quarta-feira, 5 de maio de 2021

Tentando decifrar


Mas o certo é que tudo parece um déjà vu insistente, que nos destrói a confiança e definitivamente nos envergonha. Merecemos isto? Todavia, o texto de Helena Garrido parece mais brando - e confuso - do que o de alguns comentadores...

 A Operação Marquês e o caso PT /premium

A decisão de Ivo Rosa revela como um grupo de administradores tomou conta da PT em 2014 e, com o apoio da auditora, logrou fugir às suas responsabilidades no investimento ruinoso na Rio Forte do GES.

HELENA GARRIDO          OBSERVADOR, 03 mai 2021

decisão instrutória da Operação Marquês é longa, mas vale a pena ir lendo. Aqui se revisitam os abalos do Verão de 2014 que destruíram, ao mesmo tempo, um dos mais importantes bancos do sistema, o BES, e uma das maiores e prometedoras empresas portuguesas, a PT. No caso da PT, a sistematização que o juiz Ivo Rosa nos oferece é um retrato das movimentações de algumas personalidades, que tomaram conta da empresa nesse Verão de 2014, para se ilibarem de responsabilidades, encontrando quem culpar. Ao mesmo tempo que a PWC dá igualmente uma triste imagem do trabalho das auditoras.

O caso é o da aplicação, por parte da PT, de quase 900 milhões de euros em títulos da Rio Forte, do Grupo Espírito Santo. Foi a 26 de Junho que a notícia foi dada pelo Expresso e em meados de Julho a empresa do GES não paga o empréstimo que tinha contraído junto da PT. Tudo se precipitou, deitando por terra a perspectiva de uma grande empresa multinacional em fusão com a brasileira Oi. Hoje, o que era a PT telecomunicações está nas mãos da Altice. E o que resta é a Pharol, desvalorizada para além do que seria racional e até possível se o objectivo, nesse Verão, não se tivesse centrado em fugir às responsabilidades, como parece demonstrar a decisão do juiz Ivo Rosa.

Naquele Verão de 2014, já lá vão sete anos, viveram-se tempos quentes na PT. A comissão de auditoria da PT e alguns administradores desdobraram-se para conseguirem provar que estavam ilibados de responsabilidades na aplicação ruinosa em títulos da Rio Forte do GES. Com a cumplicidade de uma auditora, a PwC. Os alvos escolhidos, como bodes expiatórios, foram Henrique Granadeiro na altura presidente da PT SGPS, Luís Pacheco de Melo, administrador com o pelouro financeiro, e Zeinal Bava que tinha ido para o Brasil para concretizar a fusão com a Oi. E, claro, o BES.

Quando o desastre do incumprimento da Rio Forte aconteceu, a administração da PT avançou com (ou anunciou) uma auditoria, tal como acontece em casos semelhantesA decisão é anunciada a 7 de Agosto de 2014, exactamente no mesmo dia em que o presidente da empresa Henrique Granadeiro anuncia a sua demissão. A auditora contratada é a PWC.

O que se passa até aqui segue as regras do que se espera de uma empresa cotada que enfrenta uma situação que a ameaça: uma reacção rápida de apuramento de responsabilidades e demissões. Mas a partir daqui tudo se torna incompreensível.

O trabalho da PWC é apresentado aos investidores como uma análise independente e surge nos jornais como uma auditoria forense, mas afinal não é assim. Num dos mails citados na decisão de Ivo Rosa, logo no dia 27 de Agosto de 2014 (ver página 5751), Mário Gomes – membro da comissão de auditoria – diz que os trabalhos da PWC “não são nenhuma auditoria e muito menos forense, contrariamente ao referido na comunicação social”. Veremos mais adiante, pelos mails trocados, que também não é independente.

Além disso, a análise da PWC, numa proposta apresentada ao Conselho pelo presidente da comissão de auditoria João Mello Franco, em vez de se centrar no investimento ruinoso na Rio Forte, recua até ao ano 2000 para avaliar as relações financeiras com o BES/GES.

Por outro lado, os trabalhos da PWC são acompanhados, e de forma bastante interventiva, por pessoas que seriam, elas próprias, potenciais alvos de avaliação. Por proposta do presidente da comissão de auditoria João Mello Franco, que ficou em ata da reunião do Conselho, os trabalhos da PWC seriam acompanhados por ele, por Mário Gomes, administrador e membro da comissão de auditoria, por Rafael Mora, administrador em representação da Ongoing e membro das comissões de avaliação e de Governo Societário, por Paulo Varela, administrador em representação da Visabeira e membro da comissão de Governo Societário e por Milton Vargas, administrador independente e membro da Comissão de Avaliação. Ou seja, a equipa que iria acompanhar a análise da PWC tinha, ela própria, responsabilidades de supervisão e fiscalização dos investimentos que foram feitos (ver aqui o relatório do governo da sociedade de 2013 sobre as competências desses órgãos).

Nessa reunião do Conselho, do início de Agosto, não houve um único administrador que se tivesse oposto, não identificando qualquer conflito de interesses no facto de representantes de accionistas e membros de um dos órgãos da PT com maiores responsabilidades na fiscalização financeira da empresa serem os interlocutores da auditora. O processo não começa bem e também não continua bem. Durante os trabalhos de avaliação, do investimento na Rio Forte, a PWC é convidada e aceita fazer outros trabalhos para a PT. Manuel Rosa da Silva, administrador executivo da PT informa o grupo que acompanha a análise aos investimentos no GES que pretende adjudicar mais trabalho à PWC, informando que lhes pediu 2 ou 3 pessoas “que podem ajudar “em várias frentes””. O mais recente caso a que assistimos de criticas a potenciais conflitos de interesses envolveu a Deloitte e o Novo Banco e estava muito longe do que aqui se fez.

Além disto tudo, é a comissão de auditoria que decide aumentar os honorários da PWC. Como se pode ler na decisão do juiz Ivo Rosaver página 5752), dia 29 de Setembro de 2014, Mário Gomes, membro da comissão de auditoria, confirma a aprovação, pela própria comissão de auditoria, dos honorários adicionais solicitados por César Gonçalves da PWC. E conclui o juiz Ivo Rosa: “Daqui decorre que o órgão de fiscalização que alegadamente estaria a ser também avaliado se cumpriu as suas funções, para além de ter um relacionamento directo com a PWC, aprova, sem qualquer conflito de interesses, a negociação ou validação superior de honorários adicionais para a própria PWC”.

Na decisão instrutória, na parte relativa ao relatório elaborado pela PWC, lemos vários mails que ilustram o elevado grau de intervenção nos trabalhos que estão a ser desenvolvidos pela auditora. Eis alguns exemplos.

Dia 4 de Novembro de 2014, João Mello Franco envia um mail a Mário Gomes, da comissão de auditoria, revelando que se reuniu com o Conselho Directivo da CMVM – nesta altura liderado por Carlos Tavares – e que “considera importante que no relatório da PWC, no que diz respeito a aplicações Rio Forte, se refira que a comissão de auditoria não pôde exercer a sua competência de fiscalização”. Mello Franco já era nesta altura, e desde 8 de Setembro, presidente do Conselho de Administração da PT e acumulava ainda a presidência da comissão de auditoria. Só seria substituído, neste último cargo, por Xavier de Basto, a 13 de Novembro.

Por sua vez, e nesse mesmo dia, Mário Gomes envia mail a Manuel Lopes da Costa e César Gonçalves da PWC “solicitando que se diga no relatório que “ no que diz respeito a aplicações da Rio Forte, a Comissão de auditoria não pode exercer a sua competência de fiscalização””, como se pode ler na decisão instrutória (ver página 5753).

Rafael Mora, o representante do accionista Ongoing que fazia também parte do grupo de acompanhamento dos trabalhos da PWC, surge igualmente na troca de mails num caso em que João Mello Franco altera uma decisão por influência sua. Em causa está uma reunião solicitada pela Comissão de Mercados de Valores Mobiliários (CMVM) à PWC. César Gonçalves da PWC pede instruções para essa reunião e Mello Franco diz não ver inconveniente que a CMVM conheça o âmbito do trabalho ““mas não mais do que isso”, acrescentando que não havia nada a esconder. Mas, depois de ter recebido um mail de Rafael Mora a dizer que “provavelmente os advogados da PT deveriam acompanhar” a PWC, Mello Franco muda de posição. E recomenda que a PWC se faça acompanhar pelos advogados da PT.

