segunda-feira, 11 de maio de 2026

Um texto


Que me traz à memória o tempo em que viemos para cá, de regresso do Ultramar e o Vitorino e eu fazíamos o nosso percurso com o nosso Nick até ao café, falando dessas figuras que contribuíram para a machadada das descolonizações. Hoje também o Vitorino está doente, e o texto é uma lembrança de lágrimas. Por ele.

 

PCP dedica 28 palavras a antigo braço-direito de Cunhal. E a "pedido da comunicação social"

Carlos Brito morreu esta semana aos 93 anos. Era uma figura maior do partido até romper com Cunhal. PCP escreveu uma curta nota no site do partido "a pedido de vários orgãos de comunicação social".

09 mai. 2026, 12:28

Foi militante do PCP durante 48 anos. Passou dez na clandestinidade e oito na prisão. Serviu o partido como funcionário, membro do Comité Central, deputado, director do jornal “Avante!”, líder parlamentar (durante 15 anos) e candidato à Presidência da República. Durante muito tempo, foi o braço direito de Álvaro Cunhal. Acabaria por romper com ele e por se assumir como um dos protagonistas da chamada ala renovadora. Morreu esta semana aos 93 anos. Em comunicado, o PCP dedicou-lhe apenas 28 palavras e 199 caracteres.

“A pedido de vários Órgãos de Comunicação Social, sobre o falecimento de Carlos Brito.” Assim começa a nota divulgada no site do PCP. A seguir, pode ler-se: “Sem prejuízo das conhecidas diferenças e distanciamento político, registamos em Carlos Brito o seu percurso antifascista e a sua contribuição na Revolução de Abril, nomeadamente no plano parlamentar”. Sem mais.

Lisboa

Tóquio

Carlos Brito morreu na quarta-feira, em casa, no concelho de Alcoutim, depois de ter estado internado no Hospital de Faro devido a uma infecção respiratória. Foi líder parlamentar durante 15 anos, candidato apoiado pelos comunistas à Presidência da República, diretor do jornal “Avante!” e membro do Comité Central durante 45 anos. No final dos anos 90 e na viragem do século, foi-se afirmando com uma voz crítica do rumo que o partido estava a seguir, o que lhe valeu o fim da amizade com Álvaro Cunhal.

Anos mais tarde, em entrevista à RTP, acabaria por revelar que a “zanga” com Álvaro Cunhal lhe causou mais sofrimento do que os oito anos encarcerado. “Gostaria que não tivesse acontecido, que tivéssemos chegado a um acordo. Não que eu teria abdicado da minha opinião, não podia.” O momento da ruptura com o líder histórico do PCP deu-se durante a preparação do XIV Congresso, em 2000. Numa conversa privada com Cunhal, Brito defendeu que o partido devia “deixar o marxismo-leninismo”, lembrando “as várias experiências de insucesso no Mundo” de regimes com esta ideologia.

Apesar de já não ser secretário-geral do PCP, Cunhal mantinha influência no partido e, em reunião do Comité Central, expôs a existência de membros que defendiam renovação do partido. Depois do encontro, Carlos Brito regressou a Alcoutim, onde tinha crescido, e enviou ao secretariado comunista aquela que ficou conhecida comocarta-bomba”. Nela apelava ao abandono do leninismo e defendia um “regresso a Marx”, exigindo uma “profunda democratização” do partido. A partir desse momento, passou a ser tratado como um inimigo da direção. Meses mais tarde, demitiu-se do Comité Central.

Em 2002, em conjunto com Carlos Luís Figueira e Edgar Correia, foi alvo de uma sanção disciplinar pelo PCP. Mas enquanto estes dois foram expulsos, Carlos Brito foi suspenso por 10 meses. Terminado esse período autosuspendeu-se como militante e assim ficou até ao fim da sua vida. Criou oficialmente um movimento dos renovadores comunistas, em que assumiu o cargo de presidente do Conselho Nacional. Também regressou ao Algarve, onde foi autarca e se dedicou à escrita, tendo publicado livros de ficção, poesia e memórias. Foi agraciado pelo amigo Jorge Sampaio com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, em 1997, e com a Ordem da Liberdade, grau de Grande-Oficial, em 2004.

António José Seguro, José Luís Carneiro e José Manuel Pureza lamentaram o desaparecimento de Carlos Brito. Os bloquistas vão, de resto, propor um voto de pesar no Parlamento. No Observador, Arménio Carlos, ex-dirigente do PCP e antigo líder da CGTP, recordou Brito como um “homem que lutou pela liberdade, pela democracia”, elogiando-o como alguém que “nunca deixou de afirmar publicamente as suas posições pela liberdade e democracia”.

Também no Observador, e mesmo assumindo que houve um afastamento entre os dois, José Jorge Letria referiu-se a Brito como “um guerreiro resistente à ditadura e à mediocridade que depois se foi apoderando de muitos aspectos e áreas fundamentais da nossa democracia”.

