quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Mundo torcionário

 

Tortuoso sendo um termo demasiado depurado para designar tamanha perversão, nestes tempos orientados por “religião e moral”, e onde as prisões servem para castigar pecadores de expressão mais eficaz. Um crime destes, tamanho e repugnante, parece não merecer castigo de mérito, pelos povos de ampla dimensão, quer territorial quer financeira – ou mesmo apenas na berra -  pois só agora veio à luz da publicidade.

 

"Uma das maiores operações de resgate de crianças da história americana": polícia encontra 163 menores desaparecidos no estado da Florida

Menores resgatados tinham idades compreendidas entre 2 meses e 17 anos, segundo autoridades. Só em Miami, foram encontrados 41. Operação levou ainda à localização de crianças noutros seis estados.

Margarida Vieira dos Santos: TEXTO

OBSERVADOR,01 set. 2026, 18:55

As autoridades norte-americanas encontraram no estado da Flórida, de 17 a 21 de agosto, 163 menores desaparecidos, no âmbito daquilo que descreveram como “uma das maiores operações de resgate de crianças da história” dos Estados Unidos. Apenas em Miami, foram resgatadas 41 crianças.

Intitulada “Operação Escudo Estadual”, a operação da polícia teve como objectivo “identificar, localizar e resgatar crianças desaparecidas menores de 18 anos”, segundo um comunicado do Departamento de Polícia da Flórida (FDLE, sigla em inglês), citado pela NBC Miami.

“As crianças tinham entre 2 meses e 17 anos de idade, e muitas tinham sofrido vários níveis de abuso, negligência, exploração ou exposição a outras actividades criminosas“, afirmaram as autoridades.

De acordo com a polícia, alguns dos menores resgatados “necessitavam de assistência”, sendo transportados para “centros de recuperação”, onde receberam apoio “de serviços sociais, profissionais de protecção infantil, profissionais médicos, defensores das vítimas e outros recursos destinados a crianças”.

Como resultado da operação, foram resgatados 46 menores na região de Tampa Bay, 32 em Jacksonville, 41 em Miami, 21 em Orlando, 8 em Pensacola, 3 na região de Tallahassee e 12 em Fort Myers. Um número desconhecido de crianças também foi encontrado noutros seis estados norte-americanos e em 12 países, informou o FDLE.

“Muitas destas crianças foram vítimas daqueles que se aproveitam dos mais vulneráveis”, afirmou o procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, citado pela NBC Miami. “Graças ao excelente trabalho do FDLE, do Gabinete de Procuradores do Estado e dos nossos parceiros estaduais e locais, estas crianças estão agora seguras e a receber os cuidados que merecem”.

As autoridades do estado da Flórida estão a investigar três crimes graves relacionados com a operação. No entanto, ainda não foram divulgados detalhes sobre a natureza dos casos nem sobre eventuais detenções.

 

[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]

 

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COMENTÁRIOS:

Nuno Gomes:  Falta alguma coisa nesta notícia. Explicação.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Conflitos, sempre

 

No mundo das inteligências. Das ambições, também. Com retaliações, por vezes. Com petróleo, para aquecer mais.


O mundo de olhos postos em Bisqueque. O que está em causa na cimeira que vai reunir Putin, Xi, Modi, Pezeshkian e até Guterres?

No ano em que completa 25 anos, a SCO reúne no Quirguistão com conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente, sanções ao Irão e gasodutos russos em cima da mesa.

António Moura dos Santos  - Texto

OBERVADOR, 31 ago. 2026, 00:32

Esta terça-feira tem início a 26.ª cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês), no mesmo ano em que o grupo informal atinge os 25 anos de existência. Os encontros realizam-se em Bisqueque, a capital do  Quirgistão, um dos 10 membros deste bloco que tem assumido o objectivo de constituir uma força contrária à influência dos países ocidentais.

Nos dias que antecederam o início da cimeira, foi confirmada a presença de alguns dos líderes mais poderosos da Eurásia, como o presidente chinês Xi Jinping — que chegou este domingo — o primeiro-ministro indiano Narendra Modi e o presidente russo Vladimir Putin.

