domingo, 7 de junho de 2026

CONTINUAÇÃO

 


Do TEXTO precedente: MATAR, MORRER

ANTÓNIO MOURA DOS SANTOS: Texto

MARIANA LIMA CUNHA: Texto

RICARDO REIS: Texto

Ricardo Reis

Israel terá usado armas de fósforo branco no Líbano, avança The New York Times

As forças militares israelitas usaram armas de fósforo branco em ataques contra o Líbano. Esta é a conclusão de uma investigação do The New York Times, com base em vídeos publicados em agências de notícias e nas redes sociais.

O material recolhido foi analisado por especialistas militares, que concluíram que “os registos visuais mostravam projécteis de artilharia a explodir no ar no Líbano, a libertar fluxos de fósforo branco em chamas abaixo“. O jornal refere que esta conclusão é “consistente com utilizações anteriores, por parte de Israel, de granadas norte-americanas M825A1”, que contêm este químico.

Os ataques com este tipo de armas foram registados nas cidades de Nabatieh, Tiro, Qlayaa, Khiam e Yohmor. Um dos episódios foi registado na captura do Castelo de Beaufort, a 31 de maio, conforme foi emitido pela Al Jazeera

Reuters

Vídeo da Reuters que regista um ataque junto à fronteira com Israel, a 11 de maio

As Forças de Defesa de Israel (IDF) negaram o uso deste tipo de arma, afirmando que “as principais granadas de fumo de ocultação usadas não contêm fósforo branco“, e que as que o exército israelita tem são usadas para “criar cortinas de fumo e não para visar alvos ou provocar incêndios”.

Esta não é a primeira acusação feita contra Israel sobre o uso de armas incendiárias, tendo sido registado o uso em 1982 e 2006, no Líbano, e em 2009, em Gaza. Em 2024, a Human Rights Watch denunciou a sua utilização em, pelo menos, 17 cidades do sul do Líbano, entre outubro de 2023 e junho de 2024, com a organização independente White Phosphorus a dar conta de 248 ataques com fósforo branco entre outubro de 2023 e novembro de 2024.

As armas de fósforo branco não são totalmente ilegais, mas violam o direito internacional se forem usadas contra civis. A sua exposição é muito perigosa e pode provocar queimaduras, problemas oculares e respiratórios, e morte, segundo a Organização Mundial de Saúde. Os seus vestígios podem infiltrar-se no subsolo e na água durante muito tempo e colocar em causa a saúde pública, de acordo o Centro de Conservação da Natureza da Universidade Americana do Líbano.

Ricardo Reis

Ataque de colonos israelitas na Cisjordânia provoca nove feridos. IDF condena envolvimento de soldado

Um ataque de colonos israelitas contra palestinianos, em Huwara, na Cisjordânia, provocou nove feridos, avança a agência de notícias palestiniana WAFA. O episódio também contou com o envolvimento de um soldado das Forças de Defesa de Israel (IDF, sigla inglesa).

Um grupo de colonos “atacou o edifício municipal e várias casas, tendo destruído veículos, e roubado bens e ovelhas”, segundo o Ministério palestiniano dos Negócios Estrangeiros, citado pela WAFA, que alega que o ataque foi feito sob a protecção das IDF.

O exército israelita condenou o ataque, através do X, tendo anunciado uma investigação policial sobre o episódio e a instauração de um processo disciplinar contra um soldado que foi apanhado a agredir um palestiniano durante os confrontos, segundo imagens divulgadas pela página de Instagram PalpostN.

“As acções mostradas nas imagens são graves e inconsistentes com os valores das IDF”, condena o exército israelita, que irá instaurar o processo disciplinar ao soldado quando for identificado, sendo posteriormente “tomadas as medidas disciplinares e de comando adequadas, de acordo com as conclusões apuradas“.

Agência Lusa

Ataques aéreos na Faixa de Gaza matam mais sete pessoas

Ataques aéreos israelitas na Faixa de Gaza, onde vigora um cessar-fogo, mataram este sábado mais sete pessoas, confirmaram as equipas de resgate e fontes médicas.

Um ataque com um drone no campo de refugiados de Jawzat, na Cidade de Gaza, matou hoje seis pessoas e feriu outras 15, indicou a organização de primeiros socorros Defesa Civil. As mortes foram também confirmadas pelo hospital Al-Shifa, na Cidade de Gaza.

