sexta-feira, 26 de junho de 2026

Por enquanto


Os  sapatinhos são  de lã…

A Ordem do mundo

JAIME NOGUEIRA PINTO Colunista do Observador

OBSERVADOR, 26/6/26

Procura-se, uma vez mais, disciplinar os fervores ideológicos, tentar perceber o outro e ver aquilo a que é necessário renunciar para ganhar o que se quer. E, sobretudo, para ganhar a paz

A ordem do Mundo é determinada pelas ideias sobre essa ordem dominantes nas grandes potências. O primeiro mundo político de que há notícia histórica, além da narrativa bíblica, foi o das cidades gregas do Peloponeso e respectivas guerras, sobretudo entre Atenas e Esparta.

Roma é uma República aristocrática, que a expansão imperial obriga a evoluir para uma mono-arquia autocrática e centralizada. O Império é um espaço de paz, e por isso os povos acabam por o tolerar.

Na Europa pós-Império Romano, dominam os reinos bárbaros, mas persiste uma nostalgia do poder imperial que foi assumindo formas renovadas – como o Império Carolíngio e o Sacro-Império Romano Germânico.

Mas nesta mesma Europa há um poder espiritual muito forte, que quer ser também poder políticoo papa de Roma, chefe dos cristãos, senhor dos dois gládios, espiritual e temporal. Daí as lutas entre o Papado e o Império, que acabam por se enfraquecer mutuamente e por dar lugar à ascensão e consolidação, como forma dominante de comunidade, ao Estado soberano, corporizado pelos reinos que vão surgindo na Europa.

A mudança tecnológica

São os tempos pós-medievais, o nascimento da Idade Moderna: e há também uma inovação essencial para a mudança, uma nova tecnologia militar, a artilharia, decisiva para os acontecimentos que marcaram essse novo tempo, como a queda de Constantinopla em 1453 e o fim da Guerra dos Cem Anos, nesse mesmo ano. As inexpugnáveis muralhas de Constantinopla caíram, graças ao canhão montado por um cristão renegado e a Guerra dos Cem Anos acabou quando os canhões dos irmãos Bureau, em Castillon, chacinaram os cavaleiros ingleses.

A Reforma luterana trouxe um elemento ideológico e dividiu a Europa, em Estados católicos – como a Espanha dos Áustrias e o Portugal da dinastia de Aviz, onde a Inquisição ao serviço do poder real impediu a dissidência. E Estados protestantes, os nórdicos, como a Dinamarca e Noruega, unidas sob o governo de Cristiano III. Quer ele, quer Gustavo I da Suécia, aproveitam a mudança de religião para confiscar os bens da Igreja. Finalmente há Estados divididos que vão ter guerras civis religiosas – como a França, onde metade da nobreza se converte ao calvinismo.

Este clima leva à Guerra dos Trinta Anos, que é ao mesmo tempo uma guerra entre potências, por interesses de Estado, e uma guerra ideológica, religiosa. E desta guerra resultam os tratados de Vestfália, em 1648, que trazem a secularização da política e da guerra e criam o Jus Publicum Europaeum.

E o panorama dos poderes europeus no século XVIII é a Pentarquia, formada pela França, Grã-Bretanha, Áustria, Prússia e Rússia. Os Estados passam a agir por razões de Estado, estritamente de Estado, interesses territoriais e económicos desse Estado. E assim decorre o século XVIII, em que também estas grandes potências do tempo intensificam a sua expansão imperial e colonial, para a Ásia e as Américas.

Duas revoluções

E é nas Américas, mais precisamente na América do Norte que, em 1776, há 250 anos, uma população colonial branca rompe, em nome dos seus direitos políticos e fiscais, com a tutela do rei Jorge III de Inglaterra e abre caminho, pela guerra, para a independência.

Os líderes deste movimento, os pais fundadores, leram os Antigos gregos e romanos, mas também outros Antigos da Escola de Salamanca que, como Juan de Mariana, proclamavam a soberania da comunidade e a legitimidade da revolta contra o tirano.

Esta revolução americana foi decisivamente apoiada pela França absolutista de Luís XVI, cuja Marinha foi essencial para a vitória final dos patriotas americanos, nas operações militares, quer em batalhas navais, como a batalha de Chesapeake, quer no bloqueio ao exército do general Cornwallis.

