Sobre este repenicar
opinativo fruto das nossas convicções de competência e parcialidade:
Zita
Silva > Tim do A: Essa é
a mentalidade que se alastra a cada dia:
destruir o que há e substituir pelo caos, pela incivilidade e fanatismos de
época. Zero acção politica a sério, de transformação para desenvolvimento económico
e social do pais.
Mesmo
que demore não dura
Quem porá fim a
esta operacionalidade politica inviável com três grandes blocos partidários de
peso quase igual que animam o parlamento e desanimam a política? Não se sabe,
sabe-se que não pode durar.
MARIA JOÃO
AVILLEZ Jornalista,
colunista do Observador
OBSERVADOR, 25 fev. 2026, 00:2627
1A ilusão com que “se” espera por
António José Seguro é eloquente e
perigosa. Mas é, sobretudo, inversamente proporcional ao que o espera a ele:
um país fragmentadíssimo, instituições fragilizadas
como nunca desde 1974; a perda da autoridade do Estado; um sistema de partidos
cuja natureza dita a sua própria improdutividade; um governo praticamente
bloqueado no seu funcionamento; uma operacionalidade política inviável por se
fazer com – e através – de três grandes blocos partidários de peso quase igual
que animam o parlamento e desanimam a política; o ar mediático contaminado pela
prática do desrespeito e um universo político que desistiu das boas maneiras.
Os recentes desastres naturais de rara dimensão e prejuízo,
ensombraram ainda mais um estado de coisas onde elas em vez de se concertarem,
se dissolvem na acusação política e no desacerto.
Não se sabe o que vai na
cabeça de uns e outros. Parece o fim de alguma coisa como aqueles restos
deixados pela fúria das águas quando elas se foram embora.
2Como se fosse pouco (mas
talvez não pudesse ser de outra maneiras)
há uma concorrência malsã nas fileiras das duas oposições: de um lado um PS agora agarrado a António José Seguro,
o inesperado “benfeitor” que pode salvar a família de um naufrágio político.
Ou melhor, que os socialistas não
escondem esperar que ele salve. Não nos revelou José Luís Carneiro que está a
contar “com o contributo” (contributo?) do Presidente da República
eleito para que “o Governo possa responder às propostas que o PS tem vindo a
fazer ao longo destes meses”? Ou que “o PS agora tem uma voz em Belém” (uma voz?). Não me
impressiono porque não acredito, mas fica–se esclarecido.
Já se notara que o líder do PS está sempre disponível a colaborar
com o governo em nome da saúde da pátria desde que… o Executivo cumpra o guião
socialista, as suas propostas, as suas medidas, o seu entendimento do que deveria
ser o modus operandi governativo.
3André
Ventura qualquer dia mete medo. O seu regresso ao palco parlamentar
foi quase selvático; nos decibéis; no
histrionismo; na exaltada retórica sempre desorganizada, sempre
desproporcionada, onde se misturam alhos com bugalhos, se desconhece o uso do
critério e se agride, acusa e ficciona. Diante do país, André Ventura praticamente acusou o chefe do governo
– é só um exemplo – de ter atirado dos telhados abaixo os portugueses que
tentavam heroicamente reparar as suas casas e tiveram a infelicidade de cair.
Uma vergonha sem medida. Não é novo? Não, é apenas humilhante e extenuante, (em
partes iguais). Novo é que o massacre do Chega ao PSD se agigantará, galgando
sofregamente o irracional (até à destruição de um deles?)
Mas que importa – e a quem importa na verdade? – esta
galopante desqualificação da prática da política? No dealbar de um novo ciclo
político num país ancorado em nada, talvez haja porém alguém que se importe.
4Que se passará na cabeça do
secretário geral da UGT? Já foi assimilada, capturada, auto-desqualificada
também ela? Nesse caso de que nova
UGT estamos a falar?
