domingo, 4 de outubro de 2026

CONTINUAÇÃO

 

Do texto de Alberto Gonçalves

«O Ocidente que resistiu a bordo de um Boeing»

Em

«Tentativas»

COMENTÁRIOS:

Pedra Nussapato

Curiosamente (ou não) o Dr AG desconhece que estudos independentes não só corroboram os números do tal ministério da saúde como há alguns que indicam que esses números estão abaixo do real. Cá vai um exemplo fresquinho Violent and non-violent death tolls for the Gaza conflict: new primary evidence from a population-representative field survey

Michael Spagat et al. Lancet Glob Health. 2026 Apr.

Américo Silva > Alcides Longras

Bom dia, bem visto, Gaza perdeu 6% a 10% da população desde 7 de Outubro de 2023:

Gabinete Central de Estatísticas da Palestina PCBS, que opera a partir da Cisjordânia fora do controlo do Hamas;

Ministério da Saúde de Gaza verificado pela ONU;

Revista Científica  > The Lancet.

Paradigmas Há Muitos!

Como dizem antes aqui alguns, seria expectável dada a sua importância para o desenvolvimento do artigo que AG desse informação precisa sobre qual é o relatório recente do Hamas acerca de população/ mortes em Gaza e a que se refere ao início.

João Pimentel Ferreira

Pode facultar fontes fidedignas para o facto do Ministério da Saúde do Hamas ter dito que a população cresceu desde o início da guerra?

Alcides Longras > Américo Silva

O primeiro apenas tem projecções e não encontro nada a indicar aumentos reais ou nos números que o artigo indica.

De resto, nada em 2026.

Pode ser azelhice minha, mas gostava mesmo de ter acesso a esses dados.

Alcides Longras

Se alguém me puder dirigir para a fonte das estatísticas referidas no início do artigo, agradecia.

Não encontro nada mais recente que 2025, nem no departamento de estatística da Palestina, a suposta fonte oficial.

Parece-me pertinente ter esta informação bastante clara e partilhável.

José B Dias > Alfaiate Tuga

Ou como é que um piloto com alegados antecedentes de militância extremista é validado pela Mossad para estar nos comandos de aeronave com destino a Israel.

É um facto que vão surgindo muitas brechas na imagem de perfeição dos serviços de segurança israelitas.

Alfaiate Tuga

Caro AG, tem toda a razão, o que não ouvi ainda perguntar é como é que uma faca ou objecto similar chegou ao cockpit do avião. Parece que as medidas de segurança são só para os passageiros….

Não me interpretem mal, por mim o meliante que tentou despenhar o avião já não sairia vivo do interior do mesmo, tê-lo-ia ajudado a atingir os fins, mas só a ele claro.

Observador

O Alberto Gonçalves já merece uma condecoração do Governo de Israel. São tantas as crónicas em sua defesa que, pelo que me lembro, ainda não encontrei uma pequena crítica a Netanyahu ou aos seus ministros.

Uma cruz de David para o Alberto, já!

Faço esta declaração de interesses, a minha posição é tendencialmente favorável a Israel. Mas isso não me obriga a fazer de conta que Israel fez tudo bem, nem a ignorar a morte de demasiados inocentes. O Hamas é um grupo terrorista deplorável, que deve ser combatido, mas isso não torna irrepreensível tudo o que Israel faz.

Israel também cometeu os seus pecadilhos para não lhes chamar outra coisa. Reconhecê-los daria mais força aos argumentos em sua defesa. Mas enfim, o Alberto é que sabe. É muito maniqueísta, infelizmente, o nosso Alberto. Com Trump é exactamente a mesma coisa. 

O mundo deve ser muito mais fácil de explicar quando só tem duas cores.

Américo Silva > Américo Silva

Longe de mim querer convencer alguém disto ou daquilo, apenas dei elementos para, caso queiram, procurarem.

