terça-feira, 7 de abril de 2026

Manda quem sabe


Paga quem devia saber.


Mensagens no Telegram, pessoas "descartáveis" e actos de vandalismo. A nova espionagem russa para minar o apoio à Ucrânia

O Kremlin não usa espiões, mas "agentes descartáveis" que fazem actos de vandalismo, sabotagem e propaganda a troco de dinheiro. A Europa ainda está a aprender a responder a esta mudança.

TEXTO

INÊS CORREIA: ILUSTRAÇÃO

 

OBSERVADOR, 04 abr. 2026, 23:37

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ÍNDICE

A espionagem como um “serviço” contratado a grupos economicamente vulneráveis

Um método mais económico, fácil de substituir e difícil de rastrear

Minar o apoio à Ucrânia, semear ansiedade e mostrar impunidade. Os objectivos de Moscovo

A necessidade de uma resposta unida, de acção digital e políticas de integração

Não te esqueças da pátria. E partilha mais informação”. “Estamos à procura de camaradas que peguem fogo à loja de imigrantes negros”. As mensagens chegam através do Telegram, tanto em conversas privadas como em grupos, e são enviadas por agentes dos serviços secretos russos. Mas a Guerra Fria acabou, o KGB já não existe e a espionagem russa mudou de rosto — e de métodos. Em 2026, os espiões de Moscovo são agora pessoas comuns contratadas para uma só acção. São “agentes descartáveis”.

É através da internet que o Serviço de Segurança Federal (FSB, na sigla em russo) e a Direcção do Estado-Maior das Forças Armadas (GRU, na sigla em russo) recrutam pessoas comuns na Europa, em mensagens que começam de forma “inocente” e evoluem para pedidos para que partilhem informações ou cometam actos de vandalismo, a troco de dinheiro. Face a esta realidade, as autoridades alemãs lançavam, no ano passado, um aviso: “Não responda a estas tentativas de recrutamento!”

A estratégia começou a ser implementada em 2018, depois de Sergei Skripal (antigo agente secreto russo que tinha trabalho como agente duplo para o Reino Unido) e a filha terem sido envenenados com Novichok, mas tornou-se muito mais evidente a partir de 2022, depois da invasão da Ucrânia. Os dois momentos levaram as nações ocidentais, principalmente na Europa, a expulsar centenas de diplomatas. Sem redes de recolha de informação no terreno, a Rússia desenvolveu novos métodos, exequíveis à distância.

"É um jogo a longo prazo, que não é só sobre resultados imediatos, como a disrupção da logística, também é sobre a opinião pública." Andrei Soldatov, jornalista russo no exílio e especialista nos serviços de segurança russos

ÍNDICE

A espionagem como um “serviço” contratado a grupos economicamente vulneráveis

Um método mais económico, fácil de substituir e difícil de rastrear

Minar o apoio à Ucrânia, semear ansiedade e mostrar impunidade. Os objectivos de Moscovo

A necessidade de uma resposta unida, de acção digital e políticas de integração

A mudança para um modelo de espionagem assente na gig-economy foi principalmente uma adaptação forçada e não uma escolha estratégica preferível”, aponta CHARLIE EDWARDS, analista de estratégia e segurança nacional no Instituto Internacional para Estudos Estratégicos (IISS na sigla original), ao Observador.

Porém, a mudança de estratégia não tornou a espionagem russa menos eficaz na Europa.

Nos últimos quatro anos, repetiram-se casos de sabotagem e interferêncianum dos casos recentes mais mediáticos, três linhas de caminho-de-ferro francesas foram danificadas no dia em que começaram os Jogos Olímpicos de Paris, em 2024 que, pela sua própria natureza, impedem a responsabilização da Rússia, apesar das suspeitas nesse sentidoe que, apontam os especialistas, podem prejudicar o apoio europeu à Ucrânia. “É um jogo a longo prazo, que não é só sobre resultados imediatos, como a disrupção da logística, é também sobre a opinião pública”, sintetiza Andrei Soldatov, jornalista russo no exílio e especialista nos serviços de segurança russos, ao Observador.

