De hoje-em-dia, tantas vezes ditados por amável facciosismo político da chamada esquerda avançada, naturalmente – e orgulhosamente - contrária aos valores morais ditados pela designada direita atrasada. Ou antiquada, se quisermos ser mais comedidos nas falas.
Israel,
onde o Ocidente começa
Muitos, na Europa, um dia deveriam perceber as
consequências da vulgarização dos termos “fascista” ou “genocídio.” É, simultaneamente, a vulgarização do mal e a
incapacidade de ver o mal absoluto.
JOÃO
MARQUES ALMEIDA, Colunista do Observador
OBSERVADOR,
07 out. 2026, 00:24
Faz hoje, 7 de Outubro, três anos que Israel sofreu o
ataque terrorista mais trágico da sua história. Para os israelitas, foi mais
dramático do que o 11 de Setembro para os norte-americanos. Em termos
relativos, um ataque nos EUA com a mesma dimensão, 1200 mortos em Israel,
significaria o assassinato de cerca de 40 mil americanos.
Mas o ataque não foi
apenas trágico, foi bárbaro. Os militantes do Hamas mataram sem qualquer critério, apenas pelo prazer
de matar israelitas. Assassinaram bebés, crianças e velhos. Violaram mulheres,
muitas vezes por vários homens, para depois as matarem. Atacaram um festival de
música (Festival Nova), e quem viu as imagens, percebe que poderia ser em Vilar
de Mouros (ou até numa festa do Avante), e assassinaram indiscriminadamente
centenas de jovens.
Além de trágico e de
bárbaro, os ataques de 7 de Outubro revelaram uma cultura de celebração da
violência e da morte no Hamas. Há relatos de militantes do Hamas a fazerem
videochamadas para as suas famílias a relatarem e a filmarem a chacina. E as
famílias dos militantes do Hamas, mães, pais e irmãos, a orgulharem-se dos seus
filhos e a pedirem “matem mais, matem o
máximo possível.”
Para muitos na Europa que culpam a política de
“direita” do governo de Israel, os ataques mostram que para o Hamas não há
diferença entre direita e esquerda. Muitos dos participantes no festival de
música eram jovens de esquerda, de grupos pró-clima e LGBT (sim, esses
movimentos existem em Israel, ao contrário de Gaza). Os militantes do Hamas
atacaram kibutzes, maioritariamente socialistas, onde mataram militantes de
esquerda que faziam campanhas pela paz entre os palestinianos e os israelitas,
que defendiam a solução dos dois Estados. Ainda se admiram por que razão
a esquerda está a acabar em Israel?
Muitos que condenaram a resposta militar israelita em
Gaza não defendem o Hamas. Mas muitos outros na Europa e nos Estados Unidos
estão ao lado do Hamas. Basta assistir às imagens de manifestações em Londres,
Paris, Madrid, Nova Iorque, Berlim, com dezenas de bandeiras do Hamas entre os
manifestantes. Podemos, e devemos, recordar as flotilhas para Gaza, com o Hamas a
fazer parte da organização. Não nos podemos esquecer das alianças que
as extremas esquerdas em França, no Reino Unido, nos Estados Unidos, na Alemanha,
em Espanha, em Portugal fazem com o Hamas. Ou o modo como as Nações Unidas
foram conquistadas pelos aliados do Hamas, aliança que se estendeu ao
território de Gaza.
Essas alianças são
imperdoáveis. Nenhum
excesso do uso da força militar pelas forças israelitas em Gaza justifica o
apoio ao Hamas. Aliás, a população de Gaza é a primeira e a maior
vítima do Hamas. Aceito que muitos critiquem o comportamento de
Israel em Gaza. Também entendo muitas críticas feitas ao governo de Netanyahu,
mas a defesa do Hamas é absolutamente inaceitável para quem defende os valores
da democracia e princípios de civilização elementares. Só o ódio aos valores
ocidentais justifica a aliança com o Hamas. Com a importação das “intifadas
urbanas” que juntam grupos radicais islâmicos e a extrema-esquerda, como se
assiste em França, mais tarde ou mais cedo os europeus vão perceber que a
luta de Israel é a luta da Europa contra os novos movimentos totalitários.