PCP       Política       Álvaro Cunhal

COMENTÁRIOS (de 36)

Pedro Abreu: Um PCP que se revê no gorducho da Coreia do Norte. Um partido anacrónico, déspota, que se arvora dono de Abril (deixa-me rir...) e cujo único objectivo se chegasse ao poder, era instaurar uma ditadura, tal como tentou durante o PREC.

"Olhe que não, olhe que não" Famosa frase de Cunhal, com sorriso cínico quando confrontado por Mário Soares em que lhe diz na cara; " Os senhores querem instaurar uma ditadura!". Nazismo e comunismo, duas faces da mesma moeda.

António Duarte: Carlos Brito arrependeu-se tarde, mas deixou o barco antes de afundar e saiu com dignidade, há que reconhecer.

Paula Barbosa: Inacreditável esta despedida dos comunistas a um homem, que eu aprendi a ouvir com atenção. pois tinha ideias claras, apesar de serem totalmente da minha identificação social democrata. Agora têm um dirigente que não passava nos testes de admissão para condutor na Administração Pública !

Carlos Costa: Partido horrível, amigo de criminosos, assassinos, ditadores e fascistas.  Como é possível o "Observador" dar voz activa a esse monte de es***me. 

Paul C. Rosado: E já vai com sorte se não o apagarem nas fotografias. PCP a ser PCP. Paz à sua alma! 

António Afonso: Estes comunas  nada aprendem com o passar dos tempos. Evolução zero!

Na sua maioria, são desprovidos de sentimentos e anti-família, como deseja o partido. Felizmente estão em vias de extinção!

Manuel Magalhaes: Carlos Brito foi uma pessoa que tentou ser decente no meio da barbárie que é o PCP… RIP!

Paulo Silva: Uma vez pêcêpista, sempre pêcêpista... não há concessões na velha escola leninista. É como na Mafia... Por puro tacticismo político o PCP abandonou a retórica belicosa da "luta armada" ou da "ditadura do proletariado", mas continua firme na doutrina marxista-leninista criminosa. Ouvir o secretário-geral dizer que para condenar a Coreia do Norte como uma ditadura abjecta, (que é), era necessário saber antes o que era a Democracia... é deveras espantoso. Não sei o que mais é necessário para que abram os olhos para a verdadeira natureza deste partido...   

David Pinheiro: Aquilo não é um partido. Aquilo é uma religião. Centralista. Dominada pelo Comité Central. 28 palavras, a pedido da comunicação xuxial, é muito texto para aquela seita. 

Simão Guedes > Carlos Costa: Este artigo do Observador, e o modo como está escrito, até me parece implicitamente bastante crítico do modo como o PCP lidou com a morte de Carlos Brito. Destacar que foram usadas apenas 28 palavras, e que o comunicado surge «a pedido da comunicação social», com um lacónico «Sem mais» após a citação do curto comunicado, parecem-me formas inteligentes de denunciar a displicência com que o PCP tratou um homem que, apesar de ter lutado e militado por muito tempo no partido, se afastou por divergências de opinião. Acho que o artigo evidencia este sinal de pouco respeito democrático do PCP para com as diferenças de opinião, deixando o partido mal na fotografia. Como tal, não compreendo a sua crítica.

Vasco Matias: Comunismo = doença mental

Pertinaz: A escumalha será sempre escumalha…!!!

B D > Carlos Costa: É bom não esquecer. Ignorar é que não. E o observador é um jornal, não o avante

paulo mariano: Avante camaradas, rumo ao cemitério!

Jose Marques: Filhos da putin

Paulo Barreto: Qual é o espanto? O Pcp é assim, quem discorda deles, é simplesmente apagado da história, nao me espanta

Joao Goncalves: Só por isso, já passei a gostar mais dele...

Joao Cadete: Como será o chega daqui a uns tempos.... comunas de direita.

Daniel José: o Carlos Brito como outros acordaram a tempo do que seria um regime comunista, só mesmo os parvos do cravo acham normal ainda haver festa avante

Paulo Silva > Pedro Abreu: O PCP nasceu em 1921 para instaurar uma ditadura vermelha em Portugal, à semelhança de muitos congéneres inspirados no Outubro vermelho e na Rússia dos bolcheviques. O PCP revia-se em todas as ditaduras comunistas, mesmo quando existiam querelas entre capitais vermelhas pela disputa na direcção da locomotiva da História.

Joao Goncalves > Pedro Abreu: Instaurar uma ditadura um milhão de vezes pior do que aquela que havia...

Luís Fernandes: Saiu da seita...

Cisca Impllit: O pcp já  não  sabe o que fazer para a sopa... Têm uma coerência mt própria...

Hugo Fraga: um partido asqueroso... uma ditadura dentro de uma democracia... e muitos preocupados com partidos populistas.... horror

Anastácio Jorge: O PCP , pouco a pouco , vai descendo devagar devagarinho .. hoje já ninguém usa cassettes

David Pinheiro > helder carvalho: Muito... pouco.


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