quinta-feira, 6 de maio de 2021

“Austera, apagada e vil tristeza”


Afinal, de todo o sempre, como o sentiu o injustiçado Camões. O retrato foi feito há muito, já nos tempos mediévicos houve quem o apontasse. Não, não mudámos, se bem que hoje se faz à sombra da partidarite. João Marques Almeida esclarece melhor, precisando os dados duma corrupção profundamente incrustada, a começar na educação e a continuar no compadrio. Sem contar com as nossas misérias justiceiras... Dá pena.

O PS ocupa, o Bloco radicaliza, o PCP “educa”, mas os portugueses resistem /premium

Para quem está nas direitas, o nosso país passa por um momento bem complicado. O PS ocupa o Estado, o BE radicaliza a sociedade e o PCP “educa” – ou melhor deseduca – os nossos jovens nos liceus.

JOÃO MARQUES DE ALMEIDA   Colunista do Observador

 OBSERVADOR, 05 mai 2021

As notícias e reportagens dos últimos dias sobre a quantidade de jotas socialistas contratados para trabalhar no Estado foram impressionantes. O PS ocupa o Estado, incluindo as autarquias onde está no poder, com pais e filhos, tios e sobrinhos, primos e primas, maridos e mulheres, namorados e namoradas. A filiação no PS é mais eficaz para arranjar um emprego do que um curso superior numa boa universidade. Eu ainda sou daqueles que acredita que o estudo e as boas notas são a melhor forma de começar uma carreira profissional de sucesso. Aprendi isso com os meus pais e avós – e ensinei isso aos meus filhos. Infelizmente, o PS demonstra como estou errado.

Eis a vida de um socialista de sucesso. Entra na Juventude Socialista e aprende logo que a reunião certa é mais importante do que uma boa nota num exame. Trabalhar para os padrinhos políticos leva-o mais longe do que estudar e ler livros. Os que fazem o que deve ser feito chegam antes dos 30 anos a gabinetes de ministros e de secretários de Estado. Os mais eficazes são promovidos para lugares de chefia no Estado. Espera-os uma missão fundamental. Quando – e se – o PS regressar à oposição, compete-lhes boicotar os governos de direita. Gradualmente, o Estado português substitui os funcionários públicos competentes por militantes socialistas. Sobretudo no que interessa para exercer o poder e controlar os cidadãos: a segurança social e a máquina fiscal. Quem controla os impostos, as contribuições sociais e os impostos, tem um enorme poder sobre os portugueses.

Simultaneamente, o Bloco de Esquerda trabalha com zelo e método para radicalizar a sociedade. O Bloco lidera os ataques à noção tradicional de família, à história e à identidade nacionais, com a promoção de agendas sociais radicais e até de conflitos raciais. Apesar de alguma oposição de socialistas, mais conservadores em privado do que publicamente nas matérias de costumes, o PS aceita a agenda radical social do BE, em troca de favores na economia e no combate à corrupção. O Bloco está agora empenhado em legislar contra o enriquecimento ilícito, mas por que razão nunca impôs essa condição para aprovar os orçamentos durante os quatro anos da geringonça? Será que nessa altura o enriquecimento ilícito não era importante?

A conquista do Estado pelo PS, apesar dos fracassos monumentais de governos socialistas desde o início do século, de mãos dadas com a radicalização bloquista, é facilitada pelo nível miserável da educação pública no nosso país. Os meus três filhos estudaram no ensino público, vi os programas e contaram-me o que ouviam nas aulas de história e de estudos sociais. O ensino público está a transformar-se na promoção de uma agenda ideológica marxista, que ataca o passado de Portugal, que em alguns casos defende a antiga União Soviética e critica os Estados Unidos, que diaboliza o capitalismo, elogiando o período revolucionário de 1975. As teses Marxistas do nosso ensino oficial devem-se em grande medida à influência dos sindicatos comunistas na política de educação. As forças sindicais de um partido com 300 mil votos são nefastas para a educação de milhões de jovens portugueses.

Esta “educação” continua depois em muitas universidades, sobretudo nas Ciências Sociais. Veja-se o resultado. A maioria dos nossos debates públicos são de uma pobreza extrema e de uma ignorância assustadora. A falta de educação de grande parte da nossa classe política (sim, também incluo o Chega), manifesta-se todos os dias nas nossas televisões. Alguns dos nossos políticos e intelectuais costumam queixar-se das redes sociais. Tenho muitas vezes a impressão que todo o Portugal se transformou numa enorme rede social.

No meio de tudo isto, há muitos portugueses que resistem. Com tudo a correr bem entre 2015 e 2019 (o mundo pré-pandemia, lembram-se?), o PS não conseguiu sequer que 2 milhões de eleitores votassem em António Costa (votaram, mais precisamente, 1 milhão e 900 mil). Foi o governo que recebeu o menor número de votos desde 1987. O Bloco teve cerca de meio milhão de votos e o PCP um pouco mais de 300 mil. Ou seja, estes três partidos querem construir um poder absoluto sobre a sociedade portuguesa com os votos de cerca de 27% da população. Nas sondagens desde então, o PS está sempre abaixo da maioria absoluta, o BE não chega aos 10% e o PCP tem mais ou menos 5%.

O número de abstencionistas deve situar-se entre 3 e 4 milhões, mais do dobro dos que votaram no PS, no Bloco e no PCP. Parece-me óbvio que aqueles que não votaram no PS ou nas esquerdas, em 2019, dificilmente o vão fazer no futuro. Bem sei que os nossos especialistas em sondagens nos dizem que é muito difícil convencer os abstencionistas a votar. Mas devemos recusar essa condenação da nossa democracia. Um país onde mais de metade dos eleitores não vota tem uma democracia doente.

É à oposição que compete tentar curar a doença da nossa democracia. O que estão a fazer os partidos das direitas, os velhos e os novos, para entender os abstencionistas? Por que não votam? Quando deixaram de votar? Desistiram da democracia ou estão apenas insatisfeitos com a política? O que querem, o que pensam, o que defendem? Como é que se pode trazê-los de volta à política? Se os partidos de direita não estão a tentar compreender os abstencionistas, não estão a fazer nada. Está na altura de começarem a trabalhar a sério. Só se pode derrotar as esquerdas com os que deixaram de votar. É difícil? É seguramente. Mais uma razão para começarem a trabalhar a sério e rapidamente.

POLÍTICA   PS   PCP   BLOCO DE  ESQUERDA

COMENTÁRIOS

Filipe Costa: Eu tive professores marxistas, alguns na primária, outros no secundária e ficou por aí, fugi para a programação, aqui não me apanham.          Portugal, que Futuro JMA,: 1.- Há muitos anos que a abstenção em Portugal tende para cerca de metade dos votantes inscritos. 2.- Nas legislativas de 2011 votaram 58,07% dos inscritos. Utilizando o seu raciocínio, com o qual não concordo, o PSD ganhou as eleições sozinho com 38,65%*58,07%=22,44%. Mais tarde, num acordo pós-eleitoral, tal como fez a geringonça, juntou-se ao CDS que acrescentou: 11,70%*58,07%=6,79%. Total: (22,44%+6,79%)=29,23%. Conclusão: tivemos um governo de maioria absoluta com "os votos de 29,23% da população".  Foi este o seu raciocínio....          Maria Narciso: Quanto mais a Luta Aquece -  Mais Força tem o PS. E agora que a Luta está Quente  - O PS vá em Frente.         Anibal Augusto Milhais: Para quem está nas direitas, o nosso país passa por um momento bem complicado. O PS ocupa o Estado, o BE radicaliza a sociedade e o PCP “educa” – ou melhor deseduca – os nossos jovens nos liceus. Ao que chega o desespero!         Sergio Coelho: Certo. Um povão inapto, inculto, sem civismo, ignorante e anestesiado e estupidificado por futebolada 24h dia, merece estes inaptos, nepotistas, carreiristas, machistas, poleiristas e DDT e bancarroteiros.        ZLV: Acredito que se houvesse hipótese de reduzir significativamente a abstenção e o poder do PS, os resultados eleitorais começariam a ser falseados.          Alexandre Areias: É mais que certo que uma maioria de eleitores, que jamais votariam nesta esquerda terceiro-mundista que nos governa, desistiu de exercer o seu direito ao voto, em grande medida porque como principal alternativa têm um PSD e um CDS que não querem ser oposição. Também é certo que, no dia que este eleitorado for mobilizado e que a abstenção desça para níveis mais razoáveis, na ordem dos 20-30%, o PS e os seus camaradas de viagem marxistas são varridos do governo           Paula Quintão: Excelente artigo. Cada tiro (leia-se parágrafo) cada melro!!           Vitor Fonseca: Podemos escolher entre:  comunismo ou LIBERDADE. Está nas nossas mãos ensinar e fazer ver aos abstencionistas de que os comunistas são quase "obrigados" a votar, como tal, são estes abstencionistas que determinam e decidem que esta gente continua a governar.          TIM DO Ó: ZMar: O PS até já ocupa casas particulares! A Venezuela está próxima.         antonyo antonyo: Sempre achei incompreensível como era possível que a extrema esquerda com menos de 20% de votos tivesse a relevância que tem . Claro que a boa imprensa, o culturalmente correcto, a total iliteracia política dum povo que se deleita com novelas e concursos da tv, e duma juventude que vive para as redes sociais e sobretudo que não lê nem adquiriu hábitos de leitura, não poderia ter outro resultad . O que me incomoda é que daqui a uns anos quando o país estiver ainda a bater mais no fundo, já não será possível voltar a pôr a pasta dentro da bisnaga. Que tristeza de país e de políticos!          Clarisse Seca: Um assunto muito pertinente do Sr. Marques de Almeida. É preciso que muitos Portugueses que não votam o leiam e reflictam. Os Portugueses precisam de pensamento crítico, senão não conseguiremos sair deste atoleiro social comunista a querer dominar tudo.       CarlosMSantos >  Clarisse Seca: Os Portuguese que não votam, não lêem. É esse o grande problema.           Dragão 2019:  "O PS ocupa, mas os portugueses resistem" Que remédio!!!            Manuel Magalhães: Bom artigo, só faltou referir as enormes culpas nesta situação de uma comunicação social sem dignidade em relação à sua profissão e completamente vendida ao governo e ao status quo...          Antonio Monge: A Suzana Garcia se ganhar Amadora, como espero que ganhe, pode vir a provocar uma reviravolta no PSD. Com este PSd não vamos a lado nenhum. Veja-se Madrid. Ayuso não teve problemas em ir contra o Sanchismo e aplicar um confinamento mais suave e selectivo em Madrid (metade da polpulação portuguesa, só para referência). Deu trabalho, e apostou na responsabilidade individual, mas também soube dar o exemplo. Resultado: não deprimiu a economia, não deprimiu as pessoas, e os madrilenos viram mérito nessas e noutras medidas e deram-lhe quase maioria absoluta. Também não teve complexos em aliar-se ao Vox e ao Cs. E quando diziam que isso a levava à desgraça eleitoral, afinal mais que duplicou os seus deputados. Hoje é uma séria candidata a líder do PP espanhol! Por aqui o PSd recusa-se a propor alternativas ao confinamento autoritário em nome de um suposto interesse nacional. Assina estados de indigência, de cruz, um após outro, em nome de um inverosímil interesse nacional. Fala do Chega como se este representasse algum imaginário perigo quando o único e real perigo que nos tem levado para o abismo, está perfeitamente identificado e coligado, é amigo da e rima com onça. Espero que o PSD vá urgentemente à farmácia comprar pastilhas para acordar! advoga diabo: É verdade que os portugueses resistem, mas ao recrudescimento da extrema-Direita que se limita a aproveitar a "ausência" da Direita, como, aliás, o confirmam eleições e sondagens.         Luis Mira Coroa: Acertas em cheio! Parabéns!           João Alves: Mas essa é a estratégia dos marxistas post-modernistas que ocupam o aparelho de estado com o beneplácito das direitas serôdias.          António Sennfelt: Nas eleições de ontem na região autonómica de Madrid, Isabel Dias Ayuzo, candidata do PP (na Oposição), alcançou mais votos que toda a Esquerda junta! E conseguiu que mais de 80% dos eleitores fossem às urnas,  comprovando assim que, mau grado todos os seus tentáculos, o polvo socialista pode ser derrotado! Desde que, obviamente, haja uma Oposição corajosa e inteligente...         Rita Salgado: Tenho esperança que apareça uma Ayuso em Portugal. A nossa esquerda moralmente superior está a esticar a corda a limite. Vai partir! É uma questão de tempo e de que apareça alguém decente e corajoso, sem medo de ser politicamente incorrecto. E, já agora, que não diga "os portugueses e as portuguesas"!           Antonio Monge > Rita Salgado: Muito bom o seu comentário, em toda a linha! VICTORIA ARRENEGA: Excelente. Chamou-me particularmente a atenção aquela parte do artigo em que se afirma que os jovens Socialistas que o PS descarrega às pazadas  em lugares de administração estratégicos, servirão no futuro para boicotar um governo não PS. Não basta ganhar eleições. Parece que a verdadeira luta vem de seguida contra forças de bloqueio. A análise que faz do papel das forças políticas  que quer no governo, quer pelo apoio que a ele dão, condicionam a nossa vida, é uma análise perfeita. Diz muito de forma concisa. Antes pelo contrário > VICTORIA ARRENEGA: Isso é o que aconteceu desde 1976, Soares começou a meter boys & girls em todo o lado e desde então nunca mais parou. É por isso que eles controlam a máquina do Estado.         Antes pelo contrário:  Esqueceu-se do óbvio: É que a culpa disso tudo, é a incapacidade de quem "está nas direitas"!!! Porque em política não basta "estar", é preciso dizer e fazer alguma coisa!!! A incompetência de Rui Rio e da sua côrte de barões e de lacaios está a destruir não apenas o PSD mas igualmente a afundar o país, moral e politicamente. Tem hoje aqui como exemplo o brilhante texto de Suzana Garcia, infinitamente mais capaz do que as nódoas que estão à frente do PSD. E o Moedas, ainda não deu uma para a caixa, e visivelmente nem percebe nada nem tem capacidade para vencer em Lisboa - quanto mais para liderar o Município!!!             VICTORIA ARRENEGA > Antes pelo contrário: Vi a entrevista De Moedas a  Miguel Sousa Tavares.  Fiquei com a ideia de um homem habituado à Europa mas pouco familiar com a política autárquica lisboeta. Uma entrevista muito centrada na agenda cultural. Acho que  a mensagem não vai passar. Serão os lisboetas que passarão ao lado. Mas pode ser que eu esteja enganada.         Martelo de Belem >  ....Antes pelo contrário: Infelizmente devo concordar com tudo o que diz. Talvez melhor que seja Costa a gerir o que ai vem, mas por outro lado o espectro de uma Ditadura comunista é aterrador, sabendo que a UE tudo permite e aceita         Mirza Cassamo: Excelente artigo.            Alberto Sérgio Sousa: A indigência intelectual e falta de calibre de alguns ministros, que se arrastam pelo poder desde sempre, é confrangedora... É uma oligarquia que não é capaz de ter um destino maior para um País, que se afunda nos rankings europeus... Gente fraca. Preocupada com a espuma dos dias e com a sua subsistência. E que sabe não ter qualidade se não estiver abrigada pelo guarda-chuva do Estado.           Carlos Quartel: A foto dos boys and girls da JS foi oportuna, para recordar aos mais distraídos como isto funciona. Os mais atentos, há muito que sabem isto e sabem mesmo que , em sociedades pouco politizadas, pouco exigentes e com oposições fracas é isto que acontece sempre. O PS de hoje é a UN de ontem, é o trampolim para o mundo novo da cunha, do empenho, do compadrio, da incompetência, tudo resultando numa corrupção larvar , de vários graus, mas que tudo invade. O mais triste é que, com outro partido qualquer, tudo leva a crer que o resultado seria o mesmo. Quem pôde passou à frente e vacinou-se, quem pode mete cunha no hospital, na repartição, aldraba na compra de casa, para enganar o fisco, falsifica cartas de condução e inspecções de veículos, inventa facturas e empresas para sacar IVA, burla e rouba velhotes, etc etc É uma sociedade doente, o PS  não é a causa, e bem mais um um efeito, um sintoma .....

 

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Mas não tenho a certeza


A propósito do Dia Mundial da Língua Portuguesa, quis dar-nos o Dr. Salles, um exemplo de escrita onde se interpenetram elementos de duas culturas – a portuguesa e a hindu – em poema recitado por Óscar de Noronha, certamente que também goês, poema da autoria de Adeodato Barreto, autor que eu desconhecia e que escutei, segundo o site fornecido por Salles da Fonseca: https://www.youtube.com/watch?v=62B4lm8E2Ew, no youtube: Poema “O FIM”,  além dos textos que procurei na Internet sobre o autor referido.

Não sei se o que levou o Dr Salles a escolher o dito poema, foi a analogia do título - que trata da morte de um filho, o qual tenta, em espírito consolar a mãe, (num discurso pleno de reminiscências de ternura infantil, juntamente com valores de um romanticismo envolto em outros de algum realismo, e mesmo panteísmo, sem grande dimensão, parece-me, no seu tom elegíaco) – tal escolha, repito, foi a analogia do título  - “O FIM” - com o estado moribundo da nossa própria língua, actualmente macaqueada, segundo um AO90 que a pretende matar, sem, todavia, o carinho demonstrado no dito poema de Adeodato Barreto. Com o Dr. Salles, nunca se sabe o que está por trás das referências, por isso alvitro a ironia contra a língua própria, num dia, paradoxalmente, a ela destinado, no mundo, o que duvido. Mas não, não tenho a certeza disso, porque o Dr. Salles é um arreigado patriota e orgulhoso defensor da expansão dessa tal nossa língua, que um AO mutilou …

DIA MUNDIAL DA LÍNGUA PORTUGUESA

 HENRIQUE SALLES DA FONSECA

A BEM DA NAÇÃO 05.05.21

https://www.youtube.com/watch?v=62B4lm8E2Ew

"O FIM" de Adeodato Barreto

dito por Óscar de Noronha  (Goa)

Tags: "língua portuguesa"Parte superior do formulário

NOTAS DA INTERNET:

1 - Adeodato Barreto: Vida e Obra

ADEODATO BARRETO – Goa (1905/1937). Poeta e escritor luso-goês nasceu em Margão, no antigo estado da Índia sob administração portuguesa, vindo a falecer em Coimbra. As suas obras contêm importantes arquétipos e paradigmas da cultura hindu. Nos seus poemas observam-se as noções de eterno retorno e de transmigração das almas, âncoras da filosofia indiana. A publicação póstuma do autor – “O Livro da Vida” – contém poemas cuja inspiração e temática foi encontrar no manancial riquíssimo da cultura Indiana, reflectindo a sua mente totalmente oriental. Foi ainda um republicano e adversário da ditadura de Salazar e um cidadão da sempre eterna e pungente Coimbra, lugar de todas as confluências e de todas as contestações.

2 - «AS DINÂMICAS CULTURAIS EM ADEODATO BARRETO»

 Patrícia Maia de Azevedo Carvalho Marmelada

RESUMO:  Este estudo centra-se em Adeodato Barreto, permitindo uma reflexão, a partir da abordagem da sua circunstância, sobre os quinhentos anos de permanência de Portugal em Goa, sobre as características do colonialismo português, da influência da Igreja Católica e da sua relação com o Hinduísmo, através das quais se procura perceber as peculiaridades da goanidade enquanto identidade goesa. As complexidades da sociedade goesa revelam-se na sua literatura, que evolui de uma fase em que os autores são nativos goeses criados em meio católico e português, centrada numa temática religiosa católica para, na transição do século XIX para o século XX, aparecerem autores laicos que se centram nos problemas reais da sociedade goesa. Nesta altura, surgem personalidades como Mahatma Gandhi, Rabindranath Tagore e Sarojini Naidu que perfilham as teses do indianismo e da Independência da Índia, preocupações que se reflectem também na sociedade goesa. É neste contexto que o estudo procura compreender a personalidade complexa de Adeodato Barreto, na sua matriz cristã e hindu, onde o Ocidente e o Oriente se interpenetram. Foi um importante cultor da literatura goesa em língua portuguesa, na poética e na ensaística, grande divulgador da civilização Hindu em Portugal, onde desenvolveu relações epistolares com Rabindranath Tagore, Romain Rolland e Sylvain Lévi, ao mesmo tempo que desenvolve, em Coimbra e em Aljustrel, um intenso trabalho social e humanitário. PALAVRAS-CHAVE: Literatura indo-portuguesa, Goa, identidade goesa, Hinduísmo, Cristianismo, Índia          ANEXO XXIII – Poema “O fim”

Textos positivos


Sobre Joe Biden. Além de que, claros e lúcidos. De Teresa de Sousa e de Nuno Severiano Teixeira, a deste último, na referência às medidas económicas e sanitárias de Biden, assemelhando-se a uma história de fadas.  

I ANÁLISE :  Biden, um radical? Não. Apenas alguém que compreendeu o seu tempo

No último ano, o debate sobre a reforma do capitalismo juntou-se ao debate sobre a reforma da democracia.

TERESA DE SOUSA            PÚBLICO, 2 de Maio de 2021

1. Joe Biden tem uma agenda profundamente reformista, disso não há hoje a menor dúvida. A visão que tem sobre o futuro da América é profundamente transformadora. Mas, se insistirmos em olhar para os seus primeiros 100 dias na Casa Branca a partir dos rótulos e dos conceitos políticos com que nos habituámos a pensar nos últimos 40 anos, talvez não seja possível avaliar com justeza aquilo que ele representa. Creio que a chave para entender Biden está, provavelmente, no momento em que ele chega ao poder. O mundo viveu duas crises profundíssimas em pouco mais de uma década. A crise financeira de 2008, que fez implodir o coração do sistema financeiro internacional e que contagiou o mundo inteiro. A crise pandémica, que pôs em evidência alguns dos maiores defeitos estruturais do sistema capitalista que vigora nas democracias liberais.

2. Há 40 anos, Reagan e Thatcher foram os pais de uma profunda revolução conservadora, que libertou as economias desenvolvidas do Ocidente dos excessos e dos constrangimentos de um Estado demasiado pesado, demasiado interventivo na economia e na vida das pessoas, demasiado dependentes de sindicatos com força para defender os direitos adquiridos contra qualquer ideia de mudança. O chamado neoliberalismo nasceu dessa revolução conservadora que colocava muito maior responsabilidade nas escolhas individuais, privatizava sectores inteiros da economia, libertando-a do excesso de regulamentação, confiava aos mercados a distribuição dos recursos, ao mesmo tempo que reduzia drasticamente os impostos (muito elevados) das empresas e da riqueza. O corte foi mais radical no Reino Unido e nos Estados Unidos, embora em ambos os casos as conquistas sociais mais importantes tenham sido preservadas. As democracias europeias do continente acabaram, elas próprias, por reformar os seus generosos modelos sociais por razões de sustentabilidade, mas também devido a uma forma diferente de olharem para alguns direitos adquiridos. Clinton, Blair e, depois deles, a generalidade dos partidos socialistas e sociais-democratas europeus adaptaram os respectivos programas às virtudes da economia de mercado e do liberalismo económico, pondo a tónica na educação e na formação para combater as desigualdades e garantir a igualdade de oportunidades.

Mas, como quase sempre acontece, os efeitos perversos destas mudanças transformadoras acabaram por tomar conta do sistema. As desigualdades aumentaram brutalmente, incluindo nos países mais igualitários. Os rendimentos das classes médias viram-se “espremidos” e estagnados pela desindustrialização acelerada e pelos novos empregos nos serviços, parte deles precários e mal pagos, compensados durante algum tempo pelo crédito fácil e barato que lhes permitia alguma ilusão de bem-estar. Os mercados financeiros libertaram-se da economia real e criaram uma bolha sem princípio nem fim, a chamada “economia de casino”, que acabou por explodir em 2008, com as consequências que conhecemos no sistema financeiro e na economia da maior potencia mundial.

3. Na crise de 2008, foram os Estados (ou seja, os contribuintes) que salvaram a banca. Chegou a haver um rebate de consciência política sobre a necessidade de corrigir os excessos dos mercados e perder dois minutos a pensar se o seu funcionamento o mais livre possível era a forma mais inteligente de distribuir recursos. Todos ainda nos lembramos da célebre confissão de Alain Greenspan no Congresso americano, reconhecendo que se tinha enganado sobre a racionalidade dos mercados. Muita gente, nas democracias mais desenvolvidas, pagou duramente os custos desta crise, que deu origem a uma Grande Recessão, que só não se transformou numa Grande Depressão graças aos mecanismos de intervenção e almofadas sociais criados pelos Estados depois da guerra. No entanto, quando tudo voltou progressivamente à velha normalidade, descontando a correcção de alguns excessos com mais regulamentação dos mercados financeiros, as verdades anteriores foram rapidamente recuperadas. As profundas desigualdades sociais não foram nem de perto nem de longe corrigidas. Os níveis de precariedade mantiveram-se, como se manteve o empobrecimento relativo de boa parte das classes médias. Mas, sobretudo, a luta pela competitividade económica entre países não alterou as suas regras fundamentais, a primeira das quais a “corrida para o fundo” dos impostos aplicados sobre os lucros, as mais-valias e os ricos. O debate existia, mas não tinha força para alterar o curso das coisas. A globalização económica reduzia drasticamente a margem de manobra dos governos nacionais.

