segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Um cálice de vinho do Porto

 

Excelente meio para as insónias.

Distinção da UNESCO trouxe projecção, turistas e investimento ao Douro

Em 25 anos de Património Mundial da UNESCO, o Douro aumentou a projecção internacional, conquistou investimento e turistas e o enoturismo provou ser um bom aliado para um sector em dificuldade.

Agência Lusa Textode facto,

20 set. 2026, 10:27

Um barco rabelo navega pelo Rio Douro, junto à Quinta das Fiandeira, em Everdosa do Douro, São João da Pesqueira, Vila Real, 18 de setembro de 2026. Das tradicionais lagaradas ao corte de uvas, caminhadas, miradouros, mas também apanha da azeitona, provas de vinho ou azeite e termas, o Douro diversifica cada vez mais as experiências para mostrar o Património Mundial aos turistas. (ACOMPANHA TEXTO DA LUSA DO DIA 20 DE SETEMBRO DE 2026). PEDRO SARMENTO COSTA/LUSA

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Isto não é uma legenda. É um epitáfio sobre o Ocidente.

Em 25 anos de Património Mundial da UNESCO, o Douro aumentou a projecção internacional, conquistou mais investimento e turistas e o enoturismo provou ser um “bom aliado” para o sector dos vinhos em dificuldade.

“A classificação claro que trouxe mais turistas para o território, muito mais investimento, mas também trouxe, a todos nós, muito mais responsabilidade”, afirmou à agência Lusa o presidente da Turismo da Porto e Norte de Portugal (TPNP).

Luís Pedro Martins classificou a distinção da UNESCO, atribuída a 14 de dezembro de 2001, como uma “marca excepcional”.

O Douro é também a região vinícola mais antiga e regulamentada do mundo (1756), onde se juntam o vinho do Porto e outros produtos que, há 25 anos, “não eram tão explorados” como o enoturismo, a gastronomia e o termalismo.

A oferta qualificou-se, diversificou-se para vários perfis de turistas, cresceram as empresas de animação turística e as experiências vão desde a tradicional pisa da uva nos lagares de granito, a vindima, piqueniques ou caminhadas nas vinhas, spas vínicos, mas também se pode amassar pão, varejar uma oliveira ou tosquiar uma ovelha.

Surgiram “muitas outras oportunidades agarradas a esta grande âncora que foi o reconhecimento pela UNESCO”, realçou. A classificação assenta também numa paisagem moldada pelo homem ao longo dos séculos, como as vinhas em socalcos e os muros de xisto.

“Nós não teríamos este sucesso sem as vinhas do Douro, que não existiriam sem os viticultores (…) Se algum elo falhar nesta corrente falhámos todos”, afirmou, apontando à crise que afecta os viticultores, que têm, cada vez mais, dificuldades em escoar a uva e menos rendimento para sustentarem a vinha.

Luís Pedro Martins disse que, no momento em que o sector dos vinhos atravessa uma fase difícil, o “enoturismo tem provado ser um bom aliado” daqueles que produzem e vendem vinho.

“As vendas decorrentes do enoturismo, nas empresas que têm enoturismo, produção de vinho e distribuição, já representam cerca de 30% das vendas totais e, em alguns casos, já atingiram os 50%”, concretizou, considerando que estes valores “ainda podem crescer”.

No Douro faltam, no entanto, infraestruturas para promover o turismo de negócios (congressos ou conferências) e uma das dificuldades da região é a mão-de-obra, quer na hotelaria, restauração ou na vinha.

Questionado sobre a taxa de solidariedade que se discute para o Douro, Luís Pedro Martins disse que concorda para ajudar os que constroem este destino”, mas considerou que as receitas provenientes da taxa aplicada aos turistas devem ser repartidas, para ajudar na sustentabilidade dos agricultores, mas também para continuar a fazer a promoção externa.

A promoção turística, pela Agência de Promoção Externa e pelo TPNP, tem sido feita de forma mais persistente nos mercados de longa distância desde 2019.

Em resultado, o mercado norte-americano é, actualmente, o primeiro no Douro e o segundo no Porto e Norte, região onde ainda lidera o mercado espanhol. Nos primeiros sete meses do ano, os turistas norte-americanos cresceram 9,3% no Norte.

No ranking dos sete países de onde provêm os turistas da região Norte encontram-se ainda o Brasil e o Canadá, com a Coreia do Sul a crescer.

“E isto permite-nos dizer que combatemos mais facilmente a sazonalidade, que aumentamos a estada média e conseguimos uma melhor distribuição de turistas”, afirmou Luís Pedro Martins.

Entre janeiro e julho, a região do Porto e Norte cresceu 4,5% em número de hóspedes, 5,5% em dormidas e 6% em receitas.

“Faltam aqui números que o Instituto Nacional de Estatística continua a não apresentar: as dormidas em equipamentos hoteleiros com menos de 10 camas e dormidas em barcos hotéis”, criticou, realçando que, no Douro, as dormidas a bordo têm um importante significado, mas não estão a ser contabilizadas. Eventualmente, salientou, poder-se-ia “acrescentar 30% em cima” dos números disponíveis.

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