Já na recta final da elaboração do relatório assistimos a mais trocas de mails que indiciam uma especial intervenção de Mello Franco. Por exemplo, a 20 de Novembro (ver página 5754), sugere a Carlos César da PWC uma “pequena reunião” onde estariam os dois e ainda o administrador executivo Manuel Rosa da Silva e um dos membro das comissão de auditoria Mário Gomes. Um encontro em véspera de apresentação do trabalho ao Conselho de Administração, dizendo Mello Franco que seria “para eventualmente se poder analisar pequenos detalhes que não influenciam as conclusões, mas podem beneficiar a apresentação”.

Depois da apresentação no Conselho de Administração mais uma vez João Mello Franco, a 1 de Dezembro, volta a enviar mail a Manuel Lopes da Costa da PWC, dando conta da sua “versão dos factos”, como se lê na decisão do juiz Ivo Rosa (ver página 5755). E diz que “o auditor externo nunca informou a comissão de auditoria que existiam estas aplicações e nem a própria auditoria interna corporativa, que reportava funcionalmente à comissão de auditoria, fez “qualquer alerta sobre esta situação””. E dia 2 de Dezembro, mais uma vez João Mello Franco, por mail a Manuel Lopes da Costa da PWC, afirma que “o trabalho está bem feito, mas falta alguma conclusão ou pelo menos sugestão de indícios de eventual ocultação de operações efectuadas na Rio forte que prejudicaram a mesma sugerindo que houve dolo por parte do BES” (ver página 5756).

É esta sucessão de intervenções documentada por mails e actas que levam o juiz Ivo Rosa a dizer que “não pode valorar, sobretudo na parte não factual, o relatório da PWC para fundamentar a sua decisão de indiciação”.

Os argumentos que põem em causa a credibilidade do relatório da PWC são fundamentalmente dois. O primeiro é que a auditora, como é indiciado no correio electrónico, reportou a um grupo de trabalho que integrava representantes de accionistas – como Rafael Mora da Ongoing, Paula Varela da Visabeira –, à comissão de auditoria, ou seja, “órgão de fiscalização que hipoteticamente incumpriu nas suas funções” e ainda a “membros da Comissão Executiva que fez os investimentos e o Director de Finanças, Carlos Cruz, que era o responsável pela gestão de tesouraria da PT”. O segundo argumento que põe em causa o relatório é que os mails trocados indiciam, “também, um nível de intromissão no processo de elaboração da análise levada a cabo pela PWC o que contraria o teor da comunicação de 7 de Agosto de 2014”, quando a PT comunicou ao mercado que o objectivo era “analisar de forma independente, os procedimentos e actos relativos às aplicações de tesouraria no GES”.

Pelo que se lê ao longo da decisão instrutória da Operação Marquês sobre este caso específico, o relatório da PWC nem é uma auditoria, nem é um trabalho de análise feito com independência. Aquilo que Ivo Rosa retrata é um grupo de pessoas que tentaram – e aparentemente conseguiram – desresponsabilizar-se da decisão do investimento ruinoso na Rio Forte que se não conheciam, pelas obrigações dos cargos que ocupavam, deviam conhecer. As responsabilidades da comissão de auditoria são aliás muito claras e uma delas é “fiscalizar a eficácia do sistema de gestão de riscos, do sistema de controlo interno e do sistema de auditoria interna”, como se pode ler no Código das Sociedades Comerciais no seu art.º423-F. Juntemos a isso o facto de João Mello Franco fazer parte da PT há mais de 30 anos, como aliás se dizia no comunicado que em 2014 anunciava a sua cooptação para presidente: exercia “funções de administração e fiscalização na PT desde 1998”, sendo um “profundo conhecedor” do grupo.

A análise aos investimentos da PT na Rio Forte replica em grande parte a promiscuidade com o BES/GES que ditou a morte da empresa, nomeadamente com o envolvimento de Rafael Mora da Ongoing e Paulo Varela da Visabeira no papel simultâneo de accionistas e membros de um grupo que ia analisar o investimento noutro accionista. Os dois eram ainda membros de comissões que tinham como função fiscalizar e avaliar a administração como se pode ler no relatório do governo da sociedade de 2013.

Pelo que lemos na decisão instrutória da Operação Marquês, assistimos a um cozinhado realizado por um grupo que quis fugir às suas responsabilidades com o conluio de uma auditora, a PWC. Sim, porque a auditora também sai muito mal neste retrato, quer pelas regras que aceitou, como por ter considerado normal fazer outros trabalhos para a PT quando isso levantava óbvios conflitos de interesses.

Na ânsia de se ilibar, a equipa que tomou conta da PT nessa altura nada clarificou e ainda menos o fez rapidamente, como se exige nestas circunstâncias. Basta acompanhar o que se está a passar neste momento com o Crédit Suisse para se perceber que, quando alguma coisa muito grave acontece, é preciso actuar rapidamente, explicar o que se passou com clareza, substituir todos os que tinham responsabilidades – diferente de culpa – e começar a reconstruir tudo imediatamente com novas lideranças. Nada disto foi feito na PT. Sim, houve um grupo de pessoas que saíram ilesas, pelo menos até agora, em que Ivo Rosa alertou para a manipulação do relatório da PWC e até para o facto de algumas dessas pessoas não terem sido nunca chamadas ao processo. Todos se preocuparam mais em salvar a sua pele do que em evitar que a empresa se afundasse ainda mais. Um mau exemplo de gestão responsável e independente em defesa de todos os accionistas.

CASO PT   JUSTIÇA   PT   EMPRESAS 

COMENTÁRIOS:

Maria Narciso: Os exercícios de liberalismo aplicados por Passos Coelho e a falta de competência para perceber as consequências das decisões tomadas , foram um verdadeiro desastre para o País. Passos Coelho , por incompetência , abdicou da Golden Share , metendo dinheiro nos bolsos dos accionistas  , por uma questão ideológica , não acautelou os interesses do Estado          Pereira Santos > Maria Narciso: Só debitas mentiras e asneiras. Foi Sócrates que impediu a Sonae de adquirir a PT e foi Sócrates que com os amigos corruptos desbaratou a PT em troca de comissões que foram parar às ofshores          Maria Narciso > Pereira Santos: Vamos lá ver quem diz as asneiras. Até 2010 a PT mantinha uma participação de 22%  . O negócio da fusão, foi feito mais tarde em 2013 , quando o Estado já não tinha influência na PT. Se fosse só a PT . Um verão quente  e uma decisão política tomada levianamente num fim - de - semana, com consequências nefastas para o País . A queda do BES , tirou á economia cerca de 25 mil milhões de euros , o equivalente a 14 % do PIB . O BES tinha um peso importante, quer para as empresas , quer como na capacidade exportadora . Cerca de 75 % de crédito às empresas era concedido pelo banco, quase o dobro face á média Nacional e aos bancos concorrentes. A resolução do BES foi um grave erro da política económica que podia ter sido evitado.           miguel Fonseca: O resultado das auditorias da PWC será resultado do valor a receber         Carlos Pamplona: Excelente. Francisco Correia: Pergunta de um milhão de €€€. Onde estaria, neste momento, esta rapaziada, se tivessem andado a fazer esta marmelada num país exótico tipo EUA?          Sergio Coelho: Como sempre cá no penic++ atrasado da Europa e OCDE a culpa morre solteira é tudo malta porreira e bons rapazes INIMPUTÁVEIS.       Antes pelo contrário: 2014??  O que me parece é que Ivo Rosa e Helena Garrido procuram a todo o custo ocultar os factos relevantes e defender José Sócrates criando uma falsa narrativa... "Os investigadores da Operação Marquês abriram uma nova frente de batalha: a OPA da Sonae à Portugal Telecom. Anunciada a 6 de fevereiro de 2006 e derrotada em Assembleia-Geral da PT a 2 de março de 2007, desde sempre que Belmiro de Azevedo denunciou a interferência pessoal de José Sócrates na operação e a sua influência junto do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos no sentido de votar contra a proposta da Sonae. As denúncias de Belmiro de Azevedo vão ao encontro das novas suspeitas do Ministério Público (MP) na Operação Marquês. Segundo noticiou ontem a SIC, o procurador Rosário Teixeira entende ter indícios de que José Sócrates terá recebido ‘luvas’ do Grupo Espírito de Santo (GES) como contrapartida pelas ordens que o ex-primeiro-ministro terá dado à Caixa Geral de Depósitos, então acionista da Portugal Telecom com 6,11% do capital, para votar contra o negócio."  "O caso das instruções verbais do Governo Sócrates na desblindagem de estatutos da PTReputado professor Sérvulo Correia admitiu aos procuradores que como representante das golden share do Estado na polémica Assembleia Geral da PT recebeu instruções verbais sobre o sentido da votação através, não de membros do Governo, mas de colegas de escritório." Etc...           Paulo Guerra: E de repente Ivo Rosa até já fez o trabalho de casa que outros não fizeram. Vá-se lá saber porquê. E de repente Ivo Rosa até já nos ajuda a entender uma novela que também já vai em 10 000 páginas e bem vistas as coisa até se compreende bem em duas linhas. A PT nunca fez nada que já não tivesse feito no passado em relação à dívida do GES. Até porque goste-se ou não, o BES também foi sempre um dos principais impulsionadores do crescimento da PT. Que volta e meia via como tesouraria. Acontece que desta vez havia uma crise económico financeira mundial que devastou bancos e empresas por todo o mundo e a coisa também deu para o torto no BES e na PT. Não era por acaso que o Salgado andava tão desesperado à procura de vacas leiteiras. E curiosamente até foi uma dessas vacas leiteiras que libertam imenso cash flow que o mandou mesmo a baixo. Já que o BdP ainda pastava mais que as vacas leiteiras            Franco Cem por cento: O que posso concluir é que todos estavam feitos uns com os outros é que deveriam estar muitos mais a responder perante a justiça. Claro que sim!  Mas há um personagem que passou literalmente pelos pingos da chuva e hoje é presidente da Belenenses SAD. Ilustre gestor nomeado pelo estado para aplicar a golden share. Que do auferia 2,5 milhões ano. Alguém o questionou? Porquê? Como sempre, em tudo o que remete para a corrupção do PS, a culpa é do passos. Acham que alguém ainda acredita nisso? Eles dizem que sim. Caso contrário lá se vão os dez euritos a mais ao fim mês. Que pobreza de espírito não?            António Duarte: É tempo do Observador dedicar um artigo aos comentadores que desde os alvores dos anos 80 cantaram hosanas aos nossos empresários e gestores, campeões dos centros de decisão nacional por contrapeso ao perigo da compra das nossas maravilhosas empresas pelo capital internacional e que eram os campeões dos prémios de gestão mundial... e ver o que aqueles comentadores agora escrevem sobre a pirataria económica e financeira que afinal, ontem como hoje, nos governa, não é verdade, Dra Helena?                      Jal Morgado: Continuam actuais as palavras sábias e proféticas de Agostinho de Hipona (354-430): «Um Estado que não se regesse segundo a justiça, reduzir-se-ia a um bando de ladrões».         Portugal, que Futuro: Duas notas, Helena Garrido. “O caso é o da aplicação, por parte da PT, de quase 900 milhões de euros em títulos da Rio Forte, do Grupo Espírito Santo. …  e em meados de Julho a empresa do GES não paga … Tudo se precipitou, deitando por terra a perspectiva de uma grande empresa multinacional em fusão com a brasileira Oi.” 1.- Sim, foram os 897 milhões que DESTRUIRAM a PT. Sim, foram os 897 milhões que destruíram a Oi e a fusão da PT com a Oi. Sim, foram os 897 milhões que inviabilizaram a OPA de Isabel dos Santos sobre a TOTALIDADE da PT (activos bons e maus), e não a compra do bife do lombo da PT pela Altice com o alto patrocínio irresponsável de Passos Coelho. 2.- Na decisão instrutória da Operação Marquês, Ivo Rosa ordena a Zeinal Bava que devolva os 6,7 milhões ainda em sua posse, dos 25 milhões com que Ricardo Salgado o corrompeu para que ele roubasse a PT e lhe entregasse os 897 milhões. Bava, pela sua formação académica, sabia que a probabilidade de Ricardo Salgado algum dia lhe devolver o dinheiro era mínima, mas como recebeu os 25 milhões de Ricardo Salgado queria lá saber que a sua conduta DESTRUISSE a PT, que tão bem o tinha recebido e remunerado. Zeinal Bava está ou já esteve preso? Depois de tudo isto ser conhecido, Bava não foi condecorado por Cavaco Silva com a com a Ordem do Mérito Comercial - classe do Mérito Comercial, que nos termos da Lei é “uma condecoração destinada a distinguir quem tenha "prestado, como empresário ou trabalhador, serviços relevantes no fomento ou na valorização do comércio, do turismo ou dos serviços"? Cavaco Silva já mexeu um dedo que fosse para lhe retirar a comenda?       Carlos Quartel: Nisto da corrupção, há que ser atrevido e avançar para a genética. Tudo o que cheira a península Ibérica, fede a corrupção. Ver a América Latina e Brasil, passando por Angola, Moçambique ou Guiné, nada se aproveita. Não esquecendo Espanha, onde a doença é  geral, mais grave que em Portugal. Independentistas e revolucionários atascados até ao pescoço.  Corrupção endémica, generalizada e intensa. Não há métodos de segurar isto, o polícia, o juiz , o inspector , rapidamente é capturado e passa a colaborar no encobrimento.  Ou contratam uma equipa de noruegueses (têm que ser vários milhares) ou teremos que viver com isto. Desde as hortenses aos procuradores , de maridos de ministras a pais e irmãos de ministros. CM, 12/8/2020: Nestas notícias, o que que vale, para si, Helena Garrido ? O princípio constitucional da presunção da inocência ou o princípio "jornalístico" da presunção da culpabilidade ? Tem opinião sobre estas questões? Ou é matéria de neutralidade política ?         Andrade QB: Pela primeira vez o bode expiatório não foi o motorista, mas os administradores de topo. Cada vez mais se comprova que Portugal tem os melhores dos melhores, até jornalistas que pugnam pela inocência dos administradores que não têm responsabilidade nenhuma. Como é que eles teriam tempo  para fazer alguma coisa que os responsabilizasse se todo o seu tempo não chega, sequer, para contarem o dinheiro que recebem exactamente para não serem responsáveis?          bento guerra: Uma máfia "boazinha" DDT          d f: Artigo vergonhoso. Foi a auditoria e os novos administradores que deram cabo da PT, ou aqueles que a jornalista quer ilibar?      Rui Castro > d f: Este aqui deve ter metido a mão no bolo ... Não percebi quem são os entes que a jornalista quer ilibar. Pode indicar-mos?       d f > Rui Castro: "Os alvos escolhidos, como bodes expiatórios, foram Henrique Granadeiro na altura presidente da PT SGPS, Luís Pacheco de Melo, administrador com o pelouro financeiro, e Zeinal Bava que tinha ido para o Brasil para concretizar a fusão com a Oi. E, claro, o BES." "Bode expiatório" significa um inocente que é sacrificado. Os inocentes "bodes expiatórios" referidos, administradores da PT até 2014,  arruinaram ou deixaram arruinar a empresa sob a sua administração, metendo 900 milhões da PT nas mãos das empresas financeiras em evidente dificuldades ou falidas de Ricardo Salgado. Receberam de Salgado, nas suas offshores pessoais, cada um deles uma fortuna colossal, cerca 24 milhões de euros cada um. Depois disseram que ou não sabiam do empréstimo à PT, ou não tinham nada a ver com o assunto, ou que era o hábito, e que o dinheiro recebido nas suas contas pessoais era para outra coisa qualquer.  A culpa é dos que vieram a seguir? Alguém acredita na inocência ou na seriedade dos que embolsaram as dezenas de milhões enquanto arruinavam a empresa a tentar salvar o seu padrinho DDT, já em desespero? Esses é que meteram a mão no bolo. Mas nós continuamos a pagar em impostos e dívida pública cada cêntimo embolsado ou destruído por esses administradores, esse é o problema com este artigo. O artigo cheira a detergente a léguas.         João Porrete: Muito boa análise! Parabéns!               Martelo de Belem ....: Sairão todos absolvidos. Cansado desta treta toda

terça-feira, 4 de maio de 2021

Coisas graves

 

Que por aqui se passam, sem darmos por isso, paulatinamente enredados e tudo aceitando sem ver o que está por trás. Helena Matos adverte, comentadores a apoiam, aprenda-se a lição, que parece grave…

A grande requisição e a pouca competência /premium

Em 2020 garantiram-nos existirem em Odemira 500 lugares para quarentena. Nenhum dele era no Zmar. Porquê requisitar agora em 2021 o Zmar? Porque o ministro Cabrita aposta no estardalhaço quando falha.

