quinta-feira, 23 de julho de 2026

ÁGUA

 


O bem maior.

Culpar o país pelo falhanço do PS em Almada? Não, obrigado

A falta de água em Almada não é um exemplo do falhanço do país. O país fez progressos visíveis no abastecimento de água potável. O que falhou em Almada foi um poder municipal abaixo de medíocre

HELENA MATOS Colunista do Observador

OBSERVADOR, 12 jul. 2026, 00:25

As mais lidas: Marcelo deixa Belém com metade do património com que entrou. Morreu Luís Represas com 69 anos. Quem é Drapatyi, o novo chefe das Forças Armadas da Ucrânia? Shuttle a cada meia hora para novo aeroporto. ANA pede mais Como Seguro exerceu um soft power na crise dos exames. Irmão de Maddie McCann vai nadar nos Jogos da Commonwealth.

É ponto assente: quando o PS está no governo e falha, a culpa é do mundo. Já quando o PS falha à escala local a culpa é do país. E assim, nos últimos dias e perante o espectáculo AdisAbebiano de Almada sem água, lá surgiu a explicação do falhanço do país no seu todo para explicar o falhanço particular do PS em Almada. Ora o que falhou em Almada foi um poder municipal abaixo de medíocre mas exímio no domínio da linguagem do bondadismo progressista. (Não quero dizer que à direita sejam mais competentes, simplesmente não podem falhar tanto e por tanto tempo porque, felizmente para o país, não estão abençoados pelo diáfano manto do porreirismo progressista de que beneficia a esquerda ex-caviar agora woke).

O que é o bondadismo progressista? Veja-se a capa da última revista editada pelo município de Almada cuja directora é Inês de Medeiros. Data de Abril deste ano e nela a presidente, directora e entrevistada Inês de Medeiros declara numa espécie de megalomania planetária “Almada é um foco de humanidade num mundo cada vez mais desumano”.

Por essa altura, a direcção do município não ignorava que era responsável pela baixíssima renovação da rede (uma das baixas, senão a mais baixa do país); pelas perdas da rede que se contam entre as mais altas do país; pelo laxismo em relação às captações ilegais das piscinas e das explorações agroindustriais; pela proliferação das habitações clandestinas; pela desatenção aos problemas com os furos que ficam em Corroios e que motivaram uma querela em tribunal com o Seixal. Mas acompanhando as declarações do incrível executivo almadense de que esta publicação é um exemplo, o abastecimento de água não era de modo algum uma preocupação ou sequer uma prioridade. Também não desconhecia o executivo almadense que o número de habitantes aumentara ao longo dos anos; que desde há mais de sessenta anos os portugueses procuram as praias da Caparica e que é no Verão que os portugueses vão para a praia.

Na página em que se detalham as prioridades orçamentais para este ano de 2026 (e note-se que no município de Almada, tal como acontece nos restantes, dinheiro não falta), constam a habitação, acessos às praias, uma loja do cidadão e até um centro de recolha animal. Mas sobre água nada. Na longa entrevista feita a Inês de Medeiros não há referências à água e o próprio vereador Luís Palma, que detém a presidência do Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Almada (SMAS), prefere falar da “ofensiva em curso de destruição do Serviço Nacional de Saúde” em vez de informar sobre aquilo que os SMAS iriam fazer para melhorar o seu serviço em Almada. Aliás as únicas referências a água e aos SMAS nesta publicação encontram-se numa pequena notícia que dá conta da contratação de mais 16 trabalhadores para esse serviço em Janeiro deste ano. A água é um assunto praticamente omisso nestas comunicações, à excepção da revista de Outubro de 2022 onde Inês de Medeiros, depois de citar uma daquelas platitudes de Guterres — “O valor da água é profundo e complexo. Não há nenhum aspecto do desenvolvimento sustentável que não dependa fundamentalmente dela —, afirma que Almada é um “concelho assente sobre uma reserva quase inesgotável de água de grande qualidade. Seguem-se páginas e páginas com explicações de um sistema perfeito com ilustrações de reservatórios, torneiras de seccionamento, colectores e ramais, tudo inevitavelmente com muito azul.

Entretanto no subsolo de Almada a água perdia-se numa rede que não se renovava e pontos de acesso não contabilizados que proliferavam. Acreditando na propaganda, Almada vivia no melhor dos mundos possíveis no que à rede de distribuição de água potável dizia respeito. Estava-se em 2022. A realidade era bem diferente e piorou desde então.

O que está a acontecer neste Verão de 2026 é precisamente um choque entre a realidade e a propaganda naquele município e também entre o argumentário da esquerda e a realidade no país: como bem sabem aqueles que não vivem em Almada, e que quando abrem a torneira vêem água correr, é mentira que Portugal não tenha sido capaz de fazer o necessário neste assunto. Em 2026, os portugueses têm, na sua esmagadora maioria, acesso a água de qualidade e em quantidade. Não são assim tão longínquos os tempos em que nas casas portuguesas existiam sempre uns garrafões de reserva para aqueles dias em que a água faltava ou uns recipientes para a ir buscar ao chafariz mais próximo. Ou em que beber água da torneira não era opção no Algarve. Existem obviamente falhas pontuais provocadas por cheias, rupturas na rede, obras… mas são isso mesmo: pontuais.

