Do texto
precedente: “O mar minado,
os riscos das escoltas navais e o cenário da escalada da guerra. Que soluções
tem Trump para Ormuz?”
JOÃO PAULO GODINHO: Texto
Uma ameaça de 5.000 minas marítimas
Os ataques dos EUA e de Israel desde 28 de fevereiro terão destruído
grande parte da Marinha da República Islâmica, mas a Marinha do Corpo da Guarda
Revolucionária, cujo funcionamento é autónomo, terá ainda capacidades para ser
uma ameaça. Há muito que esta área da Guarda Revolucionária tem desenvolvido
esforços e uma preparação para um cenário de bloqueio no Estreito de Ormuz.
De acordo com a revista Foreign Affairs, a
aposta iraniana passa por uma combinação de mísseis, drones, submersíveis,
lanchas rápidas, embarcações de superfície não tripuladas e minas. Alegadamente,
5.000 minas marítimas, segundo dados citados na imprensa internacional.
Isoladamente, os mísseis ou os drones já foram suficientes para criar um clima
de medo e efectivamente travar a circulação pelo Estreito de Ormuz; a sua
associação às restantes valências e, sobretudo, às minas pode arrastar no tempo
o actual bloqueio.
Esses riscos estarão, aliás, na base das
reticências da Casa Branca em avançar com escoltas navais norte-americanas à
passagem das embarcações, após uma sinalização inicial nesse sentido. Com efeito, Washington procura agora por
todos os meios envolver os meios de outros países e, assim, mitigar os riscos. Não é
preciso recuar muito no tempo para se encontrar uma operação similar; entre
dezembro de 2023 e meados de 2025, EUA, Reino Unido e França empenharam-se na proteção
da passagem de embarcações no Mar Vermelho face à ameaça dos houthis. Todavia, os aliados iranianos do Iémen não
tinham os meios que Teerão tem ao seu dispor para ser uma ameaça maior.
EUA,
Reino Unido e França empenharam-se na protecção da passagem de embarcações no
Mar Vermelho face à ameaça dos houthis entre dezembro de 2023 e meados de 2025.
Todavia, os aliados iranianos do Iémen não tinham os meios que Teerão tem para
colocar em causa a segurança no Estreito de Ormuz
Índice
Os riscos militares de prolongar o
conflito
Uma ameaça de 5.000 minas marítimas
Meios não testados em tempo de guerra
Como poderia uma escolta naval ocorrer e qual a razão
para o ‘não’ dos aliados a Trump?
Desconhece-se se o Irão conseguiu
colocar minas marítimas durante as últimas duas semanas na passagem entre o
Golfo Pérsico e o Mar Arábico, bem como os meios de lançamento destes
dispositivos na água. O
Pentágono anunciou já a destruição de 16 navios iranianos de colocação de minas
desde o início da guerra, embora Teerão continue a ter alguns meios para levar
a cabo uma eventual missão de colocação de minas. O Telegraph revela
também que o Irão terá pré-posicionado os seus arsenais de minas, a fim de
serem lançadas através de lanchas rápidas ou por intermédio de mísseis.
A seu favor o Irão tem ainda a
experiência do passado, já que no final dos anos 80, durante a guerra com o
Iraque, colocou muitas minas nas águas do Golfo Pérsico para atacar navios
iraquianos. Os
EUA até já sabem os riscos e os custos de enfrentar um mar minado. Foi assim da
guerra da Coreia até à Guerra no Vietname, passando pela Guerra do Golfo, em
que o Iraque lançou cerca de 1.000 minas ao largo da costa do Kuwait para
dissuadir uma aproximação das tropas norte-americanas.
Duas dessas minas explodiram
mesmo, atingindo navios de guerra norte-americanos, mas sem provocar o seu
naufrágio. Em 1987, os EUA mobilizaram embarcações militares para proteger os
petroleiros, mas não estavam então envolvidos no conflito.
A solução para contrapor a este
desafio traz também novos riscos: mobilizar meios para uma eventual desminagem
implica a sua vulnerabilidade por um longo período de tempo. A remoção de minas
marítimas (ou submarinas) é considerada uma tarefa morosa e perigosa, pois
acarreta enviar embarcações de guerra e helicópteros para o Estreito de Ormuz e
essa possibilidade constitui uma armadilha que Teerão estará a lançar aos EUA.
Meios não testados em tempo de guerra
No final do ano passado, a
Marinha dos EUA retirou do Golfo Pérsico as embarcações Avenger,
especializadas na remoção de minas, com
vista à sua substituição por novos e mais modernos meios. Entre estes contam-se
veículos subaquáticos não tripulados e navios de combate litoral, aliados a
novos sistemas de detecção e radar e a helicópteros especializados, mas a sua
mobilização significa um problema: nunca
foram testados em pleno período de combate.
Estão já no Médio Oriente três destas
novas embarcações militares: o USS Canberra, o USS Tulsa e o USS Santa Barbara.