Além disso, o encontro será também marcado pela comparência do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, num contexto de pressão económica crescente por parte dos EUA e no rescaldo dos primeiros ataques norte-americanos ao território em mais de um mês.

Segundo confirmou a agência de notícias turca Anadolu junto do secretariado da SCO, a agenda desta cimeira será marcada pelos principais desafios de segurança regionais e internacionais em curso, como os conflitos no Médio Oriente e na Ucrânia.

Foi já anunciado que Putin vai ter encontros bilaterais com Pezeshkian e Xi, tendo este triângulo especial significância no contexto das tentativas de Donald Trump de bloquear apoios financeiros e militares a Teerão, particularmente por parte da China e da Rússia.

A 25 de agosto, a administração Trump iniciou a “Operação Exclusão Económica”, uma campanha de pressão económica consistindo na imposição de sanções secundárias aos parceiros comerciais do Irão nos sectores do ouro, da tecnologia, dos ativos digitais, da aviação e do transporte marítimo. Além disso, Washington ameaçou também os aliados do Irão com sanções directas. A China — que é um dos principais importadores de petróleo iraniano a nível mundial — já reagiu a estas acções, afirmando que irá “defender firmemente” os seus interesses.

Estas reuniões bilaterais em Bisqueque decorrem também dias depois de o director da CIA, John Ratcliffe, ter visitado Moscovo, com esta viagem a ser alvo de elevada especulação quanto ao que terá sido discutido no que toca aos conflitos no Médio Oriente e na Ucrânia.

Além dos conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente, outros pontos de interesse desta cimeira residem na tentativa de descongelamento das relações diplomáticas entre a China e a Índia depois de anos de tensões fronteiriças, e na forma como a Índia e o Paquistão vão lidar com as consequências das escaramuças de maio do ano passado na região de Caxemira.

A interdependência e a conectividade económica também vão tomar um destaque importante, a começar pelo sector dos transportes. Um dos projectos na agenda é o corredor logístico [ferroviário e marítimo] promovido pela Rússia: projecctado para ter 7.200 quilómetros, deverá ligar São Petersburgo a Mumbai, passando pelo Irão e por portos do Golfo Pérsico.

Outro dos temas económicos na agenda é o projecto do gasoduto Siberian Force-2, infraestrutura planeada para transportar gás natural dos campos da Sibéria ocidental para o mercado chinês, atravessando o território da Mongólia. O acordo sobre este gasoduto não pôde ser concluído, como era desejo de Moscovo, durante a visita do chefe do Kremlin ao gigante asiático em maio passado.

Está ainda planeado retomar as discussões quanto à potencial criação de um Banco de Desenvolvimento da SCO, que tem sido alvo de sucessivas negociações quanto à sua estrutura e modalidades de funcionamento.

A Organização de Cooperação de Xangai centra grande parte da sua actividade na cooperação política, económica e de segurança, incluindo o combate ao terrorismo, ao separatismo e ao extremismo. Ao contrário da NATO, não dispõe de uma cláusula de defesa mútua e toma as suas decisões por consenso, mas tem assumido um importante papel geopolítico, principalmente pela forma como a China e a Rússia têm usado esta organização como força de pressão contra os adversários do Ocidente.

A reunião do ano passado em Tianjin, por exemplo, foi marcada por declarações de defesa pela criação de um “mundo multipolar” e por críticas mais ou menos veladas: se Putin acusou os países ocidentais de provocarem a guerra na Ucrânia, Xi denunciou “actos de intimidação” por parte dos EUA.

As origens deste grupo remetem para os “Cinco de Xangai”, formação precursora criada em 1996 pela China, a Rússia, o Cazaquistão, o Quirguistão e o Tajiquistão para mitigar tensões militares e resolver disputas fronteiriças na sequência do colapso da União Soviética. Quando o Uzbequistão aderiu, em 2001, este bloco tornou-se na Organização de Cooperação de Xangai.

