sábado, 11 de abril de 2026

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Nossas, acertos nossos, num mundo desarrumado em “pacotes” de feitio vário, por aí…

Montenegro em pressão alta sobre a UGT: chumbo da nova lei laboral seria "indesculpável"

Primeiro-ministro defende que a central sindical não tem mais argumentos para não assinar acordo de concertação social. Luís Montenegro reconhece também risco de regresso aos défices.

MIGUEL SANTOS CARRAPATOSO: Texto

OBSERVADOR, 08 abr. 2026, 22:41

4 min"Não temos nenhuma obsessão com os superavits. Nunca o vamos fazer à custa do sofrimento das pessoas"

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

A poucas horas de a UGT decidir se assina ou não o acordo de concertação social para a revisão da legislação laboral, LUÍS MONTENEGRO pressionou a única central que ainda está a mesa das negociações com o Governo a validar a reforma pensada pelo Executivo. “Com toda a aproximação que houve, será de facto indesculpável que o país não aproveite esta oportunidade para pagarmos melhores salários”, sublinhou o primeiro-ministro.

Montenegro, que discursava no Conselho Nacional do PSD, elogiou publicamente oesforço notávelda sua ministra do Trabalho e da Segurança Social, MARIA DO ROSÁRIO PALMA RAMALHO, e defendeu que os representantes sindicais não tinham mais argumentos para “perderem a oportunidade de valorizar o trabalho e os trabalhadores”.

A versão actual do pacote laboral será votada amanhã, quinta-feira, pela UGT. Fechado o processo de negociação em sede de concertação social, a nova legislação terá depois de ser discutida e aprovada no Parlamento remuneração”, sublinhou o Primeiro-Ministro. Mas a decisão da central sindical será muito relevante para o destino da nova lei. Por dois motivos: condicionará em muito o voto dos socialistas no Parlamento; em segundo lugar, e mesmo que o PSD consiga sobreviver ao Parlamento, o novo pacote terá de passar pelo crivo do novo Presidente da República.

Recorde-se que, ainda durante a campanha eleitoral, ANTÓNIO JOSÉ SEGURO prometeu chumbar a lei laboral se o acordo de concertação social falhasse e criticou o Executivo de Luís Montenegro por não ter manifestado a intenção de rever o código laboral no programa eleitoral da AD e no próprio Programa de Governo. Esta terça-feira, desafiado a dizer o que espera deste processo, limitou-se a dizer que é “um homem de esperança“. “Aquilo que eu desejo é que o diálogo nunca falte e, sobretudo, a disponibilidade para esse diálogo.”

Num segundo momento da sua intervenção, o primeiro-ministro reconheceu que a situação internacional inspira cuidados e que o país poderá ressentir-se da evolução imprevisível dos acontecimentos no Médio Oriente. Ainda assim, Luís Montenegro deixou a garantia de que o Governo tomará todas as medidas para mitigar os efeitos do agravar da crise nos bolsos dos portugueses. Mesmo que para isso, salvaguardou o primeiro-ministro, seja preciso passar dos resultados positivos para os défices.

Não temos nenhuma obsessão com os superavits. Nunca o vamos fazer à custa do sofrimento das pessoas. Se algum dia for preciso sacrificar esse resultado, tomaremos as medidas respectivas. Se tivéssemos um pequeno défice, continuávamos a ser os campeões da estabilidade financeira da Europa.”

A 26 de março, quando reagiu aos números da execução orçamental, Joaquim Miranda Sarmento, ministro das Finanças, já tinha admitido o mesmo.Ao contrário de 2025, em que sempre afirmámos que não haveria défice orçamental, contra a opinião de vários no país, não podemos hoje, de forma transparente, honesta e sincera, excluir a possibilidade de em 2026 haver um pequeno défice. Mas não colocará em causa o equilíbrio das contas públicas, a redução da dívida pública.

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COMENTÁRIOS (de 6)

paulo mariano: Inquinados pelo rasto ideológico, mental, funcional de mais de 60 anos de neofascismo do PCP. Este País é para velhos e fanáticos de esquerda?

 

Leituras preciosas


E desde sempre aprazíveis: a BÍBLIA, de consulta ocasional, todavia, parecendo-me ser o livro mais extraordinário de todos os tempos.

P. GONÇALO PORTOCARRERO DE ALMADA, COLUNISTA DO OBSERVASDOR

OBSERVADOR, 11/4/26

Prós e contras da ressurreição de Jesus de Nazaré

A dificuldade em reconhecer Cristo ressuscitado é a melhor prova da sua verdade histórica e sobrenatural originalidade.

