sábado, 2 de novembro de 2019

Coragem é que se pretende



Vê-se que é jovem – Bernardo Sacadura - e que segue princípios que muitos de nós, velhos, também seguimos – o de atribuir à família o dever de formar, à escola o de instruir. Gostámos a valer do seu texto, que corajosamente se opõe à invasão da escola pública no foro ideológico dos alunos, que deve apenas respeitar sem intervir, desde que isso não afecte comportamentos menos disciplinados dos alunos, tantas vezes causadores de violências, cada vez mais do tipo bullying, talvez porque a família se destituiu, é certo, cada vez mais do seu papel de educadora, papel que naturalmente a Escola também é chamada a exercer, para suprir irregularidades, com os seus meios próprios, mas estes são cada vez menos eficientes, pela destituição, pelo próprio Estado, desse papel disciplinador da Escola. Mas não é esta a questão, de momento, apesar da sua interligação, que se traduz em comportamentos de choque. Respeitar o outro, qualquer que seja o seu estatuto sexual, é o que se pretenderia numa sociedade ideal, mas sabemos que isso não acontece. Que há sempre motivos de grosserias, que se lêem também em comentários escritos, hoje, sobretudo, daqueles que se pretendem progressistas, para poderem, muitas vezes, extravasar recalcamentos e ódios. Sabemos isso.
Não vimos o tal programa que refere Bernardo Sacadura, mas calculo a violência argumentadora dos defensores das “irregularidades” sexuais - que hoje se chamam de “ideologia de género” - e, tal como Bernardo Sacadura, apoiamos Maria Helena Costa e o Tiago Aragão que, segundo aquele, «tiveram a coragem de enfrentar os defensores da ideologia de género e do papel do Estado num ambiente totalmente adverso. Estamos no meio de uma guerra cultural feroz. Bem hajam pelas lutas que travam em nome dos nossos filhos».

Os meus filhos educo eu
A escola pública não pode ser ideológica. O foco da escola pública deve ser a instrução dos alunos. O foco das famílias a educação dos filhos. Alunos e filhos são conceitos completamente diferentes.
BERNARDO SACADURA          OBSERVADOR, 01 nov 2019
No dia 29/10 passou na TVI um debate sobre a educação da ideologia de género nas escolas públicas. Este debate deixou-me revoltado e preocupado. A facilidade como se discute a intenção do Estado se tornar educador, se tornar “pai”, é revoltante.
Sou pai de 4 filhos, 3 raparigas e 1 rapaz. Aos meus filhos ensino que quem nasceu rapariga é rapariga e quem nasceu rapaz é rapaz. Que ser rapariga é diferente de ser rapaz e que isto se materializa não apenas nos órgãos sexuais, mas também no tipo de comportamentos que são próprios de cada um (nesta fase é a brincar que expressam a sua personalidade, a título de exemplo não deixaria o meu filho usar vestidos de “princesa”). Que o facto de serem raparigas ou rapazes é uma realidade da sua substância que não é alterada por outras realidades acidentais, tais como os seus sentimentos ou pensamentos.
A educação dos meus filhos não se limita a isto. A educação dos filhos não é um processo programático composto por módulos, mas sim um processo integral. Ensinar que são raparigas ou rapazes independentemente da sua vontade não é o mesmo que ensinar que podem tratar mal todas as pessoas que pensam de maneira diferente. A base da educação dos meus filhos é a matriz cristã que pressupõe o amor como ponto de partida e de chegada para tudo. Ou seja, tudo o que fizerem na sua vida tem de ser por amor e com amor. Por isso, se algum dos meus filhos tratar mal outro que pensa de forma diferente será recriminado, pois aí não está o amor.
Dito isto, a nenhum dos meus filhos será ensinado que respeitar a visão do outro significa ter de a aceitar como uma realidade alternativa. O outro que acredita que existem géneros, que acredita que a relação homossexual é moralmente igual à relação heterossexual, que acredita que ter relações sexuais antes do matrimónio é bom, deve ser respeitado e amado como pessoa, mas as suas ideias combatidas. E isto sempre fez parte das sociedades livres.
O problema é quando o Estado, neste caso materializado na escola pública, quer tomar o papel de educador dos meus filhos nestas matérias.
Esta pretensão é um ataque ao meu direito Constitucional de educar os meus filhos. Este direito é pré-existente à Constituição e esta apenas pretende garantir que não é desrespeitado. Por isso qualquer movimento neste sentido é um ataque à Constituição. Para além disso, o Estado que tem como função legislar para um conjunto de indivíduos no abstracto, não pode chamar a si a função de educar no particular. Ou seja, na maior parte dos casos, quem conhece o que é mais conveniente para a formação dos seus filhos são os pais. Eu sei como eles são diferentes, como as suas maturidades são diferentes e como as suas sensibilidades são diferentes. O Estado conhece os meus filhos no abstracto. Não sabe que um deles é tímido e obediente, e que o outro é desafiador e orgulhoso e que por isso precisam de ser tratados de forma distinta. Para o Estado são apenas crianças de uma determinada idade e, por princípio, iguais às restantes.
Assim, a escola pública não pode ser ideológica. O foco da escola pública deve ser a instrução dos alunos. O foco das famílias deve ser a educação dos filhos. Alunos e filhos são conceitos completamente diferentes. O Estado é fundamental para garantir a instrução a todos os alunos, as famílias são fundamentais para garantir a educação dos seus filhos. O amor, a educação para a sexualidade, a visão antropológica da pessoa são valores que devem ser ensinados pela família.
