sexta-feira, 22 de maio de 2026

Há sempre

 

Motivos justificativos das acções humanas, as vaidades e ambições contando, naturalmente, para estas de que trata o texto de JNP, de potências que se prezam.

Justificação prévia do título de JNP: Armadilha de Tucídides é um conceito das relações internacionais, popularizado pelo cientista político norte-americano Graham T. Allison, que descreve a aparente tendência inexorável à guerra quando uma potência emergente ameaça substituir uma grande potência, já consolidada como hegemónica, no sistema internacional. O conceito foi cunhado e é usado principalmente para descrever um potencial conflito entre os Estados Unidos e a República Popular da China. O termo é baseado em uma citação do antigo historiador e militar ateniense Tucídides (c. 460 - 400 a.C.), que postulou que a Guerra do Peloponeso, entre Atenas e Esparta, havia sido causada pela preocupação espartana com o crescimento do poder ateniense, tornando a guerra inevitável. Thomas Hobbes traduziu Tucídides e elaborou os seus exemplos de três motivos para a guerra no Leviatã; daí surgiu também o conceito mais geral de armadilha de conflito conhecido como armadilha hobbesiana ou dilema de Schelling, que descreve a escalada de agressão envolvendo cálculo de vantagem de defesa armamentista e ataque preventivo. O conceito foi popularizado também na teoria dos jogos e pelo psicólogo Steven Pinker

Trump, Xi e a armadilha de Tucídides

Poderão o sonho chinês e o sonho americano – ou o Grande Rejuvenescimento da Nação Chinesa de Xi e o Make America Great Again de Trump – evitar a Armadilha de Tucídides e “andar de mãos dadas”?

JAIME NOGUEIRA PINTO Colunista do Observador

OBSERVADOR, 21 mai. 2026, 00:25

No fim da visita de Trump à China, e sem pretender acesso a segredos de Estado, é possível tirar algumas conclusões: os líderes dos dois grandes poderes mundiais – em economia, capacidade militar, inovação tecnológica, importância geopolítica – mostraram-se, cada um a seu modo, relativamente satisfeitos com os resultados da cimeira.  Trump, mais efusivamente satisfeito, tratando Xi por “grande homem” e “amigo” e falando sobretudo dos negócios conseguidos; Xi, mais moderadamente satisfeito, pensando sobretudo no reconhecimento implícito da China como potência equiparável aos Estados Unidos.

Seja como for, apesar da generosa adjectivação de um e da reserva prudente do outro, os dois homens têm muito para se entenderem: são ambos realistas, nacionalistas e amantes do poder. E são ambos autoritários, tanto quanto os respectivos sistemas políticos permitem – sendo que o de Xi permite muito e o de Trump muito pouco. O número 1 chinês não tem de contar com opinião pública, eleições ou oposição e foi subordinando o Partido Comunista e os militares à sua vontade; o número 1 norte-americano tem de contar com tudo aquilo com que Xi não conta e ainda com o clima hostil dos media americanos e europeus, onde, aparentemente, a crítica insultuosa ao actual inquilino da Casa Branca se instituiu como prova de virtude ou até de admissão à classe.

Política, Negócio e negócios políticos

Trump precisa das terras raras chinesas e a China depende dos microchips da Nvidia, cujo patrão, Jensen Huang, integrou a comitiva norte-americana. E se Trump e Washington têm um sério problemasair airosamente da guerra do Irão e restituir a liberdade de circulação ao estreito de Ormuz, – Xi e Pequim têm outroTaiwan. Ou seja, uma possível ajuda chinesa no Irão pode ter como preço uma cedência americana em relação a Taiwan. Ora o apoio a Taiwan é talvez o único ponto em que o Congresso norte-americano, radicalmente dividido, ainda converge. E para o próprio Trump, deixar cair Taiwan seria também uma inequívoca perda de face.

Xi, que tem cultura clássica (leu muito quando partilhou a desgraça do pai, na Revolução Cultural), lembrou a Trump a famosa “Armadilha de Tucídides”: o risco de guerra quase inevitável entre a potência dominante e a potência em ascensão que ameaça roubar-lhe a primazia. Aconteceu na Grécia, quando Atenas cresceu em poder marítimo, Esparta se assustou e rebentou a Guerra do Peloponeso.

Graham Allison, historiador e politólogo americano, escreveu em Agosto de 2012 no Financial Times sobre a actual emergência da velha Armadilha no Pacífico (“The Thucydides’s Trapehas been sprung in Pacific”):  a China era o grande poder em ascensão que, “dentro de uma década”, ultrapassaria os Estados Unidos, tornando-se “a maior economia do mundo.”

