segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Um texto

 

De intenção crítica pré-eleitoral, talvez, por via dos candidatos em competição – Seguro e Ventura. Deduzo que se reporte mais a Ventura, como ovelha ronhosa, desenvolta embora, nesse tal pânico do surgimento de um possível novo fascismo, qualquer um dos candidatos a PR, podendo, afinal, figurar na lista, Ventura, por irrequietude balofa, Seguro, por fragilidade ideológica e mesmo, aparentemente, temperamental. O Pastor Tiago, contudo, não parece assustado com a hipótese, na sua alegre ironia, que aproveita antes, o pretexto, para atacar o ateísmo, reservando-se o ponto de vista de seriedade orientadora da opinião pública.

 

O pânico satânico da chegada do fascismo

As pessoas não-religiosas vivem no mundo Ocidental a ansiedade apocalíptica de um modo mais público do que as religiosas. Como? No exercício constante de se detectarem Anticristos, de forma política.

TIAGO DE OLIVEIRA CAVACO Pastor Baptista, colunista do Observador

OBSERVADOR, 01 fev. 2026, 00:1620

Hoje as pessoas sem fé estão a viver a possível chegada do fascismo com mais pânico do que eu, evangélico intenso, vigio a chegada do Anticristo. Sem dúvida que os tempos são interessantes. Como Alec Ryrie escreveu: vivemos mesmo na Era de Hitler (mencionei o livro dele aqui há uns meses). O Ocidente como um todo pode ter-se secularizado a ponto de deixar de acreditar no Diabo, mas o fantasma do Führer está mais encarnado do que nunca.

Vamos por partes para comparar as tradicionais expectativas apocalípticas do cristianismo com a alternativa secularizada que surge quando ele foi abandonado. Para os cristãos, a Segunda Vinda de Jesus funciona também como um exame porque é suposto ele separar quem lhe pertence de quem não lhe pertence. A esse momento chamamos o Dia do Juízo Final. De um lado ficarão as ovelhas, do outro os bodes: os primeiros nos novos céus e na nova terra, os últimos no Inferno. Assim, muito simplificadamente, é como funciona.

Mais ainda: de acordo com grande parte da interpretação clássica, o cristão ainda antes da Segunda Vinda deve dispor-se a um tipo de pré-exame que é resistir ao Anticristo. O Anticristo vem antes de Cristo aldrabar as pessoas para julgarem que o Messias é ele. A marca da besta funciona como a prova de quem foi enganado e aceitou a versão de contrabando no lugar da original.

Novamente simplificando muito, isto significa que temos dois exames: o primeiro é denunciarmos o Anticristo para não o tomarmos como o Messias, e o segundo é, por conta da nossa resistência fiel ao impostor, sermos reconhecidos por Cristo. O primeiro exame é a preparação do segundo que é o Dia do Juízo Final. No fundo, a pessoa que acredita no Dia do Juízo tem de andar preparada diariamente para saber reconhecer já hoje possíveis Anticristos.

E é aqui que podemos notar que esta ansiedade não é exclusiva dos cristãos ou de outros religiosos. Hoje até as pessoas não-religiosas vivem em ansiedade apocalíptica. Talvez dê até para dizer que as pessoas não-religiosas vivem no mundo Ocidental esta ansiedade apocalíptica de um modo mais público do que as religiosas. Como? No exercício constante de se detectarem Anticristos, ainda que não de forma religiosa mas sobretudo política.

E é aqui que se estabelece um paralelo entre o universo religioso e o político. Eric Voegelin escreveu na década de 30 do século passado que fascismo, nazismo e comunismo eram sistemas que substituíam a religião na sua necessidade de um projecto para o fim dos tempos: ideologias puramente escatológicas (do grego eschaton). De outro modo, Hannah Arendt mencionava como uma sociedade secularizada lidava com o fascismo com um medo até então reservado ao mal cósmico e espiritual. Ou seja, os grandes vigores ideológicos do Século XX, da esquerda à direita, usavam os moldes apocalípticos da religião cristã.

Já Theodor Adorno apresenta na “Dialéctica do Iluminismo” o fascismo como uma ameaça permanente ao ponto de que o cidadão dever permanecer vigilante. O perigo maior não é ele surgir de cornos na cabeça, cauda comprida e tridente na mão; é surgir apetecível, razoável e com soluções para os nossos problemas. Adorno enfatizava: “a prioridade na educação é que Auschwitz nunca mais aconteça”. A insistência em vigiarmos constantemente o regresso do fascismo não é assim tão simbolicamente diferente do papel que o Anticristo ocupa na escatologia cristã.

Dá-se, portanto, o inesperado: sobretudo entre os mais burgueses e estudados surge um sobressalto que não me parece apelar menos ao pânico do que a literatura evangélica mais sensacionalista fazia com adolescentes crentes impressionáveis como eu nos anos oitenta. Hoje os meus companheiros descrentes estão mais certos da chegada iminente do fascismo do que eu do Anticristo. De repente, viro eu, o fanático religioso, o céptico.

Há mais neste satanic panic: se há trinta anos os evangélicos descobriam o número da besta em códigos de barras, a elite secularizada exige agora sacramentos visíveis a quem não se dobrará à adoração do Anticristo fascista. Quem não reconhecer que está diante do Armagedão é impuro. Vivemos já em pleno pré-exame do Juízo Final em que se separam ovelhas de bodes.

O problema é que o Diabo está sempre nos detalhes. Sim, os cristãos vigiam para que o Anticristo não lhes dê a volta. Mas em último grau quem separará os bons dos maus terá de ser o examinador final: não serão os cristãos que o farão mas o próprio Messias regressado. Os novos anti-fascistas querem tomar nas mãos a tarefa divina. Quem diria que em 2026 eu, o velho fanático evangélico, poderia tornar-me na pior espécie de bode, pasto alegadamente tenro para o reino do Anticristo fascista? Espero que não mas nunca se sabe. Consola-me saber que no Juízo Final terei outro examinador.

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COMENTÁRIOS (de 20)

Maria Correia: ahahahah! Esta de hoje está maravilhosa! : «Hoje as pessoas sem fé estão a viver a possível chegada do fascismo com mais pânico do que eu, evangélico intenso, vigio a chegada do Anticristo.» Para emoldurar. Parabéns.

Manuel Filipe Correia de Araújo: "A Maçonaria em Acção há Muito Tempo!" Membros de Várias Obediências Maçónicas em Portugal promoveram um Almoço, em Cascais, no dia 14 de Dezembro de 2024, com o Antigo Secretário-Geral Socialista António José Seguro, apontado então como Candidato a Presidente da República! António José Seguro assumiu então em entrevista à TVI/CNN estar a ponderar uma Candidatura a Presidente da República, referindo que “está tudo em aberto” em relação a esse cenário. António José Seguro afirmou que, depois de o Secretário-Geral do Partido Socialista, Pedro Nuno Santos, o ter colocado entre os possíveis Presidenciáveis a apoiar pelos Socialistas, várias Pessoas contactaram-no para o Incentivar a entrar na Corrida a Belém. António José Seguro, que liderou o PS entre 2011 e 2014, sucedendo no Cargo de Secretário-Geral a José Sócrates, passou a ter, a partir de 2 de Janeiro de 2025, um Espaço de Análise e Comentário, sobre a actualidade na CNN Portugal, com o nome “Liberdade”......!!!!!! Agora, na Segunda Volta das Eleições para Presidente da República constata-se uma Estranha Coalizão de Comunistas, Bloquistas, Animalistas, Marxistas, Leninistas, Estalinistas, Trotskistas, Libertários, Socialistas Radicais e Outros que Tais, com "Idiotas Úteis" da AD e "Idiotas Inúteis" da Iniciativa Liberal.......Todos Juntinhos a Votarem no TóZé Seguro, vulgo "Poucachinho" como foi Crismado pelo seu Camarada António Costa, actual Presidente do Conselho Europeu.....!!!!!!

ana rita: Esta crónica vai direitinha para a podre procissão que apoia Seguro. Do PSD ao PCP todos dizem: “quem não reconhecer que André Ventura é o Apocalipse é impuro.”

Rosa Silvestre: Ainda não percebi se  o eleitor comum, sente mesmo receio nas campanhas do medo protagonizadas pelo PS e compagnons de route ou se alinham conscientemente na estratégia.

Uiros Ueramos: Mais um colunista a começar com o insulto, isto não pára… Mas como é padre, vou rebater, o seu erro é de confusão de planos. A escatologia cristã pertence ao domínio da fé e da transcendência; o fascismo pertence ao domínio da história, da política e das instituições do início do seculo XX. O Anticristo é uma figura teológica; o fascismo é um fenómeno histórico concreto, com práticas identificáveis e consequências verificáveis, mas que desapareceram há dezenas de anos. Aconselho o padre a preocupar-se mais com os seus adversários teológicos, eles serão a maioria dentro de 10  a 20 anos na Europa, e você irá passar para a clandestinidade se tiver sorte.

Francisco Almeida > ana rita: Não achei. Pareceu-me mais a ridicularizar os que demonizam Ventura. Mas foi a minha leitura, não imponho como certa. Agora o que é certo é que não foi do PSD ao PCP mas do CDS ao PCP. Chicão, Assunção Cristas, Portas, Ribeiro e Castro e até Cecília Meireles.

Pertinaz: Vc é pastor satânico…???

Maria Correia: Quem diria que em 2026 eu, o velho fanático evangélico, poderia tornar-me na pior espécie de bode, pasto alegadamente tenro para o reino do Anticristo fascista? Espero que não, mas nunca se sabe. Consola-me saber que no Juízo Final terei outro examinador. Final magnífico. Acho que é a primeira crónica do Tiago de que gosto. Porque está clarividente, muito subtil e bem escrita. Pois o antídoto será mais ou menos um mandamento de Moisés contra a idolatria. Porque quando a idolatria laica aparece, vem com trombetas mediáticas de tal ordem que aglomera e cria o bando dos puros. 

 

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Net antiga


Justificando antiga “NOVA”, que se pretende universal, como rede salvadora. Sem grande poder, ao que parece, sobre as “redes” que há por aí…

A Boa Nova e as Fake News

Há dois mil anos, já Jesus de Nazaré profeticamente chamava a atenção para os perigos da desinformação, nomeadamente por via da rede, ou seja, da net.

P. GONÇALO PORTOCARRERO DE ALMADA - COLUNISTA

OBSERVADOR, 31 jan. 2026, 00:1610

O Evangelho é, literalmente, a boa nova da nossa salvação. A redenção é, em primeiro lugar, um facto, um acontecimento histórico em virtude do qual se possibilitou ao ser humano a remissão dos seus pecados, nomeadamente o original, mancha que a toda a descendência do primeiro casal humano afectou, com a singular excepção de Maria e do seu divino filho, Jesus. A salvação que, em termos negativos, significa a remissão do pecado e da pena por ele devida, positivamente expressa a participação “da natureza divina”.

Se, em termos reais, a redenção é um facto histórico que, pela sua própria virtude, redime e santifica, ou seja, opera a salvação, em termos informativos a redenção é uma notícia, a boa nova. O Evangelho anuncia o desígnio divino de restaurar a natureza humana decaída, elevando-a mais além do que fora o seu estado primitivo. Essa restauração e sublimação da condição humana não se realiza de forma universal e automática, o que violaria a liberdade e dignidade humanas, mas pela consciente e livre participação de cada pessoa no mistério da salvação. Por isso, como dizia Santo Agostinho, “Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti”.

O ser humano não se pode salvar a si próprio, como o doente também não se cura a si mesmo, mas pode impedir que esse propósito divino seja eficaz na sua vida. Por isso, o homem, que não é capaz da sua salvação, é, contudo, responsável pela sua eterna condenação, porque a mesma só pode acontecer quando é consciente e livremente rejeitada a vontade “de Deus nosso Salvador, o qual quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” .

Enquanto notícia, o Evangelho não é apenas uma palavra de esperança transmitida à humanidade, mas alguém que é “caminho, verdade e vida” (Jo 14, 6). Jesus Cristo é a Palavra definitiva do Pai (Hb 1, 1-4), o Verbo encarnado (Jo 1, 14), a senha que permite o acesso ao Céu, a palavra-passe para a eternidade, a passagem, ou páscoa, para a glória de Deus. Uma boa nova, decerto, mas que tem de ser conhecida e assumida, não apenas como verdade abstracta, mas realidade vivida: não é cristão aquele que apenas acredita intelectualmente que Jesus Cristo é o filho de Deus encarnado, nem aquele que, com o seu coração, o ama, mas quem o segue, ou seja, se identifica com os seus ensinamentos e se empenha por viver de acordo com o seu exemplo.

No anúncio feito aos pastores de Belém, manifestou-se claramente que o Evangelho é notícia: “Não temais, porque vos anuncio uma boa nova, que será de grande alegria para todo o povo: Nasceu-vos hoje, na cidade de David, o Salvador, que é o Cristo, o Senhor” (Lc 2, 9-11).. Aqueles homens são confrontados com uma realidade que os transcende e que não podiam sequer imaginar, mas para a qual são convocados como primeiras testemunhas O nascimento do Salvador supera a expectativa humana e chama a todos os seres humanos para que recebam a prometida graça da nossa redenção. Deus não se impõe ao homem, apenas lhe oferece a possibilidade da salvação, que só será efectiva pela livre cooperação humana.

A mesma notícia que causou aos magos uma “grandíssima alegria” (Mt 2, 10), provocou o ódio homicida de Herodes que, temendo que o prometido Messias o destronasse, mandou matar todas as crianças recém-nascidas em Belém de Judá (Mt 2, 16-18). Na disparidade destas reacções, de júbilo e graça nuns, mas de ódio e morte noutros, estão representadas as possíveis respostas humanas à proposta divina da redenção.

Para diluir a sua responsabilidade na rejeição da graça salvífica, o homem que não quer aderir ao plano da sua salvação procura desacreditar a mensagem de que é destinatário. Assim aconteceu, por certo, em relação à ressurreição de Jesus: não obstante a evidência do facto, como inquestionável era também a realidade da sua prévia morte, houve quem resistisse a crer nessa boa notícia, precisamente para não ter de aceitar a sua inevitável consequência, ou seja, o reconhecimento da divindade de Jesus de Nazaré.

A este propósito, Mateus refere as circunstâncias em que surgem umas das mais antigas fake news: “Foram à cidade alguns dos guardas, e noticiaram aos príncipes dos sacerdotes tudo o que tinha sucedido. Tendo-se eles congregado com os anciãos, depois de tomarem conselho, deram uma grande soma de dinheiro aos soldados, dizendo-lhes: ‘Dizei: Os seus discípulos vieram de noite e, enquanto nós estávamos a dormir, o roubaram.’ Se chegar isto aos ouvidos do governador, nós o aplacaremos e estareis seguros. Eles, recebido o dinheiro, fizeram como lhes tinha sido dito. E esta voz divulgou-se entre os judeus e dura até ao dia de hoje.” (Mt 28, 11-15).  Pelos vistos, já então havia quem se deixasse subornar para divulgar boatos que nada tinham a ver com a realidade, mas que eram, segundo a perspectiva farisaica, o politicamente correcto …

