domingo, 3 de março de 2019

Daguerreótipos



Textos que advertem contra erros de governação, atidos ao provérbio da nossa insistência correctora “Água mole em pedra dura…”, que não resulta, finórios que somos, à falta dos tais princípios de exigência, responsabilidade e retribuição correspondente, desde sempre retirados dos nossos parâmetros educacionais. A primeira crónica, de João Miguel Tavares, é apoiada por comentadores experientes. A segunda, de Pedro Barros Ferreira, é um retrato assustado, com razões de crédito, sobre um Bloco agressivo e ambicioso de participar na família de que trata a primeira crónica. Como é mais recente, ou porque são justas as críticas, ainda não recebeu comentários, nem dos indignados defensores desse partido, geralmente de impaciência desbocada, a comprovar a tal falta de princípios educacionais, que nos persegue.
OPINIÃO
O país dos filhinhos do papá existe mesmo – e é feio
Em Portugal, são demasiados casos, demasiados exemplos, demasiados filhos, demasiados amigos, para que tantos “filhos de” e “filhas de” sejam os mais competentes do país em tantos lugares distintos.
JOÃO MIGUEL TAVARES, Jornalista,     OBSERVADOR, 26 de Fevereiro de 2019
As inúmeras reacções a desculpar o problema dos cruzamentos familiares no actual governo, inclusivamente por parte de pessoas que tenho por sérias e inteligentes, demonstram bem o caminho que este país ainda tem de trilhar para adquirir uma cultura cívica minimamente decente. A ingenuidade (para utilizar uma palavra simpática) com que o argumento da competência foi invocado para justificar as opções de António Costa – a saber: não interessa se são filhos, pais, irmãos, maridos ou mulheres, o que interessa é se são competentes ou não – deixa-me absolutamente estupefacto, porque é demasiado básico, vulgar e terceiro-mundista. O problema não está, nem nunca esteve, na competência das pessoas envolvidas. Está, como sempre esteve, na sua proximidade.
Quem reflecte sobre relações e hierarquias sociais já compreendeu, há milénios, que a proximidade familiar pode atrapalhar a tomada das melhores decisões, devido a interesses secundários que se intrometem. Não é por acaso que as sociedades mais desenvolvidas do planeta são aquelas em que as instituições melhor resistem às tentações endogâmicas. O conceito de conflito de interesses não depende da inteligência, da competência ou da seriedade dos envolvidos – ele precede tudo isso. E precede-o não só para evitar que relações íntimas se cruzem com as decisões políticas, mas também porque a nomeação de amigos ou familiares para cargos poderosos e de difícil acesso transmite uma péssima imagem para uma sociedade que se quer meritocrática. O que diz é isto: não basta seres bom; precisas ser bem. 
Não deveria ser necessário migrar da província para a capital, ou viver fora de grandes centros urbanos, para perceber o quanto a sociedade portuguesa é sufocada por uma pequena elite que se vai perpetuando nos lugares mais elevados de poder, e que à boa maneira aristocrática consegue que os privilégios passem de pais para filhos ou circulem entre grupos de amigos próximos. A promoção dos “filhos de”, como muito bem sabe quem lá anda, é constante nas faculdades de Medicina, nos hospitais, nas faculdades de Direito, nos escritórios de advogados. Ainda há poucos dias foi noticiado que o PS propôs para o Tribunal Constitucional a jurista Mariana Canotilho. Filha de quem? Do professor José Gomes Canotilho, claro está.
Isso não significa, como é óbvio, que Mariana Canotilho não possa ser extremamente competente como juíza. Tal como Maria na Vieira da Silva poderá certamente vir a revelar-se muito competente como ministra. Só que, em Portugal, são demasiados casos, demasiados exemplos, demasiados filhos, demasiados amigos, para que tantos “filhos de” e “filhas de” sejam os mais competentes do país em tantos lugares distintos. Tamanha excelência geneticamente concentrada não só é coisa estatisticamente improvável, por melhores que sejam os papás e a educação que deram aos seus meninos, como, ainda que fossem, de facto, as pessoas mais competentes de Portugal, o problema que acima assinalei persistiria: o miúdo nascido numa família modesta do Alandroal iria sempre sentir que o seu elevador iria ficar encravado nos andares mais altos do país, por falta de lubrificação social. E com razão.
O que acabo de dizer deveria ser perfeitamente pacífico e consensual. Os problemas da endogamia portuguesa estão detectados há muito, e há vasta literatura sobre o tema. Se já nem isto causa um genuíno sobressalto cívico, então o país ainda está mais sonâmbulo do que eu pensava.
