terça-feira, 20 de outubro de 2026

CONTINUAÇÃO DO TEXTO PRECEDENTE

 

“Combinações belicistas”: sobre o texto de MANUEL NOBRE MONTEIRO:

“Zelensky promete não atacar instalações de gasóleo russo se Washington entregar Patriots à Ucrânia”

Ricardo Reis : Número de mortos de ataque houthi em campo de treino no Iémen sobe para 58

Subiu para 58 o número de mortos do ataque dos houthis a um campo de treino em Shabwa, no centro do Iémen, avança o governador regional, citado pela Al Jazeera. Mais de 200 recrutas ficaram feridos.

Sâmia Fiates

Sobe para seis o número de mortes em ataque russo a Kharkiv

Volodymyr Zelensky confirmou que o número de mortos num ataque russo a Kharkiv esta segunda-feira subiu para seis, ao revelar a conversa que teve com os senadores norte-americanos Richard Blumenthal e Thom Tillis.

“Informei-os sobre o brutal ataque com drones “shahed” da Rússia na região de Kharkiv, onde a Rússia matou seis pessoas, incluindo uma mãe e o seu filho, que tinha pouco mais de um ano de idade. Mostrei as fotos horríveis da cena – uma criança morta em um carrinho de bebé… É assim que a Rússia responde às isenções de sanções e à redução da pressão.”

Zelensky diz que também tratou da operação da Starlink na Ucrânia, destacando não ter recebido alerta prévio dos parceiros sobre a primeira onda de ataques na última madrugada. “E ainda enfrentamos restrições de velocidade nos serviços Starlink e Starshield em diferentes partes da frente de batalha. Nenhuma explicação para qualquer uma dessas questões foi fornecida à Ucrânia pelo lado americano.”

Sâmia Fiates

Guarda Revolucionária Iraniana ameaça atacar cabos de telecomunicações em Ormuz.

O brigadeiro-general Hossein Mohebi, porta-voz da Guarda Revolucionária Iraniana, ameaçou atacar os cabos de telecomunicações que atravessam o Estreito de Ormuz.

“Sete importantes cabos submarinos passam pelo Estreito de Ormuz e toda a internet e os dados comerciais do mundo dependem deles”, disse Mohebi, citado pela Al-Jazeera. “Se a região se tornar insegura para o Irão, então não haverá segurança na região.”

Sâmia Fiates

Um morto e seis feridos em ataque em Obukhiv, no distrito de Kiev

Um homem morreu e seis pessoas ficaram feridas num ataque a uma empresa em Obukhiv, no distrito de Kiev, confirmou pelo Telegram Tymour Tkatchenko, chefe da administração militar regional.

“Todas estão hospitalizadas e a receber toda a assistência necessária”, informou o governante. “O incêndio está a ser combatido no local. Os serviços competentes estão a trabalhar para eliminar as consequências do ataque.”

Ricardo Reis

Trump acredita que a Rússia não está a ajudar o Irão na guerra

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou que a Rússia esteja a ajudar o Irão e garante que os Estados Unidos têm atingido Teerão tanto financeiramente como militarmente.

“A Rússia não fez nada no Irão que possamos ver, e acho que isso é muito positivo”, afirmou aos jornalistas, no exterior da Casa Branca.

Ricardo Reis

Trump manifesta disponibilidade em reunir com Putin e Xi

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que gostaria de ter uma reunião trilateral com Vladimir Putin e Xi Jinping, para debater as relações comerciais com a China.

“Se o Presidente Xi quer ter uma reunião, eu quero”, afirmou aos jornalistas, no exterior da Casa Branca.

Ricardo Reis

"A Rússia, francamente, tem-se portado bem com a Ucrânia". Trump acusa Zelensky de não querer terminar a guerra.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou Volodymyr Zelensky de não pretender terminar a guerra na Ucrânia, e afirmou que a Rússia “tem-se portado bem” no conflito.

“A Rússia, francamente, tem-se portado bem com a Ucrânia. Não tem feito grande coisa”, afirmou aos jornalistas, no exterior da Casa Branca, quando questionado sobre um possível encontro trilateral com Putin e Xi Jinping sobre a Ucrânia.

