terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Olarila!


Se enganam os tolos, com as tais papas e bolos. Também gosto, de umas e de outros, mas vejo antes, na doutrina que Salles da Fonseca tão bem explicita, as belas pinturas dos santinhos e das santinhas distribuídos na Igreja, ou noutros lugares de devoção, com que dantes – e não sei se ainda - se educava o tal povo, para o amaciar e posicionar no mundo, com a promessa do Outro, da bondade e do prémio, para os humilhados deste. Mas o Outro virou este, agora bem real, com a reviravolta doutrinária, de aplicação terrena, de prémio estabelecido sobretudo para os que essa bondade defendem, com unhas e dentes, cá na Terra, tão bem sintetizada pelo Dr. Salles. Na realidade, uma tal democracia, lisonjeira dos interesses populares, com o aviltamento de todos os que na sociedade se distinguem por competências ditadas por capacidades de teor vário, só visa o nivelamento social, igualitário, que nunca será possível e apenas criador de desordem, pese embora o ideal de justiça subjacente à doutrina.

O certo é que nós, portugueses, vamos sobrevivendo, humildemente confiados nesses ideais democráticos - mas apenas os do nível externo, que no-lo permitem com fraternal generosidade. Porque os do nível interno, bem zelam para tudo isso destruir, com a aplicação das suas próprias imposições, definidas por Salles da Fonseca. Forças opostas, centrífuga e centrípeta, que nos irão convertendo ao abaixo de zero da nossa irremediável timorata mansidão.

 

AS PAPAS E OS BOLOS

HENRIQUE SALLES DA FONSECA

A BEM DA NAÇÃO, 01.02.21

ou

«DEMOCRACIA AVANÇADA»

Democracia e liberdade são conceitos unicitários, não carecem de complementos adjectivantes. Estes, existindo, são limitadores dos ditos conceitos e, pior, são seus “distorçores”.      * * *

Do Programa do PCP extraio o que nele se refere à «democracia avançada»:

«1. No ideal e projecto dos comunistas, a democracia tem quatro vertentes inseparáveis - política, económica, social e cultural:

democracia política baseada na soberania popular, na eleição dos órgãos do Estado do topo à base, na separação e interdependência dos órgãos de soberania, no pluralismo de opinião e organização política, nas liberdades individuais e colectivas, na intervenção e participação directa dos cidadãos e do povo na vida política e na fiscalização e prestação de contas do exercício do poder;

democracia económica baseada na subordinação do poder económico ao poder político democrático, na propriedade social dos sectores básicos e estratégicos da economia, bem como dos pobres principais recursos naturais, na planificação democrática da economia, na coexistência de formações económicas diversas, no controlo de gestão e na intervenção e participação efectiva dos trabalhadores na gestão das empresas públicas e de capitais públicos;

democracia social baseada na garantia efectiva dos direitos dos trabalhadores, no direito ao trabalho e à sua justa remuneração, em dignas condições de vida e de trabalho para todos os cidadãos, e no acesso generalizado e em condições de igualdade aos serviços e benefícios sociais, designadamente no domínio da saúde, ensino, habitação, segurança social, cultura física e desporto e tempos livres;

democracia cultural baseada no efectivo acesso das massas populares à criação e fruição da cultura e na liberdade e apoio à produção cultural.

Um regime democrático tem de enfrentar e caminhar para a resolução dos mais graves problemas nacionais e de responder com êxito aos grandes desafios que se colocam a Portugal no fim do século XX. A democracia avançada no limiar do século XXI que o PCP propõe ao povo português contém cinco componentes ou objectivos fundamentais:

1ª - um regime de liberdade no qual o povo decida do seu destino e um Estado democrático, representativo, participado e moderno;

2ª - um desenvolvimento económico assente numa economia mista, moderna e dinâmica, ao serviço do povo e do País;

3ª - uma política social que garanta a melhoria generalizada das condições de vida do povo;

4ª - uma política cultural que assegure o acesso generalizado à livre criação e fruição culturais;

5ª - uma pátria independente e soberana com uma política de paz, amizade e cooperação com todos os povos.»

* * *

Posto o que, desde já declaro que não me darei ao trabalho entediante dos meus Leitores e de mim próprio de desmontar cada ponto da transcrição anterior.

Basta lembrarmo-nos do «gulag» siberiano e das purgas stalinistas de todos aqueles que nem chegaram à Sibéria por terem sido aniquilados nas caves da Lubianka para compreendermos o verdadeiro significado de liberdade política comunista; basta lembrarmo-nos do monte de real sucata que era o parque industrial não militar aquando do colapso do Império Soviético para compreendermos as consequências danosas da diabolização do lucro na ideologia marxista; basta lembrarmo-nos da massificação residencial em grandes blocos habitacionais com instalações sanitárias colectivas no rés do chão para compreendermos o significado de conforto no conceito soviético; basta lembrarmo-nos do «tratamento de luxo» dado a todos os intelectuais e artistas que não cantavam loas à «nomenklatura» do Partido; basta lembrarmo-nos do internacionalismo proletário marxista para compreendermos o significado de «Pátria» na mente de um comunista. De tudo, para concluir que «democracia avançada» significa efectivamente a total ausência de democracia e que tem sido com este género de papas e bolos que os marxistas vêm enganando uns quantos desprevenidos.