A espionagem como um “serviço” contratado a grupos economicamente vulneráveis

O alerta para não esquecer a pátria e continuar a partilhar informaçãofoi enviado, em 2023, a um estudante de 21 anos de Moscovo por um agente do FSB com quem falava há mais de um ano, numa troca de mensagens agora revelada pelo Politico. O jovem foi chantageado pelo FSB para colaborar com eles depois de ter sido detido pelos agentes e pressionado, ao longo de vários meses, para se aproximar de um grupo de activistas, o Vesna, para recolher informações sobre o seu líder. Os dois agentes com quem contactava utilizavam uma estratégia de polícia bom, polícia mau”, em que um agente se revelava mais agressivo e o outro apaziguador e encorajador.

O caso noticiado pelo Politico é um exemplo do tipo de alvos escolhidos pelas secretas russas, que são definidos pelos especialistas como “alvos fáceis”: jovens, imigrantes, pequenos criminosos ou pessoas “economicamente vulneráveis, como define Charlie Edwards. A este perfil, podem somar-se ainda motivações ideológicas, como uma inclinação pró-Rússia ou anti-Ucrânia. Circunstâncias económicas precárias mais um alinhamento ideológico é basicamente o pacote ideal”, resumiu Hans Jakob Schindler, responsável do Projecto Contra Extremismo, à Euronews.

 A maior parte do recrutamento é feito em grupos e chats online SOPA Images/LightRocket via Gett

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A espionagem como um “serviço” contratado a grupos economicamente vulneráveis

Um método mais económico, fácil de substituir e difícil de rastrear

Minar o apoio à Ucrânia, semear ansiedade e mostrar impunidade. Os objectivos de Moscovo

A necessidade de uma resposta unida, de acção digital e políticas de integração

Por outro lado, a forma como este jovem foi contactado pelo FSB não foi a mais comum. Normalmente, os alvos são contactados através de mensagens colocadas em grupos, onde imigrantes procuram trabalhos pontuais ou onde se reúnem pessoas com ideologias semelhantes — como é caso do anteriormente referido pedido para “um camarada que pegue fogo”, enviado num grupo de pessoas defensoras da supremacia branca. Noutros casos, as mensagens são colocadas como ofertas de trabalhos e só depois revelado que os trabalhos são, na verdade, crimes.

Este modelo trata a espionagem não como uma carreira (como acontecia com o KGB), mas como um serviço que pode ser efectuado de forma pontual, a troco de dinheiro — integrado no conceito de uma “gig economy“, ou seja, uma economia baseada em pequenas tarefas. E as tarefas que estes “agentes” podem efectuar são muito variadas. No caso noticiado pelo Politico, o trabalho do jovem estudante era aproximar-se de opositores políticos do Kremlin e recolher informações sobre eles.

Os incêndios também são actos de sabotagem comuns e podem visar negócios de minorias ou ter uma escala maior, como uma loja do IKEA na Lituânia em 2024, ou um centro comercial na Polónia, que ficou completamente destruído. Os “agentes” podem ainda ser incumbidos de distribuir propaganda ou realizar actos de vandalismo. Todos os pagamentos são feitos através de criptomoeda, com preços que podem ir dos cinco euros (para colocar um cartaz de propaganda) aos 400 (para instalar uma câmara), segundo uma investigação do jornal The Guardian.

Contudo, Charlie Edwards elenca alguns actos de vandalismo que podem ter um efeito muito mais directo no apoio europeu ao esforço de guerra ucraniano: pegar fogo a uma empresa de armamento na Alemanha, danificar linhas de comboios na Polónia, onde circula este armamento, ou bloquear sinais de GPS que impedem a circulação de aviões. Os efeitos destas ações são semelhantes, aponta, aos dos navios da “frota fantasma” russa, utilizados para danificar oleodutos e cabos de comunicação na superfície marítima.