Para demonstrar que estas preocupações não se tratam de excesso de zelo, veja-se a disciplina obrigatória Cidadania e Desenvolvimento que tem na sua componente de Educação para a Sexualidade como referencial um documento redigido pela associação rede ex aequo (denominam-se de jovens LGBTI) que contém extraordinárias sugestões para os professores deste tipo: “Mostre à turma filmes com personagens gays, lésbicas, ou bissexuais seguros de si ou convide pessoas que sejam lésbicas/ gays/ bissexuais assumidos para falarem à turma”; “Prepare uma lista de perguntas do tipo “Quem…” (por exemplo, (…) Quem é que entraria num café para lésbicas? Quem é que iria a uma discoteca gay?”; “Mães e pais não têm influência na orientação sexual dos seus filhos ou filhas (…)”; “Tente integrar nas suas aulas (Matemática, História, Geografia, Literatura, Ciências Sociais, Saúde…) exemplos de vivências homossexuais”; “Conte a seguinte história aos seus alunos: “A Cristina é católica e muito praticante. Simultaneamente, sente-se atraída por mulheres (…) Decidiu então escrever anonimamente para a coluna de Perguntas & Respostas de uma revista: Os meus pais e a Igreja a que pertenço condenam as relações lésbicas. Mas li que, em algumas igrejas protestantes, as lésbicas podem casar. Que devo fazer?”; “O sexo e género são conceitos distintos, distinguindo-se ambos de orientação sexual” etc etc. Infelizmente a lista de exemplos não tem fim. Isto é pura ideologia de género, é propaganda LGBT. Esta associação tem um relatório onde indica ter realizado 315 sessões nas escolas entre Janeiro 2016 e Dezembro de 2018 no âmbito do projeto Educação LGBTI. Estão a usar as nossas escolas e os nossos filhos para disseminar a sua visão do mundo, a sua ideologia e nós não podemos aceitar.
Aproveito para agradecer à Maria Helena Costa e ao Tiago Aragão que tiveram a coragem de enfrentar os defensores da ideologia de género e do papel do Estado num ambiente totalmente adverso. Estamos no meio de uma guerra cultural feroz. Bem hajam pelas lutas que travam em nome dos nossos filhos.

COMENTÁRIOS:
Maria Emília Santos Santos: Temos um Governo traiçoeiro, que opera às escondidas, porque sabe que aquilo que faz é muito mau, é destruidor de Portugal, das crianças, das novas gerações! Um Governo que já nos tinha atraiçoado antes, exactamente neste mesmo aspecto, e que os portugueses já lhe disseram que não querem esse veneno satânico nas escolas para os seus filhos, mas ele, este Governo, esteve-se nas tintas para os desejos dos portugueses, preferindo ser fiel às fraudulentas ideologias de género, LGBTs que visam criar gerações amorais, de seres infelizes, sem valores, sem futuro, destinados à escravatura, incapazes de uma relação autêntica! Os corruptos destruidores de democracias, os bilionários globalistas investem forte, só que quem tem governos sensatos, que querem o bem do povo que governam, safa-se. Quem não tem, como os portugueses, Terá que se revoltar com quem alguns "cegos" elegeram. A ideologia de género  conduz à  barbárie!
Ana Ferreira: Infelizmente quando os filhos deste senhor puderem aperceber-se do pai que têm já sofreram bastante, será esse o preciso momento em que ele começará a receber deles aquilo que merece!
Inês L: Espero que este senhor saiba que os seus filhos (se bem educados) vão ter opiniões próprias que não serão necessariamente um reflexo das suas. Não crie alguma aberta de mentalidade que vai ver onde é que essa relação pai-filhos vai parar...
Carlos Ferreira: O homem é um misto de biologia, pensamento e circunstâncias, ainda que mudem o pensamento e as circunstâncias, a parte da biologia não pode mudar; poderá artificialmente, mas nunca na essência, é isto que deve ser ensinado a todos. O resto não é ciência, é ideologia sociológica e politica, é engenharia social, radical e intolerante, de pensamento único e que deve ser contestada. A cegueira, a surdez, a bipolaridade, são diferenças que devo respeitar e incluir, amando as pessoas portadoras, mas não podem obrigar-me a considerar que ser cego, surdo ou bipolar é normal e positivo. Aos radicais não interessa a biologia, apenas o que decretam como certo e apelidam de ciência. Os trans não ficam curados depois dos procedimentos invasivos a que se sujeitam; continuarão a ser trans pela vida fora, com o que isso tem de bom e de mau, se por qualquer razão deixarem de se medicar a sua biologia impor-se-á e, quando engravidam, é porque são biologicamente mulheres e querem ser mães e não pais, interessam-lhes as denominações tradicionais que lhes dão jeito, rejeitam e impõem aos outros as que inventam para se normalizarem. Isto é tudo muito feio e intolerante.
Lopes Luis: O combate já está perdido… As minorias lgbts e cia estão próximas do poder e conseguem impor a sua religião sem que o poder tenha alguma consideração pela maioria! A primeira lei do costa quando apanhou o poder?…O casamento dos que…pegam de marcha atrás.
Mosava Ickx: A escola não deve deve servir para educar, mas para ensinar. Hoje, nem isso sabe fazer!
