quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Ele é um bom companheiro



Assim vale a pena ter camaradas de carreira, mesmo que seja curta.  Vasco Pulido Valente só lá esteve três meses, mas decidiu que era o suficiente para encontrar temas para a sua vocação de analista mefistofélico das actividades e das capacidades humanas, e cá fora pode divertir-se a zurzir na forma como se ganham os dinheiritos da subsistência por desempenhos nulos. Deus premeia os bons , como é o seu caso de defesa brilhante do subsídio de maçadoria do cargo de deputado, em que só um ou dois ou três de cada grupo se espreme a exprimir-se e a defender a sua causa, o resto está, por vezes de espírito ausente, mas batendo impecavelmente as palmas da sua cor preferida.  Mas são águas passadas. As presentes são mais caudalosas, o que não admira, com tão nobres exemplos desde os começos…


Subvenção vitalícia
Vasco Pulido Valente

De manhã nunca havia nada que fazer - nem de resto à tarde ou à noite. Os senhores deputados estavam nas comissões, onde também não se discutia ou decidia coisa nenhuma. Mas normalmente o dia começava com o almoço, num restaurante qualquer, de preferência perto, porque nessa altura os da Assembleia da República (um para gente pobre, outro para gente rica) eram os dois tão maus, que só a esquerda e os pais de família os suportavam.
Quando se voltava, era costume, para quem sabia ler, passar por um quiosque ao lado da porta do chamado hemiciclo e comprar um grosso molho de jornais para passar o tempo. Lá dentro, havia sempre uma fila de advogados nervosos que queriam assinar depressa o “livro de presenças”, que garantia à Pátria a sua assiduidade, para depois se escapulirem para o seu autêntico trabalho.
Durante a sessão falavam algumas criaturas, por ordem da direcção do grupo parlamentar. Ninguém percebia do que se tratava, porque ninguém estava informado nem da política do partido, nem dos propósitos dos notáveis que nos pastoreavam. As tropas, quando acabavam os jornais, iam passear para o corredor ou visitar amigos das bancadas da oposição, o que envolvia invariavelmente grandes festejos. Entretanto, chegavam as cinco horas e no nosso lugar já se tinham acumulado alguns papéis sem justificação do seu fim ou indicação da sua origem. Um funcionário do partido vinha dizer aos representantes do povo como deviam votar ou não votar. A páginas tantas, veio mesmo um com um novo processo. Trazia uns papelinhos de cor que agrafava aos documentos que deviam fazer a felicidade da Pátria: encarnado significava não, verde sim e amarelo esperar. Assim se poupavam explicações ao rebanho.
Na secretaria, os senhores deputados cumpriam zelosamente as formalidade de um funcionário público, que no fundo eram. Só na justificação das faltas se lhes reconhecia um privilégio: podiam indicar sem pormenores que a sua ausência, longa que fosse, se devia a “trabalho político”. Muitos defensores da Pátria usavam alegremente esta desculpa. Excepto às sextas-feiras (ou às quintas, não me lembro bem), quando se despachava a votação da semana a toque de caixa, para libertar os deputados da província que suspiravam de amor pela sua família. Um esforço destes, devemos reconhecer, merece a gratidão do país. Admito que não aguentei aquele deprimente sítio, mais de três meses. Mas quem ficou merece com certeza uma enorme medalha e uma subvenção vitalícia.


Factos da 2ª Guerra Mundial
Paula Almeida
Hoje, 27 de novembro

1939                     
¾     O Comité do Prémio Nobel do Parlamento norueguês anuncia que não será concedido o Prêmio Nobel da Paz para 1939.
¾     O governo da Finlândia nega acusações de disparos sobre território soviético, alegando que o fogo de artilharia veio do lado soviético. É sugerido que as tropas de ambos os países se retirem..
¾      O governo sueco protesta contra a colocação de minas, por forças alemãs, em águas territoriais suecas.
¾      Na Alemanha, os arianos têm 12 meses para se divorciar dos cônjuges judeus.
¾      O governo britânico ordena a apreensão das exportações alemãs em alto-mar como represália contra a campanha de minas magnéticas.
¾     Na China, as forças japonesas concluem a tomada de Nanning, um importante entroncamento ferroviário, a sudoeste. 
1940
¾     No Mediterrâneo desenrola-se uma batalha naval ao largo da Sardenha.
¾     Na Roménia inicia-se uma série de tumultos e outros distúrbios civis que vão continuar até quatro de dezembro. A Guarda de Ferro prende e executa várias pessoas de renome, incluindo o ex-primeiro-ministro Jorga. Posteriormente, o exército reprime os desacatos com a ajuda alemã. 
1941
¾     O 13º Corpo do exército britânico chega a Tobruk, na Libia.
¾     Os EUA emitem um aviso de guerra aos seus comandantes além-mar.
¾     Na África Oriental, os Aliados atacam a posição italiana em Gondar, na Etiópia. O general italiano Nasi decide pedir os termos de rendição. 
1942
¾     Tito nomeia o Conselho de Libertação Antifascista na Jugoslávia.
¾     Na França de Vichy, o 2º Panzer Corps alemão ocupa Toulon, mas a frota francesa é afundada por ordem do almirante Labrode, antes que aquela possa cair nas mãos dos alemães. Três navios de guerra, sete cruzadores e 62 outras embarcações, incluindo 16 submarinos, foram afundados.
¾     Na Tunísia, as forças aliadas capturam Tebourba, a 15 km a oeste de Túnis. 
1944
¾     Na Alemanha ocorrem raids cujo alvo são estações ferroviárias de triagem no oeste da Alemanha. A cidade de Freiburg é severamente atingida num ataque noturno.
¾     A cidade de Tóquio é novamente atingida por bombardeiros B-29. Na Tailândia os campos inimigos são igualmente atacados. Numerosos navios japoneses, como um pesado cruzador, aviões e outras embarcações são destruídos. 

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