Já na região sul, Muhannad Othman Farwana, de 25 anos, foi morto num ataque contra uma tenda com deslocados.

O hospital Nasser, em Khan Younis, informou que o corpo do homem foi transferido para a unidade, onde também foram tratados vários feridos.

Israel e o Hamas acusam-se mutuamente de violações ao cessar-fogo, que entrou em vigor após dois anos de guerra, que foi desencadeada por um ataque do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023.

Segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, pelo menos, 951 palestinianos foram mortos desde o início do conflito.

Ricardo Reis

Cinco mortos em ataque israelita contra acampamento em Gaza onde ocorria um casamento

Um ataque israelita contra uma acampamento onde ocorria um casamento em Gaza provocou cinco mortos e 15 feridos, avança a Al Jazeera.

O local foi atacado por dois mísseis que “explodiram dentro da tenda” e cujos estilhaços atingiram uma escola, “que servia de centro de acolhimento e estava repleta de famílias deslocadas”.

Os feridos foram transferidos para o hospital de campanha de Gaza e o de Al-Shifa, de acordo com a Al Jazeera.

Ricardo Reis

Ataque a barco de pesca de bandeira turca mata uma pessoa e fere outras quatro

O barco de pesca de bandeira turca “Duru 67” foi atacado esta sexta-feira no Mar Negro, junto à Crimeia, tendo provocado um morto e quatro feridos, de acordo com a Guarda Costeira da Turquia.

A embarcação acabou por se afundar após o ataque, não sendo ainda conhecida a origem.

AGÊNCIA LUSA

Irão denuncia pressão política em relatório da agência nuclear da ONU

O Irão qualificou hoje como uma “ferramenta de pressão política” um relatório em que a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) manifesta preocupação com a falta de acesso às instalações nucleares iranianas.

Teerão estava envolvido em discussões com Washington sobre o seu programa nuclear quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irão em 28 de fevereiro, tal como aconteceu em junho de 2025, durante a guerra de 12 dias.

Durante os dois conflitos, as instalações nucleares iranianas foram bombardeadas por diversas vezes

“Se a AIEA quer contribuir para uma solução diplomática, deve evitar transformar um relatório técnico numa ferramenta de pressão política”, declarou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Kazem Gharibabadi, citado pela agência France-Presse (AFP).

Num relatório confidencial a que a AFP teve acesso na quinta-feira, a AIEA afirma que a falta de acesso a instalações nucleares no Irão constitui um “motivo de preocupação em matéria de proliferação”.

Embora a agência reconheça que os ataques militares contra as instalações e locais nucleares iranianos criaram uma situação sem precedentes, é crucial que se possam realizar actividades de verificação no Irão sem demora”, disse a AIEA.

A agência especializada da ONU com sede em Viena nunca condenou os ataques israelo-americanos contra as instalações nucleares iranianas.

ALEXANDRA MACHADO

Irão vê nas acções dos EUA uma violação ao cessar fogo

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, acusa os Estados Unidos de clara violação do cessar-fogo.

Segundo a Sky News, o ministro declarou, em comunicado, que “as repetidas violações do cessar fogo pelos EUA mais uma vez provam que o país não apenas mostra a falta de vontade de reduzir as tensões e voltar ao caminho da estabilidade como também expõem a segurança na região a um risco sério”.

E avisa que estas acções dos EUA terão consequências, e o país de Donald Trump será responsável pelo possível escalar do conflito.

ALEXANDRA MACHADO

Kuwait diz que ataque do Irão é violação "flagrante à soberania" do país

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Kuwait condenou os ataques do Irão à base aérea norte-americana instalada no país.

Para o governante, o ataque foi “uma violação flagrante à soberania do Kuwait” e às leis internacionais. “Estas agressões não são justificáveis nem aceitáveis em qualquer circunstância”, acrescentou, citado pela Sky News.

MARIANA LIMA CUNHA

Presidente libanês condena "violação flagrante" israelita que matou soldados

O Presidente libanês, Joseph Aoun, veio reagir ao ataque israelita que matou dois soldados e um comandante do seu país, classificando-o como uma “violação flagrante da soberania libanesa”.

