Havia
outrora, numa outra escolaridade, um poema que começava assim;
«Preguiça
foi à lição
Ler
escrever e contar
Deixava
a memória em casa
Com preguiça de a levar.»
E assim terminava:
«Preguiça
voltou da escola
Fez a
cama e se deitou.
Para
não mais a fazer
Nunca mais se levantou.»
O texto infra fez-mo recordar, num reforço inglório. Embora reconheça
que é pura liberdade poética tal conceito, entre os humanos, seres, afinal, bem
dignos de admiração, no BEM como no MAL.
A
revolução escondida
A reescrita de meia dúzia de artigos do Código de
Trabalho requer aviso prévio e mandato explícito do eleitorado, mas a
transformação demográfica do país pode ser decidida nas costas dos eleitores?
RUI
RAMOS, Colunista do Observador
OBSERVADOR,
03 jul. 2026, 00:25
(OUTROS TÍTULOS: ONU prevê intensificação rápida do
El Niño. Sismos na Venezuela: Vila Velha de Ródão recolhe bens. 16 menores
viviam fechados num quarto com fezes humanas. Fim da auto-baixa e impostos.
Alemanha aprova pacote laboral. Rússia bombardeia Kiev no "maior
ataque" nesta guerra. Japão instala câmaras nas montanhas perante ataques de
russos. Foi confirmado a semana passada: em poucos anos, os residentes
estrangeiros em Portugal duplicaram. Representam hoje 14% da população.
Por isso, o país tem agora quase mais um milhão de habitantes do que em 2021. O que se passa com as nossas
estatísticas, nas quais assentam a reflexão e a decisão públicas, que deixaram
até há dias escapar uma mudança de tais proporções? Eis a primeira questão.
A segunda é esta: que se passa com a nossa democracia?
Porque tudo isto começou em 2017 com a decisão de um governo socialista,
amparado na extrema-esquerda, de inventar a “manifestação de interesse”. Nos últimos meses, toda a gente se
exaltou muito por a reforma laboral não constar do programa eleitoral do PSD. Pergunto: a multiplicação brusca do
número de residentes, através do fim do controle das fronteiras, alguma vez
constou dos programas eleitorais do PS, PCP ou BE? A reescrita de
alguns parágrafos do Código de Trabalho requer aviso prévio e mandato explícito
do eleitorado, mas a transformação demográfica do país e a maior revolução
social desde a década de 1960 pode ser decidida nas costas dos eleitores? O
povo não deveria ter sido consultado? O que é a democracia, senão
o direito de os cidadãos deliberarem sobre grandes opções, como é, por exemplo,
adicionar à população mais 1 milhão de estrangeiros, com a pressão
correspondente sobre a habitação e os serviços públicos?
Mas decidir o quê?, dizem-nos alguns. Não havia outra opção: a imigração era uma necessidade. Precisava
dela a Segurança Social. Precisava dela a economia. Admitamos que sim. O problema então é este: que nos diz essa necessidade sobre a
nossa Segurança Social e sobre a nossa economia? Que Segurança Social é essa
que, para pagar as pensões, precisa de importar centenas de milhares de
estrangeiros todos os anos? Que economia é essa que, para parecer que cresce,
tem de receber todos os anos uma massa de trabalhadores pouco qualificados do
Terceiro Mundo? O que
talvez devêssemos concluir não é que a imigração é indispensável, mas que não
temos a Segurança Social e a economia que nos convêm: uma Segurança Social
viável, e uma economia capaz de crescer através da inovação e da produtividade. Percebemos assim o que está por
detrás da importação caótica de trabalhadores pobres: a recusa das mudanças que poderiam
ter tornado sustentável a Segurança Social e estimulado outra economia. O caos migratório é mais um aspecto
da falta de reformas.
A irresponsabilidade socialista pode ficar cara.
Leia-se o capítulo 2 de Spheres of Justice, de Michael Walzer. Um Estado que não controla as
entradas e saídas deixa de ser soberano, mas deixa também de consistir numa
comunidade histórica, onde o sentido de um destino nacional comum une gente
através das gerações, regiões, classes sociais, ideologias e etnias. Transforma-se num território
descaracterizado e de passagem, onde, faltando uma identidade comum, os
residentes ocasionais tenderão a arrumar-se em guetos segundo as suas origens,
como nas cidades comerciais da antiguidade: quando não existem fronteiras
externas, passam a existir fronteiras internas. Ora, territórios sem limites e
populações tribalizadas são ambientes mais propícios para impérios autoritários
do que para democracias.