"Uma grande vulnerabilidade [da Europa] é que os sistemas legais europeus foram desenhados para tempos de paz e muitas vezes tratam estes ataques híbridos como crimes domésticos isolados ou vandalismo, em vez de os tratarem como guerra coordenada e dirigida por um Estado." CHARLIE EDWARDS, analista de estratégia e segurança nacional no Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS)

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A espionagem como um “serviço” contratado a grupos economicamente vulneráveis

Um método mais económico, fácil de substituir e difícil de rastrear

Minar o apoio à Ucrânia, semear ansiedade e mostrar impunidade. Os objectivos de Moscovo

A necessidade de uma resposta unida, de acção digital e políticas de integração

Um método mais económico, fácil de substituir e difícil de rastrear

A mensagem que procurava alguém disponível para provocar um incêndio numa loja foi lida por Serhiy S, um refugiado ucraniano de 49 anos, que acabou por ser detido na Polónia antes de ter cometido o crime, quando ia a caminho da Alemanha, descreveu o The Guardian. Acabou julgado em fevereiro do ano passado e foi condenado a oito anos de prisão. Da parte da Rússia, nunca houve qualquer esforço para defender Serhiy ou as dezenas de outras pessoas que, ao longo dos últimos anos, foram detidas e julgadas por acusações semelhantes.

A apatia russa tem duas explicações evidentes. Por um lado, é muito fácil substituir um “operacional” como Serhiy. “Põe-se uma pessoa na prisão e outra aparece no seu lugar. Estas pessoas são descartáveis e Moscovo não quer saber delas“, afirmou um responsável de segurança europeu ao jornal britânico. Mas a facilidade com que a Rússia consegue substituir estas pessoas não se explica apenas com as características do recrutamento online. Ao Observador, Andrei Soldatov destaca como “para este tipo de operações [de sabotagem] pessoas recrutadas de forma pontual são mais adequadas, pelo que esta opção é mais económica”.

Por outro lado, torna-se muito mais difícil responsabilizar a Rússia por acções isoladas quando a única ligação entre os detidos e os agentes secretos são mensagens no Telegram. Numa primeira instância, os ataques podem nem ser imediatamente associados à Rússia — afinal, casos de vandalismo ou sabotagem ocorrem muitas vezes fora de contextos de guerra e a associação a um conflito militar entre a Rússia e a Ucrânia pode não ser imediata. Mas mesmo quando a frequência dos ataques aponta para uma guerra híbrida de Moscovo, a acção judicial é difícil.

Uma grande vulnerabilidade [da Europa] é que os sistemas legais europeus foram desenhados para tempos de paz e muitas vezes tratam estes ataques híbridos como crimes domésticos isolados ou vandalismo, em vez de os tratarem como guerra coordenada e dirigida por um Estado”, argumenta Charlie Edwards, que ressalva ainda que cada país utiliza uma definição legal diferente de sabotagem, o que dificulta ainda mais as respostas coordenadas além fronteiras e a “utilização de ferramentas de financiamento para conta-terrorismo”.

 Para os responsáveis europeus, o combate à espionagem "clássica" era mais fácil

https://www.nytimes.com/2018/11/12/opinion/russia-meddling-disinformation-fake-news-elections.html

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A espionagem como um “serviço” contratado a grupos economicamente vulneráveis

Um método mais económico, fácil de substituir e difícil de rastrear

Minar o apoio à Ucrânia, semear ansiedade e mostrar impunidade. Os objetivos de Moscovo

A necessidade de uma resposta unida, de ação digital e políticas de integração

Já Andrei Soldatov considera que as dificuldades europeias também advêm do facto de esta ser a primeira vez que a Rússia utiliza a guerra híbrida contra a Europa em larga escala, pelo que o continente foi apanhado desprevenido. “Isto não existia durante a Guerra Fria, o KGB tinha a opção de sabotagem ao seu dispor, mas nunca a utilizou na Europa”, afirma. Na comparação entre as duas estratégias, um responsável europeu ouvido pelo The Guardian é conclusivo:É mais fácil lidar com espiões sob disfarces diplomáticos ou até [infiltrados] ilegais”.

