quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Hoje é quarta-feira

 

Veremos o que se vai passar. Por essas terras tem havido muita chuva, com as respectivas inundações Mas a noite está tranquila, por ora. Comentadores riem...


Meteorologia

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14.ª tempestade, a mais precoce com a letra N. Nils arrasta rio atmosférico de 7 mil km e massa de ar húmido: chuva e vento até sexta

Um sistema frontal da tempestade vai trazer muita chuva e vento até sexta. Depois, podem chegar os primeiros dias com sol desde o início do ano. E, no final da próxima semana, talvez, haja primavera.

A chuva intensa será mais forte no norte e centro e sentir-se-á menos a sul. Ao longo de três dias FILOMENA MARTINS: TEXTO

OBSERVADOR, 10 fev. 2026, 22:39 5 

Aí está uma nova tempestade. Vai ser a Nils — nomeada pela Météo-France (Serviço Meteorológico Francês, porque vai atingir sobretudo território francês) — a arrastar para cima de Portugal o enorme rio atmosférico, carregado de vapor de água, que está a atravessar o Atlântico desde as Caraíbas ao longo de 7 mil km, e também uma massa de ar quente e húmido, que manterá as temperaturas amenas. Atingirá o continente esta terça à noite, manter-se-á ao longo dos dias de quarta e quinta e ainda se fará sentir na sexta-feira, 13. Trará outra vez chuva intensa, constante e persistente durante horas. E também, de novo, vento forte, com rajadas até 100 km/h. Além da agitação marítima, que tem sido constante, com ondas que podem chegar aos 11 metros.

Portugal não sofrerá directamente o impacto da Nils, mas sim de um sistema frontal que lhe está associado — a Nils levará os seus efeitos para França, onde pode chegar com os efeitos que a Kristin causou em Portugal. Será esse sistema frontal a arrastar quer o rio atmosférico, quer a massa de ar quente e húmida para cima da Península Ibérica. A chuva intensa será mais forte no norte e centro e sentir-se-á menos a sul. Ao longo de três dias.

O vento também voltará a soprar forte, com rajadas até 75 km/h, podendo atingir os 100 km/h nas terras altas, particularmente nas regiões a norte do rio Mondego. A agitação marítima continuará igualmente a ser forte na costa ocidental, prevendo-se ondas de noroeste com 4 a 6 metros, podendo atingir 11 metros de altura máxima a norte do Cabo Mondego, segundo o comunicado do IPMA.

O IPMA já emitiu avisos laranja e amarelos para chuva, vento e agitação marítima que duram até sexta-feira, 13. Para esta quarta-feira, estão sob alerta laranja para chuva intensa, entre as 6h00 e as 18h00, nove distritos: Santarém, Leiria, Coimbra, Viseu, Aveiro, Porto, Braga, Vila Real e Viana do Castelo. À excepção de Faro, Beja e Évora, os restantes distritos têm aviso amarelo para chuva, das 9h00 às 18h00.

Para vento, há alertas amarelos, das 12h00 às 21h00, para Castelo Branco, Guarda, Vila Real, Viseu, Braga, Viana do Castelo e Porto.

Para agitação marítima, há alertas laranja a partir das 15h00 desta quarta-feira e até às 15h00 de quinta em Coimbra, Aveiro, Porto, Braga e Viana do Castelo. O resto da costa está sob aviso amarelo.

Os alertas voltam para o final da tarde de quinta e madrugada de sexta-feira, 13, agora para o sul. Lisboa, Santarém, Portalegre, Setúbal e Évora terão de estar preparados para a precipitação forte entre as 18h00 de quinta-feira e as 6h00 da manhã sexta.

A 10 de fevereiro vamos já na letra N na nomeação de tempestades pelos sistemas do IPMA, AEMET (Espanha) e Météo-France (França), sendo que a Nils é a 14ª tempestade desta temporada, que começou em outubro. É o ano em que mais cedo se chega à letra N. Tal como foi o ano em que mais cedo se chegou ao M, com a Marta, a 5 de fevereiro. O M mais precoce até agora tinha sido o da Myriam, a 3 de março de 2020.

