sexta-feira, 31 de julho de 2026

Parece indiscutível

 

O apoio da Justiça em factos, não em previsões de comportamentos ou suposições de culpa.

A JUSTIÇA COMEÇA ONDE A PREVISÃO TERMINA

Quando as probabilidades substituem os factos e as previsões antecipam o julgamento, a tecnologia deixa de servir a justiça para começar a redefini-la.

VICENTE FERREIRA DA SILVA Investigador do Centro de Investigação em Ciência Política da Universidade do Minho

OBSERVADOR, 31 jul. 2026, 00:20

Apoio que a decisão do Conselho Superior do Ministério Público de impedir o recurso à Inteligência Artificial (IA) para prever a probabilidade de condenação, estimar o risco de reincidência através de perfis automáticos ou sugerir medidas de coação afirma, com nitidez, os princípios essenciais do Estado de direito democrático. Porquê? Porque a justiça não pode ser convertida num exercício estatístico nem delegada em algoritmos que, por mais avançados que sejam, operam sobre padrões do passado e não sobre a apreciação individual de cada caso.

Quando as probabilidades substituem os factos e as previsões antecipam o julgamento, a tecnologia deixa de servir a justiça para começar a redefini-la. Nesse âmbito, a liberdade é progressivamente erodida, na medida em que o sujeito deixa de ser reconhecido como agente capaz de deliberar e agir para passar a ser tratado como portador de uma trajectória previsível. A contingência própria da acção humana – expressão mesma do livrearbítrio e da sua imponderabilidade constitutiva é comprimida por uma lógica de antecipação que tende a converter o possível em necessário. Ao fazêlo, não só se desfigura a responsabilidade moral, fundada na imputação de actos efectivos, como se institui um determinismo operativo em que o futuro é administrado como se já estivesse inscrito no presente.

A ficção científica, concretamente o Minority Report, de Philip K. Dick, oferece uma metáfora particularmente iluminadora. O sistema “PreCrime” permite deter pessoas antes de cometerem um crime, com base na previsão de acontecimentos futuros. Embora apresentado como quase infalível, o enredo demonstra que a confiança cega em mecanismos preditivos conduz à erosão das garantias fundamentais, substituindo a presunção de inocência por uma presunção de culpa. O protagonista, interpretado por Tom Cruise, tornase vítima do próprio sistema ao ser acusado de um homicídio ainda não ocorrido, revelando que a possibilidade de erro e a liberdade humana nunca podem ser eliminadas.

Claro que a realidade da IA contemporânea é distinta da ficção. Não obstante, o paralelismo é evidente. Um algoritmo que estime a probabilidade de condenação ou a propensão para reincidência não arrisca transformar correlações estatísticas em juízos sobre pessoas concretas? E em vez de avaliar factos, provas e comportamentos efectivos, não passaria a influenciar decisões com base naquilo que alguém poderá vir a fazer ou na forma como indivíduos semelhantes se comportaram no passado? Podem perguntar quais são os perigos? A substituição de factos por previsões tende a cristalizar enviesamentos e a corroer a igualdade de tratamento; ao mesmo tempo, fragiliza a imparcialidade judicial ao ancorar decisões em probabilidades em vez de actos concretos.

A proibição de recorrer à IA para sugerir medidas de coação é igualmente sensata. Estas medidas implicam restrições relevantes de direitos fundamentais, sobretudo da liberdade, e devem resultar de uma ponderação humana, fundamentada e contextualizada. A responsabilidade por essa decisão não pode ser transferida para sistemas automatizados cuja lógica interna é opaca e dificilmente escrutinável. A IA pode e deve modernizar a justiça, apoiando tarefas administrativas, pesquisa jurisprudencial, organização documental ou análise de grandes volumes de informação. Mas quando estão em causa decisões que afectam direitos, liberdades e garantias, a última palavra deve caber ao magistrado, que decide segundo a lei, a prova e a sua convicção fundamentada.

A Carta para a utilização ética da IA pelo Ministério Público traduz, assim, uma opção prudente e coerente com os valores constitucionais. Tal como Minority Report alerta para os perigos de sacrificar a justiça em nome da previsão, também esta Carta reconhece que a tecnologia deve apoiar a decisão humana, nunca substituíla quando está em causa a dignidade da pessoa, a presunção de inocência e o direito a um julgamento justo.