HELENA MATOS Colunista do Observador

OBSERVADOR,  02 mai 2021

A requisição dos bungalows do ZmarO inefável ministro Cabrita, com aquele autoritarismo abrutalhado que o caracteriza, resolveu requisitar o Zmar para ali serem colocados trabalhadores rurais de Odemira, em isolamento profiláctico ou sem condições de habitabilidade. Ora recordo que em 2020 foram anunciados pela autarquia de Odemira, 500 lugares para quarentena  em “equipamentos públicos com dimensão e condições para alojamento e banhos, como pavilhões desportivos e multiusos”? Como é que em 2021, ninguém mais fala desses 500 lugares e se avança para uma requisição? O ministro Cabrita achou mais interessante dar um sinal do seu poder requisitando o Zmar? Podia o ministro ter negociado com os proprietários do Zmar, podia ter recorrido às pousadas da juventude (apenas a do Almograve foi visada: é ali que vão ser  instalados os infectados). Podia também ter sido ponderado o recurso a instalações militares, pavilhões municipais… mas nada disso aconteceu. O ministro olhou para o Zmar e concluiu que o mesmo tinha as condições ideais. E requisitou-o. Não foi sequer tido em atenção  que há quem faça daqueles bungalows a sua primeira habitação e que em várias daquelas unidades se encontram bens pessoais dos seus proprietários… nada. Avançou-se com a requisição e  avisou-se que o Ministério das Finanças fará o acerto de contas no final. Pelo caminho o primeiro-ministro declarou que “alguma população vive em situações de insalubridade habitacional inadmissível, com hipersobrelotação das habitações”, relatando mesmo situações de “risco enorme para a saúde pública, para além de uma violação gritante dos direitos humanos”. Será a requisição uma violação muda?

No fim a factura segue para o grupo do costume: os contribuintes. Os tais que vão ter de pagar o alojamento dos imigrantes no Zmar, as indemnizações aos proprietários do dito Zmar e, cúmulo dos cúmulos, o ordenado ao ministro Cabrita.  Como é apanágio das decisões do ministro Cabrita já se anunciam algumas clarificações sobre o conteúdo do despacho, nomeadamente que ele não afectará as unidades que estão a funcionar como primeira habitação. Mas o despacho é claríssimo É decretada a requisição temporária, por motivos de urgência e de interesse público e nacional, da totalidade dos imóveis e dos direitos a eles inerentes que compõem o empreendimento «ZMar Eco Experience», sito na Herdade A-de-Mateus, em Longueira-Almograve, Odemira.

O que quer dizer “requisição temporária (…) da totalidade dos imóveis” senão isso mesmo:  “requisição temporária (…) da totalidade dos imóveis”. Entendendo-se por totalidade o “conjunto de todas as partes que formam um todo”?

Senhor ministro, não somos nós que vemos mal ou o despacho que precisa de ser clarificado. É sim o senhor que não decide nada que não se transforme numa sucessão de erros e mais erros. E a única clarificação a ser feita é esta: como é possível o ministro Eduardo Cabrita ainda estar em funções e não ter sido mandado veranear, por exemplo para o Zmar, após o caso de Tancos?

A requisição da inteligência. Não duvido que muitos dos locais onde se alojam os trabalhadores  rurais violam vários direitos mas também tenho a certeza que em todo este caso se está a violar a inteligência dos portugueses. Em primeiro lugar, decidindo como se não existissem alternativas à requisição e em segundo iludindo a pergunta: o que andaram as autoridades a fazer nos últimos meses? As condições de risco agravado para a propagação do vírus no concelho de Odemira eram conhecidas há mais de um ano. Foram aliás visíveis logo que começou a pandemia. Porque não se trabalhou de forma a prevenir? Agora é que se andam a inspeccionar os alojamentos destes trabalhadores? Mais uma vez o Governo disfarça a sua incapacidade de prevenir, fiscalizar e antecipar através de um exercício de autoritarismo.

A requisição da salada de frutos vermelhos. Neste 1º de Maio, enquanto em Lisboa desfilava o cortejo de recriação histórica a que se chama Dia do Trabalhador (cortejo esse que tem a particularidade de ser integrado por pessoas que na sua maioria pouco ou nada trabalharam), no Alentejo, onde os imigrantes substituíram as ceifeiras, tornava-se evidente que os frutos vermelhos não caem do céu. Ou que os vegetais não são cultivados por famílias com trajes regionais mas sim por nepaleses, paquistaneses e vietnamitas. Patetices como a exclusão da carne de vaca das ementas da universidade de Coimbra em nome do ambiente fazem parte desta visão infantilizada do que é ser amigo ou inimigo do planeta. A salada de frutos vermelhos não é mais amiga do ambiente nem tem menor pegada ecológica que um bife.

PS. Aos que andam numa ânsia de reproduzir em Portugal algo semelhante ao Me Too recordo que em Portugal a indignação só é possível quando não belisca quem está do lado certo. Caso contrário o único incontestavelmente culpado é o motoristaJoão Perna, o motorista que além de conduzir o carro de José Sócrates também conduzia o dinheiro que Carlos Santos Silva lhe enviava, e Bibi, o motorista da Casa Pia que levava as crianças até aos locais onde os esperavam os seus abusadores, estão aí para o provar. Em Portugal se não há motorista não há culpado. Só alegados. Assim no que ao assédio diz respeito ou se arranjam dois ou três nomes que correspondem ao estereótipo da pessoa de quem se pode e deve dizer mal (católico, conservador…) ou então não há indignação possível. Ou, mais provável ainda, acabamos no motorista do costumeQuanto à questão: o assédio existe? Claro que sim. E não é apenas praticado por homens heterossexuais.

MINISTÉRIO ADMINISTRAÇÃO INTERNA   POLÍTICA   PANDEMIA   SAÚDE

COMENTÁRIOS:

