a Europa"

Há 20h"Estamos 730 dias mais perto da vitória", diz Zelensky. "Continuem a lutar, é certo que vamos ganhar"

Há 20hMeloni, Trudeau, De Croo e von der Leyen visitam Kiev no 2º aniversário da invasão

Há 20hRússia perdeu 409 mil soldados desde início da guerra

Há 21hMNE defende apoio redobrado pela arquitectura de segurança da Europa

Há 21hBruxelas pede entrega urgente de munições a Kiev e investimentos em defesa na UE

Há 21hPortugal “sempre na defesa intransigente do povo ucraniano” — Montenegro

Há 21hReino Unido promete 9,95 milhões para Fundo Humanitário Ucraniano e Cruz Vermelha

Há 21hSecretário-geral da NATO exorta Ucrânia e aliados a “não perderem a esperança”

Há 21hPresidente da AR reafirma apoio de Portugal a liberdade, independência e defesa dos valores europeus

Há 22hCosta salienta que Portugal está ao lado de Kiev o tempo que for necessário

Há 22hChefe do Exército ucraniano apela para “unidade” de todos os ucranianos

Há 22hVon der Leyen elogia em Kiev resistência da Ucrânia após dois anos de guerra

Há 22hPortugal mantém apoio sem reservas e “pelo tempo que for preciso” — Presidente da República

Há 22hYulia Navalnaya acusa Putin "demoníaco" de manter refém o corpo do marido

Atualizações em direto

 15:43 Observador 

Porta-voz de Navalny diz que corpo foi entregue à mãe

O corpo de Alexei Navalny foi entregue à sua mãe, de acordo com o porta-voz do político opositor russo, citado pelo The Guardian. Mantém-se a incerteza em relação a uma eventual cerimónia fúnebre e possíveis interferências da parte das autoridades russas.

Há 10h21:35 Rui Caanova 

Dois anos de invasão. Que balanço podemos fazer?

A Rússia invadiu a Ucrânia há 730 dias. Como chegámos aqui e para onde caminhamos? Episódio especial de Gabinete de Guerra com análise de Diana Soller e Daniela Nunes.

Há 12h20:10 Agência Lusa 

Livre defende que pequenos países devem unir-se na “defesa do direito internacional”

O porta-voz do Livre Rui Tavares reiterou este sábado o seu apoio à Ucrânia, em conflito com a Rússia há dois anos, e defendeu que os pequenos países devem unir-se na “defesa do direito internacional” e da “unidade europeia”.

“Ao defender um país, a Ucrânia, que está ameaçado por outro que tem neste momento um líder autoritário, e não tem a ver com o povo russo em si, mas com a Federação Russa como ela é comandada hoje, com arsenal nuclear 28 vezes maior do que a Ucrânia, [esta] faz figura de pequeno país quando está confrontado com a Federação Russa”, afirmou.

Para Rui Tavares, que falava aos jornalistas, em Lisboa, à margem da inauguração da exposição intitulada “Crianças da Ucrânia, Crianças do Mundo”, é necessário defender o “direito internacional” para impedir a hegemonia dos “novos impérios”.

“Nós, Portugal, sabemos que se os pequenos países não se unem na defesa do direito internacional e na defesa da unidade europeia, então nesse caso os novos impérios renascidos no século XXI farão aquilo que quiserem”, alertou.

E sublinhou que o Livre propõe “um projecto europeu democrático” capaz de estabelecer “uma comunidade de defesa europeia” para evitar “depender” de outros países ou de “superpotências”.

Questionado sobre se a posição do PCP em relação à invasão russa da Ucrânia poderá ser prejudicial para a esquerda, Rui Tavares escusou-se a comentar a posição de outros partidos e reafirmou que o Livre tem vindo, “desde antes do primeiro dia”, a alertar “contra o belicismo de Vladimir Putin” e “pela libertação dos presos políticos que estão nas masmorras de Putin”.

Há 12h20:08 Agência Lusa 

IL defende criação de tribunal especial internacional para julgar crimes da Rússia

O presidente da Iniciativa Liberal defendeu este sábado a criação de um tribunal especial internacional para julgar os crimes de guerra cometidos por Vladimir Putin e o regime russo contra a Ucrânia.

“Temos de estar ao lado da Ucrânia no plano internacional, defendendo a constituição de um tribunal especial internacional para julgar os crimes de guerra de Vladimir Putin e o regime russo, temos de estar sempre ao lado da Ucrânia defendendo a sua integração na União Europeia e temos de estar sempre ao lado da Ucrânia defendendo o apoio no esforço de defesa que a Ucrânia tem nestes dias contra o regime russo”, afirmou Rui Rocha numa vigília pela Ucrânia em frente à Câmara Municipal do Porto.

Na véspera do arranque oficial da campanha para as eleições legislativas de 10 de março, e no dia em que se assinalam dois anos da invasão da Ucrânia pela Rússia, o dirigente liberal reforçou que o povo ucraniano não pode ser deixado sozinho a lutar pela liberdade.

Segundo Rui Rocha, só há uma forma de parar a guerra que é Vladimir Putin sair da Ucrânia e dar àquele país a oportunidade de se reconstruir.

“Há dois anos Vladimir Putin acreditava que em dois dias chegaria a Kiev e estamos cá dois anos depois com o povo ucraniano a resistir, por isso, cada dia que passou, cada hora e cada momento é uma vitória do povo da Ucrânia”, salientou.