Importa recordar que nenhum sistema de IA produz previsões infalíveis. Os modelos trabalham com probabilidades derivadas de dados históricos, não com certezas sobre o futuro. Mesmo com elevada precisão, existe sempre margem de erro, gerando falsos positivos e falsos negativos. No contexto penal, onde se protegem liberdade, honra e presunção de inocência, essa margem não é um detalhe técnico: uma decisão baseada em probabilidade continua a ser uma decisão assente na incerteza, e não deve limitar direitos nem antecipar juízos sobre culpabilidade ou perigosidade.

Além disso, como já referido, o comportamento humano possui uma dimensão de liberdade e imprevisibilidade que escapa a qualquer modelo. As pessoas mudam, aprendem, alteram circunstâncias e tomam decisões que contrariam expectativas. A História está repleta de exemplos de indivíduos que desafiaram previsões, para melhor ou para pior. É essa capacidade de escolha que sustenta a responsabilidade individual e exige que cada caso seja julgado pelos factos, não por perfis estatísticos. Tratar probabilidades como certezas seria julgar pessoas por aquilo que poderão fazer, aproximandose perigosamente da lógica descrita no Minority Report.

Embora seja comum associar intenções moralmente condenáveis à probabilidade da sua concretização, essa relação não é necessária nem inevitável. Imaginar um acto mau não implica realizálo. A esfera do pensamento é distinta da acção, mediada por normas sociais, autocontrolo, juízo ético e circunstâncias.

É precisamente este problema que Minority Report explora: o sistema “PreCrime” assenta na equivalência entre intenção futura e acção inevitável, uma premissa profundamente discutível. Ao punir indivíduos por crimes não cometidos, elimina a escolha moral e nega a contingência da acção humana. Embora o “PreCrime” não seja um sistema de inteligência artificial, a crítica tecnológica, filosófica e jurídica que levanta – até que ponto é legítimo sancionar alguém por aquilo que ainda não aconteceu e que pode nunca vir a acontecer? – é igualmente válida para a IA quando aplicada à justiça penal.

Também aqui, a distinção entre pensar e agir tornase essencial para qualquer concepção robusta de responsabilidade moral e justiça, tanto mais que o comportamento humano permanece irredutivelmente livre, contingente e não inteiramente capturável por modelos estatísticos.

JUSTIÇA        MINISTÉRIO PÚBLICO

COMENTÁRIOS:

JOÃO FLORIANO: «A IA pode e deve modernizar a justiça, apoiando tarefas administrativas, pesquisa jurisprudencial, organização documental ou análise de grandes volumes de informação. Mas quando estão em causa decisões que afectam direitos, liberdades e garantias, a última palavra deve caber ao magistrado, que decide segundo a lei, a prova e a sua convicção fundamentada.» Sem dúvida. Protágoras dizia que o Homem é a medida de todas as coisas. Assim deve continuar a preponderância do Homem sobre a Máquina e não o contrário.

FILIPE AFONSO: Muito bom artigo.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Indeed

 


Os trocadilhos já antigos da minha amiga Ilda, a respeito da palavra Putin e seus derivados, vêm em apoio do texto infra:

Putinismo

Vladimir Putin

Putinismo ("regime de Putin") é a ideologia, as prioridades e políticas do regime de governo praticado pelo político russo Vladimir Putin.[1] O termo é utilizado na imprensa ocidental e pelos analistas russos muitas vezes com uma conotação negativa para descrever o sistema político da Rússia sob Vladimir Putin como presidente (2000-2008) e (2012-atual) e, posteriormente, como primeiro-ministro (2008-2012), onde grande parte da política e poderes financeiros são controlados por siloviki, isto é, pessoas com histórico de segurança do Estado, proveniente do total de 22 seguranças governamentais e agências de inteligência, como o FSB, a Polícia e o Exército.[2][3] Muitas dessas pessoas têm sua formação profissional com Putin, ou são seus amigos pessoais.[4][5][6][7][8][9][10] De acordo com o colunista Arnold Beichman, "O putinismo no século XXI tornou-se uma palavra de ordem tão significativa quanto o stalinismo no século XX".[11]

A foice e o martelo, ícones máximos da União Soviética, sob a bandeira da Rússia, símbolo da Rússia independente, marcam o sincretismo do governo de Putin