Ironia suprema da sorte, neste esforço de guerra a favor dos republicanos americanos, a monarquia francesa endividou-se e arruinou-se ao ponto de Luís XVI, para evitar a bancarrota, ter de convocar os Estados Gerais. Estes acabariam por levar à revolução e à queda da Monarquia, ao Terror e ao Império napoleónico como solução, repetindo, em poucos anos, o longo ciclo político romano.

O século XIX vai ver na Europa um compromisso entre as novas ideias sobre a soberania popular e comunitária e a ascensão da burguesia, face à tradição monárquica e aristocrática: a síntese deste equilíbrio negociado vai ser a monarquia constitucional que, mantendo o estatuto e os privilégios das oligarquias tradicionais, lhes vai retirar o poder de decisão política.

Esta dessacralização do poder e a radicalização trazida por novas ideias, como as do Manifesto Comunista de 1848, que ressuscitou os conceitos de “guerra social” sob a forma de “luta de classes”, vão explodir no século XX, graças à Grande Guerra na Europa de 1914-1918 e à revolução bolchevique de Outubro de 1917 na Rússia.

As novas ordens do século XX

E a Europa e o mundo vão voltar, entre 1918 e 1991, às guerras ideológicascomunismo, fascismo, liberalismo, com liberais e comunistas unidos, entre 1939 e 1945, contra o nacional-socialismo alemão, o fascismo italiano e o nacional-imperialismo japonês. De 1948 a 1991, deu-se a Guerra Fria, sob o signo da mudança tecnológica nuclear que tornou a guerra improvável e foi uma aliança anticomunistaformada por Estados de diferentes regimes políticos contra a União Soviética – que a venceu.

E depois das cruzadas dos NeoCons americanos para impor a democracia liberal no mundo, que falharam como tinha falhado a tentativa soviética de impor o comunismo, estamos outra vez num tempo de transição geopolítica, em que se esboça, num realismo algo brutal pela ausência de camuflagem, uma “ordem das grandes potências”. Será mesmo assim?

De qualquer modo, os dois pólos da grande política e das relações políticas entre os Estados continuam a ser a ideologia e a razão de Estado, as determinantes da guerra e da paz.

Regras para o presente

Neste momento procura-se, uma vez mais, disciplinar os fervores ideológicos à mais objectiva razão das razões de Estado, numa negociação na Suíça em que, de parte a parte, tem de haver concessões, análise racional dos interesses em causa, a tentativa de perceber o outro e de, também a partir dele, julgar aquilo a que é necessário renunciar para ganhar o que se quer; e ganhar, sobretudo, a paz.

Isto significa, para uns, renunciar ao roll-back e ao regime change, e criar formas de contenção permanentes e eficazes; para outros, trocar a segurança que vem do medo e da manipulação de instrumentos de agitação e subversão pela aceitação da normalidade na interdependência da região.

Os interlocutores americanos e iranianos e os moderadores paquistaneses têm pela frente uma tarefa difícil, para acomodar medos, percepções, interesses, realidades e propósitos. E têm de descobrir, contando com os possíveis perturbadores, o equilíbrio final. Não vai ser fácil, mas a alternativa é a guerraque acabaria por se estender e por desordenar o mundo outra vez e, quem sabe, de vez.

MUNDO      HISTÓRIA      CULTURA

COMENTÁRIOS (De 20):

Manuel Ferreira; Boa lição de história. Penso que JNP não abordou o principal problema que temos em mãos: o império Americano saído da 2ª guerra está em perda, enquanto  o império Chinês  está em ascensão e a luta é em todos os continentes.(Irão faz parte do mesmo conflito).Dou o exemplo de África onde o neocolonialismo Chinês se impôs de Argélia à África da Sul, mas o diabo era o colonialismo branco europeu.

Rui Lima: Da ordem dos países e dos impérios, mas a desordem das pessoas dentro dos países afecta mais o nosso dia a dia, já que num país na Europa 76% receiam ir de férias porque podem ter a casa assaltada no regresso. Louis, 17 anos, linchado em Narbonne por cinco que filmam a sua morte , os nomes deles não sabemos não podemos saber A esquerda, ao recusar-se a punir de forma rápida e eficaz os actos de delinquência e violência, porque são todos bons rapazes e a culpa é da sociedade tem o voto dessa gente .

Miguel Macedo: Muito bem! Como sempre!

