quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Amou

 

Corajosamente, a sua PÁTRIA, sempre me pareceu. Digo, SALAZAR, um nome sonoro. Imorredoiro.


Salazar, os americanos e as Lajes

Por duas vezes, em Washington, gizaram-se planos de ocupação dos Açores e houve mesmo o deslize de falar das ilhas como se fossem terra de ninguém.

JAIME NOGUEIRA PINTO,  Colunista do Observador

OBSERVADOR, 15 out. 2026, 00:25

O uso pelos norte-americanos da base das Lajes, recentemente evocado pela visita do Secretário de Estado Marco Rubio a Lisboa e pelos protestos da esquerda parlamentar pela passagem pela Terceira de aviões destinados a operações aeronavais na guerra do Médio Oriente, trouxe para a actualidade um tema-base das relações luso-americanas ao longo da História do século XX.

Os Açores estiveram no centro da política externa portuguesa em momentos decisivos em que Salazar foi determinante. Agora que, por decisão da autarquia de Santa Comba Dão, os trabalhos do novo “Centro Interpretativo do Estado Novo – Regime e Resistência” ficaram entregues à Ephemera de José Pacheco Pereira, os portugueses vão finalmente ficar esclarecidos quanto a este e outros aspectos da vida e obra do munícipe mais notório da terra.  Ou não, já que o Centro Interpretativo de Santa Comba, talvez na ânsia de surpreender e de fazer incidir nova luz sobre o regime anterior e o seu “ditador”, abre com uma exposição sobre… a Censura. Dificilmente se poderia ilustrar melhor a divisa da exposição – “Só existe o que se sabe que existe”.  O resto continua a não existir.

Adiante. Durante a Segunda Guerra Mundial, Salazar, que em 1936, no princípio da Guerra Civil de Espanha, acumulara a presidência do Conselho de Ministros com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, equacionou os interesses nacionais com a neutralidade. O império ultramarino português, entre os territórios de África, a então Índia portuguesa, na costa ocidental da Índia inglesa, e Timor e Macau, no Extremo-Oriente, dependia dos ingleses. Ingleses esses que, em Setembro de 1939, não tinham solicitado assistência militar. E Salazar embirrava com Hitler, que considerava um demagogo histriónico.

Na Segunda Guerra Mundial

Mas a neutralidade portuguesa implicava a neutralidade peninsular. E embora Franco, o exército e o povo espanhol, saídos da guerra civil meses antes do começo da guerra na Europa, não quisessem nem pudessem dar-se ao luxo de entrar no conflito, havia entre a ala nacionalista radical do regime franquista fortes simpatias pró-alemãs: afinal, Berlim ajudara militarmente os rebeldes franquistas na guerra civil e a Wermacht tomara a França na Primavera de 1940, numa campanha relâmpago.

Franco jogava, então, na ambiguidade manhosa. Enquanto, na entrevista de Hendaia, proclamava inequívoca solidariedade anticomunista com Berlim, ia pondo a Hitler condições que sabia que o Führer não lhe podia dar.

As ilhas atlânticas de Portugal, principalmente os Açores e Cabo Verde, estavam em causa, já que F. D. Roosevelt e alguns na sua Administração pensavam que os alemães podiam invadir e ocupar Portugal com a cumplicidade de Madrid. Preventivamente, em Washington, gizavam-se planos de ocupação e houve mesmo o deslize de falar das ilhas como se fossem terra de ninguém, o que levou Lisboa a enérgicos protestos diplomáticos, reforçados por Londres.

As coisas acalmaram, até os americanos voltarem à carga em 1943, com o núcleo duro do OSS – Office of Special Services, o antecessor da CIA – pronto a pôr em acção uma operação para ocupar os Açores. Por sorte, quem estava em Lisboa como conselheiro da Embaixada americana era George F. Kennan, depois autor do “Longo Telegrama” de Moscovo e o grande estratega da Política de Contenção.  A morte do embaixador, Bert Fish, apadrinhado por Roosevelt, tornou Kennan responsável pela Embaixada e pelas negociações directas com Salazar.

