quarta-feira, 10 de junho de 2026

Não é, pois,

 

Milagre divino. Trata-se de IA, milagre humano.

Médio Oriente

Activar alertas

Inteligência Artificial ajuda a localizar e resgatar dois soldados norte-americanos após queda de helicóptero no Estreito de Ormuz

Esta foi a primeira operação deste tipo realizada pelas forças dos EUA para um resgate aquático. Donald Trump responsabiliza Irão pela queda do AH-64 Apache. Teerão nega ataque.

MARGARIDA VIEIRA DOS SANTOS: Texto

OBSERVADOR, 09 jun. 2026, 23:20

Helicóptero AH-64 Apache da Força Aérea israelita no dia 4 de junho de 2026

A Task Force 59, criada em 2021 e sediada no Bahrein, é a primeira unidade da Marinha dos EUA composta por embarcações não tripuladas e drones

AFP via Getty Images

Os dois tripulantes de um helicóptero do exército norte-americano, que caiu perto do Estreito de Ormuz na segunda-feira, foram localizados e resgatados por um drone de superfície da Marinha dos Estados Unidos, que opera de forma autónoma com recurso a Inteligência Artificial. Segundo a CBS News, esta terá sido a primeira operação deste tipo realizada pelas forças do país para um resgate aquático.

Os soldados do exército norte-americano a bordo do AH-64 Apache patrulhavam as águas ao largo da costa de Omã quando o acidente ocorreu. Foram resgatados por volta da 00h30 desta terça-feira, hora de Lisboa, cerca de duas horas após a queda. O drone de superfície não tripulado transportou os soldados para outro ponto na água, de onde foram retirados para um outro helicóptero, segundo declarações do porta-voz do Comando Central das Forças Armadas dos EUA (CENTCOM, na sigla inglesa), o capitão Timothy Hawkins, à CBS.

Os esforços de resgate foram liderados pelo Comando Central das Forças Navais dos EUA e pela 82ª Divisão Aerotransportada, com o apoio de unidades da Força Aérea e da Marinha dos EUA, incluindo a Task Force 59 da 5ª Frota dos EUA“, detalhou o CENTCOM, numa publicação na rede social X.

A Task Force 59, criada em 2021 e sediada no Bahrein, é a primeira unidade da Marinha dos EUA composta por embarcações não tripuladas e drones, sublinhou Timothy Hawkins.

Entretanto, Donald Trump, em resposta a jornalistas, após assistir ao jogo das finais da NBA na noite de segunda-feira, revelou que “os pilotos estão bem” e que “ninguém ficou ferido”, relata a CBS. Na madrugada desta terça-feira, responsabilizou o Irão pela queda do AH-64 Apache em Ormuz. “Os EUA terão, necessariamente, de responder a este ataque”, declarou o Presidente dos EUA na plataforma Truth Social.

Já os meios de comunicação social estatais iranianos afirmam que não foram realizadas operações militares aéreas do Irão no Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas, sugerindo que o país não terá abatido o helicóptero militar norte-americano, escreveu o The Guardian. Uma fonte militar avisou que haverá uma “resposta decisiva” a qualquer hostilidade por parte dos EUA.

O Pentágono, segundo a Reuters, tem vindo a investir em embarcações autónomas como forma de reduzir custos, expandir o alcance operacional e acelerar a resposta a ameaças.

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terça-feira, 9 de junho de 2026

10 de Junho e o Homem português

 

Portugal é, entre muitas outras coisas, uma ideia de Homem, que resulta de Atenas, de Roma, de Jerusalém, de Paris, Londres, Washington, Guimarães, Lisboa. Não deve pedir desculpas pela sua tradição.

