Sobre o que se passou…
Com a natural demagogia dos “pacifistas” de hoje, e como chamariz para
as suas pessoas, de generosidade comprovada nas palavras … escritas, para
inglês ver, e que admiram, talvez mais, as guerras de hoje, de uma pujança mais
eficaz mas, sobretudo, distanciada no ponto de partida, captada, sobretudo, por meio televisivo, como espectáculo ilustrativo, não condenável, esse…
Vamos a
isso!
Não tenho qualquer objecção em debater os temas das
reparações e da escravatura com João Moreira da Silva ou qualquer outro.
Recuso, porém, participar num debate que se estruture como espectáculo.possíveis
amigos outros amigos
JOÃO
PEDRO MARQUES, Historiador e romancista
OBSERVADOR,
12 out. 2026, 00:24
Como mostrei no meu anterior artigo, João Moreira
da Silva mentiu
quando me acusou de mentir a respeito das recentes declarações do Ministro dos
Estrangeiros do Gana sobre a disponibilidade do governo da AD para o ajudar na
questão das reparações. Mas também referi, nesse meu artigo, que não era a
primeira vez que Moreira da Silva mentia a meu respeito e prometi que revelaria
onde e como, num próximo texto. É o que passo agora a fazer.
Convém lembrar que João Moreira da Silva é um jovem
esquerdista woke que já no passado critiquei porque ele se empenha em negar ao
Portugal de outros tempos o direito a ser classificado como a primeira nação
globalizadora. Critiquei-o, igualmente, porque, na ânsia de censurar os autores
do enunciado de exames de História por não terem referido as violências
cometidas pelos portugueses nos seus domínios ultramarinos, e de considerar
esse esquecimento como tendo sido deliberado, se ter ele próprio esquecido de
referir as incomensuravelmente maiores violências cometidas durante o
estabelecimento do mundo islâmico e do Império Mongol, processos históricos que
o próprio Moreira da Silva trouxe à baila.
Todavia, em vez de tentar responder a essas minhas críticas —
concedo que teria sido difícil fazê-lo — João Moreira da Silva preferiu, como é timbre da sua seita
política, difundir um venenoso boato sobre mim nas redes sociais. Segundo esse boato eu teria recentemente
recusado participar num debate sobre reparações em que o próprio Moreira da
Silva iria estar presente e teria supostamente alegado, como justificação da
recusa, “não estar confortável com um público a assistir e intervir”.
O jovem esquerdista woke insinuou, assim, que eu teria receio de debater
com ele e perante uma audiência. Mas isso é falso, pois não foi essa a
razão pela qual recusei o convite que me foi endereçado, no dia 10 de Junho,
por Leonor Caldeira, uma “advogada de activistas”, como a própria se
define, que adquiriu notoriedade por ter representado a família Coxi e ter
vencido um processo contra André Ventura. A razão da recusa foi outra,
como fica claro do que respondi logo no dia seguinte, por escrito, à própria
Leonor Caldeira — dando conhecimento dessa resposta aos outros dois
organizadores do referido debate, João Marecos e José Maria Pimentel — e que aqui
transcrevo:
“Cara Leonor Caldeira, começo por lhe agradecer o
simpático convite que me dirigiu. O tema (das reparações) é e continuará a ser
de interesse público e o contraditor proposto, João Moreira da Silva, parece-me uma pessoa adequada pelas
razões que expôs no seu email. A data também é adequada e, até, bem-vinda por
ser relativamente próxima de um outro debate que irei ter sobre esse tema no
dia 4 de Dezembro. O que
não me parece indicado é o modelo do debate. Na modalidade proposta o que
se avalia não é o mérito ou demérito das ideias, das teorias e interpretações
de cada um, mas sim a capacidade de as publicitar e de persuadir uma audiência. Não se avalia o nível dos
conhecimentos dos debatentes, mas o seu merecimento como propagandistas.