Minar o apoio à Ucrânia, semear ansiedade e mostrar impunidade. Os objectivos de Moscovo

Em janeiro de 1963, o KGB partilhou com os seus parceiros na Checoslováquia a doutrina que define os três principais objectivos de operações de sabotagem. Num memorando do ano seguinte, a agência soviética apelava a que nenhum plano ou estratégia fosse posto no papel, por questões de segurança, mas os agentes checoslovacos não seguiram esta directiva e mantiverem todas as anotações sobre esta doutrina, o que serviu de base à análise de Daniela Richterova, professora do Departamento de Estudos de Guerra da King’s College, em Londres.

Os três objectivos incluíam explorar e aprofundar tensões já existentes dentro da NATO, danificar a capacidade económica e financeira e minar a unidade dentro do bloco de influência norte-americano. Mais de 60 anos depois, as estratégias podem já não ser as mesmas, mas Charlie Edwards salienta objectivos muito semelhantes na acção actual da Rússia.

“A campanha de espionagem e sabotagem está desenhada para impor custos económicos, sociais e psicológicos severos à Europa, para esgotar a vontade política de apoiar a Ucrânia”, destaca o especialista. Em alguns dos exemplos já mencionados, os custos são claros: quando se pega fogo a uma fábrica, isso atrasa a produção de armamento; quando se destrói um carril, esse armamento atrasa-se a chegar à Ucrânia; quando se interfere no GPS, perturbam-se as comunicações entre Kiev e os aliados. Mas estas consequências não são visíveis no caso de um incêndio no IKEA, por exemplo.

 O ataque a fábricas e transportes europeus afecta directamente o apoio à Ucrânia

MARTIN DIVISEK/EPA

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A espionagem como um “serviço” contratado a grupos economicamente vulneráveis

Um método mais económico, fácil de substituir e difícil de rastrear

Minar o apoio à Ucrânia, semear ansiedade e mostrar impunidade. Os objectivos de Moscovo

A necessidade de uma resposta unida, de acção digital e políticas de integração

Em todos os casos, há um outro objectivo, mais indirecto: o de semear o caos na Europa. Estes incidentes “interrompem a vida quotidiana e semeiam a ansiedade pública”, pondera o analista do IISS. Este sentimento de ansiedade é alimentado pela insegurança directamente causada pela sucessão de incidentes, mas também pelo facto de os crimes serem cometidos por uma enorme rede de “agentes”, criando uma desconfiança entre a população sobre quem pode ou não fazer parte destes grupos.

Em terceiro lugar, as acções da Rússia contra a Europa mostram ainda que, apesar das sanções e barreiras políticas à acção no continente, Moscovo continua a agir contra os 27. A intenção não é apenas neutralizar alvos individuais, mas assinalar a Bruxelas e às capitais europeias o seu alcance e impunidade”, ressalva um relatório de análise à guerra híbrida russa, publicado esta semana pelo Center for European Policy Analysis (CEPA).

A necessidade de uma resposta unida, de acção digital e políticas de integração

O dia 24 de fevereiro de 2022 marcou um ponto de viragem para a União Europeia (UE). Com a guerra às portas do bloco pela primeira vez em mais de duas décadas, Bruxelas foi confrontada com as suas limitações e começou a apostar, de forma inédita e acelerada, na defesa e na segurança. Porém, se esta limitação revelava uma falta de preparação, a incapacidade para lidar com a guerra híbrida revela antes uma falta de experiência com esta realidade.

Tendo isto em conta, os especialistas argumentam que a Europa “ainda está a aprender” a fazer frente aos novos espiões russos, mas já foram feitos alguns progressos. Entre estes, Charlie Edwards salienta, na esfera legal, a Lei de Segurança Nacional do Reino Unido, de 2023, que endureceu as penas para uma condenação por colaboração com serviços secretos estrangeiros, aproximando-a da pena por terrorismo. E, na esfera militar, o lançamento da operação “Sentinela do Báltico”, para proteger os cabos submarinos na região.