arminda Damiao: Excelente texto.          josé maria: Contra esta indignidade, não se insurgem os liberais: PJ está a investigar denúncias de imigração ilegal, tráfico e escravatura em Odemira Observador, 3/5/2021   Mariano Velez: Brilhante análise, objectiva, clara e colocando os nomes aos ditos. E a oposição continua mansa, como se nada de mais tivesse ocorrido. Da esquerda radical, que trai os seus apaniguados quando a narrativa não lhe interessa, era expectável, agora o silêncio da direita chega a ser doloroso. RR hibernou, só abre a boca para dizer banalidades, sem capacidade de mostrar o desastre que este governo representa, ...As sondagens estão aí para mostrar o trabalho que a oposição credível, supostamente, tem feito...         Martelo de Belem: O Costa e Catarina, que sabem que o problema existe há anos, encontraram finalmente a excelente oportunidade para resolver um problema dito humanitário. De uma só cajadada resolverem dois problemas: 1) expropriação de bens aos privados, dois fizeram o contribuinte pagar pela incapacidade deles.        Rui Jacinto: Cabrita é um cromo, daqueles que se arrastam nos desfiles carnavalescos, que oscilam entre a figura do palerma e da autoridade pidesca. E também seria uma paródia se não fossem as consequências, e essas prejudicam a imagem de um governo já de si todo roto. Cabrita governa, impõe, crias regras absurdas, diz disparates, mas tudo como o biscateiro que chamamos à pressa quando rebenta a válvula do autoclismo. Ele não sabe o que é planeamento ou prevenção, até nalguns casos destrói o ainda funcional apenas para criar lugares para os seus "homens de mão". Cabrita não se limita a ser o cromo, ele é o cromo incompetente.          JB Dias: Caro Marcelo Teixeira, as actividades sazonais como as da agricultura são daquelas poucas que permitem a realização de contratos de trabalho a termo certo por períodos inferiores a 6 meses ...         Alves Reis: Qual a admiração?? Não votaram nos socialistas apoiados por comunistas??  Isto é comunismo puro......não existe respeito pela propriedade privada nem pelos proprietários......proprietários estes que fizeram o seu esforço financeiro para adquirir esta propriedade, como primeira habitação ou como segunda ou terceira........proprietários estes  que pagam os seus impostos O dr Costa e o dr Cabrita deviam era de os levar para casa deles....... Isto é comunismo meus senhores.......propriedade privada ao serviço dos que mandam no Estado Indemnizações???quando houver dinheiro e boa vontade dos comunistas que nos governam......até lá sonhem com o comunismo          josé maria: Pedro Pidwell, que representa os mais de 400 credores do empreendimento, que aprovaram na terça-feira um plano de reestruturação do Zmar, indicou ainda que, após reunião com a GNR, foi identificado “um núcleo de casas” no complexo, “separado das casas dos proprietários e mais ou menos isolado”, que será usado para começar a receber quem aí tiver de ficar, caso seja necessário. Observador, 2/5/2021 Mais um rombo no panfleto da HM...          André Ondine : josé maria: Deixe-se disto. "Honestize-se"! A requisição civil foi para todo e empreendimento. Vou citar a sua citação: "...para começar a receber...."  se conhecesse o empreendimento e sabendo que se tratam de centenas de explorados, é óbvio que a ideia não é ficar por aí. Daí a necessidade de requisitar TODO o empreendimento. Fanático propagandista e panfletário. A defender o indefensável. Mas eu percebo, a sua honestidade intelectual corresponde à honestidade intelectual daqueles que idolatra       Alves Reis >  André Ondine: não vale a pena dar conversa ao zé maria.....ele não passa de uma criatura assalariada do BE que por aqui anda há anos a fazer estas figurinhas.......           Sonia Neves > josé maria: A sério que está a justificar uma requisição civil neste contexto? Não há alternativas? Nem que aquilo estivesse tudo vazio. Os proprietários disseram não, é não.          josé maria > Sonia Neves: É assim que se comportam os seus amigos liberais: PJ está a investigar denúncias de imigração ilegal, tráfico e escravatura em Odemira Observador, 3/5/2021         josé maria: À RTP, o administrador de insolvência do empreendimento, Pedro Pidwell, adiantou que lhe foi comunicado que, neste momento, será usada "uma parte afecta e da propriedade do próprio Zmar", afastada das habitações particulares          JN,30/4/2021: Interessa, HM, ou vem estragar o seu número panfletário ?         André Ondine > josé maria: Para o maluquinho das citações: O advogado contesta esta ideia: “Há 260 casas, 160 de particulares, e esta requisição civil é para todo o empreendimento, por isso, espero que esta decisão venha a ser alterada pelo Governo”, sublinhou Nuno Silva Vieira. Observador, 30/04/2021 ; 17:21 A requisição civil é para todo o empreendimento, independentemente de, neste momento, só se pretender, ou não, usurpar apenas uma parte. Para os proprietários, a perspectiva é preocupante, percebe? A requisição permite ao governo usurpar o que quiser. Você não está preocupado pois é do gangue. Mas os cidadãos normais aborrecem-se com a ideia de que as suas coisas podem deixar de o ser, mediante a vontade de um Ministro Cabrita. Acaba por ser chato. E só um fanático não vê isso.       Antes pelo contrário: O Ministro Cabrita... "O Governo alargou a situação de permanência regular no país dos imigrantes com processos pendentes no SEF e determinou que os descendentes destes cidadãos passam a poder aceder ao abono de família." Isto foi ontem!!! Reparem bem e façam as contas:  "Este alargamento vai ao encontro de outras duas medidas idênticas tomadas em março de 2020, no primeiro período de estado de emergência vivido em Portugal em consequência da pandemia de Covid-19 abrangendo 246 mil pessoas, e em novembro de 2020, abrangendo 166.700 pessoas." Logo aqui, vão 412.700 imigrantes que estavam ilegais e foram legalizados, a somar aos 590.348 que segundo o SEF se encontravam regularizados em 2019, o que dá mais de um milhão, ou sejam 1.003.048 pessoas, sem contar este "alargamento", e sem contar os respectivos descendentes!!! Este governo pretende fazer a limpeza étnica dos portugueses para nos substituir por gentes vindas de África, do Brasil e do Oriente, de forma a destruir-nos e destruir o nosso povo e a nossa cultura!!! E desta vez, nem dizem quantos imigrantes mais foram legalizados!!! Os africanos expulsaram-nos das colónias há 50 anos quando proporcionalmente nós éramos muitíssimo menos a viver nas terras deles. Isto é inaceitável e é um acto de TRAIÇÃO!!! Antes pelo contrário Antes pelo contrário: Quanto a esta gente de Odemira: Se são ilegais, a questão é da responsabilidade directa do próprio Ministro da Administração Interna. Pois é preciso saber desde quando estão ilegais, como entraram, quem os trouxe, de que vivem, quem não paga os impostos e os descontos que devia, e quando é que podem ser deportados para os países de origem!!! Mas também é preciso saber porque é que o Ministério da Administração Interna e o SEF não apenas permitem, como pactuam com a ilegalidade e a exploração destes trabalhadores precários e ilegais!!! Nenhum Estado de Direito admite nem pode admitir a imigração ilegal. Pois quem entra ilegalmente não apenas está a desrespeitar a lei, mas está a pôr-se numa situação de dependência, como este caso exemplifica, acabando por sobrecarregar os cidadãos e os contribuintes do Estado que não os acolheu porque quis, mas porque eles forçaram a entrada da casa dos outros!!! Quando quem deve aplicar a lei que é este Cabrita, é o primeiro a desrespeitá-la em nome de uma agenda política oculta e contrária à lei, devia ser chamado a responder por TRAIÇÃO. Aliás, ainda ninguém explicou porque é que o Ihor ficou retido no Aeroporto e ia ser deportado - e foi espancado até à morte - sendo que todavia se trata de duas questões a meu ver distintas, excepto que a segunda decorre da primeira, e por conseguinte volto a perguntar porque é que lhe vedaram a entrada e se preparavam para o deportar cumprindo a Lei - e porque é que a MESMA Lei não foi cumprida no caso de mais de 1 MILHÃO de outros imigrantes ilegais, que foram legalizados por este Ministro???? Será por os outros serem mais "escurinhos"?! Não será isto um caso de flagrante racismo, sob a capa de uma discriminação dita "positiva" que na realidade se traduz na exploração de trabalho praticamente escravo???        Ou será que a discriminação e o racismo são pelo contrário contra os portugueses e o "homem branco"???         Elvis Wayne > Antes pelo contrário: Desfazem o SEF, abrem as portas a Marrocos e depois admiram-se quando surgem bandos de monhés amontoados aos 20 por casa. Tem muita peninha dos migrantes, mas quando é só para a foto.            Manuel Ferreira21: Excelente artigo. A desgovernação continua, mas ninguém se indigna. Indignação só com as arbitragens.            José Maria Pacheco: Esta requisição constitui um dos mais graves atentados ao Estado de Direito que vemos neste país desde 1975. Não se trata apenas das casas que são utilizadas como 1ª habitação. A maioria das casas foram adquiridas por particulares para serem utilizadas em fins de semana e férias, decoradas com os seus objectos pessoais, roupas, etc. , e agora, só porque as autoridades incompetentes, Governo e Câmara, não souberam actuar sobre uma situação que era conhecida há meses, vão ser impedidos de disfrutar das suas casas, adiar férias ou pagar para as ir gozar para outro lado, na esperança de que um dia, sabe-se lá quando e depois de que complicadíssimo processo burocrático, o Ministério das Finanças aceite ressarci-los, provavelmente apenas por uma parte da despesa (imagino a prova que terá que ser feita sobre os objectos desaparecidos, danificados ou simplesmente consumidos). Em qualquer parte do mundo esta situação levantaria um enorme clamor mas neste cantinho do mundo, nada. A malta não tem bungalows em Odemira e é como dizia Brecht, "Primeiro levaram os negros, mas não me importei com isso, eu não era negro...". Não sei se o Ministro Cabrita tem casa de férias ou quartos vagos em casa mas, se tiver, fico na expectativa de que dê o exemplo e os ceda às centenas de emigrantes "armazenados" em pensões e albergues na zona do Intendente.           Elvis Wayne > José Maria Pacheco: E isto é só o começo do inicio, meus amigos...           António Coelho: Com esta requisição (socialista?), o Sr. Ministro Cabrita terá certamente melhorado a sua imagem junto dos "gurus" das Esquerdas.         TIM DO Ó: Voltámos à expropriações socialistas tal como a seguir ao 25 de Abril; a propriedade é do Estado não é dos particulares. Abaixo a propriedade, viva o socialismo! Viva a Venezuela, Cuba, o PS e a Coreia do Norte!              Jose Infante: Cara helena Matos, sempre certa e com toda a razão.            Carlitos Sousa: Como é que alguém vota num Partido Socialista, que tem um excelso ministro Cabrita, que com o máximo de arrogância e prepotência, manda desalojar privados das suas casas no complexo ZMAR, para alojar emigrantes infectados ?? Democracia ? Onde ? Temos Ditadura pura e dura. E a oposição parlamentar, está calada com este atentado ?           Graciete Madeira: Excelente artigo.          Pedro Ferro: Qual será o QI de um tipo como o Cabrita?! Baixo certamente. Será que consegue atingir que está, literalmente, a espoliar os proprietários? Eu desconfio que não consiga, e que na noção de Ética que ele possui normaliza este assalto. Isto é um autêntico PREC em 2021. Sendo o ministro e a sua esposa/companheira grandes proprietários, não se percebe como não disponibilizou um dos seus imóveis para alojar os trabalhadores rurais. Sugeria a quinta em Almoster "O ministro tem três imóveis no Barreiro que o viu nascer e com o qual mantém uma ligação. A ministra tem dois apartamentos em Lisboa e uma quinta em Almoster, perto de Santarém             TIM DO Ó > Pedro Ferro: O Cabrita é socialista, é do PS, por isso a sua cabeça funciona como a dos governantes dos países socialistas como a Venezuela, Cuba, a Coreia do Norte ou a ex-URSS.         Martelo de Belem ....: Infelizmente HM é das muito poucas que eleva a voz. Para mim o óbvio, Portugal com um governo destes não vale a pena, muito arriscado por dinheiro. Como a TAP= take another plane.         Maria Campos: No ponto!         CarlosMSantos: Como sempre, uma análise brilhante deste fenómeno que é a actual governação; gostei particularmente do "autoritarismo abrutalhado", encaixa na perfeição.        Antonio Monge: Para quem tem dúvidas que somos governados por uma extrema esquerda bolchevique sanguessuga e parasita, aqui está mais um exemplo a somar.    Antonio Monge: Helena Matos, uma das razões pelas quais assinei o Observador. Numa outra notícia o governo prepara-se para nos roubar 6 milhões de euros (mas também se fala em 90) para receber o Papa. Que pena o Marcelo não ter discursado sobre isto no 25 de Abril e ter nos esclarecido que foi a Roma convidar o Papa com o patrocínio de quem trabalha, sejam ateus, muçulmanos ou hindus. Um roubo.             Américo Silva: Confesso que sinto bastante admiração pela Helena Matos. Acho que é bastante desassombrada. O assédio são assédios: desde o director de serviço que não resiste a promover qualquer jovem alto e atlético seu subordinado, à candidata à promoção que coloca a mão no ombro do chefe toda a rir-se, enquanto esfrega os seios no peito dele, até ao ambicioso que convida  o superior para lhe oferecer os serviços culinários da sua esposa. Neste fluxo contínuo de bens e serviços trocados, com o controle digital cada vez maior, é perfeitamente exequível um estudo quantitativo dos seus valores. E como a união europeia tudo aproveita para mostrar crescimento económico, da prostituição ao tráfico de droga, pode igualmente aproveitar estes benefícios. Podemos dividir as doutrinas sobre o papel do estado em dois grandes grupos. o estado como conveniência das pessoas para realizar tarefas que individualmente seriam impossíveis, como um grande hospital, um sistema público de ensino, uma rede de estradas, e outros, e que corresponde aproximadamente à crença da classe média e em geral da maioria dos contribuintes produtores líquidos. Uma outra doutrina coloca o indivíduo ao serviço do estado, e esta é partilhada por dois extremos opostos: os pequenos parasitas beneficiários, sejam marginais, ilegais, minorias parasitárias e outros, e no outro extremo, os donos do estado, os grandes interesses capitalistas ou comunistas internacionais, desde banqueiros a déspotas socialistas. Os últimos, parasitas, banqueiros e outros artistas, têm vindo a ganhar terreno em todo o mundo, seja em Angola, seja nos USA, seja na união europeia. Resulta daqui que podemos interpretar, por exemplo a imigração ilegal, como um benefício partilhado pelo capitalista que assim baixa o preço do trabalho, e o imigrante ilegal que recebe benefícios complementares do estado, indirectamente pagos pela classe média e demais trabalhadores indígenas. O caso de Odemira é apenas um exemplo comprovativo.         Marcelo Teixeira: Essa esquerda hipócrita, que tanto clama pelas leis de trabalho para proteger seus apaniguados, mas que fecha os olhos ao regime de trabalho temporário na agricultura.  Afinal, eles gostam de comer morangos baratos...          Manuel RB > Marcelo Teixeira: É exactamente isso que diz. Pensariam 2 vezes nas suas dietas ecológicas se os frutos vermelhos detox lhes chegassem pelo preço que custariam com trabalhadores bem remunerados, bem instalados e com todos os direitos que defendem. O mesmo para as bolachinhas de aveia a granel, sem todos aqueles plásticos que abominam. Talvez uma senhora que os coloque num bonito saquinho de pano, ao mesmo preço e com a mesma cadência de uma máquina de plastificar.         VICTORIA ARRENEGA > Marcelo Teixeira: Fecham os olhos ao regime de trabalho temporário na agricultura porque depois é muito conveniente para clamar contra a exploração, os capitalistas nojentos, a imigração desprotegida (mas que eles próprios fomentam e lhes dá muito jeito nas causas fracturantes). Estamos  a 100% na esfera dos benefits. Aliás este termo creio que começou a ser utilizado como metáfora em situações de friends with benefits (nada contra). Na política torna-se bastante promíscuo e resulta num verdadeiro tráfego de influências.