Santo Agostinho, com a argúcia que lhe era própria, prova a hipocrisia inerente àquela mentira esfarrapada: “Astúcia miserável! Apresentas testemunhas adormecidas?! Verdadeiramente estás a dormir tu mesmo, ao imaginar semelhante explicação!” (Enarrationes in Psalmos, 63, 15). A verdade é coerente, mas a falsidade tem, como se costuma dizer, a perna curta e, portanto, não vai longe, pois é inevitável que se manifeste a sua inconsistência lógica. A razão está sempre do lado da fé, enquanto que, para não crer em Deus, é precisa uma boa dose de irracionalidade e, até, de credulidade. Como dizia Dostoievski, os russos são pessoas de tanta fé que, alguns, até são ateus! Com efeito, é precisa muita mais fé para ser ateu e crer que o mundo deve a sua existência ao acaso, ou ao nada, do que para acreditar que é efeito de um ser omnisciente e omnipotente, ou seja, Deus.

Ante a contradição dos relatos e comentários jornalísticos, já que os há para todos os gostos e feitios, aos católicos pede-se reflexão e discernimento, isto é, um saudável espírito crítico. Há já dois mil anos, Jesus de Nazaré profeticamente antecipava os perigos da desinformação, nomeadamente por via da net: “O reino dos céus é ainda semelhante a uma rede (em inglês, net) lançada ao mar, que colhe toda a casta de peixes. Quando está cheia, os pescadores tiram-na para fora e, sentados, na praia, escolhem os bons para cestos e deitam fora os maus. Será assim no fim do mundo, virão os anjos e separarão os maus do meio dos justos.” (Mt 13, 47-49).

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COMENTÁRIOS (de 10)

S N: Mais uma excelente e tão cristalina crónica do autor sobre um tema tão complexo e fundamental. A milhas de distância de tantos outros textos e discursos habituais.

 

 

Mudam-se os tempos…


Sim, eram bem diferentes as propostas do “25 de Abril”. Tratava-se aí, de um radicalismo na mudança, que apenas pretendia, pelo menos aparentemente, pontapear todo um passado salazarista, em pretextos vários que não interessa mais evocar. Hoje. a coisa é mais pessoal, talvez, visto o apreço que sobressai  de uma conquista governativa eficiente. No fundo, no fundo, os interesses são os mesmos, quer então, quer agora – a eficiência das espórtulas para os governantes e aderentes, resultantes da governação que pretenderam e continuam a pretender… Mas, tudo isto é mesquinho. Ficará sempre, sim, o texto de uma ironia tão sagaz, de JNP. Só isso conta. O resto, trai a sordidez do costume, que já custa enfrentar.

 

Uma escolha política

O duelo político, com a tragédia dos anti-fascistas tremendo perante o Dies Irae venturiano, quer agora transformar-se na escolha aparentemente apolítica do candidato com o perfil mais presidenciável.

JAIME NOGUEIRA PINTO Colunista do Observador

OBSERVADOR, 31 jan. 2026, 00:1849

No Domingo, 8 de Fevereiro, a escolha, agora pintalgada como meramente protocolar, não-ideológica e “moral”, vai ser particularmente consequente e política.

E Ventura, que há meia dúzia de anos surgiu como “o Perturbador” daquilo a que começou logo por chamar “o sistema”, está no centro da escolha e da perturbação, gerando uma coligação negativa, cuja amplitude seria então difícil de imaginar.

 Ora esta polarização não se passa só em Portugal. Depois do fim da União Soviética e do sonho globalista do comunismo, veio um globalismo plutocrático alternativo e, com ele, a deslocalização e desindustrialização de muitos países da Euro-América. Na Europa, esse globalismo tomou a forma de federalismo europeu, um federalismo ideológico e económico impulsionado a partir de Bruxelas e da Comissão Europeia.

Estes movimentos globalistas, a par da imigração, ao irem contra as nações e as identidades e ao causarem um empobrecimento relativo das comunidades atingidas, levantaram fortes reacções populares a que os partidos do chamado Centrão, da esquerda socialista e social-democrata à direita social-democrata e democrata-cristã, não foram capazes de responder, gerando muitos “deixados para trás”. Daí vieram as novas forças políticas nacionalistas, populares e nacionais-conservadoras que, na Europa e nas Américas, apareceram como uma “nova direita” essencialmente nascida do voto popular, em democracia e pela democracia.

Em Portugal, as condições especiais geradas pelo 25 de Abril, que trouxe uma situação de pré-revolução comunista década e meia antes do fim do comunismo na Rússia e na Europa Oriental, pesaram muito para que se mantivesse um regime governado pelo Centrão, com tutela cultural esquerdista.

Quando André Ventura e o Chega apareceram, ainda que centrados numa dialéctica anti-sistema e num discurso tribunício e populista, com uma natural nota de generalização e de excesso, foram-se afirmando casuisticamente valores de orientação esquecidos ou negligenciados: a nação, a família, o trabalho, a identidade, o controlo da imigração.