As consequências políticas da Grande Recessão, essas, conhecemo-las bem. A força do populismo, do nacionalismo e da demagogia ganharam fôlego inesperado e foram ocupando o terreno político das democracias liberais. De Berlusconi a Trump, passando pela segunda vida da Frente Nacional de Le Pen e incluindo as democracias mais igualitárias e protectoras da Europa do Norte.

4. A pandemia foi um grito de alarme. Sobre a vulnerabilidade humana, incluindo nas sociedades mais ricas e mais avessas ao risco. Sobre o papel fundamental que desempenham pessoas quase invisíveis a troco de salários irrisórios. Sobre a ideia de pertença, não apenas a uma comunidade nacional, mas à comunidade humana. Sobre as desigualdades e a falta de oportunidades. Sobre o papel fundamental do Estado. No último ano, o debate sobre a reforma do capitalismo juntou-se ao debate sobre a reforma da democracia. Nas páginas dos jornais mais liberais, como nos debates dos think-tanks e nas academias, foram caindo tabus. Os parâmetros do debate intelectual mudaram, como tinham mudado antes da revolução conservadora dos anos 1980. Faltava o salto para o domínio da política. Joe Biden tomou em mãos a tarefa, conseguindo surpreender-nos quase todos os dias. Não é um radical nem nunca foi, ao longo da sua vida política de quase 50 anos. Teve a visão para compreender o seu tempo, a ambição de querer transformá-lo e a audácia de o fazer, assumindo todos os riscos que essa transformação necessariamente comporta. Precisamente na democracia mais poderosa do mundo, o que lhe dá uma força transformadora que vai muito para além das fronteiras da América.

Não se trata de estar de acordo com todas e cada uma das suas políticas. Trata-se de entender o seu sentido e os seus objectivos. Por que razão a democracia mais antiga e mais poderosa do mundo deve aceitar desigualdades sociais enormes, condenar uma minoria de origem africana à condição de cidadãos de segunda, considerar que a liberdade de cada um é incompatível com uma rede universal abaixo da qual ninguém deve cair, ou que os muito ricos (1 por cento que detém 20 por cento da riqueza produzida) não podem pagar impostos mais altos? Convém, além disso, olhar para a realidade com a devida atenção. A subida do IRC, que Biden defende para financiar mais apoios sociais, dos 17 fixados por Trump (o valor mais baixo de que há memória) para 28 por cento, deixa este imposto ainda abaixo do nível a que estava nos mandatos de Obama e de Bush, e muito abaixo de Reagan ou de Clinton.   Pergunta seguinte: como vão reagir os americanos? Um vasto inquérito da Pew Research nas quatro grandes economias ocidentais (EUA, Reino Unido, França e Alemanha), publicado em Abril, revela várias coisas interessantes. Por exemplo, em qualquer destes países uma maioria considera que o sistema económico tem de mudar muito ou bastante, dos 70% de franceses, aos 50% de americanos, britânicos e alemães. Em que sentido? Maiorias nos quatro países consideram que deve haver mais apoio do Estado à formação profissional, à construção de habitação social, aos mais pobres, bem como um aumento dos impostos sobre os mais ricos. As percentagens nos EUA não divergem fundamentalmente das europeias. Nada disto é surpreendente. Vivemos, provavelmente, o fim de uma era e o início de outra, prosseguindo o caminho das reformas que é parte essencial da vitalidade das democracias capitalistas. Biden pode ser o improvável protagonista desta mudança. Tem uma oportunidade. Quer aproveitá-la. É um visionário. Não é um radical. Se tiver sucesso, a humanidade talvez possa encarar o futuro com alguma esperança.

tp.ocilbup@asuos.ed.aseret

TÓPICOS: OPINIÃO  ESTADOS UNIDOS  JOE BIDEN  DONALD TRUMP  EUROPA  EUA  REINO UNIDO

COMENTÁRIOS:

Artur Silva EXPERIENTE: Concordo com o essencial da análise do passado sócio-económico-político das últimas décadas. Sobre o papel do Biden, acho que ainda é cedo para avaliar e espero para ver…. O artigo ganhava muito caso se centrasse nisso e não no Biden.     zav60.911576  EXPERIENTE: O que o capitalismo/democracia liberal tem de bom é, por intermédio dos seus media, conseguir dar-nos a falsa esperança de que a tendência crescente para nos transformar em quase escravos, às vezes sofre alguns recuos: «A subida do IRC, que Biden defende para financiar mais apoios sociais, dos 17 fixados por Trump (o valor mais baixo de que há memória) para 28 por cento, deixa este imposto ainda abaixo do nível a que estava nos mandatos de Obama e de Bush, e muito abaixo de Reagan ou de Clinton»… e não é por acaso que a Teresa de Sousa resolveu quedar-se no Reagan. A verdade é que a tendência, desde os anos 70, da “subida do IRC” nas presidências democratas nunca conseguiram repor as “descidas” adoptadas pelos republicanos. mendescostamj. 945505  INICIANTE: Texto muito bom e que valeu muitíssimo a pena ler. Obrigada T.S pela clareza na análise e avaliação da política nos USA que se reporta também a vivências nossas aqui em Portugal e na União EUropeia.         Nortuguês  EXPERIENTE: Oxalá Biden consiga atenuar esta mentalidade liberal que ficou de Reagan e Thatcher. Mas com os nazis-republicanos ainda com tanto peso não vai ser fácil. AARR EXPERIENTE: América, América, América! Que arrogância na qual todos acabamos por alinhar. Os outros americanos que não vivem nos Estados Unidos são cidadãos de segunda ou de terceira? Não tenho dúvidas que implicitamente é isso que pensa uma maioria dos políticos e do povo nos Estados Unidos. Mas nós não devíamos alinhar nisso e aceitar essa arrogância e esse desprezo pelos restantes americanos. Níqui  INFLUENTE: Eu também não entendo, eu não tenho nada a ver com os americanos. Mas o pensamento dos portugueses não é surpresa, primeiro é um país pobre e com complexo de inferioridade, por isso sempre olha para nórdicos, pinta se o cabelo loiro etc. Por não falar da tv, onde o Paulo Portas por exemplo tem um quarto de hora na TVI cada domingo, e francamente parece o embaixador dos EUA, sempre a elogiar os americanos e a falar mal dos chineses. Independentemente dos seus erros intelectuais na análise. Essa admiração do Biden parece-me bastante absurda e infantil (tal como era no caso do Obama, ele também foi o contrário do que tanta gente pensava). Só porque está a copiar alguns programas da China (investimento na educação, ciência etc.), não significa que os EUA mudem. Os EUA são reféns da sua constituição antiquada. Parece que a autora nunca ouvi do plano Biden, que já causou tanta pobreza na América Latina e por isso a migração recente. O team do Biden está cheio dos mesmos criminosos que já fizeram parta do team do Obama. Nada mudou. Não importa quem é presidente dos EUA, sempre será um crápula. Está no dna dos EUA, é um país horrível, o resultado de democracia num país cujo povo não presta.        Roberto34  MODERADOR: Mais uma excelente análise. Sem dúvida que Biden tem sido uma boa surpresa. Existe aqui uma excelente oportunidade para a UE e os EUA moldarem a economia e a sociedade.       Rita Cunha Neves  EXPERIENTE: Teresa de Sousa, uma vez mais, a revelar-se como uma das boas razões para que eu continue a ser assinante deste jornal. Claro que não concordo com tudo o que diz, mas na verdade diz coisas muito importantes. Não concordo, por exemplo: i) que não valorize nas políticas actuais de Joe Biden a influência que terá tido os compromissos que foi obrigado a fazer para a sua eleição com os sectores mais à esquerda do PD; ii) que seja demasiado benevolente com a chamada revolução conservadora de Reagan e Thatcher, ao enfatizar que esta procurou libertar sectores inteiros da economia do excesso de regulamentação, quando na realidade o que fez foi destruir alavancas fundamentais do estado social iii) que afirme que os rendimentos das classes médias viram-se “espremidos” e estagnados pela desindustrialização acelerada e pelos novos empregos nos serviços, subvalorizando o desprezo total do neoliberalismo pelas pessoas ao tratar o trabalho como mercadoria e os direitos públicos básicos como sectores de mercado emergentes para o lucro; iv) que não lembre que afinal o que diziam e dizem “malucos radicais” tem de ser tido em linha conta e que a maior parte dos dogmas neoliberais que nos andaram a vender nos últimos 30 anos não passam de uma falácia.                M Cabral INICIANTE: Excelente síntese.          Carlos Fonseca EXPERIENTE: Lúcido e brilhante, como sempre. TS revela um conhecimento profundo do passado e do presente da política, ou melhor, da macropolítica a nível mundial. Quanto á demonstrada ineficácia económica e social do neoliberalismo, TS dá uma aula soberba ao JMT, ao Cotrim e aos 'observadores' que estão na medra. Rebelde  INFLUENTE: Leu bem? Belo artigo.       Armando Heleno  INFLUENTE: Quem quiser estar actualizado não necessita de ler grandes compêndios, basta acompanhar, aqui no Público a Srª Drª Teresa de Sousa e fica com matéria para longas conversas com os amigos.        GMA  EXPERIENTE: Espera-se que o amorfismo em que a UE, a nossa Europa, parece mergulhada (que outra coisa seria quando um burocrata menor como o Sr. Charles, está no topo da pirâmide, qual representação real do Princípio de Peter?) não deixe o Presidente sem o parceiro deste lado do Atlântico.         Roberto34  MODERADOR: Charles Michel não tem grande poder. Neste aspecto Úrsula tem muito mais poder porque gere o poder executivo da UE. Charles Michel apenas gere os assuntos do Conselho Europeu. Mas o que mais precisamos é de realmente uma Federação Europeia.         GMA  EXPERIENTE: Caro Roberto, não se trata apenas de poder; trata-se também, e talvez sobretudo, de exemplos que determinam a confiança, as percepções. E sabe-se o peso destas. Roberto34  MODERADOR: Sim tem toda razão. Não desvalorizo obviamente o peso do exemplo e das percepções.         Jonas Almeida INICIANTE: Um artigo em cheio! Como insiste TdS aqui uma 2a vez, Biden percebeu bem o papel que a História lhe estende: pôr o neoliberalismo na gaveta na América. A razão é simples, não há nem democracia, nem justiça, nem prosperidade nesse caminho. Daqui sugiro o salto para a análise do império neoliberal que persiste cada vez mais extremo, pelo director emérito do Instituto Max Plank para o estudo da sociedade, em Colónia, Wolfgang Streeck, no Le Monde Diplomatique, "Democracy a challenge to the European project - The EU is a doomed empire". Começa assim "What is the European Union? The closest concept I can come up with is a liberal empire, or better, a neoliberal one." ... e segue daí, a análise incontornável a recordar o que devíamos estar fartos de saber.           Roberto34  MODERADOR: Se os EUA com Biden deixarão de ser um império neoliberal (ainda se está para ver). E se a UE é realmente um império neoliberal, então também o pode deixar de ser, elegendo os políticos adequados. Mas não se preocupe porque a UE não é nenhum império e muito menos sob o jugo neoliberal. A forma como a UE está lidar com esta crise é muito diferente da forma como lidou com a crise anterior, desde logo pelo facto de se ir financiar aos mercados para financiar a recuperação e a resiliência da sociedade Europeia, algo impensável em 2012. A além disso, a UE não é nenhuma entidade divina, os seus líderes são eleitos e portanto cabe sempre aos cidadãos Europeus ditar o rumo da UE. Se não gosta daquilo que os cidadãos Europeus estão a fazer, fique pelos EUA.        Catarina Fiolhais  INICIANTE: Coitado do pobre Joe! Como se o próprio tivesse alguma noção do que faz ou diz ou daquilo que estas 'análises' de profunda sagacidade dizem que ele é e faz. Louvo-lhe o esforço evidente que faz para tentar conseguir ler em público e assinar o que lhe mandam. Um mero homem de palha e joguete nas mãos da ultra extrema-esquerda e dos interesses dos gigantes complexos industriais e comerciais americanos que, curiosamente, a financiam. Se o presente tempo, na américa, é de alguém, é precisa e exclusivamente desses abutres e extremistas. Só se foi isso que o pobre do Joe compreendeu, mas a mera suposição de tal é por si só algo já amplamente abusivo. O que se esperaria de análise séria, era um certo grau de pudor na efabulação doutrinante e respeito mínimo pelo próprio pobre do Joe.       GMA EXPERIENTE: "Iniciante" mas não em petulante arrogância, esta Sra. Catarina, saudosista, já se vê, do "loiro" do QAnon.           viana EXPERIENTE: Sempre a destilar ódio, é assim que "vive" a extrema-direita. Na verdade, este comentário é um excelente presságio. Demonstra que o que se está a passar nos EUA é mesmo a implementação duma agenda progressista, com claro apoio popular. À extrema-direita só resta assim continuar a rebolar--se na sua própria porcaria, mentindo descaradamente, e tentando por todos os meios impedir que a Democracia funcione. Impedir o voto de quem deles discorde. Porque se sabem minoritários, cada vez mais. Mas acham-se no direito de mandar nos outros. Acabou. Podem espernear e gritar o que quiserem.         JLourenço INICIANTE: Mais um episódio de delírio trumpista ? à maneira da Catarina Fiolhais.          Luis Escudeiro INICIANTE: Teresa de Sousa, acho que fez uma boa análise de conjunto e do improvável e até surpreendente papel de Joe Biden. Um alívio depois de Trump.

II - OPINIÃO: Biden saiu melhor que a encomenda

Na política internacional, como na política interna, Joe Biden pode marcar o início da era pós-pandémica e da reinvenção necessária do capitalismo e da democracia.

NUNO SEVERIANO TEIXEIRA         PÚBLICO, 5 de Maio de 2021

Durante a campanha eleitoral muitos disseram que Biden estava cansado e fraco. Que seria um Presidente de transição e que não deixaria marca na política americana. A sua única função seria abrir o caminho à presidência de Kamala Harris. No fim do mandato ou, quiçá, a meio do próprio mandato. Enganaram-se, redondamente. E os 100 dias de Biden, Presidente, mostraram o contrário. Primeiro, Biden superou não só todas as expectativas, como os próprios objectivos de curto prazo definidos no discurso de posse: na luta contra a pandemia e na recuperação da economia. Segundo, o discurso dos 100 dias não só inscreveu uma marca política forte como parece ter um significado de longo prazo: na política interna como na política externa. Vamos por partes.

Primeiro, a pandemia. Durante a campanha eleitoral, Biden prometeu uma ruptura total com a atitude errática e populista de Trump sobre a crise pandémica. E quando chegou à presidência levava já um plano definido de combate à pandemia que pôs em prática de imediato: uso obrigatório da máscara e um ambicioso plano de vacinação em massa. Anunciou um milhão de vacinas por dia e que chegaria aos 100 dias com 100 milhões de vacinados. Vacinou dois milhões por dia e os Estados Unidos têm hoje mais de 243 milhões de americanos vacinados de todas as idades. Isto é, quase 50% da população americana. Na luta contra a pandemia, Biden ultrapassou todas as metas. E anunciou para o 4 de Julho, o dia da festa nacional americana, a imunidade de grupo. Mas não foi menos rápido nem menos ambicioso na recuperação da economia. Fez aprovar no Congresso, com o apoio de democratas e republicanos, um Plano de Estímulo à Economia no valor de 1,9 triliões de dólares. O que, somado aos pacotes anteriores, atinge, no seu conjunto, um valor de mais de 4 triliões de dólares. Injectados directamente na economia americana: nos Estados, nas empresas e nas famílias, que receberam na sua conta bancária 1400 dólares por pessoa do agregado familiar. A dimensão do montante, a rapidez do processo e a injecção directa do financiamento, associadas ao dinamismo do tecido empresarial americano, puseram a economia a funcionar: criaram 1.3 milhões de empregos e as taxas de crescimento previstas só são comparáveis às da era Reagan (6,4% em 2021, segundo o FMI).

Mas estes eram, apenas, os objectivos de curto prazo. Porém, o discurso dos 100 dias parece projectar uma marca histórica no longo prazo. Primeiro, na política interna. Concretizado o Plano de Estímulo à Economia, Biden anunciou mais dois planos num total de 4,1 triliões de dólares e com enorme impacto económico e social: um Plano para as Infra-estruturas, destinado à construção e revalorização das infra-estruturas e criação de emprego, e um Plano Família para garantir dois anos de pré-escolar gratuito, estender a escolaridade obrigatória para os 14 anos, apoiar as universidades públicas e financiar licenças de apoio à família.

Tudo isto obrigará, certamente, ao aumento da despesa pública. Mas, afirma Biden, não será feito nem à custa do aumento do défice nem à custa da classe média. Será pago com um aumento de impostos sobre os mais ricos. Os mais ricos, esclareça-se, são os que têm um rendimento anual superior a 400 mil dólares (332 mil euros) e que pagarão uma taxa máxima de 39,6%. 

