quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Mau seria

 

Se expuséssemos as nossas mazelas a quem nos traz um sopro de virtude, por pouco tempo que seja, o Sr. Embaixador não deve troçar das coisas dignas, que requerem lavagem geral. Quanto a essa do “menos senhoras ao volante” é bem injusta. Não falo por mim, que pertenço à lista, mas pela minha irmã,  de quem se exalta, no grupo da cavaqueira dominical, a segurança e presteza no guiar. Bom milagre do Papa seria, contudo, se o asfalto se prolongasse aqui à Parede…

Não chegou, que está fora de portas – a Parede, digo -, apesar do mar igualmente fronteiro, mas de oceano pleno mais distante. Cascais é outra loiça, do estilo Vista Alegre, para o requinte da nobreza de outrora e do capitalismo de agora, que vai subsistindo, no aprazimento geral, conquanto temporário, pois na dependência de eventos de destaque, sujeitos, contudo, aos mesmos entraves dos casos pendentes no resto do território. Milagre do Papa seria a extirpação dos casos, mas, tais como os cães e gatos e os pedintes, esses voltarão, difíceis de erradicar sem papa disponível para o disfarce…

 

Luis Soares de Oliveira

4 d.

Visita do Papa a Cascais

Milagres:

• Ruas e estacionamento públicos limpos. No estacionamento dos surfistas, nem uma beata no chão (!);

• Ruas do trajecto asfaltadas; estão um brinco;

• Pedintes afastados dos seus poisos tradicionais e levados não se sabe para onde;

• Cães e gatos vadios levaram sumiço;

• Intensidade do trânsito baixou, menos acidentes. Menos senhoras ao volante.

 

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24 Luis Soares de Oliveira e 23 outras pessoas

 

terça-feira, 1 de agosto de 2023

Helena Garrido

 

Helena Garrido

Com os seus sábios alertas sobre as várias estruturas autárquicas, deixando transparecer tanto das condicionantes resultantes da nossa cultura de compadrio, impreparação, irresponsabilidade visíveis em tantos sectores… Na área dos fogos também, quando a gente ignorante como nós, os tem em alto apreço de gratidão, aos bombeiros! E até compramos rifas para os seus almoços de mérito! Rifas de carros, por exemplo, cujo prazo de execução deixamos escapar. Ó senhores! Mas não há nada neste país que nos livre da parolice e da chicana respectiva?

Autarquias e bombeiros, os novos tabus

Criticar as autarquias e os bombeiros parece impossível. Quem está consciente do que se passa na sua comunidade sabe que há muito a melhorar. E a merecer críticas.

HELENA GARRIDO Colunista

OBSERVADOR, 01 ago. 2023, 00:225

O presidente da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF), Tiago Oliveira, teve a coragem – e é pena que se tenha retratado em parte – de dizer algumas verdades sobre os incentivos perversos que, neste caso, existem na relação entre autarquias, bombeiros e prevenção e combate a fogos florestais. Disse Tiago Oliveira, no Parlamento, entre outras coisas, que há “corpos de bombeiros a receberem em função da área ardida” e que “há municípios a gastar meio milhão de euros, uma barbaridade de dinheiro nos bombeiros, quando não gastam dinheiro a gerir a floresta”. Claro que as autarquias e os bombeiros lhe caíram em cima, embora verdadeiramente ninguém tenha desmentido o que afirmou. E essa é a questão que deveria merecer atenção.

Claro que os bombeiros são muito importantes, para o combate dos fogos e para o transporte de pessoas com mobilidade reduzida. Claro que as autarquias são um pilar do regime que aproxima o poder dos cidadãos e desempenharam, mais no passado do que no presente, um papel determinante na aceleração das condições de vida de cidades, vilas e aldeias do país, onde era limitado o saneamento básico. Mas hoje, há autarquias, salvo honrosas exceções, que se concentram menos na qualidade de vida dos seus munícipes e mais a agradar, sem critério, as associações que vão dos bombeiros às coletividades e ainda mais a gastar dinheiro em festas e festanças sem que se vislumbre uma estratégia cultural. Tudo o resto vão dizendo que não é competência sua, atirando para outros a sua responsabilidade ou ignorando simplesmente o problema.

O caso mais recente foi o da designada Carris Metropolitana na Área Metropolitana de Lisboa. Criou-se uma empresa, a Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML), dividiu-se a região em blocos e cada um acabou ganho por um concessionário. E quando começou a funcionar basicamente não funcionava, deixando as pessoas que usam os transportes públicos desesperadas. Juntemos a isso os sítios onde as pessoas têm de esperar pelos autocarros para percebermos como os municípios andam arredados destes problemas, fundamentais para os que têm rendimentos mais baixos, mas também para promover o uso dos transportes públicos, tendo em vista as políticas de neutralidade carbónica A responsabilidade dessa falta de qualidade é obviamente dos municípios que se protegeram ficando atrás das empresas que criaram.