Um dia destes que por aí vem, mando o meu cão dar umas dentadas em Gramsci e espantar as pombinhas da Cat’rina.

Fevereiro de 2021      Henrique Salles da Fonseca

Tags: "política portuguesa"

COMENTÁRIOS:

Anónimo 01.02.2021:  tem que ser sempre relembrado infelizmente

Adriano Lima 02.02.2021: Dr. Salles, não creio que alguém possa, de boa mente, refutar a conclusão a que chegou e que, em boa verdade, reúne o consenso geral. Claro, à excepção daqueles que se filiam nos partidos ditos comunistas. Ainda assim, compreendo a ingrata posição dos de estrato etário mais velho, já que a adiantada idade talvez já não lhes permita rejeitar crenças instaladas no entusiasmo da juventude ou no fervor da oposição ao anterior regime. Causa-me estranheza é que pessoas mais jovens e intelectualmente esclarecidas possam ainda aderir à causa de partidos cuja ideologia devem, de antemão, saber que faliu estrondosamente em toda a linha e em todas as latitudes. Tanto mais quando não deviam ignorar os crimes contra a pessoa humana que deixaram ao longo do seu trajecto. No entanto, tem de se reconhecer que os nossos partidos de ideologia marxista aceitam e cumprem as regras da democracia e a Constituição da República, distinguindo-se dos que se identificam e reivindicam ideologias tidas como da extrema direita      Adriano Lima:  Continuando a comentar... Creio que nem o mais ingénuo levou a sério o Dr. Cunhal quando, numa entrevista na RTP há 46 anos, afirmou que a democracia defendida pelo PCP garantia "as mais amplas liberdades". Nem mais nem menos, "as mais amplas liberdades". Mas não se deu ao cuidado de as precisar. Se alguma vez o tentou, não terá saído de palavreado vago e completamente ao arrepio do legado político do marximo-leninismo aplicado na URSS e em outros países. Falar de democracia é, principalmente, falar dos sistemas e modelos económicos que ela propicia. Na URSS, Cuba e outros países, a economia estatal resultou naquilo que sabemos. Não mencionei a China porque ela arredou pé a tempo e adoptou o tal modelo de um sistema político autoritário (sem as mais amplas liberdades) com uma economia em que a componente planificada convive com a do mercado. Os líderes chineses chamam-lhe "socialismo com características chinesas". A verdade é que o crescimento económico da China mudou completamente de fisionomia desde que abriu portas a uma economia de mercado controlada pelo estado. Mas não quero com estas observações tecer loas à economia de mercado desregulada nem passar-lhe um cheque em branco. No nosso país, embora ninguém duvide que o crescimento da sua economia depende de um sector privado esclarecida e empreendedor, há muito quem entenda não abdicar do guarda chuva do Estado para o sucesso e sustentabilidade dos seus negócios. Penso que os exemplos abundam para o demonstrar. Um dos mais recentes é o caso do Hospital de Miranda do Corvo (privado), que o Francisco Louçã trata com verdade objectiva num artigo publicado no Expresso Diário em 2 do corrente. Esse hospital parece estar apetrechado mas nunca funcionou e não tem sequer um enfermeiro, talvez um segurança no exterior. Conforme analisou Louçã, o dono do hospital deu uma entrevista a censurar o desaproveitamento da infraestrutura nesta altura em que os meios escasseiam para o combate à pandemia. Tudo indica que o dono estava, ou está, à espera, que o Estado chegue à frente para lhe proteger o negócio que até agora não curou estruturar convenientemente. Diz o articulista: "O dr. Ramos explicou então candidamente numa reportagem da Sic que o que queria, precisamente, era que o Estado lhe garantisse o pagamento dos profissionais que ainda não contratou e que lhe despachasse os clientes que ainda não tem. Ou seja, a iniciativa privada quer que o sector público lhe pague as despesas e lhe proteja o negócio. Não pretende convenções, quer uma garantia de cobertura dos custos e uma salvaguarda das receitas. Sem isso, continua amuado e não contrata ninguém. Só abre portas se o Estado lhe assegurar a tesouraria e os proveitos". Só posso acrescentar dizendo: Assim não!        Adriano Lima 02.02.2021 Continuando ainda a comentar...: Penso que nenhum sistema político e económico pode abdicar da realidade concreta do país e também da idiossincrasia do povo a que respeitam. Com esta observação, formulo uma pergunta: será que o Dr. Cunhal acreditava que Portugal e os portugueses seriam alguma vez encaixáveis num sistema político marxista-leninista, viabilizando o sucesso retumbante de um modelo comunista à portuguesa? Talvez ele o pensasse sinceramente, e digo isto dando o devido desconto a uma visão lunática que estaria em clara oposição aos atributos de inteligência e cultura que lhe eram, e são, reconhecidos. Claro que como homem livre estava no seu direito. O que acho simplesmente censurável é os intelectuais da nossa praça, ontem como hoje ainda, nunca terem chamado os bois pelos nomes, confrontando o líder político com a escassa ou nula clarividência das suas ideias e com a sua obstinação em não reconhecer a falência prática e generalizada da sua ideologia. É por isso que reprovo sem apelo nem agravo a hipocrisia e o baixo nível de coragem cívica e de honestidade intelectual da maior parte dos nossos intelectuais. Principalmente naquelas décadas logo a seguir ao 25 Abril, em que muitos actores da cena pública passavam a ideia de nem serem carne nem peixe, para salvaguardarem os seus lugares na sociedade.        Adriano Lima 02.02.2021: Para conclusão definitiva, mais um comentário... Como disse em comentário anterior, nenhuma política pode ser engendrada e posta em prática ignorando a realidade do país. Isto vem a propósito de o BE e o PCP, impossibilitados e não querendo, por conveniência própria, integrar uma solução governativa, funcionarem quase exclusivamente como forças de protesto e reivindicação. Esta sua prática traduz-se em reivindicar sistematicamente tudo e mais alguma coisa para os trabalhadores e as classes mais desfavorecidas, quase sempre do âmbito do estado, ignorando que este só pode distribuir em função de riqueza produzida. Sem um sector privado pujante e liberto de peias, não é possível uma projecção do PIB para níveis superiores e consentâneos com a nossa definitiva saída da "cepa torta" de que tanto lamentamos quando olhamos para os nossos parceiros europeus. Ora, que eu saiba, nenhuma daquelas forças políticas aposta em propor soluções viáveis para o relançamento do sector privado. Antes pelo contrário, olham para ele com indisfarçável desconfiança e antagonismo, mesmo que, as mais das vezes, e só para compor o vaso, sugiram medidas para o apoio às pequenas e médias empresas. Mas isto sem qualquer ideia sobre como se articula com a realidade concreta aquilo que propugnam com frequente vacuidade e só para fazer figura. E quanto a botar figura, é fácil com dinheiro de outro.