"Querem que [os russos] se integrem porque isso é a melhor vacina contra actividades ilegais." Kirill Shamiev, analista do European Council on Foreign Relations e responsável por um estudo sobre imigrantes russos na Europa

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A espionagem como um “serviço” contratado a grupos economicamente vulneráveis

Um método mais económico, fácil de substituir e difícil de rastrear

Minar o apoio à Ucrânia, semear ansiedade e mostrar impunidade. Os objectivos de Moscovo

A necessidade de uma resposta unida, de acção digital e políticas de integração

Contudo, os especialistas destacam duas vulnerabilidades na abordagem europeia. Por um lado, a resposta continua a ser desconjuntada, fragmentada entre os 27 e os seus aliados. Tal como em muitas outras áreas de acção, uma resposta conjunta seria mais eficaz. Por outro lado, além de olhar para a esfera militar e legal, a acção europeia devia ir à raiz do problema e olhar para o processo de recrutamento. Christopher Nehring, analista do Cyberintelligence Institute, acusa, num artigo de análise, a campanha alemã do ano passado, promovida no site das autoridades e em cartazes, de ser insuficiente e “não chegar ao público alvo“.

Dando o exemplo da abordagem ucranianaNehring sugere que as autoridades europeias deviam criar campanhas de sensibilização directamente nas redes sociais, em escolas e universidades, e, em geral, onde se encontram os alvos do recrutamento russo. O especialista argumenta ainda que a UE deveria agir com perfis falsos e chatbots de Inteligência Artificial para criar falsos processos de recrutamento que mantenham os agentes russos ocupados.

Kirill Shamiev, analista do European Council on Foreign Relations e responsável por um estudo sobre imigrantes russos na Europa, propõe, em declarações ao Politico, uma terceira possibilidade: a aposta na integração destes imigrantes, que são muitas vezes visados como recrutas, afastando-os da instabilidade financeira e da alienação que faz deles alvos fáceis.Querem que [os russos] se integrem porque isso é a melhor vacina contra actividades ilegais”, aponta.

 

Ou seja


Para o Bem Comum. O Dr. Salles não “perde pitada” a respeito das políticas – actuais, com assento nas antigas – que as chefias do país vão desenvolvendo, assentes nos princípios do “venha a nós”, não direi o “VOSSO” – do CÉU - mas o “NOSSO REINO”  - da TERRA, menos espiritual e mais físico, a que se aspira. Eu própria não se me dava, mas mais não digo, que o comedimento também faz parte da doutrina… nestas coisas da revelação.

 

PARA O BEM DA NAÇÃO

 

abril  06, 2026

Uma vez confirmada a pseudo-viuvez das amas do Cardeal-Rei, reuniram em Almeirim as Cortes ainda convocadas pela defunta Majestade.  Ali acorreram os representantes da Nobreza e do Clero que votaram a favor de Filipe II de Espanha para novo Rei de Portugal; os representantes do Povo reuniram em Santarém e votaram contra a união ibérica.

Ficou célebre a frase de Filipe II de Espanha sobre o Reino de Portugal: «Lo heredé, lo compré y lo pagué!» - evidente confissão de corrupção activa. A outra face da mesma moeda foi a ainda mais vergonhosa corrupção passiva dos titulares (não confundir com nobres) e clericais sedentos de prebendas desprendidas de lealdades terrenas; e quanto ao Povo ... que se encomendasse aos Poderes Divinos.

* * * 

SINES – 2026

O Governo Português concedeu-se (a si próprio) o prazo de um ano para autorizar (ou não) a espanholização da única refinaria existente em Portugal.

A ideia arrasta consigo a rede de postos de abastecimento em todo o território nacional. Os espanhóis passam/passariam a deter 80% do poder de decisão (em Madrid) na refinaria e nos postos de abastecimento; a troco, os portugueses passam/passariam a representar 20% de uma refinaria espanhola bem como da correspondente rede de postos de abastecimento naquele País.

Daqui resulta/resultaria que as Forças Armadas e de Segurança portuguesas passam/passariam a ser abastecidas por quem eventualmente entre em conflito com os interesses da Soberania Nacional Portuguesa. Acontecerá certamente que a parte espanhola pressionará um «imprescindível» reforço do Capital que a parte portuguesa não conseguirá acompanhar por ter ficado sem os habituais fluxos de tesouraria do cenário anterior. E, deste modo, os interesses portugueses desaparecem da linha estratégica da nova entidade.

