quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

VARIA


Num mundo politizado. E inovador.

I - No Facebook de LUIS SOARES DE OLIVEIRA:

2 d

«AVISO à NAVEGAÇÃO»

Inovar é preciso. Dizia Churchill que uma comunidade que rejeita a inovação transforma-se rapidamente num cadáver.

 

Comprovação do AVISO:

II – No OBSERVADOR, 1/2/23

GUERRA NA UCRÂNIA

Em directo/ Zelensky anuncia reformas e prevê demissões

01:04 Ponto de situação. O que aconteceu no final da tarde e noite do 342.  dia de guerra?

00:28 Zelensky anuncia reformas no sistema social, legal e político após casos de corrupção

23:56 Hungria aponta “estupidez” da Suécia face à Turquia no processo de adesão à NATO

A Hungria considera “estúpida” a atitude da Suécia após um militante de extrema-direita ter queimado um exemplar do Corão em Estocolmo, incidente que impeliu a Turquia a bloquear a adesão do país nórdico à NATO. Profanar um livro religioso é “inaceitável”, reagiu o ministro húngaro dos Negócios Estrangeiros, Peter Szijjarto, no decurso de uma conferência de imprensa em Bucareste com o seu homólogo turco Mevlut Çavusoglu.Szijjarto considerou ser “estúpido” privilegiar a liberdade de expressão, como fez o primeiro-ministro Ulf Kristersson, para justificar a autorização de manifestação.

22:53 Novo pacote de assistência dos EUA à Ucrânia pode ser anunciado esta semana, antecipam oficiais

21:29 Rússia reclama controlo de localidade perto de Bakhmut

21:03 Polónia nega discussões sobre envio de caças F-16

 

NOSSA GUERRA

RAPTO

Luana escondia-se no sótão quando havia visitas Durante meses, a PJ seguiu um caminho longo e de poucas pistas, entre Leiria e Évora. Investigadores fizeram vigilâncias, rastreios informáticos e até analisaram pistas que se revelaram falsas

EUTANÁSIA

Partidos preparam forma de contornar chumbo do TC Retirar classificação de sofrimento (físico, psicológico, espiritual) pode ajudar a contornar veto. Constitucionalistas divididos sobre solução. Marcelo pode bloquear processo com novas dúvidas.

JMJ. Moedas não quer trabalhar com Sá Fernandes Câmara de Lisboa quer assumir coordenação da JMJ e articular-se directamente com a Igreja. "Não aceitamos mais pretensos coordenadores que não fazem nada", disse o vice-presidente do município.

 

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Francisco Rodrigues dos Santos


Chicão para alguns. Foi presidente do CDS na altura em que o CDS deixou de pertencer ao tablado dos partidos reconhecidos na AR, tendo Chicão, por isso, assumido a responsabilidade do desastre, demitindo-se da presidência do partido. Ouvi-o e vi-o ontem, na TVI, entrevistado por Manuel Luís Goucha e adorei a figura, na elegância de pensamento do seu discurso fluente e franco, como já há muito não ouvia, enfronhada nas leituras ou entrevistas de ruído e contestação que nos envolvem em cada dia.

Ainda em África, antes do retorno à Pátria, nos idos de 74, no seguimento da vasta família ultramarina, eu lera um artigo de Freitas do Amaral, defensor dessa pátria, e desses princípios de integridade que gradualmente foram amortecendo por cá, graças também aos bons jornais como o Expresso, influenciadores competentes da opinião pública, nos idos de 74, e seguintes. Tornei-me imediatamente adepta do CDS, a que outros presidentes seguintes deram o conforto de discursos mais íntegros e concordantes com o meu conservadorismo fundado em preceitos morais e racionais mais seguidos naqueles tempos fascistas.

Quando o CDS perdeu o seu lugar na Assembleia, culpei mais a nação pelo resultado, nação que decididamente se deixava arrastar nas manigâncias previdentes de um governo chamado socialista, o qual, matreiramente, para seu arranjinho próprio, se propunha “ajudar”, caridosamente, o povo, através do conforto dos aumentos dos vencimentos mínimos, sem criar as estruturas da evolução económica imprescindível ao desenvolvimento do país. Por outro lado, a proliferação de partidos apelidados de liberais, ambiciosos de protagonismo, em vez de se unirem todos pela nação, teria que contribuir para esse desaire do CDS.

Francisco Rodrigues dos Santos, de resto, não se sentiu culpado do desastre da perda de assento na Assembleia, segundo confessou ontem a M. L. Goucha. Eu adorei ouvi-lo. E fui procurar na sua biografia, na Internet, a referência que me escapou, feita por M:L:Goucha, a uma homenagem europeia a este jovem, cuja actuação e discurso me encantaram, mas ao que parece, marginalizado neste nosso mundo de exposição própria. Só posso sentir regozijo por encontrar tais qualidades na juventude do nosso país.

Eis a referência a que, certamente, se referia J:L:Goucha, extraída da biografia de Francisco Rodrigues dos Santos:

In Wikipédia

…«Tornou-se, a 13 de dezembro de 2015, presidente da Juventude Popular, tendo sido reeleito em maio de 2018. Nesse mesmo ano foi considerado pela revista Forbes como um dos 30 jovens mais brilhantes, inovadores e influentes da Europa", ao integrar a lista "30 under 30 - Law & Policy 2018" pelo trabalho que desenvolveu enquanto líder da Juventude Popular, ultrapassando os 20.000 filiados e duplicando o número de membros eleitos.

Tenho dito

 

Análise impecável de José Pacheco Pereira sobre o problema da Educação hoje, em que se não oferece solução, naturalmente.

