Egi, actum.
Marcelo,
dez anos depois, ou como "estar na maior"
“Sempre quis fazer
diferente dos meus antecessores quando saísse de Belém, já tinha há muito
começado a construir uma rede de iniciativas e programas. Não tenho um minuto
livre”.
MARIA JOÃO AVILLEZ Jornalista, colunista do Observador
Jornalista, colunista do Observador
OBSERVADOR,
20 mai. 2026, 00:25 56
1“Ando entretidíssimo! Não paro um minuto”. O
desabafo aterrou há dias sem pré-aviso, passava da meia-noite. Não estranhei:
desde o dia 9 de março de 2016 que esperava este momento sabendo que ele não
poderia deixar de chegar quando tudo acabasse. Se havia coisa que eu metera na
cabeça a partir do minuto em que – sem o meu voto – Marcelo Rebelo de Sousa
entrara no Palácio de Belém, estava eu no Brasil, era que nunca me consentiria
deitar fora uma amizade tão antiga e bem recheada, com a água do banho
presidencial. Talvez tenha conseguido.
2No intervalo ficaram dez anos vividos por ambos entre
uma distância claramente assumida da sua parte – nunca fui convidada para ir à
Presidência da República – e uma frequente e activa crítica pública com a minha
assinatura. Aprendi com Vítor Cunha Rego que “as coisas são o que são”. Foi o
caso.
3Eram duas menos vinte da madrugada quando os
telemóveis sossegaram e eu reencontrara o Marcelo de sempre. Com quem muito me
encontrei e desencontrei, trabalhei, ri, discuti. (E que, inesquecivelmente,
foi o autor de um sonoro elogio, quando um dia, após Ricardo Costa ter
apresentado um livro meu, o então Presidente da República subiu inesperadamente
a um dos palcos da Gulbenkian, evocou com argúcia o livro e foi generosíssimo
com a autora.) Mas é dele que se trata e não de derivações sentimentais alheias.
E ele “está na maior”.
4“Sempre quis fazer diferente dos meus antecessores
quando saísse de Belém, já tinha há muito começado a construir uma rede de
iniciativas e programas. Não tenho um minuto livre”.
O telefonema daquela noite era
a sua resposta nocturna a um email que lhe mandara nessa mesma tarde sugerindo
finalmente reencontrarmo-nos, juntando os amigos do costume, o melhor era que
me ligasse.
“Estou muito realizado. Os
portugueses adoram os mortos, para eles são sempre todos formidáveis quando
morrem! E então os mortos-vivos como eu, não há palavras como adoram.
Acolhem-me, festejam-me… Onde tenho ido, a festa é sempre total, com multidões.
Apesar de ter muito que fazer, consegui passar de mil à hora para seiscentos e
já não ‘me’ morrem militares nem bombeiros… Cansei-me da política. Sim,
política nunca mais!”
5 O ritmo era veloz, o verbo imparável e o “política,
nunca mais” fora imperativo. Seguiram-se projectos, nomes,
calendários, listas, etapas, moradas, lugares, e mil e mil convites, como se
ele quisesse certificar-me da sua renúncia ao ar que respira.
Cansaço da política? Uma novidade.
A segunda foi ver o
fogoso empenho com que se contou a ele mesmo, nesta nova encarnação. E o
detalhe com que o fez: a rede de escolas onde irá ou já foi (“é lá que se
decide o futuro”); a sua vontade em estar atento “à educação, à vocação, ao
futuro” dos alunos; em pôr o foco na leitura e “na preparação que sobre ela os
professores fazem nas aulas”; nos debates que “os estudantes fazem com eles
próprios”.
Sim, claro, o Ministério da Educação está ao corrente,
algumas bibliotecas também:
“A juventude dá vida!”, garantia-me
ele, cavalgando certezas.
“Faço programas trimestrais das idas às
escolas que me convidam, são centenas. Vou diariamente ao meu gabinete, a
equipa é pequena, há muito trabalho… É
que estou pelo menos quatro dias por semana em escolas!”
6Continua a contar-se (“não, não são só as escolas
que me ocupam, há mais”).
Há: em curso estão já algumas iniciativas de
“natureza social”, campo onde se sabe ter tido ininterrupta presença desde a
adolescência; e outras ainda, em quatro ou cinco “domínios culturais”,
prometendo Marcelo a sua “presença” em fundações, museus, conselhos
literários.
Além de recentes idas a
concertos, espectáculos, teatros…
“Tenho também ido muito a
concertos, espectáculos, vou ao aniversário do Teatro Aberto, já tenho bilhetes
para o Diogo
Infante, no Trindade…”
Aparentemente, um carrossel
onde ele entra incessantemente e do qual só sai para entrar na rodada seguinte.