António Pais: Uma síntese magistral!

Im Reader: Escrever bem é difícil, mas escrever sucintamente e de forma apelativa é ainda mais. Os meus parabéns para Jaime Nogueira Pinto. É um colosso nas lições de história e análise geopolítica em bom português. De resto, penso o quão difícil é às democracias ocidentais, investirem na Defesa e desenvolvimento tecnológico para fins militares, com uma população habituada ao Estado-social e estilo de vida materialista a que se habituaram, numa lógica insaciável. E sempre com a ambição de conquistar um nível de vida mais prazeroso que a geração transacta.

João Basílio: Muito interessante este resumo histórico. Obrigado

Francisco Almeida: Três quartas partes do artigo são mais uma notável lição sintética da História. Já o final, uma suposição, é mais discutível. Os EUA não terão - como diz a "estupidenzia" de esquerda - cedido às decisões de Netanyahu. Desde a diminuição da influência chinesa, à  (leitura intransponível)

quinta-feira, 25 de junho de 2026

MUNDO

 

CONTINUAÇÃO

Médio Oriente

Rubio procura separar as negociações Israel-Líbano do acordo com o Irão - como aconteceu

Trump garante que Irão concordou com "inspeções nucleares". Ministro israelita Ben-Gvir diz que Israel pode dizer "não" a Trump e que deve recusar o cessar-fogo no Líbano.

CÁTIA ROCHA: Texto

JOANA MOREIRA: Texto

Arquivado - 23 jun. 2026, 06:46

O representante iraniano afirmou que foi alcançado um acordo para a libertação imediata de 12 mil milhões de dólares de fundos iranianos congelados

Momentos-chave

O que se passou até agora

Há 1d

Grupo de defesa dos direitos humanos acusa Israel de negar cuidados médicos a mulheres palestinianas na prisão

Presidente do Irão: “Discussão sobre os nossos mísseis não existe no memorando de entendimento e nunca existirá”

ONU afirma que quase 1,7 milhões de palestinianos vivem em condições precárias

Omã anuncia corredor marítimo temporário para tráfego no Estreito de Ormuz

Senado dos EUA vota contra novos ataques coordenados por Trump ao Irão

IDF demoliram casa em Hebron, na Cisjordânia, que albergava duas famílias palestinianas

Rubio procura separar as negociações Israel-Líbano das negociações com o Irão

Dinamarca vai participar na missão internacional para reabertura do Estreito de Ormuz

Equipa da ONU vai documentar “destruição sistemática no sul do Líbano desde 2023”

Oficiais marroquinos chegaram a Israel para integrar força internacional em Gaza

Donald Trump afirma que inspectores da Agência Internacional de Energia Atómica vão ao Irão

"Um desastre", descreve embaixador israelita nos EUA sobre negociações com o Líbano

Mísseis balísticos do Irão não serão negociados. "Não confiamos nos Estados Unidos", diz Masoud Pezeshkian

11 mil marinheiros serão retirados de Ormuz, afirma a Organização Marítima Internacional

Presidente do Líbano: "Não aceitaremos nada menos do que o fim da ocupação israelita no sul do Líbano"

Ben-Gvir afirma que Israel pode dizer "não" a Trump e que não deve aceitar o cessar-fogo no Líbano

Delegação libanesa chega a Washington para conversações com Israel

Irão diz que os serviços bancários foram afectados por um ciberataque a três instituições de crédito

2 dias

Trump diz que Irão concordou com "inspecções nucleares" e que concessões o levam a "concordar em manter Estreito de Ormuz aberto"

Moscovo afirma que Washington deixou de ser “mediador imparcial

Hezbollah afirma que morte de dois homens atingidos por Israel "é uma violação clara do cessar-fogo"

Ucrânia acredita ter assegurado apoio de Trump para "agir com mais ousadia" na guerra contra a Rússia

Netanyahu afirma que Israel precisa de ser "independente em matéria de armamento"

Teerão diz que não há um "calendário claro" para inspectores da IAEA visitarem instalações nucleares

Comissária russa sugere que poderá acontecer uma troca de prisioneiros com a Ucrânia "em breve"

Ministro dos Negócios Estrangeiros chinês pede manutenção das conversações de paz entre EUA e Irão

Hezbollah tem "dedo no gatilho" para enfrentar violações de Israel a cessar-fogo

Presidente do Irão refere que "eficácia das conversações depende de compromisso total com o que foi acordado"

23/06 , 06:46 Irão diz que negociações técnicas com EUA foram concluídas

Histórico de actualizações

O que se passou até agora

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, destacou a intenção de separar as negociações entre Israel e o Líbano das conversações com o Irão, salientando a soberania libanesa como factor para negociações directas com o governo libanês.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, assegurou que o programa de mísseis do Irão não será incluído em quaisquer negociações com os Estados Unidos, reafirmando a importância destes mísseis para a defesa nacional do país.

