Para prestarem assistência imediata, nas situações de tragédia
inesperada, em que descobrem, criticamente, a falta dela, da assistência.
Confesso que não me apercebi da ausência dessas prestações, pois acompanhei essas
dores, do conforto do meu assento televisivo. Só me pergunto como procederiam
essas pessoas em idêntica situação governativa, além de que suponho que o
auxílio irá continuar…
Uma dramática exposição de
incompetências
Da preparação ao apoio às pessoas atingidas pela tempestade, tudo
nos mostrou pouca prevenção, organização e ainda menos empatia.
HELENA GARRIDO,
Colunista
OBSERVADOR, 03 fev. 2026, 00:2290
Numa reportagem televisiva uma
pessoa, manifestamente furiosa, resumia bem, um dia depois da tempestade, o que
devia ser feito e não foi. Perguntava-se como queria que se usasse as redes
sociais se não existiam comunicações, onde estavam os militares, porque não
estavam já, depois da tempestade, a instalar tendas de campanha com assistência
médica e distribuição de comida quente. Estão a distribuir lonas, dizia, mas
para se fazer o quê com uma população envelhecida que não as conseguiria usar.
“Só se for para fazer filhoses”,
concluía, como que resumindo assim os absurdos que nos foram passando pelos
olhos e ouvidos nestes dias de pós-tempestade Kristin. O espírito de solidariedade comunitária foi um pilar fundamental, já
que o Estado esteve bastante aquém do que seria de esperar, pelo menos no
imediato.
Enquanto as reportagens se
centrarem nas visitas de ministros e candidatos aos locais devastados, como Leiria, Coimbra ou Marinha Grande, em
vez de nos mostrarem que, de imediato,
estavam no terreno não apenas os bombeiros como também os militares, estamos
manifestamente a deixar as pessoas a tomarem conta de si. Não se sabe bem porque não foram de
imediato convocados os militares. Aparentemente
porque não o quis a Protecção
Civil – cujo presidente também nos diz agora que não precisamos de pedir ajuda
europeia.
Face ao que aconteceu, e ainda
continua a acontecer, vale a pena olhar seriamente para os mecanismos de
protecção civil que temos e verificar como é que podemos, de facto, apoiar quem
precisa logo nas primeiras horas. Não
se quer acreditar que a falta de mobilização de todos os meios, para chegar até
às aldeias mais isoladas, se fique a dever a desejos de protagonismo, que tendem a resistir à cedência destes
pequenos poderes. O presidente da Protecção Civil tem estatuto
de sub-secretário de Estado e, por isso, está investido de poder para mobilizar
meios. Porque não o fez, tem de ser respondido a seu tempo.
O segundo aspecto destes dias de
tempestade está centrada na falta de bom senso e empatia de alguns membros do
Governo. Já foi bastante referido o famoso vídeo do ministro Leitão Amaro.
Uma comunicação com o país que é assustadora principalmente por ter havido
quem, na sua equipa, tenha considerado
uma boa ideia brincar aos filmes numa situação destas.
Também o
ministro das Defesa Nuno Melo, apesar da sua experiência
política, acabou a dar-nos uma mensagem de falta de empatia.
Primeiro achou que era boa ideia, perante a tragédia que se abateu sobre as
pessoas, algumas delas sem casa, manifestar a sua preocupação com um sargento
que fazia anos. A seguir deixar que quem assistiu a tudo aquilo tenha
visto os militares a abandonarem tudo, assim que o ministro se foi embora, de
acordo com os testemunhos transmitidos pelas televisões.
Depois temos a ministra da Administração Interna a mostrar como uma
competente Provedora e antes juíza do Tribunal Constitucional pode dar uma
ministra sem capacidade de falar para os cidadãos. O problema de Maria Lúcia Amaral foi não perceber qual o seu papel político.
Não comunicou mal nem bem, pura e simplesmente não soube falar para as pessoas.
E esse é o problema de alguns
protagonistas políticos: esquecem-se que não estão a falar com o jornalista que
está à sua frente, mas sim para as pessoas que, através dos meios de
comunicação social, olham para eles à espera de resposta para, nesta
circunstância, os problemas graves que enfrentam. Querem, muitas vezes, apenas palavras de
conforto, mensagens que revelem a capacidade de se colocarem no lugar do outro.