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

“NÓS”

 

Já era assim, no tempo de Cesário Verde, o “terror de lebre”. Só que hoje é mais sofisticado. Temos as vacinas da importação, a prevenir, mau grado as trapaças. Além de que já não há para onde fugir, também o campo está contaminado. Mas idêntico é, sem dúvida, o “terror de lebre”, que, ao contrário da fuga de outrora, nos confina e se reduz às previsões do futuro:

Foi quando em dois verões, seguidamente, a Febre
E o Cólera também andaram na cidade,
Que esta população, com um terror de lebre,
Fugiu da capital como da tempestade.

Helena Garrido não perdoa, (e assim os seus comentadores) que assim revelam o estado da nação, a que chegámos, de descontrole material e moral, mas no confinamento… de tartaruga… Embora, e voltando a Cesário, talvez possamos ainda pensar como ele, indiferentes e atrevidos, ou para não soçobrarmos já… Ele, sim, soçobrou, na sua juventude já não sadia... fisicamente falando:

E engelhem, muito embora, os fracos, os tolhidos,

Eu tudo encontro alegremente exacto…

À beira do precipício /premium

Estamos em colapso na saúde e a caminho da derrocada económica e do declínio moral. Nunca se imaginou o pesadelo que foi o mês de Janeiro. Sem que se veja coragem ou competência para corrigir os erros

HELENA GARRIDO

OBSERVADOR,01 fev 2021

A Alemanha vai enviar militares e a Áustria vai receber doentes para nos ajudarem a combater a pandemia, numa altura em que os profissionais de saúde e os próprios equipamentos hospitalares entram em colapso. Internacionalmente somos notícia por sermos agora os piores em novos casos e mortalidade por Covid-19, como nesta reportagem na CNN. Em Portugal, o coordenador do plano de vacinação, Francisco Ramos, resolve, em entrevista à SIC, meter-se na política partidária, em vez de encontrar uma solução para as sobras das vacinas e condenar inequivocamente quem fura as prioridades, já de si tão caóticas e a mudarem frequentemente. E acaba com um puxão de orelhas do Ministério da Saúde a ordenar que faça o que já devia estar feito: lista de suplentes para a aplicação das sobras das vacinas, respeitando a lista de prioridades, e anunciando medidas contra quem se arme em esperto.

O plano de vacinação foi desde a primeira hora criticado por não ser realmente um plano e por ter deixado os idosos fora do primeiro grupo. Com o tempo percebeu-se que, além disso, não se estabeleceram regras para as sobras nem se pensou na classe política. Atabalhoadamente está a corrigir-se a falta de orientações para as sobras, no caso da classe política também parece impossível correr pior e nos idosos foi preciso ter orientações explícitas da União Europeia.

Sim, em todo o lado se assiste a espertalhões que tentam furar as regras. O caso mais mediático é o do multimilionário canadiano e da sua mulher, que foram até a uma aldeia remota para se vacinarem, foram apanhados e correm agora o risco de ser presos. O problema dos nossos casos é termos no grupo dos que furam as prioridades responsáveis políticos como o presidente da Câmara de Reguengos, José Calixto, do PS, o presidente da assembleia municipal de Arcos de Valdevez, Francisco Araújo, do PSD e ex-presidente da Câmara que deixou de ser por não se poder candidatar, a vereadora do PS da Câmara do Seixal Elisabete Adrião e a directora do Centro Distrital de Setúbal do Instituto da Segurança Social Natividade Coelho e mais 126 funcionários. E ainda tudo o que se passou no INEM, quer em Lisboa como no Porto. De todo este universo apenas Natividade Coelho e o responsável do INEM no Porto é que se demitiram.

Será que ninguém percebe que isto não pode acontecer?