NUNO GONÇALO POÇAS Advogado e Colunista do Observador

OBSERVADOR, 09 jun. 2026, 00:23

O actor espanhol Antonio Banderas esteve há dias diante do Papa Leão XIV, em Madrid, e, quando talvez tantos julgassem que dele sairia um discurso expectável vindo de uma figura pública, ainda para mais vinda do cinema internacional, cheio de lugares-comuns sobre diálogo e tolerância, resolveu falar de uma pergunta. Banderas, recordando a Semana Santa da sua Málaga natal, os olhos pregados na imagem da Virgem da Esperança, as procissões que transformavam as ruas em cenários de beleza e mistério, revelou não uma resposta definitiva, mas a pergunta que nele nasceu pelos quatro ou cinco anos de idade: «Deus?» E diria ainda algo que merece hoje uma atenção particular: a ideia de que precisamos de continuar a procurar beleza e verdade. Parece uma revolução. Nunca como hoje se falou tanto de diversidade, e ao mesmo tempo nunca como hoje se exigiu tanta uniformidade de pensamento. Nunca se falou tanto em ciência e em especialistas e nunca se colocou tanto em causa, ao ponto de silenciar quem, duvidando e fazendo perguntas, devia fazer a ciência avançar. Nunca se proclamou tanto o respeito pelas culturas e nunca se demonstrou tanta dificuldade em reconhecer a cultura que forjou o Ocidente que conhecemos e em que nos formámos. Nunca se exaltou tanto a importância das identidades e nunca se olhou com tanta suspeita para a identidade europeia e ocidental. O cosmopolitismo tornou-se numa espécie de religião do nosso tempo, entre tantas outras, como um dogma em que assenta o desejável espaço de encontro de povos, tradições e crenças, mas os seus sacerdotes são, não raras vezes, aqueles que encontram virtudes em todas as civilizações excepto naquela que tornou possível o próprio cosmopolitismo, incluindo aquelas que proclamam e praticam violentamente contra princípios e valores basilares da “civilização detestável” que é a nossa. Todas as heranças culturais são respeitáveis, excepto a nossa, de que nos devemos envergonhar. O resultado é evidente, e para uns será contrário ao desejado, embora para outros seja a ambição de uma vida e de um combate intelectual: não construímos uma sociedade mais aberta, mas antes uma civilização amputada ou envergonhada da sua própria memória, como se as civilizações se definissem mais pela perfeição do seu passado do que pelo que trouxeram ao mundo.

O Ocidente herdou a procura da verdade, do belo, a construção jurídica em torno da ideia de cidadania, a noção de que cada ser humano possui uma dignidade própria, independente da sua riqueza, origem ou condição. Foi da sua história que nasceram as ideias de liberdade, de limitação do poder político, da secularização do poder, dos direitos individuais, além de toda a ciência moderna, a universidade, o constitucionalismo, a própria ideia de Homem. Nada disto surgiu por geração espontânea, mas porque o Ocidente, a Europa em particular, tem raízes profundas que vêm sendo arrancadas por motivação ideológica e pelo pós-tudo, pós-liberalismo, pós-modernismo, pós-marxismo, pós-religião, pós-democracia, na verdade.

O nosso tempo é pródigo na produção de respostas e deficitário na colocação de perguntas. Desistimos da busca pela verdade, porque cada um tem a sua. Afinal, a tecnologia responde antes sequer de perguntarmos, os algoritmos escolhem por nós antes de pensarmos e decidirmos, a política anuncia soluções antes de compreender os problemas, a cultura entretém antes de inquietar, e não poucas vezes é a própria cultura que, julgando inquietar, acaba por pronunciar as suas respostas, no que comummente se designa por “activismo”. Banderas tem razão: é mais do que desejável que se recupere o espaço necessário para que as grandes interrogações que acompanharam a aventura do Homem voltem a ser colocadas: quem somos?, porque sofremos?, o que existe para além de nós próprios?, o que devemos aos outros?, quem queremos ser?

Amanhã é Dia de Portugal e talvez acabemos envoltos numa discussão estéril sobre o nosso lugar geoestratégico ao lado dos Estados Unidos da América, havendo quem o conteste e quem o defenda, como se houvesse sequer uma possível discussão racional sobre essa matéria, como se houvesse sequer uma dúvida sobre uma posição que tem uma natureza prática, mas também civilizacional. Podemos também acabar, como em tantos outros anos, a ouvir palavras vãs sobre a identidade portuguesa como uma espécie de folclore administrativo, a língua, Camões, os emigrantes, como quem fala de cozido de grão ou da nossa suposta e sempre alegada hospitalidade. Portugal é, entre muitas outras coisas, umas mais e outras menos importantes, uma ideia de Homem, que resulta de Atenas, de Roma, de Jerusalém, de Paris, Londres, Washington, Guimarães, Lisboa. É, absolutamente, uma herança que não deve pedir desculpas pela sua tradição intelectual, moral e espiritual.

