terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

CONCLUSÃO DO TEXTO ANTERIOR


"A Europa woke e decadente não está a enfrentar o apagamento civilizacional"por MADALENA MOREIRA: Texto

Em: Por cá

 

HÁ 8H12:08 MADALENA MOREIRA

Antigo ministro da energia da Ucrânia, envolvido em caso de fraude, detido enquanto tentava abandonar o país

Herman Halushchenko, que até novembro do ano passado ocupava o cargo de ministro da Energia da Ucrânia, foi hoje detido enquanto tentava abandonar o país, avançou o jornal Ukrainska Pravda. O antigo ministro foi retirado de um comboio na fronteira e estaria a tentar sair do país com os filhos, relata o jornal, que cita uma fonte com conhecimento da operação, e levado para Kiev para interrogatório.

Halushchenko tinha sido sinalizado pelas autoridades de combate à corrupção da Ucrânia, o NABU e o SAPO na sigla em inglês, para o caso de tentar sair do país — esta ação permitiu que fosse detido sem as autoridades precisarem de um mandado de captura.

O antigo ministro foi detido no âmbito da investigação das duas agências ao caso Midas, detalhou posteriormente o NABU. O caso Midas trata um esquema alargado de fraude e desvio de fundos no sector da energia e da empresa pública de energia atómica, a Energoatom, que envolvia vários membros da cúpula política de Kiev, incluindo antigos membros do executivo de Volodymyr Zelensky.

HÁ 9H11:24 AGÊNCIA LUSA 

Japão sublinha "aprofundamento da cooperação" com NATO e anuncia apoio à Ucrânia

Num encontro com Mark Rutte à margem da Conferência de Segurança de Munique, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão mostrou disponibilidade para uma maior aproximação à NATO e ao apoio a Kiev.

HÁ 9H10:55 AGÊNCIA LUSA 

Kallas insiste na rejeição da ideia de se criar um Exército europeu

A chefe da diplomacia europeia insistiu hoje na rejeição da ideia de criar um Exército europeu. “A minha proposta seria que não percamos tempo a falar de coisas novas quando temos de nos concentrar no que é realmente urgente neste momento, que é reforçar os nossos exércitos”, afirmou a alta representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas na 62.ª sessão da Conferência de Segurança de Munique (MSC), iniciada sexta-feira e que termina hoje.

KALLAS assinalou que falar da criação de um Exército europeu “é, de certo modo, neste momento, uma forma de pensamento ilusório” e sublinhou que os Estados-membros da União europeia (UE) devem reforçar-se militarmente para também fortalecer o pilar europeu na Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).

A chefe da diplomacia europeia argumentou que a criação de um novo Exército europeu levantaria redundâncias, tendo em conta a existência da Aliança Atlântica. “O problema é que, quando surge uma crise real, tudo se resume à cadeia de comando: quem dá ordens a quem e como funciona? Se houver dois desses exércitos aos quais o exército (nacional) pertence, então, em termos de crise, cria-se um vazio e isso é extremamente perigoso”, explicou Kallas.

HÁ 10H10:13 AGÊNCIA LUSA 

Israel mata 12 palestinianos em Gaza, 601 desde cessar-fogo

O Exército israelita lançou, na noite de sábado, uma nova vaga de ataques contra a Faixa de Gaza, que matou 12 milicianos, elevando para 601 o total de palestinianos mortos desde o acordo de cessar-fogo, em 10 de outubro.

O exército de Israel indicou que as mortes foram registadas numa zona do norte do enclave controlada pelas tropas israelitas, que agiram como represália pelo aparecimento dos milicianos na zona de Beit Lahia, no extremo norte da Faixa, que considera constituir uma violação do cessar-fogo, embora não relate que estes homens tenham atacado os militares israelitas.

Para o Exército israelita, o facto de homens armados se encontrarem perto das suas tropas na zona da chamada linha amarela — referência a uma linha imaginária que atravessa Gaza de norte a sul para demarcar a área controlada por Israel, mais de metade do território, da área sob controlo palestiniano — contraria o acordo de trégua.

HÁ 10H10:10 AGÊNCIA LUSA

Diplomacia russa classifica como “necropropaganda” acusações de envenenamento de Navalny

A diplomacia russa classificou comonecropropaganda” e “ultraje aos mortos” as acusações dos governos de cinco países ocidentais sobre o envenenamento do líder da oposição Alexei Navalny com uma toxina letal extraída de uma espécie de rã sul-americana.

“O método escolhido pelos políticos do Ocidente, a necropropaganda, desperta verdadeiro estupor”, assinalou a Embaixada da Rússia em Londres, num comunicado divulgado pela agência TASS, na véspera de se assinalar o segundo aniversário da morte do opositor numa prisão do Árctico.

Segundo a missão diplomática, as acusações feitas pela Alemanha, Reino Unido, França, Suécia e Países Baixos “não são uma busca de justiça, mas um ultraje aos mortos”.

“Mesmo após a morte de um cidadão russo, Londres e as capitais europeias não conseguem deixá-lo descansar em paz, o que demonstra de forma muito eloquente a índole dos promotores desta campanha”, acrescentou.

HÁ 10H10:08 AGÊNCIA LUSA 

Nobel da Paz iraniana foi vítima de agressões e transferida de prisão

A Nobel da Paz iraniana Narges Mohammadi foi transferida irregularmente do centro de detenção de segurança de Mashad, cidade no norte do Irão, para outra cidade, informou o seu advogado, que também denunciou agressões contra a activista.

“Na terça-feira da semana passada, às 04 da manhã (00:30 TMG), [Mohammadi] foi retirada do centro de detenção de segurança de Mashad e, embora lhe tivessem indicado que estava a ser transferida para Teerão, naquela mesma tarde foi transferida e levada para a prisão de Zanjan [noroeste]”, revelou o advogado de defesa, Mostafa Nili, numa publicação na rede social X este sábado.