Por ironia do destino, António José Seguro, que havia de correr contra ele, era alguém por quem a esquerda do Partido Socialista e a Extrema-Esquerda não morriam de amores. E por quem a Direita tinha até alguma simpatia, pela moderação, pelos maus-tratos sofridos às mãos de camaradas, pela honestidade pessoal.

No entanto, com esta nova moda estalinista do voto público ou de braço no ar, não deixa de ser desconcertante ver todo o “arco da governação”, de Cavaco Silva a Catarina Martins, a convergir em Seguro contra Ventura, no que aparenta ser a prova, não apenas de uma persistente necessidade de sinalização de virtude, mas da existência real de um “sistema” que, até aqui, muitos viam só como uma inexistência populista esgrimida por Ventura e pelo Chega.

Mas parece que não é nada disso. Parece que não se trata da súbita união de um qualquer “sistema” em luta pela sobrevivência; trata-se, isso sim, de uma abrangente cruzada para “salvar a democracia”. Vamos ver como:

Da luta existencial ao manual de boas maneiras

Primeiro, era unânime que a luta se faria contra o perigoso fascista-nazi-racista André Ventura; agora, ainda que alguns “democratas” devotos da falecida União Soviética ou do Grande Timoneiro chinês persistam na táctica, a estratégia é outra: Seguro é bem-educado, manso, moderado, de fino trato, previsível e presidenciável; Ventura não tem maneiras nem gravitas para o cargo – é mal-educado, brutal, impetuoso e quer agitar as águas e fazer coisas.

E, bruscamente, da salvação do mundo e da democracia em solo pátrio, passou-se ao protocolo do MNE, ao manual de boas maneiras, à arte de saber estar; dos anti-fascistas, passámos aos liberais chiques; dos Direitos do Homem em perigo ao horror perante a etiqueta atropelada. Ventura deixou de encarnar Hitler, Mussolini, Franco e Salazar para vestir a pele de um Zé Povinho sempre a fazer manguitos que não sabe estar entre os grandes, de um grunho que promete deixar mal o Estado português “lá fora”, em Bruxelas, no Buckingham Palace, no Eliseu, onde seja.

Ora esta nova estratégia oferece-nos um tipo de entretenimento inédito: o espectáculo do choque, do escândalo, do alarme e da preocupação dos revolucionários de ontem e dos activistas de hoje, dos herdeiros dos sans-cullotes de Paris e do Proletariado de todo o mundo, perante a falta de moderação, de decência, de decoro e de pose institucional de Ventura, a quem parecem exigir a bonomia discreta e cinzenta de político do antigo regime que vêem (e apreciam) no outro candidato…

Mas então e o povo, os trabalhadores, tão queridos à Esquerda, e que fazem muito do eleitorado de Ventura? poder-se-ia perguntar. Qual povo, se o candidato da Direita é apoiado, não por formidáveis trabalhadores em luta ou por operários fabris progressistas, mas por deploráveis “eleitores de baixa escolaridade”, reaccionários, equivocados e febris? Responder-nos-iam.

Enfim, pouco importa, porque a campanha existencial, o duelo político, ideológico, com a tragédia dos anti-fascistas tremendo perante o Dies Irae venturiano, quer agora transformar-se (até para conquistar o centro e a direita que não saiba resistir à pressão) na escolha aparentemente apolítica, não-ideológica, do candidato com o perfil cívico, “moral” e até “cristão” mais presidenciável; daí o apelo transversal à civilidade, à “humanidade”, em nome da preservação da decência democrática.

Uma escolha política

Convém, no entanto, não esquecer que, ao contrário do que possamos ser levados a pensar, o que vamos ter no dia 8 não é um concurso de misses, mas uma escolha política – ainda que alguns a reduzam à “escolha fácil” entre um candidato que grita e um outro que não grita.

Acontece que o candidato que não grita é socialista… mas, lá está, não grita, e é simpático, cordato, educado, decente, pacato, razões mais do que suficientes para ser apoiado por todos os vultos do regime – da direita consentida, que corre feliz para os braços temporária e interesseiramente abertos da Esquerda, à extrema-esquerda, subitamente institucional. Todos juntos em morna, medrosa, “civilizada” e moderada unanimidade para defender, não o bem-comum, não o país do presente e do futuro, não o povo, mas a velha “pluralidade democrática” instituída em que vivem e da qual vivem.

Esta pressão das elites políticas unidas contra um candidato que, cada vez mais, se vai consolidando como o único candidato alternativo junto dos “deixados para trás”, pode bem ser a prova viva de que “o sistema”, afinal, existe.