Kennan tinha ideias conservadoras e realistas e estabeleceu com Salazar uma relação de admiração e respeito mútuo. De regresso a Washington, Kennan soube da operação Alecry do OSS para tomar os Açores e tentou, em vão, pará-la em sede própria. Depois, através de Harry Hopkins, teve acesso a Roosevelt e explicou-lhe quem era e quem não era Salazar – e o que não era, seguramente, era um “ditador de república das Bananas”. Roosevelt, que conhecia bem os Açores dos seus tempos de Subsecretário da Marinha durante a Grande Guerra, quando a Marinha norte-americana ali estivera instalada, ficou convencido com os argumentos de Kennan e escreveu uma carta a Salazar, ditada por Kennan, dando garantias do respeito de Washington pela soberania portuguesa sobre as ilhas. E tudo se resolveu a bem, e por bem, graças ao prestígio do “ditador”.

Na Guerra de África

Os Açores voltaram a ser importantes para a afirmação dos interesses portugueses no início da guerra do Ultramar em Angola, em 1961-1962. Os Estados Unidos, sob a Administração J.F. Kennedy, decidiram optar por uma política “anti-colonial”, a fim de agradarem ao bloco terceiro-mundista, agregando os novos Estados saídos da descolonização europeia. Era compreensível: estava-se em plena Guerra Fria e no quadro da disputa com a União Soviética nas Nações Unidas e na cena mundial.

O grande impulsionador dessa política era o Subsecretário de Estado para os Assuntos Africanos, Mennen “Soapy” Williams, um progressista norte-americano que, em 1961, ao eclodir a guerra insurrecional em Angola, com os sangrentos massacres da UPA de Holden Roberto no Uíge e no Norte, levou os Estados Unidos a votar contra Portugal nas Nações Unidas.

Salazar não gostou. Mas primeiro tratou de controlar internamente o grupo de generais conspiradores, liderado por Júlio Botelho Moniz, Ministro da Defesa que, com alguma simpatia de Washington, tinha paralisado o envio para Angola de reforços à escala das necessidades. E em 13 de Abril, apoiado por João Lumbrales e Santos Costa, e com o decisivo suporte de Kaúlza de Arriaga, então Subsecretário da Força Aérea, Salazar deu o contragolpe, assumiu a pasta da Defesa, “falou à Nação” e promoveu o envio de tropas “rapidamente e em força” para Angola.

Depois da chegada dos reforços, sob a responsabilidade dos generais Venâncio Deslandes, governador e comandante em chefe da Província, e Silva Freire, comandante da Região Militar de Angola, acelerou-se a reocupação das zonas tomadas pelos guerrilheiros da UPA no Norte, em Nambuangongo.  Foi a Operação Viriato, em que se distinguiram o tenente-coronel Armando Maçanita e o tenente miliciano de Engenharia Jardim Gonçalves. Em Agosto, a maior parte do território voltava ao controlo português.

Os americanos não se mostraram muito sensíveis à nova situação e, no fim do ano, dava-se a invasão da Índia portuguesa pelo Exército indiano, por decisão do primeiro-ministro Nehru. Também aí, faltaria a “solidariedade ocidental”.

Mas em 31 de Dezembro de 1962 ia ser preciso rever o Acordo das Lajes, e Salazar e Franco Nogueira deram a entender aos norte-americanos que não haveria renovação do uso da base caso os Estados Unidos continuassem hostis à política ultramarina portuguesa. A opinião dos responsáveis americanos estava dividida: Mennem Williams e Chester Bowles (grande adepto da política de captação do Terceiro Mundo à custa dos aliados europeus) faziam pressão pela continuação da oposição a Lisboa, enquanto os militares do Pentágono insistiam na importância das Lajes.

Dean Rusk, Secretário de Estado de Kennedy, veio a Lisboa, onde esteve 22 horas.  Rusk percebeu a determinação de Salazar em ir para frente com a não-renovação dos Acordos se não houvesse uma mudança de política.

E houve. Rusk esteve com Salazar duas horas e a política norte-americana mudou – embora, “para Terceiro Mundo ver”, se mantivessem as ambiguidades retóricas.

Açores      País      Sociedade

COMENTÁRIOS (de 15)

António Costa e Silva

Franco Nogueira conta muito bem a História da questão das Lajes e da  operação diplomática de Salazar que, numa conjuntura crítica e sob uma violenta pressão americana, forçou o respeito pela soberania portuguesa nos Açores.