Observador > klaus muller

Repare que escreveu “uma certa admiração”, e não simplesmente “admiração”. Pode ter sido uma escolha inconsciente, mas não deixei de notar a nuance. 🙂

Quando digo que tenho “uma certa confiança” em alguém, estou a introduzir uma reserva, não é confiança plena.

Isso não prova que tenha dúvidas sobre Netanyahu, mas deixa espaço para elas. E é precisamente esse espaço para reconhecer reservas e criticar o que merece crítica que me parece faltar nas crónicas do Alberto Gonçalves.

João Pimentel Ferreira > Alcides Longras

Todo o argumentário do brilhante e criativo escriba se baseia neste dado estatístico, que aparentemente, não tem qualquer fundamento.

Dito isto, é ÓBVIO que Israel não está a cometer genocídio. É mais uma prostituição semântica que outra coisa. A minha avó também me dizia que a sua vida por vezes era um martírio, e que eu saiba nunca foi lançada às feras num circo romano, pela sua devoção ao Senhor.

graça Dias

Caríssimo Alberto Gonçalves

Um artigo de excelência como sempre. Parabéns.

Caro AG, como diz:  a quantidade de hospitais, clínicas e estabelecimentos similares disseminados por m2 em Gaza, não se encontram nos países da UE, considerados um exemplo em desenvolvimento e assistência na saúde pública, mas... " sempre que Israel atinge um alvo ali, quase invariavelmente calha  ser um hospital ou uma das muitas escolas, não obstante a não existência de um Ministério da Educação" !...pois, são tudo construções  financiadas pela ONU e UE, mas não são mais do que depósitos de armamento bélico com acessos a túneis infinitos, que nos lembram  um " queijo suíço ", bem dispendioso aos contribuintes de USA e da UE. Já quanto ao « líder espiritual» e especialista em pântanos, não é um promotor da Paz, mas sim um incendiário, que atiça as chamas e depois grita " fogo "fogo" ! com muito ódiiiooo contra os judeus, pelo que é o maior incitador do antissemitismo — e o último que pode comentar sobre genocídio, atrocidades e outras variedades nos seus discurso seletivos e escandalosamente descricionários. Mas, há muitos espíritos  frágeis, ignorantes ou culturalmente doutrinados , que aderem e mergulham no pântano ideológico que grassa na ONU, e nas instituições a  esta associadas, como o TPI !  Que legitimidade moral reside na ONU, no Tribunal Penal Internacional e nas leis de direitos humanos, profundamente politizadas e moral e politicamente corruptas. Toda uma elite de ideólogos, professores universitários, especialistas em Direitos Humanos, Direito Internacional e todos especialistas em narrativas e slogans:  “lobby sionista”, “genocídio”, “apartheid”, “dupla lealdade”. São antissemitas que simplesmente adoptaram a linguagem da esquerda socialista marxista.

Estas mentes, ao atribuir culpas aos judeus, é um hábito tão antigo quanto a ignorância que os alimenta, daí que, em pleno séc.XXI os judeus continuam a ser alvo de -- Ódio sem razão. Culpa sem causa.

Sobre o voo Dubai-Telavive, uma catástrofe evitada no ar mostra como o Estado judeu escolhe a vida enquanto o Ocidente abraça uma cultura da morte. E é somente relembrar o discurso inflamado da passada segunda-feira, do secretário de Relações Exteriores britânico, Ed Miliband, fez contra Israel, acusando o país de limpeza étnica e crimes de guerra, e prometendo puni-lo pelo crime de permitir que judeus se "estabeleçam " em sua própria terra histórica desde há 3.000 anos. Sem mais comentários.

O meu obrigada a AG por mais este funesto, brilhante, actual e revelador texto.

klaus muller  > Observador.

Obs., não vejo por que razão AG tenha por obrigação criticar Netanyahu.

Eu, p ex, tenho uma certa admiração por ele, pois não posso deixar de verificar que Netanyahu está a fazer, em grande parte, o que os nossos dirigentes europeus deveriam fazer: não dar tréguas ao terrorismo muçulmano na Europa.

