sábado, 9 de março de 2013

Um comentário alargado



É sobre o texto de Joaquim Reis saído no blog “A Bem da Nação”, que o Dr. Salles da Fonseca encimou com um lindo retrato do Dr. Mário Soares, comprovativo de que tal Adónis é merecedor dos sacrifícios da nação inteira:
«AS VIAGENS DE MÁRIO SOARES»

«Somos de facto muito ingratos!...

Na realidade, tudo isto foi sempre feito com sacrifício e pelo bem da Pátria ( perdoem-me a gaffe, pois creio que a palavra já não existe, e trata-se de um conceito verdadeiramente arcaico. Aliás, o Senhor Doutor ficaria muito triste se soubesse que a pesada herança ainda persiste, apesar de tantos esforços e de tantos anos para educar o Povo!)

Onde foram gastos milhões dos nossos impostos, só em viagens, com a sua comitiva... Tudo pago pelo contribuinte (NÓS!), claro! Só em ajudas de custo para ele e respectivas comitivas façam as contas!

1986
11 a 13 de Maio - Grã-Bretanha
06 a 09 de Julho - França
12 a 14 de Setembro - Espanha
17 a 25 de Outubro - Grã-Bretanha e França
28 de Outubro - Moçambique
05 a 08 de Dezembro - São Tomé e Príncipe
08 a 11 de Dezembro - Cabo Verde
1987
15 a 18 de Janeiro - Espanha
24 de Março a 05 de Abril - Brasil
16 a 26 de Maio - Estados Unidos
13 a 16 de Junho - França e Suíça
16 a 20 de Outubro - França
22 a 29 de Novembro - Rússia
14 a 19 de Dezembro - Espanha
1988
18 a 23 de Abril - Alemanha
16 a 18 de Maio - Luxemburgo
18 a 21 de Maio - Suíça
31 de Maio a 05 de Junho - Filipinas
05 a 08 de Junho - Estados Unidos
08 a 13 de Agosto - Equador
13 a 15 de Outubro - Alemanha
15 a 18 de Outubro - Itália
05 a 10 de Novembro - França
12 a 17 de Dezembro – Grécia
1989
19 a 21 de Janeiro - Alemanha
31 de Janeiro a 05 de Fevereiro - Venezuela
21 a 27 de Fevereiro - Japão
27 de Fevereiro a 05 de Março - Hong-Kong e Macau
05 a 12 de Março - Itália
24 de Junho a 02 de Julho - Estados Unidos
12 a 16 de Julho - Estados Unidos
17 a 19 de Julho - Espanha
27 de Setembro a 02 de Outubro - Hungria
02 a 04 de Outubro - Holanda
16 a 24 de Outubro - França
20 a 24 de Novembro - Guiné-Bissau
24 a 26 de Novembro - Costa do Marfim
26 a 30 de Novembro - Zaire
27 a 30 de Dezembro - República Checa
1990
15 a 20 de Fevereiro - Itália
10 a 21 de Março - Chile e Brasil
26 a 29 de Abril - Itália
05 a 06 de Maio - Espanha
15 a 20 de Maio - Marrocos
09 a 11 de Outubro - Suécia
27 a 28 de Outubro - Espanha
11 a 12 de Novembro - Japão
1991
29 a 31 de Janeiro - Noruega
21 a 23 de Março - Cabo Verde
02 a 04 de Abril - São Tomé e Príncipe
05 a 09 de Abril - Itália
17 a 23 de Maio - Rússia
08 a 11 de Julho - Espanha
16 a 23 de Julho - México
27 de Agosto a 01 de Setembro - Espanha
14 a 19 de Setembro - França e Bélgica
08 a 10 de Outubro - Bélgica
22 a 24 de Novembro - França
08 a 12 de Dezembro - Bélgica e França
1992
10 a 14 de Janeiro - Estados Unidos
23 de Janeiro a 04 de Fevereiro - India
09 a 11 de Março - França
13 a 14 de Março - Espanha
25 a 29 de Abril - Espanha
04 a 06 de Maio - Suíça
06 a 09 de Maio - Dinamarca
26 a 28de Maio - Alemanha
30 a 31 de Maio - Espanha
01 a 07 de Junho - Brasil
11 a 13 de Junho - Espanha
13 a 15 de Junho - Alemanha
19 a 21 de Junho - Itália
14 a 16 de Outubro - França
16 a 19 de Outubro - Alemanha
19 a 21 de Outubro - Áustria
21 a 27 de Outubro - Turquia
01 a 03 de Novembro - Espanha