José Paulo C Castro Congratulo-me pelo facto de ter 4 filhos. São eles que vão pagar a sua reforma no futuro e ainda as dos lbgt que estão a protestar. Naturalmente, só por isso, devia ter direito a impor ao estado o seu direito a educar os seus filhos. Quanto ao custo dos lbgt na sociedade portuguesa e no estado social, é a questão interessante... Será que pagam ou contribuem o suficiente para o que exigem ? Uma coisa é respeito e protecção, outra é custos acrescidos. Quem paga as aulas da ideologia errada ?
Maria Nunes: Excelente.
Paulo Monteiro: A ideologia do género a procurar fazer o seu caminho totalitário, como é próprio de qualquer extremismo, fazendo uso das crianças.
Carminda Damiao: 100% de acordo. O que querem fazer às crianças é criminoso. Deixem as crianças em paz.
Isabel Brito: Completamente de acordo com o artigo! Parabéns!
Manuel Magalhães: A escola pública ou outra não deve nem pode ser ideológica, isso é falsear, abusar e formatar as crianças que ainda não têm a capacidade de fazer os seus próprios juízos, se não fosse assim não deveria haver a distinção entre adultos e crianças!
João Fernandes: Concordo consigo, mas os pais de hoje demitiram-se da sua função de educadores por falta de tempo ou por laxismo. A escola tem vindo a tentar substituir essa função, muitas vezes erradamente como refere, mas outras vezes com sucesso relativamente a vários aspectos do crescimento. O problema também reside no facto de que os pais, na sua grande maioria, só vão à escola quando algo corre mal, falta de tempo ou laxismo. É preciso mais diálogo com os professores. Quanto á disciplina de cidadania, na minha modesta opinião, deveria dedicar mais tempo a ensinar regras de civismo.
Glorioso SLB: Demasiado Opus Dei. Mas concordo plenamente. Cm já comentei aqui, se ñ tiver dinheiro pra colocar os meus filhos em escolas privadas q ñ tenham essas ideologias, ñ sei o q fazer.
Antonio Fonseca: "Este debate deixou-me revoltado e preocupado." Recorra ao ensino doméstico. Foi o que milhares de pais "revoltados e preocupados" fizeram nos USA.
Carmo Matos: Parabéns pelo artigo! Até há pouco tempo, ser gay ou lésbica era um estigma, agora, querem impor à maioria uma visão LGBT da sociedade.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Quem sabe, sabe



É o caso de Teresa de Sousa, para o referir. É o caso do provérbio do vilão com a sua vara, para o aplicar.
OPINIÃO: O que António Costa pode aprender com LeBron James
Se o Governo acredita que pode manter o seu “pragmatismo” em relação à China estará a cometer um enorme erro.
TERESA DE SOUSA  -  PÚBLICO, 27 de Outubro de 2019
1.No início de Outubro, Daryl Morey, “manager” dos Houston Rockets, talvez inspirado pelas imagens que via na televisão do seu quarto de hotel em Tóquio, decidiu enviar um tweet saudando as manifestações pró-democracia de Hong-Kong: “Fight for freedom, stand with Hong-Kong”. Não foi preciso esperar muito para assistir a uma violenta reacção oficial de Pequim contra uma inadmissível ingerência nos assuntos internos da China, seguida em cadeia pela indignação dos patrocinadores das transmissões dos jogos da NBA na República Popular e o anúncio da sua suspensão pela principal televisão estatal (que nunca se concretizou, por conta das centenas de milhões de seguidores chineses dos jogos americanos na internet). Morey apagou imediatamente o tweet. Os responsáveis máximos da NBA apressaram-se a pedir desculpa pelo incidente que, na versão em inglês, classificam de “lamentável” e na versão em chinês de “extremamente decepcionante”.
A história não fica por aqui. O mítico LeBron James, dos LA Lakers, que se encontrava na China para um jogo com outra equipa norte-americana, teceu algumas considerações sobre um incidente que considerou perfeitamente dispensável, argumentando que não convém misturar política com desporto.Nós não somos políticos. Não precisamos de ter opinião sobre tudo.” Estamos a falar de um negócio a rondar os 4 mil milhões de dólares para a NBA, entre direitos de transmissão e merchandising, ou seja, da cada vez mais incontornável atracção do gigantesco mercado chinês, seja qual for a actividade humana. E do poder que isso confere a Pequim, na sua estratégia de afirmação internacional, incluindo o confronto aberto com os valores ocidentais. LeBron é um crítico da actual administração americana, o que certamente não faz dele excepção, denunciando as enormes injustiças que continuam a impender sobre os afro-americanos no seu país.
2. Como Gideon Rachman escreveu no Financial Times, já não se trata da total violação da liberdade de expressão dentro do território chinês. Trata-se da utilização da força económica da China para coarctar a liberdade de expressão nos EUA e em qualquer outra parte do mundo, incluindo as democracias ocidentais, através da simples chantagem económica.A China considera-se com o direito de interferir quando os estrangeiros emitem opiniões que desagradam a Pequim”. Os temas-tabu são cada vez mais numerosos: Tibete, Taiwan, Xinjiang, direitos humanos ou até as ilhas do Mar da China do Sul. Mesmo quando essas palavras são pronunciadas a milhares de quilómetros de distância das suas fronteiras. Rachman referia ainda outro caso que ocorreu na mesma altura e que levou a Apple retirar o acesso a uma aplicação utilizada pelos manifestantes de Hong-Kong para saberem exactamente onde decorriam as concentrações, quais as ruas bloqueadas pela polícia e outras informações uteis para os protestos que já levam quase cinco meses sem que as autoridades de Pequim consigam asfixiá-los. A China é o seu terceiro mercado. A NBA é um negócio de biliões nos Estados Unidos e LeBron James deve ser mais rico que Cristiano Ronaldo. Os Estados Unidos são o país mais poderoso do mundo. Mas o “manager” dos Houston Rockets não tem a liberdade de apoiar Hong-Kong num simples tweet escrito em Tóquio sem causar ondas de choque que atingem a liberdade de expressão nos EUA, e o maior gigante tecnológico recua perante Pequim.