As Nações Unidas relataram que aproximadamente 1,7 milhões de palestinianos em Gaza vivem em condições extremamente precárias, enfrentando uma grave escassez de água e abrigo. Esta situação realça a crise humanitária contínua vivida na região, exacerbando tensões preexistentes.

O Senado dos Estados Unidos votou para limitar a capacidade do presidente Trump de lançar novos ataques contra o Irão sem aprovação prévia do Congresso.

Este resumo foi gerado por IA e revisto por um jornalista do Observador.

TIAGO CAEIRO

MARGARIDA VIEIRA DOS SANTOS

Grupo de defesa dos direitos humanos acusa Israel de negar cuidados médicos a mulheres palestinianas na prisão

As mulheres palestinianas estão a viver em condições “catastróficas” na prisão de Damon, em Israel, de acordo com um relatório da Comissão Palestiniana para os Assuntos dos Detidos e Ex-Detidos, citado pela agência de notícias Wafa, escreve a Al Jazeera.

Oitenta e sete mulheres palestinianas, incluindo três de Gaza, estão actualmente detidas na prisão. O relatório, segundo a emissora, constatou que várias mulheres com problemas de saúde graves estão a ser privadas de tratamento adequado, e as mulheres grávidas estão a ser privadas de cuidados básicos e de artigos de primeira necessidade.

A Comissão Palestiniana para os Assuntos dos Detidos e Ex-Detidos constatou ainda, de acordo com a Al Jazeera, que as mulheres têm permissão para sair das suas celas apenas uma hora por dia para actividades e cuidados de higiene.

Há 1d

MARGARIDA VIEIRA DOS SANTOS

Presidente do Irão: “Discussão sobre os nossos mísseis não existe no memorando de entendimento e nunca existirá”

O Presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, afirmou que o programa de mísseis do país não está incluído no memorando de entendimento com os EUA, segundo a CNN.

“A discussão sobre os nossos mísseis não existe no memorando de entendimento e nunca existirá”, disse Pezeshkian durante uma conferência de imprensa no Paquistão, citado pela emissora.

O Presidente iraniano sublinhou ainda que o programa de mísseis é essencial para a defesa nacional. “Se não tivéssemos os mísseis que usamos para a nossa defesa, Israel e os Estados Unidos teriam

Há 1d

22:15

Margarida Vieira dos Santos

ONU afirma que quase 1,7 milhões de palestinianos vivem em condições precárias

Um relatório divulgado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitário (OCHA, sigla em inglês) afirma que quase 1,7 milhões de palestinianos deslocados, cerca de 80% da população de Gaza, vivem com uma grave escassez de água, abrigo e serviços básicos, relata a Al Jazeera.

Pelo menos 59 mil abrigos individuais albergam mais de oito pessoas cada, enquanto cerca de 38,500 pessoas dormem ao ar livre, segundo o relatório. Estima-se ainda que cerca de 600 mil pessoas nos locais avaliados não tenham acesso suficiente a água potável.

Há 1d

22:08

MARGARIDA VIEIRA DOS SANTOS

Omã anuncia corredor marítimo temporário para tráfego no Estreito de Ormuz

Em coordenação com a Organização Marítima Internacional (OMI), Omã anunciou a criação de um corredor marítimo temporário para as embarcações que pretendam passar pelo Estreito de Ormuz, segundo a agência de notícias estatal do país, relata a Al Jazeera.

As embarcações que pretendam utilizar o corredor temporário deverão coordenar a sua passagem com a OMI, seguindo as coordenadas divulgadas pela organização e pelas autoridades do país.

A medida, de acordo com a emissora, procura garantir a liberdade de navegação na via marítima, em conformidade com o direito internacional, que prezam a liberdade de navegação sem a imposição de taxas.

