quarta-feira, 16 de setembro de 2026

DIGNIFICAR

 

O espaço cultural do nosso País, ampliando-o, também de acordo com as necessidades e urgências próprias de cada região.

Câmara de Castanheira de Pera diz que políticas têm de mudar para territórios com pouca população

Autarca defende a descentralização do conhecimento para desenvolver o interior e rejeita a aplicação uniforme das políticas públicas, que afirma não terem em conta as especificidades de cada região.

Agência Lusa  - Texto

OBSERVADOR, 14 set. 2026, 16:59

Os territórios de baixa densidade não precisam de privilégios, precisam de políticas inteligentes e diferenciadoras ", defendeu António Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Castanheira de Pera.

"Os territórios de baixa densidade não precisam de privilégios, precisam de políticas inteligentes e diferenciadoras", defendeu António Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Castanheira de Pera.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

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O presidente da Câmara de Castanheira de Pera defendeu esta segunda-feira que as políticas públicas têm de mudar para territórios com pouca população e alertou que tratar de forma igual o que é diferente perpetua desigualdades.

Castanheira de Pera é um concelho de baixa densidade demográfica [o de menor população e dimensão do distrito de Leiria], temos uma realidade diferente daquela que existe nos grandes centros urbanos”, com desafios, limitações, necessidades e potencialidades próprias, afirmou António Henriques, na inauguração das obras de requalificação da Escola Básica 2,3 Dr. issaya Barreto.

António Henriques destacou que “ser um território de baixa densidade não pode significar ter uma baixa densidade de oportunidades” e, dirigindo-se ao ministro da Educação, Fernando Alexandre, presente na cerimónia, destacou que é aqui que “as políticas públicas têm de mudar e fazer a diferença efectiva”, pois “tratar de forma igual aquilo que é diferente não significa criar igualdade”, mas “perpetuar as desigualdades”.

Os territórios de baixa densidade não precisam de privilégios, precisam de políticas inteligentes e diferenciadoras”, que “o Estado compreenda as suas especificidades”, de “serviços públicos de qualidade”, de investimento, de “condições para atrair pessoas, empresas e talento, e, sobretudo, precisam de oportunidades”, considerou.

A este propósito, o presidente do município disse ser fundamental que se continue a debater a descentralização, porque “não basta descentralizar competências administrativas”, mas antes “descentralizar o conhecimento”.

Por isso, se queremos verdadeiramente desenvolver o interior, temos de garantir que o conhecimento também chega a estes territórios”, declarou, adiantando que o município definiu como objectivo, no próximo ano lectivo, ter “um pólo do ensino tecnológico e profissional”, para dar resposta às empresas.

Considerando ser “particularmente importante o caminho que está a ser feito” com a recente criação da Universidade de Leiria e Oeste (ULO), o autarca assinalou que representa uma visão diferente do território, em que “não há uma única medida que, por si só, resolva os problemas demográficos destes territórios”.

“Mas, para que funcione, é necessário ter a coragem de descentralizar o conhecimento e trazê-lo, por exemplo, para Castanheira de Pera”, com benefícios também para os outros concelhos do norte do distrito.

Ao primeiro reitor da ULO, Carlos Rabadão, também presente, António Henriques sugeriu “aprofundar este caminho”.

O presidente da Câmara de Castanheira de Pera salientou ainda que as políticas educativas têm de estar articuladas” com as políticas de habitação, emprego, saúde, mobilidade, apoio às famílias e desenvolvimento económico, sustentando que “não há uma única medida que, por si só, resolva os problemas demográficos destes territórios”.

a directora do agrupamento de escolas, Inês Alexandre, lembrou ao ministro que é necessário “garantir professores para todas as disciplinas” e estabilidade, defendendo ainda que os pequenos agrupamentos de escolas precisam de “políticas que reconheçam a sua especificidade” e “valorizem aquilo que fazem”.

O ministro da Educação, Ciência e Inovação adiantou que a sua presença esta segunda-feira em Castanheira de Pera, depois de ter estado no concelho de Arganil (Coimbra) e na terça-feira deslocar-se a Porto de Mós (Leiria), visou “marcar o início do ano lectivo e também para mostrar a atenção” que o Governo dá a todo o território nacional.

“Optei por estar na Região Centro (…) precisamente para dar esse sinal de que o Governo está atento a todos os territórios, porque o nosso lema é, precisamente, garantir a igualdade de oportunidades em todo o território nacional no acesso a um ensino de qualidade”, garantiu Fernando Alexandre, admitindo que este “é um exercício muito difícil”, mas é algo para o qual se tem de estar sempre a caminhar de forma planeada, consistente e sustentada.