Os eufenistas chamam a esta operação de «parceria estratégica», mas ela consubstanciará uma absorção.

* * *

LISBOA – 2026 E MAIS ALÉM …

Admitindo o direito de veto do Governo Português sobre a operação acima descrita, restam duas hipóteses:

1ª-O Governo Português veta a operação - será oportuno que o Estado Português reforce a sua posição no Capital da petrolífera nacional a fim de dificultar/impedir novas estratégias de algum estrangeirado;

 -O Governo Português autoriza a operaçãopara impedir prejuízos maiores da Soberania Nacional há que criar uma alternativa à petrolífera actual, o que facilmente se enquadra nos 3,5% do PIB destinado a Defesa.

* * *

Os 5% do PIB destinados à Defesa são, como é sabido, divisíveis em 3,5% directamente relacionados com a defesa e 1,5% de utilização dual militar e civil. Sobre ambos tratarei em texto separado.

Abril de 2026

HENRIQUE SALLES DA FONSECA

 

COMENTÁRIOS

Anónimo, 6 de abril de 2026 às 18:47: Muito bem visto! A solução, a meu ver, é a de vetar!

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ABRINDO A PORTA...

fevereiro 02, 2026

Ao estilo de Declaração de Princípios, esta é a casa do       … humanismo no sentido inequívoco do antropocentrismo em que o Estado serve o cidadão, por ultrapassagem do teocentrismo medieval e em oposição a todos os sistemas que obriguem a pessoa servir o Estado      … da Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU 1948) e contra tudo que a contrarie;      … da sistemática busca da harmonização de interesses nem sempre concomitantes, por oposição a perturbadora luta de classes;      … da liberdade de pensamento e respectiva expressão;      …do pluripartidarismo que, abrindo alternativas de doutrina e estratégia, permite ao eleitorado (o verdadeiro «dono» do poder) a opção perene ou flutuante entre doutrinas e circunstâncias;      … da definição doutrinária do bem-comum, na esperança vinculada de que propostas disruptivas da harmonia e da liberdade como conceitos unicitários chumbem nas urnas...

DO BEM-COMUM

fevereiro 04, 2026

O conceito de bem-comum tem tudo a ver com harmonia social, com solidariedade e com o Estado de Direito. Com respeito pelas minorias, o bem-comum assenta na vontade da maioria. O bem-comum é antónimo de luta de classes, de privilégios classistas e de revolução. Dá para crer que os movimentos disruptivos nascem e medram a partir da desconfiança sob a profusão de compadrios, mas também podem resultar da inveja. Contudo, seja qual for a causa e seja qual for a consequência, tudo isso é contrário ao bem-comum. O Ocidente tem que ser transparente e, portanto, defensor do seu homónimo, o bem-comum. Mas… … se o secretismo referendário é o garante da transparência eleitoral, já na gestão corrente da «coisa» pública a transparência é garantida pela difusão da informação assim impedindo ilegitimidades e compadrio. No cenário actual, o Ocidente é a Europa e pouco mais. O Ocidente, sede do bem-comum democrático, já é só quase a Europa. A ver se asseguramos pelas pontas…e nó...

 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Contingências

 

Próprias dos tempos, dos homens e suas convicções ou autoridade. Que não excluem o patriotismo – o ucraniano, está visto, no caso presente. Mesmo tendo em conta uma tão grande extensão russa, que dá azo a tanto domínio autoritário. Mas aguardamos o retorno da paz e da amizade - apesar da tal extensão e prepotência soviéticas, impondo comedimento nessas questões dos espaços alheios, que entendem controlar. Abusivamente, é o que parece.

 

Rússia sem ganhos territoriais na Ucrânia em março pela primeira vez desde 2023 — e lança recorde de drones

Em março, o exército russo não avançou na Ucrânia e chegou a perder 9 km². No mesmo mês, lançou um recorde de 6.462 drones desde o início da guerra, em 2022.