“Condeno fortemente o ataque israelita que teve como alvo uma patrulha do exército libanês”, disse, citado pela Sky News. E acusou Israel de violar “normas e leis internacionais”, assim como a “estabilidade e segurança” do Líbano.

MARIANA LIMA CUNHA

Israel "analisa" ataque em que matou três elementos do exército libanês

O exército israelita diz que está a “analisar” um ataque no Líbano que matou dois soldados e um comandante libanês.

“O veículo estava a viajar numa zona de combate activa que tinha de ser evacuada”, justificaram as forças israelitas, num comunicado citado pelo Haaretz.

Israel acrescenta que tinha indicações de que o Hezbollah se preparava para disparar contra soldados israelitas naquela zona, frisando que “opera contra a organização terrorista do Hezbollah e não contra o exército libanês”.

MATAR, MORRER

 


MANDA QUEM PODE.

Em directo/ Irão acusa EUA de violar cessar fogo com ataque aos radares de costa

O Irão terá atacado bases militares norte-americanas no Kuwait e no Bahrain, depois dos EUA terem atingido radares de vigilância costeira iraniana.

ANTÓNIO MOURA DOS SANTOS: Texto

MARIANA LIMA CUNHA: Texto

RICARDO REIS: Texto

Actualizado Há 10h

Momentos-chave

França está a coordenar-se com outros países europeus para aplicar sanções a Israel devido à violência dos colonos na Cisjordânia

Dois soldados israelitas mortos no Líbano em incidentes separados

Vistos apenas permitem à selecção iraniana entrar nos EUA para disputar os jogos, tendo de sair no próprio dia

Gaza acusa Israel de incumprimento na deslocação de doentes na passagem de Rafah. Já morreram 72.971 pessoas no enclave

Israel diz ter atacado centenas de posições do Hezbollah nas últimas 48 horas

Israel anuncia morte de comandante das Brigadas Qassam, do Hamas

MAI do Paquistão chegou a Teerão para se encontrar com MNE iraniano

Israel terá usado armas de fósforo branco no Líbano, avança The New York Times

Ataque de colonos israelitas na Cisjordânia provoca nove feridos. IDF condena envolvimento de soldado

Cinco mortos em ataque israelita contra acampamento em Gaza onde ocorria um casamento

Irão vê nas acções dos EUA uma violação ao cessar fogo

Kuwait diz que ataque do Irão é violação "flagrante à soberania" do país

Presidente libanês condena "violação flagrante" israelita que matou soldados

Israel "analisa" ataque em que matou três elementos do exército libanês

Bahrein denuncia "agressão flagrante" do Irão

ONU diz que milhões estão a ser empurrados para a "fome profunda" graças a guerra no Irão

Espaço aéreo do Kuwait reabre após ataques do Irão

"Putin quer continuar a combater". Ucrânia ataca São Petersburgo e atinge depósito de petróleo

Alvos militares dos EUA no Kuwait e Bahrain atacados

Agência Lusa

UE confia que Israel e Líbano continuem negociações "num espírito construtivo"

Bruxelas “confia” que as negociações de paz entre Israel e o Líbano prossigam “num espírito construtivo”, afirmou hoje a Alta Representante para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, na sequência do cessar-fogo negociado esta semana em Washington.

“O acordo de cessar-fogo entre o Líbano e Israel, negociado pelos Estados Unidos, representa uma nova oportunidade para pôr fim ao conflito e alcançar uma paz e uma segurança duradouras. A UE confia que Israel e o Líbano continuem as negociações diretas com um espírito construtivo”, afirmou a chefe da diplomacia europeia num comunicado em nome dos 27.

Em seguida, Kallas instou “todas as partes a respeitarem plenamente os termos do acordo e a rejeitarem qualquer condição adicional imposta pelo Hezbollah”.

Israel e o Líbano, com a mediação dos Estados Unidos, acordaram na terça-feira um cessar-fogo condicionado à cessação, por parte da milícia xiita libanesa, tanto dos seus ataques como das suas operações no sul do território libanês.

Por seu lado, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, criticou posteriormente as “humilhantes” negociações com Israel e defendeu que qualquer cessar-fogo deve ser “integral”, garantindo que continuarão a responder aos ataques israelitas enquanto estes se mantiverem.

