Hoje esqueci-me de trazer um livro para ler, e, enquanto o Vitorino dorme na sua cama do Hospital, vou velando, rezando, e decididamente rabiscando razões, neste papel encontrado no fundo da carteira, - e que aqui, no computador, vou alinhando - pedindo a um Deus Maior, pela saúde dele, e pensando na futilidade de discussões havidas entre os casais – como o nosso, afinal, - ao longo das suas vidas, e que, tantas vezes, a impertinência de acontecimentos inesperados, ou razões ocasionalmente julgadas certeiras – provocaram irracionalmente.
A doença, trazendo as
aflições que ela causa, bem o traduz, nas lágrimas causadas pelo receio da
perda, nas orações íntimas de súplica para que a fatalidade não aconteça.
Mas envergonho-me, é certo, simultaneamente, por esta
submissão a uma crença não praticada objectivamente, mas acontecida quando a
aflição surge, no terror da perda de um companheiro que nunca imaginámos fora
da nossa vida.
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