O líder da IL salientou ainda que a agressão de Putin à Ucrânia não é apenas contra a Ucrânia, mas contra a democracia e a liberdade.

Há 12h20:06

 Apoio à Ucrânia “tem de ser inquestionável” para o próximo governo, diz Ventura

O presidente do Chega, André Ventura, defendeu que o apoio à Ucrânia na guerra contra a Rússia “tem de ser inquestionável” para o próximo governo que sair das eleições legislativas de 10 de março.

“Independente de quem seja governo no dia 10 e dentro destes três partidos PS, PSD e Chega, o apoio à Ucrânia tem de ser inquestionável”, defendeu.

André Ventura garantiu que assim será da parte do Chega, “independentemente do contexto europeu, independentemente da eleição do próximo Parlamento Europeu”.

O presidente do Chega defendeu que o próximo executivo deve manter a reforçar o apoio militar à Ucrânia, mas também o apoio humanitário e garantir que “a União Europeia consegue, independentemente das eleições americanas, manter o apoio”.

“Não deixaremos a Ucrânia ficar sozinha ou perder esta guerra. É importante que todos, inclusive os meus aliados na Europa, percebam isso, se a Ucrânia perder esta guerra, somos todos nós que perdemos a guerra”, alertou.

Há 12h19:39 Agência Lusa 

Livre defende que pequenos países devem unir-se na “defesa do direito internacional”

O porta-voz do Livre, Rui Tavares, reiterou hoje o seu apoio à Ucrânia, e defendeu que os pequenos países devem unir-se na “defesa do direito internacional” para impedir a hegemonia dos “novos impérios”.

“Nós, Portugal, sabemos que se os pequenos países não se unem na defesa do direito internacional e na defesa da unidade europeia, então nesse caso os novos impérios renascidos no século XXI farão aquilo que quiserem”, alertou aos jornalistas em Lisboa, à margem da inauguração da exposição intitulada Crianças da Ucrânia, Crianças do Mundo.

Há 13h19:07 Agência Lusa 

Zelensky diz que conta com os líderes do G7 para uma “vitória comum”

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou hoje na cimeira do G7 que o seu país conta com a ajuda das potências democráticas para proteger o povo ucraniano e derrotar a Rússia na guerra que cumpre hoje dois anos.

“Contamos convosco”, disse Zelensky, que reafirmou a sua confiança numa “vitória comum” dos países aliados sobre a Rússia, perante os primeiros-ministros de Itália e do Canadá, Giorgia Meloni e Justin Trudeau, e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, que hoje visitaram a capital ucraniana por ocasião do segundo aniversário do início da invasão russa na Ucrânia.

“É frequente ouvirmos dizer que a história nos observa, e é absolutamente verdade”, afirmou o líder ucraniano sobre a importância histórica do momento que o seu país atravessa.

Há 13h19:05 Agência Lusa 

G7 compromete-se a apoiar na defesa e a aplicar sanções à Rússia

Os países do G7 comprometeram-se hoje a continuar a ajudar a Ucrânia a defender-se da invasão russa, bem como a aprovar novas sanções contra a Rússia.

A posição do G7 – grupo das sete democracias mais industrializadas do mundo – consta de uma declaração final divulgada após uma reunião por videoconferência, presidida a partir de Kiev pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.

Na declaração conjunta, citada pela agência EFE, os líderes da Itália, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos, Japão, Alemanha e Canadá afirmam que “continuarão a apoiar o direito da Ucrânia à autodefesa” e reiteraram “o compromisso com a segurança a longo prazo da Ucrânia, nomeadamente através da conclusão e implementação de compromissos e acordos bilaterais de segurança”, com base na Declaração Conjunta de Apoio à Ucrânia aprovada em Vilnius em julho passado.

Os países do G7 comprometeram-se ainda a aumentar “o custo da guerra para a Rússia, degradando as suas fontes de rendimento e impedindo os seus esforços para construir a sua máquina de guerra”, e a “aplicar e fazer cumprir na íntegra as sanções contra” o país. Outras medidas poderão ser adoptadas, “se necessário”.

Há 13h18:49 Agência Lusa 

Ucrânia: PCP indica "dia triste" para a paz e "um dia bom para a hipocrisia"

A guerra na Ucrânia cumpre dois anos e o secretário-geral do PCP considerou ser “um dia triste” para a paz, mas “um dia bom para a hipocrisia”, deixando um apelo às negociações para o fim do conflito.

Há 15h17:07 Agência Lusa 

Assinado acordo com Itália que prevê apoio militar à Ucrânia

A primeira-ministra italiana assinou hoje um acordo de segurança com a Ucrânia e garantiu a continuação do apoio ao direito de defesa dos ucranianos, o que “pressupõe necessariamente também um apoio militar”, noticiou a EFE.

As declarações de Giorgia Meloni foram feitas durante uma conferência de imprensa, em Kiev, aonde se deslocou para presidir à reunião do G7 (grupo dos sete países mais industrializados), no segundo aniversário do início da invasão russa da Ucrânia.

Meloni confirmou a assinatura de um acordo de garantias de segurança com a Ucrânia que “tem uma duração de 10 anos e é o pacto mais completo e importante assinado com um país não pertencente à NATO” (sigla em inglês da Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Há 15h16:37

UE vai dar 4,5 mil milhões de euros do novo fundo de ajuda à Ucrânia em março

A União Europeia (UE) vai dar à Ucrânia, em março, 4,5 mil milhões de euros, verba que faz parte do pacote de 50 mil milhões de euros de apoio já aprovado, anunciou hoje a presidente da Comissão Europeia.