17 a 19 de Novembro - França
26 a 28 de Novembro - Espanha
13 a 16 de Dezembro – França
1993
17 a 21 de Fevereiro - França
14 a 16 de Março - Bélgica
06 a 07 de Abril - Espanha
18 a 20 de Abril - Alemanha
21 a 23 de Abril - Estados Unidos
27 de Abril a 02 de Maio - Grã-Bretanha e Escócia
14 a 16 de Maio - Espanha
17 a 19 de Maio - França
22 a 23 de Maio – Espanha
01 a 04 de Junho - Irlanda
04 a 06 de Junho - Islândia
05 a 06 de Julho - Espanha
09 a 14 de Julho - Chile
14 a 21 de Julho - Brasil
24 a 26 de Julho - Espanha
06 a 07 de Agosto - Bélgica
07 a 08 de Setembro - Espanha
14 a 17 de de Outubro - Coreia do Norte
18 a 27 de Outubro - Japão
28 a 31 de Outubro - Hong-Kong e Macau
1994
02 a 05 de Fevereiro - França
27 de Fevereiro a 03 de Março - Espanha (incluindo Canárias)
18 a 26 de Março - Brasil
08 a 12 de Maio - África do Sul (Tomada de posse de Mandela)
22 a 27 de Maio - Itália
27 a 31 de Maio - África do Sul
06 a 07 de Junho - Espanha
12 a 20 de Junho - Colômbia
05 a 06 de Julho - França
10 a 13 de Setembro - Itália
13 a 16 de Setembro - Bulgária
16 a 18 de Setembro - - França
28 a 30 de Setembro - Guiné-Bissau
09 a 11 de Outubro - Malta
11 a 16 de Outubro - Egipto
17 a 18 de Outubro - Letónia
18 a 20 de Outubro - Polónia
09 a 10 de Novembro - Grã-Bretanha
15 a 17 de Novembro - República Checa
17 a 19 de Novembro - Suíça
27 a 28 de Novembro - Marrocos
07 a 12 de Dezembro - Moçambique
30 de Dezembro a 09 de Janeiro 1995 - Bra
1995
31 de Janeiro a 02 de Fevereiro - França
12 a 13 de Fevereiro - Espanha
07 a 08 de Março - Tunísia
06 a 10 de Abril - Macau
10 a 17 de Abril - China
17 a 19 de Abril - Paquistão
07 a 09 de Maio - França
21 de Setembro - Espanha
23 a 28 de Setembro - Turquia
14 a 19 de Outubro - Argentina e Uruguai
20 a 23 de Outubro – Estados Unidos
27 de Outubro - Espanha
31 de Outubro a 04 de Novembro - Israel
04 e 05 de Novembro Faixa de Gaza e Cisjordânia
05 e 06 de Novembro - Cidade de Jerusalém
15 a 16 de Novembro - França
17 a 24 de Novembro - África do Sul
24 a 28 de Novembro - Ilhas Seychelles
04 a 05 de Dezembro - Costa do Marfim
06 a 10 de Dezembro - Macau
11 a 16 de Dezembro - Japão
1996
08 a 11 de Janeiro - Angola
Durante os anos que ocupou o Palácio de Belém, Soares visitou 57 países (alguns várias vezes como por exemplo Espanha que visitou 24 vezes e a França 21 vezes), percorrendo no total 992.809 KMS o que corresponde a 22 vezes a volta ao mundo...
Para quê Dr. Mário Soares?
Explique ao povo para que serviu tanta viagem…
Obrigou-nos a aceitar a Troika, duas vezes...
– CARROS; SEGURANÇAS, CONDUTORES, GABINETES E A SUA FUNDAÇÃO (1.300 milhões) QUE DE NADA SERVE E TODOS PAGAMOS.
Joaquim Reis

     Do livro “Cravos Roxos” (1981, Santelmo”), retiro o texto “Georges, anda ver o meu País de viajantes”, como comentário a esse texto :

Georges, anda ver o meu País de viajantes

«Diz-se para aí                                                                                                                     
Que muito bem fazem eles em viajar,

Para poderem conhecer
Os sítios onde se irão divertir

Sempre que o governo o permitir
- E permite geralmente,

Generosamente.
Também viajam para espalhar

O nome de Portugal
Após a sua redução

Territorial,
Que o governo permitiu

Gloriosamente.
Georges, anda ver o meu País de viajantes…”