Ora tal não aconteceu. Segundo o FMI, em 2024, a economia norte-americana excedeu os 30 triliões, com a economia chinesa a ficar-se pelos 20 triliões. Desde o último encontro dos dois líderes, em 2017, apesar de a economia chinesa estar a crescer a uma média anual que duplica a média de crescimento americana (5,48% versus 2,5%), a disparidade mantém-se; porque se em Paridade de Poder de Compra as duas economias se apresentam mais próximas, em Renda Per Capita a diferença continua a ser abissal: os americanos somam 94.000 USD e os chineses 15.000.

De qualquer forma, no encontro de Pequim, Xi não hesitou em avançar com a Armadilha de Tucídides:

Podem a China e os Estados Unidos ultrapassar a Armadilha de Tucídides e estabelecer um novo paradigma de relações entre grandes poderes?”

E para reforçar a erudita questão e cativar o interlocutor, o líder chinês acrescentava um brinde ao brinde do banquete:

“Os povos da China e dos Estados Unidos são ambos grandes povos. O Grande Rejuvenescimento da Nação Chinesa e o Make América Great Again podem andar de mãos dadas.”

O nó do problema

Para Allison – que, confesso, não me convenceu com alguns exemplos de conflitos passados que sustentariam a sua tese da “inevitabilidade da guerra” (desde que há armas atómicas, a potência incumbente e a potência emergente deixaram, racionalmente, de se confrontar em guerra directa) –, ambos os interlocutores podem sair por cima da cimeira: Xi, com a China a ganhar o estatuto de principal parceiro ou rival da América; Trump na expectativa da tal mala cheia de bons negócios para as empresas americanas.

Porém, as questões políticas prementes, o Irão e Taiwan, parecem ter ficado a hibernar na ambiguidade diplomática. Segundo o The Straits Times de Singapura (em Fire and Water: Xi warns Taiwan issue could rupture China-US Ties), Xi não podia ter sido mais claro em relação a Taiwan, aconselhando Trump a ter o maior cuidado, sob pena de enveredar por um caminho perigoso capaz de os levar ao conflito. E apesar de o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ter vindo depois desdramatizar o aviso de Xi dizendo que a China se tinha limitado a repetir a deixa do costume a que os norte-americanos sempre respondiam reiterando a mesma posição, para depois seguirem para outros assuntos –, a verdade é que, desta vez, Xi foi mais categórico. E convém não esquecer que Trump, no regresso da China, foi avisando Taiwan para não falar em independência.

Pelo sonho é que vamos

Xi nunca se afastou do reconhecimento de um mundo multipolar, em que, além dos Estados Unidos e da China, há outros poderes importantes, como a Rússia de Putin e a Índia de Modi, e poderes médios, como a Turquia, a Arábia Saudita, o Japão, a Alemanha, Israel.  No entanto, com Trump, cedeu ao sonho de um mundo bipolar, com um eixo em Washington e outro em Pequim.  Segundo o presidente chinês, ele e Trump tinham concordado em criar uma relação construtiva e estrategicamente estável” entre os dois grandes poderes, que deviam ser “mais parceiros do que rivais”.

Lembre-se que Xi alterou profundamente o sistema de direcção colegial que vinha de Deng Xiao Ping, definiu o regime a que preside como “socialismo com características chinesas para uma Nova Era” e juntou-lhe um sonho, “o Sonho Chinês do Rejuvenescimento Nacional”. Foi este novo sonho chinês que ali estendeu a mão ao sonho americano de Trump, para partirem rumo ao pôr do sol, não em duelo, mas numa “relação construtiva e estrategicamente estável.”

É claro que todo este mundo de sonho aterra num mundo real seriamente abalado e prejudicado pela guerra do Irão e as suas consequências económico-financeiras.

Trump, que é menos errático do que parece, já percebeu o erro em que incorreu e quer sair dele, mas não de qualquer maneira. Até porque, além da hostilidade persistente da Esquerda, conta agora também com a crítica, nas suas hostes, dos conservadores mais realistas.

A sondagem publicada no New York Times de segunda-feira, 18 de Maio, é eloquente: 64% dos inquiridos considera a guerra com o Irão um erro de Trump, incluindo 22% dos republicanos. E só um terço do total dos inquiridos aprova a sua gestão da economia, a preocupação primeira dos eleitores, bem como a política do Presidente no conflito Israel-Palestina.

É certo que o New York Times não gosta de Trump e que sondagens são sondagens, mas a realidade não há-de estar muito longe disto. E já não falta muito para Novembro.

Receba um alerta sempre que Jaime Nogueira Pinto publique um novo artigo.

AMÉRICA       MUNDO

COMENTÁRIOS:

Francisco Almeida: Na realidade nada sabemos sobre o encontro. Apenas sabemos o que disseram depois e, obviamente, cada um disse o que lhe convém. Xi confirmou-se como interlocutor válido para os EUA e, ao receber Putín dois dias depois, passou a imagem de que o futuro do mundo se resolve na China. As duas questões curiais Taiwan e Irão não parecem ter solução. Se a China invadir ou bloquear Taiwan o Japão desencadeia a guerra, Seria uma repetição do Irão em que a primeira ministra do Japão substituía Netanyahu. No Irão os americanos estão a gastar demasiado (um Patriot de milhões de dólares para interceptar um Fattah de centenas de milhar e o custo de substituição do AWAC destruído anda na ordem dos 2,8 mil milhões) e Trump está cada vez mais pressionado pela opinião pública interna o que o Irão percebeu muito bem e usa a táctica negocial de oferecer alguma coisa mas nunca o essencial. É, como sempre foi, uma maneira de ganhar tempo. Diria que Trump está a perder nos dois tabuleiros. Mas é absolutamente revoltante, ver a "inteligentsia" europeia a regozijar-se com isso.                        victor guerra: A "armadilha "já foi herdada por Trump . Durante as administrações anteriores, a China tomou conta do mundo, da geo-politica do Oriente ao estatuto de "fábrica do mundo". Agora, até recebeu a rendição da indústria automóvel europeia. As "rotas da seda" ainda não estão em força, mas os chineses dominam os grandes investimentos em África. Como estamos a falar de potências nucleares, ninguém quer arriscar, então sorrisos e salamaleques . E a China não tem o "incómodo" de eleições e mudanças no poder. Era mais simples no tempo de Atenas e Esparta.                                Francisco Ramos: Parece que a solução aprovada pela opinião pública, em geral, teria sido deixar o Irão à solta, acabar de montar um cordão do aço à volta dos países do golfo, com a desculpa de que o objectivo era Israel, e claro quando os países do golfo acordassem do sono estariam a ser abocanhados pelo Irão, com uma mãozinha da China e da Rússia.                             Manuel Lisboa: Por partes: primeiro, económica e militarmente os EUA são, clara e inequivocamente, muito superiores à China e essa indiscutível e natural ascendência depende pouco ou nada de quem é o seu presidente da república, assentando na sociedade alicerçada em valores liberais e no sistema político baseado no estado de direito; segundo, a China continua a ser o que sempre foi um império mais ou menos dinástico, cujo progresso hoje em dia continua a depender da exploração de mão de obra ainda bastante barata em comparação com o ocidente e da utilização de tecnologia de origem ocidental, designadamente norte-americana - um pouco à semelhança do Japão, sobretudo das décadas de sessenta e setenta do século XX, porém os japoneses conseguiram, em parte graças à relativamente breve ocupação norte-americana após a II Guerra Mundial, conciliar o desenvolvimento económico com o passado e instituições de cariz demoliberal; e, portanto, por mais que o monolitismo secular chinês (o regime comunista contribui de maneira decisiva para acentuar essa tradição) tente,  nunca conseguirá igualar os EUA, apesar da disparatada incompetência da actual administração central de Washington. Estas três constatações não implicam, óbvio, que governos norte-americanos não estejam atentos e sempre activos a defender os seus interesses globais e regionais. Aliás, como todas as potências mundiais sempre fizeram. Ora aí encontra-se o busílis habitual da diplomacia dos EUA e também do uso das suas extraordinárias e únicas à escala mundial capacidades militares: conciliar a estratégia e o tacticismo. Esse é, por exemplo, o dilema do conflito da actualidade contra o Irão, como o foi, por exemplo, no Afeganistão e no Iraque. Estrategicamente essas guerras representaram decisões políticas e diplomáticas correctas e militarmente, numa primeira fase, os seus objectivos foram alcançados de maneira eficiente e até brilhante; contudo, houve evidente falta de capacidade táctica e imaginação para conseguir estabilizar esses países ou regiões. Depois, o preço exorbitante dessas operações tornou-se numa inevitabilidade e numa sociedade aberta os meios de informação precisam de vender e captar audiências, tornando perante a opinião pública qualquer contratempo, deslize ou mesmo desastre em erro, fracasso ou hecatombe. E nos casos referidos houve tudo isso e talvez mais. Neste domínio as observações de Jaime Nogueira Pinto são bem pertinentes.  Concluindo, a China é sem qualquer dúvida potência mundial muito importante. A Rússia arruinada deixou de ser facto relevante para passar a ser apenas perniciosa e perigosa. O peso dos estados europeus será forte, enquanto a NATO se mantiver e projectar coesão quanto baste, até porque se demonstram impraticáveis os ditirâmbicos projectos de forças armadas europeias autónomas, começando pela simples razão que os governos não querem gastar o dinheiro necessário para as criar e, principalmente, manter. Todavia, sublinhe-se, os EUA são ainda a única potência mundial incontornável e em qualquer região do planeta, independentemente de comportamentos irascíveis, obtusos, erráticos e cómicos do chefe da sua administração central. Lamentavelmente, há quase setenta anos que os EUA não têm nenhum dirigente do calibre e qualidades únicas de George Marshall; e Kissinger também já morreu.

Miguel Macedo: Muito bem! Como sempre!

Paulo Mariano: Obrigado. Muito bom.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

BALANCÉ


MUNDO. HOJE. Mais o Mundo de cada um de nós. Incluindo o de Trump com as exigências próprias dos que podem exigir, para enaltecimento próprio...

Em directo/ Donald Trump afirma que negociações com o Irão estão "por um fio"

“Estamos por um fio, acreditem. Se não obtivermos as respostas certas, as coisas podem mudar rapidamente", disse o líder dos EUA, notando que um acordo com o Irão pouparia "tempo, energia e vidas".

Manuel Nobre Monteiro: Texto

Actualizado Há 42m

epa12887701 US President Donald Trump speaks to members of the media outside the Oval Office of the White House in Washington, DC, USA, 13 April 2026.  EPA/SALWAN GEORGES / POOL       SALWAN GEORGES / POOL/EPA

Momentos-chave

Há 1h

Rússia envia munições nucleares para a Bielorrússia

Presidentes de Taiwan e dos Estados Unidos dispostos a dialogar directamente

Cuba condena acusação de Estados Unidos contra Raúl Castro

"Completamente inaceitável". António Costa condena vídeo publicado pelo ministro israelita Ben Gvir

Brasil condena tratamento "degradante e humilhante" a activistas da flotilha por Israel

Há 2h

Chefes da diplomacia dos países da NATO reúnem-se hoje na Suécia

Alemanha propõe associação da Ucrânia à União Europeia antes da adesão formal

Donald Trump afirma que negociações com Irão estão “por um fio”

Actualizações em directo

OBSERVADOR

"A China veste a capa de mediador, mas só alimenta a guerra"

O Coronel José do Carmo afirma que a China não é neutral e admite que Pequim usa o cinismo para se vender como pacificadora enquanto alimenta a máquina de guerra russa.

Ouça aqui o episódio na íntegra.

Manuel Nobre Monteiro

Rússia envia munições nucleares para a Bielorrússia

A Rússia enviou munições nucleares a instalações de armazenamento no terreno na Bielorrússia, no âmbito de um grande exercício nuclear, informou o Ministério da Defesa russo esta quinta-feira, citado pela Reuters

Os exercícios nucleares de três dias, que tiveram início na terça-feira, surge num momento em que Moscovo se encontra envolvida no que descreve como uma “luta existencial” com o Ocidente em relação à Ucrânia.

Esta missão de preparação terá como objectivo avaliar o estado de prontidão das forças militares russas e bielorrussas num caso de “ameaça de agressão”, verificando o processo de implementação de medidas de contenção de um “potencial inimigo”.

Agência Lusa

Presidentes de Taiwan e dos Estados Unidos dispostos a dialogar directamente

Os Presidentes de Taiwan e Estados Unidos manifestaram disponibilidade para dialogar, um gesto sem precedentes entre líderes em funções de ambos os governos e que poderá pôr em risco a relativa estabilidade das relações entre Washington e Pequim.

“Além de estar comprometido em manter o ‘status quo’ estável no estreito de Taiwan, o Presidente [William] Lai também está disposto a iniciar conversações com o Presidente [Donald] Trump”, indicou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Taiwan num comunicado enviado à agência de notícias EFE.

Trump afirmou na quarta-feira que falaria com o Presidente taiwanês, uma semana após a visita a Pequim, na qual disse ter “falado muito” sobre a ilha com o homólogo chinês, Xi Jinping.

Agência Lusa

Cuba condena acusação de Estados Unidos contra Raúl Castro

O Governo de Cuba condenou a acusação dos Estados Unidos contra o ex-presidente cubano Raúl Castro relativamente ao ataque a duas avionetas pelas forças da ilha, que causou quatro mortos há trinta anos.

“O Governo dos Estados Unidos carece de legitimidade e jurisdição para levar a cabo esta acção. Trata-se de um acto desprezível e infame de provocação política, que assenta na manipulação desonesta do incidente que levou ao derrube sobre o espaço aéreo cubano, em fevereiro de 1996“, apontou o Governo de Cuba numa declaração divulgada na quarta-feira.

Havana assinalou ainda que Washington “omite, entre outros detalhes, as múltiplas denúncias formais apresentadas por Cuba naquele período junto do Departamento de Estado, da Administração Federal de Aviação dos EUA e da Organização da Aviação Civil Internacional, sobre as mais de 25 violações graves e deliberadas do espaço aéreo” da ilha por parte da organização anti-castrista Hermanos al Rescate, sediada em Miami.

Manuel Nobre Monteiro

"Completamente inaceitável". António Costa condena vídeo publicado pelo ministro israelita Ben Gvir

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirma estar “consternado com o tratamento dado aos membros da flotilha pelo ministro israelita Ben Gvir”.

Numa publicação na rede social X, o antigo primeiro-ministro português escreveu que “este comportamento é completamente inaceitável”. “Exigimos a sua libertação imediata”, sublinhou.

O ministro israelita da Segurança Nacional partilhou esta quarta-feira um vídeo onde se podem ver os activistas da flotilha humanitária detidos em águas internacionais amarrados e obrigados a ajoelhar-se pelas autoridades enquanto ouviam o hino israelita.

Agência Lusa

Brasil condena tratamento "degradante e humilhante" a activistas da flotilha por Israel

O Governo brasileiro condenou o tratamento “degradante e humilhante” dos activistas da Flotilha Global Sumud detidos pelas autoridades israelitas, “em particular pelo ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir”.

O Brasil demanda libertação imediata de todos os activistas detidos, incluindo de quatro cidadãos brasileiros, assim como pleno respeito a seus direitos e à sua dignidade, em linha com os compromissos internacionais assumidos pelo Estado de Israel”, afirmou na noite de quarta-feira o Ministério das Relações Exteriores do Brasil em comunicado.

A Administração do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, muito crítica em relação a Israel desde que o país lançou a mais recente guerra contra a Faixa de Gaza, reiterou o repúdio pela intercepção, em águas internacionais, das embarcações que integravam a frota e pela detenção dos membros, acções que qualificou de ilegais.

Em imagens publicadas por Ben Gvir nas redes sociais, vêem-se os activistas num navio militar amarrados e amontoados, de joelhos com a cabeça no chão, enquanto soa o hino de Israel.

Agência Lusa

Chefes da diplomacia dos países da NATO reúnem-se hoje na Suécia

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO reúnem-se hoje em Helsingborg, na Suécia, para um encontro de dois dias que vai servir de preparação para a cimeira de julho em Ancara, na Turquia.

Em foco vão estar os temas do continuado apoio à Ucrânia, assim como os impactos da guerra no Médio Oriente e os orçamentos de Defesa dos Estados-membros da Aliança Atlântica, cuja meta foi revista no ano passado, para 5% do produto interno bruto (PIB) até 2035.

O encontro começa esta tarde com a recepção às delegações nacionais, entre as quais a portuguesa, liderada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.

Há 2h

Agência Lusa

Alemanha propõe associação da Ucrânia à União Europeia antes da adesão formal

O chanceler alemão Friedrich Merz sugere associar a Ucrânia à União Europeia, na ausência de uma adesão que levará tempo, numa carta dirigida aos líderes da UE, obtida hoje pela agência de notícias France-Presse (AFP).

 

“É evidente que não seremos capazes de concluir o processo de adesão num futuro próximo, tendo em conta os inúmeros obstáculos, bem como as complexidades políticas dos procedimentos de ratificação”, escreve Merz.

Consequentemente, Berlim propõe conceder a Kiev o estatuto de “membro associado”, uma “etapa decisiva” antes de uma adesão plena e completa.

O chefe do Governo alemão esclarece que não se trata de uma forma de “adesão light”, de segunda categoria, em resposta a uma Ucrânia que sempre se mostrou reticente face a diferentes ideias que visam fazê-la esperar no caminho da adesão.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reivindica uma “adesão plena” à UE, de preferência em 2027.

Segundo o governante alemão, o estatuto de “membro associado” permitiria à Ucrânia participar em certas reuniões do Conselho Europeu, que reúne os chefes de Estado e de Governo da UE, dispor de um comissário europeu “associado”, sem pasta, e de deputados europeus “associados”, sem direito de voto.

Agência Lusa

Donald Trump afirma que negociações com Irão estão “por um fio”

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que as negociações com Teerão estão “por um fio”, divididas entre um acordo para pôr fim à guerra e a retoma dos ataques contra o Irão.

Desde que anunciou na segunda-feira que iria suspender novos ataques para dar tempo às negociações, Donald Trump tem enviado sinais contraditórios, oscilando entre o optimismo e ameaças de retomar as hostilidades.

Veremos o que acontece. Ou chegamos a um acordo ou tomaremos medidas um pouco mais drásticas. Mas espero que isso não aconteça”, disse na quarta-feira o dirigente norte-americano aos jornalistas na Base Aérea de Andrews, em Maryland.