Jose Nunes

Alberto Gonçalves, Helena Matos, Miguel Morgado, são as 3 razões que ainda fazem valer a pena assinar este pasquim que em tempos já foi um jornal!

klaus muller

Além de Gaza parecer só ter um ministério (o da Saúda), também me faz confusão que, numa área tão pequena, haja tantos hospitais. Segundo o Hamas, cada bomba lançada pelos israelitas atinge sempre um hospital onde só há crianças inocentes.

Tenham dó ...

Xico Nhoca

Outra: quantas vezes ouvimos, durante esta guerra de Gaza, dizer que os israelitas tinham bombardeado o último hospital que existia em Gaza? Se era o último como conseguiram, no dia seguinte, bombardear outro que, bombardeado na semana seguinte, também era o último para a seguir bombardear outro último 2 dias depois?

Eduardo Lourenço

Excelente crónica.  Parabéns.

pertinaz

É sempre um prazer ler sobre factos…

Francisco Almeida

Já uma vez comentei com o número de então, cerca de 70 mil em Gaza. Comparando com a mortalidade em Portugal, considerando a diferença das respectivas populações dando um valor extra a Gaza, devido a ter uma pirâmide de vida normal (mais jovens do que idosos) ao contrário de Portugal, chega-se a uma estimativa generosa do número de mortos devido à guerra.

Acontece que a ONU tem estimativas de baixas em combate, obtidas por estatística de inúmeros conflitos e publicadas antes da guerra em Gaza. Como previsível essas mortes eram mais altas em zonas urbanas do que em zonas rústicas e também mais altas com a concentração das populações, condições que, ambas, são extremas em Gaza. Seriam, por essas previsões, de esperar mais de 8 a 10 vezes. Lembro-me bem dos números mais altos, obtidos por pelos EUA já não me lembro aonde, mas ultrapassados pelo bombardeamento russo a Alepo.

Friamente as IDF, anunciando previamente onde iam bombardear e com outras medidas mitigadoras de mortes, deveria merecer respeito universal.

Xico Nhoca

O bloco de esquerda vai organizar uma flotilha porque feriram o copiloto muçulmano.

Rui Lima

Um dia perto de si,  sondagem IFOP, de novembro de 2025, sobre os jovens muçulmanos em França 32% dos jovens inquiridos declararam proximidade com Irmandade muçulmana,  o martírio pode ser um dos seus objectivos.

João Floriano

Não há argumentação por mais lógica e racional, que se aguente perante o ódio ao Estado de Israel. Desta vez as coisas correram a favor do Ocidente e o piloto omanense está agora em Abu Dhabi, a aguardar julgamento e sentença. O terrorismo pode ser punido com a morte.

Renato Pedro Milheiro > RibeiroAntónio Marques

Não leia é o que eu faço ao Público e a muitos do Expresso e as suas “publicações especulativas» e ativistas!

klaus muller > Observador

Quando digo "uma certa admiração" apenas quero dizer que a admiração não é total, Obs..

Dou-lhe dois exemplos de um país e dum indivíduo pelos quais eu tenho uma admiração total:

A Áustria, porque conseguiu convencer todo o mundo que o Hitler era alemão e o Beethoven era austríaco.

E o nosso Costa, porque consegue entrar atrás de nós numa porta giratória e sair à nossa frente, sem que percebamos onde fomos aldrabados.

Maria Tubucci

Muito bem Sr. AG. Depois de ler 55 comentários, não há ninguém que diga o óbvio, o politicamente incorreto. O que é Gaza? É um local onde só há parideiras e inseminadores e que produz ódio e/ou “veículos” propagadores de ódio. Actualmente estão a exportar este ecossistema para a Europa, mas há um pormenor, os europeus nativos não são como os judeus, se tiverem de “cortar” rente os inseminadores e parideiras, fazem-no sem qualquer pudor. Não se estiquem muito, esta casa tem dono...

Vitor Prata

Excelente.

Paul C. Rosado

Muito bem! Como sempre, a desmascarar os verdadeiros fascistas, sejam eles os terroristas islâmicos ou os seus cúmplices na esquerda ocidental.

