quarta-feira, 25 de abril de 2018

Chafurde-se, agora e sempre



É o que nos dizem os dois textos seguintes, antecedidos pelo comentário explicitador do contexto em que se geraram, de Boris Vian, entre os muitos que o artigo de João Miguel Tavares provocou. Quanto ao artigo de Rui Ramos, exaltador de Ana Gomes, também julgo que a isenção desta é de elogiar, pois normalmente as suas críticas pendem sobre a direita, quais espadas flamejantes e iracundas, na presunção repetitiva de que a esquerda é “outra loiça”, e sempre na sua voz esganiçada de justiceira com parcialidade.

UM COMENTÁRIO:
Boris Vian, Porto 24.04.2018 : Parece que o que há de novo nesta reportagem relativamente à Operação Marquês, é a divulgação da imagem de José Sócrates. Porque há muitos excertos do interrogatório que já eram do conhecimento público. E segundo declarações de Ricardo Costa, a SIC podia e devia ter passado as imagens do interrogatório. Diz: é óbvio que não foi uma decisão fácil, mas houve imensos cuidados e muita ponderação antes de partirem para a divulgação. E isto acontece também no seguimento de uma série de reportagens que este canal apresentou logo após ter saído a acusação a Sócrates. Portanto, se foi proferida a acusação, o segredo de justiça acaba nesse momento.
É importante lembrar, que estamos a falar de um caso que envolve um primeiro-ministro num processo gravíssimo da democracia portuguesa, que envolve a falência bancária da maior empresa do mercado bolsista. Conclui, este caso não é um caso menor, é um caso onde o interesse público é absoluto e indiscutível. Que o digam os lesados...

Porque é que só há uma Ana Gomes?
OBSERVADOR, 24/4/2018
A sociedade portuguesa gera rotação no poder quando o dinheiro acaba, como vimos em 2002 ou em 2011. Mas já não gera alternativas, como constatámos em 2015 com o regresso dos colegas de Sócrates.
Tal como todos os políticos, a eurodeputada Ana Gomes chegou a algumas conclusões sobre o caso Sócrates-Salgado. Mas ao contrário de todos os outros políticos, não as guardou para si ou para os seus amigos. Disse-as em voz alta, este fim de semana: “o Partido Socialista prestou-se a ser instrumento de corruptos e de criminosos”, e avisou que quer o congresso do PS a discutir porque foi assim. “Pela regeneração do próprio PS, da política e do próprio país”.
Alguém dirá que é muita coragem para uma militante socialista. Mas Ana Gomes não é apenas a única socialista a dizer o que pensa sobre o caso Sócrates-Salgado. É mais do que isso: é a única figura política, de qualquer partido. Porque a propósito da Operação Marquês, a única coisa que os nossos oligarcas gostam de comentar ao pé do microfone é a “violação do segredo de justiça”, isto é, a publicação pela imprensa das informações que lhe chegam do processo. Sobre isso, não falta a ninguém eloquência. O problema, como é antiga tradição em Portugal, é o “jornalismo de sarjeta”. O Dr. Salazar certamente que estaria de acordo.
Porque é que os outros políticos não dizem nada? Porque o que está em causa no processo Sócrates-Salgado, à medida que o novelo é desfiado pela justiça e pela imprensa, é demasiado grave para a oligarquia se permitir olhá-lo de frente. Não é um episódio isolado de corrupção pessoal, mas um sistema, um “mecanismo”, em que um chefe de governo e um dos maiores banqueiros do país terão, segundo a acusação, conspirado contra a lei e contra o interesse público. Ou seja, um Lava Jato, que só parece mais pequeno, não porque Portugal seja pequeno, mas porque o regime continua a esforçar-se por reduzir tudo a um fait-divers, como se tudo, no fundo, não fosse mais do que um daqueles escândalos privados com que o jet-set dá cor à imprensa popular. Entretanto, os acusados, suspeitos e implicados insistem em manter-se no palco, enfrentando com desfaçatez e absurdo toda a evidência. Na plateia, os oligarcas guardam silêncio, incluindo os antigos justiceiros do BE e do PCP. Tal como não deram pelas cativações de Centeno, também não dão pelo que se vai sabendo do que terá sido, segundo a justiça e a imprensa, o império de Sócrates e de Salgado entre 2005 e 2011.
De facto, não é só coragem que falta. Falta também uma alternativa. Se tivessem de ser tiradas todas as consequências desta história, que aconteceria? Infelizmente, e ao contrário do que espera Ana Gomes, o PS, a política e o país não parecem capazes de regeneração. É por isso que somos governados, não apenas pelo PS, mas exactamente pelas mesmas pessoas que estiveram no governo de José Sócrates. A sociedade portuguesa gera rotação no poder quando o dinheiro acaba, como vimos em 2002 ou em 2011. Mas já não gera alternativas, como constatámos em 2015, com o regresso dos colegas de Sócrates, e agora, com a liquidação do PSD por Rui Rio. A divergência económica em relação à Europa, o endividamento e o envelhecimento da população tiraram ânimo e independência à sociedade portuguesa. Em Espanha, a revolta contra a corrupção fez nascer o Ciudadanos; em França, a invalidez dos velhos partidos gerou Macron. Aqui, há vozes isoladas, como Ana Gomes.
Mas se está calada, nem por isso a oligarquia está quieta. Move-se — para se defender. O grande desígnio nacional é agora o afastamento da procuradora-geral da república. Porque se na política só há uma Ana Gomes, quem sabe se na justiça também só há – ou só possa haver — uma Joana Marques Vidal? Talvez baste afastá-la para, utilizando a metáfora de Ana Gomes, a tartaruga poder continuar com a cabeça dentro da carapaça.

