quarta-feira, 18 de março de 2026

CONTINUAÇÃO


Do texto precedente:O mar minado, os riscos das escoltas navais e o cenário da escalada da guerra. Que soluções tem Trump para Ormuz?”

JOÃO PAULO GODINHO: Texto


Uma ameaça de 5.000 minas marítimas

Os ataques dos EUA e de Israel desde 28 de fevereiro terão destruído grande parte da Marinha da República Islâmica, mas a Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária, cujo funcionamento é autónomo, terá ainda capacidades para ser uma ameaça. Há muito que esta área da Guarda Revolucionária tem desenvolvido esforços e uma preparação para um cenário de bloqueio no Estreito de Ormuz.

De acordo com a revista Foreign Affairs, a aposta iraniana passa por uma combinação de mísseis, drones, submersíveis, lanchas rápidas, embarcações de superfície não tripuladas e minas. Alegadamente, 5.000 minas marítimas, segundo dados citados na imprensa internacional. Isoladamente, os mísseis ou os drones já foram suficientes para criar um clima de medo e efectivamente travar a circulação pelo Estreito de Ormuz; a sua associação às restantes valências e, sobretudo, às minas pode arrastar no tempo o actual bloqueio.

Esses riscos estarão, aliás, na base das reticências da Casa Branca em avançar com escoltas navais norte-americanas à passagem das embarcações, após uma sinalização inicial nesse sentido. Com efeito, Washington procura agora por todos os meios envolver os meios de outros países e, assim, mitigar os riscos. Não é preciso recuar muito no tempo para se encontrar uma operação similar; entre dezembro de 2023 e meados de 2025, EUA, Reino Unido e França empenharam-se na proteção da passagem de embarcações no Mar Vermelho face à ameaça dos houthis. Todavia, os aliados iranianos do Iémen não tinham os meios que Teerão tem ao seu dispor para ser uma ameaça maior.

EUA, Reino Unido e França empenharam-se na protecção da passagem de embarcações no Mar Vermelho face à ameaça dos houthis entre dezembro de 2023 e meados de 2025. Todavia, os aliados iranianos do Iémen não tinham os meios que Teerão tem para colocar em causa a segurança no Estreito de Ormuz

Índice

Os riscos militares de prolongar o conflito

Uma ameaça de 5.000 minas marítimas

Meios não testados em tempo de guerra

Como poderia uma escolta naval ocorrer e qual a razão para o ‘não’ dos aliados a Trump?

Desconhece-se se o Irão conseguiu colocar minas marítimas durante as últimas duas semanas na passagem entre o Golfo Pérsico e o Mar Arábico, bem como os meios de lançamento destes dispositivos na água. O Pentágono anunciou já a destruição de 16 navios iranianos de colocação de minas desde o início da guerra, embora Teerão continue a ter alguns meios para levar a cabo uma eventual missão de colocação de minas. Telegraph revela também que o Irão terá pré-posicionado os seus arsenais de minas, a fim de serem lançadas através de lanchas rápidas ou por intermédio de mísseis.

A seu favor o Irão tem ainda a experiência do passado, já que no final dos anos 80, durante a guerra com o Iraque, colocou muitas minas nas águas do Golfo Pérsico para atacar navios iraquianos. Os EUA até já sabem os riscos e os custos de enfrentar um mar minado. Foi assim da guerra da Coreia até à Guerra no Vietname, passando pela Guerra do Golfo, em que o Iraque lançou cerca de 1.000 minas ao largo da costa do Kuwait para dissuadir uma aproximação das tropas norte-americanas.

Duas dessas minas explodiram mesmo, atingindo navios de guerra norte-americanos, mas sem provocar o seu naufrágio. Em 1987, os EUA mobilizaram embarcações militares para proteger os petroleiros, mas não estavam então envolvidos no conflito.

A solução para contrapor a este desafio traz também novos riscos: mobilizar meios para uma eventual desminagem implica a sua vulnerabilidade por um longo período de tempo. A remoção de minas marítimas (ou submarinas) é considerada uma tarefa morosa e perigosa, pois acarreta enviar embarcações de guerra e helicópteros para o Estreito de Ormuz e essa possibilidade constitui uma armadilha que Teerão estará a lançar aos EUA.

Meios não testados em tempo de guerra

No final do ano passado, a Marinha dos EUA retirou do Golfo Pérsico as embarcações Avenger, especializadas na remoção de minas, com vista à sua substituição por novos e mais modernos meios. Entre estes contam-se veículos subaquáticos não tripulados e navios de combate litoral, aliados a novos sistemas de detecção e radar e a helicópteros especializados, mas a sua mobilização significa um problema: nunca foram testados em pleno período de combate.

