sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

 

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A afirmação do OBSERVADOR: agora também com resultados operacionais positivos

Em 2025, o Observador alcançou, pela primeira vez, de acordo com as suas contas provisórias, resultados operacionais positivos, algo a destacar num sector estruturalmente tão desafiante.

ANTÓNIO CARRAPATOSO Empreendedor, Presidente do Conselho de Administração Executivo e fundador do OBSERVADOR

OBSERVADOR, 12 fev. 2026, 13:4448

 

O OBSERVADOR tornou-se, neste século XXI, numa das referências do jornalismo de informação em Portugal. Afirma-se e diferencia-se por ser nativo digital e, fundamentalmente, pela sua independência editorial, pela sua qualidade, inovação, profissionalismo e contemporaneidade, bem como pela sua orientação para os leitores e ouvintes e para o interesse público.

Tal como acontece em muitos dos países democráticos mais desenvolvidos, o Observador assume editorialmente, um ponto de vista, exercido com transparência e responsabilidade e como parte integrante, diferenciadora e central da sua identidade. Em vez de se ancorar numa neutralidade forçada ou dissimulada, o OBSERVADOR optou por uma transparência editorial que considera mais honesta e intelectualmente exigente.

Mesmo operando num mercado de reduzida dimensão, marcado por promiscuidades entre o poder político, económico, corporativo e mediático, por deficiências estruturais de regulação e pela existência de posições dominantes, o OBSERVADOR posicionou-se, em relativamente pouco tempo, entre os grupos de comunicação social com maior impacto e influência. Fê-lo sem dispor, até ao momento, de um canal de televisão, com base numa plataforma multimédia digital, com um orçamento anual que hoje é de cerca de 9 milhões de euros e com uma equipa total de apenas 160 colaboradores, ou seja, com recursos muito mais limitados face aos de outros grupos concorrentes.

A origem

A origem do OBSERVADOR remonta ao final de 2011, quando António Carrapatoso e Rui Ramos, na sequência de outras iniciativas de cidadania, começaram a ponderar a criação de um novo órgão de comunicação social em Portugal, de base digital e focado na informação. Neste contexto, tomaram conhecimento de que José Manuel Fernandes teria uma ideia semelhante e, conhecedores do seu percurso, promoveram com ele um encontro que revelou uma elevada sintonia quanto às linhas essenciais de um projeto a lançar.

Foi assim que surgiu o Observador, inicialmente com três promotores e fundadores, aos quais se juntou, alguns meses depois, um quarto fundador, Duarte Schmidt Lino. Após um período de maturação conceptual, definição do modelo operativo, contactos institucionais e escolha da equipa de arranque, os fundadores estabeleceram o modelo de governação, o perfil e a lista de potenciais investidores a desafiar, bem como o momento adequado para o lançamento do projeto.

O OBSERVADOR nasceu para o público em maio de 2014, no Bairro Alto, em Lisboa (estando hoje sedeado em Alvalade), com uma equipa de cerca de 40 colaboradores, em instalações que num passado já longínquo foram ocupadas pelo Diário Popular.

Factores-chave da afirmação do Observador

A forte afirmação do Observador em Portugal resulta de um conjunto de cinco principais fatores estruturais e estratégicos, que se reforçam mutuamente.

1. Um ponto de vista assumido, claro e transparente

Desde a sua fundação, o OBSERVADOR assumiu explicitamente um ponto de vista enquadrado em determinados princípios e valores, expressos no seu Estatuto Editorial (ver texto completo). Não perfilha qualquer programa político, mas sim um olhar próprio sobre o país e o mundo, debate que pretende promover de forma aberta, ultrapassando mitos, tabus e receios que têm prevalecido na nossa sociedade.