OPINIÃO
Falemos, então, das imagens da SIC
Se interiorizássemos que cada um daqueles homens é suspeito de ter roubado não o Estado, mas cada um de nós, seríamos certamente muito mais tolerantes em relação àquelas reportagens e muito menos tolerantes em relação à corrupção.
JOÃO MIGUEL TAVARES
PÚBLICO, 24 de Abril de 2018
Pode uma sociedade ser em simultâneo profundamente dependente do Estado e profundamente desconfiada do Estado? Pode, claro – a sociedade portuguesa não é outra coisa senão isso. Uma das consequências dessa postura é esta: num país onde toda a gente sente que a corrupção é um mal muito entranhado e muitíssimo mal combatido, são realmente poucos os que estão dispostos a assumir as consequências do seu combate, para além das indignações episódicas em conversas de café e nas redes sociais.
Sim, a corrupção é terrível, mas o enriquecimento ilícito inverte o ónus da prova. Sim, a corrupção é horrível, mas a delação premiada é uma deriva pidesca. Sim, a corrupção é detestável, mas prender alguém antes do trânsito em julgado da sentença é uma barbaridade. Sim, a corrupção é lamentável, mas onde é que já se viu expor interrogatórios de arguidos na televisão? Sim, a corrupção é a pior coisa do mundo – excepto quando tentamos encontrar formas eficazes de a combater, porque todas elas ainda são piores do que a corrupção.
Esta atitude deriva de uma profunda incapacidade em colocar o interesse colectivo acima do interesse individual. Sei bem os perigos que este argumento encerra: a PIDE queria proteger os interesses da nação e a Inquisição jurava proteger o bem comum da fé – e olhem no que deu. Certo. Mas a balança tem de estar minimamente equilibrada, senão caímos na absoluta impunidade: um país incapaz de condenar corruptos, ou sequer de prendê-los em tempo útil já depois de condenados, de tal forma é garantista o nosso sistema judicial.
Quando olhamos para as reportagens da SIC, onde são expostas pessoas a serem interrogadas, eu não tenho dúvidas de que essa opção atenta contra os interesses daqueles indivíduos. A questão está em saber se o interesse colectivo o justifica. Que aquelas reportagens acrescentaram muito à informação disponível na sociedade portuguesa não me parece que haja dúvidas. É verdade que pessoas extremamente bem informadas conheciam tudo aquilo. Mas sejamos sérios: quem é que em Portugal lê diariamente o PÚBLICO, o Correio da Manhã, o i, o Observador, a Sábado, a Visão, o Expresso e o Sol, para ter a informação completa sobre a Operação Marquês? Eu digo-vos quem: pessoas como eu, que fazem disso profissão.
O trabalho da SIC teve, pois, o mérito de unir todas as pontas, de uma forma muito compreensível para o grande público. Mais: a voz e postura corporal dos arguidos são elementos fundamentais para a formação de uma convicção. Tenho dúvidas sobre certas opções tomadas – penso, em particular, que testemunhas e arguidos não deveriam ser tratados da mesma forma, e acho essencial todos serem informados de que estão a ser filmados –, mas não alinho no desprezo acerca da importância que aquelas imagens têm para o esclarecimento da opinião pública quando estão em causa crimes de corrupção.
E deixem-me voltar a repetir estas três palavras: crimes de corrupção. A lei permite que qualquer pessoa seja constituída assistente em processos envolvendo crimes cometidos no exercício de funções públicas – e permite muito bem, na medida em que todos nós somos vítimas. Infelizmente, nós próprios, as vítimas, tendemo-nos a esquecer disso. A corrupção não é uma coisa lá deles – é connosco. Se interiorizássemos que cada um daqueles homens é suspeito de ter roubado não o Estado, mas cada um de nós, seríamos certamente muito mais tolerantes em relação àquelas reportagens e muito menos tolerantes em relação à corrupção.

terça-feira, 24 de abril de 2018

O piparote no amor



Não, não falo no assunto que outros mais sabedores tratam aqui – ISILDA PEGADO e JOSÉ MIGUEL PINTO DOS SANTOS – em textos de excelência, aquela acompanhada de alguns comentaristas sintéticos, eficientes e humanos. Insisto, é claro, no despudor de uma esquerda não esclarecida mas apenas pretensiosa e anárquica, a sucumbir à sua fixação na liberdade dos direitos humanos a colidir fortemente com os convencionalismos “ridículos” das sociedades passadas.  
Frieza assassina sob uma capa compassiva. A forma de bem matar, sem o obstáculo da lei punitiva. Não, não vou continuar. Os textos que seguem esclarecem bem, quer em questão de matéria filosófica e humana, quer a respeito de uma lei repugnante que talvez passe na Assembleia….

