quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Valores morais…

 

De hoje-em-dia, tantas vezes ditados por amável facciosismo político da chamada esquerda avançada, naturalmente – e orgulhosamente - contrária aos valores morais ditados pela designada direita atrasada. Ou antiquada, se quisermos ser mais comedidos nas falas.

Israel, onde o Ocidente começa

Muitos, na Europa, um dia deveriam perceber as consequências da vulgarização dos termos “fascista” ou “genocídio.”  É, simultaneamente, a vulgarização do mal e a incapacidade de ver o mal absoluto.

JOÃO MARQUES ALMEIDA, Colunista do Observador

OBSERVADOR, 07 out. 2026, 00:24

Faz hoje, 7 de Outubro, três anos que Israel sofreu o ataque terrorista mais trágico da sua história. Para os israelitas, foi mais dramático do que o 11 de Setembro para os norte-americanos. Em termos relativos, um ataque nos EUA com a mesma dimensão, 1200 mortos em Israel, significaria o assassinato de cerca de 40 mil americanos.

Mas o ataque não foi apenas trágico, foi bárbaro. Os militantes do Hamas mataram sem qualquer critério, apenas pelo prazer de matar israelitas. Assassinaram bebés, crianças e velhos. Violaram mulheres, muitas vezes por vários homens, para depois as matarem. Atacaram um festival de música (Festival Nova), e quem viu as imagens, percebe que poderia ser em Vilar de Mouros (ou até numa festa do Avante), e assassinaram indiscriminadamente centenas de jovens.

Além de trágico e de bárbaro, os ataques de 7 de Outubro revelaram uma cultura de celebração da violência e da morte no Hamas. Há relatos de militantes do Hamas a fazerem videochamadas para as suas famílias a relatarem e a filmarem a chacina. E as famílias dos militantes do Hamas, mães, pais e irmãos, a orgulharem-se dos seus filhos e a pedirem  “matem mais, matem o máximo possível.”

Para muitos na Europa que culpam a política de “direita” do governo de Israel, os ataques mostram que para o Hamas não há diferença entre direita e esquerda. Muitos dos participantes no festival de música eram jovens de esquerda, de grupos pró-clima e LGBT (sim, esses movimentos existem em Israel, ao contrário de Gaza). Os militantes do Hamas atacaram kibutzes, maioritariamente socialistas, onde mataram militantes de esquerda que faziam campanhas pela paz entre os palestinianos e os israelitas, que defendiam a solução dos dois Estados. Ainda se admiram por que razão a esquerda está a acabar em Israel?

Muitos que condenaram a resposta militar israelita em Gaza não defendem o Hamas. Mas muitos outros na Europa e nos Estados Unidos estão ao lado do Hamas. Basta assistir às imagens de manifestações em Londres, Paris, Madrid, Nova Iorque, Berlim, com dezenas de bandeiras do Hamas entre os manifestantes. Podemos, e devemos, recordar as flotilhas para Gaza, com o Hamas a fazer parte da organização. Não nos podemos esquecer das alianças que as extremas esquerdas em França, no Reino Unido, nos Estados Unidos, na Alemanha, em Espanha, em Portugal fazem com o Hamas. Ou o modo como as Nações Unidas foram conquistadas pelos aliados do Hamas, aliança que se estendeu ao território de Gaza.

Essas alianças são imperdoáveis. Nenhum excesso do uso da força militar pelas forças israelitas em Gaza justifica o apoio ao Hamas. Aliás, a população de Gaza é a primeira e a maior vítima do Hamas. Aceito que muitos critiquem o comportamento de Israel em Gaza. Também entendo muitas críticas feitas ao governo de Netanyahu, mas a defesa do Hamas é absolutamente inaceitável para quem defende os valores da democracia e princípios de civilização elementares. Só o ódio aos valores ocidentais justifica a aliança com o Hamas. Com a importação das “intifadas urbanas” que juntam grupos radicais islâmicos e a extrema-esquerda, como se assiste em França, mais tarde ou mais cedo os europeus vão perceber que a luta de Israel é a luta da Europa contra os novos movimentos totalitários.

Mas, na Europa, os ataques a Israel foram mais longe e chegaram às forças moderadas. Muitos chamaram aos ataques israelitas em Gaza um “genocídio.” É um erro. Mas, pior, é uma forma de retirar legitimidade ao Estado de Israel, precisamente o que o Hamas pretende. Poderia desenvolver o modo como o Hamas organiza a defesa de Gaza, expondo hospitais, escolas e populações civis aos ataques israelitas, mas esse não é o ponto mais relevante para negar a acusação de genocídio. Embora valha a pena referir uma diferença fundamental. O Hamas nada faz para proteger a população civil de Gaza, pelo contrário, os túneis são apenas para as milícias militares. Os governos de Israel fazem tudo para defender os civis israelitas.