A requalificação da escola, com cerca de 110 alunos, foi um investimento de cerca de 3,7 milhões de euros, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência.

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terça-feira, 15 de setembro de 2026

REPISANDO

 

Conceitos de importância-mor. Por quem se importa com o status. Caso de HSF.

PELO BEM-COMUM

Ex-"A bem da Nação"

PENSANDO DEVAGAR – 2

setembro 14, 2026

 Filho de pai luterano não militante e de mãe calvinista de fortes opções de fé, Max Weber (1864-1920), o pai da Sociologia, classificava-se a si próprio como «de ouvido desatinado para a religião», ou seja, era agnóstico militante. Contudo, a sua obra mais conhecida intitula-se, na tradução portuguesa, «A ética protestante e o espírito do capitalismo».

A tese principal nesta obra conclui pela relação directa entre a predestinação (da salvação das almas) e a acumulação de capital.

Explicando…

          Só se salvam as almas bafejadas pela Graça de Deus;

         Pergunta do simples mortal: «Como posso saber se estou incluído nos predestinados à salvação?»

·                  Resposta dos teólogos protestantes: «Não podes. Terás que agradar a Deus trabalhando em prol do bem-comum não desperdiçando os lucros em ostentações e luxos, mas reinvestindo na expansão do negócio».

Q. e. d.

Afinal, a acumulação de capital é virtuosa e não pecaminosa como Marx acusava.

Setembro de 2026

Henrique Salles da Fonseca

Comentários

Manuel Guedes-Vieira14 de setembro de 2026 às 17:53

Obrigado, Henrique por lembrares esse grande pensador que foi Max Weber, hoje tão injustamente esquecido

António Justo14 de setembro de 2026 às 18:13

Riqueza é sinal da graça divina e mérito

ABRINDO A PORTA...

fevereiro 02, 2026

Ao estilo de Declaração de Princípios, esta é a casa do       humanismo no sentido inequívoco do antropocentrismo em que o Estado serve o cidadão, por ultrapassagem do teocentrismo medieval e em oposição a todos os sistemas que obriguem a pessoa servir o Estado      da Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU 1948) e contra tudo que a contrarie;      … da sistemática busca da harmonização de interesses nem sempre concomitantes, por oposição a perturbadora luta de classes;      … da liberdade de pensamento e respectiva expressão;      …do pluripartidarismo que, abrindo alternativas de doutrina e estratégia, permite ao eleitorado (o verdadeiro «dono» do poder) a opção perene ou flutuante entre doutrinas e circunstâncias;      da definição doutrinária do bem-comum, na esperança vinculada de que propostas disruptivas da harmonia e da liberdade como conceitos unicitários chumbem nas urnas...

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SOMOS POUCOS

março 09, 2026

    A área urbana de Londres tem cerca de 9,2 milhões de residentes; na região de Paris moram 11,2 milhões e Berlim alberga cerca de 6,4 milhões. Comparando com os nossos 10,75 milhões a nível nacional, resta a conclusão de que somos poucos. Mas, para além de sermos poucos em termos absolutos, somos ainda menos quando «contamos as espingardas» fiéis aos Valores da Europa Ocidental. Ou seja, no actual litígio contra o imperialismo russo, não podemos correr o risco de deixarmos que as nossas Forças Armadas e de Segurança sejam minadas por russófilos ou seus amigos. Eis a cautela que desaconselha a obrigatoriedade do Serviço Militar: nem todos merecem a honra de servir nas Forças Armadas. Não esbanjemos recursos com «tropa fandanga» cujo amadorismo só prejudica a eficácia dos profissionais. Centremo-nos em pequenas Unidades de grande operacionalidade e deixemos as maciças acções de «botas no terreno» para aliados mais populosos que nós. E assim me refiro às forças terrestres...

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DO BEM-COMUM

fevereiro 04, 2026

  O conceito de bem-comum tem tudo a ver com harmonia social, com solidariedade e com o Estado de Direito. Com respeito pelas minorias, o bem-comum assenta na vontade da maioria. O bem-comum é antónimo de luta de classes, de privilégios classistas e de revolução. Dá para crer que os movimentos disruptivos nascem e medram a partir da desconfiança sob a profusão de compadrios, mas também podem resultar da inveja. Contudo, seja qual for a causa e seja qual for a consequência, tudo isso é contrário ao bem-comum. O Ocidente tem que ser transparente e, portanto, defensor do seu homónimo, o bem-comum. Mas… … se o secretismo referendário é o garante da transparência eleitoral, já na gestão corrente da «coisa» pública a transparência é garantida pela difusão da informação assim impedindo ilegitimidades e compadrio. No cenário actual, o Ocidente é a Europa e pouco mais. O Ocidente, sede do bem-comum democrático, já é só quase a Europa. A ver se asseguramos pelas pontas…e nó...