COMENTÁRIOS
Joaquim Sá, Braga 27.02.2019: "a sociedade portuguesa é sufocada por uma pequena elite que se vai perpetuando nos lugares mais elevados de poder": Tem toda a razão. Isso somado aos "amigos de", "ao pessoal de confiança de" dá uma mesquinha elite cuja competência desce à medida que aumenta o amiguismo e o familiairismo. O que não vê quem argumenta com a justificação da competência é que um recente estudo em variadas empresas do Estado demonstra que ser eficiente, diligente, cumpridor...etc, conta ZERO para na política de promoção na carreira. Andei 22 anos pela universidade e vos garanto que não são os melhores que chegam a catedráticos, são os mais "adaptados" ao sistema de poder instalado. Os diagnósticos estão feitos, mas nada muda, porque quem tem o poder de mudar é quem mais perde. Somos uma equação sem solução.
albergaselizete, 27.02.2019 : Como é que formando o estado os nossos médicos, a política os afastou, para organizações privadas e detidas por pessoas conhecidas? Estes mesmos médicos são contractados a estas "empresas", pelo SNS, a preços 3 ou 4 vezes superiores, onerando os custos com os salários em 300 milhões de euros, em 2017. Quem ganhou e ganha com este negócio e quem perde? Parece que quem criou estas empresas e "aluga" os médicos ao SNS, é um "felizardo" e tem uma renda garantida. É apenas mais uma renda, depois existem outras, cujos "criadores" destes "empreendimentos" e empregadores, também conhecidos, coexistem noutra dimensão, onde são alocados biliões de euros. Outra dimensão, mas paralela e comulativa.
Americo Silva, 27.02.2019 : Não passa um dia em que eu não assista a algo do género nos ambientes trabalho, cidadania ou familiar! É a nossa cruz! O problema é que são todos demasiadamente preguiçosos para mudar, pois o trabalho faz calos é duro e ninguém está para isso...
Nós não queremos saber "puto" dessa história da endogamia! O que nós queremos é uma fatia do bolo; seja a pessoa que trabalha na construção civil, seja a pessoa que trabalha na presidência da república! O que todos nós esperamos de cada dia é ter a oportunidade de conhecer alguém com posição de relevância, travar conhecimento e, depois oferecer uma prenda em troca do favor que sabemos vir a precisar no futuro! Isto somos nós Portugal e os Portugueses, e vivemos perfeitamente bem com isso. Aliás quando esse elo é rompido, surge um problema de confiança! No final somos uns idiotas que nos queixamos da trapalhada em que vivemos, depois de a termos feito, para depois a continuarmos a fazer!
Em primeiro lugar, se as filhas, os filhos, as amigas, os amigos, etc. fossem realmente pessoas tremendamente competentes, há muito, repito há muito que o nosso país mostrava uma saúde financeira invejável e, também que a corrupção não existia! Mas, pasme-se o temos é exactamente o oposto! Um problema económico financeiro gravíssimo sem solução e que ninguém resolve, ao que acresce a permanente e diária descoberta de casos de corrupção! Ora isto só acontece porque efectivamente somos todos, repito somos todos incompetentes e cultivamos a endogamia!”

II - BLOCO DE ESQUERDA: Les uns et les autres
OBSERVADOR, 3/3/2019
Os partidos da direita democrática devem ater-se no que importa e não em discursos patetas que levam ao afastamento das mulheres que tenham um pingo de inteligência, ou dos ateus, ou dos homossexuais.
É conhecida a expressão “os extremos tocam-se”. De forma a ver se tal preposição continua verdadeira, fui ler – não sem sacrifício – as opções políticas do português Bloco de Esquerda, assim como as do denominado “protofascista” Viktor Orbán da Hungria.
Assim, e para começo de conversa, lemos na Declaração de princípios – “Começar de novo” – (o manifesto político de lançamento do Bloco) um ataque à globalização, nos parágrafos – “Globalização uma civilização da injustiça”, “A globalização contra o desenvolvimento”, “A globalização contra a cidadania”. Como é bom de ver pelos títulos (e poupo o leitor ao arrazoado) o Bloco está contra o movimento que – comprovadamente – retirou da pobreza extrema, centenas de milhões de seres humanos em todo o Mundo. Fez uns mais ricos? Claro que sim, mas o problema não é existirem ricos, é o de existirem pobres.
Quem perora contra a globalização? Assim que me lembre, o Orbán da Hungria e o Presidente Trump. É verdade, esses dois alvos da retórica “bloquiana” defendem o mesmo.
Duas das primeiras medidas de Orbán foram a abolição das propinas universitárias e a universalização dos benefícios à maternidade. O Bloco apoia, julgo.
Na última Moção vencedora, “A força da esperança”, o Bloco afirma que as forças reaccionárias da União Europeia tentam travar o Brexit. Ora, não é o Brexit uma “conquista” das forças reaccionárias britânicas? Mau! Fico confuso.
Quem também carrega forte na UE? O Orbán, pois claro. According to Politico, Orbán political philosophy “echoes the resentments of what were once the peasant and working classes” by promoting an “uncompromising defense of national sovereignty and a transparent distrust of Europe’s ruling establishments”.[71]
Mas onde já li algo parecido? “Construída sempre à revelia dos povos e sem os povos, esta União Europeia seria sempre um projecto contra os povos. Hoje, sendo um projecto condenado pela espiral do desemprego e pela imposição, a União Europeia é uma máquina de guerra contra as pessoas e os direitos sociais. A esperança popular está na luta pelo emprego e pela soberania democrática em cada país e pela emancipação social.” Bloco dixit.
