Que me traz à memória o tempo em que
viemos para cá, de regresso do Ultramar e o Vitorino e eu fazíamos o nosso
percurso com o nosso Nick até ao café, falando dessas figuras que contribuíram
para a machadada das descolonizações. Hoje também o Vitorino está doente, e o
texto é uma lembrança de lágrimas. Por ele.
PCP dedica 28 palavras a antigo
braço-direito de Cunhal. E a "pedido da comunicação social"
Carlos Brito morreu esta semana
aos 93 anos. Era uma figura maior do partido até romper com Cunhal. PCP
escreveu uma curta nota no site do partido "a pedido de vários orgãos de
comunicação social".
09 mai. 2026, 12:28
Foi militante do PCP durante 48 anos.
Passou dez na clandestinidade e oito na prisão. Serviu
o partido como funcionário, membro do Comité Central, deputado, director do
jornal “Avante!”, líder parlamentar (durante 15 anos) e candidato à Presidência
da República. Durante muito tempo, foi o braço direito de Álvaro
Cunhal. Acabaria por romper com ele e por se assumir como um dos protagonistas
da chamada ala renovadora. Morreu esta semana aos 93 anos. Em comunicado, o PCP dedicou-lhe apenas 28 palavras
e 199 caracteres.
“A pedido de vários Órgãos de
Comunicação Social, sobre o falecimento de Carlos Brito.” Assim
começa a nota divulgada no site do PCP. A seguir, pode ler-se: “Sem prejuízo das
conhecidas diferenças e distanciamento político, registamos em Carlos Brito o
seu percurso antifascista e a sua contribuição na Revolução de Abril,
nomeadamente no plano parlamentar”. Sem
mais.
Lisboa
Tóquio
Carlos Brito morreu na quarta-feira, em casa, no concelho de
Alcoutim, depois de ter estado internado no Hospital de Faro devido a uma infecção
respiratória. Foi líder parlamentar durante 15 anos, candidato apoiado pelos
comunistas à Presidência da República, diretor do jornal “Avante!” e membro do
Comité Central durante 45 anos. No final dos anos 90 e na viragem do século, foi-se
afirmando com uma voz crítica do rumo que o partido estava a seguir, o que lhe
valeu o fim da amizade com Álvaro Cunhal.
Anos
mais tarde, em entrevista à RTP, acabaria por revelar que a “zanga” com Álvaro
Cunhal lhe causou mais sofrimento do que os oito anos encarcerado.
“Gostaria que não tivesse acontecido, que tivéssemos chegado a um acordo. Não
que eu teria abdicado da minha opinião, não podia.” O momento da ruptura com o líder histórico do PCP
deu-se durante a preparação do XIV Congresso, em 2000. Numa conversa privada
com Cunhal, Brito defendeu que o partido devia “deixar o marxismo-leninismo”,
lembrando “as várias experiências de insucesso no Mundo” de regimes com esta
ideologia.
Apesar de já não ser secretário-geral do PCP, Cunhal mantinha
influência no partido e, em reunião do Comité Central, expôs a existência de
membros que defendiam renovação do partido. Depois do encontro, Carlos Brito
regressou a Alcoutim, onde tinha crescido, e enviou ao secretariado comunista
aquela que ficou conhecida como “carta-bomba”.
Nela apelava ao abandono do leninismo e defendia um “regresso a Marx”, exigindo uma “profunda democratização” do partido. A
partir desse momento, passou a ser tratado como um inimigo da direção. Meses
mais tarde, demitiu-se do Comité Central.
Em
2002, em conjunto com Carlos Luís Figueira e Edgar Correia, foi alvo de uma
sanção disciplinar pelo PCP. Mas enquanto estes dois foram expulsos, Carlos
Brito foi suspenso por 10 meses. Terminado esse período autosuspendeu-se
como militante e assim ficou até ao fim da sua vida. Criou
oficialmente um movimento dos renovadores comunistas, em que assumiu o cargo de
presidente do Conselho Nacional. Também regressou ao Algarve, onde foi autarca
e se dedicou à escrita, tendo publicado livros de ficção, poesia e memórias.
Foi agraciado pelo amigo Jorge Sampaio com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D.
Henrique, em 1997, e com a Ordem da Liberdade, grau de Grande-Oficial, em 2004.
António
José Seguro, José Luís Carneiro e José Manuel Pureza
lamentaram o desaparecimento de Carlos Brito. Os bloquistas vão, de resto, propor
um voto de pesar no Parlamento. No Observador, Arménio Carlos,
ex-dirigente do PCP e antigo líder da CGTP, recordou Brito como um “homem que lutou pela liberdade, pela
democracia”, elogiando-o como alguém que “nunca deixou de afirmar publicamente as suas posições pela liberdade
e democracia”.
Também no Observador, e mesmo assumindo que houve um afastamento entre
os dois, José Jorge Letria referiu-se a Brito como “um guerreiro resistente à ditadura e à mediocridade que depois se
foi apoderando de muitos aspectos e áreas fundamentais da nossa democracia”.