Um problema grave


Que dependerá, naturalmente de causas várias, entre as quais a provável menor exigência pedagógica de alguns pais e professores - como sempre houve, de resto - em permissividades comportamentais agudizadas por uma maior liberdade educativa que a própria democracia de há muito exige. O que vale é que nem sempre as famílias - e nem todos os professores - “alinham” na aceitação das “libertinagens” dos seus pupilos, e defendem corajosamente um ensino competente, além de que os livros escolares são hoje acompanhados de questionários e imagens como não se fazia outrora, o que ajuda, naturalmente a uma maior percepção das questões estudadas… desde que se queira, de facto, aprender – (o busílis da questão).

A crise da escola

A escola é preciosa e insubstituível. Mas tarda a perceber que a forma como as crianças do século XXI pensam, conhecem e falam é diferente daquilo que a escola sempre imaginou.

EDUARDO SÁ, psicólogo

OBSERVADOR, 13 set. 2026, 18:48

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Menos curiosos, mais desistentes, mais superficiais, menos tolerantes ao esforço, com os pais a esperar menos da escola e com 1 em cada 5 deles a achar que ela não vale a pena. Com mais experiências de bullying e com falta de professores. Com maiores clivagens entre os alunos sem recursos e os outros, e com diferenças de rendimento geográficas enormes. Estas são algumas das características que os alunos portugueses com 15 anos mais evidenciam no Programme for International Student Assessment (PISA) da OCDE, agora divulgado. Que nos diz que, nos últimos dez anos, os alunos portugueses perderam o equivalente a mais de um ano de escolaridade nas suas competências escolares. Levado ao absurdo, equivale a que todos eles tenham tido mais de um ano de faltas injustificadas sem que ninguém desse conta. Em termos globais, os dados do PISA advertem-nos para um recuo de 20 anos nas competências dos alunos portugueses, tendo pelo menos 1 em cada 4 desempenhos abaixo do indispensável para participarem numa vida em sociedade, considerando os seus conhecimentos em ciências, matemática e na leitura.

Se, ao dia de hoje, estes resultados nos assustam, e se isso não nos deixa de dar conta que fomos ligeiros nos custos da pandemia sobre todas as crianças, a escola não começou a adoecer a partir daí. Vejam-se os dados da mesma OCDE sobre a leitura e o cálculo de portugueses escolarizados com mais de 30 anos quando, há um ano, alertou para que quase metade deles revelava um dos dois níveis mais baixos em proficiência em leitura avaliados, apenas conseguindo ler textos breves com informação mínima e vocabulário familiar; e que 40% apresentavam dificuldades no cálculo abaixo ou ao nível mais básico das pessoas avaliadas.

Como pode a escolaridade obrigatória garantir o conhecimento e a educação, robustecer a inteligência humana e promover a democracia, a liberdade e a política se os alicerces das aprendizagens básicas se vão manifestando tão inacreditavelmente deficitários? Será que a substituição das metas curriculares por aprendizagens essenciais poderá ter ajudado para tamanho declínio? Ou que o abandono, a partir de 2016, de currículos mais exigentes, dos exames de final de ciclo no 4.º e no 6.º anos e do apoio cognitivo aos alunos com mais dificuldades, podem ter contribuído para estes resultados? Seja como for, mais tempo de ecrã e mais IA contribuíram nos diversos países avaliados para piores resultados.

Estará a escola a cumprir a sua obrigação? Serão a memória e a atenção o problema maior dos alunos ou os planos curriculares ou, também, a forma como a escola continua a imaginar que eles aprendem “mecanicamente”, unicamente por repetição e da parte para o todo, como se fossem crianças do século XIX estarão a confluir para isto? Terão o volume de trabalho que lhes exigimos, a pressão que lhes colocamos e a infância que lhes roubamos sido estranhos a isto tudo? Será que o sedentarismo das crianças e a forma como vamos excluindo o corpo das suas aprendizagens contribuem para os maus resultados? Será que os “novos pais” – que têm dificuldades em definir regras, autonomia, capacidade de estar só, e de educar as crianças para a paciência, para a humildade e para as manifestações de frustração – não “ajudam”, muito mais do que desejariam, para que tudo seja assim? E o facto de termos crianças cada vez mais audiovisuais que verbais e hipotético-dedutivas, não “inquina” as aprendizagens tal como lhas oferecemos?