As memórias de Pedro Theotonio Pereira são também muito elucidativas da acção diplomática portuguesa desenhada por Salazar e conduzida por Theotonio Pereira junto de Franco, que evitou a entrada da Espanha na guerra e por consequência, também a de Portugal.

Hoje, sobre esse tempo, Pacheco Pereira destaca a censura; censura que era muito tímida e surpreendentemente tolerante.

A cada um a sua dimensão.

COMENTÁRIOS:

Jorge Barbosa

Eis mais um excelente artigo Histórico de JNP

Observador

Gostei muito da expressão “demagogo histriónico” com que Salazar qualificava Hitler. Não sei porquê, mas fez-me lembrar outro demagogo histriónico, mais actual, que exerce os seus talentos cá no burgo. Tenho poucas dúvidas de que Salazar o caracterizaria precisamente da mesma forma.

Quanto ao resto, reconheço que Salazar fez coisas importantes e soube, em vários momentos, defender os interesses do país com inteligência. Uma parte da esquerda parece entender que tudo o que fez foi mau. Não concordo. Considero até que foi necessário e importante num determinado período da nossa história. Foi pena que, depois da Segunda Guerra Mundial, não tivesse liberalizado o regime e aberto caminho à democracia. Poderia ter ficado na história como um grande estadista. Essa sempre foi a minha opinião.

Agora, também tinha defeitos, como é evidente, e foi um ditador, sem aspas. Disso não há dúvida.

José B  >DiasAntónio Costa e Silva

Subscrevo!

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

CONCLUSÃO

 

Do texto anterior, de  JOSÉ MANUEL FERNANDES,   “Passos Coelho e o que fazer com uma maioria de direita” em “Marcar passo”.

 “CHAPÉUS HÁ MUITOS” …


 COMENTÁRIOS: (Mais votados 20, Todos 107)

Manuel Filipe Correia de Araújo

Em Espanha, nas Regiões Autónomas da Estremadura, Castela Leão, Aragão e Andaluzia governam Coligações do Partido Popular com o Vox !

A partir das Eleições de 29/11/2026 é muito provável que a Espanha seja governada por uma Coligação Partido Popular e Vox !

Pergunto a quem quiser e souber responder:    Há algum problema .....!!!!!?????

Miguel Seabra

Passos Coelho fala com clareza e sem medo porque essa é a sua maneira de estar na vida e porque não tem nada a perder. Não tem nada a perder porque escolheu não ter nada, para além do seu trabalho como professor e a sua casinha em Massamá. E a sua honra e dignidade. Assim, não pode ser pressionado, nem intimidado, nem aliciado. É isto que provoca confusão, medo e até ódio naqueles que se movem com outros interesses. É por isto que quando ele fala parece que tocou com um pau num ninho de vespas.

Ruço Cascais

A coragem versus prevenção.

Sou prevenido, confesso, mas coragem não me falta, se bem que esta prevenção me inibe de algumas decisões que exigiam alguma coragem.

Foi o que aconteceu com a Carlota Francesa, uma miúda brasileira lindíssima e de formosura olímpica, isto, numa altura em que não existiam brasileiros em Portugal. Nunca tive coragem de ir falar com ela. A prevenção dizia-me que podia levar uma tampa. Anos mais tarde, quando a ferrugem já espreitava nos ossos, falei finalmente com a Carlota Francesa que me disse que naqueles tempos esperava ansiosamente que eu metesse conversa com ela. A Carlota está muitíssimo bem na vida. Herdou uma grande fortuna dos pais, incluindo as empresas que desenvolveu e são hoje referências no Brasil.

Outro exemplo ainda mais gritante de como a coragem pode ser condicionada pela prevenção foi o meu receio de ter comprado acções da Microsoft nos anos oitenta. Na verdade, acreditava na inovação e que um dia o mundo seria dominado por máquinas inteligentes, mas, a possibilidade de aquelas acções serem um fiasco e perder o investimento foi mais forte do que a coragem de apostar.

A Carlota Francesa e as acções da Microsoft são dois bons exemplos de que a prevenção pode trazer maus resultados. Podemos juntar uma outra: Montenegro e o não é não.