É, salvo melhor opinião, um modelo próximo de (e ajustado a) um concurso
de televisão ou a uma campanha eleitoral, com vencedor e vencido a serem
determinados pela variação das sondagens pré e pós-debate, e não pela
contraposição de argumentos com a sua dinâmica própria e que possa ser, até em
virtude dessa dinâmica, realmente esclarecedora. Para lhe falar com
toda a franqueza eu não sou um militante, não estou em campanha para converter
pessoas e não me revejo nem me ajusto ao modelo proposto. Por isso não posso
aceitar o seu convite. Com os melhores cumprimentos, João Pedro Marques”.
Feita a transcrição integral da minha resposta, fica evidente
que não há nela qualquer referência a “não estar confortável com
um público a assistir e intervir” nem qualquer objecção em debater
com João Moreira da Silva, pelo contrário. Ou seja, o boato sobre
mim que o dito Moreira da Silva pôs a correr nas redes sociais é
uma mentira. Gostaria, também, de sublinhar o seguinte: desde 2017 que
assumo uma posição pública frontalmente contrária ao pagamento de indemnizações
ou reparações por factos relativos ao já distante passado colonial de Portugal.
Já assumi essa oposição em livros e em mais de uma dúzia de artigos de opinião,
um dos quais em debate directo com João Moreira da Silva.
Para além disso já debati a questão face a face com diversos opositores,
inclusive na RTP África, na SIC e na RTP2. Por norma tenho estado disponível
para debater este assunto e em Novembro de 2025 surgiu o projecto de
organizar um debate entre mim e um outro interveniente — eu sugeri, entre
outros nomes, o de Marcelo Rebelo de Sousa, mas também o de João Moreira da Silva. Por razões que me transcendem esse
debate, que deveria realizar-se em Cascais perante uma audiência de 200
pessoas, não foi por diante. Porém, ainda no corrente ano, no princípio
de Dezembro, como referi acima, irei participar num outro debate sobre o
mesmo assunto, debate que se realizará sob a égide da Academia IDL – Instituto Adelino
Amaro da Costa, perante uma audiência e em que, se não houver alterações de
última hora, terei como contraditor Ascenso Simões, o ex-deputado do PS.
Ou seja, e em suma, não tenho qualquer objecção em
debater os temas das reparações e da escravatura com João Moreira da Silva ou qualquer outro interlocutor. Recuso, porém, participar num debate que se
estruture como espectáculo, com duas equipas concorrentes, como num concurso
televisivo, e que privilegie os dotes de advocacia e de capacidade de persuadir
uma audiência circunscrita, como, em minha opinião, aconteceria no caso deste
convite que me foi dirigido por Leonor Caldeira.
Esse tipo de debate poderá ser o terreno de eleição para a
referida Leonor Caldeira, uma advogada de barra e de contencioso que gosta (ou
gostava) da picardia, ou para o também advogado e coorganizador, João Marecos.
Porém, eu não sou advogado, sou um historiador que dividiu a sua
actividade profissional entre o ensino e a investigação. Acresce
que a História não equivale a uma campanha eleitoral
nem a uma sessão de tribunal, com jurados, vencedores e vencidos, nem se adequa
a um julgamento.
Não obstante tudo isso ser para mim um ponto bem
assente, e do
qual não me afastarei, se João Moreira da Silva ou outra pessoa me quiser
propor um debate de natureza e mecânica diferentes do que agora me foi
proposto, organizado em moldes tradicionais, que seja moderado por alguém
isento, equidistante e minimamente conhecedor da matéria, e que decorra em
terreno neutro, num estúdio de um dos principais canais televisivos ou face a
uma audiência equilibrada, isto é, bem dividida entre as duas posições em
confronto, e se tudo isso puder ser previamente assegurado, então eu daqui lhes
digo: vamos a isso!
Debate Sociedade
COMENTÁRIOS
(de 69)
Rui
Medeiros
Muito
bem Sr. Professor,
Estes ilustres queriam montar-lhe uma armadilha, por
forma a tentar descredibilizar tudo o que tem dito e escrito sobre as
indemnizações.
Eles engendraram um debate moderado por uma advogada
wokista ou outra pessoa qualquer com essa mesma ideologia, bem como teriam uma
plateia previamente seleccionada hostil ao seu pensamento... tudo planeado para
criar o dito espectáculo de que fala... porque debater seriamente o assunto,
não era certamente a intenção deles.
Aliás, as más intenções deles ficam bem demonstradas
na mentira sobre a sua recusa de debater nessas condições, comprovado pela carta aqui reproduzida.
Parabéns
pela Sua atitude.
Rosa
Ribeiro
Portugal também será indemnizado pelo Ensino, Cultura,
Ciência, Saúde, Infraestruturas, Edificações que deixou nos novos países?
E os países amigos da libertação dos povos serão
beneficiados pelos actos cometidos? E as viúvas, mães e irmãs que perderam os
entes queridos na guerra colonial, também serão beneficiadas?
Por amor de Deus, deixem o Passado e pensem em
melhorar o Presente e, especialmente, o Futuro.
graça
Dias
Senhor Professor João Pedro Marques
Um artigo brilhante que desmascara João Moreira da
Silva e o microcosmo da sua ideologia globista Woke, com uma proposta em style
espectáculo, que nunca iria garantir o esclarecimento, mas antes, porém, e dados
os interlocutores propostos, seria publicitar propaganda e persuadir uma
audiência -- esse é o modus operandi das falaciosas narrativas das esquerdas
globistas Woke, com a inversão e a
adulteração dos factos.
É com armadilhas com este padrão apresentado ao Senhor
Professor, que os esquerdistas Woke enganam os distraídos e os incautos, na sua
senda de reescrever a História, que lastimavelmente, durante os consulados
socialistas & geringonça, se propagou muita mentira através do ensino e da
cultura.
Ao Senhor Professor JPM o meu agradecimento e
parabéns, por não ter integrado esta marcha caluniosa da esquerda globista Woke,
contra a História de Portugal e contra os portugueses.
Maria
Nunes
Sr. Professor João Pedro Marques, fez muito bem em não
se prestar a essa fantochada. O que JMS e a advogada querem é espectáculo.
Obrigada pela sua defesa intransigente da nossa História.
António
Soares
É por ter figuras do jaez de Moreira da Silva, Rangel,
Pacheco Pereira e a menstruanda Balseiro, que o PSD caminha para a
irrelevância.
Fernando > ce
Apoiado. Essa gente que se lhe opõe é “compagnon de
route” dos contestatários actuais na França e Bélgica. Não representam o país.
Esquecem-se de que, quando chegámos aos países que construímos (porque eles não
existiam com a configuração que lhes demos) e colonizámos, com a excepção do
ex-Estado da Índia, viviam num estado civilizacional perto do Neolítico.
João
Floriano
Totalmente de acordo com o Dr. João Pedro Marques. O
que estes wokes querem é notoriedade, é palco.
SDC Cruz
Admira-me que um ilustre Historiador e Professor perca
o seu precioso tempo com os Moreiras da Silva desta vida. Estes personagens não
merecem palco. São uma aberração da Portugalidade.
(300)
Orlando Eduardo von Dollinger Martins
Eu sei que a generalidade das pessoas que comentam
aqui são cultas e pouco dadas à literalidade. Porém, relido o texto, não sei se
o meu comentário saiu suficientemente irónico.
JPM, tem toda a minha solidariedade!
Mas que eu achava engraçado os “reparadores” pagarem
do seu bolso, lá isso…
graça Dias (300) > Orlando Eduardo von Dollinger
Martins
Caríssimo Orlando Eduardo von Dollinger Não está
errado. O Sr. Ascensão Simões disse, e mais do que uma vez, que o Padrão dos
Descobrimentos
era para explodir. Se o passar do tempo me não esbateu os contornos e as cores
da memória, julgo que fez uso de " explosão " , o que vai dar no
mesmo, ou seja, ao pensamento doentio
destes impostores e incendiários, que pretendem apagar a nossa História e
identidade.
