Comprovadas no comentário regozijado ao texto.
Morreu Gloria Steinem, jornalista, escritora e
ícone do movimento feminista
Uma das figuras mais
emblemáticas do feminismo moderno e activista incansável pelos direitos civis,
deixa um legado na história da emancipação feminina. Tinha 92 anos.
Joana
Moreira: Texto
OBSERVADOR,
03 set. 2026, 10:48
Mike Windle/Getty Images for Equality Now
As
mais lidas
Coordenador
é transferido após denúncia contra diretor da PJ
FPLP
não vai à Festa do Avante!
Há 5
processos sobre Neves. PGR considera 2 "urgentes"
Reaparece
a 32 quilómetros ilha que desapareceu no Canadá
Sánchez.
Deixar entrar migrantes em Ceuta foi "o correcto"
Pentágono
divulga orientações para rastreio de testosterona
Gloria Steinem, jornalista, escritora e activista
norte-americana, considerada uma das principais líderes e ícones do movimento
feminista, morreu esta quarta-feira. A notícia foi avançada através de um
comunicado nas redes sociais da escritora. Tinha 92 anos.
“Gloria Steinem faleceu
pacificamente na sua casa em Nova Iorque, rodeada por algumas das muitas
pessoas que a amavam. Os quase cem anos de vida de Gloria foram anos bem
vividos, e ela continuou a lutar pela igualdade até ao fim”, pode ler-se no
texto divulgado. “O maior dom de Gloria era a sua capacidade de ouvir os
outros, de fazer com que se sentissem vistos e ouvidos. As suas palavras, ações
e exemplo deram às pessoas a liberdade de serem elas próprias. A Gloria viveu
fiel ao seu espírito independente, sempre com curiosidade e um grande sentido
de humor”.
Gloria Steinem nasceu em 1934 em Toledo, no estado do Ohio,
nos Estados Unidos da América. Jornalista, activista e a voz pública
mais reconhecível da chamada “segunda vaga” do feminismo norte-americano,
Steinem construiu uma carreira marcada por uma determinação em expor as fracturas
de género numa sociedade em profunda transformação. A sua projecção
pública ganhou um impulso decisivo em 1963, quando se infiltrou disfarçada de
“coelhinha” no Playboy Club de Nova Iorque. A reportagem “A Bunny’s Tale”,
publicada na revista Show, denunciou as condições de trabalho degradantes, o
assédio e a exploração financeira a que as jovens eram submetidas,
estabelecendo de imediato a sua reputação como uma repórter disposta a arriscar
para revelar os bastidores da misoginia estrutural.
Ao longo do final da década de 1960 e inícios de 1970,
a sua escrita transitou da crítica cultural para a intervenção política directa.
Em 1969, o ensaio “After Black Power, Women’s Liberation”,
publicado na New York Magazine, catapultou-a para a liderança do movimento.
Dois anos mais tarde, em 1971, cofundou a National Women’s Political
Caucus ao lado de figuras como Bella Abzug, Shirley Chisholm e Betty Friedan.
Em 1972, num momento em que o
mercado editorial encarava as causas feministas com cepticismo, lançou a
revista Ms. — a
primeira revista detida, escrita e sobre mulheres. O sucesso foi imediato: os
300 mil exemplares esgotaram-se em escassos oito dias, transformando a
publicação num marco do jornalismo independente e na primeira revista a colocar
a questão da violência doméstica e do direito ao aborto na capa de uma grande
circulação nos Estados Unidos.
A trajectória de Steinem
destacou-se também pela recusa em isolar a causa das mulheres de outras lutas
sociais, promovendo activamente a aliança com o movimento dos direitos civis e
com activistas negras como Dorothy Pitman Hughes, com quem percorreu o país em conferências no início
dos anos 1970. Em 1977, desempenhou um papel central na organização da Conferência
Nacional de Mulheres em Houston, um marco institucional para a agenda da
igualdade. Galardoada pelo presidente dos EUA Barack Obama com a Medalha
Presidencial da Liberdade em 2013, o seu legado permanece indissociável da
transformação das leis de igualdade no trabalho, da autonomia reprodutiva e da
presença feminina na esfera pública ocidental.
Ao longo de décadas,
continuou a escrever sobre questões laborais e direitos das mulheres e
minorias, e manifestou-se em prol de uma série de causas, nomeadamente a favor
da legalização
do aborto, da igualdade salarial entre homens e mulheres, bem como contra a
pena de morte, a mutilação genital feminina e o abuso de crianças.
Feminismo
Sociedade Escritores Literatura Cultura
COMENTÁRIOS
(de 4)
Zé
Colmeia: Uma
activista desactivada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário