domingo, 25 de outubro de 2026

CONTINUAÇÃO

 

Do TEXTO “HISTÓRIAS DA BÍBLIA”

Texto de P. João Basto, João Francisco Gomes e Rádio Observador

25 out. 2026, 06:03

Olá a todos. Antes de avançar para esta história destes três irmãos, quero, como sempre, aproveitar para lembrar os nossos ouvintes que nos podem escrever para ashistoriasdabiblia@observador.pt. A nossa caixa de e-mail está sempre à disposição para perguntas, sugestões, comentários, e nós procuramos responder às perguntas dos nossos ouvintes num episódio especial todas as quintas-feiras, exclusivamente em podcast. Por isso, não se esqueça de seguir o programa na plataforma em que nos está a ouvir para não perder nenhum episódio. E na próxima quinta-feira vamos tentar responder a uma pergunta que nos foi enviada por um ouvinte que quer saber por que a morte de Jesus era, afinal, necessária para a salvação. Vai ser muito interessante, fica para a próxima quinta-feira. Entretanto, continuamos com esta nossa terceira temporada, em que estamos a fazer mais 11 episódios dedicados a algumas das personagens mais emblemáticas da Bíblia. E esta semana vamos falar sobre estes três irmãos: Lázaro, Marta e Maria. São três personagens, sobretudo do Evangelho de João. Também há, obviamente, pistas sobre elas nos outros três Evangelhos. Algumas delas até meio que acrescentam mais confusão à história, mas já lá vamos.

Antes disso, vamos começar pelo Evangelho de João. O texto apresenta-nos este homem, Lázaro de Betânia, um homem que está muito doente, está às portas da morte, e as irmãs dele, Marta e Maria, mandam chamar Jesus. Basicamente, Jesus era a única esperança delas, era um homem que já tinha andado a fazer milagres por todo lado e, portanto, como era muito amigo da família, elas tinham esperança que ele pudesse salvar o irmão. Ora bem, Jesus recebe a informação, pondera ir até Betânia para os ajudar. Os discípulos ainda o avisam que pode ser perigoso, porque já há uma conspiração de judeus que estão furiosos com Jesus, mas ele decide que há de ir na mesma. Só que, Daniel, nós logo aqui no princípio desta história, vemos um indício de que vai haver uma importância grande para este episódio. Jesus demora dois dias a decidir ir e depois acaba por dizer aos discípulos que Lázaro realmente morreu. Ou seja, Lázaro estava doente quando Jesus recebe a informação e depois acaba por morrer. E Jesus até diz mais, que ainda bem que ele não estava lá para o impedir, porque assim os discípulos vão acreditar. Porquê esta demora? Porquê Jesus demora tanto a ir ajudar o seu grande amigo Lázaro, que estava doente? Não era de ir a correr? Se te ligassem a ti que um amigo está às portas da morte, se calhar ias a correr.

Sim, mas o Evangelho de João é um pouquinho diferente. Este é o último dos grandes sinais, é a palavra utilizada, dos grandes sinais de Jesus, como dizias, antes de ir para Jerusalém, antes da Última Ceia, basicamente. Nos outros Evangelhos, nos chamados sinópticos, Mateus, Marcos e Lucas, fala-se sobretudo de milagres. Portanto, a palavra já indica um conceito diferente. Aqui, estes sinais tratam de desafios à fé. O fundamental não é a morte ou a vida de Lázaro, mas a fé daqueles que são chamados a acreditar em Jesus. E por isso esta demora é talvez uma forma do narrador sublinhar que Jesus não está a agir aqui apenas por critérios humanos, que nos instigariam a nós para durante o dia, à meia-noite, irmos socorrer um amigo que estivesse doente, mas é como que o próprio Jesus dando a entender que está a falar de uma outra coisa. Um jogo também de mal-entendidos, muito comum no Evangelho de São João, mostra isso. Jesus diz que o Lázaro está a dormir. Os discípulos pensam: "Ah, então se está a dormir, pronto, olha, está a dormir é porque não morreu". Mas Jesus diz: "Não, este dormir não significa isso. Lázaro morreu. Mas agora vamos passado este tempo", não foi imediatamente, foi algum tempo depois, "para que isto sirva de sinal para acreditarem que ele é o Filho de Deus, que ele é o enviado de Deus".

E, portanto, Jesus acaba por querer usar esta história também como demonstração do seu poder sobre a vida e a morte, digamos assim.

Sim.

É uma espécie de grande antecipação, estes episódios que vamos falar, são um pouquinho de antecipação do mistério pascal. Mas certas relações que podem tirar.

Quando Jesus chega finalmente a Betânia, encontra um cenário desolador. Lázaro está morto, está já há quatro dias no túmulo, é o que nos é dito. Está por ali muita gente a consolar as irmãs dele, Marta e Maria. E podemos dizer que a reacção de Marta é humanamente compreensível. Basicamente, ela diz a Jesus: "Se cá estivesses há uns dias, se calhar ele não tinha morrido". O que depois acontece nesta história?

