quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Mundo cão

 

Ou, de preferência, na definição de Cesário Verde, por outros motivos, embora, que a Internet transcreve na íntegra:

O mundo é velha cena ensanguentada,
Coberta de remendos, picaresca;
A vida é chula farsa assobiada,
Ou selvagem tragédia romanesca. (…)

Caricatos estes, de cinismo poderoso os descritos no texto da Agência Lusa, que segue: ambos desprezíveis, mas os últimos merecedores de respeito e aceitação, no pleno direito da imposição do capital como força maior que rege o mundo da infâmia e do cinismo:

 

Rússia contorna sanções e importa produtos proibidos para uso civil e militar

Rússia consegue importar 'chips' de empresas ocidentais sujeitos a sanções num valor superior a 502 milhões de dólares, que são utilizados para a produção de mísseis e outros tipos de armas

AGÊNCIA LUSA: Texto

OBSERVADOR, 01 ago. 2023, 14:32 4 

A Rússia está a contornar as sanções impostas pelo Ocidente devido à guerra na Ucrânia e a importar produtos proibidos, tanto para uso civil como militar, segundo uma investigação do portal independente russo Viorstka, citada pela imprensa internacional.

Só no último semestre, a Rússia importou ‘chips’ de empresas ocidentais sujeitos a sanções num valor superior a 502 milhões de dólares (cerca de 458 milhões de euros), que são utilizados para a produção de mísseis e outros tipos de armas”, referiu o portal russo, reconhecido por investigações jornalísticas, citado pela agência de notícias EFE.

O portal Viorstka chegou a esta conclusão depois de ter acedido a dados estatísticos alfandegários russos confidenciais e de ter entrevistado pessoas envolvidas na logística das mercadorias e empresários russos que “explicaram como funcionam os esquemas de fornecimento ilegal”.

O ‘media’ apontou que “foram importados utensílios para a indústria de armamento, no valor de 171 milhões de dólares (cerca de 156 milhões de euros), peças sobressalentes para a aviação civil e ‘smartphones’ iPhones por 389 milhões de dólares (cerca de 355 milhões de euros)”.

A nossa investigação revelou que a Rússia pode importar praticamente tudo de qualquer parte do mundo, desde um ‘chip’ para uso civil e militar até um turbo-hélice para um Airbus. Os esquemas através de países terceiros envolvem empresas ocidentais e as autoridades russas conseguem escapar às sanções europeias e norte-americanas”, disse o portal Viorstka.

O ‘media’ russo dá como exemplo os mísseis de cruzeiro russos X-101, fabricados pela corporação KTRV e utilizados na guerra na Ucrânia, que possuem processadores Intel e circuitos integrados Xilinx e Texas Instrument, além de um transcetor Analog Devices Inc.

“No último semestre, pela alfândega russa passaram componentes da norte-americana Analog Devices Inc no valor de mais de 98 milhões de dólares (cerca de 90 milhões de euros), da Xilinx na ordem dos 75 milhões de dólares (cerca de 68,3 milhões de euros), e da Texas Instrument a rondar os 38 milhões de dólares (cerca de 34,6 milhões de euros)”, revelou a investigação jornalística.

A Rússia importou semicondutores da empresa alemã Infineo, a maior do género neste país, por mais de 28 milhões de dólares (25 milhões de euros), de acordo com a mesma fonte.

“Além disso, chegaram à Rússia mercadorias da Marvell [produtora de circuitos integrados] no valor de 11 milhões de dólares (10 milhões de euros), da Cypress Semiconductor, no valor superior de 3,8 milhões de dólares (3,4 milhões de euros), e da Amtel, no valor que ultrapassou os 2,7 milhões de dólares (2,4 milhões de euros)”, acrescentou.

O portal destacou ainda que os processadores norte-americanos da Intel — no valor de 169 milhões de dólares (164 milhões de euros) – e da AMD – 35 milhões de dólares (31 milhões de euros) – também chegaram ao território russo.

Praticamente todos os componentes electrónicos ocidentais chegam à Rússia através da China e de Hong Kong”, avançou o portal, acrescentando que três empresas de Hong Kong forneceram aos russos mais de 70 milhões de componentes durante os primeiros seis meses de 2023.

A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro do ano passado, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Os aliados ocidentais da Ucrânia têm fornecido armas a Kiev e aprovado sucessivos pacotes de sanções contra interesses russos para tentar diminuir a capacidade de Moscovo de financiar o esforço de guerra.