Este não é um argumento contra a imigração, o pluralismo, ou
a hospitalidade, mas contra a conjugação entre o caos migratório e o projecto
woke de criminalizar e eliminar as identidades nacionais no Ocidente. Foi nesse caminho que nos
meteu o poder socialista. E até à semana passada, esperou que a
falta de informação nos impedisse de ter a certeza sobre o que se passava.
Receba um alerta sempre que Rui Ramos publique um novo
artigo.
IMIGRAÇÃO MUNDO
Fernando ce: 100% de acordo. Não reconheço o meu país . E, mais do que isso , deram cabo do SNS, ao impor pelo menos mais de 800.000 utentes , colocando desafios quer em termos de consultas, cirurgias e medicamentos ( muitos vieram de países onde os caríssimos medicamentos inovadores não existem). Isto paga a folga na segurança social? Alguém me consultou deste descalabro? E que agora venham exigir uma “vida justa” - a que muitos nacionais não têm acesso - por parte de pessoas que vieram de países onde lutavam pela sobrevivência?
Francisco Almeida: Rui Ramos é mais um que toca ao de
leve numa questão sobre a qual me interrogo desde que foram publicados os
números do INE. Será que na direcção do INE há elementos vinculados ao PS que
tenham impedido por 4 ou 5 anos a divulgação dos números da imigração? Se não é
isso, porquê só agora?
GateKeeper: Top 10. Só porque os nrs e as %s peçam por
defeito, está crónica não fica nos top 05. A verdadeira dimensão deste
crime sócio - económico é muito maior, mais vasta e grave do que isso. Os
meus netos é que vão amargar com as consequências desta hecatombe
"tugalêsa".
Hugo Silva: Quando o outro trouxe este assunto à liça, há
sensivelmente 3/4 anos, quem não tem memória curta, lembra-se bem como foi
tratado e adjectivado. Na altura, não existiu uma alminha que não tivesse
apelidado o outro, de racista, xenófobo etc.... O PSD, está incluído nesse lote
de traidoras, convém não esquecer. Mais
uma vez, ficou demonstrado que o outro tinha razão, o que acontece muitas
vezes, para azia daqueles que o detestam só porque sim.
David Pinheiro: Bravo! Perguntas certeiras, sem resposta, claro. E coragem de as fazer em público. Vale a assinatura. PS: Apenas discordo de que este experimento social tenha sido feito nas "Costas" do povo. Foi à descarada (bastava andar pelas ruas) e teve direito a maioria absoluta. Temos o que merecemos.
Henrique Necho: Muito bom
Pedro Belo > Américo Silva: Quem é que fazia isso antes dos imigrantes? Afinal Portugal não existia antes de 2017, éramos um sonho
Paul C. Rosado: Esqueceu-se de referir outro
aspecto: O PS matou a democracia em
Portugal. Que legitimidade há nos próximos resultados eleitorais, se o PS
comprou centenas de milhares de votos para a esquerda, dando em troca a nossa
nacionalidade? É que, na prática, foi mesmo isto que aconteceu! De quantos
votos já beneficia, se grande parte dos imigrantes dos PALOPs, por exemplo, já
podem votar ao fim de dois anos? Obviamente que irão votar em quem lhes dá a
"mama". Julgados por traição
ainda seria pouco!
Rui Lima: Os países hoje na Europa e as suas administrações são incapazes de responder quantos chegam, todos os anos, quem são o que fazem O maior desastre para o futuro da nossa civilização acontece nas costas do povo, vamos ter o regresso da pobreza em grande escala hoje as barracas e tendas são aos milhares junto de bairros onde se vivia tranquilamente em França e em outros países . Paris em zonas como La Chapelle, Stalingrad, Saint-Denis …e junto ao anel viário de Paris. As autoridades francesas desmantelam regularmente estes acampamentos, mas novos acabam por surgir noutros locais.
observador censurado: "(...) Representam hoje 14% da população. (...)" Salvo melhor opinião, é falso:
1. Número de residentes em 2011: 10.542.398;
2. Saldo natural (número de nascimentos - número de
mortos) nos últimos 15 anos: cerca de menos meio milhão de pessoas;
Facto: INE diz que há 6 meses havia cerca de 11.5
milhões de pessoas a viver em Portugal.
Conclusão 2: O número de imigrantes é 11.5 milhões - 9
milhões, isto é, pelo menos, 2.5 milhões. Como o número do INE pecará por
defeito, o número de imigrantes "descamisados" será, pelo menos, 3
milhões.
José B Dias: Excelente reflexão ... e muitas
outras ao género poderiam ser feitas!
…………………….
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