Um daqueles “que por obras valorosas se vão da lei da morte libertando” - aplicável, de facto, hoje, a outros receptores, mas nos tempos actuais, de críticos bem instalados e conhecedores dos vícios – das virtudes também – genéricos, um desses com serventia para uma chefia da nação também se pode incluir entre os tais, pese embora os diversos tipos de escrúpulos em o aceitar. Defeitos e qualidades, eis o que não falta a ninguém. Houvera outros concorrentes e outros dados surgiriam. Que sabemos nós? Dos dois candidatos – um, dos estardalhaços provocantes, outro, da seriedade – intencional? – qual interessa escolher? Que Deus nos valha, sempre, pobrezinhos que somos! Mas há mais quem nos possa valer… Por essa Europa fora, habituados que estamos, Virgem Santíssima!…
Virtudes ou regras?
Afinal, a pátria não é um enorme colégio interno, nem a democracia
um passeio de virtudes; é um sistema de regras.
MARGARIDA BENTES PENEDO Arquitecta e deputada municipal
05 fev. 2026, 00:1620
Se, em lugar de eleitores e
votos, o Presidente da República fosse escolhido pelos analistas dos jornais e
televisões, ganhava “a decência” – contra
a indecência, claro; ganhava “a democracia” – contra o risco de
brutalidade e ditadura; ganhava “o
coração” e “o humanismo” – contra o gelo da ambição racional. Tais
proclamações fazem lembrar os romancistas de baixa qualidade que descrevem “a
noite escura”, ou “o Inverno frio”, sem perceberem que não é notícia. A luz da noite só tem interesse literário
se for clara, e o dia de Inverno se for quente. Dispensamos
que os próceres do mundo mediático declarem a preferência deles pela virtude e
a rejeição do vício. Proponho
o seguinte: partamos do princípio
de que todos queremos o melhor para o país, somos adultos e os candidatos à
chefia do Estado devem ser escolhidos por critérios políticos. Afinal, a
pátria não é um enorme colégio interno, nem a democracia um passeio de
virtudes; é um sistema de regras.
Da mesma maneira, o Estado não é um tutor moral; é uma
garantia de condições para a vida comum. E se não escolhemos um candidato
pelas virtudes proclamadas, temos liberdade para escolher o critério político;
a função presidencial assenta em
limites constitucionais, em tradições e numa visão pessoal, que não tem de
caber num fato exclusivamente protocolar. Cada Presidente pode escolher, como
orientação geral do mandato ou em cada circunstância, o grau e o modo de
intervir na vida pública. Essa
intervenção não é arbitrária; ela depende da interpretação política do mandato
constitucional. O Presidente da República não é um pai da nação. Ninguém espera
que a eduque.
Se não é para educar a nação e
se rejeitarmos olhar para os cidadãos como menores
tutelados, qual é o propósito dos juízos morais? Se “a
decência” de um país depende de um único indivíduo, então o próprio acto
eleitoral perde sentido. Eis uma
parte da irracionalidade que leva os analistas a diminuir os cidadãos e a
desviar o debate do que verdadeiramente importa: o
exercício do cargo. Dos
limites constitucionais à tradição democrática, o tempo tornou legítimo o
entendimento interventivo da Presidência. Como, de resto, confirmam as práticas
dos anteriores titulares: todos os presidentes influenciaram a governação;
basta ler as memórias deles ou os jornais da época.
André
Ventura anunciou e explicou, durante a campanha, a maneira como entende
o cargo. A intervenção que ele propõe tem a força desse compromisso prévio: não
é dissimulada, escondida do público, praticada entre as intrigas dos
corredores; é uma intervenção franca e aberta ao
país. Tem a direcção política própria de quem olhou, interpretou, compreendeu e concluiu. Um
pacto de responsabilidade que uma eleição pessoal e directa reforça com a
claridade dos números. Aparentemente,
André Ventura confia no escrutínio democrático ao ponto de submeter à aprovação
do país as intenções mais discutíveis. É mais do que estamos habituados a
esperar de um Presidente da República.