É uma espécie de ralhete que, na verdade, contém duas posições da relação, que mostra a relação de Marta com Jesus, porque parece que Marta realmente acredita no poder de Jesus, que ela diz: "Se tivesse estado aqui, o meu irmão não teria morrido". Portanto, ela acredita realmente no poder de Jesus, mas acredita no poder de Jesus ligado a uma ressurreição futura, porque no diálogo com Jesus, que é também muito próprio do Evangelho de João, recordemos o diálogo com a samaritana, com Nicodemos, até o diálogo com a população quando é o cego de nascença curado, Marta diz que realmente acredita que ele vai ressuscitar no último dia. E Jesus responde-lhe, e isso é um ponto interessante: "Marta, eu sou a ressurreição e a vida". Aqui uma diferença que é um detalhe, mas que faz toda a diferença. Para Marta, a ressurreição é uma coisa de calendário, é uma data que vai acontecer. Para Jesus, a ressurreição pode acontecer já, não através de uma questão de calendário, mas de uma relação. A ressurreição é mais uma relação. Aliás, penso aqui um paralelo outra vez com a arca de Noé, com a ideia de que Deus salva não só Noé, mas toda a sua teia de relações. Ainda assim, é curioso que Jesus diga que aqueles que acreditam nele não morrerão para sempre. Jesus não diz que aqueles que acreditam nele não morrerão. Jesus faz esta tónica, ou seja, próprio do Evangelho de João, estas palavras com duplo sentido, mal entendidos, de tal maneira que há um biblista que estudou este evangelho, que diz claramente que Marta é uma espécie de crente modelo, que passa no diálogo com Jesus por um processo de purificação. De tal maneira que antes da ressurreição de Lázaro, as duas irmãs, que é Marta, que é posteriormente Maria, têm que a elas próprias também ressuscitar. É curioso que, por exemplo, a seguir este momento, Marta vai anunciar a Maria, à irmã, que o Salvador, Jesus, chegou, o mestre chegou, o Rabi, chegou. E os verbos que são utilizados para mostrar os movimentos de Maria, que são dois "levantou-se" simultâneos, ou seja, Maria levanta-se e depois levanta-se outra vez, são os mesmos que são usados para a ressurreição, o verbo "egeiro" e "anástasis". Há aqui várias relações, tanto que Lázaro tem certos paralelos com Jesus, ao mesmo tempo que tem coisas que são totalmente diferentes. Lázaro quando sai para fora, enquanto que na ressurreição de Jesus a pedra já está retirada, quando Jesus ressuscita, Jesus aqui manda retirar a pedra, portanto, há aqui uma pedra, mas a ligação à pedra é diferente. Lázaro quando sai para fora ainda vem enfaixado, coberto com as ligaduras, e Jesus, um dos sinais da ressurreição que Pedro deteta logo é que as ligaduras estão à parte.

Mas nós já vamos explorar um bocadinho talvez as semelhanças e diferenças entre essas duas ressurreições. Mas antes disso, quando encontramos ali aquele momento em que Jesus se depara com as irmãs e com o cenário da morte de Lázaro, encontramos um momento muito célebre em todo o Evangelho, que é um dos poucos momentos em que Jesus fica emocionado e chora.

É mais do que emocionado, realmente chora.

Chora mesmo. Nós já falámos aqui num daqueles episódios de quintas-feiras sobre a dupla natureza de Jesus. Jesus é simultaneamente Deus e homem. Este momento é uma demonstração da humanidade de Jesus. Ele tem poder para ressuscitar Lázaro, mas não deixa de se emocionar e de chorar pela morte dele.

Aí diria que se formos ouvir o episódio de quinta-feira, dessas perguntas, a menos que quem respondeu, acho que até fui eu, tenha dito asneira da grossa, a resposta é não. Jesus chorar não é demonstração que ele é humano. Para nós, Jesus Cristo é uma unidade, uma pessoa divina, que tem duas naturezas, natureza humana e natureza divina. De tal maneira, quando ele expressa o chorar, ele não está a expressar a natureza humana, porque os humanos são sentimentais e Deus é o macho alfa durão que não chora. Não, Jesus Cristo está a mostrar que Deus, para os cristãos, chora, se emociona com aquilo que está a ver.