Mas, na Europa, os ataques a Israel foram mais longe e
chegaram às forças moderadas. Muitos chamaram aos ataques israelitas em Gaza um
“genocídio.” É um erro. Mas, pior, é uma forma de retirar legitimidade ao
Estado de Israel, precisamente o que o Hamas pretende. Poderia desenvolver o modo
como o Hamas organiza a defesa de Gaza, expondo hospitais, escolas e populações
civis aos ataques israelitas, mas esse não é o ponto mais relevante para negar
a acusação de genocídio. Embora valha a pena referir uma
diferença fundamental. O Hamas nada faz para proteger a população civil de
Gaza, pelo contrário, os túneis são apenas para as milícias militares. Os
governos de Israel fazem tudo para defender os civis israelitas.
A definição de genocídio
significa o uso da força militar de um modo sistemático para acabar com um
grupo nacional, étnico ou religioso. Israel nunca fez isso contra os palestinianos. Cerca de 20% da população de
Israel é palestiniana. Nenhum foi morto pelas forças de Israel. Pelo contrário, a população
palestiniana de Israel tem aumentado. Em 2015, eram cerca de dois
milhões. Em 2024, já depois do início da guerra em Gaza, chegaram a mais de
dois milhões e meio. A afirmação de que Israel estaria a cometer “genocídio” em Gaza seria
mais ou menos o mesmo que a Alemanha de Hitler, enquanto cometia o Holocausto,
permitir o crescimento da população judaica na Alemanha. Esta comparação serve para
se perceber o absurdo do uso do termo “genocídio.”
Muitos na Europa, sobretudo entre as esquerdas, um dia
deveriam perceber as consequências da vulgarização dos termos “fascista” ou
“genocídio.” É, simultaneamente, a vulgarização do mal e a incapacidade de ver
o mal absoluto. Mais grave, é o fim da credibilidade intelectual e da
honestidade moral.
Israel Médio Oriente Mundo
COMENTÁRIOS (de 93)
Jorge Barbosa
Excelente
artigo, racional, factual e contundente.
A realidade é que todos aqueles que directa ou
indirectamente apoiam a Palestina do Hamas, são na realidade coniventes com os
mais bárbaros genocidas, por muito que o escondam mentirosa e cobardemente
atrás de um socialismo pseudo humanitário; e designadamente refiro-me
concretamente à escabrosa canalha do BE, a todos os "Mortáguas"
apoiantes das flotilhas
graça Dias
Caríssimo João Marques de Almeida
Um fascinante e oportuno artigo sobre " a
vulgarização do mal e a incapacidade de ver o mal absoluto.", que nos
confronta com as memórias perturbadoras do dia 7 de Outubro contra 1.200 judeus inocentes e
indefesos, que foram alvo da barbárie dos terroriiistaaas do Hamas e que se
fizeram filmar, para que ficasse registada a violência sexual sádica
desencadeada por eles, contra homens, mulheres e até crianças. Não se tratava de
história ou território, mas de puro ódio e maldade. Os padrões de tortura sistemática, abuso
sexual, assassinatos em massa e outros crimes de guerra tão depravados e
bárbaros, que a mente ocidental civilizada simplesmente não consegue
concebê-los. A Irmandade Muçulmana o Hamas, o Irão são os
inimigos que o Ocidente enfrenta hoje, tanto internos quanto externos. Eles são movidos por uma sede
demoníaca pelo caos, um ódio pela ordem
civilizacional, pela beleza, pela verdade e pela liberdade das sociedades
ocidentais.
