sexta-feira, 4 de julho de 2014

Um texto de Duarte Justo



Publicado no “A Bem da Nação”:

A BURKA
Tribunal Europeu dos Direitos Humanos
contra o uso da Burca

Aprovada a proibição do véu de corpo inteiro na França
A burca (e a Nicabe = véu que cobre o rosto da mulher e só revela os olhos: frequente nos países da Península Arábica,) foi proibida, na França, em 17 de julho de 2010, pela Lei nº 524. A lei proíbe o uso de “vestuário concebido para esconder o rosto”. Violações à lei são puníveis com uma multa de 150 €.

O tribunal Europeu em Strasbourg, num julgamento oficial vinculativo para toda a Europa, confirmou, a 1.07.2014, a proibição do uso do véu que cobre o rosto da mulher em público. Na justificação do julgamento, o tribunal argumentou que a proibição não é discriminadora, não é contrária à protecção da vida privada e nem tão-pouco contra a liberdade de opinião e de religião. 
Contra a lei francesa tinha processado uma muçulmana alegando que a burca era expressão da sua convicção religiosa e ninguém a obrigava a usá-la. O governo francês avalia o número de muçulmanas, que são afetadas pela proibição, em 2000.
A burca cobre todo o corpo da mulher, até o rosto e os olhos, tendo uma rede para poder ver através dela; é usada por mulheres do Irão, Afeganistão e do Paquistão. Ela é um símbolo dos Talibans (movimento islâmico terrorista) que pretende impor a lei islâmica. Estas forças encontram-se muito activas entre emigrantes, na África e especialmente na Nigéria, Síria e Iraque.

Na Alemanha, dado não se ver propriamente o uso da burka em público, não há lei contra o seu uso; alguns estados federados apenas se limitam a proibir o uso do véu (lenço) no serviço público.

A origem da burca

O traje islâmico tem a sua origem num culto à divindade Astarte (1), deusa do amor, da fertilidade e da sexualidade, na antiga Mesopotâmia (Fenícia).

Em homenagem à deusa do amor físico, todas as mulheres, sem exceção, tinham de se prostituir num determinado dia do ano, nos bosques sagrados em redor do templo da deusa.

Para cumprirem o preceito divino sem serem reconhecidas, as mulheres de alta sociedade acostumaram-se, no dia da festa, a usar um longo véu em proteção da sua identidade.

Com base nessa origem histórica, Mustapha Kemal Atatürk, fundador da moderna Turquia (1923 – 1938), no quadro das profundas e revolucionárias reformas políticas, económicas e culturais que introduziu no país, desejoso de acabar de uma por todas com a burka, serviu-se de uma brilhante astúcia para calar a boca dos fundamentalistas da época.

Pôs definitivamente um fim à burka na Turquia com uma simples lei que determinava o seguinte:

«Com efeito imediato, todas as mulheres turcas têm o direito de se vestirem como quiserem, no entanto todas as prostitutas devem usar a burka».

É interessante que a Bíblia também faz referência à imoralidade do rei Salomão que pecou contra o seu Deus ao prestar culto à deusa Astarte (1 Reis 11,5). Os egípcios, mais tarde, deram-lhe o nome de Isis, e os gregos de Afrodite e Hera.

A cobardia do homem encobre o rosto da mulher

Como se verifica do descrito, observa-se uma constante histórica: o homem consegue que a mulher sirva as suas necessidades e se mantenha submissa a ponto de renunciar a ter um rosto individual. Inteligentemente com esta regulamentação do vestuário, o homem não vê a sua presa exposta à concorrência doutros homens e consegue assim poupar a luta da concorrência com o próprio género com que se solidariza. Assim, a mulher torna-se o objecto fraco do indivíduo e do grupo masculino e como tal legitimador da repressão do género feminino, considerado prevaricador e como tal com necessidade de ser protegido através do vestuário. A fraqueza do homem consegue assim inverter os termos e defender consequente e solidariamente os interesses do género masculino. Esta é a lógica do poder e, segundo ele, quem pode manda.

(1)                 Astarte (ʻštrt)  era uma deusa amorosa, bela, fecunda e maternal. Nela se prestava culto à natureza, à vida e à fertilidade, bem como à exaltação do amor e dos prazeres carnais.