 

Ainda temos homens de coragem


… contra os açuladores do ódio.

O ódio à nossa História é o que transparece em grande parte dos comentários ao texto de António Barreto sobre o discurso do PR. À nossa História e às gentes que não construam ladainhas em favor dos “vencidos”, ignorando transtornos e sofrimentos na tal história dos “vencedores” de outrora… Estranha gente, que usa a sua mordacidade infatigável contra este povo pioneiro nas caravelas que foram alargando o mundo, só porque é um povo, hoje, decididamente passivo ante políticas que nos põem na tal cauda, as razões disso estando explicadas. Mas esses que desejam condenar a nossa História para lembrar a verdade das “outras” dos seus suspiros, vê-se que são bem parcos em questão de sentimentos de respeito e amor pátrio, pesem embora os erros praticados por tantos “praticantes” de políticas de que talvez alguns deles façam parte… 

Fossem outros os conquistadores gloriosos – Alemães, Russos, Chineses, e tutti quanti exterminadores até dos seus próprios povos e mais dos outros, seriam glorificados, pois eram fortes, esses, nada a dizer… Agora os nossos das pistas marítimas, apesar de raquíticos e sofredores, só merecem as ironias dos seus compatriotas hodiernos, que sabem da poda, isto é, da outra História desses tais povos conquistados e colonizados… ou talvez nem dessa queiram saber. Basta-lhes sofrer com eles, por cá…

Sim, AB e MRS foram bem corajosos.

OPINIÃO

História e política

O belo discurso do Presidente teve um efeito útil: o de demonstrar que quem usa e abusa da história, com ideologia e demagogia, não faz mais do que lutar pelo poder.

ANTÓNIO BARRETO

PÚBLICO, 1 de Maio de 2021,

Belo discurso o do Presidente da República. Na forma, no conteúdo e na oportunidade. Desejando fugir aos temas mais desconfortáveis, poderia ter escolhido uma ladainha republicana. Como outros fizeram antes. Em vez disso, adoptou um tema difícil e polémico. O uso da história e das ciências sociais e o abuso das academias e do jornalismo têm servido para fortalecer e dar aparência de seriedade a campanhas políticas. A partir de feridas ainda abertas na sociedade portuguesa (a ditadura, a guerra, a descolonização, o retorno de portugueses e a descendência luso-africana), o Presidente mostrou o seu sereno orgulho em toda a história do país, os seus lados bons e maus, as suas glórias e as suas misérias.