“Estamos por um fio, acreditem. Se não obtivermos as respostas certas, as coisas podem mudar muito rapidamente. Estamos todos prontos para agir. Precisamos de obter as respostas certas. Elas precisam de ser totalmente, a 100%, satisfatórias”, notou.

Trump acrescentou que um acordo com o Irão pouparia “muito tempo, energia e vidas”, estimando que poderia ser concluído “muito rapidamente, ou em poucos dias”.

Manuel Nobre Monteiro

Bom dia!

Abrimos este liveblog para acompanhar as tensões geopolíticas e conflitos mundiais, com especial destaque para a situação em torno da guerra na Ucrânia, no Médio Oriente.

Ago, agis, agere

 

Egi, actum.

Marcelo, dez anos depois, ou como "estar na maior"

“Sempre quis fazer diferente dos meus antecessores quando saísse de Belém, já tinha há muito começado a construir uma rede de iniciativas e programas. Não tenho um minuto livre”.

MARIA JOÃO AVILLEZ  Jornalista, colunista do Observador Jornalista, colunista do Observador

OBSERVADOR, 20 mai. 2026, 00:25  56

1Ando entretidíssimo! Não paro um minuto”. O desabafo aterrou há dias sem pré-aviso, passava da meia-noite. Não estranhei: desde o dia 9 de março de 2016 que esperava este momento sabendo que ele não poderia deixar de chegar quando tudo acabasse. Se havia coisa que eu metera na cabeça a partir do minuto em que – sem o meu voto – Marcelo Rebelo de Sousa entrara no Palácio de Belém, estava eu no Brasil, era que nunca me consentiria deitar fora uma amizade tão antiga e bem recheada, com a água do banho presidencial. Talvez tenha conseguido.

2No intervalo ficaram dez anos vividos por ambos entre uma distância claramente assumida da sua parte – nunca fui convidada para ir à Presidência da República – e uma frequente e activa crítica pública com a minha assinatura. Aprendi com Vítor Cunha Rego que “as coisas são o que são”. Foi o caso.

3Eram duas menos vinte da madrugada quando os telemóveis sossegaram e eu reencontrara o Marcelo de sempre. Com quem muito me encontrei e desencontrei, trabalhei, ri, discuti. (E que, inesquecivelmente, foi o autor de um sonoro elogio, quando um dia, após Ricardo Costa ter apresentado um livro meu, o então Presidente da República subiu inesperadamente a um dos palcos da Gulbenkian, evocou com argúcia o livro e foi generosíssimo com a autora.) Mas é dele que se trata e não de derivações sentimentais alheias. E ele “está na maior”.

4Sempre quis fazer diferente dos meus antecessores quando saísse de Belém, já tinha há muito começado a construir uma rede de iniciativas e programas. Não tenho um minuto livre”.

O telefonema daquela noite era a sua resposta nocturna a um email que lhe mandara nessa mesma tarde sugerindo finalmente reencontrarmo-nos, juntando os amigos do costume, o melhor era que me ligasse.

Estou muito realizado. Os portugueses adoram os mortos, para eles são sempre todos formidáveis quando morrem! E então os mortos-vivos como eu, não há palavras como adoram. Acolhem-me, festejam-me… Onde tenho ido, a festa é sempre total, com multidões. Apesar de ter muito que fazer, consegui passar de mil à hora para seiscentos e já não ‘me’ morrem militares nem bombeiros… Cansei-me da política. Sim, política nunca mais!”

5 O ritmo era veloz, o verbo imparável e o “política, nunca maisfora imperativo. Seguiram-se projectos, nomes, calendários, listas, etapas, moradas, lugares, e mil e mil convites, como se ele quisesse certificar-me da sua renúncia ao ar que respira.

Cansaço da política? Uma novidade.

A segunda foi ver o fogoso empenho com que se contou a ele mesmo, nesta nova encarnação. E o detalhe com que o fez: a rede de escolas onde irá ou já foi (“é lá que se decide o futuro”); a sua vontade em estar atento “à educação, à vocação, ao futuro” dos alunos; em pôr o foco na leitura e “na preparação que sobre ela os professores fazem nas aulas”; nos debates que “os estudantes fazem com eles próprios”.

Sim, claro, o Ministério da Educação está ao corrente, algumas bibliotecas também:

 “A juventude dá vida!”, garantia-me ele, cavalgando certezas.

 Faço programas trimestrais das idas às escolas que me convidam, são centenas. Vou diariamente ao meu gabinete, a equipa é pequena, há muito trabalho…  É que estou pelo menos quatro dias por semana em escolas!”

6Continua a contar-se (“não, não são só as escolas que me ocupam, há mais”).

Há: em curso estão já algumas iniciativas de “natureza social”, campo onde se sabe ter tido ininterrupta presença desde a adolescência; e outras ainda, em quatro ou cinco “domínios culturais”, prometendo Marcelo a sua “presença” em fundações, museus, conselhos literários.