Contudo, a sua colocação no Estreito
de Ormuz para executar uma missão de desminagem poderia levar a perdas maiores
entre os EUA.
Consequentemente, Washington e Telavive poderiam responder com um
intensificar dos bombardeamentos e ataques aéreos, com vista a garantir a
segurança. No entanto, ao fim de
duas semanas e já com a mudança na liderança do regime e um ataque pesado à
Ilha de Kharg — coração da indústria
petrolífera iraniana —, poderão começar a escassear os alvos sobre os
quais os EUA possam colocar Teerão sob pressão. Pelo menos ao ponto de
“rendição incondicional”, como chegou a pedir Donald Trump.
MASS COMMUNICATION SPECIALIST
SEAMAN ZOE SIMPSON/US NAVY HANDOUT/USS Abraham
Lincoln (CVN 72)
O envio destes meios pode,
paradoxalmente, ser mais arriscado do que para os próprios petroleiros, já que
estes estão compartimentados e podem resistir mais eficazmente ao impacto de
uma mina marítima do que os navios militares.
“A remoção de minas é sempre um
processo lento e difícil; fazê-lo durante uma guerra em pleno andamento,
enquanto se enfrentam ameaças de mísseis de cruzeiro antinavio lançados a
partir de terra, drones e outros meios navais iranianos, seria extremamente
perigoso”, refere Caitlin Talmadge, professora de ciências
políticas e especialista em segurança no MIT, citada pelo Telegraph.
Visão similar tem Charles Kupchan, investigador sénior do Conselho de
Relações Externas, em declarações à estação Al Jazeera: “Uma das
tarefas navais mais difíceis é a remoção de minas. Os iranianos poderão
disparar contra navios a partir da sua costa. Podem utilizar submersíveis,
podem utilizar drones navais, do tipo que vimos na Ucrânia, que se revelaram
bastante eficazes contra os russos… Esta é uma guerra bastante impopular entre
os aliados europeus. Ninguém quer envolver-se.”
Como poderia uma escolta naval ocorrer e qual a razão
para o ‘não’ dos aliados a Trump?
A mobilização de navios de guerra
para proteger uma embarcação (ou várias) ao longo do Estreito de Ormuz face aos
possíveis ataques iranianos poderia, sustenta a ABC
News, ser realizada
através de contratorpedeiros da classe Arleigh Burke, simultaneamente
preparados com meios de defesa aérea e de resposta a mísseis antinavio
disparados desde a costa.
Na região do Mar Arábico, ao largo da
costa oriental de Omã, encontram-se já oito contratorpedeiros, que
acompanham o USS Abraham Lincoln. São o USS Michael Murphy, o USS Mitscher, o
USS Pinckney, o USS Delbert D. Black, o USS McFaul, o USS Spruance, o USS Frank
E. Petersen e o USS John Finn, que poderiam avançar para assegurar uma
passagem tranquila dos petroleiros e outros navios comerciais pelo Estreito de
Ormuz.
Desde o início do conflito, no dia 28 de fevereiro, já foram relatados
quase duas dezenas de ataques a embarcações junto da costa iraniana. Apesar
disso, Teerão garante que o Estreito de Ormuz “não foi bloqueado”, mas, nas
palavras de Alireza Tangsiri, comandante naval da Guarda Revolucionária
Islâmica (IRGC), colocado “apenas sob controlo” iraniano.
"O Estreito de Ormuz está
aberto. Está fechado apenas aos petroleiros e navios pertencentes aos nossos
inimigos, àqueles que nos atacam e aos seus aliados. Os demais são livres
de passar" Abbas Araghachi, MNE do Irão
Índice
Os riscos militares de prolongar o conflito
Uma ameaça de 5.000 minas marítimas
Meios não testados em tempo de guerra
Como poderia uma escolta naval ocorrer e qual a razão para o ‘não’ dos
aliados a Trump?
Por sua vez, o ministro dos Negócios
Estrangeiros, Abbas Araghchi, destacou que a passagem está aberta à navegação
internacional, menos para quaisquer embarcações norte-americanas, israelitas ou
dos seus aliados. “O
Estreito de Ormuz está aberto. Está fechado apenas aos petroleiros e navios
pertencentes aos nossos inimigos, àqueles que nos atacam e aos seus aliados. Os
demais são livres de passar”, vincou. O efeito, todavia, estendeu-se a quase todas as
embarcações, que não se mostraram disponíveis para fazer a travessia sem dispor
de um acordo com Teerão. Foi isso que alguns Estados procuraram acertar-se directamente
com o regime iraniano, como foi o caso da Índia, dependente do abastecimento de
gás que passa pelo Estreito de Ormuz, que estabeleceu um acordo para a passagem
de duas embarcações na última semana. Diante do actual impasse e
condicionado pelo forte impacto negativo na economia, Donald Trump tentou angariar a participação
de outros estados: quer aliados, quer até países que não se enquadrariam nesta
definição, como a China.