Eutanásia, um dever para mi, e para si
ISILDA PEGADO
OBSERVADOR, 21/4/2018
É preciso ver para além do hoje. As leis têm efeitos colaterais que devem ser medidos previamente. A eutanásia será um “direito” ou um dever para mim, e também para si?
1 – O debate que no Parlamento se está a fazer acerca da legalização do suicídio assistido/Eutanásia tem sobre ele a capa da Liberdade. Nenhum ser humano quer prescindir da Liberdade. Tudo o que é para o uso da liberdade, de maior liberdade, é bom. Como sempre, é invocado o poder de usar, ou não, esta “liberdade”. Por isso, importa que aqueles que ainda não estão nas condições de a usar possam pensar nos efeitos que essa oferta, de “liberdade”, pode ter nas respectivas vidas, quando a vierem a equacionar.
2 – Hoje, não se coloca sequer a questão de saber ou decidir quando termina a minha vida. Mas, uma vez liberalizada a Eutanásia, esta torna-se acessível a todos. A Lei é, por definição, geral, universal e abstracta. Por isso, quando qualquer um de nós (que hoje está saudável e na plenitude das suas capacidades) se encontrar incapaz de produzir, em dependência, doente e a sofrer (dá trabalho a médicos, enfermeiros, familiares, etc.), com custos inerentes à dependência – e no uso das suas faculdades mentais (isto é, sabe qual é o dia de semana, sabe contar dinheiro, reconhece as pessoas) – necessariamente vai equacionar na solidão, o que deve fazer da sua vida. Vale a pena viver? Vale a pena todo este trabalho? Como decido? Sou egoísta se não pedir a eutanásia? Ou devo ser altruísta? Devo dar lugar aos novos? Sou razoável?
3 –  A eutanásia será liberdade ou dever? A aplicação de uma lei que permite o suicídio assistido, no tempo, mantém os parâmetros de respeito pela Vida? Ou, altera o nosso critério de respeito e inviolabilidade? Ou, torna a Vida descartável em função da circunstância (que a lei muito bem define)? Que dignidade? A eutanásia, é o último acto da vida. E, que me diz – “já não vales nada”, “toma a injecção”. Que dignidade? A Vida é um benefício dado a todos os seres humanos ou traz consigo o ónus, o encargo, de escolher o dia em que terei “direito” ao suicídio assistido?
4 – Como se comportará, toda a Sociedade? todos aqueles que me rodeiam? Que me estimam? Todos aqueles que na vida se cruzaram comigo? – filhos, marido, netos, irmãos, primos, amigos – ao saber que decido eliminar a minha vida, que sentimento terão? Respeito pela minha decisão! (dirão uns). Essa decisão foi ou não, também determinada por actos praticados ou omitidos por aqueles que me rodeiam? Os filhos deram-me o apoio e ajuda que eu necessitava? Os netos deram-me a companhia que eu tanto almejava? Os amigos visitaram-me? Quando eu “decidir”, como se sentirão os que me rodeiam? Porque escolho pôr fim à vida amanhã? Porque não espero mais um mês, para que o bisneto nasça? Que dor ficará naqueles que me estimam?
5 – E os que nessa altura estiverem no Poder (Autárquico ou Central) qual a quota de responsabilidade vão assumir nas faltas que me levaram ao suicídio assistido/eutanásia? O meu suicídio assistido, e o de mais 7 mil pessoas por ano (números estimados por comparação com os números da Holanda e Bélgica), não lhes pesa a responsabilidade? Que estruturas de saúde, sociais, apoios económicos, encontro de gerações, foram negligenciadas? Ou sacrificam-se uns para outros terem maior abundância? Que dignidade.
6 – Hoje, em cada caso de suicídio que acontece na cidade, vila ou aldeia há um luto colectivo que se gera. Muitas vezes justificado por uma doença mental. Mas, na eutanásia não há doença mental para justificar.
É esta sociedade da frieza e da solidão que procuramos? Estamos dispostos a prescindir da Solidariedade e do Amor?
É preciso ver para além do hoje. As leis têm efeitos colaterais que devem ser medidos previamente. A eutanásia será um “direito” ou um dever para mim, e também para si?
Presidente da Federação Portuguesa pela Vida

