sábado, 31 de outubro de 2026

Cordialidade, sem dúvida


Do PS, que manda… pode e quer, no seu país sempre bem-amado.


PS vai tentar obrigar Governo a canalizar receitas extraordinárias da inflação para resposta à crise. Governo preocupado

Miguel Santos Carrapatoso: Texto

Rita Tavares: Texto

Socialistas estudam mecanismos para financiar medidas para custo de vida, incluindo canalizar a receita extra de IVA gerada pela inflação. Governo acompanha estratégia do PS com muita preocupação.

30 out. 2026, 19:36

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O PS tem prometido que as suas propostas de alteração ao Orçamento não vão agravar o saldo orçamental de 0,1% previsto pelo Governo. Para cumprir esse compromisso, está a estudar formas de compensar eventuais perdas de receita ou aumentos de despesa decorrentes das medidas que venham a ser aprovadas. Segundo apurou o Observador, a bancada parlamentar está a ponderar soluções que vão além das adoptadas no ano passado e uma das fórmulas para o conseguir passará pelo travão à receita fiscal extraordinária.

Em primeiro lugar, o PS vai propor no Orçamento do Estado um mecanismo de compensação imediata para as medidas de resposta ao aumento do custo de vida que pretende ver em vigor logo no início do ano. Carneiro já tinha defendido a sua aplicação em outubro, mas, nessa altura, não conseguiu sequer que o Parlamento aprovasse uma recomendação ao Governo nesse sentido. Agora, o partido levará essas medidas ao Orçamento, novamente com carácter temporário, acompanhadas de uma solução directa para compensar, pelo lado da receita, o respetivo impacto orçamental assim que entrem em vigor.

Já para financiar a eventual necessidade de prolongar essas medidas, caso a situação de crise persista, os socialistas vão também propor o mecanismo anunciado por José Luís Carneiro no debate do Orçamento. A solução que está a ser trabalhada pelo grupo parlamentar do PS e será também apresentada como proposta de alteração ao Orçamento prevê canalizar a receita fiscal adicional gerada por uma inflação superior aos 2,3% previstos para o ano — a tal que se faz “à custa dos sacrifícios dos portugueses” — para as medidas de resposta ao aumento do custo de vida que seja necessário manter.

O Governo acompanha tudo isto com preocupação e, sobretudo, enorme desconfiança. No caso do tal mecanismo de compensação imediata que o PS quer adoptar, os sociais-democratas reconhecem que existe um risco real de haver aquilo que se convencionou chamar ‘coligações negativas‘ entre o partido de José Luís Carneiro e André Ventura, com o Parlamento a impor medidas contra a vontade e orientação estratégica do Governo.

A outra frente de batalha do PS — a tal solução que está a ser trabalhada pelos socialistas de canalizar a receita fiscal adicional gerada por uma inflação superior a 2,3% — seria, aos olhos do PSD, uma violação flagrante de uma regra fundamental do direito orçamental, o princípio da não consignação, que estabelece que “não pode afetar-se o produto de quaisquer receitas à cobertura de determinadas despesas”. A Lei de Enquadramento Orçamental di-lo expressamente, ainda que admita também várias excepções e preveja claramente que é possível fazê-lo desde que “com carácter excepcional e temporário”.

Com os dados lançados, essa será, muito provavelmente, a batalha político-jurídica das próximas semanas. Esta quinta-feira, em entrevista ao Observador, Luís Testa, o secretário nacional adjunto do PS e vice da bancada do PS, apontava o caminho do partido: “A inflação está num percurso muito assinalável” e que isso significa “um aumento também ao nível da receita do IVA que está qualificado, do ponto de vista orçamental, como extraordinário e temporário. É exactamente essa a analogia que queremos para a diminuição do IVA dos produtos dos bens alimentares: não apresentamos uma proposta para reduzir o IVA do cabaz alimentar para todo o exercício do ano 2027″.