Além disso, Kallas salientou que o Hezbollah “deve retirar-se da zona a sul do rio Litani”, acrescentando que Israel também deve abandonar o território libanês.

Afirmou também que a UE “continuará a apoiar o Governo libanês e está disposta a apoiar a aplicação de um acordo entre Israel e o Líbano”.

António Moura dos Santos

França está a coordenar-se com outros países europeus para aplicar sanções a Israel devido à violência dos colonos na Cisjordânia

Três diplomatas europeus confirmaram este sábado à agência Reuters que Paris está a colaborar com vários países para intensificar a pressão sobre Israel, avançando com sanções nacionais coordenadas dirigidas a indivíduos ligados à violência na Cisjordânia.

Para já, foi apenas adiantado que o Reino Unido e a Noruega são dos dois países a coordenar-se com a França para impor estas sanções, que deverão ser anunciadas nos próximos dias.

A necessidade de coordenação a nível nacional, adiantam os diplomatas, prende-se com o facto de uma coordenação ao nível europeu estar a ser bloqueada na União Europeia no que toca à implementação de medidas mais duras contra Israel.

“Não há unanimidade a nível da UE, por isso passámos a discussões a nível nacional”, afirmou um dos diplomatas à agência.

Entre as sanções planeadas inclui-se o congelamento de bens e proibições de viagem, mas cada país participante poderá adoptar listas diferentes de indivíduos visados.

António Moura dos Santos

Arábia Saudita condena "agressão israelita" ao Líbano

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita emitiu este sábado uma nota de condenação às acções de Israel no Líbano.

O ministério, em nome do país, demonstra “a sua condenação e repúdio, nos termos mais veementes, pela continuação da agressão israelita contra a república libanesa”, lê-se, “reiterando a sua total rejeição de quaisquer ataques à soberania do Líbano e ao seu exército”.

António Moura dos Santos

Dois soldados israelitas mortos no Líbano em incidentes separados

De acordo com o Times of Israel, um dos soldados mortos trata-se de um capitão de 23 anos que ficou gravemente ferido após ser atingido pela explosão de um drone do Hezbollah na noite de quinta-feira. O oficial ainda foi transportado para o hospital para receber tratamento, mas morreu este sábado.

A outra baixa trata-se de um sargento que morreu na sexta-feira fruto do que está a ser descrito como “um alegado disparo acidental de arma de fogo no sul do Líbano”, sendo que o incidente já está a ser investigado pela polícia militar israelita.

António Moura dos Santos

Vistos apenas permitem à selecção iraniana entrar nos EUA para disputar os jogos, tendo de sair no próprio dia

O embaixador do Irão no México, Abolfazl Pasandideh, confirmou hoje aos jornalistas que a selecção iraniana que vai disputar o Campeonato do Mundo foi informada de que deve entrar e sair do território norte-americano no mesmo dia dos jogos disputados nos Estados Unidos.

“Podemos entrar de manhã e temos de sair no mesmo dia”, afirmou Pasandideh, citado pela Al-Jazeera.

Recorde-se que, apesar de o Irão disputar todos os seus três jogos da fase de grupos em território norte-americano, a sua selecção foi forçada a mudar o seu local de estágio durante a competição, deixando de ser em Tucson, no Estado do Arizona, para ser em Tijuana, no México.

António Moura dos Santos

Exército ucraniano diz controlar rota terrestre para a Crimeia com recurso a drones e que isto "é apenas o início"

Numa publicação feita no Facebook, o 3.º Regimento das Forças de Operações Especiais afirma que os seus operadores de drones “assumiram o controlo aéreo de parte da rota terrestre dos ocupantes para a Crimeia”.

Esta declaração vai ao encontro da estratégia que a Ucrânia tem vindo a adoptar contra a Rússia, recorrendo a dro/***/nes para efectuar operações à /8distância, para danificar infraestruturas e p/erturbar a actuação do exército russo, principalmente ao cortar rotas de abastecimento.

“Os drones da unidade das Forças de Operações Especiais estão a destruir equipamento e a interromper as vias logísticas do inimigo na rota Melitopol – Chongar. Consequentemente, a logística do abastecimento do exército russo e do combustível para a península já se encontra dificultada”, lê-se na publicação.