Estão já no Médio Oriente três destas novas embarcações militares: o USS Canberra, o USS Tulsa e o USS Santa Barbara. Contudo, a sua colocação no Estreito de Ormuz para executar uma missão de desminagem poderia levar a perdas maiores entre os EUA.

Consequentemente, Washington e Telavive poderiam responder com um intensificar dos bombardeamentos e ataques aéreos, com vista a garantir a segurança. No entanto, ao fim de duas semanas e já com a mudança na liderança do regime e um ataque pesado à Ilha de Kharg — coração da indústria petrolífera iraniana —, poderão começar a escassear os alvos sobre os quais os EUA possam colocar Teerão sob pressão. Pelo menos ao ponto de “rendição incondicional”, como chegou a pedir Donald Trump.

 MASS COMMUNICATION SPECIALIST SEAMAN ZOE SIMPSON/US NAVY HANDOUT/USS Abraham Lincoln (CVN 72)

O envio destes meios pode, paradoxalmente, ser mais arriscado do que para os próprios petroleiros, já que estes estão compartimentados e podem resistir mais eficazmente ao impacto de uma mina marítima do que os navios militares.

A remoção de minas é sempre um processo lento e difícil; fazê-lo durante uma guerra em pleno andamento, enquanto se enfrentam ameaças de mísseis de cruzeiro antinavio lançados a partir de terra, drones e outros meios navais iranianos, seria extremamente perigoso”, refere Caitlin Talmadge, professora de ciências políticas e especialista em segurança no MIT, citada pelo Telegraph.

Visão similar tem Charles Kupchan, investigador sénior do Conselho de Relações Externas, em declarações à estação Al Jazeera: “Uma das tarefas navais mais difíceis é a remoção de minas. Os iranianos poderão disparar contra navios a partir da sua costa. Podem utilizar submersíveis, podem utilizar drones navais, do tipo que vimos na Ucrânia, que se revelaram bastante eficazes contra os russos… Esta é uma guerra bastante impopular entre os aliados europeus. Ninguém quer envolver-se.”

Como poderia uma escolta naval ocorrer e qual a razão para o ‘não’ dos aliados a Trump?

A mobilização de navios de guerra para proteger uma embarcação (ou várias) ao longo do Estreito de Ormuz face aos possíveis ataques iranianos poderia, sustenta a ABC News, ser realizada através de contratorpedeiros da classe Arleigh Burke, simultaneamente preparados com meios de defesa aérea e de resposta a mísseis antinavio disparados desde a costa.

Na região do Mar Arábico, ao largo da costa oriental de Omã, encontram-se já oito contratorpedeiros, que acompanham o USS Abraham Lincoln. São o USS Michael Murphy, o USS Mitscher, o USS Pinckney, o USS Delbert D. Black, o USS McFaul, o USS Spruance, o USS Frank E. Petersen e o USS John Finn, que poderiam avançar para assegurar uma passagem tranquila dos petroleiros e outros navios comerciais pelo Estreito de Ormuz.

Desde o início do conflito, no dia 28 de fevereiro, já foram relatados quase duas dezenas de ataques a embarcações junto da costa iraniana. Apesar disso, Teerão garante que o Estreito de Ormuz “não foi bloqueado”, mas, nas palavras de Alireza Tangsiri, comandante naval da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), colocado “apenas sob controlo” iraniano.

"O Estreito de Ormuz está aberto. Está fechado apenas aos petroleiros e navios pertencentes aos nossos inimigos, àqueles que nos atacam e aos seus aliados. Os demais são livres de passar"  Abbas Araghachi, MNE do Irão

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Os riscos militares de prolongar o conflito

Uma ameaça de 5.000 minas marítimas

Meios não testados em tempo de guerra

Como poderia uma escolta naval ocorrer e qual a razão para o ‘não’ dos aliados a Trump?