Como é possível, países como a Grã-Bretanha,
França, Espanha e outros, se terem submetido
a uma ideologia de
fanatismo religioso e
ideológico islâmico da
era medieval ( séc XIV ) !... Quanto às Nações Unidas lideradas por
MR. Guterres dos pântanos, condena
Israel por se defender de terroriiistaaass como o Hamas, o Hezbollah, o Irão e
dos terroriiistaaas palestinianos da Cisjordânia da Fatah. São mais as
condenações contra Israel do que contra a Coreia do Norte, o Irão,
a Síria e a China
juntas. Isto porque Israel sobrevive e é culpado por isso.
a) Israel nunca
teve a paz como opção. Apenas restrições e condenações.
b) Nenhuma outra nação na Terra foi ou é obrigada a
justificar seu direito de existir da maneira como Israel é.
c) A China ocupa o Tibete, construiu campos de
concentração para muçulmanos e colhe órgãos de prisioneiros.
d) A Turquia
ocupa o norte de Chipre.
e ) O Paquistão
foi criado por meio da partição e do deslocamento em massa de pessoas.
f ) O Catar
financia movimentos islamistas em toda a região.
A ONU do Mr. Guterres não gasta seu tempo a exigir que
essas nações justifiquem sua existência ou desmantelam das suas fronteiras.
Mas Israel, uma democracia, onde árabes têm assento no
parlamento, onde os muçulmanos têm mais direitos do que em qualquer outro país
de maioria muçulmana, onde o Estado de Direito se aplica igualmente, é
considerada um Estado ilegítimo, de apartheid
e colonial, sem direito de se
defender.
No que concerne à EUROPA : "Uma grande
civilização não é conquistada por forças externas até que se destrua
internamente", e poderá acontecer com a (UE) no século XXI. As ilusões pós-modernas de
um multiculturalismo benigno e justo são uma utopia.
Manifesto o meu obrigada a JMA pelo brilhante
testemunho que deveria despertar consciência de tantos: dos Macrons, dos
Guterres, dos Sánchez, dos Montenegros e tantos outros.
Jose Carmo > Lidia Ricardo
Adolfo Hitler tinha a cineasta Leni Riefenstahl para
lavar cérebros com filmes de propaganda. O método resulta, como o seu
comentário demonstra. Btw, todo esse filme se baseia em "fontes
anónimas" com alegações escolhidas a dedo.
graça Dias > Lidia Ricardo
O ódio aos judeus é tão antigo quanto a ignorância que
o alimenta, o que justifica este seu comentário.
Jose Marques > Lidia Ricardo
Com a devida vénia, mas V. Alteza tá lélé da cuca -
virou "NAZADA" pelos realizadores protocomunistas do dito
documentário
João Floriano
Excelente. Quem ontem à tarde teve tempo como eu para
ver televisão, assistiu ao caos que varreu e poderá continuar a varrer as
avenidas das grandes cidades francesas. Assistiu também aos depoimentos de
vários idiotas úteis (também por cá existem em largas quantidades) que insistem
em nos convencer que aquela barbárie é por causa de melhores condições de
ensino. E vai daí destroem-se escolas e equipamentos. Sei que a crónica tem a
ver com Israel, mas está tudo ligado e os mesmos que gritam pela Palestina
com os lenços axadrezados ao pescoço e desfilam na Europa com bandeiras do
Hamas são os mesmos que apoiaram os massacres de 7 de outubro. A
merxxxxxxda que temos de suportar em nome
da democracia!
Rui Lima
A esquerda do Sul da Europa detesta judeus e odeia
Israel.
Ouço de amigos dessa área política, e algumas coisas
fazem-me sentir mal é racismo puro contra um povo. A linguagem usada contra
Israel e os judeus faz-me pensar no discurso da Alemanha dos anos 30 , não
devia ser muito diferente do que hoje ouvimos em certos sectores da esquerda.