O sistema político de Putin foi caracterizado principalmente por parte de alguns elementos de liberalismo económico, a falta de transparência na governação, o nepotismo e a corrupção generalizada, que assumiu na Rússia de Putin "a forma sistêmica e institucionalizada", de acordo com um relatório de Boris Nemtsov, bem como outras fontes.[12][13][14][15][16][17] Entre 1999 e o outono de 2008, a economia russa cresceu a um ritmo constante,[18] que alguns especialistas atribuem à forte desvalorização do rublo de 1998, as reformas estruturais da era Yeltsin, o preço do petróleo e o crédito barato em bancos ocidentais.[19][20][21] Na opinião de Michael McFaul (junho de 2004), "o impressionante" crescimento económico de curto prazo da Rússia, "foi em simultâneo com a destruição da mídia livre, ameaças à sociedade civil e uma corrupção absoluta da justiça."[22]

Durante os seus dois mandatos como presidente, Putin assinou leis para uma série de reformas económicas liberais, tais como o imposto de renda fixo de 13 por cento, uma taxa de redução dos lucros, um novo Código Fundiário e uma nova edição (2006) do Código Civil.[23] Durante este período, a pobreza na Rússia foi cortada por mais de metade[24][25] e o PIB real cresceu rapidamente.[26]

Nas relações externas, o regime procurou imitar a grandeza da antiga União Soviética, com sua beligerância e expansionismo.[27] Em novembro de 2007, Simon Tisdall do The Guardian afirmou que "apenas a Rússia depois de exportar a revolução marxista, pode agora criar um mercado internacional para o Putinismo", como "mais frequentemente do que não, as instintivamente antidemocráticas, oligárquicas e corruptas elites nacionais consideram que uma aparência de democracia, com pompa parlamentar e um pretexto de pluralismo, é muito mais atraente e manejável, do que algo real."[28]

O economista dos EUA Richard W. Rahn (setembro de 2007) chamou o Putinismo de "uma forma nacionalista autoritária de governo russo, que finge ser uma democracia de livre mercado", que "deve mais de sua linhagem ao fascismo do que ao comunismo;"[2] observando que o "Putinismo depende da economia russa crescendo rapidamente o suficiente para que mais pessoas tivessem melhor qualidade de vida e, em troca, estivessem dispostas a colocar-se à branda repressão existente",[29] ele previu que "a prosperidade económica da Rússia mudou, o Putinismo é provável que se torne mais repressivo."[29]

O Doutor em história russa Andranik Migranyan viu o regime de Putin como restaurador do que ele acredita serem as funções naturais de um governo após o período da década de 1990, quando a Rússia foi supostamente governada por oligopólios expressando apenas seus interesses mesquinhos, além de outros autores.[30] Ele disse: "Se a democracia é a regra, por maioria e à protecção dos direitos e oportunidades de uma minoria, o regime político actual pode ser descrito como democrático, pelo menos formalmente. Um sistema político multipartidário existe na Rússia, enquanto várias entidades, a maioria delas representando a oposição, com assento na Duma do Estado."

Conceito

Os autores do estudo VTsIOM “O putinismo como fenómeno social e suas perspectivas” (2018) identificam três abordagens para caracterizar o “putinismo”:[31]

Putinismo como personalismo  - as características pessoais de Vladimir Putin são trazidas à tona, com base nas quais se conclui que, com a saída de Putin, o "Putinismo" chegará ao fim;[31]

PUTINISMO COMO “ANTIDEMOCRATISMO ORGÂNICO”, quando complexas violações de normas democráticas vêm à tona, cujas raízes os pesquisadores vêem na inclinação da população russa ao autoritarismo e à autocracia;[31]

PUTINISMO COMO FENÓMENO FUNCIONAL  - O "Putinismo" é visto como a resposta mais funcional aos desafios dos tempos.[31]

Como observa o historiador e cientista político americano Walter Lacker, uma definição bem-sucedida de "Putinismo" ainda não foi formulada. De acordo com o professor de ciência política Brian Taylor, "Putinismo" é tanto um sistema de governo (formal quanto informal) e um complexo de ideias, emoções e hábitos.[31]

O doutor em Ciências Políticas Stepan Sulakshin, analisando o conceito de "Putinismo", o considera como um regime político (a prática política tanto do líder com sua equipe quanto do grupo governante), que ele chama de "Estado privatizado".[31]

De acordo com o Hoover Institution Fellow Arnold Beichman (2007), “o putinismo no século XXI tornou-se tão comum quanto o stalinismo no século XX”  . Desde que chegou ao poder em 1999, "Putin inspirou bajulação do tipo que a Rússia não ouviu desde Stalin". Por outro lado, o jornalista britânico Roger Boyce considera Putin mais um Brezhnev moderno do que um Stalin.[31]