HÁ 1D     LARISSA FARIA

Senado dos EUA vota contra novos ataques coordenados por Trump ao Irão

O Presidente dos Estados Unidos pode ser impedido de realizar novos ataques contra o Irão sem a autorização prévia do Congresso daquele país.

Os rumos do conflito sob as ordens de Donald Trump preocupou o Senado norte-americano, que votou contra novas acções e a favor da retirada das tropas norte-americanas do conflito.

A proposta não precisa ser assinada por Trump, mas a sua aplicação não tem força de lei, noticia o The New York Times. 50 senadores votaram a favor, incluindo quatro republicanos. 48 votaram contra.

Há 1d

ANTONIO JOSE SOARES

Israel não sai do Líbano sem que o Hezbollah seja desarmado

António José Telo recorda que desarmamento do Hezbollah seria única solução para estabelecer paz minimamente estável no Líbano, mas é duvidoso que o grupo aceite

Há 1d  Agência Lusa

Bombardeamentos russos matam pelo menos 9 pessoas

Novos bombardeamentos russos mataram hoje pelo menos nove pessoas e provocaram mais de 30 feridos no sul e centro da Ucrânia, numa altura em que Kiev prossegue, por sua vez, os ataques contra a Crimeia ocupada.

Em Kryvii Rig, na região de Dnipropetrovsk (centro-leste), um ataque com mísseis russos que atingiu uma infraestrutura civil provocou a morte de dois homens e uma mulher, ferindo também 26 pessoas, de acordo com um balanço final divulgado pelo governador regional, Oleksandr Ganja.

Segundo o responsável ucraniano, os ataques russos também mataram outros três civis, duas mulheres e um homem, e feriram outros seis no distrito de Nikopol.

HÁ 1 DIA

MARGARIDA VIEIRA DOS SANTOS

IDF demoliram casa em Hebron, na Cisjordânia, que albergava duas famílias palestinianas

A agência de notícias Wafa noticiou que as IDF demoliram uma casa em Hebron, na Cisjordânia, que albergava duas famílias palestinianas, incluindo crianças e idosos, deixando-as sem casa, relata a Al Jazeera.

Segundo a emissora, as forças israelitas demoliram a casa, com dois andares, com recurso a maquinaria pesada e utilizaram gás lacrimogéneo contra as pessoas que se encontravam reunidas no local.

Há 1d MARGARIDA VIEIRA DOS SANTOS

Rubio procura separar as negociações Israel-Líbano das negociações com o Irão

O secretário de Estado norte-americano, MARCO RUBIO, procurou separar as negociações entre Israel e o Líbano, das conversações entre os EUA e o Irão, apesar de Teerão insistir repetidamente que as questões estão interligadas, segundo a CNN.

“Está separado porque o Líbano é um país soberano”, disse Rubio à chegada aos Emirados Árabes Unidos esta terça-feira, citado pela emissora. “No que diz respeito ao Líbano e ao que está a acontecer dentro do Líbano, vamos negociar e negociar diretamente com o governo libanês”.

“Há uma questão iraniana em relação ao Líbano”, “e essa é o seu apoio e patrocínio ao Hezbollah”, acrescentou.

“Este factor será discutido como parte das nossas conversações com os iranianos, mas no que diz respeito ao futuro do Líbano, o futuro do Líbano pertence ao povo libanês através do seu governo soberano eleito, e é com ele que vamos trabalhar”, disse Rubio.

Há 1d

MARGARIDA VIEIRA DOS SANTOS

DINAMARCA vai participar na missão internacional para reabertura do Estreito de Ormuz

A Dinamarca vai participar na missão marítima internacional criada pela França e pelo Reino Unido para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, informou o Governo dinamarquês, segundo o The Times of Israel.

“A contribuição incluirá um grupo de intérpretes, drones, oficiais de estado-maior, além da possibilidade de mobilização de especialistas na área cibernética”, declarou o ministro da Defesa da Dinamarca, Jeppe Bruus.

O objectivo da missão é, segundo o jornal israelita, “REFORÇAR A SEGURANÇA MARÍTIMA E GARANTIR A LIBERDADE DE NAVEGAÇÃO NO ESTREITO DE ORMUZ E NO MAR VERMELHO E NAS SUAS IMEDIAÇÕES”, de acordo com um projecto de lei apresentado ao parlamento dinamarquês, que deverá ser aprovado até ao final da semana.