Temos depois a frente da água e da gestão de resíduos. Nem vale a pena falar da falta de transparência das facturas, que a Deco Proteste tenta combater explicando-as. O problema mais grave é a total irracionalidade, indiferentes ao papel que essas tarifas têm de ter para nos adaptarmos à escassez de água e para tratarmos devidamente os resíduos.

No caso da água, o ministro do Ambiente Duarte Cordeiro recomendou no ano passado que as tarifas fossem aumentadas para os grandes consumidores em 43 municípios enquanto a seca durasse. O problema é que a seca veio para ficar e toda a abordagem em relação à água precisa de ser revisitada, exigindo do Governo coragem para actuar numa área da competência das autarquias. Além de tarifas, que incentivem a poupança de água, é preciso desenhar todo um conjunto de preços que estimulem projectos de recuperação de águas das chuvas e residuais, nomeadamente nos grandes alojamentos turísticos. É preciso verificar se as autarquias não estão a dificultar esses projectos de recuperação das águas – quando até os deviam exigir – exactamente porque isso pode significar menos receitas. Estamos perante o mesmo problema de pagar por área ardida.

No caso dos resíduos enfrentamos uma situação que já hoje é grave. A recolha e tratamento dos resíduos urbanos é uma competência de “serviço público dos sistemas municipais ou multimunicipais”. Olhando para o espaço público percebemos que, salvo algumas excepções, a preocupação com o tema é limitada. Os grandes números mostram bem o que ainda não se faz. Por exemplo, de acordo com dados da APA, em 2021 os aterros recebiam 53% dos resíduos urbanos. Dentro de pouco mais de dez anos, em 2035, temos de ter apenas 10% dos resíduos em aterros que, neste momento, estão já praticamente cheios. Claro que a responsabilidade não é apenas dos municípios e o Governo promete verbas do PT2030 para se começar a investir nesta área, mas as autarquias podiam contribuir com comportamentos mais responsáveis de tratamento do espaço público e de pressão junto do executivo naquilo que for a sua competência.

Na educação, onde as suas competências estão a ser alargadas, espera-se que comecem a olhar para esta área como fundamental para as novas gerações. Por exemplo, podiam preocupar-se em atrair professores garantindo-lhes habitação.

E na saúde é lamentável que sejam poucas as autarquias que se preocupam com o acesso dos seus munícipes, contribuindo com soluções. Em vez de se limitarem, como no passado, a quererem um hospital, deveriam concentrar-se em atrair profissionais de saúde para centros de saúde que estivessem mais ao serviço dos cidadãos.

Finalmente no caso da habitação e nas políticas sociais de integração, nomeadamente dos imigrantes, é impossível não considerar que as autarquias podiam fazer muito mais do que fazem. Arranjarem forma de aplicar um IMI verdadeiramente castigador para quem tem prédios urbanos abandonados teria seguramente um efeito muito significativo no aumento da oferta de casas. A par disso, deveriam avançar seriamente para a promoção de construção de habitação que respondesse à procura da classe média e também dos imigrantes. E não vale a pena dizer que não há dinheiro, porque não é isso que mostram as contasGrândola, por exemplo, o concelho hoje mais lucrativo, teve um resultado líquido superior a 800 euros por habitante e mais de 150 municípios têm resultados positivos.

É nas prioridades que as autarquias andam, no mínimo, perdidas. Esbanjam dinheiro numas áreas – uma das favoritas são as festas por tudo e por nada quando deviam estar integradas numa política cultural –, esquecem-se do quotidiano dos cidadãos.

O presidente da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF), Tiago Oliveira, colocou o dedo na ferida que é muito mais grave e aberta do que apenas na relação das autarquias com os bombeiros. Vai ser preciso coragem do poder central para que os municípios, parte deles, deixem de ser destruidores de dinheiro e passem a contribuir para a qualidade de vida dos seus munícipes. Valia a pena que os autarcas revisitassem o papel que desempenharam no passado, quando criaram infraestruturas fundamentais e usaram formas de o mostrarem em eleições – lembro-me, por exemplo de um mural feito em campanha eleitoral.

Há novas infra-estruturas e políticas que são urgentes e que podem ser concretizadas com qualidade e eficácia pelas autarquias. Para isso há legislação que tem de mudar, que altere os incentivos perversos que existem na formação das taxas cobradas. E há autarcas que têm de se concentrar mais nas necessidades dos seus munícipes. Tiago Oliveira apenas pecou por defeito e devíamos aproveitar esta oportunidade para mudar o muito que hoje corre mal nas autarquias. Não pode ser um tabu alertar para os problemas.