3. Em Portugal, que se orgulha de manter com a China uma relação de cinco séculos, António Costa acaba de tomar posse como primeiro-ministro do XXII Governo da democracia. Durante a campanha eleitoral, as questões de política externa, incluindo a política europeia, estiveram totalmente ausentes do debate. Se se falou do mundo e da Europa foi apenas para anunciar maus presságios, não sobre a crescente turbulência política internacional ou as indefinições europeias, mas sobre as nuvens negras que se acumulam sobre a economia mundial e que acabarão por afectar o nosso crescimento económico. À falta de melhor, era esse o único argumento da oposição à direita contra o primeiro governo de Costa. Ora, num mundo em que um tweet do “manager” dos Houston Rockets desencadeia uma tempestade política em Pequim, já não é mais possível ignorar o que se passa fora de portas – do “Brexit” à ascensão da China, à retracção internacional dos EUA, às tentativas de Moscovo para desestabilizar as democracias europeias, para não falar do próprio destino da Europa da qual fazemos parte integrante. Enumerar prioridades é fácil. Dar-lhes consistência é outra coisa, completamente diferente.
A estafada frase com que o Governo anterior respondia a algumas críticas sobre as relações com a China – “os EUA são nossos aliados, a China é nosso parceiro” –, limita-se a constatar o óbvio. A China de hoje já não é a China de há 10 ou 20 anos. Tem uma estratégia de expansão internacional, da qual a economia é apenas um dos instrumentos, mesmo que por hora o mais eficaz. Em algumas regiões do mundo, não tem a menor preocupação de disfarçar o que espera dos seus investimentos e empréstimos: influenciar as decisões dos governos, mesmo que lhe seja indiferente qual o regime que vigora, democracia ou ditadura (“regime changing” não faz parte da sua estratégia actual, em consonância com a firme defesa do princípio da não-ingerência segundo o qual ninguém tem nada a ver com o que se passa dentro das fronteiras dos Estados soberanos).
A Europa é um dos seus alvos preferenciais – não apenas porque é rica, tecnologicamente avançada e politicamente fraca, mas porque dividi-la faz parte do enfraquecimento do seu verdadeiro adversário à escala global – os EUA –, que ainda não está em condições de desafiar directamente. A Grande Recessão e a crise do euro foram uma oportunidade da qual tirou o máximo partido, investindo nos elos mais fracos da cadeia europeia, como Portugal ou a Grécia. As prioridades dos seus investimentos são as infra-estruturas de transportes, com particular relevância para os portos, as redes de energia e, cada vez mais, a alta tecnologia. As suas empresas, muitas delas estatais, não têm uma preocupação de rendibilidade económica (como as americanas, por exemplo) mas um objectivo estratégico – pagam o que for preciso. Mas não tenhamos qualquer dúvida: acabarão por cobrar o preço político por esse investimento.
Se o Governo acredita que pode manter o seu “pragmatismo” em relação à China estará a cometer um enorme erro. O memorando que assinou com a China quando da visita de Xi Jinping a Portugal passou o crivo da “vigilância” do aliado americano: o seu conteúdo, tal como na altura garantiu o Governo português, não significa um compromisso semelhante ao que a China estabeleceu com cerca de 80 países, incluindo os europeus de Leste ou a Grécia, no âmbito da Nova Rota da Seda (Belt and Road Initiative). Falta dar conteúdo às relações que quer estabelecer com os novos “grandes pólos de poder” mundiais (China ou Rússia), através da definição de uma estratégia de longo prazo que não se reduza ao deve e haver da economia. Enfrenta dois testes tão difíceis como fundamentais: um chama-se Sines, o outro Huawei. Espera-se que António Costa revele a mesma capacidade com que dinamizou a frente europeia, com uma visão de longo prazo e um caminho para tentar lá chegar, recuperando a credibilidade de Portugal em Bruxelas e ganhando uma crescente influência política.
O primeiro-ministro sabe que o país não pode colocar todos os ovos no cesto europeu por múltiplas razões históricas, geográficas e politicas, entre as quais a indefinição que hoje paira sobre o futuro da União Europeia. Mas isso não significa confundir parceiros com aliados ou esquecer que Portugal é europeu, também (ou fundamentalmente) porque integra a grande comunidade das democracias ocidentais.
COMENTÁRIOS
Qualquer coisa, 27.10.2019: Excelente artigo. Muito sagaz.
martinhopm, 27.10.2019: LeBron é um crítico da actual administração americana, o que certamente não faz dele excepção, denunciando as enormes injustiças que continuam a impender sobre os afro-americanos no seu país. Só sobre os afro-americanos?!  “regime changing” não faz parte da sua estratégia actual, em consonância com a firme defesa do princípio da não-ingerência segundo o qual ninguém tem nada a ver com o que se passa dentro das fronteiras dos Estados soberanos).