Este exercício, para quem tiver paciência, pode ser repetido em inúmeras matérias. Onde diverge? Nos famosos direitos LGBTQIKHSDFR… Aí sim, são diferentes. Já deve faltar pouco tempo para, em Portugal, o Bloco adoptar a ideia francesa de alterar as fichas dos alunos para que contenham Progenitor 1 e 2, em vez de Pai e Mãe. Acredito aliás, que o Bloco irá mais longe e irá propor o 1, o 1,5 e o 2.
O Bloco de Esquerda nasceu de uma pantominice e continua alegremente no mesmo estilo, tendo este Partido Socialista saído (terá?) do tempo “fantasmagórico” de Sócrates dado a mão, que ele – o Bloco – precisava como de pão para a boca. Por essa razão, os portugueses são obrigados a aturar pessoas intelectualmente desonestas que não dizem verdadeiramente ao que vêm. Pessoas sem qualquer capacidade profissional e/ou académica e que, pasme-se, acham que devem chegar ao Governo da Nação. Pessoas que desvalorizam e relativizam o terrorismo do fundamentalismo islâmico, porque – coitadinhos dos bombistas – são vítimas da globalização. “Só combatendo as discriminações e investindo a sério na coesão social e no diálogo intercultural poderemos conter as forças de que se alimenta a escalada do terror.” (retirado da referida Moção). É, aliás, sintomático desta visão, a classificação – por parte do Bloco – de Israel como sendo uma ditadura. “Deve terminar a venda de armas aos regimes turco, saudita e israelita e a todas as ditaduras.” Podem jogar com as palavras, mas a intenção está lá. Esquecem, no entanto, que Israel é a única verdadeira democracia na região, com eleições livres e onde vigora um Estado de Direito. Sabem quem não gosta de Israel? O Orbán é claro.
Quanto ao modelo de sociedade;
“(..) Orbán repudiated the classical liberal theory of the state as a free association of atomistic individuals, arguing for the use of the state as the means of organizing, invigorating, or even constructing the national community.(..) it is properly called “illiberal” because it views the community, and not the individual, as the basic political unit.[75] (..)”
3.10. O Bloco de Esquerda tem de estar onde estão as pessoas, onde elas mais sofrem, aumentar o enraizamento na sociedade, na empresa, no sindicato, na escola ou na colectividade, procurando fazer movimento, envolvendo todos para uma luta que se adivinha dura.”
Ou sou só eu, ou há aqui semelhanças… Por isso e resumindo: quer um, quer outro, não são recomendáveis.
E por não serem, é obrigatório que os partidos da direita democrática se atenham no que importa e não em discursos patetas que levam ao afastamento, p.ex., das mulheres que tenham um pingo de inteligência e de amor-próprio, ou dos ateus, ou dos homossexuais, ou de quem não tenha um posicionamento ultramontano que já não se usa e que também não se recomenda.
Militante do CDS-PP. Politólogo


“Voyage autour de ma chambre”



Tal como as “Viagens na minha Terra” que começam por justificar-se com o livro de Xavier de Maistre, o tema dos textos que transcrevo – à roda de evolução – bem podia servir-se do mesmo pretexto, de viajar no quarto ou na nossa terra, para partir para outras vias, semânticas que sejam, ou políticas, das que por cá ou pelo mundo se passam.
Assim, é de semântica que trata o curioso tema do passo que Salles da Fonseca transcreve, de Amos Oz, em autobiografia onde este assinala a preocupação de um seu tio, sábio judeu, e o rigor de precisão que este punha nas suas explicações linguísticas. Faz lembrar a palavra “ministro”, inicialmente significando “servidor” e que nos tempos de hoje, constitui lugar meritório que, se alguma relação tem com o sentido primitivo, esse é o de servir bastante bem os detentores do cargo.
Um caso, pois, de aristocratização, tal como o citado “messias”, que de pomada, em judaico, passa a “Ungido” ou Redentor”, especificamente aplicado a Cristo, para o “gentio” cristianizado..
Mas também é de evolução – neste caso política –  que trata o segundo texto, de Ana Sá Lopes, sobre a evolução do BE, que da extrema-esquerda passa a uma espécie de social-democracia, com objectivos ocultos de se pendurar na governação, embora haja quem conteste isso, e dou a palavra aos seus comentadores. O próprio Vasco Pulido Valente, no seu “Diário” também o dá a entender, e por isso o acrescento aqui, para que a “viagem” seja de maior recreio. Mas figuração por figuração, para não ser pedante, adopto antes o paralelo com “Rock around the clock”, definitivamente mais concordante com esta constância de agitação e barulho em que vivemos, a viagem no quarto ou na terra - esta em lento navegar ou em passo de mulinha - sendo demasiado brando, no rodopio destas andanças, com semântica ou sem ela.
HENRIQUE SALLES DA FONSECA
 A BEM DA NAÇÃO02.03.19
Diz o tio ao sobrinho:
- Faz-me o favor de perguntar à tia onde está a pomada para a pele, o meu creme para o rosto. Diz-lhe, por favor, que é o antigo porque o novo não presta para nada. E saberás tu, por acaso, a enorme diferença que existe entre «O Redentor» na língua dos góis e o nosso «messias»? Para nós, messias é apenas alguém que foi ungido com óleo: todos os sacerdotes e reis da Bíblia são messias e em hebraico a palavra «messias» é uma palavra totalmente prosaica e de todos os dias, muito próxima da palavra «pomada» - ao contrário das línguas dos gentios nas quais «messias» é chamado «O Redentor» e «O Salvador».