NA: Umas boas férias. Até dia 5 de Setembro

AUTARQUIAS    PAÍS    BOMBEIROS    INCÊNDIOS    ACIDENTE    SOCIEDADE

COMENTÁRIOS (de 6)

Fernando Cascais: Por falar em bombeiros. Aqui no último grande incêndio em Cascais, passaram-se coisas mirabolantes, se bem que foi no rescaldo do dia seguinte que a grande dúvida me assolou. Na noite do incêndio, quando este se chegava a uns barracões, dois meus amigos combateram-no afincadamente toda a noite com as mangueiras domésticas que tinham à mão. Os bombeiros, esses, tinham dois carros parados junto ao local, e, quando os meus amigos lhes foram pedir ajuda, estes responderam que estavam à espera de ordens superiores para poderem intervir. Felizmente que os meus amigos fizeram bem o trabalho de bombeiros e travaram o fogo na periferia dos seus barracões. No dia seguinte, ao fim da tarde saí com o meu cão para as necessidades de fim do dia e aproveitei para ir ver até onde tinha chegado o incêndio na Ribeira das Vinhas. Às tantas passei por um carro dos bombeiros estacionado no trilho de prevenção. Acho que eram 4 bombeiros a espreguiçar-se quando passei. Na volta, com o cachorro sempre um pouco à frente a cheirar o caminho vi o “Unimog” dos bombeiros arrancar em grande velocidade e não fosse o cachorro se ter desviado daquela besta ao volante e tinha ficado debaixo do carro. Levantei os braços quando o carro passou por mim como a perguntar: - então pah? A resposta foi um sorriso absurdo do condutor a mostrar que era um esgrouviado ao volante. Dei por mim a pensar quem é que escolhe ir para bombeiro? Uma pessoa escolhe ser médico, cozinheiro ou padre porque sente uma vocação para curar os doentes, confeccionar os alimentos ou rezar missas, todavia, um sujeito escolhe ser bombeiro porquê? Porque gosta de apagar fogos, das sirenes, de fardas e de camiões vermelhos? São gostos perturbadores. Resumindo, as pessoas tem que escolher ser bombeiros não por hobby mas pelo ordenado e condições de trabalho que a profissão oferece e que lhes possa garantir uma vida digna. Profissionais sim, amadores nem deviam entrar no quartel. Por alguma razão em outros países ser bombeiro não é para quem quer, é para quem consegue

A cidade natal de volodymir zelensky

 

Bombardeada. Ao quingentésimo vigésimo terceiro dia. E a reacção de Zelensky.

 

Ponto de situação. O que se passou durante o 523.º dia de guerra na Ucrânia?

Ataque russo à cidade natal de Volodymyr Zelensky matou cinco pessoas e feriu mais de 60. Arábia Saudita deve receber uma cimeira de paz organizada pela Ucrânia. A Rússia não terá sido convidada.

ANA LUISA BERNARDINO: Texto

ANDRÉ FILIPE ANTUNES: Texto

CÁTIA ROCHA: Texto

OBSERVADOR, 31 jul. 2023, 16:43  

ARSEN DZODZAIEV/EPA

Esta segunda-feira fica marcada por mais um bombardeamento russo a Kryvyi Rih, a cidade-natal do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Até ao momento, são já cinco os mortos — incluindo uma criança — e mais de 60 os feridos, com várias dezenas de pessoas a receberem tratamento hospitalar. O conselheiro do Presidente ucraniano denunciou a “realidade genocida quotidiana” vivida pelos cidadãos, com o próprio Zelensky a assegurar que o “terror” russo não vai “assustar ou quebrar” os ucranianos.

Sem fim à vista para o conflito, a Arábia Saudita deverá ainda assim receber uma cimeira de paz organizada pela Ucrânia no início de agosto, de acordo com informações avançadas por oficiais ucranianos. A Rússia não terá sido convidada, mas o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov já veio dizer que Moscovo “vai seguir” com atenção as discussões, acrescentando que “qualquer tentativa para promover um acordo pacífico merece uma avaliação positiva” do lado russo.

Eis um resumo dos outros acontecimentos que marcam este que já é o 523.º dia da invasão:

O que se passou durante a tarde?

O ministro da Transformação Digital ucraniano disse hoje que a Rússia terá perdido 87 unidades de equipamento, incluindo 15 tanques e 26 veículos armados, só na última semana;

O ministro da Defesa russo afirmou que a Ucrânia está “desesperadamente” a lançar um grande número de tropas para as linhas inimigas, comportamento que é sintomático de uma contraofensiva que está a “falhar”;

A Rússia destruiu 180 mil toneladas de cereais em apenas nove dias, acusa o ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano;

Os EUA fizeram uma doação à Ucrânia, por via do Fundo Fiduciário Multidoadores do Banco Mundial, no valor de 1,25 mil milhões de dólares (cerca de 1,13 mil milhões de euros), para serem usados em programas de assistência social.

O que se passou durante a manhã?

O líder do grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin, terá dito no Telegram que a organização mercenária não está a recrutar actualmente, mas poderá voltar a fazê-lo no futuro;

Um homem morreu esta manhã em Kherson, na sequência de um ataque das forças russas à região. Também a cidade de Kharkiv foi atingida por um ataque das russo durante a madrugada;

Em Donetsk, duas pessoas morreram num ataque que atingiu um autocarro, segundo o governador pró-russo da região;

Os serviços secretos russos detiveram três cidadãos russos, que são acusados de traição na cidade de Voronezh;

O Ministério da Defesa do Reino Unido diz no boletim diário de informação sobre a guerra na Ucrânia que a Rússia não está a conseguir “isolar a população” do conflito armado.

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