O colunista George Will chamou o "Putinismo" de " Nacional Socialismo desprovido do elemento demoníaco de seu descobridor". Alguns também observam que o actual Putin tem visões " neo-soviéticas", especialmente no que diz respeito à lei e ordem e defesa militar-estratégica.[31]

As primeiras referências ao Putinismo são de natureza publicitária, na Rússia apareceu pela primeira vez no site do partido Yabloko em 2000, mas tornou-se difundido após um artigo de William Safir para o The New York Times. O termo "Putinismo" foi introduzido no uso científico pelo cientista político Vyacheslav Nikonov em 2003 em relação ao sistema político que foi estabelecido na Rússia depois que Vladimir Putin chegou ao poder em 2000, e sua ideologia. Em fevereiro de 2019, Vladislav Surkov propôs o ideologema "O longo estado de Putin ", que actualizou entre os intelectuais o tema da ideia nacional, e apelou ao estudo do Putinismo como uma        "ideologia da vida quotidiana " do futuro.[31]

Putinismo como personalismo

O curso e regime político da Rússia, de acordo com as ideias dos personalistas, é determinado pela personalidade de Putin.  As características do culto à personalidade de Putin são a masculinidade e o machismo. Acredita-se que o culto à personalidade surgiu em 2002. A proporção no regime político moderno da Rússia de traços associados especificamente à pessoa do líder é avaliada de maneira diferente. No "regime de Putin" egocêntrico encontram-se traços do gaullismo  e mesmo do bonapartismo. A historiadora francesa MARLÈNE LARUELLE adverte contra a demonização de Putin e o descreve como um líder patriarcal que uniu a sociedade em torno da grandeza nacional e valores conservadores. O professor da Universidade de Berkeley Steven Fish descreve o Putinismo como uma forma de autocracia conservadora, populista e personalista que ele chama de forma de autocracia. M. A. Krasnov vê os pré-requisitos para um regime personalista na constituição da Federação Russa.[31]

 

Analogia com o czarismo

O jornal britânico The Economist aponta para a analogia do regime político sob Putin com a monarquia russa Romanov. Segundo a revista, Vladimir Putin, desde que chegou ao poder, vem tentando deliberadamente criar a imagem de um novo czar russo. Como o czar, ele apresenta-se como um "coleccionador de terras russas". Putin está tentando apresentar o período após o colapso da URSS não como uma transição para uma economia de mercado e uma democracia ao estilo ocidental, mas como um período de caos, reminiscente do Tempo das Perturbações no final do século XVI.[31]

A publicação também observa que os ex-colegas de Putin na KGB apoiaram voluntariamente tal analogia. Assim, em 2001, o chefe do FSB, Nikolai Patrushev, chamou a si mesmo e seus subordinados de "povo soberano" - a nova nobreza. Segundo o The Economist, uma nova classe dominante surgiu sob o governo de Putin, unida por parentesco, nepotismo e laços familiares. A publicação observa que muitos gerentes de alto escalão de empresas estatais nos sectores de petróleo e gás e bancário são filhos de amigos íntimos de Putin ou de seus colegas da KGB. Segundo a revista, eles vêem o seu enriquecimento rápido não como corrupção, mas como a devida recompensa pelo serviço fiel.[31]

Contrastando Putinismo e Democracia

Representantes desta corrente opõem o Putinismo aos valores ocidentais, apresentam-no como uma "anti-ideologia", explicando as suas causas pelo conservadorismo, nacionalismo e o "caráter russo", ao mesmo tempo em que postulam a disfuncionalidade do Putinismo associada à sua inconsistência com os modelos ocidentais de desenvolvimento.[31]

As principais características do Putinismo como antidemocratismo:[31]

antidemocratismo político (oposição fictícia, controle sobre a mídia, centralização do poder, etc.)

conservadorismo prático (resistência à mudança de fora, prioridade de estabilidade, etc.)