ALGUNS COMENTÁRIOS:
Cesar Sobral
Tanta demagogia dona Isilda! Você é das que prefere ver os outros a sofrer, quando já não existem quaisquer paliativos. Isso dá-lhe gozo dona Isilda? Ou acha que assim é mais cristã? Até a um animal se dá um "tiro de misericórdia" para lhe ALIVIAR o sofrimento. Só vocês fanáticos religiosos para insistir em tamanha Barbaridade!
William Lyons: o problema é bem mais grave. sendo a lei geral e abstracta, é evidente que abrir a porta à eutanásia irá evidentemente diminuir a protecção dos mais frágeis, como por exemplo os idosos, em especial os idosos doentes. Citando Eduardo Barroso: "saúde é um estado transitório que não augura nada de bom".
Num País onde tantos idosos são abandonados pelos seus próximos nos hospitais, é evidente que esta lei, a ser aprovada, irá abrir a porta a que os cuidadores e familiares próximos de muitos idosos poderão usar esta lei para deles se verem livres e, em muitos casos, anteciparem o benefício de uma eventual herança.
Mas disto a esquerda não fala. Esta esquerda que já não sabe o que há-de fazer para se armar em "revolucionária" e "intelectual". Por isso, anda só a fazer asneiras, embrulhadas em papel "vanguardista" e "solidário".
Mas há pior: há aqueles que seguem estas ideias estúpidas da esquerda!
Paulo Monteiro: Óptimo artigo. Na verdade, a eutanásia não é apenas uma questão de opção pela morte daquela pessoa concreta que escolheu morrer e que o Estado tem obrigação de matar (ou de ajudar a matar-se). A eutanásia é sobretudo uma escolha do tipo de sociedade em que queremos viver: uma sociedade que assume como adequado e normal o processo de matar quem pede para morrer ou uma sociedade que considera que o sofrimento e a solidão têm de ser combatidos de outra forma, que não com a morte.
Bonifácio Serôdio: Vou pedir que a minha condição de humano seja mudada para CÂO, pois os cães não podem ser eutanasiados por lei, e como os humanos vão poder ser eutanasiados eu não quero encontrar num hospital alguém que decida que eu queria ser eutanasiado quando o não queria. Não me importa que me ponham no cartão de animal português que sou rafeiro.
1Responder
dragone, pedro -> Bonifácio Serôdio: A não ser que se sinta promovido, não precisa de baixar à condição de "cão" se quiser evitar que um dia, e em violação da lei, alguém lhe possa impor uma Eutanásia contra a sua vontade: fazer um testamento vital deixando no mesmo expresso que "em nenhuma circunstância deseja que se lhe aplicada eutanásia". E leve sempre uma cópia do dito consigo sempre que vá ao Hospital em situação crítica. Nada mais simples!
Sil Tro -> dragone, pedro: O testamento vital como está é uma treta porque qqr um dos ascendentes ou descendentes pode alterar a vontade do proprio basta que afirme em tribunal que a pessoa em causa tinha mudado de ideias !
William Lyons-> Bonifácio Serôdio: bem dito. é só vantagens: sendo cão pode entrar nos restaurantes, não paga impostos, não pode ser abandonado (como acontece com muitos idosos nos hospitais...), e por aí fora!...
dragone, pedro: A Eutanásia não é o suicídio assistido como a autora “manhosamente” sugere. A Eutanásia é a antecipação da morte de uma pessoa que, em estado terminal, se encontre em sofrimento extremo provocado por uma doença para a qual a ciência médica não identifica cura, com um esperança de vida muito curta, de poucos dias ou meses, e a pedido expresso e em pleno juízo dessa pessoa. Adulterar os conceitos e as definições basilares dos temas em debate para daí obter vantagens argumentativas é de uma desonestidade vergonhosa que não tem limites. O mais grave é que esta parece ser a estratégia comum a todos quantos nesta espécie de jornal de paróquia (que só convida articulistas contra a Eutanásia e, desprezando o contraditório, nenhum a favor…) dissertam sobre o tema. Simplesmente lamentável,  triste e vergonhoso!
José Soares -> dragone, pedro: Se eles não têm argumentos lógicos, claros e inteligentes o que quer o senhor que eles façam?
JB Dias -> dragone, pedro
Já reparou na publicidade a um colóquio sobre o tema logo na página de abertura? O vil metal é o que paga as contas no final do mês ... 
dragone, pedro ->José Soares: O que eu quero que eles façam? Que não sejam vigários!
José Soares -> dragone, pedro: Isso é o mesmo que pedir a um cego para ver; nasceram duma vigarice e lá diz o povo "quem torto nasce..."
Paulo Monteiro -> dragone, pedro: Por falar em sugestões "manhosas", por que razão refere que "A Eutanásia é a antecipação da morte de uma pessoa (...) em estado terminal (...), com um esperança de vida muito curta, de poucos dias ou meses (...)"? Onde é que foi buscar a ideia de que é para pessoas em estado terminal, com pouco tempo de vida? É certamente para "amaciar" a ideia, para não parecer tão grave. Em linha com o eufemismo "antecipação da morte", que na verdade tanto se aplica à eutanásia como a qualquer homicídio. Meu caro, aquilo que referiu sobre "Adulterar os conceitos e as definições basilares dos temas em debate para daí obter vantagens argumentativas" aplica-se a si que nem uma luva. 
William Lyons -> dragone, pedro: no seu comentário há uma contradição: alguém que (cito) "se encontre em sofrimento extremo provocado por uma doença para a qual a ciência médica não identifica cura, com um esperança de vida muito curta, de poucos dias ou meses, e a pedido expresso e em pleno juízo dessa pessoa" está em "pleno juízo", em especial para decidir uma coisa destas? será que alguém nestas condições por si descritas tem capacidade para tomar uma decisão destas?  já não sei, sinceramente, o que é lamentável, triste ou vergonhoso. Se é a eutanásia se quem apoia esta lei bárbara, em sentido completamente inverso a um aumento da protecção social dos mais desprotegidos
E dizem-se de "esquerda"...
Carminda Damiao: A eutanásia é assassínio e por isso não é uma morte digna. O ser humano merece mais respeito. Deve-se pensar em aliviar o sofrimento e não em matar as pessoas.
…………….