O advogado disse que soube da “transferência forçada” da activista para a prisão de Zanjan num telefonema de Mohammadi no sábado e sublinhou que o procedimento “viola as leis em vigor, incluindo o Código de Processo Penal”.

HÁ 10H10:03 MADALENA MOREIRA 

Kaja Kallas responde a Marco Rubio: "A Europa woke e decadente não enfrenta o apagamento civilizacional"

A alta-representante para a política externa da União Europeia discursou hoje em Munique, no último dia da Conferência de Segurança. No púlpito, Kaja Kallas respondeu ao que disse serem “ataques à Europa que estão muito na moda”, principalmente por parte dos Estados Unidos, e respondeu diretamente à intervenção do seu homólogo norte-americano, Marco Rubio, ontem no mesmo evento.

“A mensagem que ouvimos é que a América e a Europa estão entrelaçadas, estiveram no passado e estarão no futuro. Acho que isto é importante. Também é claro que não concordamos em todos os assuntos e isto vai manter-se, mas acho que podemos trabalhar a partir daí”, afirmou no seu discurso.

“Ao contrário do que alguns podem dizer, a Europa woke e decadente não está a enfrentar o apagamento civilizacional”, afirmou ainda, destacando o que diz ser os méritos da Europa e da União Europeia e argumentando que há muitos países que “se querem juntar ao clube”, mesmo fora do continente.

Há 10h09:56 Madalena Moreira 

Bom dia. O Observador continua a acompanhar ao minuto os principais focos de tensão geopolítica e os conflitos armados no mundo, com destaque para a Conferência de Segurança de Munique, que termina este domingo.

Pode relembrar todos os acontecimentos de sábado neste outro artigo em directo, que agora arquivamos.

POR CÁ


É mais Carnavais…

Activar alertas

Em directo/ "A Europa woke e decadente não está a enfrentar o apagamento civilizacional", afirma Kaja Kallas

A responsável da diplomacia europeia discursou na Conferência de Segurança de Munique onde contrariou as posições firmadas na véspera pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

MADALENA MOREIRA: Texto

OLIVIER MATTHYS/EPA

Momentos-chave

Há 1hRússia pronta para suspender ataques aéreos à Ucrânia no dia das futuras eleições presidenciais

Há 3hReino Unido pondera novas sanções à Rússia após acusações de envenenamento de Navalny

Há 5hGoverno proposto por Trump para Gaza reclama “controlo total” do enclave

Há 7hGoverno israelita aprova proposta para registar Cisjordânia como terras estatais, um passo na direcção da anexação

Há 8hAntigo ministro da energia da Ucrânia, envolvido em caso de fraude, detido enquanto tentava abandonar o país

Há 10hIsrael mata 12 palestinianos em Gaza, 601 desde cessar-fogo

Há 10hKaja Kallas responde a Marco Rubio: "A Europa woke e decadente não enfrenta o apagamento civilizacional"

Acctualizações em directo

HÁ 1H18:48 TIAGO CAEIRO 

Rússia pronta para suspender ataques aéreos à Ucrânia no dia das futuras eleições presidenciais

A Rússia diz estar pronta para suspender os ataques aéreos contra a Ucrânia no dia em que o país vizinho realizar as eleições presidenciais, afirmou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Mikhail Galuzin, em entrevista à agência estatal TASS.

O número dois da diplomacia russa reafirmou, desta forma, o compromisso de Vladimir Putin — que tinha indicado que a Rússia está disposta a considerar a suspensão de ataques aéreos em território ucraniano no dia das eleições. Putin também dissera que os 5 a 10 milhões de ucranianos que vivem na Rússia devem ter o direito de votar.

“É claro que as declarações do presidente russo Vladimir Putin continuam válidas. Mas, como mencionei anteriormente, ainda não se fala em organização prática da votação na Ucrânia”, disse Galuzin.

As declarações de Galuzin seguem-se às do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que disse, na Conferência de Segurança de Munique, que a Ucrânia poderia realizar eleições se fosse acordado um cessar-fogo de pelo menos dois meses.

HÁ 3H17:38 CÁTIA ROCHA 

Reino Unido pondera novas sanções à Rússia após acusações de envenenamento de Navalny

O Reino Unido está a ponderar impor novas sanções à Rússia depois das acusações de que Alexei Navalny, o líder da oposição russa, terá sido envenenado com toxina de sapo-dardo.

Yvette Cooper, ministra dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, disse este domingo à BBC que o uso desta toxina é “uma violação clara” das regras de armas químicas internacionais. “Mostra a determinação por parte do regime russo de usar estas toxinas letais nos seus próprios cidadãos.”

Queremos ver acção”, disse a governante, admitindo o cenário de sanções. “Continuamos a analisar medidas coordenadas, incluindo o aumento das sanções ao regime russo. Temos vindo a prosseguir esta linha de ação como parte da nossa resposta à invasão brutal da Ucrânia, cujo quarto aniversário se está a aproximar”, explicou a governante. A Rússia invadiu território ucraniano a 22 de fevereiro de 2022.

HÁ 3H16:51 CÁTIA ROCHA

Donald Trump avança que Conselho da Paz se terá comprometido "com mais de 5 mil milhões de dólares" para reconstruir Gaza

O Presidente dos EUA avança que os membros do Conselho de Paz “se comprometeram com mais de 5 mil milhões de dólares [4,2 mil milhões de euros] para os esforços humanitários e de reconstrução de Gaza”, numa publicação na rede social Truth Social.

Além disso, Trump fala num compromisso que passará pelo envio “de milhares de pessoas para a Força Internacional de Estabilização” e para “a polícia local para manter a segurança e a paz para os habitantes de Gaza”.

Trump revela que anunciará mais sobre estes planos a 19 de fevereiro, “quando estiver acompanhado pelos membros do Conselho de Paz no Instituto de Paz Donald Trump, em Washington D.C”.

