quarta-feira, 4 de março de 2026

BASE DAS LAJES


Posicionamento naturalmente amigável perante a sua utilização actual pelos EU.

 

INÊS ANDRÉ FIGUEIREDO: TEXTO

OBSERVADOR, 03 mar. 2026, 15:145

ÍNDICE

O que coloca a Base das Lajes no centro das atenções?

O que diz o acordo entre Portugal e os EUA?

Portugal deu autorização aos EUA? E em que prazos?

O que dizem os especialistas sobre a posição do Governo?

O Governo avisou o Presidente da República e os partidos?

Como têm reagido os partidos?

Que posição tiveram outros países em situação semelhante?

A Base das Lajes, nos Açores, está no centro das atenções devido ao ataque conjunto dos EUA e Israel ao Irão. A intensificação do movimento na base chamou a atenção e multiplicaram-se as dúvidas sobre se o Governo português teria ou não dado autorização aos EUA para usarem o local como base para aviões destinados ao ataque. PAULO RANGEL, ministro dos Negócios Estrangeiros, faz uma distinção sobre os dias antes e depois do ataque e assegura que “não houve nenhum envolvimento a partir da Base das Lajes no espoletar deste conflito”. Os partidos de esquerda querem ouvir justificações e o PS chamou Rangel ao Parlamento.

O QUE COLOCA A BASE DAS LAJES NO CENTRO DAS ATENÇÕES?

Os EUA e Israel, numa operação conjunta, nas primeiras horas de sábado, lançaram um ataque ao Irão que Donald Trump descreveu como uma “operação em massa e contínua para impedir que uma ditadura muito perversa e radical ameace a América”.

A missão resultou na morte do ayatollah Ali Khamenei, Líder Supremo do Irão. Nos dias seguintes, o movimento na Base das Lajes, nos Açores, intensificou-se, com a passagem de caças F-16 e cargueiros militares. E, no domingo, dia seguinte ao ataque, treze aviões reabastecedores descolaram da base.

As dúvidas sobre o enquadramento das recentes movimentações de forças norte-americanas nas Lajes multiplicaram-se, ao serem levantadas questões sobre se houve ou não autorização do Governo para que os aviões dos EUA (que teriam como destino o Irão) passassem e reabastecessem nos Açores e, mais do que isso, se essas aeronaves passaram antes ou depois de uma resposta do Irão à ofensiva.

O QUE DIZ O ACORDO ENTRE PORTUGAL E OS EUA?

O acordo de cooperação e defesa entre Portugal e os EUA sobre a Base das Lajes foi assinado pela primeira vez em 1951 e foi revisto e actualizado em 1995, sendo essa a versão que está em vigor. Para o assunto em causa há dois pontos fundamentais a ter em conta, quando é preciso apenas um aviso e quando há a necessidade de uma autorização.

No entendimento ficou explícito que os EUA precisam de informar Portugal quando está em causa a “condução de operações militares resultantes da aplicação das disposições do Tratado do Atlântico Norte” (leia-se acções no âmbito da NATO) ou de decisões tomadas no quadro da Organização do Tratado do Atlântico Norte, sendo que nesses casos não está prevista “objecção de Portugal”.

Nestes termos estão também incluídasoperações militares de outras organizações internacionais de que ambas as partes sejam membros” e desde que tais decisões tenham sido apoiadas por Portugal.

Porém, há um artigo onde ficou explícito que é precisa autorização prévia — e que deve ser o caso desta situação. “Qualquer utilização pelos Estados Unidos da América das instalações referidas (…) que não decorra ou integre as situações previstas nos números anteriores do presente artigo deverá ser objecto de autorização prévia”.

Ou seja, no caso do ataque ao Irão não se trata de uma operação da NATO ou sequer com autorização da NATO, pelo que o entendimento é que os EUA teriam de pedir autorização e Portugal autorizar.

Portugal deu autorização aos EUA? E em que prazos?

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, tem assegurado, em várias entrevistas nos últimos dias, que Portugal concedeu uma “autorização condicional” para a utilização da Base das Lajes por parte dos EUA e que “não houve nenhum meio que, a partir dos Açores, fosse utilizado em qualquer ataque até então”.

Essa autorização, tem justificado Paulo Rangel, foi dada apenas depois de os norte-americanos terem informado que tinham realizado uma intervenção militar no Médio Oriente e depois da resposta do Irão.

O governante realçou que a autorização “foi dada no sábado” e é assente em “três condições fundamentais”: que seja uma “resposta e, portanto, uma retaliação, [numa] lógica defensiva”; que obedeça ao princípio da necessidade e da proporcionalidade; e que apenas vise alvos de natureza militar.