Trump lembrou ainda que está a negociar com Putin e que não pretende “deixar as negociações a meio”, mas que “tem o direito” a fazê-lo “em qualquer altura”. Em relação aos erros relatados sobre o Starlink, o líder norte-americano garante não saber quem ordenou a interrupção dos serviços, mas que “gostaria de descobrir”.

Ricardo Reis 09

Houthis reivindicam seis operações militares na Arábia Saudita em 48 horas

O porta-voz militar dos houthis do Iémen, Yahya Saree, afirmou que o grupo realizou seis operações militares na Arábia Saudita em 48 horas, tendo atacado aeroportos, como o Rei Khalid, em Riade, instalações petrolíferas e sistemas de radas.

Em comunicado, citado pela CBS News, Saree sublinha que os ataques são uma “retaliação” pelos mais de 200 ataques sauditas contra os houthis nas últimas horas, e garante que vai prosseguir uma política de “escalada da escalada” até ao fim dos ataques contra o Iémen.

Ricardo Reis

Colonos israelitas atacam funcionário dos Médicos sem Fronteiras na Cisjordânia.

Um grupo de cerca de 20 colonos israelitas atacaram um funcionário dos Médicos sem Fronteiras na Cisjordânia, na quinta-feira. Em comunicado, a organização denuncia que o funcionário foi violentamente agredido com uma “pedra do tamanho de uma mão lançada por uma fisga”, e que necessitou de assistência médica.

“De acordo com o relato do nosso colega, um grupo de aproximadamente 20 colonos desceu das colinas próximas para atacar os moradores, e mais colonos chegaram mais tarde. Os colonos estavam armados com bastões, espingardas, granadas de atordoamento e fisgas”, denuncia a organização.

Os Médicos sem Fronteiras sublinham que este episódio demonstra as “barreiras” impostas aos palestinianos no acesso a cuidados médicos e que “faz parte da estratégia de Israel para minar a segurança das pessoas e reduzir a sua liberdade de movimento, acesso a cuidados de saúde e capacidade de viver com dignidade”.

Ricardo Reis

Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Paquistão deve visitar Irão amanhã para tentar reatar negociações entre Washington e Teerão

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Paquistão, Asim Munir, deverá visitar o Irão amanhã, num esforço para mediar as negociações entre Washington e Teerão, que se encontram num impasse. A informação é avançada pela agência de notícias iraniana Tasnim, citada pela Al Jazeera.

Munir deve encontrar-se com funcionários iranianos, não só para debater a questão, mas também para falar sobre a situação no Médio Oriente.

O Paquistão é, juntamente com o Qatar, um dos mediadores nas negociações entre Teerão e Washington, tendo sido, aliás, sob iniciativa paquistanesa que foi assinado o memorando de entendimento, em junho.

Ricardo Reis

Vinte e três menores e jovens adultos ucranianos raptados pela Rússia regressaram à Ucrânia

Vinte e três menores e jovens adultos ucranianos raptados pela Rússia foram resgatados pela organização humanitária Save Ukraine, divulgou hoje o Bring Kids Back UA, iniciativa de Zelensky para reintegrar os menores que foram deportados, transferidos à força ou deslocados para a Rússia.

Os menores regressaram à Ucrânia e estão a receber apoio psicológico e assistência na restauração dos seus documentos ucranianos.

Entre os menores e jovens adultos resgatados estão uma criança de nove anos, que foi forçada a lançar granadas e a montar armas, e uma de 13 cuja casa foi atingida por um drone e invadida.

Entre 150 mil e 300 mil crianças de territórios ucranianos ocupados pela Rússia foram deportadas ou transferidas à força para a Rússia, referem as autoridades, citadas pelo Kyiv Independent.

Em 2023, o Tribunal Penal Internacional emitiu mandatos de captura contra Vladimir Putin e a comissária russa dos Direitos da Criança, Maria Lvova-Belova, devido ao seu envolvimento no rapto de crianças.

José Rafael Lopes

"Putin sente que Trump está do seu lado"

Orlando Samões admite que Putin está a ser hábil na forma como tem vindo a “enrolar” Trump. Assume que encontro EUA, China e Rússia sobre a guerra não faz sentido sem a presença da Ucrânia. (Ouça aqui o novo episódio de Gabinete de Guerra da Rádio Observador.)

