(NOTA PRÉVIA: Canalrodopsinas são uma subfamília de proteínas
retinilideno que funcionam como canais iónicos controlados por luz. Eles actuam
como fotorreceptores sensoriais em algas verdes unicelulares, controlando a
fototaxia: movimento em resposta à luz. Fonte: Wikipédia)
Quem descobre tantas coisas, é um ser fora de série, de uma
inteligência superior, naturalmente, por frágil que seja, fisicamente, esse
HOMEM DESCONHECIDO, de tal modo criativo… ou antes, criador…
Nobel Medicina. "Esta descoberta afecta a maneira
como estudávamos o cérebro"
O investigador Ricardo Henrique explica à Rádio
Observador que a técnica permite estudar comportamentos como o medo e pode ajudar a compreender doenças como a depressão
e a ansiedade.
Rádio Observador: TEXTO
OBSERVADOR, 05 out. 2026, 14:59
GettyImages-2282561759
07:49
As mais lidas:
("Estarei disponível como sempre para competir
por Portugal"
Trump ordena morte por fuzilamento a ex-militar
"Ou faz um pedido de desculpas público ou vai
cair"
Trump diz que o Estreito de Ormuz pertence aos EUA
A mentalidade Cristiano Ronaldo
PS quis fechar rápido OE. Mas ainda tem
"atoleiro" a evitar
Esta transcrição foi gerada automaticamente por
Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.)
É muito interessante, porque esta descoberta afecta
principalmente as neurociências. O que acontece? A maneira como nós
classicamente estudávamos o cérebro era através da electrofisiologia, ou seja, utilizávamos pequenas
agulhas que eram espetadas no cérebro para estimular algumas redes neuronais,
para se perceber de que maneira aquelas redes neuronais modulavam o
comportamento do nosso organismo e que levava ao comportamento humano, ou de
que maneira algumas doenças podiam ser moduladas por esses estímulos. Acontece
que com esta descoberta da channelrhodopsin
Nobel Medicina. "Esta descoberta afecta a maneira
como estudávamos o cérebro"
O investigador Ricardo
Henrique explica à Rádio Observador que a técnica permite estudar
comportamentos como o medo e pode ajudar a compreender doenças como a depressão e a ansiedade.
Rádio Observador: Texto
05 out. 2026, 14:59
GettyImages-2282561759
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"Estarei disponível como sempre para competir por
Portugal"
Trump ordena morte por fuzilamento a ex-militar
"Ou faz um pedido de desculpas público ou vai
cair"
Trump diz que o Estreito de Ormuz pertence aos EUA
A mentalidade Cristiano Ronaldo
PS quis fechar rápido OE. Mas ainda tem
"atoleiro" a evitar
Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência
Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
É muito interessante, porque esta descoberta afecta
principalmente as neurociências. O que acontece? A maneira como nós
classicamente estudávamos o cérebro era através da electrofisiologia, ou seja, utilizávamos pequenas
agulhas que eram espetadas no cérebro para estimular algumas redes neuronais,
para se perceber de que maneira aquelas redes neuronais modulavam o
comportamento do nosso organismo e que levava ao comportamento humano, ou de
que maneira algumas doenças podiam ser moduladas por esses estímulos. Acontece
que com esta descoberta da channelrhodopsin e a sua aplicação nas
neurociências, conseguimos controlar agora um canal iónico em neurónios utilizando luz. Isso significa que conseguimos
estimular o cérebro através da luz, em vez de utilizar estas agulhas.
Ou seja, existe uma maneira menos disruptiva de começarmos a compreender
de que maneira é que o cérebro funciona. Ao mesmo tempo, conseguimos
perceber que patologias é que podem ser moduladas através da activação de
algumas redes neuronais agora utilizando luz em vez de eletrofisiologia, o que nos abre também caminhos
para desenhar melhores tratamentos que permitam depois controlar algumas destas
redes neurais ou de algum modo mitigar comportamentos ou doenças que não
queremos, como por exemplo, a depressão, a ansiedade.
E acha que estamos mais
perto de conseguir travar doenças do cérebro?
Desculpa, podes repetir novamente?
Travar doenças ligadas ao cérebro.