“Isto só tinha de ser feito quando fôssemos notificados de que haveria uma operação, uma intervenção militar”, entende Rangel, que havia explicado que até sexta-feira todas as autorizações dadas foram ao “abrigo do regime geral”. Há mais de 50 países que têm uma autorização anual permanente, que é o caso dos EUA — aquilo a que Paulo Rangel chamou de “autorizações tácitas”.

Nesses casos específicos, há “24 horas para analisar o pedido, que diz para onde [a aeronave] vai, de onde vem, se transporta ou não material militar”. Quando está em causa o último exemplo, com a presença de material “perigoso”, pode haver um “prazo um bocadinho maior” para responder.

 “Como não havia nenhum pedido relativo a qualquer intervenção militar, foi ao abrigo dessas autorizações tácitas [que se deram as aterragens]. Não está directamente relacionado com o acordo, foi fora dele que isso foi feito”, argumentou Paulo Rangel, frisando que é assim que “todos os governos portugueses” têm feito.

A partir de sábado a situação muda porque há uma operação militar em curso. Portugal recebe uma “comunicação dos EUA a dizer que tinha feito uma intervenção militar” e, segundo Rangel, entra-se no “regime integral do acordo”.

Portugal não esteve, nem estará, envolvido”, assegura o ministro dos Negócios Estrangeiros, sublinhando que “não houve nenhum envolvimento a partir da Base das Lajes no espoletar deste conflito”.

Numa entrevista ao Expresso tinha dito o mesmo de outra forma: “Não houve nenhum meio que, a partir dos Açores, fosse utilizado em qualquer ataque até então”. O momento aqui é chave da interpretação do Governo: o ataque só aconteceu no sábado e, como tal, quando se deu a autorização do Executivo português estava em curso uma operação militar.

O que dizem os especialistas sobre a posição do Governo?

Ao longo dos últimos dias tem havido dúvidas sobre se Portugal cumpriu o acordo, com diferentes visões sobre a interpretação do mesmo, principalmente antes dos recentes esclarecimentos de Paulo Rangel. Ao Observador, Miguel Monjardino, especialista em política internacional, explica que era relevante saber o que foi comunicado pelos EUA e a resposta que Portugal deu.

O ministro [dos Negócios Estrangeiros] parece-me fazer uma interpretação política do que está a acontecer e faz uma determinada interpretação daquilo que é o interesse nacional neste momento. Aponta para a necessidade de Portugal manter o relacionamento com os Estados Unidos numa época de grande mudança histórica”, explica.

Em termo de comparação, recorda que em 1973, a propósito da Guerra do Yom Kippur, “todos os países europeus fecharam o acesso às suas bases, não deixaram os norte-americanos passar nas suas bases em trânsito para o Médio Oriente e restou Portugal”.

“O Governo português tentou negociar com os EUA a passagem em troca determinadas coisas para a guerra colonial, e a resposta da administração norte-americana foi que o pedido só podia ser concedido pelo Congresso e que era mesmo preciso passar no país. O resultado foi que tivemos a tentação de dizer que não, levámos com um ultimato em cima e os aviões passaram.”

Bruno Cardoso Reis, em declarações ao Observador, no programa Explicador, também vê na decisão uma necessidade de Portugal mostrar que “é um dos aliados de confiança dos Estados Unidos” — sublinhando essa como a interpretação “mais generosa e mais estratégica”. Mas também considera que pode haver uma “espécie de inércia ou de receio de dizer que não aos EUA”.

“Portugal pode dizer que não e, se calhar, se os aliados europeus começarem a dizer mais que não aos Estados Unidos, os Estados Unidos percebem que afinal precisam de aliados e que as bases que têm na Europa não são um favor aos europeus; são uma grande mais-valia estratégica para os Estados Unidos”, realça o especialista.

O Governo avisou o Presidente da República e os partidos?

O ministro dos Negócios Estrangeiros assegura que simExplicou, no Observador, que na sexta-feira, quando chegou o pedido dos EUA — “sem nenhuma indicação de quando é que haveria ou não haveria nenhuma intervenção militar, mas que, caso houvesse, haveria um pedido de autorização”.

A seguir, o Governo fez “uma consulta ao Presidente da República, também para informar devidamente e pôr a par de todas as questões o Presidente da República eleito e os líderes dos principais partidos da oposição, sobre aquela que era a posição que pensava tomar”.

Como têm reagido os partidos?