Ricardo Reis

Ataques russos em Kharkiv matam cinco pessoas, incluindo duas crianças. Em Khmelnytsky, duas pessoas foram mortas

Um ataque russo com drone a um parque na aldeia de Nova Vodolaga, em Kharkiv, matou cinco pessoas, incluindo duas crianças de um e 11 anos, e feriu outras 15, incluindo sete crianças. A informação é avançada pela Procuradoria Regional de Kharkiv, que dá conta de danos num café, numa loja, numa escola de arte infantil e num carro.

Em Khmelnytsky, duas pessoas foram mortas na sequência de um ataque no centro da região, refere Serhiy Tyurin, Chefe da Administração Regional.

Ricardo Reis

Zelensky e Papa Leão XIV falam sobre situação em Oleshky. Vaticano pede cooperação para a entrega de ajuda humanitária

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e o Papa Leão XIV falaram hoje ao telefone sobre a situação em Oleshky, na região de Kherson, que vive um cerco desde 2022 que destruiu grande parte das suas infraestruturas.

“Ao longo da conversa, o Santo Padre lembrou a situação grave na cidade de Oleshky, na região de Kherson, e fez referência ao pedido para um cessar-fogo humanitário que foi apresentado ao Presidente da Federação Russa”, refere a Secretaria de Estado do Vaticano.

O Papa pediu também cooperação entre Kiev e Moscovo para a entrega de mantimentos e ajuda médica para os habitantes da cidade, e a “retirada voluntária e em segurança” da população civil.

Por seu lado, Zelensky referiu a nova onda de ataques russos e sublinhou que o país está a trabalhar para resolver a situação em Oleshky.

“Também discutimos a catástrofe humanitária em Oleshky, temporariamente ocupada. Estamos a trabalhar para ajudar o nosso povo lá. Estamos a preparar decisões. Sua Santidade informou-me sobre os contactos com o lado russo sobre este assunto”, afirmou nas redes sociais.

A cidade de Oleshky atravessa uma crise humanitária, com falta de alimentos e cuidados médicos, assim como de saneamento e de electricidade. Cerca de seis mil pessoas permanecem na cidade, incluindo 200 crianças, e poucas conseguiram sair, refere Dmytro Lubinets, provedor dos Direitos Humanos da Ucrânia ao Kyiv Independent. Lubinets avisa que 358 pessoas precisam de assistência imediata.

Combinações belicistas

Ao jeito de quem sabe e pode e quer… ou a isso é obrigado, num mundo refinadamente torcido. Tortuoso também se aplica. Vaidoso, igualmente. Pedante, arrogante, importante, para quem se julga potente…  Afinal, de contrastes e ilusões, “folha que cai”, como avisou o nosso Deus, que também se chamava João, definindo a VIDA. Coisa precária, está visto, mesmo para os Trumps e Putins dos tempos.

Em directo/ Zelensky promete não atacar instalações de gasóleo russo se Washington entregar Patriots à Ucrânia

Rússia nega ter proposto reunião com Trump e Xi para discutir futuro da Ucrânia. Ataque ucraniano a São Petersburgo faz um morto e dez feridos. Netanyahu revela nova doutrina de segurança nacional.

MANUEL NOBRE MONTEIRO- Texto

Momentos-chave

Zelensky poderá encontrar-se na próxima semana com enviados especiais de Trump na Noruega

Zelensky pediu a senadores dos EUA para pressionarem Trump a remover restrições a partilha de informações e entrega de armas, avança Axios

Hegseth ainda não autorizou entrega de novo pacote de armamento à Ucrânia, avança Reuters

Enviados especiais de Trump vão esta semana à Noruega para nova ronda negocial sobre a Ucrânia

Trump diz que "talvez esteja na hora de o Zelensky ter outra pessoa para negociar" a paz

Sobe para seis o número de mortes em ataque russo a Kharkiv

Um morto e seis feridos em ataque em Obukhiv, no distrito de Kiev

Trump acredita que a Rússia não está a ajudar o Irão na guerra

Trump manifesta disponibilidade em reunir com Putin e Xi

"A Rússia, francamente, tem-se portado bem com a Ucrânia". Trump acusa Zelensky de não querer terminar a guerra

Houthis reivindicam seis operações militares na Arábia Saudita em 48 horas

Colonos israelitas atacam funcionário dos Médicos sem Fronteiras na Cisjordânia.

Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Paquistão deve visitar Irão amanhã para tentar reatar negociações entre Washington e Teerão

Ataques russos em Kharkiv matam cinco pessoas, incluindo duas crianças. Em helntsky, duas pessoas foram mortas

Zelensky e Papa Leão XIV falam sobre situação em Oleshky. Vaticano pede cooperação para a entrega de ajuda humanitária

"Temos trabalho para acabar". Netanyahu agradece apoio de Trump

Irão acusa NATO de ajudar Estados Unidos na guerra contra Teerão e diz para a Europa "abrir os olhos à realidade"

Zelensky denuncia novas falhas de acesso ao Starshield

Zelensky promete não atacar instalações de diesel russo se Washington entregar Patriots à Ucrânia

Irão acusa Estados Unidos de serem responsáveis pela insegurança em Ormuz

"Palhaçada". Lavrov critica oposição de Zelensky e da Europa a acordo de diesel entre Estados Unidos e Rússia

Rússia pede cumprimento do memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irão

Lavrov: Rússia só ataca infraestruturas civis se estiverem a ser usadas para fins militares

Ucrânia resgata pela primeira vez um soldado ferido da linha da frente com um drone

UE pode entregar 30 mil milhões de euros à Ucrânia até ao final do ano mediante reformas implementadas

Kremlin nega encontro tripartido entre Putin, Trump e Xi Jingping

Netanyahu revela nova doutrina de segurança nacional para Israel. Oposição apelida-a de “superficial”

Pelo menos 25 mortos em ataque a acampamento militar do Governo iemenita, em Shabwa

Zelensky acusa Rússia de lançar 16 mísseis balísticos contra Kiev e deixar 550 mil famílias sem electricidade

Lavrov vai apresentar ao Irão esforços russos para reduzir tensões regionais

Qatar prepara nova parceria regional de defesa para reforçar capacidades militares

Israel detém dez suspeitos de ataques a jornalista e diplomatas na Cisjordânia

Marco Rubio nega pausa na partilha de informações dos EUA com a Ucrânia

Zelensky acusa EUA de atrasarem entrega de mísseis interceptores para sistemas Patriot

 Ataque ucraniano a São Petersburgo faz pelo menos um morto e dez feridos

Putin propõe reunião com Trump e Xi Jinping para discutir futuro da Ucrânia

Irão diz que petroleiro atingiu mina e incendiou-se em Ormuz

Zelensky sugere que Trump está a tentar forçar capitulação de Kiev perante

Observador

O que se passou até agora

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou a administração Trump de estar a tentar forçar a capitulação da Ucrânia perante a Rússia, citando como exemplos as restrições ao fornecimento de mísseis interceptores Patriot — reduzidos para 12 por mês, um quarto do que era enviado pela administração Biden — e as limitações impostas ao uso militar do sistema de satélites Starlink em território russo. Zelensky afirmou ainda que os EUA bloquearam durante três dias a partilha de informações dos serviços secretos com Kiev, durante ataques balísticos russos, acusação que o Secretário de Estado Marco Rubio negou categoricamente.

A Rússia lançou um ataque massivo contra a região de Kiev, com 16 mísseis balísticos e mais de 200 drones, incluindo modelos Shahed, danificando infraestruturas energéticas, uma escola, uma clínica, uma estação de metro e vários edifícios, deixando mais de 550 mil famílias sem electricidade. Em resposta, forças ucranianas atacaram São Petersburgo e a região de Leninegrado com drones, causando pelo menos um morto e dez feridos, e atingindo um terminal petrolífero, um centro de dados e instalações industriais.

Vladimir Putin propôs uma reunião tripartida com Donald Trump e Xi Jinping, possivelmente à margem da cimeira da APEC em novembro, em Shenzhen, para discutir o futuro da Ucrânia, numa iniciativa que poderá permitir à Rússia negociar o fim do conflito em condições favoráveis a Moscovo. Trump ainda não aceitou formalmente a proposta, embora fontes norte-americanas indiquem que poderá estar receptivo à ideia.

Benjamin Netanyahu apresentou uma nova doutrina de segurança nacional para Israel, assente em dez princípios que incluem ataques preventivos, zonas-tampão nas fronteiras e a máxima de “evitar a contenção quando for possível atacar”, tendo a oposição, liderada por Yair Lapid, classificado o documento de “superficial e bizarro”. Entretanto, as forças de segurança israelitas detiveram dez suspeitos na sequência de ataques de colonos a diplomatas europeus, a um autarca francês e à fotojornalista do Washington Post Heidi Levine, na Cisjordânia.

