O espaço cultural do nosso País, ampliando-o, também de acordo com as necessidades e urgências próprias de cada região.
Câmara de Castanheira de Pera diz que políticas têm de
mudar para territórios com pouca população
Autarca defende a
descentralização do conhecimento para desenvolver o interior e rejeita a
aplicação uniforme das políticas públicas, que afirma não terem em conta as
especificidades de cada região.
Agência Lusa - Texto
OBSERVADOR, 14 set. 2026, 16:59
Os territórios de baixa
densidade não precisam de privilégios, precisam de políticas inteligentes e
diferenciadoras ", defendeu António Rodrigues, presidente da Câmara
Municipal de Castanheira de Pera.
▲"Os
territórios de baixa densidade não precisam de privilégios,
precisam de políticas inteligentes e
diferenciadoras", defendeu António
Rodrigues, presidente da Câmara Municipal
de Castanheira de Pera.
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
As mais lidas:
Médico condenado a
devolver meio milhão ao Estado
Camionista português
desaparecido há 11 dias em Espanha.
Reportadas novas
explosões na ilha iraniana de Qeshm
Filhos de Harry e Meghan
mudam de escola devido ao trânsito
O presidente da Câmara de Castanheira de Pera defendeu
esta segunda-feira que as políticas públicas têm de mudar para territórios com
pouca população e alertou que tratar de forma igual o que é diferente perpetua
desigualdades.
“Castanheira de Pera é um
concelho de baixa densidade demográfica [o de menor população e dimensão do
distrito de Leiria], temos uma realidade diferente daquela que existe nos
grandes centros urbanos”, com desafios, limitações, necessidades e
potencialidades próprias, afirmou António Henriques, na inauguração das obras de
requalificação da Escola Básica 2,3 Dr. issaya Barreto.
António Henriques destacou que “ser um território de baixa densidade
não pode significar ter uma baixa densidade de oportunidades” e,
dirigindo-se ao ministro da Educação, Fernando Alexandre, presente
na cerimónia, destacou que é aqui que “as políticas públicas têm de mudar e
fazer a diferença efectiva”, pois “tratar de forma igual aquilo que é diferente não
significa criar igualdade”, mas “perpetuar as desigualdades”.
“Os territórios de baixa densidade não
precisam de privilégios, precisam de políticas inteligentes e diferenciadoras”, que “o Estado compreenda as suas
especificidades”, de “serviços públicos de qualidade”, de investimento, de “condições para atrair pessoas,
empresas e talento, e, sobretudo, precisam de oportunidades”,
considerou.
A este propósito, o presidente
do município disse ser fundamental que se continue a debater a descentralização,
porque “não
basta descentralizar competências administrativas”, mas antes “descentralizar o conhecimento”.
“Por isso, se queremos verdadeiramente
desenvolver o interior, temos de garantir que o conhecimento também chega a
estes territórios”, declarou, adiantando que o município definiu
como objectivo, no
próximo ano lectivo, ter “um pólo do ensino tecnológico e profissional”, para
dar resposta às empresas.
Considerando ser “particularmente importante o caminho
que está a ser feito” com a recente criação da Universidade de Leiria e Oeste (ULO),
o autarca assinalou que representa uma visão diferente do território, em
que “não há uma
única medida que, por si só, resolva os problemas demográficos destes
territórios”.
“Mas, para que funcione, é necessário ter a coragem de
descentralizar o conhecimento e trazê-lo, por exemplo, para Castanheira de
Pera”, com benefícios também para os outros concelhos do norte do distrito.
Ao primeiro reitor da ULO, Carlos Rabadão, também presente, António Henriques sugeriu “aprofundar
este caminho”.
O presidente da Câmara de
Castanheira de Pera salientou ainda que “as políticas educativas têm de estar articuladas” com
as políticas de habitação, emprego, saúde, mobilidade, apoio às famílias e
desenvolvimento económico, sustentando que “não há uma única medida que, por si
só, resolva os problemas demográficos destes territórios”.
Já a directora do agrupamento de
escolas, Inês Alexandre, lembrou ao ministro que é necessário “garantir professores para todas as
disciplinas” e estabilidade, defendendo ainda que os pequenos agrupamentos de
escolas precisam de “políticas que reconheçam a sua especificidade” e
“valorizem aquilo que fazem”.
O ministro da Educação, Ciência e Inovação
adiantou que a sua presença esta segunda-feira em Castanheira de Pera, depois de
ter estado no concelho de Arganil (Coimbra) e na terça-feira
deslocar-se a Porto de Mós (Leiria), visou “marcar o início do ano lectivo
e também para mostrar a atenção” que o Governo dá a todo o território nacional.
“Optei por estar na Região Centro (…) precisamente para dar
esse sinal de que o Governo está atento a todos os territórios, porque o nosso
lema é, precisamente, garantir a igualdade de oportunidades em todo o território
nacional no acesso a um ensino de qualidade”, garantiu Fernando Alexandre,
admitindo que este
“é um exercício muito difícil”, mas é algo para o qual se tem de estar sempre a
caminhar de forma planeada, consistente e sustentada.
A requalificação da escola, com cerca de 110 alunos,
foi um investimento de cerca de 3,7 milhões de euros, financiada pelo Plano de
Recuperação e Resiliência.
País Sociedade Leiria População Mundo