EUTANÁSIA
Eufemismos mortais
OBSERVADOR, 20/4/2018
Não se escondam propostas como as da eutanásia atrás de expressões eufemísticas ou politicamente corretas. Aliás, “politicamente correto” é um eufemismo para “eufemismo”. E eufemismos estupidificam.
Os eufemismos desempenham uma importante função social: amenizam e agilizam muitas das nossas interações pessoais no dia a dia. Mas o seu uso no debate intelectual ou político, onde deve imperar o rigor na análise e a honestidade nas propostas, é ilegítimo. Infelizmente verifica-se o seu uso cada vez mais generalizado não só na academia, mas também no debate político e social. Mas ainda mais lamentável é o seu uso sistemático no ataque aos direitos fundamentais da pessoa humana (no que se segue, pessoa refere-se sempre à humana, não à jurídica como Estado ou empresa).
Vejamos um exemplo: homicídio significa matar deliberadamente uma pessoa inocente. Pessoa inocente ponto. Independentemente do seu sexo, idade, raça, religião ou convicções políticas. O homicídio é considerado ilegítimo universalmente: não se conhece cultura ou civilização que tenha tolerado a destruição de um ser humano sem causa gravíssima e sem apelo ao interesse público. Note-se que a defesa da pena de morte sempre se fez com base na existência desses dois pressupostos: como retribuição (o preço de uma vida humana é outra vida humana) e, secundariamente, como prevenção (juízo de elevada probabilidade do réu voltar a atentar contra a vida de outra pessoa). E, felizmente, já nem estas razões são aceites na maior parte dos sistemas jurídicos.
É verdade que se podem encontrar tentativas de justificação quer do homicídio (não com esta palavra), quer da escravatura (outra prática contra a dignidade humana), em algumas situações históricas. Mas esses casos são sempre feitos baseando-se na negação espúria da humanidade da vítima. Alguns exemplos sobejamente conhecidos são a tentativa de Aristóteles negar que os escravos são seres humanos e, portanto, podem ser propriedade de outrem; a dos socialistas soviéticos em negar a humanidade de burgueses e proprietários, e a dos nacional-socialistas alemães em negar a humanidade dos judeus. E note-se que, nestes casos, a negação da humanidade do outro foi feita com recurso a eufemismos: “purga”, “limpeza”, “purificação” de “parasitas”, “ratos” e “pestilência”.
“Aborto” também é um eufemismo: não o termo que se refere a um fenómeno natural, mas a aplicação desse termo ao ato de assassinar um ser humano no útero. O termo exato, porque a vítima é uma criança, é infanticídio. Aliás “aborto” é um eufemismo tão antigo que o seu uso ao longo de muito tempo já gastou a sua capacidade eufemística de ocultar a realidade. Assim novos eufemismos tiveram de ser cunhados para propor este tipo de infanticídio: “interrupção voluntária da gravidez”, expressão que também já está algo gasta, “direitos reprodutivos”, “saúde reprodutiva”, e outros.
Repare-se que “interrupção” também é um eufemismo: a vida da criança assassinada não é interrompida, é terminada, sem qualquer possibilidade de recomeço. “Voluntária” é outro eufemismo: o bebé assassinado tem tanta vontade de morrer como aqueles adultos e crianças que foram assassinados em Solovki, Treblinka, ou Bataclan, e é precisamente a voluntariedade no ato de matar outra pessoa que é especialmente condenável no homicídio. “Gravidez”, palavra usada para tentar ocultar a humanidade da pessoa a assassinar, também atua como eufemismo: como se o ser humano que está no útero tivesse menos dignidade, ou humanidade, do que está fora; ou como se ao mesmo tempo que se termina a gravidez não se terminasse com a vida de uma criança inocente.
Os arrazoados na defesa deste tipo de infanticídio também são intrinsecamente eufemísticos. “O feto não é um ser humano.” Então que será, tendo em conta que foi gerado por dois humanos? Um ser bovino? Curiosamente é frequente os defensores políticos do homicídio intrauterino se oporem ao “assassínio” bovino.
“O feto é uma menina.” Como se ser menina fosse defeito.
“O feto é defeituoso”. Como se um defeito, qualquer defeito, tirasse a humanidade a uma pessoa; a eugenia é um argumento especialmente repugnante, e traz à memória os programas de eliminação de ciganos, judeus e pessoas com “defeitos” físicos, mentais ou hereditários implementados sistematicamente pelos nacionais-nacionalistas. Aliás, a semelhança nos eufemismos então usados (“solução do problema judeu”) com os aplicados hoje (“terminação” ou “resolução da gravidez”) é patente.
“O feto não viável”. É verdade que nos dias que correm um feto só se torna viável com uma licenciatura, às vezes só com mestrado. Será então de permitir a “interrupção voluntária dos inviáveis”? E se não for viável ser artista sem subsídios? Será a sua inviabilidade, a sua incapacidade para sobreviver quando o cordão umbilical que os liga aos dinheiros públicos é cortado, argumento bastante para, literalmente, os assassinar? Se não é para uns, por que razão será para os outros?
Eutanásia, etimologicamente “boa morte”, é outro eufemismo que pretende obscurecer a natureza da ação: a do ato homicida. Em que sentido se pode considerar ser bom matar um ser humano fragilizado? “Sociedade solidária” não se tornará também um eufemismo se, e quando, tal crime for “legalizado”?
“Morte a pedido” também é uma expressão ambígua. A pedido de quem? Dos herdeiros, por interposta pessoa do próprio? Ou da Secretaria de Estado do Orçamento, que terá uma quota a fazer cumprir, ou da companhia que gere o “plano de saúde”, já que o homicídio hospitalar sai muito mais em conta que cuidados paliativos?
Mas, e se for o próprio a pedir? Há muitas coisas que não se permitem mesmo que sejam os próprios a pedir, seja por razões civilizacionais, seja porque se pretende criar uma “sociedade solidária”: não se permite que uma pessoa se venda para escravo, mesmo que o deseje; não se permite que uma pessoa aceite um emprego com remuneração abaixo do salário mínimo, mesmo que queira; nem se autoriza um casal a contrair matrimónio indissolúvel, mesmo que o requeiram. Se se defende que há coisas que um cidadão não pode fazer com o seu próprio corpo, com a sua própria vida, por maioria de razão não será de desrespeitar a sua vontade quando, num momento de fraqueza física ou de coação moral, ele pede a sua própria destruição?
E que dizer de “morte digna”? Em nenhuma civilização a morte à mão de outro homem foi até hoje considerada digna, exceto a ocorrida em combate. E a dignidade da morte em combate advém, sempre, da coragem na ação e fortaleza no infortúnio, e também na dor, de quem morre. O ser humano tem uma dignidade que faz com que o golpe de misericórdia, que é aplicado humanamente a animais, seja considerado desumano quando aplicado a uma pessoa.
“Morte assistida”? Assistida de que modo? Na da escola de Josef Mengele (1911—1979), ou na de Madre Teresa de Calcutá (1910—1997)? Será que quando passarmos a ir ao médico, a ir ao hospital, teremos de pedir um esclarecimento: “O sr. dr. de que escola é?” Ou será que a proteção ao consumidor obrigará à colocação na entrada do gabinete médico de uma placa com os dizeres: “Mata-se sem ser pedido”, “Mata-se a pedido” ou “Cura-se o paciente e mata-se a dor,” conforme a escola? Uma placa destas teria evitado o drama que Alfie Evans e a sua família estão a viver neste momento.
Exige-se, portanto, que quem defende a legalização do aborto diga honestamente, e sem eufemismos, ao que vem: propor a legalização do infanticídio. E que quem defende a legalização do homicídio de velhos, doentes ou pessoas de outro modo fragilizadas, não esconda a sua proposta atrás de expressões eufemísticas ou politicamente corretas. Aliás, “politicamente correto” é um eufemismo para “eufemismo”.
É verdade que eufemismos estupidificam. Mas pior que isso, também matam.
Professor de Finanças, AESE Business School