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COMENTÁRIOS (de 49)

Alexandra Ferraz: Graças a Deus que ainda há quem seja contra a corrente 🙌🙌 O que vemos são as 'elites' todas juntas a correr para o precipício sem se dar conta... Que bicho lhes mordeu?  Pensando bem até talvez seja a melhor solução para se acabar de vez com este sistema rançoso com 50 anos, em fim de prazo de validade. Não há mal que sempre dure e isto é o princípio dum fim anunciado. Depois do dia 8 nada será como dantes. Vamos ter fé 🙏! Que venha a mudança !!! 💪🤞 Obrigada Jaime Nogueira Pinto pela sua qualidade no meio de tanto bicho careta que polui a nossa política e que  também já enxameiam este jornal que eu ainda assino, e só, por causa de alguns poucos resistentes onde o incluo. Bem haja!!!                      José B Dias: E existe ...                      Carlos Almeida: Excelente. Faltou só os “atrasados mentais”…                     Jorge Carvalho: Bravo JNP pela denúncia corajosa das aleivosas e ridículas criaturas não socialistas que oportunisticamente para defesa dos seus interesses vão votar socialista para defesa de suas benesses e conezias. Este espaço manicomial em síndrome neurótico de pânico tem os dias contados.                João Floriano: Nunca tive dúvida que o sistema sempre existiu e está mais activo do que nunca. Também nunca duvidei que estamos perante uma escolha política que vai abrir as portas novamente ao socialismo. Também nunca coloquei em causa o facto de esta corrida a apoiar Seguro e sobretudo  a revelar o sentido do voto (uma obrigação que a não ser cumprida poderá acarretar dissabores a quem não o fizer), é um verdadeiro tiro no pé que condiciona e muito a campanha que o PSD/AD poderá vir de ter  a fazer num futuro que agora se afigura bem mais próximo. Se apoiaram Seguro a 8 de fevereiro de 2026, então o que os distingue do PS? A margem de manobra e a credibilidade  ficam bastante mais condicionados, sobretudo se Seguro for de facto o Presidente Miss Simpatia que aparenta ser, todo abracinhos, todo sorrisos, todo mesuras, mas na verdade um inútil nos tempos conturbados que estamos  a viver.                    Ana Luís da Silva: Excelente artigo de Jaime Nogueira Pinto, com uma observação desassombrada, simples e reveladora, ao nível do estrondo do rei vai nu: “O sistema afinal existe”! Ou seja, perante a ameaça de a democracia através do voto livre e secreto beneficiar alguém fora dele, “os sistémicos” ligaram o botão do “pânico” e reagiram da maneira que se permitiram a si mesmos: ostracizando André Ventura e sinalizando a própria virtude!            GateKeeper: Top 05. Caro JNP, para quando um livro com todos os seus artigos na Crítica XXI e no Observador?             José Costa-Deitado: Excelente desmontagem da última farsa do regime: depois de anos a chamar tudo e mais alguma coisa a André Ventura — fascista, nazi, racista, antidemocrata — sobra agora um argumento único, pobre e revelador: não tem boas maneiras. Subitamente, a salvação da democracia deixou de ser política e passou a ser etiqueta. Do antifascismo militante ao bom-tom institucional. O critério supremo resume-se a isto: António José Seguro é “bem-educado”. Como se o país estivesse a escolher um mestre-de-cerimónias para Bruxelas ou um convidado exemplar para um jantar de gala — e não um Presidente da República. O mais interessante? Esta súbita unanimidade “civilizada” diz muito menos sobre Ventura… e tudo sobre o sistema que se sente ameaçado.                    João Santos: Neste artigo, tal como no anterior, Nogueira Pinto demonstra com a clareza que só um tonto não entende, que qualquer eleitor que se enquadre numa das Direitas pode e deve optar por Ventura: Nuns casos, esse voto será convicto; Noutros casos, poderá classificar-se como voto útil; Noutros ainda, será uma escolha meramente instrumental. Em qualquer das situações, todos, todos, todos (sejam tradicionais apoiantes ou votantes do CDS ou do PSD ou novos eleitores do Chega e da IL) podem ficar com a consciência tranquila de não ter contribuído para o regresso dos socialistas à área do poder. Depois de dia 8 não adiantará chorar por leite derramado e o mal estará feito, com um PR que à partida quase ninguém queria, mas com legitimidade e força de intervenção política sem paralelo numa 1.ª volta...                    Manuel Magalhaes: É verdade Jaime, o Sistema existe de facto, é o sistema da mediocridade e onde os tais 250 “inteligentes”  não passam de idiotas úteis…                 Paradigmas Há Muitos! Duas notas. Os eleitores do Chega não são só os "deixados para trás", são também os que materialmente não precisam da política e que podem votar segundo a sua consciência. E não são só os iletrados, são também os híper-letrados que sabem o suficiente para não se deixarem enganar por uns bem falantes do centrão, inclinados à esquerda. E por isso esses eleitores sabem que o PS mais a geringonça destruiu em 8 anos Portugal, o tal país da elevada coesão social, provavelmente para sempre. Oito séculos de História para o lixo, mães nas maternidades com alta % de não nativos, escolas com mais estrangeiros que nacionais, ruas do Bem Formoso, montes de imigrantes pelas esquinas, lojecas asiáticas sem negócio por todo o lado, pedidos para construção de mesquitas sob a ameaça de se não forem autorizadas a oração será feita na rua e/ou haverá radicalização. Esses eleitores sabem que Portugal lhes está a ser roubado e que os seus antepassados nunca teriam aceite isso. Culpados foram também os políticos do PSD que aceitaram a imposição "moral" da esquerda sobre a imigração irracional e não a combateram como sendo uma ameaça existencial para Portugal. O que resta a estes cidadãos? Votar nos políticos que com extrema coragem alertaram para o perigo e assumiram combatê-lo e desprezar todos os outros, os que foram ignorantes e/ou cobardes no mínimo e cúmplices e/ou traidores à nação no máximo. E por isso, para estes cidadãos a revolta que sentem leva-os a decidir e em toda a convicção, os políticos do "sistema" que se lixem.                    