Tal só terá aplicabilidade prática se a inflação superar a previsão do Governo e daí resultar um acréscimo de receita para o Estado. E é isso mesmo que os socialistas acreditam que vai acontecer, sendo que não são os únicos: na análise à proposta de Orçamento do Estado, o Conselho das Finanças Públicas também identificou “riscos predominantemente ascendentes para a inflação”. A instituição notou que “uma evolução dos preços superior à incorporada no cenário macroeconómico poderá traduzir-se num aumento da receita fiscal nominal, em particular do IVA, atenuando eventuais desvios noutras componentes da receita”.

Joaquim Miranda Sarmentos tem-se desdobrado em avisos à navegação. "É importante os partidos mostrarem responsabilidade. O PS mostrou isso com esta decisão de responsabilidade, que eu espero que agora mantenha na fase de especialidade. É muito importante que o Orçamento que saia do Parlamento não seja desvirtuado. Não basta apenas viabilizar o Orçamento. É preciso não desvirtuar e garantir que o Orçamento que sai não venha com as contas desequilibradas"

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PSD antecipa Carneiro a cair na própria armadilha

Há um ano, o PS também entrou na negociação do Orçamento na especialidade com o objectivo de preservar o saldo inicialmente previsto. Apresentou, por isso, mecanismos de compensação que podem vir a ser repetidos este ano. Na proposta que fez para transformar um suplemento pontual aos pensionistas num aumento permanente das pensões, por exemplo, previa, se necessário, um ajustamento das taxas de IRC num ponto percentual para conseguir financiamento adicional.

Outro exemplo foi a proposta que destinava prioritariamente a receita adicional que resultasse da retirada do desconto no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) à redução do IVA de um conjunto de alimentos essenciais. Nesse caso, o PS associava directamente a eventual descida do IVA à receita que permitiria financiá-la.

As duas propostas tinham dois números, mas, em ambos os casos, a medida e a referência ao seu financiamento estavam reunidas no primeiro. Essa organização procurava evitar que a votação separada dos números — que os partidos podem pedir durante a votação do OE na especialidade — permitisse aprovar a medida com custos para o Estado e rejeitar apenas a respetiva compensação.

As duas propostas acabaram chumbadas, mas, desta vez, o PS admite que o Chega possa viabilizar algumas das suas alterações. Por isso, a intenção é manter a cautela de reunir, no mesmo número de cada artigo, as medidas e as respectivas compensações, para evitar que uma votação separada comprometa o saldo orçamental que prometeu preservar.

Se isso acontecesse, a AD acabaria por atribuir aos socialistas a responsabilidade política por esse agravamento, acusando-os de irresponsabilidade orçamental. É uma imagem que o PS quer evitar a todo o custo: a disciplina orçamental tornou-se uma bandeira cara ao partido, sobretudo pelo peso de ter liderado o último Governo que pediu o resgate financeiro, em 2011.

Existe, porém, um capítulo que preocupa especialmente os socialistas nesta fase: o reforço do financiamento das freguesias, cujo cumprimento o líder do PS prometeu assegurar. Na “Carta de Compromisso Político: + Freguesias, Agir e Pensar Portugal”, assinada em janeiro, depois de um acordo político entre PSD, PS e PCP, previa-se um reforço de verbas destinadas às freguesias no Orçamento do Estado para 2027. Ora, os autarcas socialistas já se queixaram de não existir esse reforço na proposta do Governo. Garantir o cumprimento do acordo terá um impacto significativo nas contas públicas e o PS terá também de encontrar uma forma de o compensar.

Sarmento dramatiza perante eventual aliança PS – Chega

Os sociais-democratas estão efectivamente preocupados com esta eventual aliança entre PS e Chega — não por acaso, André Ventura aproveitou o debate orçamental para dizer que se as propostas de José Luís Carneiro forem “boas para Portugal”, serão “aprovadas e viabilizadas” pelo Chega. Isto levanta óbvios problemas ao Governo. Uma coisa é fazer campanha contra a “irresponsabilidade” de PS e Chega; outra coisa muito diferente é, uma vez garantido o saldo orçamental, explicar aos eleitores o porquê de estar a chumbar medidas que, independentemente do grau de acerto, seriam sempre populares.