Outro erro comum é gastarem o tempo a
falar de procedimentos. Nestas alturas é preciso ser directo e dizer
exactamente o que é que se está a fazer – de preferência ser em “burocratês”- e o que as pessoas podem ou devem fazer,
em vez de se usar linguagem cifrada ou descrever os caminhos dos papéis que
circulam na tecnocracia.
Por
mais que se queira dizer o contrário, o Estado não esteve à altura do que lhe
era exigido, quer do ponto de vista operacional como na perspetiva de
transmitir confiança e ânimo aos nossos concidadãos afectados por esta
tragédia. Ser político não é ser burocrata, é saber liderar quando há momentos
difíceis.
Temos depois a E-Redes e as
empresas de comunicações. Na
electricidade fica claro que a muita comunicação e estratégia sobre a
sustentabilidade ambiental está focada nos aspectos que podem ser lucrativos,
mas não deram resistência ao sistema. Parece existir manifestamente falta
de investimento que torne a rede resistente às mudanças climáticas que bem
conhecem. O
mesmo se aplica às telecomunicações. A rede eléctrica e de telecomunicações tem de olhar para
si para ser mais resistente nestas tempestades que, sabem bem, serão cada vez
mais frequentes. Claro
que se compreende que vai levar tempo a recuperar a rede eléctrica –
aparentemente só em finais de Fevereiro – perante a destruição que existiu. O que não
se pode admitir é que tenha existido toda esta destruição.
Talvez desta vez comecemos a
perceber que temos de investir mais na adaptação aos eventos climáticos
extremos, que todos os estudos nos dizem que vamos enfrentar, reduzindo a
prioridade que tem sido dada à descarbonização, por via da electrificação com
energias renováveis, solar e eólica. Vê-se e aliás, como já tínhamos visto com
o apagão, como o cem por cento elétrico nas nossas casas é um erro.
E
talvez desta vez também as autarquias – e o próprio Governo – percebam que têm
de ter equipas competentes, que nem tudo pode ser “jobs for the boys”. E que precisamos de levar mais a sério a
preparação para eventos climáticos extremos, fazendo exercícios de simulação
nas comunidades.
Como disse a ministra da
Administração Interna, estamos a aprender. O problema é que parece que nunca mais aprendemos
apesar de, nos anos recentes, termos enfrentado várias calamidades. Da
preparação para a tempestade até ao apoio rápido às comunidades atingidas,
passando pela incapacidade de falar com empatia, o que vimos foi um desfilar de
incompetências variadas. Que nos leva a pensar que temos de
nos preparar para estarmos entregues a nós próprios e à solidariedade das
comunidades.
PLANOS DE
EMERGÊNCIA ACIDENTE SOCIEDADE
COMENTÁRIOS (de 90)
Carlos Chaves: Cara Helena Garrido, durante o período da
pandemia o Costa, o Cabrita e Marta, geriram muito melhor a situação não
foi? Porque é que não nos traz aqui os números da mortalidade muito acima
da média Europeia, da liderança mundial de número de mortos/per capita, do
descalabro no acesso aos cuidados de saúde com milhares de consultas externas,
e diagnósticos que nunca foram feitos… Tenha respeito pelas famílias que
perderam os seus ente queridos nesta situação!! Podemos dizer o mesmo nos
incêndios de Pedrogão Grande! Apesar de cada vida ter um valor inestimável,
nesta situação o número de vítimas não tem felizmente comparação, com o que se
passou durante a Covid e mesmo durante os incêndios de 2017 (vítimas que
morreram por falta de coordenação/preparação e políticas erradas). Dito
isto, não estou aqui a defender este actual governo socialista, esta gente só
sabe dizer que vai tirar ilações (como diz e bem o Alberto Gonçalves), na
próxima catástrofe repetem o mantra e continua tudo na mesma! Conclusão, isto tem de mudar, continuar a
apostar nos mesmos à espera de resultados diferentes, todos sabemos qual será o resultado!