Contudo, todos os Estados europeus
— incluindo Portugal — que já se
pronunciaram fizeram-no apenas para rejeitar o envolvimento. O Reino
Unido, por exemplo, já lembrou que “esta não é uma missão da NATO” e que, mesmo
sendo um tradicional parceiro dos EUA em missões internacionais, não será
arrastado para um conflito alargado no Irão. A percepção é clara: não
só os EUA se desviaram da aliança histórica com a Europa neste segundo mandato
de Trump, como um conflito no Irão é associado a mais danos do que benefícios,
além de retirar o foco da guerra entre a Ucrânia e a Rússia. E nenhum dos
líderes europeus quer. Liberal
do Costume: Ao fim de mais de um ano, tenho que admitir que
estaríamos provavelmente melhor se "aquela bala" tivesse passado uns
centímetros à sua esquerda. Mas sem Kamela, claro! Coronavirus
corona: Um texto anti-americano primário. Os países que dizem
não têm os combustíveis acima dos 2 euros. O povo norte-americano abastece a 80
cêntimos em moeda europeia. Se ficar fechado quem sofre são os europeus e quem
beneficia é o país com o qual os europeus de pelam todos. O resto é treta Jose Nunes: Como diz a velha frase: "A melhor defesa é o ataque!" Foi o que aconteceu!. Se hoje o Irão revela a capacidade
de resistênca que tem, sabendo todos quais as reais intenções do regime do Irão
e nisto há que diferenciar o regime Iraniano do povo Iraniano, se os EUA e
Israel tivessem ficado quietos por mais dois anos, imaginem a capacidade que
iriam obter. Israel iria ser atacado até desaparecer, o Irão iria fechar o
estreito e só deixaria passar quem lhe apetecesse, sempre patrocinados pela
maravilhosa China e pelo Deus Putin, todo o golfo Pérsico e o resto do mundo
ficaria subjugado ao Irão, claro está com a nossa magnífica Europa iria mais
uma vez ficar de rabo descoberto a dizer usem-me e abusem-me que eu gosto. Repetindo o sentido da frase
inicial, que a melhor defesa á o ataque e quem não ataca é atacado, e foi isso
que os EUA e Israel fizeram. As
intelectualidades da nossa EuUropa estão maravilhosamente divididas entre as
seguintes 6 opções: 1) Não saber o que fazer, 2) dizer sim aos Chineses enquanto
eles financiam a nossa boa via e economia "verde", 3) continuar a ser
gozados pelo Putin enquanto este mete uns $cobres$ nos bolsos de alguns,
4)Dizer que o Trump é um brolho troglodita mas está cheio de razão, 5) Não
saber o que fazer e, por último, 6) Continuar sem fazer nada! Hugo
SilvaL > iberal
do Costume: Importante é o que pensam os habitantes
desses países e não um tolinho que vive a milhares de kms e o único sofrimento
que tem é ter que mudar as pilhas do comando da televisão Hugo
Silva > Luis
Silva: És ridículo... E chamas tu botas e acéfalos
aos outros Alex
Carvalho > João
Proença: Já
te converteste ao islão, apoiante de autocracia e teocracias? Jose
Pires > Luis
Silva: Julio de Matos. Aberto 24h... Luis Silva: Os EUA
cobardolas como sempre estão a levar uma tareia monumental e a ser expulsos do
Medio Oriente. Os genocidas israelitas estão a massacrados pelos misseis com
submunições, que não conseguem ser interceptados. João
Proença: Lindo… como o Estreito está ao alcance de mísseis o
estropício não quer colocar lá os seus navios para não serem atingidos pois
aquela localização já está ao alcance dos mísseis anti navios iranianos… o que
se faz perante isto? Desafia-se outros países que não concordaram com a guerra
a fazer a escolta dos petroleiros ficando esses navios desses países em risco…
mas quem é que apoia um estropício destes? Quem não se revolta com tamanha
imbecilidade? O que se passa com vocês? Isto só me escandaliza a mim? Que raio
de valores é que vos ensinaram??? Alex
Carvalho > João
Proença: O ideal era
deixar o regime iraniano a avancar para iniciar a produção de armamento nuclear
e a assassinar o seu povo, não era Proença? Confessa lá, também desejas um
regime idêntico ao iraniano no nosso pais, não é? Jacinto
Leite: Os iranianos
avançam, já chegaram aos arredores de Paris. Jacinto
Leite > Luis
Silva: tadinhos dos russos e outros esquerdolas mais
um Liberal
do Costume: Verdade.
Que o digam os Venezuelanos , Iranianos e outros cuja perspectiva de vida era a
Lei Internacional.... Luis Silva: Entretanto continua sem se saber
se Benjamin Netanyahu está vivo ou morto, pois o video em que ele aparece
num café a mostrar que está vivo também é gerado por IA.
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