Juntemos a estes casos, por pequenos que sejam e alguns até compreensíveis – por exemplo, no caso do INEM – por falta de uma lista de suplentes, a confusão que tem sido a prioridade de vacinação que vai ser dada à classe política e temos o caldo certo para o populismo. Neste momento nem se percebe muito bem quem vai ou não vai ser vacinado no universo político. Se para todos é clara a prioridade que deve ser dada ao Presidente da República, ao presidente da Assembleia da República, ao primeiro-ministro e eventualmente à ministra da Saúde, já se torna mais difícil de compreender a generalização, que assume tal irracionalidade que um deputado como Jerónimo de Sousa não é vacinado e outros bastante mais novos são.

As prioridades de vacinação são aliás um mistério. Neste momento parece que finalmente se vai dar prioridade aos mais idosos, independentemente de estarem ou não em lares. Uma mudança que com certeza está relacionada com a decisão adoptada pela Comissão Europeia a 19 de Janeiro. Aí se estabelece como objectivo ter vacinadas, em Março, pelo menos 80%  das pessoas com mais de 80 anos e dos profissionais de saúde e de apoio social vacinados. E no Verão ter pelo menos 70% dos adultos vacinados. Porque é que não definimos os idosos como prioritários nunca iremos compreender, quando é bastante claro nos números que o seu risco de morte por Covid-19 é o mais elevado.

Este retrato, que nos transmite a ideia de que estamos em processo de degradação moral, num salve-se quem puder, que é a mensagem subjacente no comportamento de algumas pessoas com responsabilidades políticas, mesmo sendo apenas autarcas, antecipa um problema ainda mais grave, a de uma crise económica que pode ser muito mais grave do que imaginávamos.

Somos um país que tem uma parte importante da sua economia e do emprego dependente do turismo, não é novidade para ninguém. Um dos desafios que tínhamos pela frente neste Inverno era preparar-nos para o Verão. Trabalhar para dar do país uma imagem de segurança e organização, que tinha conseguido vencer a pandemia sem dramas e que tinha já boa parte da população vacinada. O facto de os ingleses estarem bastante acelerados na vacinação é uma vantagem, especialmente para o Algarve que tem nesse país um dos seus principais clientes turísticos.

Neste momento só com sorte conseguiremos salvar o Verão turístico. Dificilmente conseguiremos que o mundo se esqueça dos dados que nos colocam em primeiro lugar em novos casos e mortalidade por Covid-19 e das reportagens que mostram o colapso dos serviços de saúde.

Podemos ter, com elevada probabilidade, o pilar da recuperação que depende do turismo completamente perdido pela falta de coragem política de um Governo que faz do acordo de todos a prioridade, deixando para segundo plano a preocupação com os efeitos tardios e mortíferos das suas decisões. Porque não teve coragem ou foi incompetente, o Governo é o responsável por termos de estar mais tempo em confinamento – pode chegar até ao Verão, diz o Presidente –, pelo estado descontrolado em que está a pandemia, a somar mais de 5.500 mortes em Janeiro  e por uma crise que vai ser muito mais dura do que esperávamos. Resta a esperança de a vacinação começar a correr bem, não dando mais motivos para os riscos políticos que enfrentamos, não juntando à crise sanitária e económica uma imagem de degradação moral, de salve-se quem puder. Para já este mês de Janeiro não antecipa nada de bom.

PANDEMIA  SAÚDE  CORONAVÍRUS  SAÚDE PÚBLICA  VACINAS  GOVERNO  POLÍTICA

COMENTÁRIOS:

Adelino Lopes: Turismo? O INE refere que serão 13% do PIB. Sempre fui referindo que será muito mais. Diversas despesas não são incluídas neste item: coisas tão estranhas como por exemplo a revisão automóvel dos emigrantes; ou as cabeleireiras. E graças às bombas que rebentaram à volta do mediterrâneo, os turistas acabaram em Portugal. Mas, obviamente que o sucesso 2015-2019 foi nacionalizado pelos socialistas. Hoje, escondem-se atrás da pandemia. É sempre assim; os ministros aparecem nas Tv´s quando corre bem; quando corre mal, na Tv dizem que o populista/culpado é o outro. Vacinação? Isto não pode acontecer? Mas estavam à espera de quê? É a pergunta que faço a mim próprio. Portanto, temos uma task force que nem uma lista de prioritários soube fazer (não foram apenas os idosos; e os médicos privados que lidavam diariamente com a covid?); que não sabe onde as pessoas prioritárias moram (por exemplo a questão dos lares); cuja equipa de vacinação foi criada em cima do joelho, deixando de fora os profissionais do SNS já habituados a vacinarem; que deixa a responsabilidade da vacinação para pessoas sem qualquer responsabilidade (caso do INEM). E portanto isto era para correr bem, era? Mais; é possível que por exemplo a tal task force não conheça o nome, idade, etc, das listas de pessoas já vacinadas? Organização? Isto é anarquia. A responsabilidade cai todinha nos responsáveis governamentais que lá colocaram estes incompetentes. Mais; se esses responsáveis governamentais ainda não perceberam a incompetência (já deveriam ter substituído essas task force há muito), então o problema é nosso.               Andrade QB:Helena Garrido tem razão e é de perguntar-se do que valeu a pena as palavras sempre amaciadas e de tolerância para um declínio que, em primeiro lugar, foi moral. Portugal chegou a este pantanal a partir do momento em que os fazedores de opinião começaram de forma descarada a seleccionar à pinça os assuntos e a elogiar ou condenar o mesmo facto em acordo com a sua origem, de forma absolutamente miserável. Não se chegou a este estado de normalidade, em que governantes, dirigentes partidários, jornalistas e comentadores afirmam uma verdade alternativa em cima de inverdades constantes, da noite para o dia. Já nos seus tempos da Quadratura do Círculo a verdade era variável para António Costa e o ataque pessoal arma, altura em que ele próprio se escandalizava pelo carácter ser um parâmetro de avaliação dos políticos. Qual a surpresa agora?           Manuel Magalhães: A tal “task force” eu chamaria “freak force” dada a notória incompetência do seu chefe, que ainda por cima se arroga o direito de fazer comentários políticos idiotas e completamente a despropósito, só que infelizmente não é de admirar toda esta desgraça dado o indivíduo ter sido escolhido pela ultra esquerdista ministra da saúde e igualmente incompetente!!!            Jorge Martins: Este país não funciona. Faz de conta que funciona. Não estivéssemos nós integrados na UE e então seriamos a Venezuela do sul da europa. Já não andamos longe de o ser. Fazer porquê quando se pode fazer de conta?! Com um povo anestesiado, apático e abúlico o que interessa é fazer passar a mensagem de que se faz, de preferência sendo simpático. É a amoralidade que grassa e escapa sem o mais pequeno escrutínio que permite e possibilita tudo o resto. A competência de saber sorrir e reagir é muito mais importante do que a competência de prevenir e agir. Governados por sondagens e por votos de que tudo correrá bem, alegremente caímos no precipício. Vá lá que pelo menos é um precipício cor-de-rosa cheio de gente simpática. Incompetente, mas simpática.    André Ondine: O plano de vacinação está a correr como as declarações do responsável pelo plano de vacinação: um desastre e uma enorme irresponsabilidade. Mais um boy, mais um desastre. O aparelho de Estado está poluído de melhores amigos do Habilidoso, mestres na propaganda, trágicos na realidade. É por isto que quanto mais o país se degrada, mais o PS sobe nas sondagens. Este é o governo do PS, mas agora era importante ter um governo para Portugal. O PS está bem e recomenda-se. A taxa de desemprego dos militantes do PS deve ser muito reduzida. Já nem se fala da falência financeira do PS, como se falava há alguns anos. Eles estão bem. Nós, cá em Portugal, esquerda vamos indo pior. Não se pode agradar a todos. Será que o PR não percebe que enquanto o PS continuar a prosperar, Portugal irá sempre degradar-se mais um pouco? Não chega já? Isto não está já suficientemente mal? Acabe com isto. Tire-nos da frente a histeria provocante do Cabrita, as mentiras do Ministro da Educação, as mentiras da Ministra da Justiça, o vazio moral do Habilidoso. É difícil viver coabitando com gente desta estirpe, a estirpe socialista do novo século. À beira do precipício? Não. Já caímos no precipício. E o DIABO é ter o Habilidoso e o seu bando à frente do país quando estamos tão frágeis. Agora se vê a delapidação do Estado durante os anos das cativações Centeno. Não há pessoal nos hospitais, não há computadores nas escolas, nao há segurança, não há dignidade em lado nenhum. Vou mas é tornar-me militante do PS e ser feliz. Tenho inveja dos sorrisos do Habilidoso e dos seus acólitos. Quem bem que se deve estar no PS. Estou farto de Portugal, vou para o PS.           Cipião Numantino: A Drª. Helena Garrido é uma articulista moderada. A quem eu, reconheço, aqui há uns tempos e de forma quiçá apressada, rotulei como sendo uma articulista do tico e do teco, em síntese, que ora batia no tico ora batia no teco. Posto este preambular esclarecimento, ao ler esta sua crónica, fiquei literalmente com os cabelos em pé. Não se trata, efectivamente, de uma anti governamentista inveterada e, mais ainda, uma pessoa daquelas do contra seja o que for e ainda menos da omnipresente e tentacular fajuta agremiação que nos vai desgovernando. A coisa está definitivamente preta. E só uma larga franja população onde se situam maioritariamente os instalados, os distraídos e os mamões, parece não ter dado disso precisa conta. Uma grande parte do povalhão tuga não tem emenda. Fazendo jus aliás à presunção exteriorizada pelo célebre dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues que, afirmava “que a maior desgraça da democracia é que ela traz à tona a força numérica dos idiotas, que são a maioria da humanidade”. Não se compreende. Recuso-me a aceitar que este povão meio desmiolado acabe reiteradamente por entregar uma espécie de galinheiro ao mesmo bando de raposas que permanentemente o desgraça. Não sei se isto é o fado a que estamos condenados. Mas sei que temos neste desgraçado país uma espécie de princípio de Peter desde sempre figurando com os mesmos intervenientes. Sempre levam a melhor os habituais vendedores de banha da cobra onde, decididamente, a vergonha, a competência e a honradez não medram. E como uma desgraça nunca vem só têm, ultimamente, utilizado a arrogância que vivendo paredes meias com a completa incompetência geram uma mistura altamente explosiva. Aí temos o resultado. 1º. classificado mundial em infecções e mortes do couvinhas! Valha-nos isso. Pelo menos somos nº. 1 em qualquer coisa. E por mim desconfio, supimpamente desconfio, que em estupidez andaremos por lá bem perto! Que país mais tolo e aborrecido!... Ricardo Nuno: Portugal acordou histérico.