Nas últimas semanas, a península da Crimeia tem sentido um agravamento da escassez de combustível, resultante de uma combinação de ataques ucranianos às rotas de abastecimento e às infraestruturas petrolíferas.

“Isto é apenas o começo. Há mais por vir!”, termina a mensagem.

Agência Lusa

Gaza acusa Israel de incumprimento na deslocação de doentes na passagem de Rafah. Já morreram 72.971 pessoas no enclave

O ministério da Saúde de Gaza denunciou hoje o “incumprimento por parte de Israel” dos compromissos relacionados com a transferência de doentes para o Egipto através da passagem de Rafah, afectando milhares de pessoas que precisam de cuidados.

Segundo um comunicado publicado nos seus canais de comunicação, desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em 11 de outubro de 2025, houve permissão de saída de 840 pacientes, um número que o ministério considera “insuficiente para atender as necessidades médicas” existentes.

“O número de pacientes autorizados a viajar reduziu de 150 por dia, três dias por semana, como foi acordado, para apenas 90 pacientes e respetivos acompanhantes nas últimas semanas”, indica no documento.

O ministério da Saúde acrescenta que foram adicionados 400 novos casos à lista de espera para atendimento médico, o que se traduz num número superior a 20.000 pacientes que aguardam agora autorização para sair do enclave.

Na nota de imprensa, também denuncia atrasos de mais de dois meses na concessão de autorizações de segurança para inúmeras pessoas, assim como o encerramento recorrente da passagem de Rafah.

As autoridades de Saúde de Gaza contabilizaram ainda que, desde outubro de 2023 e até ao dia de hoje, 72.971 pessoas morreram e 173.092 ficaram feridas em sequência da ofensiva israelita em Gaza.

Agência Lusa

Israel diz ter atacado centenas de posições do Hezbollah nas últimas 48 horas

O exército israelita disse hoje ter atacado “cerca de 150” posições do movimento islamista libanês Hezbollah nas últimas 48 horas no sul do Líbano, entre depósitos de armas e quartéis-generais.

Em comunicado, as forças israelitas afirmam ter atacado “depósitos de armas, quartéis-generais [e] lançadores” de mísseis ou foguetes.

O Presidente do Líbano, Joseph Aoun, tem vindo, entretanto, a denunciar os “ataques israelitas incessantes, que continuam impunes”, apesar do cessar-fogo que supostamente está em vigor.

Por outro lado, o exército israelita voltou hoje a apelar à evacuação de cinco aldeias no sul e no leste do Líbano, em antecipação a novos ataques.

Várias localidades do sul foram bombardeadas, segundo a Agência Nacional de Informação Libanesa (Ani). Por seu lado, o Hezbollah afirmou ter atacado soldados israelitas, também no sul do Líbano.

António Moura dos Santos

Israel anuncia morte de comandante das Brigadas Qassam, do Hamas

Num comunicado publicado na rede social X, as Forças de Defesa de Israel (IDF) anunciaram a morte de Mahnad Atman Yassin Farouana, comandante das Brigadas Qassam, o braço armado do Hamas.

“Forças do IDF sob o comando do Comando Sul atacaram esta noite no sul da Faixa de Gaza e eliminaram Mahnad Atman Yassin Farouana, chefe de um grupo de terroristas do braço armado da organização terrorista Hamas”, lê-se.

As IDF acusam Froana de promover “numerosos planos terroristas contra as forças do IDF e o Estado de Israel, constituindo uma ameaça imediata para as forças do IDF que operam na zona”, tendo sido “eliminado num ataque aéreo preciso, com o objectivo de eliminar a ameaça”.

Ricardo Reis

MAI do Paquistão chegou a Teerão para se encontrar com MNE iraniano

O Ministro da Administração Interna do Paquistão, Mohsin Naqvi, chegou este sábado a Teerão para se encontrar com Abbas Araghchi, ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, avança a Al Jazeera, que cita meios de comunicação social do Irão.

O Paquistão participou nas negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irão, assumindo o papel de mediador.

CONTINUA

Uma análise fascinante

  

Tesouros literários ainda fracamente conhecidos, que os nossos investigadores das letras pátrias não deixarão de pesquisar.

Das mais antigas cantigas de amor ao relato de Alcácer Quibir: e se pudéssemos ver os tesouros da biblioteca do Palácio da Ajuda?