Viajam pelo mundo inteiro
- Especialmente o terceiro –

Por causa do petróleo
A importar,

E das pessoas em excesso
A exportar

Do reduzido território.
Também viajam pelo segundo

E pelo primeiro mundo
Procurando esclarecimentos

E empréstimos
E mercados

Recusados
Pelos povos

Incompreensivelmente poupados.
Georges, anda ver o meu País de viajantes

Infatigáveis itinerantes,
Não pelo mar propriamente

 Como antigamente,
Sujeitos a privações,

Mas de avião
Transportando comodamente

Saudações
Aos povos que nos vão estender a mão

Segundo as nossas petições.
Levam séquito normalmente

Para causarem boa impressão
E granjearem civilizadamente

Amizade e cooperação.
Amizade e cooperação.

Amizade e cooperação.
Georges, anda ver o meu País de viajantes…”

Que completam a sua educação
À custa da nação

Submissa perante a imposição
De se granjear protecção

Declinada, naturalmente,
E sempre amavelmente.

Mas entretanto,
Os nossos viajantes viajaram,

Depois que o seu próprio território entregaram,
Sem terem querido conhecê-lo,

Nem amá-lo,
Nem reconhecê-lo.

Entretanto,
Os nossos viajantes passearam,

E pedincharam
Abrigo para aqueles que o tinham

Antes

E o perderam

Por causa dos viajantes
Amigos de viajar

Pelo ar
Comodamente

E não pelo mar
Como dantes,

Georges…

sexta-feira, 8 de março de 2013

2013, 8 de Março

 
           Não me lembro se já alguma vez gravei no meu blog o texto seguinte escrito em 1984, ou seja, há 29 anos. Mesmo que o tenha feito, volto a colocá-lo, para comemorar em alegria o mesmo Dia Mundial da Mulher e responder também ao desafio contido no blog “A Bem da Nação”, no mesmo intuito comemorativo: «Uma sociedade é tão evoluída quanto elevado for o estatuto da mulher » e analisar da sua pertinência nos dias de hoje.

Pelo escrito de 1984, verifico que o estatuto da mulher entre nós cá, se mantém, dentro dos parâmetros de beleza, da mocidade, pelo menos ao nível da televisão, pois dizem-me que são essas as condições para um singrar novelesco que contribui para fortalecer a nossa autoestima.

De resto, tudo o que vai apontado no artigo em causa, em termos de euforia feminil se mantém, as mesmas greves nos transportes, os mesmos traços de operacionalidade da mulher, os mesmos traços do apoio ou do reconhecimento masculino, valorativo da mulher a vários níveis. Só que naquela altura ainda se não falava tanto em criminalidade doméstica, daí que não me sinto muito segura nos bons auspícios com que a frase do Dr. Salles da Fonseca pretende incitar-nos a estudar mais para melhor colaborarmos na evolução da nossa sociedade.

Nessa intenção de aperfeiçoamento estatutário, acabo de ouvir em repetição “A quadratura do Círculo” que ontem perdi, por conta de Morfeu. Verifico, é certo, quanto as mentes masculinas de Pacheco Pereira e de António Costa, que já me pareceram dignas de crédito, como fruto de estudo ou de trabalho ponderado, se mostram cada vez mais presas de sofisma, resultado do azedume contra um Governo a quem não querem reconhecer a odisseica estratégia de governar com seriedade, o primeiro na sua vaidade grotesca de apoiar os seus argumentos com os ditames de uma filosofia arduamente elaborada, o segundo no seu cinismo de adepto de outro partido, parecendo-me que o que os move em parte é uma certa inveja contra um governo que orgulhosamente se mantém ainda de pé, no seu combate insano, e a quem eles não perdoam nenhum deslize. Lobo Xavier mostra-se, realmente, muito acima dos seus parceiros, pela ponderação, honestidade, coerência e educação das suas participações.

Espero que estes considerandos meus sirvam para esclarecer muitas das mentes nossas, femininas – ou não – embora sem a pretensão de impor ditames. Trata-se de uma breve análise resultante duma espécie de asco perante  as “vaidades irritadas e irritantes” que o nosso Camilo em tempos gloriosos de combate literário e libertário também analisara. A diferença está em que, apontadas pelo macho, que machos foram todos os que colaboraram no “Bom Senso e Bom Gosto” tal polémica colheu louros epocais e vindouros. Apontados pela fêmea, o silêncio a serve e lhe serve. Que é de silêncio e paralisia a actual corrente da nossa vida.