Aproveitando a sua visita à Ucrânia no dia em que passam dois anos desde o início da invasão russa, Ursula von der Leyen anunciou na rede social X este primeiro pagamento após uma reunião com o primeiro-ministro ucraniano, Denys Shmyhal.

O total de 50 mil milhões de euros do pacote de ajuda destina-se aos próximos quatro anos e está integrado nos orçamentos da UE, depois de no dia 01 de fevereiro os presidentes e primeiros-ministros dos 27 terem conseguido que o Governo da Hungria levantasse o seu veto ao plano, permitindo o acordo.

Na sua publicação, Von der Leyen explicou que, além de abordar a aplicação destes fundos, na reunião com Shmyhal foi discutido o estado das exportações ucranianas, que desde o início da guerra gozam de tratamento preferencial no mercado da UE devido à suspensão temporária de tarifas.

Von der Leyen e Shmyhal discutiram os “problemas de fronteira terrestre” causados por estas exportações, e que têm motivado a introdução de salvaguardas por Bruxelas caso algum país da UE veja os seus mercados agrícolas afectados, na sequência dos protestos de cinco estados próximos da Ucrânia, nomeadamente Polónia, Hungria, Eslováquia, Bulgária e Roménia.

A reunião serviu ainda para definir esforços conjuntos da UE e de Kiev para desenvolver uma poderosa indústria militar, como explicou Von der Leyen no X.

Esta é a sétima visita de Ursula von der Leyen à Ucrânia desde o início da guerra.

Desta vez, a líder da UE está acompanhada pelo primeiro-ministro belga, Alexander De Croo, cujo país detém a presidência rotativa do Conselho da UE, e pelos primeiros-ministros de Itália, Giorgia Meloni, e do Canadá, Justin Trudeau, que também vão participar dos eventos relativos ao segundo aniversário do início da guerra.

Há 15h16:34 Observador 

Primeiros-ministros da Bélgica, Itália e Canadá garantem apoio à Ucrânia "pelo tempo que for necessário"

Numa reunião no Palácio de Mariyinskyi, em Kiev, os primeiros-ministros de Itália, Bélgica e Canadá — Georgia Meloni, Alexander de Croo, Justin Trudeau e Ursula von der Leyen — garantiram esta tarde que vão apoiar a Ucrânia “pelo tempo que for necessário”. Falaram sobre “integração, financiamento, recuperação e sanções”, de acordo com um correspondente da BBC.

Há 16h16:04

Canadá enviará ajuda à Ucrânia de dois mil milhões de euros em 2024

O primeiro-ministro canadiano assinou hoje, em Kiev, um acordo de cooperação em matéria de segurança com o Presidente ucraniano que compromete Otava a enviar mais de dois mil milhões de euros em ajuda militar e financeira em 2024.

O acordo firmado entre Justin Trudeau e Volodymyr Zelensky foi anunciado pelo chefe de Estado ucraniano, depois de se ter reunido com o governante canadiano num dos vários encontros com líderes estrangeiros que está a hoje a efetuar, por ocasião do segundo aniversário do início da invasão da Ucrânia pela Rússia.

“Hoje assinámos mais um acordo de segurança que reforça a posição do nosso povo e, em particular, das nossas forças armadas”, escreveu Zelensky nas redes sociais.

O Presidente ucraniano precisou que “o documento prevê a atribuição pelo Canadá, em 2024, de mais de três mil milhões de dólares canadianos (mais de dois mil milhões de euros) em assistência financeira e de defesa à Ucrânia”.

Há 16h15:50

Borrell insta os países da UE a fornecerem mais ajuda militar à Ucrânia

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, incentivou os Estados-membros a fornecerem mais ajuda militar à Ucrânia, uma “prioridade fundamental” que discutiu hoje com o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dimitro Kuleba.

“A União Europeia [UE] tem estado ao lado da Ucrânia desde o primeiro dia e continuará a estar”, prometeu o alto representante da UE para a Política Externa, numa declaração no dia em que se cumprem dois anos desde invasão da Rússia à Ucrânia.

Já Kuleba, que elogiou pessoalmente o papel de Borrell, considerou que a UE tomou “decisões históricas”, com a entrega de armas à Ucrânia e as sanções contra a Rússia, bem como com o início das conversações de adesão, mas pediu mais apoio.

“Há muitas melhorias e decisões pela frente e trabalhamos em conjunto para garantir a sua rápida adopção”, disse o ministro ucraniano.

Em março de 2023, a UE prometeu que ia entregar até março deste ano um milhão de munições de grande calibre, especificamente de 155 milímetros, mas até novembro do ano passado tinha conseguido pouco mais de 300.000 munições, entre aquisição conjunta e reforço da produção.

No início de janeiro, vários governantes admitiram a impossibilidade de cumprir a promessa até março, incluindo o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, João Gomes Cravinho.

Na quinta-feira, o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, escreveu aos ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa da UE para pedir mais um maior gasto de dinheiro para fornecer armas à Ucrânia, que enfrenta falta de munições para combater a Rússia.

“As mensagens que ouvimos são inequivocamente claras: os soldados ucranianos têm determinação para lutar, mas precisam de munições. Urgentemente e em grandes quantidades”, afirmou o alto representante da UE para os Negócios Estrangeiros no conteúdo das cartas enviadas na quarta-feira aos ministros dos 27, ao qual a agência EFE teve acesso.