Além de recentes idas a concertos, espectáculos, teatros…

“Tenho também ido muito a concertos, espectáculos, vou ao aniversário do Teatro Aberto, já tenho bilhetes para o Diogo Infante, no Trindade…”

Aparentemente, um carrossel onde ele entra incessantemente e do qual só sai para entrar na rodada seguinte. Racionalmente, uma forma de continuar convictamente com atividade pública ao serviço do país. Mesmo que por enquanto de forma algo acelerada.

7 Percebo, porém, que não quer que nada disto, nenhum programa, compromisso, ou calendário, tenha intervalo ou sofra interrupção. Trata-se de um leque de iniciativas pensadas e pré-preparadas com tempo e minúcia que passaram hoje a ofício substituto – e em full-time – deste (ex?)político.

Haverá porventura quem olhe para este súbito novo emprego de tempo e de vida como um “salva-vidas” da solidão, do súbito vazio; da desilusão; do reencontro dificílimo com a vida “normal” e dessa trivialidade quotidiana da vida fora dos palácios quando se acabou de sair deles.

Ou – pergunto a mim mesma – esta nova forma de vida será antes do mais o colete salva-vidas que não o deixará afogar-se nessa fininha, indizível melancolia do que poderia ter sido e não foi?*

8 E há a Igreja, claro. Fidelidade maior, inteira e intacta até hoje. Uma omnipresença que nunca conheceu quebra ou hesitação. O país viu o seu então Presidente escolher o Vaticano como destino da sua primeira visita oficial e ir a Roma nas vésperas de sair de Belém. Viu-o saber onde ir ou onde estar sempre que se tratava da Igreja e da representação ao mais alto nível do Estado português. E convicto e firme na sua atenção ao universo católico. A Igreja percebeu desde o primeiro minuto estar diante de um “católico proactivo com quem poderia contar – como me recordaria um dia alguém. E o Vaticano, também o percebeu: basta lembrar que o Papa Francisco veio a Portugal, duas vezes (2017/2023) nos mandatos presidenciais de Marcelo e que a relação entre ambas as instituições sempre foi séria e harmoniosa

Foi assim sem sombra de surpresa que ouvi o relato – como sempre veloz, neste telefonema sui generis – do almoço que o novo Núncio Apostólico, o espanhol D. Andrés Carrascosa Coso, rodeado da hierarquia religiosa portuguesa, ofereceu neste último abril ao ex-Presidente da República. (O anfitrião, amigo pessoal do Papa Leão XIV, renunciou aliás a sua vontade de, como previsto, se reformar este ano para aceitar o insistente convite do Papa para se mudar para Lisboa e ocupar a Nunciatura.)

“O Núncio é genial, inteligentíssimo”, entusiasmou-se Marcelo. E num fôlego:

“Convidou todos os cardeais, bispos e arcebispos, nem todos puderam ir mas estavam muitos, o ambiente do almoço foi excelente. Aproveitei para lhes deixar um alerta para esta ‘volta’ política e religiosa que está a ocorrer com os jovens entre nós e disse-lhes que não a podiam perder. Até insisti: olhem que esta onda não voltará…”

9Eram já quase duas da manhã quando consegui a muito (muito) custo, que Marcelo ouvisse uma pergunta minha (nunca se pode deixar de perguntar). Era sobre o seu sucessor, e quem não perguntaria?

Ah “têm falado muito”. Mais ao telefone que presencialmente, mas também já se viram algumas vezes: “Tem-lhe corrido tudo muito bem. Ainda não cometeu um só erro desde que está em Belém”.

Não? Nem a colocação da UGT como fiel da balança na negociação da Lei laboral? Nem as trapalhadas que irão certamente enredar o Pacto para Saúde? “Não”.

Taxativo: “Essas coisas foram ditas na campanha e não na Presidência da República. Em todas as campanhas eleitorais há o afã do falar, do dizer, cai-se sempre no “overacting”.

Marcelo dixit.

10Quando percebi que com a mesmíssima velocidade com que falara durante uma hora e meia, poderia também, dado o adiantado da hora, desligar velozmente o telemóvel, quis saber quando é que o carrossel pararia: “É até eu aguentar fisicamente… Mas assim também não penso em mais nada.”

Tal e qual: “não pensar em mais nada” (o carrossel não pode parar?). Então – ainda sugeri – e quando nos vemos, todos juntos? “Deixa passar algum tempo”.

Também ficou tudo nesta resposta.

