sexta-feira, 20 de março de 2026

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Positivas, desta vez. A importância da IA, na base disso, ao que parece.

 

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Data centers: Portugal afirma-se como hub europeu

Até 2030, a capacidade de data centers existentes no mundo deverá duplicar, atingindo cerca de 200 GW. A previsão é da JLL, que destaca como Portugal se tem consolidado como hub europeu do sector.

OBSERVADOR LAB: Texto

OBSERVADOR, 20/3/26

Portugal continua a afirmar-se como um importante hub europeu emergente no sector de data centers. Isto acontece numa altura em que, a nível mundial, a área atravessa uma fase de expansão inédita, graças ao impulso dado pela Inteligência Artificial (IA), segundo dados do mais recente relatório “Global Data Centers Outlook 2026”, realizado pela JLL.

No documento, estima-se que, até 2030, a capacidade global instalada passe de 103 GW para cerca de 200 GW, o que corresponde a uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 14%. Para que este incremento se verifique, haverá necessidade de um superciclo de investimento, que poderá chegar aos 3 biliões de dólares em 2030. Deste valor, cerca de 1,2 biliões corresponderão à criação de valor imobiliário, e 1 a 2 biliões dirão respeito a investimento para equipar os espaços com infraestrutura de tecnologias de informação.

Energia como principal factor diferenciador

Entre os factores que colocam Portugal no pelotão da frente dos mercados europeus que começam a afirmar-se no sector de data centers, destacam-se a estabilidade energética nacional e o crescente investimento em energias renováveis. Este contexto tem criado um ambiente favorável ao desenvolvimento de projectos de grande escala, tal como reforça Andreia Almeida, Head of Research da JLL Portugal, segundo a qual, “Portugal reúne condições únicas para o desenvolvimento de centros de dados, combinando estabilidade energética, elevada produção de energia renovável e proximidade aos principais polos empresariais de Lisboa e do Porto”.

Incorporação de energias renováveis

De acordo com dados da Redes Energéticas Nacionais (REN), em 2024, cerca de 71% do consumo eléctrico em Portugal foi assegurado por produção renovável, com um mix assente em energia hidroeléctrica (28%), eólica (27%), solar (10%) e biomassa (6%). Esta distribuição permitiu que, já em 2023, o país fosse, pelo quinto ano consecutivo, o quarto Estado-Membro da União Europeia com maior incorporação de fontes de energia renovável na produção de electricidade, segundo o Relatório do Estado do Ambiente 2025, da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

De igual forma, dados da Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e da Agência Nacional de Energia (ADENE), revelam que, em 2023, a dependência energética de Portugal era de 66,7%, sendo este o segundo valor mais baixo dos últimos 20 anos, aproximando-se da meta dos 65%, definida para 2030 no Plano Nacional de Energia e Clima.

De salientar ainda que o país é exportador líquido de energia desde 2016 e dispõe de uma potência instalada de 22.813 MW. Além disso, a Rede Nacional de Transporte de electricidade em Portugal é operada em regime de concessão exclusiva pela REN, o que assegura equilíbrio, segurança e abastecimento de energia em todo o território continental.

Para o futuro, as perspectivas são encorajadoras, pois a configuração geográfica do país coloca-o numa posição vantajosa em termos de aproveitamento de recursos naturais e consequente produção de energia solar, eólica e hídrica.

O fornecimento de energia estável e oriunda de fontes renováveis é determinante, não só porque permite ir ao encontro das crescentes necessidades energéticas dos centros de dados, mas também porque responde aos requisitos regulatórios e de sustentabilidade existentes a nível nacional e mundial, que os operadores de data centers devem cumprir.

Localização geográfica privilegiada

Uma questão muito relevante prende-se também com a localização privilegiada do país para as comunicações realizadas através de cabos submarinos, que funcionam como uma porta de entrada para a Europa, o que eleva ainda mais a atractividade de Portugal para este tipo de investimento.

Segundo Andreia Almeida: “O mercado português é composto maioritariamente por data centers on-premise, isto é, concebidos para responder às necessidades específicas das empresas que os detêm. A maior parte localiza-se na área de Lisboa, beneficiando das ligações internacionais e da proximidade aos principais polos empresariais.

Actualmente, estão instalados no território nacional mais de 30 data centers de grandes dimensões, destacando-se sobretudo pelas operações em larga escala ou pelo foco na prestação de serviços.

O maior centro de dados em funcionamento no país localiza-se na Covilhã, abrange uma área de 75.500 m2, e é propriedade da Altice Portugal. Inaugurado em 2023, tem capacidade para 50 mil servidores e possui certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), o sistema de classificação de edifícios sustentáveis mais utilizado mundialmente, criado pelo US Green Building Council. É ainda reconhecido pelo Uptime Institute como um data center Tier III, o que significa que possui total redundância de infraestrutura, garantindo a inexistência de interrupções no serviço.

Pipeline promissor em Portugal

Há vários projectos de centros de dados em desenvolvimento no país, alguns dos quais já em fase de construção. É o caso do Sines Data Campus, em Setúbal, projectado para uma capacidade de 1,2 GW e totalmente alimentado por energia verde. A primeira unidade foi inaugurada no segundo trimestre de 2025 e a expectativa é que venha a constituir o maior data center em hiperescala em Portugal.

Em construção está também o Atlas Edge Lisbon Data Center, localizado em Carnaxide. Espera-se que atinja um total de 30 MW de capacidade instalada e funcione inteiramente com recurso a energias renováveis e sem desperdício de água. A primeira unidade foi inaugurada em outubro de 2025.

Em Vila Franca de Xira, também no distrito de Lisboa, está ainda a ser construído o Merlin Properties Data Center, projectado para uma capacidade de 36 MW. Este será o quarto centro de dados da Merlin Properties na Península Ibérica, a juntar-se aos restantes três situados em Espanha.

IA como importante motor de crescimento

O crescimento esperado em Portugal para os próximos anos está alinhado com as previsões que constam do relatório “Global Data Centers Outlook 2026da JLL. Entre as principais causas do crescimento esperado contam-se o recurso à cloud e à IA. Se, em 2025, a IA representava apenas cerca de um quarto das cargas de trabalho (workloads) globais nos data centers, já a partir de 2027 prevê‑se uma mudança que terá grande impacto. Nessa altura, acredita-se que as cargas de trabalho de inferência ultrapassem o treino como a principal necessidade de IA, passando esta a representar cerca de metade dos workloads globais.

Em 2027, a IA será responsável por 50% dos workloads globais

Prioridades para as empresas e para os investidores

No referido documento, fica claro que os data centers de grande escala continuarão a ser um importante motor de crescimento do sector, através de uma dupla estratégia de arrendamento e construção própria. Para apoiar empresas e investidores, a JLL inclui no relatório aquelas que são as prioridades a ter em conta nesta área.

Data centers no centro da revolução do futuro

Segundo a JLL, o sector dos data centers está a iniciar um dos maiores superciclos de investimento em infraestruturas da era moderna. As características de interconexão destas instalações fazem com que o crescimento, impulsionado pela IA, provoque alterações em diversos sectores, nomeadamente, na energia, tecnologia e imobiliário.

O acesso à energia apresenta-se, pois, como o principal critério de localização e negociação dos centros de dados, com o relatório a destacar a adopção de estratégias híbridas – combinando os diversos tipos de data centers (on-premise, colocation, hiperescaladores e edge) – e a necessidade de assegurar capacidade a longo prazo.

Este artigo foi publicado no âmbito do projecto Rota Imobiliária, em parceria com a JLL: https://observador.pt/seccao/rota-imobiliaria/

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