Excelente meio para as insónias.
Distinção da UNESCO trouxe projecção, turistas e investimento
ao Douro
Em 25 anos de Património
Mundial da UNESCO, o Douro aumentou a projecção internacional, conquistou
investimento e turistas e o enoturismo provou ser um bom aliado para um sector
em dificuldade.
Agência Lusa Textode facto,
20 set. 2026, 10:27
Um barco rabelo navega
pelo Rio Douro, junto à Quinta das Fiandeira, em Everdosa do Douro, São João da
Pesqueira, Vila Real, 18 de setembro de 2026. Das tradicionais lagaradas ao
corte de uvas, caminhadas, miradouros, mas também apanha da azeitona, provas de
vinho ou azeite e termas, o Douro diversifica cada vez mais as experiências
para mostrar o Património Mundial aos turistas. (ACOMPANHA TEXTO DA
LUSA DO DIA 20 DE SETEMBRO DE 2026). PEDRO SARMENTO COSTA/LUSA
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É um epitáfio sobre o Ocidente.
Em 25 anos de Património Mundial da UNESCO, o Douro
aumentou a projecção internacional, conquistou mais investimento e turistas e o
enoturismo provou ser um “bom aliado” para o sector dos vinhos em
dificuldade.
“A classificação claro que trouxe mais turistas para o
território, muito mais investimento, mas também trouxe, a todos nós, muito mais
responsabilidade”, afirmou à agência Lusa o presidente da Turismo
da Porto e Norte de Portugal (TPNP).
Luís Pedro Martins
classificou a distinção da UNESCO, atribuída a 14 de dezembro de 2001, como uma
“marca excepcional”.
O Douro é também a
região vinícola mais antiga e regulamentada do mundo (1756), onde se juntam o
vinho do Porto e outros produtos que, há 25 anos, “não eram tão explorados”
como o enoturismo,
a gastronomia e o termalismo.
A oferta qualificou-se,
diversificou-se para vários perfis de turistas, cresceram as empresas de
animação turística e as experiências vão desde a tradicional pisa da uva nos
lagares de granito, a vindima, piqueniques ou caminhadas nas vinhas, spas
vínicos, mas também se pode amassar pão, varejar uma oliveira ou tosquiar uma
ovelha.
Surgiram “muitas outras
oportunidades agarradas a esta grande âncora que foi o reconhecimento pela
UNESCO”, realçou. A classificação assenta também numa paisagem
moldada pelo homem ao longo dos séculos, como as vinhas em socalcos e os muros
de xisto.
“Nós não teríamos este
sucesso sem as vinhas do Douro, que não existiriam sem os viticultores (…) Se
algum elo falhar nesta corrente falhámos todos”, afirmou, apontando à crise que afecta os
viticultores, que têm, cada vez mais, dificuldades em escoar a uva e menos
rendimento para sustentarem a vinha.
Luís Pedro Martins disse
que, no momento em que o sector dos vinhos atravessa uma fase difícil, o “enoturismo tem provado ser um bom
aliado” daqueles que produzem e vendem vinho.
“As vendas decorrentes do enoturismo, nas empresas que
têm enoturismo, produção de vinho e distribuição, já representam cerca de 30%
das vendas totais e, em alguns casos, já atingiram os 50%”, concretizou, considerando que
estes valores “ainda podem crescer”.
No Douro faltam, no entanto, infraestruturas para
promover o turismo de negócios (congressos ou conferências) e uma das
dificuldades da região é a mão-de-obra, quer na hotelaria, restauração ou na
vinha.
Questionado sobre a taxa
de solidariedade que se discute para o Douro, Luís Pedro Martins disse
que concorda para ajudar os “que constroem este destino”, mas considerou
que as receitas provenientes da taxa aplicada aos turistas devem ser
repartidas, para ajudar na sustentabilidade dos agricultores, mas também para
continuar a fazer a promoção externa.
A promoção turística, pela Agência de Promoção Externa
e pelo TPNP, tem sido feita de forma mais persistente nos mercados de longa
distância desde 2019.
Em resultado, o mercado norte-americano é, actualmente,
o primeiro no Douro e o segundo no Porto e Norte, região onde ainda lidera o
mercado espanhol. Nos primeiros sete meses do ano, os turistas norte-americanos
cresceram 9,3% no Norte.
No ranking dos sete
países de onde provêm os turistas da região Norte encontram-se ainda o Brasil e o Canadá, com a Coreia do Sul a crescer.
“E isto permite-nos dizer que combatemos mais
facilmente a sazonalidade, que aumentamos a estada média e conseguimos uma
melhor distribuição de turistas”, afirmou Luís Pedro Martins.
Entre janeiro e julho, a região do Porto e Norte
cresceu 4,5% em número de hóspedes, 5,5% em dormidas e 6% em receitas.
“Faltam aqui números que o Instituto Nacional de
Estatística continua a não apresentar: as dormidas em equipamentos hoteleiros
com menos de 10 camas e dormidas em barcos hotéis”, criticou, realçando que, no
Douro, as dormidas a bordo têm um importante significado, mas não estão a ser
contabilizadas. Eventualmente, salientou, poder-se-ia “acrescentar 30% em cima”
dos números disponíveis.
Douro País Sociedade
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