O PS tem mostrado algumas reservas em relação a esta decisão, tendo já pedido para Rangel ser ouvido no Parlamento — de tal forma que o ministro dos Negócios Estrangeiros acusou o PS de “partidarizar” uma questão “extremamente sensível”.

Os socialistas já entregaram uma iniciativa à Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas para esclarecer o enquadramento das recentes movimentações de forças norte-americanas na  Base das Lajes.

No requerimento, os deputados do PS consideram que o aumento das movimentações na base militar, que tem sido observado nas últimas semanas, se “reveste de grande sensibilidade, subsistindo dúvidas quanto à finalidade última das operações em causa e o respetivo enquadramento jurídico internacional”.

Além disso, o PS considera que o ministro dos Negócios Estrangeiros “não tem sido suficientemente claro” quanto ao “enquadramento das referidas movimentações”, pelo que o partido o pretende ouvir no Parlamento.

O Livre anunciou, logo no sábado, que vai questionar o Governo sobre a utilização das Lajes pelos EUA.Aquilo que nos preocupa é o que pode ter sido o papel do Estado português, o papel do Governo português, por acção e por omissão, na contribuição para este ataque, desde logo, evidentemente, na utilização da Base das Lajes por parte das Forças Armadas dos Estados Unidos”, afirmou o deputado Jorge Pinto.

Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, rejeitou qualquer “cumplicidade do Estado português em ataques a outros países soberanos”. E o Bloco de Esquerda condenou a utilização da base açoriana para operações que considera “ilegais” e criticou a posição do Governo. Também o Bloco de Esquerda, pela voz de José Manuel Pureza, já criticou a gestão do Governo português.

Que posição tiveram outros países em situação semelhante?

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, ficou fora dos ataques — o que levou a críticas de Donald Trump —, mas autorizou o uso das bases militares por parte dos EUA, à semelhança do que aconteceu com Portugal.

 O Reino Unido não se envolveu nos ataques iniciais dos EUA e de Israel ao Irão. Essa decisão foi deliberada. Acreditamos que o melhor caminho a seguir para a região e para o mundo é um acordo negociado no qual o Irão concorde em desistir de quaisquer aspirações de desenvolver uma arma nuclear e cesse as suas atividades desestabilizadoras em toda a região”, explicou no Parlamento britânico.

Decisão diferente tomou Espanha, com o ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, José Manuel Albares, a anunciar que recusou que os Estados Unidos utilizem as bases militares de Rota (Cádis) e Morón de la Frontera (Sevilha) para a operação militar no Irão.Não vamos emprestar as nossas bases para nada que não esteja no Tratado ou que não se enquadre na Carta das Nações Unidas”, realçou o ministro dos Negócios Estrangeiros.

Bruno Cardoso Reis acredita que na base da decisão estará o facto de o país ter um “Governo de esquerda e até com uma coligação muito à esquerda, que não tem tido problemas, pelo contrário, em ter posições muito de choque directo com Trump  e o facto de a Espanha investir “muito nas relações com o mundo árabe”. “Mais do que Portugal”.

Açores      País      Sociedade      Base das Lajes      Governo      Política      Irão      Médio Oriente      Mundo      Estados Unidos da América      América

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terça-feira, 3 de março de 2026

CONCLUSÃO

 

Do texto precedente: «Em directo/ Marco Rubio diz que mudança de regime não é o objectivo principal dos EUA»

OBSERVADOR, 3/3/26

«Uso das Lajes», um pretexto

Para “liquidar” o Governo, talvez. Poderia este ter feito outra coisa?

 

Há 4h22:18 MARINA FERREIRA 

Israel diz ter destruído a sede da emissora estatal iraniana

O exército israelita acaba de anunciar que destruiu o “centro de media e propaganda filiado ao regime terrorista iraniano”, ou seja, a sede da emissora estatal iraniana IRIB.

“O Exército de Defesa acaba de lançar novos ataques aéreos, com orientação precisa da Directoria de Inteligência, visando alvos filiados ao regime terrorista iraniano”, escreve Avichay Adraee, porta-voz do exército de Israel na rede social X.

“Há instantes, aeronaves da Força Aérea lançaram dezenas de munições e destruíram o centro”, afirma Adraee, garantindo que as forças do regime iraniano “têm usado o centro para promover operações militares sob a cobertura de media e instalações civis, além das actividades rotineiras de propaganda realizadas no seu interior”.

“O exército de Defesa continuará a alvejar a infraestrutura do regime iraniano em Teerão”, garante-se ainda no post do porta-voz nas redes sociais.

 

HÁ 4H22:05 AGÊNCIA LUSA 

Guterres pede reabertura das passagens de fronteira para Gaza

O secretário-geral da ONU pediu esta segunda-feira a reabertura “o mais rápido possível” dos pontos de passagem para Gaza, após o bloqueio israelita anunciado no sábado, que já está a ter “impacto humanitário”, afirmou o porta-voz de António Guterres.

“Dada a capacidade de armazenamento limitada e a destruição em toda esta zona de guerra, nós e os nossos parceiros estamos a trabalhar arduamente para manter um fluxo de abastecimento sustentável e previsível, apesar das restrições, mas isso não pode continuar com um bloqueio total. É imperativo que todos os pontos de passagem sejam reabertos o mais rapidamente possível”, instou Stéphane Dujarric, em declarações à imprensa.

No sábado, Israel anunciou, como medida de segurança, o encerramento dos pontos de passagem para Gaza, incluindo a passagem de Rafah entre o Egipto e o território palestiniano, após o início dos ataques americanos e israelitas contra o Irão, seguido por represálias iranianas.

O COGAT, órgão do exército israelita responsável por assuntos civis nos territórios palestinianos, declarou esta segunda-feira que reabrirá as passagens para a Faixa de Gaza, fechadas desde sábado, “quando a situação de segurança permitir”, argumentando que a guerra com o Irão coloca em risco a vida do pessoal que administra os pontos de acesso.

Há 4h21:55 AGÊNCIA LUSA 

EUA atingem mais de 1.250 alvos nas primeiras 48 horas do conflito com o Irão

Os Estados Unidos atingiram mais de 1.250 alvos nas primeiras 48 horas do conflito com o Irão, divulgou hoje o Exército norte-americano.

Mais de mil alvos já tinham sido atingidos no primeiro dia da operação militar, segundo o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, Dan Caine.

Os alvos incluem centros de comando e controlo, instalações de mísseis balísticos, navios e submarinos, bem como instalações de mísseis antinavio, de acordo com dados divulgados pelo Comando Central dos EUA (Centcom).

Há 4h21:41 AGÊNCIA LUSA

Seis militares dos EUA mortos na ofensiva contra o Irão

O Exército norte-americano elevou hoje para seis o número de militares mortos na ofensiva em curso contra o Irão, após confirmar a morte de mais dois efectivos dados como desaparecidos.

Em comunicado, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) afirmou que “as forças norte-americanas recuperaram recentemente os restos mortais de dois militares que estavam desaparecidos numa instalação atingida durante os ataques iniciais do Irão na região”.

O Pentágono (Departamento de Defesa norte-americano) tinha confirmado no domingo a morte de três militares e já hoje o CENTCOM indicou que um quarto militar, gravemente ferido durante os ataques iniciais iranianos, acabou por sucumbir aos ferimentos.

Há 4h21:34 AGÊNCIA LUSA 

Agência Portuguesa do Ambiente acompanha situação de segurança nuclear na região

A Agência Portuguesa do Ambiente anunciou hoje estar a acompanhar a situação da segurança das instalações nucleares no Médio Oriente devido ao conflito na região e disse manter uma monitorização contínua dos níveis de radioatividade no território nacional.

Enquanto autoridade competente para a segurança nuclear e a protecção radiológica e face às preocupações manifestadas pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) quanto à protecção das instalações nucleares no Médio Oriente, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) disse acompanhar “a evolução da situação através dos mecanismos internacionais de cooperação nestas matérias”.

Em comunicado, a agência lembrou que mantém operacionais mecanismos permanentes de vigilância, designadamente a Rede de Alerta de Radioatividade no Ambiente (RADNET), assegurando a monitorização contínua dos níveis de radioactividade no território nacional.

Esta rede está operacional e é acompanhada de forma permanente” e permite a “detecção precoce de eventuais alterações radiológicas, assegurando a vigilância permanente do território nacional e apoiando a avaliação rápida de situações com potencial impacto radiológico, independentemente da sua origem, nacional ou internacional”, assegurou a APA.

Há 4h21:27 CÁTIA BRUNO 

Paulo Rangel: Portugal deu "autorização condicional" aos Estados Unidos para usar as Lajes

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, esclareceu em entrevista à CNN em que condições foi autorizada a passagem de aeronaves norte-americanas pela base das Lajes.

Rangel explica que essa autorização só foi dada no sábado, quando o primeiro ataque já tinha ocorrido, o que significa que nenhum dos aviões usados nessa operação terá passado pelas Lajes. “Não houve nenhum meio que a partir dos Açores fosse utilizado em qualquer ataque até então”, garantiu, por não ter sido dada a autorização até então.