Racionalmente, uma forma de continuar convictamente com atividade pública
ao serviço do país. Mesmo que por enquanto de forma algo acelerada.
7 Percebo, porém, que não quer que nada disto,
nenhum programa, compromisso, ou calendário, tenha intervalo ou sofra
interrupção. Trata-se de um leque de iniciativas pensadas e
pré-preparadas com tempo e minúcia que passaram hoje a ofício substituto – e em
full-time – deste (ex?)político.
Haverá porventura quem olhe para este súbito novo
emprego de tempo e de vida como um “salva-vidas” da solidão, do súbito vazio;
da desilusão; do reencontro dificílimo com a vida “normal” e dessa trivialidade
quotidiana da vida fora dos palácios quando se acabou de sair deles.
Ou – pergunto a mim mesma –
esta nova forma de vida será antes do mais o colete salva-vidas que não o
deixará afogar-se nessa fininha, indizível melancolia do que poderia ter sido e
não foi?*
8 E há a Igreja, claro. Fidelidade maior, inteira e intacta até
hoje. Uma omnipresença que nunca conheceu quebra ou hesitação. O país viu o seu
então Presidente escolher o Vaticano como destino da sua primeira visita
oficial e ir a Roma nas vésperas de sair de Belém. Viu-o saber onde ir ou onde
estar sempre que se tratava da Igreja e da representação ao mais alto nível do
Estado português. E convicto e firme na sua atenção ao universo
católico. A Igreja percebeu desde o primeiro minuto estar diante de um “católico proactivo com quem poderia
contar”
– como me recordaria um dia alguém. E o Vaticano, também o percebeu: basta
lembrar que o Papa Francisco veio a Portugal, duas vezes (2017/2023) nos
mandatos presidenciais de Marcelo e que a relação entre ambas as instituições
sempre foi séria e harmoniosa
Foi assim sem sombra de
surpresa que ouvi o relato – como sempre veloz, neste telefonema sui
generis – do almoço que o novo Núncio Apostólico, o espanhol D. Andrés
Carrascosa Coso, rodeado da hierarquia religiosa portuguesa, ofereceu neste
último abril ao ex-Presidente da República. (O anfitrião, amigo pessoal do
Papa Leão XIV, renunciou aliás a sua vontade de, como previsto, se reformar
este ano para aceitar o insistente convite do Papa para se mudar para
Lisboa e ocupar a Nunciatura.)
“O Núncio é genial,
inteligentíssimo”, entusiasmou-se Marcelo. E num fôlego:
“Convidou todos os cardeais,
bispos e arcebispos, nem todos puderam ir mas estavam muitos, o ambiente do
almoço foi excelente. Aproveitei para lhes deixar um alerta para esta ‘volta’
política e religiosa que está a ocorrer com os jovens entre nós e disse-lhes
que não a podiam perder. Até insisti: olhem que esta onda não voltará…”
9Eram já quase duas da manhã quando consegui a
muito (muito) custo, que Marcelo ouvisse uma pergunta minha (nunca se pode
deixar de perguntar). Era sobre o seu sucessor, e quem não perguntaria?
Ah “têm falado muito”. Mais ao
telefone que presencialmente, mas também já se viram algumas vezes: “Tem-lhe
corrido tudo muito bem. Ainda não cometeu um só erro desde que está em Belém”.
Não? Nem a colocação da UGT como fiel da balança na
negociação da Lei laboral? Nem as trapalhadas que irão certamente enredar o
Pacto para Saúde? “Não”.
Taxativo: “Essas
coisas foram ditas na campanha e não na Presidência da República. Em todas as
campanhas eleitorais há o afã do falar, do dizer, cai-se sempre no “overacting”.
Marcelo dixit.
10Quando percebi que com a mesmíssima velocidade com
que falara durante uma hora e meia, poderia também, dado o adiantado da hora,
desligar velozmente o telemóvel, quis saber quando é que o carrossel pararia: “É
até eu aguentar fisicamente… Mas assim também não penso em mais nada.”
Tal e qual: “não pensar em
mais nada” (o carrossel não pode parar?). Então – ainda sugeri – e quando nos
vemos, todos juntos? “Deixa passar algum tempo”.
Também ficou tudo nesta
resposta.
PS: A propósito deste reencontro telefónico de
longa duração, poderia ter-me ocorrido um balanço dos últimos dez anos que ele
assinou – e encenou – em Belém. Nem me pareceu o momento, nem a circunstância.