Maria
Gomes: Isto
faz parte da tão prezada estabilidade em que vivemos! António Soares: Esta catástrofe não se compara à farsa do
Covid. Nesta
desgraça, não basta fechar as pessoas em casa, sequestrar idosos nos
Lares e proibir visitas de familiares, nem sequer obrigar ao uso de
máscaras nas fuças. Comparar esta tragédia com o Covid é o mesmo que comparar o cu das calças
com o dito cujo. Além do mais o governo do habilidoso limitou-se a
plagiar o que se via lá por fora. Mais uma vez HG a deixar falar a sua
faceta, não assumida, mas descaradamente socialista. Quando milhares de postes de electricidade e
centenas de linhas são destruídos num ápice, não se pode resolver o problema
com uma encomenda de electricidade em pó à China. Parece que a Helena já se esqueceu da história
dos ventiladores comprados à China que nem sequer funcionavam e do puro
abandono à má sorte, de milhares de idosos nos Lares de terceira idade. Tenha
alguma decência, já que vergonha não demonstra possuir. Joao Cadete: És uma tontinha sem noção dos da magnitude
dos estragos e do que custa normalizar tudo... como é possível estar em todos
os lados? Vocês jornaleiros são do mais rasteiro que há... Filipe Paes de Vasconcellos:
Pergunta: Será que o Observador
se está a tornar num pasquim? Tristão: Isto é o clássico debate a posteriori, muito confortável, pouco útil e
quase sempre cheio de generalidades. À segunda-feira toda a gente é engenheiro,
gestor de risco e estratega nacional. Somos um país de especialistas
instantâneos. Acontece uma desgraça e, de repente, brotam peritos como
cogumelos depois da chuva… E
entretanto voltamos a ter paz na saúde… curioso 🙂 Lily Lu: A
empatia é o último dos problemas. A competência é o cerne da questão. Pedro
Campos: Este
artigo é um rol de generalidades e banalidades de uma "treinadora de
bancada"!!!!!!
Manuel Ferreira21: Não se preocupem, no verão não vai faltar dinheiro nas autarquias para
concertos (Toy, Ágata, Carreiras, Deslandes, Zé Amaro, etc) e os foguetes. E
como o dinheiro não tem cheiro pode ser com o que sobrar da calamidade. Já
estou sem paciência, para este país a brincar. Alexandre Barreira: Pois. Cara Helena, Só uma "singela"
pergunta: O que faria a senhora.....no lugar do governo.....? Mário Rocha: É admirável verificar que
existe tanta competência nos media, sem nunca terem provado nada das suas capacidades,
além de fazerem comentários e artigos com base em reportagens que são pouco
mais do que a exploração de emoções e dramas. Até sugerem que era possível
antes da tempestade chegar, saber quais seriam os estragos, para logo de manhã
estarem todos os meios nos locais prontos a resolver todos os problemas, mesmo
com estradas cortadas, mas talvez seja isto a tal empatia. Cisca
Impllit: A
quanto obrigas manter o lugar no Obs. Manda quem pode,
sujeita-se quem precisa.
António Soares: Que
saudades dos tempos em que Temido e Graça Freitas comunicavam de forma
brilhante, nas suas milhentas conferências de imprensa, em que de manhã diziam
uma coisa, à tarde coisa diferente e à noite o seu contrário... Quanto à actual ministra temos de reconhecer que é a única política sem
pinga de populismo e demagogia e que até facilita e muito, a vida à
oposição com as dicas que lhe dá para atacar ao governo, ao dizer que
está em aprendizagem e que não sabe o que falhou... Manuel
Magalhaes: Portugal
é um país de medíocres e será bom não esquecer que não é só culpa deste governo
que só está lá há dois anos, o PS esteve lá oito e nada fez que se visse, mas
agora uns patetas continuam a querer lá pôr outro e esse temos a certeza que de
nada servirá… país trágico!!! Graciete Madeira: Dramatizar e dizer mal é o que está a dar para
os cronistas confortavelmente atalados às suas secretárias. Se fossem eles a tratar já estava tudo
feito.. Sr Leão; "Dramática" exposição ??? Oh, Helena Garrido !!! Temos então que o jornalista autor do artigo introduz logo de entrada um
comentário apologético ao seu próprio artigo ??? Quem se julga a Senhora
Jornalista? E de caminho deixe que lhe pergunte se não acha importante - fundamental,
mesmo – respeitar rigorosamente, quase religiosamente, aquilo a que antigamente
se chamava deontologia profissional?
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