“Não fazer nada não é uma opção”, advertiu Josep Borrell.

Há 17h15:25

Carlos III elogia "verdadeira valentia" ucraniana face a "agressão indescritível"

O Rei Carlos III deixou uma mensagem nas redes sociais a propósito do segundo aniversário da invasão da Ucrânia. Na conta da família real britânica na rede social X (antigo Twitter), assinou uma mensagem onde se lê: “A determinação e força do povo ucraniano continua a inspirar, enquanto o ataque não provocado à sua terra, às suas vidas e aos seus meios de subsistência entra num terceiro e trágico ano.”

“Apesar das tremendas dificuldades e dor que lhes foram provocadas, os ucranianos continuam a mostrar o heroísmo a que o mundo tanto os associa. É a verdadeira valentia face à agressão indescritível“, continua a mensagem. “Senti-o pessoalmente nas minhas muitas reuniões com os ucranianos desde o começo da guerra, do Presidente Zelensky e à senhora Zelenska, aos novos soldados que estão a treinar aqui no Reino Unido.”

E conclui: “Continuo tremendamente encorajado para que o Reino Unido e os seus aliados se mantenham na linha da frente dos esforços internacionais para apoiar a Ucrânia neste momento de grande sofrimento. O meu coração está com todos aqueles que foram afectados, tenho-os nos meus pensamentos e orações.”

Há 17h15:16 José Carlos Duarte 

Pedro Nuno manda "muita coragem" para a Ucrânia: "Podem contar com os portugueses"

O secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, disse hoje que os ucranianos podem contar “com os portugueses” e com o Governo na “luta pela liberdade da Ucrânia”. “Portugal está cá com os parceiros europeus para dá força à Ucrânia.”

“Queremos desejar a todos os ucranianos muita força e muito coragem. Pode contar connosco”, assegurou Pedro Nuno Santos.

Há 17h14:40

MNE alemão adopta oficialmente transliteração ucraniana de "Kiev"

O Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão adoptou hoje oficialmente a transliteração da palavra ucraniana para Kiev, Kyjiw, substituindo a vigente transliteração russa, Kiew, de acordo com The Kyiv Independent.

Tanto o governo alemão como as instituições privadas recorrem regularmente ao directório do MNE como referência ortográfica. O ministério está “gradualmente a alterar a soletração” de Kiev nos seus sites, sinalizações e selos oficiais.

Há 18h13:5Agência Lusa 

BE lamenta que não tenham sido feitos mais esforços pela paz e elogia Guterres

A coordenadora do BE lamentou hoje que, dois anos depois da invasão da Ucrânia pela Rússia, não tenham sido feitos mais esforços “em nome da paz”, saudando as posições contra a guerra do secretário-geral das Nações Unidas.

“Quero lamentar esta guerra sem sentido que começa com uma invasão por parte de Putin do território ucraniano. Lamentar também que mais esforços não tenham sido feitos em nome da paz”, disse Mariana Mortágua aos jornalistas sobre os dois anos que hoje se assinalam do início da guerra da Ucrânia à margem de uma acção de campanha em Boliqueime, concelho de Loulé, distrito de Faro.

De acordo com a líder do BE, o partido “tem defendido desde sempre uma conferência de paz, sob a égide das Nações Unidas, com um papel muito mais preponderante da União Europeia na construção e na intermediação de um caminho de paz”.

Há 18h13:50 Agência Lusa 

Zelensky homenageia soldados mortos em cerimónia com líderes da UE, Itália, Canadá e Bélgica

Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, homenageou hoje os soldados que tombaram na guerra contra a Rússia, numa cerimónia solene onde estiveram presentes a presidente da Comissão Europeia e os primeiros-ministros da Bélgica, Itália e Canadá.

A homenagem decorreu no aeroporto de Gostomel, a poucos quilómetros da cidade de Bucha, local com grande simbolismo, já que foi palco de uma terrível batalha durante os primeiros dias da invasão russa lançada em 24 de fevereiro de 2022.

Na altura, as tropas do Kremlin estavam nos arredores de Kiev, e tal como em Bucha, os soldados ucranianos foram alvo de um massacre que incluiu muitos atos russos considerados crimes de guerra.

“Venceremos”, proclamou o Presidente ucraniano, referindo que os ucranianos estão a lutar por isso há 730 dias.

Na cerimónia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, elogiou a resistência da Ucrânia durante a guerra, e garantiu o apoio da União Europeia “enquanto for necessário”.

O Presidente Zelensky “salvou o seu país e deu uma hipótese à resistência ucraniana. Na semana passada, abateu sete caças, levou (os russos) de volta ao Mar Negro e retomou o comércio. Isso parecia impossível há dois anos”, disse Von der Leyen.

“Lembremo-nos de como [os ucranianos] chegaram tão longe. Confio que a Ucrânia continuará a surpreender-nos a todos. Enquanto for necessário, fornecer-lhes-emos apoio financeiro, munições e continuaremos a treinar soldados e a investir na indústria de defesa europeia”, acrescentou a líder da Comissão Europeia.

A primeira-ministra italiana, Georgia Meloni – que deverá assinar um acordo bilateral de segurança com Zelensky –, garantiu acreditar “que a Ucrânia também está a lutar pela liberdade e interesse nacional” dos Estados europeus.

