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Taiwan pondera retomar energia nuclear
face a conflito no Médio Oriente
Em 2025 um terço do gás natural
importado veio do Qatar e cerca de 70% do petróleo vem também do Médio Oriente,
aumentando a vulnerabilidade a eventuais
interrupções no fornecimento devido à guerra.
OBSERVADOR, 24 mar. 2026, 09:19
▲A empresa estatal Taipower está a trabalhar para obter
as autorizações necessárias para reactivar as centrais de Kuosheng, no norte do
país, e de Maanshan, no sul
RITCHIE B. TONGO/EPA
Taiwan
iniciou os procedimentos para reactivar duas centrais
nucleares, cerca de
um ano após o encerramento do último reactor em funcionamento, devido à elevada procura energética associada à
inteligência artificial e às tensões no Médio Oriente.
A empresa estatal Taipower está a trabalhar para obter as
autorizações necessárias para reactivar
as centrais de Kuosheng, no norte do país, e de Maanshan, no sul,
indicou no sábado o líder taiwanês, William Lai.
Segundo Lai, a empresa deverá apresentar um plano à Comissão de Segurança
Nuclear até ao final deste mês, sublinhando
que a segurança
nuclear, a gestão
de resíduos e o consenso social
são os “três factores-chave”
a considerar.
A iniciativa surge após o encerramento do último reactor da central de Maanshan, em maio de 2025, que marcou o
fim da era nuclear em Taiwan, na
sequência do desmantelamento progressivo das centrais de Chinshan e Kuosheng
entre 2018 e 2023.
A decisão anterior concretizou
um dos principais objectivos do Partido
Democrático Progressista, que defendia uma “pátria livre de energia nuclear”,
especialmente após o acidente de Fukushima.
O “forte desenvolvimento
económico” da ilha, a necessidade
de electricidade com baixas emissões
e o crescente consumo energético da indústria da
inteligência artificial, a par de alterações legislativas recentes, levaram,
porém, o Governo a reconsiderar a sua posição, reconheceu Lai.
O dirigente referia-se a uma lei aprovada
no ano passado pelo parlamento, de maioria opositora, que passou a permitir a continuação das operações das
centrais nucleares mesmo após entrarem em fase de desmantelamento.
O eventual regresso à energia nuclear é também explicado por factores
geopolíticos. Em 2025, o gás natural liquefeito representou mais de 47%
da produção eléctrica de Taiwan, sendo cerca de um terço importado do
Qatar, segundo dados oficiais.
Cerca de 70% do petróleo bruto
importado pela ilha provém igualmente do Médio Oriente, com destaque para Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, o que aumenta a vulnerabilidade a eventuais
interrupções no fornecimento devido ao
actual conflito na região.
Num comunicado, o ministério dos Assuntos Económicos indicou que o
abastecimento de gás natural deverá manter-se estável até ao final de maio e
que as importações já estão diversificadas por 14 países, reduzindo
a dependência do Médio Oriente.
A dependência de combustíveis
importados por via marítima expõe ainda Taiwan a um eventual bloqueio por parte
da China, que considera a ilha parte do seu território e não exclui o uso da
força.
Nas recentes manobras
militares chinesas em torno de Taiwan, designadas “Missão
Justiça-2025”, o exército simulou cenários de bloqueio e tomada de
portos e outras infraestruturas estratégicas.
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