Se o liberalismo pós-moderno acabou a reduzir todas as concepções de bem, de beleza, de verdade ou de natureza humana a uma condição de neutralidade absoluta, nós acabámos, necessariamente, por deixar de saber responder à pergunta «o que é o Homem?». A partir dessa ausência, desse vazio existencial, desembarca todo um rol de ausências de respostas a quaisquer perguntas. O Homem é apenas consumidor ou cidadão? Indivíduo ou pessoa? Desejo ou responsabilidade? Matéria ou espírito? Produto das circunstâncias ou portador de uma vocação universal? Portugal, que tem um passado assente numa forma particular de olhar o mundo, não pode viver dominado pelas dúvidas acerca de si mesmo, mas inquieto pelas perguntas que se coloca a si mesmo. E a maior pergunta de todas não se dissocia da razão pela qual deve e merece sobreviver e prosperar enquanto pátria e civilização: quem é o Homem português e ocidental que queremos defender?

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COMENTÁRIOS

josé cortes: Afinal há esperança. Mesmo que por vezes ela pareça ser só mais um dos inquilinos da caixa de Pandora, conseguem extrair-se  dela virtudes. O alinhamento para que este assunto da Identidade Ocidental, Europeia e Nacional se torne O assunto encima da mesa, secundarizando todos os outros, começa a ganhar forma e dinâmica.  Será razão para dizer Tudo vale a pena, quando a Alma ainda não é pequena.  No UK já pedem para tirar a cruz de Cristo da bandeira pois ofende os crentes de outras religiões. Teremos as nossas quinas a prazo, lá para a frente?  Depois, que alguns digam que há assuntos mais prementes, ou do dia-a-dia, para resolver, que isto é tudo revanchismo. Tristão: O que importa defender não é uma entidade biológica que nem sequer existe, mas uma herança cultural e política que tem 700 anos de história. É isso que importa defender e transmitir às gerações vindouras: desde logo a língua, costumes, valores e de certa forma uma maneira particular de estar no mundo.           João Floriano: Excelente reflexão e excelente texto. Muitas vezes as duas coisas, reflexão e texto, não coincidem. Mas desta vez sim. Em relação à pergunta final sobre o Homem Português que queremos defender, eu diria que não queremos e  bem pelo contrário os ataques vêm de todo o lado. Consigo imaginar o futuro Homem Português e o que imagino não é brilhante: baralhado, confuso, medroso,  ignorante, cancelado, carregando sentimentos de culpa pelo passado. pela História, sem auto estima, sem sonhos, sem projectos, que até é melhor não ter porque serão quase impossiveis de concretizar, sobrevivendo nas areias movediças da multiculturalidade. O Homem português ainda não desistiu mas é tudo uma questão de tempo.         Américo Silva: Quem deixa de respeitar os seus pais e avós, os seus sofrimentos conquistas e crenças, para venerar estranhos, não espere nada de bom.                             Fernando ce: Muito bom texto e pertinente reflexão.

Guerra

 

Ainda distante da “carne para canhão “de cá”, oxalá acabe por lá…

Sirenes soaram em Telavive, mas é no norte de Israel que a guerra parece não ter fim: "Gostava de ter bons vizinhos"

JOSÉ CARLOS DUARTE (Telavive e norte de Israel): Texto

Telavive voltou a estar sob alerta após uma nova troca de ataques entre Irão e Israel. Mas é no norte de Israel que o conflito permanece mais tenso, com Hezbollah e IDF em confronto desde 2023.