“A Ucrânia faz parte da nossa nova casa” e “nós faremos a nossa parte na sua defesa”, afirmou Meloni, que, como presidente do G7 (grupo dos sete países mais industrializados), organizou uma videoconferência com os sete líderes dos países para hoje.

“Este local é o símbolo do fracasso de Moscovo e do orgulho da Ucrânia, os planos de Putin foram interrompidos aqui. Lembra-nos que há algo mais forte do que mísseis e guerra: amor pela terra e liberdade”, acrescentou Meloni.

“As tropas russas tentaram tomar rapidamente o aeroporto [de Gostomel] e, com ele, a capital ucraniana”, lembrou o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau.

“E hoje estamos aqui porque falharam, como falharam em muitas outras coisas”, sublinhou, elogiando a coragem ucraniana e reafirmando o apoio do seu país à Ucrânia.

Há 19h13:14 Observador 

Joe Biden: "O corajoso povo ucraniano continua a lutar, inflexível na determinação para defender a liberdade e o futuro"

O Presidente norte-americano, John Biden, publicou ontem um comunicado no site da Casa Branca onde faz um balanço destes dois anos de guerra. “[Putin] acreditava que conseguiria facilmente curvar a determinação de um povo livre. Que conseguiria entrar numa nação soberana e que o mundo capotaria”, escreve. “Dois anos mais tarde, vemos ainda com mais clareza que Putin fez mal os cálculos.”

O povo corajoso da Ucrânia continua a lutar, inflexível na sua determinação para defender a sua liberdade e futuro. A NATO é mais forte, maior e mais unida do que nunca. E a aliança sem precedentes de 50 nações globais em apoio à Ucrânia, liderada pelos EUA, mantém-se comprometida em providenciar assistência crítica à Ucrânia e responsabilizar a Rússia pela agressão.

Como conclusão, Biden avisa: “A História está a ver. O falhanço no apoio à Ucrânia no seu momento crítico não será esquecido. Este é o momento para apoiar a Ucrânia e para nos mantermos unidos aos nossos aliados e parceiros. Este é o momento para provarmos que os EUA defendem a liberdade e não se curvam perante ninguém.

sábado, 24 de fevereiro de 2024

Argumentos mais que suficientes

 

Para Abril festejar, em paralelo, os seus 50, com a adjectivação triunfalista adequada. E aproveitemos para revisitar a HISTÓRIA do nosso esquecimento, no discurso engenhoso e sábio do Dr. JNP, para podermos comemorar, com a autoridade do saber e com espírito de real justiça, a verdade dos factos.

Repitamos:

«A Primeira República só durou uns imberbes dezasseis anos: não há-de Abril comemorar os seus maduros cinquenta anos?»

«E foi a Ditadura Militar, de 1926 a 1933.  Só durou sete anos: não há-de Abril festejar os seus democráticos cinquenta anos?»

«Durara 41 anos (O Estado Novo): não há-de Abril festejar os seus vitoriosos cinquenta anos?»

A longa madrugada

A onda comemorativa do 50º aniversário de Abril já está em marcha. E não é para menos: dos regimes precedentes, só a monarquia liberal atingiu semelhante longevidade.

JAIME NOGUEIRA PINTO Colunista do Observador

OBSERVADOR, 24 fev. 2024, 00:1822

Ainda que até o crème de la crème das nossas (por vezes indestrinçáveis) indústrias de intelligentsia e entertainment nos assegure que esta Terceira República está longe de nos oferecer o “país das maravilhas” que a revolução nos prometeu, a onda comemorativa do 50º aniversário de Abril já está em marcha. E não é para menos: dos regimes precedentes, só a monarquia liberal atingiu semelhante longevidade.

Nascida da revolução de 1820 e da Constituição de 1822, só com a vitória de D. Pedro na guerra civil, em 1834, vencida a resistência tradicionalista e popular, pôde a monarquia liberal estabelecer-se de vez. E em 1884, quando estava prestes a fazer meio século, já estava em crise. Os intelectuais e pensadores do tempo, como Herculano (que morrera em 1877) ou Oliveira Martins, tinham feito o processo crítico da monarquia liberal, do liberalismo convulso ao rotativismo. Ora diziam mal das oligarquias dominantes, com uma nostalgia subtil de outros tempos e de outras dinastias (como o medievalismo democrático do exilado de Vale de Lobos), ora estendiam uma velada passadeira de encorajamento à revolução popular republicana. O próprio Eça de Queirós, o maior novelista português da época e talvez de sempre, deixou este processo crítico imortalizado nas figuras secundárias dos seus romances – o Conselheiro Acácio, o conde de Gouvarinho, Dâmaso Salcede, Palma Cavalão. Houve, entretanto, um episódio que os marcou a todos e os trouxe do encanto por uma Europa avançada – mais afrancesado nuns, mais anglicizado noutros, mais germanófilo nos mais filosofantes Antero e Oliveira Martins – para os encantos patrióticos de um Portugal acossado. O Ultimato e a humilhação daí recorrente tiveram uma influência decisiva na fase final das obras desta elite de “Vencidos da Vida”.

Assim, o final do século XIX português é marcado pelo pessimismo do magnífico Portugal Contemporâneo de Oliveira Martins. Este pessimismo ou “vencidismo” da Geração de Setenta vinha de um núcleo duro pensante, crítico, conhecedor das ideias da Europa e do mundo, e da realidade portuguesa. Gente que marcou o seu tempo e o transcendeu.