O tio era Yosef Klausner (1874-1958) - professor de História e Literatura na Universidade de Jerusalém, foi candidato (derrotado a favor de Chaim Weizmann) à presidência de Israel nas primeiras eleições pós-independência, principal redactor da Enciclopédia Hebraica.
O sobrinho era o escritor Amos Oz (1939-2018) de cuja autobiografia romanceada «Uma história de amor e trevas», transcrevi o breve trecho [1] acima.
[1] - Publicações D. Quixote, 1ª edição, Março de 2016, pág.82
II- EDITORIAL: 20 anos de Bloco: da extrema-esquerda à social-democracia
Ao dizer numa entrevista que a expressão “extrema-esquerda até poderia ser ofensiva”, Catarina Martins quebrou um tabu de um partido que, da primeira vez que chegou ao Parlamento, insistiu em sentar-se à esquerda do PCP.
ANA SÁ LOPES  1 de Março de 2019
Uma das mudanças mais interessantes que aconteceram no quadro político português nestes últimos 20 anos foi como dois partidos que acreditavam na revolução popular e um outro que juntava alguns ex-militantes do PCP acabaram a produzir um partido social-democrata, reformista, que já não acredita na revolução como ela era entendida pelos seus pais fundadores, à época da criação do partido. 
O Partido Socialista Revolucionário, PSR, oriundo da LCI (Liga Comunista Internacionalista), na época dirigido por Francisco Louçã, juntou-se à UDP liderada por Luís Fazenda - União Democrática Popular, um partido revolucionário que teve algum impacto nos primeiros anos da democracia - e à Política XXI de Miguel Portas e fizeram o partido que se transformou em algo que os três abjurariam na juventude.
O primeiro fundador a perceber que o Bloco de Esquerda estava destinado a ser um partido social-democrata, a ocupar um espaço às vezes deixado vago pelo PS, mas que deveria trabalhar perto do PS, que defendeu essa linha, foi Miguel Portas, que não viveu o suficiente para ver os resultados.
Ao dizer numa entrevista recente que a expressão “extrema-esquerda até poderia ser ofensiva”, Catarina Martins quebrou um tabu de um partido que, da primeira vez que chegou ao Parlamento, insistiu em sentar-se à esquerda do PCP, precisamente no extremo esquerdo do hemiciclo.
Na época havia uma revolução para fazer – agora, e deixemos de lado o peso simbólico da retórica, o que o Bloco quer fazer são reformas à boa maneira social-democrata, a tendência que modelou os partidos socialistas europeus (embora actualmente alguns hoje não sejam reconhecíveis) no século XX.
Alguma direita não percebe isto, ou não quer perceber, porque lhe dá jeito colar o Bloco ao “estalinismo” e à extinção da democracia. O PCP percebe bem demais. O Bloco não pode falar sobre o assunto: a palavra social-democracia está demasiado colada ao PSD, o partido que em Portugal se chama “social-democrata”, embora seja o PS a pertencer à Internacional Socialista.
A expressão “social-democratizante” foi sempre o ataque que o PCP fez ao Bloco, assim como sempre foi um argumento de todas as tendências minoritárias que são contra a actual direcção – e de muitos dos militantes que abandonaram o partido. É de certa maneira, a expressão tabu dentro do BE, que não pode dizer aquilo que realmente é, sob pena de um tsunami. As questões de identidade partidária sempre foram um mau karma - em quase todos os partidos, na realidade.
Comentários:
José Manuel Martins, Évora: Um pouco mais de perspectiva, e poderíamos enterrar definitivamente essa deriva do hegelianismo de esquerda (mais o mito oitocentista do sistema e da ciência) que deu pelo nome de marxismo-leninismo, hoje reduzido a uma pós-bolsa de pós-intelectuais patéticos. Na verdade, a revolução sempre foi uma barata tonta perdida na história, e a única indicação demonstrativamente segura que soube dar foi o seu próprio repetido óbito: a trajectória exemplar e eloquente do bloco apenas repete o estoiro do bolchevismo, a descolonização do império soviético, a capitalização do pc chinês e a consagração do fim-da-história: o 'desencadeamento das forças produtivas' faz-se do socialismo para o capitalismo, não o contrário. Não há 'esquerda', apenas capitalismo, mas tudo isso já se sabia em 1900. Boa noite.
Não percebo o que tem de espantoso q o portas tivesse descongestionado o cérebro: muito antes de ele 'militar' já lhe poderiam ter dito (à direita) q corria atrás de bolinhas de sabão, daquelas que por vezes sangram (nunca se sabe de que paris nos surge um pol pot). De maneira que essa 'grandeza' de idiotas que deixaram vagamente de o ser, só mesmo 'à esquerda' se poderia festejar, e não sei se a ilusão não será apesar de tudo menos patética que a desilusão, duas variantes da estupidez a correr atrás de miragens. De resto, ASL sabe perfeitamente do que fala: na verdade, este artigo está a autobiografar a sua própria deriva tardia. Quem a leu e quem a lê. Mas preferia a genica crítica de outrora, q envergonha esta recém-conquistada aquietação numa espécie de profissionalismo da moderação.