Os interesses nacionais da Rússia (imperialismo, antiamericanismo , etc.) tradicionalismo (xenofobia sexual, religiosidade, etc.) [31]

Segundo o cientista político sérvio Zoran Milosevic, "os críticos do Putinismo" opõem-no aos " valores ocidentais da democracia liberal ":[31]

centralização, forte poder presidencial, fortalecido mesmo sob Yeltsin, um acentuado enfraquecimento da influência política das elites regionais e do grande capital;

estabelecimento de controle estatal directo ou indirecto sobre os principais canais de TV do país, censura;

o uso cada vez maior de " recursos administrativos " em eleições nos níveis regional e federal - eleições não afectam a formação de verdadeiros centros de poder;

a eliminação efectiva do sistema de separação de poderes, o estabelecimento do controle e domínio do executivo sobre os sistemas judiciário  e legislativo;

formação de um estilo não público de comportamento político.[31]

Outros pesquisadores, políticos da oposição e jornalistas também apontam os seguintes sinais de Putinismo:[31]

monopolização do poder político nas mãos do presidente;

prioridade dos interesses do Estado sobre os interesses do indivíduo, restrição dos direitos dos cidadãos, repressão contra a sociedade civil;

repressões, a criação da imagem de uma "fortaleza sitiada", a interpretação da oposição como uma força hostil e a sua expulsão do campo político por métodos administrativos ;

o culto à personalidade de Putin, a personificação da sucessão estatal nele após o trauma psicológico do colapso da URSS;

o regime de burocracia, autoritarismo e autocracia, a presença de um partido no poder fundiu-se com a burocracia;

corporativismo estatal;

forte controle estatal da propriedade;

política externa agressiva;

orientação à ordem e valores conservadores;

ideologia da grandeza nacional - nacionalismo;

antiamericanismo, antieuropeísmo e euroceticismo;

reforço do papel das agências de aplicação da lei;

sistema de "um partido e meio", como na Itália do pós-guerra;

liquidação e marginalização de partidos políticos não controlados pelas autoridades;

obscurantismo (fechamento do discurso político direcionado da consciência de massa);

classe (a formação de uma classe complexa de novos nobres, dotados de direitos especiais, diferentes dos direitos dos plebeus).[31]

O termo "Putinismo" na maioria das vezes tem uma conotação negativa quando usado na mídia ocidental, denotando o sistema estatal da Rússia moderna, onde as forças de segurança que são aliadas de Putin ou trabalharam anteriormente com ele em São Petersburgo e na segurança do Estado agências , controlam a maior parte do poder. O sociólogo Lev Gudkov usa o termo "Putinismo" para descrever as características políticas contemporâneas da Rússia  e descreve-o como um tipo particular de autoritarismo pós-totalitário, no qual a polícia política recebe poder em nome dos interesses privados de clãs ou corporações burocráticas, negando assim a natureza puramente personalista do Putinismo. Timothy Fry não vê uma forte diferença entre russos e residentes de outros países e nega o termo Homo Soveticus. Um conhecido publicitário na Rússia, Peter Suciu identificou Vladimir Putin como um fascista comprometido em 2010 por causa de seus esforços olímpicos.[31]

Putinismo Funcional

Os defensores do Putinismo funcional argumentam que as razões para a existência do Putinismo não estão nas características da população russa e nem na personalidade do presidente, mas no facto de que o Putinismo oferece as respostas mais funcionais aos desafios, e como o Putinismo tem sido por muito tempo, não pode ser completamente disfuncional. O cientista político sérvio Zoran Milosevic descreveu o Putinismo como um fenómeno funcional   – como uma ideologia liberal baseada na democracia, no mercado, na soberania e nos padrões de vida. Os representantes do "novo bonapartismo" vêem como um desses desafios a necessidade objectiva de estabilidade da população após um período de mudanças traumáticas.

julho 28, 2026

O imperialismo russo assumiu durante 70 anos a forma de sovietismo assim dando uma base prática para a destruição da burguesia ocidental.

Com a queda da URSS, com a desconcertante postura de Ieltsin e com a confirmação das incongruências económicas do marxismo, os comunistas europeus ficaram desorientados mas logo se tentaram recompor com a chegada de Putin ao poder. Mas os golpes da praxis económica soviética eram irreparáveis e os da 5ª coluna europeia tiveram que se travestir de cordeiro - abanaram mas não desistiram do propósito de destruição da Europa. Do sovietismo mantiveram essa grande fralde da «paz e cooperação» (desnuclearização do Ocidente) mas abandonaram os colarinhos azuis e optaram pelos brancos: mortos os metalúrgicos, vivam os professores.  E houve os que, «desenterrando» Gramci, mobilizaram os jornalistas e esses, baseados na liberdade de opinião, conseguiram impor o direito à ocultação da origem da informação. E ai de quem peça responsabilidades ao «libertador dos oprimidos pela informação condicionada, censurada».