O triunfo da República

Os republicanos foram buscar à humilhação do Ultimato força e popularidade, culpando a dinastia – os Bragança – pela aceitação do Diktaat de Lord Salisbury. Não era bem assim, mas passava a ser.

Já dez anos antes, em 1880, os mesmos republicanos, pela mão de Teófilo Braga, se tinham apropriado do terceiro centenário da morte de Camões, arrasando a monarquia e a dinastia a pretexto das celebrações da morte do poeta, a 10 de Junho.

Nesse tempo, esse Portugal em crise via as vitoriosas campanhas dos “Africanos” em Moçambique, evocadas em cima do acontecimento, em 1898, por António Enes, em A Guerra de África em 1895Memórias. Era como que uma redenção da pátria no império ameaçado, por conta do que na Metrópole se passava.

A Primeira República nasceu deste clima negativo para a dinastia e do oportuno assassinato do Rei D. Carlos que, com João Franco, abrira um caminho de possível salvação do regime num modelo autoritário e popular. Chegados ao poder, os democráticos de Afonso Costa, muito na linha dos anticlericais franceses, perseguiram a Igreja e os monárquicos. E nem os republicanos conservadores e moderados escaparam.

O regime impregnou-se daquele palavroso fanatismo dos defensores das “boas causas” – das grandes causas da Humanidade, da Razão, da Ciência e do Progresso –, e daquela sanha destrutiva contra todos os que ou não perfilhavam ou obstaculizavam a imposição de tão nobres princípios. Deste modo, além de cultivarem um belicismo cruzadista, levando o Corpo Expedicionário Português para a Flandres, persistiram no monopólio do poder, trabalhando as leis eleitorais e corrigindo pela violência das milícias partidárias o que não lhes saía bem nas urnas.

Mataram Sidónio Pais, como tinham assassinado D. Carlos, não hesitando no recurso a “formas superiores de luta” sempre que estava em jogo o seu poder. Como os inquisidores queimavam os corpos para salvar as almas dos perdidos, assim também as esquerdas iluminadas, convencidas de que estavam a salvar o mundo, destruíam alegremente quem se lhes opunha A Primeira República só durou uns imberbes dezasseis anos: não há-de Abril comemorar os seus maduros cinquenta anos?

A Ditadura Militar e o Estado Novo

E veio o 28 de Maio de 1926, pela mão de capitães e tenentes medalhados da Flandres, com o general Gomes da Costa arrastado por um punhado de civis a caucionar o movimento de Braga. Movimento que, de Braga, e em progressiva marcha de adesão através das províncias, chegou a Lisboa sem resistência que se visse, onde entrou em princípios de Junho, entre um grande consenso nacional, que ia dos monárquicos integralistas aos activistas sindicais. Todos contra os “democráticos” de Afonso Costa e António Maria da Silva, o persistente e resistente centrão esquerdizado da altura.

Assim, por eles e com eles, a República caiu ainda antes de celebrar o 16º aniversário.

E foi a Ditadura Militar, de 1926 a 1933Só durou sete anos: não há-de Abril festejar os seus democráticos cinquenta anos?

Depois, por pensamento e determinação de António de Oliveira Salazar, a Constituição de 1933 inaugurou o Estado Novo. Foi um regime ao modo do tempo, quando a democracia liberal estava em crise na Europa e em Portugal dera más provas – até porque não fora muito democrática (votava 7% da população) e, muito menos, liberal. Daí veio um regime nacional-conservador no conteúdo e autoritário na forma.

O regime, com a ordem nas ruas assegurada, com o problema das Finanças resolvido por Salazar, esteve activo na política internacional da época: ajudou Franco a conter a Frente Popular e a vencer a Guerra Civil de Espanha e teve uma política de neutralidade colaborante com os Aliados, a partir de 1943. Sobreviveu, por isso, à vaga “antifascista” de 1945 (americanos e ingleses viram que, por cá, a Esquerda era intelectual e existencialmente dependente dos comunistas). Também por isso, Portugal foi fundador da NATO em 1949 e participante de pleno direito na Europa da EFTA e na “comunidade internacional” até ao início da guerra de África em 1961.

Internamente, a partir dos anos cinquenta, houve um importante programa de industrialização e obras públicas e grandes progressos no combate ao analfabetismo que, na Primeira República, atingia 75% da população.

Mas o regime perdera já a batalha ideológica, como era expectável no clima político-cultural da Europa Ocidental. À medida que se apagavam nas gerações as memórias da “balburdia sanguinolenta” da Primeira República, chegavam da Europa e da América, apesar da Censura, os livros, as revistas, os jornais, os filmes que mudavam as cabeças. As eleições presidenciais de 1958 mostraram isso mesmo e a mudança nos meios católicos, a partir de João XXIII, foi também decisiva nas novas gerações.

Curiosamente, a Guerra de África, em 1961, não só recuperou apoio nacional e popular para o regime, como lhe valeu alguma lealdade nas novas gerações, que o associaram ao ideal de um Portugal ultramarino pluricontinental e plurirracial.

Só que a guerra que ajudara a prolongar o regime seria também uma das causas do seu fim. Exótico numa Europa democrática e liberal, o regime do Estado Novo fora feito à medida, nas ideias e no modo de gerir o poder, por Salazar e para Salazar. Era difícil sobreviver-lhe. E não sobreviveu. Durara 41 anos: não há-de Abril festejar os seus vitoriosos 50 anos?

