domingo, 24 de maio de 2026

CONTINUAÇÃO



De "NOTÍCIAS POR TÓPICOS" 

CÁTIA ROCHA

Imprensa iraniana contesta declarações de Trump sobre Estreito de Ormuz. "Está longe da realidade"

A imprensa iraniana põe em causa as declarações de Donald Trump sobre a possibilidade de um acordo incluir a reabertura do Estreito de Ormuz. A agência iraniana Fars diz que a afirmação “está longe da realidade”, cita a Al Jazeera.

“De acordo com a última troca de mensagens, caso se chegue a um possível acordo, o Estreito de Ormuz continuará sob gestão do Irão”, é referido. “Apesar de o Irão ter concordado em permitir a passagem de um número de navios, para voltar aos níveis de antes da guerra, isso não significa de todo uma ‘passagem livre’ como na situação antes da guerra”, diz fonte iraniana.

A gestão do Estreitocontinuará exclusivamente sob o controlo e a autoridade da República Islâmica do Irão. Assim, a afirmação de Donald Trump sobre o tema está incompleta e não corresponde à realidade”.

Na Truth Social, Donald Trump disse que “para além de muitos outros elementos do acordo, o Estreito de Ormuz será aberto”.

Cátia Rocha

Zelensky alerta que Rússia estará a preparar-se para usar mísseis de médio alcance para atacar Kiev

O Presidente da Ucrânia revela que os serviços de informação ucranianos estão a investigar a possibilidade de “a Rússia estar a preparar um ataque com o míssil Oreshnik”, escreve numa publicação na rede social X.

Zelensky refere que receberam informações semelhantes dos parceiros norte-americanos e europeus.

Estamos a ver sinais de preparação para um ataque combinado em território ucraniano, incluindo Kiev, que envolveria vários tipos de armamento”, detalha. “As armas de alcance intermédio mencionadas poderão ser utilizadas nesse ataque. É importante agir com responsabilidade em caso de alertas de ataque aéreo, a partir desta noite”, avisa o Presidente ucraniano. “A loucura russa não conhece limites, por isso, por favor, protejam as vossas vidas – recorram aos abrigos.”

Há 9h

22:31

Cátia Rocha

Nove mortos em ataque de Israel contra o Líbano

Nove pessoas morreram num ataque israelita contra um edifício em Sir el-Gharbiyeh, no Líbano, avança a Al Jazeera. Há registo de seis pessoas feridas.

As autoridades admitem que o número de mortos possa vir a aumentar à medida que decorrem as operações de resgate.

Há 10h

CÁTIA ROCHA

Trump diz que há um "acordo praticamente entre EUA e IRÃO, ainda "sujeito a finalização"

Foi praticamente negociado um acordo, sujeito a finalização, entre os Estados Unidos da América, a República Islâmica do Irão e vários outros países” da região, diz Donald Trump numa publicação na Truth Social.

O Presidente dos EUA refere que teve “uma chamada muito boacom os líderes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Paquistão, Turquia, Egito, Jordânia e Bahrain sobre o Irão “e sobre todas as coisas ligadas a um memorando de entendimento relativo à paz”.

Além disso, Trump revela que teve também uma chamada à parte com o primeiro-ministro israelita, “que também correu muito bem”.

“Os aspetos finais e os detalhes sobre o acordo estão atualmente a ser discutidos e serão anunciados em breve”, acrescenta. “Além de muitos outros elementos no acordo, o Estreito de Ormuz será aberto”, assegura.

Há 11h

20:41

CÁTIA ROCHA

Embaixador do Irão no Paquistão diz que está a "ganhar forma um passo positivo" nas conversações com os EUA

·       Reza Amiri Moghadam, embaixador iraniano no Paquistão, avança no X que está a “ganhar forma um passo positivo” nas negociações com os EUA. Ainda assim, na publicação fala num “optimismo conservador”.