Sim, eu acho que há dois pontos aqui que são muito
interessantes. Uma é que conseguimos perceber fundamentalmente melhor a
maneira como o cérebro é estruturado e que redes neuronais existem. Portanto,
fundamentalmente compreendemos melhor os animais, os seres humanos. Atenção, porque existe aqui uma
coisa muito interessante: estes canais iónicos só se aplicam a animais neste
momento. Porquê? Porque precisam ser modificados geneticamente
para incorporar estes canais iónicos que são controlados por luz. Mas ao
fazê-lo, conseguimos também ao mesmo tempo compreender que existe alguma
homologia entre os cérebros destes animais que nós modificamos em laboratórios
com aquilo que acontece no cérebro humano. Portanto,
conseguimos fundamentalmente compreender melhor o cérebro. Ao mesmo tempo, também conseguimos compreender
de que maneira alguns comportamentos são modulados. Por exemplo, uma experiência muito
interessante que está a ser feita neste momento é o estudo do medo nos ratinhos. Em vez de assustá-los,
consegue-se começar a compreender que neurónios estão associados ao medo, colocando
estes canais iónicos que são sensíveis à luz nestes ratinhos. E o que acontece é que com luz
consegue-se efectivamente estimular aquelas redes neuronais, o que significa
que com luz vemos uma reacção de medo nestes ratinhos. Portanto,
ao fazer essa relação, consegue-se perceber exactamente quais são os neurónios
que estão efectivamente associados a este tipo de comportamento. O impacto aqui é, por exemplo, em
ratinhos é muito difícil de estudar a ansiosidade ou a depressão, porque são
comportamentos muito complexos que é difícil de visualizar em ratinhos. Mas
ao estudar o medo, que é algo muito visceral, que se consegue ver muito
facilmente em ratinhos, consegue-se aos poucos começar a compreender de que
maneira é que ao mesmo tempo conseguimos chegar a outras redes que estão ou
super estimuladas ou pouco estimuladas, que podem estar associadas a
comportamentos que são mais importantes para nós humanos, que queremos depois
aprender a modular.
E o que acha que podemos
esperar nos próximos anos graças a esta investigação e também devido a ela?
É muito interessante, porque esta investigação já está a
ter um impacto enorme, mesmo a nível de Portugal. Porque, por exemplo, no
campo das neurociências existem já muitos cientistas que utilizam este tipo de
regiões para estudar o cérebro. Por exemplo, em Portugal, em Moisés,
acontece imenso. Mesmo a nível meu pessoal, nós utilizamos a luz
para mudar o comportamento de animais, ou mesmo a luz para visualizar esses
animais e o comportamento que eles têm. Portanto, já existe a nível científico um
impacto imenso.
Aquilo que começamos depois a ver ao longo dos próximos anos é a sua
tradução para a clínica e a maneira como podemos então criar novos
tipos de medicamentos que possam ajudar a lidar com doenças.
Peço desculpa, mas eu não percebi bem. Então, neste
caso, ainda não é estudado em humanos, não é? Só ainda relativamente aos
animais?
Com animais conseguimos
compreender a homologia que existe para humanos. Portanto, o estudo de channelrhodopsin
em humanos começa
a acontecer em alguns casos muito específicos e muito poucos. Por exemplo, a nível
ocular, da estimulação ocular. Porquê? Porque não podemos
modificar geneticamente humanos. Ou neste momento a legislação só permite
fazer algumas pequenas alterações locais em casos muito excepcionais. Mas aquilo que compreendemos
fundamentalmente a acontecer em animais é depois traduzido para aquilo que pode
ser utilizado na clínica.
E não sei se me consegues esclarecer: isto é uma
descoberta que no fundo também já dura há vários anos, certo?
Sim. É muito interessante. Isto tudo começou com
pequenas algas que conseguem virar e nadar em direção à luz. E uma das partes
extremamente inteligentes deste prêmio Nobel é que estes cientistas
compreenderam como podiam alterar estes canais que as algas
utilizavam para nadar em relação à luz e incorporá-los em células, muito
especificamente também em neurónios, para modificar a sua activação.
Muito bem, Ricardo. Olha, acho que tenho toda a informação de
que preciso. Obrigada por estares aqui mais uma vez. Foi bastante esclarecedor
também.
Não, obrigado a você por me receber aqui e a sua aplicação na
neurociência. Conseguimos controlar
agora um canal iónico em neurónios utilizando luz. Isso significa que conseguimos
estimular o cérebro através da luz, em vez de utilizar estas agulhas. Ou seja, existe uma
maneira menos disruptiva de começarmos a compreender de que maneira é que o
cérebro funciona. Ao
mesmo tempo, conseguimos perceber que patologias é que podem ser
moduladas através da activação de algumas redes neuronais agora utilizando
luz em vez de eletrofisiologia, o que nos abre também caminhos para
desenhar melhores tratamentos que permitam depois controlar algumas destas
redes neurais ou de algum modo mitigar comportamentos ou doenças que não
queremos, como por exemplo, a depressão, a ansiedade.