O não é não de Montenegro é preventivo. Com o não é não, Montenegro segura, segundo os seus cálculos políticos, o eleitorado do PSD e centra o partido. O novo PS comuna ajuda a essa centralização. Governar em minoria é uma forma preventiva de Montenegro não tomar decisões corajosas.

A prevenção de Montenegro não o deixa fazer algo de mais extraordinário na política portuguesa. É como o jovem que todos os dias sobe na prancha de 5 metros para saltar para a piscina, mas que acaba inevitavelmente na prancha de 1,5 metros. Não é o medo, é a prevenção. Pode cair mal na água, de chapa ou pior ainda e partir o pescoço. Na prancha de 1,5 metros não há esse risco.

Montenegro diz que Ventura é indomável, mas nunca teve a coragem de o tentar domar. Montenegro nunca saberá o que é governar com o apoio da AR, mas na verdade, talvez Montenegro tenha receio de ter esse apoio para poder tomar decisões transformadoras para Portugal.

Governar em minoria é também uma forma de ser prevenido.

graça Dias

Caríssimo José Manuel Fernandes

Um artigo brilhante, bem fundamentado e realista.

Quando Passos Coelho afirma que:  “ao PSD “tanto faz” negociar à esquerda com o PS ou à direita com o Chega. Para ele isso “é uma armadilha política imensa”.

Pois, mas para o PSD de Luís Montenegro não é uma armadilha, mas antes, porém, a forma de se manter na cadeira do Poder, uma vez que o seu único desígnio para o país é fazer a gestão do património herdado do seu antecessor, António Costa, em regime de  «comunhão de bens», exibindo o seu deslumbramento e a sua vaidade, e tropeçando na hipocrisia da sua mediocridade. Luís Montenegro está para o PSD, como um iceberg, em 1912 esteve para o transatlântico Titanic. A salvação do PSD só será viável, caso o PPC avance, e será muito bem vindo.

O meu obrigada a JMF pela análise tranquila e livre de preconceitos, em contraponto com as esquerdas, com os nossos jornalistas e comentadores, todos já em grande agitação e prognósticos apocalípticos.

José Cortes

Cristalino.

Mas anda tudo de óculos. Escuros e desfocados.

A próxima sondagem será um barómetro dessa miopia.

Se o PSD descer abaixo dos 20%, quero ver o que dizem os Hugos desta vida.

Ana Luis da Silva

Excelente reflexão de José Manuel Fernandes!

Confio em Passos Coelho e em André Ventura, que conseguem tirar o melhor dos respectivos partidos.

Para liderar um povo é de todo desejável haver esta classe de pessoas, moldadas para estarem na frente e liderar.

Ambos estes homens têm valor intrínseco, carácter, e amor por Portugal.

Talvez seja estranho falar em amor em Política, perante os partidos que se digladiam na praça e os governantes tão carregados de ideologia barata e interesses egoístas, escusos e mesquinhos.

Mas sem amor não há esperança, nem esforço para ultrapassar os obstáculos, nem sequer vontade de aceitar os grandes desafios.

A luta pela sobrevivência e o calculismo não salvam nações, porque as nações são todo um povo, uma História, uma herança.

Sem descurar os aspectos práticos, só o amor desinteressado, sacrificial e de serviço faz progredir os povos.

Já chega de “mordomos” do globalismo, do multiculturalismo, do wokismo e do socialismo a mandarem nisto tudo!

Basta de “stuarts”*!

* mordomos.

Conferir o sentido da palavra na trilogia “O Senhor dos Anéis”: mordomo era quem governava a Cidade Branca, até ao regresso do Rei.

José B Dias > Filipe Paes de Vasconcellos

Apesar de Luís Montenegro ter sido o seu líder parlamentar e um dos rostos mais visíveis da defesa do legado do governo da coligação PSD/CDS-PP (2011–2015), Passos Coelho evitou tomar posições públicas que pudessem interferir nas disputas internas.

Mesmo quando Rui Rio adoptou uma estratégia de maior aproximação e diálogo com o governo do Partido Socialista liderado por António Costa — o que gerou fortes críticas internas da ala "passista", liderada precisamente por Montenegro —, o antigo primeiro-ministro optou por:

Manter o recato: Não declarou apoios públicos explícitos nas várias eleições directas contra Rui Rio.