Três especialistas querem dar a conhecer os manuscritos mais valiosos e curiosos das bibliotecas portuguesas e chamar a atenção para um património “escondido” que, muitas vezes, passa despercebido.

RITA CIPRIANO: Texto

INÊS LACERDA: Fotografia

OBSERVADOR; 06 jun. 2026, 10:11

As bibliotecas e arquivos portugueses estão repletos de tesouros, mas são poucas as pessoas que têm acesso a eles. Um grupo de investigadores quer mudar isso. O primeiro passo nesse sentido foi dado no passado dia 11 de maio, quando se realizou, na Biblioteca do Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, o primeiro encontro do ciclo “Manuscritos fora da estante”, que pretende dar a conhecer, a um público mais vasto, o rico espólio manuscrito nacional. Uma iniciativa dos investigadores ELENA LOMBARDO (Centro de Linguística da Universidade de Lisboa), JOANA GOMES (Instituto de Filosofia da Universidade do Porto) e FILIPE ALVES MOREIRA (Instituto de Estudos de Literatura e Tradição na Universidade Aberta), o ciclo quer mostrar “outro tipo de património”, que costumava ser menos visível, mas que não é, por isso, menos interessante ou relevante.

Durante a primeira sessão, que reuniu cerca de 30 pessoas, um número que superou as expectativas iniciais dos organizadores, foram apresentados alguns dos mais importantes e curiosos manuscritos da colecção da Biblioteca do Palácio da Ajuda: um códice que junta o Cancioneiro da Ajuda e um exemplar do Livro de Linhagens do Conde D. Pedro, dois dos mais relevantes manuscritos medievais em território nacional; o códice 51-IX-22, com uma narrativa inédita sobre a Batalha de Alcácer Quibir; e a única cópia manuscrita conhecida da crónica de D. João II de Garcia Resende. Os participantes tiveram oportunidade de observar de perto os manuscritos — ver ao detalhe as ricas iluminuras do Cancioneiro, a caligrafia desenhada do 51-IX-22 e tentar decifrar as histórias jocosas sobre D. João II, reunidas no final da cópia da crónica de Garcia Resende. Colocaram perguntas e sugeriram hipóteses. Os investigadores esclareceram as dúvidas e prometeram voltar.

Antes que a sala se enchesse, o OBSERVADOR visitou a Biblioteca do Palácio da Ajuda, outro tesouro escondido, e conversou com os investigadores Elena Lombardo e Filipe Alves Moreira sobre os três códices, numa sala com vista para a casa outrora habitada por Alexandre Herculano, o primeiro bibliotecário da Ajuda.

Um mundo “escondido”

Existem bibliotecas portuguesas cuja fama atravessa fronteiras. A do Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, não será uma delas. A fraca popularidade não se justifica. Uma das mais antigas e elegantes bibliotecas portuguesas, encontra-se localizada numa ala própria do palácio desde 1880, mas a sua origem é muito anterior. As estantes e vitrinas são acessíveis através de duas galerias, inferior e superior, e impressionam pela altura e decoração elegante, com apontamentos em dourado. Os tectos, pintados a fresco, são da autoria do pintor e decorador José Pereira Júnior, conhecido como Pereira Cão, que foi responsável pelas obras de restauro realizadas no palácio por altura do casamento de D. Luís e D. Maria Pia. A biblioteca está repleta de referências a Alexandre Herculano. O escritor foi nomeado bibliotecário-mor em 1839 e foi responsável por tratar e classificar os milhares de volumes que permaneciam ainda dentro dos caixotes em que tinham sido transferidos do Brasil, para onde a biblioteca foi enviada, juntamente com a família real, por altura das invasões francesas. A casa onde Herculano viveu e trabalhou, junto ao edifício principal do palácio, é visível através das janelas da biblioteca.