A. Martins, Almada 01.03.2019: Em 20 anos de Bloco é a primeira vez que vejo alguém apelidá-los de sociais-democratas. Nem os Estalinistas mais ferrenhos ousam classificar como tal um partido que quer: Nacionalizar a Banca; nacionalizar as companhias de Seguros; nacionalizar os CTT; destruir ou retirar apoios às empresas privadas de saúde; retirar apoios aos colégios e Escolas privadas (já aconteceu) ; Quer que o país saia da Nato; é eurocéptico e participa nos comicios dos eurocépticos (Melanchon e quejandos); Faz comicios nos acampamentos da juventude a dizer que a "propriedade é roubo" (Mortagua); Apoia os ditadores como o Maduro, e outros; etc. etc. O BE é um partido comunista/marxista encapotado sob o nome de "esquerda" que, se um dia for poder, conduzirá o país à miséria, tal como fez o Hugo Chavez na Venezuela.
A NON DOMINO: Terra 01.03.2019: A direita percebe muito bem o Bloco: o partido do Estalinismo é o PCP, já o BE é uma mistura de partido albanês, maoísta e outras correntes radicais marxistas-leninistas com tendências para a alucinação, que cavalga qualquer onda de activismo "progressista" para se manter nos telejornais. Se há uma tendência para a social democracia é na atracção pelo emprego político que a liderança do BE tanto almeja. Não há dúvidas que o BE quer muito chegar-se ao Governo para invadir o Estado com os seus quadros, muitos em situação precária após anos a viver de sucessivas bolsas para mestrados, Docs e Pós-Docs sobre assuntos inúteis em "faculdades de teologia" do BE (CES de Coimbra, ISCTE, etc.). Tal como o PS está a fazer actualmente.
Nuno Marco, Lisboa 01.03.2019:  Lúcido.

III - OPINIÃO: Diário
António Guterres e Marcelo Rebelo de Sousa são "dois produtos da Igreja Católica, que sempre se deliciaram a exibir as suas belas almas, nunca conseguiram aceitar verdadeiras responsabilidades. São ornamentos", escreve VASCO PULIDO VALENTE.
PÚBLICO,2 de Março de 2019

24 de Fevereiro
Um documentário da RTP atesta que Ana Gomes é tão idolatrada numa parte qualquer da Etiópia que as mãezinhas do sítio chamam às suas filhinhas Ana e Anagomes. Gostava de saber por que razão a nossa querida inquisidora não emigra para a Etiópia.
25 de Fevereiro
António Guterres continua preocupado e “alarmado”, agora com o “populismo”. Quem se lembra do governo dele, e já lá vão mais de vinte anos, também se lembra das crises semanais por causa do primeiro-ministro não ser capaz de se decidir sobre coisa alguma. Hoje, na ONU, basta-lhe ter estados de alma. Como, de resto, o seu grande amigo, Marcelo Rebelo de Sousa, que da eminência de Belém comenta diariamente a vida política portuguesa. Estes dois produtos da Igreja Católica, que sempre se deliciaram a exibir as suas belas almas, nunca conseguiram aceitar verdadeiras responsabilidades. São ornamentos.
26 de Fevereiro
O governo não quer reconhecer a dívida do Estado aos professores de nove anos, quatro meses e dois dias de serviço. A “oposição”, do Bloco ao CDS, uniu-se para recomendar ao governo negociações, sabendo que a única concessão possível era o “escalonamento”, ou seja, ir pagando a pouco e pouco, em 2020, 2021 e por aí fora. António Costa espera continuar a ser primeiro-ministro nos próximos quatro anos e faz tudo para não se arranjar dificuldades no futuro. A oposição, que não espera governar nos próximos quatro anos, pode empenhar o Estado à sua vontade.
Esta confissão antecipada de impotência e derrota não se esperava tão cedo e tão claramente.
27 de Fevereiro
Nixon caiu por causa da investigação judicial que ficou conhecida por Watergate. O partido democrático tentou inventar contra Reagan um novo Watergate, o Irangate. Mas não pegou. Os republicanos quiseram remover Clinton a pretexto de um negócio imobiliário, o Whitewater, e de Monica Lewinsky. E quase conseguiram. Os republicanos, principalmente Trump, levantaram dúvidas sobre a nacionalidade de Obama. Ultimamente, os democratas julgam que se vão desembaraçar de Trump com uma nova investigação judicial, a de Mueller.
Isto é ilógico. Trump talvez possa ser destituído. Mas o eleitorado dele não é destituível. A elite americana não viu que Trump podia chegar ao poder. Na véspera da eleição ainda se ria dele. Depois chorou. E agora vem entusiasticamente desculpar-se, descobrindo no homem as maiores perversidades da história.