Os conteúdos e a forma como as ensinamos, o modo como se espera que as crianças reproduzam conhecimentos (como se só isso fosse aprender), a educação com que chegam das famílias, a forma como o audiovisual e a IA enviesaram a sua forma de aprender e as têm vindo a tornar muito menos inteligentes, serão esses os eixos do desencontro das crianças com o conhecimento. Se associarmos a isso a doença da escola pública, a forma demagógica como as avaliamos, a escassez de professores e a sua formação, e todas as pressões que colocamos sobre elas é fácil perceber o estado a que isto chegou. O que mais inquieta nos resultados do PISA não é tanto a forma como a escola parece não estar a funcionar; mas o modo como esta geração parece ter deixado de aprender com ela e de lhe ir reconhecer mais-valias. A transformação da experiência em palavra é a primeira operação matemática da natureza humana. E a palavra é o tijolo com que se constrói todo o conhecimento. (E, já agora, a saúde mental.) Uma geração que, com a nossa complacência, foi transformando gerações e gerações de palavra numa geração, sobretudo, audiovisual e digital, talvez não possa esperar que a escola cumpra, hoje, da mesma forma, a sua missão de trazer as crianças ao conhecimento. Porque é querê-la a ser aquilo que já não consegue cumprir. Se não pensarmos como pensam as crianças hoje, e se não nos perguntarmos o que queremos delas, estamos a perder a escola. E, por mais mudanças razoavelmente superficiais que se tragam, corremos o risco de ficar todos a perder.

A escola é preciosa e insubstituível. Mas tarda a perceber que a forma como as crianças do século XXI pensam, conhecem e falam é diferente daquilo que a escola sempre imaginou. E precisa de perceber que a memória não é uma função “solta” mas o resultado da ligação entre imaginação, perspectiva e processos associativos. E que aos bons resultados nunca se chega sem o erro e o insucesso. E que a avaliação não é um reforço positivo, mas um exercício que só quando se usa com verdade ajuda a crescer. E que os resultados escolares e as aprendizagens essenciais precisam de ter tudo a ver uns com os outros.

Se quem o aprende nunca esquece, quem esqueceu ou, hoje, não sabe, nunca aprendeu. Será esta a escola que temos para oferecer aos nossos filhos. Mas não representará esta escola uma crise bem mais grave que todas as crises que eles parecem ter à sua espera?

Escolas       Educação

COMENTÁRIOS:

Lourenço de Almeida

Oh. meus amigos!  O problema não é radio, televisão, cinema ou telemóvel a mais! O problema é ensino e exames a menos! A Telefonia e o jogo dos berlindes, não impediu que as crianças de há um século aprendessem a ler e a escrever. A televisão e o rock&roll também não os impediu há 60 anos, embora tudo isto tenha potencial de causar distracção e de absorver superficialmente os conhecimentos que noutras épocas só os livros davam! Por isso, os miúdos podem aprender ou desaprender o que entenderem com os telemóveis. Mas se tiverem que estudar textos longos e fazer contas de dividir para passar nos exames, haverá os que os lêem e aqueles que não o fazem, como sempre aconteceu desde que o mundo é mundo. Se lhes ensinarem outras coisas e não tiverem exames, certamente que ninguém aprenderá aquilo que não lhes é ensinado, e poucos aprenderão o que o é ... mas não a ler e a escrever ou a fazer contas!

Manuel Ferreira

Excelente! Está bem que a cultura é diferente, mas basta ver o que fazem a China, Coreia e Singapura. Também pela educação se explica que um país com 900 anos não passa da cepa torta, mas ninguém se preocupa, as elites formam-se nas escolas de elite (geralmente privadas) ou no estrangeiro e a massa ignara servirá os senhores.

Daniel José

A escola pública que passa a vida em greve devido aos sindicatos da extrema esquerda que sempre viram na educação um braço armado politico só podia dar bom resultado. Já viram a quantidade de férias relativamente aos outros países têm as nossas escolas? A quantidade de baixas? Os professores dão hoje mais horas de aulas do que há 20 anos? E os programas curriculares, será que evoluem para o mercado de trabalho ou apenas para doutrinar? Na área metropolitana de Lisboa as famílias de classe média foram empurradas para o ensino privado para ter o mínimo de qualidade. Respondendo a este belo artigo, a Escola, tal como o Estado, não cumpre a sua obrigação!

António Dias

Obrigado, Dr. pelo seu artigo de opinião. Traz a público, de uma forma perfeitamente perceptível para todos, a direcção para onde caminha a Educação em Portugal.  E não estamos com esta visão só a descrever o que está a acontecer aos nossos jovens de hoje. Estamos a vislumbrar o que homens e mulheres serão no futuro.