Filipe Alves Moreira e Elena Lombardo folheiam cuidadosamente o Cancioneiro da Ajuda

Embora as suas origens remontem ao século XV, a Biblioteca do Palácio da Ajuda, tal como hoje existe, começou a ser construída no século XVIII, após o terramoto de 1755, que destruiu grande parte do espólio da antiga Biblioteca Real, instalada no Paço da Ribeira. Ao longo das décadas, a colecção foi crescendo em número e em prestígio, graças à integração de colecções privadas e às doações de obras raras. Actualmente, é composta por 150 mil exemplares, manuscritos e impressos, produzidos entre os séculos XII e XXI. A colecção de manuscritos inclui 2.512 códices (volumes manuscritos, que podem conter mais do que uma obra) e cerca de 33 mil documentos avulsos, e contém o mais importante acervo de manuscritos musicais do país.

A importância do espólio da Biblioteca da Ajuda foi um dos motivos que levaram Elena Lombardo, Joana Gomes e Filipe Alves Moreira a escolhê-la como o local do primeiro encontro do ciclo “Manuscritos fora da estante”. “Já tínhamos uma ideia do que queríamos mostrar”, afirmou Filipe Alves Moreira ao OBSERVADOr. Mas o plano é que não fique por ali.A ideia é que venha a ser um ciclo de encontros, em que se repita até localizações, mas mostrando obras diferentes e em vários pontos do país”, explicou o investigador do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto. A próxima data deverá ser novamente em Lisboa, mas os investigadores gostavam de visitar, em breve, a Biblioteca Joanina, da Universidade de Coimbra, uma das mais ricas do período barroco. A biblioteca está actualmente a ser alvo de um processo de digitalização, que prevê a disponibilização em formato digital de cerca de 30 mil volumes do Piso Nobre até 2030.

O objectivo do ciclo “é mostrar ao público em geral, ou ao público potencialmente interessado, um outro tipo de património, que são os manuscritos. Quando falamos em património, pensamos muitas vezes em castelos, palácios, esse tipo de coisas, mas há muito outro património que fica esquecido, entre o qual está o património bibliográfico e, no nosso caso, muito particularmente, os manuscritos. É outra forma de património que está um bocado esquecida”, disse Filipe Alves Moreira. Uma das razões é porque se trata de um tipo de material que “parece inacessível”. “Acho que existe, a priori, o preconceito de que uma biblioteca é um lugar muito distante, que tem muitas regras, onde não se pode consultar os materiais, ainda mais no caso dos textos e códices antigos. Que se trata de um muito fechado, muito inacessível.” Mas nem sempre é assim. “Depende da instituição e do códice, mas, em princípio, justificando-se o interesse”, é possível fazê-lo, esclareceu o investigador. Por outro lado, o estudo das obras manuscritas é “uma área que está em perigo”. “Há poucas pessoas interessadas em Portugal. É também uma forma de tentar chamar pessoas para esta área, que, infelizmente, tem poucos jovens interessados.”

As mais antigas cantigas de amor estão na Ajuda

Na última sala da biblioteca, foi colocado, sobre uma mesa baixa de madeira, um códice enorme, com uma encadernação em couro trabalhado e fechaduras. “Este é a joia da coroa”, disse Filipe Alves Moreira, aproximando-se. “Este é o Cancioneiro da Ajuda, encadernado juntamente com o Livro de Linhagens do Conde D. Pedro”, explicou, enquanto calçava as luvas descartáveis para poder folheá-lo. “Isto é uma emoção, até. É a primeira vez que vou tocar nestas páginas.”

Produzido em pergaminho — um suporte de escrita feito a partir da pele raspada de animais —, provavelmente no final do século XIV, o chamado Cancioneiro da Ajuda é a mais antiga colecção manuscrita de cantigas galego-portuguesas, um tipo de lírica trovadoresta que floresceu no território peninsular entre o final do século XII e meados do século XIV. Inclui 310 composições, pertencentes a um único género — o da cantigas de amor —, enquanto que as outras colectâneas abrangem todos os principais géneros das cantigas galego-portuguesasamor, amigo e escárnio e maldizer. O mais ricamente decorado e iluminado dos três grandes cancioneiros, que incluem o da Biblioteca Nacional de Portugal e o da Biblioteca Vaticana, o Cancioneiro da Ajuda foi, no entanto, deixado inacabado, o que é perceptível pelas iluminuras e ilustrações por terminar e pelos espaços em branco nos quais deviam ter sido colocadas as pautas musicais. Porque, embora se tenha perdido a noção disso, as cantigas eram compostas para serem cantadas com acompanhamento musical, mas foram poucas as pautas que sobreviveram ao período medieval.