O meu comentário no “A Bem da Nação”:

O texto de Duarte Justo prova que a aristocracia, pelo menos a feminina - a masculina sem classe específica - é que implantou no Islão o pudor pelo acto sexual, com a conivência dos praticantes machos, que assim resguardam, previdentemente, as suas fêmeas, dos outros praticantes. O "nec plus ultra", pois, da pudicícia arábica, no que toca a prática sexual, ou, pelo menos, da pudicícia talisbânica, no seu fundamentalismo de pureza.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Viver é preciso



Já Esopo tinha focado,
Na fábula que La Fontaine glosou
- De forma muito mais divertida
E movimentada -
A história do Morcego “vira-lata”
Que muito bem se desenrasca
Quando cai nas armadilhas da vida,
- No seu caso, da Doninha -
Mudando de condição
Conforme a ocasião.
Dele retiro apenas a moral
Que é tão real,
Tão actual,
Que não necessita de nenhuma explicitação
Formal:
«Esta fábula mostra, disse Esopo,
No século sexto ou sétimo antes de Cristo,
Que não devemos utilizar sempre os mesmos meios,
Mas pensarmos que se às circunstâncias nos adaptarmos,
Aos perigos muitas vezes escaparemos».
Eu só acrescentaria
Que não só podemos escapar aos perigos
Como podemos aceder a honras, a riquezas, a esplendores
E a outros valores,
Se soubermos adaptar-nos às circunstâncias,
Mudando de condição
Conforme a ocasião.
Aliás, a questão do mimetismo
Já foi tratado por outros autores,
Entre os quais o nosso Vieira
Que no seu Polvo traçou
Impiedoso retrato potente e sombrio
Que não se equipara nem de longe nem de perto
À leveza
De um Morcego de pouca destreza
Mas muito esperto.

De La Fontaine vejamos
«O Morcego e as duas doninhas »:

«Um morcego, que ia a voar, de cabeça baixada,
Contra a toca duma doninha embateu;
Logo que ali chegou , desastrado,
A outra, para o devorar, acorreu,
Há muito contra os ratos
Formalizada.
“O quê? Você ousa diante dos meus olhos aparecer
Quando a sua raça nunca parou de me molestar?
Você não é um rato? Confesse, sinceramente.
Sim, é, ou não serei eu Doninha.”
”Perdoe-me, disse o pobre,  com muita manha,
Não é esse o meu natural!
Rato, eu? Isso são balelas
De quem me deseja mal!
Graças ao Autor do Universo,
Eu sou um Pássaro, veja as minhas asas!
Vivam as gentes que os ares fendem,
Com as suas asas, como eu!”
A razão bastou, que boa pareceu.
De tal maneira, que a liberdade lhe foi dada
Para se ir embora, sem mais zaragata.
Dois dias depois o nosso desastrado,
Foi cair cegamente
Na toca de outra Doninha,
Dos pássaros inimiga.
Ei-lo, novamente, em perigo de vida.
A Dona da casa, com o seu longo focinho,
Ia engoli-lo julgando-o ave,
Quando aquele protestou contra o ultraje:
“Eu? Passar por isto? Você não está a ver!
O que distingue o pássaro? É a plumagem.
Eu sou um Rato! Vivam os Ratos!
Zeus confunda os Gatos!
Com esta hábil saída,
O Morcego salvou por duas vezes a vida.

Muitos se acharam
Que de echarpe mudaram
Perante os perigos, e assim se safaram,
Tal como o Morcego cego.
O sábio diz, segundo a circunstância da vida:
Viva o Rei! Viva a Liga!»

terça-feira, 1 de julho de 2014

Uma de museu




Transcrição do texto seguinte, do blog “A Bem da Nação”, de 30/6:


«ACORDO ORTOGRÁFICO»

'ABRIR MÃO' AO DESCALABRO OU DO DESCALABRO?

«O "acordo" não serve para unificar, nem para simplificar; nem sequer serve para os fins políticos internacionais que António Sartini e outros como ele pretendem.

Em entrevista publicada na sexta-feira, dia 13 de Junho, neste jornal, o director do Museu da Língua Portuguesa de São Paulo, António Sartini, declarou:
"Acho portanto muito justo que esta língua [portuguesa] se torne oficial nos organismos internacionais. É lógico que esse processo sempre gera descontentamentos [devido ao acordo ortográfico]. Mas para que ela seja oficial é preciso que seja coesa, pelo menos na sua forma culta, normativa. Ela não se tornou oficial até hoje porque há uma forma de escrever no Brasil, outra em Portugal... Para chegarmos a uma forma única, alguém tem de abrir mão de alguma coisa – e isso deixa as pessoas desconfortáveis".

