“Internet cortada e chamadas
caras. Como é que a diáspora iraniana fala com a família no Irão em
plena guerra”
Em “EM TEMPO DE GUERRA”
Quando alguém não consegue contactar os
familiares no Irão, entre a diáspora iraniana nos Estados Unidos, há um clima
de entreajuda durante o vazio informativo que gera bastante ansiedade. “Muitas pessoas criaram grupos de chat” em
plataformas de mensagens instantâneas “para coordenar informação”, começa por
dizer Tirdad Kia. “Quando alguém recebe uma chamada telefónica do Irão,
pergunta logo nos grupos se há quem não esteja a conseguir falar com a família.
Esses números em falta são depois enviados para contactos dentro do Irão, para
que alguém tente ligar e confirmar como está essa família”, explica.
ÍNDICE
Chamadas telefónicas do Irão. Como a diáspora iraniana
contacta com os familiares
A internet totalmente cortada — apenas com algumas
excepções
Starlink e antenas parabólicas. Como os iranianos
tentam contactar os familiares através da internet
Starlink e antenas parabólicas. Como os
iranianos tentam contactar os familiares através da internet
Para os iranianos de classe média, que têm
um salário médio de cerca de 200 euros, é praticamente impossível ter acesso à
internet para contactar os familiares no estrangeiro. Porém, há quem o consiga
clandestinamente e fuja da apertada malha do regime. Para isso, são precisas
três coisas: dinheiro, know-how e acesso ao mercado negro. “É preciso saber como manobrar a tecnologia.
Se não se recorrer a esses métodos, é praticamente impossível”, diz Amir Rashidi.
Quando havia acesso à internet, as pessoas
dentro do Irão “usavam múltiplos VPNs” — mecanismos
que criam uma ligação encriptada através da qual se simula que se está noutro
país —, e isso contornava a censura, “apesar de ser caro e tecnicamente complicado para muitos”,
refere Tirdad Kia. Quando se usava estas ferramentas, era obviamente à margem da lei, continua o
iraniano que vive em Chicago: “Dependia-se frequentemente
de serviços adquiridos no mercado negro. Mas também havia a preocupação
generalizada de que alguns VPNs pudessem ser controlados ou monitorizados pelas
autoridades”.
Actualmente, uma
das últimas alternativas dentro do Irão para aceder à internet livre é através
do Starlink, a rede de satélites da empresa aeroespacial SpaceX (fundada por Elon Musk) que fornece internet em praticamente todo o mundo. É preciso ter um
dispositivo — um terminal de satélite — para se poder conectar. Para o regime
iraniano, o Starlink é um grande desafio, e Teerão faz de tudo para evitar que
mais pessoas obtenham esta tecnologia.
▲ Terminal do Starlink CLEMENS
BILAN/EPA
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