domingo, 22 de março de 2026

CONTINUAÇÃO DO TEXTO ANTERIOR:

 

 “Internet cortada e chamadas caras. Como é que a diáspora iraniana fala com a família no Irão em plena guerra”

Em “EM TEMPO DE GUERRA”

Quando alguém não consegue contactar os familiares no Irão, entre a diáspora iraniana nos Estados Unidos, há um clima de entreajuda durante o vazio informativo que gera bastante ansiedade. “Muitas pessoas criaram grupos de chat” em plataformas de mensagens instantâneas “para coordenar informação”, começa por dizer Tirdad Kia. “Quando alguém recebe uma chamada telefónica do Irão, pergunta logo nos grupos se há quem não esteja a conseguir falar com a família. Esses números em falta são depois enviados para contactos dentro do Irão, para que alguém tente ligar e confirmar como está essa família”, explica.

ÍNDICE

Chamadas telefónicas do Irão. Como a diáspora iraniana contacta com os familiares

A internet totalmente cortada — apenas com algumas excepções

Starlink e antenas parabólicas. Como os iranianos tentam contactar os familiares através da internet

Starlink e antenas parabólicas. Como os iranianos tentam contactar os familiares através da internet

Para os iranianos de classe média, que têm um salário médio de cerca de 200 euros, é praticamente impossível ter acesso à internet para contactar os familiares no estrangeiro. Porém, há quem o consiga clandestinamente e fuja da apertada malha do regime. Para isso, são precisas três coisas: dinheiro, know-how e acesso ao mercado negro. “É preciso saber como manobrar a tecnologia. Se não se recorrer a esses métodos, é praticamente impossível”, diz Amir Rashidi.

Quando havia acesso à internet, as pessoas dentro do Irão “usavam múltiplos VPNs” — mecanismos que criam uma ligação encriptada através da qual se simula que se está noutro país —, e isso contornava a censura, “apesar de ser caro e tecnicamente complicado para muitos”, refere Tirdad Kia. Quando se usava estas ferramentas, era obviamente à margem da lei, continua o iraniano que vive em Chicago: “Dependia-se frequentemente de serviços adquiridos no mercado negro. Mas também havia a preocupação generalizada de que alguns VPNs pudessem ser controlados ou monitorizados pelas autoridades”.

Actualmente, uma das últimas alternativas dentro do Irão para aceder à internet livre é através do Starlink, a rede de satélites da empresa aeroespacial SpaceX (fundada por Elon Musk) que fornece internet em praticamente todo o mundo. É preciso ter um dispositivo — um terminal de satélite — para se poder conectar. Para o regime iraniano, o Starlink é um grande desafio, e Teerão faz de tudo para evitar que mais pessoas obtenham esta tecnologia.

▲ Terminal do Starlink CLEMENS BILAN/EPA

 

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