O início dos festejos

Os que agora comemoram, alvoroçados, o golpe militar de Abril, festejam, justamente, o triunfo da Democracia… O facto de, até ao 25 de Novembro, os presos políticos do COPCON ultrapassarem em número os presos políticos do Estado Novo em 74, enquanto comunistas e maoistas tomavam conta da rua, são minudências que não contam para o saldo democrático; as longas guerras civis em Angola e Moçambique a que a Descolonização daria origem são irrelevantes pecados de juventude;  já o estado actual dos outros dois Dês de Abril, Democracia e Desenvolvimento, são os episódios de pré-senilidade de quem, há tantos anos, carrega aos ombros tão amplas liberdades e conquistas.  Com tudo isto, não há-de Abril festejar os seus exemplares cinquenta anos?

25 DE ABRIL     PAÍS      50 DE ABRIL

COMENTÁRIOS (de 22)

Américo Silva: Em Abril Portugal entregou-se ao estrangeiro, enquanto estiver em conformidade com o dono não há sobressaltos de maior, por muito que berrem polícias e rosnem militares. Ainda bem.            GateKeeper: Caro Jaime, a sua descrição é brilhante e será muito fácil concluír que, de facto, o nosso futuro e o dos nossos filhos e netos se jogará ( ou não, mais um vez) no dia 11-03-2024. A "queda d'um anjo" parece-lhe, concerteza, muito actual, nos miseráveis dias que correm. Eu e muitos dos meus amigos e familiares continuaremos a festejar outra data, o 25 de Novembro. O "25 d'abril "já deu o que tinha a dar".        Maria Emília Santos Santos: Realmente, se Abril é isto que temos tido, então bolas para ele! Possibilidades de roubar aos grande que estão no poder e de permitirem que os amigos o façam também, que desgracem a classe média, que promovam os contra valores, a corrupção, a selvajaria, o ódio, a vingança, o terrorismo, os sem abrigo, etc. Se isto é melhor do que o antigo regime, então...             Carlos Chaves: Magnífico texto para abrir o fim-de-semana! Já não peço que se afixe em espaço público o texto integral, mas a magistral conclusão devia fazer parte da abertura de todos os telejornais, de cada vez que se fale do 25 de Abril!              Meio Vazio: Que coceira tão magistral lição (mais uma) não desencadeará nos académicos de serviço à "propaganda"?!...                  GateKeeper > Américo Silva: Muito útil esta "visão" do troll xuxú. Assim percebe-se ainda melhor a origem dos danos que a vara esquerdalha nos "ofereceu" durante 70% do tempo desta 3a rep. que morre no forno a 180°c.                  Maria Melo: Eu não consigo festejar o 25 de Abril, vendo a situação em que se encontra o país e tudo o que foi feito pelos políticos. Acho que o que se pensava que traria o 25 de Abril foi completamente adulterado. E, por vezes, tenho até saudades do respeito e honestidade, os princípios que existiam nos anos 50 e 60, quando eu era jovem.                    Maria Nunes: Excelente artigo. O 25 de Abril é uma desilusão. Viva o 25 de Novembro 1975.              Tim do Á > Américo Silva: Portugal é irrelevante, já não existe, a não ser para o futebol. Morreu em 74.             Rosa Silvestre: Mais um artigo que nos deixa a pensar e com um amargo de boca.

 

COMO SEMPRE


Brilhante nas suas asserções e avisos, ALBERTO GONÇALVES. Convinha escutá-lo e desatender um partido cuja chefia é protagonizada por uma figura aparentemente segura de si, no seu ar de competência em acusações tranquilas e drásticas, diferente dos anteriores líderes - mais exaltado o Louçã, mais sorridentemente popularucha a Catarina, – esta nova figura - com saber definitivo descrita por AG - compenetrada e perfurante nas suas acusações tranquilamente drásticas e sussurrantes – (todos eles, de resto, parecidos nas intenções falsamente virtuosas de defesa dos oprimidos, na realidade de ataque permanente aos “opressores” de uma direita a abater). Sim, o problema é a neta, são estes netos e estas netas untuosos perante cuja saliência a sociedade, não sei por que carga de água, se baixa e rebaixa, sem sequer lembrar os casos de familiares até demonstrativos de irregularidade na virtude, o que deveria tapar discretamente a boca à descendente de um desses - falsamente virtuosa, ou apenas vingativa - actualmente em destaque.

O problema não é a avó Mortágua: é a neta

Não há nada de espantoso aqui. As patranhas estão na natureza do Bloco de Esquerda. Aliás, logo ao lado do ressentimento, as patranhas são a essência do bando. A novidade é o escrutínio.

ALBERTO GONÇALVES Colunista do Observador

OBSERVADOR, 24 fev. 2024, 00:5310

Pelos vistos, segundo a Sábado, a senhora tinha bem mais do que 65 anos quando recebeu a carta, inventada, de um senhorio capitalista e pérfido, que afinal era uma Instituição Particular de Solidariedade Social, a ameaçá-la com o despejo, legalmente impossível, de uma casa arrendada na Avenida de Roma por 400 euros. O assunto tem alimentado farta galhofa, incluindo a procura simulada por apartamentos na mesma rua que cobrem renda similar. Eu dispenso: nunca me ocorreu residir em Lisboa e muito menos na vizinhança da família em questão. Este, porém, não é o ponto.

