Para estes tempos intranquilos.
Vivem em piscinas e lagos, são extremamente letais e
já foram detectadas em Portugal. O que são as amebas, que fizeram duas vítimas
nos EUA?
Quando inaladas, as
amebas podem causar formas graves de meningite. Os casos são raros mas, na
grande maioria dos casos, fatais. Em Portugal, há registo de um caso na região
Norte em 2006.
TIAGO
CAEIRO: TEXTO
OBSERVADOR,5
set. 2026, 15:11
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Fortes dores de cabeça, sem
explicação aparente, levaram, no final de agosto, o jovem Moises Ponce Mendoza
a um hospital em Burlington, na Carolina do Norte. Os médicos descansaram a
família e rapidamente deram alta ao jovem. Horas depois, Moises estava de volta
a uma unidade hospitalar com um quadro geral muito pior e sintomas mais graves.
O
diagnóstico? Uma infeção por naegleria fowleri, uma ameba rara e extremamente
letal, conhecida como a “ameba que come cérebros”. Moises acabou
por morrer esta segunda-feira, depois de ter ficado internado numa unidade de
cuidados intensivos. É já o segundo caso fatal descrito pelas autoridades
norte-americanas nos últimos dias. A 23 de agosto, uma criança de oito anos
morreu depois de ter sido infectada pelo mesmo tipo de ameba, num lago do
estado do Louisiana.
As amebas são seres
vivos unicelulares — mais pequenos que um grão de poeira — que vivem em
ambientes aquáticos, como piscinas não tratadas, lagos de água doce e temperada
ou fontes de água termal, explica ao Observador o médico infecciologista Jaime
Nina. “A esmagadora maioria dos tipos de ameba não provoca
doença”, esclarece o especialista. Contudo, alguns tipos de ameba, como a
naegleria fowleri, provocam meningoencefalite amebiana, uma doença rara que
destrói as células cerebrais e que é geralmente mortal. As amebas são
inofensivas se ingeridas, mas podem ser fatais se entrarem pelas vias
respiratórias, isto é, pelo nariz, uma vez que podem chegar ao cérebro.
Enquanto nos EUA são
identificados menos de 10 casos todos os anos, na Europa os casos de
meningoencefalite amebiana ou de encefalite amebiana são ainda mais raros.
Em Portugal, foi identificado e diagnosticado apenas um caso mortal por
encefalite amebiana, há exactamente 20 anos, que afetou uma criança de oito
anos, infetada por outro tipo de ameba (a balamuthia mandrillaris), e
que viria a morrer cinco semanas após o início dos sintomas, numa unidade
hospitalar da região Norte.
Piscina para terapia das
Termas de Chaves, 01 de junho de 2021. As Termas têm com novas terapêuticas
para sobreviventes de covid-19 com sequelas. A maioria das termas do Norte
reabriu este mês com selo ‘Clean and Safe’ e com terapêuticas especialmente direccionadas
para doentes pós-covid-19 e ‘long covid-19’, ou seja, que apresentem sequelas
da doença, como falta de memória, cansado, dificuldades respiratórias. JOSÉ
COELHO/LUSA
▲ Piscinas interiores, com água aquecida, são dos
locais mais propícios à infecção por
amebas
JOSÉ COELHO/LUSA
As amebas são mais
frequentes em países em desenvolvimento e com sistemas de saneamento de águas
deficientes, como os países africanos e do sudeste asiático, diz Jaime Nina. No ano
passado, foram identificados mais de 200 casos de infecções por naegleria fowleri
na Índia, o maior surto já registado em todo o
mundo. Contudo, só nos países mais desenvolvidos — onde
existe capacidade de diagnóstico laboratorial para detectar a origem da doença
causada pela infecção — é que é contabilizado com rigor o número de casos de meningoencefalite ou encefalite
causados por amebas, esclarece o professor jubilado do Instituto de
Higiene e Medicina Tropical (IHMT) da Universidade Nova de Lisboa.