Manuel Ferreira21

Excelente artigo.

João Diogo > António Marques

Tens uma boa hipótese, não leias, como eu faço com a visão, público e afins.

Eduardo Mãos de Tesoura

Os meus Parabéns ao piloto indiano, que, apesar de ferido, abriu a porta do cockpit, que permitiu a alguns passageiros Israelitas dominar o co-piloto muçulmano do Omã que se preparava para fazer despenhar o avião e massacrar toda a gente a bordo. No meu caso, não voltarei a voar em companhias aéreas de países islâmicos.

Ana Maria Caldeira

Brilhante. Brilhante. Continue por aqui

óptima análise. assino por baixo.

Paradigmas Há Muitos!  > klaus muller

Como o Hamas não pode ter quartéis às claras (ficava mal perante os dadores, seriam alvos legítimos) fazem hospitais e usam-nos quanto baste para fins militares.

Assim os dadores se fecharem um bocadinho os olhos podem ficar de consciência tranquila e quando Israel tem de atacar o Hamas é sempre um drama mediático mundial porque atingiu um hospital. E é Israel que tem depois de se justificar a dizer que um hospital perde a "santidade" se for usado para outros fins, a detalhar que fins eram esses. E naturalmente isso vem tarde e muitos dizem logo que é propaganda - hasbara, outros exigem investigações e provas independentes, etc.

Para o Hamas isso de descentralizar a sua estrutura militar com os "hospitais" é perfeito, obviamente assumindo que o seu alvo, a opinião pública ocidental, media e políticos, não lhes colocam as perguntas pertinentes e não lhes exigem a mesma transparência que exigem a Israel.

Caso de guerra assimétrica feita pelo Hamas mais padrão duplo nas exigências ocidentais a cada um dos lados, como vem nos "livros".

Pedro Costa

Bravo, muito bem escrito

Vasco R

Gaza já nem devia existir e os muçulmanos nem humanos são. Terroristas violentos que deviam ser abatidos e a seita islâmica devia ser proibida no Ocidente. Valem menos que uma mosca .

Carminda Damiao

Muito bem.

Miguel Macedo

Brilhante! Como sempre!

Maria Soares

Muito bom!

Sr Leão

Como sempre!

Américo Silva > Alcides Longras:

Pedro Correia

A estória do genocídio, mal comparada, é como a estória da santa aliança, inventada pelo aprendiz de P.Costa, para entreter asnos: Ambas as estórias relatam procedimentos terrivelmente ineficazes.

Em relação ao incidente no avião, sabemos todos perfeitamente, que foi o piloto a atirar-se para cima do objecto cortante que a "vítima" tinha na mão, quando estava a cortar uma maçã...

Uma vez mais, muito bom!

Carlos Fernandes

Como foi possível António Guterres ter desvalorizado o 7 de outubro? Não compreendo.... Sei que a questão israelita (e de Jerusalém) é complexa, mas deixem de apoiar os fundamentalistas, é simples....

João Diogo

Excelente crónica, o guterres da ONU , ainda vai pedir ao TPI para condenarem os passageiros israelitas do voo.

Paradigmas Há Muitos! > Francisco Almeida

Para o Egipto a mortalidade é aprox. 5.6 por mil por ano o que para Gaza daria para 2.4 milhões em 2.5 anos, uns 13440 x 2.5 = 33 600.

A questão é que os agora 75 000 mortos do Hamas dizem eles que é por morte violenta, quer dizer não inclui estes da morte natural. Mas é óbvio que interessa ao Hamas incluir pelo menos uma parte no "genocídio" e dizer que não inclui, quem é que foi verificar? E quem é que faz as perguntas pertinentes para se saber a realidade? Ou seja, onde estão separados o números e nomes dos mortos naturais que serão esses c de 33 000?