Este resumo foi gerado por IA e revisto por um jornalista do Observador.

Ricardo Reis

Zelensky poderá encontrar-se na próxima semana com enviados especiais de Trump na Noruega

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, deverá estar na próxima semana na Noruega, para uma nova ronda negocial sobre o fim da guerra da Ucrânia, e deverá encontrar-se na próxima terça ou quarta-feira com os enviados especiais de Donald Trump.

A informação é avançada pela Axios, com base numa transcrição de uma videochamada com senadores norte-americanos, fornecida por funcionários ucranianos.

Após a ronda negocial, os enviados especiais de Trump, Jared Kushner e Steve Witkoff, deverão seguir para Moscovo.

Ricardo Reis

Zelensky pediu a senadores dos EUA para pressionarem Trump a remover restrições a partilha de informações e entrega de armas, avança Axios

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, falou hoje com os senadores norte-americanos Richard Blumenthal e Thom Tillis, e ter-lhes-á pedido para pressionar a administração Trump para remover restrições à partilha de informações e entrega de armas. A informação é avançada pela Axios, com base numa transcrição da videochamada fornecida por funcionários ucranianos.

“Queremos perceber o que está a acontecer, porque está a acontecer, e onde isto tudo nos está a levar”, terá afirmado aos senadores.

Na reunião, Zelensky terá abordado as dificuldades no acesso ao Starlink e à Starshield e o atraso na entrega de armamento, como os mísseis interceptores Patriot, apesar dos Estados-membros da NATO terem pago pela entrega.

Além disso, terá reafirmado que propôs aos enviados especiais de Trump suspender os ataques a refinarias russas em troca da entrega de Patriots, mas que “não mostraram nenhuma abertura à ideia”.

Após a reunião, Blumenthal e Tillis sublinharam o apoio bipartidário “claro e inequívoco” do Congresso norte-americano à Ucrânia “que será expresso numa acção futura”.

Ricardo Reis

Hegseth ainda não autorizou entrega de novo pacote de armamento à Ucrânia, avança Reuters

A Ucrânia não recebeu um novo pacote de pacote de armamento, negociado com a NATO, porque Pete Hegseth, secretário da Defesa norte-americano, ainda não autorizou a sua entrega, avança uma fonte familiarizada com o assunto à Reuters. Não são conhecidas as razões para tal.

“O secretário de Defesa Pete Hegseth ainda não autorizou a entrega do mais recente pacote de armamento dos Estados Unidos comprado por aliados da NATO sob um programa conhecido como PURL”, refere a agência de notícias. No entanto, não se sabe se o pacote inclui os mísseis interceptores Patriot, muito pedidos pela Ucrânia para garantir a sua defesa.

O Pentágono não comentou a notícia.

Ricardo Reis

Enviados especiais de Trump vão esta semana à Noruega para nova ronda negocial sobre a Ucrânia

Os enviados especiais de Trump, Jared Kushner e Steve Witkoff, vão viajar esta semana para a Noruega para uma nova ronda negocial para terminar a guerra da Ucrânia, avançam três fontes familiarizadas com o assunto à Reuters.

Volodymyr Zelensky deverá estar presente na ronda, referem duas das fontes, sendo que o cronograma é “provisório” e pode sofrer alterações.

Ricardo Reis

Trump diz que "talvez esteja na hora de Zelensky ter outra pessoa para negociar" a paz

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Ucrânia podia ter obtido a paz se tivesse “ouvido” o líder norte-americano e que devia ser a altura de Zelensky confiar as negociações a outra pessoa.

“Zelensky deveria ter resolvido há muito tempo esta guerra. Se ele me tivesse ouvido, teria feito um negócio muito mais lucrativo há muito tempo. E haveria milhões de pessoas do lado dele. Talvez esteja na hora de o Zelensky ter outra pessoa para negociar”, afirmou aos jornalistas, no exterior da Casa Branca.

(CONTINUA)

 

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Filosofices da vida

 

Viver em paz, em suma, desde que sejamos acompanhados dos meios antipacifistas, necessários para induzir a essa…

Uma Europa livre sem armas não trará a paz

A história ensina muito, mas não dá respostas simples. Uma das coisas que mostra é que pensar que se pode viver sem riscos ou defender a liberdade sem armas nunca foi realista.