O embaixador espera que “os sinceros esforços do governo e do exército paquistanês” possam levar “a uma paz duradoura na região”.

Há 11h

20:28

CÁTIA ROCHA

POSSÍVEL "MEMORANDO" ENTRE EUA E IRÃO PODERÁ TER TRÊS FASES

Um possível “memorando” entre os EUA e o Irão poderá ser composto por três etapas, revelaram fontes à Reuters.

Segundo estas informações, as três fases incluiriam O FIM FORMAL DA GUERRA, A RESOLUÇÃO DA CRISE NO ESTREITO DE ORMUZ E O INÍCIO DE UM PERÍODO DE 30 DIAS PARA NEGOCIAÇÕES SOBRE UM ACORDO MAIS ABRANGENTE, escreve a agência.

 

Donald Trump terá dito ao Axios que poderá discutir a última proposta de acordo com o Irão com os seus conselheiros este domingo. O Presidente dos EUA poderá depois tomar uma decisão sobre continuar ou não os ataques ao Irão.

19:19

CÁTIA ROCHA

IDF REVELAM QUE IDENTIFICARAM ALVO AÉREO "SUSPEITO" NO NORTE DE ISRAEL

As Forças de Defesa de Israel (IDF) revelam que identificaram um alvo aéreo “suspeito” no norte de Israel, escreve o Times of Israel.

Soaram sirenes durante a tarde no norte do país, com avisos para um drone.

Segundo o exército de Israel, foi perdido o contacto com o objecto. Não haverá registo de feridos.

Há 13h

Cátia Rocha

Trump deverá falar ao telefone com líderes de países mediadores das negociações

Donald Trump deverá falar ao telefone hoje com os líderes dos países que estão a mediar as negociações do conflito entre EUA e Irão. A informação está a ser avançada pela agência Reuters, citando uma fonte árabe.

O Presidente dos EUA deverá falar com os líderes da Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Turquia e Paquistão.

Há 14h

CÁTIA ROCHA

Trump afirma que EUA estão "cada vez mais perto" de um acordo com o Irão

Donald Trump afirma que os negociadores dos EUA e do Irão estão “cada vez mais perto” de chegar a um acordo, diz por telefone à CBS News.

O Presidente dos EUA rejeita apresentar detalhes sobre a evolução das negociações, dizendo apenas que “ficam melhores a cada dia que passa”.

“Só assinarei um acordo se conseguirmos tudo o que queremos”, declara Trump.

AGÊNCIA LUSA

Zelensky rejeita proposta de Berlim para Kiev ser "membro associado" da UE

Volodymyr Zelensky defendeu que o projecto europeu só ficará completo com a Ucrânia e rejeita a proposta do chanceler alemão para que a Ucrânia fosse “membro associado” da União Europeia.

15:58

OBSERVADOR

O QUE ACONTECEU ATÉ AGORA

A negociação entre os EUA e o Irão estará próxima de um acordo que poderá prolongar o cessar-fogo por mais 60 dias. As negociações, mediadas pelo Paquistão, visam alcançar um acordo definitivo sobre o plano nuclear iraniano, que incluiria a reabertura gradual do estreito de Ormuz e um compromisso iraniano de reduzir as suas reservas de urânio enriquecido. Em troca, os EUA poderiam aliviar o bloqueio dos portos iranianos e reduzir as sanções financeiras.

Há “uma hipótese” de que um acordo com Irão seja anunciado hoje ou amanhã, diz Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, durante uma visita diplomática à Índia. Podem estar iminentes “boas notícias“, acrescentou o responsável.

Israel foi praticamente excluído das negociações entre os EUA e o Irão, segundo fontes da defesa israelita. O país não participou nas discussões que antecederam o cessar-fogo e foi informado dos avanços entre Washington e Teerão através de contactos diplomáticos e operações de vigilância. Este afastamento representa uma mudança significativa em relação à coordenação estreita que existia entre Israel e os EUA anteriormente.