O que agora está a acontecer em Almada nada tem a ver com o Portugal de 2026 mas sim com esse país de há algumas décadas, em que nem sequer fomos poupados à discussão paleolítica sobre a “água de Almada” e “a água do Seixal” (como se o aquífero tivesse muros a separá-las!) entre dois autarcas, Inês de Medeiros e Paulo Silva, que nunca foram capazes de avançar para uma gestão integrada do aquífero, quer entre eles, quer com os outros autarcas que dependem deste aquífero para o abastecimento dos seus munícipes.

A falta de água em Almada não é um exemplo do falhanço do país, como alguns socialistas nos querem fazer acreditar. O país fez progressos visíveis no abastecimento de água potável. O que falhou em Almada foi o pensamento mágico socialista.

ÁGUA      NATUREZA      AMBIENTE      CIÊNCIA      ALMADA      PAÍS      SOCIEDADE      PS      POLÍTICA

COMENTÁRIOS (de 179):

Maria Paula Silva: Excelente! a última frase é linda: "O que falhou em Almada foi o pensamento mágico socialista."

GABRIEL MADEIRA > MARIAPAULA SILVA: Precisam de uns cogumelos dos bons, para o pensamento mágico.

GRAÇA DIAS: A socialista Inês Medeiros desde que assumiu a presidência de Almada tem vivido entre a propaganda e o ilusionismo, e neste caso a Presidente tropeçou na sua inoperância, incompetência e laxismo, mas o seu ADN leva-a  à "criatividade linguística  - o bondaísmo progressista "Almada é um foco de humanidade num mundo cada vez mais desumano".  Esta esquerda Woke é brilhante na corrupção da linguagem e na corrupção do carácter.

MIGUEL SEABRA: A culpa é do Passos Coelho!

VITOR BATISTA: Portugal já não é o país de 1975, mas Almada em muitos aspectos ainda é! Esta actriz vai no seu terceiro mandato se não estou em erro, mas o problema é mais antigo, vem do tempo dos camaradas comunas que implantaram o socialismo em Almada, e o povo gostou tanto que os manteve no poder até chegar a actriz. O socialismo é a personificação da miséria, Cuba que o diga, e os Almadenses têm aquilo que merecem, porque sempre votaram nos amanhãs que cantam, ora se é assim que gostam de ser governados, por que raio tenho eu de contribuir com os meus impostos para financiar a mediocridade? Vão buscar água ao Tejo, também tive de ir buscar muita água no tempo logo a seguir à outra sra. Os meus impostos não devem servir para premiar medíocres.

ANA RITA: Mas não se canse muito, porque os portugueses continuam a marrar na velha máxima comunista: antes não ter água socialista a ter água capitalista.

JOSE MIGUEL PEREIRA: Em vez dos amanhãs que cantam, os hojes que secam.

JOAQUIM DUARTE: Mas não votaram Socialista? E nos anos anteriores não votaram comunista? Agora queixam-se mas só têm o que merecem. Nas sondagens o PS está subir depois não venham queixar-se. Esta Medeiros representa bem o PS. O Carneiro é totalmente amnésico, ontem dizia sem se rir que se fosse ministro da Educação se demitiria de imediato, esqueceu-se do descalabro da AIMA.

PERTINAZ: Mais uma bomba-relógio da dupla ordinária Costa/Centeno…

MANUEL JESUS: Os eleitores entregaram a Câmara de Almada ao PS e à CDU, quiçá iludidos pelos amanhãs que cantam. Não é só o problema da água que está em causa, mas sim uma total incapacidade para gerir o território em todos os níveis. O voto deve ser racional, porque quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga...

RUÇO CASCAIS: Quando a realidade bate de frente nos socialistas, estes normalmente metem água. Havia uma senhora, também artista, escritora, também socialista, que participava num programa de comentário político na RTP3, que eu até gostava de ver para alimentar o meu lado masoquista, e que nesse programa de debate político, que já acabou, recusava-se a dizer o nome de André Ventura. A ideia é simples, se não dissermos o nome de uma pessoa ou de um problema, este deixa de existir. Está a acontecer este fenômeno com Mariana Mortágua. Também acontece com Mário Soares de quem não se tem falado muito.  Com a Inês Medeiros, perdão, De Medeiros, freguesia de Medeiros em Vila Real, a realidade ganha contornos mais complexos devido à carreira de actriz. Como sabemos, no cinema a realidade é construída a pedido. O Concelho de Almada nunca teria um problema de falta de água no grande ecrã ou numa plataforma de streaming. Só que a história saltou do grande ecrã para a plateia e os tiros de pólvora seca que matavam actores em fingimento transformaram-se em canos secos de onde não sai uma pinga de água revoltando moradores a sério. Inês nunca falou da água na esperança de o problema desaparecer. Mesmo quando ia almoçar a um restaurante nunca pedia água para não acordar o problema. Até na medicação optou por supositórios para evitar a água. As garrafinhas de água foram proibidas nas reuniões na câmara. Medeiros fez tudo o que os procedimentos socialistas recomendam para lidar com este tipo de problema, mas, mesmo assim o problema não desapareceu, desapareceu sim, mas foi a água. A Inês do comentário na RTP3 que se negava a dizer o nome de André Ventura acabou por chocar com a realidade do CHEGA. A Inês da Câmara que evitava o problema da água, acabou por levar com um grande balde de água fria que a acordou para a realidade fora das câmaras.