Mas que significado político terão estas medidas? Primeiro, o regresso do Estado à economia e, segundo, a luta contra as desigualdades e a marca social das suas políticas públicas. Biden pode vir a ser o Presidente mais rooseveltiano desde Roosevelt. Segundo, na política externa. Era óbvio que a política externa de Biden significaria uma ruptura com a America First de Trump. Mas muitos pensaram que seria apenas uma espécie de Obama 2. Ora, o que os 100 dias da administração Biden mostraram é que também estes estavam enganados. Biden percebeu que o mundo mudou e que a hegemonia americana, ontem incontestável, é hoje disputada pelas potencias autoritárias. Trouxe de volta os princípios e os valores tradicionais da ordem liberal americana: o reforço das instituições multilaterais; a revitalização das alianças; e a defesa da democracia e dos direitos humanos. Mas percebeu que não perder a liderança global e garantir uma ordem liberal e democrática obriga a uma outra política externa: mais assertiva e mais robusta. Na política internacional, como na política interna, pode marcar o início da era pós-pandémica e da reinvenção necessária do capitalismo e da democracia.

Professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa; director do Instituto Português de Relações Internacionais

Tentando decifrar


Mas o certo é que tudo parece um déjà vu insistente, que nos destrói a confiança e definitivamente nos envergonha. Merecemos isto? Todavia, o texto de Helena Garrido parece mais brando - e confuso - do que o de alguns comentadores...

 A Operação Marquês e o caso PT /premium

A decisão de Ivo Rosa revela como um grupo de administradores tomou conta da PT em 2014 e, com o apoio da auditora, logrou fugir às suas responsabilidades no investimento ruinoso na Rio Forte do GES.

HELENA GARRIDO          OBSERVADOR, 03 mai 2021

decisão instrutória da Operação Marquês é longa, mas vale a pena ir lendo. Aqui se revisitam os abalos do Verão de 2014 que destruíram, ao mesmo tempo, um dos mais importantes bancos do sistema, o BES, e uma das maiores e prometedoras empresas portuguesas, a PT. No caso da PT, a sistematização que o juiz Ivo Rosa nos oferece é um retrato das movimentações de algumas personalidades, que tomaram conta da empresa nesse Verão de 2014, para se ilibarem de responsabilidades, encontrando quem culpar. Ao mesmo tempo que a PWC dá igualmente uma triste imagem do trabalho das auditoras.

O caso é o da aplicação, por parte da PT, de quase 900 milhões de euros em títulos da Rio Forte, do Grupo Espírito Santo. Foi a 26 de Junho que a notícia foi dada pelo Expresso e em meados de Julho a empresa do GES não paga o empréstimo que tinha contraído junto da PT. Tudo se precipitou, deitando por terra a perspectiva de uma grande empresa multinacional em fusão com a brasileira Oi. Hoje, o que era a PT telecomunicações está nas mãos da Altice. E o que resta é a Pharol, desvalorizada para além do que seria racional e até possível se o objectivo, nesse Verão, não se tivesse centrado em fugir às responsabilidades, como parece demonstrar a decisão do juiz Ivo Rosa.

Naquele Verão de 2014, já lá vão sete anos, viveram-se tempos quentes na PT. A comissão de auditoria da PT e alguns administradores desdobraram-se para conseguirem provar que estavam ilibados de responsabilidades na aplicação ruinosa em títulos da Rio Forte do GES. Com a cumplicidade de uma auditora, a PwC. Os alvos escolhidos, como bodes expiatórios, foram Henrique Granadeiro na altura presidente da PT SGPS, Luís Pacheco de Melo, administrador com o pelouro financeiro, e Zeinal Bava que tinha ido para o Brasil para concretizar a fusão com a Oi. E, claro, o BES.

Quando o desastre do incumprimento da Rio Forte aconteceu, a administração da PT avançou com (ou anunciou) uma auditoria, tal como acontece em casos semelhantesA decisão é anunciada a 7 de Agosto de 2014, exactamente no mesmo dia em que o presidente da empresa Henrique Granadeiro anuncia a sua demissão. A auditora contratada é a PWC.

O que se passa até aqui segue as regras do que se espera de uma empresa cotada que enfrenta uma situação que a ameaça: uma reacção rápida de apuramento de responsabilidades e demissões. Mas a partir daqui tudo se torna incompreensível.

O trabalho da PWC é apresentado aos investidores como uma análise independente e surge nos jornais como uma auditoria forense, mas afinal não é assim. Num dos mails citados na decisão de Ivo Rosa, logo no dia 27 de Agosto de 2014 (ver página 5751), Mário Gomes – membro da comissão de auditoria – diz que os trabalhos da PWC “não são nenhuma auditoria e muito menos forense, contrariamente ao referido na comunicação social”. Veremos mais adiante, pelos mails trocados, que também não é independente.

Além disso, a análise da PWC, numa proposta apresentada ao Conselho pelo presidente da comissão de auditoria João Mello Franco, em vez de se centrar no investimento ruinoso na Rio Forte, recua até ao ano 2000 para avaliar as relações financeiras com o BES/GES.

Por outro lado, os trabalhos da PWC são acompanhados, e de forma bastante interventiva, por pessoas que seriam, elas próprias, potenciais alvos de avaliação. Por proposta do presidente da comissão de auditoria João Mello Franco, que ficou em ata da reunião do Conselho, os trabalhos da PWC seriam acompanhados por ele, por Mário Gomes, administrador e membro da comissão de auditoria, por Rafael Mora, administrador em representação da Ongoing e membro das comissões de avaliação e de Governo Societário, por Paulo Varela, administrador em representação da Visabeira e membro da comissão de Governo Societário e por Milton Vargas, administrador independente e membro da Comissão de Avaliação. Ou seja, a equipa que iria acompanhar a análise da PWC tinha, ela própria, responsabilidades de supervisão e fiscalização dos investimentos que foram feitos (ver aqui o relatório do governo da sociedade de 2013 sobre as competências desses órgãos).

Nessa reunião do Conselho, do início de Agosto, não houve um único administrador que se tivesse oposto, não identificando qualquer conflito de interesses no facto de representantes de accionistas e membros de um dos órgãos da PT com maiores responsabilidades na fiscalização financeira da empresa serem os interlocutores da auditora. O processo não começa bem e também não continua bem. Durante os trabalhos de avaliação, do investimento na Rio Forte, a PWC é convidada e aceita fazer outros trabalhos para a PT. Manuel Rosa da Silva, administrador executivo da PT informa o grupo que acompanha a análise aos investimentos no GES que pretende adjudicar mais trabalho à PWC, informando que lhes pediu 2 ou 3 pessoas “que podem ajudar “em várias frentes””. O mais recente caso a que assistimos de criticas a potenciais conflitos de interesses envolveu a Deloitte e o Novo Banco e estava muito longe do que aqui se fez.

Além disto tudo, é a comissão de auditoria que decide aumentar os honorários da PWC. Como se pode ler na decisão do juiz Ivo Rosaver página 5752), dia 29 de Setembro de 2014, Mário Gomes, membro da comissão de auditoria, confirma a aprovação, pela própria comissão de auditoria, dos honorários adicionais solicitados por César Gonçalves da PWC. E conclui o juiz Ivo Rosa: “Daqui decorre que o órgão de fiscalização que alegadamente estaria a ser também avaliado se cumpriu as suas funções, para além de ter um relacionamento directo com a PWC, aprova, sem qualquer conflito de interesses, a negociação ou validação superior de honorários adicionais para a própria PWC”.

Na decisão instrutória, na parte relativa ao relatório elaborado pela PWC, lemos vários mails que ilustram o elevado grau de intervenção nos trabalhos que estão a ser desenvolvidos pela auditora. Eis alguns exemplos.

Dia 4 de Novembro de 2014, João Mello Franco envia um mail a Mário Gomes, da comissão de auditoria, revelando que se reuniu com o Conselho Directivo da CMVM – nesta altura liderado por Carlos Tavares – e que “considera importante que no relatório da PWC, no que diz respeito a aplicações Rio Forte, se refira que a comissão de auditoria não pôde exercer a sua competência de fiscalização”. Mello Franco já era nesta altura, e desde 8 de Setembro, presidente do Conselho de Administração da PT e acumulava ainda a presidência da comissão de auditoria. Só seria substituído, neste último cargo, por Xavier de Basto, a 13 de Novembro.

Por sua vez, e nesse mesmo dia, Mário Gomes envia mail a Manuel Lopes da Costa e César Gonçalves da PWC “solicitando que se diga no relatório que “ no que diz respeito a aplicações da Rio Forte, a Comissão de auditoria não pode exercer a sua competência de fiscalização””, como se pode ler na decisão instrutória (ver página 5753).