HÁ 1D MARGARIDA VIEIRA DOS SANTOS

Equipa da ONU vai documentar “DESTRUIÇÃO SISTEMÁTICA NO SUL DO LÍBANO DESDE 2023”

SEGUNDO A IMPRENSA LIBANESA, UMA “COMISSÃO PARLAMENTAR PARA A PROTECÇÃO DA PROPRIEDADE CIVIL E A PREVENÇÃO DA DESTRUIÇÃO SISTEMÁTICA”, COMPOSTA POR TRÊS DEPUTADOS, ANUNCIOU A CRIAÇÃO DE UMA EQUIPA DA ONU ENCARREGADA DE ORGANIZAR REUNIÕES E VISITAS DE CAMPO PARA DOCUMENTAR A “DESTRUIÇÃO SISTEMÁTICA NO SUL DO LÍBANO DESDE 2023”, RELATA A AL JAZEERA.

A equipa, formada a pedido do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, deverá trabalhar durante quatro meses, afirmou o deputado Ashraf Baydoun durante uma conferência de imprensa esta terça-feira, segundo a emissora.

HÁ 1D MARGARIDA VIEIRA DOS SANTOS

Oficiais marroquinos chegaram a Israel para integrar força internacional em Gaza

OFICIAIS DAS FORÇAS ARMADAS DE MARROCOS CHEGARAM A ISRAEL PARA INTEGRAR UMA FORÇA INTERNACIONAL EM FORMAÇÃO PARA GAZA, informou o Conselho de Paz do presidente norte-americano, DONALD TRUMP, segundo o The Times of Israel.

“A SUA CHEGADA FORTALECE O ESFORÇO INTERNACIONAL PARA APOIAR O POVO DE GAZA”, afirmou o Conselho de Paz em comunicado, citado pelo jornal israelita.

O contingente, de acordo com um funcionário do Conselho da Paz, chegou a 18 de junho ao quartel-general da Força Internacional de Estabilização, no sul de Israel. Em declarações à AFP, o funcionário confirmou a presença de pelo menos quatro oficiais marroquinos.

HÁ 1D MARGARIDA VIEIRA DOS SANTOS

Donald Trump afirma que inspectores da Agência Internacional de Energia Atómica vão ao Irão

Em declarações aos jornalistas em frente à Casa Branca, Donald Trump afirmou que os INSPECTORES DA AGÊNCIA INTERNACIONAL DE ENERGIA ATÓMICA (AIEA) VÃO AO IRÃO, acrescentando que “não há pressa”, escreve a Al Jazeera.

Em resposta a um jornalista que afirmou que Teerão alega que não há visitas da AIEA agendadas, o Presidente dos EUA disse que “ELES ESTÃO ERRADOS, SABEM QUE ESTÃO ERRADOS. DISSERAM-NOS ISSO INTERNAMENTE, E TEMOS 100% DE CERTEZA”.

AGÊNCIA LUSA

O grupo xiita Hezbollah exigiu hoje a retirada total de Israel do sul do Líbano, insistindo num calendário que permita que o exército libanês controle as posições actualmente ocupadas pelas forças israelitas.

“Temos agora um cessar-fogo… Israel não tem outra escolha senão retirar-se completamente de todo o território libanês”, afirmou o líder do grupo libanês aliado do Irão, Naim Qassem, durante uma cerimónia religiosa.

Há 1d

LARISSA FARIA

SEIS PESSOAS PRESAS POR DANOS AO ESPELHO DE ÁGUA DO LINCOLN MEMORIAL, EM WASHINGTON

O Presidente dos Estados Unidos afirmou que seis pessoas foram presas e outras sete estão a ser investigadas por alegados danos causados ao espelho de água do Lincoln Memorial, em Washington.

NUMA PUBLICAÇÃO NA SUA REDE SOCIAL TRUTH SOCIAL, DONALD TRUMP DISSE QUE FORAM FEITOS “INÚMEROS” CORTES COM UMA FACA OU LÂMINA “MUITO AFIADA” NUMA EXTENSÃO DE 107 METROS, PROVOCANDO AINDA BORDAS IRREGULARES NA ESTRUTURA E DANOS AO RELVADO.

