Que se governe.
Trump recusa-se a confirmar apoio a Netanyahu: “Acho mais
apropriado que me mantenha afastado das eleições israelitas”
O líder da Casa Branca diz ser
"mais apropriado" manter-se afastado das legislativas israelitas. As
sondagens favorecem o centrista Eisenkot do partido Yashar.
OBSERVADOR, 17 ago. 2026,
22:52
▲"Acho
mais apropriado que me mantenha afastado das eleições israelitas", afirmou
o líder da Casa Branca
Samuel Corum / POOL/EPA
O Presidente norte-americano,
Donald Trump, continuou esta segunda-feira a recusar o seu apoio ao
primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, nas legislativas previstas
para 27 de outubro, nas quais as sondagens colocam em risco a sua reeleição.
“Acho mais apropriado que
me mantenha afastado das eleições israelitas”, afirmou o líder da Casa Branca
em declarações à estação Fox News reproduzidas pela imprensa de Israel, embora
deixe em aberto a possibilidade de “apoiar alguém”.
As palavras de Trump surgem no
dia em que o Likud, partido de Netanyahu e maioritário no Governo de coligação
com a extrema-direita, realizou primárias para a escolha das listas para o
Knesset (Parlamento), vistas como um teste ao líder israelita quando enfrenta
contestação dentro da sua própria força política, nomeadamente dos partidários
de uma linha mais centrista.
De acordo com o portal
norte-americano Axios, as perspetivas de reeleição de Netanyahu foram
discutidas com Trump, no encontro que ambos mantiveram no mês passado na Casa
Branca em Washington, numa altura em que o primeiro-ministro israelita lida com
sondagens desfavoráveis.
Anteriormente muito próximos,
a reunião dos dois líderes ocorreu num momento de tensão pública entre ambos
sobre a condução das várias frentes de conflito no Médio Oriente.
Trump procura uma saída para a
guerra que lançou com Netanyahu em 28 de fevereiro contra o Irão, que
merece reservas do primeiro-ministro israelita, que por sua vez mantém tropas
no sul do Líbano, na guerra contra o grupo xiita Hezbollah, aliado de Teerão,
ameaçando os esforços de paz de Washington.
O chefe do Governo de Israel
recusou entretanto o plano do Conselho da Paz para a Faixa de Gaza, apoiado
pelos Estados Unidos e que tinha sido aceite pelo grupo islamita Hamas, que
previa o desarmamento das milícias palestinianas e a retirada do exército
israelita do território.
Já esta segunda-feira,
Netanyahu disse ter acordado com o Conselho da Paz a criação de um grupo de
trabalho para supervisionar a desmilitarização da Faixa de Gaza, mas reiterou
que só abandonará o enclave palestiniano quando esse processo estiver concluído.
O envolvimento de Israel nos
esforços de diálogo dos Estados Unidos tem merecido a oposição dos grupos de
extrema-direita aliados do Likud no Governo.
A maioria das sondagens em
Israel coloca a força política do primeiro-ministro empatada ou logo atrás do
seu principal adversário, o partido centrista Yashar, fundado em 2025 e
presidido pelo antigo chefe das forças armadas Gadi Eisenkot.
Os estudos de opinião indicam
porém que nenhum dos dois líderes, nem dos blocos pró-governo ou de oposição,
consegue uma maioria dos 120 lugares em disputa no Knesset, embora o Yashar
surja em melhores condições para formar governo.
A coligação B’Yachad (Juntos),
criada este ano pelos antigos primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid,
atual líder da oposição, aparece em terceiro lugar e no quarto figura o Yisrael
Beytenu (Israel é a Nossa Casa), partido nacionalista, de direita e secular,
liderado pelo deputado Avigdor Liberman, mas ambos seguem longe do Likud e do
Yashar.
Os Democratas, partido
social-democrata sionista dirigido pelo antigo general Yair Golan, estão
colocados no quinto lugar nas sondagens e só depois surgem os partidos que têm
estado próximos de Netanyahu.
Esta lista inclui os
ultraortodoxos Shas e o Judaísmo Unido da Tora, bem como o Otzma Yehudit (Poder
Judaico), do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, e o Sionismo
Religioso, do ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, dois controversos ultranacionalistas
em representação da extrema-direita no Governo.
Os partidos árabes obtêm
cerca de uma dúzia de lugares nas intenções de voto, divididos entre o
Ra’am (Lista Árabe Unida) e o Hadash-Ta’al.
Apesar das sondagens
desfavoráveis para os partidos próximos do executivo, as principais forças de
oposição têm demonstrado divergências sobre um eventual acordo que permita a
formação de um governo maioritário.
O Likud é um dos poucos
partidos israelitas que realizam primárias para escolher a lista de candidatos
ao parlamento, juntamente com nove candidatos previamente selecionados por
Netanyahu.
“Amanhã votarei nas primárias
do Likud para uma lista vencedora que garanta que Eisenkot e Yair Golan não
formarão um pequeno governo com os partidos árabes, como prometeram. Confio em
vós, membros do Likud, para escolherem os vossos representantes corretamente,
de acordo com o vosso julgamento”, comentou Netanyahu no domingo à noite na
rede social X.
Segundo o jornal Haaretz,
esperava-se que votassem cerca de 140 mil membros do Likud, embora a
participação nas anteriores primárias do partido, realizadas em 2022, tenha
sido inferior a 60%.
Segundo os primeiros relatos
não oficiais na imprensa israelita após o fecho das urnas, a participação neste
ano foi ainda mais baixa.
Os membros do Likud
escolhem 12 candidatos para a lista nacional e um para a lista distrital.
Os lugares distritais começam
no número 27, tornando improvável a entrada destes candidatos no Knesset, dado
que as sondagens preveem que o Likud fique abaixo desta fasquia.
À luz das projeções, cerca de
uma dezena de candidatos podem não ser eleitos, em comparação com as
legislativas de 2022, quando o partido colocou 32 deputados.
A posição de Netanyahu não
está contudo em risco durante estas primárias, dado que o líder do partido é
escolhido num processo separado.
O atual primeiro-ministro
israelita reserva-se ainda o direito de escolher quem ocupará outros oito
cargos nas listas do partido Likud (3.º, 5.º, 9.º, 11.º, 15.º, 18.º, 26.º e
29.º), graças a uma decisão do Comité Central do partido que lhe concedeu maior
influência.
Destes oito cargos, Netanyahu
já designou quatro figuras que lhe são próximas: o atual ministro dos Negócios
Estrangeiros, Gideon Saar, o ministro da Defesa, Israel Katz, o presidente do
Comité Central do Likud, Haim Katz, e o empresário (e estreante na política)
Oren Dobronsky.
Ao longo dos anos, Netanyahu
aumentou o número de posições nas listas reservadas a seu critério: de duas em
2015 para cinco em 2022 e agora oito em 2026, segundo o Instituto da Democracia
de Israel.
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