Preservar a figura institucional: Recusou alimentar divisões públicas no partido, mantendo o silêncio durante os anos de crispação interna entre as facções do PSD. [in Observador]

Independente nunca militando em qualquer partido

PS: a tirada do governo PSD "igualmente patriótico" a "lutar" contra as conjunturas do "mundo ocidental" é das coisas mais demagógicas e vazias de conteúdo que um seguidor incondicional conseguiria algum dia escrever!

Álvaro Venâncio:

Muito bem, concordo plenamente.

E oxalá tenhamos o regresso de Pedro Passos Coelho.

Vitor Batista > Filipe Paes de Vasconcellos

Um enorme ego? deve estar a falar de outra pessoa, talvez do Ronaldo.

Ricardo Ribeiro

É experimentar, por mim estou mais que disposto pois a fórmula "habitual"  está  mais que gasta e os resultados estão à vista...

Rui Lima

Os políticos, fazem aquilo que os eleitores querem ouvir: mais benefícios, menos trabalho e mais dinheiro no bolso. tomar decisões impopulares é péssimo para o político família e amigos, podem perder o emprego.

Mas o verdadeiro estadista deve explicar aos cidadãos que, para garantir a prosperidade de amanhã, é necessário aceitar sacrifícios hoje.

Na Europa, estamos a meio da ponte o nosso actual Estado social, tal como está estruturado, não é sustentável empurrar com a barriga foi a escolha .

Vamos lentamente afundando, se não houver uma crise maior que acredito virá de França o povo e os políticos vão vivendo.

Quando formos obrigados a agir, poderá já ser demasiado tarde para escolhermos o caminho.

José Tomás > Manuel Filipe Correia de Araújo

Claro que há um problema! Há um problema para os socialistas, e grave: mandavam e já não mandam.  E, portanto, há um problema para a LUSA, para a RTP, para todas as redacções, incluído a deste jornal, para a "academia", para os "agentes culturais", e para todas as pessoas do "lado do bem" (sic, Dr. Luís Neves).

Maria Cordes

As linhas vermelhas são a maior estupidez de Montenegro, a segunda asneira, ter-se enrolado no spinunqqcoisa. Não agarrou na imigração ilegal com ambas as mãos, descaracterizou o país e criou o habitat perfeito para o crime organizado de todo o planeta. E, faz de conta. As fronteiras continuam abertas, o repatriamento de ilegais e criminosos é um flop. Quanto ao Chega, está enganado, não são só os cidadãos de baixo rendimento, sãos de baixo e os de cima. Os únicos que não votam Chega, são os inumeráveis da "bolha", que convivem bem com as benesses e mordomias do sistema. Na menor ameaça a essa prodigalidade, aos pulinhos e aos gritinhos histéricos, na ponta dos pezinhos, correm a votar no partido irmão, que se amantizou com a esquerda radical dos 1%, e destruiu o País, vendeu a nacionalidade a patacos e nos deixou na cauda.

Domingas Coutinho

Muito bom, ao contrário das baratas tontas do costume que por aí andam a acenar com papões. Passos Coelho é das poucas pessoas com um plano para o País.

António C.

Sempre defendi que os governos deveriam pôr os interesses do País acima dos seus interesses ou tacticismos imediatos, sinal de vistas curtas, pouca capacidade de manobra e, acima de tudo, falta ambição política. Comprovadamente, a Montenegro falta-lhe isso tudo e a Pedro Passos Coelho, sobra-lhe, a rodos. Sei em quem votaria para liderar este País.

Hugo Silva

Digo-o desde há dois anos....

Montenegro, podia ter encostado Ventura à parede. Obrigava Ventura a tomar uma decisão/posição, expondo-o pela primeira vez a algo mais que propaganda e promessas, algumas bastante difíceis de compreender. Tinha gostado de saber como reagiria Ventura a uma tentativa de acordo parlamentar. Montenegro preferiu o não é não, seguindo a cartilha da esquerda bancarroteira. Ventura subiu, e o PSD não conseguiu a maioria com que sonhava. Montenegro, politicamente, falhou em toda a linha.