Opinião

Entre o “respeito” e o “dar-se ao respeito”

Muitos professores já foram “educados” na mesma ecologia que torna os seus alunos impossíveis de educar. O problema complementar é que muitos pais são exactamente iguais.

JOSÉ PACHECO PEREIRA

PÚBLICO, 21 de Janeiro de 2023, 6:53

A palavra “respeito” tem tido um papel relevante no protesto dos professores, representando um pedido e um protesto que está muito para além das reivindicações salariais e de carreira. É provável que seja essa componente existencial a mais significativa na mobilização destes últimos meses que, em bom rigor, parece ter sido uma surpresa para todos, ministério e mesmo os professores e, certamente, para o sindicalismo tradicionalmente dominante da Fenprof.

Quando me perguntavam a profissão, mesmo quando era deputado, sempre respondi que era professor. Na verdade, fui professor de todos os graus de ensino menos o básico, e conheci muito daquilo que era a instabilidade da vida de professor “provisório”. Dei aulas em Boticas, Espinho, Coimbra, Vila Nova de Gaia, Porto e Lisboa. Em Espinho dei aulas na Escola Preparatória Sá Couto conhecida como “o Triciclo”, porque estava sediada em três edifícios em locais diferentes e era possível ter uma aula às 9h num, às 10h no outro, e às 11h de novo no primeiro, ou seja, não havia intervalos.

Para se chegar a Boticas, quando lá estive, a viagem a partir do Porto demorava cerca de cinco horas e qualquer trajecto era péssimo, difícil e, nalgumas alturas do ano, perigoso, para se atravessar as serras, o Marão, o Alvão ou o Barroso a seguir às barragens. Tenho as melhores recordações de Boticas, mas compreendia muito bem o mal-estar dos meus colegas que não viviam em Chaves, uma das quais vinha de Coimbra e que ansiava por se ir embora logo que podia. Mas à distância, tendo em conta o que é dar aulas hoje, tudo isto era um paraíso.

Estamos obviamente a falar da escola pública, aquela que não pode escolher os seus alunos. Na altura, há poucas décadas, a escola competia com a família na socialização dos alunos e, nalgumas áreas mais pobres, competia com a rua. A droga ainda estava longe de ser o problema que é hoje, e não havia a epidemia do “défice de atenção”, nem dos factores que o explicam. É certo que nos subúrbios de Lisboa e Porto os estudos já revelavam o enfraquecimento da socialização familiar, com crianças de idade pré-escolar a já estarem muito pouco tempo com os pais e, quando estavam com eles, estavam a ver televisão, que acabava por ter um papel crescente na sua socialização.

Havia nas escolas o que sempre houve, uma considerável violência e, também como sempre, não era a mesma coisa viver numa casa com livros, com espaço e razoável conforto, ou num bairro degradado, pobres no meio de pobres. A educação reproduzia as desigualdades sociais, embora fosse ela própria um dos raros mecanismos de elevador social num país muito desigual. Tudo isto era tão antigo e tão denso como era o nosso atraso nacional, e, se a democracia, o fim da guerra e a entrada para a Europa mitigaram esse fundo de atraso, estão longe de o diminuir de forma significativa.

Sobre este fundo veio a “tempestade perfeitaque ameaça seriamente o papel da escola, incapaz de competir com uma ecologia social cada vez mais hostil, que põe em causa a capacidade da escola de ser um factor eficaz de socialização, já para não falar de aprendizagem. A droga, as novas formas de violência a que chamamos “bullying”, a destruição da capacidade de atenção pela rapidez da imagem dos jogos desde a infância, a deseducação do valor do tempo lento, do silêncio, do saber, da leitura, a ignorância agressiva das redes sociais, a substituição da privacidade pela exibição fácil do corpo, quer como chantagem, quer como vingança, quer como vaidade e sedução fácil, a presentificação absoluta no mundo das mensagens, do Instagram, do Facebook, do Tik-Tok, a utilização de devices como os telemóveis como instrumentos de controlo, a construção de uma sexualidade perversa ou imatura, entre a pornografia e a moda das identidades da moda, a obsessão pela explicação psicologista, a completa inadequação de programas de há muito oscilando entre o facilitismo “para não assustar os meninos”, ou um saber abstracto inadequado à realidade actual, tudo isto torna as escolas, principalmente no secundário, um dos sítios de pior viver nas sociedades contemporâneas. Ninguém sabe disso melhor do que os professores.

Por isso, têm razão em pedir “respeito”, se o sentido desse pedido implicar a enorme dificuldade que hoje é ser professor e o reconhecimento que a sociedade lhes deve, permitindo-lhes melhores condições materiais, menos burocracia, estabilidade e uma carreira com regras. Mas para se ter respeito é preciso “dar-se ao respeito” e muitos professores já foram “educados” na mesma ecologia que torna os seus alunos impossíveis de educar. Já estão demasiado dentro da mesma “tempestade perfeita”, lêem pouco, vivem dependurados nas mesmas redes sociais, com os mesmos maus hábitos de desleixo pela verdade, de facilitismo, de exibição, de opiniões ligeiras para não lhes chamar outras coisas, de superficialidade e por aí adiante. O problema complementar é que muitos pais são exactamente iguais, ou seja, há muito poucos factores qualitativos a “puxar para cima”, mesmo que fosse pouco, o que já seria uma enorme vantagem.

Este é o retrato de uma crise profunda. Infelizmente, mesmo que este retrato incomode muita gente, pela generalizada cumplicidade, é pura verdade.

O autor é colunista do PÚBLICO

Historiador