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COMENTÁRIOS (de 24):
José B Dias: Proponho o seguinte: partamos do princípio de que
todos queremos o melhor para o país, somos adultos e os candidatos à chefia do
Estado devem ser escolhidos por critérios políticos. Afinal, a pátria não é um
enorme colégio interno, nem a democracia um passeio de virtudes; é um sistema
de regras. E eu secundo esta proposta! ana rita: O mais perigoso não é
o assumido, mas o dissimulado que veste a máscara da moderação enquanto corrói
a sociedade por dentro. Proponho
o seguinte: partamos do princípio de que todos queremos o melhor para o país,
somos adultos e os candidatos à chefia do Estado devem ser escolhidos por
critérios políticos. Afinal, a pátria não é um enorme colégio interno, nem,
a democracia, um passeio de virtudes; é
um sistema de regras. E eu
secundo esta proposta! ana rita: O mais perigoso não é o assumido, mas o dissimulado que
veste a máscara da moderação enquanto corrói a sociedade por dentro. SDC Cruz: Cara Margarida Bentes Penedo, a sua crónica
esta excepcional! Gostei particularmente da crítica à infantilização da
democracia. Ao rejeitar a ideia do Presidente como “pai da nação” ou
educador moral, defende uma concepção adulta do regime democrático: cidadãos
responsáveis, escolhas políticas claras e escrutináveis, e um Estado que
garante regras, não almas puras e singelas. Essa abordagem é refrescante
num espaço público saturado de slogans edificantes e alarmismos vazios. Mas
a sua crónica ganha ainda mais força ao sublinhar que a intervenção
presidencial não é um desvio, mas uma tradição legitimada pela prática
democrática. Ao recordar que todos os Presidentes influenciaram a
governação, desmonta-se a hipocrisia selectiva com que se condena hoje aquilo
que ontem foi aceite — ou mesmo celebrado. Por fim, o seu último
parágrafo devia ser afixado à entrada de todas as redacções, a começar, aqui,
no Observador. Reconhecer a clareza política de André Ventura,
independentemente do juízo que se faça sobre ela, é um exercício de honestidade
intelectual pouco comum. Valorizar a frontalidade, o compromisso assumido
perante os eleitores e a submissão explícita ao escrutínio democrático é
defender a democracia como ela deve ser: um confronto aberto de visões, não um
concurso de boas intenções proclamadas. Maria Cordes: AV foi diabolizado até à quinta casa pelo
sistema, pela comunicação social, amparada pelo sistema, e pelos decanos do
sistema. Nada que não fosse esperado, embora a romaria dos últimos dias, possa
ser encarada para um futuro study case. O seu programa é disruptivo. Os
privilégios de uma casta, ou bolha seriam desmantelados. Verdade. Mas na base
do fracasso está a incompetência. Quando surge um cv, abismamos, universidades
de vão de escada, e cursos de papel e lápis, madrassas, isto não vai a lado
nenhum. É o que temos e não há milagres. A faceta histriónica, também não
lhe facilita a vida. Mas que razão, não lhe falta, é verdade. O rei vai nu,
para mal dos nossos pecados. victor
guerra: Mas a
nova União Nacional, de interesses e confortos instalados, prefere a
continuidade ...instalada Miguel
Macedo: Muito bem! Como sempre! Joana S.
Cardoso > Américo Silva: Atenção, que ninguém se engane : a eutanásia
não é uma "morte assistida", é uma morte PROVOCADA. Rosa
Graça: Muito
bem. Mario
Figueiredo: Pois.
Conversa da treta. Moralismos há dos dois lados. Deixe-se de lamúrias! O Chega
não gosta de frouxos. Não fosse o André Ventura o campeão dos coitados contra
as elites maldosas, o representante dos portugueses de bem, a vítima das más
intenções dos outros e o grande paladino da decência. graça
Dias: Caríssima
Margarida Bentes Penedo: Um artigo de excelência. O subtítulo deste texto com um
pensamento analítico atento e bem estruturado, diz tudo sobre as muitas
fragilidades e vícios instituídos na nossa democracia. Obrigada. Paulo
Almeida: Excelente
texto a tocar no íntimo do acto eleitoral. Infelizmente muitos não reflectem
sobre isto e preferem juntar-se à tribo dos "democratas" e dos
"decentes". Ninguém quer ficar rotulado como mauzinho, mas a
sociedade está cheia deles. Sandra Almeida > SDC Cruz: Se me permite, excelente comentário! TM C: Certíssima. Vamos ver o
Presidente que o povo vai escolher no domingo. José Costa-Deitado: Texto certíssimo, lúcido, adulto e, sobretudo,
politicamente honesto. Margarida Bentes Penedo desmonta com elegância essa
velha tentação paternalista do comentariado: tratar a democracia como um
internato moral e os eleitores como menores a precisar de lições de “decência”.