Antonio Alvim > Filipe Paes de Vasconcellos

Respondeu ao acessório. Não interessa se são sete, quatro ou um. Basta que apareça à frente do PSD. E aparece em todas.

Hugo Silva > Miguel Seabra

Exactamente assim, como escreveu.

João Amorim > Miguel Seabra

Exacto, disse tudo em meia dúzia de linhas!

Antonio Alvim

Em 2024 teria sido possível, agora com um Chega 7 pontos à frente do PSD será impossível.

Tendo ficado de fora, por decisão de Montenegro, o papel de Ventura é fazer crescer o seu eleitorado e para isso ser populista. Não se pode pedir a um partido que se quer na oposição que suporte as medidas do Governo. E Passos ontem reconheceu isso mesmo.

A solução passa por, em eleições, o PSD ficar muito à frente do Chega.

E ontem Passos roubou um "milhão" de votos a Ventura. Votos que são de Passos e não do PSD.

Marcar passo

 

“Um… dois, esquerda, direita, um, dois…”

Passos Coelho e o que fazer com uma “maioria de direita”

Importa perceber se os mais de 60% de deputados que se sentam à direita do PS correspondem mesmo a uma “maioria de direita”. E se um Chega liberto da “peçonha” pode ser parceiro numa agenda reformista

JOSÉ MANUEL FERNANDES, Publisher e colunista do Observador

OBSERVADOR, 13 out. 2026, 00:25

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Eu sei: a maioria dos comentários à entrevista de Pedro Passos Coelho na SIC Notícias andou por regra à volta de saber se, e quando, o antigo primeiro-ministro poderá regressar à política ou disputar a liderança do PSD. É da natureza das coisas e da natureza do jornalismo. Mas a mim interessou-me mais outro ponto: o que fazer quando mais de 60% dos deputados se sentam, como se sentam hoje, à direita do Partido Socialista.

Sobre isso Passos Coelho lembrou que quando o PSD ganhou as eleições em 2024 “ficou claro que o país esperava uma mudança significativa”, pelo que competia ao seu partido pelo menos explorar um cenário de acordos, ou mesmo de coligações, com o Chega e a Iniciativa Liberal: “O PSD tinha obrigação de explorar essa possibilidade. Talvez não fosse fácil. Mas era importante tentá-lo”. E se os governos de coligação não são fáceis – recordou mesmo as dificuldades da coligação que fez em 2011 com o CDS –, considerou que com a actual política se dá a impressão de que ao PSD “tanto faz” negociar à esquerda com o PS ou à direita com o Chega. Para ele isso “é uma armadilha política imensa”.

Se aceitarmos este ponto de partida – e eu aceito até pela evidência dos resultados esquálidos da actual governação “pisca-pisca” –, importa perceber se os mais de 60% de deputados que se sentam à direita do PS correspondem realmente a uma “maioria de direita”, se é que ainda podemos usar esta nomenclatura.

Olhando apenas para aquilo que têm sido as nossas incidências parlamentares dir-se-ia que nem por isso. Se em alguns temas – imigração, nacionalidade, segurança, pontualmente na habitação – lá vão acontecendo votações coincidentes da AD, do Chega e da IL, noutras áreas é quase mais natural ver o Chega a alinhar com os socialistas ou com toda a esquerda. O caso mais emblemático foi o da votação das leis laborais, mas não nos devemos esquecer das borlas nas portagens ou dos limites às propinas, da insistência num IVA reduzido ou ainda das propostas de descida da idade da reforma.

Sendo assim, será que aquilo que temos no Parlamento é realmente uma maioria de direita ou, pelo contrário, o que temos é um sistema de “três corpos”, isto é, de três partidos grandes com qualquer deles a querer ser o maior e, por isso, com o caminho fechado a acordos de legislatura? Nos últimos meses, com as sondagens a darem gás ao Chega e com André Ventura a voltar a distanciar-se da aprovação do Orçamento do Estado, parece estarmos mais perante este quadro instável de uma dança a três, com o inevitável corolário de uma governação à vista, casuística e muito pouco reformista.