 

A máscara não tapa os tiques


Contra as demagogias dos pontos de vista dos bem-formados - segundo a convenção em uso - se impõe a avisada escrita de Helena Matos corroborada – ou não – pelos seus muitos apoiantes, os de esquerda estrebuchando, como previsto…

Já não se pode confiar no povo /premium

Sousa Tavares alerta para riscos dos emigrantes que “votam muito mais à direita”. Francisco Ramos a despropósito das vacinas ataca os “11% ou 12%” que votaram Ventura. Já não se pode confiar no povo.

HELENAMATOS

OBSERVADOR 31 jan 2021

O bom povo é de esquerda. Ao comentar os resultados das eleições presidenciais Miguel Sousa Tavares afirmou, com aquela sintaxe entaramelada que o caracteriza, a propósito do voto dos emigrantes: “Os poucos que votam, votam sempre contra aquilo que é o sentido maioritário do voto dos portugueses que cá estão. Nomeadamente, votam muito mais à direita, e ontem [Domingo] votaram muito mais em André Ventura.

Como é habitual Miguel Sousa Tavares fala muito e prepara-se pouco: os emigrantes não “votam muito mais à direita” a não ser que se entenda por votar “muito mais à direita” o voto no PSD e no próprio PS cujos resultados eleitorais na emigração são expressivos, sobretudo no círculo da Europa. A esta fantasia em torno de um voto “muito mais à direita” por parte dos emigrantes juntou Miguel Sousa Tavares uma reflexão sobre o facilitar ou não do voto em função do provável sentido de voto dos eleitores portugueses: “E a questão política que se põe é o seguinte: se facilitarmos o voto todo dos emigrantes, nomeadamente por correspondência, há ou não há o perigo de um dia nós podermos eleger um Presidente da República que… Imagina que isto está taco a taco, mais ou menos, e a balança pender para quem os emigrantes votaram… A balança pode acontecer… cair para o lado que os portugueses que cá não vivem escolheram, e não os portugueses que cá vivem…”.  Nesta perspectiva o voto não é um direito mas sim um prémio, um prémio que se concede ao povo que vota bem.

O destrato de quem não vota segundo este conceito do bem torna-se norma: Francisco Ramos, o coordenador da task force da vacinação, a propósito ou despropósito das tomas indevidas de vacinas não teve nada mais apropriado para invocar que o “espírito vingativo” que associa “àqueles 11% ou 12%” que votaram na candidatura de André Ventura nas eleições presidenciais em que por sinal ele, Francisco Ramos, foi apoiante destacado de uma outra candidatura, a de Marisa Matias. Portugal república dos socialistas é isto: um país de castas. Um país em que o coordenador da task force da vacinação, o mesmo que há um mês não incluía as pessoas com mais de 80 anos na primeira fase da vacinação e depois por pressão da UE se viu obrigado a mudar essa disposição, insulta eleitores com a mesma ligeireza com que não deu explicações sobre as sucessivas alterações do plano de vacinação.

O povo que se porta mal. Acreditam os pregadores do “Fique em casa” que aquilo que mandam vir pelo take away e pelos estafetas nasce nos armazéns e nas mochilas dos distribuidores? Se realmente ficássemos todos em casa íamos comer e beber o quê? Viver de quê? O mundo do “Fique em casa” está cheio de gente cujos rendimentos não foram beliscados pela pandemia e que não sabe nem quer saber o que está acontecer no mundo do trabalho. Esse mundo para o qual se anunciam apoios que o mundo do “Fique em casa” imagina rápidos e automáticos mas a que na prática não se consegue aceder. Os últimos a viverem nesta espécie de distopia são os jovens casais que tiveram o azar de ser colocados em teletrabalho. Como se sabe as empresas foram obrigadas a optar pelo teletrabalho desde que tal fosse possível. Só que em seguida fecharam-se as escolas e as creches. Com as crianças em casa, os pais em teletrabalho deixaram de conseguir trabalhar. Terceiro acto desta tragédia: são recusados apoios aos pais que já estavam em teletrabalho. Em conclusão, os pais de crianças pequenas quando as creches fecharam ficaram sem poder trabalhar e privados de qualquer apoio. Muitos ainda continuam a pagar as creches na esperança do dia em que voltarão à rua… O mundo do “Fique em casa” ralha com o “povo que se porta mal” e culpa-o pelas ambulâncias à porta dos hospitais e por ter precisado de oxigénio no Amadora-Sintra.