A definição de genocídio significa o uso da força militar de um modo sistemático para acabar com um grupo nacional, étnico ou religioso. Israel nunca fez isso contra os palestinianos. Cerca de 20% da população de Israel é palestiniana. Nenhum foi morto pelas forças de Israel. Pelo contrário, a população palestiniana de Israel tem aumentado. Em 2015, eram cerca de dois milhões. Em 2024, já depois do início da guerra em Gaza, chegaram a mais de dois milhões e meio. A afirmação de que Israel estaria a cometer “genocídio” em Gaza seria mais ou menos o mesmo que a Alemanha de Hitler, enquanto cometia o Holocausto, permitir o crescimento da população judaica na Alemanha. Esta comparação serve para se perceber o absurdo do uso do termo “genocídio.”

Muitos na Europa, sobretudo entre as esquerdas, um dia deveriam perceber as consequências da vulgarização dos termos “fascista” ou “genocídio.” É, simultaneamente, a vulgarização do mal e a incapacidade de ver o mal absoluto. Mais grave, é o fim da credibilidade intelectual e da honestidade moral.

Israel      Médio Oriente      Mundo

COMENTÁRIOS (de 93)

Jorge Barbosa

Excelente artigo, racional, factual e contundente.

A realidade é que todos aqueles que directa ou indirectamente apoiam a Palestina do Hamas, são na realidade coniventes com os mais bárbaros genocidas, por muito que o escondam mentirosa e cobardemente atrás de um socialismo pseudo humanitário; e designadamente refiro-me concretamente à escabrosa canalha do BE, a todos os "Mortáguas" apoiantes das flotilhas

graça Dias

Caríssimo João Marques de Almeida

Um fascinante e oportuno artigo sobre " a vulgarização do mal e a incapacidade de ver o mal absoluto.", que nos confronta com as memórias perturbadoras do dia 7 de Outubro contra 1.200 judeus inocentes e indefesos, que foram alvo da barbárie dos terroriiistaaas do Hamas e que se fizeram filmar, para que ficasse registada a violência sexual sádica desencadeada por eles, contra homens, mulheres e até crianças. Não se tratava de história ou território, mas de puro ódio e maldade.  Os padrões de tortura sistemática, abuso sexual, assassinatos em massa e outros crimes de guerra tão depravados e bárbaros, que a mente ocidental civilizada simplesmente não consegue concebê-los. A Irmandade Muçulmana o Hamas, o Irão são os inimigos que o Ocidente enfrenta hoje, tanto internos quanto externos. Eles são movidos por uma sede demoníaca  pelo caos, um ódio pela ordem civilizacional, pela beleza, pela verdade e pela liberdade das sociedades ocidentais. Como é possível, países como a Grã-Bretanha,  França,  Espanha e  outros, se terem  submetido  a  uma ideologia  de   fanatismo    religioso   e   ideológico   islâmico    da   era medieval ( séc XIV ) !... Quanto às Nações Unidas lideradas por MR. Guterres dos pântanos,  condena Israel por se defender de terroriiistaaass como o Hamas, o Hezbollah, o Irão e dos terroriiistaaas palestinianos da Cisjordânia da Fatah. São mais as condenações contra Israel do que contra a Coreia do Norte,  o Irão,  a Síria e  a  China  juntas. Isto porque Israel sobrevive e é culpado por isso.

 a) Israel nunca teve a paz como opção. Apenas restrições e condenações.

b) Nenhuma outra nação na Terra foi ou é obrigada a justificar seu direito de existir da maneira como Israel é.

c) A China ocupa o Tibete, construiu campos de concentração para muçulmanos e colhe órgãos de prisioneiros.

d)  A Turquia ocupa o norte de Chipre.

 e ) O Paquistão foi criado por meio da partição e do deslocamento em massa de pessoas.

 f ) O Catar financia movimentos islamistas em toda a região.

A ONU do Mr. Guterres não gasta seu tempo a exigir que essas nações justifiquem sua existência ou desmantelam das suas fronteiras.

Mas Israel, uma democracia, onde árabes têm assento no parlamento, onde os muçulmanos têm mais direitos do que em qualquer outro país de maioria muçulmana, onde o Estado de Direito se aplica igualmente, é considerada um Estado  ilegítimo, de  apartheid  e colonial, sem  direito de se defender.

No que concerne à EUROPA : "Uma grande civilização não é conquistada por forças externas até que se destrua internamente", e poderá acontecer com a (UE) no século XXI. As ilusões   pós-modernas   de   um multiculturalismo benigno e justo são uma utopia.

Manifesto o meu obrigada a JMA pelo brilhante testemunho que deveria despertar consciência de tantos: dos Macrons, dos Guterres, dos Sánchez, dos Montenegros e tantos outros.

Jose Carmo > Lidia Ricardo

Adolfo Hitler tinha a cineasta Leni Riefenstahl para lavar cérebros com filmes de propaganda. O método resulta, como o seu comentário demonstra. Btw, todo esse filme se baseia em "fontes anónimas" com alegações escolhidas a dedo.

graça Dias > Lidia Ricardo

O ódio aos judeus é tão antigo quanto a ignorância que o alimenta, o que justifica este seu comentário.