A esta instabilidade estrutural alguns respondem advogando um novo “bloco central”. Seria um erro. Primeiro, porque desdenharia dos mais recentes resultados eleitorais, onde se manifestou uma clara vontade de ruptura com a governação socialista (algo que Pedro Passos Coelho recordou na sua entrevista). Depois, porque o refúgio dos velhos partidos num novo bloco central deixaria às margens e ao radicalismo o monopólio da contestação.

A democracia não é o regime onde escolhemos e elegemos um governo, é o regime onde somos capazes de despedir sem derramamento de sangue governos de que não gostamos – e despedir também as suas políticas. Os governos de bloco central não só dificultam a remoção dos governantes indesejados, como sobretudo tornam quase impossível escolher outras políticas. Pior: na experiência europeia recente os governos de bloco central não têm ajudado a consensualizar reformas, têm antes apodrecido na defesa do status quo e dos hábitos instalados.

Sendo assim, o recomendável é que possamos ter propostas políticas realmente contrastantes e competitivas, algo que no último século e meio correspondeu mais ou menos a termos ora governos mais à direita, ora governos mais à esquerda, alternando pacificamente a direcção dos negócios públicos. E se isto é o recomendável, porque se quer então evitar essa alternância em Portugal?

A resposta chama-se “linhas vermelhas”, na nomenclatura nacional o “não é não” de Montenegro a qualquer acordo estruturante com Ventura. Sabemos que esse “não é não” decorreu da percepção de que sem se afastar do Chega o PSD não conseguiria ganhar em 2024, mas também sabemos que o fantasma de uma aproximação ao Chega se transformou no principal argumento do PS e das esquerdas para limitar a margem de manobra do actual governo.

O que Passos Coelho nos disse agora é que isso corresponde a “uma armadilha política imensa” e não é possível deixar de lhe dar razão. O problema é saber se é possível sair dela e como. Mais: o problema é saber se, mesmo saindo dessa armadilha, existe mesmo a tal “maioria de direita” e se é possível pô-la a funcionar.

O primeiro passo terá de ser o derrubar do muro que trata como “intocáveis” os eleitores do Chega, o tal “cesto de deploráveis” (Hillary Clinton, 2016) que só se lamenta terem também direito de voto. Não só esses eleitores merecem tanto respeito como todos os demais, como aquilo que é deplorável é considerar que não fizeram escolhas políticas conscientes. Traçar em seu redor uma trincheira intransponível não só é democraticamente errado como é politicamente desastroso, algo que a história recente da Europa comprova (ainda há semanas escrevi sobre este tema a propósito de eleições na Suécia e na Alemanha).

Mais: a experiência tem mostrado que, quando se aproximam do poder, alguns dos partidos apresentados como a encarnação do diabo na terra tendem a moderar-se ou a tornar-se mais pragmáticos. A Itália de Meloni é o exemplo de que todos falam, mas os sinais mais recentes que nos chegam da Alemanha indicam que a AfD, ao sentir a aproximação do poder, recentrou o seu discurso, sendo que o seu primeiro presidente de um parlamento regional fez um discurso de posse tão moderado que houve até quem considerasse que agora é a nova moderação da AfD que assusta políticos e jornalistas. Quando, pelo contrário, essa recentragem dos extremos não acontece, como sucedeu na Áustria e nos Países Baixos, os eleitores acabam por se afastar dos populistas.

Mesmo assim falta saber se, mesmo rompendo a barreira da peçonha, uma aproximação do nosso Chega seria suficiente para tornar operacional e reformista uma “maioria de direita”. Ouvindo André Ventura e conhecendo muitas das propostas do partido há boas razões para duvidar. Um partido “do contra” dificilmente será a favor de alguma coisa. Um partido que tem como base eleitoral pessoas de baixos rendimentos dificilmente alinharia num programa de abertura económica. Mesmo assim falta tirar a prova dos nove. Isto é, falta saber se uma coligação (ou um acordo de legislatura) com o Chega seria apenas difícil ou se seria mesmo impossível.

Eu por mim preferia que fosse tentado. E que fosse tentado antes de as urnas eventualmente confirmarem aquilo que as sondagens indicam: que o partido de André Ventura é o preferido dos eleitores. No fundo foi também para isso que Passos Coelho nos alertou.

Pedro Passos Coelho       Política       PSD       Partido Chega

(CONTINUA)