E acha que estamos mais
perto de conseguir travar doenças do cérebro?
Desculpa, podes repetir?
Travar doenças ligadas ao cérebro.
Sim, eu acho que há dois pontos aqui que são muito
interessantes. Uma é que conseguimos perceber fundamentalmente melhor a
maneira como o cérebro é estruturado e que redes neuronais existem. Portanto,
fundamentalmente compreendemos melhor os animais, os seres
humanos. Atenção, porque existe aqui uma
coisa muito interessante: estes canais iónicos só se aplicam a
animais neste momento. Porquê? Porque precisam ser modificados geneticamente para
incorporar estes canais iónicos que são controlados por luz. Mas ao fazê-lo, conseguimos
também ao mesmo tempo compreender que existe alguma
homologia entre os cérebros destes animais que nós modificamos em laboratórios
com aquilo que acontece no cérebro humano. Portanto, conseguimos fundamentalmente
compreender melhor o cérebro. Ao mesmo tempo, também conseguimos compreender de que
maneira alguns comportamentos são modulados. Por exemplo, uma
experiência muito interessante que está a ser feita neste momento é o estudo do medo nos ratinhos. Em vez de assustá-los, consegue-se
começar
a compreender que neurónios estão associados ao medo, colocando estes canais iónicos que
são sensíveis à luz nestes ratinhos. E o que acontece é que com luz consegue-se efectivamente estimular
aquelas redes neuronais, o que significa que com luz vemos uma reacção
de medo nestes ratinhos. Portanto, ao fazer essa relação, consegue-se perceber exactamente quais
são os neurónios que estão efectivamente associados a este tipo de
comportamento. O impacto aqui é, por exemplo, em ratinhos, é muito difícil de
estudar a ansiosidade ou a depressão, porque são
comportamentos muito complexos que é difícil de visualizar em ratinhos.
Mas ao estudar o medo, que é algo muito visceral, que se consegue ver muito
facilmente em ratinhos, consegue-se aos poucos começar a compreender de que
maneira é que ao mesmo tempo conseguimos chegar a outras redes que estão ou
super estimuladas ou pouco estimuladas, que podem estar associadas a
comportamentos que são mais importantes para nós humanos, que queremos depois
aprender a modular.
E o que acha que podemos
esperar nos próximos anos graças a esta investigação e também devido a ela?
É muito interessante, porque esta investigação já está
a ter um impacto enorme, mesmo a nível de Portugal. Porque, por exemplo, no
campo das neurociências existem já muitos cientistas que utilizam este tipo de
regiões para estudar o cérebro. Por exemplo, em Portugal, em Moisés, acontece imenso. Mesmo
a nível meu, pessoal, nós utilizamos a luz para mudar o comportamento de
animais, ou mesmo a luz para visualizar esses animais e o comportamento que
eles têm. Portanto, já existe a nível científico um impacto
imenso. Aquilo que começamos depois a ver ao longo dos próximos anos
é a sua tradução para a clínica e a maneira como podemos então criar novos
tipos de medicamentos que possam ajudar a lidar com doenças.
Peço desculpa, mas eu não percebi bem. Então, neste
caso, ainda não é estudado em humanos, não é? Só ainda relativamente aos
animais?
Com animais conseguimos compreender a homologia que
existe para humanos. Portanto, o estudo de channelrhodopsin em humanos começa a
acontecer em alguns casos muito específicos e muito poucos. Por exemplo, a nível ocular, da estimulação ocular.
Porquê? Porque não podemos
modificar geneticamente humanos. Ou, neste momento, a legislação só permite fazer algumas
pequenas alterações locais em casos muito excepcionais. Mas aquilo que
compreendemos fundamentalmente a acontecer em animais é depois traduzido para
aquilo que pode ser utilizado na clínica.
E não sei se me consegues
esclarecer: isto é uma descoberta que no fundo também já dura há vários anos,
certo?
Sim. É muito interessante. Isto tudo
começou com pequenas algas que conseguem virar e nadar em direcção à luz. E uma das partes extremamente
inteligentes deste prémio Nobel é que estes cientistas compreenderam
como podiam alterar estes canais que as algas utilizavam para nadar em relação
à luz e incorporá-los em células, muito especificamente também em neurónios,
para modificar a sua activação.
Muito bem, Ricardo. Olha, acho que tenho toda a informação de
que preciso. Obrigada por estares aqui mais uma vez. Foi bastante esclarecedor
também.
Não, obrigado a você por me receber aqui.
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