O Presidente norte-americano considera que o Conselho de Paz “tem um potencial ilimitado” e que “irá provar ser o organismo internacional mais importante da História”.

HÁ 5H15:02 AGÊNCIA LUSA 

Governo proposto por Trump para Gaza reclama “controlo total” do enclave

O Comité Nacional para a Administração de Gaza (CNAG), o governo que assumirá o enclave na sequência do plano de paz do presidente norte-americano, Donald Trump, defendeu a necessidade de ter “controlo total” sobre o território.

“O controlo total do CNAG é, portanto, essencial para desbloquear o apoio internacional à recuperação, à reconstrução e garantir uma retirada israelita completa e o restabelecimento da normalidade”, afirmou o organismo em comunicado.

O governo tecnocrata defende assim um “controlo total administrativo, civil e policial” que “não é meramente processual”.

“Não se pode esperar que o CNAG desempenhe as suas responsabilidades sem um controlo administrativo, civil e policial total para aplicar o seu mandato com eficácia, a responsabilidade deve vir acompanhada das ferramentas necessárias para o cumprimento”, argumentou.

HÁ 5H15:01 AGÊNCIA LUSA 

EUA rejeitam Europa “vassala” e recusam questionar conclusões europeias sobre morte de Navalny

O secretário de Estado norte-americano declarou hoje, em Bratislava, que os Estados-Unidos não querem uma Europa “dependente” ou “vassala” de Washington e recusou questionar as conclusões europeias sobre a morte do oposicionista russo Alexei Navalny.

“Não queremos que a Europa seja dependente, não estamos a pedir que a Europa seja vassala dos Estados Unidos”, disse Marco Rubio numa conferência de imprensa conjunta, em Bratislava, com o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, acrescentando que o que Washington pretende é que seja uma “parceira”.

Sobre as conclusões de cinco países europeus que investigaram a morte de Navalny, alegando que foi envenenado numa prisão russa, o secretário de Estado norte-americano afirmou não haver “nenhum motivo” para as questionar. “É claro que não temos nenhuma razão para não acreditar nelas. Não as contestamos”, referiu

HÁ 6H13:41 AGÊNCIA LUSA 

Comissão de Paz analisa com União Europeia segunda fase do plano para Gaza

O director executivo da Comissão de Paz para Gaza, o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, analisou hoje com a comissária europeia para o Mediterrâneo, Dubravka Suica, a melhor forma de executar a segunda fase do acordo de paz para o enclave.

Nas redes sociais, Suica escreveu que ambos defenderam ser importante avançar com a segunda fase do acordo de paz de Trump para Gaza, que prevê a entrada em funções de uma administração de tecnocratas palestinianos no enclave.

“A União Europeia está pronta para apoiar a CNAG e a Comissão de Paz” liderada por Mladenov, afirmou a comissária croata.

“Temos muito a oferecer através dos nossos instrumentos humanitários, de segurança e diplomáticos para prestar serviços básicos, reabilitar infraestruturas críticas e apoiar a governação de transição, incluindo uma Autoridade Palestiniana reformada, o reposicionamento da missão em Rafah e a formação da polícia local”, acrescentou.

HÁ 7H13:18 MADALENA MOREIRA 

Governo israelita aprova proposta para registar Cisjordânia como terras estatais, um passo na direcção da anexação

O Governo israelita aprovou hoje a proposta para “abrir o processo de registo” de terras na Cisjordânia ocupada, território que pertence ao Estado da Palestina, noticia a KAN. Isto significa que Israel vai passar a declarar territórios palestinianos como “terras do Estado”, a primeira vez que isso acontece desde 1967, sublinha a emissora pública israelita.

Esta declaração — ilegal à luz do Direito Internacional — é justificada com o facto de os territórios pertencerem a uma área “com estatuto legal sob investigação”, no entendimento de Telavive, que acusa a Autoridade Palestiniana de ter violado os Acordos de Oslo nesta região. Trata-se de territórios na Zona C, militarmente controlada por Israel, mas com alguma presença da Autoridade Palestiniana — a maior parte dos territórios palestinianos da Cisjordânia estão classificados pelos acordos de Oslo como Zona C.

A acção inédita do Governo israelita permite a Telavive legitimar internamente a construção de colonatos nesta região, com financiamento público. A proposta foi apresentada pelos ministros das Finanças, Bezalel Smotrich (rosto da extrema-direita no Governo), da Justiça, Yariv Levin, e da Defesa, Israel Katz. Os três defendem a expansão dos colonatos ilegais israelitas nos territórios palestinianos, enquanto o primeiro defende mesmo, abertamente, a anexação da Cisjordânia a Israel.

HÁ 7H12:40 AGÊNCIA LUSA

Primeiro-ministro albanês anuncia que participará na reunião do Conselho de Paz de Trump

O primeiro-ministro albanês, Edi Rama, anunciou hoje que vai a Washington na próxima semana para participar na primeira reunião do Conselho de Paz criado pelo presidente norte-americano Donald Trump.

“Estarei em Washington para a criação oficial do Conselho de Paz e o lançamento das actividades desse conselho”, disse numa entrevista ao podcast albanês Flasim.

O órgão liderado por Donald Trump foi concebido para pôr fim à guerra na Faixa de Gaza, mas a sua carta atribuiu-lhe um objetivo muito mais amplo: a resolução de conflitos armados em todo o mundo. A primeira reunião está prevista para 19 de fevereiro, em Washington.

Os membros permanentes do Conselho de Paz devem pagar mil milhões de dólares (854,3 mil milhões de euros) para aderir. Edi Rama, no entanto, já indicou que o seu país não pagará para ser membro permanente da iniciativa: “A Albânia tem o privilégio de ser um Estado fundador e não contribuirá financeiramente para aderir ou permanecer”.