Jose Marques > Lidia Ricardo

Com a devida vénia, mas V. Alteza tá lélé da cuca - virou "NAZADA" pelos realizadores protocomunistas do dito documentário

João Floriano

Excelente. Quem ontem à tarde teve tempo como eu para ver televisão, assistiu ao caos que varreu e poderá continuar a varrer as avenidas das grandes cidades francesas. Assistiu também aos depoimentos de vários idiotas úteis (também por cá existem em largas quantidades) que insistem em nos convencer que aquela barbárie é por causa de melhores condições de ensino. E vai daí destroem-se escolas e equipamentos. Sei que a crónica tem a ver com Israel, mas está tudo ligado e os mesmos que gritam pela Palestina com os lenços axadrezados ao pescoço e desfilam na Europa com bandeiras do Hamas são os mesmos que apoiaram os massacres de 7 de outubro. A merxxxxxxda  que temos de suportar em nome da democracia!

Rui Lima

A esquerda do Sul da Europa detesta judeus e odeia Israel.

Ouço de amigos dessa área política, e algumas coisas fazem-me sentir mal é racismo puro contra um povo. A linguagem usada contra Israel e os judeus faz-me pensar no discurso da Alemanha dos anos 30 , não devia ser muito diferente do que hoje ouvimos em certos sectores da esquerda.

Maria Nunes

Excelente e oportuno artigo de JMA. Hoje é o dia para lembrar todos os que morreram em Israel de uma forma bárbara. DEP.

roberto doria

A paz em que vivemos custou 60 milhões de mortos, arrasamos a Alemanha e o Japão para eliminar a ameaça. Ponham-se no lugar de Israel constantemente ameaçado.

Será que no nosso Parlamento haverá quem assinale a data e haverá quem se retire, ou seja contra? Pelo menos seria uma boa maneira de separar o trigo do joio.

Paulo Silva

A aversão ou o ódio aos judeus, cuja forma mais avançada depois do anti-judaísmo (de cariz religioso), da judeofobia (de cariz económico) e do anti-semitismo (de cariz racial) toma o nome de anti-sionismo (de cariz político), está vivo e de boa saúde entre as esquerdas, das mais ortodoxas às mais ditas progressistas, mas a ironia é que a maioria dos judeus que constituíram as primeiras vagas de regresso à Eretz Yisrael e fundaram o moderno Estado Judaico de Israel eram socialistas (bund, bilu, kibutz, etc). O ódio ao judeu israelita traz apenso outro ódio de fundo, o anti-americanismo primário.

Maria Tubucci

Nem mais, Sr. JMA. As elites esquerdalhas europeias são tão tapadas, que ainda não conseguiram enxergar que rotularem de fascista, racista ou outros mimos, alguém que elas não gostam, não tem qualquer significado. Aliás, isso só as caracteriza a elas próprias, de hipócritas e dementes, arrasando assim a qualquer credibilidade e honestidade moral, que alguma vez pudessem ter. E digo mais, a insensibilidade aos termos é tal, que se lhe aparecerem verdadeiros fascistas e racistas pela frente, são incapazes de os identificar. Presentemente, os israelitas estão a mostrar aos europeus como se deve proceder perante bárbaros que apenas conhecem a linguagem da guerra, que é fazer guerra até os eliminar. Pois quem não consegue viver numa sociedade civilizada, não merece fazer parte dela, o único caminho para segurança dessa sociedade é remover a barbaridade ...

Df > Rui  Lima

No sul da Europa e não só. Também na vergonhosa Irlanda, na ultra-decadente Berlim, etc.

Carlos Fernandes

Acho incrível como pode haver gente que não subscreva o que é dito neste artigo...

Rosa Graça

Excelente.

Maria Melo

Felicito João Marques de Almeida pela sua clarividência. Excelente análise!

Jose Rodrigues

As esquerdas estão contra Israel? então temos que apoiar Israel, OBVIAMENTE!

Lourenço de Almeida

Os palestinianos em geral não são vítimas do Hamas. São cúmplices e mandantes! Pode ser que haja civis em Gaza, mas para gente que acha aceitável que o seu venerado profeta tenha consumado o casamento com uma "mulher" de 9 anos, é essa a idade em que os habitantes de Gaza passam de crianças endocrinadas para odiar judeus para passarem a ser militantes terroristas! As mães que em vez de chorarem os filhos mortos, aplaudem as suas mortes e orgulham-se dos judeus que eles conseguiram matar, são terroristas, tal como os filhos! Não há 1,4 milhões de fascistas a votar no Chega. Mas há perto de 2 milhões de terroristas em Gaza!

Antonio Sennfelt

Excelente e oportuno artigo! Mas na data do 3º aniversário da chacina do 7 de Outubro parece-me que convirá assinalar que o actual raz-de-maré anti-israelita é ainda mais grave e preocupante do que o descrito no presente texto! Com efeito, o bacilo do anti-semitismo -  depois de uma sua longa e aparente dormência - parece ter despertado com uma acrescida virulência - espalhando o seu pestífero hálito até por entre países e instituições a que o peso

da sua História deveria ter já imunizado contra tal flagelo. E mais não digo, para não escandalizar ninguém!

(CONTINUA)

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