A Salazar, e aos seus conceitos refractários aos do PC, ironizados, aqueles, pelos progressistas dos meus tempos de juventude obediente… Sim, Salazar tinha razão, relativamente aos esquerdismos avançados, que serão, naturalmente, os mesmos que os de hoje, os inteligentes da cartilha desprezadora …
Autoridades em alerta "elevado" com ameaças
de bomba e ciberataques. FBI avisou PSP de risco em voos da TAP
Martim Andrade: Texto
Pedro Rainho: Texto
Troca de informações entre serviços e autoridades no
universo NATO têm sido intensas. Não há consenso sobre origem de ataques, mas
Moscovo e Teerão são suspeitos de tentar provocar o caos.
06 nov. 2026, 21:22
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Em apenas uma semana, dezenas de aviões foram alvos de
ameaças de bombas e vários supermercados por toda a Europa foram atingidos por
ciberataques nos seus sistemas de refrigeração — uma acção que
também visou alguns bancos de sangue, que funcionam com o mesmo sistema.
Os ataques ainda
não lançaram o caos, mas colocaram as forças de segurança e os serviços de
informações em “nível elevado de preocupação” com uma eventual escalada destas
ações para outro tipo de infraestruturas. Uma fonte que tem
acompanhado as intensas trocas de dados entre serviços de informações no
contexto NATO nos últimos meses refere ao Observador dois exemplos concretos: unidades de saúde (hospitais) e
unidades de produção energética (como barragens).
As ameaças de bomba têm sido a
face mais visível destas acções. Em Portugal, só esta sexta-feira, um voo
Ryanair com destino a Roma foi impedido de descolar na hora prevista por
suspeitas de que teria (ou poderia vir a ter) uma bomba a bordo. O caso foi reportado publicamente
pela PSP. Mas,
apurou o Observador, não foi caso único — também esta sexta-feira, outros dois
voos TAP, um com destino a Paris e outro que viajava para Copenhaga, foram alvo
de ameaças de bomba. A informação tornada pública, em comunicado, fazia referência
a uma “comunicação através dos mecanismos de cooperação policial internacional”.
Mas o Observador sabe
que, em todos estes casos, as informações foram transmitidas à Polícia de
Segurança Pública directamente pelo FBI, a agência norte-americana de
investigação criminal.
Mas as acções disruptivas não
ficam por aqui: também no início da semana, sete lojas Intermarché anunciaram terem sido afectadas
pelo mesmo tipo de ataques que já tinham sido identificados noutros pontos do
continente europeu. Esta nova vaga de “ataques híbridos” tem
revelado um “impacto violento”, em qualquer um destes sectores afectados,
como classifica o especialista em cibersegurança Bruno Castro. Mas será que os dois tipos de acções
estão relacionados?
Dois grupos pró-Kremlin foram rápidos a reivindicar os
ciberataques à tecnologia associada aos sistemas de refrigeração. “Quando um colectivo destes assume
responsabilidades, é certinho. São grupos criminosos a sério, nos tops do
cibercrime a nível mundial”, explica o fundador da
Visionware, Bruno
Castro. Já fontes com conhecimento destes processos mostraram uma “grande preocupação” com
o facto de os ataques terem outra origem: o Irão.
São "ataques orientados à
sociedade", mais do que propriamente o roubo de dinheiro ou venda de
dados, que normalmente está associado a este tipo de ofensivas. "Estão a
cortar um serviço que vai ter um impacto na comida e um avião que vai aterrar à
pressa. Mas estão a criar medo na sociedade", sublinha.
Bruno Castro, especialista em cibersegurança
Os ataques híbridos
promovidos por Moscovo (ou com ligações a grupos pró-russos) contra Estados europeus não são uma
novidade. Mas
há um outro país que tem surgido com frequência nas trocas de informações entre
parceiros NATO, sobretudo na área da cibersegurança, ao longo dos últimos meses:
o Irão. Uma das razões para
que as suspeitas recaiam sobre o país do Médio Oriente é a pegada geográfica
das acções, com uma incidência inicial grande nos Estados Unidos, que depois se
propagou a vários países europeus. Após uma fase inicial do
conflito entre Washington e Teerão, muito centrado no controlo da circulação no
Estreito de Ormuz e que afetou a capacidade iraniana de infligir ciberataques,
a partir do verão o país conseguiu recuperar a iniciativa. E, então, começaram
a multiplicar-se as acções disruptivas.
Não há, ainda, uma certeza absoluta da origem destas
ofensivas — até porque elas não são, na esmagadora maioria das vezes,
reclamadas —, mas o que chocou os especialistas na área da defesa no meio
digital foi o facto de ter havido uma “segunda ronda” de ataques a estruturas
de refrigeração.