A ideia é simples e profundamente democrática: o Estado não é um tutor moral, o
Presidente não é um pai da Nação e as eleições não são concursos de boas
maneiras. Escolhem-se projectos, leituras constitucionais e modos de exercer o
cargo — não virtudes proclamadas em horário nobre. Gostando-se ou não dele, André Ventura teve o mérito raro
de dizer ao que vinha e de submeter as suas intenções ao escrutínio directo dos
cidadãos. Isso chama-se política. O resto é moralismo confortável — e profundamente
antidemocrático. Proponho o seguinte: partamos do princípio de que todos queremos o
melhor para o país, somos adultos e os candidatos à chefia do Estado devem ser
escolhidos por critérios políticos. Afinal, a pátria não é um enorme colégio
interno, nem a democracia um passeio de virtudes; é um sistema de regras.
E eu secundo esta proposta! ana rita: O mais perigoso não é o assumido, mas o
dissimulado que veste a máscara da moderação enquanto corrói a sociedade por
dentro. Maria Cordes: AV foi diabolizado até à quinta casa pelo
sistema, pela comunicação social, amparada pelo sistema, e pelos decanos do
sistema. Nada que não fosse esperado, embora a romaria dos últimos dias, possa
ser encarada para um futuro study case. O seu programa é disruptivo. Os
privilégios de uma casta, ou bolha seriam desmantelados. Verdade. Mas na base
do fracasso está a incompetência. Quando surge um cv, abismamos, universidades
de vão de escada, e cursos de papel e lápis, madrassas, isto não vai a lado
nenhum. É o que temos e não há milagres. A faceta histriónica, também não lhe
facilita a vida. Mas que razão, não lhe falta, é verdade. O rei vai nu, para
mal dos nossos pecados. ... SDC Cruz: Cara Margarida Bentes Penedo, a sua crónica
está excepcional! Gostei
particularmente da crítica à infantilização da democracia. Ao rejeitar a
ideia do Presidente como “pai da nação” ou educador moral, defende uma
concepção adulta do regime democrático: cidadãos responsáveis, escolhas
políticas claras e escrutináveis, e um Estado que garante regras, não almas
puras e singelas. Essa abordagem é refrescante num espaço público saturado
de slogans edificantes e alarmismos vMas a sua crónica ganha ainda mais força ao
sublinhar que a intervenção presidencial não é um desvio, mas uma tradição
legitimada pela prática democrática. Ao recordar que todos os
Presidentes influenciaram a governação, desmonta-se a hipocrisia selectiva com
que se condena hoje aquilo que ontem foi aceite — ou mesmo celebrado. Por
fim, o seu último parágrafo devia ser afixado à entrada de todas as redacções,
a começar, aqui, no Observador. Reconhecer a clareza política de André Ventura,
independentemente do juízo que se faça sobre ela, é um exercício de honestidade
intelectual pouco comum. Valorizar a frontalidade, o compromisso assumido
perante os eleitores e a submissão explícita ao escrutínio democrático é
defender a democracia como ela deve ser: um confronto aberto de visões, não um
concurso de boas intenções proclamadas…. victor guerra: Mas a nova União Nacional, de interesses e confortos instalados, prefere
a continuidade ...instalada Miguel Macedo: Muito bem! Como sempre! Rosa Graça: Muito bem. Mario Figueiredo: Pois. Conversa da treta. Moralismos há dos
dois lados. Deixe-se de lamúrias! O Chega não gosta de frouxos. Não fosse o
André Ventura o campeão dos coitados contra as elites maldosas, o representante
dos portugueses de bem, a vitima das más intenções dos outros e o grande
paladino da decência.
Joana S. Cardoso > Américo Silva: Atenção, que ninguém se engane : a eutanásia
não é uma "morte assistida", é uma morte PROVOCADA. TM C: Certíssima. Vamos ver que o povo vai
escolher Presidente no domingo.
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