O ponto é que toda a gente sabe que a dra. Mortágua mentiu na história da avó. Sobretudo a própria dra. Mortágua, que anda há dias a chorar os ataques da inevitável “extrema-direita” e a alinhavar mentiras atrás de mentiras para legitimar, anedoticamente e em vão, a mentira inicial. Não há nada de espantoso aqui. As patranhas estão na natureza do Bloco de Esquerda. Aliás, logo ao lado do ressentimento, as patranhas são a essência do bando, que sem elas estaria limitado a soprar apitos em arruadas tristes em prol da marijuana ou da “Palestina”.

A novidade é o escrutínio. Por regra tácita, consagrada há duas décadas entre boa parte dos “media” caseiros, a rapaziada do BE está autorizada a mentir no que quiser, quanto quiser e como quiser sem ser incomodada por vestígios de contraditório. É até compreensível o desnorte da dra. Mortágua, que após uma carreira dedicada à tortura dos factos se vê agora humilhada em público por causa de uma falsidade comparativamente menor. Claro que é cómico. E que, assentada a poeira, é trágico.

É que a chacota em volta da avó Mortágua encobriu por completo a mensagem que a neta tentou passar. Imagine-se, por inconcebível que seja, que a dra. Mortágua tinha sido rigorosa e séria, leia-se que a avó ficara em “sobressalto” a pretexto de uma comunicação do proprietário do imóvel. E depois? Todos os cidadãos experimentam sobressaltos semelhantes sempre que recebem comunicações do Estado, com a diferença de que estas, ao contrário da outra, são reais. O pormenor é que se desconhece grande currículo de indignações do BE perante tais sustos. Ou abusos. Ou arbitrariedades.

Pior: se a dra. Mortágua mandasse, os sustos, os abusos e as arbitrariedades redobrariam em dimensão e frequência. E não apenas em matéria de habitação, sector em que a prestigiada economista da Escola de Caracas sonha com o assalto indiscriminado aos velhinhos, à meia-idade, aos jovens se for o caso. Há um par de semanas, a antecessora da dra. Mortágua, Catarina Martins, proclamou sem hesitações – nem escândalo subsequente – que “o direito à propriedade e o mercado” não podem ser “um obstáculo ao direito à habitação”. É escusado traduzir: em nome das perversões que os guiam, os senhores e as senhoras do BE defendem o confisco dos bens alheios, no imobiliário e no que calha, para que, suprimida a liberdade que resta e instituída a radical dependência que a falta de liberdade implica, o Estado, idealmente ocupado pelo BE, desfrute de poderes absolutos. E o povo, bom e mítico, possa desfrutar da absoluta miséria.

Descontada a agradável catarse suscitada pelo espectáculo de uma impostora com as calças na mão, a ficção da avozinha acabou por disfarçar o que vai na cabeça verídica da dra. Mortágua. Nessa prodigiosa cabeça, o senhorio, plausivelmente com chifres e cauda, é mau porque é “privado”, porque é um cidadão, porque é alguém que consegue ganhar a vida para lá das garras do Estado e, em última e intolerável instância, com um conforto e uma decência que o Estado que o BE concebe não admite. Enquanto nos distraímos com a mentira, esquecemo-nos da verdade. E a verdade é uma coisa assustadora.

Apesar de a ortodoxia vigente, da esquerda à obediente “direita”, reduzir a actualidade à discussão dos acordos que o PSD fará ou não fará com o Chega, o PS assumiu sem problemas nem escrúpulos a aliança com o BE, para não falar nos demais partidos comunistas, que hoje, valha a fartura, são três ou quatro. E não se trata da aliança oportunista do dr. Costa em 2015, que tantos maravilhas legou ao país, mas de um casamento apaixonado entre duas almas gémeas, o neto do “sapateiro” que tinha uma fábrica e a neta da inquilina que tinha 78 anos em 2012.

O dr. Pedro Nuno não precisa de tolerar a influência de radicais no governo: o dr. Pedro Nuno é um radical do calibre da dra. Mortágua. Como ela, também ele deseja “fazer o que nunca foi feito”, ou precisamente o que não se concluiu no PREC devido a interrupção “reaccionária”. O que se cozinha por aí não é uma mera frente de esquerda, mas uma frente de extrema-esquerda, totalitária e opressora conforme convém. A confirmar-se o pesadelo, e a propósito disto e daquilo, começarão a entrar nos CTT, entretanto nacionalizados, cartas autênticas que farão a carta forjada pela dra. Mortágua parecer um cartão do Dia dos Namorados. Antes que essa gente nos desaloje a nós, é capaz de ser vital desalojar essa gente. E não pelos correios: pelas urnas.

BLOCO DE ESQUERDA    POLÍTICA

COMENTÁRIOS (de 10)

F. Mendes: Excelente artigo. Para levar a sério, nomeadamente no tocante ao parágrafo final. Infelizmente, é bem possível que caso as eleições corram mal a 10 de Março, aquelas sejam as últimas razoavelmente livres, por muito tempo neste país. Não acredito muito em sondagens. As que saíram recentemente, aparentemente favoráveis à direita, acabam por condicionar o voto útil à esquerda, neste sentido: concentrar o voto no PS, para evitar a vitória da coligação de "direita" (ou seja, da AD), que não governaria em versão Montenegro. E claro, para travar o crescimento do "perigosíssimo" fascismo do CH, mantendo a possibilidade de uma maioria de esquerda no parlamento. Inversamente, à "direita", cria-se uma falsa sensação de conforto, que poderá conduzir a um elevado número de votos inúteis em círculos eleitorais de pequena dimensão.