Miguel Seabra: Brilhante crónica de JNP no seu melhor! a Sandra Felgueiras (ontem na CNN) até fez um penteado novo para tentar humilhar o grunho AV com uma lista de perguntas num papel que não eram mais do que uma lista de insultos. E o André com grande educação respondeu a tudo e nem lhe perguntou se a mãe dela ainda estava fugida no Brasil.                SDC Cruz: Caro Jaime Nogueira Pinto, a sua crónica é de uma lucidez estonteante. A escolha política está feita: "todos os democratas" do arco da governação estão contra Ventura!  Porque será?  Excelente, JNP.                  Carlos Chaves > drumond freitas: bancarroteiro e destruidor da nossa matriz Judaico-Cristã, é melhor! E depois comparar a situação política em Portugal com a situação política nos EUA  só pode ser brincadeira, certo? Cada voto em Seguro é um voto na perpetuação da miséria! Não chegam 52 anos?                  Carlos Chaves: Só o facto de ver os falsos que se diziam de direita e que combatiam o socialismo, como Cavaco Silva e Paulo Portas, unidos com a extrema-esquerda do PS, do PCP, do Livre, e do BE, é razão suficiente para votar em quem eles dizem ser um papão! Quem é que se julga esta gente? Sem vergonha são com certeza, democratas não são, são exactamente aquilo de que acusam o candidato que querem eliminar! E claro que sim, caro Jaime Nogueira Pinto, este ajuntamento de conveniência, é a prova provada de que o sistema existe e temos que rebentar com ele. Quando temos um ex-PM e um ex-Presidente da República a mentir em directo... Não precisamos de grandes exercícios intelectuais para constatarmos o engodo em que temos vivido!                   Maria Emília Santos: Artigo espetacular! Devia ser lido e meditado por todos os portugueses antes das eleições!  O voto deixou de ser secreto e portanto, democrático, para passar a ser de braço no ar, à Hitler! Mas são as elites que formam estes grupos apoiantes para elegerem a "misse" no próximo dia 8.  Os "deixados para trás", que levantem as mãos ao céu, por ter surgido, nesta triste democracia, um político que grita para os defender! As elites unem-se, sejam de direita ou de esquerda, porque se estão nas tintas para os mais necessitados!  Querem que fique tudo na mesma! O importante é a aparência! Verem-se ao espelho e terem boa aparência, mesmo que seja cobertos de botox! Os deserdados da sorte de Ventura, esses que se tramem!  O grupo dos "católicos por Seguro" devem-se ter esquecido dos mandamentos da lei de Deus!                nuno alves: Obrigado pelo seu artigo.          Carlos F. Marques: Excelente.                    João Floriano > Ana Luís da Silva: Nunca tive dúvidas de que o sistema existe.             Alvaro Castro: Excelente análise !                       Rosa Silvestre: Diz muito de um país em que o argumento mais forte para eleger um presidente da república é o da boa educação...                   Mario Figueiredo: São extraordinárias as voltas que se dão para tentar explicar o não-voto em André Ventura da forma mais desonesta e implicadora possível. O não-voto em André Ventura só pode ser entendido como uma reacção do sistema ou das forças do socialismo. É uma espécie de revolução ao contrário: em que o grande revolucionário é o Chega e os reaccionários são o sistema, as elites e o socialismo. (Isto é Populismo na sua forma mais destilada. Confesso ter tido momentos nos últimos dois anos em que me fascino por estar a assistir ao vivo, algo que até há poucos anos eu só lia em livros de história ou ciência política.) A desonestidade na análise é tal, que nem por um momento que seja Jaime Nogueira Pinto pretende se debruçar sobre os muitos outros problemas apontados ao pensamento e acção politica de André Ventura, que o colocam não somente como uma figura polarizadora da sociedade e politica nacional (por si só, capazes de gerar apoios contrários), mas também levam muitos portugueses a questionar a sua moralidade e ética; elementos essenciais na apreciação de um politico. Nada disso interessa sequer ser avaliado. O não-voto em Ventura é, isso sim, um movimento reaccionário das elites. Eu sei que não parece, mas estamos mesmo a falar do Chega, não do PCP. E estamos a falar de Portugal e não de um movimento reaccionário em Cuba.                 João Floriano > Manuel Gonçalves: Não encontro no programa do CHEGA artigos sobre  a saída da UE  da NATO.             Maria Correia: bruscamente, da salvação do mundo e da democracia em solo pátrio, passou-se ao protocolo do MNE, ao manual de boas maneiras, à arte de saber estar; dos anti-fascistas, passámos aos liberais chiques; dos Direitos do Homem em perigo ao horror perante a etiqueta atropelada. Que maravilha! Obrigada.                