Hoje, a SCO é composta por 10 países, com as entradas da Índia e do Paquistão como membros de pleno direito em 2017, seguindo-se o Irão em 2023 e a Bielorrússia em 2024. Além dos membros oficiais, juntam-se ainda o Afeganistão e a Mongólia como observadores e cerca de 15 parceiros de diálogo onde constam a Turquia, o Azerbaijão e a Arábia Saudita.

É no contexto deste grupo mais alargado que o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, também vai marcar presença na cimeira em Bisqueque, tendo previsto discursar na reunião da Organização de Cooperação de Xangai Plus, um formato alargado que reúne os membros da SCO e convidados, observadores e outros parceiros.

“Neste discurso, espera-se que o secretário-geral enfatize o valor da cooperação entre a ONU e a Organização de Cooperação de Xangai. Abordará também outros temas, incluindo os recentes acontecimentos no Médio Oriente”, confirmou o seu porta-voz, Stéphane Dujarric.

*com Lusa

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Natureza

 

O nosso mundo começa cá dentro da nossa porta, diz o cantor.

Mas temos de contar sempre com os imprevistos causados pelas ambições alheias, nós próprios também já tendo dado provas disso.

 

Mais de um mês depois, EUA voltam a atacar Irão que já retaliou

Os Estados Unidos atacaram o Irão, na ilha Larak, para impedir o lançamento de rockets que pretendiam voltar a colocar minas no Estreito de Ormuz. O Irão já retaliou com ataques a bases na Jordânia.

Agência Lusa

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Observador

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31 ago. 2026, 00:39

epa13125319 Cargo vessels are seen at one end of the Strait of Hormuz near the coast of Dibba Al Fujairah, United Arab Emirates, 21 July 2026.  EPA/STRINGER

STRINGER/EPA

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A última vez que os Estados Unidos tinham atacado o Irão foi a 29 de julho. Um mês depois voltam a atacar. Atingiram lançadores de ‘rockets’ que se preparavam para lançar minas no Estreito de Ormuz, segundo foi noticiado.

Meios de comunicação semioficiais iranianos noticiaram sons de explosões nas proximidades da ilha iraniana de Larak, que se situa nas imediações do estratégico estreito, no golfo Pérsico. As forças militares norte-americanas tinham indicado ter concluído a desminação das rotas de navegação internacional no estreito.

O Irão já retaliou. A Guarda Revolucionária do Irão fez saber que tinha lançado vários ataques a bases militares dos Estados Unidos na Jordânia. E se fontes norte-americanas dizem que o ataque terá sido interceptado, o corpo militar assegura que infligiu danos.

A televisão Al Jazeera noticiou, citando um responsável norte-americano sob condição de anonimato, que os Estados Unidos (EUA) atacaram dois lançadores de foguetes da Guarda Revolucionária localizados em Larak. Forças do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica foram observadas a preparar-se para lançar foguetes com minas navais para o estreito, segundo o responsável norte-americano, que falou sob anonimato para poder divulgar informações sobre estas movimentações militares de contornos sensíveis.

“Posso confirmar que, hoje de manhã, as forças norte-americanas atacaram dois lançadores iranianos na ilha de Larak. Foram observadas forças do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica a prepararem-se para lançar rockets com minas marítimas para o Estreito de Ormuz”, afirmou o porta-voz do Comando Central dos EUA, o capitão Tim Hawkins, ao Axios. O porta-voz adianta que as forças norte-americanas estão a “acompanhar de perto a zona”, continuando “preparadas para proteger o livre trânsito do comércio” através do estreito.

Segundo a agência noticiosa espanhola EuropaPress, pelo menos duas pessoas morreram e outras duas ficaram feridas neste ataque em Larak. A Guarda Revolucionária, numa declaração divulgada pela televisão estatal iraniana, referiu, por sua vez, “o martírio e ferimentos de vários combatentes e compatriotas”.

O Irão garantiu ainda que o ataque irá “resultar na punição do agressor”. E foi mesmo assim que a Guarda Revolucionária chamou ao ataque.

A guerra entre os Estados Unidos e o Irão completou na sexta-feira seis meses. Este ataque acontece poucos dias depois de Donald Trump ter anunciado que concentraria os esforços na pressão económica.

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