O povo que não percebe. O povo que não percebe coexiste com o povo soberano. Este último é chamado à cena quando se tem a certeza que o seu voto vai consagrar a narrativa do progressismo. Caso contrário o voto popular passa ao estatuto de populismo. Assim se explica que o mesmo país que votou duas vezes o aborto veja agora os seus parlamentares aprovarem a eutanásia. Os senhores deputados, aqueles que mandam fechar restaurantes e mantêm o restaurante da Assembleia a funcionar, entenderam que os portugueses não precisavam de discutir mais a eutanásia e decidiram por nós. Decidiram-no numa semana em que muitos portugueses morreram sem a assistência que mereciam, sem os tratamentos que acreditavam ir ter sempre disponíveis, sem a presença de familiares. Entretanto espera-se que o Presidente após profunda sessão de aritmética decida se veta ou não veta. Afinal em Portugal todo o absurdo é normalizado, toda a incompetência rasurada e toda a prepotência legitimada desde que se esteja do lado certo. Veja-se o sucedido com a decisão do Tribunal Constitucional de dispensar os membros do Conselho de Prevenção da Corrupção (CPC) de apresentar a declaração de rendimentos, património, interesses, incompatibilidades e impedimentos. Acreditaria o povo que os membros de um organismo que visa prevenir a corrupção deveriam disponibilizar essa informação. Ora não foi esse o entendimento do Tribunal Constitucional que alega que o Conselho de Prevenção da Corrupção (CPC) é sobretudo um órgão consultivo e também não foi esse o entendimento de José Tavares, o novo presidente do Tribunal de Contas e, por inerência, também presidente do dito Conselho de Prevenção da Corrupção (CPC). Para José Tavares, a “generalidade” dos membros deste conselho já estão obrigados a apresentar estas declarações nos outros cargos que desempenham. E aqueles que não fazem parte da generalidade? Aliás quantos membros são necessários para formar a “generalidade”?

O povo às vezes cansa-se. Gostaria de recordar à direita portuguesa que tão entretida anda nos seus jogos florais entre o Adolfo, o Carlos, o Francisco, o Nuno… que as sondagens em França começam a apresentar como possível a vitória de Marine Le Pen na segunda volta das presidenciais que vão ter lugar em 2022. Sim, estão a perceber bem, Marine Le Pen aquela com quem a direita não negociava, não reunia, não falava… pode ganhar as próximas presidenciais francesas. Agora é ela que não precisa dos gaullistas, dos conservadores, dos centristas.

Percebem ou é preciso fazer um desenho? O povo às vezes cansa-se de tanto tacticismo, de tanta estratégia, de tanto calculo… e perante um quotidiano que endurece (os franceses declaram que se asselvaja) dá o seu voto a quem lhe fala da sua vida. Se abandonarem o eixo que vai da Estrela à SIC e das Avenidas ao PÚBLICO talvez comecem a ver melhor.

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COMENTÁRIOS:

Cruzeiro O Verdadeiro: O Bom Povo é de esquerda, que vergonha quem se atreve a desmentir o presidente Ventura presidente única e exclusivamente de todos os bons Portugueses. Respeitem por favor estas sábias palavras        manuel soares Martins: Convém não embarcar em ilusões, Helena. Sondagens em França que admitem a vitória de Marine Le Pen na 2ª volta só podem ser fabricadas para advertir do "perigo" e reunir as hostes contra o inimigo comum. O ideal de qualquer candidato é ir à 2ª volta contra Marine - é dinheiro em caixa. Andrade QB: Penso que foi nesses comentários que Sousa Tavares, para reforçar a sua oposição a quem defende que esses votos não significam necessariamente partilha das ideias mais radicais dos candidatos, também chamou de gentalha os 75 milhões de americanos que votaram em Trump e o meio milhão que votou em André Ventura. Uma conclusão tão fundamentada como dizer que todos que gostam de uns copos dizem asneiras deste calibre ou defendem a selecção prévia dos eleitores, coisa que nunca ouvi dizer a Trump ou a Ventura. Joaquim Moreira: Aqui está mais uma reflexão que merece a minha total aprovação. Na verdade, o povo é o que se queira, ou o que querem os grandes fazedores da asneira. Mais conhecidos por fazedores de opinião, que mais não são do que defensores da esquerda em primeira ou em segunda mão. Não é por acaso que Helena Matos organizou esta crónica em quatro parágrafos eloquentes, para definir cada um deste tipo de inteligentes: O bom povo é de esquerda. O povo que se porta mal. O povo que não percebe. O povo às vezes cansa-se. O que me permite concluir que temos mesmo que agir. Não por sermos apelidados de esquerda ou de direita, mas por estarmos fartos de ver crescer esta seita. De uma série de tipos que se julgam inteligentes, que mais não são do que indigentes. E que, se não forem denunciados, vão ajudar a deixar Portugal em bocados. Por se assumirem como verdadeiros moços de recados!          Sofia Liberdade: Um fique em casa das aparências, um país que não gosta das suas crianças e lhes tirou não só a sua educação, como as suas necessidades de socialização,  saúde física,  mental e lazer. O fique em casa a teletrabalhar com os bebés de creche sem contrapartidas custa-me no entanto menos do que ver pessoas há um ano sem poder trabalhar no seu negócio devido ao fique em casa das aparências que nada resolve.         Da Costa: Parabéns, retrato bastante fiel da corja que empurra parte do povo para extremismos        Martelo de Belem: Excelente artigo. Infelizmente a verdade crua e nua nunca vinga em Portugal e as pessoas preferem acreditar na virgem (raro sujeito onde posso ser comunista). O evidente para o português médio tipo Miguel ST não o é. Sabe que os emigrantes em muito sabem mais que os nacionais, são mais esclarecidos e alimentam os nacionais desde há décadas? Não, porque como medíocre vive do Estado.        Manuel Pereira: Nem sempre de acordo mas sempre a ler pela procura de uma crónica séria, PARABÉNS, Helena Matos, por este ARTIGO CLARO e CERTEIRO.     Artur Parracho: O comentário de Miguel ST é lamentável para não dizer que envergonha todos os Portugueses, os emigrantes que tanto contribuem para a riqueza do País, que nunca esquecem Portugal, verem-se rotulados de "perigosos votantes" . Helena Matos, assertiva como sempre e a incomodar muita gente. Parabéns !!!         Ashley Albuquerque: Na minha opinião, o facto de MST dizer que não se deve facilitar o voto de uma camada vasta (e mesmo que só um fosse!) de cidadãos portugueses é gravíssimo. O sentimento de impunidade com que afirma tal aberração antidemocrática e, porque não dizê-lo, fascista, diz muito dos tempos em que vivemos em que à direita tudo é radical e à esquerda qualquer alarvidade se permite. Mesmo o facto de não lhe convir pessoalmente nem ao seu compadre que a direita chegue ao poder o devia coibir de proferir tais alarvidades.      Luis Teixeira-Pinto > Ashley Albuquerque: Inteiramente de acordo. Aqui a Direita e os nossos honrados emigrantes funcionam, para o MST, como lavandaria para outros "negócios" e "interesses". É preciso desviar atenções, claro, não vá a Direita ganhar e exigir seriedade na Justiça.         pedro dragone: Quando há pouco mais de um ano surgiu a polémica sobre os critérios de atribuição da nacionalidade Portuguesa a descendentes de Judeus Sefarditas expulsos de Portugal, o elitista e burguesola Tavares usou o mesmíssimo argumentário que a agora utiliza contra o voto dos emigrantes: facilitar a nacionalidade a "essa gente", dizia, poderia um dia levar a que os seus votos influenciassem a vida do País sem nunca cá residirem. Se a isto juntarmos a campanha que fez contra os turistas por, como também dizia, "virem perturbar a paz de quem (como ele) mora em Lisboa", então ficamos com uma leve sensação de tiques xenófobos. Logo num indivíduo tão lesto a demarcar-se da dita extrema-direita xenófoba. (Mas não sente vergonha de estar ao lado da dita extrema-direita na defesa das touradas, ora porque é caçador...). A insinuação de que "não há problema" que os emigrantes não votem porque normalmente votam à direita é simplesmente deplorável! Obviamente que as palavras do coordenador da "Faz que Torce" da vacinação, Francisco Ramos, são igualmente deploráveis e descabidas: deploráveis porque todos os votantes e todos os votos, sejam em quem for, são igualmente dignos. Descabidas porque não pode e não deve usar a função que desempenha para expressar opiniões políticas, sejam de que natureza for.         Paulo Guerra: Mais uma coluna de opinião no Obs a tentar dar gaz ao Chega. Já a HM nem no meio de uma pandemia consegue arranjar verdadeiros argumentos para a discussão política. O papão da Marine à frente das sondagens em França. Que depois do estardalhaço todo da queda do Trumpas já deve ser a melhor amiga da HM. A Frente Nacional está quase sempre à frente das sondagens nesta fase do calendário político. Com crise ou sem crise até. Quando ainda nem se conhecem outros candidatos porque nem a recandidatura de Macron é ainda dada como certa. Já o facto de a FN também ter sido castigada nas últimas autárquicas não releva nada. Contudo e como até a HM deve saber ainda muita água vai correr por baixo das pontes do Sena. E excepto talvez as sondagem em Portugal - daqui a necessidade da HM ir até França esta semana - gerir uma pandemia e uma crise económico-social ao mesmo tempo passa sempre uma determinada factura de impopularidade seja a quem estiver no Governo. De um Macron muito isolado, ao resto do Mundo. Onde não deve existir talvez um único governo muito popular. Mas o que era da coluna da HM semanal no Obs sem os condimentos mais costumeiros como a demagogia e o populismo? Não era a mesma coisa. Quanto às únicas vidas que sempre interessaram verdadeiramente à Marine Le Pen foram as vidas dos Le Pen. Que escangalharam a cabecinha toda da pobre Marine. E por esta ordem. Primeiro a Mãe que abandonou o pai e com umas certas libertinagens - como gosta de lembrar a Marine - a enviou directamente para os braços do Pai e da FN. Pauvre Mademoiselle. E depois o Pai, a quem a própria Marine já tratou da vidinha. De resto, são os sound bites habituais da extrema-direita e neste caso da FN em França. Mais estado, menos imigrantes, menos impostos, menos água, luz e gaz e mais dinheiro a rodos para todos os franceses. Que nem precisam de sair de casa. Basta acordarem e abrirem a mesinha de cabeceira de manhã. Uma verdadeira história da carochinha como a HM sempre gostou muito de ouvir. Quase ao nível da grande obra de HM sobre os três pastorinhos de Fátima.       Manuel DiasPaulo Guerra: A Helena Matos se de alguma coisa não poder acusada é de demagogia e populismo. Quem fala de factos e os mostra de uma forma clara e concisa será sempre criticada por gente cheia de complexos e distúrbios ideológicos. O Senhor Guerra acha que não é demagogo e populista quando considera que os extremistas que votaram no Ventura são diferentes dos extremistas que votaram na Marisa e João Ferreira. A tontice dos demagogos leva-os a afirmar isto, a HM não diz NIM ou diz SIM ou diz NÃO e isso dói aos parolos.         José Afonso: Mais um lúcido e esclarecedor artigo. Obrigado.

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