Embora as suas origens remontem ao século XV, a Biblioteca do Palácio da Ajuda, tal como hoje existe, começou a ser construída no século XVIII, após o terramoto de 1755

INÊS LACERDA/OBSERVADOR

Apesar da sua importância, pouco se sabe sobre as origens do Cancioneiro da Ajuda, também conhecido como Cancioneiro do Colégio dos Nobres, por ter pertencido à biblioteca desse estabelecimento de ensino fundado pelo Marquês de Pombal, onde foi descoberto no início do século XIX. Nem tão pouco se sabe se foi produzido em território actualmente português ou espanhol. Sabe-se, apenas, que o seu patrono terá sido alguém com posses, tendo em conta a riqueza da decoração, sem rival. Cada iluminura representa um autor e trovador diferente, que surge num lugar de destaque, como que “a supervisionar o trabalho” daqueles que estão a executar a sua composição, como explicou Filipe Alves Moreira. Na ilustração, “surge sempre, ou quase sempre, uma mulher dançarina e um músico, que executava a parte musical”.

No final do século XV, o manuscrito encontrava-se em Évora, na posse de um fidalgo chamado Pedro Homem. É possível ver a sua assinatura no final do manuscrito, juntamente com outras marcas — desenhos, palavras e outros rascunhos —, deixadas por muitos dos que tiveram o Cancioneiro nas mãos. Essas marcas não são exclusivas desse códice, nem se devem ao facto de o manuscrito ter ficado inacabado. “Não é nada incomum haver folhas com cálculos, números e qualquer tipo de desenho, anotações ou até mesmo gatafunhos”, esclareceu Elena Lombardo. Até porque, “antes de fazerem os documentos, experimentavam a escrita”, acrescentou Filipe Alves Moreira. Além dessas marcas, o manuscrito inclui também comentários escritos, que foram deixados pelos seus leitores cerca de 100 anos depois. Junto a uma das composições, alguém escreveu: “Mui, mui boa”, indício de que o Cancioneiro foi “lido com atenção, mesmo um século ou dois depois”, comentou o investigador do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto. A determinada altura, o Cancioneiro terá pertencido à biblioteca dos jesuítas de Lisboa, e após a expulsão e a confiscação dos bens da Companhia de Jesus pelo Marquês de Pombal, em 1759, terá passado para o Colégio dos Nobres, instituído por carta régia em 1761. No século XIX, encontrou uma nova casa na Biblioteca do Palácio da Ajuda, que, na sequência da extinção das ordens religiosas, em 1834, passou a agregar as antigas bibliotecas da Companhia de Jesus e da Congregação do Oratório.

Actualmente, o Cancioneiro da Ajuda encontra-se num grande códice encadernado, que inclui o Livro de Linhagens do Conde D. Pedro, uma importante obra geneológica do século XV, que foi também mostrado pelos investigadores durante a sessão de 11 de maio. A encadernação tem um padrão em grelha, com decorações vegetais, conhecido como S. Lourenço, numa referência à história do martírio do santo espanhol do século II, que foi assado vivo numa grelha de ferro. Diz a lenda que, quando estava sobre a grelha, Lourenço pediu para que o virassem, para que ficasse bem passado dos dois lados. Em conversa telefónica com o Observador, a investigadora Joana Gomes, que não pôde acompanhar-nos durante a visita à Biblioteca do Palácio da Ajuda, explicou que o padrão estará também relacionado com o encadernador, que se chamaria Afonso Lourenço. “Essa marca de encarnação, por associação onomástica, remeteria para o encadernador que, como símbolo do seu trabalho, recorreria ao santo com o mesmo nome”, afirmou a investigadora do Instituto de Estudos de Literatura e Tradição na Universidade Aberta.

A encadernação é do século XVI, quando as duas obras foram reunidas num só volume. Não há nada a separá-las — apenas um olhar atento consegue discernir onde começa uma e acaba outra, embora sejam visualmente distintas. E, curiosamente, o Livro de Linhagens, que é mais antigo do que o Cancioneiro, foi colocado em primeiro lugar. Cronologicamente, o códice está ao contrário.

Iluminuras e decoração interior do Cancioneiro da Ajuda; e o Códice 51-IX-22

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