JOSÉ CARLOS DUARTE (Telavive e norte de Israel): Texto

OBSERVADOR, 08 jun. 2026, 20:44

ÍNDICE

Como Telavive viveu os ataques — e como EUA e Israel podem estar a afastar-se

Norte do Israel. Onde o conflito parece não terminar

Artilharia. Este é um dos primeiros sons que se ouvem quando se está perto de um miradouro em Kisra Sume’a, a cerca de 20 quilómetros da fronteira entre o Líbano e Israel. “É normal”, desarma Sarit Zehavi, que foi tenente-coronel nas Forças de Defesa israelitas (IDF, sigla em inglês) e que hoje se dedica à investigação militar no Centro de Pesquisa Alma. Afinal, os combates terrestres entre as IDF e os militantes do Hezbollah prosseguem naquela região, apesar do frágil cessar-fogo em vigor.

Muito perto do miradouro está uma estrutura de betão pesada e visualmente pouco atractiva: trata-se de um bunker. É para aquele espaço cinzento que se deve correr caso se ouçam sirenes ou se veja um objeto nos céus. Mas com um pormenor muito importante, como explica Sarit. Fruto da proximidade da fronteira — e dos locais de onde a milícia xiita lança os rockets e drones — há poucos segundos para se ir para o abrigo: cerca de 15 a 30 segundos. Mais do que isso? É arriscado.

Entre Israel, Hezbollah e o Irão, as últimas horas foram marcadas por uma escalada da tensão. Este domingo, depois de dois meses sem registo de quaisquer ataques de parte a parte, o regime iraniano — juntamente com os Houthis do Iémen — lançaram vários mísseis para várias partes de território israelita, justificando-o como uma vingança contra as IDF por estas terem atacado o sul de Beirute. Em resposta, Israel também retaliou e atacou solo iraniano nas horas seguintes.

Bunker perto do miradouro

ÍNDICE

Como Telavive viveu os ataques — e como EUA e Israel podem estar a afastar-se

Norte do Israel. Onde o conflito parece não terminar

Em Telavive, onde o Observador está hospedado para uma viagem com jornalistas convidado pela European Jewish Association, as sirenes ouviram-se pelo menos três vezes entre as 06h00 e as 09h00 desta segunda-feira (menos duas horas em Lisboa). Os alertas sonoros e os abrigos voltaram à rotina da cidade de 450 mil habitantes. No entanto, a normalidade reinou na localidade. As pessoas continuaram a caminhar, os carros a andar nas estradas e as lojas abertas — afinal, Israel vive este cenário há cerca de três anos.

Nos próximos dias, a situação deverá alterar-se. Esta segunda-feira, Israel e Irão concordaram em cessar os ataques aéreos. O Presidente norte-americano fez vários apelos nas redes sociais e declarou que não queria que os dois países voltassem a atacar-se, principalmente durante o processo negocial que decorre para terminar com a guerra entre Teerão e Washignton. Numa chamada telefónica, Donald Trump terá influenciado o primeiro-ministro israelita a não retaliar na noite de domingo — mas Benjamin Netanyahu não acatou directamente as ordens do seu maior aliado.

Como Telavive viveu os ataques — e como EUA e Israel podem estar a afastar-se

Pessoas a jogar voleibol. Outras a nadar no mar. Umas a fazer desporto ou a beber um iced coffee — às 08h30 da manhã já estavam cerca de 25 graus Celsius em Telavive. Apesar de as sirenes terem tocado na cidade três vezes esta segunda-feira, há uma sensação de calma e normalidade perto da praia de Gordon, uma das mais centrais. Na marginal, existem várias sinalizações de bunkers de poucos em poucos metros. GettyImages-2279913385

Pessoas na praia de Telavive esta segunda-feira

AFP via Getty Images

ÍNDICE

Nos próximos dias, é expectável que os céus de Telavive e de outras partes do país regressem à normalidade, se bem que a situação possa mudar a qualquer momento. Este domingo, o país aumentou o nível de perigo dentro das fronteiras e as escolas estiveram encerradas, medida que já foi levantada esta segunda-feira. O Irão foi o primeiro a assegurar que ia cessar os ataques aéreos, seguindo-se depois Israel. Apesar desta trégua frágil, os dois países deixaram as mesmas ameaças: se o inimigo o atacar, a resposta será com “toda a força” e muito violenta.