GUERRA NA UCRÂNIA    UCRÂNIA    EUROPA    MUNDO    RÚSSIA     RÚSSIA-UCRÂNIA

COMENTÁRIOS:

luis doria: Putin, licença para matar! A hipocrisia do Ocidente é uma constante!                     Otavio Luso: Custa a acreditar... tantos países, a nata da civilização e deixa-se ludibriar por um país ainda em vias de desenvolvimento.  Só pode  ser "fake news"     Paulo Castelo: Nada que seja surpreendente. Agora que seja um consórcio de investigação independente russo a reportar, faz nos questionar o que andam a fazer os "nossos" media. (já nem falo das entidades com responsabilidades de fiscalização "oficial"). Mas é o princípio básico das guerras - mais do que ganhar A guerra (que implica sempre sacrifícios), o melhor é mesmo ganhar COM a guerra (que tenham todo o material que precisam para se ir matando - aos poucos, porque "the war must go on" -, desde que o paguem)        fernando fernandes: Eis algo em que acredito neste mentiroso. Aliás, muitas empresas ocidentais, francesas na sua maioria, continuam a adiar a saída. Leroi Merlin, Altis, etc.

 

 

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

São Francisco de Assis


No seu “Cantico delle creature”, neste dia do Papa Francisco, por cá, quando a Lua brilhou também, a festejar…

«…Laudato si', mi' Signore, per sora luna e le stelle: in celu l'ài formate clarite et pretiose et belle…»

As imagens da primeira das duas super-luas de agosto

Estava a 357.530 quilómetros de distância da Terra e parecia 14% maior e 30% mais brilhante do que o normal. Da China a Nova Iorque são muitas as imagens que mostram a super-lua grande e redonda.

CAROLINA SOBRAL: Texto

OBSERVADOR, 02 ago. 2023, 15:07 

O fenómeno da super-lua ocorre quando uma lua cheia está no ponto de maior aproximação do satélite da Terra

VCG via Getty Images

13 fotos

Na noite desta terça-feira, a primeira das duas super-luas de agosto adornou os céus em todo o mundo. O fenómeno ocorre quando uma lua cheia está no ponto de maior aproximação do satélite da Terra, fazendo com que pareça até 14% maior e 30% mais brilhante do que o normal. Se não conseguiu observar esta super-lua, não se preocupe: a 30 de agosto ela volta aos céus, para fechar bem o mês de verão.

A segunda super-lua de agosto, por ser a segunda do mês, terá o nome de Lua Azul, e não voltaremos a ter outra até 31 de maio de 2026, de acordo com o site EarthSky.

Ao longo do ano haverá quatro super-luas seguidas: a de julho que já passou, as duas em agosto e mais uma na noite de 28 para 29 de setembro.

O início de 2023 foi também marcado pelo mesmo fenómeno. Nos meses de janeiro, fevereiro e março houve já outras três super-luas mas foram luas novas, quando a Lua está entre a Terra e o Sol, e o seu brilho não é visível.

É quando passa mais próxima da Terra que a Lua parece maior — esse momento chama-se perigeu. Desta vez esteve a 357.530 quilómetros, e ainda mais próxima no final do mês, a 357.344 quilómetros — a distância média entre os dois astros é de 384.472 quilómetros.

Nas redes sociais estão a ser partilhadas fotografias e vídeos da super-lua na noite de 1 para 2 de agosto de vários pontos do planeta, desde a China aos Estados Unidos, Nova Iorque, por exemplo.

LUA    ASTRONOMIA    ESPAÇO    CIÊNCIA

 

O entusiasmo contagiante

 

De Maria João Avillez, na expressão do seu orgulho.

O certo é que o Impossível se transformou em Espanto de Realização visível em vários pontos, incluindo a harmonia da simpatia de uma juventude bem-educada, chegada de “tantas partes da esfera, de tantos sóis diferentes”…

Milagre de Fátima? Milagre de Francisco? Milagre português também? Não seria este último o primeiro, daqui partidos, povo minúsculo, para o começo do fenómeno da globalização, hoje tão simpaticamente – devotamente – manifestado, para espanto geral, a servir de exemplo, num mundo tão expressivamente perverso, a cada passo...

Sem palavras

Com que palavras se explicam ou definem momentos com a força, o impacto, o desafio dos testemunhados esta tarde? Há uma “marca da casa” que já está impressa. Anunciam-se dias felizes e também exitosos

MARIA JOÃO AVILLEZ Jornalista, colunista do Observador

OBSERVADOR, 02 ago. 2023, 01:022

Domingo 30: contagem decrescente, Agosto está aí à porta, a Jornada também (e que bela palavra esta…”Jornada”). Apesar de há muito ir acompanhando alguns bastidores da Lisboa-23, a minha capacidade de me espantar com o que vejo e ouço é ilimitada: como foi possível esta dedicação também ela sem limite? A personificação in loco e ao vivo da responsabilidade e do compromisso, religioso, político, cívico? O trabalho de sol a sol, há meses e meses – sem holofotes, elogios, reconhecimento publico, salário, férias – de dezenas de milhares de anónimos voluntários de quem nunca ninguém saberá o nome? De centenas e centenas de esforçados trabalhadores – Carris, CP, bombeiros, policias, técnicos, eletricistas, jardineiros e por aí fora. Foi assim, a Jornada ergueu-se do nada para o tudo. Fê-lo em regime de dedicação full-time e pro-bono, cruzada com coordenação e acerto politico (o que se saúda, em maré alta de desacertos políticos). Eis o que deve ser contado, recontado e depois voltado a contar.