Existe, porém, uma esperança mal disfarçada entre sociais-democratas: que José Luís Carneiro se deite na cama que fez. Ou seja, que o PS perca o controlo das votações e que o Chega só aprove as tais medidas populares e rejeite as medidas de compensação, que implicam sempre fazer escolhas e que se corte em algum lado. No limite, e tal como aconteceu quando Rui Rio liderava o PSD na oposição, seja no caso do descongelamento do tempo de carreira dos professores (2019), seja no caso da descida do IVA da Luz (2020), José Luís Carneiro pode colocar-se na circunstância de ser forçado a chumbar medidas que propôs.

Apesar de todos os cálculos, Joaquim Miranda Sarmento tem-se desdobrado em avisos à navegação. “É importante os partidos mostrarem responsabilidade. O PS mostrou isso com esta decisão de responsabilidade, que eu espero que agora mantenha na fase de especialidade. É muito importante que o Orçamento que saia do Parlamento não seja desvirtuado. Não basta apenas viabilizar o Orçamento. É preciso não desvirtuar e garantir que o Orçamento que sai não venha com as contas desequilibradas”, voltou a pedir o ministro das Finanças, em entrevista ao Expresso.

A solução que está a ser trabalhada pelo grupo parlamentar do PS e será também apresentada como proposta de alteração ao Orçamento prevê canalizar a receita fiscal adicional gerada por uma inflação superior aos 2,3% previstos para o ano — a tal "ganha à custa dos sacrifícios dos portugueses" — para as medidas de resposta ao aumento do custo de vida que seja necessário manter.

Há outra picardia recente entre AD e PS: a troca de acusações sobre quem mais aumentou impostos durante a governação. Os socialistas preparam-se para aparecer na especialidade com uma proposta com a qual pretendem expor o Governo nesta matéria. A alteração proposta passa por colocar um tecto máximo de actualização permitido no Código dos Impostos Especiais sobre o Consumo, como explicou o coordenador do PS para o Orçamento, António Mendonça Mendes, na quarta-feira à noite, no canal Now.

“A taxa dos Impostos Especiais de Consumo (IEC) permite que o Governo a possa aumentar entre x e y e, no que depender do PS, este y vai descer neste Orçamento para que o Governo das próximas vezes que quiser actualizar o imposto dos combustíveis” tenha de ir ao Parlamento para ter essa aprovação.

O Código dos IEC estabelece limites para as taxas do ISP e é dentro desses intervalos que o Governo fixa, por portaria, as taxas efectivamente cobradas, sem precisar de passar pelo Parlamento. O PS pretende reduzir o tecto legal para o valor actualmente aplicado, obrigando o Governo a passar pelo Parlamento se quiser aumentar o imposto para além disso.

A medida não reduziria, por si só, a receita actualmente cobrada, já que manteria as taxas que estão hoje em vigor. O seu efeito seria limitar mais aumentos futuros. Face ao saldo previsto para o próximo ano, a medida seria neutra, por não estarem contabilizadas receitas com uma subida dessas taxas.

No Orçamento para o próximo ano, o Governo até prevê arrecadar mais 186 milhões de euros com o ISP, uma subida de 5,2%, acima da inflação prevista. Mas explica que esse salto previsto “decorre do crescimento esperado no consumo privado” — e não de um aumento do imposto. O PS está, no entanto, apostado em expor a margem de que o Governo dispõe para aumentar o imposto sem passar pelo Parlamento e impedir que a use para arrecadar mais receita com os combustíveis. E poderá vir a ter a ajuda do Chega para o conseguir.

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COMENTÁRIOS

JPGSG Não tem vergonha, este PS, sempre a condicionar o governo. Deixem o governo, governar. Pelintras, comunistas.

Joao Valente:  Ridículo o PS. O sentimento de controlo persiste no partido do rato.

Ricardo Pinto:  Então, mas afinal quem está a governar?

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

«Dois rapazinhos a saltar à corda…»


É o que me lembram estes conflitos mundanais que por aí grassam, por enquanto na distância ainda de nós outros, leitores de jornais ou assistentes televisivos, mas sempre na previsão do seu alastramento, como geralmente acontece…

Desejamos o paralelo com a lengalenga infantil:

“Um chama-se Pedro, outro chama-se Paulo: Sai o Pedro e sai o Paulo”.