Um ataque aéreo israelita atingiu um posto policial do Hamas na Faixa de Gaza, causando pelo menos cinco mortes e vários feridos. O alvo do ataque eram operacionais do Hamas, e o incidente foi confirmado por um porta-voz militar israelita. Em reacção, o hospital al-Shifa, na Cidade de Gaza, relatou as mortes de cinco mártires e várias pessoas feridas.

Este resumo foi gerado por IA e revisto por um jornalista do Observador.

AGÊNCIA LUSA

Hezbollah garante que não será abandonado pelo Irão

O grupo xiita Hezbollah afirmou hoje que o Irão não abandonará o movimento islamista libanês e que a mais recente proposta de Teerão para terminar a guerra com os Estados Unidos incluía um cessar-fogo no Líbano.

Em comunicado, o Hezbollah declarou que o seu líder, Naim Qassem, recebeu uma mensagem do ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, assegurando que o Irão “não renunciará ao seu apoio aos movimentos que exigem justiça e liberdade, principalmente o Hezbollah”.

O comunicado acrescenta que a mais recente proposta iraniana, transmitida a Washington por mediadores paquistaneses que procuram um “fim permanente” para o conflito, destaca a exigência de incluir o Líbano no cessar-fogo.

Edgar Caetano

EUA e Irão perto de acordo para prolongar cessar-fogo por 60 dias, dizem mediadores ao FT

Os EUA e o Irão estão perto de um acordo para prolongar o cessar-fogo por mais 60 dias, dizem fontes dos mediadores ao Financial Times.

Essa é a convicção das fontes do jornal britânico, que avançam que o objectivo é que esses 60 dias sirvam para negociar um acordo definitivo acerca do plano nuclear do Irão.

De acordo com o Financial Times, os mediadores indicam que o plano pode incluir uma reabertura gradual do estreito de Ormuz e um compromisso por parte de Teerão no sentido de negociar a entrega das reservas de urânio enriquecido (ou, no mínimo, uma grande redução dessas reservas).

Do lado dos EUA, seria atenuado o bloqueio dos portos iranianos e haveria, também, um acordo para reduzir as sanções financeiras aplicadas por Washington, permitindo que o Irão tivesse maiores possibilidades de movimentar as suas reservas financeiras no estrangeiro, que estão congeladas pelas sanções.

 

O diz-se diz-se

 

Notícias por tópicos.

Em directo/ Trump diz que há um "acordo praticamente negociado" entre EUA e Irão que inclui reabertura do Estreito de Ormuz

Donald Trump falou com líderes do Médio Oriente e diz que acordo inclui a reabertura do Estreito de Ormuz, mas falta a "finalização". Ouvidos tiros no relvado da Casa Branca. Autoridades investigam.

EDGAR CAETANO: Texto

Actualizado Há 7h

13

epa12981704 US President Donald Trump speaks during an event with Environmental Protection Agency Administrator Lee Zeldin in the Oval Office at the White House in Washington, DC, USA, 21 May 2026. Trump discussed plans to roll back Biden-era refrigerant regulations affecting cooling and refrigeration systems.  EPA/AL DRAGO / POOL NEWS SERVICE OK

AL DRAGO / POOL/EPA

Momentos-chave

Há 7h

Suspeito e uma pessoa que passava no local serão os dois feridos, diz CBS News

O que se passou até agora:

Correspondente da ABC News partilha vídeo onde se ouvem disparos

Há 8h

Porta-voz do Serviço Secreto diz que está ser apurada mais informação. FBI está no terreno

Relvado da Casa Branca evacuado após alegados disparos

Sem falar de Trump, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão invoca derrota do Império Romano frente à Pérsia

Zelensky alerta que Rússia estará a preparar-se para usar mísseis de médio alcance para atacar Kiev

Há 10h

Trump diz que há um "acordo praticamente entre EUA e Irão, ainda "sujeito a finalização"