Mas há aqui não só essa ideia do chorar, que também tem alguma ambiguidade, como aliás, é ambíguo o nosso chorar. Nós choramos quando estamos tristes, quando estamos diluídos, porventura quando estamos alegres. O nosso chorar não é unívoco, pode exprimir várias coisas. O texto aqui também sublinha, e isto é depois, o João falou sobretudo do encontro com Marta, que tem uma perspectiva mais convencional de uma ressurreição no fim dos tempos e acredita que Jesus pode, porque é um homem capaz de fazer milagres. Depois, Jesus, ao dizer que é a ressurreição e a vida, vamos perceber que se calhar até a postura da próxima irmã de Maria, que é mais dada, de certa forma. Isto também é ambíguo. Há autores que dizem que preferem a atitude de Marta, outros de Maria, e portanto, há aqui muita ambiguidade nestas coisas Nesta parte em que se diz que Jesus chorou, também se diz que ele ficou profundamente tocado, comovido, mas os verbos utilizados no texto, noutros contextos significam estar zangado. Portanto, também não temos propriamente uma janela clara para o estado de espírito que Jesus tem aqui. Ainda assim, essa humanidade está aqui muito à tona, visível, mas sobretudo esta ideia de que se está a aproximar a hora de Jesus e, portanto, essa hora que se cumpre na hora da morte e ressurreição de Jesus. Aqui vamos vendo que Jesus se vai aproximando do final da sua missão e vai, de alguma forma, mostrando a Marta e a Maria um caminho a fazer enquanto discípulos.

(CONTINUA)

 

 

As Histórias da Bíblia

 

Anotações prévias.

Da Wikipédia:

Evangelhos sinópticos

Quase todo o conteúdo do evangelho segundo Marcos pode ser encontrado no evangelho segundo Mateus, e muitas partes têm similaridade com Lucas. Adicionalmente, Mateus e Lucas têm uma grande quantidade de material em comum, não encontrado em Marcos.

Evangelhos sinópticos ou evangelhos sinóticos são os evangelhos segundo Mateus, Marcos e Lucas, assim referidos por conterem uma grande quantidade de histórias em comum, narradas na mesma sequência, às vezes com as mesmas frases. Considera-se que tal grau de paralelismo, em termos de conteúdo - narrativa, linguagem e estrutura de frases - somente pode ocorrer em uma literatura interdependente. Muitos estudiosos acreditam que esses evangelhos compartilham o mesmo ponto de vista e são claramente ligados entre si.

Desde que a exegese começou a ser aplicada à Bíblia, ainda no século XVIII, os exegetas os chamaram de "evangelhos sinópticos" pois se aperceberam que, dos quatro evangelhos, os três primeiros apresentavam grandes semelhanças entre si, de tal forma que, se colocados em três grelhas paralelas – donde vem o nome sinóptico, do grego συν, "syn" («junto») + oοψις, "opsis" («ver») –, os assuntos neles abordados correspondiam quase inteiramente. Ou seja, são classificados assim, por fazerem parte de uma mesma visão ou um mesmo ponto de vista.

Por parecer que teriam bebido na mesma fonte, os primeiros grandes exegetas alemães designaram essa fonte como Q, abreviatura de Quelle, que significa precisamente 'fonte', em alemão. Adicionalmente, Mateus e Lucas também incluíram um material de duas outras fontes exclusivas, designadas como Fonte M e Fonte L respectivamente.

Quanto ao quarto Evangelho canónico, o Evangelho segundo João, este relata a história de Jesus de um modo substancialmente diferente, razão por que não se enquadra nos sinópticos. Desta maneira, há quatro evangelhos canónicos, dos quais três são sinópticos.

Enquanto que os evangelhos sinópticos apresentam Jesus mais como humano (que se destaca dos comuns por suas acções milagrosas) e são fontes de informações históricas sobre Jesus Cristo, o Evangelho segundo João descreve Jesus como o Messias, isto é, destacando o carácter divino de quem traz a redenção absoluta ao mundo. O evangelho segundo João sugere que ele próprio tivesse conhecimento dos Evangelhos Sinópticos, nos quais já existia informação suficiente sobre a vida de Jesus como homem, incumbindo-se João de mostrar, em seu Evangelho, os atributos de Jesus como Deus.

 

 

Depois de ressuscitar, Lázaro morreu outra vez?

Uma ressurreição, vários jantares, um perfume caríssimo. As histórias dos irmãos Lázaro, Marta e Maria, que faziam parte do grupo de amigos de Jesus. O novo episódio de "As Histórias da Bíblia".

Texto de P. João Basto, João Francisco Gomes e Rádio Observador

25 out. 2026, 06:03

Depois de ressuscitar, Lázaro morreu outra vez? Este é o sétimo episódio da terceira temporada de As Histórias da Bíblia, o podcast da Rádio Observador, em que deciframos o livro mais impresso e distribuído da história da humanidade, mas não necessariamente o mais lido.

Eu sou o João Francisco Gomes, sou jornalista e escrevo sobre religião no Observador.

Eu sou o Daniel Nascimento, padre e professor da Universidade Católica Portuguesa.

Eu sou o João Bastos, padre e colunista do Observador.