11 abr. 2026, 00:21

2º – Os soldados que faziam guarda ao sepulcro, e que foram as mais próximas testemunhas da alegada ressurreição, declararam na altura que “os seus discípulos vieram de noite e, enquanto estávamos a dormir, roubaram-no” (Mt 28, 13).

3º – São as mulheres as primeiras discípulas de Jesus que constatam a ausência do seu corpo, que não explicam pela sua ressurreição, pois supõem que o cadáver foi roubado“Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o puseram” (Jo 20, 2).

4º – Também Maria Madalena interpreta desse modo o facto de o túmulo se encontrar vazio: “levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram” (Jo 20, 13) e, quando finalmente vê Jesus, não o reconhece, julgando que era o hortelão” (Jo 20, 15).

5º – Nesse dia, dois discípulos regressam a Emaús e aparece-lhes Jesus de Nazaré (Mc 16, 12-13), que lhes fala demoradamente da sua paixão e morte (Lc 24, 13-27), mas, apesar de estarem com ele e a falarem dele, não o identificam.

6º – Ao final daquele primeiro dia, dito da sua ressurreição, Jesus também apareceu a dez dos seus apóstolos, que estavam “ainda sem querer acreditar e estupefactos (Lc 24, 41). Mas, se estavam sem “querer acreditar”, não acreditavam.

7º – Tomé estava ausente e não só se negou a acreditar na ressurreição como, para nela crer, exigiu tocar com as suas mãos nas chagas de Jesus (Jo 20, 24-25).

8º – Nem sequer na terceira aparição de Jesus ressuscitado aos seus apóstolos é por eles reconhecido de imediato, apesar de o verem e ouvirem (Jo 21, 1-14).

9º – São Paulo disse ter visto Jesus no caminho de Damasco (At 9, 1-19), mas ainda o não conhecia e, por isso, também não podia certificar a sua verdadeira identidade.

10º – Os Evangelhos referem quatro ressurreições: a da filha de Jairo (Mc 5, 21-43), a do filho da viúva de Naim (Lc 7, 11-17), a de Lázaro (Jo 11, 1-46) e a de Jesus de Nazaré. Nas três primeiras, ninguém duvidou de que o ressuscitado era a pessoa que antes tinha morrido, mas nenhum amigo de Jesus o reconheceu depois de ressuscitar!

Que dizer a estes argumentos, que parecem negar a realidade histórica da ressurreição de Jesus Cristo? Pois bem, pode-se responder como segue, respectivamente:

1º – Não há, de facto, nenhuma testemunha da ressurreição e, por isso, não se sabe o momento em que a mesma ocorreu, mas há mais de 500 testemunhas do ressuscitado! (1Cr 15, 6). Ninguém assistiu à criação, mas não restam dúvidas quanto à sua verdade, atestada pela existência do mundo, afirmada pela Bíblia e explicada pela teoria do Big Bang.

2º –  A desculpa dada pelos soldados, de que o corpo de Jesus tinha sido roubado enquanto dormiam, é inverosímil: “Astúcia miserável! Apresentas testemunhas adormecidas?! Verdadeiramente estás a dormir tu mesmo, ao imaginar semelhante explicação” (S. Agostinho, Enarrationes in Psalmos, 63, 15). O facto de não terem sido punidos, por adormecerem enquanto estavam de guarda, com a pena de morte (At 12, 19), prova o contrário do que afirmam: só puderam espalhar o boato que os incriminava porque foram pagos pelos que garantiram a sua impunidade (Mt 28, 11-15).

3º – As mulheres reagiram racional e naturalmente ao facto de o corpo de Jesus não se encontrar onde tinha sido sepultado, o que prova que, não obstante Jesus ter várias vezes profetizado a sua ressurreição (Mt 16, 21, etc.), só nela creriam quando a mesma fosse uma evidência racionalmente inquestionável.

4º – Maria Madalena não reconhece Jesus imediatamente, mas identifica-o quando ele a chama, respondendo de forma imediata, mas respeitosa e formal, não como se fossem amantes, que não eram, mas com a deferência devida ao seu Mestre (Jo 20, 11-18).

– Os discípulos de Emaús só reconhecem Jesus ao fim do dia, mas fazem-no com tanta certeza que, de imediato, regressam a Jerusalém, para darem aos apóstolos essa boa nova, o que não teriam feito se neles persistisse alguma dúvida (Lc 24, 32-35).