Há 14h

Trump afirma que EUA estão "cada vez mais perto" de um acordo com o Irão

Há 16h

O que aconteceu até agora

EUA e Irão perto de acordo para prolongar cessar-fogo por 60 dias, dizem mediadores ao FT

Marco Rubio. Há "uma hipótese" de que acordo com Irão seja anunciado hoje ou amanhã

Há 17h

Irão diz estar "muito longe e, no entanto, muito perto" de um acordo com os EUA

Mísseis israelitas atingem posto de polícia e matam pelo menos cinco pessoas na Faixa de Gaza

Há 18h

França proíbe ministro israelita Ben-Gvir de entrar no país após vídeo polémico com activistas da flotilha

Há 19h

"Se os EUA, estupidamente", recomeçarem guerra, as consequências serão "esmagadoras e amargas", avisa o Irão

Há 21h

EUA praticamente excluíram Israel das negociações com o Irão, dizem fontes israelitas

Há 21h

Irão acusa EUA de sabotarem negociações com "exigências excessivas"

Há 22h

Depósito de petróleo russo em chamas após ataque de drones ucranianos

Actualizações em directo

 Entrada em destaque

00:06

Observador

O que se passou até agora:

Donald Trump declarou que está “praticamente negociado” um acordo entre os Estados Unidos e o Irão, que inclui a reabertura do Estreito de Ormuz. No entanto, a imprensa iraniana contesta esta afirmação, afirmando que a gestão do Estreito permanecerá sob controlo iraniano, permitindo apenas a passagem limitada de navios, sem equivaler a uma “passagem livre” como antes da guerra.

Foram ouvidos disparos no relvado norte da Casa Branca. Foi pedido à imprensa para se refugiar na sala de briefing. O Serviço Secreto está a investigar o incidente juntamente com o FBI para confirmar os detalhes dos disparos ouvidos nas proximidades.

Zelensky advertiu para a possibilidade de a Rússia estar a preparar um ataque em Kiev com mísseis de médio alcance. A informação sobre a preparação russa coincide com alertas de parceiros internacionais, levando o Presidente da Ucrânia a aconselhar os cidadãos a estarem atentos a alertas de ataques aéreos e a usar abrigos.

Além do foco nas negociações com o Irão, o Hezbollah reiterou que Teerão não abandonará o movimento islamista libanês, com promessas de incluí-los num possível cessar-fogo.

Este resumo foi gerado por IA e revisto por um jornalista do Observador.

Há 7h

00:21

Cátia Rocha

Suspeito e uma pessoa que passava no local serão os dois feridos, diz CBS News

A CBS News avança que os dois feridos são o suspeito e uma pessoa que passava perto da Casa Branca no momento dos disparos, a partir de uma fonte policial.

Os dois feridos foram levados para o hospital. O suspeito estará em estado crítico e a segunda pessoa em estado grave.

Segundo esta fonte, o alvo dos tiros do suspeito seriam os agentes do Serviço Secreto, que responderam com disparos.

Há 7h

CÁTIA ROCHA

Duas pessoas foram atingidas e ficaram feridas perto da Casa Branca

A CNN internacional avança agora que duas pessoas foram atingidas e feridas “num encontro” com o Serviço Secreto, perto da Casa Branca. A informação foi dada por um agente das forças de autoridade.

Segundo estas informações, os agentes do Serviço Secreto estariam a responder ao alerta de uma pessoa com uma arma.

CÁTIA ROCHA

Correspondente da ABC News partilha vídeo onde se ouvem disparos

Selina Wang, correspondente da ABC News na Casa Branca, estava a gravar um vídeo no momento dos alegados disparos.

“Foi-nos dito para corrermos para a sala de briefing, onde estamos agora à espera”, diz.