O mal – para nós, sem dúvida - é se a corda estica, como acontece sempre, nestas histórias guerreiras, que começam entre os homens do poder no mundo…

 Mariana Carvalho

Bom dia.

Abrimos este liveblog para acompanhar ao minuto os principais conflitos mundiais, com destaque para a guerra entre Rússia e Ucrânia e as tensões no Médio Oriente.

Pode consultar as notícias da passada quinta-feira no artigo em directo que agora arquivamos.

1 de 1 Arquivado - 30 out. 2026, 07:15

«Coligação saudita intercepta drones houthis sobre Meca. Houthis negam e dizem que apenas lançam ataques a "infraestruturas petrolíferas e bases militares"

Mariana Carvalho: Texto

Arquivado - 30 out. 2026, 07:15

Momentos-chave

Coligação saudita intercepta drone houthi sobre Meca. Grupo iemenita rejeita estar na origem dos ataques.

O porta-voz dos hothis Yahya Saree, citado pelo Al Jazeera rejeitou a acusação saudita, afirmando que o grupo iemenita “não realizou qualquer operação que visasse o território saudita” no dia de hoje.

De acordo com o responsável, as operações houthis apenas incidem sobre “infraestruturas petrolíferas e bases militares”.


quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Revisão de conceitos


Imprescindíveis. O Dr. Salles não “perdoa”. E assim vamos fixando as normas necessárias a uma cidadania humanística, que tantas vezes falha, pedagogicamente falando...

DO HUMANISMO

outubro 27, 2026

Este é tema tão vasto que só o laconismo nos salva de tratados maçudos e enfadonhos.

Centremo-nos na política: diz-se humanista toda a política cujo cerne consiste na defesa e na promoção da pessoa; por outras palavras, é humanista a política que considera o Estado como servidor do cidadão, por oposição as políticas tirânicas que têm a pessoa como servidora do Estado.

Foi à custa de milhões de mortos que, a partir de 1945, a Europa Ocidental centrou a sua governabilidade no humanismo, mas foi só em Novembro de 1989 que o leste europeu começou a aprender a viver no modo da responsabilidade cívica, ou seja, naquilo a que vulgarmente se chama liberdade.

Mas a relação biunívoca entre liberdade e responsabilidade parece afugentar quem teme a responsabilidade individual preferindo, por isso, regimes autocráticos. E são mais do que a liberdade poderia sugerir como sendo a preferida dos europeus. Veja-se o caso dos «melanchónicos» franceses e dos «alternativos» alemães.

A diferença entre o humanismo e a tirania está, afinal, na governação por coligações com decisões negociadas ao contrário dos regimes tirânicos monolíticos com decisões rápidas, mas talvez imponderadas. A fronteira europeia não é ,pois, a inspiração liberal mas sim a essência humanista das políticas propostas - e essas são as do socialismo democrático, da social-democracia, da democracia cristã, do liberalismo e do conservadorismo.

Esta, a expressão da alternância governativa da governabilidade da Europa Ocidental.

Outubro de 2026

Henrique Salles da Fonseca

Comentários

Anónimo27 de outubro de 2026 às 16:13

Muito bem escrito caro Henrique.

Um grande Abraço

Eddy

Responder

Adriano Miranda Lima, 27 de outubro de 2026 às 17:20

Sim, se a política não estiver unicamente ao serviço do cidadão, deslustra completamente o seu significado. Por isso, só a democracia confere significado à política. Porque se a política é o confronto de opiniões livres para a resolução dos problemas da comunidade, o que só é possível com a democracia, resulta que a autocracia e a ditadura em nada se compaginam com qualquer ideia de política.

Quem, nos tempos conturbados que vivemos, clama pela reedição de ditaduras, está cego e não sabe.

Obrigado, Dr. Salles da Fonseca, por mais este belo momento de partilha de ideias.

Abraço

Adriano Lima

Responder

Henrique Salles da Fonseca28 de outubro de 2026 às 14:09

Belo texto. Talvez a nossa juventude aprendesse alguma coisa

António Barros

Henrique Salles da Fonseca28 de outubro de 2026 às 14:15

Caro Dr. Salles da Fonseca,

Concordo plenamente

Abraço

António Palhinha Machado

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