De outubro a dezembro houve seis tempestades, uma delas, a primeira, foi uma DANA, a Alice, que mal atingiu Portugal. Seguiram-se o Benjamim, a Claudia, a Davide, a Emilia e a Francis (também pouco nos chegou, começou no Mediterrâneo e provocou danos consideráveis em Itália). Mas desde janeiro somamos já, em menos de mês e meio, oito tempestades de grande impacto: a Goretti (6 janeiro), a Harry (16 janeiro), a Ingrid (20 janeiro), a Joseph (25 janeiro), a Kristin (27 janeiro), a Leonardo (2 fevereiro), a Marta (5 fevereiro) e, agora, a Nils (10 fevereiro).

Como é possível ver, neste comboio de tempestades, a maior distância foi de seis dias entre a passagem de duas (e houve frentes entre elas) e a menor de apenas dois dias (entre a Joseph e a devastadora Kristin, que nasceu de um núcleo da própria Joseph). O que levou à situação actual: barragens cheias, caudais de rios a transbordar, inundações, abatimentos, derrocadas e deslizamentos de terras.

Entre a madrugada desta quarta-feira e sexta, 13, em apenas três dias, este longo rio atmosférico associado à massa de ar quente e húmida (ambos vão entrar na zona fria da atmosfera e “cair” em forma de chuva), podem resultar em 50 a 100 mm de precipitação, e até atingir 100 a 200 mm nas zonas de maior altitude do centro e norte. Os distritos onde se esperam os valores de precipitação mais altos são os que ficam no litoral, acima de Lisboa: Leiria, Coimbra Aveiro, Porto, Braga e Viana do Castelo.

Chegamos assim a sábado, 14, dia dos namorados. As boas notícias é a de que as temperaturas (ainda) serão amenas (máximas que podem chegar aos 15ºC/16º e mínimas entre os 9ºC/10ºC até lá), a chuva terá passado apenas apenas a aguaceiros fracos e o sol até vai aparecer. Será assim, pelo menos, até terça-feira de Carnaval, dia 17. Dias sem chuva, pela primeira vez desde o início do ano. Mas já com mais frio, porque ar árctico entrará pelo norte e vai impor, pelo menos, geadas, talvez até neve, ainda é incerto. Mas, seguramente, uma queda das temperaturas em 3/4 graus. E ainda não será tempo para a chuva se ir de vez: pode voltar a chover de forma mais intensa outra vez na quarta-feira de cinzas e haver um ou outro episódio mais forte de precipitação mais a norte.

Há, no entanto, um novo padrão atmosférico em formação: a partir deste fim-de-semana, o Anticiclone dos Açores parece ter acabado as férias nas Canárias, de onde parece também voltar mais forte depois deste longo descanso, para se instalar no seu local habitual, mais a norte. E isso  vai desfazer os bloqueios actuais, que têm permitido manter esta autoestrada de tempestades em direcção à Península Ibérica e também o caminho aberto para os rios atmosféricos. E trará um tempo menos extremo.

Isto porque o o fluxo polar também subirá mais para norte, tudo se encaixará e voltará a uma certa normalidade. Um final de fevereiro já a anunciar Primavera? Ainda é impossível fazer previsões finas a tão longo prazo, mas já é possível dizer com alguma certeza que parecem vir aí melhores dias.

METEOROLOGIA        CIÊNCIA

 

COMENTÁRIOS:

Maria da Luz Bueno: Mas quando é que o S. Pedro fecha as torneiras???

Paulo Valente: Filomena, para quê tantos ‘inserts’ a dizer a mesma coisas mas em diferentes línguas?

Paulo Machado: O mundo vai acabar. Temos que ter medo de tudo.

José Miguel Pereira > Paulo Machado: Valentão.

Pertinaz: Já chegou?

 

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