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Pequenez



A ofuscação por umas tais doutrinas de liberalismo social - e moral – além do económico da cartilha – eliminam totalmente o raciocínio dos que, sem experiência da vida e com a prosápia própria da juvenilidade alcandorada às suas cimeiras, por via de umas quantas leituras dos estereótipos da moda, e da convicção de uma intelectualidade pretensamente mais inteligente, por ser da esquerda, está visto, ainda hoje se denuncia sem pejo nem medida, anões que somos, centrados no nosso ego ou na corrente mais em uso e incapazes de analisar imparcialmente os factos.

Lembro-me do que contava uma velha amiga dos tempos da sua juventude, numa Lisboa republicana em desordem e tiroteio constantes, de que só com a nova ordem, imposta primeiro pela ditadura militar e seguidamente pela mão apertada mas orgulhosa e cumpridora de Salazar, conseguiu a acalmia. Não, não se podia sair à rua em tranquilidade, e a vinda de Salazar fora uma bênção, era isto que lembrava a minha amiga. Poderia recordar a minha experiência de vida, nos tempos de Salazar, de liberdade e mais ordem e respeito por valores, poderia referir os receios de hoje, relativamente à liberdade dos jovens, condicionada por inúmeros factores – o terrorismo, as drogas, o abandono pela ausência dos pais no trabalho, a deformação trazida pelo excesso de permissividade, o “encurralamento” em espaços fechados, desde tenra infância, o isolamento e inércia proporcionados pela alienação mediática, da comunicação a distância, e tanto desrespeito e criminalidade à solta, etc, etc, mas prefiro, por diversão própria, transcrever alguns comentários mais ou menos dialogados que o texto de Rui Tavares mereceu, uns não obnubilados pela mesma arrogância de opinião do articulista, e mais sensatos e realistas - de que ressalto os de amora.bruegas Tomar 