BRUNO CARDOSO REIS Historiador e especialista em segurança internacional

OBSERVADOR, 19 out. 2026, 00:23

Os europeus ocidentais desabituaram-se da guerra. Em certo sentido é normal: vivemos, desde 1945, sem grandes guerras convencionais na Europa Ocidental. O problema é que nos convencemos de que a paz é natural, não tem custos, não exige meios de defesa e dissuasão de ameaças. Um texto de opinião recente ajuda a ilustrar o ponto a que chegou o nosso desarmamento intelectual e os disparates a que isso conduz.

Vão combater, malandros

Há um sofisma muito popular nas redes sociais: o de que só tem legitimidade para analisar e defender algum envolvimento num conflito armado quem estiver no terreno a combater. Lamento desapontar os muitos anónimos das redes, mas não preciso da licença deles para analisar ou opinar sobre guerras. Tirei essa licença quando me doutorei em estudos de guerra pelo King’s College. A ideia de que só um combatente pode analisar guerras apenas faz sentido para quem desconhece o básico desse tipo de estudo. Teremos de parar de escrever sobre a eficácia de desembarques anfíbios na Segunda Guerra Mundial porque não temos uma máquina do tempo para ir combater na Normandia? No presente, existem 66 conflitos armados em todo o mundo; temos de combater em todos eles, e ao lado de que beligerante? Esta espécie de machismo analítico – “não és homem para ires lá dar uns tiros” – é especialmente risível porque estes autonomeados especialistas naturalmente não praticam o que defendem. Uma variante que pode parecer mais razoável deste argumento é a ideia de que quem defende algum tipo de apoio a um país invadido devia ir lá combater. No entanto, seguindo a mesma lógica, se defendermos a ajuda ao combate aos incêndios em Espanha, às vítimas das cheias em Moçambique ou do Ébola no Quénia – situações que envolvem algum risco de vida – em vez de mandarmos bombeiros ou médicos qualificados, deveríamos ir em pessoa? Ridículo.

Os nossos filhos não

O cronista citado mostra-se muito preocupado com a falta de rigor alheio. É verdade que é preciso cuidado com a desinformação e a propaganda numa guerra. Resolve então apostar num processo de intenções abusivo, numa manipulação grosseira, ou, na demonstração superpoderes psíquicos na leitura de mentes alheias. Afirma que o verdadeiro objectivo dos analistas ou governos que defendem que a Europa tem de se rearmar e ajudar a Ucrânia a defender-se é preparar o terreno para arrancar os jovens europeus dos seus lares pacíficos – com base num serviço militar obrigatório que nem sequer existe na maioria dos países – para os forçar a ir combater na frente ucraniana.

A ideia de que enviar armas e dinheiro para a Ucrânia conduz inevitavelmente ao envio de tropas é desmentida pelos últimos cinco anos e pela história. Temos centenas de conflitos desde 1945 em que um dos lados foi armado por potências externas sem envolvimento de tropas próprias. Mais, na maioria dos casos em que forças expedicionárias foram enviadas, tratou-se de tropas profissionais, de soldados voluntários. Os EUA no Vietname e a União Soviética no Afeganistão são excepções, tal como as guerras coloniais tardias, mas tornaram-se casos exemplares do que se quer evitar.

O título da coluna citada afirma que Portugal “não deve filhos à Ucrânia”. Realmente não estamos obrigados a isso por nenhum acordo formal, ao contrário dos EUA e da Rússia que, em 1994, no memorando de Budapeste, se comprometeram a garantir a segurança e integridade territorial da Ucrânia em troca do governo de Kiev ceder a Moscovo as armas nucleares soviéticas que tinha herdado. No entanto, Portugal apoiou esse processo de desnuclearização da Ucrânia, que até se iniciou com negociações em Lisboa. É um excelente exemplo dos riscos do desarmamento unilateral. Isso significa que não devemos nenhum apoio à Ucrânia? E não se combate uma invasão sem armas e dinheiro.

Os “mecânicos” da Oficina da Liberdade acham que a liberdade foi construída e mantida sem luta? Devemos evitar qualquer risco de desagradar a uma Rússia que, dizem-nos, não é sequer uma ameaça séria? Devemos deixar uma grande potência com declarados objetivos expansionistas tentar invadir quem quiser na Europa, desde que não sejamos nós? Vamos esperar até que o alvo seja membro da NATO para fazermos alguma coisa? Já se tentou essa lógica de apaziguamento amoral, na década de 1930, e o resultado não foi grande coisa do ponto de vista da defesa da paz.