6º –  A resistência dos apóstolos em aceitar a realidade da ressurreição prova que, por serem “homens sem letras e do povo” (At 4, 13), só a evidência os podia convencer: “não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (At 4, 20).

7º – A incredulidade de Tomé manifesta o seu espírito empírico, ou científico: só acredita no que vê (Jo 20, 26-29). Não crê em boatos, ou rumores: acredita na ressurreição de Jesus quando a mesma é, para ele, uma inegável evidência (1Jo 1, 1-4).

8º – A aparição de Cristo ressuscitado, por ocasião da pesca milagrosa, era já a segunda para Tomé, a terceira para os outros apóstolos, e a quarta para Pedro, que tinha tido mais uma aparição, só para ele, no dia da ressurreição (Lc 24, 34). Já todos estavam em condições de o reconhecer, até porque, embora embarcados, estavam tão perto que puderam dialogar com ele (Jo 21, 4-6). Mas, mais uma vez, só se rendem à realidade da ressurreição quando a mesma se lhes impõe como uma inegável evidência, confirmada pelo carácter milagroso da pesca realizada (Jo 21, 6-7): “nenhum dos discípulos ousava perguntar-lhe: ‘Quem és tu?’, sabendo que era o Senhor” (Jo 21, 12).

9º – É verdade que só Saulo testemunhou a aparição de Jesus ressuscitado na estrada de Damasco e que, como o viu então pela primeira vez, não podia estar certo da sua identidade. No entanto, se havia alguém interessado em não ter uma tal experiência era, precisamente, o futuro São Paulo, pois essa constatação o obrigou a uma mudança de vida tão radical que, pouco depois, muitos judeus o queriam matar (At 9, 20-25).

10º – Não houve dificuldade em reconhecer a filha de Jairo, o filho da viúva de Naim e Lázaro, depois de ressuscitados, mas essa diferença em relação à ressurreição de Jesus de Nazaré é o que melhor prova a sua verdade histórica e radical originalidade sobrenatural. Enquanto aquelas três criaturas regressaram à vida que antes tinham, para depois voltarem a morrer, Jesus Cristo, ao ressuscitar no seu corpo glorioso, inaugurou uma nova vida, que transcende a existência anterior na experiência da comunhão de amor que Deus é.

JESUS CRISTO       CATOLICISMO       CRISTIANISMO       RELIGIÃO       SOCIEDADE

 

COMENTÁRIOS (de 24)

Coronavirus corona > Ruço Cascais: Ruço, Jesus Cristo não voltou à biologia como Lázaro ou a filha de Jairo (esses voltaram à vida mortal e depois voltaram a morrer novamente). Jesus Cristo ressuscitou para sempre num corpo glorificado. Não interessa se morremos desfeitos, queimados, enterrados ou comidas por animais. Iremos ressuscitar num corpo glorificado e não num corpo biológico. A ressurreição cristã não é a reanimação de um cadáver, mas a glorificação da pessoa, recebendo um corpo incorruptível. Um modo de existir completamente novo.  Quanto aos deuses, trata-se de mitologia. Jesus Cristo é uma pessoa histórica e a ressurreição um acontecimento real dentro do espaço e do tempo. 

Maria Emília Santos: Só é possível entender a  Ressurreição com a luz do Espírito Santo, que foi o que aconteceu aos Apóstolos! Eles viram Jesus, comeram com Ele, falaram, viram tantos e tantos milagres grandes, mas mesmo assim, estavam cheios de medo dos judeus e dos romanos que O tinham pregado na Cruz! Estavam fechados no Cenáculo, rezando, juntamente com a Mãe do Condenado, de portas bem trancadas, quando apareceram uma espécie de línguas de fogo que ia poisando uma sobre a cabeça de cada um deles e os ia encorajando! Aí eles não resistiram mais! Destrancaram as portas e cheios de coragem, foram ao encontro de todos, também dos poderosos, anunciar-lhes que Jesus, a quem tinham mandado matar estava vivo e no meio deles! O que falta hoje na sociedade humana é o Espírito Santo, com os Seus dons para avivar a Fé verdadeira dos cristãos e nos livrar de todos os medos! O Aviso que Nossa Senhora prometeu em Medjugorje e  Garabandal e noutras aparições, será isso mesmo! Uma iluminação das consciências para que cada um opte por Deus ou o inferno. O problema é que cada um cairá para onde está inclinado! Por isso, convém que procuremos inclinar-nos para o lado bom, que é o de Deus! A perseguição aos cristãos está a ser tão feroz como nunca foi! No tempo de Jesus e dos imperadores romanos, não havia os muçulmanos radicais desejosos de cumprirem as patranhas que Maomé escreveu no livro sagrado deles.  Hoje, estes radicais, convencidos de que são tanto mais fiéis ao seu deus quantos mais cristãos matarem, são usados pelas organizações mundiais - que deviam servir para defender os povos, todos os povos, mas fazem exactamente o contrário -, como instrumentos de eliminação dos cristãos! São introduzidos nos países, com todas as liberdade e prioridades, para dominarem  o mundo com a Sharia.