No recato dos múltiplos trabalhos preparatórios, houve milhões de ideias, propostas, escolhas, decisões, ensaios a cargo de equipas variadíssimas; ouviram-se risos e viram-se sorrisos, conheceram-se desacordos, tensões e aflições, num solo semeado de júbilo e alegria. E como falamos da natureza humana sob desafio, houve também contratempos, erros, surpresas adversas, gaffes, falhas de comunicação. Mas o que é a vida senão o entrelaçado correr de tudo isso? O que está feito é porém de tal maneira assombrosamente inédito que ainda antes do subir do pano merece louvor e registo. Tanta e tanta gente de roda da sua vida com Deus, unida a rezar, a reflectir, a cantar, a contar, a ouvir? Porque vieram? Porque “abriram uma janela” como o Papa Francisco lhes sugeriu em Agosto do ano passado na entrevista que me deu? Porque à sua maneira são a “Igreja em Saída” que Francisco pede? Porque é deles a tarefa de conduzir o mundo nos caminhos da fé?

Seja o que for – e será tudo isto – vieram.

Segunda, 31: entro em Lisboa manhã cedo vinda do oeste, cidade quase deserta, circulação fluida, gente dispersa, tanto medo me meteram, sugerindo a fuga e não a permanência. Claro que o dia 31 não tem “agenda” o que explica uma Lisboa quieta mas às vezes parecia que nos avisavam contra os malefícios da guerra e não das boas vindas a uma celebração deste tamanho. Nos últimos meses tive por vezes a embaraçante “impressão” de haver duas jornadas que corriam em paralelo: a real, no terreno talvez há mais de dois anos, e a outra. Irreal? Não. Conflituosa, talvez: muita informação a começar pela negativa, semeando desnecessários “nãos” (“não vai estar pronto, não haverá isto, não deverá haver aquilo”); o direito dos contestatários a serem contestatários sempre em relevo; a polémica, quantas vezes fútil, sempre dada a ver com desvelo. Não é fácil de explicar ou de contextualizar isto porque logo me responderão com outro direito – o da informação — mas quando o mais imbatível argumento — o dever de informar – se confunde por vezes – por vezes, repito — com um obstinado bota abaixo que nem o mais feroz anti-clericalismo pode explicar, eu fico cheia de pena: como se pode escolher a sombra e não eleger a luz?

Terça feira,dia 1: Há momentos em que palavras não nos acodem. Aconteceu-me hoje de tarde na grande missa que inaugurou esta Jornada. Em vão procurei adjectivos, fórmulas, frases, antecipando a meio do inútil exercício como qualquer delas ficaria sempre irremediavelmente aquém do que eu lhes pedia. E então, de repente, solitariamente sentada numa cadeira no Parque Eduardo VII, dei comigo a usar lágrimas em vez de palavras. Só elas continham o poder de descrever a força do anúncio contido naquela massa compacta de gente tão nova, ali pousada.

Era de facto indizível o que os olhos abarcavam até ao fim do azul do Tejo que ao longe já se confundia com o azul do céu. Envoltos pela luz de Lisboa milhares e milhares de jovens celebravam a alegria da fé. Soltos, livres, simples, disponíveis. Jubilosos. (Talvez por saberem que lhes compete construir a entrada nova que Deus precisa que seja aberta na Igreja de hoje?)

O verbo inspirado de D. Manuel Clemente que presidiu a celebração (explicando-nos tão bem o sentido e a necessidade do “partir apressadamente de Maria”, mote da Jornada); a orquestra dirigida por Joana Carneiro, a força tão impressiva das vozes do imenso coro, prolongavam naturalmente o Evangelho comprometido dos jovens no relvado.

Com que palavras se explicam ou definem momentos com a força, o impacto, o desafio dos testemunhados esta tarde?

A Jornada já começou, a organização não teve falhas -e que empreitada! – a disciplina bem educada de tudo e de todos foi exemplar. Há uma marca da casa que já está impressa. Que o mesmo é dizer que se anunciam dias felizes e igualmente exitosos. Eu se fosse Carlos Moedas estaria hoje mais que satisfeito. E os seus companheiros “de jornada” também, Igreja, Governo, voluntários.

Eu vi.

JMJ 2023     RELIGIÃO     SOCIEDADE

COMENTÁRIOS

JOHN MARTINS: Não tenho dúvidas que Carlos Moedas, apesar de a procissão ainda  estar a sair do Eduardo VII, se deve sentir imensamente satisfeito, pelo exito do primeiro dia iluminado pela juventude. Este foi o melhor remédio para acabar com o COVID de vez!...BEM HAJA, Carlos Moedas e quem o acompanhou.                       Paulo Padrela: Amém 🙏 Bem haja