Deixou de ser suficiente continuar a – “culpar” exclusivamente o
governo de se ter “preparado mal” para lançamento de uma reforma com alcance da
reforma laboral. Ou dizer – o que era verdade mas era apenas uma das faces da
verdade – que ninguém tinha preparado a Sra. ministra para uma negociação de
natureza política: empreitada por definição incomparável com qualquer outro
tipo de negociação. Ainda em campanha, António José Seguro que tinha de falar para a esquerda, não só se mostrou muito crítico
da reforma como quase transferiu para a UGT o poder da decisão final. A
desenvoltura assertiva com que o fez pode ter amparado o seu debilitado partido
e a própria UGT neste combate contra o governo. Admito. O desfecho será a
descaracterização total da reforma (já esteve mais longe) ou a sua
ingloriamente prematura morte. O país ficou ainda mais pequenino.
De
novo não se alcança o que querem uns e outros quando todos os dias acusam o
actual executivo de não reformar Portugal mas de caminho vetando tudo ou quase
tudo de parecido -só parecido – com uma reforma. (e que faria se fosse mesmo
uma reforma!).
Olhando de fora para tudo isto não
parece politicamente verosímil acreditar que a barca governativa chegue a bom
porto. Mas o que começa a ficar claro é que os responsáveis pela intercepção da
viagem estão em maior número fora da barca do que lá dentro.
De tal modo quase tudo
disfuncional e as vezes até disruptivo.
5E o Presidente eleito?
António José Seguro convenceu os portugueses porque lhes surgiu antes do mais como “uma
pessoa normal”. Alguém normal, com uma família normal, uma carreira política
normal, uma vida normal, um republicano normal.
O Presidente eleito sabe que terá de fazer o seu lugar. Falou mais de uma vez “estabilidade”
porque vai ter de lidar com o maior produtor de instabilidade que é o actual
sistema de partidos; e assim sendo também sabe da imperiosa necessidade de
criar condições políticas para a evolução do nosso tóxico enredo partidário: em
direcção a uma maioria estável e coerente, naturalmente.
Como ? Ver-se-á.
Como
me parece que se verá a também imperiosa necessidade do regresso da autoridade
do Estado; ou – outro exemplo do que intuo que Seguro sabe – a procura da
reconstrução de consensos em política externa: face a um outro mundo, diante de
novas concepções geoestratégicas e numa Europa a tentar reconstruir-se e
reprogramar-se.
COMENTÁRIOS (de 27)
António José
Seguro Mais
votados, 7 Todos, 27
AFJ O problema é o entendimento do que são
reformas. Para um grande e conhecido bloco eleitoral, "reformas" é
deixar tudo na mesma, veja se a votação de António Costa. Para outros
"reformas" é resolver os problemas da saúde. Para outros,
melhores salários, para outros resolver a vergonha que é a justiça. Têm
todos algo em comum, ninguém quer pagar o "preço" das ditas reformas.
Portanto, todos querem mudanças desde que não sejam incomodados, ou vejam
incomodados os seus interesses. E, obviamente, assim não vamos lá, seja quem
for o presidente, seja quem for o governo. João
Floriano: Sempre
li Maria João Avillez. Já concordei mais com a cronista no passado do que
agora. Sem querer
extrapolar o pensamento de MJA, mas já extrapolando, julgo ler nas
entrelinhas que a situação de três forças partidárias que a incomoda, se
resolveria se uma delas desaparecesse do Parlamento ou ficasse de tal modo
reduzida que passasse a irrelevante. Mas é a democracia, ou o que
resta dela em funcionamento . É assim que as recentes legislativas determinaram
e será com esta configuração que temos de viver. Portanto linhas vermelhas
que de repente passaram novamente a existir ( o caso por exemplo da
Câmara Municipal de Cascais), os ataques ferozes que se intensificaram na CS,
vão ainda lançar mais sal sobre a ferida que cada vez está mais assanhada.