Esta semana vamos conhecer três das personagens mais famosas do Novo Testamento: Lázaro, Marta e Maria. São três irmãos muito amigos de Jesus, que protagonizam alguns momentos célebres da história do Evangelho. O episódio mais conhecido é a ressurreição de Lázaro, relatada no Evangelho de João. É o último acto público de Jesus antes de se dirigir para Jerusalém para enfrentar a sua própria morte. As irmãs de Lázaro, Marta e Maria, também estão no centro de um episódio muito conhecido da Bíblia: um jantar na casa das duas irmãs, em que uma delas é quem faz o trabalho todo. Mas quem eram, afinal, estes amigos de Jesus? Estas são as histórias da Bíblia.

(CONTINUA)

 

 

sábado, 24 de outubro de 2026

Histórias sorridentemente contadas

 

Da nossa História Nacional…

Que redundaram em arte arquitectónica: um palacete que costumava também visitar, em idas a Sintra, em tempos de retorno da África que também criámos, para a perdermos, por via da civilidade abrilina. Velhos tempos de encantamento paisagístico em passeatas de prazer…  Obrigada ao Dr. Salles por no-lo trazer à lembrança, de forma gracilmente romanceada, que tanta tragédia humana, afinal, ocultou, nas próprias pessoas de uma realeza nem sempre de glória, mas sabendo preservá-la, para a História…

HISTÓRIA DE UM REI A FINGIR

outubro 23, 2026,

 Ou

A VINGANÇA DE AFONSO COSTA

Ferdinand von Saxe-Coburg und Gotha (Viena, 1816 – Lisboa, 1885) nasceu Príncipe austríaco e morreu em Portugal com o título de Rei.

Segundo marido da nossa Rainha D. Maria II foi escolhido por nele se adivinhar a fogosidade capaz de assegurar a sucessão dinástica na Casa Real de Portugal. E o Príncipe-Rei não se fez rogado pois a Rainha engravidou até à exaustão: morreu no seu décimo primeiro parto. Reconheçamos que, se ao Príncipe se lhe pedia descendência, bem mereceu o título de Rei – mesmo que apenas honorífico.

E se a missão de garantir a sucessão ao trono era assunto de Estado a tomar na mais alta consideração, D. Fernando terá querido assegurar-se da sua permanente condição operacional e não se cingiu aos horários de serviço pois ensaiou em horários extra tomando como «partenaires» damas e moçoilas sobre quem os seus olhos descessem.

A Rainha, nem sempre disponível para a fogosidade do Rei, inventava pretextos para o afastar das saias dela ou alheias e assim foi que, certa vez, o mandou supervisionar umas manobras militares no Alentejo. Embarcados no Terreiro do Paço e desembarcados em Cacilhas, instala-se o pânico no séquito real pois Sua Majestade desaparecera. Havia a certeza de que o Rei não saltara borda fora e até fora visto em terra a encaminhar-se para um canto por trás da casa do Chefe local dos Correios no largo donde saía a rua de acesso a Almada para se aliviar de alguma real precisão, mas, depois disso, estava desaparecido. Esfumara-se. E foram três dias de grande aflição sem se saber se se deveria informar a Rainha da sua putativa viuvez e, daí, a eventual vacatura do lugar ao seu lado no trono…

… e as buscas prosseguiram…

… até que ao terceiro dia foram encontrar o Rei em casa do Chefe dos Correios de Cacilhas a  dar «lições de piano» á filha do dito Chefe. Pois…

* * *

Elise Frederika Hensler, suiça de nascimento, era actriz de teatro e ficou conhecida como Condessa de Edla. Sim, claro, era «próxima» do Rei e essa proximidade era de tal modo que teve direito a um «chalet» logo ali nas faldas do Castelo da Pena onde a Rainha passava temporadas. Sua Majestade, o Rei, parecia gostar de exercícios de ubiquidade.

Falecida Sua Majestade a Rainha D. Maria II ao seu infausto décimo primeiro parto, fez D. Fernando o luto oficial e o da conveniência social para casar com a Condessa.

Uma vez que D. Fernando mais não era do que um «reprodutor de Estado, Rei a fingir, à Rainha defunta sucedeu no trono o primogénito Pedro, o quinto desse nome no trono de Portugal, que morreu sem que lhe fosse conhecida descendência pelo que o fogosíssimo D, Fernando viu o seu segundo filho varão, Luís,  subir ao trono. E foi por escassos quatro anos que não viu o neto Carlos sentado no lugar régio.

Compreende-se que D. Fernando II, Rei (a fingir) tenha tido cabimento no Panteão Nacional, mas que a Condessa de Edla (falecida em 1920, já a República com 10 anos andados) esteja no Panteão dos Braganças, é que me parece uma vingança jacobina de Afonso Costa.

Henrique Salles da Fonseca

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