O espectáculo do depoimento de Michael Cohen ao Congresso, como a CNN o apresentou, foi um drama romântico. Michael Cohen teve o papel do traidor arrependido. O presidente da comissão de inquérito teve o do juiz bondoso. Os republicanos e os democratas agatanharam-se, mas com lágrimas e suspiros, declarações de culpa e de amizade eterna, e com a invocação chorosa dos antepassados e dos filhos. Ninguém se conseguiu portar com alguma sobriedade clássica, a que antigamente se chamava dignidade. Compreende-se: no novo mundo global toda a gente ama, ou deve amar, toda a gente.
28 de Fevereiro
Há 20 anos, meia dúzia de jovens da classe média, que não tinham qualquer ligação à sociedade portuguesa, e só tinham em comum o sentimento da sua derrota política e uma mistura de lugares comuns a que eles chamavam marxismo-leninismo, resolveu fundar um novo partido, o Bloco de Esquerda.
Sem perceber, e ainda hoje não percebem, limitavam-se a reinventar mais uma vez o radicalismo urbano. Não tinham, e não têm, um verdadeiro destino. Balançam, e hão-de balançar, entre o seu amor pela igualdade e o seu amor pela ascensão social. É uma maldição histórica.
1 de Março
Guaidó diz que volta à Venezuela segunda-feira. É um homem de coragem. Ainda o matam.

sábado, 2 de março de 2019

“Varium et mutabile” mas permanente



Não, não se podem generalizar retratos, e no entanto, as coisas que disse Joana Bento Rodrigues, resumidas por Alberto Gonçalves, são características femininas em que eu me revejo, e quando penso na minha irmã, mais sinto quanto batem certo. É verdade que não troco os meus próprios apetites de cumprir o que me vai na alma, antes de arrumar a minha pessoa e a casa, por desarrumadas que estejamos – sobretudo quando não há premência de horários, o que é o meu caso. Julgo que nisso somos diferentes, a minha irmã e eu, ela sempre impecável. Feminina. Eu sou pessoa menos convencional, mas não por mérito. Mas somos antigas, isso não conta, habituadas a essas discriminações que a Simone de Beauvoir considerou pertencerem a um tal “deuxième sexe” que não quadrava com as suas ânsias de libertação. E deu no que deu.”Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”, assim começa o seu livro, com essa falsidade, que pretendeu apenas reivindicar para a mulher iguais direitos aos do homem e teve razão nisso. A sociedade vai mudando, mas não muda o facto de serem as mulheres as parideiras dos filhos, e isso lhes dá outras características, como a todos os seres animais, como a gente vê nos nossos bichos de estimação e vamos vendo por essa selva que a televisão mostra para nosso encanto. Somos antigas, mas as mulheres de hoje que têm família e casa, não deixam de arcar com as suas responsabilidades de manutenção do seu habitat, se tiverem educação. Porque se trata de educação. De respeito por si e pelo outro. Mas não se podem fazer retratos fixos, porque isso é falso e a literatura universal está cheia desses contrastes. Mas os comentadores de Alberto Gonçalves, além dele próprio, magistralmente como sempre, aclaram melhor a questão posta por AG.
A mulher, mas qual mulher? /premium
OBSERVADOR, 2/3/2019,
No fundo, a “mulher” da dra. Joana do CDS não difere da “mulher” da dra. Catarina do BE. Na ânsia de se apoderarem das cabeças alheias esgadanham-se para reduzir sujeitas de carne e osso a caricaturas
Uma médica, Joana Bento Rodrigues, assinou no Observador um artigo sobre “a mulher, o feminismo e a lei da paridade”. No dito, a senhora, que é filiada no CDS, explica que a mulher “gosta de se arranjar e de se sentir bonita. Gosta de ter a casa arrumada e bem decorada. Gosta de ver ordem à sua volta. Gosta de cuidar e receber e assume, amiúde, muitas das tarefas domésticas (…)”. Em simultâneo, a mulher “gosta de se sentir útil, de ser a rectaguarda e de criar a estabilidade familiar, para que o marido possa ser profissionalmente bem-sucedido.” A mulher também “é provida de um encanto, de uma ternura, que só se encontra na sua relação com os filhos”. Para cúmulo, a mulher “é um ser belíssimo e extraordinário”, e não um objecto, “presa para sexo fácil e espaço de diversão”.
Previsivelmente, o artigo revirou as entranhas da Terra: nas “redes sociais”, e não só nas “redes sociais”, milhares de cidadãos insistiram em pronunciar-se a propósito. Uma minoria (pareceu-me uma minoria) concordou com a dra. Joana e declarou que a mulher corresponde precisamente às maravilhas acima descritas. A maioria (pareceu-me a maioria) tentou levar simbólica ou literalmente a dra. Joana à forca, na convicção de que a mulher é o exacto oposto de tais maravilhas: a mulher não é fútil, a mulher não é subalterna, a mulher não é dependente, a mulher não é púdica, a mulher não é doméstica, a mulher não é um adereço, a mulher não é dócil, a mulher não é parideira.