“Foi um acto criminoso e intencional, e alguém teve que trabalhar muito, provavelmente na calada da noite, para criar tal situação”, disse Trump. As reparações definitivas devem ocorrer “imediatamente antes ou depois do feriado de 4 de julho”, ocasião das comemorações do 250º aniversário dos Estados Unidos.

Há 1d LARISSA FARIA

"UM DESASTRE", descreve embaixador israelita nos EUA sobre negociações com o Líbano

O DESEJO DO GOVERNO DE DONALD TRUMP DE INCLUIR O LÍBANO NAS NEGOCIAÇÕES DE PAZ ENTRE OS EUA E O IRÃO FOI CRITICADO PELO EMBAIXADOR ISRAELITA NAQUELE PAÍS NORTE-AMERICANO, SEGUNDO O THE TIMES OF ISRAEL.

“Estamos num desastre”, afirmou Yechiel Leiter. “Sentámo-nos na mesma carruagem e viajámos em direcção ao mesmo destino, com os Estados Unidos a servirem de locomotiva. O comboio seguia numa direcção muito clara: paz plena entre os países, o Irão e a sua influência maligna fora do Líbano, o desarmamento do Hezbollah, e paz e segurança para o Líbano e Israel. HOJE, ESTE COMBOIO CORRE O RISCO DE DESCARRILAR. ESPERO QUE CONSIGAMOS COLOCÁ-LO NOVAMENTE NOS CARRIS”, DISSE HOJE NA OCASIÃO DA QUINTA RODADA DE NEGOCIAÇÕES DIRECTAS DE CESSAR-FOGO ENTRE ISRAEL E LÍBANO REALIZADAS EM WASHINGTON COM MEDIAÇÃO DOS EUA.

HÁ 1D LARISSA FARIA

Mísseis balísticos do Irão não serão negociados. "Não confiamos nos Estados Unidos", diz Masoud Pezeshkian

O acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irão não vai incluir uma negociação sobre os mísseis balísticos do Irão, afirma o presidente iraniano.

NUM DISCURSO NA CAPITAL DO PAQUISTÃO, MASOUD PEZESHKIAN AFIRMOU QUE O IRÃO NÃO CONFIA NOS EUA, RECORDANDO OS DOIS ATAQUES NORTE-AMERICANOS EM MEIO ÀS NEGOCIAÇÕES.

“Nenhuma negociação ocorreu nem ocorrerá relativamente aos mísseis balísticos”, afirmou, mencionando o primeiro-ministro do Paquistão e o chefe do Exército pelos “grandes esforços nas negociações”, noticiou a Al Jazeera.

HÁ 1D LARISSA FARIA

11 MIL MARINHEIROS SERÃO RETIRADOS DE ORMUZ, afirma a Organização Marítima Internacional.

Mais de 11 mil marinheiros que ainda se encontram retidos no Estreito de Ormuz serão retirados da região, firma a Organização Marítima Internacional (IMO).

A operação de grande escala será realizada “EM ESTREITA COOPERAÇÃO COM OS ESTADOS UNIDOS, O IRÃO, OMÃ E TODOS OS OUTROS ESTADOS COSTEIROS DA REGIÃO E A INDÚSTRIA MARÍTIMA”, diz o comunicado assinado pelo secretário-geral da IMO, Arsenio Dominguez, que descreveu os últimos meses como um período de “PROVAÇÕES E ANGÚSTIA PARA MILHARES DE MARINHEIROS INOCENTES, E DE UM IMPACTO NEGATIVO PARA TODO O MUNDO”.

 

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Radicalismos

 

Perversos.

A ameaça do islamismo radical na Europa

Na Europa, à arrogância de recusar como possível tudo o que foge das nossas categorias intelectuais, segue-se a fraqueza de ser incapaz de combater uma das maiores ameaças.

João Marques de Almeida, Colunista do Observador

OBSERVADOR, 24 jun. 2026, 00:24

Após os ataques do 11 de Setembro de 2001, analisei a Al-Qaeda e percebi rapidamente que as ameaças terroristas aos Estados Unidos e à Europa tinham anos. Mas no ocidente ninguém levou a sério. A Al-Qaeda foi desvalorizada como “um grupo de fanáticos medievais.”

Em 2022, depois da agressão militar da Rússia, também se observou rapidamente que Putin havia defendido durante anos a conquista da Ucrânia. Foi igualmente desvalorizado como defendendo “ideias bélicas do século XIX” que não se aplicavam à “Europa do século XXI.