PS: A propósito deste reencontro telefónico de longa duração, poderia ter-me ocorrido um balanço dos últimos dez anos que ele assinou – e encenou – em Belém. Nem me pareceu o momento, nem a circunstância. Talvez um dia. Mas o que aqui contei – e obviamente não contei tudo o que ouvi – foi intencional: dar a conhecer o silencioso trabalho que o cidadão Marcelo Rebelo de Sousa anda a fazer pelo país. Serviço público. Desenvolvido com propósito, uma energia empenhada e um imenso – indisfarçável – gosto. Não duvidei que tinha de ser contado.

Marcelo Rebelo de Sousa Presidente da República Política

COMENTÁRIOS

Manuel Lourenço: Um verdadeiro palhaço narcisista com quem espero nunca me cruzar.

António Soares: Ele "está na maior", já o país está um esgoto a céu aberto, tanta a excreta expelida pelos governos de Costa com a colaboração e apoio, por vezes entusiástico, do catavento Marcelo...

Paulo Almeida: Serviço público devia ter feito quando ocupava a posição de PR. Não o fez. Este texto é ridículo, transborda egocentrismo das 2 personagens.

Carlos Jerónimo: O eco da peçonha…

victor guerra: Que cheiro a naftalina

João Das Regras: Uma pessoa que não sabe sair de cena, não consegue abandonar o palco e quer ser adorado e por isso a escolha das escolas com os miúdos que pedem muitas Selfies e não fazem perguntas difíceis como a vergonha do caso das gémeas ou o filho metido nos prejuízos de milhões que a Santa Casa teve no Brasil, a vergonha das Reparações que ninguém pediu ou mesmo as constantes humilhações nos PALOPS ou no Brasil que aceitava porque que os Portugueses eram sempre culpados de qualquer coisa. Só me enganou na primeira vez, tenho será de respeito pela personagem.

Ricardo Ribeiro: Crónicas de uma bolha lisboeta/cascalense...

Pedro D.: Deve sentir uma angústia imensa o narciso mor quando não é o centro das atenções!! A figura pública mais patética de sempre em Portugal! Uma fraude política inventada pela igualmente patética comunicação social que continua radiante a dar-lhe gás!

Oscar gomes: Marcelo é uma fraude.... Um psiquiatra minimamente competente descreveria facilmente a sua patologia

João Floriano > João Das Regras: Subscrevo integralmente. De facto os miúdos não fazem perguntas embaraçosas.

João Floriano: Pois que fique na maior e ande entretidíssimo, mas bem longe dos portugueses. Marcelo não deixa saudades. mas o seu sucessor tão pouco as irá deixar.

João Diogo: Pois, está  claro , ele o homem das selfies está na maior , infelizmente o país não pode dizer o mesmo, após a passagem deste senhor que deu cobertura ao pior governo de sempre do Costa , igual só do Sócrates.

Manuel Magalhaes: Maria João, este personagem não me interessa… beijinho!

António Lamas: O que a MJA descreve confirma o que toda gente pensa da personagem. Um doente com o Síndrome de Peter Pan.  Ainda não cresceu e por isso mesmo ainda não constituiu família. A que existe foi um parêntesis.  Se tivesse esposa, de certeza que lhe diria, que às duas da manhã não é hora para se telefonar à ninguém.  Continua após a saída de Belém a provocar-me vergonha alheia como português

Maria Melo: “…vou ir…”? O que é isto? IREI, não? Depois de ler o artigo, até fiquei sem ar… Não sei como será falar com esta personagem. Eu não conseguiria!  É mais do mesmo… o deslumbre do Ego.

Tim do A: Marcelo, o presidente marxista woke.

Alberico Lopes: Maria João: Se pretende que ainda tenha alguma consideração por si, por favor não fale mais sobre este abencerragem

Oscar gomes > João Das Regras: Marcelo é um adulto com comportamento infantilizado e narcisista---

João Floriano > Ricardo Ribeiro: Nem mais!

João Floriano > Alberico Lopes: Eu subscrevo. Maria João Avillez escolheu fazer parte da tal bolha, de que tanto se fala. O agora tão falado virtue signalling não é exclusivo das esquerdas. Mesmo à direita há muitos adeptos.

graça Dias > João Das Regras: Subscrevo na integra. Mais, esta sua nova actividade traduz-se em doutrinação marxista Woke.

João Das Regras > P Ferreiro: Era recebido como todos são em África, são arregimentadas crianças para agitar bandeirinhas e grupos de dança tribal que são avós para fazer a festa, o resto são curiosos. Davam-lhe a rua e depois nos discursos humilhavam os portugueses porque afinal nós somos os culpados de 50 anos depois viverem atolados em corrupção e guerras quase tribais. Pois, já não engana ninguém

Oscar gomes > Alberico Lopes: Cheira muito a tia, não cheira?

Paulo Barreto: Grande Maria Joao! Apesar da idade, continua arguta e muito acutilante....