Em ambos os casos, de que mulher falamos? Absurdamente, de todas. Naturalmente, de nenhuma. Não é questão de discordar do artigo da dra. Joana, ou das reacções ao mesmo. A questão é não imaginar o que leva alguém a generalizar o carácter, as circunstâncias, as apetências e as vontades de quase quatro mil milhões de criaturas, o número de mulheres existentes no mundo. Haverá as que alcançam o nirvana a produzir sopa e bebés. Haverá as exclusivamente devotadas a uma carreira na ciência, nos negócios ou na indústria dos resíduos sólidos. Haverá as que vão à missa e as que não vão à missa com a fé. Haverá as que são de rua, as que saem à rua e as que não saem de casa. Haverá as que exigem subir pelo mérito e as que se contentam em subir por quotas. Haverá as que não desejam subir a parte alguma. Haverá as que querem conciliar tudo e as que não querem conciliar nada.
O que nunca haverá é paciência para os prosélitos da dra. Joana e para os indignados com a respectiva cartilha, os quais, por oportunismo, arrogância, delírio ou projecção, tendem a ignorar que, salvo pelas fanáticas dos dois lados da trincheira, cada mulher é uma pessoa com interesses particulares e contraditórios entre si. E uma pessoa que, salvo melhor informação, não passou a essa gente procuração para falar em seu nome. Falar da mulher em sentido lato é tão razoável quanto eu afirmar que os Albertos em peso apreciam ovos escalfados e a terceira temporada de “True Detective”.
Por azar, o problema com as generalizações não é apenas serem cretinas: é serem abundantes. Em pleno século XXI (essa frase deliciosa e vazia), a consagração das “políticas identitárias” está a conduzir o Ocidente de regresso à saudosa década de 1950, quando se catalogava a humanidade pelas importantíssimas categorias do género, da orientação sexual, da cor e do que calhava – logo que o género, o sexo, a cor e o que calhar preencham certos requisitos. Um homem, heterossexual, branco e assim não é de grande serventia, excepto a de alvo de protestos sortidos. O resto é invariavelmente de valor, e constitui factor fundamental na construção das “identidades” individuais, por acaso assaz semelhantes às colectivas. Nestes avariados tempos, antes de ser engenheira, hipocondríaca e fã de Springsteen, a Isabel é mulher. Antes de ser cozinheiro, alcoólico e míope, o Paulo é gay. Antes de ser professor de Francês, bipolar e pai de dois rapazes, o Artur é preto. E a Rita, que é mulher, lésbica, mestiça e praticante de candomblé, ganhou a lotaria da vítima e o jackpot da opressão: o direito a maçar terceiros com irrelevâncias que não lhes dizem respeito.
Não vale a pena lembrar que as irrelevâncias biológicas substituíram as contingências laborais na luta da esquerda pelo conflito perpétuo. Talvez valha a pena notar que não é a substituir uns estereótipos por outros que a direita vai lá. Na essência, a “mulher” da dra. Joana do CDS não difere da “mulher” da dra. Catarina do BE. Na ânsia de se apoderarem das cabeças alheias, conservadores e progressistas esgadanham-se para reduzir sujeitas de carne e osso a entidades míticas, caricaturas, marionetas ao dispor de alucinados. Felizmente, tirando as próprias alucinadas, estas mulheres são imaginárias. E as verdadeiras têm mais o que fazer, incluindo, se possível, fazer o que lhes apetece.
Nota de rodapé:
Um antigo vencedor do “Big Brother” brasileiro veio palestrar à universidade de Coimbra, com honras e recepção a cargo do sociólogo Boaventura Sousa Santos. Não consigo encontrar nada de inadequado no facto acima, pelo que não o comento.

COMENTÁRIOS
Anabela Faisca: É a opinião de um individualista que recusa papéis sociais por desconfiar que são opressivos. No entanto, vir a ser pai ou mãe (ou avô ou avó) continua a ser o objectivo da maioria das pessoas. E, já na fase da meia idade ou velhice, quando começamos a fazer o balanço existencial, costumamos dizer que o nosso maior sucesso foi a família, os filhos, enfim as relações familiares de onde retiramos o significado mais profundo ou os maiores momentos de felicidade da nossa existência. Uma vida ferozmente individualista é uma ilusão, ingénua cegueira intelectual.
Carlos Quartel: Neste assunto o que falta  é honestidade e verdade e o que sobra é manipulação e fundamentalismo. Continuamos a ser mamíferos, as mulheres têm o exclusivo da parição e são as únicas com capacidade de amamentar as crias. É público  e notório. Confundem-se direitos de cidadania com igualdades biológicas e querem estabelecer-se  paridades e quotas, com algumas curiosidades. Quando se exigem metade dos administradores, porque não metade dos pedreiros, dos serventes ou  dos descarregadores de camionetas ? A coisa está a ficar perigosa e é tempo de parar a loucura. Numa sociedade moderna só há cidadãos, livres para tratar a sua vida, com os mesmos direitos e deveres. Nada mais ....
António Marques Mendes: O problema do “big brother” de Coimbra é que não se ficou pelo estúdio como acontece normalmente nos “reality shows” para animar a malta. Foi feito numa escola onde eu quase tive que interromper uma aula por causa da algazarra dos apoiantes de ambos os lados da farsa.