COMENTÁRIOS (de 36)
Pedro Abreu: Um PCP que se revê no gorducho da Coreia do
Norte. Um partido anacrónico, déspota, que se arvora dono de Abril (deixa-me
rir...) e cujo único objectivo se chegasse ao poder, era instaurar uma
ditadura, tal como tentou durante o PREC.
"Olhe que não, olhe que não" Famosa
frase de Cunhal, com sorriso cínico quando confrontado por Mário Soares em que
lhe diz na cara; " Os senhores querem instaurar uma ditadura!".
Nazismo e comunismo, duas faces da mesma moeda.
António
Duarte:
Carlos
Brito arrependeu-se tarde, mas deixou o barco antes de afundar e saiu com
dignidade, há que reconhecer.
Paula Barbosa: Inacreditável esta despedida
dos comunistas a um homem, que eu aprendi a ouvir com atenção. pois tinha
ideias claras, apesar de serem totalmente da minha identificação social
democrata. Agora têm um dirigente que não passava nos testes de admissão para
condutor na Administração Pública !
Carlos Costa: Partido horrível,
amigo de criminosos, assassinos, ditadores e fascistas. Como é possível o
"Observador" dar voz activa a esse monte de es***me.
Paul C. Rosado: E já vai com sorte se
não o apagarem nas fotografias. PCP a ser PCP. Paz à sua alma!
António Afonso: Estes comunas nada aprendem com o passar dos tempos.
Evolução zero!
Na sua maioria, são desprovidos de sentimentos e anti-família, como deseja
o partido. Felizmente estão em vias de extinção!
Manuel Magalhaes: Carlos Brito foi uma pessoa que tentou ser
decente no meio da barbárie que é o PCP… RIP!
Paulo Silva: Uma vez pêcêpista, sempre pêcêpista... não há
concessões na velha escola leninista. É como na Mafia... Por puro tacticismo
político o PCP abandonou a retórica belicosa da "luta armada" ou da
"ditadura do proletariado", mas continua firme na doutrina marxista-leninista
criminosa. Ouvir o secretário-geral dizer que para condenar a Coreia do Norte
como uma ditadura abjecta, (que é), era necessário saber antes o que era a
Democracia... é deveras espantoso. Não sei o que mais é necessário para que
abram os olhos para a verdadeira natureza deste partido...
David Pinheiro: Aquilo não é um partido. Aquilo é uma religião.
Centralista. Dominada pelo Comité Central. 28 palavras, a pedido da comunicação
xuxial, é muito texto para aquela seita.
Simão Guedes > Carlos Costa: Este artigo do Observador, e o
modo como está escrito, até me parece implicitamente bastante crítico do modo
como o PCP lidou com a morte de Carlos Brito. Destacar que foram usadas apenas
28 palavras, e que o comunicado surge «a pedido da comunicação social», com um
lacónico «Sem mais» após a citação do curto comunicado, parecem-me formas
inteligentes de denunciar a displicência com que o PCP tratou um homem que,
apesar de ter lutado e militado por muito tempo no partido, se afastou por
divergências de opinião. Acho que o artigo evidencia este sinal de pouco
respeito democrático do PCP para com as diferenças de opinião, deixando o
partido mal na fotografia. Como tal, não compreendo a sua crítica.
Vasco Matias: Comunismo = doença mental
Pertinaz: A escumalha será sempre escumalha…!!!
B D > Carlos Costa: É bom não esquecer. Ignorar é que não. E o
observador é um jornal, não o avante
paulo mariano: Avante camaradas, rumo ao cemitério!
Jose Marques: Filhos
da putin
Paulo Barreto: Qual é o espanto? O
Pcp é assim, quem discorda deles, é simplesmente apagado da história, nao me
espanta
Joao Goncalves: Só por isso, já passei a gostar mais dele...
Joao Cadete: Como será o chega daqui a uns tempos.... comunas de
direita.
Daniel José: o Carlos Brito
como outros acordaram a tempo do que seria um regime comunista, só mesmo os
parvos do cravo acham normal ainda haver festa avante
Paulo Silva > Pedro Abreu: O PCP nasceu em 1921 para instaurar uma ditadura
vermelha em Portugal, à semelhança de muitos congéneres inspirados no Outubro
vermelho e na Rússia dos bolcheviques. O PCP revia-se em todas as ditaduras
comunistas, mesmo quando existiam querelas entre capitais vermelhas pela
disputa na direcção da locomotiva da História.
Joao
Goncalves > Pedro Abreu: Instaurar uma ditadura um milhão de vezes pior do que
aquela que havia...
Luís Fernandes: Saiu da seita...
Cisca Impllit: O pcp já não sabe o que fazer para a
sopa... Têm uma coerência mt própria...
Hugo Fraga: um partido asqueroso... uma ditadura dentro de uma
democracia... e muitos preocupados com partidos populistas.... horror
Anastácio Jorge: O PCP , pouco a pouco
, vai descendo devagar devagarinho .. hoje já ninguém usa cassettes
David Pinheiro > helder carvalho: Muito... pouco.
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