Desde que os Estados Unidos da América (EUA) e Israel atacaram o Irão a 28 de fevereiro, o conflito directo entre Teerão e Telavive parecia relegado para um segundo plano face à posição norte-americana. A lógica aparentava ser que os EUA funcionavam como o parceiro maior da aliança com Israel contra o regime iraniano. Quando Donald Trump ameaçava acabar com o regime, Israel acompanhava estas posições. Quando Donald Trump sinalizava ceder a algumas vontades ao Irão, a diplomacia israelita sentia algum desconforto. Porém, o desagrado era sempre em surdina — em círculos diplomáticos — e raramente em público.

Ora, esta dinâmica alterou-se recentemente. Surgiu, por exemplo, a informação de que Donald Trump insultou Benjamin Netanyahu durante uma chamada telefónica. O Pentágono levantou a possibilidade de Israel estar a espiar os Estados Unidos. Começa a existir uma tensão nas relações entre os dois países, que esta segunda-feira se tornou mais visível.

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Pessoas no bunker em Telavive Anadolu via Getty Images

ÍNDICE (Como Telavive viveu os ataques — e como EUA e Israel podem estar a afastar-se. Norte do Israel. Onde o conflito parece não terminar)

Nascido no Irão, Beni Sabti é um dos principais especialistas sobre política iraniana em Israel. Participa em vários programas informativos, em que partilha as suas opiniões sobre o regime iraniano. Este domingo, o analista estava em directo no Canal 12 israelita, uma das principais estações televisivas em Israel. Quando chegou a informação de que Donald Trump ia falar ao telefone com Benjamin Netanyahu, admitiu que ficou “pessimista” e com a impressão de que tinha sido “uma conversa difícil”.

Em declarações a media estrangeiros, incluindo o OBSERVADOR, BENI SABTI confessou que “deixou de entender Trump”. “A cada cinco minutos, existe outro tweet e outra frase e outra coisa”, referiu. Esta perspectiva de que o Presidente norte-americano está sempre a mudar de ideias em relação à situação do conflito está cada vez mais presente na mente dos israelitas.

Ainda assim, o especialista que nasceu em território iraniano, mas que vive em Israel há décadas, acredita que Benjamin Netanyahu “convenceu ligeiramenteDonald Trump de que teria de atacar o Irão. “Talvez tenha prometido um ataque limitado, mas Israel tinha de atacar e de reagir, destacou.

"Netanyahu talvez tenha prometido um ataque limitado, mas Israel tinha de atacar e de reagir." Beni Sabti, especialista em política iraniana em Israel

“ÍNDICE” Como Telavive viveu os ataques — e como EUA e Israel podem estar a afastar-se. Norte do Israel. Onde o conflito parece não terminar

Caso estes ataques mútuos continuarem, Beni Sabti opina que será Israel a assumir a liderança de uma nova ofensiva. “Será mais Israel. Acho que os [norte-americanos] vão ajudar com a logística, a defesa aérea e os sistemas que vimos [no domingo] na Jordânia — os THAAD”, refere o especialista. No mesmo sentido, o analista também acha que houve “algum choque” entre os iranianos por esta aparente falta de coordenação entre Telavive e Washignton.

Norte do Israel. Onde o conflito parece não terminar

Se nos céus de Telavive e Teerão não se deverão avistar drones nem ouvir sirenes, no norte de Israel e no sul do Líbano a situação é muito diferente. Neste momento, as IDF ocupam parte da fronteira libanesa, de cerca de 12 quilómetros, para atacar o Hezbollah, um dos membros do eixo de resistência iraniano no Médio Oriente.

Sarit Zehavi vive numa comunidade muito perto da fronteira. A sua vida mudou radicalmente desde outubro de 2023. Grande parte das aldeias israelitas na proximidade com o Líbano tiveram de ser evacuadas desde o início da guerra na Faixa de Gaza, muitas continuaram a sê-lo até ao início de 2025. A mulher que foi tenente-coronel nas IDF dedica-se agora a estudar os impactos do Hezbollah no norte de Israel e como a milícia armada tem criado disrupções na vida da população.