Em virtude destas declarações, graves pelas responsabilidades linguísticas e pedagógicas de quem as proferiu, vimos chamar a atenção para os seguintes factos objectivos:

1. A língua inglesa possui mais do que uma forma de escrever, com diferenças sensíveis entre cada uma (por exemplo, entre a norma adoptada nos EUA e a adoptada no Reino Unido), e isso não a impede de ser a língua mais divulgada no mundo, língua oficial de quase todos os organismos internacionais.

2. O "acordo ortográfico" que António Sartini refere na entrevista, como está cientificamente comprovado, leva ao AUMENTO das divergências entre as ortografias de Brasil e Portugal. Antes do "acordo", escrevia-se recepção e detectar nos dois países. Depois do "acordo", nasceram novas palavras em Portugal, receção e detetar, criando uma divergência ortográfica onde existia convergência. Isto sucede em centenas de casos. Logo, o dito "acordo" não somente não contribui em nada para "chegarmos a uma forma única", como possui exactamente o efeito oposto.

3. Os organismos internacionais, ao contrário do que sugere António Sartini, não ficam a ganhar rigorosamente nada com o "acordo". Este não supera, nem sequer reduz, as divergências ortográficas antigas entre as variantes brasileira e portuguesa. Basta pensar na ONU e na OMS, por exemplo. Com ou sem este "acordo", continuará a ter de decidir-se entre República Checa (pt)/ República Tcheca (br), Islão (pt) / Islã (br), Madrid (pt)/ Madri (br), Moscovo (pt)/ Moscou (br), SIDA (pt)/ AIDS (br), etc. Qual a versão a escolher? Não há "forma única" possível na ortografia da língua portuguesa. O "acordo", precisamente onde o director do Museu da Língua Portuguesa Sartini afirma ser mais necessário, continua a ser um des-acordo.

4. As pessoas que se sentem "desconfortáveis" com o mesmo "acordo ortográfico" não se sentem assim por terem de "abrir mão de alguma coisa". É a verificação das falhas descomunais na sustentação linguística deste "acordo ortográfico", bem como a verificação dos efeitos desastrosos que o "acordo" está a provocar no ensino-aprendizagem, que tem levado à recusa deste por grande parte dos sectores mais ilustrados de Portugal e Brasil. O "acordo" tem criado as maiores confusões em crianças e adultos, tem levado a situações de perda absoluta de referenciais históricos, prosódicos e etimológicos da Língua, e nem sequer conseguiu criar correctores ortográficos para computador que sejam coerentes com ele e entre si. Maior desacordo do que aquele obtido com este "acordo" é difícil, senão impossível, de imaginar.

Noutro ponto da entrevista, António Sartini afirma que "essa reforma [ortográfica] vai oficializar alguma coisa que na prática já vinha existindo. Interessa-nos muito mais essa evolução natural, essa prática do que a cristalização trazida por uma reforma ou um acordo". Na verdade, o actual "acordo ortográfico" não reflecte qualquer evolução natural da língua. Ele foi antes orquestrado por um número muito reduzido de pessoas, em circunstâncias verdadeiramente penosas, para não dizer fraudulentas. Para informações sobre o processo levado a cabo no Brasil, recomendamos a audição da entrevista ao Prof. Sérgio de Carvalho Pachá, ex-lexicógrafo-chefe da Academia Brasileira de Letras e testemunha do processo, cuja ligação segue aqui: http://www.youtube.com/watch?v=-_wIluG3yRs

O "acordo" não serve para unificar, nem para simplificar; nem sequer serve para os fins políticos internacionais que António Sartini e outros como ele pretendem. Pelo contrário: acaba por ser prejudicial em todos esses aspectos. A conclusão só pode ser que o dito "acordo ortográfico" é um péssimo serviço criado aos países e às pessoas que falam e escrevem a língua portuguesa.»

18/06/2014

António de Macedo
Cristina Pimentel
Helena Buescu
Hélio J. S. Alves João Barrento
José Luís Porfírio
José Pedro Serra
Maria do Carmo Vieira
Maria Filomena Molder
Paula Ferreira
Pedro da Silva Coelho
Rui Miguel Duarte


O meu comentário para o mesmo blog:

Como é que um documento taxativo como este, assinado por gente preocupada e responsável – e bem mais inteligente do que esse sujeito Sartini, espécie de clown de rua, a quem deram poderes para uma realização mentecapta, própria para figurar de facto num museu da asneira,  não chega aos olhos e ouvidos e coração dos governantes, que têm o poder  de dizer não a tanta coisa e se acobardam perante o clown e outros como ele, sem abrirem mão de tal loucura, e pelo contrário, abrindo mão a essa loucura fraudulenta e torpe, como o documento bem demonstra?