Divertamo-nos:

8 DE MARÇO

                    O dia de hoje foi muito cheio de alegrias porque se tratava do DIA MUNDIAL DA MULHER que a ONU decretou para 8 de Março e logo de manhã enquanto preparava os tachos para o almoço ouvi falar nele numa estação emissora com muita música.

                        Disseram coisas muito gentis, referindo-se especialmente às mulheres que trabalham dentro e fora de casa e também às mães e até interrogaram uma futura mãe que ia ter um par de gémeos e estava contente com isso, mas se fosse na China não devia sentir-se assim tão contente pois dizem que agora há lá controlo de natalidade e só é permitido um filho por casal. Felizmente aqui não há controlo nenhum e por isso a senhora interrogada se mostrou tão eufórica que nem deu pela greve dos nossos transportes que só essa empanou um pouco o brilho do nosso Dia Mundial das Mulheres pelo menos o das futuras mães menos eufóricas, obrigadas a andar a pé.

                        Como mulher mãe e trabalhadora hoje fiquei pois muito contente porque os locutores dirigiram saudações sobretudo às mulheres que trabalham e vi assim compensados os meus esforços. Percebia-se que eles também estavam muito satisfeitos por poderem reconhecer o mérito das mulheres que trabalham dentro e fora de casa e nem só uma vez se referiram às mulheres fúteis que passam o tempo a comprar vestuários e jóias para elas, a alindar o corpo e a divertir-se sem pensarem em trabalhar. Até achei que os locutores exageraram um pouco nos elogios às mulheres que trabalham ignorando totalmente as que só se enfeitam e divertem, porque a verdade é que eu sempre pensei que eram estas as preferidas do sexo masculino, pois nos anúncios da televisão a gente vê que quanto mais bem vestidas e perfumadas andam as mulheres mais eles ficam seduzidos e até vão contra os vidros tal a distracção em que os põe a elegância feminina.

                        Depois, à noite, na televisão, também mostraram as lutas das mulheres pela conquista dos seus direitos já desde o século passado e apresentaram marchas nas ruas de uma cidade europeia com mulheres empunhando cartazes e gritando, que não se pareciam nada com as mulheres dos anúncios a quem os homens oferecem flores quando usam perfumes e mais uma vez me congratulei por ser tão trabalhadora, pois pertenço ao grupo das mulheres que hoje foram referidas pela rádio e tevê e os jornais com muitos elogios mesmo sem termos empunhado cartazes.

                        Há quem diga que os homens só têm a ganhar com o trabalho das mulheres dentro e fora de casa, mas quanto a mim não foi por esse motivo que nos elogiaram tanto mas sim porque eles realmente nos acham boas colaboradoras e não houve nenhum paternalismo na maneira como o reconheceram posso garantir porque ouvi tudo enquanto tratava dos tachos e até acharam que a ONU também devia decretar um Dia Mundial dos Homens para haver igualdade de direitos, o que me pareceu muito justo pois sempre discordei das desigualdades sociais mas já soa por aí que a ONU vai decretar esse dia para os homens não se sentirem tão marginalizados na questão das comemorações embora eles possam participar nas do Governo aonde exploram os cargos quase todos mas uma comemoração a mais só lhes vai fortalecer o sentido da justiça por isso a ONU vai acrescentar  o Dia do Homem à Declaração Universal dos Direitos como já o fez para a mulher que não é mais do que ele para ter um dia assim comemorável isoladamente.

                        Há também quem diga que os homens gostam muito que as suas mulheres trabalhem dentro e fora de casa para efeitos de maior equilíbrio orçamental e alimentar, mas que realmente quem eles procuram para o equilíbrio amoroso - porque o homem não vive só do alimento - são as mulheres bem vestidas e perfumadas que têm mais disponibilidades nesse campo por falta de trabalho.

                        Mas como nem os locutores nem os jornalistas se referiram a esses casos, penso que as pessoas que dizem isso são mal intencionadas e deviam mudar de opinião depois de terem ouvido os louvores como eu ouvi às mulheres trabalhadoras  no Dia Mundial das Mulheres decretado pela ONU para hoje oito de Março. («Anuário – Memórias Soltas»,1999, Editorial Minerva)