OPINIÃO
Quando Portugal fazia de Hungria da Europa
Nacionalismo: já lá estivemos, já vimos o que implica e já perdemos 48 anos com ele. Num país como Portugal, as suas ilusões só se conseguiram manter à custa de pobreza no interior e pilhagem no exterior.
PÚBLICO, 13 de Abril de 2018
O livrinho que tenho à frente dos olhos enquanto escrevo estas linhas chama-se Principes et Institutions de l’État Nouveau Portugais (Princípios e instituições do Estado Novo Português) e foi editado em 1935 pelo Secretariado de Propaganda Nacional. O facto de se encontrar em francês indica que se trata de um exemplar do esforço que o salazarismo fez para divulgar no resto da Europa e do mundo a Constituição de 1933 com que inaugurou o Estado Novo há 85 anos feitos esta quarta-feira (a constituição foi “aprovada” a 19 de março de 1933 com um plebiscito onde as abstenções contaram como votos a favor, mas entrou em vigor com a publicação no Diário da República a 11 de abril do mesmo ano). Este gesto de vaidade é comum a muitos regimes autoritários: quando em 2011 o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán decidiu impor uma nova constituição em cuja redação não participaram os deputados da oposição, logo seguida por uma lei eleitoral que lhe dá sempre dois terços do parlamento com menos de 50% dos votos, também procedeu imediatamente à edição de vários livros em língua estrangeira partilhando a boa nova da sua “democracia iliberal” aos quatros ventos. Tenho uma prateleira inteira desses livros, oferecidos a cada reunião com o governo húngaro, lá em casa.
Nos meados dos anos 1930 era Portugal que estava na moda entre os conservadores autoritários. Na primeira página do seu miolo, este livrinho explicando o salazarismo aos estrangeiros de língua francesa tem à cabeça uma única palavra: "NACIONALISMO". Os primeiros parágrafos constroem um caso contra as ideias do iluminismo, acusando os enciclopedistas do século XVIII de terem levado a humanidade a um “individualismo egoísta” no qual “uma multitude de ideias contraditórias saem de cérebros exaltados” (a tradução é minha). Para quem acha que o salazarismo não estava atento às modas do tempo ou não sabia em que teclas tocar para ser apreciado pelos nazis e fascistas, note-se que ainda a primeira página não terminou e o livrinho já se lança no antissemitismo. Diz ele que “a divisa Liberdade, igualdade, fraternidade… criou uma sociedade que se impregnou do espírito judaico do lucro… tornando-se quase amoral e encarniçando-se em aumentar a miséria social para a oferecer em holocausto a um progresso fingido”.
“O humanitarismo idealista do século XVIII”, diriam vocês, é uma coisa boa? Pois saibam que, segundo o livrinho, ele “rompeu com o equilíbrio moral da sociedade”. “O nacionalismo português”, por outro lado, “renasce dos escombros de um século inteiro de racionalismo subjetivista”. Isto não é um ensaio enviado por um qualquer calouro a uma gazeta universitária. Isto era a doutrina que o Portugal oficial do tempo dos nossos avós e pais pugnava por vender aos estrangeiros. “O nacionalismo opõe-se ao internacionalismo”, conclui o curto capítulo de quatro páginas, antes de se lançar o livrinho num novo tema, “VIDA E MORTE DO LIBERALISMO”, a que se seguem capítulos como “DITADURA”, “UNIÃO NACIONAL”, “A MOCIDADE NAS ESCOLAS” ou “A ALEGRIA NO TRABALHO”.
O mais interessante é saber, não a que se opunha, mas do que dependia o nacionalismo salazarista. A resposta é simples: austeridade permanente e colonialismo perpétuo. A austeridade, embora não fosse essa a palavra usada, era entendida como a forma de escapar à “desordem financeira, desordem política e desordem moral” do mundo internacional moderno (o livrinho explica com muito brio a recusa de empréstimos da Sociedade das Nações). No subcapítulo sobre “O Império Colonial”, os propagandistas do Estado Novo declaram “que é da essência orgânica da Nação Portuguesa o exercício da função histórica de possuir e colonizar territórios no ultramar e de neles civilizar os povos indígenas” (com a Constituição de 1933 entrou também em vigor um Ato Colonial).
Nacionalismo: já lá estivemos, já vimos o que implica e já perdemos 48 anos com ele. Num país como Portugal, as suas ilusões só se conseguiram manter à custa de pobreza no interior e pilhagem no exterior. Conversa sobre soberania não lhe faltou. O resultado foi menos soberania para os portugueses e nenhuma soberania para os colonizados.
Bom não esquecer.