Rafael Mora, o representante do accionista Ongoing que fazia também parte do grupo de acompanhamento dos trabalhos da PWC, surge igualmente na troca de mails num caso em que João Mello Franco altera uma decisão por influência sua. Em causa está uma reunião solicitada pela Comissão de Mercados de Valores Mobiliários (CMVM) à PWC. César Gonçalves da PWC pede instruções para essa reunião e Mello Franco diz não ver inconveniente que a CMVM conheça o âmbito do trabalho ““mas não mais do que isso”, acrescentando que não havia nada a esconder. Mas, depois de ter recebido um mail de Rafael Mora a dizer que “provavelmente os advogados da PT deveriam acompanhar” a PWC, Mello Franco muda de posição. E recomenda que a PWC se faça acompanhar pelos advogados da PT.

Já na recta final da elaboração do relatório assistimos a mais trocas de mails que indiciam uma especial intervenção de Mello Franco. Por exemplo, a 20 de Novembro (ver página 5754), sugere a Carlos César da PWC uma “pequena reunião” onde estariam os dois e ainda o administrador executivo Manuel Rosa da Silva e um dos membro das comissão de auditoria Mário Gomes. Um encontro em véspera de apresentação do trabalho ao Conselho de Administração, dizendo Mello Franco que seria “para eventualmente se poder analisar pequenos detalhes que não influenciam as conclusões, mas podem beneficiar a apresentação”.

Depois da apresentação no Conselho de Administração mais uma vez João Mello Franco, a 1 de Dezembro, volta a enviar mail a Manuel Lopes da Costa da PWC, dando conta da sua “versão dos factos”, como se lê na decisão do juiz Ivo Rosa (ver página 5755). E diz que “o auditor externo nunca informou a comissão de auditoria que existiam estas aplicações e nem a própria auditoria interna corporativa, que reportava funcionalmente à comissão de auditoria, fez “qualquer alerta sobre esta situação””. E dia 2 de Dezembro, mais uma vez João Mello Franco, por mail a Manuel Lopes da Costa da PWC, afirma que “o trabalho está bem feito, mas falta alguma conclusão ou pelo menos sugestão de indícios de eventual ocultação de operações efectuadas na Rio forte que prejudicaram a mesma sugerindo que houve dolo por parte do BES” (ver página 5756).

É esta sucessão de intervenções documentada por mails e actas que levam o juiz Ivo Rosa a dizer que “não pode valorar, sobretudo na parte não factual, o relatório da PWC para fundamentar a sua decisão de indiciação”.

Os argumentos que põem em causa a credibilidade do relatório da PWC são fundamentalmente dois. O primeiro é que a auditora, como é indiciado no correio electrónico, reportou a um grupo de trabalho que integrava representantes de accionistas – como Rafael Mora da Ongoing, Paula Varela da Visabeira –, à comissão de auditoria, ou seja, “órgão de fiscalização que hipoteticamente incumpriu nas suas funções” e ainda a “membros da Comissão Executiva que fez os investimentos e o Director de Finanças, Carlos Cruz, que era o responsável pela gestão de tesouraria da PT”. O segundo argumento que põe em causa o relatório é que os mails trocados indiciam, “também, um nível de intromissão no processo de elaboração da análise levada a cabo pela PWC o que contraria o teor da comunicação de 7 de Agosto de 2014”, quando a PT comunicou ao mercado que o objectivo era “analisar de forma independente, os procedimentos e actos relativos às aplicações de tesouraria no GES”.

Pelo que se lê ao longo da decisão instrutória da Operação Marquês sobre este caso específico, o relatório da PWC nem é uma auditoria, nem é um trabalho de análise feito com independência. Aquilo que Ivo Rosa retrata é um grupo de pessoas que tentaram – e aparentemente conseguiram – desresponsabilizar-se da decisão do investimento ruinoso na Rio Forte que se não conheciam, pelas obrigações dos cargos que ocupavam, deviam conhecer. As responsabilidades da comissão de auditoria são aliás muito claras e uma delas é “fiscalizar a eficácia do sistema de gestão de riscos, do sistema de controlo interno e do sistema de auditoria interna”, como se pode ler no Código das Sociedades Comerciais no seu art.º423-F. Juntemos a isso o facto de João Mello Franco fazer parte da PT há mais de 30 anos, como aliás se dizia no comunicado que em 2014 anunciava a sua cooptação para presidente: exercia “funções de administração e fiscalização na PT desde 1998”, sendo um “profundo conhecedor” do grupo.

A análise aos investimentos da PT na Rio Forte replica em grande parte a promiscuidade com o BES/GES que ditou a morte da empresa, nomeadamente com o envolvimento de Rafael Mora da Ongoing e Paulo Varela da Visabeira no papel simultâneo de accionistas e membros de um grupo que ia analisar o investimento noutro accionista. Os dois eram ainda membros de comissões que tinham como função fiscalizar e avaliar a administração como se pode ler no relatório do governo da sociedade de 2013.

Pelo que lemos na decisão instrutória da Operação Marquês, assistimos a um cozinhado realizado por um grupo que quis fugir às suas responsabilidades com o conluio de uma auditora, a PWC. Sim, porque a auditora também sai muito mal neste retrato, quer pelas regras que aceitou, como por ter considerado normal fazer outros trabalhos para a PT quando isso levantava óbvios conflitos de interesses.

Na ânsia de se ilibar, a equipa que tomou conta da PT nessa altura nada clarificou e ainda menos o fez rapidamente, como se exige nestas circunstâncias. Basta acompanhar o que se está a passar neste momento com o Crédit Suisse para se perceber que, quando alguma coisa muito grave acontece, é preciso actuar rapidamente, explicar o que se passou com clareza, substituir todos os que tinham responsabilidades – diferente de culpa – e começar a reconstruir tudo imediatamente com novas lideranças. Nada disto foi feito na PT. Sim, houve um grupo de pessoas que saíram ilesas, pelo menos até agora, em que Ivo Rosa alertou para a manipulação do relatório da PWC e até para o facto de algumas dessas pessoas não terem sido nunca chamadas ao processo. Todos se preocuparam mais em salvar a sua pele do que em evitar que a empresa se afundasse ainda mais. Um mau exemplo de gestão responsável e independente em defesa de todos os accionistas.

CASO PT   JUSTIÇA   PT   EMPRESAS 

COMENTÁRIOS:

Maria Narciso: Os exercícios de liberalismo aplicados por Passos Coelho e a falta de competência para perceber as consequências das decisões tomadas , foram um verdadeiro desastre para o País. Passos Coelho , por incompetência , abdicou da Golden Share , metendo dinheiro nos bolsos dos accionistas  , por uma questão ideológica , não acautelou os interesses do Estado          Pereira Santos > Maria Narciso: Só debitas mentiras e asneiras. Foi Sócrates que impediu a Sonae de adquirir a PT e foi Sócrates que com os amigos corruptos desbaratou a PT em troca de comissões que foram parar às ofshores          Maria Narciso > Pereira Santos: Vamos lá ver quem diz as asneiras. Até 2010 a PT mantinha uma participação de 22%  . O negócio da fusão, foi feito mais tarde em 2013 , quando o Estado já não tinha influência na PT. Se fosse só a PT . Um verão quente  e uma decisão política tomada levianamente num fim - de - semana, com consequências nefastas para o País . A queda do BES , tirou á economia cerca de 25 mil milhões de euros , o equivalente a 14 % do PIB . O BES tinha um peso importante, quer para as empresas , quer como na capacidade exportadora . Cerca de 75 % de crédito às empresas era concedido pelo banco, quase o dobro face á média Nacional e aos bancos concorrentes. A resolução do BES foi um grave erro da política económica que podia ter sido evitado.           miguel Fonseca: O resultado das auditorias da PWC será resultado do valor a receber         Carlos Pamplona: Excelente. Francisco Correia: Pergunta de um milhão de €€€. Onde estaria, neste momento, esta rapaziada, se tivessem andado a fazer esta marmelada num país exótico tipo EUA?          Sergio Coelho: Como sempre cá no penic++ atrasado da Europa e OCDE a culpa morre solteira é tudo malta porreira e bons rapazes INIMPUTÁVEIS.       Antes pelo contrário: 2014??  O que me parece é que Ivo Rosa e Helena Garrido procuram a todo o custo ocultar os factos relevantes e defender José Sócrates criando uma falsa narrativa... "Os investigadores da Operação Marquês abriram uma nova frente de batalha: a OPA da Sonae à Portugal Telecom. Anunciada a 6 de fevereiro de 2006 e derrotada em Assembleia-Geral da PT a 2 de março de 2007, desde sempre que Belmiro de Azevedo denunciou a interferência pessoal de José Sócrates na operação e a sua influência junto do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos no sentido de votar contra a proposta da Sonae. As denúncias de Belmiro de Azevedo vão ao encontro das novas suspeitas do Ministério Público (MP) na Operação Marquês. Segundo noticiou ontem a SIC, o procurador Rosário Teixeira entende ter indícios de que José Sócrates terá recebido ‘luvas’ do Grupo Espírito de Santo (GES) como contrapartida pelas ordens que o ex-primeiro-ministro terá dado à Caixa Geral de Depósitos, então acionista da Portugal Telecom com 6,11% do capital, para votar contra o negócio."  "O caso das instruções verbais do Governo Sócrates na desblindagem de estatutos da PTReputado professor Sérvulo Correia admitiu aos procuradores que como representante das golden share do Estado na polémica Assembleia Geral da PT recebeu instruções verbais sobre o sentido da votação através, não de membros do Governo, mas de colegas de escritório." Etc...           Paulo Guerra: E de repente Ivo Rosa até já fez o trabalho de casa que outros não fizeram. Vá-se lá saber porquê. E de repente Ivo Rosa até já nos ajuda a entender uma novela que também já vai em 10 000 páginas e bem vistas as coisa até se compreende bem em duas linhas. A PT nunca fez nada que já não tivesse feito no passado em relação à dívida do GES. Até porque goste-se ou não, o BES também foi sempre um dos principais impulsionadores do crescimento da PT. Que volta e meia via como tesouraria. Acontece que desta vez havia uma crise económico financeira mundial que devastou bancos e empresas por todo o mundo e a coisa também deu para o torto no BES e na PT. Não era por acaso que o Salgado andava tão desesperado à procura de vacas leiteiras. E curiosamente até foi uma dessas vacas leiteiras que libertam imenso cash flow que o mandou mesmo a baixo. Já que o BdP ainda pastava mais que as vacas leiteiras            Franco Cem por cento: O que posso concluir é que todos estavam feitos uns com os outros é que deveriam estar muitos mais a responder perante a justiça. Claro que sim!  Mas há um personagem que passou literalmente pelos pingos da chuva e hoje é presidente da Belenenses SAD. Ilustre gestor nomeado pelo estado para aplicar a golden share. Que do auferia 2,5 milhões ano. Alguém o questionou? Porquê? Como sempre, em tudo o que remete para a corrupção do PS, a culpa é do passos. Acham que alguém ainda acredita nisso? Eles dizem que sim. Caso contrário lá se vão os dez euritos a mais ao fim mês. Que pobreza de espírito não?            António Duarte: É tempo do Observador dedicar um artigo aos comentadores que desde os alvores dos anos 80 cantaram hosanas aos nossos empresários e gestores, campeões dos centros de decisão nacional por contrapeso ao perigo da compra das nossas maravilhosas empresas pelo capital internacional e que eram os campeões dos prémios de gestão mundial... e ver o que aqueles comentadores agora escrevem sobre a pirataria económica e financeira que afinal, ontem como hoje, nos governa, não é verdade, Dra Helena?                      Jal Morgado: Continuam actuais as palavras sábias e proféticas de Agostinho de Hipona (354-430): «Um Estado que não se regesse segundo a justiça, reduzir-se-ia a um bando de ladrões».         Portugal, que Futuro: Duas notas, Helena Garrido. “O caso é o da aplicação, por parte da PT, de quase 900 milhões de euros em títulos da Rio Forte, do Grupo Espírito Santo. …  e em meados de Julho a empresa do GES não paga … Tudo se precipitou, deitando por terra a perspectiva de uma grande empresa multinacional em fusão com a brasileira Oi.” 1.- Sim, foram os 897 milhões que DESTRUIRAM a PT. Sim, foram os 897 milhões que destruíram a Oi e a fusão da PT com a Oi. Sim, foram os 897 milhões que inviabilizaram a OPA de Isabel dos Santos sobre a TOTALIDADE da PT (activos bons e maus), e não a compra do bife do lombo da PT pela Altice com o alto patrocínio irresponsável de Passos Coelho. 2.- Na decisão instrutória da Operação Marquês, Ivo Rosa ordena a Zeinal Bava que devolva os 6,7 milhões ainda em sua posse, dos 25 milhões com que Ricardo Salgado o corrompeu para que ele roubasse a PT e lhe entregasse os 897 milhões. Bava, pela sua formação académica, sabia que a probabilidade de Ricardo Salgado algum dia lhe devolver o dinheiro era mínima, mas como recebeu os 25 milhões de Ricardo Salgado queria lá saber que a sua conduta DESTRUISSE a PT, que tão bem o tinha recebido e remunerado. Zeinal Bava está ou já esteve preso? Depois de tudo isto ser conhecido, Bava não foi condecorado por Cavaco Silva com a com a Ordem do Mérito Comercial - classe do Mérito Comercial, que nos termos da Lei é “uma condecoração destinada a distinguir quem tenha "prestado, como empresário ou trabalhador, serviços relevantes no fomento ou na valorização do comércio, do turismo ou dos serviços"? Cavaco Silva já mexeu um dedo que fosse para lhe retirar a comenda?       Carlos Quartel: Nisto da corrupção, há que ser atrevido e avançar para a genética. Tudo o que cheira a península Ibérica, fede a corrupção. Ver a América Latina e Brasil, passando por Angola, Moçambique ou Guiné, nada se aproveita. Não esquecendo Espanha, onde a doença é  geral, mais grave que em Portugal. Independentistas e revolucionários atascados até ao pescoço.  Corrupção endémica, generalizada e intensa. Não há métodos de segurar isto, o polícia, o juiz , o inspector , rapidamente é capturado e passa a colaborar no encobrimento.  Ou contratam uma equipa de noruegueses (têm que ser vários milhares) ou teremos que viver com isto. Desde as hortenses aos procuradores , de maridos de ministras a pais e irmãos de ministros. CM, 12/8/2020: Nestas notícias, o que que vale, para si, Helena Garrido ? O princípio constitucional da presunção da inocência ou o princípio "jornalístico" da presunção da culpabilidade ? Tem opinião sobre estas questões? Ou é matéria de neutralidade política ?         Andrade QB: Pela primeira vez o bode expiatório não foi o motorista, mas os administradores de topo. Cada vez mais se comprova que Portugal tem os melhores dos melhores, até jornalistas que pugnam pela inocência dos administradores que não têm responsabilidade nenhuma. Como é que eles teriam tempo  para fazer alguma coisa que os responsabilizasse se todo o seu tempo não chega, sequer, para contarem o dinheiro que recebem exactamente para não serem responsáveis?          bento guerra: Uma máfia "boazinha" DDT          d f: Artigo vergonhoso. Foi a auditoria e os novos administradores que deram cabo da PT, ou aqueles que a jornalista quer ilibar?      Rui Castro > d f: Este aqui deve ter metido a mão no bolo ... Não percebi quem são os entes que a jornalista quer ilibar. Pode indicar-mos?       d f > Rui Castro: "Os alvos escolhidos, como bodes expiatórios, foram Henrique Granadeiro na altura presidente da PT SGPS, Luís Pacheco de Melo, administrador com o pelouro financeiro, e Zeinal Bava que tinha ido para o Brasil para concretizar a fusão com a Oi. E, claro, o BES." "Bode expiatório" significa um inocente que é sacrificado. Os inocentes "bodes expiatórios" referidos, administradores da PT até 2014,  arruinaram ou deixaram arruinar a empresa sob a sua administração, metendo 900 milhões da PT nas mãos das empresas financeiras em evidente dificuldades ou falidas de Ricardo Salgado. Receberam de Salgado, nas suas offshores pessoais, cada um deles uma fortuna colossal, cerca 24 milhões de euros cada um. Depois disseram que ou não sabiam do empréstimo à PT, ou não tinham nada a ver com o assunto, ou que era o hábito, e que o dinheiro recebido nas suas contas pessoais era para outra coisa qualquer.  A culpa é dos que vieram a seguir? Alguém acredita na inocência ou na seriedade dos que embolsaram as dezenas de milhões enquanto arruinavam a empresa a tentar salvar o seu padrinho DDT, já em desespero? Esses é que meteram a mão no bolo. Mas nós continuamos a pagar em impostos e dívida pública cada cêntimo embolsado ou destruído por esses administradores, esse é o problema com este artigo. O artigo cheira a detergente a léguas.         João Porrete: Muito boa análise! Parabéns!               Martelo de Belem ....: Sairão todos absolvidos. Cansado desta treta toda