FERNANDO RODRIGUES, 27.10.2019: O que pode aprender, como TdS muito bem explicou com este texto, é que no dia que tivermos que criticar a China por alguma coisa vamos ser "convidados" a não criticar, sob pena de perdermos na vertente dos negócios que não terão nada a ver com o que estiver a ser criticado.
Julio, 27.10.2019: O que se pode aprender muito bem com a TdS é sobre o que ela não diz e a lista é muito, muito grande. Afinal quem tem os lideres europeus sob escuta é o "aliado"... naturalmente em defesa da democracia e liberdades...
FERNANDO RODRIGUES, 27.10.2019: O aliado de Portugal é a UE. Tudo o resto é competição disfarçada de parceiros.
danielcouto1100, 27.10.2019: Cada vez mais é assertivo o livro " O último Europeu"de Miguel Real onde se ficciona o controlo das fontes energéticas da Europa pelo Bloco Asiático, aprisionando e destruindo a civilização europeia envolva no seu pacífico modo de vida.
nunos, 27.10.2019: Liberdade de expressão, têm-na toda. e não há nenhuns temas tabus; o que há, é a reacção compreensível da China, com as respectivas consequências. É difícil para quem quer fazer negócios da china e ao mesmo tempo ser desbocado.
FERNANDO RODRIGUES, 27.10.2019: Então não há liberdade de expressão, se por eu opinar sobre algo for penalizado. Não é isto limitar a liberdade de expressão? Quando se controla a comunicação social e se usam empresas estatais para prejudicar quem tem opiniões contrárias, isso não é censura.
nunos, 27.10.2019: Querem vender-se, depois não venham queixar-se de falta de liberdade de expressão; não se façam de ingénuos, fingindo que não sabiam as regras do jogo.
FERNANDO RODRIGUES, 27.10.2019: Então não há liberdade de expressão. Há negócios que se fazem se não falares contra mim, apenas. E neste caso estamos a falar de estrangeiros, imagine-se o que acontece a chineses...
JDF, 27.10.2019: Tão chateados que andamos nos com a china, e com a liberdade de expressão, quando temos em portugal um ps que já teve o lema "quem se mete com o ps leva"...ai meu deus...

«Quê? Quê? Quê? Assi “nos” vai?!»


Era o pobre do Fidalgo que se rebelava contra a tirania do Diabo que o queria conduzir para o “Inferno” sem mais aquelas, sem ter em conta os seus pergaminhos sociais. Quê? Quê? Quê? Assi lhe vai?!», era como refilava o pobre do Fidalgo, segundo a pena de Gil Vicente, que assim troçava da nobreza arrogante daqueles seus tempos críticos.
Hoje as personagens são outras, somos todos nós que também nos rebelamos inutilmente, conduzidos por gente já sem pergaminhos mas com idêntica arrogância decisora dos nossos destinos. «Quê? Quê? Quê? Assi “nos” vai?!» Só pode ser este o grito de protesto inútil, que alguns comentadores do texto de Alexandre Homem Cristo sobre “Os chumbos nas escolas” acrescentam, com argumentos inteligentes, tão inúteis como os de AHC, embora haja os “malandretes” (rimando com “batanetes”) apoiantes do carácter folgazão do ensino, justificativo do seu próprio (carácter, digo, que se lhes vê nas falas).
Em suma, é necessário que os níveis de exigência didáctica baixem para que os níveis de aproveitamento escolar subam, e assim subamos todos às alturas das estatísticas escolares. Ou desçamos definitivamente às profundezas, mesmo sem Barca.

Os chumbos nas escolas não se resolvem por decreto /premium
Há uma ideia que tem de ser absolutamente assumida pelo debate político: a verdadeira escola democrática não é aquela que baixa a bitola, mas aquela que puxa para cima quem está por baixo.
OBSERVADOR, 31 OCT 2019
Informa o Programa de Governo, na secção referente à Educação, que se irá “criar um plano de não retenção no ensino básico, trabalhando de forma intensiva e diferenciada com os alunos que revelem mais dificuldades” (página 142). Este compromisso político preocupantemente ambíguo justificou uma manchete no jornal i – “fim dos chumbos até ao 9.º ano” (2019.10.28) – e uma reportagem do Correio da Manhã (2019.10.29) titulada “pais aprovam fim dos chumbos até ao 9.º ano”. E está presente na discussão parlamentar que marca o arranque desta nova legislatura. Ora, o tema é de importância extrema, tem implicações profundas no sistema educativo e merece um debate bem melhor e mais esclarecedor do que este actualmente em curso. Por isso, vamos por partes – em 6 pontos e uma conclusão.
Existem inúmeros estudos (nacionais e internacionais) que comprovam que a retenção é, na esmagadora maioria dos casos, uma medida ineficaz para a promoção do sucesso escolar dos alunos – isso foi tema, de resto, de um longo ensaio que já aqui publiquei (2018). Ineficaz porque, em média, a repetição de um ano escolar não faz com que se encurte a distância na aprendizagem de um aluno “reprovado” para um aluno da mesma idade que progrediu. Ou seja, a reprovação não é uma via que ajude efectivamente os alunos a recuperar do seu handicap. E, assim sendo, torna-se uma medida simultaneamente ineficaz no plano financeiro: o esforço orçamental para cobrir as reprovações é muito significativo (custa centenas de milhões de euros) e, se a medida não funciona no plano educativo, é forçosamente dinheiro mal investido.