Quando olhei para isso via-se que a ONU não tem dados próprios, a sua publicação informava expressamente segundo os dados do Hamas. Mas muitos não "reparavam" nisso e diziam que eram números da ONU e que confirmavam os do Hamas! Para se fazer propaganda rasca qualquer coisa serve ...

Maria Paula Silva

Muito bom!

Manuel MM

Muito bem dito ...glória ao Ocidente civilizado.

Lourenço de Almeida

Esperança de vida nos sítios que foram oprimidos por Israel segundo a esquerda! Gaza e a Cisjordânia dão mais esperança de vida aos árabes e muçulmanos do que o conjunto dos países árabes e o conjunto dos países muçulmanos!

Europe: 81.5 years

Oceania: 79.2 years

North America: 77.8 years

South America: 76.7 years

West Bank: 74.7 years

Asia: 74.5 years

Gaza (Pre-2023): 74.0 years (baseline pre-conflict average)Arab Countries (Arab World Average): 72.7 years based on World Bank regional aggregate data.

Muslim-Majority Countries (OIC Average): 68.5 years overall aggregate across Organisation of Islamic Cooperation (OIC) member nations, incorporating a range from high-income Gulf nations to lower-income developing member states.

Africa: 62.0 years

Tentativas

 


De apoucamento alheio, talvez dos muitos que se sentem “pouco” …


O Ocidente que resistiu a bordo de um Boeing

Os israelitas a bordo, com a indispensável ajuda do comandante, perceberam que ou tratavam do assunto ou o assunto trataria deles. Já haverá "activistas" a exigir a sua punição.

ALBERTO GONÇALVES, Colunista do OBSERVADOR

OBSERVADOR, 3 out. 2026, 00:24

O Ministério da Saúde de Gaza (abro um avantajado parêntesis para notar que, a julgar pelas notícias que nos chegam, o governo de Gaza parece ter um único ministério, o da Saúde. Raramente se ouve alusões ao Ministério do Interior, que existe, nunca se ouve alusões ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, que parece que está na Cisjordânia, e não há vestígios de um Ministério do Ambiente ou da Agricultura & Pescas. A preponderância da “pasta” da Saúde não admira, dada a desmesurada quantidade de hospitais, clínicas e estabelecimentos similares disseminados pelo território: sempre que Israel atinge um alvo ali, quase invariavelmente calha de ser um hospital. Às vezes, também acontece Israel atingir uma escola, embora não haja alusões nos “media” ao Ministério da Educação de Gaza. De qualquer modo, se descontarmos os escudos humanos, os massacres regulares de dissidentes, as penas brutais para homossexuais e adúlteras, a endoutrinação de criancinhas no ódio aos vizinhos e o pormenor de a generalidade dos “hospitais” e das “escolas” esconderem túneis e armazéns com propósitos bélicos, não há dúvida de que o Hamas valoriza imenso os cuidados médicos e a instrução) apresentou há dias um relatório com dados da natalidade  e da mortalidade locais, identificando mortes por causas naturais e violentas.

Mesmo sem procedermos ao desconto recomendado quando a informação é produzida por uma organização de terroristas sanguinários, o relatório declara inequivocamente que a população de Gaza tem aumentado desde o início da reacção israelita ao 7 de Outubro (cerca de 1,2%). Aliás, tem aumentado de forma bastante superior à média global (0,8%), ainda que inferior ao crescimento estratosférico que se registava até à guerra, e que era dos mais elevados do mundo (2,5%). Em princípio, estas minudências deveriam bastar para provar, ou mínimo sugerir, que nem Israel cometia genocídio pela fome antes de 2023 nem comete genocídio pelas armas de 2023 em diante. Por muito que se estique o conceito, convém que o conceito cubra a “intenção” de exterminar um determinado “grupo nacional, étnico, racial ou religioso”. Logo, das duas uma: ou os israelitas são genocidas terminalmente incompetentes, o que não é provável se atendermos ao respectivo poder militar, ou os israelitas não são genocidas e apenas se esforçam por erradicar a ameaça de uma associação recreativa que lhes invadiu o país para raptar, torturar e matar homens, mulheres, velhos e bebés. Parafraseando um espécime especialista em pântanos, a ofensiva sobre Gaza não nasceu no vácuo.