Pérolas a porcos...: 90% das mulheres são desonestas e pouco inteligentes, e vêem apenas o interesse próprio. 90% dos homens também. A diferença é que 90% das mulheres culpam 90% dos homens de serem como são e de elas próprias serem como são, não saberem o que são, ou não poderem ser como queriam (mais magras, mais loiras, mais ricas etc.) - enquanto os homens culpam o Benfica, os Comunistas, o Passos Coelho, o Papa, os Gays, a Catarina Martins, o Maduro, o Trump, etc. etc...
António Moreira: Sintetizando a (excepcional) crónica desta semana de Alberto Gonçalves poderíamos dizer que entre o politicamente correcto dos anos ‘50 do século passado e o politicamente correcto destes tempos que correm do século XXI, venha o diabo e escolha! Quanto à palestra da vedeta do Big Brother Brasil promovida pelo desventurado Boaventura, realmente, não é de admirar. Poucos sapatos velhos casariam tão bem com a dita meia rota.
Professor Pardal: Basicamente, tudo se resume à liberdade individual. Cada indivíduo, homem ou mulher, escolhe viver a vida como bem entender e assume as consequências das suas decisões. Devia ser assim mas não é. Na realidade, aquilo que vemos são grupos de pessoas, que se designam por minorias, a procurar ter privilégios sobre os outros pela capa da vitimização, E isto aplica-se a feministas, racistas, ambientalistas, fascistas e outros que tais na mesma proporção.
Joana Bento Rodrigues tem todo o direito de escrever o que escreveu. Todos os seus críticos têm a liberdade de o fazer. Mas é engraçado como se liberta o inferno pela opinião de uma mulher e nada se passa quando um defensor de pedofilia dá palestras pelas academias da nação. E arrumo a nota de rodapé aqui, então. 
Cipião Numantino: Não li a arenga da Drª. Joana e, pelo que me apercebo pelas palavras do nosso caro Alberto, parece que não perdi grande coisa. Seja como for, isto só virá fazer lembrar-me que anda tudo maluco. E a direita a que temos direito, em pouco se distingue da esquerda que nos tocou em sorte.
Se se juntarem ambas, repisando as palavras do AG na semana passada, talvez acabem por desgraçar entre ambas um só país.
O tremendo azar dos Távoras (alô, alô Miguel Cardoso que tanta falta faz por aqui) é que esse país é o meu. Ou melhor, o nosso pois como se diz em termos brejeiros "venham que todos cá cab(e)rão"!
Fico p@uto da vida, sempre que alguém entra em generalidades pacóvias. E, então, quando se trata de políticos cantando a canção do bandido arrependido, fico mais visgarelho do que o tio Patinhas ficaria na contemplação de um farto maço de notas de 500 euros.
Aquilatar pelos mesmos cânones uma matrona das berças de Trás-os-Montes e de uma suburbana da Rinchoa, é o mesmo que tentar explicar as diferenças químicas e analíticas entre a água e o H2 O.
No limite mera conversa de chacha ou para boi dormir como magistralmente se convencionou epitetar no Brasil.
Nem vou por aqui desarrincar diferenças avulsas pois o AG já deu por aqui mais que muitas à estampa. O feminismo descontrolado a que se assiste no mundo ocidental, é bem mais que uma conversa da treta para se tornar numa autêntica chaga social  a que, se não se lhe puser um termo adequado, acabará por colocar a ordem social familiar, tal como hoje a conhecemos, a ferro e a fogo.
No limite a machonguice cá da paróquia acabará por ficar de tal forma assustada, que acabará por fugir das mulheres mais rápido do que ratos de um navio quando este se está mesmo a afundar.
Depois não digam que eu não avisei "tá"?
Os homens e mulheres são muito diferentes. Por mim, hei-de sempre gritar "pois que viva a diferença"!...
Entendo o prurido mental do nosso estimado Alberto, para escrever zero sobre a patusca presença do igualmente patusco ex-político brasileiro que a convite do prof. Boaventura (quem mais haveria de ser?) veio palrar à Un. de Coimbra.
Que Deus me perdoe, mas o sujeitinho em questão é das personagens mais ridículas que algum dia tive a oportunidade de contemplar.
Já seguia os seus episódios há uns anitos e, confesso, que o fazia para me fartar de rir. Tenho aliás ainda bem presente ante mim, o episódio em que sorrateiramente ele se aproximou do Bolsonaro, lhe pespegou uma tremenda cuspidela na cara, e desatou a correr aos zig-zags na câmara de deputados, sem que ninguém o conseguisse apanhar, ehehehehehe!
Sabemos que os Cientistas Sociais ??? da Un. de Coimbra são uma espécie de tertúlia onde se praticam certas coisas non-sense.
Sabemos, também, que o Prof. Boaventura é uma personagem ridícula, que gosta imenso do ridículo e que se bate por evidenciar reiteradas ridicularias. Mas, sinceramente, nunca pensei que esta gentinha descesse tão baixo. E como uma desgraça nunca vem só, é o dinheiro do contribuinte que sustenta esta alarvidade pacóvia mental e intelectual.
Volta Eça que estás perdoado. A choldra a que tanto deste combate, está por aqui outra vez instalada.
E tal como no manifesto anti- Dantas Almada de Negreiros magistralmente evidenciou, também, claramente em sentido figurado, eu repito ... morra o Boaventura ... PIM!...