Clamemos pelo Espírito Santo, para que venha depressa e faça de novo um Pentecostes Universal! 

 

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Apesar


De novas experiências e surpresas de leituras, de acordo com o natural avanço das sociedades trazido pelo progresso, o conhecimento dos antigos escritores, proporcionando abertura nas evoluções estilísticas e ideológicas, é indispensável e aprazível.

 

Fundação José Saramago questiona critério para retirada de autor das obras obrigatórias

A Fundação José Saramago pede um "e" em vez de um "ou" na proposta preliminar do Governo que permite que a obra de Saramago seja substituída pela de Mário de Carvalho no 12.º ano.

AGÊNCIA LUSA: Texto

OBSERVADOR30 mar. 2026, 15:50

O Governo pôs uma versão preliminar revista das aprendizagens essenciais em consulta pública na sexta-feira essenciais do ensino secundário, segundo uma proposta ainda preliminar.

“A posição da Fundação José Saramago será sempre a de agregar e de não colocar em comparação ou oposição. Daí que deixemos à Comissão responsável por esta alteração na lista de livros de leitura obrigatória para o 12.º ano a sugestão de trocar a palavra ‘ou’ pela palavra ‘e’, juntando a José Saramago o escritor Mário de Carvalho, merecedor de toda a admiração e abrindo assim a porta a que outras e outros escritores participem também na formação das novas gerações de leitores”, pode ler-se num comunicado divulgado esta segunda-feira pela fundação presidida por Pilar del Rio.

Ainda assim, a fundação questionou qual o critério que esteve na origem desta proposta de alteração e se “abrangerá outros autores que integram o cânone da Literatura Portuguesa, colocando-os como de leitura sugerida e não obrigatória”.

No conto, a proposta prevê um texto de Maria Judite de Carvalho como obrigatório (“George”), incluindo vários outros autores na lista em contrato de leitura: Manuel da Fonseca, Mário de Carvalho (dois nomes que, com Maria Judite de Carvalho, já figuram nas actuais aprendizagens essenciais), José Rodrigues Miguéis, Teresa Veiga, David-Mourão Ferreira, Lídia Jorge, Irene Lisboa e Luísa Costa Gomes.

Também na poesia a proposta prevê actualizações: Miguel Torga, Herberto Helder, Manuel Alegre e Luiza Neto Jorge deixam de constar da lista de opções para passar a incluir Fiama Hasse Pais Brandão, José Régio, Mário Cesariny, Ruy Cinatti, Vitorino Nemésio, Carlos de Oliveira, Raul de Carvalho, Salette Tavares (poemas visuais), Ana Hatherly (poemas visuais) e Luís Filipe de Castro Mendes.

Jorge de Sena, Eugénio de Andrade, Alexandre O’Neill, António Ramos Rosa, Ruy Belo, Vasco Graça Moura, Nuno Júdice, Ana Luísa Amaral mantêm-se na lista de poetas contemporâneos a ler em modo de contrato de leitura.

Ainda na poesia, é proposto o alargamento do estudo da obra de Fernando Pessoa (mais poemas de ortónimo e de “Mensagem”) e o documento passa a integrar Cesário Verde, Mário de Sá-Carneiro e Teixeira de Pascoaes.

No comunicado esta segunda-feira divulgado, a Fundação José Saramago lembra o fecho do discurso de agradecimento do Nobel da Literatura, em 1998: “E agora quero também agradecer aos escritores portugueses e de língua portuguesa, aos do passado e aos de agora: é por eles que as nossas literaturas existem, eu sou apenas mais um que a eles se veio juntar”.

O Governo pôs uma versão preliminar revista das aprendizagens essenciais (AE) em consulta pública na sexta-feira, num processo que vai durar um mês e que pretende recolher contributos da comunidade educativa, especialistas e sociedade.

JOSÉ SARAMAGO       LITERATURA       CULTURA       EDUCAÇÃO 11