AGÊNCIA LUSA: Texto

OBSERVADOR, 02 abr. 2026, 21:23

O exército russo não registou quaisquer ganhos territoriais na Ucrânia em março, uma situação inédita desde setembro de 2023, segundo dados recolhidos pela organização não-governamental (ONG) Instituto para o Estudo da Guerra (ISW). De acordo com os dados da ONG sediada em Washington e analisados pela agência de notícias France-Presse (AFP)em alguns pontos as Forças Armadas russas recuaram perante as forças de Kiev.

De forma geral, o exército russo tem abrandado desde o final de 2025, devido às contra-ofensivas no sudeste do país, com um avanço de 123 quilómetros quadrados (km²) em fevereiro, o que já constituía o menor avanço desde abril de 2024. Em toda a frente de batalha, em março, as forças ucranianas chegaram mesmo a recuperar nove km².

Este número exclui as operações de infiltração realizadas pelas forças russas para além da linha da frente, bem como os avanços reivindicados pelo lado russo, mas que não foram confirmados nem desmentidos pelo ISW, que trabalha com o Critical Threats Project (uma ramificação do American Enterprise Institute ou AEI), outro centro de reflexão norte-americano especializado no estudo de conflitos.

O ISW atribui este abrandamento do exército russo nos últimos meses às contra-ofensivas ucranianas, mas também à “proibição imposta à Rússia de utilizar os terminais Starlink na Ucrânia” e aos “esforços do Kremlin (presidência russa) para restringir o acesso ao Telegram”.

Esta aplicação de mensagens, muito popular na Rússia, inclusive na linha da frente, tem sido praticamente inutilizável nos últimos meses devido a bloqueios por parte das autoridades, enquanto Moscovo incentiva activamente os seus cidadãos a optar pela plataforma Max, que o Governo russo promove como uma “aplicação de mensagens nacional”.

Tal como em fevereiro, a Rússia perdeu terreno na parte sul da linha da frente, entre as regiões de Donetsk e Dnipropetrovsk.

Nesta zona, a Rússia tinha entrado pela primeira vez em junho de 2025 e ocupava mais de 400 km² no final de janeiro. Este domínio reduziu-se para 200 km² em fevereiro e, posteriormente, para 144 km² em março.

Por outro lado, a situação é desfavorável a Kiev mais a norte, na região de Donetsk, na direcção das duas grandes cidades regionais de Kramatorsk e Sloviansk. A leste de Sloviansk, as tropas russas avançaram cerca de 50 km² num mês.

Ao longo de todo o quarto ano de conflito, em 2025, o exército russo avançou mais do que nos 24 meses anteriores. No entanto, a dinâmica está a inverter-se: nos primeiros três meses de 2026, os ganhos territoriais russos são duas vezes menores do que em 2025, no mesmo período.

Quatro anos após o início da invasão russa da Ucrânia, Moscovo ocupa pouco mais de 19% do território, a maior parte conquistada durante as primeiras semanas do conflito.

Cerca de 7%, incluindo a Crimeia e zonas da bacia industrial do Donbass, já se encontravam sob controlo russo ou de separatistas pró-russos antes da invasão de fevereiro de 2022.

Ainda assim, a Rússia visou a Ucrânia em março com um número recorde de drones desde o início da guerra, em 2022, de acordo com uma análise de dados ucranianos realizada também hoje pela agência de notícias AFP.

As forças russas lançaram 6.462 drones, um número que inclui um ataque sem precedentes em 24 de março, com perto de 1.000 drones disparados em 24 horas, indicam os dados fornecidos diariamente pela Força Aérea ucraniana.

Em contrapartida, o número de mísseis lançados contra a Ucrânia em março diminuiu em relação a fevereiro, passando de 288 para 138, referiu a agência de notícias francesa.

As baixas civis não foram evitadas apesar de o exército ucraniano ter interceptado, em março, 90% dos drones e mísseis. No ataque de 24 de março, dos quase 1.000 drones lançados em 24 horas, 556 foram disparados durante o dia, causando oito mortos e dezenas de feridos.

Uma nova ofensiva de grande escala ocorreu na quarta-feira, com 700 drones lançados em 24 horas, mais de 360 durante o dia.

A ofensiva ocorreu um dia após a Rússia ter rejeitado uma proposta de trégua para a Páscoa formulada pelo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.