A propósito dos ataques de André Ventura ao governo, Maria João Avillez não se
pronunciou sobre o edificante e interessante bate boca entre a Presidente da
Câmara Municipal de Coimbra e o Ministro da Agricultura. Tudo acabou com
abraços, não sei se umas lagrimitas de crocodilo da autarca e o perdão do
ministro porque não há nada que melhor se misture com política do que
religião. Não sei a quem rendeu mais o abraço final. se a Ana Abrunhosa, se ao
governo. O último grande pontapé nas nádegas esquálidas da nossa democracia foi
a votação em Seguro. Aceito perfeitamente que Seguro tenha maior votação do que
Ventura. Era expectável e compreensível já que na primeira volta Seguro ficou à
frente de Ventura por cerca de 7,6%. Seguro teria certamente ganho sem que a
dita direita se tivesse rebaixado, humilhado, prestado vassalagem, votado ao
lado da esquerda e da extrema-esquerda. No final da crónica são apontadas duas
grandes linhas de acção para o novo presidente (não é o meu presidente porque
eu nunca votei em socialistas): promover uma maioria estável e coerente naturalmente.
Que me desculpe a cronista mas atrevo-me a dizer que o CHEGA apesar dos
muitos portugueses que nele votam, não entra neste novo paraíso de estabilidade
(há quem teimosamente continue a
insistir na visão do pântano). Restabelecer a autoridade do Estado.
Poderá começar por a restabelecer internamente o que seria muito bom, já
que externamente e sob a direcção de Paulo Rangel iremos a reboque
da UE . O grande papel de Seguro será no entanto recuperar o PS. E não
precisa de fazer grande coisa ou falar muito. A CS fala por ele e sempre que
necessário estará pronta para lembrar como Seguro chegou a Belém. Mas também
Costa chegou a S. Bento por um caminho fora do habitual e que causou todo este
imbróglio em que estamos metidos. O que nasce torto, tarde ou nunca se
endireita, lá diz o povo. Tim do A: Qual irá ser o partido a acabar primeiro?
O PS ou o PSD? O Chega ficará. P.S.: Hoje a UGT é um sindicato de extrema-esquerda
paralisante. Igual à CGTP. m s: Outra vez Ventura! É uma mania, uma
focagem ou uma compulsão. Neste contexto de saúde, a análise é
inevitavelmente igual à análise do dia anterior. Ventura seria a outra
face da moeda política se esta não estivesse cunhada de ambos os lados com a
bucólica quietude dos dias. maria
santos: Pois é,
o sufrágio universal é uma maçada, menina, uma maçada de monta! Estava
tão bem quando era a dois,
o Soares para aqui, o Rui Rio para ali, o Freitas para aqui, o Paulo Portas
para ali, o Montenegro para aqui e a Leitão mais a Isabel para ali. Embora
estas duas sejam um pouco excessivas, mas são de bem, são do meio, é o que
importa. Todos ligados à elite
dirigente há 40 anos, ou aos
organismos de representação institucional pós 25/Novembro, dos
partidos na AR para os Tribunais Superiores (STJ, STA, Contas), para a direcção
da saúde, para a direcção do ensino, para a direcção da segurança interna et cetera. Todos a passarem dos
organismos dirigentes da Função
Pública para a Política como ministros e tal, não há diferença estatutária entre
direcção da Função Pública e Política Partidária Governamental, o PS dixit e o PSD também. Todavia,
à direita conservadora deu-lhe
agora para a democracia, o Chega foi a votos e correu com o PS do 2º lugar. E continua a
subir. Uma maçada menina, esta do sufrágio
universal a três. Como diz a Maria João, o Presidente eleito
"sabe o que terá de fazer". Nós, classes médias, temos tempo. David Pinheiro: Cara Maria João, só vejo uma solução para
este marasmo: Pedro Passos Coelho.
Zita Silva
> Tim do A: Essa é
a mentalidade que se alastra a cada dia:
destruir o que há e substituir pelo caos, pela incivilidade e fanatismos de
época. Zero acção politica a sério, de transformação para desenvolvimento económico
e social do pais.
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