Há três tipos de amebas com
potencial para causar doença grave. Taxa de mortalidade é superior a 90%
Há cerca de 20 tipos de
ameba que são considerados parasitas, introduzindo-se no organismo humano e
causando mortes em todo o mundo. De entre estes, há três tipos que causam mais
preocupação e com potencial para causar doença grave: a naegleria fowleri (que
causou as duas mortes noticiadas nos últimos dias nos EUA), a acanthamoebae e a balamuthia mandrillaris.
A naegleria fowleri é
a que mais doenças graves provoca. Entre 1962 e 2024, foram relatados 167 casos
de meningoencefalite amebiana nos EUA. Os primeiros sintomas podem incluir dor
de cabeça, febre, náuseas e vómitos, segundo o Centro de Prevenção e Controlo
de Doenças (CDC). Numa segunda fase, os sintomas são caracterizados por confusão mental,
falta de atenção às pessoas e ao ambiente, perda de equilíbrio e alucinações.
“Se a ameba conseguir atravessar as membranas, até chegar ao cérebro,
multiplica-se e provoca uma meningite” que progride
rapidamente, adianta o infecciologista Jaime Nina. Mesmo com tratamento, a
maioria das pessoas morre entre 1 e 18 dias após o início dos sintomas.
“São mortais”, alerta o especialista. Das
167 pessoas que desenvolveram meningoencefalite amebiana nas últimas seis
décadas nos EUA (de longe o país com maior número de casos identificados),
apenas quatro sobreviveram, o que aponta para uma taxa de mortalidade superior
a 97%. Em todo o mundo, entre 1962 e 2023,
foram detetados 488 casos, segundo uma análise de 2025, publicada pelo Journal
of Infection and Public Health. No caso da encefalite amebiana (outra
doença muito similar, causada pela infecção por balamuthia mandrillaris), a
taxa de mortalidade ronda os 90%, de acordo com o CDC.
Para além dos dois casos
mortais conhecidos nos últimos dias nos EUA, em abril uma criança brasileira de
nove anos morreu no estado da Rondónia, na Amazónia, com infecção por naegleria
fowleri, segundo a Agência de Vigilância em Saúde do Estado. Na Europa, os casos são mais raros:
em 2018, uma criança espanhola contraiu a infecção pelo mesmo tipo de ameba
depois de frequentar uma piscina de água aquecida, mas sobreviveu. França
regista apenas um caso, e fora do território continental: foi detectado, em
2008, numa criança de nove anos, residente na região de Guadalupe, no Caribe,
que nadou numa piscina abastecida com água termal. O surto mais relevante no Velho
Continente remonta já aos anos 60 do século XX, quando 16 jovens (com idades
entre os oito e os 25 anos) morreram, entre 1962 e 1965, na então
Checoslováquia com doença provocada por infecção por naegleria fowleri.
“Se a ameba conseguir
atravessar as membranas até chegar ao cérebro, multiplica-se e provoca uma
meningite" que progride rapidamente - Jaime Nina, médico infecciologista
e professor jubilado do Instituto de Higiene e Medicina Tropical de Lisboa
Como o diagnóstico é difícil e
muitas vezes nem sequer é feito, “na esmagadora maioria dos casos, ou não se
faz tratamento ou o tratamento é feito tarde demais”, o que aumenta a probabilidade de morte. “A
mortalidade advém essencialmente do tratamento tardio”, sublinha Jaime Nina.
COMENTÁRIOS:
Será que também aparecem em tanques?
Lourenço de Almeida
Alerta!!! Mascaras,
prisão-domiciliária! Morte aos que sobreviverem sem confinamento, esses egoístas
homicidas, que andam à vontade por praias e campos desertos quando todos os
outros estão fechados em casa!
Mário Costa > Lourenço de Almeida
Já estás com o cérebro
infectado e ainda não percebeste...
Vou rezar por ti a São
Belzebu, o santo padroeiro das cavalgaduras impotentes... 😁