“Isso foi surpreendente,
porque de alguma forma mostra que o fabricante em causa não fez o trabalho de
casa na recuperação”, admite Bruno Castro. Hugo Nunes, um especialista na mesma
área consultado pelo Observador, admite que o ataque “não foi sofisticado”, mas
que o impacto verdadeiro desta ofensiva híbrida transcende aquele que foi
registado inicialmente no sector alimentar. Bruno Castro explica que o grande
objectivo foi “criar instabilidade na sociedade”, uma sensação que acabou por
ser replicada pouco tempo depois na indústria aeronáutica, quando dezenas de
aviões tiveram de alterar os seus planos de viagem após receberem ameaças
anónimas de bombas a bordo.
Nestes últimos casos, não
houve um ciberataque generalizado que afectasse uma determinada companhia
aérea, um aeroporto em particular ou uma área geográfica. Os especialistas
admitem que não veem qualquer “ligação técnica”. Mas existe um ponto comum:
“Criar receio de que a Europa não se consegue defender.” Bruno Castro diz
que são “ataques orientados à sociedade”, mais do que propriamente o roubo de
dinheiro ou venda de dados, que normalmente está associado a este tipo de
ofensivas. “Estão
a cortar um serviço que vai ter um impacto na comida e um avião que vai aterrar
à pressa. Mas estão a criar medo na sociedade”, sublinha.
Como o modus operandi
é totalmente diferente — num caso, trata-se de um típico ciberataque; no outro, uma experiência de
“engenharia social” — os especialistas ouvidos pelo Observador
dizem que é
difícil assumir que se trate de actos coordenados. Não existem evidências de que
esteja tudo ligado. Mas a verdade é que a recente vaga de ameaças de bomba
parece estar “completamente concertada”, tal como é costume ocorrer num ataque
cibernético, mesmo que não envolva o recurso à mesma tecnologia.
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Dezenas de supermercados
na Europa viram os seus frigoríficos e congeladores com as temperaturas desreguladas após uma vaga de ciberataques
Anadolu via Getty Images
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Jaime Prieto pilotou aviões comerciais durante
várias décadas e não se recorda de assistir a “tantas ameaças em tão curto espaço de
tempo”. Na Europa, em menos de uma semana, foram registadas cerca de 40 ameaças
de bomba que obrigaram a alteração dos planos de viagem de diferentes
companhias aéreas, desde a Ryanair à Finnair, passando pela TAP.
No caso da companhia portuguesa, a ameaça que visava
os dois voos da TAP foi transmitida pelo FBI à Polícia de Segurança Pública
quando os dois aparelhos já se encontravam em rota, um em
direcção ao aeroporto de Orly e outro a voar para o aeroporto de Copenhaga.
Por essa razão, a PSP accionou de imediato o protocolo de acção e informou
as autoridades francesas e dinamarquesas da ameaça. Em ambos os casos, foi
descartada a existência de um risco real e os voos seguiram para os respectivos
destinos.
Mas, horas antes, a situação
foi diferente com um voo da Ryanair com destino a Lisboa. Nesse caso, depois de
o aparelho aterrar, a PSP accionou uma equipa da Unidade Especial de Polícia e
os passageiros, que já se encontravam a bordo, tiveram de sair do avião e tanto
eles como as malas que já estavam no porão foram submetidos a uma minuciosa
busca para despistar a presença de explosivos. “Claro que isto provoca
constrangimentos enormes, quer às pessoas quer às companhias”, reconhece uma
fonte que acompanhou todos estes casos que se verificaram esta sexta-feira. “O
problema é que não podemos descartar o risco em nenhuma destas situações”,
diz a mesma fonte para justificar os meios empregues nestas respostas às
ameaças dos últimos dias.
"Temos de assumir
que [a ameaça] é verdadeira dentro do grau de risco que nos é transmitido
também. Depois, implica uma adaptação dos nossos procedimentos
operacionais", explica o representante da Associação de Pilotos
Portugueses de Linha Aérea.
O avião que iria
descolar do Aeroporto Humberto Delgado de volta à capital italiana acabou por
não sair de terra na hora prevista, após a tripulação ter sido informada de um
alerta de segurança a bordo do avião — à semelhança dos outros episódios que
têm vindo a ser noticiados na Europa. “Perante a natureza da ameaça e os elementos
disponíveis, a PSP desencadeou os procedimentos de segurança aeroportuária
previstos para este tipo de ocorrências, em articulação com a entidade gestora
aeroportuária, a companhia aérea e as restantes autoridades competentes.
Após a aterragem da aeronave em Lisboa, foi realizada uma vistoria de
segurança por polícias da Unidade Especial de Polícia (UEP), com o objectivo de
verificar a existência de eventuais objectos ou engenhos susceptíveis de
comprometer a segurança da aeronave e dos seus ocupantes”, revelou a
força policial num comunicado enviado às redações.
É verdade que nenhuma destas ameaças se materializou
numa situação de perigo real. Mas, a partir do momento em que a informação de
risco chega ao cockpit, é forçoso tratar todas as ameaças como verdadeiras.
(CONTINUA)
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