CÁTIA ROCHA

Porta-voz do Serviço Secreto diz que está ser apurada mais informação. FBI está no terreno

Anthony Guglielmi, porta-voz do Serviço Secreto, disse à CBS News que a agência tem conhecimento “dos relatos de disparos ouvidos na 17th Street e na Pennsylvania Avenue NW” e que agentes “estão a trabalhar para confirmar as informações junto do pessoal no terreno”.

Kash Patel, o director do FBI, diz nas redes sociais que também “estão no terreno e a prestar apoio ao Serviço Secreto”.

Há 8h

CÁTIA ROCHA

Relvado da Casa Branca evacuado após alegados disparos

O relvado norte da Casa Branca foi evacuado após serem ouvidos supostos sons de disparos, avança a ABC News.

Segundo a estação televisiva, terá sido dito à imprensa para se deslocar para a sala dentro da Casa Branca onde decorre o briefing aos jornalistas.

CÁTIA ROCHA

Sem falar de Trump, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão invoca derrota do Império Romano frente à Pérsia

Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, fez uma publicação no X onde invoca a derrota do Império Romano.

“Na mentalidade romana, Roma era o centro indiscutível do mundo”, escreve o porta-voz. “No entanto, os iranianos destruíram essa ilusão; quando Marcus Julius Philippus (Filipe, o Árabe) marchou para leste contra a Pérsia, a campanha não resultou numa vitória romana”, dizendo que “o imperador teve de aceitar as condições” persas.

Notícias sombrias


Orgulhos rácicos de quem manda, pode e talvez queira.

Uma longa e tensa história

A China central, a Rússia marginal, ambas perigosas

Analisamos a crescente assimetria das relações entre China e Rússia, e o facto de que também Putin não conseguiu o que mais queria em Pequim. E apontamos as consequências para a geopolítica global.

BRUNO CARDOSO REIS, Historiador e especialista em segurança internacional

OBSERVADOR, 23 mai. 2026, 00:22

A relação da Rússia com a China é longa, como é longa a fronteira de mais de 4000 km entre ambos os países, mas não tem sido fácil. Os primeiros choques vieram logo nos primeiros contactos, em meados do século XVII, quando a expansão imperial russa na Sibéria começou a ameaçar a Manchúria. Os imperadores Qing, que tinham derrubado a dinastia Ming, em décadas de guerras em torno de 1644, eram manchus, e fizeram questão de travar a expansão russa na sua região de origem. O resultado foi o tratado de Nerchinsk, em 1689. Foi o primeiro tratado em que a China lidou com outra potência em termos de igualdade, pondo de lado o sistema de Estados tributários que adoptara como potência hegemónica na Ásia Oriental. (Quando as elites chinesas, hoje, se queixam de tratados desiguais esquecem, convenientemente, os séculos em que o próprio império chinês os impôs aos seus vizinhos mais fracos.) Curiosamente, um dos principais membros da delegação chinesa, muito elogiado pelo imperador Kangxi (1661-1722) por ter ajudado a ultrapassar um impasse negocial, foi um jesuíta português, Tomás Pereira, residente em Pequim, onde tinha acesso directo ao imperador, que dominava o latim, em que o tratado foi negociado, bem como o mandarim e o manchu.

Embora a Rússia se apresente, hoje, como parte do Sul Global, foi a potência imperialista mais agressiva na exploração da relativa fraqueza chinesa no século XIX. A Rússia aproveitou para anexar mais de 600.000 km2 de território chinês, em 1858. Vladivostoque, a capital do Extremo Oriente russo foi fundada em 1860, no que tinha sido, até aí, território chinês. Estaline, a partir de 1945, apoiou militarmente os comunistas de Mao Zedong, mas resistiu durante anos a abdicar dos privilégios que tinha herdado do Império Russo no norte da China. A morte de Estaline e a denúncia do estalinismo e do culto do líder pela nova liderança soviética ainda aumentou mais as tensões com Mao, levando à ruptura sino-soviética, culminando numa brutal guerra fronteiriça, em 1969. Nessa altura, o Kremlin chegou a ameaçar a China com armas nucleares, como agora faz regularmente com a Ucrânia e os seus aliados.

Termos e condições | Pinto Lopes Viagens

Tudo isso explica a reaproximação pragmática da China aos EUA, que espantou o mundo, em 1972, mas fazia grande sentido geoestratégico. Nixon tinha alguns defeitos, mas confundir os seus preconceitos com a realidade política global não era um deles. A China também culpou Moscovo, na era Gorbatchev, por encorajar os protestos massivos da juventude chinesa a favor da democracia, em Tiananmen, em 1989. Só com Putin, a partir do acordo de parceria de 2001, começou uma reaproximação. Ela tem-se consolidado com base em interesses convergentes em defender ditaduras. Nesse jogo Putin apostou no modelo tradicional de conquistar território, exportar matérias-primas e investir em armas. A China deu prioridade a modernizar as Forças Armadas – em particular da marinha, chave da projecção global de poder – mas também a liderar no investimento e no comércio externo, na inovação tecnológica e na produção industrial e de matérias-primas críticas. É evidente quem está a ter mais sucesso.

Uma ordem global multipolar para enganar tolos

Esta foi a visão para a política global do comunicado conjunto sino-russo. É evidentemente propaganda enganosa que usa uma retórica de promoção da “democratização” da ordem internacional para legitimar as ambições de ambos como grandes potências, em nome de uma suposta defesa do Sul Global. A prova? A China obriga a Rússia a fazer negócios a preços ruinosos porque Moscovo não tem mercados alternativos. Putin queria fechar, nesta visita, o negócio para um novo gasoduto – Energia da Sibéria II –, e isso não foi possível porque Xi quer espremer o preço e evitar o erro dos europeus de depender demasiado apenas de um fornecedor. A Rússia não é uma grande potência global, mas uma potência regional perigosa, mas com uma economia do tamanho da Itália, e com dificuldade em manter aliados voluntários – até a Arménia decidiu afastar-se. A China sabe isso e trata a Rússia em conformidade, e está a marimbar-se para a ordem multipolar. Pequim tem como prioridade, isso sim, competir com os EUA, em todas as dimensões do poder. E é um parceiro económico indispensável para muitos países – até para os EUA, como vimos com a guerra das terras raras – apesar de um pragmatismo por vezes a roçar o predatório. Os líderes chineses e russos não têm nenhum interesse em tornar a política internacional mais igualitária ou democrática, mesmo que tentem passar uma imagem de defensores dos fracos e de opositores do imperialismo, mas só se for ocidental.

A República Popular da China governa um território com mais de 9 milhões de km2, com mais de 50 grupos étnicos numa população total de 1,4 mil milhões de pessoas. Pode, por isso, ser vista como um velho império continental disfarçado de Estado-nação. O próprio nome do país remete para a centralidade do seu passado imperial. Em chinês a expressão Zhōngguó 中国 – traduz-se por “Reino do Meio”, mas também pode ser traduzida como o “Império Central”. A ambição de “renovar” esse estatuto de grande potência, dominante na Ásia Oriental durante mais de 2000 anos, é a prioridade declarada de Xi Jinping, o actual imperador vermelho. A quantidade de líderes estrangeiros que têm visitado Pequim no último ano é impressionante – a Asia Society, baseada nos EUA, fez as contas. A conclusão é que Xi viaja menos e são cada vez mais líderes estrangeiros a ir visitá-lo. Em 2025 foram 50 visitas aos EUA e 75 à China. Terá alguma coisa a ver com o tratamento que Trump dispensou, por exemplo, a Zelensky ou Ramaphosa? A proximidade dos encontros de Putin e de Trump e de Xi tornou ainda mais visível esta crescente centralidade da Cidade Proibida na geopolítica global. O discurso oficial chinês apresenta explicitamente estas visitas como a consagração do regresso da China ao seu estatuto como grande potência. E, ao contrário do passado, a China não precisa de fazer grandes concessões para ter o privilégio de uma visita presidencial norte-americana. E se muitos têm insistido, com razão, que Trump não conseguiu grande coisa como resultado desta visita, vale a pena sublinhar que Putin também não conseguiu o que mais desejava, como vimos.