As organizações internacionais (como a OCDE) e os grandes centros europeus de avaliação de políticas públicas (como aqueles que giram à volta da Comissão Europeia) há muito tempo que sublinharam a ineficácia da retenção de alunos. De resto, os relatórios destes organismos têm recomendado reiteradamente aos Estados que, na medida do possível, procurem reduzir as taxas de retenção nos seus sistemas educativos.
Em Portugal, a retenção dos alunos é historicamente elevada e, por isso, um desafio amplamente discutido no âmbito das políticas públicas. Cerca de 31,2% dos alunos portugueses com 15 anos reprovaram no seu percurso escolar pelo menos por uma ocasião – dados do PISA 2015 da OCDE (os mais recentes a este nível). É uma percentagem elevadíssima no contexto europeu. Repare-se que, entre os países europeus, só na Bélgica há mais reprovações (34%), estando a Espanha (31,3%) em situação idêntica à de Portugal. Os restantes países apresentam percentagens à volta de 20% (França, Holanda, Suíça, Alemanha), entre 5% e 10% (Hungria, Irlanda, Polónia, Grécia) ou mesmo abaixo dos 5% (Dinamarca, Estónia, Suécia, Reino Unido, Finlândia, Eslovénia).
O que explica a elevada retenção em Portugal, comparativamente aos restantes países europeus, não é nenhuma das hipóteses mais comummente discutidas. Por um lado, o sistema educativo português não é mais exigente do que o dos outros – é falaciosa a ideia de que as retenções espelham alguma forma de exigência educativa. Nos vários estudos existentes, não se verifica qualquer correlação entre “exigência” e taxas de retenção, nem sequer entre elevadas taxas de retenção e melhores desempenhos dos alunos nas avaliações internacionais. Por outro lado, como é óbvio, os alunos portugueses também não são “inferiores” aos seus pares europeus, nem sofrem de qualquer falha na sua instrução que justifique tamanha diferenciação – é absurda a ideia de que os nossos alunos são 30% mais “estúpidos” do que, por exemplo, os do Reino Unido.
O que explica que a retenção seja tão elevada em Portugal são aspectos sistémicos – isto é, duas características do sistema educativo, em particular. A primeira é a estrutura do ensino básico (amplificada pela avaliação externa). Os anos escolares com maiores níveis de retenção são geralmente os que antecedem os anos finais dos ciclos do ensino básico. O que isto demonstra é que os professores tendem a evitar que os seus alunos progridam para o último ano do ciclo (4.º, 6.º ou 9.º anos escolares) quando ainda evidenciam algumas fragilidades na aprendizagem – na prática, não dão certezas de estarem capazes de concluir com sucesso esse ciclo de estudos. Daí que, para os partidos (da esquerda à direita) que propõem rever a estrutura do ensino básico e ter menos ciclos, um dos argumentos é precisamente este de, assim, reduzir as retenções. Esse efeito é, de resto, reforçado pela existência de provas de avaliação de final de ciclo – se estas existirem, é superior o incentivo para a reprovação antes de os alunos chegarem ao ano das provas.
A segunda característica sistémica que explica as retenções é a estreita relação do desempenho escolar de um aluno com o seu perfil socioeconómico. Aliás, esta é uma relação que, não sendo determinística, está fortemente correlacionada: em Portugal, o melhor previsor do sucesso escolar de um aluno é o seu perfil socioeconómico (em particular, a formação escolar da mãe). A regra é esta: quanto mais pobre e pouco qualificado for o agregado familiar, maior a probabilidade de insucesso escolar (e a consequente retenção). E mesmo que haja quem insista em identificar aqui uma espécie de desculpa de mau pagador, os dados são absolutamente inequívocos: por exemplo, no 7.º ano de escolaridade, em todas as disciplinas (sem excepção), a percentagem de negativas aumenta à medida que os alunos estão cobertos por mais apoios da Acção Social Escolar (ou seja, quanto mais vêm de contextos desfavorecidos) – ver este estudo da DGEEC, nomeadamente o gráfico 5.1.1. (página 40).
Conclusão? Sim, há demasiada retenção de alunos em Portugal, esta é geralmente ineficaz no plano educativo e todos os indicadores reforçam a convicção de que a sua redução é prioritária. Mas se, em Portugal, os alunos chumbam muito, isso espelha sobretudo uma insuficiência do sistema educativo, que é incapaz de dar resposta às várias necessidades dos alunos, nomeadamente colmatar as diferenças sociais com que os miúdos entram na escola e que têm uma influência fortíssima na sua probabilidade de sucesso. Numa frase, as retenções espelham a realidade cruel do sistema educativo português, que está muito melhor do que estava há 20 anos mas que ainda não consegue cumprir integralmente a sua missão: o elevador social da educação está avariado e a precisar de arranjo. Note-se que não é assim em todo o lado. Portugal está destacado entre os países europeus onde o perfil socioeconómico dos alunos é mais definidor do seu sucesso escolar. Ou, dito de outra forma, Portugal é um dos países onde menos o seu sistema educativo se provou capaz de ultrapassar as desigualdades sociais que entram na sala-de-aula e dar uma educação que sirva a todos e que satisfaça as necessidades educativas de todos. Eis o tendão de Aquiles do sistema educativo.