O Presidente fez bem em falar de tudo isto. Podia ter-se refugiado na língua de pedra que é hoje o esperanto dos políticos, mas, em vez disso, elegeu matéria muito difícil, que tem até alguma carga de actualidade. O uso e o abuso da história, a condenação do passado, a reinvenção do passado e o aviltamento da história de Portugal com preconceitos e intuitos políticos: estes temas são difíceis e sugerem quase sempre, quando não abordados com seriedade, a demagogia barata.

Acusado de ter agradado a toda a gente, criticado por aceitar tudo, o Presidente, na verdade, não fez o jeito a ninguém. Nem sequer condenou explicitamente os que abusam da história: limitou-se a ignorá-los. O que permitiu ao Presidente fazer uma coisa destas? Para além da inteligência própria, que nada explica, foi o facto de o Presidente não estar a lutar pelo poder. Já não está a lutar pelo poder. E não quer lutar pelo poder. O que teve um efeito útil: o de demonstrar que quem usa e abusa da história, com ideologia e demagogia, não faz mais do que lutar pelo poder. Alguma direita nacionalista, a extrema-direita por grosso, muita esquerda radical, uns socialistas órfãos, um sem número de anti-racistas profissionais e boa quantidade de minorias fizeram dos “vendedores de pátrias”, da guerra colonial, da descolonização e do racismo “sistémico” e “estrutural”, temas de mera luta política, na esperança de tocar a alma do povo, o coração dos eleitores e a cabeça dos seguidores. Eles não querem apenas usar a história, querem apoderar-se dela para ganhar o poder. Sabem que o poder se ganha com armas ou votos, mas também com cultura, símbolos e semântica. O Presidente Marcelo tem o poder, não precisa de usar a história, pode dar-se ao luxo de ensinar e fazer pedagogia democrática junto dos que inventam ou reinventam, dos que papagueiam a história das glórias passadas e dos que macaqueiam a história dos amanhãs que cantam!

A este propósito, temas de grande actualidade são os da história do ponto de vista dos vencedores e a história do ponto de vista dos vencidos. O que está na moda, actualmente, é deixar de fazer a história do ponto de vista dos vencedores e passar a fazer história do ponto de vista dos vencidos. O que se faz também com outras expressões. Assim, teríamos que se faz ou deveria fazer e ensinar a história (e a sociologia, a psicologia, a geografia, a filosofia e a ciência política…), não mais do ponto de vista dos ricos, mas do ponto de vista do povo. Não mais do ponto de vista dos poderosos, mas do ponto de vista dos trabalhadores. Não mais dos brancos, dos cristãos, dos católicos e dos europeus, mas do ponto de vista dos negros, dos muçulmanos, dos árabes, dos índios, dos escravos

História dos vencedores e história dos vencidos! Ambas são legítimas. Ambas são ofensivas da inteligência e da cultura. Ambas são detestáveis. Mas ambas são interessantes, não pelo que dizem, mas pelo que traduzem. São histórias que falam dos seus autores, de si próprios, das suas pretensas glórias, dos seus heróis, das suas vitórias e dos modos como gostariam que fosse a sociedade.

Bons manuais de história de Portugal, do tempo do Salazarismo, de história de Espanha, do Franquismo, de história da Itália, de Mussolini, da História Chinesa, de hoje, de história da URSS, do seu tempo, de história de Angola, do MPLA, de história de Cuba, dos últimos cinquenta anos… São excelentes testemunhos do que é falso, do que uns gostariam que fosse, do que alguns querem que outros acreditem que é…

A comparação entre histórias programáticas dos vencedores e dos vencidos e histórias feitas por espíritos que procuram a liberdade e buscam a verdade é reveladora. Por um lado, o catecismo citado, a cassete, o simplismo enganador, a miopia deliberada, o ocultismo e a ocultação… Por outro, um exercício de busca e procura, uma tentativa de interpretação, um jogo inteligente de factos e de probabilidades

A História dos vencedores é odiosa. Detestável. Já a conhecemos. A história dos vencidos, dos trabalhadores, dos escravos, dos negros, dos judeus, dos árabes e dos chineses é tão má quanto a dos brancos, dos vencedores, dos cristãos e dos ricos. Uns querem manter poderes e privilégios, outros querem conquistar poderes e privilégios. Estas novas tendências não pretendem democratizar o saber, a história ou o poder: querem conquistá-los! Ambas negam o valor do esforço de rigor para alcançar, gradualmente, passo a passo, uma história isenta que procura a verdade, uma história feita por quem nada tem a ganhar com o que faz, nada tem a justificar, nada tem a defender, a não ser rigor e isenção.

A história que tanto condenámos durante décadas, a história que defendia estruturas de poder, que justificava opressões, que transformava em glória o que era também sofrimento, a que criava triunfos que esqueciam as vítimas… Essa história, de que estamos fartos, está gradualmente a ser substituída pela História dos que querem conquistar e que não trará mais verdade ou mais rigor. Substituir a história laudatória dos poderosos pela história militante dos activistas é um recuo, uma degradação do espírito! Fazer história para promover valores de negritude é tão patético e negativo quanto fazer o mesmo para engrandecer valores da cristandade. Ou da livre empresa. Ou do comércio livre. Ou do comunismo. Fazer história para defender a Inquisição é tão estúpido quanto fazer história para valorizar a Sharia.

Tudo o que pretenda ser história ou qualquer outra ciência social e que não se traduza num paciente e incansável esforço de procura da verdade, uma jornada sem repouso para compreender, é um passo atrás na civilização. Tudo o resto, o ponto de vista do vencido, a desconstrução da narrativa, a alternativa do submisso, a descolonização da história, a recriação do dependente e a afirmação do sem poder é falsidade de charlatão. É burlesco e é embuste.

Sociólogo

TÓPICOS

PORTUGAL  HISTÓRIA  COLONIALISMO  MARCELO REBELO DE SOUSA  25 DE ABRIL  DEMOCRACIA  ÁFRICA

COMENTÁRIOS:

Artur Silva  EXPERIENTE: Sobre este tema concordo com Manuel Loff, Cardina e Ana Sá Lopes. E discordo de Marcelo e de Barreto, já incapazes de mudaram o paradigma do colonialismo português bondoso com que sempre viveram.        Mario Coimbra INFLUENTE: Pois eu concordo com Marcelo e AB, e nada com Lord ASL e outros que querem ver a história com olhos de outros tempos.         fmart8 INICIANTE: Homilia dominical. Carradas de afirmação, lama a torto a direito, e nem um único exemplo ou referência a estudo.         Zé Goes  EXPERIENTE: Bizarro. Achava melhor que o cronista recorresse a um monte de livros, textos, jornais, fizesse uma colagem e servisse aos leitores? Para quê, quando se é culto, inteligente e se tem experiência de vida?         cisteina  EXPERIENTE: Este belíssimo texto é de ontem, nada tem a ver com homilias dominicais, para domingo.         fmart8 INICIANTE: Zé Goes: inteligência e experiência de vida, por muito valiosos que são, não são substitutos para factos.       Mario Coimbra INFLUENTE: Excelente texto. Obrigado por mais uma lição de história.         Rita Cunha Neves  EXPERIENTE: António Barreto, como habitualmente, a falar-nos do alto da sua cátedra. De uma penada trata de colocar no seu devido lugar (terreno) uns coitados que andam para aí a alimentar o burlesco e o embuste. Mas, felizmente para ele, quando levanta a cabeça e olha para o Céu descobre o Presidente Marcelo; que tendo o poder, "não precisa de usar a história, pode dar-se ao luxo de ensinar e fazer pedagogia democrática junto dos que inventam ou reinventam, dos que papagueiam a história das glórias passadas e dos que macaqueiam a história dos amanhãs que cantam!"     cidadania 123  EXPERIENTE: É uma falácia pensar que se constrói uma história dos vencidos: dos vencidos (raramente) reza a história. A história que existe é aquela que relata a vida dos grandes e poderosos, onde os personagens menores não têm lugar. Muitos povos nem sequer têm a sua história escrita, mas é apenas oral, e muitas vezes romantizada. A extrema-esquerda já cumpriu quase todo o seu programa de causas fracturantes, pelo que tem de criar casos, problemas onde não existem. Um exemplo: para alguns desses partidos há discriminação dos imigrantes, mas isso ê completamente contrariado pelo estudo mipex da EU, onde Portugal obteve a nota máxima (o melhor entre 52 paises). Mas obviamente que a comunicação social ao serviço dos políticos ignora essas fontes pois prefere a deturpação...          OldVic1 MODERADOR: Obrigado pela referência, que não conhecia.         fernando jose silva  INFLUENTE: Não há discursos exemplares, nem são os presidentes que os dizem, rodeados como estão por fios das ideais da política. E este Presidente, mais fala-barato que influenciador, não pródigo em actividade criativa mas sim um conservador acomodado, é um comentador por excelência. Para agradar a gregos e troianos, uma missão impossível.         fernando jose silva INFLUENTE: A história é feita de actos e desacatos. De mentiras e verdades. De interpretações e interesses. A história é contada pelos vencedores, assim como a dos vencidos é contada pelos mesmos vencedores. Se os vencidos tivessem sido vencedores, a história seria diferente. O tempo pode desmanchar estas histórias, mas não muda as suas consequências imediatas. Mas quanto mais instruído e conhecedor for o homem, mais hipóteses tem de entender outra história, isto é, a sua própria versão dos acontecimentos e sucessos. A história não é a matemática, não é ciência exacta, pode-se interpretar a posteriori nos erros e nos êxitos. Há razões e razões, há antes e depois, há futuros ou não futuros para medir os tempos e os espaços. E em cada ser humano há uma noção da história.         Jose MODERADOR: Para o Homem a história é tudo o que existe. O futuro ainda não foi, não se sabe se será e o presente é passado no mesmo momento que é. As narrativas históricas fundadas em documentos e ordenadas por metodologias científicas são apesar de tudo narrativas que registam a memória dos Povos. O registo que mora na memória colectiva dos Povos não se impressiona com as muitas narrativas de circunstância antes se aviva lá onde se sente a existência, a vontade e o poder que daí deriva. Não nos excitemos tanto com o discurso do Presidente. O que decide as nossas vidas mora nas nossas memórias por herança genética mais que por propaganda de circunstância.         Gualter Cabral  INFLUENTE: Como entrada de leão, o início é logo uma adivinha. Depois, vem o ramalhete, tirado de tanto cismar - o que é uma obra-prima, digna de almanaque sabendo que as circunstâncias não contam, mas tão só a "herança genética". Genial! Fowler Fowler  EXPERIENTE: O conceito de belo relativo ao discurso do Presidente, bem como o “rigor e a isenção” de quem escreve a história, é parte da subjectividade do sujeito, no tempo e no modo. O discurso de minorias retido em pormenores da sua história enquanto “perdedores” continua a perturbar o status quo, tanto é assim que o sr. Barreto chega até a afirmar que elas “não fazem mais do que lutar pelo poder”. Também Salazar e Caetano souberam usar da palavra e construir consensos para consumo interno, conseguindo, então, afirmar a ideia de que não havia alternativa. Numa versão moderna, vem agora o presente Marcelo recorrer à mesma política da inevitabilidade e, pelos vistos, com aceitação de todos os quadrantes políticos e dos fazedores de opinião. Incrível, como o olhar da serpente pode ser tão anestesiante.          Mario Coimbra  INFLUENTE: Fowler, não me parece nada que tenha sido isso que fez o Presidente. O discurso é muito bom, vindo de quem vem. E tocou todos sem excepção. Isso não é mau nem tem que ser mau. A guerra foi má. É má. cisteina  EXPERIENTE: Excelente texto, quando os "viana" que por aqui abundam saltam da toca sabemos que vale a pena ler, duas vezes pelo menos. Um texto na senda do discurso do PR, exemplar na pedagogia e no conhecimento da História que basbaques "pobres imbecis" teimam em querer reescrever em vez de actualizar as parvoíces que lhes foram contadas. Sim, "Tudo o resto, o ponto de vista do vencido, a desconstrução da narrativa, a alternativa do submisso, a descolonização da história, a recriação do dependente e a afirmação do sem poder é falsidade de charlatão. É burlesco e é embuste". Sem dúvida, verdades como punhos e sem punhos.     Fowler Fowler EXPERIENTE: Ainda bem que há “Vianas”, caso contrário seria uma chatice. Pois, à boleia de Marcelo, vem AB cheio de ar com este texto farfalhudo e raivoso para revisitar a polémica Rui Ramos/ Manuel Loff e bater na esquerda como é seu apanágio. Dizem que é um “cientista” e que as suas dicotomias são extraordinariamente aritméticas, certo? Mas acontece que cá no bairro é mais conhecido com o afectivo petit nom ”Tó das Farfalhas”, embora aos sábados seja mais “Farturas”. Gostos!         viana EXPERIENTE: As suas "verdades" são cada vez menos verdades aos olhos não só de quem estuda a História, mas também aos olhos de cada vez mais. Daí o ressentimento. Decorre de constatarem que perderam o controle sobre a "verdade Histórica", ao nível académico e ao nível social. Por isso, na verdade, estou-me a borrifar para o que pensa, tal como senhor Barreto. A vossa "verdade Histórica" morrerá com vocês. E sabem isso, oh se sabem.       Gualter Cabral  INFLUENTE: Fowler - Dás-me licença! Aqui o Viana das "farturas" também consta como "bate sola", isto é, bate a alpergata por seca e meca a apregoar a sua verdade dos "coitadinhos dos facínoras" que também têm um lado bom, e por isso, devem figurar na história com o beneplácito de bispos e arcebispos. Não há pachorra!     Mario Coimbra INFLUENTE: As carpideiras do costume não mudam cisteína. Não há volta a dar e ainda bem. Não conseguem olhar para um texto sem abstrair de quem o escreveu. E pronto, semana sim semana sim temos fandango e pancada em AB e nos outros do costume.         José Cruz Magalhaes  MODERADOR: É lapidar a frase que, quase a concluir o texto da crónica, sublinha a conclusão que pretende sublinhar de que "Tudo o que pretenda ser História, ou qualquer outra ciência social e que não se traduza num paciente e incansável esforço da procura da verdade, uma jornada sem repouso para compreender, é um passo atrás na civilização ". É exactamente por serem muitos passos atrás na civilização, que a representação de uma história em processo de recuperação, longe de qualquer verdade, enganosa e criadora de mitos e mitologias, que as palavras de Marcelo, findo o enfoque no poder, como escreve AB, são uma ardilosa manifestação de negação de toda a crítica ou condenação.        viana  EXPERIENTE: Um pretenso sociólogo que nada mais defende do que o status quo. Que tenta disfarçar através do elogio da procura da verdade, que não é mais do que simples hipocrisia de quem na verdade não quer saber. Porque está muito confortável com a história dos vencedores. Não vou perder mais tempo com gentalha desonesta que não tem a coragem para dizer o que pretende. "(...)seu sereno orgulho em toda a história do país, os seus lados bons e maus, as suas glórias e as suas misérias(...)" Orgulho?! Também devemos ter orgulho na vida dum assassino, no seu lado bom e no seu lado mau?... Desprezível.        Mario Coimbra  INFLUENTE: Está a falar de Afonso de Albuquerque???     Alexandre Pinto-Fernandes INFLUENTE: Excelente texto. Deveria ser leitura obrigatória para os novos historiadores da “verdade”.         OldVic1  MODERADOR: "Tudo o que pretenda ser história ou qualquer outra ciência social e que não se traduza num paciente e incansável esforço de procura da verdade, uma jornada sem repouso para compreender, é um passo atrás na civilização": cristalino, simples, evidente para quem tiver um pingo de lucidez. Como bem diz, quem não quiser ver isto só quer exercer poder sobre os outros. Há muitas formas de ditadura, e não sei se a ditadura intelectual não é a pior, até porque é consentida.        Gualter Cabral  INFLUENTE: História vs Estórias. A história foi sempre a fórmula encontrada para induzir o cidadão a glórias, por vezes forjadas, mantendo as aparências dos mandantes em alta. As estórias, por sua vez, são colaterais aos eventos, que têm por norma pompa e circunstância, e, portanto, passam relegadas para entreter como contos de cordel. Para o cidadão comum, os dias passam iguais e o que conta é a saúde e sopa na mesa.

01.05.2021 08:14