HÁ 8H12:37 AGÊNCIA LUSA 

Irão propõe benefícios económicos para EUA como parte de um possível acordo nuclear

O Irão propôs benefícios económicos para os Estados Unidos no âmbito de um acordo nas negociações nucleares entre as duas partes, afirmou hoje o vice-ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros para a Diplomacia e membro da equipa negocial.

“Para garantir que um acordo seja sustentável, os Estados Unidos devem beneficiar de sectores económicos iranianos de elevado desempenho e retorno rápido”, declarou Hamid Ghanbari, citado pela agência Fars.

O diplomata explicou que nas negociações foram incorporados interesses comuns em áreas como o petróleo e o gás, investimentos mineiros e até a compra de aviões norte-americanos por parte do Irão.

Destacou ainda que os activos iranianos congelados no estrangeiro também farão parte do acordo e que a sua libertação “deve ser real e utilizável, não meramente simbólica ou temporária”.

CONTINUA

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

A bondade


- mesmo que desvirtuada – é sempre aceite, em casos do “mando posso e quero”.

 

Trump anuncia 5 mil milhões de dólares do Conselho de Paz para Gaza e pede desmilitarização do Hamas

O Presidente dos Estados Unidos anunciou que os membros do Conselho de Paz vão destinar 5 mil milhões de dólares para Gaza e apelou a uma desmilitarização "completa e imediata" do Hamas.

AGÊNCIA LUSA: Texto

OBSERVADOR, 15 fev. 2026, 17:12 4 

 

De acordo com uma publicação de Donald Trump na plataforma Truth Social, o anúncio formal acontecerá na primeira reunião da organização, fundada e presidida pelo presidente norte-americano, prevista para a próxima semana no Instituto da Paz de Washington, recentemente rebatizado com o nome do republicano.

Em 19 de fevereiro de 2026, estarei novamente acompanhado pelos membros do Conselho de Paz no Instituto Donald J. Trump para a Paz, em Washington, D.C., onde anunciaremos que os Estados-Membros prometem mais de 5 mil milhões de dólares para os esforços humanitários e de reconstrução de Gaza”, escreveu.

Trump insistiu que “é muito importante que o Hamas cumpra o seu compromisso de desmilitarização completa e imediata”.

nova organização internacional, cuja carta de criação foi assinada por Trump em 22 de janeiro deste ano, teve uma reunião fundacional nessa altura em Davos, na Suíça, contando com pelo menos 35 chefes de Estado e de Governo, entre eles os de Israel, Argentina, Arábia Saudita e Egipto.

A maioria dos fundadores são aliados de Trump, enquanto grandes potências e quase todos os países europeus mostraram-se reticentes em aderir, considerando que o Conselho enfraquece a Organização das Nações Unidas (ONU).

Israel e o Hamas aceitaram um cessar-fogo em outubro, como parte do plano de paz promovido pelos Estados Unidos para a região, mas desde aí já se verificaram diversas violações do acordo.

Bombardeamentos em Gaza na última madrugada mataram dez pessoas, informou hoje o Ministério da Saúde do governo do Hamas na Faixa de Gaza, que contabiliza mais de 600 habitantes mortos em ataques israelitas desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em 10 de outubro.

Desde o início da ofensiva militar israelita em 2023, pelo menos 72.060 habitantes morreram em Gaza, entre os quais mais de 20.000 crianças, segundo o Ministério da Saúde.

A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas a 7 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.

Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 71 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo grupo islamita, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.

MÉDIO ORIENTE       MUNDO       ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA       AMÉRICA       PRESIDENTE TRUMP


pertinaz: Deviam começar por terraplanar o território com esse dinheiro…

Eduardo Mãos de Tesoura: Este Conselho para a Paz é mais um FALHANÇO do Predador Sexual Donald Trump.

Novo Assinante: O pe dó fi lo Donald Trump - foi o seu grande amigo Elon Musk quem disse que Donald Trump tinha violado menores na vivenda de Epstein - não consegue sequer perceber que transformou o Partido Republicano no novo Partido Nazi Americano do século passado e que ele próprio não passa de um novo Hitler! E até já criou uma nova Gestapo como Hitler fez agora denominada de ICE, uma autêntica máquina de assassinar norte-americanos indefesos a sangue frio.

Mais um caso

 

De egocentrismo, que é característica bastante comum, num país de visão essencialmente parcelar, ao longo da sua História.

 A última crónica sobre Marcelo

Marcelo não percebeu que a geringonça deixou feridas que não foram saradas e contou que, com a sua popularidade, se ia impor a um PS minoritário depois da pandemia. Podia ter tudo e ficou sem nada.~

ANDRÉ ABRANTES AMARAL. Colunista do Observador

OBSERVADOR, 15 fev. 2026, 00:225

Devo ter sido dos que mais escreveram sobre Marcelo nos últimos dez anos. Se não, pelo menos, quem mais consistentemente o criticou. A forma como o país se deliciava com as selfies e os abraços de Marcelo só aumentava a minha vontade em lhe apontar o dedo. Quando o deslumbramento nacional abrandou refreei eu também nas críticas até que pus termo aos textos sobre o ainda Presidente da República. É tempo, pois, de regressar a ele. Pela última vez e em jeito de balanço.

Marcelo Rebelo de Sousa é um homem perspicaz e inteligente que não conseguiu ser um bom presidente da República. Apesar da sagacidade e da inteligência leu mal os sinais, falhou quando apostou e perdeu-se no fim do segundo mandato. Leu mal os sinais ao achar que a festa e a proximidade bastavam para que a maioria dos portugueses esquecesse os sacrifícios do período da troika. Ignorou (ou não deu importância ao facto) que a jogada de António Costa para ser primeiro-ministro, apesar de constitucionalmente legítima, deixou feridas profundas e comportou um custo que o sistema partidário ainda hoje está a pagar. Durante oito anos, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa desvalorizaram o trabalho invisível que dá resultados a longo prazo, privilegiaram o imediato e o agora numa altura em que o país precisava (e precisa) de mudanças que requerem tempo. Quando Portugal necessitava de equilíbrio e de serenidade, Marcelo e Costa deram-nos festa, exaltação e azáfama. Confundiram agitação com acção e, como geralmente acontece nessas situações, pouco ou nada se fez.

Mas Marcelo falhou também quando, em finais de 2021, apostou que o fim da geringonça (em 2019) ditava um governo minoritário de António Costa subordinado a Belém. Na altura, boa parte dos comentadores não compreenderam por que motivo Marcelo fez depender a continuidade do governo da aprovação do orçamento de Estado para 2022. Alertaram que isso tornava a votação dos orçamentos em verdadeiras moções de confiança ou de censura, o que conduziria a governos a prazo, dada a divisão no parlamento. Sucede que a razão era precisamente essa: ao convocar eleições, Marcelo esperava que um futuro governo minoritário do PS dependesse dele para se manter. No fundo, não antecipou que António Costa conseguisse uma maioria absoluta, depois de seis anos como primeiro-ministro. A inusitada vitória do PS, a 30 de Janeiro de 2022, colocou um ponto final nas aspirações de Marcelo que há décadas sonhava governar o país. Se não como primeiro-ministro, ao menos como um presidente popular que se sobrepunha a um chefe de governo debilitado nas urnas.

Foi neste momento que o segundo mandato de Marcelo se perdeu. De um presidente omnipresente e tutelar, Marcelo viu-se transformado num chefe de estado sem propósito. As selfies e os afectos (feitos para ganhar popularidade e se tornar imprescindível ao governo) perderam razão de ser e, sem brilho, banalizaram-se. Reduzido às armas políticas que foram as suas desde sempre, os boatos, os mexericos, o disse que disse, a pretensa fonte incógnita de Belém, os recados cada vez mais inócuos e inofensivos, Marcelo passou a ser um presidente velhote de quem sorrimos com compaixão.

Nem sequer as vitórias de Luís Montenegro sem maioria absoluta lhe serviram de alento. Com experiência suficiente para saber ao que ia, o novo primeiro-ministro teve o cuidado de se proteger do presidente e de o afastar das decisões mais importantes. Tanto assim foi que, pela primeira vez na sua vida, Marcelo deve ter sabido pelos jornais o que se decidia em São Bento. Uma ironia com graça que nos faz sorrir com a mesma complacência com que o vemos partir.

MARCELO REBELO DE SOUSA       PRESIDENTE DA REPÚBLICA      POLÍTICA

COMENTÁRIOS (de 5)

Nuno Abreu: A crónica sobre Marcelo é muito simples. Tudo se resume a um prazer doentio pelo exibicionismo comunicacional. Penso que já aqui referi que partilhei com ele o mesmo espaço – os corredores da faculdade de direito de Lisboa – há mais de 45 anos, durante quatro anos, e todos os dias, no intervalo das aulas, ocupava ele a ombreira da porta da sala rodeado de alunos e olhando por cima deles para os que passavam no corredor como que a convidá-los com os olhos para o ouvirem. Claro que é culto e inteligente mas perde-se nos discursos só para aparecer.

 

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Uma notícia não prevista

 

Só digo que não pode ser verdadeira! O Dr. Salles deve explicar o que se passa. Se o “A BEM DA NAÇÃO” não é aceite como título, talvez pelo arcaico da expressão, (nestes tempos de indefinição, por cá, desses termos que pressupõem amor terreno já um tanto passadista, mude-lhe o nome, Dr. Salles, e crie outro para o seu blog. A sua escrita é imprescindível, no tablado nacional, pelo desassombro leve mas certeiro e corajoso que fazem falta, tais valores só não totalmente amortecidos, porque ainda por vezes o nome da nação é citado, em eventos desportivos, as caravelas passadas à História …

 

ITE SCRIPTUM EST

·        Henrique Salles da Fonseca

·        16.01.26

Espero que não tenha sido debalde.

Até...

16 de Janeiro de 2026

Henrique Salles da Fonseca

6 comentários

 a. pinho cardão  16.01.2026  14:53: Então? Que é que se passa? Há ir e voltar!...

 Henrique Salles da Fonseca  16.01.2026  15:45

O sapo vai fechar e eu vou ficar sem blog

 Anónimo  16.01.2026  16:56

Caro Henrique~ Espero bem que não..... Um abraço H.

 Adriano Lima  16.01.2026  23:17:

Fiquei sem saber bem o que vai acontecer, se é o alimentador do blogue que vai encerrar ou se o próprio blogue. Se for o primeiro caso, penso que o ciber-espaço oferece ao Dr. Salles da Fonseca outra solução para continuar a pugnar "a bem da nação". Se é o blogue que, por qualquer razão atendível, chega ao fim, a questão é diferente e é compreensível. Conhecedor das limitações do órgão visual do Dr. Salles da Fonseca, pelo acidente sofrido há anos quando visitou o Médio Oriente, compreendo perfeitamente, mas quero crer que com a ajuda próxima de alguém poderá superar as suas dificuldades físicas de modo a poder continuar a deleitar-nos com as suas reflexões.

Escuso acrescentar que tudo o que aqui se produziu até hoje "não foi debalde". Aqui foi tratada matéria diversificada nos campos científico, filosófico, humanístico e artístico, tudo servido com uma primorosa expressão literária, honrando a nossa bela língua. Ainda por cima, tirando razão àqueles que não gostam de perder tempo com a leitura, porque os textos aqui postados nunca precisaram de prolixas extensões para transmitir a sua mensagem. Isto é uma virtude e um convite ao público leitor. Um abraço amigo. Adriano Lima

 Carlos Traguelho  17.01.2026  15:16

Vinte e dois anos!... Independentemente do futuro do blog “A Bem da Nação”, entendo que ele cumpriu a sua Missão. Foram numerosos os teus posts, Henrique, sobre os mais variados temas, alguns bem complexos, expressos com a profundidade admissível num blog, e sempre com a preocupação de não se ficar pela espuma dos dias. Algumas vezes, infelizmente, esteve o blog de luto, mas sempre seguiu em frente, com o homem do leme a dirigi-lo e alguns companheiros a remarem e a fazerem os seus comentários. Pena que não fossem mais companheiros e mais comentários (eu, pecador, me confesso), e estes últimos, reconheço, apresentavam-se, não raras vezes, demasiado em consonância, cerceando, consequentemente, alguma desejável polémica. Também tenho pena, não obstante o esforço e a força de vontade do timoneiro para ultrapassar as vicissitudes inerentes à saúde, que esta tivesse condicionado, a partir de certa altura, a profusão de posts. Sem embargo, e ao olhar para trás, em jeito de balanço, evidenciando este um expressivo capital próprio positivo, não podemos deixar de nos admirar com tantos temas tratados, por uma só pessoa, não só decorrentes das situações de fundo com que o blog se ia deparando, mas também com assuntos inerentes ao século passado, particularmente, após a década cinquenta e, por vezes, ressuscitando temas históricos, alguns dos quais dormiam um sono tão profundo que eram desconhecidos de muitos, a julgar pelos comentários que suscitavam.
Recordo que só um dos temas abordado – viagens pelo Mundo – deu lugar a um livro de mais de 400 páginas – URBI ET ORBE. Também tivemos o privilégio de ler, ao longo de duas décadas, textos sobre o Padre António Vieira, inspirados, certamente, na obra de investigação de tua autoria – EXSURGE DEUS.
Henrique, meu Amigo, de novo, independentemente do futuro do blog “A Bem da Nação”, a Missão está cumprida!

Grande abraço. Carlos Traguelho

 Anónimo  05.02.2026  11:36

Tal como as colónias tugas, tudo tem o seu fim.
John Malaka

 

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Refúgio

 

Por timidez na questão dos erotismos, que tanto nos apraz focar, em livros alheios, que nos desresponsabilizam relativamente às nossas motivações, assim expressas por conta alheia. A literatura portuguesa, inserida num contexto de pudicícia ditada por uma educação que se pretende de bom formato moral – pelo menos às claras - e mais atida às questões do sentimento, relega nobremente as questões sexuais ou mesmo racistas, pelo menos por conta própria. Donde a manipulação alheia, mesmo desvirtuada, aqui referida.

João Pedro George e a esquerda que treslê

O afã anticolonialista de João Pedro George leva-o a encontrar negras estereotipadas em personagens que nem negras são: o romance que acusa de ter um olhar colonialista nem sequer fala de África.

JOÃO PEDRO MARQUES 13 fev Historiador e romancista

OBSERVADOR, . 2026, 00:1841

Por curiosidade, interesse e dever de ofício leio muitos livros de autores portugueses sobre temas coloniais e um dos últimos que li foi  “O Cemitério do Elefante Branco”. Retornados e Ficções do Império Português”, de João Pedro George.

O que me traz aqui não é fazer a recensão desse livro, mas corrigir e interpretar uma passagem do seu capítulo 5 na qual o autor lança mão de uma obra minha  para tentar alicerçar as suas teses. De facto, ao abordar a forma como certa literatura fala da líbido e da sexualidade dos negros, João Pedro George afirma que há uma “apreciação generalizada dos negros como hiper-sexuais (leia-se: em estado de perpétua excitação), entregues à febre da luxúria, com um desejo insaciável de sexo, em que a necessidade erótica se manifesta como uma reacção explosiva”. O autor considera que “o exemplo mais decadente, ou mais degradante” dessa hiper-sexualização e luxúria se encontra “nas descrições do corpo das negras e da sua poderosa sexualidade, que convida os homens a regressarem às deliciosas sensações primárias do sexo animal, a cuja tentação não conseguem resistir”. George está convencido de que “essas descrições não surgem do nada, inscrevem-se na história da literatura portuguesa” e afirma que “nos nossos dias, vários romances descendem desta tradição, como O Estranho Caso de Sebastião Moncada (2014), de João Pedro Marques, que descreve a negra Poleciana a fazer amor com o tenente Mateus ‘como um animal insaciável’ e aparentando ‘uma expressão excitante, quase demoníaca’; Maria, a criada negra de Sátiro da Costa, contorce o ‘corpo como uma cobra’; e Luísa ama Mateus ‘de uma forma selvagem’, com uma ‘expressão devoradora’ (pp. 295-6).

Ou seja, João Pedro George usa o meu romance O Estranho Caso de Sebastião Moncada para dar aos seus leitores exemplos daquilo que designa por “olhar colonialista sobre os corpos colonizados”. Sucede que, no que diz respeito ao meu livro, nada disso é verdade, como quem o tiver lido, ou for ler, sabe ou poderá vir a saber, e é verdadeiramente extraordinário que George tenha extraído essas conclusões de uma obra que nada tem a ver com África nem com africanos. De facto, O Estranho Caso de Sebastião Moncada é uma história de natureza passional, militar e policial, passada exclusivamente em Portugal, sobretudo no norte do país, e no contexto das Guerras Liberais de 1832-34. As personagens que João Pedro George refere como sendo negras são todas elas alvas como a neve. Aliás, e com a irrelevantíssima excepção de uma cozinheira negra a que se alude uma única vez, sem a identificar, no início do romance, e que não tem nele qualquer peso ou intervenção, todas as personagens que interagem no desenrolar da trama são brancas. Muitas vezes isso é explicitado nas descrições físicas das personagens. Outras vezes está implícito, como é natural. Seria redundante e absurdo ter de explicar caso a caso, acerca de cada personagem, que se tratava de pessoa de raça caucasiana e pele branca. Não se especificando coisa diferente, qualquer leitor pressuporá que num romance passado há cerca de 200 anos no Porto, em Penafiel e noutras povoações do norte, assim seria já que o número de negros existentes nessas terras era, nessa época, ínfimo ou nulo. Importa, não obstante, sublinhar que mesmo nos casos em que a pertença étnica está implícita ela subentende-se ou deduz-se com facilidade. Alguns exemplos concretos sobre as três personagens que João Pedro George referiu: a criada Maria, que se contorce como uma cobra (para escapar aos abraços e carícias do azeiteiro de Vilar) tem a cara corada (p. 116); Poleciana, ou melhor, D. Poleciana Alves da Cunha,  é uma senhora da fidalguia rural com criados e gente de lavoura ao seu serviço (pp. 90-1), que vive numa casa senhorial em Barcelos, em cujas paredes há quadros de austeros antepassados (p. 93) e que, à noite, pronta para dormir, deixa que os cabelos soltos lhe caiam sobre os ombros (p. 97); Luísa é mulher do juiz Etelvino de Vasconcelos e filha de um rico lavrador da região de Avintes (p. 43). Ou seja, nada no texto permite ao leitor supor que as personagens que o habitam não são brancas, muito pelo contrário.

Aqui chegado a pergunta que coloco é a seguinte: como foi então possível que João Pedro George tivesse confundido e subvertido a este ponto o que leu e o que eu escrevi? Estou em crer que não se tratou de uma confusão entre dois romances meus, pois os nomes das personagens batem certo e as citações também. Parece-me igualmente seguro que ao contrário de Margarida Rendeiro que, por razões políticas e ideológicas, leu e criticou dois dos meus romances com manifesta má-fé, neste caso não se trata de um mal-entendido maldoso ou propositado. Julgo, isso sim, que este grande engano resulta da conjugação de duas coisas diferentes e ambas negativas. Vejamo-las uma a uma:

Em primeiro lugar esta confusão de George parece resultar de uma investigação algo descuidada e apressada, o que não abona a qualidade do seu trabalho. Aliás, George confessou em tempos, numa entrevista ao jornal Sol, que pode não ler os livros “da primeira à última página”, mas ficar-se apenas por “nacos significativos”. Não é de excluir que nem isso tenha acontecido na leitura deste meu livro e que os tais “nacos significativos” tenham sido, nesse caso, apenas esparsas migalhas.

Notem, porém, em segundo lugar, que não se trata de um lapso causado por uma desatenção momentânea, mas sim de três enganos em diferentes passagens do livro, três alucinações em torno de três mulheres diferentes — Maria, Poleciana e Luísa —, mas todas no mesmo sentido, e isso pode também ter um significado mais profundo do que um simples descuido e uma leitura superficial. Julgo que João Pedro George leu O Estranho Caso de Sebastião Moncada e converteu aquelas três mulheres brancas em mulheres negras por causa das passagens eróticas e das cenas de sexo. Maria, a criada com a cara afogueada, mas que serpenteia como uma cobra para escapar às carícias do azeiteiro, passou, por causa desse seu serpentear, a ser, no entendimento de George, africana. Poleciana Alves da Cunha, poderosa senhora de Barcelos que faz amor com a boca entreaberta e a ponta da língua a percorrer eroticamente os lábios, passou igualmente, por demasiado excitante, a ser negra. E Luísa também porque, na intimidade com o tenente Mateus, a mulher do juiz Etelvino de Vasconcelos se mostra selvagem e devoradora.

Ou seja, não sou eu, como autor, que vejo os negros como “hiper-sexuais” ou “em estado de perpétua excitação”, “entregues à febre da luxúria (e) com um desejo insaciável de sexo”. Não existem nos meus romances diferenças assinaláveis entre mulheres brancas e negras no que toca à líbido ou à forma de viver e exprimir a sua sexualidade. As práticas e atitudes amorosas e libidinais das personagens negras heterossexuais dos meus romances — Tangi, em Os Dias da Febre (2010); Sara, em Do Outro Lado do Mar (2015); etc.em nada se distinguem das de Maria, Poleciana e Luísa em O Estranho Caso de Sebastião Moncada. Não sou eu, repito, que vejo os negros como “entregues à febre da luxúria”, é João Pedro George que, ao que parece, tem esse estereótipo na cabeça e que associa um certo tipo de libidinosidade, ou de formas mais soltas de vivência do corpo, a figuras negras. E é precisamente porque o faz que, de forma automática, enegreceu ou africanizou as minhas personagens femininas brancas. É irónico que o livro de João Pedro George, que tem no título a expressão “Ficções do Império Português”, inclua nas suas páginas uma tão grande ficção nos planos da análise e da crítica, mas o trabalho feito à pressa associado aos preconceitos e às fantasias erótico-literárias pregam destas partidas às pessoas.

De todo o modo essa é uma questão menor porque o que mais interessa neste caso não são os tropeções, erros e fantasias de João Pedro George, mas o facto de eles serem sintomáticos e ilustrativos da forma como não toda, claro, mas muita gente de esquerda está no espaço público e tende a envolver-se nas questões do foro cultural, intelectual, histórico e político. Nos meus já largos anos de debates na esfera pública deparei-me e confrontei-me muitas vezes com interlocutores e contraditores de esquerda que praticavam, impantes, esta metodologia da leitura parcial, do estudo de relance, das conclusões precipitadas e das acusações disparatadas. Vendo bem este estranho caso de João Pedro George, que inventa mulheres negras onde só existem brancas, e vê olhares colonialistas onde não há sombra de colónias, colonizadores e colonizados, não é assim tão estranho no contexto dessa esquerda. É até, arrisco-me a dizê-lo, a típica forma desse sector da opinião pegar nas coisas, projectando os seus fantasmas sobre os outros. E é por isso que debater com gente que treslê a este ponto é quase como jogar futebol num campo de minas. Exige técnicas e paciência de soldado sapador.