Nada disto se resolve por decreto ou por via administrativa. Pelo contrário, só se agrava: uma escola que esconde os seus problemas está, mais do que a perpetuá-los, a condenar ao fracasso os alunos mais necessitados da escola para vencer na vida. Há uma ideia que tem de ser absolutamente assumida pelo debate político: a verdadeira escola democrática não é aquela que baixa a bitola, mas aquela que puxa para cima quem está por baixo. E esta máxima vale para reflectir sobre várias áreas do sistema educativo, seja a retenção ou a própria existência de avaliação externa (exames e provas de aferição), onde o governo anterior (2015-2019) errou clamorosamente.
Seria injusto, com base numa frase isolada do Programa de Governo (citada no início deste artigo), acusar peremptoriamente o novo governo de pretender introduzir passagens administrativas para lidar com o problema da retenção escolar. Mas é inteiramente justo assinalar que o compromisso, tal como está redigido e foi aprovado em Conselho de Ministros, é lamentavelmente ambíguo e parte de uma premissa tão perigosa quanto errada: o sistema educativo não precisa de um “plano de não retenção”, cuja existência formal seria (mesmo que indirectamente) um incentivo administrativo e burocrático para as escolas/ professores evitarem retenções; precisa, sim, de políticas públicas que promovam o sucesso escolar e que sejam destinadas, em primeira instância, aos que apresentam maiores dificuldades de aprendizagem – com as devidas dotações orçamentais e alocação de recursos, sem as quais qualquer compromisso desta natureza não passará de letra morta. Claro que isso não será tão vistoso quanto anunciar um “plano”. Mas será muitíssimo mais eficaz e melhor para os alunos. E é isso que realmente importa.
COMENTÁRIOS:
manuel soares Martins: O articulista não está ver o filme. O governo quer apresentar boas estatísticas escolares, sem haver "chumbos" - e isso só se consegue, exactamente...por decreto.
Ana Brito O problema do insucesso escolar está na indisciplina e no aumento de anos de escolaridade obrigatória. De reforma em reforma a escola pública acumulou missões que pertenciam às famílias ou a outros grupos sociais e está a afastar-se do seu "core Business": a transmissão de conhecimentos científicos, que mais nenhuma entidade está preparada para fazer. Tudo o que se propõe para aumentar o sucesso vem já manchado pelo pecado original: a obrigatoriedade da frequência da escola até ao 12º ano, o bloqueio pela lei de impor a disciplina, fazendo sair definitivamente da escola quem reiteradamente, ao longo do ano lectivo, infringe as normas ou do sistema educativo quem é transferido de escola para escola, ano sim, ano não, por infracções disciplinares graves, até fazer os 18 anos. O mau ambiente, a disrupção, a improdutividade, as classes em que o nível de escolaridade já não corresponde às bases dos alunos, em que os professores têm dificuldade em manter a disciplina, quanto mais leccionar todos os conteúdos dessa disciplina, as avaliações tão regulamentadas e passíveis de recurso que levam os professores a uma postura de defesa, beneficiando o aluno são a realidade de muitas escolas. O jovem de um estrato social mais baixo beneficiaria imensamente com uma escola onde pudesse aceder a conhecimentos e eventualmente comportamentos acima da sua realidade social, ajudando-o a progredir. Infelizmente, em muitos casos, acaba por ver reproduzida na escola, no convívio com os colegas, a mesma realidade e nalguns casos, até pior. Os jovens precisam de melhores escolas e de aprender mais. Por isso a abordagem da escola deve voltar ao básico e os políticos devem procurar as suas vantagens eleitorais noutros sítios, talvez ganhando louros por fazerem crescer a economia acima dos 5% ou reduzirem a dívida acima de 20%. Isso é que lhes ficava bem! Deixem os professores e os alunos em paz|
Ping Pong > Yang Ana Brito: Chega de Outsourcing... prefiro que passem logo cedo umas temporadas num Centro de Formação ou como se lhe queira chamar, com horários, gestão de tempo, métodos de estudo e desporto, do que mais tarde num Estabelecimento Prisional ou em exclusão social. PS- Veja o caso dos hábitos de reciclagem que entraram em muitos lares pela mão dos miúdos. São mãos pequeninas, mas quando são bem conduzidas, são firmes e poderosas...
Hélio Crespo > Ana Brito Traça o retrato fiel do que são as escolas públicas na cintura de Lisboa e em alguns outros centros urbanos. Selvas tomadas de assalto e à merçê de selvagens étnicos, sem qualquer possibilidade de funcionarem como efectivos centros de verdadeiro ensino. Meros depósitos de analfabetos que haverão de alimentar as esquerdas, que os querem manter nesse estádio de dependência e barbaridade. A escola pública, colonizada e comandada pelo comunismo, é um cancro que impede o desenvolvimento do país e aprisiona as crianças num círculo de miséria. Para bem das nossas crianças e do país, há que as exterminar por completo.
Ping PongYang Se o artigo corresponde ao resumo, desta vez estou completamente de acordo com o autor. Todos os esforços deveriam ser mobilizados para se "caír em cima" (passe a expressão) do aluno com insucesso, com todos os meios conhecidos, até ele integrar um patamar considerado aceitável... "É de pequenino que se torce o pepino !"
Joao Rodrigues: Tanto na França como na Alemanha, o ensino privado é mínimo, em todos os níveis: elementar, médio e superior. E o ensino superior é quase que totalmente público. Até nos Estados Unidos, o ensino superior de graduação é maioritariamente público.