Maria Da Veiga: Bem visto, estou de acordo. Temos uma geringonça alargada sob a égide do Seguro. Acontece que o Seguro é fraco e impreparado, pelo que o que se prevê é que vai ser literalmente cancelado pelos actores políticos que tiverem mais força. Seguro é a porcelana numa sala cheia de elefantes! Elegê-lo é também condenar um sistema semipresidencialista de jure, a um sistema parlamentar de facto. É tb a oportunidade para o Ventura abanar mais rapidamente o sistema! A eleição do Seguro não augura nada de bom para o país futuro.        Maria Aguiar: Exactamente! 🙏🙏🙏🙏                    João Floriano > Manuel Gonçalves: Então o que encontramos em partidos de extrema-esquerda que ainda têm representação parlamentar? Apoios a Maduro, Irão, Coreia do Norte, China. Penso que os ideais anti UE têm mais  a ver com o wokismo tão ao gosto de Bruxelas.                 Filipe Paes de Vasconcellos: O seu artigo  nem parece ser escrito por si tais as banalidades que invoca. Como sabemos, o que deve ser importante revelar na análise da extrema-direita que o “patriota” Ventura representa é o facto de o mesmo pertencer a um movimento supremacista que o camone Trump quer impor ao mundo livre e democrático. Já nada tem a ver com as boas ou más maneiras, com fascismo ou anti fascismo, com o “sistema ou antissistema. A “direita” que Ventura “o patriota“ diz querer liderar é a direita extremista que pretende fazer o contraponto com a extrema esquerda que, entretanto, já lá foi. Só que esta extrema- esquerda já não existe e, portanto,  Ventura vai perder o chão à medida que o governo AD continue a resolver os problemas gravíssimos que o Costismo (extrema esquerda PS+BE+PCP) deixou a Portugal. Assim, Ventura deixará gradualmente de “ter as cartas” que alimentam o populismo. Deixará de “ter as cartas” mas, atenção,  porque financiamento não lhes faltará.  Portanto, o que parece ser importante clarificar (desmascarar) é que o projeto da direita que Ventura, na sua narrativa mentirosa diz representar, é o mesmo que Trump quer impor para  rebentar com a Ordem Internacional que ao longo dos últimos 80 anos trouxe Paz e Progresso ao mundo livre e democrático. Não basta rezar e bater no peito para as televisões. Mas que indignidade! A política nacional e internacional não pode ser dirigida por gente revoltada armada  em “patriotas“ submissos ao trumpismo.                      Manuel Gonçalves: O extremão, de esquerda e direita, faz alianças e blocos frequentes, como se viu no parlamento europeu, contra o acordo do Mercosul, profundamente paralisantes de quaisquer reformas e melhoria das condições económicas das nações e de vida dos povos.         Nuno Abreu: Um bom texto. Alguém que sendo da direita, não precisa gritar, de chamar criminosos a todos quantos expõem ideias contrárias às suas. Os chavismos deviam ter passado à história. Não ajudam em nada a tentativa de centrar à direita os governos futuros de Portugal.              Américo Silva: Para escolher entre Seguro e Ventura, tenho que saber quem é: Pelo aborto até quantas semanas? Pela adopção por homossexuais? Pelo suicídio assistido e eutanásia? Pela mudança de sexo? No BI? No desporto? Pelas barrigas de aluguer?                      Maria Correia: Qual povo, se o candidato da Direita é apoiado, não por formidáveis trabalhadores em luta ou por operários fabris progressistas, mas por deploráveis “eleitores de baixa escolaridade”, reaccionários, equivocados e febris? Responder-nos-iam. Esta é a mais forte. A esquerda revolucionária do Povo e dos famélicos da terra a chamar-lhes feios, porcos e maus, porque nós é que somos elite com estudos! Curioso é que até já nem se arvoram em timoneiros e grandes educadores, porque a doutrina é agora ideologia de minorias contra o patriarcado e a vergonha de se poder ser autóctone e "homem branco"      Paradigmas Há Muitos!: Numa outra variante da criativa campanha do sistema em curso, ontem aqui noutro artigo de opinião, José Crespo de Carvalho, catedrático da área da Gestão tentou colocar a escolha para PR no mesmo plano duma escolha para CEO duma empresa. E obviamente, pelas condições requeridas, deduzia-se que Seguro é o mais qualificado. Comentei aí algumas das muitas diferenças entre gestão empresarial e cargos políticos e não vou repetir-me aqui, tão evidente me parece a diferença e por isso redutora a mensagem desse artigo.                        Paulo Martins: O sistema com as suas virtudes e defeitos é o sistema democrático daí a união de toda a diversidade que está dentro do sistema. Qual o sistema alternativo ao sistema democrático (seja ele democracia parlamentar, semi-presidencialista ou presidencialista)?                    Manuel Gonçalves: Escolha política, sem dúvida - Ventura é nacional socialista, ou seja integra os nacionalistas que pretendem destruir a UE, assim enfraquecer e isolar os países europeus, face à agressividade do nacionalismo trumpista, putinista, xiista e outros; bem como socialista, ao fazer alianças de voto no parlamento com o PS de Pedro Nuno Santos, PC e BE, em matéria orçamental e económica, revelando uma permanente concepção estatista em várias matérias, por ex TAP.