 NOTA: a Noruega perdeu, mas, na minha opinião, foi roubada naquele golo limpo. Se em vez do Halland a empurrar o central para se livrar dele tivesse sido o Bernardo Silva nunca teria sido falta. O homem é grande e quando empurra os defesas caem. Também o empurram a ele, só que ele não cai. Além disso o árbitro não viu nada, senão tinha logo chamado a atenção. Foi o VAR que mandou repetir o canto. Nunca tal se viu. Ou era falta ou era golo.

JOSÉ GÓIS CHILÃO: Só em Portugal é possível um partido com o currículo do PS — bancarrota em 1977, 1983 e 2011, e agora um município sem água há semanas — apresentar-se novamente como solução. Se isto não é resiliência política, é amnésia colectiva.

JOSÉ PAULO CASTRO: Como qualquer comunista sabe, a falta de água em Almada deve-se ao bloqueio americano a Cuba. A autora estava à espera que a culpa fosse de quem ?

PEDRO CORREIA: Que esperar do xuxialismo, a pior coisa que abril pariu?!

MARIA EMÍLIA RANHADA SANTOS: Meu Deus! Que falta de caridade para com a governante! Ela que tem feito tudo para que os almadenses vivam em paz, sem que nada lhes falte, vem agora estes ignorantes acusá-la de incompetência! Deixem a Inês governar! Não se metam onde não são chamados! Não percebem como ela tem sido tão inclusiva? Todos os que querem vêm acoitar-se cá, armam uma tenda, fazem uma ligação, e já têm água, luz, e tudo o resto! Mesmo que deixem os moradores sem elas. Estradas arranjadas? isso não interessa para a inclusão!  Segurança? Primeiro está a inclusão! Será que de tão inclusiva que é ainda vai ganhar o quarto mandato? Almada passou de comunista para socialista! Não acham que mudou muito? Agora, com tão extraordinária governação, alguma vez os almadenses pensam em mudar? Viva o socialismo!

MIGUEL SIQUEIRA: Excelente texto. A habitual incompetência socialista, sempre acompanhada por frases bonitas, neste caso exponenciada por terem eleito uma actriz para gerir uma cidade. Nas próximas eleições o PS vai ganhar novamente. Têm o que merecem.

RUI  LIMA: Aqui está um exemplo da população a mais, Portugal estava dimensionado para 10 milhões das estruturas a sua administração do ensino a saúde …este aumento é uma desgraça que nunca terá fim, serão os portugueses a ter de ir embora.

CARLOS JERÓNIMO: Muitos anos de cinema, levaram-na a confundir a realidade com um filme…

FILIPE PAES DE VASCONCELLOS: A debacle almadense é a prova provada que o socialismo é mesmo assim, não tem estratégia, porque isso dá trabalho, mas têm táctica. A táctica da “madame” que vive, vivem todos, de trabalho político é nunca assumir o erro, porque isso seria os incapazes assumirem-se como tal. Quanto à comunicação social continua como sempre a portar-se vergonhosamente, andando com a “madame” ao colo, dando-lhe uma semana de recobro. Uma grande miséria estes “isentos” e “imparciais” jornalistas de pacotilha.

MANUEL RODRIGUES: Caros camaradas: Colocam repetidamente na Vossa Autarquia uma burguesa do mais fino quilate, socialista de aviário e agora queixam-se ?  Que ingratidão  suprema? Olhem para Cuba. Ainda se julgam com direito à distribuição pública  de água? Não exageremos... Avante Kamaradas, e o sol brilhará para todos nós!!!

PEDRO ABREU: Não votaram nela? Vão abastecer-se de água aos festivais de teatro inclusivos. Almada é um espelho do terceiro mundo, com a proliferação de bairros ilegais que mais parece que estamos em favelas de África. É o conselho da grande Lisboa onde mais proliferam barracas. Isto é o espelho da matriz woke bloquista da qual o PS foi tomado desde o fatídico dia em que um indiano tomou conta do partido e que ainda hoje perdura. É destes inúteis "tolerantes inclusivos" bandalhos que o PS está cheio. Não se queixem e aguentem, podem sempre ir ao festival "Sol da Caparica" em versão desidratada.

(CONTINUA)

 

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