Orgulhosamente sós?

É legítimo discutir o que Portugal deve fazer num mundo cada vez mais propenso a conflitos armados, que atingiram um número recorde no ano passado. Por exemplo, devemos voltar a ter um serviço militar obrigatório? Do meu ponto de vista essa opção é cara e militarmente pouco eficaz, mas o que fazemos se deixarmos de ter voluntários suficientes? Também me parece evidente que – tal como já acontece hoje – só devem ser enviados para combater no exterior soldados profissionais e, de preferência, voluntários para essas missões. Aliás, já temos jovens portuguesas em zonas de guerra, por exemplo, na força destacada na missão da ONU na República Centro-Africana.

Num contexto em que um aliado-chave como os EUA se mostra pouco de fiar, devemos ser capazes de pensar fora da caixa estratégica habitual. O que não faz sentido é fingir que a Europa decidiu rearmar-se por capricho, ou que qualquer apoio à Ucrânia levará à Terceira Guerra Mundial, como nos dizem há cinco anos. A Ucrânia está numa situação muito difícil com uma nova aproximação de Trump a Putin. Eu não faço da Rússia uma potência imbatível – isso não existe – mas mesmo um regime muito ineficiente, quando está armado até aos dentes, pode causar grandes estragos na vizinhança. Há sinais de cansaço em sectores importantes na Europa com o apoio à Ucrânia. Não me espanta que haja quem esteja a procurar alibis para se livrar de incómodos. Podemos em breve testar a tese de que uma paz a qualquer preço na Ucrânia irá contribuir para a segurança da Europa livre.

Se não quisermos mandar armas ou tropas para lado nenhum, então estamos a defender que Portugal deve abandonar as suas alianças e adoptar uma estrita neutralidade. É legítimo, mas convém perceber que isso não nos livra dos impactos negativos de conflitos armados ou da necessidade de investimento em defesa. Grande parte do Mundo não está em guerra com o Irão, mas todos pagam o preço na bomba de gasolina. Essa opção também significa que, se formos atacados ou ameaçados, estaremos por nossa conta. É o que querem? Querem ir mais longe e defender o desarmamento unilateral? Digam-no abertamente, e expliquem onde é que isso correu bem. Na Ucrânia não foi certamente. Existem alguns exemplos bem-sucedidos de neutralidade, como a Suíça ou a Suécia, todos casos de neutralidade armada e de forte investimento na indústria de defesa nacional. Também há alguns poucos Estados que, abdicaram de ter Forças Armadas, com isso aceitam ser protectorados de outra potência, limitando as suas opções externas. É isso que defendem e quem seria o protector?

Há também muitos fracassos da aposta na neutralidade como forma de evitar envolvimento em guerras, como a Bélgica, a Dinamarca ou a Noruega na Segunda Guerra Mundial. A história ensina muito, mas não dá respostas simples. Uma das coisas que mostra é que pensar que se pode viver sem riscos ou defender a liberdade sem armas nunca foi realista. Resta-nos escolher que riscos vale a pena correr, que valores queremos defender e como, desde logo, se sozinhos, se com outros.

Europa      Mundo      Guerra      Conflitos

COMENTÁRIOS

Paulo Silva

Na guerra psicológica há uma forma de a fazer convencendo o outro que nada tem a temer de nós. Quando este se aperceber do contrário, será tarde demais... A União Soviética foi um dos grandes baluartes da propaganda anti-guerrista, (embora à guerra deva a sua existência). Quando Inglaterra e França declararam guerra ao Terceiro Reich a URSS criticou-a como uma ‘guerra imperialista’, (após ter dividido com Hitler o leste da Europa em esferas de influência), e colocou-se numa posição de falsa neutralidade, (na sombra esteve sempre a apoiar o esforço de guerra nazi). Até que em Junho de 1941, quando Hitler quebrou o pacto de não agressão, o discurso mudou 180 graus...

Espanta-me sempre a paixão ingénua e o dispêndio de energia que algumas alminhas investem na crença do “homem novo” … Um ser virtuosamente perfeito despido de qualquer defeito moral...