Por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, destacou que a passagem está aberta à navegação internacional, menos para quaisquer embarcações norte-americanas, israelitas ou dos seus aliados. “O Estreito de Ormuz está aberto. Está fechado apenas aos petroleiros e navios pertencentes aos nossos inimigos, àqueles que nos atacam e aos seus aliados. Os demais são livres de passar”, vincou. O efeito, todavia, estendeu-se a quase todas as embarcações, que não se mostraram disponíveis para fazer a travessia sem dispor de um acordo com Teerão. Foi isso que alguns Estados procuraram acertar-se directamente com o regime iraniano, como foi o caso da Índia, dependente do abastecimento de gás que passa pelo Estreito de Ormuz, que estabeleceu um acordo para a passagem de duas embarcações na última semana. Diante do actual impasse e condicionado pelo forte impacto negativo na economia, Donald Trump tentou angariar a participação de outros estados: quer aliados, quer até países que não se enquadrariam nesta definição, como a China. Contudo, todos os Estados europeus — incluindo Portugal — que já se pronunciaram fizeram-no apenas para rejeitar o envolvimento. O Reino Unido, por exemplo, já lembrou que “esta não é uma missão da NATO” e que, mesmo sendo um tradicional parceiro dos EUA em missões internacionais, não será arrastado para um conflito alargado no Irão. A percepção é clara: não só os EUA se desviaram da aliança histórica com a Europa neste segundo mandato de Trump, como um conflito no Irão é associado a mais danos do que benefícios, além de retirar o foco da guerra entre a Ucrânia e a Rússia. E nenhum dos líderes europeus quer                    Liberal do Costume: Ao fim de mais de um ano, tenho que admitir que estaríamos provavelmente melhor se "aquela bala" tivesse passado uns centímetros à sua esquerda. Mas sem Kamela, claro!                   Coronavirus corona: Um texto anti-americano primário. Os países que dizem não têm os combustíveis acima dos 2 euros. O povo norte-americano abastece a 80 cêntimos em moeda europeia. Se ficar fechado quem sofre são os europeus e quem beneficia é o país com o qual os europeus de pelam todos. O resto é treta                   Jose Nunes: Como diz a velha frase: "A melhor defesa é o ataque!"  Foi o que aconteceu!. Se hoje o Irão revela a capacidade de resistênca que tem, sabendo todos quais as reais intenções do regime do Irão e nisto há que diferenciar o regime Iraniano do povo Iraniano, se os EUA e Israel tivessem ficado quietos por mais dois anos, imaginem a capacidade que iriam obter. Israel iria ser atacado até desaparecer, o Irão iria fechar o estreito e só deixaria passar quem lhe apetecesse, sempre patrocinados pela maravilhosa China e pelo Deus Putin, todo o golfo Pérsico e o resto do mundo ficaria subjugado ao Irão, claro está com a nossa magnífica Europa iria mais uma vez ficar de rabo descoberto a dizer usem-me e abusem-me que eu gosto. Repetindo o sentido da frase inicial, que a melhor defesa á o ataque e quem não ataca é atacado, e foi isso que os EUA e Israel fizeram. As intelectualidades da nossa EuUropa estão maravilhosamente divididas entre as seguintes 6 opções: 1) Não saber o que fazer, 2) dizer sim aos Chineses enquanto eles financiam a nossa boa via e economia "verde", 3) continuar a ser gozados pelo Putin enquanto este mete uns $cobres$ nos bolsos de alguns, 4)Dizer que o Trump é um brolho troglodita mas está cheio de razão, 5) Não saber o que fazer e, por último, 6) Continuar sem fazer nada!              Hugo SilvaL > iberal do Costume: Importante é o que pensam os habitantes desses países e não um tolinho que vive a milhares de kms e o único sofrimento que tem é ter que mudar as pilhas do comando da televisão                                  Hugo Silva > Luis Silva: És ridículo... E chamas tu botas e acéfalos aos outros                Alex Carvalho > João Proença: Já te converteste ao islão, apoiante de autocracia e teocracias?                      Jose Pires > Luis Silva: Julio de Matos. Aberto 24h...                   Luis Silva: Os EUA cobardolas como sempre estão a levar uma tareia monumental e a ser expulsos do Medio Oriente. Os genocidas israelitas estão a massacrados pelos misseis com submunições, que não conseguem ser interceptados.                         João Proença: Lindo… como o Estreito está ao alcance de mísseis o estropício não quer colocar lá os seus navios para não serem atingidos pois aquela localização já está ao alcance dos mísseis anti navios iranianos… o que se faz perante isto? Desafia-se outros países que não concordaram com a guerra a fazer a escolta dos petroleiros ficando esses navios desses países em risco… mas quem é que apoia um estropício destes? Quem não se revolta com tamanha imbecilidade? O que se passa com vocês? Isto só me escandaliza a mim? Que raio de valores é que vos ensinaram???                     Alex Carvalho > João Proença: O ideal era deixar o regime iraniano a avancar para iniciar a produção de armamento nuclear e a assassinar o seu povo, não era Proença? Confessa lá, também desejas um regime idêntico ao iraniano no nosso pais, não é?                  Jacinto Leite: Os iranianos avançam, já chegaram aos arredores de Paris.                       Jacinto Leite > Luis Silva: tadinhos dos russos e outros esquerdolas                         mais um Liberal do Costume: Verdade. Que o digam os Venezuelanos , Iranianos e outros cuja perspectiva de vida era a Lei Internacional....                   Luis Silva: Entretanto continua sem se saber se Benjamin Netanyahu está vivo ou morto, pois o video em que ele aparece num café a mostrar que está vivo também é gerado por IA.

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litos

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