Em suma, pois, é o próprio Hamas a involuntariamente explicar que Israel não está a praticar genocídio nenhum. Por azar, desconfio que as inúmeras pessoas que repetem a propaganda do Hamas sem parança e com zelo não vão repetir esta particular evidência. Acredito que, no seu íntimo, fiquem aborrecidas com a circunstância de em Gaza não morrerem tantos inocentes quanto gostariam, o que tira verdade aos slogans que guincham por aí. Porém, como a mentira jamais perturbou essa gente, em público os “activistas” do rio até ao mar vão continuar a jurar que sim, que as políticas israelitas são genocidas e responsáveis directas pelo falecimento de dezoito ou dezanove milhões de meninas e rapazinhos que o Hamas, apesar do enorme empenho, foi incapaz de proteger. E se, movido por uma ingénua crença na redenção humana, um mensageiro lhes apontar as estatísticas demográficas divulgadas pelo Hamas, o mensageiro será devidamente insultado, com a indispensável referência à choruda “avença” com que o governo de Netanyahu patrocina os seus lacaios.

Não adianta. Às vezes, os amigos da Palestina não se vergam nem aos argumentos do Hamas, donde é escusado procurar iluminá-los com argumentos adicionais que provam que os actos de Israel depois do 7 de Outubro são uma luta pela sobrevivência e não o genocídio das lendas. É por exemplo escusado lembrar que Israel retirara de Gaza em 2005. E que forneceu a Gaza electricidade e água durante 18 anos. E que em 2024 facilitou a vacinação contra a poliomelite de centenas de milhares de crianças, além de, previamente a 2023, atender nos seus hospitais milhares de doentes vindos de Gaza. E que 20 mil cidadãos de Gaza trabalhavam em Israel. E que cada ataque é precedido por avisos. E que os riscos da ofensiva terrestre são assumidos para reduzir a morte de civis. Etc. As acções de Israel não configuram genocídio, mas o oposto: a resistência ao genocídio que o Hamas, cuja “carta” pede o assassínio de judeus, francamente gostaria de perpetrar. E que os simpatizantes do Hamas gostariam que acontecesse.

CONTINUA

sábado, 3 de outubro de 2026

CONTINUAÇÃO

 

Do texto “Ódio Antigo”, de José António Rodrigues do Carmo - em «Pântanos, genocídios e 74 chibatadas»


…Tudo isto é elementar, mas também é elementar que Gaza é uma guerra urbana travada num território densamente povoado, contra uma organização terrorista que combate deliberadamente por detrás da população, com o objectivo de se proteger das respostas israelitas, pelo tabu do dano a civis.

Isto não torna legais todos os ataques israelitas, mas muito menos transforma em crime de guerra cada edifício civil atingido. Um hospital é um alvo militar legítimo se estiver a ser utilizado, fora da sua função médica, para actos de guerra, e a sua neutralização oferecer uma vantagem militar concreta e directa.

Depois há factos curiosos para quem pretende fingir que a guerra é um “genocídio”.

Em Setembro de 2024, em plena guerra, 558.963 crianças de Gaza foram vacinadas contra a poliomielite, com pausas humanitárias diárias de nove horas, concedidas por Israel.

Numa discussão em que a intenção de genocídio é o elemento fundamental, talvez não seja despropositado incluir na análise o facto de a força acusada dessa intenção suspender operações para permitir que mais de meio milhão de crianças do grupo supostamente a genocidar, sejam vacinadas.

Também a questão da comida, da água e da electricidade é pouco adequada a slogans. Israel deixou entrar, pelas suas fronteiras, milhões de toneladas de comida, e forneceu água e electricidade. Faz-se isso a um grupo que se quer eliminar? Algo semelhante ocorreu nos genocídios que a História documenta?