A “autorização condicional” imposta pelo Governo português inclui três obrigações:

A base só pode ser utilizada em caso de resposta, ou seja, de retaliação a um ataque iraniano;

O ataque tem de obedecer aos princípios da necessidade e proporcionalidade;

Os alvos da operação têm de ser apenas de natureza militar.

“Os EUA naturalmente comprometem-se a cumprir essas condições”, assegura o ministro.

Paulo Rangel anunciou ainda que, quando surgiu o pedido de autorização dos norte-americanos, o Governo informou o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente-eleito António José Seguro e três líderes de partidos da oposição — o ministro não especificou quais —, para transmitir a resposta que tencionava dar. “Feita esta consulta, tomámos a decisão já no sábado, já estava o ataque feito”.

Há 5h21:04 CÁTIA BRUNO 

Marco Rubio diz que mudança de regime não é o objectivo principal dos EUA

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, clarificou que a operação militar que está a decorrer no Médio Oriente tem como objectivo a destruição “dos mísseis balísticos de curto alcance do Irão e a ameaça da sua Marinha” e não a mudança do regime — no entanto, se o povo iraniano se mobilizar nessa direcção, Rubio diz que os EUA receberão isso de braços abertos.

Em concreto, o secretário de Estado defende que o Irão estava a usar o seu armamento tradicional como “escudo” do programa nuclear. “Vai chegar a uma altura que eles têm tanto armamento convencional que ninguém pode fazer nada sobre o seu programa nuclear. Estavam a fazer isso, a tentar colocar-se numa posição de imunidade”, diz.

Questionado sobre se está em curso uma mudança de regime, Rubio sublinha que “não é esse o objectivo”. “Esperamos que o povo iraniano possa derrubar este Governo e estabelecer um novo futuro”, afirma. “Adorávamos ter um Irão que não fosse liderado por clérigos xiitas radicais, mas o objetivo desta missão é destruir a sua capacidade de mísseis balísticos e da Marinha.”

Quanto à decisão de atacar neste momento, Rubio anuncia que foi uma antecipação. “Sabíamos que ia haver um ataque israelita, que isso ia precipitar um ataque [do Irão] contra forças americanas e que se não agíssemos preventivamente íamos sofrer mais baixas”, explica. No entanto, diz que a operação “tinha de acontecer de qualquer maneira”, “mais cedo ou mais tarde”.

Quanto à possibilidade de enviar soldados para solo iraniano, Rubio afastou para já essa hipótese, mas remeteu para o Presidente a decisão final. Prometeu que a operação ainda se vai intensificar — “a próxima fase vai ser ainda pior para o Irão” — e não se comprometeu com qualquer prazo para o fim da operação.

Há 5h20:49 ANA SUSPIRO 

Conflito no Golfo pode ter "outros impactos a prazo" para além dos preços. Galp está em contacto com o Governo e prepara cenários

Galp Energia espera pelos próximos dias para perceber impacto da crise no Golfo. Estão em contacto com o Governo e a preparar cenários. E admitem efeitos a prazo, para lá da subida dos preços.

Há 5h20:28 ANA SUSPIRO 

Ataque, retaliação e contágio. O que está em risco no Estreito de Ormuz e quem é mais afectado em 11 respostas

O Estreito de Ormuz, controlado pelo Irão, é estratégico, mas está bloqueado. A Ásia pode ser a mais afectada no acesso ao gás e petróleo, mas a Europa não escapa a preços mais caros.

Há 6h20:23 AGÊNCIA LUSA 

Congresso norte-americano prepara-se para votar limites de Trump

O Congresso dos Estados Unidos prepara-se para votar esta semana iniciativas que visam limitar os poderes na guerra contra o Irão do Presidente norte-americano, Donald Trump, cujo Partido Republicano detém maioria nas duas câmaras parlamentares.

Perante um Presidente que expandiu o controlo do poder executivo sobre o legislativo desde o seu regressou à Casa Branca, em janeiro de 2025, alguns membros do Congresso insistem em reafirmar a autoridade dos representantes eleitos do único órgão autorizado pela Constituição a declarar guerra.

“Trump lançou uma guerra desnecessária, insensata e ilegal contra o Irão”, defendeu o senador democrata Tim Kaine na rede social X logo após o início do conflito, desencadeado no sábado com bombardeamentos dos Estados Unidos e Israel.

Há 6h20:14 CÁTIA BRUNO 

Irão fecha Estreito de Ormuz e ameaça bombardear navios que passem por ali

O Irão acabou de anunciar que o Estreito de Ormuz está oficialmente encerrado.

De acordo com a agência Reuters, o Governo anunciou que irá bombardear qualquer navio que tente passar.

Há 6h20:08 LUÍS SOARES

“Não sabemos os objectivos reais desta guerra”

Liliana Reis afirma que ainda é incerto se a ofensiva visa apenas neutralizar a ameaça iraniana ou mudar o regime. Ainda acrescenta que um conflito prolongado e mais alargado não deve ser excluído. (Ouça aqui o novo episódio de Gabinete de Guerra da Rádio Observador.)

Há 6h19:54 AGÊNCIA LUSA 

Raimundo critica iranianos que celebraram ataque militar e acusa Governo de hipocrisia

O secretário-geral do PCP criticou hoje os iranianos que se juntaram à frente da embaixada do Irão em Lisboa para celebrar a ataque militar que resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei e acusou o Governo de hipocrisia.

Numa conferência de imprensa após uma reunião do Comité Central do PCP, na sede nacional do partido, em Lisboa, Paulo Raimundo considerou a operação militar norte-americana e israelita no Irão um “acto de guerra que conta, incompreensivelmente, com a cumplicidade de um Governo que parece apostado em querer arrastar Portugal para a agressão”.

Há 6h19:54 RICARDO CONCEIÇÃO 

Uso das Lajes: EUA avisaram ou foi só um “deixa andar”?

A polémica aterrou nos Açores e ninguém quer ficar com a bomba nas mãos. Afinal houve pedido formal ao Governo ou apenas silêncio conveniente? E será que Passos Coelho regressa à vida política? (Ouça aqui o novo episódio de E o vencedor é… da Rádio Observador.)

 

 

“ELA”

 

 Está para vir”. É Trump quem o diz, não sei se com regozijo. Mas parece que já começou.


Em directo/ Marco Rubio diz que mudança de regime não é o objectivo principal dos EUA

Caças russos usados pelo Irão abatidos pelo Qatar. Trump diz que "situação está prestes a ficar ainda mais perigosa" e que "grande onda" de ataques está para vir. NATO vai manter-se fora do conflito.

MIGUEL PINHEIRO CORREIA: TEXTO

OBSERVADOR, 3/3/26

Actualizado Há 1h

Momentos-chave

Há 1hEmbaixada dos EUA em Ríade terá sido atingida por dois drones

Há 2hIncêndio deflagra na embaixada dos EUA na Arábia Saudita depois de ser ouvida explosão

Há 3hSeis soldados americanos que morreram foram atingidos em ataque a centro de operações no Kuwait

Há 3hEUA para cidadãos norte-americanos no Médio Oriente: "SAIAM JÁ"

Há 4hIsrael diz ter destruído a sede da emissora estatal iraniana

Há 4hPaulo Rangel: Portugal deu "autorização condicional" aos Estados Unidos para usar as Lajes

Há 5hMarco Rubio diz que mudança de regime não é o objectivo principal dos EUA

Há 6h Irão fecha Estreito de Ormuz e ameaça bombardear navios que passem por ali

Há 6hEmbaixador de Israel em Portugal diz que há "planos secretos" com os EUA sobre duração da operação, mas que "isto é só o início"

Há 6hEmbaixador do Irão em Portugal responsabiliza Governo por uso das Lajes: "Se faz parte de uma agressão, tem a sua própria responsabilidade"

Há 7hSoldado do Kuwait morre em "operação"

Há 7hIrão diz que para os inimigos os "dias felizes" acabaram: "Não vão estar a salvo nem nas próprias casas"

Há 7h"Posição portuguesa deve ser explicada aos portugueses pelo primeiro-ministro do país", defende Carneiro sobre a Base das Lajes

Há 8hDrone atinge tanque de combustível nos Emirados, situação está "contida"

Há 8hGuarda Revolucionária reivindica ataque a petroleiro norte-americano no estreito de Ormuz

Há 8hDefesa dos EUA não revela detalhes sobre eventual operação no Irão, "porque isso seria dar dicas ao inimigo", mas "demorou meses a planear"

Há 8hNATO: O que EUA estão a fazer "é muito importante", mas Aliança vai manter-se de fora

Há 9hEmirados Árabes Unidos assumem custos diários da estadia de passageiros retidos no país após encerramento do espaço aéreo

Há 9hMNE iraniano terá gritado com enviados americanos durante as negociações

Há 9hSecretário da Defesa dos EUA sobre ameaças de retaliação. "Se matarem ou ameaçarem norte-americanos, nós vamos atrás de vocês"

Há 9hDrones que atingiram base no Chipre terão sido disparados pelo Hezbollah

Há 9hTrump entrega medalhas a militares e vai divagando sobre temas do seu mandato