Esse ponto de vista assenta na valorização da liberdade, da iniciativa, da independência, da autonomia e da qualificação, educacional e cultural, dos cidadãos e das suas organizações; na promoção da participação activa da cidadania para o reforço da democracia; na defesa de uma sociedade aberta, flexível e plural, assente na igualdade de oportunidades; num Estado responsável e credível, focado nos seus atributos essenciais, eficiente, ao serviço dos cidadãos, libertando-os e não os explorando, e não capturado por interesses políticos ou corporativos, capaz de assegurar serviços públicos abrangentes de qualidade, não necessariamente por ele prestados; num modelo social solidário, sustentável e justo, nomeadamente entre gerações, com proteção dos mais desprotegidos e incapacitados, não desincentivando o trabalho nem facilitando fraudes e  aproveitamentos indevidos; em mercados abertos, concorrenciais, bem regulados e livres de abusos de posição dominante que não inibam a inovação e o surgimento de novos actores; na defesa da identidade e comunidade nacionais; e no compromisso com a sustentabilidade ambiental, numa convivência salutar com a natureza.

Este ponto de vista manifesta-se e é aplicado de forma diferente nas áreas de Opinião e de Informação, que se encontram claramente distintas e com responsáveis próprios. Na Opinião, a maioria dos colunistas regulares insere-se, no essencial, com pontuais excepções, dentro do ponto de vista do OBSERVADOR, sem prejuízo de uma grande variedade de olhares e posições, da responsabilidade de cada autor, decorrentes da abrangência do ponto de vista adoptado. O OBSERVADOR não pretende, na Opinião, ser como que uma pequena Assembleia da República, sendo que o conjunto do mercado assegura a pluralidade dos pontos de vista.

Já na INFORMAÇÃO, seja no jornal ou na rádio, os jornalistas cobrem todos os temas relevantes que entendem cobrir, considerando em especial os que decorrem das preocupações do OBSERVADOR, e, em qualquer caso, procurando introduzir novas e enriquecedoras abordagens, perspetivas e questões. Interagem e escrutinam proactivamente todos os actores e poderes existentes, independentemente da sua orientação política, ideológica ou institucional e da função que desempenham; o mesmo sucede nas entrevistas, comentários e programas de debate político. O compromisso é com a verdade factual, o contraditório, o interesse público e os padrões profissionais do jornalismo de qualidade.

2. Visão, estratégia clara e gestão profissional

A visão do OBSERVADOR foi, desde o início, criar um órgão de comunicação social de referência em Portugal, com a diferenciação já referida. A estratégia passou por desenvolver, de forma gradual e integrada, uma plataforma multimédia: primeiro um jornal digital, depois uma rádio, áudio e podcasts, eventos, revistas e, progressivamente, vídeo, explorando sinergias e reforçando a presença junto do público.

Existe uma grande continuidade e consistência na visão e na estratégia do OBSERVADOR, e a gestão do projecto sempre assentou em princípios de profissionalismo, planeamento, controlo financeiro, transparência e envolvimento das equipas, criando uma base sólida para a sustentabilidade.

3. Um modelo de governação claro e responsável

O modelo de governação do OBSERVADOR foi definido pelos fundadores desde o início e separa propriedade, supervisão e gestão. Existe uma Assembleia Geral de acionistas, que elege um Conselho Geral e de Supervisão (onde estão representados os maiores acionistas e que dá parecer obrigatório sobre o orçamento e acompanha a execução da estratégia) e um Conselho de Administração Executivo, composto pelos quatro fundadores.

Este último é responsável pela estratégia, e pela gestão operacional e editorial do OBSERVADOR, designando todos os directores de topo, desde logo o director-geral.. Este modelo exige um elevado grau de responsabilidade e de ética por parte dos fundadores, que actuam como guardiães da independência, do ponto de vista, da visão e dos valores do projecto, da linha editorial prosseguida e da vontade de inovar.

4. Estrutura acionista estável e alinhada no essencial

A estrutura accionista do OBSERVADOR foi desenhada para ser robusta, para se identificar com a independência editorial do projecto e é composta por um accionista maioritário e um conjunto alargado de outros accionistas, num total de 21, 20 dos quais presentes desde o início do projecto (ver ficha técnica). Os accionistas distinguem-se pelo seu alinhamento com os valores do OBSERVADOR, forte sentido de responsabilidade social e compromisso com a verdade e a transparência.

A estabilidade dos accionistas e o seu contributo e apoio resiliente foram essenciais para o arranque e para a consolidação do projecto.

5. Organização, equipa e cultura

O OBSERVADOR nasceu como uma start-up e manteve uma cultura organizacional flexível, colaborativa, motivadora, desburocratizada, pouco hierárquica e sem “quintas”. Todas as áreas — editorial, comercial, tecnológica, financeira e administrativa — são importantes e estão alinhadas em torno dos seus objectivos comuns: construir um jornal e uma rádio de referência em termos de independência e jornalismo de qualidade. Em momentos de intensa actividade informativa, seja numa tragédia, numa crise ou simplesmente num acto político mais relevante, todos se mobilizam rapidamente e de forma voluntária.

O recrutamento da equipa sempre procurou equilibrar a experiência trazida com a atitude e o potencial dos candidatos, muitos deles no seu primeiro emprego, promovendo a formação contínua, a polivalência e dando oportunidades de crescimento. A qualidade demonstrada pela equipa tem sido determinante para a afirmação do OBSERVADOR.

Sustentabilidade económica e resultados

Ficou claro para os fundadores e foi acordado desde o início com os investidores e futuros accionistas que o projecto, para além da sua natureza ética e de responsabilidade social, deveria ambicionar alcançar a sua sustentabilidade económico-financeira. Só assim deixaria de ser necessário recorrer regularmente aos accionistas. Estes, por sua vez, sempre foram exigentes, encontrando eco na disciplina orçamental da gestão, sendo também criteriosos nos contributos de capital que foram prestando. No seu conjunto, os contributos prestados durante doze anos ascendem a cerca de 12,2 milhões de euros, acrescidos de 2,2 milhões em prestações suplementares, permitindo investimentos significativos na aquisição de frequências, e deter uma dívida bancária praticamente nula.

As receitas do OBSERVADOR assentam numa base diversificada e crescente de anunciantes e num crescimento consistente do número de assinantes, que hoje já são mais de 35 mil.

O OBSERVADOR tem registado nos últimos anos um crescimento das receitas perto dos 20% muito acima do mercado que se encontra quase estagnado.

Em Portugal, alcançar a sustentabilidade económico-financeira é um objectivo especialmente difícil para um órgão de comunicação social focado na informação (e de qualidade) e sem as receitas do entretenimento.

Em 2025, o OBSERVADOR alcançou, pela primeira vez, de acordo com as suas contas provisórias, resultados operacionais positivos, algo a destacar num sector estruturalmente tão desafiante.

Evolução dos resultados operacionais do OBSERVADOR desde a sua fundação

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Conclusão

O OBSERVADOR nasceu da sociedade civil, não de interesses políticos ou empresariais, e não promove projectos ocultos. O alcance de resultados operacionais positivos em 2025 constitui um marco raro e muito relevante – e o desafio futuro será manter e reforçar essa sustentabilidade, mantendo e reforçando a qualidade e a relevância do jornalismo praticado.

Num mundo marcado pela proliferação de plataformas digitais, redes sociais e pelo desenvolvimento da inteligência artificial, o OBSERVADOR, que tem vindo a investir nas competências tecnológicas necessárias, acredita que o jornalismo independente, rigoroso, verdadeiro e com curadoria responsável será cada vez mais valorizado. O que essencialmente nos anima é o interesse público e a convicção de que o jornalismo que praticamos é indispensável para termos uma sociedade, e um país, mais informada, mais exigente e mais livre, ambicionando e trabalhando para um futuro melhor.

COMUNICAÇÃO SOCIAL     MEDIA     SOCIEDADE    OBSERVADOR


 

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