Maria Nunes
Excelente e oportuno artigo de JMA. Hoje é o dia para
lembrar todos os que morreram em Israel de uma forma bárbara. DEP.
roberto doria
A paz em que vivemos custou 60 milhões de mortos,
arrasamos a Alemanha e o Japão para eliminar a ameaça. Ponham-se no lugar de
Israel constantemente ameaçado.
Será que no nosso Parlamento haverá quem assinale a
data e haverá quem se retire, ou seja contra? Pelo menos seria uma boa maneira
de separar o trigo do joio.
Paulo Silva
A aversão ou o ódio aos judeus, cuja forma mais
avançada depois do anti-judaísmo (de cariz religioso), da judeofobia (de
cariz económico) e do anti-semitismo (de cariz racial) toma o nome de anti-sionismo
(de cariz político), está vivo e de boa saúde entre as esquerdas, das mais
ortodoxas às mais ditas progressistas, mas a ironia é que a maioria dos judeus
que constituíram as primeiras vagas de regresso à Eretz Yisrael e fundaram o
moderno Estado Judaico de Israel eram socialistas (bund, bilu, kibutz, etc). O
ódio ao judeu israelita traz apenso outro ódio de fundo, o anti-americanismo
primário.
Maria Tubucci
Nem mais, Sr. JMA. As elites esquerdalhas europeias
são tão tapadas, que ainda não conseguiram enxergar que rotularem de fascista,
racista ou outros mimos, alguém que elas não gostam, não tem qualquer
significado. Aliás, isso só as caracteriza a elas próprias, de hipócritas e
dementes, arrasando assim a qualquer credibilidade e honestidade moral, que
alguma vez pudessem ter. E digo mais, a insensibilidade aos termos é tal, que
se lhe aparecerem verdadeiros fascistas e racistas pela frente, são incapazes de
os identificar. Presentemente, os israelitas estão a mostrar aos europeus como
se deve proceder perante bárbaros que apenas conhecem a linguagem da guerra,
que é fazer guerra até os eliminar. Pois quem não consegue viver numa sociedade
civilizada, não merece fazer parte dela, o único caminho para segurança dessa
sociedade é remover a barbaridade ...
Df > Rui Lima
No sul
da Europa e não só. Também na vergonhosa Irlanda, na ultra-decadente Berlim, etc.
Carlos Fernandes
Acho
incrível como pode haver gente que não subscreva o que é dito neste artigo...
Rosa Graça
Excelente.
Maria Melo
Felicito
João Marques de Almeida pela sua clarividência. Excelente análise!
Jose Rodrigues
As
esquerdas estão contra Israel? então temos que apoiar Israel, OBVIAMENTE!
Lourenço de Almeida
Os palestinianos em geral não são vítimas do Hamas.
São cúmplices e mandantes! Pode ser que haja civis em Gaza, mas para gente que
acha aceitável que o seu venerado profeta tenha consumado o casamento com uma
"mulher" de 9 anos, é essa a idade em que os habitantes de Gaza
passam de crianças endocrinadas para odiar judeus para passarem a ser
militantes terroristas! As mães que em vez de chorarem os filhos mortos,
aplaudem as suas mortes e orgulham-se dos judeus que eles conseguiram matar,
são terroristas, tal como os filhos! Não há 1,4 milhões de fascistas a votar no
Chega. Mas há perto de 2 milhões de terroristas em Gaza!
Antonio Sennfelt
Excelente e oportuno artigo! Mas na data do 3º
aniversário da chacina do 7 de Outubro parece-me que convirá assinalar que o
actual raz-de-maré anti-israelita é ainda mais grave e preocupante do que o
descrito no presente texto! Com efeito, o bacilo do anti-semitismo - depois de uma sua longa e aparente dormência
- parece ter despertado com uma acrescida virulência - espalhando o seu
pestífero hálito até por entre países e instituições a que o peso
da sua História deveria ter já imunizado contra tal
flagelo. E mais não digo, para não escandalizar ninguém!
(CONTINUA)
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