Há 9hTrump foca-se na construção do salão de baile da Casa Branca: "Estas cortinas são lindas"

Há 9h"Estamos mais adiantados do que as nossas projecções de quatro a cinco semanas"

Há 9hTrump sobre o Irão: "Eles são doentes e sinistros"

Há 9hDonald Trump: objectivo da operação é "obliteração do poder nuclear do Irão"

Há 9hTrump não descarta envio de tropas terrestres norte-americanas para o Irão

Há 9hAcções norte-americanas nas bases aéreas britânicas "serão vigiadas"

Há 9hPutin falou com vários líderes de países do Golfo. Avisou para o perigo de um conflito regional e pediu "diplomacia"

Há 10hEmbaixada de Portugal nos Emirados Árabes Unidos recebeu indicação de que aeroporto do Dubai vai realizar alguns voos a partir de hoje

Há 10hReino Unido não se juntará a EUA e Israel nos ataques ao Irão, mas vai ceder bases aéreas "para um propósito de autodefesa colectiva"

Há 10h"A situação está prestes a ficar ainda mais perigosa", avisa Trump sobre o Irão

Há 10hTrump diz que EUA estão a "dar tareia" ao Irão. Mas garante que "grande onda" de ataques ainda está para vir

Há 10hOuvidas fortes explosões perto de centro de pesquisa nuclear no Irão

Há 10hObjectivo dos ataques dos EUA ao Irão não é uma "mudança de regime", diz Hegseth

Há 11hTrump deve falar sobre Irão em breve

Há 11hNetanyahu diz que Irão vai "ameaçar toda a humanidade" e agradece ao "grande amigo" Trump

Há 11hEmirates Airlines retoma voos esta noite

Há 11hMulher de Khamenei morreu dos ferimentos do ataque de sábado

Há 11hAeronaves norte-americanas deixam bases em Espanha depois de governo espanhol declarar que bases não podem ser usadas para ataques ao Irão

Há 11hIrão. Montenegro espera que diálogo seja retomado e manifesta preocupação com portugueses

Há 11hFrança. Macron anuncia aumento do número de ogivas nucleares e cooperação mais estreita com outros países europeus

Há 12hHegseth não exclui envio de tropas norte-americanas para o Irão

Há 12hVoos de Dubai para vários destinos retomam esta noite, mas com limitações

Há 12h"Operações permanecerão activas no Médio Oriente e em todo o mundo", chefe do Estado-Maior do Exército dos EUA

Há 12h"O Irão preparou-se para uma guerra longa", afirma chefe do Conselho Supremo de Segurança iraniano

Há 13hEstados Unidos procuraram solução pacífica, mas Irão "não estava a negociar", afirma Hegseth

Há 13h"Fake news". Israel nega que gabinete de Netanyahu tenha sido atingido

Há 13hEstados Unidos anunciam morte de mais um militar no Médio Oriente

Há 13hIrão. Líder de transição aparece em público com desejo de uma solução rápida para o futuro do país

Há 13hLíbano proíbe actividades militares do Hezbollah e exige entrega de armas

Há 13hMíssil iraniano faz 19 feridos em Beersheba

Há 13hArábia Saudita ameaça atacar Irão

Há 14h"Apanhei-o antes que ele me apanhasse". Trump falou com jornalista sobre Khamenei

Há 14hSucessor de Khamenei? "Não vai ser nenhum dos que pensávamos porque também morreram no ataque", diz Trump

Há 14hArmazém de armas entre as infraestruturas do Hezbollah atingidas por Israel

Há 14hOperação da Galp está "muito centrada no Atlântico", mas já redirecionou algumas cargas

Há 14hInterceptados dois drones que tinham como alvo base aérea britânica no Chipre

Há 15hActividades militares do Hezbollah são "ilegais", diz primeiro-ministro do Líbano

Há 15hTrês caças F-15 norte-americanos caíram depois de atingidos por fogo amigo

Há 15hSánchez condena ataques "indiscriminados" no Médio Oriente e apela ao regresso da diplomacia e do diálogo

Há 15hTerminal de aeroporto do Chipre evacuado

Há 15hGuarda Revolucionária do Irão afirma que gabinete de Netanyahu foi alvo de ataques iranianos

Há 15hAtaques "flagrantes" do Irão ao Qatar "não podem ficar sem resposta", avisa Governo qatari

Há 15hJordânia encerra parcialmente o espaço aéreo devido aos "desenvolvimentos regionais actuais"

Há 15hIDF anuncia morte de iraniano "que liderou acções terroristas contra judeus" e chefe da divisão de espionagem