Estes tolos de tanta ignorância, deveriam ler os
livros do Sr. Professor João Pedro Marques e o livro CATACLISMO ATLÂNTICO
editado pela Guerra e Paz há cerca de 2 meses, do prestigiado historiador David Eltis, especializado na história da
escravidão nas Américas. No livro, Eltis apresenta uma análise profunda e inovadora sobre o
tráfico transatlântico de escravos, desafiando interpretações tradicionais e
expondo a complexidade deste fenómeno. Eltis discute as implicações demográficas,
económicas e sociais, tanto para África quanto para as Américas, e oferece uma
nova perspectiva sobre uma das transacções mais sombrias da história, realçando
o respectivo contributo para a formação das sociedades modernas.
Uma obra fundamental para historiadores,
investigadores e qualquer pessoa interessada em compreender as raízes profundas
das desigualdades e dinâmicas contemporâneas.
Eltis examina, além da participação essencial dos
Europeus, a participação dos vendedores africanos, seja dos guerreiros
mercadores em larga escala, seja da multitude de pequenos vendedores de um ou
dois escravos: só a rainha Ginga está associada à venda e ao embarque de 190
mil escravos em poucos anos.
☆ Nenhum debate sobre escravatura
pode, agora, ser feito sem considerar este livro ☆
(300)
Orlando Eduardo von Dollinger Martins
Caro
João Pedro Marques,
Leio
tudo o que escreve aqui e concordo quase sempre. Desta vez, não.
Este
problema das reparações pode acabar rapidamente sem debates, tricas,
comentários azedos e outras figuras.
O que é que o JPM tem contra as reparações? O JPM não
quer pagar, eu também não nem admito que o Estado o faça em meu nome. Porém,
acho legítimo que o Moreira da Silva e seus apaniguados o façam. Depois da
política do “utilizador-pagador” teríamos a do “sofredor-pagador”.
Esta gente só teria de comunicar à autoridade
tributária quanto estaria disposta a descontar mensalmente para aliviar a sua
consciência.
Deste modo, cada um fica com a sua razão e talvez nos
possamos dedicar a causas importantes.
Sr
Leão
Não conheço esse Moreira Silva nem preciso de conhecer
para dar ao prof. JPM todo o meu crédito.
Alcochete4@
> Portugal Para Sempre
Quem é
esse João Moreira Silva?!
(300) Orlando Eduardo von Dollinger Martins
Reli o texto e saltou-me agora à vista que o professor
João Pedro Marques vai debater com o Ascenso Simões.
Estou disponível para reconhecer o erro, mas creio que
esse senhor do PS disse, há uns tempos, que o Padrão dos Descobrimentos era
para demolir!
Se não disse...as minhas desculpas, mas seria capaz de
jurar que sim.
Se alguém tiver uma memória mais fresca e esclarecida
que confirme, por favor.
A ser verdade, o nosso caro professor não vai ter mãos
a medir com a quantidade de chalupas com que vai ter de dirimir argumentos.
graça
Dias(300) > Orlando Eduardo von
Dollinger Martins
Caríssimo
Orlando Eduardo von Dollinger
O seu
comentário não só foi ironia inteligente, como muito bem enquadrado no
contexto.
A sugestão talvez tivesse causado algum mau
estar aos proponentes da sessão espectáculo. Boa semana.
Manuel
Magalhaes
Esse
Moreira da Silva se é wok é sem dúvida um idiota!!!
João
Floriano > Rui Medeiros
Subscrevo
o comentário do Rui Medeiros.
Manuel
Lisboa
Muito
bem João Pedro Marques!
Miguel
Macedo
Muito
bem! Como sempre!
Joao Lemos
Esta
malta não quer debater nada.
Por um
lado, não tem cultura para debate e por outro são especializados em gritarias.
João Marques > António Soares
João
Moreira da Silva não está ligado ao PSD. É o seu pai, Jorge Moreira da Silva,
que o está.