A Espanha é, a par da Irlanda, um dos países europeus onde o antissemitismo mais medra. Que faria Madrid se, num destes dias, homens armados entrassem em Ceuta e Melilla, assassinassem centenas de pessoas, sequestrassem famílias inteiras e anunciassem que repetiriam a operação? Guterres viria dizer que as coisas não aconteceram num vácuo? Durante quanto tempo teria a Espanha o direito de legítima defesa? Quantos soldados Espanha aceitaria perder para diminuir o risco imposto aos civis marroquinos? Onde colocaria o Governo espanhol a fronteira entre precaução razoável e suicídio táctico?

Não sei, mas admiro quem sabe, sobretudo porque costuma descobrir a resposta a três mil quilómetros do inimigo, sentado numa esplanada, com a chávena numa mão, o keffieh ao pescoço e uma melancia a pingar sobre o Direito Internacional.

Os militares, israelitas ou de qualquer outro país, não são santos. São pessoas.

Alguns heróicos, outros medíocres. Alguns cumprirão escrupulosamente as regras, outros poderão violá-las. Os segundos devem ser investigados e, existindo provas, punidos.

É assim que funciona uma democracia.

Mas há uma diferença gigantesca entre investigar um soldado, uma unidade ou uma decisão e transformar milhões de israelitas numa personagem colectiva chamada “o genocida”.

A desculpa das críticas “às políticas” de Israel, fede a coisa antiga e rançosa.

Durante séculos, cada judeu era um recipiente de culpa colectiva. Após milhões de judeus exterminados, a Europa declarou que esse hábito era inaceitável.

Depois apareceu Israel e alguns descobriram logo o truque para ressuscitar o velho ódio sem pronunciar a palavra “judeu”. Basta chamar-lhe “sionista”, “colono”, “genocida” e, naturalmente, jurar que não há absolutamente nada contra judeus. A máscara é tão fina que se desfaz à primeira exsudação de ódio.

Israel pode ser criticado, nem mais, nem menos do que qualquer outro dos quase duzentos países do mundo. Nenhum deles está acima do escrutínio, mas também não deve estar abaixo das garantias intelectuais que se concedem aos restantes países.

O Hamas deve ser aniquilado pela intenção declarada de genocídio, pelo massacre de 7 de Outubro, pela tomada de reféns, pelos ataques deliberados a civis e pela forma terrorista como combate.

Israel deve ser julgado pelas suas próprias acções, mas os judeus não devem voltar a ser julgados colectivamente apenas porque alguns antissemitas descobriram palavras novas para vocalizar um ódio velho.

A Europa já experimentou isso e, na última vez, também havia criaturas a explicar que era por uma boa causa.

A coisa não acabou bem!

Israel      Médio      Oriente      Mundo

COMENTÁRIOS

Sr Leão

Já várias vezes comentei aqui o que pensava dos artigos do nosso Coronel. Praticamente disse tudo o que pensava acerca da excelência da escrita e da translucidez das opiniões dele.

Só posso acrescentar que há muitos anos (muitos mesmo) passei um tempo em Lamego e observei "in loco" os ingredientes com que se molda um comando. Daí que a minha surpresa já não se manifeste tão festivamente.

isabel ferreira

Os ocidentais, perdidos e assolados pela culpa inculcada pela loucura dos progressistas globalistas, movem-se no lodo espalhado pela hipocrisia da ONU e de elites cobardes que se sentam à mesa dos maiores torcidários dos direitos humanos, para em coro condenarem os judeus pelo falso genocídio. A intenção deixou de contar, do rio até ao mar, é uma intenção genocida, mas isso não interessa nada, os judeus nunca poderão dizer que o combate em Gaza não aconteceu no vácuo. Lá está, o ódio ao judeu é difícil de lavar, a nódoa vem sempre ao de cima, por muito que a tentem esconder. A esquerda do amor, dos direitos humanos e do DI apoia terroristas, os fins justificam sempre os meios, principalmente se for para combater  judeus e supostos fascistas.

Cúpida Stunt

👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻 Nem mais, nem menos.