E como sair disto? Saindo pela vitória da «fake» ou pela responsabilização do mentiroso?

Julho de 2026

HENRIQUE SALLES DA FONSECA

domingo, 26 de julho de 2026

Coisas que por cá

 

Se passam.

Sondagens.

PS e AD empatam com com 29% das intenções de voto e Chega desce com 21%. Eleições antecipadas são descartadas pela maioria PS continua à frente na sondagem da Intercampus, mas empata com a AD no inquérito da Católica. Chega regista queda em ambas.

MADALENA MOREIRA: Texto

LARISSA FARIA: Texto

16 jul. 2026, 21:22

Partidos à direita continuam a ter maioria, apesar da liderança dos socialistas

DIOGO VENTURA/ OBSERVADOR

As mais lidas

Neves não declarou empresa da mulher à chegada ao Governo.

Conferência de Líderes condena vídeo de Ventura.

Montenegro diz que Governo vai continuar "a arriscar".

Exames. Declarações de Montenegro foram "murro no estômago".

Almada: PS anuncia voto contra moção de censura do PS.D

Seguro felicita Chapo por "agenda reformista"

O PS e a coligação PSD/CDS-PP (AD) estão empatados nas intenções de voto dos portugueses: 29% escolheriam um dos partidos.

 É o que revela a sondagem da Universidade Católica para o Público, RTP e Antena 1 divulgada na noite de quinta-feira.

Com mais seis pontos do que em dezembro, o PS equipara-se à AD, que se manteve com o mesmo resultado anterior. O Chega, no entanto, desceu três pontos, fixando-se em 21%. IL e Livre estão em empate técnico, com 6%, enquanto a CDU (coligação pré-eleitoral entre PCP e PEV) e o Bloco de Esquerda (BE) mantêm os 3% e 2% analisados na sondagem anterior, realizada em dezembro. O PAN não pontuou o mínimo necessário para integrar o Parlamento, enquanto no caso do Juntos Pelo Povo, o “voto muito concentrado na Madeira” poderia assegurar a presença na Assembleia. A percentagem de indecisos subiu cinco pontos, com 18% a admitir não saber em quem votar.

Apesar da subida do PS, 48% dos inquiridos consideram que este e qualquer outro partido da oposição não actuariam melhor no Governo do que o executivo de Luís Montenegro, que tencionam que permaneça até ao fim do mandato. Um empate também ocorreu entre José Luís Carneiro e Montenegro, que receberam uma nota dez em vinte dos entrevistados. O inquérito do Cesop – Universidade Católica Portuguesa teve a participação de 996 pessoas entre os dias 6 e 10 de julho, com uma margem de erro de 3,1%.

Na sondagem da Intercampus para o Correio da Manhã, Negócios e NOW, publicada também na quinta-feira, o PS mantém a liderança nas intenções de voto dos portugueses, mas a coligação PSD/CDS-PP (AD) está a recuperar terreno e aproxima-se dos socialistas.

Se as eleições legislativas se realizassem este mês de julho, 23,3% dos portugueses votariam no partido liderado por José Luís Carneiro, uma descida de um ponto percentual em relação aos números relativos ao mês de junho. No sentido inverso, 20% dos portugueses votariam na coligação de Governo, um aumento de 0,5 pontos percentuais.

Esta ligeira subida permite à força liderada por Luís Montenegro regressar ao segundo lugar das intenções de voto, que, no mês passado, era ocupado pelo Chega. Ainda assim, os dois mantêm-se em empate técnico. O partido de André Ventura reúne agora 19,4% das intenções de voto, continuando a liderar o voto dos mais jovens e a ter os seus resultados mais fracos na faixa dos maiores de 55 anos.

O primeiro lugar fora do pódio continua a ser ocupado pela Iniciativa Liberal, seguida de perto pelo Livre (menos de um ponto percentual entre os 7,6% da IL e os 6,8% do Livre). Entre os restantes partidos com assento parlamentar, a CDU reúne 4,1% das intenções de voto, o PAN, 2,5% e o Bloco de Esquerda, 1,8%. A sondagem da Intercampus resulta de inquéritos a 604 pessoas realizados entre os dias 9 e 14 de julho, com uma margem de erro de 4,0%.

Notícia actualizada às 8h38 de 17/07/2026 a incluir a sondagem da Universidade Católica.