Sarit Zehavi perto do miradouro

ÍNDICE: (Como Telavive viveu os ataques — e como EUA e Israel podem estar a afastar-se. Norte do Israel. Onde o conflito parece não terminar)

No centro de pesquisa Alma, que está integrado num grande edifício com quatro pisos, Sarit Zehavi mostrou aos jornalistas várias imagens. A sala tem prateleiras com destroços de mísseis e drones, que as IDF recolheram no sul do Líbano. A apresentação incide sobre o que descobriram as Forças de Defesa de Israel em território libanês, desde a primeira grande operação militar no Líbano em setembro de 2024.

Sarit Zehavi revela imagens de túneis que diz terem sido construídos pelos militantes do Hezbollah. As infraestruturas subterrâneas, que apenas tinham entrada e não saída, terão permitido inclusivamente a infiltração em solo israelita. Para além dos dados que vai mostrando aos jornalistas, a especialista não deixa de fazer apartes sobre a sua vida pessoal: fala sobre como teme pela vida dos filhos diariamente e sobre como os tem instruído para servirem nas IDF.

Isto é uma guerra psicológica”, lamenta. A especialista israelita dá conta de todas as disrupções na vida quotidiana no norte de Israel. “Não posso fazer um casamento com mais de 100 pessoas. Antes ainda era pior, eram apenas 50”, exemplifica. Ao contrário do resto de Israel, aquela parte do país continua sob ameaça — e nenhum cessar-fogo parece ser suficiente para resolver totalmente o problema.

"Nós vimos que escondem armas em casa. O Hezbollah é um Estado dentro do Estado. Dá [aos libaneses] comida, bebida, acesso a educação. E, em troca, quer que eles escondam armas em casa."

Sarit Zehavi

ÍNDICE (Como Telavive viveu os ataques — e como EUA e Israel podem estar a afastar-se Norte do Israel. Onde o conflito parece não terminar)

A especialista, cuja mãe nasceu no Líbano, desabafa que “gostava de ter bons vizinhos. Mas até lá, sublinha, Israel vai ter de continuar a defender-se, mantendo a ofensiva contra o Hezbollah e ocupando partes da fronteira com o Líbano. “Nós vimos que eles escondem armas em casa. O Hezbollah é um Estado dentro do Estado. Dá [aos libaneses] comida, bebida, acesso a educação. E, em troca, quer que eles escondam armas em casa”, diz.

Naquela sala, Sarit Zehavi mostra inúmeras imagens e vídeos da “propaganda do Hezbollah”. Em particular, imagens de novos drones que a atormentam. O motivo? Não são detectáveis pelo sistemas de defesa aérea — nem mesmo pelo sofisticado Iron Dome. São feitos a partir de cabos de fibra óptica e escapam à rede montada. Os drones são, por agora, apenas “um problema táctico”. “Mas pode transformar-se num problema estratégico. Porque Israel tem de atacar o sul de Beirute para parar a construção destes drones. E, em resposta, o Irão ataca Israel e Israel ataca o Irão.”

Actualmente, os governos libanês e israelita estão a negociar directamente sob mediação norte-americana, mas o Hezbollah tem tentado boicotar as negociações directas entre as duas partes. O Irão continua a querer contar como grupo armado para criar problemas a Israel, sendo que a especialista até assinala que a milícia planeava fazer o seu próprio 7 de Outubro no norte de território israelita. “Se o fizessem, apenas paravam em Haifa.”

Em muitas cidades israelitas, a normalidade retornou na tarde desta segunda-feira. Pessoas foram jantar fora, havia crianças a brincar em parques e a praia Gordon continuou cheia, com muitos a aproveitar as temperaturas agradáveis de Telavive. No norte de Israel, porém, foi mais um dia ansioso e tenso.

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granel cardoso: Nunca deixam os Israelitas acabar o "trabalho", i é, eliminar o hezbollah...e dar liberdade ao Libano.