Talvez um dia. Mas o que aqui contei – e obviamente não contei tudo o que ouvi
– foi intencional: dar a conhecer o silencioso trabalho que o cidadão Marcelo
Rebelo de Sousa anda a fazer pelo país. Serviço público. Desenvolvido com
propósito, uma energia empenhada e um imenso – indisfarçável – gosto. Não duvidei
que tinha de ser contado.
Marcelo Rebelo de Sousa Presidente da República Política
COMENTÁRIOS
Manuel Lourenço: Um verdadeiro palhaço
narcisista com quem espero nunca me cruzar.
António Soares: Ele "está na
maior", já o país está um esgoto a céu aberto, tanta a excreta expelida
pelos governos de Costa com a colaboração e apoio, por vezes entusiástico, do
catavento Marcelo...
Paulo Almeida: Serviço público devia ter feito quando
ocupava a posição de PR. Não o fez. Este texto é ridículo, transborda egocentrismo das 2
personagens.
Carlos
Jerónimo: O
eco da peçonha…
victor
guerra: Que cheiro a naftalina
João Das Regras: Uma pessoa que não sabe
sair de cena, não consegue abandonar o palco e quer ser adorado e por isso a
escolha das escolas com os miúdos que pedem muitas Selfies e não fazem
perguntas difíceis como a vergonha do caso das gémeas ou o filho metido nos
prejuízos de milhões que a Santa Casa teve no Brasil, a vergonha das Reparações
que ninguém pediu ou mesmo as constantes humilhações nos PALOPS ou no Brasil
que aceitava porque que os Portugueses eram sempre culpados de qualquer coisa.
Só me enganou na primeira vez, tenho será de respeito pela personagem.
Ricardo
Ribeiro: Crónicas de uma bolha lisboeta/cascalense...
Pedro D.: Deve sentir uma angústia
imensa o narciso mor quando não é o centro das atenções!! A figura pública mais
patética de sempre em Portugal! Uma fraude política inventada pela igualmente
patética comunicação social que continua radiante a dar-lhe gás!
Oscar gomes: Marcelo é uma fraude.... Um psiquiatra minimamente
competente descreveria facilmente a sua patologia
João Floriano > João Das Regras: Subscrevo
integralmente. De facto os miúdos não fazem perguntas embaraçosas.
João Floriano: Pois que fique na maior e
ande entretidíssimo, mas bem longe dos portugueses. Marcelo não deixa saudades.
mas o seu sucessor tão pouco as irá deixar.
João Diogo: Pois, está claro , ele o homem das selfies está na maior
, infelizmente o país não pode dizer o mesmo, após a passagem deste senhor que
deu cobertura ao pior governo de sempre do Costa , igual só do Sócrates.
Manuel Magalhaes: Maria João, este
personagem não me interessa… beijinho!
António
Lamas: O que a MJA descreve confirma o que toda gente pensa da
personagem. Um doente com o Síndrome de Peter Pan. Ainda não cresceu e por isso
mesmo ainda não constituiu família. A que existe foi um parêntesis. Se tivesse esposa, de certeza
que lhe diria, que às duas da manhã não é hora para se telefonar à ninguém. Continua após a saída de Belém a
provocar-me vergonha alheia como português
Maria
Melo: “…vou ir…”? O que é isto? IREI, não? Depois de ler o
artigo, até fiquei sem ar… Não sei como será falar com esta personagem. Eu não
conseguiria! É mais do mesmo… o deslumbre do
Ego.
Tim do
A: Marcelo,
o presidente marxista woke.
Alberico Lopes: Maria João: Se pretende
que ainda tenha alguma consideração por si, por favor não fale mais sobre este abencerragem
Oscar gomes > João Das Regras: Marcelo é um adulto com
comportamento infantilizado e narcisista---
João
Floriano > Ricardo Ribeiro: Nem mais!
João Floriano > Alberico Lopes: Eu
subscrevo. Maria João Avillez escolheu fazer parte da tal bolha, de que tanto
se fala. O agora tão falado virtue signalling não é exclusivo das esquerdas.
Mesmo à direita há muitos adeptos.
graça
Dias > João Das Regras: Subscrevo na integra. Mais, esta sua nova actividade
traduz-se em doutrinação marxista Woke.
João Das Regras > P Ferreiro: Era recebido como todos
são em África, são arregimentadas crianças para agitar bandeirinhas e grupos de
dança tribal que são avós para fazer a festa, o resto são curiosos. Davam-lhe a
rua e depois nos discursos humilhavam os portugueses porque afinal nós somos os
culpados de 50 anos depois viverem atolados em corrupção e guerras quase
tribais. Pois, já não engana ninguém
Oscar
gomes > Alberico Lopes: Cheira muito a tia, não cheira?
Paulo
Barreto: Grande
Maria Joao! Apesar da idade, continua arguta e muito acutilante....
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