Em caso de minas
dificultando o acesso dos petroleiros, de que se não falava quando Portugal
conquistou Ormuz, Goa e Malaca, como aprendi suponho que ainda na escola
primária e nos ficava na memória… Sem minas, nesses tempos de papagueio..
▲Donald Trump enfrenta um desafio
difícil com actual bloqueio no Estreito de Ormuz Francis Chung / POOL/EPA
O mar minado, os riscos das escoltas
navais e o cenário da escalada da guerra. Que soluções tem Trump
para Ormuz?
Trump fez
apelo para mobilizar meios para garantir a segurança da passagem dos
petroleiros na passagem entre Omã e Irão. Aliados europeus, Japão e Coreia do
Sul disseram não.
OBSERVADOR, 16 mar. 2026, 23:062
Índice
Os riscos
militares de prolongar o conflito
Uma ameaça de
5.000 minas marítimas
Meios não
testados em tempo de guerra
Como poderia uma escolta naval ocorrer e qual a razão
para o ‘não’ dos aliados a Trump?
Os 39 quilómetros de água que separam
as duas margens das costas de Irão e Omã no Estreito de Ormuz tornaram-se a
pior dor de cabeça de Donald Trump na última semana. O bloqueio imposto por Teerão à passagem de
embarcações de EUA, Israel e seus aliados praticamente anulou a circulação
marítima da qual depende entre 20 a 25% do petróleo mundial. O preço
do barril disparou acima dos 100 dólares, o custo de vida das pessoas começa a
sofrer os primeiros impactos negativos e a ausência de soluções do Presidente
norte-americano coloca em causa a sua operação “Fúria Épica”.
Se
é certo que Washington e Telavive conseguiram eliminar o líder supremo Ali
Khamenei e uma parte significativa dos comandos de topo do regime iraniano
desde 28 de fevereiro, o garrote instalado por Teerão no Estreito de Ormuz
parece ter apanhado de surpresa os EUA. E, agora,
não há nenhuma solução ideal para resolver o problema, que está a sair caro à
economia mundial, ainda que o líder da Casa Branca anuncie num dia que a
“guerra vai terminar em breve” e no outro garanta que o Irão quer um acordo,
mas que “os termos não são suficientemente bons” para parar já o conflito.
Donald Trump lançou na última semana a ideia de a
Marinha norte-americana poder avançar com escoltas navais à circulação dos
petroleiros. Sem grande convicção, acabaria por recuar para já
nesse plano. Acto
contínuo, começou a pressionar vários países para deslocarem meios navais
militares para a zona que separa o Golfo Pérsico do Mar Arábico. Primeiro, visou China, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e
França; depois, alargou a mensagem a “todos os países do mundo que recebem petróleo
através do Estreito de Ormuz”; por último, ameaçou os aliados da NATO com um “futuro muito mau”,
caso não venham em auxílio dos EUA.
Em diferentes idiomas, o Presidente
norte-americano só tem recebido uma resposta ao envio de meios militares: não.
Alguns países assumem estar a estudar
opções de normalização da circulação naval, outros apontam para a diplomacia,
nenhum se compromete face aos riscos. Da colocação de embarcações nacionais
ao alcance de mísseis e drones do Irão à navegação por águas potencialmente
minadas ao longo dos últimos dias, passando pela lentidão da tarefa de
desminagem ou a aplicação de meios nunca antes testados em contexto de guerra, os
EUA enfrentam agora águas desconhecidas.
Os riscos militares de
prolongar o conflito
Declarar
uma vitória ‘limitada’ e retirar ou continuar o conflito em nome dos objectivos
que tinha traçado para o Irão? O dilema coloca-se agora perante Donald Trump
com o estrangulamento do Estreito de Ormuz. EUA e
Israel queriam eliminar a ameaça regional (e mundial), anular quaisquer planos
de desenvolvimento de uma arma nuclear e forçar o fim do regime em Teerão.
Porém, a morte de Ali Khamenei não se traduziu no fim da República Islâmica,
com o filho Mojtaba Khamenei a subir ao cargo de Líder Supremo.
E sobre a capacidade de Teerão continuar a ameaçar Israel — e a própria estabilidade no Médio Oriente
— ou o desenvolvimento das suas potencialidades
nucleares, talvez ainda seja cedo para ter uma resposta inequívoca. Afinal,
mesmo fortemente atingido e debilitado, o
regime iraniano conseguiu alargar os ataques a vários países com bases ou
posições aliadas dos EUA.
Reforçar os meios norte-americanos
imediatamente no Estreito de Ormuz, com vista à segurança e protecção dos
petroleiros e de outras embarcações, colocará esses mesmos meios ao alcance dos
mísseis antinavio iranianos. Ou seja, irá acrescentar uma nova dimensão a um
conflito essencialmente travado nos céus e que já fez mais de dois mil mortos
na região.
ROYAL
THAI NAVY / HANDOUT/EPA
Segundo a Bloomberg, e embora
não seja conhecida a extensão do arsenal iraniano, Teerão
terá pelo menos seis tipos destes mísseis, de acordo com dados do Instituto
Internacional de Estudos Estratégicos. Fora do Estreito de Ormuz, as
embarcações da Marinha norte-americana deverão estar a salvo, já que a maioria
destes mísseis iranianos têm um alcance máximo de cerca de 120 quilómetros (75
milhas). Contudo, tal raio de acção é mais do que suficiente para ser uma
ameaça efectiva na curta passagem entre Irão e Omã.
Em paralelo, a concentração de mais recursos humanos,
quando já estão cerca de 50 mil elementos no
Médio Oriente, arrisca colocar em perigo mais vidas norte-americanas.
Já morreram 13 membros das forças armadas dos EUA e em Teerão acredita-se
que o tempo joga a seu favor. Quanto mais tempo durar o conflito, mais
dispendiosa e impopular se tornará a operação de Washington, até entre a facção
de apoio MAGA (fortemente leal a Trump) e os republicanos.
Por outro lado, uma tentativa de
Washington forçar a retoma da circulação das embarcações sem garantias de
segurança é uma ideia de execução altamente improvável. Não só pelos riscos económicos
associados, mas porque nenhuma companhia quer colocar em causa a segurança das
tripulações, lançando as embarcações com os mísseis ou drones iranianos
preparados para disparar. Mesmo que
Trump tenha já declarado que os EUA dizimaram a capacidade ofensiva iraniana.
“O Irão possui um arsenal de mísseis antinavio bastante robusto. Se o
tráfego marítimo fosse retomado, estes mísseis tornar-se-iam um desafio ainda
maior”, garante Sid Kaushal, um investigador sénior do Royal United Services
Institute, do Reino Unido, citado pela Bloomberg. E esse não é o único risco
nas águas do Estreito de Ormuz.
(CONTINUA)
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