Há 15hMísseis iranianos a caminho de Israel

Há 16hAgência da ONU "sem indícios" de ataques a instalações nucleares. Irão discorda

Há 16h"Não vamos negociar com os EUA", garante secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão

Há 16hVárias explosões nos céus de Doha

Há 16hTemido critica Trump. “Disse que ia acabar com todas as guerras e temos visto o iniciar de várias”

Há 17hIsrael deverá começar a reabrir espaço aéreo esta tarde

Há 17hCrescente Vermelho: Já terão morrido 555 pessoas no Irão desde sábado

Há 17hMinistro israelita ameaça líder do Hezbollah. Grupo vai pagar "preço alto" por atacar israelitas

Há 17hBolsas mundias em queda acentuada, numa reacção à escalada do conflito no Médio Oriente

Há 18hIsrael: luta contra Hezbollah pode levar "muitos" dias

Há 18hMinistro da Defesa do Kuwait confirma queda de várias aeronaves dos EUA

Há 18hMinistério da Defesa do Kuwait relata vários acidentes com aeronaves norte-americanas

Há 18hIDF partilha novas imagens sobre ataques no Irão

Há 18hFumo visto perto da embaixada dos EUA no Kuwait. Vídeo mostra caça a despenhar-se

Há 18hPetróleo sobe 6%. Brent perto dos 80 dólares

Há 19hLíbano. 31 mortos e 149 feridos em ataques de Israel

Há 19hHezbollah ataca Israel e sofre retaliação. Ouvidas explosões em Jerusalem

Actualizações em direto

Há 1h00:29 LARISSA FARIA

Ministério de Defesa do Qatar publica "resumo" dos ataques no Irão

No seu perfil na rede social X, o Ministério de Defesa do Qatar partilhou um resumo dos ataques desde o início da “agressão iraniana”, que afirma estar a responder “com firmeza as forças externas”.

Foram detectados 3 mísseis de cruzeiro (todos abatidos), 101 mísseis balísticos (98 abatidos), 39 drones (24 abatidos) e duas aeronaves SU-24, que foram também interceptadas.

Há 1h00:26 CÁTIA BRUNO

Embaixada dos EUA em Riade terá sido atingida por dois drones

A embaixada norte-americana em Ríade, na Arábia Saudita, terá sido atingida por dois drones iranianos.

A informação foi avançada à CNN por duas fontes.

Não há relatos de vítimas para já.

Há 2h00:09 MARINA FERREIRA 

Incêndio deflagra na embaixada dos EUA na Arábia Saudita depois de ser ouvida explosão

Um incêndio deflagrou na embaixada dos EUA na capital saudita, Riade, após ter sido ouvida uma explosão, avança a Reuters, que cita duas fontes.

Uma testemunha que não quis ser identificada deu mais pormenores à AFP: “Ouvi duas explosões, seguidas de fumo a erguer-se sobre o bairro.”

Há 3h22:56 CÁTIA BRUNO 

Seis soldados americanos que morreram foram atingidos em ataque a centro de operações no Kuwait

A CNN avançou detalhes sobre a morte dos seis soldados norte-americanos que morreram no domingo.

Os militares foram atingidos num ataque a um centro de operações improvisado no porto Shuaba, no Kuwait.

No domingo foi anunciada a morte de três soldados. Esta segunda-feira o número subiu para seis, depois de terem sido encontrados os restos mortais dos restantes.

Há 3h22:53 Agência Lusa 

Exército israelita prolonga até sábado medidas de segurança em todo o país

O Exército israelita prolongou até sábado as medidas de segurança em todo o país, que proíbem aglomerações, actividades educativas e o trabalho presencial, excepto em sectores essenciais.

A unidade das Forças Armadas de Israel responsável pela protecção da população civil em emergências divulgou hoje em comunicado que prolongou até às 20h00 de sábado (18h00 em Lisboa) as directrizes impostas à população ao abrigo do estado de emergência declarado pelo Governo israelita até essa data.

Há 3h22:32 Cátia Bruno 

EUA para cidadãos norte-americanos no Médio Oriente: "SAIAM JÁ"

O Departamento de Estado norte-americano publicou uma mensagem no X onde apela a todos os seus cidadãos que vivem no Médio Oriente que “SAIAM JÁ” por “riscos sérios de segurança”.

A mensagem dirige-se a todos os cidadãos que estão no Bahrain, Egipto, Irão, Iraque, Israel, Cisjordânia e Gaza, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Qatar, Arábia Saudita, Síria, Emirados Árabes Unidos e Iémen.

CONTINUA