Não sou fã do Partido-Estado chinês

Devo deixá-lo claro. Infelizmente, há cada vez mais pessoas tão consumidas pela cegueira ideológica que são incapazes de distinguir a análise de factos e a manifestação de preferências políticas. Quem quiser perceber como funciona o Mundo, tem de abandonar o conforto das grandes certezas alinhadas com os seus preconceitos, como tenho deixado claro aqui, em previsões muitas vezes confirmadas.

Não tinha nenhuma simpatia pela guerra de agressão russa contra a Ucrânia quando escrevi que era uma possibilidade bem real tendo em conta os meios militares mobilizados por Putin, em 2022. Não tinha simpatia por Trump, com o seu isolacionismo nativista e sultanismo político, quando, no verão de 2024, apontei para a sua reeleição como o resultado mais provável das eleições de novembro, bem como para as suas intenções de rever radicalmente a política externa dos EUA. Quando aponto para o facto de que o principal balanço das recentes cimeiras de Xi com Trump e com Putin é confirmar a crescente centralidade global do imperador comunista, não o faço por simpatia pessoal por Xi ou por favorecer o modelo de governação chinês. Faço-o porque ignorar factos é inútil e perigoso. Para resistir a esta tendência o Ocidente teria de mostrar que ainda existe e resiste, reforçando a sua coesão e melhorando a eficácia da sua economia e da sua diplomacia. Com uns EUA mais isolacionistas e estrategicamente mais caóticos isso será mais difícil.

CHINA      MUNDO      RÚSSIA      GEOPOLÍTICA

COMENTÁRIOS:

Francisco Almeida: Para além da mesquinha autodefesa e autopromoção pessoal, Bruno Cardoso Reis nada consegue explicar de novo. Reino do Meio ou Império Central, tanto faz. O que importa é o significado, que tem séculos e resistiu a dinastias e regimes. A China situa-se entre o Céu e a Terra e está destinada a governar a barbárie inferior. É curiosa a estatística, 50 visitas a Washington e 75 a Pequim, mas bastaram duas. Trump e Putin separados por dois dias, transmitiram a imagem de que os negócios do mundo, resolvem-se em Pequim. É uma imagem fortíssima porque "em política o que parece, é" também é válida em política internacional.

manuel rodrigues: Gosto de ouvir o BCR, independentemente de concordar ou não com ele. Vivemos de novo a época dos impérios. Os europeus, entretidos com a reengenharia social, os movimentos das maiúsculas, as bandeiras do orgulho, a amamentação, o consumismo como droga,.... Cuidem-se!

Ruço Cascais: Já andava ligeiramente preocupado se seria apenas eu que vejo a China como uma ditadura cínica, sinuosa e que não interessa nem ao menino Jesus. Ainda ontem vi uma notícia aqui no Observador sobre um romance premiado de um escritor chinês que foi censurado na China. A notícia dizia assim:

"Primeiro romance em chinês premiado por Prémio Booker "não é publicável" na China. Combinação de temas — uma relação lésbica, uma protagonista japonesa, o passado colonial sem ser retratado como trauma, além da própria identidade taiwanesatorna o livro "não publicável" na China."

Relação lésbica:  corta

Protagonista japonês: corta

Pergunto ao Bruno Cardoso Reis se já alguma vez assistiu ou viu o funeral de um chinês em Portugal, ou se algum português alguma vez foi convidado para alguma cerimónia na comunidade chinesa como um casamento ou aniversário?  A resposta é não. E sabe porque é não? Porque os chineses não se misturam. Não perceber a China pode ser um erro muito maior do que não ter percebido Putin.