COMENTÁRIOS
Jose 13.04.2018: A autodeterminação dos povos foi um eixo fundamental e decisivo da luta antifascista, pela liberdade, democracia, igualdade, prosperidade e paz. O povo português conquistou a liberdade em simultâneo com os povos colonizados pelo império colonial português. Hoje estamos nós na posição de colonizados pela máfia da UE que tem por meta ser um Estado supraestadual, o Estado imperial. A luta pela liberdade hoje é a luta pela autodeterminação dos povos, Nações e Estados submetidos pela máfia da UE. A cooperação internacionalista tem como primeira bandeira a recuperação da soberania usurpada pela UE/BCE. Unidos venceremos.
Jonas Almeida - Stony Brook NY, Marialva Beira Alta 13.04.2018 : concordo José, Rui Tavares parece cada vez mais rebuscado nas Histórias em que pega para justificar a ditadura europeia.
amora.bruegas Tomar 
Minhoto Minho/Galiza  Aqui o "camarada" Tavares continua numa de omissões, de forma a justificar a sua visão "monoteísta" e maniqueísta da Europa. A Europa não só pode, mas deve ser um espaço de nações, de povos, solidária, democrática, de liberdade e cosmopolita. E obviamente que existem muitas formas de nacionalismo, que vão desde o perverso e autoritário ultranacionalismo, ao benigno, libertador e emancipador nacionalismo anticolonial. O que o Tavares faz, de forma sonsa, é pôr tudo no mesmo saco. Despreza e condena o nacionalismo pacífico e libertador da Catalunha, e jamais disse uma palavra contra o ultranacionalismo espanhol/castelhano. Alhos com bugalhos, a tentar fazer-nos de parvos, portanto.
amora.bruegas  Tomar 
Remexido, Lisboa 13.04.2018: Não festeja o 5 de Outubro? Quer mais nacionalistas e colonialistas do que essas pessoas que o Sr. festeja, começando pelo Norton de Matos, que o Sr. provavelmente também o inclui na "oposição democrática", aliás com várias ditadurazecas dentro desse mesmo período. Até entramos numa guerra, a 1ª, com medo de perder colónias. Foi aí que o estado novo foi beber...
amora.bruegas Tomar 
  Zut Mut, Putinista Convicto™  Não havia incêndios mas havia cheias que matavam centenas, esqueceu-se convenientemente o amora.bruegas de referir... E ainda bem que sempre defendeu que é importante ter opiniões: no Estado Novo também as podia ter, mas se fossem incómodas convinha não as expressar demasiado, ou corria o risco de ter uma visitinha da PIDE. Depois do 25 de Abril passou a poder dizer e escrever todos os disparates - e são muitos - publicamente, como se verifica aqui na caixa de comentários, já viu que sorte?
  Zut Mut, Putinista Convicto™ : Também, e mais uma vez muito convenientemente, se esquece de referir que a democracia pós 25 de Abril conseguiu descer a taxa de mortalidade infantil para cerca de 3 por mil, uma das mais baixas do mundo, e o analfabetismo para 4%. Mas pronto, é uma opinião "fundamentada e honesta" a que o amora.bruegas já nos habituou.
Jorge Sm Portugal : Que factos é que foram "falsificados" no texto? Não vejo um único.
Jorge Sm Portugal : É preciso ter alguma lata para invocar o sistema de saúde, quando todos sabemos que o acesso universal aos cuidados médicos só se deu com a Democracia. Quanto à taxa de analfabetismo, no início do Estado Novo (1933) já estava abaixo de 60%. A descida em 40 anos foi muito lenta. E a taxa de analfabetismo do final do Estado Novo tem esta particularidade: nas décadas de 50 e 60 emigraram mais de 2 milhões de portugueses, incluindo uma alta percentagem de analfabetos.
Jorge Sm  Portugal  : "Sempre defendi que é importante termos opiniões...". Diz isto uma sra. que defende um regime (Estado Novo) que proibia as pessoas de o criticarem e que punia (quando não liquidava) as pessoas por expressarem opiniões e ideias contrárias. Pois minha cara, é graças à Democracia que tanto despreza que pode estar aqui a opinar contra o regime.
amora.bruegas Tomar  Zut Mut, o seu comentário é a confirmação de que o disparate e as "fake news" são uma conquista de Abril, mentiras mil. O regime não tem culpa da cheia, mas construiu prédios para as vítimas..., de que não se fala; descer a tx. de mortalidade, nas instalações que o regime deixou, é mérito do Estadista... além de que esqueceu o mérito da medicina e da baixa taxa de natalidade..., uns campeões. Quanto ao analfabetismo, ele está nos 7%, mas na realidade, está acima dos 15%, pois há muita criança analfabeta funcional, que não sabe interpretar um texto ou fazer contas de cabeça, a qual está paralítica com tantas "facilidades" nas instalações que o E Novo construiu..., sem esmolas ou endividamentos.
Jose 13.04.2018: Com o título "Tão felizes que nós éramos", publicação de 27 de Março deste ano, Clara Ferreira Alves dá boa nota do ambiente do fascismo de Salazar e Caetano. Não comete o desrespeito de confundir pátria, nação, com o isolacionismo de Salazar e Caetano expresso no conhecido "Orgulhosamente sós". Quando quiser defender o imperialismo da UE faça-o com o desassombro com que Salazar defendia o imperialismo português que a luta antifascista derrubou através do movimento das forças armadas a 25 de Abril de 1974. Foram os povos e suas nações de Portugal, Guiné, Angola, Moçambique e Timor quem animado pela sua identidade pátria ergueram a liberdade nas suas nações e reduziram a passado da noite negra o imperialismo colonial português. As nações derrubaram o império português, inglês, francês,...
amora.bruegas  Tomar Zé, divertida propaganda lhe enfiaram na cabeça..., cheia de inverdades. Não sabe que Portugal foi membro fundador da NATO, EFTA e OCDE? Que pedimos a adesão à CEE em 1962? Que nesse tempo havia uma liberdade que não há actualmente em virtude da elevada criminalidade e bullingue que temos? Sabe em que foi no contexto das independências africanas que foi dito o "orgulhosamente sós"? O que os honestos logo extrapolaram conforme lhes convém? Que éramos um país muito visitado, com liberdade, contrariamente aos socialistas, amordaçados pela cortina de ferro?