Adelino Lopes: Acerca da escola pública existe muito para falar / discutir. Mas que interessa? Sim, que interesse tem isso para os governantes? Será que para eles, que têm os filhos nas escolas privadas (nada contra as privadas, pelo contrário), por acaso interessa-lhes concorrência? Tipo meninos carenciados nas escolas privadas ou escolas públicas de qualidade? O que interessa é a propaganda para obterem os votos.
Joao Rodrigues > Adelino Lopes: Vá ver os estudos que comprovam que os melhores alunos das Universidades vieram de escolas públicas
MCMCA > Joao Rodrigues:  Com explicadores privadoss
Miguel Bergano: Reprovar até ao 9ºano é ridículo, agora chegados aí, claramente há muitos alunos que não precisam de continuar a perder tempo. Devia-se apostar fortemente no ensino técnico e profissionalizante, mas isso é uma heresia para pessoas que têm alergia ao trabalho... o que é preciso é licenciados em línguas clássicas nas caixas dos hipermercados.
Ana Dias: Bom artigo, Alexandre. Subscrevo o entendimento de que os chumbos, objectivamente, não são benéficos para ninguém. São, porém, indispensáveis e parte intrínseca do próprio conceito de educação, que não pode dispensar ser avaliada de forma efectiva e com consequências. Ao contrário do Alexandre, não tenho a menor dúvida de que o que está por detrás desta "proposta" é, de facto, instituir um sistema de "passagens" administrativas, muito similar, aliás, aquele, o efectivo do 25 A ou o prático agora reinante nas escolas públicas "ciências" sociais, de que beneficiaram as cabecinhas mandantes na política educativa desta choldra. De novo concordo com o Alexandre de que o problema só pode ser tratado com políticas públicas que, ao nível da escola, resgatem, através de um acompanhamento individual e efectivo, os que têm dificuldades e os ajudem a evoluir para um nível satisfatório. Ademais, não se vê que dificuldade poderia haver em desenhar e implementar políticas efectivas nesse sentido, já que o país, embora tenha cada vez menos crianças nas escolas, sustenta uma multidão de professores, a quem paga ordenados escandalosamente altos e que se encontram no topo dos mais preguiçosos, mal formados e irresponsáveis trabalhadores do estado. Como sempre, é tudo uma questão de gestão de recursos, planeamento e avaliação.
Ping Pong > Yang Ana Dias Aí está o "Doutor" Passos Coelho como o símbolo máximo dessa preguiça, incúria, irresponsabilidade e laxismo de que fala !
Hélio Crespo > Ping PongYang: Doeu assim tanto? Não admira! Cheira-me que o chinoca totalitário, responsável pela morte de milhões com o seu xuxalismo, é também um dos chulos "professores" mais bem pagos da Europa para produzir analfabetos indigentes, futuros votantes das esquerdas criminosas e acéfalas. Quanto ao Dr Passos Coelho, em vez do abuso ordinário, deveria averiguar junto dos respectivos alunos e superiores hierárquicos qual é a sua performance. Como todos os aldrabões, isso recusa saber. Como manda a cartilha dos bandidos da sua laia: nunca deixar que a verdade dos factos impeça a continuação do roubo e da trapaça.
Pedro Miguel Guerreiro: Os principais prejudicados do estado lastimoso de tantas escolas dos centros urbanos, são os bons alunos da classe baixa e média.
chints CHINTS: Há 20 anos que os governos socialistas pressionam os professores para arranjarem altas taxas de sucesso. Primeiro, acho eu, para terem uma vasta população analfabeta que votasse neles, objectivo alcançado. Segundo, para disporem de dinheiro para Sócrates, berardos, fundação Mário Soares, e etcs
Ana Ferreira:  Que Cristo tenha de citar o CM, esse modelo de seriedade, já é mau sinal, quando, ainda por cima, ataca uma causa que ele próprio defende?! É óbvio que a retenção é negativa, e que os alunos com mais dificuldades em vez de castigados devem ser ajudados a progredir. Certo?
Ricardo A.> Ana Ferreira: no mínimo devem ter direito a uma licenciatura no ISCTE.
Jose Neto > Ana Ferreira: Qual é o problema de citar o CM?
victor guerra: O abandalhamento geral da sociedade portuguesa, o "socialismo".
Fernando Ribeiro: Caro AHC. A escola que temos serve apenas para os políticos se sentirem virtuosos, não tem em conta as necessidades dos alunos e do país. Se servir para doutrinar... é quanto basta. E como os pais (eleitores) não querem saber...
Alexandre Barreira: ....vá lá.....Joãozinho........diga-me lá quem foi o primeiro Rei de Portugal....vá lá eu dou uma ajuda.......foi o pai da nossa nação.....ah já sei sotôra........até o meu pai diz que foi ele....o Passos Coelho.......!!!!
Tiago Queirós: Se não existe Igualdade a bem - existe Igualdade a mal! Nem que tal implique, em última análise, a rejeição e a perversão do propósito último do Socialismo, a saber, a "libertação da Humanidade". O Socialismo não tem outro remédio que não seja nivelar por baixo; se, subitamente, os alunos Portugueses alcançassem um nível de excelência escolar e académica, acabariam inevitavelmente por se tornar eleitores de outros partidos que não o Partido Socialista - e isso não pode ser! Conclusão: é preciso é libertar a Humanidade (e Portugal) do Socialismo!