LITERATURA       CULTURA

COMENTÁRIOS:

Carlos Ferreira14 h: Arrasador. Se fosse ao J. P. George, pintava a cara de preto (sem segundas intenções) :-)                 graça Dias: Senhor Professor João Pedro Marques . Mas que artigo fascinante. Todo um relato admirável sobre a ignorância das esquerdas Woke. Resumindo, este personagem anticolonialista de nome João Pedro George, não passa de um activista de cultura marxista Woke, que apresentou um conjunto de folhas, que são uns rascunhos com a habitual  corrupção de linguagem e de factos históricos, que caracteriza a ignorância da seita Woke, rumo ao obscurantismo. Este é um artigo brilhante e escrito com elegância por quem tem grande autoridade na matéria. Só poderei agradecer e dar os parabéns ao Senhor Professor João Pedro Marques. Simplesmente delicioso e... também hilariante.                     Mário Gouveia: Não é ignorância, é má-fé. Inenarrável

Paulo Silva: Lolada! A desconstrução de mais uma burla woke… Grato, JPM. O efeito Sokal em versão light chega para dar cabo da aureola 'científica' dos seminaristas dos estudos pos-coloniais. Pobres coitados.               Paul C. Rosado: Muito bom texto. O ocorrido neste caso é só mais um exemplo da ignorância da esquerdalha intelectualóide.                 Rita Salgado: É o que dá “ler” livros pelas badanas… Gostava de ver a reacção dos alunos do Sr George quando este lhes recomendar leituras!                 Maria Nunes: O Sr. George devia pedir desculpa ao Sr. Professor JPM..                 ana rita: Juro que até sinto pena desse João Pedro George.                  Manuel Lourenço: Dia negro para João Pedro George.                      José Roque: Quem diz apreciar obras literárias através de "nacos significativos" está sobejamente apresentado...               Israel Sousa: Parabéns pela explicação da "ficção" apresentada pelo sr. dr. João Pedro George, que está ao nível de um "documentário" da Netflix! De facto a pesquisa que suportou a tese apresentada no livro do dr. George, é completamente absurda, fantasiosa e falsa. Ou foi o resultado de preguiça e fanatismo ideológico, ou de uma "alucinação" de alguma ferramenta de IA!                  Rui Lima: Noto que alguns autores portugueses parecem desfasados relativamente ao tema actual. O debate contemporâneo centra-se mais na colonização da Europa, um fenómeno que se desenvolve a uma velocidade impressionante. Quando olhamos para a história, vemos que Portugal, em 400 anos em Angola, não passou da costa . Actualmente, há obras que explicam bem o futuro que poderá aguardar a Europa. Entre elas, Ferghane Azihari pode ser considerado o “Voltaire do século XXI”. No seu livro L’islam contre la modernité, Azihari oferece uma perspectiva do que poderá acontecer à Europa nas próximas décadas.                   Paradigmas Há Muitos!:  Parece-me que a única saída digna para esse João Pedro George será fazer harakiri, não? Atenção, isto é só uma metáfora! No campo do anti-racismo woke, tenho verificado muito o que o JMM aqui revela sobre o João Pedro George. O afã de sinalizarem virtude é tanto que as suas acusações precipitadas aos outros acabam por ser a reflexão da sua própria imagem no espelho. Eles ao verem racismo onde ele não existe estão a projectar os seus próprios preconceitos e, infelizmente para eles, a denunciarem-se como fraudes intelectuais e morais.             António Sabbo: Brilhante.               Carlos Chaves: Como sempre típico da esquerda, não consegues vencê-los com a razão, arrasa-os com a mentira! Obrigado, caro João Pedro Marques, por esta sua incansável luta pela verdade (histórica).                  GateKeeper: Top 10.                antonyo antonyo: Custa a acreditar que tenha acontecido ,tal a enormidade da descrição . A esquerda e os wokes alteram tudo mas aqui atingem o limite . Aguardemos o pedido de desculpas do sr George .                  José Paulo Castro: Se só fosse tresler... pior é aquela contorção dos conceitos e da realidade para a adequar aos fins. Chamam-lhe interseccionalidade.                  Cisca Impllit: A ignorância é atrevida.  É bom repor as coisas como elas são , até é  uma obra de misericórdia.  Há  sempre oportunidades de superarmos um engano e emendar a mão .

joao lemos: e afinal quem é este sr George? vive de quê? quem lhe paga o ordenado?                        José Pedro Correia: Mais uma pérola de João Pedro George: da gloriosa era do ‘quase-plágio’ a Zenith à nova temporada de deturpações da obra de João Pedro Marques.                 Maria Augusta Martins: O ver tanta água faz mesmo muita sede e ela é tanta (a água) que a estou a abominar. Penso professor que estamos muitos de acordo com isto.  Vai um, ou dois, ou três copos de verde de Barcelos á saúde e ao bom tempo!                     José B Dias: Claramente uma das tais ficções que constam do título ... 😂 Quantas mais existirão?       Manuel Matos: Genial, devia ser a primeira página de todos os diários              L do Campo: Se este senhor George faz estas "citações/interpretações" de uma coisa que não existe como é que se poderá acreditar nas biografias que escreveu?                joao lemos: mais uma vez vem tentar meter alguma luz na ignorância e só por isso muito obrigado reconheço-lhe a enorme paciência para permanentemente desmontar a desonestidade intelectual desta "turba" de analfabetos. Fossem os MIDIA correctos e sérios e toda esta gente poderia ser desmistificada nas televisões. Infelizmente convidam três woke para debater temas woke                  Manuel Lisboa: Nem mais. Não tinha qualquer vontade de comprar o livro do tal Pedro George. Agora, fica bem fundamentada essa minha rejeição. Como sempre palavras sensatas e conclusões claras e muito acertadas de João Pedro Marques.            Beta Martins: Muito bem!