Estes dois exemplos mostram uma arrogância extrema por parte dos europeus: os não-ocidentais que não pensam como nós, não são levados a sério. Muitos europeus têm a mesma atitude perante o islamismo radical, que cresce na Europa a uma velocidade impressionante.

Existem muitos estudos e relatórios de governos europeus sobre o crescimento e a ameaça do islamismo radical, há livros publicados sobre o assunto, mas mesmo assim o tema tornou-se um tabu na maioria das discussões na Europa. Devíamos levá-lo muito a sério. O objectivo final do islamismo radical na Europa é converter os países europeus ao islamismo. Já sei que muitos leitores estão a reagir como se reagiu à Al Qaeda ou às ameaças de Putin. Mas não sou eu que o escrevo. São os líderes do islamismo radical na Europa, e em particular da Irmandade Muçulmana.

Observo bem o que se passa no Reino Unido. Há uma estratégia clara para radicalizar imigrantes muçulmanos, especialmente de segunda geração. Esses esforços começaram com a ida de Imãs radicais para as mesquitas britânicas. A maioria desses Imãs foi expulsa do Egipto, da Arábia Saudita e do Paquistão. Ou seja, países muçulmanos expulsaram líderes religiosos para defender as suas populações do radicalismo islâmico, os quais vieram promover as mesmas ideias para o Reino Unido e outros países europeus. Mas os governos britânicos permitiram a radicalização de muitos jovens muçulmanos no Reino Unido. Muitas mesquitas continuam a ser centros de radicalização islâmica.

Simultaneamente, em nome da defesa contra o racismo e contra a Islamofobia, tornou-se proibido defender certas posições contra o islamismo radical no Reino Unido (não deixa de ser irónico, dado o profundo racismo dos islâmicos radicais). Hoje, a liberdade de expressão está sob ameaça no Reino Unido. Pior, os oficiais da polícia britânica vivem em pânico de serem acusados de racistas, e deixaram de garantir a segurança dos britânicos em muitas localidades do país. Hoje, a polícia britânica tem instruções para dar mais importância a discursos de Islamofobia do que a perseguir crimes cometidos por islâmicos radicais.

A estratégia de radicalização de populações muçulmanas é bem pensada, executada e financiada de fora do Reino Unido. Há três fontes principais de financiamento: a Irmandade Muçulmana, muitas vezes através da Turquia, o Paquistão e o Irão. As autoridades britânicas, para evitar confrontos diplomáticos, pouco fazem para travar estes financiamentos.

O sucesso da radicalização islâmica no Reino Unido já tem implicações políticas. No poder local, há municípios onde os radicais islâmicos fazem parte das maiorias políticas, com consequências graves para a educação, a segurança e a igualdade de géneros (por exemplo, nas escolas). Aliás, os locais que mais praticam a discriminação entre homens e mulheres no Reino Unido são as mesquitas e os centros islâmicos. Os trabalhistas e os verdes sabem muito bem disso, mas nada dizem, e atacam quem o diz. É assim que a liberdade política começa a morrer.

A política externa britânica no Médio Oriente, particularmente em relação a Israel e ao Irão, também já está altamente condicionada pela presença de islamistas radicais no seu território.

Há um ponto central: não se pode confundir islamismo radical com o Islão ou a religião muçulmana. Aliás, os muçulmanos são as primeiras vítimas da radicalização islâmica. Ouçam os depoimentos de raparigas britânicas muçulmanas que se revoltaram contra os casamentos forçados pelas suas famílias. Do mesmo modo, os responsáveis políticos de muitos países árabes afirmam claramente que o islamismo radical deve ser combatido e que hoje é um problema maior na Europa. Por exemplo, os Emirados Árabes Unidos deixaram de dar bolsas para estudar nas universidades britânicas para os seus jovens não regressarem ao país radicalizados. Para combater o islamismo radical, os países europeus devem cooperar com países árabes e muçulmanos.

Na Europa, à arrogância de recusar como possível tudo o que foge das nossas categorias intelectuais, segue-se a fraqueza de ser incapaz de combater uma das maiores ameaças aos valores, à liberdade, à segurança e até à democracia na Europa. O islamismo radical é o terceiro grande movimento totalitário que a Europa livre enfrenta, depois do comunismo soviético e do nazismo.